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Construindo o amanh茫 n贸s agimos, o planeta sente Entrevista

Palavra de Pai

Viviane Teles

O desafio da sustentabilidade


NESTA EDIÇÃO

Editorial Construir o amanhã, a partir de práticas que minimizem os impactos causados sobre o meio ambiente e reforcem a consciência crítica e coletiva. Essa é uma das marcas do CEI, que há mais de quatro décadas contribui para a formação socioeducacional de milhares de jovens potiguares. Em 2013, a escola se debruçou sobre o tema integrador “CONSTRUINDO O AMANHÃ: nós agimos, o planeta sente”, apostando na crença de que a educação é a principal via propulsora de atitudes, que refletem diretamente na sobrevivência do planeta, bem como prepara o caminho para a chegada das novas gerações. Como reconhecimento do seu trabalho educativo, o CEI tornou-se a primeira escola do Estado a estabelecer parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), através do Programa de Escolas Associadas (PEA). Um dos destaques desta Ceia Cultural.

LITERATURA Nas páginas que seguem, o meio ambiente e questões que envolvem a sustentabilidade têm espaço garantido. Artigos, resenhas e uma entrevista trazem a opinião embasada sobre o assunto, expressa por alunos, professores e pais. No caderno de poesia, a sensibilidade dos alunos divide espaço com uma homenagem feita ao escritor Fernando Carraro. Graciliano Ramos, Palmira Wanderley e Manoel de Barros também têm suas obras reconhecidas e ganham espaço nas páginas desta edição.

04 – Patrimônio Cultural

14 – Artigo

08 – Artigo A Sinonímia a ser buscada

09 – Resenha

Intervir para compreender (se)

a Roseira Brava da província

Produzido por

Informações CEI – Centro de Educação Integrada Fone: (84) 4006-0550 www.ceinet.com.br ceiacultural@ceinet.com.br anadias@ceinet.com.br Os artigos assinados por colaboradores não necessariamente refletem a opinião do Conselho Diretor do CEI.

Elione Severiano da Fonseca e Veruska Maria Pontes Sena Professoras do Ensino Fundamental II

“Todas as tardes, sempre à mesma hora, Vem visitar-me um passarinho amigo... Canta cantigas que eu cantava outrora, Canta coisas que eu sinto, mas não digo...”

Um anúncio à vida

Uma das maiores expressões da literatura potiguar no gênero poético de sua época, Palmyra Wanderley buscou retratar, em sua produção, elementos da fauna, flora e aspectos da cidade do Natal. A sutileza de seus poemas, ricos em imagens, nos faz perceber, de forma lírica, a nossa cidade.

16 – Caderno de Poesia 18 – Literatura A vida de Manoel Barros

19 – História Cartas da Segunda Guerra

20 – Matéria

A força de uma sociedade apática

Colégio CEI implanta projeto em parceiria com a Unesco

11 – Semana Literária

22 – Palavra de Pais

Águas Literárias

O desafio da sustentabilidade

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Palmyra Wanderley

15 – Sustentabilidade

Vidas Secas

10 – Opinião

Tiragem 2.000 exemplares

Jornalista Responsável Sylvia Serejo – DRT/RN 916

Viviane Teles

Façam de suas vidas eternas primaveras!

Revisão Ana Cristina Dias

Edição Verbo Comunicação & Eventos Telefax: (84) 3201-7429 assessoria@verboeventos.com.br

12 – Entrevista

07 – Homenagem

Redação Bárbara Hanna Ítalo Amorim

Deleite-se com esta Ceia e que ela inspire um recomeço. O meio ambiente agradece!

Palmyra Wanderley, a Roseira Brava da província

Sim! Teoria e Prática encontram-se

Conselho Editorial Profª. Ana Cristina Dias Profª. Celina Bezerra Profª. Cristine Cunha Lima Rosado

Projeto Gráfico Infinitaimagem Fone: (84) 3231-3795 / 8805-1004 infinitaimagem@infinitaimagem.com.br

03 – Literatura

06 – Educação

Diretoras Maria Lúcia Andrade de Azevedo Ana Flávia Andrade de A. Oliveira

Há ainda outros trabalhos que rompem os limites das salas de aula e são destaque, como o texto coletivo feito por alunos do primeiro ano do Ensino Fundamental, as intervenções artísticas desenvolvidas pelo segundo ano do Ensino Médio e uma homenagem feita aos alunos concluintes de 2012, que foram aconselhados a fazerem de suas vidas “eternas primaveras”.

Índice “Evolução da escrita: das pedras aos livros da Maurício de Sousa”

Revista Ceia Cultural ISSN 1808-7302

Capa: Recorte da maquete “No sertão: paisagem e condição de vida”, feita pelos alunos Douglas Galvão de Oliveira, Fidias Augusto Cavlcanti Marques, Guilherme Bulhões da Cunha e Ricardo Câmara Guedes Filho, do 8º ano D do Ensino Fundamental II.

A partir do estudo sobre vida e obra desta poetisa, os alunos do 7º ano desenharam (ilustraram) poemas que revelaram imagens ricas em cores e formas. Cada um expôs, através de seus traços, a sua percepção estética ao se encantarem com os poemas: Bem-te-vi, Nordeste, Fortaleza dos Reis Magos, Retrato de mãe, Trovas, Cheiro bom e Areia Preta – flor do verão.

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PATRIMテ年IO CULTURAL Texto coletivo escrito pelos alunos do 1ツコ ano do Ensino Fundamental.

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EDUCAÇÃO

HOMENAGEM

SIM!

“Façam de suas Vidas

eternas Primaveras!”*

Teoria e Prática encontram-se!

