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revista

abranet Associação Brasileira de Internet Ano I | número 04 | 4º trimestre 2012

Internet em risco Liberdade na

Legislações específicas do mundo web criam polêmica e se sobrepõem a leis em vigor

SISTEMAS OPERACIONAIS Windows 8 destaca interatividade e soluções Open Souce Linux conquistam seu espaço

NAS ONDAS DA TV Como compor e manter um pacote de serviços para competir com grandes players de telecom

GESTÃO Segurança no trabalho: Abranet > 1 Os riscos do negócio chamado Internet


| editorial |

Quem quer ser o dono da Internet?

A

regulação e o controle da Internet tem sido temas recorrentes, tanto nas casas legislativas do Brasil, com o Marco Civil da Internet, quanto em organismos internacionais de telecomunicações, como a UIT, que promoveu uma conferência internacional no início de dezembro, de onde partiram propostas que pretendiam exercer forte controle sobre a rede. A discussão envolve não só segmentos empresariais, mas governos e sociedade civil, e remete a uma questão importante: por que tanta gente agora tem interesse em mudar a Internet? Uma parte da resposta a esta questão talvez esteja em um estudo feito pela consultoria Mckinsey & Company, segundo o qual a Internet representa entre 2% e 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) de Brasil, Argentina e México. O relatório mostra que se o negócio Internet fosse uma indústria, no Brasil ele seria comparável a toda a mineradora. O estudo aponta que um índice de 10% de penetração de banda larga em um país aumenta o PIB em uma média de 3,2%. As pequenas e médias empresas que utilizam internet crescem 9% mais rápido e vendem 7% mais, de acordo com o estudo. A cada ano são criadas 150 mil novas empresas relacionadas à rede na América Latina, onde as pequenas e médias empresas representam entre 20% e 35% da economia. Daí o forte impacto da Internet no crescimento econômico da região. O professor Silvio Meira destacou em artigo publicado recentemente que “a Internet funciona, não precisa de conserto”, lembrando que em pouco mais de 15 anos a rede chegou a 2 bilhões de usuários sem ajuda da UIT,

das operadoras de telecomunicações e da vasta maioria dos governos. Enfim, a rede tem assumido cada vez mais importância em nosso cotidiano e a discussão sobre seus limites e garantias chega agora com maior intensidade ao legislativo federal. O Marco Civil da Internet é uma iniciativa bastante positiva que estabelece direitos e defende princípios básicos, como a neutralidade de redes, que garante aos usuários livre acesso a conteúdos sem discriminação ou priorização por motivos políticos ou econômicos. A Abranet apoia e confia na aprovação do texto original que estabelece o Marco Civil da Internet tal como anteriormente apresentado pelo seu relator, sem novas emendas ou alterações, texto esse que reflete meses de amadurecimento e debate intenso na sociedade civil. A entidade manifestou-se publicamente neste sentido, em novembro, através de carta aberta onde defendia a liberdade de expressão e a garantia de exercício da cidadania em meios digitais. Os usuários e todas as empresas da cadeia de valor da Internet brasileira não prescindem de garantias legais para seu desenvolvimento, em um setor que fomenta inovação e eficiência para toda a economia do País. Cabe ao legislador tutelar a liberdade de expressão e os valores constitucionais, compreendendo seu real significado dentro de cada nova tecnologia. Boa Leitura! Eduardo Neger Presidente da Abranet


índice >

06 Fique por dentro

Serpro ganha status de Ponto de Interconexão IPv6

10 Artigo

iPv6: é hora de colocá-lo para funcionar

12 Entre Aspas

Windows 8 destaca interatividade; Open Source Linux conquista espaço

16 Serviços

TV para competir com as grandes

18 Infraestrutura

Gargalos e oportunidades da Internet Brasil

22 Capa

Liberdade na internet em risco

25 Sustentabilidade

Tecnologia contribuindo com o meio ambiente

26 Conexão

Fibra óptica já é realidade para pequenos provedores

30 Gestão Empresarial Segurança no trabalho evita riscos

32 Casos & Causos A logomarca e o caminhão

34 Espaço Conselho Jurídico A internet e a pólvora Conselho Editorial Eduardo Neger neger@abranet.org.br

Comercial Marcelo Augusto, Vilma Alves de Souza, Rafael Souza de Paula

José Janone Junior janone.jr@abranet.org.br

ADMINISTRATIVO Mônica Bernardo (assistente)

Gerência Executiva Roseli Ruiz Vazquez (gerente@abranet.org.br)

Projeto Gráfico e edição de arte Marcelo Max

Editora Jackeline Carvalho – MTB 12.456 jackeline@cinterativa.com.br

Impressão Intergraf Soluções Gráficas

Redação Antonio Lemos, Danielle Mota, Jackeline Carvalho, Luciana Robles, Mayra Monteiro, Marcelo Vieira Revisão Comunicação Interativa

Tiragem 3.000 exemplares Projeto, Produção e Edição Comunicação Interativa Editora contato@cinterativa.com.br Tel.: 11-3032.0262

ANOS

Associação Brasileira de Internet Rua Tabapuã, 627 - 3º Andar Itaim Bibi - São Paulo - SP CEP: 04533-012 • Tel.: 11-3078.3866 www.abranet.org.br Facebook http://www.facebook.com/abranetoficial Linkedin www.linkedin.com/abranet Twitter @abranet_brasil


Abranet > 5


Fique por dentro >

SERPRO ganha status de ponto de interconexão IPv6 Estatal assume papel na disseminação do protocolo

INTERNAUTAS BRASILEIROS SOMAM 83,4 MILHÕES 70,9 milhões acessam rede em casa ou no trabalho

S

egundo pesquisa do Ibope Nielsen Online, o Brasil alcançou o inédito número de 83,4 milhões de pessoas com acesso à internet no segundo trimestre de 2012. Explosão demográfica O número de pessoas com acesso à internet em cresceu 17% em um ano Considerados apenas acessos em casa ou local de trabalho, o número de usuários chegou a 70,9 milhões em agosto, crescimento de 16% na comparação anual. Desses 70,9 milhões de internautas com acesso doméstico ou corporativo, 50,7 milhões foram usuárias ativas em agosto, aumento de 5% sobre julho e 13% frente a agosto de 2011. O número de pessoas com acesso em residências apresentou maior crescimento, 17% em um ano.

6 < Abranet

O

Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) elevou Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) ao grau de Ponto de Interconexão IPv6. Isto significa que, além de estar compatível com o novo protocolo, a estatal assume papel ativo na disseminação e crescimento do tráfego da nova versão do protocolo no País. O serviço se tornou possível graças à adaptação da infraestrutura de fibras óticas da Infovia Brasília, realizada em parceria com Telebras e com o Ministério do Planejamento. A evolução permitiu que o ponto de troca de tráfego do NIC.br, em Brasília, fosse construído sobre uma malha de fibras óticas de alta capacidade. Desde 2010, o Serpro suporta a publicação de conteúdo web em IPv6. Agora os clientes da empresa poderão acessar a internet pelo novo protocolo, tanto para divulgar conteúdos, portais e aplicações, como também para fornecer acesso aos usuários.

PROVEDORES COMEMORAM MEDIDAS DE COMBATE A SPAM Gerência de Porta 25 entra em última etapa s provedores de internet que prestam serviços de emails e O as respectivas associações comemoram o anúncio da última etapa das medidas para a implementação da Gerência de Porta 25. A implementação destas medidas deve reduzir o número de spam enviado a partir de máquinas zumbis de usuários brasileiros. Estima-se que 30% dos computadores residenciais com acesso à internet no País estejam infectados com algum tipo de malware/vírus Desde 2005 os provedores de internet e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) trabalham na iniciativa, que ganhou adesão das operadoras de telecomunicações em novembro de 2011, quando foi celebrado um acordo entre o CGI.br, a Anatel, as Associações de Provedores de Internet, operadoras de telecomunicações, Ministério Publico e órgãos de defesa do consumidor. Na última fase do processo, as operadoras de telecomunicações se comprometeram a concluir sua parte até o fim deste ano.


