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Muncle Trogg é um jovem gigante que sempre foi caçoado por ser tão pequeno quanto um humano. Um dia, ele desce o Monte das Lamentações para ver um daqueles Pequenotes com os próprios olhos, pois tem muita curiosidade de saber mais sobre eles. Em meio a essa aventura, Muncle se torna amigo de Snarg, um dragão fugitivo, e conhece uma menininha chamada Emily.

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Janet Foxley escreveu durante toda a vida, e agora, aos sessenta anos, ficou animada com a ideia de ver

Muncle Trogg

publicado. Ela mora com o marido em uma casa de fazenda antiga na cidade de Carlisle, em Cúmbria, Inglaterra, e tem três filhos. A autora agora trabalha na próxima história do gigante Muncle.

o As aventuras d pequeno gigante continuam em:

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Quando o Aniversário do Rei se aproxima, os gigantes têm que pensar em como entreter Sua Enorme Majestade, mas um presente surpresa acaba causando uma grande confusão. Agora resta a Muncle salvar os Pequeno-tes dos gigantes e os gigantes dos Pequenotes. O que ele não tem de altura precisará compensar com esperteza.

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Ilustrado por Steve Wells

O menor gigante do mundo

Tradução de Rafael Spigel

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Dedicatória Em memória de minha mãe, Kitty (1911-1956). Copyright do texto © Janet Foxley 2011 Copyright das ilustrações © Steve Wells Todos os personagens e nomes de lugares usados no livro são © Janet Foxley e não podem ser usados sem permissão. Todos os direitos reservados Publicado originalmente em inglês sob o título MUNCLE TROGG por Chicken House, 2 Palmer Street, Frome, Somerset, BA11 1DS, Reino Unido TÍTULO ORIGINAL

Muncle Trogg PREPARAÇÃO

Carolina Rodrigues REVISÃO

Shirley Lima ILUSTRAÇÃO, CAPA E PROJETO GRÁFICO DE MIOLO

Steve Wells ADAPTAÇÃO DE CAPA, DE PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO

Julio Moreira

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ F863m Foxley, Janet Muncle Trogg : o menor gigante do mundo / Janet Foxley ; tradução de Rafael Spigel ; ilustração de Steve Wells. - Rio de Janeiro : Intrínseca, 2011. 224p. : il. Tradução de: Muncle Trogg ISBN 978-85-8057-144-8 1. Gigantes - Ficção infantojuvenil. 2. Literatura infantojuvenil inglesa. I. Spigel, Rafael Gustavo II. Título. 12-0167. [2012] Todos os direitos desta edição reservados à EDITORA INTRÍNSECA LTDA. Rua Marquês de São Vicente, 99, 3o andar 22451-041– Gávea Rio de Janeiro – RJ Tel./Fax: (21) 3206-7400 www.intrinseca.com.br

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Capítulo um – Mã! – berrou Muncle. – Gritt está me colocando de cabeça para baixo! Muncle tentou se desvencilhar das garras de seu irmão. – Mã! Ele gritou outra vez, contorcendo-se como um louco. Se Gritt o mantivesse pendurado de cabeça para baixo por muito mais tempo, ele ficaria enjoado. A fogueira de Mã lançou a sombra de um enorme Gritt sobre a parede rochosa, com um minúsculo Muncle, indefeso, pendurado na mão do irmão. Aos dez anos, a maioria dos gigantes já estava quase totalmente desenvolvida e conseguia se defender. Mas Muncle estava longe disso e, nesse momento, não conseguia nem ficar de pé. Gritt o agarrara pelos tornozelos com firmeza. Não seria de todo ruim se Gritt fosse seu irmão mais velho, mas ele era mais novo que Muncle – e três anos mais novo!

