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ANO 27 • EDIÇÃO 162

EDIÇÃO ESPECIAL

INOVAÇÃO Líderes em diferentes segmentos apresentam conceitos, tecnologias, equipamentos e soluções de gestão que vão cortar custos e aumentar a eficiência das empresas


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PALAVRA DO PRESIDENTE

ROGÉRIO ARCURI FILHO, Presidente do Conselho de Administração da Abraman

INOVAÇÃO ONTEM, HOJE E SEMPRE

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aça um teste. Pergunte ao primeiro colega com o qual tiver contato hoje o que ele entende como inovação. Provavelmente, ele irá lançar mão de mudanças tecnológicas revolucionárias, como aquelas estudadas e criadas, por exemplo, pelo instituto norte-americano MIT (Massachusetts Institute of Technology). Mas não precisamos ir tão longe para inovar em processos e negócios. Na verdade, inovação parte da observação, ajustes e correções simples para que processos se tornem mais eficientes – menos onerosos para o negócio e mais práticos para os colaboradores. Só para lembrar, inovação, modificar antigos costumes, regras, processos, ou seja, o efeito de renovação ou criação de uma novidade. Nesta edição, pedimos a algumas empresas que se destacam em seus segmentos para traduzir inovação em suas áreas, pensando principalmente na necessidade de cada negócio, isto é, na inovação que cada empresa ou instituição precisa e pode empreender para alcançar a máxima eficiência. Recebemos artigos sobre o armazenamento de lubrificantes; a adoção de conceitos e sistemas de gestão revolucionários; novos equipamentos; e o reforço no conceito de gestão da Manutenção & Gestão de Ativos.

Mas antes de convidá-lo a navegar pelas próximas páginas, gostaria de comentar um conceito que vem mobilizando as rodas de conversas e mesas de reuniões da indústria em geral: a digitalização dos negócios. Utilizando sistemas avançados, nosso maquinário estará cada vez mais conectado, recebendo comandos remotos e gerando dados que em muito contribuirão para decisões importantes, como a carga que o equipamento pode suportar dentro de um ciclo de operação e a programação de paradas para manutenção. Já há quem chame este momento de “A 4a Revolução Industrial”, ou a “Indústria 4.0”, uma consequência da Internet das Coisas (IoT). Agora sim, convido-o a mergulhar em nossas páginas de Manutenção & Gestão de Ativos totalmente digital. Com esta inovação, saímos de uma tiragem limitada para os grandiosos volumes da Internet, a começar pela nossa base com mais de 15 mil e-mails. Vale lembrar, novamente, que estamos na era digital e é extremamente importante que nos preparemos para as radicais mudanças que estão por vir. Boa leitura!

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NOTAS

MANUTENÇÃO NA SAÚDE É MERCADO MILIONÁRIO Setor deve movimentar mais de dois milhões de dólares em 2020

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mercado global de manutenção de equipamentos médicos (monitoramento remoto e manutenção) deve chegar a 2020 movimentando US$ 2.242 mil no ano, registrando crescimento superior a 16% no período. Em 2015, o setor movimentou US$ 1.034 mil. O estudo feito pela consultoria norte-americana Reportlinker mostra que esse segmento de mercado está experimentando um crescimento notável devido à cres-

cente necessidade de reduzir os custos de saúde, reduzir o tempo médio de reparo (MTTR) de equipamentos, as inovações em TI para minimizar os custos de manutenção, e a crescente necessidade de coletar dados do equipamento e integrar os sistemas de saúde. No entanto, problemas de confiabilidade de dados associados com sistemas de monitoramento remoto é um importante fator limitante do crescimento deste mercado.

