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Rui Marques

apontadas a esta linha estratégica incluem o incentivo à criação de novas ideias, a inovação e a oferta de alternativas e previne a monopolização das ideias. Já entre as desvantagens contam-se o(s) conflito(s), o(s) bloqueio(s) e o(s) impasse(s), bem como o desperdício de recursos no processo competitivo. Finalmente, temos as estratégias colaborativas, consideradas por Roberts (2000) como as mais eficazes quando temos problemas complexos, com muitas partes interessadas e um poder disperso. As vantagens incluem um empenho elevado das partes interessadas; a apropriação da dinâmica pelas instituições participantes; soluções mais abrangentes e efetivas; a criação de sinergias e o combate às redundâncias; a criação de relações que podem vir a ser úteis para a resolução de outros problemas. As desvantagens apontadas são: o aumento de complexidade (pelo elevado número de partes envolvidas); os elevados custos de transação; o tempo necessário e o potencial risco de falha por baixas competências de colaboração interorganizacional. Há uma correlação forte entre estas estratégias defendidas por Roberts (2000) e os modelos organizacionais, nomeadamente o modelo burocrático, a Nova Gestão Pública e a governação integrada. 1.3.5.3. Liderança na resposta a problemas complexos A liderança em contexto de problemas complexos enfrenta desafios significativos. Um deles é o de não ter, à priori, a resposta certa para oferecer e, muitas vezes, mesmo a impossibilidade de resolver o problema80. Sendo a resolução de problemas a missão genérica quer do gestor, quer do líder, no caso dos problemas complexos em que, como vimos anteriormente, não há solução definitiva (“stopping rule”), o líder terá sempre perante si a necessidade de mobilizar uma rede de parceiros para enfrentar da melhor maneira possível um problema potencialmente irresolúvel. Isso exige uma capacidade suplementar do líder em adequar o seu modelo de liderança à natureza de um problema complexo, nomeadamente promovendo uma definição comum e partilhada do problema, sabendo gerir as expetativas, mobilizando as partes interessadas de uma forma persistente e com responsabilidades partilhadas, desenvolvendo ações que melhorem a resposta ao problema e promovendo a resiliência, mesmo perante o potencial insucesso na resolução 52

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Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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