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Ainda bem que Pá não havia chegado em casa até então. Ele sempre tomava partido de Gritt, um filho do qual um gigante pode se orgulhar. Mã Trogg, uma formosa giganta com um bom número de verrugas peludas, espiou através da nuvem de vapor acima de seu caldeirão. – Gritt! – ela urrou. – Coloque seu irmão no chão agora mesmo! – Mas você me disse para brincar com ele até o café da manhã ficar pronto... – Isso não significa que era para usá-lo como o brinquedo. – Ele gosta disso – retrucou Gritt. – Não é, Muncle? – Eu não gosto! – gritou Muncle. – Ah, está bem. Desculpe, Muncle – falou Gritt, e largou o irmão com a mesma rapidez com que o pegara. Muncle podia até ser pequeno, mas isso, pelo menos, fazia dele um ser ágil. Assim que Gritt o soltou, ele deu uma cambalhota no ar e caiu no chão com o traseiro, em vez de bater com a cabeça. Mesmo assim doeu. Outros gigantes têm várias camadas de gordura macia, e teriam quicado ao cair no chão, mas Muncle era só pele e osso. Até que ele não era feio. Tinha a pele bonita – cinzenta e salpicada de verrugas peludas –, as sobrancelhas espessas e o

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nariz carnudo de Pá, e os olhos esbugalhados e os dentes amarelos e tortos da Mã. O único problema de Muncle era seu tamanho. Ele era simplesmente muito pequeno para ser um gigante. Ele sempre tentou se encaixar em seu mundo, e agora o tempo estava se esgotando. Em dois dias seria realizado o exame final de Gigantia. E então ele teria que encontrar um emprego. Mas que tipo de serviço Muncle poderia fazer? Ele cursava apenas duas disciplinas: Ciência dos Dragões e Estudos dos Pequenotes – as únicas que não tinham como requisito a força de um gigante –, e sabia que não se sairia bem em nenhuma delas. – Não podemos esperar mais seu Pá, senão vocês vão chegar atrasados à escola – disse Mã, pegando com a concha uma substância cinza, grudenta e pegajosa e despejando-a em tigelas de madeira. – Venham comer o mingau de fungos, vocês dois. Sobre a mesa baixa de pedra, ela colocou com força uma tigela grande para Gritt e uma bem menor para Muncle. Mã já havia desistido de tentar alimentá-lo com a mesma quantidade que dava para Gritt. Até o apetite de Muncle era diminuto. Ela desamarrou das costas o cesto de bebê no qual carregava Flubb e a colocou em um banquinho, ao lado da mesa. A bebê agarrou sua mamadeira e sugou-a avidamente. Quase dava para ver Flubb crescendo.

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Muncle suspirou. A vida era muito injusta. Ele escalou a almofada de samambaia para poder alcançar a mesa, e Mã e Gritt sentaram-se no chão rochoso e gasto. Então, Muncle catou os melhores bocados do mingau e os arrumou na mesa para que esfriassem, enquanto Gritt esvaziava o volume fervente de sua tigela em um longo gole, como Pá fazia. Gritt realmente tinha talento. Aos sete anos, já era o melhor da escola em Metalurgia. Ele sabia exatamente o que queria ser quando crescesse: Comandante Armeiro do Arsenal do Rei. Não havia nada que não conhecesse sobre lanças e machados. Pá e Mã o consideravam brilhante. – Quero mais! – reclamou Gritt. – Não antes de Pá comer – disse Mã, levantando-se e espiando dentro do caldeirão. – Talvez não dê para todo mundo. Gritt atirou sua tigela na mesa. – Pá é muito mau por ficar fora de casa a noite toda. Se ele não chegar logo, vou ter que ir morrendo de fome para a escola. Muncle e Mã se entreolharam. – Ele está bem, Mã – falou Muncle. – É o melhor caçador da cidade. Mã mordeu o lábio. – Mas saquear não é a mesma coisa que caçar, é? – comentou ela. – Roubar uma ovelha de uma fazenda de um Pequenote não é como acertar um texugo com a lança. E se ele encontrar um Pequenote com uma vara mágica mortífera?

