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IntraMuros nº 01 edição 01 dez. 2013

30 X Bienal Transformações na Arte Brasileira


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30 x Bienal

Carla Mitsty


Matéria de Capa

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O espaço OCA do Ibirapuera, em São Paulo celebra a modernidade e a atemporalidade da jaqueta Chanel com a chegada da exposição “The Little Black Jacket”. São 134 fotos de celebridades usando a clássica e icônica peça da grife com o objetivo de mostrar as facetas da criação que sobrevive ao tempo. O projeto e os cliques são do estilista e diretor criativo da marca Karl Lagerfeld, que juntamente da ex-editora da Vogue francesa Carine Roitfeld concretizou o trabalho. Quatro botões e uma cintura levemente acentuada definem a jaqueta preta criada por Coco Chanel, em 1954, um dos símbolos da vestimenta feminina inspirada no vestuário masculino que virou ícone da moda mundial. “The Little Black Jacket” de 31 de outubro a 1º dezembro, das 10h às 19h, na Oca Parque do Ibirapuera, portão 3. A entrada é gratuita.

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com grande satisfação que apresentamos o pri meiro exemplar da Revista [Intra]Muros, uma publicação mensal mesclando informação com ousadia e entretenimento com conteúdo. Começamos com a polêmica exposição 30 X Bienal - Transformações na Arte Brasileira, nossa matéria de capa. Entre tinta sobre tela e tinta - sobre pa pel convidamos os leitores a conhecer São Paulo e seus interiores através da arte e da cultura. Abrimos com essa edição a caixa de Pandora. Abrimos uma porta para a arte. Uma das mais importantes riquezas da humanidade é a arte, em todas as suas formas e manifestações. Os principais guardiões desse acervo, cujo conteúdo permite uma leitura privilegiada da história, sob o prisma da sensibilidade e genialidade dos artistas, são os museus, que desempenham, assim, importante papel na difusão da cultura. Porém, para cumprir adequadamente sua missão, eles não devem ser estáticos e herméticos. Precisam ter vida, interagindo de maneira intensa, não apenas com as pessoas que os visitam, mas também com a sociedade e o mundo além de suas portas. E por acreditar que a arte, a manifestação cultural está além dos museus propormos também o sair às ruas, visitar os bairros, sacudir nos ônibus, ver o mundo passar rapidamente nos metrôs, conhecer pessoas e ver a arte na cidade.

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trajetória histórica da Bie nal de São Paulo pode ser acompanhada através das obras e artistas que dela participaram e também dos documentos que registraram todas as suas edições ao longo das últimas seis décadas. A exposição 30 X Bienal – Transformações na arte brasi leira da 1ª à 30ª edição não tem a pre tensão de ser a reconstituição histórica, mas possivelmente recriar e restabelecer certos elementos sintéticos e exempla res que motivem, da atualidade, uma possível revisão da história da Bienal. Rever o passado, esta longa tradição que constitui a Bienal de São Paulo é desafio extenso e complexo que, provavelmente, pela sua dimensão, pode ser apenas indicado, e não eventual -

nunca antes, as exposições desde o iní cio do século 20 agiram tanto nas trans formações artísticas quanto no público espectador, seja na esfera global e também local. O caso de Bienal de São Paulo é especialmente singular e com particularidades únicas, pois foi então, quando criada em 1951, a primeira bienal em um país periférico no hemisfério sul, no qual provocou a partir dos anos 1950 uma dinâmica local única que, continuamente, foi elaborando e reelaborando com originalidade certas possibilidades artísticas também presentes nos grandes mo vimentos internacionais que ali se apre sentaram ao longo de sessenta anos. Hoje, um dos grandes eventos artísticos mundiais, a Bienal de São Paulo, a- se gunda bienal criada após a Bienal de Veneza, se confunde com a história da

A história das exposições de arte é um instrumento imprescindível para a compreensão da história da arte. Nela se tornam visíveis as forças sociais, culturais, políticas e econômicas que determinam a produção e o consumo das obras de arte; as pressões exercidas por artistas, críticos, público e instituições na formação de um contexto artístico determinado.

mente realizado. Mais do que representar as obras e artistas originais, 30 X Bie nal trouxe a tona os nexos, contextos, relações, processos que esses artistas e obras estabeleceram como momentos determinantes na história da Bienal, da arte brasileira e também internacional. A história das exposições de arte é um ins trumento imprescindível para a compreensão da história da arte. Nela se tornam visíveis as forças sociais, culturais, políticas e econômicas que determinam a produção e o consumo das obras de arte; as pressões exercidas por artistas, críticos, público e instituições na formação de um contexto artístico determinado. Como 10 IntraMuros

arte da segunda metade do século 20 e foi um dos elementos fundamentais e determinantes da história da arte brasileira. E mais ainda: constituiu uma tradição moderna e contemporânea brasileira, uma frequente e regular rotina expositi va que ao longo dos anos estabeleceu conexões sucessivas entre experiências de movimentos, artistas e obras nacio nais e internacionais. Foi-se então esta belecendo um processo histórico que formou uma experiência pública e artís tica até então inéditas para esse cam po no Brasil e que hoje também atrai todo o mundo artístico internacional. Mas, como então reconstituir a presen -


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ça brasileira em trinta edições das quais participaram quase 5 mil artistas? Se a his tória realizou uma seleção crítica e estabeleceu uma consensualidade já inequívoca quanto aos artistas dos anos 1950, 1960 e 1970, os últimos trinta anos ainda estão em aberto, indefinidos à espera de uma confirmação histórica. Do mesmo modo, a orientação cronológica da exposição é um tanto inescapável, mas procurou-se instituir uma cronologia flexível, fluida, mais conforme às transformações na arte brasileira que obedecem não tanto aos marcos temporais e mais aos contextos, aproximações e relações que se criaram entre temas, conceitos, formas que ignoram espaço e tempo. Não há como deixar de verificar que a Bienal foi ela própria, ao longo de -dé cadas, um dos elementos estruturantes da arte brasileira da segunda meta de do século 20. Portanto, verificamos como elemento determinante na esco lha dos artistas e obras para a exposição 30 X Bienal a relação entre a história da arte brasileira e a trajetória da Bienal. O ponto de partida não poderia ser ou tro – a Bienal de 1951. Se ao longo das Bienais participaram artistas de gerações anteriores – desde a geração moderna de 22 e antes, o “efeito” Bienal, a orientação que ela motivou desde o início, foi o essencialmente o de se projetar à frente, apresentando a cada dois anos as dire ções contemporâneas da época, provocando e estimulando desenvolvimentos futuros, como foi o caso inicial e notável da abstração geométrica e, mais espe cificamente, do concretismo e neoconcretismo. A Bienal traz um espírito inova dor, menos talvez de reconhecimento e mais de estímulo, discussão, polêmica e renovação. Assim, foi se formando uma tradição moderna e contemporânea brasileira, hoje reconhecida internacioIntraMuros

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nalmente, num processo sucessivo de panhar o “efeito Bienal”, ou seja, o modo articulações, influências, que sem um como a Bienal agiu sobre a arte brasileira instrumento da regularidade como a Bie- a partir de 1951 e como esta retroagiu so nal, dificilmente tebre a Bienal. Ou seja, A Semana de Arte Moderna de 1922, realizada em ria se constituído. a indissociabilidade O propósito da ex- São Paulo, no Teatro Municipal, de 11 a 18 de feve- inevitável que se es reiro, teve como principal propósito renovar, transforposição 30 X Bienal tabeleceu desde ennão é o de recriar mar o contexto artístico e cultural urbano, tanto na tão entre esses dois integralmente o literatura, quanto nas artes plásticas, na arquitetura processos e que, de passado tal qual e na música. Mudar, subverter uma produção artís- certa maneira, ain foi, o que seria im - tica, criar uma arte essencialmente brasileira, embo- da está em curso. É possível e inveros - ra em sintonia com as novas tendências européias, este duplo movimensímil, mas verificar essa era basicamente a intenção dos modernistas. to que a 30 X Bienal hoje, na atualida - Durante uma semana a cidade entrou em plena ebulição traz em sua propos cultural, sob a inspiração de novas linguagens, de expede contemporâ ta, ou seja, o “efei nea, a presença riências artísticas, de uma liberdade criadora sem igual, to” Bienal visto como dessa tradição mo- com o consequente rompimento com o passado. Novos um todo: um - pro derna e contem- conceitos foram difundidos e despontaram talentos cesso transformador. porânea brasileira como os de Mário e Oswald de Andrade na literatura, Mesmo com todo esse da qual a Bienal é Victor Brecheret na escultura e Anita Malfatti na pintura. aporte teórico, históriparte constitutiva. co e se baseando em Antes de procurar reconstituir as trinta apelos como a história da arte brasileira edições, esta exposição se propôs acom - “30 X Bienal” é superficial e desnecessá-

