Revista Moving #3

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2 MOVING SUMÁRIO

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PALAVRA PERSOL

ESPECIAL 4. De dentro para fora

CONQUISTADORES

Francieli Santos Coordenadora de Marketing 18.

Nesta 3ª edição da Revista Moving, o destaque está na integração do que se é experienciado no indoor e no outdoor. A relação da Persol com

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16. Unidos em um espaço cheio de criatividade e sinergia 18. Um Loft inspirado nos materiais naturais e na ancestralidade 20. O clássico minimalista

FASHION 22. Entre linhas e afetos

DESCOBERTAS 26. Neuroarquitetura: os cinco sentidos no PDV

GOURMET 30. O novo formato do livro de receitas

LIFESTYLE 33. Kokedamas: uma obra de arte viva

DSGN 38. Color Pwr – O que está por trás de cada cor 42. Joias que contam histórias

Persianas. Rua Henrique Cantergiani, 101

PERSOL PERSIANAS Diretor Geral - Rudinei Santos

ARQT

14. Natureza azul para uma reconexão com o seu eu interior

A Revista Moving é uma publicação da Persol Bairro Cinquentenário, Caxias do Sul – RS.

6. Pesquisa e inteligência de mercado no presente, para acertar no futuro

13. Um espaço reconfortante como um abraço

MOVING EXPEDIENTE

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Diretora Financeira - Mirta Grechi Coordenação de Marketing - Francieli Santos Assessoria de Comunicação - Trinta e Três Comunicação / Carolina Menti

esse momento é justamente oferecer soluções para transformar espaços em locais versáteis, onde podemos ao mesmo tempo desfrutar de momentos de descanso, lazer e até mesmo focar no lado profissional.

Agência de Comunicação - Interativacom

Para 2022, continuamos a busca incessante por inovação e lançamentos nacionais e internacionais. O intuito é, a cada novo produto e Collection desenvolvida, agregar um conjunto de sensações e funcionalidades que proporcionem o bem-estar. Além disso, 2022 será um ano de renovação.

Santos e Kelem Freitas Duarte

A Persol quer aproximar cada vez mais seus laços com lojistas, profissionais e clientes, e tornar essa comunicação ainda mais íntegra e sólida. Com uma boa curadoria técnica e um olhar sensível, proporcionaremos o conforto e aconchego esperados pelo consumidor. Será um ano de novas formas de se relacionar. Agora, descubra novas histórias e se inspire com cada detalhe. Boa leitura!

www.interativacom.com

REDAÇÃO Comissão Editorial - Carolina Menti, Francieli Jornalista Responsável - Kelem Freitas Duarte MTB 18.385/RS Redação e Edição - Kelem Freitas Duarte, Tainá Menegat e Claudia Palhano PROJETO GRÁFICO Direção de Arte - Michele Silocchi Diagramação - Michele Silocchi Produção Gráfica - Diego Bagatini


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ESPECIAL

Foto: Michele Cavalcanti

DE DENTRO PARA FORA Tendência da busca pelos espaços abertos na gastronomia, lazer e no morar cresceu ainda mais com a pandemia.

Contemplar o sol e as estações do ano, sentar com a família no lado de fora, fazer as refeições num lugar aberto, tudo isso faz parte do “novo normal”, uma expressão que se popularizou com o intuito de tornar comum novos hábitos de bem-estar e qualidade de vida. Com a pandemia de Covid-19 passamos a olhar para fora com o mesmo olhar atento que olhávamos para dentro dos ambientes. Os espaços ao ar livre ganharam muita força nos últimos tempos e com eles vieram as soluções para tornar o espaço mais confortável como pérgolas, vidros, toldos, mobiliários, entre outros utensílios. VILA ROUBADINHAS POA: CURADORIA GASTRONÔMICA AO AR LIVRE O setor de gastronomia foi um dos mais impactados por conta das restrições e do distanciamento controlado, por isso, a alternativa foi promover espaços que permitem a integração das famílias, pets e amigos com a natureza. A Vila Roubadinhas, localizada em Porto Alegre, é o destino certo para quem busca uma experiência completa do lado de fora. A idealizadora e uma das sócias do empreendimento, Laura Bier explica: “O propósito da Vila Roubadinhas é trazer a melhor gastronomia, por meio de operações enxutas e com uma curadoria forte, trazer um espaço que ao mesmo tempo é divertido, sem frescura, democrático e agrega pessoas de todos os gostos e bolsos.” Atualmente, o lugar conta com 18 operações que vão desde o tradicional crepe no palito até pratos de outras culturas como barbecue americano ou churrasco uruguaio. Um espaço petfriendly, que é um verdadeiro convite para a família e amigos, afinal, ninguém precisa consumir a mesma coisa, é possível unir pessoas com gostos completamente diferentes. Laura complementa: “É um espaço para ir e ficar, é uma destination. As pessoas vão lá para comer determinadas coisas que só tem lá. O grande ideal do Vila é a troca, a diversidade e essa conexão da gastronomia com as pessoas por meio de um ambiente disruptivo.”

Foto: Michele Cavalcanti Foto: Daniel Sant


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CONQUISTADORES

Foto: Diego Frigo

PESQUISA E INTELIGÊNCIA DE MERCADO NO PRESENTE, PARA ACERTAR NO FUTURO Antecipar o que é tendência no mundo da moda, arquitetura e design de interiores é estar sempre um passo a frente da concorrência e conquistar novos mercados.

Na hora de criar um projeto, seja qual for a área, a pesquisa é primordial, o passo inicial para inovar e propor soluções que supram as necessidades do cliente, fornecedor ou consumidor final. Para que tal objetivo seja atingido existem as agências de pesquisa e inteligência de mercado, responsáveis por reunir todo o conteúdo, elaborar a curadoria dos principais assuntos e repassar os reports aos criativos. Confira a entrevista com a Paula Bragagnolo, Diretora Criativa da PGB Inteligência Criativa sobre a importância do investimento nesse serviço e os principais insights da área.

