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MARA E ELIM PROVAÇÕES E LIVRAMENTOS Êxodo 15:22-27 Pr. Jorge Patrocinio, Ph. D. INTRODUÇÃO A Bíblia diz que “Deus prova o seu amor pelo fato de ter Cristo morrido por nós quando éramos ainda pecadores.” Quando estávamos em flagrante rebeldia diante de Deus, Ele nos amou e ofereceu seu filho para morrer em nosso lugar. Mas a Bíblia diz também que nós somos convocados passar por provas, por provações. Ou seja, por provar a Deus o nosso amor por Ele e ao mesmo tempo crescermos na graça e no conhecimento. As provações se nos sobreveem para que cresçamos e Deus seja glorificado. É isso que o apóstolo Pedro afirma em 1 Pedro 1:6-7: “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.” Semana passada vimos que Moisés cantou o livramento do Senhor: “O Senhor triunfou gloriosamente...” (Ex. 15:1) Mas agora chega o primeiro obstáculo para o povo na sua caminhada em direção a terra prometida. Devemos lembrar que nós estamos em caminhada para a nossa Pátria celestial e nesta caminhada os obstáculos aparecerão. É verdade que diante do mar vermelho o povo já havia murmurado. Pois Exodo 14:11, diante do mar vermelho o povo disse a Moisés: “... Será que por não haver sepulcros no Egito, que nos tiraste de lá para que morramos no deserto...” E alí eles falaram algo muito sério. No versículo 12 eles afirmam “... deixa-nos para que sirvamos os egípcios porque melhor nos fora servir aos egípcios do que morrermos no deserto.”

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Esta será a tônica da lamúria do povo durante toda a caminhada no deserto. É verdade que nesta primeira vez, eles ainda não tinham experimentado o que Deus faria, e fez, com Faraó e seu exército no mar vermelho. Agora eles estão realmente a caminho. O texto que lemos é pertinente para nós nesta noite porque narra o começo dessa caminhada do povo de Israel. Caminhada, esta, envolvida por dificuldades, obstáculos, por provações e livramentos. A Bíblia diz que eles foram provados e o apóstolo Paulo, em I Coríntios 10:5 nos diz, que eles ficaram prostrados no deserto por que Deus não se agradou da maioria deles. Eles haviam saído do Egito e experimentado o livramento de Deus no mar Vermelho. Agora, eles caminham por 3 dias e chegam à sua primeira parada, e também o primeiro obstáculo. É aqui neste primeiro obstáculo que o caráter daquele povo começa a ser testado e trabalhado. Lembre-se: Um problema, de qualquer ordem que seja, sempre se apresenta como uma provação e a sua manifestação é sempre dupla: De um lado, ela trabalha com as nossas fraquezas e queima o nosso pecado; do outro lado, ela exercita a nossa força e burila a santidade. É na provação que o nosso caráter é testado e nossa fé burilada. Hebreus 3. 7-19 nos diz que Deus provou o povo de Israel no deserto. O texto diz: “Hoje se ouvirdes a minha voz não endureçais o vosso coração como foi no dia da provação, na tentação no deserto...” Aqui esta dupla perspectiva de um problema aparece novamente com as palavras “provação” e “tentação.” Qual é a diferença entre as duas? Inicialmente podemos dizer que um “problema” pode ser tanto uma provação como uma tentação.

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Na Bíblia a palavra traduzida como tentação ou provação é a mesma: "peraismos". Quer dizer teste, prova. Há vários tipos de provas. Veja: A diferença entre tentação e provação é mais didática do que prática, pois freqüentemente se confundem. Toda tentação é uma provação e toda provação pode vir a ser uma tentação. A Bíblia diz que a tentação é algo do coração do homem: Tiago 1:13-14 “Ninguém ao ser tentato diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentato pelo mal e ele a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça...” 1 Coríntios 10:13 também diz: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentato além das vossas forças...” Mas a Bíblia diz também que a provação vem de Deus: Atos 14.22 nos diz que Paulo fortaleceu a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus. Tiago 1.2-4 chega a dizer que deveríamos ter como motivo de alegria passarmos por provações porque elas nos ajudarão a confirmar a nossa fé.

