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Foto © Freddie, 9 anos

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Nonie fisgou a atenção de um garoto maravilhoso. Jenny ensaia agora sua nova peça. Edie, porém, está com problemas...

Em meio à euforia com a chegada da primeira coleção de

Crow às lojas que vestem as garotas mais antenadas de Londres, surgem sérios rumores de que as tão cobiçadas roupas vêm sendo produzidas à custa do trabalho escravo de crianças na Índia. Não pode ser, claro... Ou será que pode? Na dúvida, as amigas topam ir conferir. Lá, elas descobrem não só a explosão de cores e brilhos de uma cultura que ainda não conheciam, mas também deparam com uma grande questão: o que vale mais, seus sonhos ou seus ideais?

Brilhos

Sophia Bennett vive em Londres, é casada e tem quatro filhos. Desde os 12 anos sonhava ser escritora, por isso sempre se sentiu fascinada por gente que, ainda criança, já reúne talento e dedicação na medida certa para se tornar especial no que gosta de fazer. O universo fashion é outra antiga paixão, mas, assim como Nonie, Sophia não tem o menor jeito para desenhar.

sonho de todo estilista.

“...O DIÁRIO DA — só que mPRaINCESA empolgante.”is THE TIMES

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www.serielinhas.com.br Siga @NonieLinhas, @EdieLinhas e @JennyLinhas no Twitter!

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Porque o sonhoontinua... fashion c

nunca tinha visto crow tão assustada. E, dessa vez, ela tem motivo. Estamos diante da flagship store da Miss Teen, na Oxford Street, em Londres. O espaço é enorme e reluzente, e não há quase ninguém. Por enquanto. Uma oportunidade perfeita para fazer compras, você poderia pensar, mas não é nada disso. Não estamos fazendo compras — estamos esperando. E não somos as únicas. Há apenas uma imensa vidraça entre nós e a maior e mais barulhenta multidão que já vi. E que vem se formando há horas. As pessoas conseguem nos ver. Berram nossos nomes e fazem uma contagem regressiva até o momento em que poderão nos alcançar. (...) Os seguranças fazem que sim com a cabeça. (...) “Três. Dois. Um. Abram as portas, rapazes.” Gritos, gritos, gritos, gritos. Logo depois nos damos conta de que estão vindo em nossa direção. É isso. Minha amiga Crow virou oficialmente uma estilista de moda high-street. Stella McCartney já fez isso. Christopher Kane já fez isso. Agora é a nossa vez.

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SOPHIA BENNETT

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TRADUÇÃO DE LIVIA DE ALM E I DA

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Copyright © 2010 Sophia Bennett Os nomes de estilistas, grifes e lojas citados neste livro são marcas registradas por seus proprietários e não tiveram seu uso autorizado, patrocinado ou associado aos mesmos. As personagens retratadas são ficcionais e qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência. Publicado originalmente em inglês em 2010 por The Chickens House. 2 Palmer Street, Frome, Somerset, BA11 1DS, United Kingdon Imagem do vestido na capa utilizada com permissão de Tanielle Lolo, www.taniellelolo.com título original Beads, Boys & Bangles preparação Marina Vargas revisão M. Leite Clarissa Peixoto capa adaptada e projeto gráfico Ilustrarte Design e Produção Editorial

cip-brasil. catalogação-na-fonte sindicato nacional dos editores de livros, rj B417b Bennett, Sophia Brilhos / Sophia Bennett ; tradução de Livia de Almeida. - Rio de Janeiro : Intrínseca, 2011. 288p. : 21 cm        (Linhas ; 2)   Tradução de: Beads, boys & bangles ISBN 978-85-8057-067-0   1. Novela americana. I. Almeida, Livia de. II. Título. III. Série. 11-3778.

CDD: 813 CDU: 821.111(73)-3

[2011] Todos os direitos desta edição reservados à Editora Intrínseca Ltda. Rua Marquês de São Vicente, 99, 3º andar 22451-041 Gávea Rio de Janeiro – RJ Tel./Fax: (21) 3206-7400 www.intrinseca.com.br

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Para E, cujos beijos Nテグ sテ」o nem um pouco nojentos.

