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Isso sรณ vai mudar se a luta se ampliar

Julho/2018


introdução

Desemprego, menos direitos, menos salários, mais miséria: isso é o resultado das ações impostas pelo Capital e seu Estado. Só a luta do conjunto dos trabalhadores é capaz de mudar isso. Nos EUA, crianças são separadas de seus pais, trancaadas em jaulas, na Europa imigrantes que fogem da guerra e da fome são tratados como intrusos. É o que acontece em todas as regiões contra homens, mulheres e crianças imigrantes, as cercas das nações servem para isso também: atacar e aumentar a exploração ao conjunto da classe trabalhadora. Os instrumentos dos Estados nacionais operam para que os trabalhadores não consigam se reconhecer como classe, para que achem que o problema do desemprego, do arrocho salarial no país em que nasceram é de responsabilidade do trabalhador que vem de outro país e assim o Capital avança na super exploração do conjunto da classe trabalhadora. A cada crise cíclica e periódica do Capital, os diversos instrumentos do Estado, ou seja, governo, parlamento, judiciário agem para impor as medidas daqueles que detêm os meios de produção o que signica mais desemprego, mais arrocho salarial, diminuição de direitos e aumento da miséria. É o que vivemos nesse momento no Brasil, enquanto os patrões impõem sua reforma trabalhis-

ta, o desemprego aumenta, quem cou nos locais de trabalho é obrigado a trabalhar por três, com salários mais arrochados e com direitos ameaçados. A miséria aumenta e se escancara pelas ruas do país. Nesse ano de eleições gerais, são vários os instrumentos à disposição do Capital para tentar novamente iludir os trabalhadores de que basta votar, eleger quem irá ser o próximo presidente, quem serão os governadores, deputados e senadores para que os problemas se resolvam. Essa Revista tem por objetivo contribuir na compreensão da realidade, ajudar a enxergar aquilo que o Capital, seus meios de comunicação, seus agentes no Estado e seus pelegos tentam ocultar dos trabalhadores. Mostrar que não basta apenas participar das eleições, votando nesse ou naquele candidato. Os direitos que temos hoje e estão diariamente sendo ameaçados não foram concessões de governos, deputados, senadores ou patrões, eles só se tornaram direitos na legislação trabalhista, porque gerações de nossa classe que vieram antes de nós lutaram muito para conquistá-los.

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O Estado: instrumento utilizado pelo Capital para impor sua dominação Os últimos anos em nosso país são um exemplo escancarado da função desempenhada pelo Estado ao longo da história: garantir a dominação da burguesia sob os trabalhadores. Os exemplos são muitos para mostrar como os capitalistas quanto mais concentram riqueza, mas miséria provocam: seis capitalistas concentram tanta riqueza quanto 100 milhões de trabalhadores brasileiros concentram de miséria social. E o Estado o que faz nessa situação? Aumenta as condições de exploração contra os trabalhadores para garantir mais aumento de lucros nas mãos dos capitalistas e dos privilégios de suas estruturas políticas, jurídicas e militares. Isso acontece, pois, esse Estado foi construído pela classe economicamente dominante como um “meio de campo” para exercer sua dominação sobre nós trabalhadores. Por isso, nesse Estado existe um fundamento: o direito à propriedade privada dos meios de produção nas mãos dos capitalistas para garantir a exploração de milhares de trabalhadores. No discurso, o Estado se apresenta como mediador dos conitos na busca de um bem comum, mas na realidade, o Estado é um dos principais instrumentos usados pela burguesia para aumentar a exploração contra a classe trabalhadora. Junto a isso quase a metade do orçamento do Estado brasileiro, cerca de 45% vai direto para mãos de cerca de 200 capitalistas, isso independente do partido que esteve no comando do governo.

