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IMUNIZAÇÃO

MALÁRIA

Semsa alerta população para necessidade de vacinação em dia

Número de casos da doença apresentou redução de 40% na capital amazonense

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SAÚDEMANAUS EDIÇÃO Nº 11 | JULHO DE 2019

Manaus tem redução de dengue, zika e chikungunya A capital amazonense registrou, no primeiro semestre de 2019, uma redução de 35% no número de notificações de dengue, zika e febre chikungunya, em relação ao ano passado. Como consequência, a diminuição de 42%, no total de casos confirmados das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Diferentemente do que ocorre em pelo menos dez Estados brasileiros, que enfrentam uma epidemia dessas doenças. Dos 63 bairros da cidade, oito ainda apresentam um índice mais elevado de infestação do mosquito, mas já estão recebendo ações para eliminar os criadouros. PÁGINA 3 FOTO: JOSÉ NILDO/SEMSA

FOTO: ALTEMAR ALCÂNTARA/SEMCOM

FOTO: DIVULGAÇÃO/SEMSA

CRIATIVIDADE

ALTERNATIVA

O uso da arte como aliada para promover saúde

Oficina orienta sobre o uso de plantas medicinais

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IMUNIZAÇÃO

Baixa cobertura vacinal pode colocar em risco a saúde da população em Manaus

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os cinco primeiros meses deste ano, Manaus registrou uma baixa significativa na procura de vacinas para crianças. Para reverter esse quadro, profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) têm trabalhado de forma estratégica, com equipes atuando nos chamados “vazios assistenciais”, em busca ativa por crianças que precisem receber imunização. Levantamento realizado pela Divisão de Imunização da Semsa identificou que as zonas Norte e Leste são as que mais apresentam taxas de vacinação abaixo da meta de cobertura, que é de 95% ou 90%, em alguns casos. Dentre as vacinas com menores taxas de cobertura destacam-se a Pentavalente (82,30%), Rota Vírus (84,63%), Pneumocócica (91,83%), Meningocócica (92,71%), Febre Amarela (73,67%), Tríplice Viral (89,39%), todas essenciais para crianças com idade até 12 meses. A única vacina para crianças que atingiu a meta de vacinação foi a BCG (97,01%).

A vacina é um direito garantido pelo Estatuto da Criança e é um dever dos pais levá-las até a Unidade de Saúde, estando atentos às datas descritas no cartão de vacinação da criança, definindo o retorno à unidade de saúde. De acordo com a chefe da Divisão de Imunização, Isabel Hernandes, a falta de vacinas nas crianças, essenciais para os primeiros meses de vida, reflete negligência dos pais. “A falta das vacinas pode levar a uma doença grave ou até mesmo à morte. Os pais têm uma responsabilidade muito grande em levar as crianças até a unidade de saúde”, explica. Em Manaus existem 183 Salas de Vacina que oferecem, gratuitamente, todas as vacinas que não só as crianças, mas também os jovens e adultos precisam tomar durante a vida para evitar doenças que podem ocasionar surtos e epidemias, como foi o caso do sarampo, que voltou a surgir em Manaus depois que quase duas décadas.

FOTO: MARCIO JAMES/SEMCOM

Vacinas, oferecidas gratuitamente, são a alternativa mais eficaz para prevenir muitas doenças

Parceria leva atendimento e atividades especiais para crianças no Distrito de Saúde Leste FOTO: JOSÉ NILDO/SEMSA

Nas ações especiais, as equipes oferecem um reforço no atendimento, que é realizado nas unidades

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acompanhamento do crescimento e desenvolvimento faz parte da avaliação integral à saúde da criança. Para assegurar esse atendimento, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), realizou uma ação de saúde para crianças atendidas pela Unidade Básica de Saúde (USB) Silas Santos, localizada na rua 16, bairro São José Operário, zona leste. “Nossas equipes buscam sempre organizar atividades como essa, para assegurar que nossos usuários tenham acesso aos serviços que são oferecidos na rotina. Essas ações são no sentido de que a Atenção Primária no município seja cada vez mais fortalecida”, explicou a diretora da unidade, Francinete Máximo. Em parceria com os residentes da Faculdade Estácio, as crianças receberam atendimento diferenciado com consultas médicas e de enfermagem, orientação psicológica e nutricional, aplicação de flúor, triagem, atualização do cartão de vaci-