Diego Mendes Silva Professor do Ensino Médio

Caros Formandos,

Cristine Cunha Lima Rosado Diretora Adjunta do CEI

A relação teoria e prática é defendida tanto no meio acadêmico, quanto desejada por quem atua em uma escola e reconhece a concretude da sala de aula. É imperativo que teoria e prática não sejam desvinculadas nem antagônicas. A teoria fora da prática social não tem sentido, sendo mero verbalismo, como proferiu Paulo Freire. A prática, sem base teórica é vazia – puro ativismo. Em uma escola, o encontro da teoria e prática deve ter um movimento didático, uma fazendo-se e refazendo-se na outra. Essa não é tarefa fácil! Enquanto a teoria é feita de conceitos que são abstrações da realidade, a prática é concretude – o fazer. A intersecção entre as duas requer tempo, disponibilidade e desejo de melhor planejar o ensino. Entendê-las como includentes e não excludentes exige esforço coletivo e individual. E como tornar isso real em um ambiente educativo? O CEI busca privilegiar o encontro entre teoria e prática, uma fortalecendo a outra. Nesta escola, a prática reflete um compromisso teórico construído histo-

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ricamente. Para tanto, o dia-a-dia, as experiências vivenciadas, a rotina escolar são minuciosamente pensadas, com base na visão teórica que é assumida pela escola. Do mesmo modo, as questões teóricas são vistas como luz analítica do existente, devendo cumprir com a função de refletir no que se faz no contexto concreto. Para isso, o CEI tem encontros semanais inclusos na carga horária dos professores, com fins de estudos e planejamento, nos quais teoria e práticas são postos à mesa. Uma real formação continuada de profissionais dispostos a pensar o trabalho pedagógico e esta é uma característica desta instituição de ensino. Sendo a escola um espaço de produção do saber por excelência, o processo educacional abrange o encontro com o patrimônio cultural, o despertar de potencialidades, a compreensão da capacidade transformadora. Abraçar esses objetivos é um desafio enfrentado pelo CEI. É indiscutível que as teorias construtivistas estão começando a mudar o cenário educacional, pois as concepções tradicionais não atendem mais as necessidades sociais de formação de um cidadão crítico. Na teoria esse é um fato, mas na prática, essa reestruturação con-

ceitual ainda é realizada por exceções, são exceções, belas exceções! No lugar da memorização mecânica de fatos, regras, educamos no CEI para pensar, valorizando o agir de quem aprende como importante para se compreender algo. Aulas de laboratórios diversos, matemateca, educação patrimonial, aulas de campo são rotineiras. A Pedagogia de Projetos trabalhada no CEI implica o reconhecimento de que aprendizagem plena não se confunde com a reprodução de conhecimentos, mas em uma reconstrução ativa, que inclui uma dimensão pessoal e criadora. Tudo isso só é possível pela valorização do trabalho em equipe. Nesta escola o pensar é apreciado, coletivamente, em todas as instâncias. São várias orientadoras, coordenadoras, professores, todos na luta – que não é em vão – de unir teoria e prática. E é neste espaço educativo, no qual as teorias educacionais se concretizam, que ambas se entrecruzam e, assim, fundem-se, com vistas à formação de um sujeito ético, participativo, consciente, crítico, reflexivo e, acima de tudo, feliz, pois se reconhece, na prática, como integrante de nossa cultura – tão teorizada – e não apenas como conhecedor desta.

Peço-lhes para serem fortes como a caatinga – percam as folhas se necessário, mas mantenham a esperança pela Vida e por dias melhores. Inspirem-se na persistência de um inselberg (aquele morro testemunho encontrado em climas secos) de 3 bilhões de anos, que aguenta fortes intemperismos físicos, e está lá, contando a história da Terra. Migrem, se necessário for. Se não fosse a mEc sair da Amazônia em direção ao sertão do Nordeste, a miséria seria maior ainda na nossa região. Talvez essa massa seja a maior política pública natural de distribuição de renda no Brasil. Movam-se! Chorem como as chuvas convectivas no final de um dia quente de verão e deixem as lágrimas verdadeiras fertilizar o solo da imaginação e dos sentimentos. Mas cuidado com as chuvas de monções, pois essas são perigosas. Sinônimo de alegrias e tragédias. Quando em excesso, levam à destruição de famílias e de sonhos coletivos, como o álcool transformado em alcoolismo. A vida é cheia de montanhas, planaltos, planícies e depressões. Em alguns momentos estaremos no topo do Hima-

laia, em outros nos profundos cânions do Arizona. São vivências diferentes, mas necessárias à configuração do Planeta e da Vida. O importante é prosseguir e transpor os acidentes geográficos da nossa existência. Sejam atrevidos e superem as expectativas. Vibrem com os novos desafios, indo além e muito mais longe que seus amigos e familiares possam imaginar! Ergam novos horizontes, desbravem, ousem. Você pode escolher se deseja navegar à montante ou à jusante em um rio. Saiba que à jusante é mais fácil, pois estarás a favor da correnteza. À montante o caminho será mais difícil, pois estarás na contramão do curso d’água. O caminho mais difícil lhe levará à nascente do rio, às águas mais limpas, transparentes e valorizadas. Lembrem-se: o aquecimento global é visto como um problema à Humanidade, de acordo com os alarmistas do Clima ligados à ONU. Por sua vez, cientistas céticos creem que o problema maior não se traduz pelo aquecimento, mas sim por um resfriamento global, pois a Biodiversidade se prolifera em climas quentes, onde o Sol é a grande

estrela da Vida. Cientificamente, não há consenso entre as vertentes. Sinceramente, na função de padrinho do Pré 2012 do CEI, oriento os formandos a focarem suas atenções em outro tipo de aquecimento. O aquecimento nas relações humanas. Atentem à necessidade de aquecimento no amor entre as pessoas. Aqueçam o respeito à diversidade étnica, religiosa e sexual. Irradiem a energia positiva que cada um carrega dentro de si. Lembrem-se de que o movimento de translação da Terra, aliado à inclinação do seu eixo de rotação, são os responsáveis pela existência das estações do ano. Então, é a Terra que decide pelo Verão ou Inverno. Façam de suas Vidas eternas Primaveras! Sejam Felizes.

*Discurso resumido do Paraninfo dos Concluintes de 2012.

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ARTIGO

RESENHA

VIDAS SECAS Eduardo Franco Correia Cruz Filho 1º ano do Ensino Médio

O

escritor Graciliano Ramos escreveu diversas obras caracterizadas, em sua grande maioria, por romances, que apresentam um viés nacionalista. Dessa forma, tratam da realidade vivida em nosso país na sua época.

