Issuu on Google+

O Livro de Apocalipse – Rev. Jocarli A. G. Junior

Estudo Trinta e Seis:

O Triunfo do Messias [ Apocalipse 20 ] Depois de proclamar a destruição do Anticristo no capítulo 19, João passa à derrota e destruição de Satanás. É importante observar que o capítulo 20 apresenta um quadro que é simultâneo com os capítulos anteriores, que relatam cenas repetitivas sobre o juízo. Assim como os vinte e quatro anciãos anunciam o tempo do juízo (11.18) e o Filho do Homem inaugura o Dia do Juízo (14.14-20). Deus derrama sua ira em antecipação do juízo final (16.17-21), o cavaleiro que monta o cavalo branco julga com justiça seus inimigos (19.11-21) e Deus abre os livros para julgar cada pessoa no juízo final (20.11-15).570 Em resumo, o livro de Apocalipse é um volume de paralelos que progridem com cada ciclo sucessivo. Entretanto, a interpretação deste capítulo já resultou em muitos debates, e até conflitos na igreja. Sistemas escatológicos são identificados pelo modo como eles abordam a questão do milênio.571 A controvérsia maior é sobre o significado de Apocalipse 20.6, onde está escrito que os justos reinarão com Cristo “mil anos”. O debate é sobre quando acontecerá esse milênio e em que lugar, na terra ou no céu.572 Apocalipse 20 pode ser dividido em quatro partes: A grande prisão (1-3); o grande reino (4-6); a grande revolta (7-10) e o grande trono (11-15).

I. A Grande Prisão 1

Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. 2 Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; 3 lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações 570

KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento, Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 668. 571 LADD, George. Apocalipse, introdução e comentário. São Paulo: Editora Vida Nova, 1984, p. 192. 572 Os três sistemas mais comuns acerca da interpretação do milênio (Millennium, “mil anos”) em Apocalipse 20, são: Pré-milenismo, Pós-milenismo e Amilenismo. Pré-milenismo – Resumidamente, os premilenistas crêem que a segunda vinda de Cristo será premilenista: isto é, anterior ao milênio. Por isso, os premilenistas aguardam um reinado de Cristo sobre a terra por um período de mil anos após a volta, e antes da instauração do estado final. Pós-milenismo – É aquela concepção das últimas coisas que sustenta que o reino de Deus está sendo estendido agora pela pregação do evangelho e a obra salvadora do Espírito Santo no coração dos indivíduos, que o mundo irá finalmente ser cristianizado e que a volta de Cristo ocorrerá no final de um longo período de retidão e paz comumente chamado de milênio. Amilenismo - O amilenista compreende a Segunda Vinda de Cristo como um evento único, não um evento que envolva duas partes. Na hora da volta de Cristo haverá uma ressurreição geral, tanto de crentes quanto de incrédulos. Após a ressurreição, os crentes que ainda estiverem vivos serão transformados e glorificados. Estes dois grupos, crentes ressurretos e crentes transformados, são então elevados para as nuvens para encontrar com o Senhor nos ares. Após este “arrebatamento” de todos os crentes, Cristo completará sua descida a terra e conduzirá o juízo final. Após o juízo, os incrédulos serão entregues à punição eterna, ao passo que os crentes desfrutarão para sempre das bênçãos dos novos céus e da nova terra. Clouse, Robert G.; contribuições de: Ladd, George Eldon; Hoyt, Herman A.; Boettner, Loraine; Anthony A. Hoekema. – “Milênio: Significado e Interpretações”; São Paulo; Luz Para o Caminho; 1985.

Igreja Presbiteriana em Tabuazeiro – 2010/2011

234


O Livro de Apocalipse – Rev. Jocarli A. G. Junior até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo.

“Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente...” (v. 1) – João vê um anjo descendo do céu. Ele tem uma chave com a qual fechará o abismo (cf. 9.1, 11). O abismo é o mesmo de onde saíram os gafanhotos demoníacos que torturaram os homens (9.1-6). “Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos...” – É muito difícil entender os “mil anos” de forma literal, tendo em vista o uso simbólico dos números em Apocalipse. Uma vez que o número dez significa totalidade, e uma vez que mil é dez elevado à terceira potência, podemos considerar a expressão “mil anos” como indicando um período completo, um período muito longo de duração indeterminado. A prisão de Satanás se refere às restrições que Deus impôs ao maligno na forma de privá-lo de poder e autoridade. Quando os fariseus acusaram Jesus de expulsar demônio pelo poder de Satanás, Jesus respondeu: “Ou, como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo?” (Mt 12.29). A palavra “amarrar” utilizada por Mateus para o aprisionamento do homem valente, é a mesma palavra utilizada em Apocalipse 20 para descrever o aprisionamento de Satanás (deo, em gregoo). Pode-se afirmar que Jesus amarrou o diabo quando triunfou sobre ele no deserto, recusando-se a ceder às suas tentações (Mt 4). “... para que não mais enganasse as nações...” – Satanás está impossibilitado de pôr em prática sua perversidade que tinha antes de sua restrição.573 Contudo, o fato de que ele está preso no abismo não quer dizer que seus poderes estão anulados, mas somente que ele não pode mais enganar as nações como o fez durante a história da humanidade e levá-las a uma agressão ativa aos santos durante os mil anos.574 Willian Hendriksen estava certo quando escreveu: “Um cachorro preso a uma longa corrente pode causar imenso dano dentro do círculo de sua prisão. Fora desse círculo, porém, o animal não pode machucar ninguém.575 Mais adiante, o apóstolo João nos diz que, quando os mil anos tiverem passado, Satanás será solto de sua prisão e sairá para enganar as nações, para reuni-las contra o povo de Deus (v.7-9).576 Isto, porém, ele não pode fazer enquanto estiver preso. Assim, o aprisionamento de Satanás durante a era do Evangelho significa que, primeiramente, ele não pode impedir a disseminação do Evangelho e, em segundo lugar, ele não pode congregar todos os inimigos de Cristo para atacarem conjuntamente a igreja. “... Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo.” – Esse é o tempo que antecede à segunda vinda de Cristo. Depois do período de mil anos, o mesmo período da grande tribulação, Satanás será solto para enganar as nações. Ou seja, Deus o Pai, conhece e determinou o exato momento da volta de Jesus, o Filho

573

KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento, Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 671. 574 LADD, George. Apocalipse, introdução e comentário. São Paulo: Editora Vida Nova, 1984, p. 192. 575 HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 253. 576 HOEKEMA, Anthony. A Bíblia e o Futuro. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 269.

Igreja Presbiteriana em Tabuazeiro – 2010/2011

235


O Livro de Apocalipse – Rev. Jocarli A. G. Junior

(Mt 24.36). Além disso, a liberdade do maligno vai durar “pouco tempo”. O Senhor Jesus declarou que “por causa dos eleitos aqueles dias serão abreviados” (Mt 24.22).

II. O Grande Reino 4

Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. 5 Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. 6 Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos.

“Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar” – No livro de Apocalipse a palavra “trono” é utilizada quarenta e seis vezes, e que todos estes tronos, à exceção de três (2.13; 13.2; 16.10), estão no céu. Se acrescentarmos a esta consideração o fato de João ver “as almas dos decapitados”, somos corroborados na conclusão de que o local da visão de João foi agora transferido para o céu. Podemos então dizer que, embora o período de mil anos, descrito nestes seis versos, seja inteiramente o mesmo, os versos 1 a 3 descrevem o que se passa na terra durante esta época, e os versos 4 a 6 retratam o que acontece no céu.577 “... e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar” – É interessante observar que, Deus exalta supremamente os santos redimidos, dandolhes o privilégio de julgar os seres humanos e os anjos. Os santos vão julgar as doze tribos de Israel (Mt 19.28), o mundo e os anjos (1Co 6.2). Além disso, Jesus prometeu aos vencedores que eles se assentariam com Ele no seu trono (Ap 3.21). Os salvos estão com Ele no Monte Sião (Ap 14.1), cantam diante do trono (Ap 14.3; 15.3) e verão sua face (Ap 22.3). “Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta...” – Todos os salvos, os mártires e todos aqueles que morreram em sua fé. Esta passagem, na verdade, é paralelo a uma passagem anterior do livro, Apocalipse 6.9: “Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam”. No entanto, os outros mortos, ou seja, os incrédulos, não tornarão a viver até que os mil anos sejam cumpridos (v. 5). Nesse período entram na segunda morte. “... e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos” – Os santos vivem e governam com Cristo mil anos nas regiões celestiais. Os santos redimidos do pecado e da morte estão sentados em tronos celestiais e desfrutam do privilégio de governar 577

HOEKEMA, Anthony. A Bíblia e o Futuro. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 271.