Empresas de internet ocupam 3° lugar em fusões e aquisições Foram 19 transações no terceiro trimestre de 2012

A

Banda larga móvel desafia operadoras da América Latina Redes de acesso e transporte são principais gargalos do setor relatório “Acelerando a Banda Larga Móvel nas Américas”, O divulgado pela 4G Americas, aponta que as redes de acesso e transporte estão entre as principais barreiras do setor de telecomunicações das Américas, principalmente na América Latina. Para a associação, a instalação de infraestrutura (questões administrativas, regulatórias, financeiras, logísticas e técnicas), geralmente enfrentadas pelas operadoras móveis, devem ser vencidas antes de se acelerar a adoção do serviço móvel no continente; e, em relação à rede de acesso via rádio (RAN), o relatório afirma que espectro, localização de células e capacidade, outorgas de licenças, permissões e autorizações, e preocupações sociais a respeito dos efeitos de emissões radiofrequência (RF) dificultam a implementação acelerada do serviço. O estudo ainda afirma que é preciso implantar fibra ótica para o roteamento de tráfego em redes de acesso, e destaca a cobertura em regiões rurais e remotas, segurança de rede e licenças como questões desafiadoras para MNOs (operadoras de rede móveis). Para Erasmo Rojas, diretor da 4G Americas para a América Latina e Caribe, o desafio das telcos na América Latina é oferecer cobertura e serviços de qualidade. Segundo o relatório, os governos e reguladores devem identificar melhores práticas e garantir que a adoção da banda larga móvel tenha um impacto positivo no crescimento econômico.

s fusões e aquisições entre empresas de internet totalizaram 19 transações no terceiro trimestre de 2012, sendo o terceiro segmento que mais concentrou operações no período. Os dados constam da Pesquisa de Fusões e Aquisições realizada trimestralmente pela KPMG. Durante o ano, o setor de empresas de internet soma 47 transações, número 147% maior em relação aos nove primeiros semestres de 2011, quando foram feitas 19 fusões e aquisições. “O setor começou a ser destacado em nossa pesquisa a partir deste ano”, diz Luis Motta, sócio-líder da área de fusões e aquisições da KPMG no Brasil. “Acreditamos ainda que a tendência seja de alta para os próximos meses, uma vez que têm surgido diversas plataformas virtuais de negócios para microcomputadores, tablets e smartphones, que têm demandado uma série de investimentos de empresas e fundos de venture capital.” Abranet > 7


Fique por dentro >

IPTV deve crescer 4%

no Brasil até 2017

Operadoras de telecom podem impulsionar crescimento

U

m estudo conduzido pelo Dataxis forecasts sobre o cenário das IPTVs no Brasil em 2017 mostra que a partir de 2012 o número de assinantes saltará de 0,2% para 4%, e o País pode ter 3,9 milhões de novos assinantes, sendo 9,1% do segmento de TV paga. A análise mostra que boa parte das ofertas pode surgir

das principais operadoras de telecomunicações, que já enxergam na plataforma de TV paga a oportunidade de manter os clientes de banda larga e capturar maiores receitas a partir da oferta segmentada. Os pequenos provedores localizados no interior do País e conhecidos como “operadores de 200 ISP”

também deverão crescer no segmento de TV por assinatura. O estudo mostra que a tendência é que eles busquem oportunidade de atuar com serviços de TV paga, a partir da implantação da rede de FTTH. Com isso, será possível lançar os próprios serviços “Triple Play” e minimizar a concorrência com as grandes operadoras.

Tudo nas

informações armazenadas fora de seus firewalls, considerando dispositivos móveis e laptops. Em alguns países, esse número é ainda maior, como na Índia (83%), China e Cingapura (60%). Segundo a empresa, as novas tecnologias e a dispersão dos dados apresentam benefícios claros. Mas, mais de um quarto das empresas entrevistadas tiveram de enfrentar desafios decorrentes disso. A exposição de informações confidenciais como resultado da perda ou roubo de dispositivos móveis, por exemplo, foi apontada por mais de um terço das empresas. Outros problemas surgem da incapacidade de encontrar o que é necessário: uma grande proporção das informações está desorganizada ou difícil de ser localizada. E mesmo dentro

do firewall, o espaço utilizado é de apenas 31%, caindo ainda mais fora do data center.

nuvens

País está acima da média no uso de cloud computing

A

Symantec lançou, pela primeira vez na América Latina, o Índice de Informações Digitais. O estudo analisa o impacto da computação em nuvem e da mobilidade sobre as empresas atuais. Globalmente, quase metade (46%) das informações de uma organização estão armazenadas fora do data center próprio. Com 53%, as pequenas e médias empresas (PMEs) superam as grandes nas

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Impacto O aumento drástico no uso de dispositivos móveis está contribuindo para a dispersão das informações, segundo a Symantec. Smartphones e tablets armazenam informações das empresas de todos os portes e em nível global. No caso das grandes empresas, esse índice corresponde a 14%, contra 11% para as PMEs. O número é muito mais alto em determinados países, como Índia (62%), Austrália e Nova Zelândia (46%), Itália (38%) e Brasil (21%).


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artigo > Antonio M. Moreiras

IPv6: é hora de colocá-lo

para funcionar O

protocolo que usamos na Internet desde 1983, o IPv4, esgotou sua capacidade. Não há mais endereços livres para a expansão da rede. Por isso, foi desenvolvida a nova geração do IP: o IPv6. Estamos todos já envolvidos há algum tempo com essa transição. Se não tomarmos cuidado nesse processo, em especial com a lentidão na implantação do IPv6, e com o uso do NAT444, podemos acabar com a Internet. Obviamente a rede que restaria ainda seria chamada de Internet, mas não seria como a conhecemos hoje. Seria pior: fragmentada, cada um dos fragmentos possivelmente controlado por um grande provedor de trânsito ou operadora de telecomunicações, pouco propícia à inovação, pouco atraente para novos entrantes. Possivelmente a Internet das Coisas, e outros avanços com os quais nem sonhamos ainda, não terão a oportunidade de realmente se desenvolver nesse ambiente hipotético. Implante o IPv6. Leve esse assunto a sério. Isso tem de ser feito agora. Não espere seu vizinho. Não espere que uma aplicação mágica apareça para tornar a implantação do IPv6 o melhor negócio do mundo para você, isso não acontecerá.Você precisa do IPv6 para garantir a continuidade do seu negócio.Todos nós precisamos dele para garantir a continuidade da Internet. Pare de esperar uma solução externa e encontre uma forma de fechar a conta: o usuário não aceitará pagar mais, nem pedirá o suporte a IPv6, mas ele precisa disso! Precisa, mesmo! Capacite sua equipe técnica. O NIC.br pode ajudar com material didático, eventos e treinamentos gratuitos (disponíveis em http://ipv6.br). Oferecemos e-learning, apostilas teóricas e práticas, laboratórios virtuais e cursos presenciais.Visite a