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A estrutura política e jurídica do Estado atua sistematicamente aprovando leis que retiram direitos dos trabalhadores e abrem espaço para que os capitalistas abocanhem ainda mais do orçamento público. E quando os trabalhadores se colocam em movimento na resistência por nenhum direito a menos e para avançar nas conquistas, os aparatos jurídicos e militares agem na repressão, criminalizando e descendo o cacete nas greves e manifestações da nossa classe. Nessa repressão, contam com o apoio dos grandes capitalistas da comunicação que recebem gordas fatias de nanciamento dos governos e demais patrões e bombardeiam em seus meios de comunicação, as lutas, tratando como crime o legítimo movimento da classe trabalhadora. Assim nos mostram as sucessivas repressões nas greves e manifestações de nossas ações e também a recente greve nacional dos petroleiros em maio. Esse é o Estado em que vivemos: um Estado de dominação de classe. O Executivo a serviço de executar os interesses da burguesia: seja num regime militar, seja numa república democrática, o Estado vai agir para atender os interesses da classe economicamente dominante. Nos exemplos da própria história do Brasil vemos se revelar como o Capital se utilizou das diversas formas de governo para manter e ampliar a exploração contra a classe trabalhadora.


CAPÍTULO I

Mudam a forma para garantir o mesmo conteúdo: a manutenção da exploração contra a classe trabalhadora. Ditadura Militar: repressão e exploração da classe trabalhadora O Golpe Militar nanciado pela burguesia durou mais de duas décadas e foi marcado por uma intensa repressão aos trabalhadores e suas organizações, através de prisões, torturas, desaparecimentos, exílios e mortes. No governo da ditadura militar, a dívida externa explodiu, os salários foram mais arrochados, as condições de trabalho pioraram, o custo de vida aumentou. Enquanto isso com o total apoio do Capital, a corrupção se espalhava nas estruturas do Estado comandada pelos militares. No nal da década de 70, greves explodem em diversas categorias e regiões do país, principalmente no setor industrial, como os metalúrgicos, mas também sapateiros, têxteis, químicos, bancários, professores e trabalhadores rurais, bancários entre outros. Esse movimento garantiu greves gerais que extrapolaram as questões especícas de cada categoria tendo como centro a luta do conjunto da classe trabalhadora contra os patrões, seus governos e seus pelegos presentes no Sindicato. Foram essas lutas dos trabalhadores que garantiram as condições para a construção do Partido dos Trabalhadores (PT), criado em 1980 e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), fundada em 1983. Na década de 90 na estrutura do Estado através da democracia, novas formas de dominação através da cooptação para manter e ampliar a exploração contra a classe trabalhadora Com a retomada das lutas dos trabalhadores, a Ditadura tinha deixado de ser eciente para a bur-

guesia e seus interesses, portanto o Capital se utilizará dos instrumentos da democracia para manter sua dominação. E em 1989 o Capital vai agir também através dos meios de comunicação para garantir que o gerente de sua escolha seja eleito para estar na máquina do Estado. Muito mais que a corrupção do Governo Collor, pois a corrupção é uma parte da estrutura de funcionamento desse Estado, as marcas principais do governo Collor e FHC foram: a abertura do processo de privatizações em empresas com grande potencial de gerar lucros como CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Usiminas, Cosipa, Embraer entre outras que foram passadas, a preço de banana, para as mãos do Capital privado. Junto a isso, a demissão de milhares de servidores públicos e a precarização de direitos sociais essenciais como saúde, educação e saneamento. Na década de 90 junto ao processo de reestruturação produtiva imposta pelos patrões, uma nova forma de agir contra os trabalhadores: a cooptação, disputando a consciência da classe trabalhadora. Nesse período outras palavras entram em cena para tentar enganar a classe trabalhadora: ao invés de trabalhadores, agora colaboradores que através dos Programas de Qualidade Total passavam seu saber adquirido no trabalho em longas jornadas em troca de irrisórios prêmios nos holerites e/ou uma foto no jornal da empresa. Há uma sosticação na organização do trabalho, com a formação de células/times de produção, procurando envolver o conjunto dos trabalhadores em “uma grande família para aumentar os lucros do patrão”. Inclusive as famílias dos trabalhadores são