Aplicação A verdade é que cada um de nós enfrenta um lugar em que não há água ou que as águas não são saudáveis. Cada um de nós experimentará águas amargas algum dia. O apóstolo Paulo afirma aos irmãos de Corinto (1Co. 10:11) e repete aos Romanos (15:4) o motivo pelo qual a história de Israel foi registrada: “Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.” Portanto, o povo de Israel chegou na primeira cidade – Mara- e no mesmo bloco de escrita Moisés vai até a próxima cidade- Elim. As duas cidades não estão muito distante uma da outra e elas guardam singularidades que fazem com que Moisés as tenha

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colocado nos mesmo episódio na história da caminhada do povo de Israel. E quais são as verdades neste acontecimento que pode ensinar a gente aqui:

1) Muitas vezes a situação parece ir de mal a pior Vr. 22 “Caminharam três dias e não acharam água.” Vr. 23 “Chegaram em Mara mas não puderam beber da água...” Aliás, esse é o tema de um livreto-mensagem do Rev. Jeremias Pereira da Silva – “Quando as coisas vão de mal a pior.” E Jeremias diz que “há certas épocas na nossa vida- na vida de qualquer indivíduo (pastor, empresário, dona de casa, crianças e adolescentes) que os problemas vêm em turma.” É assim que acontece muitas vezes. “Um abismo que chama o outro abismo” não acontece apenas na situação de pecado mas em situações de tristezas, dificuldades e dor. Parece que tudo vai caminhando para o pior. Aproximadamente três milhões de pessoas andando no deserto. Eles andam três dias no sem se achar água e quanto acham água, não podem bebê-la por ser amarga. Não consigo consumar na mente situação assim sobre nós. Mas talvez posso apenas imaginar. Lembro de algo que aconteceu comigo quando morava nos Estados Unidos. Viajamos de Carro de Saint Louis para a Califórnia. Cerca de 3 mil kilômetros, 36 horas dirigindo. Uma aventura nas pistas dos Estados Unidos. Ocorre que o Estado vizinho da Califoria é o Arizona. Tivemos que passar pelo deserto do Arizona. Horas e mais horas sem você encontrar-se com uma viva alma. Quando estava entrando no estado vi um posto de gasolina com um preço muito alto dos postos anteriores. Como o tanque estava pra cima do meio eu pensei: Vou até o próximo posto. Comecei a andar no deserto e a gasolina começou a acabar até que a gente achou um posto de gasolina no meio do nada. Obviamente com um preço ainda mais alto, mas tive que parar. Andar no deserto, nem de carro é uma viagem confortável. Aquele povo andou três dias sem encontrar absolutamente nada e nem

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água. Até que, de repente, encontram uma cidade. Há água naquela cidade. As fontes são lindas, mas o gosto é terrível. Qual é pior não se ter água ou não poder beber da água que tem? Quando as coisas vão de mal a pior em sua vida, você precisa aprender que o povo de Israel também experimentou situação semelhante. E aí vem a segunda observação:

2) É preciso ter paciência e fé com o povo de Deus– Vr. 24 “E o povo murmurou contra Moisés...” – Mas Moisés buscou ao Senhor. Ele sabia muito bem a sua missão. Aqui está a chave do que chamamos provação. Tiago 1:2-3 diz que a provação uma vez confirmada produz perseverança: amadurecimento espiritual. Mas no primeiro obstáculo eles murmuraram contra o servo de Deus. É interessante que eles apenas começaram uma caminhada que iria durar no mínimo 40 dias e no máximo 40 anos e no primeiro obstáculo eles murmuraram contra o servo de Moisés. Muitas vezes as pessoas preferem murmurar a trabalhar. As pessoas escolhem murmurar a confiar em Deus que fez a promessa. As pessoas preferem murmurar a orar ao Deus dos céus. Como seu pastor, eu quero desafiar você a não murmurar. Deus tem nos dado tanto. Quero desafiar você a aproveitar a bênção e buscar soluções para dificuldades. Quero desafiar você a não murmurar da igreja Olhe para a história desta igreja com um comportamento cristão equilibrado: (1) Olhe para o que deu certo no passado com gratidão; (2) Olhe para o que deu errado no passado, com temor e aprendizado; (3) Olhe para o futuro com expectativas;