Igreja Presbiteriana em Tabuazeiro – 2010/2011

236


O Livro de Apocalipse – Rev. Jocarli A. G. Junior

como reis com Cristo no céu.578 Embora estes crentes tenham morrido, João os vê vivos, não no sentido corporal, mas no sentido de que eles estão desfrutando da comunhão com Cristo no céu (Fp 1.23; 2Co 5.8). Destarte, pode-se afirmar que estamos agora no milênio, e o reinado de Cristo com os crentes durante este milênio não é terreno, mas sim celestial.579 “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário...” – O que quer dizer “a primeira ressurreição”? Estas palavras apontam para o que aconteceu aos crentes mortos a quem João estava descrevendo no final do verso 4. O que quer dizer “a segunda morte”? O verso 14 explica: “Esta é a segunda morte, o lago do fogo”. Todos quantos são regenerados ressuscitaram com Cristo - e essa é a primeira ressurreição. A ressurreição do corpo é posterior - essa é a segunda ressurreição. A frase “primeira ressurreição”, se refere à ressurreição espiritual, é uma forma de escrever “o novo homem” em Cristo que foi regenerado. Então, mesmo mortos, suas almas estão reinando com Cristo no céu (Fp 1.21,23; 2Tm 2.12; Ap 3.21). “... serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos” – Tais almas celebram a vitória do Cordeiro e a sua própria. Eles têm acesso direto à presença de Deus (Ap 1.6; 5.10). Ao longo de todo este período de “mil anos”, portanto, os crentes mortos estarão adorando a Deus e a Cristo como sacerdotes, e reinarão com Cristo como reis. Além do mais, os últimos capítulos do Apocalipse indicam que, após a volta de Cristo e a ressurreição do corpo, estes crentes mortos serão capazes de adorar a Deus, servir a Deus e reinar com Cristo de forma ainda mais rica do que estão fazendo agora.580 Então servirão a Deus por toda a eternidade, numa perfeição sem pecado, com corpos glorificados na nova terra (Ap 21).

III. A Grande Revolta 7

Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão 8 e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. 9 Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. 10 O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos.

“Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão” – Quando os mil anos cessarem, Satanás será solto de sua prisão. Então fica muito claro que uma final e mais terrível perseguição, por meio d as forças anticristãs oprimirão a Igreja, e será instigada de maneira mais direta pelo próprio Satanás.

578

KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento, Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 679. 579 HOEKEMA, Anthony. A Bíblia e o Futuro. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 275. 580 HOEKEMA, Anthony. A Bíblia e o Futuro. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 280.

Igreja Presbiteriana em Tabuazeiro – 2010/2011

237


O Livro de Apocalipse – Rev. Jocarli A. G. Junior

“... e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja” (v.8) – O diabo convoca Gogue e Magogue para o ataque final contra “o acampamento dos santos e a cidade querida”. Em Ez 38.1, Gogue é o príncipe da terra de Magogue, vindo do norte para lutar contra o povo de Deus. No livro de Apocalipse as duas palavras representam as nações hostis.581 Surpreendentemente, João viu que o número dos rebeldes será como a areia do mar, uma figura de linguagem usada nas Escrituras para descrever uma incontável multidão (Gn 22.17; Js 11.4; Jz 7.12; 1Sm 13.5; 1Reis 4.20, Hb 11.12). “Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu” – O golpe final é dirigido contra a “cidade querida”, também chamada de “acampamento dos santos”. As palavras “acampamento” e “cidade” são um duplo símbolo que descreve os santos sobre a Terra que enfrentam os inimigos espirituais. Já a expressão “acampamento dos santos” inclui os cristãos verdadeiros dentre todos os povos, nações, línguas e raças.582 A expressão “cidade querida” (agapao, em grego), refere-se ao povo de Deus em cujo coração o Espírito Santo habita – a cidade de Satanás, onde a besta e meretriz estão sediadas, e acidade de Deus, onde Deus e o Cordeiro estão sediados.583 A cidade querida é a habitação espiritual dos santos (Ap 3.12; Ap 11.2, 8). “... desceu, porém, fogo do céu e os consumiu” – Deus é o protetor do Seu povo “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra” (Sl 46.1). Os inimigos de Deus serão incapazes de derrotar o Seu povo e também, incapazes de escapar do cálice da ira de Deus. O Altíssimo os destruirá com fogo procedente do céu (2Rs 1.10, 12; Ez 39.2). “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta...” – Satanás enganou as pessoas e levou-as a pensar que fosse possível uma vitória sobre a Igreja de Deus. Todavia, o enganador será lançado no lago que arde com fogo e enxofre onde estão também a besta e o falso profeta (Ap 19. 20). Temos aqui o ápice da vitória de Cristo. Jesus já havia falado sobre isso: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41). É relevante destacar que, o inferno não foi feito para os homens, mas para o diabo; quem o segue tem de compartilhar do seu destino.584 “... e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” – O inferno é um lugar de sofrimento mental (Dn 12.2; Mt 8.12; 13.42, 50; 22.13; 24.51; 25.30, Lc 13.28) e tormento físico (14.10-11; Mt 25.41, Mc 9.43-44, Lc 16.23-24). Os inimigos do Cordeiro serão atormentados dia e noite, não haverá um momento de alívio para todo o sempre. A Escritura Sagrada ensina explicitamente que o inferno é 581