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Flubb arremessou a mamadeira vazia no chão e deu um berro bem alto. Na mesma hora, ganhou mais comida. Bem, era difícil dizer não a Flubb – ela era tão lindinha quanto um sapo. – Não é justo – reclamou Gritt. – Por que ela pode repetir? – Gritt... Mã começou a repreendê-lo, mas no mesmo instante a porta da casa subterrânea bateu e Pá pisou na sala com uma sacola no ombro. Pedaços de galhos e folhas estavam emaranhados em seu cabelo comprido e oleoso, e sua calça estava rasgada. Em um dos braços cinzentos e peludos, escorria sangue de um ferimento. – O que aconteceu com você? – berrou Mã, enfaixando o braço dele depressa com um punhado de teias de aranha empoeiradas. – Não se preocupe, mulher. Não é nada. Só um arranhão. Tive que abrir caminho por uma mata fechada, só isso. Pá atirou a sacola ao lado do fogo. Não havia nada com formato de ovelha dentro dela. – Você não pegou nem umazinha? – quis saber Mã, ansiosa. – É claro que peguei. E já levei para o palácio. – O Rei deve achar um tédio receber ovelhas todo ano em sua Ceia de Aniversário – comentou Gritt. – Você deveria ter levado um Pequenote, para variar um pouco.

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– Gritt – repreendeu Pá, rispidamente. – Não tem graça alguma. – Ele agarrou o caldeirão que estava no fogo e entornou-o garganta abaixo. – Eu queria comer mais! – berrou Gritt. – Azar o seu – rebateu Pá. – Talvez isso sirva de lição para você não fazer mais piadinhas sem graça. Séculos atrás, os gigantes usavam os Pequenotes como escravos e às vezes os comiam nas refeições, mas isso foi antes de eles terem inventado as varas mágicas mortíferas e conseguirem resistir. Agora, os gigantes tinham que viver escondidos, nas profundezas do Monte das Lamentações. Haviam construído uma cidade nas antigas minas da montanha. – Não foi uma piada – defendeu-se Gritt. – Eu acho que deveríamos caçar os Pequenotes. – Gritt! – berrou Mã. – Nunca deixe ninguém ouvir você falar isso – repreendeu Pá, limpando os lábios borrachudos com as costas do braço e enchendo a boca com chumaços de teia de aranha. – Você seria jogado nos calabouços. – Eu não quis dizer que deveríamos nos alimentar deles em todas as refeições – justificou Gritt. – Ficaria muito na cara. Pensei em comê-los apenas uma vez por ano, no Aniversário do Rei.

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Pá tirou alguns pedaços de teia de aranha da barba e os comeu com os restos de mingau. – Sequestro virou crime há muito tempo, como você bem sabe, Gritt Trogg. É muito arriscado. – E você andou se arriscando hoje à noite? – perguntou Mã, franzindo a testa. – Foi por isso que teve que abrir caminho pela mata fechada? Pá deu de ombros. – Não foi pior que o ataque no Aniversário do ano passado. Um cachorro latiu, mas bem distante dali. – Então você voltou pelo brejo para não deixar rastros que o cachorro pudesse seguir? – É o que sempre faço – respondeu Pá, tirando as botas e esvaziando-as dentro do caldeirão de Mã. Gritt espiou dentro da sacola de Pá. – Pombos outra vez – constatou, com desgosto. – São só petiscos. Para Muncle, porém, um pombo era uma refeição. Até o café da manhã era mais farto do que desejava. – Ei, Gritt – disse ele –, pode comer o resto do meu mingau. – Isso mal dá para encher a boca – desdenhou o irmão. – De qualquer jeito, não dá tempo. Preciso ver o Titã antes da aula. – O Titã Inchado é da turma do Muncle – falou Mã. – Por que você vai encontrá-lo? – perguntou ela, passando uma

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das mãos pelos cabelos e espalhando para todos os lados seus grampos feitos de galhos. Flubb pegou um e o mastigou. – Gritt quer entrar para a gangue de Titã, Mã – explicou Muncle. Os Marginais Trovejantes eram a gangue mais durona no Monte das Lamentações, e os testes para fazer parte dela eram os mais desafiadores. O Espancador Molenga havia passado porque bateu no gongo da cidade no meio da madrugada e acordou a Família Real. Havia também rumores de que alguém tinha lutado com um dragão, e de que outro integrante tentara roubar a coroa do Rei Thortless. – São apenas jovens se divertindo – Pá disse a Mã, que parecia um pouco preocupada. – Afinal, Titã Inchado manda em todos os garotos. Os amigos dele não devem ser tão maus assim. – Bem... – começou Muncle, mas depois pensou melhor. Titã Inchado era o gigante mais brigão da escola e fazia da vida dele um inferno, mas Muncle não queria