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O Curador

30 X Bienal Transformações na Arte Brasileira

Paulo Venancio Filho é curador, crítico de arte, pro fessor titular de História da Arte na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador do CNPq . Mestre e Doutor pela Escola de Comunicação da UFRJ. É autor dos livros “Waltércio Caldas: Manual da Ciência Popular” (Funarte, 1982), “Marcel Duchamp: A Beleza da Indiferença” (Brasiliense, 1986), “Milton Dacosta: A construção da pintura” (Cosac&Naify, 1999), “Primos entre si: Temas em Proust e Machado de Assis” (Nova Fronteira, 2000) e “Iberê Camargo” ( Banco Pactual, 2001) . Publicou artigos em revistas, jornais e textos de catálogos sobre vários

artistas modernos e contemporâneos brasileiros entre eles Antonio Manuel, Oswaldo Goeldi, Cildo Meireles, Lygia Pape, Waltércio Caldas, Mira Schendel, Franz Weissmann, Iole de Freitas, Carlos Zílio, Anna Maria Maiolino, Nuno Ramos, Raul Mourão e Fernanda Gomes. Curador das seguintes exposicões: O corpo da- es cultura: a obra de Iole de Freitas 1972-1997 (Museu de Arte Moderna de São Paulo/Paço Imperial-Rio de Janeiro, 1997/1998), Carlos Zilio (Centro de Arte Hélio Oiticica, 2000), Weissmann (Casa França-Brasil, 2001), Rio de Janeiro 1950-1964 - Century City: Art and Cul ture in the Modern Metropolis (Tate Modern, Londres, 2001), Iberê Camargo: Diante da Pintura (Pinacoteca do Estado de São Paulo/Paço Imperial- Rio de Janeiro, 2003, Rachel Whiteread (Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, 2003/Museu de Arte Moderna, São Paulo, 2004); Soto: A construção da imaterialidade (Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 2005/ Instituto Tomie Othake, São Paulo, 2005); Nova Arte Nova (Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 2008 / Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo, 2009; 30xBienal, Instituto Bienal, São Paulo, 2013.

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ria, já que se resume a um percurso ób vio da produção artística brasileira, que pode ser bastante didático e contentar os leigos, mas não traz nenhuma pesquisa de fôlego sobre a importância da instituição e deixa de fora nomes como: Anita Malfatti, Candido Portinari, Lasar Segall, Manabu Mabe, Maria Bonomi, Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, entre tanto outros, historicamente, tão importantes quanto os presentes no recorte realiza do pelo curador Paulo Venancio Filho. O único curador da 30 X Bienal, Paulo, não respeitou a linha do tempo, nem fez jus a história e suas transformações, como ressalta em suas entrevistas e escritos, transformou a exposição num re corte sob um olhar pessoal e tendenciosa de um só curador. E fica a pergunta: Qual é p conceito para releitura de mais de seis décadas de mudanças na arte brasileira? Como poderia ser evidente, todo- es forço de síntese da história é - exclu

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dente em uma opinião subjetiva de curador que defende meios ilícitos de galeristas. Reviver a história da arte sem a concretude de sua existência? Celebrar uma época da história da arte, de várias exposições, ao longo dos 60 anos que atravessaram dois séculos na sociedade e foram contemplados em 30 bienais, é duvidoso se questio nar uma comemoração quando exclui personalidades que fizeram parte desta história. A questão que implica nes tes tempos, a arte poderia ter sofrido com a influência destas elites no poder, do conturbado histórico político que as artes enfrentaram no Brasil? Hoje a res posta para justificar a centralização de um único curador que defende os- in teresses de galeristas e exclui a passagem da história de artistas renomados.


O que poderia ser uma grande ideia, a grande contribuição para a história da arte brasileira, se tornou algo para ser boicotado por artistas, celebridades e os amantes da arte.

Informações Gerais Visitação de 21 de setembro a 8 de dezembro Terça, quinta, sábado, domingo e feriados – 9h às 19h Quarta e sexta – 9h às 22h Entrada gratuita Parque do Ibirapuera, portão 3

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Pinacoteca

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Museu da Vez Carla Mitsty

A história de um museu centenário

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Pinacoteca do Estado, criada por iniciativa do governo do Estado de São Paulo na gestão de Jorge Tibiriçá, foi insta lada no prédio do Liceu de Artes e Ofícios, na Avenida Tiraden tes, e inaugurada em 25 de dezembro de 1905 como uma galeria de pintura. O acervo inicial da Pinacoteca é com posto por 26 pinturas transferidas do Museu do Estado (atual Museu Paulista da Universidade de São Paulo), o - úni co museu então existente na cidade, e que também pertencia ao governo es tadual. O Museu do Estado – criado em 1895 e instalado no edifício construído no bairro do Ipiranga como parte do monumento comemorativo da Procla mação da Independência – possuía na época, um acervo eclético, abrangen do várias áreas, como artes plásticas, arqueologia, zoologia e história, consti tuindo-se num estabelecimento enciclopédico, no modelo internacionalmente consagrado durante todo o século 19. As 26 pinturas são de autoria de oito artis tas renomados dessa época, que viveram ou produziram em São Paulo por determi nado período: Almeida Júnior, Pedro Alexandrino, Oscar Pereira da Silva, Antonio Parreiras, Pedro Weingärtner, Benjamin Parlagrecco, Antonio Ferrigno e Bertha Worms. A seleção engloba diversos gê neros de pintura praticados na Acade mia, como cenas de gênero e de interior, natureza-morta, paisagem e pintura his tórica (estas últimas retornaram ao Museu Paulista em 1929). Essas obras, representativas da melhor produção de seus criadores, foram, em quase sua totalidade, compradas pelo Estado de São Paulo. Entre 1905 e 1911 – ano em que -a Pi nacoteca passa a ter a primeira regulamentação jurídica própria, graças 20 IntraMuros


ao político e homem de letras José de Freitas Valle – são incorporadas ao pa trimônio 33 pinturas, sempre por iniciativa do governo estadual. A procedência é, em muitos casos, controvertida, mas indica a continuidade de uma ação estatal de formação de acervo. Nesse período, o Liceu de Artes e - Ofí cios abriga mostras internacionais assim como exposições individuais de renomados artistas brasileiros ou estrangei ros residentes no país, como Pedro Ale xandrino (1912), Aurélio de Figueiredo (1912), Enrico Vio (1914) e Alfredo Norfini (1917). Algumas das obras integradas nesses anos foram adquiridas nes sas exposições pelo governo do estado (como Maternidade, de Eliseu Visconti, e Fazedora de anjos, de Weingärtner). As 33 telas incorporadas se mantêm no mesmo universo que o acervo original, configurando um conjunto exemplar de pinturas do final do século 19 e início do 20. São obras de artistas brasileiros, como, Benedito Calixto, Dario e Mario Villares Barbosa, Georgina e Lucílio de Albuquerque; e de artistas estrangeiros que passaram pelo país, como Augustin Salinas y Teruel e Eduardo De Martino. Em 1912 o governo do estado cria o Pensionato Artístico do Estado de São Paulo, um programa que subvenciona estudos de aperfeiçoamento de artistas paulistas na Europa, determinado, em con trapartida, que os pensionistas, no caso de pintores e escultores, doassem para a Pinacoteca, no seu retorno, cópias de trabalhos célebres e obras originais executadas no período da bolsa. De forma geral, a produção enviada pelos pen sionistas segue padrões estabelecidos pelas academias de belas-artes, mas duas exceções merecem destaque: o gesso A carregadora de perfume, de autoria de Victor Brecheret, de 1923IntraMuros

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1924, doada em 1927, e a pintura Tropi cal, de Anita Malfatti, doada em 1929. Ao longo das décadas de 1910 e 1920, o crescimento do acervo já é o resultado de diferentes procedimentos. Continuam as transferências de obras provenientes de outros órgãos públicos, pertencentes ao Governo do Estado de São Paulo. A compra de obras pelo governo do estado diretamente para o acervo da Pina coteca é uma prática que teve início em 1913 com a aquisição de Leitão de peixes, do pintor espanhol Cubells y Ruiz. Cinco anos depois, em 1918, o governo adquire a segunda obra, Os emigrantes, do pintor de origem italiana Antonio Rocco. Desde essa época até a atualidade, a aquisição de obras por parte do governo do estado vem ocorrendo de forma irregular, dependendo das prioridades estabelecidas por cada gestão assim como do grau de envolvimento dos governantes. Duas aquisições realizadas pelo gov-er no do estado no final da década de 1920 merecem destaque: Bananal, de Lasar Segall, e São Paulo, de Tarsila do Amaral. As duas são as primeiras obras modernistas a ingressar no acervo de um museu brasileiro, representando a consagração inicial desse movimento. As doações também são prática corrente dessa fase inicial da entidade. Tais iniciativas buscam imortalizar os nomes dos doadores, que ao mesmo tempo vislumbram no museu um espaço de consagra ção social e artística. Uma das primeiras doações foi o auto-retrato de Beatriz Pompeu de Camargo, em 1918. Desde então, a doação de obras por parte de artistas, seja de criações isoladas seja de conjuntos representativos, vem ocorrendo de forma regular e tornou-se um mecanismo fun damental para a atualização do acervo. A partir de 1930, o museu atravessa uma série de contratempos, permanecendo 22 IntraMuros

fechado por dois anos. O edifício sofre vá rias transformações no período e suas salas são utilizadas para fins diversos: funciona como abrigo militar durante as revoluções de 1930 e 1932, é atingido por um incêndio; passa a ser ocupado, na ala direita, pelo Grupo Escolar Prudente de Moraes. Nessa época conturbada, o acervo da Pinacoteca se dispersa por diversos órgãos públicos. Em 1931 é criado o Con selho de Orientação Artística do Estado, órgão consultor para assuntos relacio nados ao ensino e à proteção das belas-artes. No ano seguinte, em 1932, um decreto passa a guarda, a conservação e a responsabilidade das obras do mu seu para a Escola de Belas-Artes de São Paulo, entidade privada, em uma nova e singular relação entre o bem público