Persol - Qual o propósito da PGB? Paula – PGB: A PGB nasceu com o propósito de levar mais informações sobre comportamento de consumo para criadores, como Arquitetos e Designers de Moda, entre diversos outros, visando ser um suporte na hora da criação. Tendo cursado ambos os cursos pessoalmente, percebi como é difícil encontrarmos processos que incentivem conectar-se melhor com o consumidor através de pesquisa de comportamento, que inegavelmente agrega muito no resultado final, desde na agilidade do trabalho até a autenticidade do projeto. Nossa intenção é conectar os criativos de todas às áreas ao comportamento de consumo atual e futuro, e auxiliar na interpretação da estética que vemos como tendência. Queremos responder à pergunta: mas por que este estilo? Por que agora? Acreditamos que quanto mais entendermos o usuário, melhores nossas criações se tornarão.

a criação – no entanto, uma pesquisa bem feita é a chave para evitar o retrabalho e garantir a maior parte das respostas

Durante a pandemia, observamos grandes acelerações de comportamentos que vinham se apresentando gradualmente, e ao mesmo tempo, tivemos um baque nos hábitos diários que nos obrigou a reestruturar o dia a dia, como por exemplo, na adaptação de um espaço do home office. Muita coisa mudou e se intensificou em pouco tempo, isso afetou nossa perspectiva, nossos desejos e medos, e assim, gerou manifestações estéticas em todas as áreas. Estas sensações são fatores de peso no processo decisório de compra, escolha de marca e identificação com algum serviço – e aqueles que estão alinhados e entendem seus próprios con-

durante o processo. Além da parte operacional, conhecer o usuário se torna cada vez mais essencial.

sumidores podem realmente se destacar em um mercado tão competitivo.

Persol - Por que é importante investir em pesquisa, principalmente nesse momento de pandemia? Paula – PGB: Pesquisa e inteligência são o alicerce de qualquer produção e quanto melhores exploradas, maior o diferencial do produto final. Muitas vezes é uma etapa subestimada, principalmente em relação ao tempo e prazo que temos para

Render: AT Renders


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Assim, entendendo da prática, acreditamos que o diferencial para quem investe na pesquisa de tendência é o conteúdo agregado e a assertividade, a personalização gerada em projetos e produtos. Entendo completamente a rotina de um arquiteto e designer, e sabemos como o tempo é um fator essencial – praticamente nossa moeda de troca. Por isso, é fácil eventualmente tender à soluções prontas que não exijam grandes aprofundamentos, dado à prazo curtos. É isto que a PGB vem solucionar: o fator tempo de pesquisa, o momento de atualização, o referencial subconsciente. Um profissional sempre atualizado dos conteúdos, de forma condensada e facilitada, automaticamente renova seus projetos com maestria, direciona estilos e principalmente identifica em cada cliente um potencial de inovação.

“Uma marca nunca sabe o suficiente sobre seu consumidor: ele está

Persol -Qual o assunto que mais te motiva a pesquisar? Por quê?

sempre mudando, em movimento, e sua inteligência deve estar alinhada para.” - Paula Bragagnolo Render: AT Renders

Persol - Quais os assuntos abordados na consultoria e nos reports enviados aos clientes? Paula – PGB: Nossos reports da plataforma buscam envolver todos tipos de manifestações estéticas atuais e emergentes. Falamos desde comportamentos gerais, como nostalgia, otimismo e os impactos emocionais causados pelo trabalho híbrido, e dissecamos em tópicos focados para moda e beleza, arquitetura e interiores, varejo e design comercial, fotografia e design de produto geral. Nossa intenção é dar significado e profundidade para as tendências estéticas, de uma forma que não sejam vistas como uma imposição de mercado, mas sim uma oportunidade de interpretação para um design mais assertivo.

No momento, nossos conteúdos estão permeando

Persol - Qual o diferencial de profissional que investe em pes-

desde a digitalização e espaços de metaverso, até o naturalismo nos interiores, a fuga para o rural e o ecodesign. Nas consultorias, trazemos todo esse processo focado especificamente na área em que o cliente está. Apresentamos e estudamos os diversos tipos de consumidores e suas interpolações, e aplicamos nossos insights diretamente para o produto que estamos buscando entender, seja ele produto ou embalagens, seja ele no setor de serviço. Interpretamos as tendências de moda, interiores e design diretamente para o produto, e conversamos com consumidores e com o público para entender suas demandas. É um processo incrível, no qual nós aprendemos muito.

quisa de outros profissionais que utilizam apenas o conhecimento empírico? Paula – PGB: Muitos de nossos insights vem do empírico da observação e do monitoramento midiático - que é uma grande parte de nosso processo, mas também muito se tem da prática. Eu mesma sou arquiteta atuante, e assim acredito que conseguimos criar um diálogo muito aberto e facilitado com os outros profissionais – gosto de dizer que falamos a mesma língua (e que nossa intenção é justamente esta). Mesmo nas outras áreas, sempre gostamos de entender os processos práticos que permeiam as decisões.

Paula – PGB: Pessoalmente, fico fascinada por pesquisar os comportamentos brutos – aqueles que influenciam nas manifestações finais, aqueles que justificam as cores que estamos utilizando e a textura que iremos sugerir. Fazer a conexão entre momentos históricos, cenários econômicos e sociais e condensá-los em um sentimento emergente, assistindo suas repercussões - desde um mega desfile até um detalhe final em um objeto de decoração é viciante. Entender um comportamento faz o espaço ao redor fazer muito mais sentido. Sempre acreditei em todas as áreas interligadas, cada uma com sua interpretação sutil de um mesmo macro movimento. A expressão humana, em tudo que construímos, não é uma futilidade: é o segredo. É como encontrar peças de quebra-cabeças em todo lugar – e minha motivação é descobrir a imagem maior.


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Foto: Acervo Pessoal / Paula Bragagnolo

CASE: SHOWROOM GALVANOTEK O projeto desenvolvido pela PGB, que também atua como escritório de arquitetura, considera o produto, a embalagem, e cria como conceito o frame, uma moldura para outra cena. O espaço tem como diretriz imprimir uma atmosfera de um supermercado futurista, com gôndolas e cardápios expostos. O efeito quadriculado no mobiliário remete ao retrô e clean ao mesmo tempo, não pesando nos acessórios e dando a ideia de limpeza. A cor geral do ambiente tem um efeito imersivo, gerando calma e dinamismo ao ser diretamente complementar à cor da marca. Todo o ambiente procura respirar a mesma leveza e precisão da embalagem plástica. Render: AT Renders

Da esquerda para direita Patrícia Magno, Gerente de Execução de Projetos e Arquiteta; Paula Bragagnolo, Arquiteta, Pesquisadora e Diretora Criativa; Paulina Helena Mior, Redatora de Moda e Cultura; e Vitória Nunes, Estagiária de Monitoramento. Assista a série especial Inside the Design, no Instagram da PGB!