nas e roda de conversa. “Ações como essa promovem saúde e previnem doenças, por isso, é muito importante que a população, especialmente as crianças, compareçam a estas iniciativas. Além disso, é mais uma oportunidade de integração da comunidade com a nossa UBS”, destacou Francinete. Técnicos, enfermeiros e médicos atenderam, de forma personalizada, a quase cem crianças, facilitando o acesso aos serviços que acontecem rotineiramente na UBS. A dona de casa Maria Francisca Alves de Sousa, 35, contou que frequenta a UBS para fazer o acompanhamento periódico da saúde de seus dois filhos pequenos, desde 2008, e que nessa ação teve ainda mais rapidez no atendimento. “Para mim é muito importante participar dessas ações, porque me sinto valorizada como cidadã. Meus filhos foram atendidos com atenção e já estou com os encaminhamentos que precisávamos”, elogiou Maria Francisca.


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PREVENÇÃO

Combate ao Aedes aegypti reduz casos de dengue, zika e chikungunya em Manaus

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iferentemente do que vem ocorrendo em pelo menos 10 Estados brasileiros, que enfrentam uma epidemia, Manaus registrou redução de 35% nas notificações de dengue, zika e chikungunya, em comparação com 2018. Como consequência, houve uma diminuição de 42% no número de casos confirmados de doenças relacionadas ao mosquito Aedes aegypti. Os dados são referentes ao primeiro semestre de 2019. De acordo com o boletim epidemiológico, nos seis primeiros meses deste ano foram registradas 1.199 notificações das três doenças, enquanto que no mesmo período do ano anterior, Manaus teve 1.846 casos notificados. Nesse período, o município apresentou redução das notificações dos agravos transmitidos pelo Aedes. Os casos de dengue notificados apresentaram variação de -26,3%. Os casos notificados de chikungunya reduziram em 9% e os casos notificados de zika vírus, -82%, todos comparados ao mesmo período (janeiro a junho) de 2018, segundo o Sistema de Notificação de Agravos (Sinan). “É um dado altamente positivo, porque comprova que nossas ações, também nesse sentido, de combater o mosquito causador dessas doenças, estão sendo eficazes. Essa redução é o resultado do esforço e trabalho empreendido por parte da área técnica da nossa secretaria municipal de Saúde, juntamente com a operacionalização das ações de campo, pelos agentes de endemias e agentes comunitários de saúde, bem como a conscientização da população, mantendo o ambiente livre de possíveis criadouros do mosquito”, comemora o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi.

FOTOS: JOSÉ NILDO/SEMSA

Trabalho é realizado pelos agentes comunitários de saúde e os de endemias, que visitam os imóveis para eliminar possíveis criadouros do Aedes

Segundo ele, há ainda os investimentos voltados para ações de infraestrutura, drenagem, limpeza, asfaltamento, melhorias nas áreas de habitação, saneamento básico, obras públicas e urbanismo. “Essas ações coordenadas e sistemáticas, envolvendo a estrutura da administração, foram determinantes no resultado positivo para redução das doenças transmitidas pelo Aedes, refletindo positivamente na qualidade de vida da nossa população”, ressalta o secretário.

Educação

No trabalho de combate ao mosquito, uma das estratégias do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica da Semsa é trabalhar na conscientização da população para mudança de hábitos, especialmente com relação aos cuidados com armazenamento de água e destino adequado do lixo, potenciais criadouros para o mosquito; no atendimento das pessoas, possivelmente acometidas pela infecção, em especial as gestantes e recém-nascidos; no atendimento dos protocolos de vigilância e manejo clínico. As equipes também realizam atividades de controle das doenças causadas pelo Aedes aegypti, com pesquisa larvária amostral, visita domiciliar, pesquisa larvária nos pontos estratégicos, em ciclos quinzenais, controle químico com borrifação de inseticidas, além das medidas de educação em saúde e ambiental, com articulação intersetorial e interinstitucional e participação da sociedade.

