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Janeiro 2013

CRIATIVA SUSTENTÁVEL INCLUSIVA

CIDADES INTELIGENTES

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Nº 07. JAN. 2013

EDITORIAL

BURGOS, A “SMART CITY” QUE APOSTA NA MOBILIDADE [ CAROLINA BLASCO ]

EM FOCO ÍNDICE DE CIDADES INTELIGENTES PORTUGAL INTELIGÊNCIA: UM MEIO PARA ALCANÇAR A QUALIDADE DE VIDA NAS CIDADES - REPORTAGEM

FACTOS EMPRESAS NACIONAIS “SMART CITIES” CENTROS DE INVESTIGAÇÃO EM CIDADES INTELIGENTES

NOTÍCIAS INTELI BREVES EVENTOS SUGESTÕES


Por um Cluster Cidades Em estreita colaboração com as cidades da Rede RENER – Living Lab para a Inovação Urbana, a INTELI apresentou o livro “Índice de Cidades Inteligentes Portugal” no passado dia 14 de Dezembro de 2012, no Lisbon Story Centre, em Lisboa. Trata-se apenas de uma etapa do trabalho que o Centro de Inovação tem vindo a desenvolver na área das smart cities e que se pretende aprofundar no futuro. O objectivo de médio prazo é criar, em Portugal, um Cluster Cidades que articule autoridades locais e regionais, universidades e institutos de investigação, empresas e os utilizadores, numa lógica de inovação aberta. Pretende-se responder aos desafios que actualmente enfrentam as cidades, mas também aproveitar as oportunidades existentes nos territórios, com vista à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Para tal, são necessárias competências e capacidades multidisciplinares, articulando os clusters (ou pólos de competitividade) da energia, mobilidade, tecnologias de informação e comunicação, indústrias criativas, etc. As cidades são vistas como espaços de teste e experimentação (laboratórios vivos), tal como aconteceu no âmbito do Programa Nacional de Mobilidade Eléctrica, mas também como espaços de desenvolvimento de soluções urbanas inovadoras com potencial de internacionalização. Este é um palco de oportunidades para as empresas portuguesas, num mercado global que se estima crescer de 8 mil milhões de dólares em 2010 para 39 mil milhões de dólares em 2016 (ABI Research). A aposta no desenvolvimento deste cluster integrado vai ao encontro da estratégia de reindustrialização da Europa e de Portugal, onde se privilegiam os sectores associados às redes inteligentes, veículos verdes, construção sustentável, bioindústrias, telecomunicações e tecnologias de informação. Para transformar o território nacional num local de desenvolvimento e de produção de tecnologias com capacidade de exportação. Neste contexto, o índice de cidades inteligentes, que se pretende actualizar periodicamente, funciona apenas como um instrumento de intelligence e de benchmarking internacional. Serve de base à definição de políticas públicas, mas também à intervenção nos territórios. E este é um processo que a INTELI pretende continuar a desenvolver em cooperação com as cidades e as empresas.

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BURGOS, A “SMART CITY” QUE APOSTA NA MOBILIDADE Carolina Blasco Segunda Vice-presidente e Conselheira para o Desenvolvimento Sustentável do Município de Burgos, Espanha

* A Conselheira e segunda Vice-presidente de Burgos, Carolina Blasco, é responsável pela área do desenvolvimento sustentável e tem sob a sua alçada assuntos tão diversos como o meio ambiente, a inovação e o desenvolvimento industrial. Ela tem sido uma das grandes impulsionadoras do movimento para tornar Burgos numa cidade inteligente. Burgos é uma das cidades fundadoras da Rede Espanhola de Cidades Inteligentes (RECI) e coordena no seio desta rede o grupo da mobilidade, área na qual os seus projectos se destacam. Esta aposta na inovação e em tornar a cidade mais sustentável já valeu a Burgos vários prémios como o “Prémio Cidade Ciência e Inovação 2011” e o Certificado de Ouro pela aplicação das TICs no município. Nesta entrevista, a Conselheira descreve o que é uma cidade inteligente e identifica os principais projectos que contribuíram para tornar Burgos numa ‘smart city’.

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O que é uma cidade inteligente? Existem muitas definições de cidade inteligente; no entanto, prefiro a definição que a identifica com uma cidade que usa os recursos limitados de maneira eficiente e sustentável com vista a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Utilizando, evidentemente, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), já que estas não consomem recursos e ajudam o cidadão em termos de integração, equidade ou informação. A cidade de Burgos tem vindo a apostar na mobilidade. Quais são os principais projectos que Burgos tem vindo a desenvolver nessa área? Burgos tem vindo a desenvolver projectos na área da mobilidade desde 2005, apostando desde há muitos anos nos chamados Sistemas de Informação para o Transporte e a Mobilidade. Para além disso, Burgos é uma cidade pioneira no fomento da utilização da bicicleta. É importante planificar e ter uma estratégia de desenvolvimento nesta área. Esta tem sido a nossa forma de trabalhar, desenvolvendo acções no Plano de Mobilidade que tornem a nossa cidade mais sustentável. Burgos conta com uma das mais modernas estações de controlo de tráfego da Europa. Este Centro Inteligente para os Transportes oferece informação em tempo real ao cidadão graças aos mais de 400 sensores espalhados pela cidade. O último projecto implementado neste âmbito foi a prioridade semafórica para os autocarros públicos, formando a chamada “onda verde” em várias zonas da cidade e melhorando a sua velocidade comercial. Em que outros projectos, no âmbito das cidades inteligentes, Burgos tem apostado? A cidade de Burgos traçou o seu plano de modernização há já quatro anos e encontra-se, neste momento, a finalizar o seu segundo plano de modernização. Quanto à sua aplicação, a primeira acção foi a instalação de um sistema wireless gratuito que cobre a maior parte do centro histórico e turístico da cidade. Depois prosseguiu-se com a informatização da gestão do ciclo da água para poupança de perdas, apostou-se na recolha pneumática de resíduos, e mais recentemente tem-se vindo a trabalhar em novos projectos como a leitura telemática global dos contadores de água e a prestação de serviços públicos integrados com o sector comercial da cidade. Este último traduz-se num verdadeiro exemplo da colaboração público-privada, cuja implementação foi facilitada pelo Departamento de Inovação Burgos I+.