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perturbar Mã. – Eu nem me preocuparia, pois Gritt não vai entrar para a gangue. – Eu vou entrar sim – teimou o outro, com o olhar furioso, antes de sair pisando firme em direção à porta. – Espere por mim! – gritou Muncle, e pegou um dos pães de bolota que Mã preparava para seu jantar enquanto corria atrás do irmão. Se caminhasse até a escola com Gritt, havia uma chance de não ser atormentado, pelo menos até entrar na sala de aula. – Tome cuidado! – gritou Mã. – Pode deixar! – Muncle berrou de volta por cima do ombro, mas como poderia se cuidar se era tão menor que os outros? Não parecia justo que Mã ainda tivesse que se preocupar com ele tendo dois filhos mais novos para criar. – Você não deveria ter falado para Mã sobre os Marginais – disse Gritt enquanto passava pelos estábulos protegidos por dragões e caminhava em direção ao túnel iluminado por tochas. Cheio de GIGANTES!

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Muncle caminhava a passos largos a seu lado. – Alguns meninos da minha classe se deram muito mal naquela gangue – avisou ele. – Fortão Estúpido passou um mês nos calabouços depois que o Titã o desafiou a lançar uma flecha em chamas em uma janela do palácio. – Bem, eu não vou acabar nos calabouços – afirmou Gritt. – Não sou burro. Vamos, Muncle, não consegue andar mais rápido? Muncle pôs-se a correr e logo eles saíram das sombras para a turva luz matinal da Cratera. A Cratera era um enorme buraco ao ar livre no centro do Monte das Lamentações – o único lugar da cidade que ficava a céu aberto. Ali estavam a área de recreação, o centro comercial, o parque e o teatro dos gigantes. Todas as ruas-túneis principais levavam até esse local, e as construções mais importantes estavam incrustadas naquelas paredes. Ali ficavam as lojas, as tabernas, a escola e o palácio do Rei. A fumaça das casas e das fábricas escapava pelas fendas na parede da Cratera e se misturava à nuvem no topo da montanha, escondendo os gigantes e os dragões-vigia, que os protegiam dos Pequenotes que habitavam a cidade lá embaixo. Muncle sentiu duas mãos enormes agarrarem seus ombros e o suspenderem no ar. – Peguei você! Era o Titã. Ele estava à espera dos dois.

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– Tire o barbante do meu bolso, Gritt – ordenou ele. Gritt hesitou por um instante. Titã ergueu as sobrancelhas enormes e espessas. – Você quer se juntar aos Marginais Trovejantes ou não? – Mas ele é meu irm... – Você é um fracote, Gritt Trogg! – caçoou Titã. Isso foi demais para Muncle. Atormentá-lo era uma coisa, mas insultar seu irmão mais novo era outra bem diferente, ainda que o Titã fosse o dobro de seu tamanho. Ele reuniu todas as suas forças e bateu com a mochila no rosto do líder da gangue. Foi um golpe perfeito. Uma enorme espinha na ponta do nariz do Titã explodiu. Sangue e pus esguicharam num espetáculo fascinante. – Aaaai! – gritou Titã. – Você vai pagar caro por isso, seu tampinha. Eu estava deixando essa espinha crescer para a apresentação do Maior Furúnculo da festa de Aniversário do Rei. Pegue o barbante, Gritt. AGORA! – Hum... bem... – gaguejou Gritt. Titã jogou Muncle no chão, imobilizando-o com seu imensurável pé, e pegou o barbante que parecia uma corda.