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Capítulo 1 unca tinha visto Crow tão assustada. E, dessa vez, ela tem motivo. Estamos diante da flagship store da Miss Teen, na Oxford Street, em Londres. O espaço é enorme e reluzente, e não há quase ninguém. Por enquanto. Uma oportunidade perfeita para fazer compras, você poderia pensar, mas não é nada disso. Não estamos fazendo compras — estamos esperando. E não somos as únicas. Há apenas uma imensa vidraça entre nós e a maior e mais barulhenta multidão que já vi. E que vem se formando há horas. As pessoas conseguem nos ver. Berram nossos nomes e fazem uma contagem regressiva até o momento em que poderão nos alcançar. Na verdade, há apenas uma vidraça e uma supermodelo. Svetlana Russinova faz poses na vitrine. Está usando um dos vestidinhos de Crow, que tem um corpete bordado com fios dourados e uma saia sedutora que deixa suas pernas à mostra. Lembro-me de Crow desenhando esse vestido na primavera passada. De vez em quando, Svetlana olha para nós, três garotas encolhidas juntinhas na loja, e diz alguma coisa muito tranquilizadora do tipo: “São milhares de pessoas. Sério. A Oxford

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Street está lotada. Vocês têm certeza de que vai caber todo mundo aí dentro?” Não, para falar a verdade, não temos certeza. Não temos certeza nem de que vamos conseguir fazer com que metade dessas pessoas caiba aqui dentro. Ou de que vamos sobreviver ao processo. Ou melhor, de que vamos ter peças suficientes da nova coleção high-street de Crow para vender para todas elas quando entrarem aqui. Andy Elat é o único que parece estar pelo menos levemente relaxado. Ele é o dono da Miss Teen. “Vamos fazer um grande lançamento da nova coleção antes do Natal”, dissera ele. “Todo mundo está falando do assunto. Vai ser um grande acontecimento. Vocês vão adorar.” Se ele tivesse falado: “Vai ser como estar no meio de uma catástrofe natural, só que com lantejoulas”, nós saberíamos o que esperar. Mas não foi isso que ele disse. E aqui estamos. Crow parece a mais apavorada de todas, mas tem o apoio do irmão, Henry. Ela está agarrada a ele como se sua vida dependesse disso. Eu tenho minha amiga Jenny, e estou meio que agarrada a ela também, mas, para ser sincera, acho que ela está me agarrando mais. — As pessoas parecem furiosas — sussurra Jenny. — Tem certeza de que devemos deixá-las entrar, Sr. Elat? — Elas só estão empolgadas — diz Andy calmamente. — Tudo bem, Svetlana. É melhor você descer daí. Obrigado, querida. Dois minutos, rapazes. Os seguranças fazem que sim com a cabeça. Eles são grandes, de aparência assustadora, e provavelmente vão ficar bem. Nós somos pequenas, adolescentes e estamos desarmadas. Estou tentando lembrar por que resolvi trabalhar com Crow. Ou por que achei que lançar uma coleção high-street seria uma ideia legal. Ou por que não decidi fazer

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isso quando estivesse a um milhão de quilômetros de distância. — Três. Dois. Um. Abram as portas, rapazes. Gritos, gritos, gritos, gritos. Logo depois nos damos conta de que estão vindo em nossa direção. É isso. Minha amiga Crow virou oficialmente uma estilista de moda high-street. Stella McCartney já fez isso. Christopher Kane já fez isso. Agora é a nossa vez. Observo a multidão nos atropelar, passar por todos os lados, até por cima de nós, ansiosa para pôr as mãos em suas peças favoritas antes que desapareçam. Ainda bem que Andy rejeitou minha ideia sobre Jenny. Como diretora comercial dos negócios de Crow (sim, é verdade!), a princípio eu queria que Jenny fosse a pessoa a ficar na vitrine, posando com as roupas de Crow e parecendo maravilhosa. Jenny é ruiva, curvilínea e engraçada, e seria perfeita para mostrar a todo mundo que os vestidos de Crow ficam ótimos em qualquer tipo de corpo. Além do mais, Jenny foi a primeira pessoa mais ou menos famosa a usar as peças de Crow em público, antes mesmo de ela se tornar uma marca. Mas Andy achou que seria melhor contar com uma supermodelo internacionalmente famosa na ocasião, em vez de uma garota de 16 anos, ligeiramente rechonchuda, que apareceu em um filme. E olhando para Jenny agora, em seu vestido de festa “vintage” (do ano passado) criado por Crow, tremendo da cabeça aos pés, preciso admitir que ele estava certo. Svetlana vem se juntar a nós. Ela trocou de roupa e agora está vestindo calça jeans skinny desbotada e um casaco com capuz, cobrindo a cabeça para ficar parecida com qualquer outra loura, alta, magra e deslumbrante e não ser identificada por gente demais na multidão. — Tudo vai bem — diz ela. — Estão amando. Olhem só!