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envolvidas nesse processo de cooptação sendo levadas para conhecer a fábrica e ter momentos de lazer no mesmo local onde são explorados diariamente. Durante o governo FHC, se intensica o processo de privatizações, a infraestrutura básica realizada pelo Estado e que serviu para o desenvolvimento do Capital no país é transformada em mercadoria rentável para a burguesia. Lá se vão, Telebrás, Vale do Rio Doce, mais abertura para o Capital na Petrobrás entre tantas outras. A porrada e a conciliação se misturam ainda mais nesse período. Em 1995 a greve dos petroleiros, contra a abertura da Petrobrás ao Capital estrangeiro, arrocho e ataques aos direitos e que teve grande adesão foi duramente reprimida pelo Exército. A mando do governo FHC/PSDB invadiu as renarias e com apoio do Judiciário que considerou a greve abusiva aplicaram multas milionárias aos Sindicatos e bloquearam suas contas. Em 1996, a polícia militar do Pará, a mando de seu governador Almir Gabriel do PSDB assassinou 19 trabalhadores rurais sem-terra que lutavam junto ao seu movimento pelas desapropriações de terras na região. Outras medidas foram tomadas para garantir a ampliação dos lucros do Capital durante o governo de FHC/PSDB: ao invés de aumento real nos salários se impõe a Participação nos Lucros e Resultados (1994) vinculando os valores da PLR a metas de produção; suspensão dos contratos e diminuição dos salários através do lay-off (1998), o que provocou vários acordos de redução salarial e não evitou em nada as demissões; a Reforma da Previdência (1995) prevalecendo o tempo de contribuição e desconsiderando o tempo de trabalho, atingindo milhares de trabalhadores que perderam o tempo de serviço não registrado; e a imposição do Fator Previdenciário (1999) que na prática aumentou o tempo de trabalho necessário para se aposentar.

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Nessa década também, os mesmos instrumentos nascidos das lutas da classe trabalhadora, começam a falar por ela e ao invés de enfrentar o inimigo, buscam conciliar o inconciliável. Essa submissão aos interesses do Capital faz com que a Central Única dos Trabalhadores, a CUT vá abandonando a luta e busque a parceria com patrões e governos. Assim aceitaram a Reforma da Previdência de FHC, sentaram nas comissões tripartites com o governo e os patrões para revisar a legislação e impor mais ataques aos trabalhadores. Em vários sindicatos aceitaram o banco de horas, a redução de salários, o lay-off, se tornaram porta-vozes dos interesses de um lado da luta de classes, que não o lado dos trabalhadores. O Governo do PT a serviço da burguesia O mais importante para que o PT chegasse ao Governo Federal com um ex-operário na Presidência da República não foi a “Carta aos Brasileiros”,nem o compromisso de manter a política econômica entreguista de FHC, foi principalmente a capacidade mostrada pelo PT na década de 90 em controlar o movimento da classe fazendo com que ela aceitasse através de suas representações sindicais, principalmente a CUT, sucessivos pactos com o Capital. Flexibilização da jornada de trabalho, aumento dos ritmos de trabalho, redução de salários e direitos, proporcionaram ao Capital aumentar seus lucros, reduzir o preço da força de trabalho, tudo isso com a participação ativa da maioria das centrais sindicais que defenderam esses acordos enganando os trabalhadores que isso manteria os empregos. Mas, a realidade mostrou que direitos e salários foram retirados e as demissões continuaram. No início de seu governo, o PT faz uma Reforma da Previdência que acabou com a aposentadoria integral do funcionalismo público que atende diretamente a população trabalhadora, mas manteve os privilégios da casta que está no Judiciário e no parlamento.


CAPÍTULO I Aumentou o tempo de trabalho dos trabalhadores do Estado, espalhou pequenas migalhas do Orçamento para parte de nossa classe que nada tinha ao mesmo tempo em que garantiu lucros fartos para o grande Capital privado. Buscou transformar o básico para sobrevivência em grandes avanços através de programas como o Bolsa Família e iludiu, com oferta de crédito, boa parte da classe com o acesso ao consumo de produtos básicos para a sobrevivência, como comida, fogão e geladeira, através de um grande processo de endividamento da classe trabalhadora. Crédito que engordou os lucros de banqueiros através dos juros dos empréstimos que cresceram fortemente no período. Na produção, a indústria continuou engordando os lucros, arrochando ainda mais os salários, com pagamentos variáveis através da PLR, banco de horas e dos sucessivos acordos de redução de salários aceitos pela maioria das centrais sindicais (Força Sindical, CUT, UGT, CTB, Nova Central entre outras). Junto a isso, o governo do PT garantiu mais segurança aos lucros do Capital com a diminuição de impostos como no IPI e a desoneração da folha de pagamento. Seja com Lula ou com Dilma, o governo do PT prosseguiu e ampliou também as privatizações, seja através de fatias cada vez maiores da Petrobrás com os leilões dos blocos de pré-sal em 2013, seja na ampliação das parcerias públicos privadas, ou em seu plano de infraestrutura de 2015. Onde o governo investe naquilo que para o Capital é prejuízo e concede a ele o que é fonte certa de lucro. Nesse sentido, o governo Dilma entregou ao Capi-