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DE FORA PARA DENTRO A inspiração para um projeto pode acontecer a qualquer momento. Vinda de qualquer direção, seja de fora, na natureza, ou dentro de um livro ou filme. Tudo pode se tornar referência para um ambiente aconchegante e cheio de personalidade. Entretanto, aplicar tal inspiração em conjunto com as principais tendências da arquitetura e design mundial, além da personalidade de cada indivíduo, não é tarefa fácil. É necessário muito estudo, trabalho e dedicação para alcançar os objetivos esperados em cada projeto. De fora para dentro, cada profissional arquiteto e designers de interiores trabalham com um olhar aguçado e criativo para dar seus ambientes residências, comerciais ou empresariais, vida e funcionalidade. Confira projetos cheios de inspiração.

UM ESPAÇO RECONFORTANTE COMO UM ABRAÇO Londrina – PR Para criar um ambiente de estar íntimo, os arquitetos Alessandro e Ricardo apostaram em uma paleta de cores neutras, com tons terrosos e o uso da madeira clara. Esta é uma das principais tendências em decoração para 2022 e está muito relacionada ao aconchego familiar e bem-estar. A composição das cores e dos móveis entrega um ambiente reconfortante como um abraço. Ele promove a lembrança e a certeza de como é bom ficar em casa junto

com quem se ama, principalmente em tempos de pandemia que podem causar algum nervosismo ou ansiedade. Neste cenário foram utilizadas as Persianas Horizontais de Madeira da coleção EcoWood 50mm da Persol, na cor cinza. Elas ajudaram a transmitir uma atmosfera de aconchego e despojamento. As laterais em tecido, os famosos reposteiros, trouxeram ainda mais a sensação de conforto para a janela. Projeto: Alessandro Cavalcanti e Ricardo Makhoul Arquitetos e Urbanistas Revenda: Ideale Decor Londrina Produto Persol: Persiana Horizontal | EcoWood 50mm Fotos: Eduardo Macarios


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15 Projeto: Daniel Wilges, Arquiteto e Urbanista Fotos: Fábio Severo

NATUREZA AZUL PARA UMA RECONEXÃO COM O SEU EU INTERIOR Bombinhas – SC Para um duplex de 120m², o arquiteto Daniel Wilges buscou quebrar a tipologia de um móvel urbano, para trazer um clima mais relaxante, como o da região em que se localiza. A região da praia de Marriscal é bem nativa, com muitos barcos de pescadores, trilhas pelo Morro do Macaco e muita natureza, o que contribuiu para a inspiração do projeto. Mesmo com metragens compactas, o arquiteto trabalhou com diversas técnicas para deixar o apartamento amplo e aconchegante. Iluminação natural e ventilação foram aspectos importantes para a criação do projeto. As janelas são grandes, indo do piso até o teto e, ao combinar tons mais neutros, todo o ambiente ganhou um ar de grandiosidade.

Mas para garantir proteção solar aos espaços, foi usada a Cortina Rolô da Persol, na cor preta. Além da proteção, a cortina entregou um ar de modernidade a mais ao entrar em contraste com as cores mais claras, assim como também oferece um conforto visual em relação às cores mais vibrantes do apartamento. E para contemplar a natureza, Daniel utilizou cores naturais e alegres, para criar um clima alto astral e contemporâneo, como o azul dos móveis ou os tapetes cheios de cor. A cobertura de vidro no pergolado também foi um ponto essencial, já que agora a família pode usar o espaço para interação, mesmo em dias chuvosos.


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UNIDOS EM UM ESPAÇO CHEIO DE CRIATIVIDADE E SINERGIA Porto Alegre – RS

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Um espaço, quatro escritórios. Este Coworking foi projetado para compreender os escritórios dos profissionais da Arquilloci, Elis Garcez, Gioda Arquitetura e Publicidade e Patrícia Barros. Unir estas particularidades em um espaço só foi uma missão de composição coletiva, refletida em um ambiente totalmente integrado.

O espaço prevê estações de trabalho para os quatro escritórios, somado a ambientes conjuntos como o Estar, a Copa e ao destaque da Sala de Reuniões, que remete a um cubo mesclado entre a madeira e o vidro da sala. A harmonia do conjunto foi resultado da combinação equilibrada entre materiais, desde acabamentos, mobiliários e decorativos. Para o Coworking POA foi utilizado a Persiana Horizontal 50mm de Alumínio, na cor preta, motorizada e conectada na automação do ambiente. Escolhida por sua elegância em sua cor e tons escuros, a persiana combina com o estilo corporativo, agregando muito design e aconchego.

Projeto: Gioda Arquitetura e Publicidade Revenda: Casa das Cortinas e Persianas Produto Persol: Persiana Horizontal Alumínio 50mm Fotos: Yuri Panichi


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19 Exprimindo uma relação direta com a natureza, Michael utiliza muitos elementos em madeira natural, executada em forma artesanal e única, estendendo o seu percurso por todo o loft. O uso do mármore em recortes, escolhidos na área do descarte por seu formato rudimentar e também como forma de ação sustentável, resultaram em uma combinação também única e atemporal, valorizando a execução e a mão-de-obra. O ponto de cores mais fortes do loft vem da cozinha. O espaço deixa a versão de serviço para funcionar também como um local de encontro ou das reuniões virtuais do home office. O verde Amazônia é intenso e elegante, e domina o espaço. Para o projeto foi utilizada a Cortina New Vision, da coleção Crystal 70mm da Persol. A sua escolha foi pelo apelo estético e funcional, em que o movimento das lâminas de tecido suspensos entre os voais transparentes garantem suavidade ao ambiente. Esta cortina une privacidade, visibilidade, proteção UV e possibilidades de efeitos de entrada de luz ao ambiente, tudo em um mesmo produto. Projeto: Michael Zanghelini, Arquiteto e Urbanista Revenda: Carol Cortinas Produto Persol: Cortina New Vision | Coleção Crystal 70mm Fotos: Fábio Jr. Severo

UM LOFT INSPIRADO NOS MATERIAIS NATURAIS E NA ANCESTRALIDADE Florianópolis – SC A Ancestralidade é um aspecto referente ao que já passou, que traz histórias vividas, mas que abre espaço para as transformações do presente. Com isso em mente e, em conjunto com a sofisticação e rusticidade dos materiais nobres, o arquiteto Michael Zanghelini criou o Loft Naturalle.