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(4) viva o presente com submissão, alegria, trabalho e fé. Agora veja bem, quando o povo de Israel tinha água e comida, ele não murmurava. Mas ao menor sinal de dificuldade ele voltava a sua lamúria inicial. Lembre-se: É no meio da guerra que se descobre os maiores amigos. É enfrentando gigantes que a união faz sentido. Tempos de grande avivamento virão sobre nós. Mas tempos de dificuldades também podem vir. Como povo de Deus precisamos aprender a ter paciência e fé com o povo de Deus. Duas perguntas fundamentais: Porque não devemos murmurar? 1) Porque ao murmurar tiramos os olhos da providência e os colocamos no problema; 2) Porque ao murmurar, murmuramos contra Deus – Jesus disse a Paulo: Porque me persegues. 3) Porque ao murmurar, retrocede – Porque ter fé e paciência? 1) Porque a fé fortalece – “Com Deus faremos proezas” Sl. 60:12// 108:13 “Posso todas as coisas naquele que me fortaleza” Fp. 4:13 2) Porque fé abre a porta do impossível – Hb.11:1 “Fé é certeza de coisas que se esperam e fatos que não se vêem.” 3) Porque fé abre uma nova dimensão para vermos o invisível – Hebreus 11:8-11 “Pela fé Abraão... peregrinou na terra da promessa como em terra alheia... porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e o edificador.”

3) Toda dificuldade tem o seu reverso – Isto é, é como uma moeda de dois lados – Vr. 25 “...O Senhor lhe mostrou uma árvore... e ali os provou”

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Do lado do diabo, a dificuldade é uma tentação, uma pedra, um problema, um inimigo a ser vencido. Mas do lado de Deus, a dificuldade é uma provação, uma oportunidade de crescimento, um lugar do milagre e provisão. Paulo orou a Deus por causa de um espinho na carne e Deus lhe disse: A minha graça te basta. Atenção Sabe qual é a sua maior vitória diante do inimigo? Não é quando você ora e as coisas acontecem, mas quando você continua a orar mesmo quando as coisas parece não acontecer. Esta afirmação vem da Palavra de Deus: Em Jó (1:6-10)? Deus mesmo diz a respeito dele (Vr. 8): “... observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal.” Nós temos falado muito sobre nós, cristãos, testemunharmos a respeito de Deus. Mas nestes textos, é Deus que testemunha a respeito do homem. Pergunta: O que Deus fala de você? Retornando ao texto inicial: Veja o Vr. 25 “ O Senhor lhe mostrou a árvore” – Essa foi uma situação temporária. Mais um milagre do deserto. Moisés lançou uma árvore na água e as águas se tornaram potáveis. Interessantemente o local não tinha água boa, mas havia uma árvore plantada ali que resistia ao tempo e lançada sobre a água amarga da cidade a adocicou de forma milagrosa. Estudiosos e exegetas acreditam que aqui já começa a aparecer o simbolismo que acompanhará todo o povo de Israel no deserto e que tem ligação com a Cruz. Comentadores parafraseiam esse acontecimento da seguinte forma: A árvore que transforma águas amargas em doces em nossa vida é o

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madeiro. A cruz de Cristo mostrada por Deus para ser fincada em nosso coração e mudar a história. Alguém disse: Cristo entrou nas águas da morte e nos adoçou, mudou o gosto da nossa vida, o significado da nossa existência.

