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Problemas sociais complexos e governação integrada

impactos substanciais da colaboração, relacionados, por exemplo, com o melhor uso de recursos ou melhoria na prestação de serviços. A segunda perspetiva de sucesso relaciona-se com o processo colaborativo. Bons processos podem, em si mesmo, ser também vistos como uma medida de sucesso. Em terceiro lugar, serem alcançados resultados positivos não planeados inicialmente é também uma dimensão do sucesso. Segue-se, como quarta medida de sucesso, o reconhecimento público, como artigos na imprensa ou prémios recebidos. Finalmente, o orgulho pessoal de um “trabalho bem feito”, resultante da colaboração é uma outra forma de sucesso200. Uma outra dimensão destes processos colaborativos, identificada por estes autores é constituída pelas tensões existentes, já anteriormente referidas. As tensões decorrentes de “fechar – ou não – os olhos” à falta de empenho de alguns membros, ou incluir – ou não – algumas partes interessadas determinantes, ou de tentar – ou não – trazer todos os objetivos de todas as partes para cima da mesa, clarificando motivações e estabelecendo acordos, são alguns dos múltiplos exemplos de tensões que atravessam os processos colaborativos e com as quais é necessário saber lidar201. Estas tensões podem surgir também associadas à partilha de poder. Os desequilíbrios de poder, quer reais, quer aparentes, entre parceiros tendem a ter um impacto negativo nos comportamentos na parceria202. Mais recentemente203, as autoras desta teoria introduziram novos contributos neste quadro geral, nomeadamente aprofundando a sua reflexão sobre objetivos, confiança, cultura e liderança, em que sinalizam paradoxos ou contradições importantes para a compreensão deste fenómeno. É particularmente relevante, para a compreensão desta abordagem teórica, esta opção transversal em que a contradição, as tensões, a opção por “e” (e.g. liderança facilitadora e diretiva) em vez de “ou” (e.g. liderança facilitadora ou liderança diretiva) é estruturante. No que se refere à gestão de objetivos, partindo da assunção mais tradicional em que se defende ser necessário um grande alinhamento de objetivos entre os parceiros para que a colaboração possa acontecer, Vangen e Huxham (2013) vêm sublinhar a importância da diversidade de conhecimentos e recursos para que exista verdadeira vantagem colaborativa e isso implica diversidade de objetivos entre os parceiros. Cunham, assim, o conceito de “objetivos paradoxais” em que, quer a congruência, quer a diversidade dos objetivos influenciam o êxito da colaboração. 97

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Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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