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O Livro de Apocalipse – Rev. Jocarli A. G. Junior

Estudo Dezenove:

A Quinta Trombeta: O Inferno na Terra [ Apocalipse 9.1-12 ] Satanás lançou o seu primeiro dardo no Jardim do Éden, onde conseguiu tentar Adão e Eva e fazer com que eles desobedecessem a Deus. As conseqüências atingiram a toda a humanidade “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). Porém, depois da queda, Deus graciosamente prometeu um Salvador que veio para destruir Satanás e libertar o povo do seu poder (Gn 3.15). No futuro, Satanás irá servir o propósito de Deus, sendo permitido o lançamento de mais um ataque mortal contra a raça humana. Esse ataque acontecerá ao soar da quinta trombeta. Cada um dos quatro primeiros julgamentos das trombetas afetaram o universo físico de alguma forma, mas com o soar da quinta trombeta o foco vai mudar do físico para o espiritual. Os eventos traumáticos relacionados com a visão da quinta trombeta se desdobrarão em quatro cenas: o abismo aberto, o poder desencadeado, a aparência revelada e o príncipe desmascarado.

I. O Abismo Aberto 1

O quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela caída do céu na terra. E foi-lhe dada a chave do poço do abismo

“O quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela caída do céu na terra...” – Ao soar da quinta trombeta, João viu uma estrela que tinha caído do céu. Em suas visões, o apóstolo já havia visto vários corpos celestes caírem na terra (cf. 6.13, 8.8, 10). Ao contrário deles, essa estrela não era um pedaço de matéria inanimada celeste, mas um ser angelical (cf. Jó 38.7). “... caída do céu na terra” – É possível interpretar a expressão “caída do céu na terra” como uma referência a Satanás, o líder de todos os anjos caídos (cf. Isaías 14.1215; cf. Ez 28.12-16; Lucas 10.18).271 Para John MacArthur Jr, essa estrela não é Satanás e sim, Este anjo é melhor visto como um demônio de alta patente na hierarquia de Satanás.

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Nem todos os comentaristas bíblicos concordam com essa interpretação. George Ladd, por exemplo, diz que, “não há nenhuma razão, todavia, para identificar a estrela caída como Satanás ou algum poder maligno. Esta estrela representa algum ser angelical incumbido por Deus de uma missão”. Segundo ele, o verbo “caído”é usado por que é desta forma que as estrelas alcançam a terra, e não significa nada além de que um ser angelical veio do céu à terra. LADD, George. Apocalipse, introdução e comentário. São Paulo: Editora Vida Nova, 1984, p. 96.

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“E foi-lhe dada a chave do poço do abismo” – É importante ressaltar que se identificarmos essa estrela com Satanás, o príncipe dos demônios precipitado do céu para residir no Abismo (Mt 10.25; 12.24), precisamos entender que Deus está no pleno controle. Quer Satanás ou um de seus servidores receba a chave do Abismo, não no sentido de posse permanente, mas de poder momentâneo.272 É Deus que dá a chave. É Deus que detém o controle do universo. O diabo não tem a chave do poço do abismo. Essa chave lhe é dada. É Jesus quem tem as chaves da morte e do inferno (Ap 1.18). “... Ela abriu o poço do abismo...” (v. 2) – Os demônios que saem do poço do abismo são liderados por esse ser maligno. Ele é assassino. Ele é ladrão. Ele é mentiroso. Ele veio roubar, matar e destruir (Jo 10.10). Deus destina ao Abismo uma incontável multidão de anjos apóstatas, onde estão aguardando o Dia do Juízo (Lc 8.31; 2Pe 2.4; Jd 6). John Phillips comentando esse texto fez a seguinte observação: “Imagine o que aconteceria com o mundo se abríssemos as portas de todos os presídios da terra e libertássemos os criminosos mais violentos e mais cruéis do mundo, dando a eles pleno reinado de praticar suas infâmias sobre a humanidade. Algo pior está reservado para o mundo. Satanás, expulso do céu, agora é permitido chamar em seu auxílio os demônios mais diabólicos do abismo para atuar como seus agentes para levar a 273 humanidade ao estrado da Besta”.

“... e subiu fumaça do poço como fumaça de grande fornalha... escureceu-se o sol e o ar” – O quadro descrito por João é o de uma densa fumaça que escurece a luz do dia, obstrui a respiração, contribui para doenças, produz insuportável mau cheio e contamina tudo o que nele desce.274 É como se o próprio inferno exalasse algo que visasse a danificar, poluir e macular a criação divina. No Antigo Testamento os gafanhotos são um símbolo da ira de Deus (Ex 10.13; Jl 1.4). Mas, neste caso eles não são gafanhotos verdadeiros, mas criaturas que simbolizam poderes demoníacos.275

II. O Poder Desencadeado 3

Também da fumaça saíram gafanhotos para a terra; e foi-lhes dado poder como o que têm os escorpiões da terra, 4 e foi-lhes dito que não causassem dano à erva da terra, nem a qualquer coisa verde, nem a árvore alguma e tão-somente aos homens que não têm o selo de Deus sobre a fronte. 5 Foi-lhes também dado, não que os matassem, e sim que os atormentassem durante cinco meses. E o seu tormento era como tormento de escorpião quando fere alguém. 6 Naqueles dias, os homens buscarão a morte e não a acharão; também terão ardente desejo de morrer, mas a morte fugirá deles.