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O CLÁSSICO MINIMALISTA Caxias do Sul - RS Para um casal de perfil moderno e sofisticado, com três filhos, o projeto deve levar em consideração o conforto, elegância, aspectos técnicos e equilíbrio estético. Em uma residência de 240m², a Arquitetaria projetou e executou um volume adicional à casa existente de 85m², totalizando 325m² de área construída. Nesse novo espaço, foram integrados uma cozinha, sala de estar, sala de jantar, living e jardim.

21 A iluminação natural foi valorizada com grandes vãos com portas de correr de vidro, que se abrem totalmente ao espaço externo. Assim como o estilo clássico foi harmonizado com o minimalismo, para entregar espaços equilibrados. Os móveis escolhidos possuem linhas retas e limpas, que se contrapõem com estofados e cabeceiras de cama com botoeiras e captonês, luminárias e objetos decorativos clássicos. Essa mescla que é tendência, encheu o ambiente de personalidade e sofisticação. No projeto foram escolhidas as Cortinas Rolô Double Vision, da Collection Wood Look na cor Ivory, que proporcionam funcionalidade e conforto ao ambiente da sala de estar. Já para o novo espaço, logo acima da mesa de sinuca, foi utilizada a Cortina Romana de teto, motorizada e conectada à automação da casa, possibilitando o bloqueio da entrada de luz e calor quando o sol estiver alto.

Projeto: Daniela Coppetti e Max Manoel Arquitetos e Urbanistas Produto Persol: Cortina Rolô Double Vision | Wood Look Fotos: Guilherme Jordani


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Foto: Acervo Pessoal

ENTRE LINHAS E AFETOS A experiência de ter uma peça feita sob medida e que se encaixa no corpo de cada um é o principal propósito do ateliê que faz personalizadas on-line há mais de dois anos.

Linhas. Agulhas. Texturas. Tecidos macios ou mais encorpados. Um ateliê é um verdadeiro paraíso de cores e guarda muito mais que máquinas e roupas: cada peça conta uma história. A arte da costura ultrapassa gerações e cria experiências únicas por meio de peças que expressam a nossa personalidade. Poder desenhar uma camisa, uma calça ou um blazer é uma tarefa muito satisfatória e nos faz sentir parte do processo criativo. Há mais de dois anos, Keuri Bonato, criou um ateliê que faz peças autorais, totalmente on-line. A Tecido de Lua, situada em Maringá, no Paraná, faz

peças autorais, de acordo com a necessidade e estilo de cada cliente. Sua mãe, Elisandra Bonato é costureira e trabalha no desenvolvimento das peças do ateliê. Keuri conta como surgiu a ideia: “A Tecido de Lua foi a materialização de um sonho gestado por muito tempo, então foi natural, nasceu espontaneamente enquanto eu partilhava com minha mãe a construção de um ateliê de vestidos de festa que ela tinha na época. Fui com ela para São Paulo comprar tecidos, trouxe alguns para mim e quando postei uma calça algumas amigas quiseram encomendar. As vendas sempre foram online, mas eventualmente eu recebia as clientes em casa ou as encontrava pelas ruas para tirar medida/fazer as entregas.” Todo o processo é realizado a distância, a pessoa tira as medidas com a assistência da Keuri, escolhe os tecidos e define o modelo e quando a peça fica pronta é enviada até o seu destino final.

6 MOTIVOS PARA FAZER SUAS ROUPAS SOB MEDIDA: 1) Seja sua própria estilista; 2) Mantenha vivo um hábito secular; 3) Use a imaginação; 4) Explora seus gostos; 5) Entenda o tempo de produção de uma peça; 6) Apoie o trabalho de várias artesãs;


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“Neste processo de tecer a gente percebe que medidas são só números, e isso é muito significativo. Aí entra também a oportunidade de vestir corpos que não correspondem às tabelas de medidas-padrão da maioria das lojas.” Keuri Bonato

“Poder criar algo do zero e construir uma vestimenta que expresse algo de si é um movimento de observação interna. É tão especial poder vestir cada corpo em suas diferenças - qualitativas, principalmente.” Keuri Bonato

MODA AUTORAL PARA CORPOS NORMAIS O propósito da Tecido de Lua é quebrar paradigmas e desmistificar o conceito de que os corpos precisam se ajustar às roupas. Keuri explica: “Poder criar algo do zero e construir uma vestimenta que expresse algo de si é um movimento de observação interna. Eu, enquanto pessoa formada em psicologia, me animo ao incentivar esse exercício de escuta e atenção. Por isso, é tão especial poder vestir cada corpo em suas diferenças (qualitativas, principalmente). Neste processo de tecer a gente percebe que medidas são só números, e isso é muito significativo. Aí entra também a oportunidade de vestir corpos que não correspondem às tabelas de medidas-padrão da maioria das lojas.” Atualmente, o ateliê produz inúmeras peças como camisas, calças, pijamas e figurinos artísticos. São infinitas possibilidades de contar histórias por meio de roupas exclusivas e feitas com muito afeto.

DICA DE CONTEÚDO: Quantas lembranças uma peça de roupa pode contar? O documentário Histórias para Vestir, disponível na plataforma de streaming Netflix, traz diferentes relatos em torno de peças de roupas que foram marcantes em suas vidas. Assista o documentário Histórias para Vestir na Netflix!


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NEUROARQUITETURA: OS CINCO SENTIDOS NO PDV Os pontos de venda precisam mais do que nunca encantar o nosso olfato, paladar, tato, audição e visão. Despertar emoções e reduzir o esforço cognitivo são os principais propósitos de uma loja física.

