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JOVENS SEMIDEUSES, preparem-se para ter acesso a arquivos altamente sigilosos. Compilado pelo escriba sênior do Acampamento Meio-Sangue, o sr. Rick Riordan, o conteúdo supersecreto aqui apresentado inclui os relatórios de três das mais perigosas aventuras de Percy Jackson, informações valiosas conseguidas em entrevistas com os mais importantes heróis da saga, um utilíssimo mapa do acampamento e muito, muito mais. Leiam e tornem-se especialistas no universo dos deuses e heróis do Olimpo. RICK RIORDAN é o autor da série Percy Jackson e os olimpianos, best-seller no Brasil, premiada pela YALSA e pela American Library Association. Ele nasceu em 1964, no Texas, nos Estados Unidos, onde mora com a mulher e os dois filhos, e durante quinze anos lecionou em escolas públicas e particulares de São Francisco. SÉRIE PERCY JACKSON E OS OLIMPIANOS:

Do autor best-seller do The New York Times

www.intrinseca.com.br/percyjackson Arte de capa © Eileen Gilshian Ilustração de capa © 2009 Steve James

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& OS O LI M P IA N O S

S U E D I M E S O D S O V I U Q R A S O

tradução de luciana bastos figueiredo

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Copyright © 2009 Rick Riordan Copyright das ilustrações © 2009 Steve James Copyright das ilustrações dos personagens no encarte © 2009 Antonio Caparo Edição em português negociada por intermédio de Nancy Galt Literary Agency e Sandra Bruna Agencia Literaria, SL. título original The Demigod Files preparação Ana Júlia Cury revisão Maria da Glória de Carvalho Maria de Fátima Maciel diagramação Ilustrarte Design e Produção Editorial

cip-brasil. catalogação-na-fonte sindicato nacional dos editores de livros, rj R452a Riordan, Rick Os arquivos do semideus / Rick Riordan ; tradução de Luciana Bastos Figueiredo. – Rio de Janeiro : Intrínseca, 2010. 168p. – (Percy Jackson e Os Olimpianos) Tradução de: The demigod files ISBN 978-85-98078-89-2 1. Mitologia grega – Literatura infantojuvenil. 2. Titãs (Mitologia) – Literatura infantojuvenil. 3. Animais mitológicos – Literatura infantojuvenil. 4. Monstros – Literatura infantojuvenil. 5. Literatura infantojuvenil americana. I. Figueiredo, Luciana Bastos. II. Título. III. Série. 10-1623.

CDD: 028.5 CDU: 087.5

[2010] Todos os direitos desta edição reservados à Editora Intrínseca Ltda. Rua Marquês de São Vicente, 99/301 22451-041 – Gávea Rio de Janeiro – RJ Tel. / Fax.: (21) 3206-7400 www.intrinseca.com.br

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Para Otto e Noah, meus sobrinhos semideuses.

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sumรกrio

Carta do Acampamento Meio-Sangue

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Percy Jackson e a quadriga roubada

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Percy Jackson e o dragรฃo de bronze

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Entrevista com Connor e Travis Stoll, filhos de Hermes

/ 79

Entrevista com Clarisse La Rue, filha de Ares

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Entrevista com Annabeth Chase, filha de Atena

/ 84

Entrevista com Grover Underwood, sรกtiro

/ 88

Entrevista com Percy Jackson, filho de Poseidon

/ 91

Mapa do Acampamento Meio-Sangue

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Mala de Annabeth Chase para o acampamento

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Percy Jackson e a espada de Hades

/ 101

Palavras-cruzadas olimpianas

/ 160

Caรงa-palavras do Olimpo

/ 162

Os doze deuses olimpianos + 2

/ 164

Respostas dos passatempos

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Querido jovem semideus, Se você está lendo este livro, só posso me desculpar. Sua vida está prestes a ficar muito perigosa. A essa altura, você provavelmente já descobriu que não é um mortal comum. Este livro foi feito para dar a você uma visão privilegiada do mundo dos semideuses, que nenhuma criança humana seria autorizada a ter. Como escriba sênior do Acampamento Meio-Sangue, espero que as informações supersecretas aqui contidas deem algumas dicas e ideias que possam manter você vivo durante seu treinamento.