A SINONÍMIA A SER BUSCADA

Roger Manuel Medeiros Gomes 2º ano do Ensino Médio

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etentor de 3% dos recursos hídricos do país, não é de agora que o Nordeste vem sofrendo com a problemática da água. Sabendo que dois terços da porcentagem encontram-se na Bacia de São Francisco, vê-se que a situação do Rio Grande do Norte é ainda mais alarmante. No entanto, o problema não é a limitação de água, mas a maneira de geri-la. Costuma-se pôr a culpa das más condições hídricas estaduais em fenômenos naturais. O clima semi-árido e suas chuvas irregulares somados a uma vegetação pouco eficiente no bloqueio da insolação são os dogmas históricos que justificam a problemática. Todavia, é fato que o RN também é influenciado pelo clima tropical úmido, de satisfatórios índices pluviométricos e vegeta-

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ção de maior porte, e mesmos nestas áreas (parte do agreste e zona da mata) observa-se a problemática em questão. Ademais, há países, como Israel, de pouca disponibilidade de água que se aproveitam de maneira bem mais racional desse recurso, apresentando cenários de autosuficiência. O que é realmente significante para a preponderante e atual situação do estado (não é a situação de todo o Brasil) é a ausência de planos diretos consistentes e fiscalizados. São eles que estipulam áreas de ocupação e de preservação; orientam a higiene sanitária das cidades; e definem obrigações para órgãos envolvidos com questões ambientais. A água imprópria de Natal, por exemplo, além de não ter tratamento de esgotos; a poluição dos lençóis freáticos tendo

como local de acesso as dunas; a despreocupação para com as ZPAs estabelecidas; e o não escoamento adequado dos dejetos, basicamente, decorrem do descumprimento do Plano Diretor Vigente. Dado isso, é imprescindível a atualização e o cumprimento dos Planos Diretores Potiguares. Estes regulamentam a maneira de gerir os recursos hídricos sem consonância com órgãos locais como CAERN, IDEMA, COVISA e SEMURB que podem ganhar maior poder de atuação e incentivar a melhor integração das cidades na resolução da questão. A água e a sua preservação não são antônimos ou sinônimos, porém aproximar ambos é uma obrigação de todos. A relação entre os vocábulos é a sinonímia a ser buscada.

Ao escrever o romance “Vidas Secas”, ele conta a história de uma família de retirantes, habitantes do sertão nordestino, que buscam a sobrevivência fugindo da seca: Fabiano (o pai), Sinhá Vitória (a mãe), o menino mais novo e o menino mais velho (os filhos), Baleia (a cadela, ente da família, que, em alguns momentos, é equiparada aos familiares) e o papagaio (que foi utilizado como alimento durante um período de escassez de comida), encontram-se em busca desenfreada por um local onde pudessem viver. Eles sofreram a influência da sede, do cansaço e do sol intenso, até encontrar uma fazenda aparentemente abandonada. Um dos diversos pontos interessantes da obra é que podemos perceber facilmente a aproximação da descrição da

vida no sertão na época do autor com a da nossa época. Isto nos dá a entender que Graciliano era um homem à frente do seu tempo. Por consequência, ao chegar à fazenda, eles passaram a viver naquele local. Porém, com a chegada do proprietário, Fabiano foi obrigado a trabalhar na função de vaqueiro, tendo ainda a família, como condição, o pagamento de taxas. Assim, residiam no local tendo um período de “estabilidade”. Observa-se que, no decorrer da obra, o autor explicita momentos de suspense, nos quais os personagens principais passam por problemas, que se resolvem. É estabelecida a ideia de vários ápices, presença de mais de um confl ito, que se resolvem a fi m de ilustrar a dificuldade vivida por eles, até haver o real desfecho. Com isso, eles enfrentaram uma série de outras dificuldades, tais como uma enchente no período de inverno, a distância para chegar à festa do Natal da cidade. Peculiar à ideia que o autor pos-

suía ao expressar esta necessidade de imposição social de classes mais abastadas, a qual se perpetua (em alguns casos) até hoje, – na morte de Baleia, o autor mostra sua opinião sobre a religião como algo dispensável, mostrando um rompimento com os fervorosos dogmas da igreja na época, acrescentando o ódio de reencontrar o soldado amarelo, que suscitou a vontade em Fabiano de matá-lo e a sobretaxação do valor que a família devia ao dono da fazenda. Com o alto valor das contas da família, eles decidiram se aventurar no mundo, fugindo da fazenda. Incrivelmente, este desfecho traduz o fi m que levou e leva a maior parte dos sertanejos – o êxodo rural – uma ideia que permanece por décadas e afi rma novamente que Graciliano está à frente do seu tempo, mostrando todo o contexto de uma época que serve para os dias atuais, sendo um livro que vala a pena ler, apenas com a ressalva de ser escrito em uma época na qual a gramática portuguesa era grafada de forma diferente.

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OPINIÃO

SEMANA LITERÁRIA

A FORÇA

DE UMA SOCIEDADE A P Á T I C A Marcela Almeida Brunet de Sá 1º ano do Ensino Médio

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s últimos meses da vida dos brasileiros foram marcados por uma onda de manifestações tão intensa, que chegou a assustar algumas camadas da nossa sociedade apática. É inegável a capacidade desses movimentos para promover mudanças na realidade do nosso país e, até mesmo, na mentalidade do nosso povo, que se torna mais ativo no que diz respeito à cobrança de soluções para problemas político-estruturais do Brasil. Apesar disso, os manifestantes provavelmente não conseguirão atingir aquilo que mais desejam: promover uma mudança significativa no sistema político nacional.

do nosso estado e se apresenta, hoje, de forma tão imbricada aos governos, que nem mesmo as manifestações populares são capazes de dissolvê-la. Sim, “o gigante acordou”, o povo está pronto para lutar e reivindicar seus direitos, para tornar o Brasil um país melhor. A luta, porém, não é tão simples: é necessário enfrentar um outro gigante, o gigante dos políticos corruptos, do desvio de verbas e da impunidade. Os interesses do governo, muitas vezes, coincidem com interesses de grupos extremamente poderosos e influentes, os quais tornam praticamente impossível o controle do povo sobre a política.

Algumas reivindicações importantes já se concretizaram: o aumento nas tarifas de transporte foi revogado e a PEC 37 foi vetada. O grande problema, porém, é que essas concessões, mesmo representando um grande avanço para a vida do brasileiro, não são nada frente à corrupção, verdadeira causa dos problemas básicos do país.

Se, em 400 anos de história, com incontáveis escândalos e crises políticas, não fomos capazes de solucionar o problema da corrupção, não será um levante populacional sem liderança e propostas defi nidas que o conseguirá. É certo, contudo, que os governantes não terão a mesma liberdade para fazer o que bem entenderem com a política, agora que se deparam com uma população preparada para a defesa de seus direitos.