4) Toda dificuldade é um momento de decisão – Vr. 26 “Se ouvires atento o Senhor teu Deus...” É um momento de mostrar a quem verdadeiramente serviremos. Jó 2:10 – Veja que Jó estava tão comprometido com Deus que foi o diabo, permitido por Deus, que tocou nos bens dele. Mas ele aqui diz que “foi Deus que provocou o mal que veio sobre ele.” Essa é a compreensão mais acurada de um homem sobre soberania de Deus. Nem mesmo a “honra” de ter provocado o mal, o diabo pode desfrutar na vida de Jós. Vivemos um tempo totalmente diferente. Muitas pessoas se apressam em nossos dias a atribuir o problema que está enfrentando ao diabo. O que isso ensina para nós? Às vezes achamos que atribuir o mal que vem sobre nós a Deus é manchar a pessoa e o caráter de Deus que é santo e amoroso. Mas eu entendo que fazer isso é dar ainda mais glória a Deus. É uma forma de dizer que todas as coisas estão sob a poderosa mão do nosso Deus e que Ele cuida de nós. Deus não gera o mal, mas Ele cogita em todas as coisas, até mesmo usando o problema para nos aperfeiçoar. Veja o final do versículo: “Em tudo isso não pecou Jó com os lábios”

5) No fim da história Deus abrirá fontes – Vr. 27 “E chegaram a Elim, onde havia doze fontes de águas e setenta palmeiras e se acamparam junto das águas.” Lembre-se: Sempre depois de Mara há o Elim. “Acamparam junto das águas” – Depois do deserto eles fizeram o acampamento junto das águas.

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Quando Deus socorre, achamos descanso e acampamos ali, junto às águas de Deus” – Sl. 91:1 “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa a sombra do Onipotente. Qual é a importância de ter Elim depois de Mara? (1) Quando já experimentamos o deserto, a água fica mais saborosa – A vitória vem sempre com maior alegria. Salmo 126 “Ficamos como quem sonha” (2) Quando já experimentamos o deserto, fica mais patente que a água vem de Deus – 1 Crônicas 29: 14 “Tudo vem de ti, Senhor” (3) Quando já experimentamos o deserto, a água é recebida com maior gratidão -

Conclusão Concluímos essa mensagem fazendo-lhe a pergunta: Onde você está? Se você está em Mara: (1) Olhe para frente; (2) Racione o que tem; (3) Ore a Deus por livramento; (4) Não murmure porque a água boa do Egito vem acompanhada do chicote; Se você já chegou a Elim. 1) Não olhe para traz. Esqueça-se de Mara; 2) Acampe-se à beira das águas, descanse em Deus; 3) Beba daquilo que Deus tem para você; A APMT – Agência Presbiteriana de Missões Transculturais, da Igreja Presbiteriana do Brasil, manifesta a sua gratidão a Deus por todos aqueles que continuam apoiando a situação que os nossos irmãos missionários Rev. José Dílson Alves da Silva (Esposa Marli), da APMT, e a irmã Zeneide Novaes Moreira, da Missão Servos, estão passando no Senegal, nesse período de liberdade provisória.

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No dia 05/04/2013, ambos receberam a liberdade provisória, em que puderam sair do presídio, ficando à disposição de todos os procedimentos solicitados pela justiça senegalesa. Nessa fase, ficaram no aguardo da decisão do juiz responsável, que definiria o rumo processual. Finalmente, nesta semana, quase 1 ano depois, tivemos uma decisão do juiz para o caso. Das três acusações iniciais, duas foram retiradas do processo, ficando apenas uma. Além disso, o julgamento foi marcado para o dia 8 de abril de 2014. Marque essa data em sua agenda e clame ao Senhor! A APMT/IPB (como denominação) continua tomando todas as providências cabíveis para dar o suporte necessário nesse momento delicado. Os advogados já estão cientes e estão trabalhando para montar a estratégia de defesa. Precisamos continuar orando e pedindo a sabedoria do Senhor para que os advogados da APMT-IPB tenham sabedoria nos argumentos e na apresentação das provas para inocentá-los definitivamente. Expressamos a mais alta estima e gratidão a todos aqueles que têm investido seu tempo para que essa causa chegue a bom termo e glorifique a Deus, Nosso Pai Amado, que nos chama para servi-lo e adorá-lo. Em nome de toda a equipe da APMT no Brasil e no Senegal. Rev. Marcos Agripino C. de Mesquita Executivo da APMT – IPB www.apmt.org.br

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Estudo 4 mara e elim