Sendo Burgos cidade fundadora da RECI, quais os benefícios que a cidade tem retirado por fazer parte da Rede? As cidades que fazem parte da RECI chegaram com condições e com um ânimo excelentes: para partilhar o seu conhecimento e experiência nas áreas em que estavam mais avançadas e para aprender com as outras cidades nas áreas em que estavam menos desenvolvidas. Tem sido um exercício de solidariedade e generosidade por parte das cidades em momentos de dificuldades económicas nos quais este tipo de iniciativas são especialmente necessárias. Já foi replicado algum modelo ou projecto inteligente de uma cidade para outra na RECI? Ofereceram-se vários sistemas abertos para partilhar com as cidades interessadas. A cidade de Burgos ainda não implementou nenhum sistema oferecido por outra cidade da rede basicamente porque no nosso caso não foi necessário, uma vez que já tínhamos esses sistemas. Para dar um exemplo desta partilha de experiências, foi oferecido um software livre para gerir os recursos da área social, uma ferramenta para tornar mais acessíveis os websites municipais, ou mecanismos open data compatíveis com a tecnologia NFC – Near Field Communication1 no transporte e mobilidade, no plano mais tecnológico, ou um regulamento municipal que fomente a transparência na relação com o cidadão, num plano mais relacionado com a gestão municipal. Burgos foi galardoada com o Selo de Ouro pela aplicação das TICs no município. Qual é para si a importância das tecnologias na governação de uma cidade inteligente? É o passo seguinte depois de ter sido pensada a estratégia apropriada para a cidade em termos de ordenamento, mobilidade ou energia e meio ambiente. Burgos depois de ter concluído estes planos, tem levado a cabo acções e projectos que, graças às TICs, conseguem tornar a cidade mais acessível, agradável e sustentável. Não obstante, deve ter-se sempre presente que as tecnologias são um meio e não um fim. É evidente que as TICs mudaram e vão continuar a mudar a forma como nos relacionamos e prestamos serviços, mas acima de tudo, a cidade inteligente será sempre aquela que desenvolve projectos orientados para tornar a cidade mais competitiva e sustentável, pensando sempre e acima de qualquer outro objectivo, no cidadão que nela habita. Near Field Communication, tecnologia que através da proximidade de dois dispositivos electrónicos compatíveis, permite trocar informações de maneira bastante segura.

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Nota: A entrevista foi concedida por escrito em castelhano. A tradução é da responsabilidade do editor.

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ÍNDICE DE CIDADES INTELIGENTES PORTUGAL No dia 14 de Dezembro de 2012, no Lisbon Story Centre, em Lisboa, a INTELI apresentou o livro “Índice de Cidades Inteligentes – Portugal”, com o apoio da Siemens e da CGD. Numa plateia com cerca de 100 participantes, foram discutidos os resultados da aplicação do índice de cidades a um conjunto de 20 municípios da rede RENER – Living Lab para a Inovação Urbana.

A definição de índices de cidades inteligentes tem sido uma prática a nível europeu e internacional. Os países do Sul da Europa começaram recentemente a integrar este movimento. A título de exemplo, a consultora ADC em Espanha lançou em 2011 um índice de cidades inteligentes que aplicou a um conjunto de cidades espanholas, tendo o exercício sido repetido em 2012. Também em 2012 a instituição Fórum PA em Itália lançou o iCity, um índice de cidades inteligentes utilizado em 40 cidades italianas. No entanto, os projectos de cidades inteligentes que se têm vindo a afirmar em todo o mundo são bastante diversificados em termos de motivações, objectivos, parcerias, modelos de governação, financiamento, etc., dependendo fortemente das especificidades locais. Por isso, a INTELI desenvolveu um índice de cidades inteligentes especificamente adaptado à realidade portuguesa, com o objectivo de posicionar estrategicamente as cidades em matéria de inteligência urbana e de contribuir para a melhoria do desempenho dos territórios.

METODOLOGIA O Índice da INTELI tem como ponto de partida um modelo integrado de cidade inteligente, que se traduz numa cidade atractiva para talentos, visitantes e investidores pela aliança entre a inovação, a qualidade do ambiente e a inclusão social e cultural, num contexto de governação aberta e de conectividade com a economia global, visando a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Assim, as tecnologias não são vistas como um fim em si mesmo mas sim como um meio, pelo que uma cidade inteligente é uma cidade para as pessoas e para as comunidades onde vivem e trabalham. A metodologia integra cinco dimensões de análise – Governação, Inovação, Sustentabilidade, Inclusão e Conectividade, 21 sub-dimensões e 80 indicadores. Governação: Integra as políticas urbanas, assim como os processos de cooperação entre actores políticos, económicos e sociais, com destaque para as questões da participação pública. A eficiência, eficácia e transparência da provisão de serviços públicos são também factores chave da análise da inteligência urbana. Inovação: Abarca a competitividade das cidades em termos de criação de riqueza e geração de emprego. Foca-se não só nos sectores intensivos em I&D e tecnologia, mas também no contributo das actividades da economia criativa, verde e social para o desenvolvimento económico dos espaços urbanos. Sustentabilidade: Inclui a eficiência na utilização dos recursos, a protecção do ambiente, assim como o equilíbrio dos ecossistemas. A gestão da água e dos resíduos, a eficiência energética e a utilização de energias renováveis, a construção sustentável, a mobilidade, as emissões de gases com efeito estufa e a biodiversidade são alguns dos factores chave do estudo.