tal em seu primeiro mandato R$300 bilhões em isenções scais e empréstimos realizados pelo BNDES. Portanto, os governos anteriores realizaram as devidas ações para que o Capital pudesse se consolidar explorando nossa força de trabalho. O governo do PT as ampliou contendo a luta de classes. Pensando ter sido aceito pela burguesia, O PT embarca na corrupção e paga o preço por sua subserviência: após 3 governos de conciliação de classes, aumentando os lucros do Capital e oferecendo a possibilidade de endividamento através da concessão de crédito e migalhas sociais para a classe trabalhadora, o PT pensou já estar aceito no comitê gerenciador dos interesses da burguesia e assim afunda o partido na vala comum de políticos e partidos corruptos. Mas o Capital quer mais, por isso tirou Dilma e impôs o seu vice, Temer do MDB para aprofundar a exploração e a miséria: a burguesia no Brasil não está só aqui. As principais empresas instaladas no país são multinacionais que em outros países já exigiram dos Estados nacionais, medidas que retirem ainda mais direitos e possibilitem mais arrocho salarial contra a classe trabalhadora e para acelerar essas medidas aqui trocaram o gerente da máquina do Estado. É isso que signicou o impecheament de Dilma, é para isso que serve o governo Temer: impor a terceirização, a reforma trabalhista dos patrões, o congelamento dos gastos do Orçamento que atacam a saúde, a educação, a Previdência, o saneamento, as políticas públicas em relação a mulheres, indígenas, estudantes.

Parlamento, a casa do povo que explora a classe trabalhadora. Os nomes das coisas tentam esconder a que de fato elas se prestam. Exemplo disso é a forma como se organiza outro braço do Estado que é o Parlamento. Seja nas Câmaras municipais, Assembleias legislativas, Câmara Federal e Senado, a maioria absoluta dos parlamentares eleitos ou são diretamente

oriundos da burguesia, ou são bancados pela burguesia para legislar em favor de seus interesses. Ou seja, quem habita esses espaços dizendo ser o representante de todos, na realidade estão lá para representar o interesse de um lado da luta de classes, o lado da burguesia.

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Os exemplos são muitos: o autor do projeto de liberar geral a terceirização que signica diminuir ainda mais os salários e direitos dos trabalhadores é Sandro Mabel/PR que é um dos donos das indústrias de alimentos Mabel, representa na Câmara os interesses do setor industrial e agropecuário. Como ele, são muitos os que estão no Parlamento que ou são empresários ou são nanciados por eles. É por isso que a reforma trabalhista dos patrões elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) foi encaminhada rapidamente por Temer/MDB e votada na mesma velocidade pela maioria do Congresso Nacional que está lá para legislar não para os trabalhadores, mas sim para aqueles que se enriquecem através da exploração. Seja no Congresso Nacional, nas Assembleias legislativas e Câmaras municipais, o parlamento também ataca os trabalhadores do Estado congelando salários, atacando a Previdência e sendo conivente com as medidas dos governos de desrespeito aos direitos.

Ao chamar o Parlamento de “casa do povo”,o Estado tenta ocultar sua essência, de que não é um espaço neutro e muito menos o espaço de todos. A própria palavra “povo” quer esconder que vivemos numa sociedade de classes, em que a classe trabalhadora quanto mais trabalha e adoece, mais empobrece, enquanto a classe dos capitalistas se farta com os lucros extraídos da exploração contra os trabalhadores. Não é simplesmente um problema de votar nesse ou naquele candidato, pois a forma de funcionamento do sistema eleitoral numa sociedade de classes, sempre vai garantir que a maioria do Parlamento seja ocupada por aqueles que atendem os interesses dos capitalistas. Mais que o nanciamento das campanhas eleitorais, dos tempos de propaganda nos meios de comunicação, é na ocultação do que de fato signica o Estado, na ocultação da história real é que reside a manutenção de mais esse braço do Estado que legisla em favor da burguesia.

