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Problemas sociais complexos e governação integrada

A confiança entre partes constrói-se, sobretudo, a partir de uma densa rede de relações interpessoais, mais através de mecanismos informais do que formais. Quando existem laços de confiança entre os parceiros, isso constitui um ativo relevante, desde logo porque os ajudam a manterem-se juntos quando as dificuldades surgem e facilitam a colaboração, pois esta exige negociação, trocas e compromisso. Tudo isto é mais fácil no contexto de relações de confiança. Finalmente, os vínculos de confiança aumentam o ritmo da colaboração e reduzem alguns obstáculos182. A construção de confiança, no quadro de uma relação de colaboração, beneficia da partilha de informação, quando é pedida (e mesmo quando não é); do investimento de tempo para trabalhar a construção de relações; de uma atitude de abertura e de transparência; da oferta de ajuda em situação de necessidade/ crise; do cumprimento de compromissos; da partilha do reconhecimento público pelo trabalho feito e de se empenhar em formação conjunta. Mas, sobretudo, a confiança alimenta-se de se confiar e de merecer a confiança (ser confiável)183. Mas o desenvolvimento da confiança depara-se também com obstáculos porque os parceiros podem não se entender mutuamente, ter interesses e objetivos diferentes em relação ao processo colaborativo. Exige uma liderança forte, o desenvolvimento de uma visão partilhada e de uma base comum de conhecimento, compromisso e garantir a todos igual tratamento184. O aumento da confiança entre os atores de uma rede conduz ao aprofundamento dos laços que os unem. Se, no entanto, a relação se torna insignificante, o parceiro pode decidir reduzir o nível de interação ou mesmo descontinuá-lo185. Este impacto do “interesse próprio” como determinante da ação de cada ator da rede é muito relevante para a compreensão e, sobretudo, para a gestão de redes interorganizacionais. Huxham e Vangen (2005), com a Teoria da Vantagem Colaborativa, que adiante abordaremos, trazem um olhar alternativo na abordagem à questão da confiança como pré-condição para a colaboração. Ao invés da situação ideal de laços de confiança que deveriam pré-existir numa parceria, sublinham que, muitas vezes, nos deparamos perante vínculos de confiança fracos e perante a necessidade de construir e manter confiança, introduzindo aqui também o conceito de “gestão da confiança”, associado à ideia de um “ciclo de construção de confiança” (Figura 11). 87

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Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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