ESPAÇO DO ASSOCIADO - COMUNICADO

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esta edição por motivos operacionais, excepcionalmente, não teremos nenhuma matéria no Espaço do Associado, mas retornaremos na próxima edição. Já estamos com associados sorteados para as duas próximas edições. Se você ainda não enviou mensagem pedindo a sua inscrição, não perca tempo, envie mensagem para “eventos1@abraman.org.br” e participe da Maior publicação Brasileira de Manutenção e Gestão de Ativos. A cada edição, publicamos matéria definida pelo sócio sorteado e que poderá ser: um Trabalho Técnico, um “Case” ou uma Entrevista explicando algum aspecto da atividade que o sócio individual desenvolve na sua empresa, etc. Lembrando que no caso de artigo técnico, antes da publicação, este será avaliado previamente

ÍNDICE / EXPEDIENTE

Artigo Tebroeck - Manutenção industrial: presente e futuro

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Artigo Perma IEC - Tendências da lubrificação industrial

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Artigo DES-CASE - Eliminar falhas através do controle proativo de contaminação

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Artigo Flir - Inspeção com rapidez e precisão

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Artigo Iteris - Kanban: uma ferramenta simples, ágil e produtiva

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Artigo Pragma - Gestão de dados mestres

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MEMBRO FUNDADOR DO GLOBAL FORUM

REVISTA

ANO 28 - EDIÇÃO 162

é uma publicação bimestral da Abraman Associação Brasileira de Manutenção e Gestão de Ativos Av. Marechal Câmara 160, grupo 320, Edifício Orly - Centro - Rio de Janeiro - RJ - CEP 20 020-080 Tel: (21) 3231-7000 / Fax: (21) 3231-7002 / www.abraman.org.br Críticas, dúvidas e sugestões: revistamanutencao@abraman.org.br CONSELHO EDITORIAL: Alexandre Fróes (NSK); Antonio Carlos Vaz Morais (PETROBRAS); Arlete Paes (SKF); Bruno Ferreira (ACTEMIUM); Carlos Alberto Barros Gutiérrez (FM2C SERVS. DE MANUTENÇÃO); Fabiana Gimenez (SKANSKA); Fabio Gomes (ABRAMAN); Joazir Nunes Fonseca (ELETROBRÁS - UNISE); Renata Gonçalves Ramos (COMAU); Wagner Gorza (ARCELORMITTAL); PRODUÇÃO: Comunicação Interativa Editora - Tel: (11) 3032.0262 - JORNALISTA RESPONSÁVEL: Jackeline Carvalho (MTB 12456); EDIÇÃO E REPORTAGEM: Jackeline Carvalho, Caio Alves e João Rubens; PUBLISHER: Jackeline Carvalho; DESIGN GRÁFICO: Ricardo Alves de Souza (Diretor) e Josy 8 REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS Angélica (Assistente); ); Administração e Logística: Maria Estela de Melo Luiz.


ARTIGO - TEBROECK

MANUTENÇÃO INDUSTRIAL: PRESENTE E FUTURO

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er competitivo e criativo são obrigações que o mercado exige cada vez mais das empresas. A busca por resultados satisfatórios, melhorando custos e reparando as necessidades do negócio está mais acirrada para os executivos. O ponto é que os negócios do passado não fluem tão bem e geram dependências que, se não forem amparadas, viram um grande problema para a organização. Torna-se então uma necessidade pela busca de alternativas que atuem de modo operante no modelo estratégico empregado em cada empresa, com uma capacidade de execução e compromisso com os clientes, produtos, estratégia e afins. A expansão de cada negócio pode estar em outras áreas de atuação não, necessariamente, aumento geográfico. Mas sim buscar trabalhar as possibilidades em diversos ramos, marcando presença importante. No nosso caso englobamos na Engenharia e Manutenção aspectos industriais e corporativos, manutenção em utilidades e no meio ambiente. FOTOS: DIVULGAÇÃO / TEBROECK