Essa corrupção não é novidade no Brasil. Ela vem se fortalecendo e se consolidando, praticamente, desde a formação

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Águas Literárias Antônio Carlos Galvão Júnior Professor Ensino Fundamental II

Como não beber água? Dela dependemos fisicamente. Como não ler poesia? Dela precisamos espiritualmente.

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é assim que corre a vida, esse comboio de cordas, essa colcha de retalhos, nas águas reais e poéticas do mundo. Morreremos se não tivermos as duas. A poesia hidrata a secura dos corações; faz torrente na imaginação; lubrifica os pensamentos; torna-se enchente na emoção; refresca o espírito; renova o ânimo; limpa os olhos. Pelas veredas da mente, trilha seu caminho – ora como via principal, ora como afluente de risos, choros, reflexões, angústias, decepções, raivas...

A sua busca é o mar espectral da literariedade... Nele, esbalda-se não mais sozinha, mas com todo o seu teor de possibilidades inúmeras de interpretação, de recitação, de interiorização... Ai daquele “lugar” que não tenha água... Água em abundância! Quão infértil, quão feio, quão sofrível, quão inóspito... Quero água... De todos os tipos! Quero viver (e quero morrer) sem jamais saciar minha sede. Por isso, bebamos das Águas Literárias... Melhor: banhemo-nos, se possível.

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ENTREVISTA

Viviane D Teles ados da Global Footprint Network (GFN) revelam que atualmente, cerca de 80% da população mundial vive em países que usam mais recursos do que seus próprios ecossistemas conseguem renovar. Os “devedores ecológicos” já esgotaram seus recursos e têm de importá-los dos chamados “credores ecológicos”, como o Brasil. O país, dono de uma das biodiversidades mais ricas do mundo, vê sua reserva ecológica diminuir constantemente. Nesse sentido é preciso reverter tal quadro, adequando a infraestrutura das cidades, a economia e o estilo de vida da população.

Em entrevista à Ceia Cultural, a arquiteta e pesquisadora em sustentabilidade, Viviane Maria Medeiros Teles, fala sobre os desafios da sustentabilidade, o papel da educação na conscientização ambiental e ainda sugere ações que garantam uma perfeita convivência entre o homem e o meio ambiente.

Qual sua concepção sobre sustentabilidade? Há muito discurso e debate sobre esse assunto, mas, para mim, está faltando algo importante: o estabelecimento de um critério que possa mensurar o valor do custo ambiental. Sabemos que a utilização predatória dos recursos naturais do nosso planeta e a consequente geração de resíduos pela população humana há muito estão alterando a saúde da Terra. Já não é mais possível negar que dependemos do equilíbrio entre a população, os recursos naturais disponíveis e os resíduos gerados. A população mundial cresceu de 2,5 bilhões em 1950 para sete bilhões e atual taxa de crescimento é de 1,3% ao ano. Estima-se que seremos, no século 22, 11 bilhões e, segundo tendências atuais, os recursos disponíveis hoje já não conseguem atender as necessidades da população do planeta.

As futuras gerações precisam do conhecimento sobre o que afeta o meio ambiente e o que pode ser feito para redimir seus efeitos.

vas de tais “credores ecológicos”, como o Brasil, diminuem com o tempo. Não podemos mais manter essa discrepância orçamentária que aumenta entre o que a natureza é capaz de prover e as demandas de nossa infra-estrutura, economia e estilo de vida. É do interesse próprio das nações se prepararem para um futuro com tensas restrições ecológicas. Os devedores dispõem de um incentivo para reduzir sua dependência dos recursos, enquanto os credores têm motivação econômica, política e estratégica para preservar seu capital ecológico.  Qual o papel da educação frente à perspectiva de uma possível crise ambiental?

À medida que aumenta nosso nível de consumo ou de “gastos”, os juros que pagamos sobre esse crescente débito ecológico – redução de florestas, perda da biodiversidade, colapso dos recursos pesqueiros, escassez de alimentos, diminuição da produtividade do solo e acúmulo de gás carbônico na atmosfera – não apenas sobrecarregam o meio ambiente, como também debilitam nossa economia.

Conscientizar, esclarecer, alertar. Citar e mostrar exemplos, que possam gerar pequenos projetos práticos em termos de conservação de meio ambiente, para que os alunos possam vivenciar, saindo da teoria para a prática.

Nem todos os países demandam mais do que seus ecossistemas são capazes de prover. Mas até mesmo as reser-

É possível ainda possibilitar um intercâmbio direto com uma ONG ou

instituição que trabalhe com pesquisa prática em meio ambiente. Sugiro, por exemplo, a “recriar.com”, com página no Facebook e artigos publicados no mundo inteiro. Mas há muitas outras ligadas diretamente à Organização das Nações Unidas (ONU). Sem dúvidas, isso daria muito respaldo à escola e uma oportunidade sem precedentes para os alunos.

condições climáticas, para aproveitá-las, deixando a edificação livre de todos os sistemas e condicionantes ativos de conforto térmico e ambiental.

Na sua área de atuação, como desenvolve projetos de arquitetura sustentável?

Quais ações a Sra. sugere para as futuras gerações prosseguirem na construção de um meio ambiente saudável?

Os antigos povos viviam e construíam completamente de acordo com o meio ao seu redor. Ou seja, não modificavam o meio para viver. Adaptavam-se às condições existentes, quer seja nos aspectos climáticos, quer seja nos aspectos dos materiais disponíveis.

Ensinamentos e conhecimento. O homem respeita e pode modificar apenas aquilo que ele conhece. As futuras gerações precisam do conhecimento sobre o que afeta o meio ambiente e o que pode ser feito para redimir seus efeitos.

Na minha área, procuro hoje projetar para que a construção seja completamente sustentável e independente. Preparo e esclareço cada situação para que seja auto-suficiente e independente. Para isso considero principalmente as

Para eles não pode faltar conhecimento sobre poluição do ar, terra e água, reciclagem, reutilização, conservação, serviço e consciência ambiental, preservação, biodiversidade, ecologia, sustentabilidade e ecocidades.

São cuidados referentes à ventilação, iluminação, armazenamento de água, tratamento de esgotos, uso de tecnologias alternativas e menos poluentes na construção e no uso posterior.