O Judiciário que posa de guardião da lei, está lá para garantir que os interesses do Capital sejam preservados. Com seus interditos proibitórios que são mecanismos em que usam a força violenta da repressão do Estado através das polícias e também do Exército ou através de multas milionárias contra os sindicatos dos trabalhadores, o Judiciário age para tentar impedir a realização de greves e mobilizações. Também em sua grande maioria, os que está no

espaço do Judiciário interpretam a lei de acordo com os interesses do Capital e dessa forma retiram direitos dos trabalhadores. Encarceram nas cadeias pobres que em grande parte são jovens e negros, lhos da classe trabalhadora e deixam impunes aqueles que se fartam através da miséria provocada por essa sociedade capitalista.

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CAPÍTULO II

A corrupção, parte da estrutura do Estado para garantir condições ainda maiores do Capital explorar a classe trabalhadora. Já no Brasil Colônia, a coroa portuguesa se utilizou do esquema de corrupção para manter sua dominação. Benesses para os portugueses que aqui se instalassem, isenção de impostos e principalmente as condições necessárias para manter por tanto tempo a escravidão contra negros trazidos da África e o ataque aos indígenas que aqui habitavam antes da invasão portuguesa. No governo militar nanciado pela burguesia a corrupção se ampliou, além das regalias nas casas dos militares que ocupavam ministérios, o Capital nanciava torturadores e os demais membros do governo militar. Delm Neto que transita até hoje por todos os governos, ocupou vários cargos nos governos militares e foi acusado de beneciar empreiteiras e banqueiros através do cargo que ocupava. O delegado Fleury um dos responsáveis pela tortura e assassinatos contra quem se opunha ao regime militar, tinha esquema com o tráco de

DE SÃO PAULO MATÉRIA DA FOLHA DO DIA 13/05/1997

drogas, Paulo Maluf que foi governador biônico durante a ditadura começou sua carreira no crime da corrupção ainda no governo militar, beneciando empresas do setor têxtil ligada à sua família. Enquanto se lambuzavam na corrupção, o governo militar impôs mais arrocho salarial e a redução de direitos dos trabalhadores. Sai a ditadura, entra um governo eleito e a corrupção continua: Collor saiu em menos de dois anos de governo afundado em denúncias de corrupção, mas antes de sair, abriu as portas para a privatização de várias empresas públicas, FHC se manteve por dois mandatos porque pagou aos deputados a votação da emenda da reeleição e antes disso não foram poucas, as denúncias de corrupção durante seu governo. E o PT que pensou já estar aceito no seleto grupo da burguesia, se enlameou na corrupção: Essa mesma burguesia que se utilizou dele para avançar contra direitos da classe trabalhadora,


agora se aproveita de seus próprios instrumentos de corrupção dentro da máquina do Estado para tentar enterrar esse Partido que não lhe sendo mais útil, deve desocupar a vaga para que o Capital recoloque na gerência do Estado, seus representantes originais. Os oriundos da burguesia, como Aécio Neves/PSDB, Michel Temer, Renan Calheiros/MDB e tantos outros membros do governo e do Congresso Nacional têm contra eles várias denúncias com provas materiais de corrupção, mas continuam livres. Pois, o Judiciário, à serviço da pauta da burguesia garantiu tratamento seletivo nos processos de corrupção. Acelerou ao máximo os processos contra os membros do PT, com destaque para Lula e para os demais a morosidade da lei. Enquanto os pretensos guardiões da ética e do combate a corrupção no Ministério Público têm como meta trazer de volta aos cofres públicos aproximadamente R$ 10 bilhões, nada falam dos mais de R$ 300 bilhões que não entrarão nos mesmos cofres públicos por conta das isenções e renúncias scais para o Capital, aplicadas pelo governo.