10 < Abranet

página Web e entre em contato, se precisar, via ipv6@nic.br. Os provedores de trânsito têm de estar preparados para oferecer IPv6, caso contrário os outros participantes da cadeia não poderão fazer nada. Os provedores de serviços e conteúdo têm de implantar o IPv6 mesmo antes que os usuários tenham acesso a IPv6. Não verão tráfego no início. Dessa forma toda a questão do uso de compartilhamento IPv4 e riscos inerentes fica minimizada. Se o conteúdo estiver em IPv6 o compartilhamento de IPv4 não é necessário. Devem também fazer o log das portas de origem IPv4, caso já façam logs dos IPs. Os provedores de acesso precisam entrar em acordo com os fabricantes de CPEs e começar desde já uma transição gradual. Não é necessário que usuários existentes sejam migrados para o IPv6 imediatamente, mas é necessária e urgente uma solução para os novos usuários. É hora de colocar o IPv6 para funcionar. De verdade. >Antonio M. Moreiras é engenheiro eletricista (1999) e mestre em engenharia (2004) pela POLI/USP, com MBA em pela UFRJ (2008) e especializações em Governança da Internet pela Diplo Foundation (2009) e South School of Internet Governance (2010). Trabalha no NIC.br, braço executivo do Comitê Gestor da Internet no Brasil, onde coordena o IPv6.br


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© Copyright 2012 Hewlett-Packard Development Company, L.P. As informações contidas neste documento estão sujeitas a alterações sem aviso. As únicas garantias para produtos e serviços Abranetadicional. > 11 HP são as estabelecidas nas declarações de garantia expressa que acompanham tais produtos e serviços. Nada aqui contido deve ser interpretado como constituindo garantia A HP não se responsabiliza por omissões, erros técnicos ou erros editoriais contidos neste documento. A Intel e o logotipo da Intel são marcas comerciais da Intel Corporation nos EUA e/ou em outros países.


entre aspas >

Conectividade ganha

peso no novo sistema operacional da Microsoft interface do Windows 8 permite maior integração com serviços online. Meta DA MICROSOFT É entrar de vez no mercado de dispositivos móveis A gerente geral de Windows da Microsoft Brasil, Priscyla Alves, apresenta a nova interface do sistema operacional.

S

egundo a Net Applications, 92% dos computadores pessoais do mundo rodam alguma das várias versões do Windows – em outubro, 42,76% desse total usavam a versão 7 do sistema. Mesmo com esse predomínio nos computadores de mesa, sobram motivos para a Microsoft temer pelo futuro de seu principal produto. Apenas em 2012 a previsão é de que 821 milhões de tablets e telefones inteligentes sejam comercializados em todo o mundo, segundo o Gartner. O receio justifica o lançamento da mais nova versão do sistema operacional, o Windows 8. O sistema traz, entre as mudanças, principalmente as telas sensíveis ao toque e aos dispositivos móveis inteligentes. O maior atrativo do novo Windows é a interface Metro, que deixa de lado a velha área de trabalho e

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a substitui (mas sem abandonála) por uma série de quadrados e retângulos coloridos, com conteúdo dinâmico, e que seguem o modelo de aplicativos, os populares apps. O objetivo da Microsoft foi tornar esta interface unificada para qualquer dispositivo, ou seja, a mesma em computadores de mesa, notebooks, ultrabooks, tablets e smartphones.“Não importa se você quer um tablet, notebook ou desktop, se deseja consumir ou criar conteúdo, trabalhar ou se divertir. O Windows 8 entrega uma experiência completa e personalizável”, disse Priscyla Alves, gerente geral de Windows da Microsoft Brasil. Conectividade Se ter um sistema conectado à internet era importante nas versões anteriores do sistema operacional, no Windows 8 essa

capacidade beira o fundamental. Embora seja possível utilizá-lo em modo offline sem maiores problemas, essa opção priva o usuário de uma série de regalias. Os próprios quadrados e retângulos que formam a interface Metro, por exemplo, podem ser atualizados com informações de redes sociais ou sites de notícia, entre outros. O sistema de aplicativos, comum nos sistemas operacionais móveis, depende de uma conexão para que o usuário possa procurar e baixar apps na Windows Store. Outra novidade é a possibilidade de compartilhar informações nas redes sociais ou por email com apenas um clique. É possível ainda manter o Windows 8 conectado na nuvem em tempo integral via SkyDrive, possibilitando o acesso aos arquivos a partir de qualquer dispositivo ou navegador.


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Softwares Livres:

o caminho para gestão emti John Maddog, o “cara da Linux”, fala à REVISTA Abranet sobre o processo de aprendizagem em TI com softwares livres, efetivos também ADMINISTRAÇÃO DOS NEGÓCIOS

S

e pensam que sou comunista e que não é possível ganhar dinheiro com softwares livres, estão enganados. Sou capitalista e é possível ganhar dinheiro”. Foi assim que John Maddog, diretor executivo da Linux, iniciou sua palestra durante o Futurecom, no Rio de Janeiro, desmistificando a ideia de que sistemas abertos não permitem gestão de negócios. Em entrevista exclusiva à Revista da Abranet, ele fala sobre a efetividade dos softwares nos processos de aprendizagem e, consequentemente, gestão. ABRANET: Como o senhor avalia os softwares fechados? JOHN MADDOG: Antigamente, dados e programas eram gerenciados por “administradores de sistemas” e os usuários não precisavam se preocupar com vírus, spams e ameaças. Mas, em 1977, os senhores Bill Gates e Steve Jobs criaram seus sistemas operacionais e disseram: boa sorte! E todos se tornaram administradores dos próprios sistemas, que exigem mais treinamento das pessoas. Com isso, 1,5 bilhão de desktops são jogados fora e perdemos

14 < Abranet

cerca de R$ 7,5 bilhões em equipamentos diariamente, pois os computadores não funcionam como deveriam e não conseguimos consertar coisas simples. ABRANET: O senhor acredita que os softwares livres podem ser a saída para resolvermos boa parte dos problemas de TI? JOHN MADDOG: Sim, mas na mente de muitos os softwares livres não são seguros, porque permitem enxergar as “brechas”. Apenas a manutenção permite segurança, por isso é preciso ver como ele funciona, diferente do que acontece com os sistemas fechados. Com o sistema aberto, é possível escolher entre deixar o sistema do jeito que veio ou não. ABRANET: Os softwares livres são eficientes para a educação em tecnologia? JOHN MADDOG: Não apenas os softwares, mas os hardwares livres permitem que os profissionais possam chegar lá de maneira rápida. Para os jovens, a aprendizagem em TI é mais efetiva se começarem a programar em sistemas abertos.

ABRANET: Como o projeto Cauã auxilia nesse processo educativo em tecnologia? JOHN MADDOG: Minha ideia é formar novos administradores de sistemas e fazer com que computadores se tornem equipamentos simples. Já tenho visto sucesso desse projeto no Brasil, pois temos “alunos” que ganham dinheiro com o próprio sistema.

Não apenas os softwares, mas os hardwares livres, permitem que os profissionais possam atingir seus objetivos de maneira rápida


serviços >

TV para competir

com as grandes

Provedores apostam em ofertas de triple play para conquistar novos clientes

O

fertas de triple play - que unem, em pacotes unificados e com descontos, serviços de telefonia, banda larga e TV por assinatura - se transformaram em um desafio para os provedores de internet.A regulamentação da Lei 12.485/2011 abriu o mercado para as grandes operadoras de telecom, que nos últimos meses passaram a lançar ofertas agressivas de TV para aumentar o número de clientes. Assim, para os pequenos provedores, aumentar o portfólio passou a ser questão de sobrevivência. Mas como oferecer esse serviço? Embora já existam soluções no mercado, a maioria delas atende a grandes operadoras, e ainda restariam detalhes técnicos e riscos regulatórios para os provedores se preocuparem. Por isso houve tanto interesse quando a WDC Networks e a Algar Telecom anunciaram o ISP TV, solução de TV por assinatura voltada para pequenos provedores regionais. “Quando oVanderlei Rigatieri (diretor geral da WDC) começou a Expedição WDC/Abranet, alguns provedores disseram que perdiam até 40% dos assinantes quando uma operadora chegava à

16 < Abranet

cidade com uma oferta de triple play”, conta a gerente comercial para o ISP TV, Renata Toledo. “As grandes operadoras estão batendo cada vez mais forte na oferta conjunta e o provedor que estiver desatento vai ficar fora do mercado”. Expansão Desde o lançamento, 566 provedores manifestaram interesse pelo ISP TV, número bem acima da expectativa inicial da WDC de 100 empresas. Por enquanto apenas três participam da fase de adequação e testes: a Gigalink, de Nova Friburgo (RJ), a BitCom, de Caxias do Sul (RS) e a iSuper, de Maringá (PR). “Estamos em fase de adequação do projeto”, explica Renata.“Isso leva tempo, porque precisamos testar desde a parte de ativação dos assinantes no satélite até o sistema de faturamento”.A WDC e a Algar esperam ampliar o piloto a partir de dezembro.