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Depois enfiou uma ponta por dentro do cinto de Muncle, deu um nó e começou a girá-lo no ar. Muncle fechou os olhos e esperou o arremesso, mas, antes que fosse lançado para o outro lado da Cratera, ouviu-se um estrondo ensurdecedor. Titã parou abruptamente, e Muncle deslizou na poeira do chão. Fora salvo pelo gongo da escola. – Tenho que ir – disse Gritt. – Se eu me atrasar para a aula de Ciência dos Dragões outra vez, vou me encrencar com o Sr. Paulada. Ele lançou um olhar de arrependimento para Muncle e saiu às pressas da Cratera. Antes de seguir Gritt, Titã deu um último soco nas costelas de Muncle, deixando-o ofegante e amarrado como um texugo refogado. Titã também tinha pressa, e Muncle sabia o motivo. Em geral, garotos como Titã não se preocupavam com atrasos. E, normalmente, Muncle preferia ficar brincando em seu cantinho na floresta, do lado de fora do Monte das Lamentações, a ir à escola. Mas aquele não era um dia normal. Aquele era o dia da Excursão dos Formandos, e fazia semanas que toda a classe esperava ansiosamente por isso. Muncle mais do que qualquer um. Eles iriam visitar o mundo dos Pequenotes!

HUM! É uma minhoca.


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Capítulo dois Quando Muncle conseguiu, enfim, desvencilhar-se do cordão e chegar à escola, já era tarde e a porta estava fechada. Enquanto pensava em um modo de alcançar a maçaneta, alguém a abriu pelo lado de dentro. A Srta. Bumfit, que lecionava Estudos dos Pequenotes, olhou para baixo de cara feia, com seu nariz curvo na direção dele. – E quem seria você? – ela quis saber. Muncle sentiu o rosto corar. Seus colegas de classe se amontoaram ao redor da Srta. Bumfit, dando risadinhas. – Sou eu, professora. Muncle Trogg. – Ora, então é você. Sabe, faz tanto tempo que não vem à aula que eu tinha até me esquecido de como você era. As crianças riram contidamente. Elas sempre se divertiam quando os professores caçoavam de Muncle, e isso acontecia sempre que ele ia para a escola. Era por essa razão que a Srta. Bumfit não o via com frequência.

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O resto da classe mal podia esperar para sair logo. Eles iam chegando para a frente, empurrando a professora. Muncle foi nocauteado pela mochila de Titã. As gêmeas Colossa e Valquíria tropeçaram nele, e o Espancador Molenga pisou na pobre criatura. Quando Muncle conseguiu se levantar os outros já estavam bem adiante, ele teve que correr para alcançá-los – e, então, continuar correndo, só para acompanhar o ritmo dos outros. Nunca vou conseguir, pensou. Vou ficar esgotado antes de chegarmos lá. Pá havia dito que era uma longa caminhada pela floresta até alcançar o topo do despenhadeiro, de onde dava para avistar a cidade dos Pequenotes a uma distância segura. No entanto, a Srta. Bumfit fez uma pausa com a turma antes mesmo de deixarem a Cratera. Eles pararam na parte externa de uma construção que ficava ao lado do palácio do Rei. Na verdade, era difícil dizer onde o palácio terminava e onde a construção começava, motivo pelo qual Muncle provavelmente não notara o local antes. A Srta. Bumfit subiu os degraus que levavam a uma velha porta de madeira e bateu nela com sua vareta de professor. – Agora, prestem atenção, formandos – chamou ela, virando-se para encará-los. – Antes de entrarmos, vocês precisam se lembrar de duas coisas. Em primeiro lugar, o objetivo desse passeio não é diversão. Uma parte do

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exame final de Gigantia será sobre coisas que vocês verão hoje, então prestem atenção. Na mesma hora começou um burburinho entre os alunos, imediatamente silenciado pelo balanço ameaçador da vareta da Srta. Bumfit. – Em segundo lugar – continuou –, lembrem-se de que tudo o que encontrarem aqui pertence ao Rei, e todo o local deve ser tratado com O Maior Respeito. O que isso quer dizer, Titã? – Que temos que tomar cuidado com tudo, professora. – Sim, exatamente, Titã. E o que acontece com quem não trata a propriedade do Rei com O Maior Respeito? – É levado para os calabouços, professora. – Correto. Agora, se estivermos todos prontos... A Srta. Bumfit bateu mais uma vez à porta. Agora, ferrolhos chacoalharam, trancas tiniram e a porta rangeu ao ser lentamente aberta. Do lado de dentro, havia um gigante velho e enrugado. Sua pele pendia em dobras murchas e as costas eram tão curvadas que sua barba tocava o chão. Com uma das mãos ele se apoiava pesadamente em uma bengala e com a outra segurava uma corneta acústica na altura da orelha. – Este é Sua Sabedoria, o Senhor Biblos – anunciou a Srta. Bumfit –, a pessoa mais importante no Monte das Lamentações depois da Família Real. Ele é o Sábio Ho-