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Inclusão: Integra não só as questões associadas à coesão social, mas também a diversidade cultural, a inovação e o empreendedorismo social e a inclusão digital ao nível dos serviços de saúde, segurança, educação, cultura e turismo. A utilização de tecnologias digitais ao serviço da integração social de camadas mais desfavorecidas da população é também alvo de análise. Conectividade: Abarca o envolvimento das cidades em redes territoriais nacionais e internacionais, assim como o nível de integração de funções e infra-estruturas urbanas. A utilização de tecnologias de informação e comunicação e de redes digitais é considerada como um factor crítico de sucesso. Com vista à quantificação dos indicadores, a recolha de informação foi realizada através de observação directa, análise documental, estatísticas oficiais, envio de questionários e realização de entrevistas com os municípios. Para evitar distorções resultantes da utilização de diferentes unidades de medida, os indicadores foram normalizados numa escala de 0 a 10. O índice de cidades, enquanto indicador compósito, resulta da média ponderada das pontuações atribuídas às cinco dimensões de análise.

REDE RENER O Índice de Cidades Inteligentes foi aplicado, nesta 1ª edição, a 20 cidades das 25 que integram a rede RENER – Living Lab para a Inovação Urbana, integrada na Rede Europeia de Living Labs. O RENER é um laboratório vivo que funciona como espaço de teste e experimentação de soluções urbanas inteligentes em contexto real, numa lógica de inovação aberta e de co-criação com forte envolvimento dos utilizadores. Trata-se também de um palco de partilha de experiências e boas práticas com capacidade de replicação noutras cidades e regiões, quer a nível nacional quer internacional. As soluções desenvolvidas, incubadas e testadas localmente podem ser exportadas, potenciando a capacidade de internacionalização das empresas portuguesas. O projecto teve início com o Programa Nacional de Mobilidade Eléctrica onde as cidades funcionaram como test-bed para grandes construtores internacionais em termos de soluções tecnológicas e sistemas de informação associados à mobilidade eléctrica. Pretende-se agora alargar o âmbito de actuação da

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rede RENER a outras áreas de uma cidade inteligente – energia, edifícios, governação, inovação social, etc., com vista à criação de uma rede de cidades inteligentes em Portugal. Trata-se de uma experiência já iniciada em Espanha com a criação da Rede Espanhola de Cidades Inteligentes, sob a liderança de Santander e que integra actualmente cerca de 30 cidades. Tem como objectivo partilhar experiências e boas práticas, replicar projectos desenvolvidos numa cidade outros espaços urbanos e desenvolver iniciativas em conjunto, tendo em vista as oportunidades do próximo período de programação 2014-2020.

RESULTADOS GLOBAIS Lisboa, Almada, Cascais, Aveiro e Vila Nova de Gaia são as cidades que se destacaram em matéria de inteligência urbana, com uma dispersão global de valores entre 6,46 e 3,66. No entanto, este posicionamento varia de acordo com as dimensões de análise, o que demonstra que algumas cidades apresentam melhor pontuação numas áreas e outras cidades noutras, face às características dos territórios e à pro-actividade das políticas publicas locais. Por este motivo, podemos encontrar boas práticas municipais em todas as cidades da rede RENER, independentemente da sua posição no ranking global.


A correlação entre o posicionamento no índice e a dimensão das cidades não é significativa, apesar de se notar alguma influência desta variável que atribui aos espaços urbanos massa crítica, densidade e diversidade devido à concentração de recursos humanos, económicos e institucionais.

O EXEMPLO DA SUSTENTABILIDADE Na dimensão Sustentabilidade são analisados diversos factores críticos: biodiversidade e ecologia, ar e amissões, água e resíduos, edifícios, mobilidade e energia. Em termos agregados, as cidades que apresentaram um melhor desempenho são, por ordem decrescente, Almada, Vila Nova de Gaia, Cascais, Lisboa e Loures. O posicionamento de Almada deriva da implementação de um conjunto de iniciativas assinaláveis na área da sustentabilidade, como: sistema de telegestão da iluminação pública, sistema de águas residuais urbanas tratadas para rega em espaço público, iniciativas diversas na área da mobilidade suave como a promoção do uso da bicicleta e veículos híbridos e eléctricos na frota municipal, o menor valor de emissões de CO2 per capita (2008), etc. Mas este posicionamento varia de acordo com as sub-dimensões em análise. Assim, Vila Nova de Gaia afirma-se na área dos edifícios, pela conjugação de

um conjunto de indicadores positivos e boas práticas municipais: estratégia formalizada de construção sustentável, sistemas de monitorização energética de edifícios municipais, certificação de edifícios municipais pelo sistema de gestão ambiental ISO 14001 e incentivos municipais à construção sustentável em termos de taxas urbanísticas. Por sua vez, Loures destaca-se no domínio da energia, apresentando a mais elevada capacidade de produção local de electricidade a partir de fontes renováveis, assim como uma meta ambiciosa de redução de emissões de 36% até 2020, no âmbito do Pacto dos Autarcas. Cascais possui um desempenho positivo ao nível das políticas para a melhoria da qualidade do ar, ostentando uma redução das emissões de CO2 em 2008 de 31,39%, comparativamente a 2007. Já Lisboa assume a primazia em matéria de mobilidade eléctrica, face à presença de veículos eléctricos na frota municipal, à implementação de um projecto-piloto de táxis eléctricos, assim como a outras iniciativas de colaboração internacional nesta área.