Segundo a WDC, o número inicial de atendimento pelos provedores com ISP TV é de aproximadamente 150 assinantes. Apesar de baixo, a amostra é considerada suficiente para a atual fase do projeto.“Nós percebemos que os provedores não têm conhecimento da própria base de clientes no que diz respeito à TV paga, porque eles nunca ofereceram esse serviço”, explica Renata.“É um território completamente novo”. Assim, só agora os provedores começam a pesquisar a própria base de clientes e a adquirir a experiência necessária para oferecer o serviço. Entre


O provedor vai precisar oferecer mais que internet Renata de Toledo, da isp tv os preparativos estão planos de abordagem do cliente, capacitação dos vendedores, desenvolvimento de uma estratégia de marketing etc.“O ISPTV tem muitos detalhes”, pondera o diretor da WDC,Vanderlei Rigatieri. “Temos que atender todas as exigências dos órgãos regulatórios e também capacitar cada ISP para vender TV e instalar.” Apesar do esforço das empresas no desenvolvimento da solução, alguns provedores interessados “estão ficando frustrados em aguardar esse prazo”, admite Renata.“Eles estavam imaginando que iam se cadastrar e sair vendendo TV, mas não é assim. O projeto está andando, funcionando, mas tem prazos.” Após a formatação dos pacotes de serviço, incluindo treinamento técnico, comercial, homologação de cobrança e toda a parte de marketing, a implantação do ISP TV deve ganhar fôlego. “Quando apresentamos o projeto, os provedores ficaram muito ansiosos.Tenho encontrado muitos deles buscando alguma

solução.TV por assinatura é uma necessidade, pois o provedor vai precisar oferecer mais que apenas internet”, pondera Renata. Clientes e tecnologias A Gigalink, de Nova Friburgo, foi o primeiro provedor a implementar o serviço de TV por assinatura, via ISP TV, na casa de um cliente final. O usuário já possuía um serviço de assinatura local (cabo) e optou pelo novo serviço movido pela oferta maior de canais.A cliente Maria Elfrida adquiriu um plano com 87 canais. As expectativas da Gigalink com o novo serviço são otimistas: pretende, em dois anos, conquistar três mil novos clientes entre os pouco mais de 180 mil habitantes do município. Segundo a WDC, por enquanto o serviço de TV por assinatura dentro do ISP TV pode ser oferecido apenas no padrão DTH (satélite), mas o suporte a outras tecnologias, como fibra óptica e cabo, está sendo desenvolvido. “Esses padrões vão conviver, porque em uma região com maior concentração de clientes o provedor deve investir em cabo. Clientes com poder aquisitivo mais alto terão fibra, e aqueles localizados em pontos mais remotos continuarão sendo atendidos com DTH”, explica a gerente do ISP TV.


infraestrutura >

Gargalos e oportunidades da Internet Brasil Infraestrutura, crimes virtuais e spams impactam fortemente os negócios do setor Abranet realizou, no Rio A de Janeiro o pré-evento da Futurecom, em outubro, reunindo especialistas e uma plateia formada por provedores de internet no seminário “Os desafios e Oportunidades para os provedores de Internet SVA e SCM”. O Brasil conta hoje com 6,5 mil empresas de conteúdo e comércio eletrônico, 4,5 mil provedores de banda larga e 85 mil empresários empreendedores, a maior parte micro e pequenas empresas que levam a conectividade a 5,5 mil municípios brasileiros. Segundo Eduardo Neger, presidente da Abranet, há mais de 3 mil licenças SCM (serviço de comunicação multimídia) que podem ser usadas para quem quer construir rede para provimento de acesso pela falta de infraestrutura de telecomunicações para prestar serviços. “Os provedores acabam tendo um duplo papel: atuar como provedor de infraestrutura e provedor de acesso à internet. Se todos os provedores fossem 18 < Abranet

somados seriam a quarta maior empresa de telecomunicações do país. As oportunidades são enormes pois, embora 50% da população brasileira não tenha acesso à rede, os que têm fazem com que o País seja o primeiro em tempo de conexão online. E a população prefere o conteúdo local”, destaca Neger. Entre os gargalos a serem enfrentados pelos provedores, Neger destaca a escassez

Os provedores poderão vender capacidade de rede Wi-Fi para as operadoras. Há ainda oportunidades de nichos como serviços na nuvem e Software as a Service (SaaS) Eduardo Neger, presidente da Abranet

da infraestrutura de telecomunicações, modalidade da qual os serviços de internet. Outro desafio é a carga tributária imposta ao setor, o que pode inviabilizar a manutenção e atração dos grandes data centers. Pavimentação Mas há pontos positivos como o incentivo à pesquisa e à inovação que tem gerado inúmeras start-ups na área de internet. Como oportunidade na área de infraestrutura, Neger cita a oferta de serviços de redes Wi-Fi como contingência às 3G e 4G das operadoras, o chamado Wi-Fi off load, que é usado para o tráfego móvel.“Os provedores poderão vender capacidade de rede Wi-Fi para as operadoras”, diz Neger. Na lista de oportunidades estão também alguns nichos de atuação, como a oferta de serviços baseados em cloud computing (nuvem) e Software as a Service (SaaS). Como melhoria de serviço para o provedor de internet, Antonio Galvão Resende Filho, porta voz do Nic.Br, destaca o programa PTT Metro, conduzido pelo Comitê Gestor da Internet, e que deve atingir 23 cidades até o final do ano.“Já temos uma listas de 35 localidades candidatas em avaliação. Hoje já temos 550 participantes”, destaca,


O regulamento de qualidade introduziu o conceito de prestadora de pequeno porte que, com até 50 mil assinantes, não precisa se enquadrar nas obrigações de que trata o regulamento Alan Silva Faria, do escritório Silva Vitor acrescentando que e o projeto traz inúmeras vantagens, como a neutralidade de rede, a qualidade do serviço e o fato de estimular que o tráfego seja gerado no próprio local. Criado em 2004, o PTT é uma matriz de troca de tráfego com topologia em estrela. O PTT

Não há custo para o provedor se conectar ao PTT. A empresa só tem que chegar ao ponto de troca de tráfego. São Paulo responde por 50% do tráfego da rede, com 30 pontos de interconexão. E cidades como Americana e Campinas viabilizaram seus PTTs por meio de iniciativas locais. “Há duas modalidades de troca de tráfego: multilateral, com todos os provedores falando entre si; ou bilateral que viabiliza parcerias como venda de trânsito, back-up, storage, entre outros serviços”, explica Rezende. Direitos e deveres Durante o evento, também foram debatidos os impactos das novas resoluções expedidas pela Anatel em face das prestadoras dos serviços de comunicação multimídia. Alan Silva Faria, do escritório Silva Vitor, especializado em empresas de tecnologia, fez uma análise das inovações, que abrangem os regulamentos de Qualidade do SCM, de Aplicação de Sanções Administrativas, de Fiscalização Online, de Exploração Industrial

As operadoras já perceberam que as redes 3G e 4G não vão dar conta da demanda e estão adotando o chamado Wi-Fi off load para desafogar o tráfego móvel Metro tem por objetivo construir pontos de troca de tráfego para facilitar a interconexão entre empresas. Hoje já conta com 20 cidades e deve somar três até o final do ano.

de Linha Dedicada, e a proposta de alteração do Regimento Interno da Anatel. O regulamento de qualidade introduziu o conceito de prestadora de pequeno porte

que, com até 50 mil assinantes, não precisa se enquadrar nas obrigações de que trata o regulamento. Já a resolução 589 de Aplicação de Sanções Administrativas, trouxe como inovação a possibilidade de assinatura de termo de ajustamento de conduta. A medida cautelar terá status de processo administrativo e pode ser aplicada nos casos de risco iminente. O novo regulamento introduziu ainda o conceito de Má Fé, no caso de descumprimento de dispositivo de lei, regimentos e súmulas.Trata-se, segundo Faria, de um critério subjetivo da Anatel e que, para complicar, pode penalizar a empresa e o administrador. Mas trás benefícios como a redução da multa em 90%, se houver reparação do ato antes da fiscalização; de 50%, se for feita a reparação após a fiscalização; e de 10% se houver confissão do infrator.