5 SENTIDOS NO PDV

TATO Texturas

PALADAR degustação de biscoitos, café, chá, água saborizada

OLFATO Aromas e perfumes exclusivos da loja

VISÃO Disposição dos produtos e organização por cores, design biofílico AUDIÇÃO Música e sons ambientes

Quantas lembranças ficam em nossa memória ao entrarmos numa loja e ver uma estante colorida cheia de livros ou ir ao supermercado e ficar encantado com as cores e embalagens? Ou ainda, do cheirinho de sapato novo daquela loja de calçados que você ia na infância? Tudo isso faz parte de um técnicas e requer muito estudo para despertar diferentes emoções e estimular o consumo dos produtos e serviços. A pandemia de Covid-19 acelerou muitos processos e fez com que as vendas on-line aumentassem exponencialmente. Em contrapartida, os PDVs - pontos de venda - físicos precisaram se reinventar, buscar mais atrativos e gerar interesse do cliente em se deslocar até a loja. A Neuroarquitetura é fundamental neste cenário, pois se baseia no estudo das nossas reações cerebrais e resposta aos estímulos recebidos pelo ambiente em que estamos inseridos. Miriam Runge, Arquiteta e Urbanista, criadora e ministrante do curso Método Sensory que une Neuroarquitetura e Gestão Estratégica, explica: “Quanto maior for o nosso envolvimento sensorial com o ambiente maior será o registro desta experiência, do produto e da loja, seja ela boa ou também ruim.” Tomamos decisões a todo momento e ao longo de um dia inteiro. Desde a hora de acordar, o que vamos ter no café da manhã, a roupa, onde vamos, tudo faz parte das nossas funções cerebrais. E estas decisões não ocorrem de forma puramente racional como imaginamos. Por isso, a Neuroarquitetura não trata apenas da arquitetura do ponto de venda e da disposição do mobiliário, mas da interação do cliente com o ambiente. A arquiteta explica que quanto menor o esforço cognitivo melhor é a experiência dentro de um estabelecimento. Quando estamos em um supermercado, por exemplo, tendemos a fazer sempre o mesmo caminho, buscando as marcas e corredores que já estamos acostumados. Isso representa economia de energia para o nosso cérebro, pois não precisamos que ninguém nos diga onde estão as bebidas ou as frutas. “Nosso GPS mental já lembra do local e registrou a localização e isso é fundamental no processo. Se cada vez que vamos a um local precisarmos descobrir onde as coisas estão isso vai gerar um cansaço mental. A Neuroarquitetura pode organizar espaços de forma a reduzir este esforço cognitivo, conduzindo o visitante a se deslocar com mais facilidade e dentro de um padrão esperado”, destaca Miriam Runge.

Foto: Acervo Pessoal / Miriam Runge

ENVOLVIMENTO SENSORIAL

“Quanto maior for o nosso envolvimento sensorial com o ambiente maior será o registro desta experiência, do produto e da loja, seja ela boa ou também ruim.” - destaca Miriam Runge Para aumentar o interesse do cliente em ir até a loja, muitos recursos podem ser aplicados para aguçar a percepção sensorial, como aromas, iluminação adequada, músicas que favoreçam o acervo de produto e a cada hora do dia, bem como o design biofílico e também texturas. “Um dos grandes motivos pelos quais clientes se deslocam ao ponto de venda é a possibilidade de ver (e tocar!!!) os produtos pessoalmente. Portanto, explore estas possibilidades, pois este cliente certamente perceberá uma experiência mais agradável e também mais registrada em sua memória”, ressalta Miriam Runge.


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Para tornar um lugar mais calmo e aconchegante indica-se um contraste suave de cores, músicas tranquilas e em volume mais ameno, além da iluminação uniforme e harmonias na composição espacial pela unificação e repetição de formas. Já para espaços mais alegres e agitados a recomendação é um contraste maior de cores e estímulos, música mais alta e com ritmo mais agitado, muitas informações e iluminação setorizada. A arquiteta também dá insights sobre o que fazer em uma loja de persianas e cortinas: “Para este tipo de PDV o ideal é ter várias amostras, uma iluminação adequada que permita visualizar o produto real. Se é uma persiana para filtro solar, faça a simulação de como isso protege . O importante é não apenas utilizar o recurso visual, mas também o recurso sensorial do tato, de aromas, de audição e o paladar com um belo lanche ou cafezinho.

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“A aplicação de Neuroarquitetura no ponto de venda é indispensável na criação e geração de experiências memoráveis e cada vez mais positivas e assertivas.”

- Miriam Runge enfatiza.

A Neuroarquitetura apresenta um modelo que vai muito além do modelo empírico de projeto, conhecimento e história de cada projetista, ela busca soluções por meio de estudos e de neurociência aplicada para que o ambiente cumpra com a sua função, seja ela qual for.

NEUROARQUITETURA APLICADA – CASES DE SUCESSO Big Land Parque Temático - Canela/RS Com aromas delicados e ambientes coloridos, estimulantes e muito divertidos, que visam resgatar a memória da infância, o parque temático BIG LAND localizado em Canela, na serra gaúcha, não passa despercebido aos olhos, ouvidos e principalmente à memória afetiva estimulada pelos brinquedos antigos recriados exclusivamente para o parque em tamanho gigante. Cada atração convida a uma interação diferente, eles contam uma história e nos convencem que o brinquedo e a memória da infância podem despertar diferentes emoções. Não raro vemos pais ensinando seus filhos a jogar em brinquedos que povoaram sua infância e que hoje, com o mundo interconectado não existem mais. É uma viagem no tempo cheia de emoções e resgates com muita diversão. O projeto assinado por Miriam Runge e Márcio Ribas traz a exuberância das cores, texturas e muita emoção afetiva que encantam os visitantes.

Miriam Runge Arquiteta e Urbanista graduada pela UFRGS (1993), Chief Brain Officer pelo IP2 Neurobusiness de Curitiba (2017), Master em Neuroarquitetura pelo IPOG (2021), Design de Mobiliário pela UCS-RS (2003) e MBA em Neurobusiness pela Famaqui (2020). Criadora e ministrante Método Sensory, curso que une Neuroarquitetura e Gestão Estratégica, é também membro do comitê de Arquitetura da NeuroBusiness Society Brasil. Docente convidada em pós-graduação no IPOG onde ministra aulas pelo país inteiro, é também docente convidada da pós-graduação PUC-RS, UNIRITTER Laureates, UNIFRA-RS e UNIGRAD-BA. Pesquisadora na área de neurociência aplicada à arquitetura por meio do uso de aparelhos de medição como eye tracker e BITalino, comanda a M.RUNGE ARQUITETURA com clientes em diversos estados brasileiros.


