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Estudo 5 Adoração da Igreja Atos 4:43-47 IPCci 23/02/2012 Pr. Jorge INTRODUÇÃO Semana passada identificamos em Atos 2:42 o cordão de quatro dobras que fez o grande propósito da igreja primitiva. (1) O ensino da doutrina bíblica – “Perseveravam na doutrina dos Apostolos...” (2) Providenciar um espaço de adoração para os crentes – “... na comunhão...” (3) Observar a Ceia do Senhor – “...no partir do pão...” (4) Ser uma comunidade de oração – “... e nas orações.” Esses quatro fundamentos vão aparecer em toda a história e obra da igreja primitiva. Aplicação Eu gostaria de pontuar alguns textos sobre esses quatro fundamentos. Preparei o quarto estudo baseado em Atos 4:20 – A pregação do Evangelho. Mas confesso que fiquei tão impactado com as verdades que Deus descortinou ao meu coração que resolvi deixar esse estudo para compartilhar no domingo com toda a igreja. Então se você não se importar, vamos analisar o segundo fundamento: A Igreja apostólica providenciava um espaço para a adoração. A idéia de Templo caiu completamente com aquela igreja. Talvez nem percebemos o que significa fazer essa declaração: Estamos falando de


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judeus que aprendeu através dos séculos a quase que idolatrar o lugar. Havia uma forte ênfase no Templo. Não é sem propósito que a mulher samaritana logo que percebeu que Jesus era um judeu começou a lhe fazer perguntas sobre a adoração: Onde devemos adorar? Jesus já começou ali a dar sinais do que iria se consumar na vida da igreja primitiva: Ele disse: “Nem neste monte, nem em Jerusalém se deve adorar; mas em espírito e em verdade.” Posteriormente Jesus disse que iria destruir aquele Templo. É verdade que João interpreta acertadamente essa declaração de Jesus como falando de Seu próprio corpo. Mas o fato de Jesus usar as palavras diante do Templo em Jerusalém, nos mostra que Ele está usando uma realidade da época: A saber, de que a verdadeira adoração obedecia necessariamente os requizitos da Lei: O templo, o animal sem defeito (Que naquele momento só poderia ser comprado no templo) e o sacerdote. Jesus não ensinou com aprofundamento todas as coisas para os seus discípulos; mas agora, quando a igreja começa a viver na dimensão do pentecostes, todos começam a compreender mais acuradamente o que significava realmente “adorar a Deus em Espírito em em Verdade”. E a Igreja criou esse espaço de adoração, principalmente pelo crescimento fenomenal da igreja: De 120 a 3.000; de 3.000 a 5.000 e de 5.000 para uma multidão de discípulos. Pessoas de todas as regiões, de todas as idades e de todas as classes sociais: Judeus e gentios; viúvas e órfãos, homens e mulheres e também religiosos, pois “crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam a fé.” (At. 6:7) Essa comunidade teve que repensar muitas coisas práticas da vida. E uma delas era como eles se reuniriam para cultuar a Deus?


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Algumas características fundamentais da Adoração da Igreja Primitiva:

1. Uma adoração que nasce de corações sinceros Atos 4:33 nos diz: “.. em todos eles havia abundante graça.” Atos 2:46 “... tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração.” Jesus havia dito à mulher Samaritana em João 4:23 “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.” Essa adoração em espírito e em verdade diferencia-se à adoração do Antigo Testamento, que era feita sob as prescrições da Lei. A espiritualidade do Antigo Testamento estava diretamente ligada às ordenanças da Lei. Em Atos dos apóstolos essa adoração ganha um novo colorido. É verdade que prescrições ainda estão presentes, pois eles deveriam adorar segundo a doutrina dos apóstolos. Mas algo novo entra em cena; a saber, o coração do adorador. O trágido desfecho do plano arquitetado por Ananias e Safira em Atos 5 é uma prova de que a Igreja primitiva não conceberia a possibilidade de um retorno ao judaismo onde o coração do adorador não importava muito diante dos suas atitudes na adoração. Os atos de culto eram uma resposta “natural” dos atos cotidianos da vida daqueles irmãos. Hebreus 10:22 nos diz: “Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.” Veja então esses detalhes: (a) aproximar-se; (b) com sincero coração; (c) em plena certeza de fé; (d) tendo o coração purificado de má consciência – Aproximação, sinceridade, fé e pureza.


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Efésios 5:19-20 nos diz: “Falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo ao nosso Deus e Pai, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo.” Veja os detalhes deste texto: (a) louvando de coração; (c) com hinos e cânticos espirituais; (c) dando sempre graças; (d) por tudo ao nosso Deus e Pai.