Os arquivos do semideus contêm três das mais perigosas aventuras de Percy Jackson, nunca antes registradas. Você saberá como ele conheceu os imortais e terríveis filhos de Ares. Conhecerá a verdade sobre o dragão de bronze, há muito tido apenas como uma lenda do Acampamento Meio-Sangue. E descobrirá como Hades adquiriu uma nova arma secreta e como Percy foi forçado a ter uma participação não desejada na sua criação. Essas histórias não devem aterrorizá-lo, mas é importante você saber quão periculosa a vida de um herói pode ser. Quíron também me deu permissão para divulgar entrevistas confidenciais com alguns de nossos mais im-

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portantes campistas, incluindo Percy Jackson, Annabeth Chase e Grover Underwood. Por favor, tenha em mente que as entrevistas foram dadas confidencialmente. Passe essas informações para qualquer não semideus e você poderá encontrar Clarisse avançando na sua direção com a lança elétrica dela. Acredite em mim, você não quer isso. Finalmente, incluí ilustrações para ajudá-lo a se orientar. Você encontrará retratos de várias personalidades do Acampamento Meio-Sangue para que possa reconhecê-las quando as encontrar pessoalmente. Annabeth Chase permitiu que mostrássemos sua mala para que você pudesse ter uma ideia do que levar em seu primeiro verão. Há ainda um mapa do acampamento, o qual espero que o ajude a não se perder nem ser engolido por monstros. Estude bem estas páginas, porque suas próprias aventuras estão apenas começando. Que os deuses estejam com você, jovem semideus! Um abraço afetuoso,

Rick Riordan Escriba sênior, Acampamento Meio-Sangue

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Percy Jackson e a

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Eu estava no quinto tempo, na aula de ciências, quando ouvi sons vindos de fora. SCRAUC! AU! SCRECH! eia! Era como se alguém estivesse sendo atacado por uma galinha possuída. E, acredite, essa é uma situação que já vivi. Ninguém mais pareceu notar o tumulto. Estávamos no laboratório, e todo mundo estava conversando, então, não foi difícil olhar pela janela enquanto fingia que lavava meu béquer. Como eu suspeitava, havia uma garota no beco empunhando uma espada. Ela era alta e musculosa como uma jogadora de basquete, tinha cabelos castanhos oleosos e usava jeans, coturnos e jaqueta de brim. Estava golpeando um bando de pássaros pretos do tamanho de corvos. Havia penas presas a suas roupas em vários lugares. Um corte acima de seu olho esquerdo sangrava. Enquanto eu a observava, um dos pássaros lançou uma pena como se fosse [13]

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uma flecha, que se alojou no ombro dela. Ela praguejou e tentou acertar o animal, mas ele voou para longe. Infelizmente, reconheci a garota. Era Clarisse, minha antiga inimiga no acampamento para semideuses. Ela costumava passar o ano inteiro no Acampamento Meio-Sangue. Eu não tinha ideia do que Clarisse fazia no Upper East Side no meio de um dia de aula, mas, obviamente, ela estava com problemas. E não ia aguentar por muito mais tempo. Fiz a única coisa que podia. — Sra. White — chamei —, posso ir ao banheiro? Acho que vou vomitar. Sabe quando os professores ensinam que as palavras mágicas são por favor? Isso não é verdade. A palavra mágica é vomitar. Ela tira você da sala de aula mais rápido do que qualquer outra coisa. — Vá! — respondeu a sra. White. Corri para a porta, tirando os óculos de proteção, as luvas e o avental do laboratório. Então saquei minha melhor arma: uma caneta esferográfica chamada Contracorrente. Ninguém me parou nos corredores. Saí pelo ginásio. Cheguei ao beco a tempo de ver Clarisse acertar um pássaro demoníaco com a lateral da espada como numa rebatida de beisebol. O pássaro guinchou e voou para longe [14]

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em espiral, batendo na parede de tijolos e escorregando para dentro de uma lixeira. Mesmo assim, ainda havia uma dúzia deles em volta dela. — Clarisse! — gritei. Ela me lançou um olhar furioso, descrente. — Percy? O que você está fazendo... Ela foi interrompida por uma saraivada de penas que zuniram sobre sua cabeça e espetaram-se na parede. — Essa é a minha escola. — Que sorte a minha — Clarisse resmungou, mas estava muito ocupada para reclamar mais. Destampei minha caneta, que se tornou uma espada de bronze de um metro de comprimento, e entrei na batalha golpeando os pássaros e desviando as flechas com a lâmina. Juntos, Clarisse e eu atacamos e atingimos os pássaros até que todos fossem reduzidos a pilhas de penas no chão. Nós dois respirávamos com dificuldade. Eu tinha alguns arranhões, mas nada além disso. Arranquei do meu braço uma pena. Ela não tinha me perfurado muito. Se não fosse venenosa, eu ficaria bem. Tirei um saquinho de ambrosia do bolso da jaqueta, onde sempre o mantinha para emergências, parti um pedaço ao meio e ofereci um pouco a Clarisse. — Não preciso da sua ajuda — murmurou ela, mas pegou a ambrosia mesmo assim. [15]