RECOMENDAÇÕES Apesar da diversidade de modelos e de estratégias de smart city, é possível identificar um conjunto de recomendações estratégicas e operacionais para os governos locais e outros actores económicos e sociais. Liderança e visão estratégica: A definição e implementação de projectos de cidades inteligentes exigem uma forte liderança e a existência de uma estratégia integrada e estruturada, articulando diversas políticas urbanas: economia, ambiente, mobilidade, coesão social, turismo, cultura, etc. Isto reflecte-se na necessidade de interacção e de circulação de informação entre os vários departamentos governamentais a nível local. Envolvimento dos cidadãos: O sucesso dos projectos de cidades inteligentes passa necessariamente pela participação das comunidades e dos cidadãos que aí vivem e trabalham. Uma smart city é uma cidade para as pessoas, tendo como objectivo último a melhoria do bem-estar da população. Cidades para todos: As cidades inteligentes não podem ser cidades para as classes mais favorecidas da população, mas deverão promover a igualdade de oportunidades em termos económicos, sociais e espaciais.

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CIDADES EM DESTAQUE TOP GLOBAL Lisboa, Almada, Cascais, Aveiro e Vila Nova de Gaia TOP GOVERNAÇÃO Lisboa, Aveiro, Bragança, Viana do Castelo e Almada TOP INOVAÇÃO Lisboa, Almada, Vila Nova de Gaia, Coimbra e Cascais TOP SUSTENTABILIDADE Almada, Vila Nova de Gaia, Cascais, Lisboa e Loures TOP INCLUSÃO Almada, Lisboa, Coimbra, Cascais e Aveiro TOP CONECTIVIDADE Leiria, Almada, Faro, Santarém e Aveiro

Fomento da inovação: O fenómeno das cidades inteligentes não tem apenas como objectivo melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e fomentar a eficiência dos serviços públicos, mas também promover a inovação e gerar emprego e riqueza. De facto, é aberto um espaço de oportunidades para as empresas que desenvolvem soluções urbanas inovadoras nas áreas da governação, energia, mobilidade, saúde, etc., tanto multinacionais como PMEs. Soluções de Baixo Custo e Elevado Impacto: Muitos dos programas de cidades inteligentes estão associados a elevados investimentos em infra-estruturas e software. No entanto, é possível tornar uma cidade smart começando por implementar projectos de baixo custo e com elevado impacto na vida das comunidades, o que potencia a mobilização dos cidadãos em virtude dos resultados rápidos e eficazes destas iniciativas. Micro-cidades dentro da Polis: As cidades podem eleger determinados espaços como living labs para testar novas soluções urbanas inteligentes em microambientes, como são os casos de um parque tecnológico, um complexo cultural, um hub de transportes ou um campus universitário. Integração de infra-estruturas e interoperabilidade: Como forma de obviar o risco de fragmentação de iniciativas, o conceito de interoperabilidade revela-se critico e é hoje assumido como absolutamente necessário para permitir uma adopção em larga escala de soluções urbanas inteligentes.

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Financiamento inteligente: Os projectos de cidades inteligentes terão que estabelecer um modelo de financiamento viável, conjugando fundos públicos com fundos privados e de outras fontes locais, regionais, nacionais ou europeias. Existem oportunidades interessantes no âmbito dos programas da UE, nomeadamente do futuro Horizonte 2020. Avaliação de resultados: Nos projectos de cidades inteligentes importa desenvolver metodologias de acompanhamento e avaliação, ex-ante, ad interim e ex-post, com vista a corrigir desvios e comparar custos com benefícios. Falamos da utilização de indicadores quantitativos e qualitativos, abrangendo as dimensões económica, social, ambiental e cultural da vida urbana. Benchmarking com outras cidades: O conhecimento de boas práticas e de experiências internacionais pode ser bastante útil quando uma cidade pretende lançar projectos de smart city. Trata-se de aprender com os sucessos e fracassos dos outros, adaptando tais ensinamentos às especificidades locais.


DESTAQUES • 55% dos municípios definiram e formalizaram estratégias de construção sustentável • 30% dos municípios possuem bonificação de imposto municipal para novos edifícios de classe A e A+ • 55% dos municípios possuem sistemas de gestão energética nos edifícios municipais • 2 municípios detêm edifícios municipais certificados por sistemas de construção sustentável • 75% dos municípios subscreveram o Pacto dos Autarcas • 15% dos municípios têm sistema de iluminação pública com equipamentos de regulação de fluxo luminoso • 75% dos municípios definiram e formalizaram um plano de mobilidade sustentável • 25% dos municípios possuem veículos eléctricos na frota municipal • 45% dos municípios detêm pontos de bike-sharing • 15% dos municípios detêm pontos de car-sharing • 20% dos municípios possuem sistemas de rega por água residual tratada • 2 municípios encaminham os seus resíduos urbanos para um processo de valorização energética • 65% dos municípios possuem hortas urbanas comunitárias Para download do livro: http://media.wix.com/ugd//55d170_b72609b772d106353c2e6a5690b77a8e.pdf

Website da Rede RENER – Living Lab para a Inovação Urbana A INTELI lançou, no dia 14 de Dezembro, o website da Rede RENER – Living Lab para a Inovação Urbana, onde são apresentados os resultados da aplicação do índice de cidades inteligentes a 20 cidades portuguesas. Poderão ainda ser consultadas um conjunto de boas práticas municipais nas áreas da governação, inovação, sustentabilidade, inclusão e conectividade. Notícias e eventos sobre cidades inteligentes, quer de âmbito nacional quer internacional, serão diariamente actualizadas no site. www.rener.pt

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INTELIGÊNCIA: UM MEIO PARA ALCANÇAR A QUALIDADE DE VIDA NAS CIDADES REPORTAGEM


A sala do Lisboa Story Centre estava cheia. Desta vez o objecto de curiosidade e interesse não era a exposição interactiva sobre a história de Lisboa, também ela interessante, mas a apresentação do livro Índice de Cidades Inteligentes em Portugal, elaborado pela INTELI. No passado dia 14 de Dezembro, os caminhos de 25 cidades portuguesas que fazem parte da Rede de Inovação Urbana (RENER) cruzaram-se no Terreiro do Paço. Autarcas, investigadores, jovens inovadores, empresas e jornalistas reuniram-se para analisar as componentes desse novo paradigma de desenvolvimento urbano, as Smart Cities. “Só há uma alternativa à cidade. É uma cidade melhor”. Foi com este desafio que o vice-reitor da Universidade do Minho, José Mendes, iniciou a introdução ao livro da INTELI. A designação cidades inteligentes tem muitas vezes interpretações que afastam o cidadão comum. José Mendes avançou com uma distinção importante nesta matéria. “Há dois tipos de cidades inteligentes: as cidades dedicadas onde a inteligência é um fim. São espaços de prototipagem, um living lab como em Abu Dhabi; e as cidades em meio real, que utilizam a inteligência como um meio para responder às necessidades das pessoas”. É este último caso que integra a grande maioria das cidades nacionais e internacionais.

