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Problemas sociais complexos e governação integrada

carácter burocrático14. Em consequência, a sua grelha de avaliação situa-se, essencialmente, ao nível dos processos e da organização, sendo minimizada a valorização dos resultados, entendidos aqui como resolução dos problemas sociais. Assim, continuam a ser desenvolvidas, em geral, soluções verticais, em “silos”, com evidentes dificuldades de interligação entre instituições e profissionais, a que acresce a fragilidade dos mecanismos de coordenação, de cooperação e de linguagem comum. Finalmente, estamos ainda muito longe de uma verdadeira cultura organizacional focada no serviço ao cidadão. Mesmo no setor social não-lucrativo, nomeadamente das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), prevalece, muitas vezes, esta visão centrada na instituição e nos processos e não tanto no cidadão beneficiária/o15. Por outro lado, o modelo da “Nova Gestão Pública” (NGP), nas suas diferentes variantes, foi igualmente um fracasso na gestão da complexidade, ao introduzir uma maior fragmentação da resposta pública, quando era necessária uma maior coordenação, bem como promovendo a competição no processo em que era fundamental a colaboração16. Assim, o modelo hierárquico da burocracia ou o modelo de mercado da nova gestão pública têm-se mostrado incapazes na resposta a esta mudança de paradigma. Perante estes fracassos na resposta da burocracia e da Nova Gestão Pública na resolução de problemas sociais complexos, que adiante detalharemos, foi surgindo a pressão para o desenvolvimento de uma maior coordenação e colaboração entre instituições, setores, níveis e profissionais, de forma a gerar respostas integradas. Mas, antes disso, é necessário compreender melhor a complexidade. Urge estudar a essência dos problemas sociais complexos e, só a partir daí, estruturar novos modelos organizacionais, para ter maior sucesso na sua gestão. Só compreendendo melhor a natureza dos problemas complexos17 será possível não só desenhar melhores políticas públicas, como evitar os erros anteriormente cometidos. De igual modo, só aprofundando esse conhecimento se poderá chegar a uma eventual conclusão relevante para induzir a colaboração: nenhuma instituição, por si só, e por mais poderosa que seja, consegue enfrentar sozinha, com sucesso, um problema complexo18. Importa também ter em atenção a análise dos primeiros ciclos de geração de políticas públicas construídas especificamente para lidar com a complexidade, 13

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Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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