LIRAa

Em campo, tudo o que pode servir de depósito de água passa pela vistoria das equipes da Semsa

Duas vezes por ano, a Secretaria Municipal de Saúde realiza o Diagnóstico da Infestação pelo Aedes

aegypti (LIRAa). De acordo com o levantamento de fevereiro de 2019, Manaus apresentou Índice de Infestação Predial de 2,2%, o que mantém Manaus em Médio Risco para as doenças transmitidas pelo Aedes (médio risco compreende valores entre 1,0 e 3,9). Ainda assim, esse número aponta uma redução em relação ao primeiro diagnóstico de infestação realizado no mesmo período do ano 2018, quando o índice registrado foi de 3,0%. O 1º LIRAa de 2019 apontou, também, que dos 63 bairros oficiais do município, oito podem ser considerados com alta infestação: São José, Coroado e Armando Mendes (zona Leste); Glória (zona Oeste); Adrianópolis, São Francisco, Santa Luzia e Colônia Oliveira Machado (zona Sul). São bairros que apresentaram indicadores de maior infestação do Aedes aegypti e, consequentemente, com maior risco para a transmissão de zika, dengue e chikungunya. Esses bairros são áreas indicadas para intensificação das ações de controle do mosquito no município de Manaus, seguido dos bairros em média e baixa infestação.


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COMBATE

Número de casos de malária apresenta queda de 40% na capital amazonense, com ações de prevenção

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ados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) apontam uma redução de 40% no número de casos de malária em Manaus, este ano, se comparado a 2018. Todos os Distritos de Saúde (Disas) da capital registram uma diminuição no quantitativo de pessoas infectadas com a doença. De janeiro a junho de 2019 foram notificados 2.463 casos de malária, o que corresponde a uma redução de 38,5%. No mesmo período do ano passado, foram registrados 4.004 casos da doença. O maior desafio continuam sendo as áreas de ocupação irregular, localizadas nas zonas Leste e Norte, conforme explica o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi. “Temos um bom resultado, do ponto de vista epidemiológico. Resultado das estratégias de ação para minimizar a infecção nas áreas de maiores riscos, fazendo busca ativa de pacientes, visando o diagnóstico precoce para frear a transmissão”, explica o secretário. Com o início do verão amazônico, aumentam as condições para a transmissão da malária. O desmatamento e ocupações desordenadas na periferia da cidade, em áreas de matas ricas em mananciais, favorecem as condições para o aumento da densidade vetorial e potencializam os riscos de transmissão. A malária é transmitida por meio da picada da fêmea do mosquito Anopheles, infectada por Plasmodium, um tipo de protozoário. Esses mosquitos são mais abundantes ao entardecer e ao amanhecer. Todavia, são encontrados picando durante todo o período noturno, em menor quantidade.

Estratégias de controle

O controle é feito, inicialmente, por meio da estratificação das principais localidades com transmissão de casos no ano anterior. Essas localidades recebem ações de educação em saúde, exames de gota espessa, implantação de mosquiteiros impregnados com inseticida e borrifação residual intradomiciliar.

Diagnóstico e tratamento

Inicialmente a infecção pode se manifestar, por meio de febre alta, calafrios, tremores, sudorese e dor de cabeça, que podem ocorrer de forma cíclica. São os sinais que podem confirmar o diagnóstico, que é feito por intermédio de exames como gota espessa e testes rápidos que são oferecidos nas Policlínicas e Unidades Básicas de Saúde (UBS). Após a confirmação, o pacien-

FOTO: ALTEMAR ALCÂNTARA/SEMCOM

Como estratégia para combater a malária, são instalados mosquiteiros impregnados com inseticida nas áreas de maior ocorrência da doença

te recebe o tratamento nas UBSs, com comprimidos, fornecidos gratuitamente. Somente os casos graves têm a indicação de internação imediata.

Monitoramento no tratamento da malária

Para viabilizar um projeto que vai possibilitar a implantação de um sistema para notificar as reações adversas, também chamadas de efeitos colaterais, dos medicamentos usados no tratamento da malária, profissionais da Semsa estão sendo capacitados pela Organização Pan Americana de Saúde (Opas) e Ministério da Saúde. A gerente de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), enfermeira Alinne Antolini, explica que o projeto de “Fortalecimento da Farmacovigilância e Adesão Terapêutica ao Tratamento Antimalárico na Região das Américas”, consiste em uma cooperação internacional e é um projeto-piloto que também está sendo implantado em outros países. No Brasil, Manaus foi a capital selecionada para participar das ações. “Atualmente, quando o paciente apresenta reação adversa a um medicamento no tratamento da malária é feito um acompanhamento médico. Mas, o Brasil, assim como outros países das Américas, não tem a rotina de notificação das reações adversas dos medicamentos utilizados no controle da malária,

ou seja, não há informação sobre o tema de forma sistematizada. A partir da conclusão do projeto, a perspectiva é que os governos tenham informações mais concretas para estabelecer políticas públicas que possam fortalecer a segurança dos medicamentos e também melhorar a adesão ao tratamento contra a malária”, informou Alinne Antolini. Para a implementação do projeto em Manaus, a Semsa está capacitando todos os profissionais envolvidos na notificação, diagnóstico, dispensação de medicação e tratamento da malária nos Distritos de Saúde (Disas) Norte, Sul, Leste, Oeste e Rural, incluindo chefes de

