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Rui Marques

Ainda assim, até este momento da definição, só se está ao nível dos meios. O objetivo final não é, por si só, a existência de redes interorganizacionais de colaboração – que é um simples meio – mas sim a eficácia e eficiência na gestão de problemas complexosXIX. A governação integrada, como se disse, está particularmente vocacionada para agir sobre os problemas complexos. É, nesse campo, que afirma a sua vantagem competitiva como modelo organizacional. Não se adequa sempre, nem a tudo. Como diziam Huxham & Vangen (2005), autoras essenciais na construção desta proposta de definição, só deve constituir opção quando não há outra mais simples. Há ainda muitos problemas lineares, para os quais modelos burocráticos modernizados ou modelos de “nova gestão pública” podem ser os mais adequados298. Acresce que, a esta nota restritiva do conceito, se soma outra muito realista, que se expressa na palavra “gerir”. Muitos dos problemas complexos com que a sociedade e as instituições lidam hoje em dia, estão fora do alcance de uma solução definitiva, como foi referido a partir da literatura revista, principalmente a dos problemas sociais complexos, recuperando-se em pleno a afirmação de Rittel e Webber (1973), que a solução para os problemas complexos não são “verdadeiro/ falso”, mas “melhor/pior”. Será sempre possível fazer melhor e provavelmente nunca o problema, no seu todo e em definitivo, estará resolvido. Esta segunda parte da definição está concentrada no foco e no propósito. O “para quê” da governação integrada, que aqui se começa a definir – e se prolonga na última frase – é o que dá sentido a este conceito. Apesar de parecer óbvio este foco no “para quê”, não é raro, nas experiências passadas de parcerias e trabalho em rede, que se tenha verificado uma desvalorização do propósito e uma ausência de foco nos resultados e impactos, com a consequente frustração das partes envolvidas. Assim, com a expressão “com eficácia e eficiência”, existe um pilar fundamental, para onde converge toda a definição. A razão de ser para a eventual adoção deste modelo de governação integrada é a perceção – mais evidente na literaturaXX 299 do que nos estudos de caso – que é o mais adequado para gerir melhor estes problemas XIX Esta é a diferença mais relevante em relação ao conceito de “governança” referido anteriormente. XX “As experiências internacionais dão um contributo significativo para esta opção. No caso neozelandês, concluía-se como sendo essencial o desenvolvimento da governação integrada, sendo fundamental o foco em resultados/impactos, que devem ser avaliados adequadamente” (Eppel et al, 2008: 8).

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Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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