e a iniciativa privada. Em 1936, o acer vo é instalado na nova sede, junto à referida escola, no antigo prédio da - Im prensa Oficial, na Rua Onze de Agosto. Apesar das instabilidades institucionais desse período, em 1935, o governo do estado, acatando proposta apresenta da por Mário de Andrade ao Conselho de Orientação Artística, adquire para a Pinacoteca a pintura Mestiço, de Can dido Portinari. É a primeira obra do artis ta a ingressar em um acervo de museu. Sob a administração do pintor Paulo Vergueiro Lopes de Leão (1932-1944), a expansão do patrimônio da Pinaco teca privilegia obras ligadas à tradição acadêmica. O acervo, que registra qui nhentas obras em 1937, atinge o número de mil peças em 1944. A gestão do pin -

tor Túlio Mugnaini (1944-1965) é também marcada pelo academicismo. Em 1947 a instituição retorna ao antigo edifício da Avenida Tiradentes, desapropriado pelo governo do estado. A mudança é- se guida de novas transferências de obras vindas do Museu Paulista, feitas por seu diretor à época, o historiador Sergio Buarque de Holanda, que envia para a Pi nacoteca trabalhos de cunho artístico, lá permanecendo apenas obras com referência históricas. Ainda nesse perío do, grandes conjuntos de obras doadas ilustram o reconhecimento do museu como um espaço de consagração -so cial. São exemplos do gosto do colecio nismo da época, compostas por obras de artistas renomados, franceses e bra sileiros, ligados aos ensinamentos da Es cola de Belas-Artes do Rio de Janeiro. Em 1967, Delmiro Gonçalves assume a gestão da Pinacoteca, permanecendo até 1971. Realiza inúmeras mudanças na política da instituição, em especial no que se refere ao acervo, procurando atualizá -lo principalmente em relação à segunda fase do modernismo brasileiro. Promove a aquisição de obras de artistas atuan tes em São Paulo a partir da década de 1930, como Flávio de Carvalho e Ernesto de Fiori, bem como de contemporâneos, como Tomie Ohtake e Manabu Mabe. Delmiro Gonçalves é o primeiro diretor da Pinacoteca que entende o mu seu como um espaço voltado também para a rte de seu tempo. Nesse sentido, há um esforço contínuo para a consoli dação de uma política cultural para o museu, incluindo critérios mais rigorosos para a incorporação de obras. A cria ção do novo Conselho de Orientação Artística (COA), em 1970, é uma das im portantes iniciativas que garantem a am pliação da autonomia da instituição e norteiam as políticas implantadas pelas IntraMuros

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gestões que a seguem até a atualidade. Aracy Amaral, durante sua gestão à fren te da Pinacoteca (1975-1979), consolida critérios para a expansão do acervo do museu e reforça o compromisso institu cional com a produção de vanguarda. Obtém a transferência para a Pinaco teca de trabalhos relevantes abrigados em outros órgãos do governo estadual, como as obras premiadas nos Salões de Arte, que enriqueceriam o acervo do ponto de vista qualitativo. Promove também a aquisição de obras que se con solidariam como referências da melhor produção daquele período (O porco, de Nelson Leirner; Ideia visível, de Waldemar Cordeiro; Bicho, de Lygia Clark; Suzana, de León Ferrari) e obtém a doação de outras tantas peças, como reconhecimento de importantes iniciativas exposi tivas. Também em sua gestão, em 1976, ocorre a primeira exposição fotográfica no museu (Bom Retiro e Luz: um roteiro. Fotografias de Cristiano Mascaro), que origina a incorporação das primeiras fotografias ao acervo da Pinacoteca. Fábio Magalhães (1979-1982) dá continui dade às ações da gestão anterior e torna possível o ingresso no acervo, por compra ou doação, de um número significativo de destacados trabalhos realizados desde a década de 1960, como Nuvens, de Carmela Gross, e Glub Glub, de José Resende. Em 1980, cria o Gabinete Fotográfico, sob a coordenação de Rubens Fe-r nandes Júnior, um espaço pioneiro para a exibição de fotografias que atraiu novas doações para esse segmento do acervo. Até quase a metade da década de 1980, a ocupação do edifício era compartilhada entre a Pinacoteca e a Escola de Belas-Artes. A situação só seria revertida gra ças a intensa campanha desencadeada durante a gestão de Maria Cecília Fran ça Lourenço (1983-1987), em defesa da 24 IntraMuros

ocupação total do prédio pelo museu. Há prosseguimento das atividades rea lizadas por seus antecessores, com mos tras que discutem o acervo e permitem o ingresso criterioso de trabalhos. Diversas obras de autores nipo-brasileiros, univer so artístico que recebe especial atenção no período, passam a enriquecer o acervo. O artista plástico e curador Emanoel Araújo é nomeado diretor da Pinacoteca em 1992, cargo em que permanece por dez anos. Sua gestão é responsável por uma notável revitalização da instituição, que se concretiza por meio de uma sé rie de iniciativas. A mais destacada é a requalificação completa do edifício da Avenida Tiradentes, segundo projeto do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, de senvolvido entre 1994 e 1998, articulado com a integração ao Jardim da Luz, o mais antigo parque da cidade, contíguo ao museu, e que também é integralmente restaurado em 1999. Paralelamente, são realizadas exposições de artistas estran geiros de grande impacto, como Rodin (1995 e 2001), Maillol (1996), Camille Clau del (1997), que trazem para o museu um novo e imenso contingente de visitantes. São também apresentadas mostras que evidenciam a contribuição do legado africano para a arte e a cultura brasileiras, além de numerosas exposições que -fo calizam a produção de artistas nacionais desde a época colonial até o presente. Em 1992 também é criada a Associação dos Amigos da Pinacoteca, entidade que tem por objetivo dar apoio à conservação, divulgação e ampliação do acervo da Pinacoteca, para que o mu seu possa so consolidar ainda mais como centro de referência de atividades e pesquisas educacionais, artísticas e cul turais. A associação viabiliza projetos a partir da captação de recursos que se beneficiam de incentivos fiscais previstos


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em legislações específicas, configurando um novo momento para a instituição, ao articular a iniciativa privada com a esfeera pública dentro de nova dinâmica. Nesse contexto extremamente ativo, Emanoel Araújo promove um significativo crescimento no acervo do museu, que no ano de 2000 atinge 5 mil obras. Verba disponibilizada pelo governador Mário Covas permite a aquisição de um importante conjunto de esculturas de artistas brasileiros, instaladas em caráter permanente no Jardim da Luz (obras de Marcelo Nitsche, Amilcar de Castro, Franz Weissmann e Nuno Ramos, para citar alguns); de uma série de pinturas das décadas de 1980 e 1990, que complementam o patrimônio da instituição (trabalhos de Carlito Carvalhosa, Carlos Vergara e Daniel Senise) e de obras históricas cujos autores estavam ausentes ou possuíam obras pouco representativas no acervo, como Visão de Hamlet, de Pedro Américo. A crescen te visibilidade do museu estimula as do ações espontâneas, que se multiplicam, cabendo destacar a importantíssima coleção de cinquenta trabalhos de Willys de Castro, ofertada por Hércules Barsotti. O museólogo Marcelo Mattos Araujo assume a direção da Pinacoteca do Esta do em janeiro de 2002 com o compromis so de prosseguir a consolidação técnica e institucional do museu, e seu fortaleci mento enquanto agente de estímulo e di vulgação da arte brasileira. Em termos de expansão de acervo, esse compromisso se traduz por uma política formulada em conjunto com o Conselho de Orientação Artística, que prioriza a incorporação de obras contemporâneas a partir de - ex posições desenvolvidas pelo museu, e a aquisição de obras históricas que preencham lacunas no acervo previamente identificadas por meio da articulação da complexa série de mecanismos (verbas 26 IntraMuros

públicas, transferências, doações incenti vadas e doações epontâneas) que hoje se oferecem como alternativas possíveis. É adquirido no final de 2004 um importante conjunto de nove aquarelas de autoria de Miguelzinho Dutra, que registram cidades do interior do estado de São Paulo na segunda metade do século 19. No mes mo ano obteve-se a transferência para o museu da pintura Floresta, de Candido Portinari, vinda do Palácio dos Bandei rantes. Graças à Associação dos Amigos, o acervo da Pinacoteca é enriquecido com obras singulares, como Piques, de Tobias, e Batuque, de Carlos Prado, esta última obtida por meio do Programa Caixa de Adoção de Entidades Culturais. O programa de exposições temporárias desenvolvido pela Pinacoteca do Esta do tem se constituído no mais eficiente mecanismo para a identificação e aquisição de obras para o acervo. O trabalho curatorial contido nas etapas de conceituação dos temas, seleção de trabalhos e construção de relações desenvolvido para cada exposição já aponta cami -