Há muito discurso e debate sobre esse assunto, mas, para mim, está faltando algo importante: o estabelecimento de um critério que possa mensurar o valor do custo ambiental.

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ARTIGO

SUSTENTABILIDADE

Intervir para Compreender (se)

Ana Catarina de Melo Professora do Ensino Médio

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omo prática, as intervenções artísticas objetivam interferir sobre uma dada situação para promover alguma reação ou transformação no plano físico, intelectual ou sensorial. Nessa mesma linha de raciocínio, instalação e flash Mob são, respectivamente, uma obra criada para despertar inquietação em quem passa por algum lugar – pois essa obra espelha um momento exato da sociedade -, e uma aglomeração instantânea em um local público, com o propósito de realizar determinada ação inusitada, previamente combinada, após a qual, as pessoas se dispersam tão rapidamente quanto se reuniram. Em tempos de individualismo, a falta de percepção do semelhante prejudica, inclusive, a relação do homem com o meio. Afinal, quando não é possível visualizar um problema sob a perspectiva do outro, ficará muito mais difícil enxergar esse outro dividindo o espaço comum, seja ele o planeta, um continente, um país, um estado, uma cidade, uma praça ou o pátio escolar, durante o intervalo entre as aulas. Neste ano, à segunda série do Ensino Médio foi sugerida uma proposta de trabalho diferente: sair da zona de conforto (sala de aula) e intervir no meio

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escolar de forma significativa. Levando-se em conta que os artistas, direta ou indiretamente, intervêm no espaço onde vivem, os alunos pensariam uma maneira de surpreender os olhares já cristalizados pela repetição do cotidiano. O processo foi dividido em três momentos: “o que fazer?”, “Como fazer?” e a ação propriamente dita. O que fazer? Uma instalação e um flash mob. Como fazer? As turmas se reuniram em grupos, formularam propostas e submeteram-nas à decisão coletiva. Em seguida, fizeram o levantamento do material necessário para as intervenções e começaram a criar coreografias e a selecionar músicas para a apresentação durante o intervalo. Também lhes foram apresentados nomes da literatura brasileira. Cada uma das turmas, pois, sorteou um padrinho poético: Álvares de Azevedo (2AM), Vinícius de Morais (2BM), Cecília Meireles (2CM), Manoel de Barros (2DM) e Ferreira Gullar (2EM). O propósito não era estudar a vida dos escritores, mas, através da ação interventiva, compreender por que esses autores, em suas respectivas épocas, optaram (ou ainda optam) por surpreender e deixar marcas na história artístico-literária. Os flash mobs, de fato, surpreenderam os demais alunos da escola que, ao participarem da apresentação, na tentativa de reconhecer a temática, também interagiram com a atividade

quando, ao voltarem para a sala, em meio a comentários, buscaram identificar o senso crítico decada abordagem. O 2º Ano E abordou o esquecimento de grandes nomes, das mais diversas áreas, ocultados e até esquecidos pela fama das celebridades instantâneas. O 2º Ano D criticou o lado androide e automatizado que acaba conduzindo as pessoas à uniformidade sem personalidade. O 2º Ano C aludiu às diferentes “tribos” sociais, por meio de gêneros musicais característicos e defendeu a tese de que a diferença não é empecilho para a convivência social, tampouco para atos de solidariedade. O 2º Ano B mencionou a manipulação social que acaba por transformar indivíduos em palhaços do poder e do sistema. O 2º Ano A, última turma a apresentar-se, venceu o desafio de resguardar o elemento surpresa e conseguiu esse feito ao transmitir uma mensagem positiva de alegria e bom humor face aos obstáculos da vida.

Um anúncio à

V I DA

Quanto às instalações, poucas pessoas se deram conta do elemento novo exposto no lugar por onde elas passam todos os dias. Essa constatação levou os alunos a discutir sobre como já não lançamos o olhar sobre todas as esferas espaciais. A discussão chegou a outras dimensões: se não foi fácil pensar sobre a desvalorização do conhecimento (2BM), sobre os desafios do tempo que se esvai (2AM), sobre os muros e as correntes que aprisionam o nosso ser (2EM), sobre a manipulação midiática que nos torna limitados (2DM) ou sobre a solidão provocada pelo uso exagerado de aparelhos eletrônicos (2CM), como será possível enxergar questões mais amplas, tais como o próximo e a natureza? Sem dúvida, foi uma experiência por meio da qual os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais se fizeram presentes. Ademais, os baixos custos contribuíram para o pleno exercício da criatividade. Como professora, gostaria de ressaltar, entre tantas dificuldades necessárias e êxitos significativos, um aspecto que aflorou a emoção. Exceto no momento em que tudo terminou; ao longo da preparação e execução, nenhum aluno lembrou ou efetivou a pergunta que, na maioria das vezes, é tão frequente: “quanto vale?”. A ausência desse questionamento provocou uma intervenção inquieta naquele espaço subjetivo intitulado Educação.

Maria Suerbene Paulino Pereira e Joanna Paula da Silva Pires Professoras do Ensino Fundamental II

O

s trabalhos apresentam a visão dos alunos dos 9º anos sobre sustentabilidade.

Após o estudo do gênero “propaganda institucional ou corporativa”, as turmas escreveram seu apelo aos mais diversos interlocutores, convidando-os à reflexão sobre respeito ao meio ambiente e ao próximo, cuidado com a natureza, alegria, organização, espaços, sentimentos...

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POESIAS

Cuidar do meio ambiente

Mãe Natureza

Cuide do meio ambiente Porque é a mesma coisa que cuidar da gente

Planeta, Planetinha, Planetão Você é tão grande Que floresce o meu coração

Diga não à poluição Pois nossa vida está em vão

Planeta, Planetinha, Planetão Você era tão florido Mas agora não é mais não

Não corte as árvores Porque isso traz maldades Pare de jogar lixo na rua Pois a responsabilidade é sua O homem faz parte disso Vamos acabar logo com isso Temos que cumprir uma missão Para impedir a poluição.

Mil naturezas

É hora de parar Caminho pela praça, caminhando o tempo passa. E a poluição que não acaba?

Construindo o amanhã

Será que o homem não descobre que a natureza um dia morre?

O planeta Terra é muito bonito, mas está ficando poluído.