MAPA DOS EMPREENDEDORES

6,5 mil

empresas de conteúdo e comércio eletrônico

4,5 mil

provedores de banda larga

85 mil

empresários empreendedores

3 mil

licenças SCM disponíveis


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Liberdade da

Internet em risco Freqüentes adiamentos da votação do Marco Civil da internet revela diversificação de interesses em relação à web m uma palavra: difícil. Assim E pode ser descrito o processo de tramitação do projeto do Marco Civil da Internet na Câmara dos Deputados, que apesar do esforço do governo – e do relator, deputado Alessandro Molon (PT/RJ) – pode acabar sendo votado apenas em 2013. Desde que o texto formulado pela Comissão Especial do Marco Civil chegou ao plenário, a votação foi adiada seis vezes. Segundo o presidente da Casa, Marco Maia (PT/RS), não há acordo entre os partidos para que a proposta seja aprovada. O Marco Civil tem a intenção de ser uma espécie de “constituição da internet” ao definir direitos e deveres de provedores e usuários 20 < Abranet

da web no País. O maior entrave para a aprovação do projeto está no artigo que trata da neutralidade - princípio que estabelece tratamento isonômico para qualquer pacote trafegado, independente de conteúdo, emissor ou receptor. Para os críticos da neutralidade, ele viola regras de livre mercado

e prejudica a concorrência entre os provedores. Para os defensores, ele evita que as empresas de internet cobrem tarifas adicionais de geradores de conteúdo que busquem obter vantagens. Este impasse, no entanto, pode inviabilizar a votação por um bom tempo. Com o início da apreciação da Reforma Política -


que chama muito mais a atenção dos deputados –, e com a troca da presidência da Casa em 2013, a votação do Marco Civil passa a depender da vontade política de um novo líder. Outro ponto combatido pelas detentoras de rede é a proibição para que as operadoras guardem logs de navegação dos internautas, que no projeto só é permitida aos provedores de conteúdo. A Abranet publicou uma carta aberta criticando o Marco Civil da Internet. A mensagem salienta a preocupação da entidade frente às propostas de modificação do texto inicial. A carta afirma que a retirada ou alteração do artigo 15, assim como o inserção do artigo segundo,  “que limita a proteção

CARTA ABERTA ABRANET A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INTERNET – ABRANET vem a público manifestar sua preocupação com as recentes propostas de alteração do Marco Civil da Internet, que distorcem o projeto inicial e, em última instância, colocam em risco direitos constitucionais de livre expressão dos usuários brasileiros de internet. A ABRANET entende que a retirada ou alteração do artigo 15 desfigura de maneira indelével o Projeto de Lei do Marco Civil da Internet. Tal dispositivo trata da garantia de que o usuário da Internet não sofrerá remoção indiscriminada de conteúdos postados sem a apreciação pelo Poder Judiciário. Hoje, provedores de internet são responsáveis pelo conteúdo original que produzem. No caso de conteúdos (textos, vídeos, fotos, etc) publicados por usuários comuns, cabe ao provedor receber eventuais notificações extrajudiciais e remover material nitidamente impróprio. Isso já acontece em casos de pedofilia ou conteúdos cuja propriedade de terceiros é claramente identificada. Em caso de dúvida, os provedores aguardam e acatam decisão da Justiça. A ABRANET entende que não compete ao provedor decidir sobre eventuais celeumas a respeito de todos os milhões de conteúdos veiculados em sua plataforma. As modificações no artigo 15, sugeridas no apagar das luzes, minutos antes da votação do Projeto, impõem aos provedores a retirada de conteúdos após a mera notificação de um terceiro, sob pena de tornar-se responsável por um conteúdo que não produziu. É evidente que, pelo temor de assumir ônus financeiro de terceiros, os provedores terão que remover conteúdos em número muito maior do que fazem hoje. E, ainda assim, passam a ser responsáveis por reclamações dos que tiverem seus conteúdos removidos. Na prática, as alterações no artigo 15 conferem a uma simples notificação a força de uma decisão judicial, um desrespeito à Justiça, ao Direito e à Constituição do Brasil. Coloca-se em risco a liberdade de expressão e a garantia de exercício da cidadania em meios digitais. A nova redação proposta, com a inserção de um parágrafo segundo que limita a proteção do usuário contra remoção indiscriminada de conteúdos, seguramente importará em casos de censura, sendo por essa razão absolutamente inconstitucional e atentatória à liberdade digital. Por tais motivos, a Abranet afirma sua confiança na aprovação do texto original que estabelece o Marco Civil da Internet tal como anteriormente apresentado pelo seu relator, texto esse que reflete meses de amadurecimento e debate intenso na sociedade civil. Por fim, a Abranet reitera sua posição favorável ao principio da neutralidade de redes, e repudia qualquer intenção de controle da Internet, priorização ou relativização do principio, por motivos políticos e econômicos principalmente.

Não há acordo entre os partidos para que a proposta seja aprovada Marco Maia (PT/RS), presidente da Câmara dos Deputados

do usuário contra remoção indiscriminada de conteúdos”, resultarão em censura, tornando o Marco Civil da Internet “inconstitucional e atentatória à liberdade digital.” O presidente da entidade, Eduardo Neger, lamentou o adiamento da votação do Marco

Civil. Para ele, sem as regras, iniciativas de inovação, como desenvolvimento de aplicativos, deverão ser adiadas no Brasil. “Nós acompanhamos todo o debate sobre o projeto e continuaremos a fazer tudo que estiver ao nosso alcance para que seja aprovado”, disse. Abranet > 21


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Agora é lei

Cibercrimes passam a ser punidos com rigor

A

 presidente da República, Dilma Rousseff sancionou, em dezembro de 2012, duas leis que tratam dos crimes cometidos pela internet. Os textos entrarão em vigor em 120 dias, a contar da data de suas publicações no Diário Oficial da União, ocorrida no dia 03. Apelidada de Lei Carolina Dieckmann – em alusão à cópia indevida de fotos íntimas da atriz, a Lei dos Crimes Cibernéticos (12.737/2012) tipifica como crimes infrações relacionadas ao meio eletrônico, como invadir computadores, violar dados de usuários ou “derrubar” sites. O texto já era reivindicado

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pelo sistema financeiro, dada a quantidade de golpes aplicados pela internet. A nova lei altera o Código Penal (Decreto-Lei 2.848/1940) para tipificar como crime uma série de delitos cibernéticos. Entre elas, a violação indevida de equipamentos e sistemas conectados ou não à rede de computadores com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização do titular, ou ainda para instalar vulnerabilidades. Os crimes menos graves, como “invasão de dispositivo informático”, podem ser punidos com prisão de três

meses a um ano, além de multa. Condutas mais danosas, como obter pela invasão conteúdo de “comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas” podem ter pena de seis meses a dois anos de prisão, além de multa. O mesmo ocorre se o delito envolver a divulgação, comercialização ou transmissão a terceiros, por meio de venda ou repasse gratuito, do material obtido com a invasão. A lei prevê ainda o aumento das penas de um sexto a um terço se a invasão causar prejuízo econômico e de um