nhos preciosos para priorização de de terminadas obras, que posteriormente, por diferentes estratégias, acabam por ser incorporadas ao patrimônio do mu seu. Assim, graças a doação de artistas ou patrocinadores, ou ainda à compra, pela Associação dos Amigos, ingressam no acervo nos últimos anos destacadas obras contemporâneas de autoria de Carlos Fajardo, Ester Grinspum, Fábio Miguez, Elida Tessler, Arthur Luiz Piza, Iberê Camargo, Stockinger, Gilvan Samico, Arcangelo Ianelli, Mariannitta Luzzatti, entre outros. Duas áreas merecem destaque, como resultado de linhas específicas dentro do programa de exposições temporárias: fotografia e gravura. A longa tradição de exposições fotográficas desenvolvida pela Pinacoteca desde a década de 1980 se consolida, com -es paço próprio, e um resultado considerável em termos de formação de acervo, com aquisições recentes de obras de importantes nomes da fotografia brasileira, como Claudia Andujar, Thomaz Farkas, Carlos Moreira, Fernando Lemos

e Adenor Gondin. Já a incorporação à Pinacoteca, em janeiro de 2004, do an tigo prédio do Departamento Estadual da Ordem Política e Social – Deops, no Largo General Osório, totalmente restaurado segundo projeto do arquiteto Haron Cohen, permitiu a criação do Gabinete de Gravura Guita e José Mindlin, com espaços expositivos adequados para a apresentação do importante patrimônio de gravuras do museu, bem como para mostras temporárias com produções contemporâneas. Essa iniciativa condu ziu a um enriquecimento substancial do acervo de gravuras, graças a doações de artistas e seus familiares, com desta que para obras de Renina Katz, Fayga Ostrower, Carlos Martins, Claudio - Mu rabac, Luise Weiss, Feres Khoury, Marcio Périgo, Sérgio Fingermann, entre outros. Em 2005, ao comemorar o seu primeiro centenário, a Pinacoteca do Estado de São Paulo conta com um acervo de mais de 6 mil obras, de diversas linguagens (pintura, desenho, escultura, gravura, fotografia, objeto e instalação), que forma um amplo panorama das artes visuais produzidas no Brasil entre a segunda metade do século 19 e o início do século 21. Em 2008 é inaugurado o Memorial da Resistência, anexo à Estação Pinacoteca, lugar dedicado à preservação da memória da resistência e da repressão por meio da musealização de parte do antigo edifício-sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo – Deops/SP. Em homenagem ao aniversário da cidade de São Paulo, o Memorial da Resistência Consolida sua implantação em 2009, assumindo o compromisso cívico de (re) construção da memória e da história política do Brasil. Em novembro de 2010 a exposição de longa duração do acervo, que ocupa va 17 salas do segundo andar e espa IntraMuros

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ços expositivos como átrios e corredores do museu, foi encerrada. Foram 12 anos apresentando a mesma exposição, até que chegou a hora do 2º andar passar por uma reformulação, uma inovação. Com uma campanha criada pela Agência F/NAZCA intitulada Aos curiosos, é possível ao visitante interagir através de recursos como fechadura e olho mági co, ou ainda, acompanhar através de folders, banners, cartazes tudo o que acontece nessa (des) montagem do 2º andar. A partir do segundo trimestre de 2011, os visitantes serão convidados a conhecer a nova exposição de -lon ga duração do Acervo, que começou a ser planejada desde o início de 2007. O mais antigo museu de arte paulista é atualmente uma unidade do Departamento de Museus e Arquivos da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, que

tem como objetivo fundamental a pre servação e a divulgação do patrimônio artístico-cultural formado por seus acer vos e seus imóveis-sedes, visando a sen sibilização de seus visitantes e o aprimo ramento cultural da sociedade brasileira. Reconhecida hoje como um espaço de excelência, a Pinacoteca do Estado -in gressa no terceiro milênio com um pro jeto museológico que reafirma sua vocação de museu comprometido com a constituição, estudo, salvaguarda e co municação de um acervo de artes visu ais produzidas no Brasil ou por artistas bra sileiros, ao mesmo tempo em que busca preservar seus edifícios e sua memória, caracterizando-se como uma instituição educacional voltada para o aprimora mento da qualidade da experiência do público com a arte e para o fomento das mais diversas manifestações artísticas.

Informações Gerais Terça a domingo – 10h às 18h Ingressos R$ 6 e R$ 3 (estudante), aos sábados entrada gratuita www.pinacoteca.org.br

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Fotógrafo: Vagner Olivette

Faz parte do meu show

Por Erica Diniz

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e pararmos para ouvir os sons que estão a nossa volta, iremos perceber que a música é a peça principal da nossa vida, ela esta presente em tudo, nos sons que ouvimos em um simples batuque, na TV, no rádioe até mesmoquando andamos. Assim digo que a Música é a arte de combinar os sons e o silêncio. Em uma linguagem universal a música tem seus estilos, sons e formas diferentes e com isso o ouvinte acaba se identificando com a letra ou com a melodia, muitas vezes podemos não entender direito a pronuncia, mais aquela combinação de sons e melodias nos fazem querer ouvir e ouvir sem parar uma mesma canção. A música hoje também é usada como terapia, como forma de sensibilizar o outro. Existe até médicos formados em “mú sica terapia” – que é o uso da música e de seus elementos como: sons, ritmos, melodias e harmonias– para a reabilita ção física, mental e social de pacientes. Entretanto a música também pode ser uma forma de expressar sentimentos tanto quanto bons ou ruins. Grandes compo30 IntraMuros

sitores são lembrados por suas letras “re beldes” e polêmicas como: Chico Buar que de Holanda, Caetano Veloso, Elis Re gina, Cássia Eller, Renato Russo, Cazuza, entre muitos outros. Trazendo um pouco da intimidade e um novo olhar sobre as canções do ídolo da geração dos anos 80. Rebelde e contestador, Cazuza vivia de forma intensa e queria mudar o mundo. Sabia transfor mar seus sentimentos e paixões em poesia, seus versos fortes e sua personalidade irreverente marcaram sua história na música brasileira. E hoje mesmo após 23 anos de sua morte suas músicas ainda influenciam gerações atuais. E em homenagem a ele o Museu da Língua Portuguesa (SP) inaugurou no dia 22 de outubro a exposição: “Cazuza Mostra Sua Cara.” O Museu que já recebeu obras como de Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Rubem Braga, entre outros. Mais uma vez nos surpreendeu com tecnologia e cria tividade, oferecendo ao público uma abordagem dupla sobre a Língua Portuguesa e a música brasileira.


ciou no período da ditadura e teve suas composições mais rebeldes como “Brasil” e “Ideologia”,também ganham espaço na exposição. Nos anos 80 ainda com a censura atuante, a bandeira do rock era levantada como manifestação do inconformismo. Nesse contexto a figura libertária e a linguagem de Cazuza ganhavam cada vez mais espaço e falava diretamente aos jovens da época que transformavam seus versos em slogans e em palavras de ordem. É por essa “rebeldia” toda que a exposição conecta o compositor com os jovens de hoje. O Museu que já tem marca registrada como interatividade com seu publico, apresenta toda a vida e obra deste poeta, músico, cantor e pensador, que com sua poesia e rebeldia sacudiu o cenário musical brasileiro nos anos 80 e 90. Dividida em salas, a exposição traduz a inquietação do artista e apresenta sua obra musical e poética de maneira totalmente criativa e expressiva. O público ainda pode escolher entre duas músicas: “Ideologia” e “Exagerado” para cantar junto com Cazuza.

Vale à pena conferir a exposição que vai até o dia 23 de fevereiro de 2014 no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. IntraMuros

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Por Nayara Trettel / Foto Divulgação

Rei Leão – O Musical O ciclo da vida agora nos palcos do Brasil

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selva mais encantadora do ima ginário infantil invade São Paulo e traz a magia do musical O Rei Leão. O espetáculo que estreou no Brasil no dia (?), já foi apreciado por mais de 65 milhões de espectadores, contanto também com mais de 70 prêmios e comemorando 15 anos nos palcos da Broadway. A historia desse sucesso começou nas telas do cinema em 1994 com a produ ção da companhia Walt Disney Pictures e conta a história do pequeno leãozinho Simba,que vive grandes aventuras em meio a floresta para conseguir vencer seu tio Scar, que planeja roubar o trono do reino. Uma historia emocionante que mexe com o coração de todos, onde as crianças viajam em um mundo de mui ta magia e os adultos voltam ao seu momento infantil. Dirigido por Julie Taymore produção de

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Thomas Schumacher (produtor e presi dente da Disney TheatricalProductions), a montagem brasileira foi acompanha da de perto pelos diretores da produção original americana,que também partici param da escolha cautelosa do elenco. O espetáculo chama atenção através dos recursos utilizados em palco e técnicas retiradas desde o Japão até hábitos Africanos, já para as criações das másca ras, os criadores se especializaram na essência de cada personagem, e tentaram trazer para a confecção da mesma,um grande exemplo é a utilizada por Mufa sa( pai de Simba ), sua característica é simétrica, já que ele é um personagem justo e íntegro. O cenário é inspirado em paisagens da África com desenhos e sím bolos geométricos repetidos, remetendo a origem e cultura africana.