No conceito de Smart City desenvolvido pela INTELI, um espaço urbano inteligente é inovador, sustentável tanto a nível económico como ambiental, solidário e criativo. Neste contexto, como enfatizou o Prof. José Mendes, “uma cidade inteligente pode fazer-se com investimentos modestos”. Ou seja, “projectos de pequeno investimento com grande impacte na vida e na felicidade das pessoas”. O Índice de Cidades Inteligentes em Portugal analisou e recolheu dados sobre a forma como 20 das 25 cidades que integram o RENER utilizam ou criam “inteligência” no desenvolvimento de projectos inovadores com influência positiva no dia-a-dia dos seus munícipes. Catarina Selada, Directora da INTELI para a área de cidades e territórios apresentou a metodologia, as cinco dimensões avaliadas (inovação, sustentabilidade, inclusão, governação e conectividade) e os 80 indicadores qualitativos e quantitativos que estiveram na base do estudo. Este livro é apenas a primeira fase dum trabalho dedicado com os municípios RENER que tem como objectivos “produzir conhecimento estratégico para o desenvolvimento de políticas sustentáveis e inovadoras; detectar e divulgar as boas práticas dos municípios portugueses; e promover as cidades nacionais no ranking internacional de Smart Cities”.

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Durante três meses de recolha e cruzamento de dados foi possível concluir que em todas as cidades foram executados projectos de referência com potencial para fazer parte do ranking de melhores projectos a nível internacional. Este facto permite sublinhar o trabalho desenvolvido na última década pelas autarquias nacionais.

Joana Garoupa e Fernando Silva - Siemens

NOVAS IDEIAS PARA VELHOS PROBLEMAS

Paralelamente tem sido notória a dinâmica de empreendedorismo e inovação das empresas como a Siemens e de instituições bancárias, como a Caixa Geral de Depósitos, no desenvolvimento de projectos no âmbito das Smart Cities. Mas não só. Também jovens empresários e investigadores têm demonstrado o seu engenho na procura de novas soluções para ajudar a resolver os velhos problemas nas cidades. A mobilidade, a construção sustentável e a eficiência energética são três preocupações constantes. Não admira que quando a revista Visão, a Siemens, a INTELI e a Sociedade Ponto Verde decidiram lançar um concurso de ideias, grande parte das propostas apresentadas tenham dado respostas a estas questões. Durante o Verão, a Visão e a Siemens, com base no Índice de Cidades Inteligentes da INTELI, apresentaram as boas práticas “smart” das cidades portuguesas. E para dar um bom exemplo, foi realizado um sistema de participação on-line por parte dos leitores, com duas vertentes: escolher os projectos que gostariam de ver na sua cidade; tomar a iniciativa e apresentar uma proposta no âmbito das cidades inteligentes.

José Mendes e Catarina Selada

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As três propostas finalistas da iniciativa “Uma Cidade Perfeita” não podiam ser mais diferentes: abrigos móveis para sem-abrigo, uma aplicação para telemóveis e tablets que fazem as vezes de central de táxis, e revestimentos para edifícios que geram energia a partir do sol, da chuva e do vento. Mas só podia ganhar uma e a escolha, divulgada no dia 14, no Lisbon Story Center, recaiu sobre o Skinenergy, coberturas produtoras de electricidade para prédios.


“Este prémio faz-nos acreditar ainda mais no projecto. É uma das provas de que se pode tornar realidade”, afirmou Ricardo Sousa, 37 anos, arquitecto e co-autor da ideia, com o seu irmão, José Sousa, 40 anos. O arquitecto crê que o galardão pode ser uma mais-valia para a fase seguinte: atrair investidores para avançar com uma “prova de conceito” (uma espécie de protótipo puramente técnico, sem preocupações estéticas). Em tempos de crise, angariar fundos não é uma tarefa fácil. “Apesar de os valores serem relativamente baixos, temos noção de que Portugal está num momento de stand by. Mas as pessoas têm de perceber que precisamos de evoluir”. O Skinenergy paga-se depressa: o metro quadrado deste revestimento custa mais ou menos o mesmo que um painel fotovoltaico (que tem um retorno financeiro de seis ou sete anos), com a vantagem de produzir energia constantemente e não apenas quando há sol. O futuro do projecto, no entanto, deverá passar pelo estrangeiro, diz Ricardo Sousa. “O objectivo é internacionalizar o Skinenergy para mercados como o alemão, o americano ou o japonês”, explica o arquitecto. Países com visão de longo prazo onde se sabe que investir na sustentabilidade é construir o futuro.

Ricardo de Sousa e José Sousa - Skinenergy ( Equipa vencedora )

Catarina Selada - INTELI e Carlos Carreiras - Presidente CM Cascais

Pedro Camacho - Visão e Bernardo Alves - Taxi Motions

Catarina Filipe e Isabel Oliveira Cidade com Abrigo

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EMPRESAS NACIONAIS “SMART CITIES” O mercado associado às cidades inteligentes apresenta grande potencial de crescimento, representando uma oportunidade para as empresas que desenvolvem soluções urbanas inovadoras em áreas diversas, como energia, mobilidade, gestão de água e resíduos, governação, etc. De acordo com estimativas da ABI Research, espera-se que o mercado global para as tecnologias que suportam projectos de cidades inteligentes cresça globalmente de 8 mil milhões de dólares em 2010 para 39 mil milhões de dólares em 2016, acumulando um total de 116 mil milhões de dólares durante o período. Este mapeamento, não exaustivo, pretende identificar um conjunto de empresas portuguesas que se constituem como potenciais fornecedoras de programas de cidades inteligentes. Promover este grupo de empresas como um cluster potencia a integração e valorização da oferta nacional e a internacionalização destes produtos e serviços.