2. Alegria contagiante – Atos 4:42 nos diz “Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo...” Vamos pensar novamente na adoração do Antigo Testamento. Uma pergunta importante: Havia alegria na adoração dos Judeus? Sim. E a alegria na adoração dos judeus estava diretamente ligada ao livramento do Senhor. Por exemplo: no Salmo 137, no exílio da Babilônia, os judeus diziam: “Às margens do rio da Babilônia nos assentávamos e chorávamos lembrando de Sião... Como haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha.” Em Esdras 3, quando os alicerces do Templo são novamente lançados em sua restauração nos é dito que eles “cantavam alternadamente, louvando e rendendo graças ao Senhor (v.11)... porém muitos sacerdotes e levitas, e cabeças de famílias, já idosos, que viram a primeira casa, choraram (v.12)... de maneira que não se podia discernir os gritos de alegria das vozes de choro...” Essa era a alegria na adoração do Antigo Testamento. Era uma alegria circunstancial como resposta pelos atos de libertação de Deus. No Novo Testamento, esse ato de libertação de Deus está primariamente ligado ao ato de salvação. E a Igreja em Atos passa a adorar com uma alegria contagiante e ultra-circunstancial.


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Ou seja, indepentende do que está acontecendo ao redor aquela Igreja adorava com alegria contagiante porque ela tinha experimentado a salvação de Deus. Veja algo importantíssimo: A adoração da igreja Apostólica era contagiante, mas não irreverente. Era uma alegria cheia de temor. Há pessoas que pensam que alegria é sinônimo de anarquia. No contexto do mundo é mesmo (Basta olhar o carnaval) porque a alegria do mundo é, na verdade, uma roupagem para mascarar a tristeza na vida. Mas a alegria contagiante da adoração da Igreja é uma alegria que flui de um coração transformado. Novamente: A adoração da igreja Apostólica era contagiante, mas não irreverente. Era uma alegria cheia de temor. Veja algo interessante: Em Atos 4:43 nos é dito: “Em cada alma havia temor...” E em Atos 5:12, após a morte de Ananias e Safira, a expressão aparece novamente: “E sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos quantos ouviram a notícia destes acontecimentos.” Aliás, vou ainda mais além: Todo o encontro de salvação do homem acontece sob dois sentimentos antagônicos: tristeza e alegria. A tristeza cai sobre aqueles que se encontram com Cristo, sentido-se sob a pena do pecado, recorrem em lágrimas a Cristo pelo arrependimento. Após receberem alívio pelo pecado, este homem salvo prorrompe em alegria e adoração. Só tem direito de louvar com alegria reverente e contagiante àqueles que choraram com lágrimas de arrependimento. Um acontecimento grandemente ilustrativo e pertinente para pontuar essa alegria contagiante encontra-se em: Atos 16:22-25 “Levantou-se a multidão unida contra eles, e os pretores, rasgando-lhes as vestes, mandaram açoitá-los com vara. E, depois de lhes darem muitos açoites, os lançaram no cárcere,


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ordenando ao carcereiro que os guardasse com toda a segurança. Este, recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e lhes prendeu os pés no tronco. Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam.” Filipenses 4:4 nos diz: “Alegrai-vos sempre no Senhor, outra vez vos digo: Alegrai-vos.” Essa alegria contagiante é (a) uma ordem; (b) ultra-circunstancial (sempre); (c) com uma causa certa (no Senhor).

3. Era também uma adoração com prescrições bíblicas Os Apóstolos eram os responsáveis por carregar sobre a Igreja as doutrinas que tinham aprendidos com Jesus. Essa doutrina dos apóstolos era, na verdade, uma mescla de requizitos do Antigo Testamento com elementos “novos”. Coloco elementos novos entre aspas para dizer que eram novos porque os judeus não conseguiram enxergá-los em Cristo como o cumprimento da Lei, e não novos como abandonando o Antigo Testamento simplesmente. Os elementos do AT eram, por exemplo, a leitura das Escrituras, as orações, a música (o louvor), o arrependimento, as ofertas. E o que havia de elementos “novos”? A comunhão baseada no estímulo mútuo da fé (uns aos outros) e a evangelização como ordenança de Cristo para todos os povos. Essas coisas estão presentes, por exemplo, em Atos 2:47: “Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor dia a dia os que iam sendo salvos.” Dos elementos da adoração do Antigo Testamento, a Igreja primitiva também deu um novo colorido a eles: Por exemplo:


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(a) A leitura das Escrituras e a pregação fundamentadas na pessoa e obra de Cristo (b) A música do AT envolvia vários instrumentos e era praticada essencialmente com o Saltério (Salmos) que era o cancioneiro de Israel. Na Igreja primitiva não aparece muito os instrumentos (talvez até pelo contexto nômade do povo), mas o louvor não é mais apenas o que contém o saltério (salmos) mas também hinos e cânticos espirituais). A sinceridade no louvor ganha espaço indispensável. (c) O arrependimento – At. 3:19 “Arrependei-vos, pois, e converteivos para serem cancelados os vossos pecados.” Todo o sistema sacrifical do AT é substituído pelo sacrifício de Cristo.

Conclusão O que depender de mim... Oro ao Senhor para que nossa comunidade apresente esses três princípios básicos na adoração: (1) Coração sincero; (2) Alegria contagiante; (3) obediência bíblica.


Estudo 5 A Adoracao da Igreja