Parem de poluir! Parem de desmatar! Para o mundo melhor ficar.

Temos que contribuir, para alimentação existir.

Chega de desperdiçar, vamos economizar. Não matem os animais, eles são essenciais. Ufa! O homem descobriu que ao invés de desmatar é melhor reciclar! Então, todos juntos, vamos o meio ambiente ajudar! Marília Dantas Montenegro Simas Procópio, Laura Pontes Gomes de Souza, Ana Luiza Cortez de Medeiros, Fernanda Dantas de Carvalho Fernandes, Pedro Henrique Santos Moura e Samira Holanda de Alencar. – 4º AM

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Se as árvores a gente desmatar, não vamos ter como respirar. Nós agimos, o planeta sente. Antes de agirmos, temos que usar a mente. Tinha floresta, bicho pra chuchu! Mas está ficando sem nenhum. Terminamos deixando esta mensagem: faça sua parte, antes que o mundo acabe. Giovanna Afonso de Lima Horta, Ingrid Santiago Cabral Rocha, Luísa Soares de Mello, Mariana Tainá Oliveira de Freitas, Letícia Cunha Freire e Pedro Henrique de Medeiros Dantas – 4º AM

As árvores sofrem o desmatamento As pessoas não valorizam a vegetação Nem também os animais Que nós amamos demais O lixo tem poluído Um rio que não pode ser substituído As águas poluídas estão Assim os peixes morrerão As florestas desaparecerão Se continuarem com a poluição Todos perderão Se continuarem com a devastação Animais desaparecerão E bolsas e sapatos surgirão Devemos prestar atenção! Defender os bichos com cooperação. 4°CM: Luiz Henrique Guerra Fontes, Yasmin de Souza Barreto, Cecília Peersen Chianca da Câmara, Maria Eduarda Montenegro de Souza, Letícia Maria de Medeiros Dantas e Mayara Barradas de Alcântra. – 4º CM

Um homem sensacional

Eduardo Porpino Gomes da Costa, Pedro Henrique?, Daniel Felipe Souza da Silva Pereira, Dimitri Ferreira Aguiar de Rezende, Luca Lilete Alves Gentil, Felipe Alves Trindade da Costa e João Paulo Aguiar Costa – 4º BM

Hoje é um grande dia O dia de homenagear um grande escritor Seu nome é Fernando Carraro Um homem sensacional Que não conhecemos outro igual

O meio ambiente

“Vida, direito de todos”, “Amigos do planeta azul”, “O planetário”, “Amazônia” Suas obras são especiais Têm a missão de nos ensinar mais

Das árvores nascem os lindos frutos, nascem também uma imensidão de flores. Cheia de rios e animais raros, a natureza é cheia de cores! Borboletas voam pelo ar, peixes nadam nos lindos rios. Vejo pássaros a voar, também vejo bichos sombrios. Pouco a pouco estão sumindo, a humanidade tudo destruindo. O meio ambiente vamos preservar, assim não iremos nos prejudicar. Juntos a reciclar, o nosso planeta vamos ajudar!

Amigo dos poemas e dos livros Possui uma inteligência inigualável Assim nos ajuda a crescer Aumenta o nosso saber Escrevemos este poema especial Para homenageá-lo E também para lhe agradecer Por ser esse incrível escritor O 5º ano AV o parebeniza Por ser esse homem sensacional Que nos agrada Com suas obras e carinho sem igual.

As árvores floridas Eram tão coloridas E tão queridas Água do mar Água da terra Sempre conquistando O Planeta Terra As tecnologias Acabamcom você Mas os marese as terras Te fazemflorescer As árvores são bonitas efloridas Não estraguem essamaravilha Só façamflorescer Nascer e viver O ar dá oxigênio para a gente O vento dá brisae frescor Cuidemos do planeta sempre Com muito empenho e amor. Sarah Cabral da Costa Maciel Dias, Tainá da Costa Cavalcante, Giovanna Afonso Lira, Yasmin de Andrade Coelho, Érika Carolinny Lourênço da Silva, Maria Luiza Melo Cavancante e Bruna Marcelino Valle – 4º BM

Poema coletivo feitos pelos alunos do 5º AV

Lara Menezes Vasconcelos, Luiza Andrade de Oliveira, Caroline Santos Pinto, Guilherme Melo Cortez, Daniel de Deus Barreto Galvão, Rebeca Reis de Medeiros - 4°AM

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História

LITERATURA

A vida de

Manoel de Barros “Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito.” Manoel de Barros

Veruska Maria Pontes Sena e Elione Severiano da Fonseca Professoras do Ensino Fundamental II

O

Walclei de Araújo Azevedo Professor de História Ilustração feita pelos alunos do 8º ano AV: Felipe França, Bruno Moura, Pablo Viegas e Luca Martinez Ilustração feita pelos alunos do 8º ano BM: Meline Jácome, Rayane Rodrigues, Heloisa Helena, Laryssa Batista, Laura Nobrega

projeto com o poeta Manoel de Barros faz uma interação com o tema integrador – Construindo o amanhã: nós agimos, o planeta sente.

Conhecendo Manoel

Manoel de Barros, o Poeta

Ele nasceu em 1916 19 o dia Dezembro o mês Nasceu em Cuiabá e depois de um tempo Foi morar em Corumbá E vira fazendeiro

Manoel de Barros Nasceu em Cuiabá Mas ainda novo Mudou-se para Corumbá

Poeta brasileiro Nasceu em Cuiabá Na década de 60 virou fazendeiro Desde pequeno aprendeu a sonhar

Decidiu ser advogado Mais tarde fazendeiro E ainda se tornou Um poeta brasileiro

Manoel de Barros Poeta renomado Ganhou vários prêmios Foi aclamado

Nos seus poemas Retrata a natureza O ambiente em que vive Com toda sua beleza

No dia 19 de dezembro Ele nasceu Foi para o Rio de Janeiro E lá muito tempo viveu

Seu poema é complexo E muito profundo Ao conhecê-lo nos sentimos Em outro mundo.