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Engolimos alguns pedaços, mas não muitos, já que a comida dos deuses pode queimar até as cinzas se ingerida em excesso. Acho que é por isso que não há muitos deuses gordos. De qualquer forma, em poucos segundos nossos cortes e arranhões desapareceram. Clarisse colocou sua espada na bainha e bateu a sujeira da jaqueta. — Então... a gente se vê. — Espere aí! — retruquei. — Você não pode ir embora assim. — Claro que posso. — O que está acontecendo? O que está fazendo fora do acampamento? Por que aqueles pássaros estavam perseguindo você? Clarisse me empurrou, ou tentou me empurrar. Eu estava bastante acostumado com seus truques, então apenas dei um passo para o lado e deixei que ela passasse direto por mim. — Vamos lá — insisti. — Você quase foi morta na minha escola. Isso agora virou assunto meu. — Não virou, não! — Deixe eu ajudar você. Ela deu um breve suspiro. Senti que realmente queria me bater. Mas, ao mesmo tempo, havia desespero em seus olhos, como se ela estivesse com sérios problemas. [16]

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— São meus irmãos — começou ela. — Eles estão aprontando comigo. — Ah — respondi, sem muita surpresa. Clarisse tinha muitos irmãos no Acampamento Meio-Sangue. Todos implicavam uns com os outros. Acho que isso era esperado, já que são filhos e filhas do deus da guerra, Ares. — Que irmãos? Sherman? Mark? — Não — respondeu ela, parecendo assustada como eu nunca tinha visto. — Meus irmãos imortais. Phobos e Deimos. Sentamos num banco do parque enquanto Clarisse me contava a história. Eu não estava muito preocupado em voltar para a escola. A sra. White chegaria à conclusão de que a enfermeira teria me mandado para casa, e o sexto tempo era aula de trabalhos manuais. O sr. Bell nunca fazia chamada. — Então me deixe entender isso direito. Você pegou o carro do seu pai para dar uma volta e agora ele sumiu. — Não é um carro — rosnou Clarisse. — É uma quadriga de guerra! E ele me disse que pegasse. É como... um teste. Eu deveria trazê-la de volta ao pôr do sol. Mas... — Seus irmãos roubaram o carro de você. [17]

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— Roubaram a quadriga — corrigiu ela. — Normalmente, são eles que a guiam, entende? E não gostam que ninguém mais o faça. Então, roubaram a quadriga e me perseguiram com esses pássaros idiotas que disparam flechas. — Os animais de estimação do seu pai? Ela assentiu, chateada. — Eles guardam o templo. De qualquer forma, se eu não encontrar a quadriga... Parecia que ela estava prestes a ter um ataque de nervos. Eu não a culpo. Já vi seu pai, Ares, ficar irritado, e não foi uma visão agradável. Se Clarisse o decepcionasse, ele pegaria pesado com ela. Muito pesado. — Vou ajudar você — ofereci. — Por que faria isso? Eu não sou sua amiga — devolveu ela, irritada. Não pude argumentar diante daquilo. Clarisse tinha agido mal comigo um milhão de vezes, mas, ainda assim, eu não gostava da ideia de ela ou qualquer outra pessoa estar na mira de Ares. Eu tentava descobrir como explicar isso a ela quando ouvimos uma voz masculina. — Ah, olhe só. Acho que ela andou chorando! Um garoto mais velho estava encostado num telefone público. Usava jeans surrado, camiseta preta e jaqueta de couro, e uma bandana cobria seus cabelos. [18]

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Tinha uma faca presa ao cinto. Seus olhos eram da cor de chamas. — Phobos. — Clarisse cerrou os punhos. — Onde está a quadriga, seu idiota? — Você a perdeu — provocou ele. — Não pergunte a mim. — Seu... Clarisse desembainhou a espada e partiu para o ataque, mas Phobos desapareceu bem no meio do golpe e a lâmina acertou o poste do telefone público. Ele apareceu no banco ao meu lado. Estava rindo, mas parou quando encostei a ponta de Contracorrente em sua garganta. — É melhor você devolver aquela quadriga — eu disse a ele. — Antes que eu me irrite. Phobos me olhou com desprezo e tentou parecer durão, ou tão durão quanto alguém pode ficar com uma espada na garganta. — Quem é o seu namoradinho, Clarisse? Agora você precisa de ajuda para vencer suas batalhas? — Ele não é meu namorado! — Com um puxão, Clarisse tirou sua espada do poste. — Não é nem meu amigo. Esse é Percy Jackson. Algo mudou na expressão de Phobos. Ele pareceu surpreso, talvez até nervoso. [19]