ALESSANDRO TEJON*

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Em todos os mercados atuantes é necessário a confiança do cliente. Desenvolver junto deste uma maior credibilidade e responsabilidade visando o aumento do custo-benefício de modo ambíguo. E o que faz essa diferença é o modo como executivos e colaboradores vêem o seu negócio. O ponto de vista deve ser aceito como aquele que visa a detecção de oportunidades, não porque tem metas a cumprir, mas para implementar métodos de ações. Lidar com a padronização dos métodos é uma característica de países que possuem mercado competitivo, é se tornar vital para participação na área. Uma mudança captada é o surgimento do “Gerente de Confiabilidade”, que foca na gestão integral dos ativos, um profissional que atua como financeiro e pensa como engenheiro. Os profissionais do futuro serão competitivos, possuíram visão ampla e falarão no mínimo três idiomas, sua base serão os recursos informáticos. Com eles a tecnologia se fará mais essencial, sistemas que permitam controlar e monitorar máquinas à distância já são uma realidade, inclusive no Brasil, mas a necessidade de profissionais gabaritados para manipulá-las estão em falta. A competitividade no setor está na formação dos profissionais, são colaboradores que se permitam enfrentar e dominar o mercado. Uma nova forma de fazer negócio está surgindo, o mercado se torna amplo e o profissional tem de ser mais capacitado, o resultado melhor só vem com mudança no gerenciamento de recursos, com antecipação dos fatos geradores através de acentuada prevenção. l REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS

*ALESSANDRO TEJON é Diretor Executivo da Tebroeck alessandro.tejon@tebroeck.com.br

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ARTIGO - PERMA IEC

Tendências da

LUBRIFICAÇÃO INDUSTRIAL VICTOR SANTOS DA SILVA*

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panorama mundial da lubrificação nos diversos segmentos industriais vem estabelecendo uma franca modernização que define novas tecnologias e consequente evolução na vida útil de equipamentos. As indústrias estão, a cada dia que passa, adotando sistemas de lubrificação automática para único e multi-pontos, com controle especifico na dosagem de lubrificante. Um exemplo é a permatec, uma empresa de origem alemã, com mais de 50 anos de experiência no fornecimento de soluções inovadoras e criativas para sistemas de lubrificação. É a líder mundial no quesito lubrificação automática. A automatização na liberação de lubrificante em determinado mancal, corrente, fusos e engrenagens, resulta em excelentes vantagens, dentre elas:

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RACIONALIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA: Colaboradores responsáveis pela lubrificação passarão ter grande facilidade na relubrificação, tendo apenas que repor os lubrificadores;

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ECONOMIA: Aumento da vida útil dos mancais, correntes, rolamentos em geral, aumento da produtividade (a troca pode ser feita sem parada de 12

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máquina), diminuição da contaminação e a redução de custos em ao menos 25% no médio prazo;

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SEGURANÇA: Menor necessidade de presença em locais de difícil acesso e/ou perigosos, pois alguns sistemas poderão lubrificar o ponto automaticamente em até 2 anos (alguns sistemas) sem a necessidade da atuação humana. Em um comparativo com a lubrificação manual, a redução a risco de acidentes pode ser de até 90%;

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MODERNIZAÇÃO: Um parque industrial com sistema automático de lubrificação tende a ter um garantia de lubrificação correta e com dosagens especificas para cada equipamento. Existe simulador de dosagem que irá auxiliar na definição do melhor modelo de sistema perma a ser implantado nas máquinas com base em seus critérios dimensionais. O Brasil vem aumentando gradativamente o uso de novas tecnologias na lubrificação automática. Nós, da IEC Engenharia, representante da perma no Brasil, estamos confiantes que com uma lubrificação moderna, inovadora e econômica, a lubrificação industrial vai ter um crescimento muito positivo. l *VICTOR SANTOS DA SILVA é Engenheiro Mecânico e Consultor Técnico em Lubrificação Automática da IEC Engenharia, representante Perma no Brasil

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ARTIGO - DES-CASE

ELIMINAR FALHAS ATRAVÉS DO

CONTROLE PROATIVO DE CONTAMINAÇÃO

MARK BARNES*

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números estudos determinam que, quando se trata da confiabilidade do equipamento mecânico indicam que de 60% a 80% de todas as falhas estão direta ou indiretamente ligadas à contaminação do lubrificante. Os números podem variar de acordo com a indústria ou o ambiente operacional, mas cerca de 1/3 das falhas são provocadas por umidade, enquanto os 2/3 restantes são causados por contaminação sólida. Mas, se é entre 60% e 80%, é seguro dizer que a limpeza e a baixa umidade do lubrificante é o maior contribuinte para a confiabilidade de equipamentos rotativos e confiabilidade do equipamento alternativo