LADD, George. Apocalipse, introdução e comentário. São Paulo: Editora Vida Nova, 1984, p. 200. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento, Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 679. 583 JOHNSON, Alan F. Revelation, in The Expositor´s Bible Commentary, org. Frank E. Gaebelein. Grand Rapids: Zondervan, 1981, 12.588. apud: KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento, Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 684. 584 LADD, George. Apocalipse, introdução e comentário. São Paulo: Editora Vida Nova, 1984, p. 201. 582

Igreja Presbiteriana em Tabuazeiro – 2010/2011

238


O Livro de Apocalipse – Rev. Jocarli A. G. Junior

eterno. A mesma frase grega traduzida para “séculos dos séculos” é usada em 1.18 para falar da eternidade de Cristo, em 4.9-10, 10.6, e 15.07 da eternidade de Deus, e em 11.15 da duração do reino de Cristo.585 Jesus ensinou que o castigo dos ímpios é tão eterno quanto à vida eterna dos justos (Mt 25.46). Ele também ensinou que o inferno é um lugar de “fogo inextinguível” (Mc 9.43), “onde o verme não morre” (Mc 9.48). Em 2Ts 1.9, Está registrado: “Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder”.

IV. O Grande Trono 11

Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. 12 Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. 13 Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. 14 Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. 15 E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.

“Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles” – O apóstolo João utiliza o adjetivo “grande” oito vezes para descrever algo que é maior que a vida. Neste versículo, João descreve o trono de Deus em dimensões cronológicas, porque os seres humanos são incapazes de formar proporções celestiais. É chamado de grande não só por causa de seu tamanho como maior do que os tronos mencionados em 20.4, mas também devido à sua importância, autoridade e majestade. Além disso, João diz que o trono é branco, isto é, a cor que representa pureza e santidade. O veredito deste trono será absolutamente justo, justo e justo. “... de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles” – Quando o dia do juízo chegar, a criação divina será afetada de tal maneira que a terra sofrerá uma completa mudança. Nesse momento, eventos catastróficos, de enormes proporções, acontecerão; pois a atmosfera será enrolada como se faz com um rolo para dar lugar aos novos céus e à nova terra (6.4; 16.20; 21.1; 2Pe 3.7; 10, 12, 13).586 Os céus e a terra desaparecem de sua face. O que é descrito aqui não se trata de destruição ou aniquilação, mas de renovação do universo. Haverá uma dissolução dos elementos em meio ao grande calor (2Pe 3.10); a regeneração (Mt 19.28); a restauração de todas as coisas (At 3.21); e um livramento da escravidão da corrupção (Rm 8.21). O universo não mais estará sujeito à vaidade.587

585

MacArthur, John: Revelation 12-22. Chicago, Ill. : Moody Press, 2000, S. 242 KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento, Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 686. 587 HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 260. 586