Poeta desconhecido não frequentava os meios literários Mas sua poesia um dia reconhecida O fez poeta consagrado

Alunos 7º AV: Beatriz Aires Lopes Rego Vasconcelos, GiulianaFulco Gonçalves, João Vitor Medeiros Gameleira, Luana Aragão Costa de Castro Felce, Maria Luisa Cavalcanti da Rocha, Maria Luisa Paes Barreto Pereira de Macedo, Frederico Cataldo de Gregório

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O

s alunos do 9º ano foram orientados a escrever cartas ambientadas ao contexto da Segunda Guerra Mundial. Deveriam viajar no tempo histórico, usando sentimentos, impressões e expressões da época em evidência.

Carta escrita pela aluna Beatriz Andrade Brandão

A vida de Manoel de Barros

Alunos 7ºBV: Antônio Carlos Telles de Mello Filho, Elaine Cristina Azeredo Spínola, Gabriel Pinheiro de Oliveira, Ingrid Lira Cunha Collier, Luiz Guilherme de Souza Rêgo, Maria Luiza Barros Souza de Medeiros.

Cora Coralina

A proposta do trabalho permitiu uma ressignificação dos conhecimentos históricos sobre a Segunda Guerra, bem como o resgate da carta como meio de comunicação.

Leiam alguns versos produzidos, coletivamente, pelos alunos.

E nunca imaginou o poeta No que iria se tornar E os livros que iria publicar

“O tempo passa veloz e quer levar consigo histórias para contar; faça sua história e marque sua passagem com felicidade”.

As cartas manuscritas foram colocadas em envelopes e elaboradas de acordo com seu gênero textual, em coerência com as exigências do ENEM. Dirigidas a algum familiar, foram respondidas por eles, no mesmo formato e encaminhadas para o endereço indicado pelo aluno.

Diante de uma reflexão sobre a vida e obra do poeta, os alunos foram convidados a produzirem poemas biográficos sobre Manoel de Barros. Reconheceram a importância desse poeta para nossa literatura, por enfatizar seu amor e admiração à natureza, especialmente, por ser conhecido como o poeta das águas.

Com 08 anos foi para o colégio Lá ele foi estudar Hoje é muito esperto Mesmo sem muitos privilégios

CARTAS DA SEGUNDA GUERRA

Carta escrita pela mãe Maria Socorro Alencar Andrade Brandão

Alunos 7ºAV: Fernanda Gadelha Fernandes, Letícia Lopes da Costa, Lucas Quirino Gomes, Luiz Eduardo Caldas Pinheiro, Maria Eduarda de Melo Maia Madruga, Thomas Gottsghalck Cavalcanti

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MATÉRIA

Colégio CEI implanta projeto em parceria com a Unesco O

Colégio CEI é a primeira escola do Rio Grande do Norte a estabelecer parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que aprovou em 2012, o projeto “Água e vida no Rio Grande do Norte: gota a gota”, elaborado pela equipe da escola e enviado ao PEA – Programa de Escolas Associadas a Unesco. O projeto prevê ações integradas durante todo o ano com o tema relacionado à qualidade da água. O tema água vem a cada dia tomando mais espaço nas discussões e debates sobre saúde, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e tantas outras coisas que dizem respeito direta ou indiretamente à sobrevivência e bem estar do homem. Hoje, já é bem difundida a

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convicção de que ela é um bem precioso na Terra, mas que é uma riqueza finita e, sendo assim, precisa do cuidado de cada um no seu uso e disponibilidade. Nesse cenário, a educação das futuras gerações quanto a isso pode ser a chave para um planeta em que impere a sustentabilidade. Procurando atuar de forma pioneira, trazendo para o ambiente escolar os assuntos e preocupações que devem fazer parte do conhecimento do cidadão do futuro, o Colégio CEI definiu para 2013 um tema integrador com a seguinte denominação: “Construindo o amanhã – nós agimos, o planeta sente”. Dentro dessa linha, buscou envolver os alunos em atividades relacionadas ao meio ambiente e à qualidade da água no planeta.

Como exemplo, podemos citar a participação dos alunos do Ensino Médio em estudos que seguiram um princípio teórico-metodológico baseado na problematização de questões socioambientais referentes à água e ao incentivo à participação política dos alunos. Segundo a orientadora pedagógica Celina Bezerra, “foram realizadas pesquisas sobre a realidade do município de Natal em relação ao abastecimento, acesso e proteção da água, com visitação às quatro regiões administrativas da cidade e atividades de campo em instituições parceiras neste trabalho, como IFRN, UFRN e SEMURB”, afirmou.

los alunos na própria escola e em uma Audiência Pública na Câmara Municipal de Natal, para debater e encaminhar proposições sobre as problemáticas identificadas. Na ocasião, a aluna Flora Assaf falou sobre a qualidade da água da cidade. “Nós temos que realizar mais investimentos em saneamento básico. Esse investimento também é saúde”, comentou Flora. O envolvimento da comunidade escolar e de parceiros neste projeto possibilitou surpreendentes e importantes resultados, seja a construção do conhecimento científico, seja a efetuação de intervenções significativas na realidade. Segundo a professora Ana Clara Oliveira, responsável pelo envio do documento ao PEA, “o Projeto de Estudo sobre água se insere, perfeitamente, no tema

que já havíamos definido para 2013. Foi possível constituir um foco transversal das pesquisas e reflexões, sem inviabilizar outros projetos didáticos desenvolvidos em consonância com nosso tema integrador”, disse. Segundo Ana Clara, os estudos visam possibilitar aos alunos o conhecimento sobre a problemática da água e da vida no nosso Estado, segundo a contribuição que cada área científica oferece para compreensão e conscientização dos problemas e potencialidades existentes. “Na metodologia dos estudos se faz necessária a perspectiva da interdisciplinaridade, para integração dos saberes a serem construídos no âmbito escolar, como também, que os estudos resultem em ações so-

ciais, extensivas às comunidades pesquisadas”, pontuou. “CEI: em busca da sustentabilidade” Além do desenvolvimento do projeto unificado sobre água, a escola firmou convênio com a ECOSIN, empresa que trabalha com soluções ambientais na UFRN, para desenvolver uma ação no colégio durante todo este ano letivo. Sob o título “Projeto CEI: em busca da sustentabilidade”, a intervenção consiste principalmente em um diagnóstico da situação atual de gerenciamento de resíduos sólidos comuns na escola, além de medidas para adequar o gerenciamento de resíduos a um modelo ambientalmente adequado e na capacitação de funcionários, professores e alunos, dentre outros.