Essa mesma política foi aplicada pelo governo do PT, mas não servindo mais a burguesia, o Judiciário foi liberado para transformar essa ação em prática de tráco de inuência do governo, que editou Medida Provisória apoiado pela maioria do Congresso Nacional garantindo isenções scais por exemplo, para as montadoras de veículos. Em todos esses momentos, os meios de comunicação do Capital estão a postos para defender os interesses burgueses, como se fossem interesses universais. Travestem de combate a corrupção essas ações do Judiciário, travestiram de combate ao desemprego, a reforma trabalhista, travestiram de cuidados com os gastos do Estado, a PEC que piorou ainda mais o acesso à saúde, educação, Previdência, saneamento. Portanto, a corrupção é parte orgânica do sistema capitalista, mas não sua parte fundamental, pois na gênese do Capital está a exploração contra os trabalhadores, essa sim é a fonte de lucro das empresas sejam elas empreiteiras, montadoras, ou qualquer outra empresa que para ter lucros, precisa explorar os trabalhadores.

Joesley Bati st

a dono da JB

S sendo pre so


CAPÍTULO IIi

Só as eleições não bastam. Eles querem o seu voto para seguir atacando seus direitos e sua vida. Não adianta só olhar o que os candidatos à presidência da República dizem. É preciso enxergar o que eles fazem e defendem na prática. O currículo de alguns candidatos à presidência da República que eles tentam esconder de você: Jair Bolsonaro/PSL: o candidato que diz que vai consertar o país quer acabar de vez com os direitos dos trabalhadores e como na ditatura militar atacar à bala quem luta: Jair Bolsonaro é deputado federal pelo PSL, mas já passou por vários partidos, a maioria deles herdeiros da ditatura militar, como o PDS que hoje é o PP de Paulo Maluf. Aquele que diz que quer botar ordem na casa, se esbalda na festa da corrupção: Bolsonaro que posa como salvador da pátria, nos últimos 30 anos aumentou muito seu patrimônio e de seus lhos também parlamentares. Em 1988 quando se candidatou pela primeira vez a um cargo parlamentar declarou ter apenas um carro de pequeno porte, uma moto e dois lotes de pequeno valor, mas hoje tem um patrimônio avaliado em milhões, entre imóveis e outros bens de luxo. Bolsonaro ao defender a ditatura militar nanciada pela burguesia, diz que ela só teve um erro: “só torturar e não matar”. Além de mentir quer repetir o que fez a ditadura que torturou e matou centenas de homens e mulheres que lutavam contra a carestia, as péssimas condições de trabalho e vida, o arrocho salarial, a ausência de direitos.

Esse é o candidato que diz que os trabalhadores devem ter menos direitos, que mulheres trabalhadoras são um problema para os empresários, porque quando engravidam têm direito à estabilidade e à licença maternidade. Bolsonaro com suas declarações incentiva a violência contra as mulheres vítimas de estupro, ele que tem 4 lhos homens disse recentemente que o quinto foi uma “fraquejada”,pois nasceu uma mulher. Bolsonaro diz que homossexuais são uma aberração da natureza, que negros deveriam ser tratados como mercadoria marcada pelo peso e que indígenas devem ser expulsos das terras em que habitam. Imaginem o que seria um governo dele? O tal salvador da pátria quer se enriquecer ainda mais, acabar com os poucos direitos que ainda temos e matar aqueles que lutam por salários, empregos, direitos, terra e moradia. Num governo desse, a Polícia e suas milícias estariam liberadas para matar qualquer um que se colocasse em movimento. É isso que você quer? Um indivíduo que quer pegar seu voto para transformá-lo numa arma contra você?


Alckmim/PSDB, sua verdadeira bíblia é defender os interesses de quem aumenta a miséria: esse é o candidato do PSDB que com várias reformas piorou as condições de vida e trabalho dos trabalhadores. Atacou professores e a educação dos lhos dos trabalhadores, também abriu a porteira para terceirização em várias áreas da saúde e do saneamento e o resultado disso foi a piora do atendimento para a população trabalhadora. Esse candidato que posa de sério e católico fervoroso, é o mesmo que coloca a Polícia para matar jovens pobres nas periferias e atacar as greves e manifestações dos trabalhadores que lutam em defesa dos seus direitos. Alckmin defende a reforma trabalhista que quer exterminar direitos dos trabalhadores e defende a reforma da Previdência que ataca o direito à aposentadoria e obriga os trabalhadores a trabalhar até morrer. O mesmo Alckmin que faz várias declarações falando da corrupção nos governos do PT, está na lama da corrupção seja nos contratos do Metrô de São Paulo com grandes empresas chegando até na merenda escolar que deveria garantir alimentação adequada para os lhos dos trabalhadores. Nunca é demais lembrar que seu partido, o PSDB foi o responsável por corromper parlamentares no Congresso Nacional para aprovar o projeto de lei que garantiu a reeleição à cargos executivos, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Seu objetivo na presidência da República é ampliar os ataques aos direitos dos trabalhadores, privatizar geral, piorando as condições de vida e trabalho.