A Radialista e criadora do site “Backs tage musical”,Pollyanna Santos Pereira Leite, 25 anos, deu-nos uma entrevista e contou um pouco da sensação e energia que o espetáculo transmitiu a ela enquanto espectadora. O que achou do espetáculo? “O espetáculo é incrível, o modo como ele foi concebido é o que impressiona, porque os criadores queriam reproduzir a história do filme mas não com “pessoas fantasiadas de pelúcia”, então tiveram a ideia de ter essas máscaras e figurinos que representam os animais, o movimento que eles fazem, o tamanho.” O que mais te surpreendeu? “O que eu mais gostei e o que mais me surpreendeu foi a interação dos atores com a plateia.... elefantes, zebras e vá rios animais passam ao seu lado, nos corredores, essa parte é demais!” O que não te agradou? “O que eu não gostei foi a adaptação de algumas músicas, por ser um desenho que faz parte da minha infância, da vontade de cantar junto, mas Gilberto Gil que adaptou para o português mudou algumas letras das famosas musicas e não agrada muito.”

VOCÊ SABIA? Shumacher presidente da Disney TheatricalProductions não acreditava no sucesso desse musical,ele achava uma péssima ideia, mesmo assim estreou o espetáculo, tendo hoje a maior bilheteria da Broadway

Rei Leão- O Musical está em cartaz no teatro Renault de Quarta a Domingo, e sua temporada no Brasil será estendida até 2014. Mais informações acesse: www.oreileaoomusical.com.br IntraMuros

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Por Carolina Barsalini

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consagrada tradição das feiras -li vres sempre significou aos frequentadores um ambiente informal provido de uma incrível variedade de produtos a preços baixos e boa qualidade. A fartura de cores, cheiros e sabores mis tura-se com as vozes dos feirantes e pe destres. Destaca-se especialmente pelo comércio de frutas, verduras e peixes, ervas medicinais, flores, artesanatos e iguarias. Estar em uma grande feira livre é deparar-se com uma diversidade de pro dutos naturais, além de poder adquirir ingredientes para as mais diversas cozinhas e aplicações, da saúde à cosmética. Feiras livres começaram a se desenvolver durante o período agrícola da Idade Média e foram o impulso inicial rumo ao renascimento comercial. Inúmeras cidades da antiguidade ergueram-se a par tir delas, que geravam um crescimento cada vez maior e, consequentemente a 34 36 IntraMuros

formação de moradias. Desde sempre, a reunião de pequenos comerciantes em uma área de livre comércio atraiu a atenção da população. No Brasil, esse tipo de comércio tem grande apelo, tanto por nossa produ ção agropecuária como pelo potencial extrativista de plantas tropicais além de indicar o hábito natural e afável da po pulaçõo brasileira. A cultura das bancas e feiras estendese para além dos mercados e das zonas comerciais. Em cada cidade, por menor que seja, as tendas estarão lá, trazendo as cores para as ruas de asfalto. Mesmo hoje, diante das facilidades das compras online e da praticidade dos hipermercados, ainda há quem zele por cheirar e avaliar manualmente o produto que le vará à mesa. A agitação das calorosas feiras livres é a celebração da própria vida urbana.


O famoso Mercado Municipal Paulistano exala elegância em cada barraca. Seus belos vitrais russos formam um agradável cenário de um dos melhores pontos gourmet da cidade e um dos mais bem -es truturados mercados municipais do Brasil. No mezanino, a vista de toda a construção atrai os visitantes e lá podemos en contrar áreas mais sofisticadas, como restaurantes, cafés e adegas. O Mercadão, é um dos mais belos cartões-postais da cidade. O prédio, com estilo arquitetônico encantador, conta com cerca de 272 estandes com as mais diversas especialidades. Possui uma gran de variedade de produtos, desde hortifrutigranjeiros até algumas especiarias só encontradas lá. Um dos únicos lugares onde é possível encontrar frutas de todas as regiões e até mesmo as que estão fora de época. Famoso pelos aclamados pastel de bacalhau e sanduíche de mortadela, que já viraram referência e valem por um refeição completa! Além das especialidades árabes, portuguesas, italianas e de tantos outros países, receitas perpetuadas ao longo dos anos pelos imigrantes que se estabeleceram em São Paulo.

Um dos pontos turísticos mais movimentados de São Paulo, abriga uma série de quitutes, delícias e especiarias de deixar qualquer visitante dos quatro cantos do país e do mundo com água na boca.

A “Feirinhas Gastronômica”, um espaço aberto para o encontro entre os amantes da boa gastronomia e os apaixonados por panelas e fogão. A Parte humilde fica por conta do nome “feirinha”, pois a parte da experimentação gourmet traz toda a diversidade gastronômica de várias regiões com barracas dirigidas por chefs, estudantes e inventores. Curiosidades desvendadas nos produtos que representam toda a riqueza de temperos e combinações da gastronomia paulistana. Localizada em espaço amplo e de fá cil acesso, o aroma toma conta do am biente decorado com barracas e pratos inusitados, despertando diversificadas sensações e abrindo a apetite dos -fre quentadores. “Feirinha Gastronômica” todos os do mingos, das 11h às 19h, no Espaço Qualquer Coisa, número 85 da Praça Benedito Calixto, Pinheiros. IntraMuros 37


Por Nathali Ruiz / Foto Divulgação

O Deus do trovão ganhou uma nova aventura em novembro nos cinemas

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Marvel e seus roteiristas estão ten do um grande trabalho nos últimos 5 anos. O universo dos Vingadores nas telonas começou a ser desvendado em 2008, com o primeiro Homem de Ferro. Tony Stark (Robert Downey Jr.) abre o ciclo da franquia, dando fortes indícios, durante todo o filme e ao fim dos créditos, que uma organização não tão secre ta assim (S.H.I.E.L.D) está planejando um futuro maior para os heróis. Esse futuro é abordado no decorrer dos outros filmes, culminando em Os Vingadores, de 2012, onde os heróis se encontram para deter um inimigo comum e poderoso. Para quem pensou que os pla -

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nos da Marvel terminaram aí, as histórias continuam porque sempre parece haver um inimigo mais poderoso, uma ameaça mais iminente no caminho dos mocinhos. A segunda fase da Marvel, por assim di zer, começou já em maio de 2013, com o lançamento de Homem de Ferro 3. O bilionário playboy filantropo,como se auto denomina, retornou às telonas na Terra pós Vingadores. Como se a Terra fosse o único lugar com problemas.


é detido pelos Vingadores e levado de volta para casa por seu irmão Thor. E é aí que Thor 2 (2013) começa.

O mundo sombrio

Asgard No primeiro Thor (2011) o príncipe de Asgard e herdeiro do trono (Chris Hemsworth) é banido pelo rei (Anthony Hopkins) -que também é seu pai- após ser consi derado irresponsável e inepto a ocupar o trono. Ele vem parar na Terra, onde tem que aprender a humildade e alguns va lores para ser um bom governante. Aqui ele faz alguns amigos, aprende lições e retorna para Asgard um pouco diferen te, mudado graças à alguns incidentes ocorridos. O incidente maior tem nome: Loki (Tom Hiddleston). O meio irmão do herói é um tanto cruel e adora provocar o caos. Com a desculpa de querer ser como o irmão, ele lidera uma empreita da para destruir o mundo dos gigantes de gelo, como Thor fez uma vez. Isso não dá certo, ele é repreendido pelo irmão, eles lutam e Loki sai de cena, talvez como o fim do personagem. Ele volta, porém, como o vingativo vilão nos Vingadores. Liderando um exército contra a pacata Midgard, em outras palavras, a Terra, ele

O diretor do segundo filme é o americano Alan Taylor. Ele foi responsável por seis episódios de Game of Thrones e foi o co -produtor executivo da segunda temporada da série. Segundo Taylor, no novo filme, Thor está começando a ultrapassar o pai em poder e sabedoria. Os fãs aprovam o novo diretor: “após três filmes abordando todo esse relacionamento dos irmãos nórdicos (Thor e Loki) de uma maneira mais simples no primeiro filme e logo depois fazendo todo o mundo se ajoelhar perante o desconhecido em Os Vingadores, eu acho que o diretor Alan Taylor finalmente veio para trazer o drama e o fator família para a franquia,” afirma Bianca Recchia, fã incondicional dos asgardianos.