Igreja Presbiteriana em Tabuazeiro – 2010/2011

239


O Livro de Apocalipse – Rev. Jocarli A. G. Junior

“Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros” (v. 12) – João vê os mortos, grandes e pequenos, postados em pé diante do trono. São todos àqueles que morreram desde que Deus pronunciou a maldição sobre toda a raça humana e que agora comparecem diante do Juiz de toda a terra.588 Os livros são abertos e consultados os registros da vida de cada pessoa (Dn 7.10). Os livros contêm o registro de cada pensamento, palavra e ação de cada pessoa não salva que já viveu. Deus tem mantido registros perfeitos, precisos e abrangentes da vida de cada pessoa, e os mortos serão julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E aberto, também, o livro da vida que contém os nomes de todos os crentes (Ap 3.5; 13.8). Os mortos são julgados segundo as suas obras (Mt 25.31; Rm 14.10; 2Co 5.10). “Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras” (v. 13) – Todos os mortos, não importa onde morreram, foram incluídos neste julgamento final. Os que se afogaram, bem como os que sofreram qualquer outro tipo de morte, serão ressuscitados para estar diante de Deus para o julgamento.589 Essa é a ressurreição geral de todos os mortos. A Bíblia ensina que haverá uma única ressurreição geral (Jo 5.28). Essa uma e única ressurreição geral que ocorrerá no último dia (Jo 6.39, 44, 54).590 “Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo” – A expressão “lago de fogo” ocorre somente em Apocalipse, e isso num total de seis vezes (19.20; 20.10, 14 [duas vezes], 15; 21.8). O apóstolo João descreve o “lago de fogo” como a segunda morte. É o lugar onde os ímpios viverão e sofrerão eternamente separados do Deus vivo no inferno. Mas, o que significa “morte e inferno”? A morte é o estado e o inferno (hades) é o lugar. A morte é o último inimigo a ser vencido. O inferno é um lugar de sofrimento infindável. A Morte é a separação de alma do corpo, e o Hades, o estado de separação, agora cessa. Nem no novo céu nem na nova terra nem mesmo no inferno jamais haverá separação entre corpo e alma depois da segunda vinda de Cristo para julgamento.591 A parábola do rico (Lc 16.19-31) descreve o inferno como agonia, fogo e lugar de tormento. Ali o rico foi cortado de Abraão, e Lázaro se encontra no céu, e ali [ele] o rico sofria a segunda morte, que é tanto espiritual quanto física.592 A mais clara e mais vívida das palavras do Novo Testamento usada para descrever o inferno final, no lago de fogo, é geenna. Geena é um termo do Novo Testamento para o vale do filho de Hinom (também chamado Tofete, 2Reis 23.10; Is 588

KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento, Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 687. 589 LADD, George. Apocalipse, introdução e comentário. São Paulo: Editora Vida Nova, 1984, p. 201. 590 HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 260. 591 HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 261. 592 KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento, Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 690-91.

Igreja Presbiteriana em Tabuazeiro – 2010/2011

240


O Livro de Apocalipse – Rev. Jocarli A. G. Junior

30.33; Jr 7.31-32; 19.6), localizado a sudoeste de Jerusalém. Nos tempos do Antigo Testamento, os israelitas idólatras queimavam seus filhos no fogo como sacrifícios a falsos deuses (Jr 19.2-6). Nos dias de Jesus, era o local de despejo do lixo de Jerusalém. Os incêndios constantes exalavam mau cheiro e fumaça, e o lugar estava infestado de vermes. Às vezes, os corpos de criminosos eram jogados lá. O vale do filho de Hinom era, portanto, uma imagem do inferno eterno usado repetidamente por Jesus (Mt 5.22, 29, 30; 10.28; 18.9; 23.15, 33, Marcos 9.43, 45, 47, Lucas 12.5).593 O inferno será o despejo eterno de Deus; seus ocupantes sofrerão como lixos no vale do filho de Hinom pelos séculos dos séculos. O conforto que o povo de Deus recebe é que seus nomes estão registrados no livro da vida. Enquanto os salvos têm seus nomes no livro da vida, os ímpios serão lançados no lago do fogo.

Conclusão: Este fato solene deve nos motivar a levar o evangelho aos confins da terra custe o que custar, e fazer o possível para informar e desafiar as pessoas a caminharem com Cristo antes que seja tarde demais. Antes de Deus trazer o novo céu e a nova terra (cap. 21), Ele vai lidar em definitivo com a questão do pecado. Todos terão que se apresentar diante do grande Trono branco. Naquele dia não haverá graça nem misericórdia, apenas justiça. A única forma de escapar desse julgamento é crendo no Senhor Jesus como Salvador pessoal. Quem o fizer não experimentará os horrores da segunda morte, o lago de fogo. Diante disto, você estará preparado para o dia do juízo? Se você confia em Cristo e obedece aos Seus mandamentos já passou da morte para a vida!

593

MacArthur, John: Revelation 12-22. Chicago, Ill. : Moody Press, 2000, S. 255

Igreja Presbiteriana em Tabuazeiro – 2010/2011

241


estudo 36