Henrique Meirelles/MDB, o candidato de Temer, el escudeiro dos banqueiros: Henrique Meirelles passou por quase todos os governos nas últimas décadas, seja o governo do PSDB, do PT e agora junto com Temer para atender os interesses dos empresários das indústrias e dos bancos, impôs a reforma trabalhista, tentou aprovar a reforma da Previdência e congelou os gastos do Estado para serviços básicos como saúde, educação, assistência social. Meirelles é o candidato defendido por esse governo que para atender os interesses do Capital, aumentou o desemprego, a miséria, diminuiu direitos e tem piorado ainda mais as condições de vida e trabalho do conjunto da classe trabalhadora.


CAPÍTULO IIi Àlvaro Dias/ Podemos, no pula pula dos partidos tenta esconder quem é: Álvaro Dias, hoje no partido Podemos, por muito tempo foi do PSDB, passando também pelo PMDB (hoje MDB). Quando foi governador do Paraná, usou o braço armando do Estado para reprimir a greve dos professores, ou seja, para os trabalhadores a violência da Policia, para os patrões reformas que atacam direitos dos trabalhadores. Isso não é o passado do candidato, é o que continua defendendo, só não fala para tentar te enganar e ganhar seu voto na eleição.

Ciro Gomes/PDT, tentar enganar para emplacar: Ciro Gomes foi ministro da economia no início do governo Itamar Franco (1992), foi do PSDB e também participou do governo Lula, ou seja, mudou o governo, Ciro Gomes nge que muda para continuar no governo. Durante a greve dos petroleiros no governo FHC, ajudou a atacar durante o movimento dos trabalhadores. Hoje posa como defensor dos direitos dos trabalhadores, mas seu currículo mostra, que nos diversos governos que participou defendeu as reformas que atendem os interesses dos patrões.

Alváro Dias manda Polícia reprimir professores quando era governador do Paraná, duas décadas depois Beto Richa/PSDB faz a mesma coisa

Veja com quem já andou Ciro Gomes


Marina Silva/REDE, a candidata que quer ser aceita pela burguesia: Marina Silva, hoje na REDE, por muitos anos foi do PT, rompeu com o Partido dos Trabalhadores e com o governo Lula, dizendo discordar da política de governo, se liou ao PV em 2010 e depois ao PSB para ser candidata a presidente da República em 2014 e antes disso já tinha abandonado a defesa dos interesses dos trabalhadores. Ainda no PT, Marina se aliou à empresários que posam de defensores do meio ambiente, enquanto atacam direitos dos trabalhadores, os principais nanciadores do Instituto coordenado por Marina são Guilherme Leal da Natura (indústria de cosméticos) e Maria Alice Setubal, uma das herdeiras do Banco Itaú. Marina já declarou que faria apenas alguns ajustes nas reformas trabalhista e da Previdência. Ou seja, Marina que ser aceita pelos patrões e para isso não tem nenhum problema em atacar os direitos dos trabalhadores.

Com o PT, a burguesia conseguiu o pacto para frear a luta dos trabalhadores: o PT, Partido que nasceu da luta dos trabalhadores, mais do que rebaixar seu programa, mostrou para a burguesia que estava pronto para um pacto com o Capital, o que signicou mais de uma década de fragmentação da luta da classe trabalhadora. O verdadeiro crime de Lula: aceito pela burguesia, o PT se mostrou um bom gerente na máquina do Estado para atender os interesses das indústrias, bancos, agronegócio, construção civil entre tantos outros setores econômicos. Enquanto o Capital se fartava com seus lucros, a desigualdade se manteve. A burguesia permitiu a distribuição de algumas migalhas para parte de nossa classe que nada tinha e o pleno emprego tão propagandeado não veio acompanhado da melhoria das condições de trabalho e tão pouco signicou recuperação real das perdas salariais.