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— O filho de Poseidon? Aquele que deixou papai furioso? Ah, isso é muito bom, Clarisse. Você está andando com um arqui-inimigo? — Eu não estou andando com ele! Os olhos de Phobos brilharam num vermelho bem vivo. — Por favor, não! — gritou Clarisse. Ela golpeou o ar como se estivesse sendo atacada por insetos invisíveis. — O que está fazendo com ela? — eu quis saber. Clarisse se afastou para a rua, balançando sua espada furiosamente. — Pare com isso! — eu disse a Phobos. Apertei minha espada um pouco mais fundo em sua garganta, mas ele simplesmente sumiu, reaparecendo perto do telefone público. — Não se anime tanto, Jackson — disse Phobos. — Só mostrei a ela aquilo de que ela tem medo. O brilho desapareceu dos seus olhos. Clarisse se curvou, respirando com dificuldade. — Seu desgraçado — arfou ela. — Eu vou... eu vou pegar você. Phobos se virou para mim. — E quanto a você, Percy Jackson? O que você teme? Sabe, vou descobrir. Eu sempre descubro. — Devolva a quadriga. — Tentei manter minha voz calma. — Enfrentei seu pai uma vez. Você não me assusta. [20]

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— Nada a temer além do medo em si. Não é o que dizem? — Phobos riu. — Bom, deixe eu contar um segredinho a você, meio-sangue. Eu sou o medo. Se você quer a quadriga, venha pegar. Está sobre as águas. Você vai encontrá-la onde vivem os animaizinhos selvagens, exatamente o tipo de lugar a que você pertence. — Ele estalou os dedos e desapareceu numa cortina de fumaça amarela. Preciso dizer: conheci muitos deuses inferiores e monstros de que não gostei, mas Phobos ganhou o prêmio máximo. Não gosto de valentões. Nunca pertenci à turma dos populares da escola, então passei a maior parte da minha vida me defendendo de punks que tentavam amedrontar a mim e a meus amigos. A forma como Phobos riu de mim e fez Clarisse desmoronar só com o olhar... Queria dar uma lição nesse cara. Ajudei Clarisse a se levantar. Seu rosto ainda estava coberto pelo suor. — Agora você quer ajuda? — perguntei. Pegamos o metrô preparados para novos ataques, mas ninguém nos incomodou. Enquanto viajávamos, Clarisse me falou sobre Phobos e Deimos. — Eles são deuses inferiores — explicou ela. — Phobos é o medo. Deimos é o pânico. — Qual é a diferença? [21]

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Ela deu de ombros. — Deimos é maior e mais feio, eu acho. Ele é bom em enlouquecer multidões. Phobos é mais, digamos, pessoal. Ele consegue invadir a sua mente. — É daí que vem a palavra fobia? — Sim — resmungou ela. — Ele tem muito orgulho disso. Todas aquelas fobias nomeadas em homenagem a ele. O idiota. — E por que eles não querem que você conduza a quadriga? — Isso costuma ser um ritual apenas para os filhos homens de Ares, quando completam quinze anos. Eu sou a primeira menina a ter uma chance em muitos anos. — Bom para você. — Diga isso a Phobos e a Deimos. Eles me odeiam. Eu tenho de levar aquela quadriga de volta ao templo. — Onde é o templo? — Píer 86. O Intrepid. — Ah. Aquilo fazia sentido, pensei na hora. Na verdade, eu nunca estivera a bordo do antigo porta-aviões, mas sabia que era usado como uma espécie de museu militar. Provavelmente, estava cheio de armas e bombas e outros brinquedos perigosos. Exatamente o tipo de lugar que um deus da guerra gostaria de frequentar. [22]

