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Rui Marques

No que se refere à gestão da confiança, sinalizam um fenómeno paradoxal similar, em que a confiança como condição pré-existente à parceria raras vezes acontece, sendo necessário criar e desenvolver laços de confiança durante o processo colaborativo, segundo o modelo do ciclo de gestão de confiança, como se referiu anteriormente (Figura 11). Uma outra dimensão toca a diversidade de culturas organizacionais dentro da parceria. Ainda que seja óbvio que culturas organizacionais similares e compatíveis pareçam ter melhores condições para construírem um processo colaborativo, estas autoras defendem que a diversidade cultural é simultaneamente uma fonte de estimulação, criatividade e recompensa, ainda que também fonte de potenciais conflitos de valores, comportamentos e convicções. Estamos, portanto, perante mais um dilema, o das “culturas paradoxais”, que exige gestão de tensões para que, a partir delas, se alcance mais vantagem do que inércia colaborativa. Ainda que não da responsabilidade das autoras da Teoria da Vantagem Colaborativa, a análise dos custos e dos benefícios da colaboração interorganizacional é mais uma evidência desta tensão e, por vezes, deste paradoxo que envolve a colaboração. A mesma dinâmica colaborativa pode ter, em contextos, momentos ou processos diferentes, efeitos muito distintos e até mesmo opostos.

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Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

Problemas Sociais Complexos e Governação Integrada  

Esta publicação resulta de uma versão resumida e atualizada da tese de doutoramento de Rui Marques “Problemas Sociais Complexos e Governação...

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