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KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento, Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 364. 273 Exploring Revelation, rev. ed.[Chicago: Moody, 1987; reprint, Neptune, N. J.: Loizeaux, 1991], 125 MacArthur, J. (1999). Revelation 1-11 (258). Chicago: Moody Press. 274 MacArthur, J. (1999). Revelation 1-11 (258). Chicago: Moody Press. 275 LADD, George. Apocalipse, introdução e comentário. São Paulo: Editora Vida Nova, 1984, p. 96.

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Além do abismo aberto, João viu um grande número de gafanhotos que saíram da parte mais profunda da terra para atormentar a humanidade. “Também da fumaça saíram gafanhotos para a terra...” – No livro de Êxodo, a oitava praga contra os egípcios relata o poder destrutivo dos gafanhotos que devoravam tudo que estava crescendo nos campos e deixavam as árvores despidas (Êx 10.13-15; ver também Joel 1.4, 6, 7). “... e foi-lhes dado poder como o que têm os escorpiões da terra...” – Neste versículo, porém, os gafanhotos são inteiramente diferentes: • Saíram da fumaça infernal que sobe do Abismo; • Não devoram a relva verde, as plantas e as árvores; • Atacam seres humanos que não têm nenhuma parte no reino de Deus; • Ferem os ímpios com ferrões de escorpiões. Conseqüentemente, Essas criaturas que emergem do inferno são demoníacas na aparência e na ação.276 O fato de que três vezes a passagem compara o seu poder de infligir dor com dos escorpiões (v. 3, 5, 10), indica que não são gafanhotos reais, já que os gafanhotos não têm cauda de escorpiões. Os escorpiões são uma espécie de aracnídeos, habitam regiões quentes e secas, e com uma cauda possuem um ferrão venenoso. As picadas de várias espécies de escorpiões são extremamente dolorosas, e cerca de duas dezenas de espécies são capazes de matar humanos (cf. Marcos 1.23-27; 9.20, 26). Contudo, a dor devastadora infligidos por esses demônios será muito pior do que escorpiões reais. “... e foi-lhes dito que não causassem dano à erva da terra, nem a qualquer coisa verde, nem a árvore alguma...” – Os gafanhotos só podem agir diante das ordens de Deus. Deus proibiu a nuvem de gafanhotos de causar dano à erva da terra, nem a verdura alguma, nem a árvore alguma (cf. 8.7). Ou seja, quem está no comando é Deus, e não Satanás, pois Ele concede autoridade e impõe seus limites, e ao mesmo tempo protege seu povo de dano espiritual (cf. Ez 9.4, 6). “... e tão-somente aos homens que não têm o selo de Deus sobre a fronte” – A disciplina de Deus não é para a vegetação, mas apenas aos homens que não têm o selo de Deus em suas testas. Os crentes serão preservados, assim como Deus protegeu os hebreus dos efeitos das pragas do Egito (Êx 8.22; 9.4; 10.23). Jesus prometeu aos membros fiéis da igreja de Filadélfia “Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome” (Ap 3.12). “Foi-lhes também dado, não que os matassem, e sim que os atormentassem durante cinco meses...” –

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KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento, Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 366.

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O período de cinco meses será para muitas pessoas, a última oportunidade de se arrepender e crer, antes que eles morrem ou são permanentemente endurecidos na incredulidade (9.20-21; 16.9, 11). “Naqueles dias, os homens buscarão a morte e não a acharão; também terão ardente desejo de morrer, mas a morte fugirá deles” – O sofrimento será tão intenso que os incrédulos buscarão a morte e não encontrarão, eles desejarão morrer, e a morte fugirá deles. Os homens verão a morte como alívio, mas até a morte não lhes trará alívio, mas tormento eterno. Ninguém escapará da agonia infligida pelos demônios. Todas as tentativas de suicídio seja por arma de fogo, envenenamento, afogamento, ou pulando de edifícios, falhará.

III. A Aparência Revelada 7

O aspecto dos gafanhotos era semelhante a cavalos preparados para a peleja; na sua cabeça havia como que coroas parecendo de ouro; e o seu rosto era como rosto de homem; 8 tinham também cabelos, como cabelos de mulher; os seus dentes, como dentes de leão; 9 tinham couraças, como couraças de ferro; o barulho que as suas asas faziam era como o barulho de carros de muitos cavalos, quando correm à peleja; 10 tinham ainda cauda, como escorpiões, e ferrão; na cauda tinham poder para causar dano aos homens, por cinco meses

