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Problemas sociais complexos e governação integrada

de construção de consensos o exige e não pode ser apressado. Daqui decorre que a governação colaborativa normalmente não se adequa a situações que exigem ação rápida, ainda que quando a decisão consensual está tomada a sua implementação ocorre rapidamente. Quanto à confiança e interdependência, estas devem ser consideradas conjuntamente e tendo em conta as suas interações. Por exemplo, situações em que existe reduzido nível de confiança podem ter espaço para colaboração se os parceiros forem muito interdependentes. Ao invés, se a interdependência é fraca pode ser difícil construir confiança, pois os parceiros terão sempre na sua agenda a expetativa de agirem isoladamente. Os autores sublinham ainda que estas dimensões da confiança e da interdependência são endógenas, pelo menos em parte, e podem ser condicionadas pelo próprio processo colaborativo. Já se referiu que as questões do exercício do poder constituem um tema no contexto da governação colaborativa. Purdy (2012) aborda esta questão, nomeadamente o poder relativo dos participantes nestes processos, com os riscos de exclusão ou de dominação de alguns. Procurou, nesta perspetiva, desenhar um quadro de avaliação das questões de poder, considerando a autoridade, os recursos e a legitimidade discursiva. Identificou também como “arenas” para o uso do poder, em que se incluem os participantes, o processo e o conteúdo da governação colaborativa. Finalmente, procurou oferecer ferramentas para gerir os desequilíbrios de poder entre os participantes e estratégias para que estes possam participar plenamente neste modelo de governação. Também Gray defende a relevância da questão da gestão do poder dentro de um processo colaborativo, afirmando que “a partilha de poder é central na noção de colaboração. Num processo colaborativo, as partes interessadas essencialmente partilham o poder de definir o problema e iniciar a ação para o resolver. (…) Porém se um dos parceiros é capaz de exercer um controle unilateral a colaboração, não faz sentido. É precisamente por as partes interessadas deterem fontes de poder que faz com que os seus destinos estejam entrelaçados e a colaboração seja possível”213.

3.4. Colaboração e governação integrada Anteriormente, na abordagem das relações interorganizacionais, já se referiu, a centralidade da colaboração e o enquadramento da Teoria da Vantagem Colabo105

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Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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