“Quando lemos os quadrinhos, percebemos que há esse conflito entre eles justa IntraMuros

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mente pelas trapaças e traições de Loki e pelo bom coração de Thor, que quase sempre perdoa o irmão. Realmente espe ro que o novo diretor traga toda a bagagem que ele teve em Game Of Thrones trabalhando com as figuras mitológicas, com as batalhas e com o relacionamento entre o povo, os deuses e as criaturas que buscam um poder ilimitado”, com pleta. Kenneth Branagh foi o diretor do primei ro filme do Deus do trovão. A IMDb (site inglês que reúne informações de filmes, atores a assuntos relacionados) clas-sifi cou o primeiro filme com nota 7 em uma escala até 10. Os fãs também aprova ram: “gostei bastante do desenvolvimento dos personagens e dos grandes cenários,” explica Bianca. Branagh é fã assumido dos quadrinhos criados por Stan Lee e Jack Kirby, entre eles Thor. Ele afirmou em entrevistas que se sentiu empolgado com a escolha de um novo diretor. “Chris Hemsworth (Thor) nasceu para in terpretar esse papel. As pessoas dizem isso sobre vários personagens e vários atores, mas nunca soube que isso era verdade. Ser um homem jovem que carrega o peso de um deus é desafiador. Chris, além de ser fisicamente perfeito, tem uma voz que carrega certo peso. Ele tem um aparelho vocal tão incrível que faz você acreditar que esse homem jovem tem a estatura de algo mais que humano. Eu também fiquei surpreso pela sua atuação. Ele não é apenas um rosto bonito,” diz Alan Taylor, diretor de Thor 2, quando perguntado sobre o que achava que Chris Hemsworth trazia ao papel de Thor. Diretor do site da marvel se sente empolgado com o novo filme 40 IntraMuros

Elogios a parte, Ryan Penagos, conhecido como agente M, diretor editorial executivo do grupo de mídia digital da Marvel e do site marvel.com. disse em entrevista exclusiva à IntraMuros que se sente tendencioso em relação ao filme. “Eu amei o roteiro, eu realmente gostei de visitar o set e ver todos os cenários e adereços incríveis. O elenco é fantástico e Alan Taylor (o diretor) foi maravilhoso quando eu falei com ele. Craig Kyle (o produtor) é um amigo e um cara muito inteligente que faz coisas incríveis. E eu trabalho na Marvel, então eu acho que vai ser ótimo.” Já sobre os fãs, Ryan diz que eles são muito radicais. “Já que eu estou aprofundado em todas as nossas redes sociais, vejo o que todos os fãs estão dizendo, twittando, sobre o que estão animados, curiosos e com raiva. Eles especulam e piram, totalmente no escuro sobre algumas coisas que os farão surtar muito mais. É muito radical. Grandes fãs fazem o meu trabalho mais difícil e mais fácil às vezes, mas eu não faria isso de nenhuma outra maneira.” Sobre o que se pode esperar do filme, Ryan mandou uma imagem:


O filme conta com a direção de Alan Taylor, roteiro de Don Payne e Robert Rodat. O elenco é composto por Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hid dleston, Stellan Skarsgård, Christopher Eccleston, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Kat Dennings, Ray Stevenson, Zachary Levi, Tadanobu Asano, Jaimie Alexan der, Rene Russo, Anthony Hopkins, Chris O’Dowd, Clive Russell, Graham Shiels, Richard Whiten entre outros. Thor: O Mundo Sombrio estreou no dia 1º de novembro e está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil. IntraMuros

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Por Caroline Rivieri

Preservando a natureza com elegância Roupas orgânicas e técnicas que protegem o meio ambiente são alternativas para quem opta pela moda ecológica

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ara acabar com o consumo e evitar a escassez de recursos da natureza, estilistas e confecções vêm dando cada vez mais espaço às roupas sustentáveis em suas coleções. Essas roupas são feitas com materiais alternativos, como algodão orgânico, bambu, sacola plástica, fibras de garrafa pet, pneus e até guarda-chuva. A indústria têxtil está entre as quatro que mais consomem recursos naturais, como água e combustíveis fósseis. Somente a cultura de algodão é responsável por cerca de 30% da utilização de pesticidas na Terra, contaminando o solo. Aproximadamente são utilizadas 8 mil substâncias químicas para produzir uma única peça de roupa. Mais de mil galões de água são necessários para fabricar uma calça jeans. Já uma camiseta utili za 800 galões de água. Mesmo com to dos esses gastos, é muito mais em conta comprar uma calça jeans normal do que uma feita de tecido orgânico. Devido à pequena escala de produção, boa par44 IntraMuros

te desses produtos é cara. Uma peça de roupa sustentável pode custar três vezes mais do que uma peça feita por métodos tradicionais. Existem algumas lojas que só trabalham com produtos naturais, normalmente são lojinhas online ou grandes marcas, como a Osklen, por exemplo, uma grife brasileira do Rio de Janeiro que sempre tentou inovar usando materiais reciclados. San dálias feitas de PVC reciclado e sacolas de juta (fibra vegetal) que leva dois anos para se degradar no meio ambiente, já uma sacola plástica demora mais de 100 anos para ser decomposta. “Eu sempre compro sandálias feitas de PVC e Ecoba gs, acho que já é uma maneira de ajudar o meio ambiente e também são super es tilosas” Diz Anna Silva, 20 anos, estudante de Moda da Ceunsp. Outra marca carioca é a Redley que uti liza o bambu em vez de algodão. Uma plantação de pinus leva sete anos para produzir três mil árvores, já o bambu leva três anos para produzir 10 mil árvores no


mesmo espaço. “Além disso, o bambu não precisa do uso de pesticidas, não causa erosão no solo e só precisa de água para crescer” diz Fátima Fuji, profes sora de Biologia da USP, e acrescenta “Eu sempre procuro saber como são feitas as roupas e calçados que uso, como profes sora tento dar exemplo aos meus alunos para que sejam sustentáveis e corretos com a natureza”. Outras lojas brasileiras que vendem roupas sustentáveis são: Ecorreto Moda (Goiás), Camiseta feita de PET (São Paulo), Mr.Fly (Minas Gerais), Será o Benedito (São Paulo), Onng (Mato Grosso) e Infância Orgânica (São Paulo). Nem sempre essas roupas de fibras alternativas podem ser consideradas sus tentáveis. Precisamos estar ligados se o cultivo implica a derrubada de florestas, se utiliza mão-de-obra infantil, explora ção de trabalhadores rurais ou exige mui to combustível no transporte. Todos esses danos ambientais e sociais anulam seus benefícios. É fundamental saber de onde vêm, como é fabricado, e não só acre ditar na etiqueta. “Essas marcas também precisam se preocupar com o que fazer depois que a roupa ou calçado forem inutilizados. Já que usamos a mesma uma peça só por 6 meses mais ou menos” diz Juan Martins, 28 anos, gerente de uma loja de calçados que trabalha com marcas sustentáveis. Além de economizar água, separar o lixo orgânico do reciclável e usar ecobag porque está na moda, que tal vestir a camisa da sustentabilidade?

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Jovens Vingadores: universo Marvel ampliando horizontes Inovação na franquia dos quadrinhos encanta o novo público e agrada os antigos fãs Por Beatriz Peixoto

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o ano de 2005, nascia uma nova história no Universo Marvel. Young Avengers – ou YA para os leito res mais fervorosos – foi criado por Allan Heinberg (produtor e escritor das finadas séries The O.C., Gilmore Girls e Sex And The City) e pelo ilustrador renomado Jim Cheung. Logo na primeira edição, a HQ chocou o público abordando temas mais realistas e polêmicos do universo jovem. O desenvolvimento dos quadrinhos gira em torno de adolescentes com poderes inumanos que passam pelo drama e pelos problemas que qualquer outro jovem poderia passar. Não muito tempo depois da estreia nas

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bancas, a série foi premiada com um “Outstanding Comic Book 2006”e tam bém com o “Harvey Award 2006” por melhor série iniciante. Nesses nove anos, os personagens já cruzaram por diversos arcos históricos da editora Marvel, participando dos mais famosos: Guerra Civil e Siege. Após as pe quenas (mas relevantes) participações, o sucesso e a popularidade dos personagens cresceramabsurdamente. Em 2010 os Jovens Vingadores ganharam sua própria série envolvendo os personagens mais populares do mundo, como: o Capi tão América, o Homem de Ferro e o deus nórdico do trovão Thor.


No começo de 2013 a editora começou a série “Marvel Now!”e passou ao escri tor Kieron Gillen a missão de fazer novas aventuras para os Jovens Vingadores. Gillen ficou conhecido como o escritor e roteirista que finalizou as histórias de “O Poderoso Thor – Jornada ao Mistério” e pela parceria com Matt Fraction. Em entrevista à IntraMuros, Kieron nos ex plicou o que sente antes de começar a escrever cada página – metodicamente pensada - para o público mais novo das histórias em quadrinho. “Eu realmente não tenho certeza se posso dar uma resposta que diga mais do que: “Qualquer um que acha algo que você escreve útil, quando enfrenta os horrores da vida, é capaz de sentir tudo soar um pouco melhor.” A parceria de Gillen com o atual quadrinista da série, Jamie McKelvie, vem de muito antes do novo arco dos Jovens Vin gadores. Anteriormente, os dois haviam trabalhado juntos em Thor - Jornada ao Mistério. Muitos profissionais da área definem o trabalho dos dois como algo surre al. No rede social Twitter, podemos ver os dois discutindo bastante sobre os traba lhos e também sobre pensamentos sobre o mundo em si. Torna-se engraçado ao ver Matt Fraction, o ex-parceiro de qua drinhos de Kieron, entrando no meio da briga dos amigos.

Felipe Moreira, estudante e fã dos qua drinhos, acredita que YA é um ótimo exemplo de como os quadrinhos podem e devem se pautar na diversidade e na realidade do mundo de hoje. “A grande maioria dos quadrinhos das grandes editoras ainda se prende muito ao estereótipo do “heterossexual, caucasiano, pu ramente americano”, e a tantos outros, enquanto YA leva pra os leitores o reflexo da nossa sociedade atual, que é diversificado e maravilhoso,” explica Felipe. O estudante ainda defende que a série é uma leitura para todas as idades e para todos os públicos. “É divertida, mas também lida com temas maduros, e isso é im portante. Eu também diria que YA mostra adolescentes como eles são, na verda de. Não vazios, não idiotas, mas pesso as em formação com grande potencial para o bem, e grande potencial para serem incríveis.” Isso explica o apelo que YA tem entre os jovens, já que a série respeita o leitor, os personagens, a diversidade cultural, sexual. “E além de tudo nos faz amar tudo isso,” finaliza Felipe.