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Se com “amando” ela quer dizer jogando peças para o ar, segurando-as em grandes pilhas, brigando por elas e chorando, então ela tem razão. As saias de pétalas são as que desaparecem mais rápido. São feitas de uma seda macia, em tons de pedras preciosas, que captura o olhar na mesma hora. E, quando você as veste, elas balançam e estremecem com o caminhar. É como usar um pedacinho de uma escultura de seda que se movimenta. Os suéteres vão levar um pouco mais de tempo para serem vendidos, porque é preciso experimentá-los para descobrir como são incríveis. Parecem um tanto sem forma no cabide, mas no corpo transformam até uma adolescente baixinha e meio retangular como eu em uma gatinha sexy. As camisetas fazem um sucesso surpreendente. São apenas camisetas, afinal de contas. Embora eu deva reconhecer que Crow levou semanas e semanas para conseguir uma forma que fizesse qualquer pessoa parecer linda e cheia de curvas. É o lado bom de ter como melhores amigas um varapau, um violão e uma anã. Você aprende a cortar os moldes com inteligência, de forma que eles fiquem bem em qualquer pessoa. Crow faz com que pareça fácil, mas não é. São bordadas com cristais que brilham sob as luzes da loja. Crow é mais conhecida por fazer vestidos de alta-costura usados por atrizes famosas — como tende a acontecer com todo mundo que está prestes a completar 14 anos — e os trajes para o tapete vermelho costumam ser salpicados de cristais Swarovski, então suas camisetas também são. É dezembro e eu acho que vamos ver muitas camisetas com cristais e saias de pétalas nas festas de Natal este ano. As fábricas estiveram ocupadas por semanas preparando essas peças. Fiquei horrorizada quando vi tudo chegar. Caixas, caixas e mais caixas vindas da Índia e das Filipinas. Não

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conseguia imaginar como venderíamos tudo aquilo, e agora me pergunto se fizemos peças suficientes. Procuro por Crow, para ver como ela está, mas a garota desapareceu. Ai, ai. Faço um sinal com a cabeça para Jenny e formamos uma equipe de busca. Acabamos encontrando Crow refugiada na seção de sapatos, no alto da ampla escadaria que está completamente vazia, a não ser por ela e pelo irmão. Henry, como sempre, está lendo um livro. Ele parece ter confundido a loja mais badalada de londres com uma biblioteca pública, mas Crow parece feliz em ficar sentada quieta, encolhida sob um dos braços do irmão. É estranho pensar que há uns dois anos ele estava em Uganda segurando uma metralhadora, em vez de sentado aqui, abraçando a irmã e lendo uma antologia poética. Não que Henry quisesse ter alguma coisa a ver com aquela história de metralhadora. Ele fica bem mais à vontade com o livro. Ele sorri para Crow e os grandes olhos dela retribuem, vacilantes. Parece uma crueldade obrigá-la a voltar e encarar aquela confusão lá embaixo. Afinal, não há muito que ela possa fazer agora, já que não saberia operar uma caixa registradora nem nada do tipo. Nos últimos tempos, Crow cresceu bastante. Está com a minha altura (não que eu ache que isso quer dizer muita coisa, mesmo parecendo muito para mim), tem pernas e braços compridos, o que me faz lembrar as imagens de potrinhos lutando para ficar de pé em suas longas patas, e talvez seja por isso que eu sinta essa necessidade de cuidar dela. Isso e os olhos castanhos sonhadores. E também os dedos longos, que sugerem que ela é uma criatura frágil e delicada. Embora eu suspeite que, na verdade, ela seja tão resistente quanto botas Doc Martens.