Tendo delineado a devastação dos gafanhotos (demônios), João dá uma descrição detalhada da aparência deles. Os demônios são descritos como gafanhotos, porque eles trazem um julgamento rápido e devastador de Deus (cf. Ex. 10.4-5, 12-15; Dt 28.38, 1Rs 8.37; 2Cr 7.13; Sl 78.46, 105.34; Joel 2.1; Amós 7.1), mas a sua exagerada e aterrorizante característica revela que eles são diferentes de qualquer gafanhoto, escorpião ou qualquer outra criatura nunca antes visto na terra.277 “O aspecto dos gafanhotos era semelhante a cavalos preparados para a peleja...” – Em parte, João toma por empréstimo a imagem da profecia de Joel, o qual compara uma invasão de gafanhotos a um poderoso exército que destrói tudo por onde passam. O profeta Joel escreve que os gafanhotos têm a aparência de cavalos, galopa como cavalaria, cujo som é como o de carros em movimento, se portam como guerreiros e marcham em linha reta (Jl 2.2-11).278 “... na sua cabeça havia como que coroas parecendo de ouro...” – As coroas que eles usam são chamados de stephanoi (coroa dos vitoriosos, em grego), indicando que os homens não prevalecerão contra os demônios, por que eles serão invencíveis e avassaladores. Os homens não terão nenhuma arma que possa prejudicá-los e não há cura para o terrível tormento que eles provocarão. “... e o seu rosto era como rosto de homem...” – Essa afirmação indica que eles são inteligentes, seres racionais, não insetos reais. São criaturas demoníacas com o 277 278

MacArthur, J. (1999). Revelation 1-11 (262). Chicago: Moody Press. HENDRIKSEN, William. Mais que vencedores. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 371.

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poder mental de seres racionais com o fim de infligir miséria às pessoas que se rebelam contra seu o Deus Criador (Rm 1.21). Como as sereias da mitologia grega, esses demônios vão atrair as pessoas para sua condenação. “... tinham também cabelos, como cabelos de mulher; os seus dentes, como dentes de leão;...” – Os cabelos femininos são aprazíveis aos olhos; o contraste entre seu charme e a ferocidade dos dentes é extraordinário em seu simbolismo. Os dentes de leões simbolizam selvageria e crueldade, satisfazendo um apetite voraz, pois Satanás e suas forças demoníacas buscam atrair os seres humanos para, finalmente, destruí-los.279 “tinham couraças, como couraças de ferro; o barulho que as suas asas faziam era como o barulho de carros de muitos cavalos, quando correm à peleja...” – Destinadas a proteger os órgãos vitais e preservar a vida do soldado, as couraças aqui simbolizam a invulnerabilidade dos demônios, que será impossível resistir ou destruir.280 Em uma metáfora mais elaborada do campo de batalha, João, como o profeta Joel (Joel 2.4-5), compara o som de suas asas, com um exército em movimento. O som de suas asas parece com a cavalgada de cavalos e o sacolejo dos carros de guerra no campo de batalha. Ninguém escapará. “... tinham ainda cauda, como escorpiões, e ferrão; na cauda tinham poder para causar dano aos homens, por cinco meses” – O ferrão de um escorpião geralmente não chega a matar uma pessoa, mas causa dores excruciantes por um período limitado (cinco meses). Ao reiterar o mesmo pensamento, João enfatiza a gravidade do ataque. Ele indica que o tormento causado pelas criaturas demoníacas é temporário. Faz menção de cinco meses para expressar um período de curta duração.

IV. O Príncipe Desmascarado 11

e tinham sobre eles, como seu rei, o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadom, e em grego, Apoliom. 12 O primeiro ai passou. Eis que, depois destas coisas, vêm ainda dois ais.

Ao contrário dos gafanhotos (cf. PV 30.27), os demônios tinham um rei sobre eles. João dá o título como o anjo do abismo. “... o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadom, e em grego, Apoliom” – O Novo Testamento designa a Satanás muitos nomes: diabo, tentador, inimigo, adversário, serpente, dragão, enganador, acusador, maligno, Belzebu, Belial, Apoliom. O nome hebraico Abadom, e o grego, Apoliom, significam a mesma coisa: Destruidor (cf. Jó 26.6; 28.22; Sl 88.11; Pv 15.11). O maligno governa todos aqueles que não possuem o selo de Deus em suas frontes; são chamadas “filhos do diabo” (1Jo 3.10). 279

KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento, Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 371. 280 MacArthur, J. (1999). Revelation 1-11 (263). Chicago: Moody Press.

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“O primeiro ai passou. Eis que, depois destas coisas, vêm ainda dois ais” – As últimas três trombetas são três “ais” por causa do seu terrível poder destrutivo. Antes que a quinta trombeta soasse, uma águia havia anunciado estes três “ais” (8.13). o segundo “ai” é a praga da sexta trombeta (9.13-21), o terceiro é a sétima trombeta (11.14). Isto é, para aqueles que não possuem o selo de Deus, a situação só tende a piorar.

Conclusão: Quando você pertence à família de Deus você se torna conhecido no céu, na terra e no inferno. Quem é nascido de Deus, Deus o guarda e o maligno não lhe toca (1 Jo 5:18). Aquele que está em nós é maior do que aquele que está no mundo (1Jo 4.4). Nenhuma arma forjada contra nós prosperará (Is 54.17). Porque Deus é por nós, ninguém poderá ser contra nós e nos destruir (Rm 8.31). Agora estamos nas mãos de Jesus (Jo 10.28).

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