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Problemas sociais complexos e governação integrada

referidos dos modelos de reforma do Estado323. Particularmente para a existência de colaboração, é vital a confiança324 sendo esta aprofundada por “pequenas vitórias”325. A sua existência aumenta o ritmo da colaboração e reduz alguns obstáculos326. Há quem vá mais longe, defendendo que o sucesso de modelos colaborativos depende da criação de um ambiente de confiança327 e que os gestores precisam de ser peritos em “construção de confiança”328. Com Mattessich et al (2008), a confiança surge explicitamente num dos fatores (“4. Respeito mútuo, compreensão e confiança”) a considerar no WCFI, sendo este fator o que conta com maior robustez no trabalho empírico que lhe deu origemXXVIII. Também no pilar teórico essencial deste trabalho, a “Teoria da Vantagem Colaborativa” de Huxham e Vangen (2005), é referida a importância da confiança, embora não seja considerado essencial a sua pré-existência em níveis elevados, no quadro do arranque de um processo colaborativo. Ao invés dessa situação ideal de laços de confiança que deveriam pré-existir numa parceria, sublinham estes autores que, muitas vezes, nos deparamos perante vínculos de confiança fracos e perante a necessidade de construir e manter confiança, introduzindo aqui também o conceito de “gestão da confiança”, associado à ideia de um “ciclo de construção de confiança”. Este conceito é estruturante para a proposta que se apresentará adiante. São também múltiplas as referências à “Confiança” nos estudos de caso. Quer na análise documental, quer nas entrevistas, é evidente a importância que lhe é atribuída. Uma das expressões mais fortes, quer no CNAI, quer na CPCJ Amadora, decorre de ser considerado pelos entrevistados que a “confiança” é condição essencial para que estes modelos funcionem, sendo que também estas vozes reconhecem que se trata de um caminho, em que, muitas vezes, o ponto de partida é de baixa confiança ou mesmo desconfiança, como referiam Huxham e Vangen (2005). Recolhendo a inspiração do criador da Teoria Geral dos Sistemas, Bertalanffy (1972), que vindo da biologia, beneficiou para a sua teoria das metáforas e analogias feitas com essa ciência (e com a ecologia), bem como tendo em consideração as aprendizagens que o modelo dos sistemas complexos adaptativos absorve da natureza, propõe-se, na estruturação destes contributos para um modelo de governaXXVIII Foram tidos em conta 27 estudos com referência ao fator 4 – Respeito mútuo, compreensão e confiança.

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Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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