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Foto: Istock

RECOMENDAÇÃO: INICIANTES, INICIADOS E APAIXONADOS Um ovo, duas colheres de açúcar, três xícaras de farinha. Sal a gosto. A maioria das receitas iniciam com esses quatro ingredientes fundamentais, mas a questão que fica é: será que todo mundo entende de medidas e da alquimia da cozinha? Como separar a gema da clara, como fazer clara em neve, como saber se um preparo está pronto, tudo isso vai muito além de um livro de receitas tradicional. Ele não dá conta de ensinar história, técnica e sabor. Com esse propósito foi criada a Sal a Gosto, uma escola de gastronomia localizada em Caxias do Sul, com 10 anos de experiência no mercado e mais de 25 mil alunos. Gabriel Lourenço, CEO da Sal a Gosto, conta em detalhes qual o diferencial da escola: “São vários pontos que nos diferenciam do conteúdo que encontramos por aí. Primeiramente, nos consideramos ‘o novo formato do livro de receitas’, ou seja, um lugar onde você encontrará todos os assuntos necessários para sair do zero e chegar a técnicas incríveis dentro da sua própria cozinha em casa. Nossas aulas não são simplesmente vídeo de receitas, temos um diferencial exclusivo no qual abordamos além da receita, a técnica, a história e a cultura do prato. O que te faz cozinhar de verdade, não apenas ser um “robô de cozinha” que repete receitas.” - afirma Gabriel.

O NOVO FORMATO DO LIVRO DE RECEITAS Plataforma de streaming que traz preparos, sabor e muita história para todos os públicos. O livro de receitas que você pode interagir e testar novos pratos.

INGREDIENTES: Os cursos ofertados dentro da plataforma de streaming dão conta de uma gama imensa de estilos e culinárias do mundo inteiro. Indo do preparo do sushi e comidas exóticas, até o simples e básico da cozinha brasileira. Confira o que está disponível: - Comida asiática - Cozinha básica - Confeitaria - Pizzas - Harmonização de cervejas e vinhos - Kombucha - Entradas - Pastel - Carnes e churrasco - Comida Italiana

MODO DE PREPARO – HORA DE TESTAR AS RECEITAS! A ideia de criar um streaming nasceu durante a pandemia, principalmente por conta do fechamento das escolas e dos restaurantes. Um período que os chefes tiveram que se reinventar e buscar novas alternativas de trazer para o on-line a experiência de cozinhar. Gabriel comemora o grande número de alunos que recebeu e ainda está recebendo: “Sem dúvidas, foi um movimento natural que seguiu os sentimentos e incertezas do público de casa. Logo nos primeiros meses a demanda foi gigantesca. Depois o público foi descobrindo o que realmente gostava de fazer, o tipo de vídeo e aulas que gostava de assistir. Neste momento, nós também fomos nos reinventando e desenhando nossa nova característica. Como tudo na internet acontece muito rápido, ainda no ano passado, o público já estava bem segmentado e com as demandas evidentes”, relata ele. O propósito da Sal a Gosto é trabalhar com o mais variado público possível, desde quem nunca ligou um fogão até quem é expert em casa.


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LIFESTYLE

MAIS QUE CULINÁRIA, HISTÓRIA & TÉCNICA & CULTURA. 4 pilares do aprendizado de um prato, segundo a metodologia desenvolvida por Gabriel Lourenço: Receita: saber as quantidades e o passo a passo; História: entender de onde ele veio e como nasceu. Isso faz compreender

KOKEDAMAS: UMA OBRA DE ARTE VIVA A procura pelo movimento Urban Jungle e por trazer mais verde para dentro de casa fez com que o interesse pela técnica japonesa aumentasse muito nos últimos anos.

como foi desenvolvido, sob quais condições, e como pode ser alterado; Cultura: saber o que esse preparo sofreu ao longo da evolução humana, movimentos sociais, econômicos e culturais. Entender que um prato que comemos hoje nem sempre foi preparado desta maneira, ou seja, compreender como é possível adaptar ingredientes e preparos para criar as próprias versões;

Foto: Istock

A busca por receitas afetivas e retorno às raízes foi o que mais chamou atenção do Chef Gabriel Lourenço. A maioria das pessoas foi atrás de receitas simples e caseiras, como bolos, pudins e preparos básicos, foi incrível. “Isso só mostra como a cozinha de verdade é de afeto, ela tem o seu lugar garantido nas nossas vidas”, afirma Lourenço. ACOMPANHAMENTOS As aulas são divididas por categorias e dezenas de especialistas em um só lugar, ou seja, você não precisa mais perder horas na internet procurando

receitas, que nem sempre sabe se foram testadas ou funcionam realmente. Outro diferencial apontado por Gabriel é o suporte de dúvidas ao usuário, tanto nas aulas quanto em contato direto com os professores via redes sociais, o que dificilmente ocorre com outros canais de receitas. Atualmente, a escola conta com mais de 10 chefs nas mais diversas áreas da culinária do mundo inteiro. Um grande leque de possibilidades para quem quer aprender a cozinhar ou aprimorar as suas técnicas. Afinal, há tempo de sobra em casa. Bon apetit!

Técnica: entender qual técnica culinária está por trás de um prato e cozinhar sem usar receitas, como um verdadeiro profissional.

Foto: Julio Soares

Foto: BrunaChiesa

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O kokedama consiste em uma técnica japonesa que envolve a planta dentro de uma esfera formada por musgos, substratos e argila. Essas esferas ornamentais funcionam como uma única planta. Além de ser uma opção mais sustentável por dispensar o plástico ou outros materiais, ele dá um resultado esteticamente bonito e integrado com a planta. A El Mundo de Musgo, loja especializada na técnica, já produziu mais de 2,5 mil kokedamas, formou mais de 500 alunos e mantém uma comunidade de quase mil pessoas unidas em torno dessa paixão. Vicky Fernandez, idealizadora da loja e ministrante de cursos e oficinas sobre o tema é uma apaixonada pelo kokedama como ela mesma se intitula e se orgulha pelo trabalho com a natureza: “Dependendo da base e lugar que eles ficam no ambiente são verdadeiras obras


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de arte, é bem diferenciado. As pessoas começaram a presentear as pessoas que não podiam visitar, então comecei a ter procura de pessoas de outros países como Austrália, Alemanha, Bélgica, EUA e também de outras cidades e estados para mandar presentes para as suas mães e seus afetos. É um presente muito significativo.”

Além da variedade de plantas que podem compor os arranjos, essa técnica é muito democrática, assim como qualquer planta, eles podem ser utilizados em qualquer lugar e de muitas formas diferentes. Além de pendurados formando um jardim vertical, o arranjo com kokedama pode ser colocado sobre suportes de ferro ou madeira, em vasos pendentes, em pratinhos sobre sua mesinha de centro ou nas janelas. Você pode pendurá-los em sua área externa para trazer ainda mais beleza e requinte ao ambiente. Os kokedamas acabam com a monotonia dos ambientes, além de trazer frescor e, inclusive, podendo servir como aromatizadores de ambiente, como é o caso do alecrim. O tipo de estrutura em que será colocado e, principalmente, a amarração ajuda a dar ainda destaque ao arranjo.