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— Quinze minutos — digo, apontando para o relógio de pulso e em seguida para os elevadores que conduzem aos escritórios acima de nós. Henry me vê e concorda com a cabeça. Ele sabe da programação. Jenny e eu respiramos fundo e nos preparamos para mergulhar de volta no tsunami humano. — A propósito, o que aconteceu com Edie? — pergunta ela. Boa pergunta. Edie é nossa outra melhor amiga, um verdadeiro gênio, que já deveria ter chegado há uma hora. Estou prestes a responder quando meu telefone toca. O que é uma surpresa, já que me esqueci de recarregá-lo na noite passada e achei que a bateria tivesse acabado. O nome de Edie aparece na tela. — Nonie? Estou a caminho. Mas hackearam meu site. Estão dizendo que sou uma mentirosa, e tem a ver com Crow. Estão dizendo... Bem, não sei o que estão dizendo porque a bateria do meu celular escolhe esse exato momento para acabar de vez. Edie é cortada e a tela fica escura, para que não haja dúvidas. De trás da horda de consumidoras superagitadas, Andy Elat olha de relance para o meu rosto e obviamente não gosta do que vê. — Está tudo bem, Nonie? — ele articula as palavras sem emitir som. — Tudo bem — respondo da mesma forma, fazendo um sinal positivo com o polegar para reforçar a ideia. Estou acostumada a mentir para adultos. É um velho hábito. Simplifica as coisas.

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Nonie fisgou a atenção de um garoto maravilhoso. Jenny ensaia agora sua nova peça. Edie, porém, está com problemas...

Em meio à euforia com a chegada da primeira coleção de

Crow às lojas que vestem as garotas mais antenadas de Londres, surgem sérios rumores de que as tão cobiçadas roupas vêm sendo produzidas à custa do trabalho escravo de crianças na Índia. Não pode ser, claro... Ou será que pode? Na dúvida, as amigas topam ir conferir. Lá, elas descobrem não só a explosão de cores e brilhos de uma cultura que ainda não conheciam, mas também deparam com uma grande questão: o que vale mais, seus sonhos ou seus ideais?

Brilhos

Sophia Bennett vive em Londres, é casada e tem quatro filhos. Desde os 12 anos sonhava ser escritora, por isso sempre se sentiu fascinada por gente que, ainda criança, já reúne talento e dedicação na medida certa para se tornar especial no que gosta de fazer. O universo fashion é outra antiga paixão, mas, assim como Nonie, Sophia não tem o menor jeito para desenhar.

sonho de todo estilista.

“...O DIÁRIO DA — só que mPRaINCESA empolgante.”is THE TIMES

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Porque o sonhoontinua... fashion c

nunca tinha visto crow tão assustada. E, dessa vez, ela tem motivo. Estamos diante da flagship store da Miss Teen, na Oxford Street, em Londres. O espaço é enorme e reluzente, e não há quase ninguém. Por enquanto. Uma oportunidade perfeita para fazer compras, você poderia pensar, mas não é nada disso. Não estamos fazendo compras — estamos esperando. E não somos as únicas. Há apenas uma imensa vidraça entre nós e a maior e mais barulhenta multidão que já vi. E que vem se formando há horas. As pessoas conseguem nos ver. Berram nossos nomes e fazem uma contagem regressiva até o momento em que poderão nos alcançar. (...) Os seguranças fazem que sim com a cabeça. (...) “Três. Dois. Um. Abram as portas, rapazes.” Gritos, gritos, gritos, gritos. Logo depois nos damos conta de que estão vindo em nossa direção. É isso. Minha amiga Crow virou oficialmente uma estilista de moda high-street. Stella McCartney já fez isso. Christopher Kane já fez isso. Agora é a nossa vez.

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Material promocional. Copyright © 2010 Sophia Bennett, (Rio de Janeiro: Intrínseca, 2011) Todos os direitos reservadosBrilhos

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