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a dois terços, no caso de uso indevido de documentos. As penas também poderão ser aumentadas de um terço à metade se o crime for praticado contra o presidente da República, presidentes do Supremo Tribunal Federal, da Câmara, do Senado, de assembleias e câmaras legislativas, de câmaras municipais ou dirigentes máximos “da administração direta e indireta federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal”. Serviço de inteligência A disseminação de vírus de computador ou códigos maliciosos para roubo de senhas também poderá ser punida com prisão de três meses a um ano e multa. Dilma Rousseff sancionou ainda a Lei 12.735/2012, originada do PLC 89/2003. Entretanto, a presidente da República vetou a maior parte da proposta, que era bem detalhada ao também tratar dos crimes cibernéticos. Com o veto, restou à nova norma instituir que órgãos da polícia judiciária - as polícias civis dos estados e do DF - deverão estruturar “setores e equipes especializadas no combate à ação delituosa em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado”. À época da sanção, o deputado federal Eduardo Azeredo 24 < Abranet

(PSDB-MG) criticou os vetos da presidenta Dilma Rousseff à Lei 12.735/2012, cujo projeto (84/99) é de sua autoria. Para ele, a remoção de um artigo do texto da lei soa como uma incoerência do Governo Federal. “No caso de um dos artigos, não chego a considerar um veto porque ele foi repetido no outro projeto sobre crimes cibernéticos, embora houvesse um acordo para que o veto se desse lá. Mas na questão militar, acho que houve uma incoerência do governo. Foi um artigo pedido pelo Ministério da Defesa”, relata o parlamentar. Questão militar O primeiro artigo vetado da Lei 12.735/2012, que equipara cartões de crédito e de débito a documentos particulares e tipifica a clonagem como crime, punido com as mesmas penas, já havia sido incluído na Lei 12.737/12. Entretanto, o descontentamento de Azeredo fica por conta de outro item vetado, que considerava traição a destruição ou entrega de “dados eletrônicos” ao inimigo. Para a Presidência, “a amplitude do conceito de dado eletrônico como elemento de ação militar torna o tipo penal demasiado abrangente, inviabilizando a determinação exata de incidência da norma proibitiva”. Para o parlamentar mineiro, apesar de o Brasil não ser

apontado como um país em que guerras virtuais são um perigo iminente, é importante usar tal possibilidade para atualizar as leis. Originalmente, o projeto de lei (PL) 84/99 contava com 23 artigos, mas, após anos de discussão e polêmica que levaram o PL a ser apelidado de “AI-5 digital” (em referência ao Ato Institucional número 5, outorgado durante a última ditadura militar brasileira), o próprio Azeredo eliminou 17 artigos do texto. Após os vetos da presidência da República, a lei passa apenas a prever a cessação de transmissões eletrônicas que promovam racismo e a determinar a organização da polícia para o combate de crimes virtuais.


sustentabilidade > por Nilson Ramalho

Tecnologia contribuindo

A

com o meio ambiente

s palavras de ordem no mundo da tecnologia hoje é “preservação dos recursos naturais”. E com a Internet, houve uma ruptura no modelo das comunicações tradicionais e limitadas, eliminando barreiras geográficas, raciais, culturais e socioeconômicas, permitindo, assim, que campanhas que antes eram isoladas, e eventos promovidos para conscientização da necessidade da preservação dos recursos naturais chegassem mais longe e atraísse mais adeptos a esta causa. A internet vem provando ao longo do tempo que pode mais e aqueles que aproveitam todo o seu potencial têm alcançado ótimos resultados na disseminação de informação sobre sustentabilidade. Além disso, com a Internet, mais pessoas puderam participar de debates, discussão sobre temas relevantes da sociedade, com a aproximação de todas as classes para responder uma pergunta: como utilizar a tecnologia, que avança de forma esmagadora e contundente, em prol do bem estar do meio ambiente, utilizando a mesma força do avanço para preservar os recursos naturais? É fato que não há uma cartilha com regras que atenderá e contribuirá com todas as expectativas, mas há melhores práticas do uso da tecnologia que, certamente, ao serem adotadas serão decisivas para responder a esta pergunta. As empresas que já têm como premissa a preservação dos recursos naturais adotaram tecnologias de virtualização, que ajudam a reduzir de forma significativa o consumo de energia elétrica, pois, ao lugar de fazer a instalação de servidores físicos, fazem a implantação de servidores virtuais, que vão oferecer os mesmos recursos tecnológicos,

porém, com menor consumo de energia elétrica. Outra forma que a tecnologia ajuda a reduzir o uso do papel a fim de preservar os recursos naturais é a utilização de bibliotecas virtuais, onde manuseio e armazeno meus livros no formado digital, os chamados eBooks, “eletronic book”. Já para as empresas, há uma conscientização da não impressão, onde há uma prática na adoção de sistemas de Gerenciamento Eletrônico de Documentos (GED), a fim de organizar documentos e reduzir impressão, bem como outras tecnologias de formulários eletrônicos que permitem um mesmo documento a transitar por todas as áreas da empresa, sem uma única impressão. O governo também procura incentivar em todas as áreas o uso de documentos digitais com a NF-e, que nasce com a finalidade de racionalização de custos e carga de trabalho, contribuindo para não impressão. Estas tecnologias, além de ajudarem significativamente o meio ambiente na economia e preservação de recursos naturais, agrega valor para as empresas, pois permitem colaboração online com agilidade, facilitando os processos organizacionais, otimizando recursos, elevando a comunicação, e assim aumentando a produtividade da organização. Com adoção dos recursos Tecnológicos e uma visão comprometida com a preservação de recursos naturais, o meio ambiente agradece, pois tomaremos ações contributivas para este tema e continuaremos a crescer de forma sustentável. > Nilson Ramalho é gerente de TI da Faculdade Impacta Tecnologia Abranet > 25


conexão >

VIPWAY

contrata plataforma de telefonia do

VoIP Group A

VIPWAY Telecom provedor de internet sediado em Santos (SP) – contratou, junto ao VoIP Group, 1 milhão de minutos de telefonia do serviço VSC (Virtual Service Controller). Com este movimento, a empresa consolida o processamento feito até então por 14 servidores em apenas duas máquinas principais e outras duas de redundância, usando as soluções do pacote VSC – enginee, banco de dados e conexão à web. A VIPWAY possui operação em sete cidades - São Paulo (SP), Santos (SP), Ribeirão Preto (SP), Sertãozinho (SP), São Sebastião do Paraiso (MG), Belo Horizonte (MG) e Goiania (GO), além da VIPWAY America Corp, em Miami (Florida, EUA). O

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Com novo sistema, provedor da baixada santista consolida servidores e amplia capacidade de gestão DOS SERVIÇOS

contrato com o VoIP Group prevê que toda a infraestrutura de telefonia da empresa seja migrada para o novo ambiente. Com o VSC, a VIPWAY gerenciará a numeração dos clientes corporativos, usuários do código CSP 75.Também vai controlar os POP’s interconectados nas sete cidades; e realizará o billing em tempo real dos serviços pré e pós pagos. Toda a infraestrutura de POP do provedor está baseada em Media Gateways da Khomp (parceira do VoIP Group), diretamente interconectados às operadoras através de E1’s SS7 – ISUP. Valmir Consoni, CEO da VIPWAY Telecom, conta que, antes do contrato, a empresa operava o serviço de telefonia sobre aplicativos opensips. Porém, para atender às sete cidades, demandava

grande número de servidores e oferecia funcionalidades limitadas. “Simplificamos nossa infraestrutura de software e hardware, adicionando no core da rede o softswitch VSC, que também será instalado em Miami (Florida) para fazer varejo e corporativo com a VIPWAY America Corp”, declara. O VoIP Group, segundo Alfredo Bellagamba, CEO da empresa, deposita grandes espectativas nessa nova aliança. “Não tenho dúvidas de que nossa tecnologia fará grande diferença para a VIPWAY, não só simplificando sua infraestrutura, mas também facilitando a gestão através de uma única interface web com mais funcionalidades do que o ambiente anterior”, afirma.