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— Talvez tenhamos cerca de quatro horas antes do pôr do sol — supus. — Pode ser tempo suficiente, se acharmos a quadriga. — Mas o que Phobos quis dizer com “sobre as águas”? Estamos numa ilha, pelo amor de Zeus. Pode estar em qualquer lugar! — Ele disse alguma coisa sobre animais selvagens — lembrei. — Animaizinhos selvagens. — Um zoológico? Concordei. Um zoológico sobre as águas pode ser o do Brooklyn, ou talvez... algum lugar de difícil acesso, com pequenos animais selvagens. Algum lugar onde ninguém pensaria em procurar uma quadriga. — Staten Island — sugeri. — Há um pequeno zoológico lá. — Talvez — respondeu Clarisse. — Esse parece o tipo de lugar fora do comum em que Phobos e Deimos esconderiam alguma coisa. Mas se estivermos errados... — Não temos tempo para estarmos errados. Descemos na Times Square e pegamos o trem número 1 para o centro de Manhattan, em direção ao cais das barcas. Embarcamos para Staten Island às três e meia da tarde, com um monte de turistas que lotavam as grades do deque [23]

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superior, tirando fotografias conforme passávamos pela Estátua da Liberdade. — Ele a esculpiu em homenagem à mãe — comentei, observando a estátua. — Quem? — Clarisse olhou para mim com desdém. — Bartholdi — respondi. — O cara que fez a Estátua da Liberdade. Ele era filho de Atena e projetou a estátua de forma que se parecesse com a mãe dele. Bom, foi o que Annabeth me contou. Clarisse revirou os olhos. Annabeth era minha melhor amiga e tinha loucura por arquitetura e monumentos. Acho que, às vezes, sua fixação pelo assunto acabava me contaminando. — Inútil — Clarisse considerou. — Se não ajuda você na batalha, é uma informação inútil. Eu poderia ter discutido com ela, mas, logo em seguida, a barca se inclinou como se tivesse batido em uma rocha. Os turistas escorregaram, derrubando uns aos outros. Clarisse e eu corremos para a frente do barco. A água abaixo de nós começou a borbulhar. Então, a cabeça de uma serpente marinha emergiu na baía. O monstro era, no mínimo, tão grande quanto o barco. Era cinza e verde, e possuía uma cabeça de crocodilo e dentes em formato de lâminas afiadas. Cheirava como... bom, como alguma coisa que tivesse acabado de sair do [24]

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fundo das águas do porto de Nova York. Montado em seu pescoço, estava um garoto forte que usava uma armadura grega de cor preta. Seu rosto estava coberto de feias cicatrizes, e ele segurava uma lança. — Deimos! — berrou Clarisse. — Olá, irmã! — Seu sorriso era quase tão terrível quanto o da serpente. — Que tal uma brincadeira? O monstro rugiu. Os turistas gritaram e se dispersaram. Não sei exatamente o que viram, a Névoa geralmente evita que mortais vejam monstros em sua forma verdadeira. Mas, seja lá o que tenham visto, deixou-os aterrorizados. — Deixe-os em paz! — berrei. — Ou o quê, filho do deus do mar? — Deimos desdenhou. — Meu irmão me disse que você é um banana! Além disso, eu amo pânico. Eu vivo em meio ao pânico! Ele incitou a serpente a golpear a barca com a cabeça, e, com o impacto, ela espalhou água para trás. Alarmes dispararam. Passageiros se atropelaram ao tentar fugir. Deimos gargalhava de felicidade. — Chega — murmurei. — Clarisse, agarre aqui. — O quê? — Agarre meu pescoço. Vamos dar uma volta. Ela não protestou. Agarrou-se a mim e eu comecei a contar: [25]

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— Um, dois, três... pule! Pulamos do deque superior direto para dentro da baía, mas ficamos embaixo d’água só por um instante. Senti o poder do oceano tomar conta de mim. Induzi a água a fazer um redemoinho em torno de nós, aumentando a velocidade até que surgíssemos no topo de uma tromba-d’água de dez metros de altura. Então nos conduzi diretamente ao monstro. — Acha que consegue cuidar de Deimos? — berrei para Clarisse. — Eu pego ele! — respondeu ela. — Só me faça descer dez metros. Avançamos rapidamente em direção à serpente. Assim que ela expôs sua presa, desviei a tromba-d’água para o lado e Clarisse pulou. Ela foi de encontro a Deimos e os dois caíram na água. A serpente veio atrás de mim. Rapidamente, virei a tromba-d’água para encará-la. Então, reuni todo o meu poder e induzi a água a subir cada vez mais. — uouuuu! Milhões de litros de água salgada atingiram o monstro. Pulei em sua cabeça, destampei Contracorrente e cortei com toda a minha força o pescoço da criatura. O monstro rugiu. Sangue verde jorrou da ferida, e a serpente afundou nas ondas. [26]

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Copyright © Rick Riordan - Material Promocional (Intrínseca, 2017)

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