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LOCALIZAÇÃO Águeda

EMPRESAS •

Globaltronic - gestão inteligente da iluminação urbana

Órbita - concepção de bicicletas eléctricas

Cascais

Inocrowd - soluções de TI

Algés

Compta - gestão de resíduos, redes de água e gás, eficiência energética

VantyxSystems - plataforma de Balcão Único

MagnumCap - mobilidade eléctrica e gestão energética

Martifer Solar - indústria fotovoltaica

SmartVision - plataformas de compras electrónicas, Balcão Virtual

Solar Plus - indústria fotovoltaica

Veniam Works - software de comunicações

Carnaxide

Safira - soluções de TI

Coimbra

AIRC - portais web, soluções de mobilidade

BetterSoft - aplicações informáticas para distribuição e logística, mobilidade

Critical Software - postos de carregamento para carro eléctrico

Aveiro

ISA - tecnologias inteligentes nas áreas da energia, saúde e ambiente

Covilhã

Enforce - engenharia da energia

Entroncamento

Sotkon - sistemas de resíduos

Faro

Visualforma - soluções de TI

Lisboa

Bond - soluções tecnológicas para smartphones e tablets

Cside - serviços energéticos avançados, automação remota, vídeo vigilância

ESRI Portugal - sistemas de informação geográfica

Gatewit - plataforma de compras públicas

GFI - serviços e soluções para a admin. pública, telecomunicações

Gismédia - sistemas de informação geográfica

Intergraph Portugal - soluções geoespaciais

Izimoove - soluções de mobilidade inteligente

Janz - produtos e sistemas para gestão de energia

Lógica - soluções tecnológicas e sistemas de informação geoespacial

Mainroad - soluções de TI

Masterlink - e-government, multimédia, e-marketing

Novabase - soluções de backoffice e frontoffice para adm. pública

Saphety - plataforma de compras e facturação electrónica

Siemens - soluções para gestão de infra-estruturas das cidades

Tekever - soluções para as empresas nas áreas das TIC

Vortal - comércio electrónico e multimédia

Wedo Technologies - análise de tráfego, gestão de fraude em telecomunicações

Maia

ACIN - plataforma de compras públicas

Matosinhos

Efacec - energia, engenharia, transportes e logística

InfoPortugal - soluções tecnológicas de geo-referenciação

Ovar

Soma - soluções inteligentes para a limpeza urbana

Oeiras

Alma Design - design industrial centrado nos transportes

Pombal

Umbelino Monteiro - telhas solares fotovoltaicas

Porto

ANO - compras electrónicas, e-procurement e governo electrónico

Miroma - contratação electrónica de compras

Winprovit - videovigilância digital, e-commerce

Caetano Bus - concepção de autocarros eléctricos

Vila Nova de Gaia

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CENTROS DE INVESTIGAÇÃO EM CIDADES INTELIGENTES Começam a emergir em todo o mundo centros de investigação especificamente dedicados ao estudo de cidades inteligentes, tanto no âmbito de universidades como de organismos públicos e empresas. Estes tendem a concentrar as competências multidisciplinares necessárias para a abordagem do tema das smart cities, como tecnologias de informação e comunicação, energia, mobilidade, planeamento urbano, etc.

Designação

Cidade, País

Descrição

Link

Advancity

Noisy-le-Grand, França

Cluster para as cidades sustentáveis e para as tecnologias verdes, afirmando-se como um catalisador da inovação e da competitividade. Pretende fomentar projectos em colaboração entre as empresas e as organizações de investigação, com o objectivo do desenvolvimento de produtos, processos e serviços de forma a gerar actividade económica e criação de emprego. Foram criados três comités científicos de forma a cobrir três áreas-chave: o desenvolvimento urbano, a habitação e a construção e a mobilidade e transportes.

www.advancity.eu

CCCF

Porto, Portugal

O CCCF - Centro de Competências Cidades do Futuro tem como principal objectivo desenvolver e aplicar conhecimentos, capacidades e competências de carácter multidisciplinar, orientados para a promoção do desenvolvimento económico e a inclusão social, com padrões elevados de segurança e de qualidade de vida, no que se incluem desde já as competências da Universidade do Porto na área das tecnologias de comunicação, dos serviços e dos modelos e instrumentos de intervenção às escalas urbana e metropolitana para planeamento, simulação, construção, operação e gestão de cidades ambientalmente sustentáveis.

sigarra.up.pt/feup/pt/uni_geral.unidade_view?pv_unidade=692

CI3

Guadalajara, Espanha

Entidade do sector público cujos objectivos são contribuir para o crescimento, promoção e desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicações (TIC) aplicadas às infra-estruturas das cidades.

www.ci3.es

CiCiS

Santander, Espanha

A Universidade de Cantábria (UC), a cidade de Santander e a Ferrovial assinaram um memorando para se avançar com o Centro de Investigação de Cidades Inteligentes de Santander (Cicis). Neste centro, ainda em fase inicial, trabalharão técnicos em tecnologias das comunicações desenvolvendo projectos vinculados à inovação e ao desenvolvimento sustentável e orientados para melhorar a cidade e a qualidade de vida dos cidadãos, mediante uma melhor oferta dos serviços.

