Page 145

Problemas sociais complexos e governação integrada

O essencial sobre líderes e dinâmicas colaborativas a partir do estudo empírico Não é só na revisão de literatura que se encontram fundamentos para a proposta da liderança colaborativa que aqui se assume. Também os estudos de caso contribuem para esse objetivo. No estudo de caso I (CNAI), sublinhou-se que se trata de uma liderança baseada em “soft-power”, sem poder hierárquico, funcional, disciplinar ou orçamental311, que deve ser capaz de inspirar e mobilizar as instituições parceiras. Nesse contexto, é sinalizado (e exemplificado) que a liderança se deve exercer pelo exemplo, investindo permanentemente na inspiração e motivação, estimulando a criatividade e a inovação e mostrando respeito por cada pessoa/funcionário, nomeadamente pelo seu desenvolvimento pessoal. Igualmente se destaca a capacidade de adaptação e de aprendizagem. Já com o estudo de caso II (CPCJ Amadora), importa recordar que se tratou de uma liderança avaliada de uma forma extraordinária, (4,8 em 5), pelo que da sua descrição surgem contributos que podem ser relevantes para esta proposta de liderança colaborativa. Desde logo, volta a surgir a referência a uma liderança “soft-power”, mas capaz de decidir quando é necessário. Também surgem identificados outros traços da liderança colaborativa como a afetividade, o respeito pela equipa, a humildade, o dinamismo, a inteligência emocional ligada à capacidade de comunicação, a promoção da coesão, a ponderação e a partilha da liderança. Ainda desta fonte, ao nível da liderança idealizada, registam-se, ainda, contributos adicionais como competências relacionais e envolvimento da equipa, capacidade de decisão, envolvimento da comunidade, assertividade, disponibilidade, capacidade de acreditar na equipa, dar o exemplo. A propósito do entendimento sobre o que é a liderança colaborativa, é interessante recuperar como a descreve no seu contexto de trabalho, de uma forma muito adequada, a presidente da CPCJ Amadora: “O papel do líder formal (presidente) é sobretudo o de servir de modelo para a construção de relações coesas e compensadoras prestando atenção ao lado humano da mudança; ele cria um ambiente caracterizado por altos níveis de confiança; desenvolve uma cultura de aprendizagem e de melhoria; ajuda a parceria a desenvolver um propósito coeso e mobilizador e a empenhar-se nele; 143

Profile for Instituto Padre António Vieira

Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

Profile for ipav
Advertisement