endemias, agentes de endemias, microscopistas e chefes de farmácia, e ainda profissionais da rede estadual de saúde. O projeto também está sendo aplicado no Peru, Colômbia, Honduras e Equador. “No Brasil, Manaus foi selecionada para o projeto por causa da estrutura que já existe na rede municipal no combate à malária, com apoio da Fundação de Vigilância em Saúde e da Fundação de Medicina Tropical, além do histórico do município em relação a outros projetos e o próprio engajamento dos agentes de endemias, que atuam no controle da doença no município”, destacou a consultora. FOTO: DIVULGAÇÃO/SEMSA

Enfermeira Alinne Antolini, em capacitação realizada pela Opas e Ministério da Saúde


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EDUCAÇÃO

Agente de endemias usa a arte para produzir materiais usados na promoção da saúde

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arrafas PET, arames, canos e tintas. Material que normalmente é descartado, mas que nas mãos do agente de endemias Ricardo da Silva, do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica (Devae), da Secretaria Municipal de Saúde, se transforma em fantoches, réplicas de órgãos do corpo humano, maquetes, tabuleiros, entre outras peças que são utilizadas em eventos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Escolas com o objetivo favorecer a compreensão da população sobre saúde. Além de trabalhar no controle de endemias, Ricardo é Educador em Saúde no Distrito de Saúde (Disa) Oeste da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), onde atua há sete anos. Ele conta que já produziu várias peças, feitas com materiais recicláveis, doados por outros funcionários. Constantemente, recebe encomendas que são levadas para ações de educação em saúde. Ricardo fala da realização com os resultados desse trabalho. “A minha satisfação se dá quando as pessoas retornam e relatam que as peças ajudaram na promoção de saúde, orientando os usuários sobre as doenças e como preveni-las”, relata. O número de encomendas varia de acordo com as solicitações que

FOTO: ALTEMAR ALCÂNTARA/SEMCOM

os diretores, gerentes e servidores fazem a Ricardo, com pelo menos duas semanas de antecedência. “A inspiração vem quando menos espero. Às vezes, até à noite, em casa, surge a ideia e, no outro dia, já começo a trabalhar nela”, afirma o servidor. A gerente do Núcleo de Promoção da Saúde, Francinara Lima, assegura que o resultado é muito positivo. “Os fantoches dos mosquitos fazem o maior sucesso nos eventos. As crianças adoram e o melhor é que elas são educadas para uma consciência de prevenção das doenças”, conta a gerente.

Peças

Na sala de “Artes e Design”, que fica na sede do Disa Oeste, encontram-se nas estantes várias peças já criadas. Entre elas se destacam a mascote “Zé Gotinha” feito com isopor e que já foi muito utilizado nas campanhas de vacinação em Manaus, e a maquete do clico evolutivo do flebótomo - representação do ciclo de vida do mosquito, que pode transmitir o protozoário Leishmania chagasi, causador da Leishmaniose visceral. Francinara Lima explica que essas iniciativas ajudam na prática eficaz de educação em saúde junto à população. “Por intermédio da

Agente de endemias Ricardo Silva constrói as maquetes usadas nas ações educativas

arte se dá uma ‘conversa’ com as pessoas de modo compreensível, por isso, é muito importante incentivar essas iniciativas”, destaca. Quem quiser colaborar, pode doar materiais recicláveis, bastan-

do para isso procurar o agente Ricardo, na sala de “Artes e Design”, na sede do Disa Oeste, localizado na rua Comandante Paulo Lasmar, bairro da Paz, zona Oeste, de segunda a sexta, das 8h às 16h.