REINVENÇÃO NA PANDEMIA A loja precisou se reinventar e mudar totalmente de rumo, deixando de funcionar como espaço físico e passando a atuar totalmente on-line, com entregas para Porto Alegre-RS. Além disso, Vicky Fernandez dá cursos totalmente on-line sobre a arte de produzir kokedamas: “Houve uma mudança de comportamento minha e do meu negócio, não tínhamos tele-entrega, apenas a loja física. Com o fechamento definitivo da loja, foi preciso se reinventar. Primeiro pelas regras da pandemia, depois por não ser mais necessário e viável. As pessoas que sempre curtiam, mas nunca tinham tempo de passar na loja, acabaram se voltando para o digital e parando para perguntar. Geograficamente aumentou a área de alcance em função da pandemia”. UMA ARTE DEMOCRÁTICA A delicada arte asiática de cultivar plantas pode ser colocada em qualquer ambiente tanto suspensa, para otimizar pequenos espaços, quanto em cima de prateleiras e estantes. A variedade de espécies de plantas que podem ser utilizadas nessa técnica é enorme, quase não há restri-

Foto: Michele Nicolaidis

ções, mas algumas se adaptam melhor, como é o caso de suculentas, lírio-da-paz, jiboia, orquídea e folhagens como samambaias e lambaris. Uma dica importante é escolher plantas que não necessitem de muito sol, as de meia-sombra ou sombra, pois o musgo de turfa se desenvolve melhor nessas condições. Isso também facilita para quem irá cuidá-la, pois não necessita muita manutenção e nem preocupação com exposição solar, caso a pessoa tenha pouco espaço em casa. Foto: Acervo Pessoal / Vicky Fernandez

CUIDADOS COM O KOKEDAMA Segundo Vicky, a rega do arranjo pode ser feita da seguinte forma: é preciso submergir a bola de musgo em um recipiente com água, por alguns segundos. Nesse momento, é possível observar algumas bolhas de ar que se formam, a planta vai absorver a água como uma esponja, dessa maneira ela não ficará pingando e nem escorrerá. A necessidade de rega dependerá muito de cada espécie. Quanto à adubação procure utilizar o adubo inorgânico NPK 10-10-10, a cada três meses. Esse adubo, segundo fabricantes, é ideal para ser aplicado em espécies de plantas já formadas, ou seja, flores e folhagens. Além disso, sempre que necessário pode as folhas secas, pois esse procedimento fortalece ainda mais sua planta.


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ANTÚRIOS: UM PRESENTE CARREGADO DE LEMBRANÇAS Características: Não precisa de sol É de meia-sombra Floresce o ano todo Rega 2x por semana

“REGALITOS”: DOS BENEFÍCIOS AO GESTO DE AFETO Questionamos qual planta era a preferida de Vicky e para ela os aspargos que colocavam com as rosas, no tempo de sua avó, é uma das suas favoritas. “É difícil definir qual kokedama me encanta mais, eu me apaixono todos os dias. Tem muitas plantas que são únicas, o formato delas é exclusivo. Tem um significado de ver uma flor abrindo ou pegar um fruto de uma planta que é tua, isso é um prazer imenso. As plantas também filtram energias e possuem todo um significado espiritual. As pessoas ficaram muito sozinhas dentro de casa, então, nesse sentido, ter kokedamas em casa e poder transformar um canto com uma planta é muito benéfico”, conclui Vicky Fernandez.

Os simples e belos antúrios são os preferidos do público de Vicky. Segundo ela, mais de 40% do volume de kokedamas feitos é dessa espécie, ao todo foram mais de mil exemplares. Ela explica que: “A questão da preferência é porque é uma planta esteticamente muito bonita. No kokedama a maioria fica linda, mas essa tomou um novo significado. Com flores vistosas, o antúrio mais vendido é o vermelho, porque é o mais comum. E ele é quase mágico porque é uma planta de interior, não precisa de sol, não pode pegar sol, inclusive é uma das raras flores que florescem o ano inteiro, que são muito fáceis de cuidar.” Ela também relembra que há dois anos deu de presente para a sua mãe um kokedama de antúrio e até hoje continua lindo e com poucas manutenções.

Vicky Fernandez - Uma apaixonada pelo mundo dos Kokedamas. Leia mais sobre o assunto no E-book Como transformar a sua casa com Kokedamas.


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Foto : Georgia Thomé

COLOR PWR – O QUE ESTÁ POR TRÁS DE CADA COR Luz, sombra. Percepção. Persuasão. Atrás ou na frente, a cor está em tudo e influencia diretamente nas relações, e, principalmente, nas produções.

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Se você “der um Google”, a definição de cor vai se fazer de forma convincente. Ou seja, não é preciso muita pesquisa para compreender a relevância das cores na vida das pessoas. Mais do que isso: trata-se de um assunto daqueles que é necessário ir além. Aqui é fundamental o sentir. A Wikipédia explica que “a cor é uma percepção visual provocada pela ação de um feixe de fótons sobre células especializadas da retina, que transmitem, através de informação pré-processada ao nervo óptico, impressões para o sistema nervoso”. Mas o dicionário é mais eficiente nesta explicação. Para ele, “cor é a impressão que a luz refletida ou absorvida pelos corpos produz nos olhos”. E o que isso significa? De maneira geral, é possível dizer que cor é poder. Ela está em tudo, inclusive no branco. Ora! Por que então não estaria na decoração estratégica de um ambiente, ou na composição de uma identidade visual? Mais do que isso, por que não haveria de se sobrepor àquilo que se busca transmitir por meio de uma imagem pessoal? Afinal, ela pode! “As cores representam até 80% da nossa conexão e comunicação com o mundo. A força ou poder das cores se dá no efeito estético e emocional que elas têm”, é o que acredita a especialista em cor, Cristiane Carvalho. A caxiense, que se dedica a este universo há um bom tempo, e, por conta das especializações em Colorimetria por universidades e instituições de ensino do Brasil e de outros países, atua na consultoria de imagem, entende que a escolha da cor está atrelada às intenções das pessoas. Principalmente no que diz respeito à imagem pessoal. Aqui, vai muito do desejo de imagem que cada pessoa tem e da importância dela para sua comunicação. Ela explica que a escolha das cores se dá para facilitar decisões e dar mais criatividade para o vestir. “Na moda, com certeza, o comportamento humano tem seus sentidos e necessidades”, contextualiza ela. E as cores são elementos de extrema relevância para externar essa mensagem. PARA ALÉM DAS TENDÊNCIAS A Cor do Ano Pantone, por exemplo, influencia a cada ano o desenvolvimento de produtos e as decisões de compra em vários setores. Assim, a indústria da moda, decoração e design industrial são direta e profundamente impactadas. O que sugere o alto nível de interferência na criação de forma