Marina Silva e o Gulherme Leal, dono da Natura.

A burguesia usou o PT e agora mais do que tentar tirá-lo do jogo, quer atacar as Organizações que não se curvam aos seus interesses. A burguesia permite que sua direita fascista destile seu ódio de classe nas ruas e mais do que atacar o PT, o que querem é atacar as Organizações que não se submeteram a conciliação de classes, como os Sindicatos dos Trabalhadores que lutam contra os ataques dos patrões e dos governos, que seguem rmes na defesa da classe trabalhadora.


CAPÍTULO Iv

Seus direitos não vieram de graça, foram fruto da luta de gerações de sua classe que vieram antes de você A luta dos trabalhadores garantiu a redução da jornada de trabalho, conseguimos a regulamentação de direitos, mas os patrões seguem tentando retirar o que na luta conseguimos. O ataque dos patrões não tem fronteiras, nossa luta contra a exploração também não: para o Capital as fronteiras que dividem o mundo em nações só servem para que eles movimentem suas mercadorias de um lado para o outro ampliando seus lucros na exploração contra os trabalhadores. Fecham fábricas ou diminuem sua produção numa região ao mesmo tempo em que instalam novas fábricas em outras regiões do país, pagando salários ainda menores e com menos direitos. Abaixar a cabeça ou car indignado sozinho, não adianta, pensar que car quieto e não ir pra luta vai garantir seu emprego, é outra ilusão. Isso é tudo que os patrões querem, um clima mentiroso de harmonia e paz para continuarem a sugar o máximo de cada trabalhador. Os patrões e os governos tentam esconder nossa própria história que mostra que gerações de nossa classe que vieram antes de nós lutaram muito para que tivéssemos os direitos que agora estão ameaçados. É hora de fortalecer a luta: as novas tecnologias aumentaram a produtividade e também o desemprego, mas máquinas e robôs não garantem o lucro dos patrões. É do trabalho do trabalhador que quanto mais adoece e sofre nos locais de trabalho que está a fonte real de lucro do Capital. É preciso enxergar que você não está sozinho, que somos muitos e quando nos unimos como classe trabalhadora e lutamos conseguimos garantir nenhum direito a menos e avançamos contra esse sistema de exploração. Não tem salvador da pátria: Só as eleições não vão resolver os problemas que como classe traba-

lhadora sofremos, é na luta em cada local de trabalho, estudo e moradia que conseguimos enfrentar os ataques aos nossos direitos e a nossa vida. Um passo importante também é não ser usado por aqueles que nessas eleições vão tentar se apropriar da sua revolta para garantir mais votos, que vão esconder o que verdadeiramente são e te usar para se eleger. Não se engane, pensando que o que passou não pode voltar, não se engane pensando que só porque hoje você está trabalhando, seu emprego está garantido. Não se engane pensando que em tempos de muita tecnologia que te permite falar pelos quatro cantos, o Estado de quem domina essa sociedade não pode te calar. As aparências das coisas enganam e o Capital tem seus meios de comunicação e o Estado para tentar te convencer que é melhor abaixar a cabeça e não lutar. Tentam te convencer que é melhor ir para o mundo virtual, aceitando qualquer comentário, noticia ou curtida e não enxergar o mundo real. Mas o mundo real está aí: demissões que se mantém e ampliam, trabalho informal que se mantém, redução de salários e desrespeito aos direitos, lucros para os capitalistas e miséria para grande parte da classe trabalhadora. Não é verdade que as coisas são impossíveis de mudar. Como classe trabalhadora já vivemos situações muito piores, enfrentamos as bombas, as balas e os canhões do Estado do Capital e sobrevivemos, portanto, é hora de ver o que o véu do Estado tenta esconder de você e ao invés de reclamar e achar que nada vai mudar, comece você a se mexer se unindo às Organizações de luta, como os Sindicatos que não abaixaram a cabeça para o Capital. Na luta garantimos os direitos, só lutando é que vamos impedir que eles acabem.

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w w w. i n t e r s i n d i c a l . o r g . b r Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora

Revista conjuntura: Estado/Eleições  
Revista conjuntura: Estado/Eleições  
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