Em Manaus, modelo de Atenção Primária à Saúde desperta o interesse de outros países FOTO: DIVULGAÇÃO/SEMSA

Clínico geral irlandês Tom Hoy conheceu toda a Unidade Básica de Saúde Arthur Virgílio Filho

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execução das ações da Política Nacional de Promoção à Saúde, em Manaus, pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), foi o foco da visita do médico, clínico geral irlandês Tom Hoy à Unidade Básica de Saúde (UBS) Arthur Virgílio Filho, no Mutirão Amazonino Mendes, zona Norte da cidade. Filho do cônsul da Irlanda no Brasil, Seán Hoy, que esteve em visita à capital amazonense, aproveitou para conhecer um pouco do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital. Durante a visita, Tom Hoy fez uma comparação entre o sistema de saúde na Irlanda com o modelo adotado em Manaus, com base nas diretrizes do SUS. “O sistema de saúde em Manaus é muito organizado,

percebi que há uma preocupação muito grande com os ciclos de vida das pessoas. É um atendimento planejado da Atenção Primária”, disse, acrescentando que “ainda não vi essa forma de trabalhar a saúde em lugar nenhum do mundo”. Segundo a diretora do Departamento de Atenção Primária da Semsa, a assistente social Ângela Nascimento, visitas como essa são sinais de que a estrutura organizacional da Atenção Primária no município está se tornando referência para o mundo. “Atualmente desenvolvemos um trabalho planejado e oferecemos na rede municipal de saúde, estratégias que possibilitam o fácil acesso da população às políticas do SUS”, assegurou a diretora.


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ATIVIDADES

Ponta Negra é palco de práticas integrativas promovidas pelo Núcleo de Promoção da Saúde

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equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS) Ivone Lima, no bairro Coroado (zona Leste), levou um grupo de usuárias para praticar atividade – física e de meditação – no Complexo Turístico Ponta Negra. A profissional de educação física da UBS, Sílvia Borges, conta que a atividade na Ponta Negra é uma das ações programadas durante o ano no atendimento aos usuários dos serviços oferecidos na unidade de Saúde. “O grupo de atividade física da UBS Ivone Lima já existe há cinco anos, direcionado para a prevenção de doenças e promoção da saúde, e, além do trabalho de rotina dentro da unidade de Saúde, é importante proporcionar diferentes atividades para motivar o grupo. É uma forma de evitar o afastamento do paciente e estimular o convívio social, que é muito benéfico na prevenção às doenças”, informou Sílvia Borges, explicando que o grupo recebe pacientes encaminhados com indicação médica por questões como depressão, ansiedade,

FOTO: JOSÉ NILDO/SEMSA

As práticas integrativas, como ioga e meditação, são usadas como auxiliares em tratamentos

insônia e dores articulares. Meditação – Sendo uma das práticas integrativas e complementares do Sistema Único de Saúde (SUS), que incluem 29 procedimentos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais, a meditação é utilizada no atendimento aos pacientes na UBS Ivone Lima, auxi-

liando no tratamento convencional de pacientes. A unidade de Saúde mantém um grupo com a prática de meditação toda sexta-feira, com 18 a 20 pessoas, ajudando de forma coadjuvante no tratamento dos pacientes. São utilizadas várias técnicas de meditação, mas o foco é a respiração,

permitindo que o indivíduo possa utilizar a técnica em casa ou outros locais, de acordo com a rotina de cada um, ajudando a melhorar problemas como ansiedade, insônia e estresse. A maior procura para participação no grupo de meditação é de pacientes com indicação de depressão, hipertensão arterial, dores crônicas e mulheres na menopausa. A comerciante Maria Izete Cardoso, de 58 anos, integra o grupo de atividade física da UBS Ivone Lima há quatro anos, duas vezes por semana, e começou este ano a participar do grupo de meditação. “Faço todo o acompanhamento médico e os exames de rotina na UBS, mas também não deixo de fazer a atividade física, mantendo o meu peso, e comecei a fazer meditação por causa de insônia e ansiedade. Tem muitos benefícios, estou dormindo bem, não estou mais com tanta preocupação e ansiedade, melhorou minha autoestima, e também ajudou a reduzir as dores que sentia nas pernas e na cabeça”, afirmou Izete Cardoso.

“Julho Amarelo” tem ações de combate às hepatites virais no shopping Phelippe Daou

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omo parte da programação do “Julho Amarelo”, a Prefeitura de Manaus realizou, no shopping Phelippe Daou, na avenida Camapuã, zona Leste, uma ação de combate às hepatites virais. Na programação, realizada em parceria pela Secretaria Municipal de Saude (Semsa) e o Fundo Manaus Solidária (FMS), foi ofertado o exame de testagem rápida para hepatites B e C, com distribuição de preservativos. Também foi feita a aplicação da vacina contra hepatite B. Durante o mês de julho, todas as Unidades de Saúde estão intensificando as ações de combate às hepatites virais com atividades educativas e orientações sobre importância do diagnóstico precoce para interromper a cadeia de transmissão da doença. Algumas formas de hepatite podem ser transmitidas por relação sexual e da gestante para o bebê durante a gravidez e o parto, daí a importância de utilização do preservativo, que pode evitar a transmissão da doença e o diagnóstico precoce, possibilitando o início ime-