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Principais membros dos Jovens Vingadores Nathaniel Richards (Rapaz de Ferro): Nathaniel Richards era um estudante nas cido no século 30. Na adolescência, Nathaniel sofreu muito bullying e teve a garganta cortada por um valentão no colégio.Depois de um ano internado, ele se recuperou e estudou ciências e muitas fitas antigas se seus ancestrais poderosos. Entediado com a perfeição de sua socie dade, Richards ficou fascinado pela história e descobriu a técnica de viagem no tempo criada por um de seus antepas sados, o Doutor Destino . O menino que se tornaria Kang embarcou em uma vida de conquistas e de aventuras, explorou e saqueou eras e tempos diferentes agindo como Faraó Rama-Tut , Kang e outros. Em suas várias formas, Kang entrou muitas vezes em conflito com heróis, especia -l mente Os Vingadores .

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Jonas (Visão): Quando Nathaniel - Ri chards, veio para o “presente” para contar com a ajuda dos Vingadores, ele encontrou apenas as ruínas da mansão dos Vingadores. Depois de ter sido ignorado pelo Capitão América e pelo Homem de Ferro, ele encontrou os restos mutila dos do Visão (original) e baixou o sistema operacional em sua armadura Neurokinetic. Através desta fusão, Nathaniel era capaz de acessar os planos que o Visão havia criado para caso os Vingadores sumissem, mais conhecido como:“Vin gadores à prova de falhas”. Assumindo o disfarce de Rapaz de Ferro, ele usou esses planos para montar uma nova equipe de Jovens Vingadores. Não muito tempo depois de sua primei ra missão, os Jovens Vingadores foram atacados por Kang, o Conquistador. Para evitar Kang de rastreá-lo, o Rapaz de Ferro tirou a armadura Neurokinetic e do sistema operacional do Visão fazendo com que a armadura se tornasse em um ser consciente. Quando o Rapaz de Ferro voltou para o seu próprio período de tempo, ele deixou a armadura para trás com o sistema operacional do Visão ativado.


Elijah Bradley (Patriota): Eli Bradley tem um legado de heróis na família. Depois de perder os segredos do Super Soldier Serum do Dr. Erskine, o Exército dos- Es tados Unidos ainda queria produzir mais soldados como Steve Rogers (Capitão América). Para isso, o coronel Walker Price e Dr. Wilfred Nagel pegaram 300 soldados Africano-Americanos do Mississippi para experimentar as vacinas. Poucos homens sobreviveram ao processo e apenas um deles sobreviveu às missões secretas: Isaiah Bradley, o avô de Eli. Seu tio, Josias X, continuou a tradição fami liar,participando da Guerra do Vietnã. Mais tarde, ele mesmo assumiu o cargo de Capitão América de Isaías e se juntou aos Vingadores. Antes de Isaías receber o Super Soldier Serum, ele teve Sarah Gail, a mãe de Eli. Devido a isso Eli nasceu sem habilidades sobre-humanas.Eli, logo de pois de entrar para os Jovens Vingado res, começou a tomar os comprimidos de hormônios para crescimento mutacional para adquirir habilidades sobre-huma nas. Vestindo um traje muito semelhante ao do companheiro original de Capitão América, Bucky Barnes, Eli se tornou o Patriota.

David Alleyne (Prodígio): David foi criado por seu pai e sua mãe com a irmã mais nova, Kimem Chicago, Illinois. David sempre foi brilhante e inteligente, mas quando seus poderes mutantes foram ativa dos, as respostas começaram a aparecer para ele. Ele logo percebeu que era mutante com a capacidade de absorver te lepaticamente os conhecimentos e habilidades de alguém que esteja perto dele. Preocupado e achando que esse conhecimento não era autêntico, David man teve sua mutação em segredo e come çou a estudar ainda mais. Ele começou a fazer cursos de nível universitário quando tinha idade para estar terminando o ensino médio e começou a trabalhar com Karma na biblioteca da universidade até que ele foi descoberto pelo grupo do mal “Pureza”. Após ter seu disfarce foi descoberto, Danielle Moonstar o recrutou para os X-Men. Após ter muitos problemas na academia do Prof. Xavier, Prodígio en trou para os Jovens Vingadores. Cassandra Lang (Estatura): Quando criança, Cassie sofria de uma cardiopatia congênita. Para salvar sua vida, o seu pai Scott Lang, roubou equipamentos do Homem-Formiga (Henry Pym) e as partículas Pym, para ele resgatar Doctor Sondheim, o único médico capaz de curar a con dição de Cassie. Cassandra cresceu e queria se tornar um heroína, assim como o pai. Com Ant-Man como “pai”, Cassie foi capaz de ter encontros frequentes com os maiores heróis do mundo. Thomas Sheperd (Célere): “Tommy” Shepherd nasceu e foi criado em Sprin gfield, Nova Jersey. Ele é o único filho de Frank e Mary Shepherd, que se divorcia ram quando ele ainda era jovem. Tommy sempre foi um rapaz bagunceiro. Foi em uma das detenções que Tommy conheceu Lisa. Os dois pareciam ter tido algum tipo de relacionamento amoroso ou físi IntraMuros

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co durante este tempo. Porque Tommy “acidentalmente” vaporizou sua escola usando seus poderes, ele foi preso sob ordem judicial em uma insta lação de alta potência equipada com a tecnologia tanto ofensiva quanto defensiva avançada, como robôs e contenção por meio de amortecimento das células. Antes dos Jovens Vingadores libertaremno, Tommy tinha sido preso por meses e estava sendo testado com o objetivo de transformá-lo em uma arma viva.

Billy Kaplan (Wiccano): Billy Kaplan era o mais velho dos três filhos do casal de judeus Jeff Kaplan e Rebecca Kaplan. Billy, assim como Nathaniel, teve proble mas com valentões na escola devido a sua sexualidade e por ser nerd demais. Certa vez, Billy estava sentado em frente a Mansão dos Vingadores depois de ter sofrido ameaças no colégio, quan do a Feiticeira Escarlate, sua Vingadora favorita apareceu. Ela deu-lhe algumas palavras de encorajamento e disse que ele “poderia cuidar de si mesmo”. Billy aceitou seus conselhos e decidiu ir bater em agressor. Infelizmente, os poderes ele 52 IntraMuros

trocinéticos de Billy surgiram pela primeira vez quando ele quase matou John Kesler, o valentão da escola. Katherine Bishop (Gaviã-Arqueira): Kate cresceu como a filha mais nova de uma família rica e tradicional de Manhattam. Seu pai era ausente e muito ocupado com o trabalho e a mãe dela faleceu quando Kate ainda era uma criança. Embora Katherine vivesse sempre perto de sua irmã mais velha, Susan, ela desenvolveu uma personalidade muito inde pendente e teimosa. Poucos meses antes do casamento de sua irmã, Kate foi roubada durante uma caminhada no Central Park. O acontecido, inicialmente, Kate deixou traumatizada e depressiva. No entanto, a situação em si a motivou a aprender várias formas de luta, de combate e auto-defesa. Ela rapidamente tornou-se profissional em esgrima, arco e flecha, e artes marciais. O primeiro encontro de Kate com os Jovens Vingadores foi quando eles ten taram salvá-la de um incidente no -ca samento de sua irmã. Infelizmente, os Jovens Vingadores só conseguiram iniciar um incêndio e virar as próprias vítimas do caso. Foi Kate quem os salvou com uma das estrelas de arremessar do Patriota. Os Vingadores jovens foram capazes, ape nas de escapar da cena antes da polícia chegar.


Dorrek VIII – Theodore Rufus Altman (Hulking): Durante a Guerra Kree-Skrull, o Super-Skrull sequestrou Capitão Mar vel, Mercúrio e a Feiticeira Escarlate e os apresentou ao Imperador Skrull. Ao ser preso, o Capitão Marvel e a filha do Imperador, Princesa Anelle, tiveram um breve romance e ela concebeu um filho. Temendo por sua segurança, Anelle enviou imediatamente o filho para longe com sua babá. A serva levou a criança para a Terra para se criada pelo pai, mas depois de chegar na planeta ela soube que o Capitão Marvel havia morrido. Decidida a criar a criança como sua pró pria, ela disse ser uma mãe solteira que trabalha no setor imobiliário e nomeou o filho de Theodore - “Teddy” - Rufus Altman. Na Terra, Teddy usou seus poderes para adaptar-se (literalmente) ao seus colegas de escola, em particular o pre sidente da classe e capitão do time de basquete, Greg Norris. Voltando para a própria identidade, Teddy usou de sua metamorfose para garantir acesso à alta sociedade Nova Iorquina. Quando Greg o coagiu à invadir as ruínas da Mansão dos Vingadores, Teddy decidiu que - al gumas coisas eram mais importantes do que a transfiguração, e ao invés de deixar Greg saquear a mansão, ele acabou com a amizade.