Abranet > 27


conexão >

Fibra óptica já é realidade

para pequenos provedores A inserção nesse mercado apresenta alguns desafios – mercadológicos, burocráticos, legislativos e afins – mas a fidelização dos clientes, e o consequente aumento da receita, é uma recompensa para os pequenos provedores

D

e forma cada vez mais recorrente, os pequenos provedores de acesso à internet estão migrando das tecnologias baseadas em rádio para a modernização de suas redes por meio de fibra ópticas. “Começamos com rádio, operamos através de redes mistas de fibra e coaxiais, e finalmente conseguimos desenvolver o

A receita do sucesso da qualidade dessa rede está na fidelização dos clientes Carlos Eduardo Sedeh, diretor comercial da Megatelecom 28 < Abranet

nosso padrão de redes de fibra, conectando nossos assinantes com velocidades cada vez maiores”, narra, sobre o processo da Life, o diretor comercial da empresa, Luis Eduardo Diaz. E essa transição dos provedores do modelo de rádio para as fibras ópticas tem seus motivos, conforme explica o diretor comercial da Megatelecom, Carlos Eduardo Sedeh:“o problema (do rádio) era que o espectro ficou lotado, e o principal problema é que você não consegue a escalabilidade necessária para atender seus clientes corporativos.” No entanto, a caminhada dos provedores em busca de melhor atender a demanda dos clientes passa por obstáculos de distintos gêneros.  “Implantamos uma rede aérea, e existe grande burocracia junto à concessionária de eletricidade, para a liberação do contrato comercial de compartilhamento de postes, e posteriormente para a aprovação técnica dos projetos”, exemplifica o diretor da TDkon, Cleri Aloisio Azevedo. Segundo ele, como não existem

Os pequenos provedores sempre foram grandes aliados dos consumidores de banda larga Cleri Aloisio Azevedo, diretor da TDkon alternativas, e ainda não há regulamentação para o custo do compartilhamento,“você fica refém da Concessionária, que cobra mais dos pequenos e menos dos grandes players”, coloca. Sedeh ainda complementa que falta qualificação de mão de obra, e que “o custo dos insumos é muito alto.


Finalmente conseguimos desenvolver nosso padrão de rede de fibra, conectando nossos assinantes com velocidades cada vez maior Luis Eduardo Diaz, o diretor comercial da Life Nesse sentido, ele acusa a falta de estabilidade na regulamentação do segmento.“Não temos uma regulamentação nesse setor que seja favorável, estamos sempre com medo de vir uma regra nova”, explica. Entre os problemas considerados por Sedeh como os mais crônicos para a implementação de fibras ópticas, há também a dificuldade de se aprovar projetos de fibras subterrâneas na cidade de São Paulo. A recompensa Não é, de fato, um processo simples, mas, superados os entraves, as vantagens são evidentes. Além da óbvia otimização da velocidade, Diaz explica que os benefícios estão vinculados, essencialmente, à maior qualidade, estabilidade de conexão, e garantia de banda. “Nosso usuário já aprendeu a valorizar a fibra e não quer nada

diferente disso”, diz. A fidelização dos clientes, aliás, é uma das principais conseqüências de tal modernização. A Megatelecom, que iniciou o trabalho com fibra óptica há aproximadamente dez anos constatou a afirmação. A empresa gastou em torno de 50 milhões de reais em todo o processo de implementação e expansão de fibra óptica nessa última década de trabalho. O retorno financeiro está sendo conquistado, e muito bem endereçado:“a receita do sucesso da qualidade dessa rede está na fidelização dos clientes”, explica Sedeh. O auxílio da Abranet Segundo Diaz, o Brasil está atrasado, e ainda tem muito a avançar.“Acreditamos que o FTTH tem que se expandir para atender demandas de todas as classes sociais”, explica. Na prática, Azevedo lembra sobre estudos, feitos por grandes consultorias, que apontam para a consolidação das redes ópticas.“Nossa aposta caminha justamente neste sentido, sabendo que a Abranet continuará defendendo nossos interesses para minimizar as burocracias e criar regulamentações favoráveis para seus afiliados”, avalia.“Os pequenos provedores sempre foram grandes aliados dos consumidores de banda larga, pois levam alternativas viáveis de acesso e desenvolvimento às mais diversos regiões do país, de forma inteligente e sustentável”, pontua.


gestão empresarial >

Segurança no

trabalho evita riscos Especialistas alertam quais são os riscos relacionados à segurança e saúde dos trabalhadores do setor de Telecom e TI

S

egurança e Saúde no Trabalho é um dever legislativo de todas as empresas. No entanto, o diretor comercial da Geremed Ocupacional, empresa especializada na área de Medicina e Segurança do Trabalho, Guilherme Gerevini, faz uma observação. Segundo ele, as grandes empresas do segmento de TI e Telecom cumprem a legislação de forma satisfatória,

Uma política de segurança eficaz possibilita que a empresa faça um diagnóstico dos problemas relacionados a doenças e acidentes Guilherme Gerevini, diretor comercial da Geremed Ocupacional 30 < Abranet

“mas devido à forte demanda e crescimentos acelerado, estas empresas acabam utilizando os serviços de empresas menores e terceirizadas, principalmente para o trabalho de campo, e estas empresas menores nem sempre cumprem as Normas Regulamentadoras de forma satisfatória”, alerta. Do lado somente das normas, Gerevini explica que as empresas de grande porte são legalmente obrigadas a manter um SESMT (Serviços Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho) próprio, composto por técnicos em segurança no trabalho, engenheiros de segurança, enfermeiros do trabalho e médicos do trabalho, “e podem ainda terceirizar parte do trabalho.” No caso das empresas menores, o especialista conta que, de forma geral, a preferência tem sido terceirizar a gestão da segurança ocupacional, “principalmente em função dos custos serem menores”, explica. Riscos Ainda que a existência da lei seja um motivo contundente para a regularização das empresas com tais normas, há motivos mais enraizados para adotar os processos

exigidos: os riscos, de fato, existem. Gerevini comenta que os principais riscos ocupacionais que os trabalhadores deste setor estão expostos são de dois níveis. Inicialmente, nos escritórios e centrais de atendimento, há os riscos ergonômicos, como LER/DORT (LER: Lesão por esforço Repetitivo; DORT: doença osteomuscular relacionada ao trabalho), tendinites, bursite, problemas de coluna, entre outros. Já no caso dos profissionais responsáveis pela implantação e manutenção das redes e transmissores, que trabalham externamente, os problemas estão relacionados a animais peçonhentos, condições climáticas (chuva, sol e vento) e, principalmente, aos acidentes em altura. Como evitá-los Dessa forma, a prevenção de tais acidentes torna-se uma necessidade que vai além dos deveres legislativos.“Além de ser obrigatória, uma política de segurança eficaz possibilita que a empresa faça um diagnóstico dos problemas relacionados às doenças e acidentes ocupacionais”, pondera Gerevini. No caso dos riscos relacionados


ao trabalho interno, os equipamentos necessários para desenvolver as atividades laborais conforme a Norma Regulamentadora NR 17, são “apoio de pé, apoio de punho, mouse pad, cadeira com cinco pés, encosto de coluna reguláveis, monitores de vídeo que proporcionem corretos ângulos de visão, entre outros mencionados no Anexo II da Norma Regulamentado nº 17”, posiciona . Quanto à prevenção dos serviços realizados externamente, o especialista alerta que todo equipamento deve ter o C.A (certificado de aprovação), conforme a Norma Regulamentadora NR 06

– Equipamento de Proteção Individual. Os equipamentos em questão são: cinto tipo paraquedista, trava queda e talabarte, de posicionamento regulável; capacete; calçado de segurança; luva isolante e luva de vaqueta; óculos de segurança; e protetor solar. O coordenador de suporte técnico da CTI, empresa especializada em Tecnologia da Informação para o mercado corporativo, Eduardo Macedo, Lembra ainda que os equipamentos são necessários, mas exigem complementação. “O treinamento para utilização dos equipamentos e a conscientização no dia-a-dia são fundamentais”, avalia.