Tabela 1: Tabela de tolerâncias dinâmicas típicas em equipamentos industrias

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Componente

Folga

Componente

Folga

Engrenagens Mancais de rolamento Mancais de deslizamento Motores – Anel/Cilindro Bomba de Engrenagem – Topo Bomba de Engrenagem – Lateral Atuadores

0.1-1 0.1-3 0.5-100 0.3-7 0.5-5 0.5-5 50-250

Bomba de Pistão – Placa de Válvula Bomba de Pistão – Pistão/Camisa Válvulas Servo – Orifício Válvulas Servo – Parede a Aleta Válvulas Servo – Camisa

5-40 0.5-5 130-450 18-63 1-4

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na indústria hoje, por que a contaminação é tão prejudicial? A resposta está nas folgas micrônicas entre superfícies em movimento, em condições normais de funcionamento. Em um movimento dinâmico, o espaço entre deslizamento e o rolamento tem superfícies muito pequenas, entre 1 e 10 microns; muitas vezes menores do que a metade do tamanho de um glóbulo vermelho (Tabela 1). Sob condições ideais o lubrificante cria essa folga dinâmica, com a separação diretamente relacionada com a viscosidade do óleo sob cargas de funcionamento, velocidade, temperatura e pressão. Devidamente lubrificado, o óleo base e aditivos são capazes de ajudar a prevenir o desgaste, separando superfícies móveis. Mas quando a película de óleo é deslocada por uma partícula ou há umidade, o movimento dinâmico é comprometido, resultando numa série de falhas no componente, incluindo abrasão, erosão e fadiga (Figura 1). O IMPACTO DA CONTAMINAÇÃO NA VIDA DE COMPONENTES Mas quão grave é a contaminação do lubrificante para o equipamento? A resposta é: muito séria! As Figuras 2 e 3 mostram o impacto que partículas e umidade exercem em equipamentos industriais. REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS

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ARTIGO - DES-CASE

FIGURA 1: Contaminação típica induzindo modos de falha

DESGASTE ABRASIVO: Partículas duras ligando duas superfícies em movimento, desgastando uma ou ambas.

DESGASTE POR FADIGA: Partículas passando pela folga causam tensão na superfície, que se expande ocasionando escamas devido ao repetido tensionamento da área danificada

DESGASTE EROSIVO: Partículas finas em fluxos de alta velocidade do fluido desgasta um canto ou uma superfície crítica.

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Para partículas, o equivalente a uma colher de chá de terra em um reservatório hidráulico de 200 L, o que corresponde a uma classificação de limpeza do NAS 7, ou ISO 18/16/13 é o suficiente para reduzir em 50% a vida de uma bomba ou de uma válvula. Algo tão pouco quanto (500 ppm de água) no sistema de lubrificação também pode reduzir a vida útil de um rolamento em 70%. A Água no óleo pode aumentar a oxidação em 10 vezes. Com 500 PPM de água no óleo a vida útil do rolamento é reduzida em 70%. Com 500 PPM de água, a bomba tem a sua vida reduzida em 100 Vezes. Com 1000 PPM de água, o óleo hidráulico tem sua vida reduzida em 10 Vezes. CONTROLANDO A CONTAMINAÇÃO Devido ao impacto que a contaminação tem sobre a vida de um equipamento, o controle dos contaminantes deve ser um foco importante em qualquer

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FIGURA 2: Impacto de Contaminação de Partículas