Em desenvolvimento

CEIIA

Maia, Portugal

O CEIIA - Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel é um centro de design, engenharia e inovação de novos produtos e serviços para as indústrias da mobilidade, desenvolvendo a sua actividade em colaboração com parceiros internacionais de referência do automóvel e aeronáutica. Assume como missão contribuir para que Portugal seja uma referência na investigação, concepção, desenvolvimento, fabrico e teste de produtos e serviços das indústrias da mobilidade, coordenando o Pólo de Competitividade e Tecnologia da Mobilidade.

www.ceiia.com

MIT City Science

Massachusetts, EUA

A iniciativa City Science do MIT Media Lab é uma rede de grupos de investigação unidos para melhorar o design, a habitabilidade e a compreensão do desempenho dos ambientes urbanos. Os investigadores do City Science, em parceria com a indústria e o governo, focar-se-ão nos seguintes temas: design urbano, mobilidade-on-demand, redes de energia e mobilidade, tecnologias integradas, ambientes para trabalhar e habitar.

cities.media.mit.edu

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Future Cities Centre

Londres, Reino Unido

O novo centro para as cidades do futuro tem como objectivo desenvolver aplicações de novas tecnologias para melhorar a vida na cidade. Tem com principal missão resolver problemas ambientais, sociais e económicos que as cidades actualmente enfrentam. Será um dos laboratórios da Intel em colaboração com o Imperial College e com a University College de Londres.

www.intel-university-collaboration.net/?page_id=1420

CDC

Bilbao, Espanha

O objectivo do CDC - Committee of Digital and Knowledge-based Cities é criar uma rede de cooperação de Autoridades Locais integrada e eficiente, de forma a tirar partido das oportunidades que as tecnologias de informação e comunicação proporcionam, partilhando-as e adaptando-as às necessidades locais de forma a criar novas oportunidades para todas as cidades e municípios.

www.cities-localgovernments.org/committees/cdc

Create-Net

Trento, Itália

Centro de investigação internacional reconhecido como sendo uma das instituições líderes na Europa na área das TICs. A sua missão é transformar as cidades em espaços inteligentes através do desenvolvimento de serviços mais inovadores e eficientes.

www.create-net.org/

Denokinn - Social Innovation Park (SIP)

Bilbao, Espanha

O SIP acolhe empreendedores sociais e projectos inovadores, com o objectivo de tornar-se num “Sillicon Valley Social”. Todos os projectos e empreendedores irão beneficiar do Laboratório para a Inovação Social (G-Lab) e da Academia da Inovação Social. Esta infra-estrutura é promovida pela Denokinn, o Centro para Inovação Social e Empresarial Basco, que foi promotor do projecto para a mobilidade urbana, o carro eléctrico Hiriko.

www.socialinnovationpark. org/

Forum Virium Helsinki

Helsínquia, Finlândia

O Fórum desenvolve novos serviços digitais, em cooperação com as empresas, a cidade de Helsínquia, outras organizações do sector público e os próprios cidadãos. Os projectos de inovação desenvolvidos no Fórum Virium Helsínquia focam-se nos seguintes temas: bem-estar, cidade inteligente, novas formas de media, meio ambiente e sustentabilidade, aquisições públicas inovadoras, comunidades de inovação.

www.forumvirium.fi

i2CAT Foundation

Barcelona, Espanha

Centro de investigação e inovação que centra as suas actividades no desenvolvimento da internet do futuro para melhorar a região da Catalunha. O i2CAT é um membro fundador da Rede Europeia de Living Labs, a organização que promove o modelo de inovação aberta (open innovation) tanto na Europa como no mundo.

www.i2cat.net/en/i2cat-foundation

Mistra Urban Futures (MUF)

Gothenburg, Suécia

Centro de desenvolvimento urbano sustentável. Produz conhecimento inovador através de uma estreita cooperação entre profissionais e investigadores. Através desta colaboração, o centro tem como objectivo melhorar o meio ambiente e a vida das pessoas nas cidades do mundo. O MUF tem vindo a desenvolver alguns projectos na área das smart cities, como o SENDSMART e o GO:SMART.

www.mistraurbanfutures.se

New Zeland Centre for Sustainable Cities

Wellington, Nova Zelândia

Centro de investigação interdisciplinar dedicado a fornecer informação base para a produção de soluções inovadoras para o desenvolvimento económico, social, ambiental e cultural dos centros urbanos da Nova Zelândia. Organiza conferências e partilha informação sobre projectos na área das Smart Cities como o Warm Up New Zealand: Heat Smart programme.

sustainablecities.org.nz

Smart Cities and Infrastructure cluster do UCD Earth Institute

Dublin, Irlanda

O cluster para as cidades inteligentes e para as infra-estruturas é um centro criativo multidisciplinar que reúne investigadores com diferentes backgrounds, incluindo política, análise económica, transportes e engenharia, sistemas de informação e energias renováveis. Com esta experiência, a UCD Earth Institute é capaz de proporcionar soluções para algumas das questões mais prementes das cidades do presente, bem como das cidades do futuro, através do desenvolvimento de planos sustentáveis e soluções inteligentes para as cidades.

www.ucd.ie/earth/research/ smartcitiesinfrastructure

Smart Cities Research Services (SCRS)

Montreal, Canada

Grupo de consultoria especializado na investigação de questões relacionadas com a gestão do desenvolvimento urbano, tais como: requalificação de terrenos devolutos, transporte sustentável, utilização da energia pela comunidade, habitação economicamente acessível, infra-estruturas verdes e crescimento inteligente. O SCRS presta aconselhamento sobre políticas públicas a governos e autoridades locais, bem como a organizações não-governamentais.

smartcities.ca

Smart+Connected Communities Institute

-

Este instituto, impulsionado pela Cisco, actua como incubadora para entidades que planeiam, analisam e desenvolvem políticas para as cidades, instituições académicas, e líderes das cidades que colaborem para solucionar as diversas questões envolvidas no desenvolvimento de cidades com vista a torna-las mais sustentáveis.