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geral, já que nesta gama entram embalagens de produtos e design gráfico também. Antenada às tendências elencadas por iniciativas como Pantone e Suvinil, Cristiane acredita na importância de estar atualizada. Entretanto, ressalta o valor do pensamento independente na tomada de decisões. “Trabalho com as cores de tendência, sim, principalmente no que se refere às composições visuais dos clientes para trazer uma informação mais atual e conectada. Confesso que uso muito meu feeling também e sou muito da contrapartida. Se a cor é o amarelo como o Illuminating fico de olho no seu oposto, o roxo. Acho que ter as antenas ligadas, pensando sempre de uma maneira mais desconstrutiva, me ajuda a pensar fora da caixa e misturar as cores tendências com aquelas que acredito serem necessárias para o vestir e sentir”, coloca a consultora.

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A consultora de moda e especialista em cor, Cristiane Carvalho, acredita que a cor tem um efeito emocional gigante na vida das pessoas. Ela cita Goethe ao afirmar que um dia cinza ganha outro ânimo se visto através de óculos de lentes amareladas. E explica: cores mais escuras nos dão profundidade para pensar e nos protegem; enquanto as mais claras, leveza e transparência nas ações. Todas, em geral, tem um significado único. E a indústria criativa sabe disso. Não é atoa que todos os anos diferentes agências, empresas e institutos de pesquisa trazem a definição de cores que guiam designers, arquitetos e demais profissionais criativos na execução de suas obras. Assim, podem acalmar ou irritar. Ou seja, reduzir a escolha das cores a uma simples questão estética, é abrir mão de um universo de pontos que podem ser meios de comunicar com mais precisão aquilo que se acredita ou que se busca.

A escolha de cores assertivas parte, portanto, da intenção de uso, que é o desejo, e conexão. Segundo Cristiane, cada cor tem sua vibração, uma ressonância que vibra diferente em cada momento da vida, e por isso se conectam de forma diferente. E isso sugere pensar aquilo que de fato é bom para si, e o estar na moda não significa que precise ser usado, mesmo no universo da moda, pois é preciso, acima de tudo, que seja relevante. Assim, a especialista encerra o tema com duas dicas para nortear a escolha das cores, seja no vestir ou na composição dos ambientes. A primeira é olhar para a natureza, que dá muitas dicas, e entender a conexão que ela apresenta, como a ligação da terra e do mar, por exemplo, buscando combinação do marrom com o azul. E a segunda, buscar repetir os elementos coloridos da face de cada um, resgatando na vestimenta tons de cores como a dos olhos, por exemplo, ou explorando outras pigmentações do corpo.

Foto : Rafael Sartor

Notas Breves sobre Cores O significado das cores permeia - ou deveria permear - a maioria das ações, Cristiane traduz um pouquinho desse universo para que o leitor tome nota. Azul é a cor universal, representa a ideia de “sem preconceito”, e por ser a cor do céu, que é o mesmo para todos, transmite credibilidade e respeito.

“Cada cor tem a sua

Vermelho é a cor da intensidade e velocidade. Ela

vibração, uma ressonân-

dá ânimo para momentos difíceis e pode trazer

cia que vibra diferente

paixão em momentos sem emoção.

em cada momento da

Amarelo é a cor da iluminação e da ansiedade,

vida, e por isso se conec-

pois aquece momentos tristes, mas também pode

tam de forma diferente.” - Cristiane Carvalho

gerar nervosismo e ansiedade, devido o seu comprimento de onda física.


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contar as suas histórias, a minha criação é sempre a narrativa de momentos e comportamentos bem como o meu propósito, afinal somos todos únicos e as joias expressam muito isso.”

“As joias são o contorno da alma.” Fabiane Montemezzo Para Fabiane, a sensibilidade de cada indivíduo é feita dos detalhes: “Em tese, somos todos humanos com características gerais iguais, mas é no detalhe que somos diferentes, e as joias são o contorno da alma, então, para mim, cuidar do detalhe é dar a devida atenção e carinho às nossas individualidades e diferenças.” Atualmente, quatro pessoas fazem a FM acontecer, são três ourives e a fundadora que é responsável pelo desenho e idealização de cada peça. Uma marca que utiliza mão de obra local e produtos 100% nacionais. Existem duas opções para realizar a compra: on-line pelo site www.fabianemontemezzo.com.br ou com horário marcado na Galeria FM, localizada em Caxias do Sul – RS.

“É cuidando dos detalhes que construímos a diferença.” - Slogan da marca

JOIAS QUE CONTAM HISTÓRIAS Cada objeto é único e faz parte das nossas memórias de vida. Quantas histórias uma joia pode contar?

Delicadas, redondas, ovais, brilhantes, extravagantes, minimalistas. Cada joia carrega um significado que diz muito sobre o seu dono: um pedido de casaProdução: Jonatan Cruz Fotografo: Carlos Sillero Beleza: Eduardo Sauer

mento, a conquista da formatura, um presente que passa de mãe para filha e segue por gerações. As joias são muito mais que bens materiais, elas fazem parte das nossas memórias.

Anéis, braceletes, colares, brincos e diversos acessórios têm como função expressar a nossa personalidade, portanto, elas guardam uma parte de nós e podem ser únicas. Com esse propósito de aliar beleza estética e memória afetiva a designer gaúcha Fabiane Montemezzo criou a marca FM, com uma loja localizada em Caxias do Sul que alia o conceito slow fashion, moda autoral, contemporânea, sustentável e versátil. Segundo a fundadora, os materiais utilizados para a confecção das peças são feitos de matéria-prima natural e de reúso como: pedra natural, madeira e couro. As joias vão desde colares simples com pedras naturais pequenas, até os mais maximalistas e coloridos. Indo na contramão das grandes marcas que reproduzem peças e lucram pela quantidade, Montemezzo afirma: “Entendo que todos precisam e querem ter seus amuletos e

Foto : Daniel Hendler


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