diato do tratamento, o que evita sequelas graves. A hepatite é a inflamação do fígado e pode ser causada por vírus (tipo A, B, C, D e E). Os tipos B, C e D são os mais graves, com transmissão por relação sexual desprotegida, transfusão sanguínea e derivados do sangue, assim como o compartilhamento de seringas, escova de dente, lâmina de barbear, alicate de unha e outros objetos perfurocortantes. De acordo com a chefe do Núcleo de Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs/Aids) e Hepatites Virais, da Semsa, enfermeira Rita de Cássia Castro de Jesus, um dos focos da campanha “Julho Amarelo” deste ano é a vacinação contra a hepatite B, especialmente a intensificação vacinal para mulheres em idade fértil. “A vacina contra hepatite B está disponível para a população durante todo o ano nas 183 salas de vacina na rede municipal, de forma gratuita. Além da vacina, é essencial que a gestante realize o teste rápido durante o pré-natal. No caso de

FOTO: ALEX PAZUELLO/SEMCOM

Durante o mês de julho, foi intensificada a oferta da vacina contra a hepatite B na rede municipal

diagnóstico positivo para a doença, os profissionais de saúde poderão iniciar o tratamento para evitar a transmissão para o bebê”, destaca Rita de Cássia. De acordo com Rita de Cássia, os dados coletados por meio do Sistema de Notificação de Agravos (Sinan), mostram que, no período de 1º de janeiro a 25 de junho de 2019, Manaus registrou 160 novos casos

de hepatites virais, sendo prevalentes os tipos B com 87 casos e o tipo C com 46 casos confirmados. As hepatites virais são doenças que na maioria dos casos não apresentam sintomas. Quando surgem, os sintomas podem ser: cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.


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RECURSOS

Oficina orienta profissionais sobre como usar as plantas medicinais no tratamento de doenças

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rofissionais da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) participaram de uma oficina de Práticas Integrativas e Complementares, mais especificamente as Plantas Medicinais. A gerente de Promoção da Saúde da Semsa, Francinara da Silva Lima, explica que as Práticas Integrativas e Complementares (PICS) são tratamentos que utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais, inclusive a utilização de plantas medicinais. “Existe uma Política Nacional das Práticas Integrativas e Complementares e a Semsa está em um movimento para a implantação da Política Municipal. A oficina para a formação dos profissionais da rede municipal faz parte desse processo. Nesse momento, a ênfase é em plantas medicinais, que representam um recurso terapêutico muito utilizado pela população na Amazônia de forma complementar ao tratamento convencional. Além disso, a oficina permite a troca de saberes entre os profissionais, fortalecendo o processo de implantação das PICS em Manaus”, destaca Francinara Lima. Coordenada pela Gerência de Promoção da Saúde (Gpros/Semsa), a oficina foi direcionada para profissionais da rede municipal de saúde e abordou questões como conceitos relacionados às Práticas Integrativas e Complementares (Pics), técnicas de preparo de plantas medicinais e a ação no organismo, o tratamento com plantas medicinais e benzimentos indígenas, encerrando com dicas de cultivo. A técnica da Gerência de Promoção da Saúde, fisioterapeuta Gabriela Santos, explica que a oficina foi a primeira de uma série de outras que serão realizadas sobre as Práticas Integrativas e Complementares, o que envolve procedimentos tera-

FOTOS: DIVULGAÇÃO/SEMSA

Farmacêutica Mie Guimarães deu orientações aos participantes da oficina sobre as propriedades e forma de uso de plantas medicinais

pêuticos baseados em conhecimentos tradicionais e que podem ser utilizados de forma integrada com a medicina convencional na prevenção às doenças ou no tratamento de doenças crônicas. “O objetivo da oficina foi repassar aos profissionais informações sobre os fitoterápicos que já são utilizados na rede municipal e sobre a utilização correta das plantas medicinais”, informou Gabriela Santos. Ela esclarece que a prescrição dos medicamentos fitoterápicos é feita pelo profissional médico, mas que é importante que todos os profissionais da rede de saúde tenham informações sobre o tema para orientar a população e aplicar as técnicas de acordo com o trabalho realizado nos serviços de saúde. “A oficina reuniu profissionais dos