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mem do Conselho, Mestre do Museu Real e Guardião do Livro. – O Sábio Homem é o principal conselheiro do Rei – explicou ele. E afastou a barba para o lado para mostrar sua corrente dourada de funcionário. – Quando o Rei precisa de uma boa ideia, é minha função dar-lhe uma. Outra de minhas funções é cuidar deste maravilhoso Museu do Mundo dos Pequenotes. – Por que ele é tão enrugado? – sussurrou Valquíria. – É isso que acontece quando você pensa demais – respondeu Espancador. As crianças apressaram-se em subir os degraus. Todas, exceto Muncle, cuja decepção era tão grande que ele sentia como se tivesse sido golpeado na cabeça pela vareta da Srta. Bumfit. Eles não iriam ver o mundo dos Pequenotes de fato. Iriam apenas dar uma olhada em um museu velho e entulhado. Muncle não tinha ido à aula em que os alunos foram informados sobre a excursão, e deve ter entendido errado quando as outras crianças falaram do evento. No fim das contas, não tinha valido a pena ir à escola. Muncle ficou pensando se alguém notaria caso ele saísse sorrateiramente, mas logo se lembrou do exame de Gigantia. Aquela visita poderia compensar todas as aulas de Estudos dos Pequenotes que ele perdera. Era melhor ir em frente.

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Muncle suspirou e arrastou-se degraus acima para se juntar aos outros. O Sábio Homem caminhava pelo museu, apontando objetos roubados dos Pequenotes na época em que eles eram sequestrados, mas Muncle não conseguia ver nada, pois estava no fundo, atrás das crianças de tamanho normal. – E agora – disse o Senhor Biblos – chegamos ao item que mostra claramente como os minúsculos Pequenotes são de verdade. Muncle ouviu o rangido de uma porta se abrindo. Todos se amontoaram à frente. – Então – disse o Senhor Biblos –, o que acham que são estas coisas? – Roupas de bebê? – sugeriu Valquíria.

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– Não – respondeu o velho. – Estas são as roupas de um Pequenote adulto, o último que foi sequestrado. – Oooh! – exclamou a classe. – Oooh mesmo – concordou Biblos. – É difícil imaginar alguém minúsculo o bastante para vestir essas roupas, não é? – Muncle Trogg caberia nelas e ainda ficariam largas – caçoou Titã. – Muncle Trogg? – perguntou o Senhor Biblos. – Quem é Muncle Trogg? – Onde está Muncle? – quis saber a Srta. Bumfit. – Faltou outra vez? Geralmente, Muncle achava mais seguro ficar em silêncio, mas agora estava curioso para ver o que todos olhavam. – Estou aqui! – exclamou o mais alto que conseguiu. As outras crianças viraram-se em sua direção. De repente, mãos esticaram-se e o agarraram, erguendo-o sobre as cabeças. Era um modo nada delicado de se locomover, mas não tão brusco quanto ser feito de brinquedo, além de não demorar muito. Ele foi passado rapidamente para a frente e atirado diante do Senhor Biblos. – Um calouro? – exclamou o velho homem. – Mas esta visita é unicamente para formandos, Srta. Bumfit. – Muncle Trogg é um formando – respondeu a professora. – Ele frequenta a escola há cinco anos inteiros. E tem um irmão mais novo perfeitamente normal.