Os colaboradores, pelo menos aqui na CTI, tem consciência de que as normas de segurança do trabalho, os EPI’s e todos os procedimentos relacionados, existem para garantir a segurança deles mesmos Eduardo Macedo, coordenador de suporte técnico da CTI


casos & causos >

A logomarca e o caminhão Carlos Bernardi, diretor administrativo e financeiro da Abranet, conta uma divertida história dos tempos que os sites corporativos ainda eram uma grande novidade

m 1995, a Internet deixou E de ser um privilégio somente das Universidades e de algumas empresas multinacionais. E foi daí que começou a surgir os primeiros provedores de Internet no Brasil! Minha empresa, fundada em 1992, iniciou suas atividades desenvolvendo sistemas e prestando serviços de digitação e impressão. Tudo ia bem, faturamento crescendo, novos negócios aparecendo... mas eu buscava algo novo. Quando instalei no meu poderoso AT286 a primeira placa Fax-Modem, um modelo com velocidade espantosa, passar um fax por essa placa era um máximo. Lembro que cheguei a fazer apresentação disto em o cliente, em uma sala de reunião com diretores, gerentes e outros curiosos. Foi um show! 32 < Abranet

Lembro de uma vez que demorei tanto para conectar e transmitir um arquivo que se o motoboy tivesse saído quando comecei, realmente teria chegado antes ao destino Carlos Bernardi, diretor administrativo e financeiro da Abranet

Pouco tempo mais tarde ouvi falar da BBS, e comecei a passar horas conectado, consumindo pulsos na linha telefônica, trocando arquivos com pessoas que nem conhecia. Meus clientes não entendiam, já que passar um fax ou mandar o motoboy levar o disquete pareceria mais fácil. E até era em certos casos. Lembro de uma vez que demorei tanto para conectar e transmitir um arquivo que se o motoboy tivesse saído quando comecei, realmente teria chegado antes no destino. Bem, lá em 1995/1996 compramos nosso primeiro link de alta velocidade, na época da CTBC, com velocidade de 64 Kbps. Tínhamos dois servidores com NT 4.0 para atender de tudo um pouco – e-mail, www, autenticação e bilhetagem das horas utilizadas e até


hospedagem de sites. Também comecei a fazer alguns sites, coisas simples, mas que as pessoas achavam o máximo na época. Afinal, GIF’s animados, tabelas eram ‘tecnologia de ponta’. Um dia, negociei fazer um site para uma indústria de embalagens da minha cidade. Fiz várias reuniões com os diretores, colhi sugestões, textos, entendi o que fazia a empresa e toquei em frente o projeto. Precisava então da logomarca da empresa para inserir no site, em formato GIF, JPG... mas sem chance, ninguém sabia o que era isto. Então, ficaram de mandar a imagem em papel mesmo.

Comprei um scaner, outra super novidade da época, e aguardei a logomarca. Me mandaram uma folha com o logo no canto do papel, não medindo mais que 2 cm. Até tentei digitalizar a imagem, mas ficou horrível, sem definição nenhuma. Liguei então para a empresa, e perguntei se tinham a imagem em um tamanho maior. Expliquei que precisa digitaliza-la (embora duvide de que alguém entendeu o que era isso), e que uma imagem em tamanho maior ajudaria a melhorar a qualidade final. No dia seguinte chegou a porta da CTI um funcionário

da empresa dizendo que estava trazendo a imagem maior. Pedi a meu funcionário que o fizesse entrar, mas recebi a informação de que ele não podia e que eu precisaria atendê-lo do lado de fora. Quando cheguei ao portão perguntando o que ele me trazia, ele apontou para um caminhão baú enorme estacionado e com a logomarca da empresa pintada nele. E então ele disse: - Mandaram trazer o caminhão para o senhor pegar a imagem, vai ter que desmontar o baú?  E você, tem um ‘Caso’ interessante ? Compartilhe conosco a sua história!


Espaço Conselho Jurídico > por Carol Conway

A Internet e a pólvora O

ano de 2012 impressionou pela quantidade de autoridades focadas em regulamentar as mais diversas funcionalidades da Internet. Além da crescente importância da web, fica proporcionalmente claro o risco de alterações jurídicas impactarem sua filosofia. Se tais iniciativas não forem guiadas pela liberdade constitucional e pela “unidade” do ordenamento jurídico brasileiro, nosso ambiente virtual pode se tornar altamente controlado e obsoleto. O dever de regulamentar fenômenos novos ou, ainda, de proteger direitos metaindividuais é sempre bem vindo, mas, para que não exista ameaça de desnaturação da rede, iniciativas regulatórias devem sempre ser coordenadas, e pautadas pelo “DNA constitucional” da liberdade (a liberdade de iniciativa e a de expressão dentre tantas outras), que somente será tolhida em situações excepcionais, ou seja, quando,  no fundo, algo não esteja funcionando justamente por falta de regras e, portanto, mais regulação é necessária para beneficiar a todos com mais liberdade. E para que seja sopesado adequadamente o poder-dever de construir novas normas e o legítimo direito dos cidadãos de negociar e inovar, parece simples a fórmula: o que vai bem (inclusive por regramentos do próprio mercado) requer muita cautela na alteração do jogo. É o famoso ditado popular “em time que está ganhando não se mexe”. É claro e lógico que, apesar de ser uma plataforma adolescente, muitos dos negócios que se realizam na Internet já se faziam na antiguidade. Muda o meio, permanecem os conteúdos.  E, parafraseando o  Ministro Sepúlveda Pertence, a invenção da pólvora

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não mudou a forma de punir o homicídio. Portanto, para quem pretende se aventurar em regular o que já é regulado, a primeira premissa é entender que a Internet nada mais é do que uma praça pública, que suporta as mais variadas formas de convivência, e que o fato de a plataforma ter surgido recentemente não altera a aplicabilidade de direitos e obrigações enraizadas Para que não exista ameaça de desnaturação da rede, iniciativas regulatórias devem sempre ser coordenardas, e pautadas pelo DNA constitucional da liberdade no pacto social desde a nossa independência. A segunda premissa é que, antes de pensar em editar mais uma norma para a Internet, as instituições pensem na “floresta”, e não apenas em suas árvores. Duas fundamentais perguntas são: Como isso se harmoniza ao ordenamento já existente? Qual lacuna preenche? Sou a autoridade que pode coordenar todos os agentes envolvidos? Sair do próprio “corpo” para analisar uma situação não é tarefa fácil, mas é dever do Estado e de quem mais pretenda ver a Internet saudável no futuro. O ordenamento jurídico é uno, e com visões macro ajudamos não apenas as empresas que atuam no Brasil, mas também a posição de nosso País no cenário internacional. A Abranet orgulha-se de ter comemorado seu 16º aniversário com históricas defesas da liberdade da web na sua biografia. Que venham as próximas batalhas. > Carol Conway é presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Abranet


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REVISTA ABRANET - EDIÇÃO 04