A técnica Gabriela Santos explica o uso terapêutico das plantas medicinais

Núcleos de Apoio à Saúde da Família, dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), de Policlínicas, da Estratégia Saúde da Família e das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Eles agora têm mais informações sobre as Pics, sobre os benefícios das plantas medicinais e conhecem as técnicas de cultivo, podendo utilizar esses recursos em ações terapêuticas com o paciente, de acordo com o tipo de serviço em que atuam”, afirmou Gabriela Santos. De acordo com a farmacêutica Mie Guimarães, que atuou como facilitadora da oficina, a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais engloba medicamentos fitoterápicos industrializados e desde 2010 a Semsa tem inserido, de forma gradativa, alguns desses medicamentos no atendimento aos pacientes na rede municipal. “Atualmente, a relação de medicamentos inclui o guaco, a espinheira santa, isoflavona e unha-de-gato. O guaco, que é um xarope expectorante, é um dos que têm tido maior demanda. A Semsa também tem um projeto de plantas medicinais, em cooperação técnica com a Embrapa e a Universidade Federal da Amazonas, para a produção de fitoterápicos que poderão ser utilizados na rede municipal de saúde”, destacou Mie Guimarães. Para a farmacêutica Luana Lima Santana, que trabalha no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), serviço da Prefeitura de Manaus que atende crianças e adolescentes com transtornos mentais,

a oficina ofereceu muitas informações úteis que podem ser aplicadas em um serviço como o CAPSi. “O CAPSi atende crianças e adolescentes com transtornos mentais e são pacientes que precisam passar por terapias constantemente. A oficina permitiu visualizar as aplicações das plantas medicinais nos processos de terapia não medicamentosa. Acredito que pode ajudar no tratamento de alguns transtornos, como ansiedade, e o cultivo de plantas medicinais poderá ser utilizado como oficinas terapêuticas, trabalhando não somente com crianças e adolescentes, mas também os pais e responsáveis. Além disso, as práticas integrativas representam uma possibilidade de colaborar na redução do uso de medicamento industrializados, complementando o tratamento dos pacientes”, afirmou Luana Santana.

PICS

No total existem 29 procedimentos de Práticas Integrativas e Complementares indicados no SUS: apiterapia, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, hipnoterapia, imposição de mãos, ozonioterapia, terapia de florais, ayurveda, homeopatia, medicina tradicional chinesa, medicina antroposófica, plantas medicinais/ fitoterapia, arteterapia, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa, termalismo social/crenoterapia e yoga.


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NOVA SEDE

Vigilância Sanitária do município já está funcionando em novo endereço

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om espaço ampliado e estrutura que permite fluxos de atendimento simplificados e mais conforto aos usuários e servidores, a Vigilância Sanitária municipal (Visa Manaus) já está funcionando em nova sede. A unidade, localizada na rua Japurá, 824, Cachoeirinha, zona Sul, substituiu as antigas salas do Distrito de Saúde Oeste, onde a Visa funcionou por 12 anos, permitindo que o atendimento à população seja feito em espaço apropriado e organizado, com sete guichês de atendimento e orientação. O novo prédio, de três pavimentos, abriga as gerências de Engenharia Sanitária, Vigilância de Serviços e Vigilância de Produtos, Direção, Controle de Processos, Tecnologia da Informação, Ouvidora, Atendimento Fiscal e setores técnicos e administrativos. Além disso, conta com sala de fiscais por gerência, auditório para cem pessoas e sala de treinamento. A Visa Manaus integra a estrutura da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e realiza ações para eliminar, reduzir e preve-

FOTO: JOSÉ NILDO/SEMSA

A nova sede da Visa Manaus abriga todos os departamentos, um auditório e sala para treinamentos

nir riscos à saúde e intervir nos problemas sanitários. Atualmente, a Visa realiza aproximadamente 300 fiscalizações por mês, para fins de licenciamento sanitário, monitoramento das condições de funcionamento dos estabelecimentos de interesse e inspeções conjuntas, atendendo demandas

de outros órgãos reguladores, com quem atua em parceria. Apenas de janeiro a junho deste ano, foram realizadas 1,7 mil inspeções. Em média, todos os anos, o órgão autoriza o licenciamento sanitário de 2 mil estabelecimentos de diversos segmentos. Como etapa de prevenção, tam-