FIGURA 3: Impacto de Contaminação de Agua

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ARTIGO - DES-CASE

FIGURA 4: Sistemas como estes são ideais para remoção de partículas e a água do óleo novo antes da transferência para recipientes menores

programa de confiabilidade impulsionado por um programa de lubrificação. Começando com práticas de armazenamento e manuseio corretas, um controle de contaminação eficaz requer atenção em todas as etapas do caminho de um lubrificante através da planta fabril. Para começar, precisamos reconhecer que o óleo novo não é óleo limpo. E mesmo com a maioria dos fabricantes fazendo um bom trabalho de fornecer o óleo para a planta, as dificuldades de fornecimento de óleo limpo a granel significam que a maioria dos novos óleos chegam à fábrica 2-3 classes NAS mais sujos do que devemos usar para aplicações críticas. Da mesma forma, o teor de água no óleo novo é, muitas vezes, 50-200% maior do que o necessário para uma melhor confiabilidade. Por isso é essencial que qualquer óleo novo seja pré-filtrado antes da utilização. E a melhor maneira de fazer isso varia de acordo com a

Abastecer o reservatório de forma inadequada com respiro inadequado, a contaminação ira proliferar

FIGURA 5: Sem um cálculo devidamente correto do dessecante adequado, o espaço livre de qualquer tanque reservatório de óleo, reservatório rapidamente estará saturado com partículas e umidade por sua vez Contaminado.

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O Filtro de ar Dessecante protege o espaço vazio do reservatório e não permite a entrada de umidade e contaminantes


FIGURA 6: Respiradores Dessecantes vem em uma variedade de tamanhos desenhados para diferentes aplicações

quantidade de óleo recebido e dispensado a qualquer momento, mas se você recebe óleo a granel ou tambores ou baldes, este necessariamente deve deve ser filtrado antes do uso. Mas talvez a maneira mais eficaz de controlar as partículas e a umidade seja a adoção de Respiradores Dessecantes. Durante a transferência de um tanque para outro, na fase de armazenamento ou quando está no reservarvatório de um equipamento, o ar é constantemente trocado entre o interior e o exterior ou no tanque de óleo, reservatório ou armazenamento. Como resultado, nossas máquinas estão constantemente respirando ar sujo na planta. Quando as partículas de ar e a umidade entram no espaço superior acima do óleo, ele se contamina (Figura 5). Há uma grande variedade de tamanhos e modelos de Respiradores Dessecantes. A decisão depende se você está tentando proteger em massa 50.000 L em um tanque de armazenamento ou da bomba de 4 L. Todos fazem basicamente a mesma coisa: remover a humidade através da adsorção com gel de sílica, enquanto filtra partículas de até 1 uM em tamanho (Figura 6). CONTROLE DE CONTAMINAÇÃO ESTUDO DE CASO Confrontado com muito pouca confiabilidade em suas prensas de estampagem, um grande fabricante REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS

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ARTIGO - DES-CASE

FIGURA 7: Normalmente, o nível de limpeza em três prensas é diferente antes e após o controle efetivo da contaminação.

de automóvel começou a melhorar o seu programa de lubrificação, incluindo como foco o controle de contaminantes através de armazenamento e manuseio apropriado, respiradores e filtração. Para testar os resultados, a planta selecionou várias prensas de produção e passou a monitorar cuidadosamente os níveis de contaminação, medindo o impacto sobre o

FIGURA 8: Diferença na redução do tempo de inatividade em 5 prensas antes e após o controle de contaminação

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tempo de inatividade antes e após a instalação de novos respiros e equipamentos de filtração. A Figura 7 mostra a redução da contaminação por partículas em três prensas, antes e depois da introdução de novas medidas de controle de contaminação. Em geral, eles observaram uma redução de 95-97% no funcionamento das prensas e redução de partículas em todas as prensas. Quase imediatamente, a Empresa começou a receber avisos de que a confiabilidade das prensas começou a aumentar. Ao longo de 6 meses eles registraram e controlaram o tempo de inatividade de cada uma das cinco prensas, comparando com o tempo de inatividade média dos três anos anteriores. Em uma base atualizada, descobriu-se que através da instalação de respiradores adequados e da filtração, a diminuição média do tempo de parada (downtime) foi de 54%, resultando em uma evasão significativa dos custos de perda de produção (Figura 8). RESUMO Contaminantes têm impacto profundo na vida útil do componente. Do desgaste abrasivo em válvulas ao desgaste por fadiga em mancais de rolamento, quase todo tipo de equipamento é impactado pela contaminação do lubrificante. Mas, com alguns passos simples, incluindo nova filtragem de óleo e o uso de respiros de Ar apropriados, a remoção de contaminação e um controle rigoroso de contaminação por partículas de umidade, a confiabilidade e a expectativa de vida do equipamento podem ser significativamente melhoradas. ENTÃO PENSE ASSIM: Quanto custa fazer X Quanto custa Não Fazer. l REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS

*MARK BARNES, Vice-presidente – Reliability Services, DesCase Corporation mark.barnes@descase.com

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ARTIGO - FLIR

O SEXTO SENTIDO DO MUNDO Miniaturização de câmeras para captação de imagens térmicas, universaliza produtos e aplicações voltados à termovisão ANDY TEICH*

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última inovação em termos de tecnologia de termovisão, são os dispositivos recém lançados pela Flir, a FLIR Scout TK e o FLIR TG130, duas câmeras térmicas portáteis para uso em casa, no trabalho, e lazer. Os produtos reforçam a busca pela entrega de um sexto sentido para uma população cada vez maior de usuários ao redor do mundo. Há dois anos, FLIR revelou a revolucionária microcâmera Lepton, o menor módulo de câmera de imagem térmica baseada por microbolômetro do mundo. A inovação reduziu drasticamente o tamanho, peso e poder da tecnologia de captação de imagens térmicas. O design único da tecnologia Lepton e a orientação para alto volume resultaram em reduções significativas de custos que permitiram um novo universo de produtos e aplicações. Desde a introdução da Lepton no início de 2014, até os lançamentos mais recentes, a Flir desenvolveu 13 produtos baseados na tecnologia de termovisão, que fornecem às pessoas uma consciência situacional melhorada, maior segurança e maior produtividade. Desde a primeira e a segunda geração dos acessórios para smartphones até os termovisores de baixo REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS


custo, os dispositivos mostram a amplitude de equipamentos criados para socorristas, consumidores finais e profissionais. Com o Scout TK, explorador para ambientes externos ,agora com um monóculo de visão térmica, leve, que cabe no bolso, que possui a capacidade de captar imagens claramente mesmo na escuridão total. Já o termômetro térmico TG130 ajuda na identificação de ambientes com problemas de isolamento, bem como na localização de problemas de aquecimento ao redor de portas e janelas. A Lepton está disponível em três variações de produtos Dois modelos sem obturador oferecem uma escolha de qualquer a lente de 50 ou 25 graus de campo de visão (FOV), e um terceiro modelo contém uma lente de 50 graus FOV com um obturador interno que recalibra automaticamente a câmera. Cada Lepton também oferece saída de temperatura estável opcional para suportar capacidades de medição de temperatura absoluta. Além de desenvolver seus próprios produtos, a estratégia da Flir com a Lepton é fornecer aos fabricantes de equipamentos originais (OEM) o acesso à tecnologia para integrar em seus próprios dispositivos exclusivos. Este tipo de distribuição torna a tecnologia acessível a um conjunto mais amplo de OEMs, pequenas empresas, e a comunidade dos inventores. Como resultado, a Lepton está sendo adotada para aplicações tão diversas como o mercado automotivo, de jogos, dispositivos portáteis, drones, segurança pública, e a Internet das Coisas (IOT). l REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS

*ANDY TEICH President & CEO, FLIR Systems, INC

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ARTIGO - ITERIS

KANBAN:

UMA FERRAMENTA SIMPLES, ÁGIL E PRODUTIVA SÉRGIO FERREIRA*

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e você ainda não ouviu falar em Kanban, você e seu time não sabem o que estão perdendo. Ela é simples de implementar, se aplica a quase todas as áreas da sua empresa, é uma excelente ferramenta de priorização, promove a integração e engajamento do time. Seja bem-vindo ao século 21! Século 21? Negativo, a origem dessa ferramenta é datada dos anos 40 e foi criada pelos japoneses da Toyota, mas especificamente por Taiichi Ohno. O Sistema de Produção desenvolvido pela Toyota iniciou a filosofia de produção Just-in-Time. Seu objetivo é REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS


eliminar os elementos desnecessários referentes à produção, reduzindo assim os custos. A ideia básica neste sistema é produzir os itens necessários, no tempo necessário, na quantidade e qualidade necessária. Fugindo um pouco da história e partindo para a prática, o Kanban com certeza irá lhe ajudar a organizar ideias, priorizar atividades, demonstrar transparência e engajar pequenos times. O método é bem simples, consiste em dividir os estágios em raias e distribuir as atividades/entregas entre elas (workflow). Segue uma receitinha rápida para começar a utilizar a ferramenta:

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Instale ou separe um quadro branco para essa finalidade (kanban board). Como minha empresa trabalha quase que 100% com projetos, costumamos usar o kanban via software (algumas opções: TFS, Kanbanflow e Trello);

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 apeie tudo que precisa ser M feito, escreva cada atividade em um post-it e coloque na raia “To Do”;

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Separe um conjunto de atividades (post-it) a serem concluídos em uma j anela de tempo fixa (1, 2, ou 3 semanas); REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS

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ARTIGO - ITERIS

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Ordene conforme a prioridade (business value ou urgência);

*SÉRGIO FERREIRA é sóciodiretor da Iteris, graduado em Sistemas de Informação pela Anhembi Morumbi e pós-graduado em Gestão de Projetos – metodologia PMI pelo IBTA. Atua há mais de 15 anos na área de TI com experiência em gestão de grandes equipes e no atendimento a clientes nacionais e internacionais, incluindo fábrica de software e sustentação.

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Reúna os envolvidos nessas atividades no primeiro horário do dia e revise os status das atividades.

A ferramenta é apenas um pontinho do SCRUM, um framework para o desenvolvimento e sustentação de produtos, sejam eles simples ou complexos. Esta solução, além de ser uma excelente forma de gestão, permite que a sua empresa trabalhe com práticas e valores que correspondem a 100% da sua realidade – como resultado, uma ferramenta que reflete exclusivamente sua empresa. Uma boa leitura para aqueles que querem entender um pouco mais sobre o método é o livro “Arte de Fazer o Dobro de Trabalho na Metade do Tempo”, do americano Jeff Sutherland. O Kanban é uma prática interessante para engajar pequenos times ou mesmo para seu autogerenciamento. Lembrando que, assim como é uma boa prática quebrarmos grandes atividades em tarefas menores por serem mais fáceis de se gerenciar, deveríamos aplicar lógica semelhante aos times. Já faz tempo que você faz as coisas do mesmo jeito e está convicto de que este é o único jeito? Recomendo que você assista ao filme infantil “The Croods”. Mude ou morra. l REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS


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ARTIGO - PRAGMA

GESTÃO DE

DADOS MESTRES

HENK WYNJETERP*

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requentemente, na implementação de sistemas de software, a atenção aos dados mestres é negligenciada em favor dos dados transacionais e de processos relacionados. Isso é compreensível, uma vez que a pergunta a ser respondida emerge dos dados transacionais, por exemplo, “precisamos de um sistema que ajude a planejar e programar o trabalho”. Para que esse sistema seja eficaz, são necessários dados mestres precisos, por exemplo, quais membros da equipe estão disponíveis, quais habilidades eles têm, em quais ativos o trabalho deve ser realizado, onde estão esses ativos etc. O resultado dessa atenção negligenciada é que os dados mestres são, assim, tratados como dados estáticos, o que certamente não são. Membros da equipe, códigos financeiros, ativos: nenhum deles muda com muita frequência. Por isso, muitas vezes os dados mestres não são verificados novamente após a implementação, até um item específico não ser encontrado. Acredito que a gestão eficaz de dados mestres é facilitada pela atribuição da responsabilidade pelo controle dos dados, pela formalização dos REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS


processos de gestão de mudança e pela avaliação regular dos dados mestres. 1. UMA ÚNICA FONTE DA VERDADE O controle dos dados mestres deve ocorrer em apenas um sistema, com responsabilidade específica pela manutenção desses dados. Vejamos os códigos financeiros em um CMMS. Os códigos financeiros devem ser mantidos somente no sistema financeiro ou ERP e, em seguida, usados no CMMS. O ERP torna-se o mestre dos dados e, o CMMS, o escravo. Atualizações nos códigos financeiros no CMMS só podem ocorrer como resultado de alterações no ERP. Num cenário ideal, é desejável que um carimbo de data nos dados escravos indique a última vez em que eles foram verificados em relação aos dados mestres. Durante uma implementação recente, recebi duas planilhas que continham dados sobre os mesmos itens e vinham de sistemas de gestão separados. Era impossível conciliar as informações, pois não havia um sistema mestre e, portanto, ambos os sistemas criaram os próprios identificadores que, por sua vez, não faziam referência cruzada entre si. O custo disso? Alguém teve de verificar cada item para identificá-lo e fazer a referência cruzada em ambos os sistemas de informações. 2. PROCESSOS FORMALIZADOS DE MUDANÇA Após a identificação da responsabilidade e da produção dos dados mestres, devem entrar em vigor processos formalizados de mudança para a gestão de REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS

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ARTIGO - PRAGMA

quaisquer alterações, que são geralmente classificadas em três categorias: “alterar”, “excluir” e “adicionar ou inserir”. É importante que a pessoa que está fazendo a alteração compreenda o impacto das mudanças e que elas sejam comunicadas com eficiência. Uma simples alteração no código da equipe em um sistema pode causar uma mudança drástica em outros sistemas, por exemplo, no sistema de folha de pagamento! Geralmente, não queremos gastar muito tempo gerenciando essas pequenas alterações e envolvendo todas as partes interessadas. E, embora todo esforço seja necessário para que a gestão de mudança não paralise os sistemas, a eficiente comunicação dessas mudanças limitará as imprecisões dos dados. Uma ótima solução seria manter, no registro mestre, uma lista dos sistemas afetados, para fins de referência. 3. AVALIAÇÕES PROGRAMADAS Quando interfaces eletrônicas são usadas para executar mudanças nos dados mestres entre sistemas, é necessário ter o cuidado de não contar apenas com as notificações de erros das interfaces. As notificações de erros são geralmente revisadas por um especialista em TI, que é responsável pela interface mas não é diretamente afetado pela mudança em si. Neste 30

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caso, um relatório mensal do registro de mudanças em dados mestres pode ser uma valiosa ferramenta na verificação de quais foram as mudanças e de que elas foram efetivadas. Além de apenas gerenciar as mudanças nos dados mestres, também é importante programar avaliações desses dados. Isso é semelhante à avaliação da condição dos ativos ou das ferramentas a serem usadas pelos mantenedores. Os dados mestres devem ser avaliados quanto à sua relevância (ainda são necessários?), qualidade (são adequados para uso?) e pessoa responsável (quem está fazendo a manutenção deles?). Seus dados mestres são a base sobre a qual as transações ocorrem e, assim como você avaliaria seus ativos para criar produtos, é necessário avaliar os dados mestres a fim de facilitar as transações. Concluindo, o controle de dados mestres é crucial para o sucesso de qualquer sistema de informações. É por isso que concentramos tanto esforço nos dados mestres durante uma implementação no On Key. Considere o quanto custaria perder o controle sobre seus dados mestres em termos do tempo e do esforço necessários para conciliar dados entre sistemas com a realidade, além do tempo gasto para concluir as transações, devido à imprecisão dos dados mestres. Além disso, pense no custo da perda de oportunidades quando a análise de informações é baseada em dados mestres imprecisos. O esforço necessário para conciliar dados mestres é sempre maior do que o esforço adicional de realizar a manutenção desses dados. l REVISTA MANUTENÇÃO & GESTÃO DE ATIVOS

*HENK WYNJETERP, gerente de operações da Pragma Acuity

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Revista Manutenção & Gestão de Ativos - EDIÇÃO 162  

Uma publicação da ABRAMAN (Associação Brasileira de Manutenção & Gestão de Ativos)

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Uma publicação da ABRAMAN (Associação Brasileira de Manutenção & Gestão de Ativos)

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