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Problemas sociais complexos e governação integrada

Surge, igualmente, nesta proposta de definição, a expressão “processo sustentável”, antecedendo a “construção, desenvolvimento e manutenção de relações interorganizacionais de colaboração”. Com isso, quer-se sinalizar que governação integrada não é um momento, um evento ou um produto. É um processo que, entre outras componentes, precisa de uma permanente indução de energiaXVII que lhe garanta sustentabilidade e terá, como é próprio dos processos, um conjunto sequencial de ações, com momentos distintos, estruturadas para alcançar um objetivo comum. Por isso, se coloca a ênfaseXVIII no processo com fases distintas, que não se esgota na construção inicial, pois deve prosseguir para uma nova fase – o desenvolvimento dessa relação para níveis mais elevados de integração e de obtenção de resultados – e não pode ignorar o investimento na manutenção destas relações interorganizacionais de colaboração297, tarefa não menos desafiante que a construção e o desenvolvimento e tantas vezes desvalorizada como se fosse uma dimensão menor. Esta característica de um “processo” é muito evidente nos estudos de caso abordados. Quer no CNAI, quer na CPCJ Amadora, a dinâmica evolutiva, em permanente aprendizagem e com a ambição de melhoria contínua, está presente quer nas entrevistas, quer no espólio documental. Esta valorização que se propõe do processo de colaboração interorganizacional antecipa uma das suas dificuldades – não é instantâneo, nem simples – mas sublinha o cerne do desafio da governação integrada: sem colaboração sustentável ao longo do tempo, através de relações interorganizacionais, não há governação integrada. Este processo tem também uma dimensão cíclica, em que a partir do estádio de manutenção se pode, de novo, (re)construir e desenvolver mais ainda. Mas, neste processo, em qualquer das fases, também se pode falhar e o processo de governação integrada ser interrompido, quer por motivos endógenos, quer exógenos. Um dos principais motivos para o seu colapso é a rarefação ou o desaparecimento do elemento absolutamente necessário para que todo o sistema funcione: a confiança. XVII Como se refere na “Teoria da Vantagem Colaborativa” de Huxham e Vangen (2005) ou com Gray (1989), com a sua definição de colaboração ou ainda na perspetiva de Lips et al (2011), que cruza sistemas complexos adaptativos com governação integrada. XVIII Apesar da definição ser curta, são “gastas” três palavras – “construção”, “desenvolvimento” e “manutenção”.

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Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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