Os dados da pesquisa resultaram em diagnósticos e relatórios elaborados de forma interdisciplinar, servindo de base para um documentário apresentado pe-

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PALAVRA DE PAIS

Frases vencedoras do concurso

“O Cei para mim é...”

O desaf io da sustentabilidade Profa. Dra. Maria das Vitórias Vieira de Sá

A

O que se observa hoje é uma grande distância entre o conceito e as ações práticas realizadas. Ações como a preservação ambiental, como a exploração dos recursos naturais de forma controlada, racionalizada e com planejamento, o uso de fontes de energias limpas e renováveis, o controle do consumo de água evitando desperdício e a gestão dos resíduos gerados nas diferentes indústrias, dentre tantas outras ações, são fundamentais para a garantia da sustentabilidade. Mas qual o meu papel como cidadão nesse grande projeto chamado desenvolvimento sustentável? É necessária e urgente uma mudança de comportamento e de cultura no que

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– “O CEI para mim é uma escola legal, divertida e educativa. O CEI para mim é viver, aprender e crescer!”

Anna Clara de Medeiros Miranda – 2BV

Indira Rebouças Teixeira Rocha – 5AV

– “O CEI para mim é um lápis escrevendo em minha vida histórias de alegrias e descobertas.”

– “O CEI para mim é não só uma escola com um ensino exemplar, mas também uma grande família para nos ajudar, acolher e principalmente guiar o melhor caminho para nossa vida, no futuro e no presente.”

Lara Rafaella Mendes Pereira – 5DM

Professora do Departamento de Engenharia Civil da UFRN Mãe de Marcela Almeida Brunet de Sá do 1º ano do Ensino Médio e Pedro Almeida Brunet de Sá do 5º ano do Ensino Fundamental

sustentabilidade é um termo usado para definir ações que tenham como objetivo suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das próximas gerações. Tem como premissa integrar questões sociais, energéticas, econômicas e ambientais, em que o ser humano é a parte mais importante do meio ambiente. Garantir o crescimento econômico constante e duradouro, tão necessário à diminuição da pobreza e melhoria da qualidade de vida do ser humano, depende da disponibilidade de energia e da preservação ambiental. Um meio ambiente degradado abrevia o tempo de vida do ser humano, a economia não se desenvolve e não há como garantir sobrevivência no futuro. Sem dúvida, nada se aproxima mais do respeito ao outro, quanto o conceito de sustentabilidade.

– “O CEI para mim é uma escola onde aprendi a respeitar as diferenças, foi onde fiz novos amigos e estudo feliz.”

– “O CEI para mim é um lugar muito importante para o meu aprendizado, onde aprendo a respeitar, conviver e pensar.” Pedro Henrique de Medeiros Dantas – 4AM

se refere à sustentabilidade do planeta. A educação quanto à sustentabilidade deve estar presente da educação básica às universidades. O papel da escola é de extrema importância nesse processo de formação básica. Uma vez incorporado o conceito de sustentabilidade à vida das crianças e jovens, eles irão buscá-lo na formação profissional e no desenvolvimento de suas atividades. São eles os responsáveis pelo futuro. O jovem de hoje, bem instruído, é formador de opinião dentro da sua família. É importante inserir no processo de formação do aluno aspectos como: a poluição atmosférica é danosa à saúde, a fauna e flora; os recursos naturais não finitos; o consumismo descomedido gera resíduo; a poluição das águas inviabiliza o seu uso; a busca contínua por energia limpa; reciclagem; e o quanto somos responsáveis pela garantia da qualidade de vida do ser humano. Tão importante quanto à educação quanto à sustentabilidade são as políticas governamentais que favorecem a prática de ações sustentáveis no dia-a-dia do ser humano. Os países desenvolvidos experimentam ações simples, mas que representam um enorme ganho de sustentabilidade para o planeta. Na Alemanha está sendo construída uma via exclusiva para ciclistas, que comporá um dos trechos mais movimentados de uma das principais autopistas daquele país europeu. Esta foi a alternativa encontrada pelo governo alemão para diminuir os altos níveis de congestionamento e

ainda reduzir as emissões de gases poluentes provenientes dos veículos, além de melhorar a qualidade de vida do ser humano ao realizar atividade física. Em São Paulo já existem algumas ciclovias, ainda carentes de sinalização adequada e com segurança precária. Melhorar a mobilidade nas grandes metrópoles, investindo em transportes coletivos com o uso de energias renováveis, por exemplo, tem um grande valor sustentável para o planeta. Ainda se tem um entendimento equivocado de que apenas as grandes ações contribuam no desenvolvimento sustentável, o que não é verdade. No Rio de Janeiro, por exemplo, foi implantado recentemente o Programa Lixo Zero, que apenas na primeira semana aplicou 467 multas a pessoas flagradas jogando lixo nas ruas da capital. Os infratores foram obrigados a pagar um valor de R$ 157,00, o que certamente contribuirá para a mudança de cultura com relação ao destino do lixo, justamente por pesarem no bolso. Em muitas situações a conscientização e respeito ao planeta precisam ser “arrancados” da população. Desse modo percebemos que o tema integrador do CEI em 2013, “Construindo o amanhã: nós agimos, o planeta sente”, está perfeitamente alinhado com a preocupação mundial com a sustentabilidade, por assumir a idéia de que as nossas ações de hoje, corretas ou não, repercutirão na vida do planeta, e na nossa também.

– “O CEI para mim é a extensão da minha casa, é conhecer, é aprender, é diversão, é educação, enfim, é o alicerce para o meu futuro.”

Maria Clara Santos – 5BM

– “O CEI para mim é o ar que respiro, a minha inspiração, a minha diversão. Eu nunca vou ser o mesmo quando for me formar e no CEI, essa minha querida escola, não mais estudar.” Davi Maia Farias Cavalcante – 3BV

– “O CEI para mim é o melhor lugar para aprender, crescer e ser feliz.”

– “O CEI para mim é a escola que me fez valorizar o aprendizado de verdade, que me ensinou a respeitar e a ajudar o próximo e que me fez perceber que o verdadeiro mestre é o professor.”

Maitê Collier Marinho – 2CM

Filipe de Queiroz Alcântara – 3CM

João Victor Bittencourt da Fonseca – 4BV

*Produção dos alunos do Ensino Fundamental, por ocasião do aniversário da escola.


Ceia Cultural  

Ano X - nº 11 - novembro/13

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