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– Minha nossa! – surpreendeu-se o Senhor Biblos, olhando para baixo na direção dele. – Pobre garoto. Ele puxou um pequeno banco de apoio para pés e sentou-se nele para analisar Muncle mais de perto. – Seu amigo tem razão – afirmou. – Acho que essas roupas podem servir em você. Prove-as. Todos nós teremos uma noção melhor de como é um Pequenote se virmos alguém vestido com elas. Muncle tirou sua jaqueta surrada no mesmo instante. Ele adorava fingir ser um Pequenote! Geralmente, quando o atormentavam, ele fantasiava que não pertencia mesmo ao Monte das Lamentações e que era, na verdade, um Pequenote, que as fadas haviam trocado pelo verdadeiro filho de Mã e Pá. Esse era o tipo de coisa que as fadas faziam. (Porém, elas não eram mais encontradas. Tinham desaparecido havia muitos anos, assim como os anões e os gnomos.) A camisa que o Senhor Biblos deu a Muncle era tão fina que parecia transparente. Ela a vestiu pela cabeça, com cuidado, receoso de que pudesse rasgar, mas o tecido era mais resistente do que aparentava. Enquanto puxava a camisa para baixo, até o bermudão, Muncle de repente imaginou a última pessoa que a teria vestido. Um Pequenote fora capturado por um gigante, usava aquelas roupas e podia até ter morrido de forma terrível.

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Ele examinou a camisa à procura de manchas de sangue e se sentiu aliviado por não encontrar nada. Os gigantes eram criados para venerar a violência, mas Muncle passara muito tempo levando surras para apreciar esse tipo de coisa. – Agora, estas. As macias calças de lã tinham praticamente o comprimento de seu bermudão, mas eram abotoadas abaixo do joelho em vez de soltas. Eram muito mais gostosas de usar do que as peças ásperas e desconfortáveis que os gigantes vestiam. Em seguida, o Senhor Biblos lhe entregou dois tubos tricotados. Sem entender, Muncle enfiou o braço em um deles. – Não, não, Muncle. São para os pés. Chamam-se “meias”. Coloque isso por cima delas. – Botas! Muncle estava emocionado. As botas eram pesadas, mas fizeram com que ele se sentisse igualzinho a Pá. Caçadores e apanhadores eram os únicos gigantes que usavam botas, pois com elas era mais difícil os cães rastrearem seu cheiro. – Enfie a camisa dentro das calças, Muncle, e estará pron to para vestir o colete. O colete parecia uma jaqueta, mas com botões minúsculos. Muncle levou um século para abotoá-los. – Extraordinário! – declarou o Senhor Biblos enquanto amarrava um lenço vermelho de tecido fino em volta do

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pescoço de Muncle para completar o traje. – Estupendo! Nunca imaginei que veria um Pequenote voltar à vida diante de meus próprios olhos. – Isso não é um Pequenote – zombou Titã. – É só o Muncle Trogg com roupas idiotas. Que coisa chata! Quando vamos ver o Livro?

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Muncle Trogg é um jovem gigante que sempre foi caçoado por ser tão pequeno quanto um humano. Um dia, ele desce o Monte das Lamentações para ver um daqueles Pequenotes com os próprios olhos, pois tem muita curiosidade de saber mais sobre eles. Em meio a essa aventura, Muncle se torna amigo de Snarg, um dragão fugitivo, e conhece uma menininha chamada Emily.

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Janet Foxley escreveu durante toda a vida, e agora, aos sessenta anos, ficou animada com a ideia de ver

Muncle Trogg

publicado. Ela mora com o marido em uma casa de fazenda antiga na cidade de Carlisle, em Cúmbria, Inglaterra, e tem três filhos. A autora agora trabalha na próxima história do gigante Muncle.

o As aventuras d pequeno gigante continuam em:

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ções Lamenta s o. a d e t n Mo lá embaix o ã t s e e u anos q dos hum ntes são Mas nem todos os giga . Muncle Trogg, realmente ando alvo pequeno que acaba vir por exemplo, é tão e s. Chateado, ele decid da zombaria dos outro uma olhada nos tais descer o Monte e dar le dizem que se parece. Munc “Pequenotes”, com quem

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Quando o Aniversário do Rei se aproxima, os gigantes têm que pensar em como entreter Sua Enorme Majestade, mas um presente surpresa acaba causando uma grande confusão. Agora resta a Muncle salvar os Pequeno-tes dos gigantes e os gigantes dos Pequenotes. O que ele não tem de altura precisará compensar com esperteza.

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Muncle Trogg: O menor gigante do mundo  

Material promocional. Copyright do texto © Janet Foxley 2011. Copyright das ilustrações © Steve Wells. (Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012) To...

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