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RAIO X

Sylvia Furegatti

Intramuros: Quando você começou a trabalhar como artista? Em qual formato? Silvia Furegatti: Iniciei meu trabalho artístico em 1990. Ali já tinha a instalação artística, o objeto escultórico e o desenho como linguagens que praticava. 54

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Artista Visual. Doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo FAU-USP (2007); Mestre pela mesma instituição (2002); Especialista em Museus de Arte pelo MAC-USP (1992); Bacharel em Artes Plásticas pela Universidade Estadual de Campinas (1991). É professora do Depto de Artes Visuais (IA -Unicamp) na Graduação, Especialização e Pós Graduação. Atuou como professora e coordenadora em várias instituições particulares do ensino superior como a ESAMC(Campinas) e a Unifran (Franca). Tem experiência na área de Artes Visuais, com ênfase em Intervenções Artísticas Urbanas, atuando principalmente nas seguintes frentes: arte contemporânea, arte e meio urbano, arte brasileira atual; produção e curadoria de exposições de arte contemporânea. Atuou em diferentes espaços culturais como o MAC Campinas, MAC Americana e Instituto Cultural Itaú. É fundadora do Grupo Pparalelo de Arte Contemporanea de Campinas.

[I]: Fale um pouco sobre o grupo Pparalelo de Arte Contemporânea no qual é fundadora e artista participante [S]:O Paralaleo nasceu em 2008, depois que eu havia passado por experiências de coletivos e trabalhos solo. Sentia a necessidade de ajustes para o trabalho


em grupo, e aconteceu ali uma oportunidade que me desafiou para esse caminho. Interessava-me basicamente, manter o convívio saudável dentre outros artistas criativos que igualmente compreendiam a beleza e a dificuldade das questões autorais e de público para o trabalho de arte contemporânea. Desse modo, o Pparalelo surge e se modifica com o passar dos anos experimentado distintas configurações nucleares que buscam estender, rever ou convidar novos parceiros para o trabalho. Hoje, seu atual núcleo de trabalho é formado por mim e por Hebert Gouvêa. Dentre os artistas com os quais o Pparalelo já formou células pontuais ou prolongadas de trabalho, estão muitos artistas brasileiros e estrangeiros apontados em nosso site. A vocação do grupo é a intervenção artística em centros urbanos que não sejam capitais, ou cuja configuração geográfica e cultural apresente as dormências típificadoras de cidades como Campinas/SP/Brasil. Ou seja, uma cidade com 1 milhão de habitantes, com passado histórico importante para as artes e para a cultura, mas que sofre com os hiatos de seu circuito artístico. A intenção é a de alargar, por meio de projetos e ações artísticas, os corredores culturais que configuram a arte contemporânea. Dessa forma, temos realizado trabalhos sistemáticos de arte pública e intervenção artística no meio urbano nos quais procuramos igualmente revisar a condição do grupo e os resultados dessas incursões sobre os diferentes lugares por onde passamos. [I]: A arte é uma produção primorosa, onde as emoções estão inseridas no

contexto da criação, porém vislumbramos ao longo da história da arte que os artistas são influenciados por outros. Qual ou quais são os artistas que te influenciaram em sua produção? [S]: São muitas as minhas afinidades eletivas... vou destacar primeiramente, alguns deles que vem pautando minha imaginação, há vários anos: adoro a inteligência espacial de Richard Serra, o equilíbrio entre texto e imagem conseguido por Jenny Holzer, o amor pela natureza combinado a vontade de mudar o mundo de Joseph Beuys; o mundo mapeado por outros modos de percepção tal qual realiza Robert Smithson. Mais recentemente, passei a investigar com atenção o raciocínio crítico de Hans Haacke e a impoderabilidade de Santiago Sierra. Bem, eu precisaria de mais duas páginas para finalizar essa pergunta... paro por aqui. [I]: O que a arte representa para você? [S]: A arte é para mim o melhor dos encontros. Entende-la como profissão significa desse modo, fazer uma escolha pelo que há de melhor e de pior na paisagem urbana, nas relações humanas, na natureza como um todo. É a possibilidade de leitura do mundo por meio de valores que não se sustentam sem a entrega total de seu propositor. Gosto de cultivar uma ideia, que sempre repito por aí, de que é a arte quem nos escolhe e não o contrário. Não atender a esse chamado implica em adoecer. [I]: Quais as técnicas que você utiliza para expressar suas ideias? Pertence a algum movimento? Se sim, qual?

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[S]: Prefiro colocar as coisas em termos de procedimentos artísticos. O campo tridimensional é o meu lugar de trabalho. Assim, elaboro projetos que exploram a noção espacial como estrutura para sua efetivação. Depois do lugar, vem a matéria que precisa ser ajustada para fazer sentido, para fortalecer a proposta. E por fim, a relação do trabalho com o espectador. Instalações artísticas, objetos, intervenções urbanas viabilizadas por materiais dos mais variados tipos são as linguagens que exploro em minha produção. [I]: Se pudesse escolher um artista, qualquer artista, para estabelecer uma parceria, qual seria? Por que? [S]Poxa vida, tive dificuldades enormes em selecionar os quase 10 da pergunta anterior... não sei responder esta... [I]: Qual a sua visão sobre o incentivo dado à Arte no Brasil? Dá para viver de Arte? [S]: Nesta resposta é preciso considerar que entendo a atuação do artista de hoje de modo alargado, como aponta Allan Kaprow em sua designação para o Agente-Artista. Esse sujeito artista está em variados pontos do sistema e por isso mesmo sua atuação depende de circularidade e fluxo. Se há estimulo múltiplo para a arte (apoio governamental com editais, espaços de qualidade, políticas públicas locais de incentivo e promoção, financiamento e compra de trabalhos por empresários, etc), há espaço para suas múltiplas formas de atuação. Parte das estruturações atuais do 56

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Governo Brasileiro para a regulamentação dos Museus (via IBRAM) demonstra um percurso promissor que pode melhorar muito a condição de sobrevivência do artista em nosso país. Mas, certamente, há ainda muito por se fazer. As próprias instituições estão em momento de reflexão e revisão de seus estatutos. Faltam em nosso país Revistas de Artes Visuais que possam retomar a importância de projetos editoriais como os que ocorreram nos anos 1970; sofremos das limitações do atual mercado editorial para a publicação de livros de/sobre arte. Vivemos uma era de editais que vem sendo utilizada como caminho de sustentação interessante, de certo modo democrático, mas que também não pode ser a única maneira de financiamento do trabalho artístico. [I]: Se você pudesse escolher uma época para viver e produzir, qual seria? E por que? [S]: Seria essa, com certeza. As adversidades são tão variadas e instigantes que é difícil imaginar outra oportunidade tão generosa para o questionamento. [I]: Qual o papel do artista visual no mundo contemporâneo? [S]: Ser um provocador da forma de pensar o mundo, de ver as coisas, de reagir ao cotidiano. Para tanto, o artista visual precisa fazer encontrarem-se, sua poética pessoal, o lugar de sua apresentação e o tipo de espectadores que quer alcançar. [I]: Como o artista visual consegue superar a falta de originalidade do


século XXI? [S]: Creio que o ideal seria discutirmos o quanto a originalidade faz sentido para a produção do artista atual... Nesses termos, percebe-se que a conhecida cobrança pela originalidade na produção artística, explorada pelo Mundo Moderno, compartilha da crise da novidade absoluta, igualmente vivenciada em outros campos da criação humana hoje. O peso do valor do NOVO para o trabalho artístico é substituído lenta e gradativamente pelo valor do QUESTIONAMENTO que passa a integrar o modus operandi do artista visual, da segunda metade do sec XX em diante. No lugar do novo, temos hoje o dado provocador e questionador que m o v i m e n t a a p r o d u ç ã o contemporânea, em acordo com as definições de Giorgio Agambén. Compartilhar dos valores do tempo presente, sem contudo, aderir completamente a eles, manter certa distância para estranhá-los e dessa forma, construir um trabalho que seja contemporâneo, tem sido o caminho de enfrentamento de boa parte da produção artística apresentada pelo século XXI. [I]: Os manifestos de cunho políticos atuais podem influenciar a arte contemporânea? [S]: É fato que Arte e Política estabelecem uma complexa trama de convivência estrutural e de conveniência de leituras ao longo dos tempos. Não há como separa-las, mas há de se atentar para a distinção entre as

combinações arte-política e política-dasartes que as configuram, caso a caso. Essa distinção libera artistas e público em geral das análises apressadas sobre esses conteúdos. Há uma infinidade de artistas contemporâneos que criam seus projetos a partir do contato direto com a cena política de seus locais de moradia ou passagem, assim como sempre haverá uma infinidade de proposições artísticas preocupadas com elementos da subjetividade humana ou com questões próprias do universo artístico. É nessa diversidade de respostas dos artistas para o corpo social com o qual se relacionam que vivem os múltiplos sentidos do termo Política para o trabalho de arte. [I]: Esta edição da revista [Intra]muros traz na seção Museu da Vez a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Qual a sua percepção em relação a esse museu? [S]: A Pinacoteca do Estado de SP é uma instituição muito respeitada em nosso país, pela comunidade de artistas, pela acadêmica ou pela sociedade interessada em arte e cultura de modo geral. Em comum com a história dos nossos museus, guarda momentos menos áureos que não a impediram de alcançar o atual patamar de representatividade no cenário museológico no qual se destaca pelas ótimas oportunidades oferecidas regularmente por exposições de seu acervo, mostras internacionais em passagem pelo país ou eventos educativos extremamente ricos por privilegiarem sua interação com o entorno humano e da paisagem paulistana.

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Revista [Intra]Muros  

Revista sobre arte e cultura da cidade de São Paulo e arredores

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