bém desenvolve estratégias de capacitação, orientação e educação, visando facilitar o entendimento do setor regulado e dos consumidores sobre as normas sanitárias e o cumprimento da legislação. Além disso, mantém forte parceria com a população, por meio da Ouvidoria, onde são recebidas cerca de 90 denúncias por mês, a maioria sobre suspeitas de irregularidades relacionadas a alimentos (validade, procedência e conservação), envolvendo restaurantes, lanchonetes, supermercados, cozinhas industriais, frigoríficos, açougues, bares e pequenos mercados, dentre outros; e as relacionadas a estruturas inadequadas em condomínios, motéis, hotéis, academias e escolas, além de fossas irregulares em terrenos públicos e privados. De acordo com a diretora do Visa Manaus, Maria do Carmo Leão, a mudança para um novo endereço faz parte de um conjunto de iniciativas da prefeitura, que visam a modernização e a desburocratização dos processos envolvidos com o licenciamento e o controle sanitário dos estabelecimentos que funcionam em Manaus.

Escola de Saúde Pública completa um ano especializando profissionais da Atenção primária

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o completar seu primeiro ano de funcionamento, a Escola de Saúde Pública da Prefeitura de Manaus (Esap), se consolida como polo de especialização em Saúde Pública e Programa de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade. Com duas turmas em andamento, a Esap, por meio do Programa Mais Saúde Manaus (Promais), tem hoje 116 participantes, entre preceptores, tutores, coordenadores e alunos que recebem bolsa de estudos que variam de R$ 900 a R$ 8,1 mil. Em menos de um ano de atividades, a representatividade na cobertura de Estratégia Saúde da Família (ESF) na capital amazonense, é de 8,68%. Inspirado no programa “Mais Médicos”, do governo federal, o modelo de Manaus tem como eixo estruturante a educação permanente em saúde, tendo o trabalho como

EXPEDIENTE

princípio educativo, possibilitando a aprendizagem significativa do SUS, por meio da imersão nos serviços de saúde. Os especializandos aprendem na prática e são protagonistas no processo de aprendizado. “Muito antes de ser cogitado o ‘fim’ do programa Mais Médicos, com a saída dos cubanos, logo após a eleição presidencial do ano passado, já vínhamos pensando numa forma de a nossa Secretaria de Saúde assumir o ‘comando’ do processo de reorientação da formação profissional, a partir das necessidades sociais e do Sistema Único de Saúde em Manaus, com ênfase na Atenção Primária. Nosso objetivo é fortalecer a integração ensino-serviço-comunidade, o que sempre foi uma aspiração dos servidores da Semsa e, claro, da sociedade manauara”, explica a diretora da Esap, Kássia Lima. A Esap foi inaugurada em julho do

ano passado, mas o projeto já vinha sendo pensado desde 2017, tendo sua criação aprovada pelo Conselho Municipal de Saúde em novembro e, em junho de 2018, pela Câmara Municipal de Manaus, juntamente com o Programa de Bolsas de Estudo, Pesquisa e Extensão para a Educação pelo Trabalho (Probes), se tornando lei. A Esap está credenciada como Membro da Rede Brasileira de Escolas de Saúde Pública, a RedEscola/ Fiocruz-RJ, e este ano passou a integrar o Projeto Nacional “RedEscola e nova formação em Saúde Pública”, para oferta do Curso de Especialização em Saúde Pública, com ênfase na Interprofissionalidade.

Oportunidade

A médica Andresa Pereira Alves (37), que há oito meses atua como residente na UBS Vicente de Paula,

no bairro São Raimundo, zona Oeste da cidade, acredita que a oportunidade oferecida pelo programa da Esap trouxe um crescimento extraordinário à sua formação profissional, além de muitas histórias de gratidão dos usuários. “Tem sido muito produtivo e tem valido a pena cada segundo”, conta. “Tenho tido oportunidades de aplicar os conhecimentos do curso em vários tipos de situações, o que vai contribuir muito para minha qualificação como profissional, e poder fazer a diferença nas vidas dos pacientes. É uma satisfação enorme e uma experiência transformadora, quando você ajuda essas pessoas e recebe o carinho, o agradecimento delas. O trabalho na residência mudou a minha vida para muito melhor. Espero, com o meu trabalho, poder transformar as vidas dos meus pacientes também”, conclui.

Eric Gamboa Secretário Municipal de Comunicação | Elendrea Cavalcante Subsecretária Municipal de Comunicação | Jornalista Responsável Sandra Monteiro MTB 001219/AM Textos Decom Semsa | Revisão Dernando Monteiro | Fotos Decom/Semsa | Projeto Gráfico Aline Ribeiro

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Saúde Manaus Edição11  

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