www.smartconnectedcommunities.org/community/ partners

URENIO

Thessaloniki, Grécia

Laboratório do Departamento de Urbanismo e Planeamento Regional da Faculdade de Engenharia, da Universidade Aristóteles de Thessaloniki. Visa promover a investigação e o fornecimento de serviços científicos e tecnológicos na área das cidades e regiões inteligentes.

www.urenio.org/profile/

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CIDADES 4.0 UM PROGRAMA SOBRE CIDADES INTELIGENTES

A INTELI está a realizar para a RTP, através da produtora independente Absolutauge, uma série de 13 programas subordinados ao tema CIDADES 4.0, que estreou no dia 17 de Novembro de 2012 e termina no dia 9 de Fevereiro de 2013. Com uma periodicidade semanal, os programas vão para o ar todos os sábados na RTP Informação, às 14h45 e repetem às 19h45 no mesmo dia e aos domingos às 02h30 e às 12h45. Num formato dinâmico e ritmado, o programa Cidades 4.0 tem por objectivo mostrar o que de melhor se faz nas cidades portuguesas no âmbito das smart cities, recolher depoimentos de especialistas e figuras públicas e ainda divulgar alguns exemplos de sucesso no contexto internacional. Têm sido abordados temas diversos, como empreendedorismo, governação, criatividade, inclusão social, mobilidade, energia, etc. Esta série de programas insere-se num projecto de divulgação mais vasto desenvolvido pela INTELI, do qual se destaca o trabalho realizado em parceria com a revista Visão, a Siemens e a Sociedade Ponto Verde para a promoção do Índice de Cidades Inteligentes.

INTELI APRESENTA CIDADES INTELIGENTES NO 57º GEOFORUM DA UNIVERSIDADE LUSÓFONA

A INTELI participou no 57º GeoForum organizado pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa. A conferência realizou-se no dia 11 de Dezembro, no auditório Armando Gebuza, da biblioteca da ULHT. “Cidades Inteligentes, um modelo para a cidade do futuro” foi o tema que Catarina Selada abordou na sua intervenção. Trata-se de uma área de investigação que a INTELI tem desenvolvido nos últimos anos, com a participação activa em projectos da rede nacional de cidades e em redes internacionais. O TERCUD - Centro de Estudos do Território, Cultura e Desenvolvimento da ULHT - entidade organizadora do GeoForum é uma unidade de I&D da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Lusófona cuja actividade se processa em torno de três Grupos de Investigação: Geografia e Desenvolvimento; Urbanismo e Ordenamento do Território; e Museologia.

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Aliança Portugal Japão aposta na mobilidade sustentável em Lisboa A organização Japonesa NEDO (New Energy and Industrial Technology Development Organisation) apresentou no início de 2012 uma proposta ao governo nacional para transformar Lisboa numa cidade inteligente. O acordo celebrado em Março pressupõe que algumas empresas especializadas japonesas invistam em projectos em Portugal, sobretudo através da aplicação de tecnologias de ponta na área da mobilidade e da eficiência energética. Este acordo poderá ser uma oportunidade também para as empresas nacionais com capacidade de intervenção nestas áreas. Pretende-se tornar os edifícios e espaços urbanos mais sustentáveis, o que beneficiará a população e transformará Lisboa numa cidade inteligente. http://www.mobie.pt/newsdetail?newsid=78942

Coimbra apresenta a iniciativa SmartCoimbra A Câmara Municipal e a Universidade de Coimbra apresentaram no passado dia 12 de Dezembro a iniciativa SmartCoimbra que visa promover uma cidade inteligente, criativa e “modelar” no que concerne o uso das tecnologias da informação e comunicação (TIC). A ideia é colocar as TICs ao serviço dos cidadãos e das empresas locais, em áreas como a energia, mobilidade, saúde, turismo e governo local. Nesta última, o destaque vai para a digitalização dos serviços prestados e a disponibilização pública desta informação, com vista a fomentar a transparência na actuação dos agentes públicos e o envolvimento dos cidadãos na formulação de políticas públicas e na acção governativa. O SmartCoimbra: Coimbra Cidade Inteligente Criativa visa aumentar a eficiência energética da cidade e assegurar que se cumprem os objectivos preconizados no Livro Branco sobre mobilidade e transportes da União Europeia (2011). http://www.cnoticias.net/?p=102318


Estudo identifica novas oportunidades de negócio O estudo “Smart Urbs 21” analisou mais de 370 iniciativas em 64 cidades e identificou oportunidades para criar soluções inteligentes focadas em melhorar a governação urbana e na aplicação de tecnologias em serviços dirigidos aos cidadãos. Este estudo foi elaborado pelo Centro de Tecnologia Digital de Barcelona e pelo Instituto Cerdá com a colaboração do Município de Barcelona e um conjunto de empresas como a Gas Natural Fenosa, a Cespa-Ferrovial e o BBVA. Das 15 novas soluções e oportunidades identificadas no estudo na área das smart cities, 60% são orientadas para os cidadãos, 30% para a optimização do fornecimento de serviços urbanos, 25% envolvem a participação da cidade numa parceria público-privada e os restantes 25% dizem respeito à criação de novas oportunidades de negócios. Este estudo focou-se essencialmente nas áreas do ambiente, energia e transportes e mobilidade. http://www.icerda.es/noticies.php?not=1235&lang=3

Prémio IBM para Faro, cidade inteligente ligada à economia do mar O desafio da IBM Smarter Cities premiou um total de 31 cidades em 2012, que vão receber um apoio total equivalente a 39 milhões de euros. Faro foi a única cidade portuguesa escolhida este ano pela IBM e vai ser acompanhada por especialistas da multinacional para encontrar soluções mais eficazes de gestão urbana e melhorar a ligação à economia do mar. Segundo a IBM, na primeira fase, num período de três semanas, os especialistas farão um levantamento das necessidades para depois se traçar um plano estratégico. Em seguida, vai ser produzido o benchmarking com recomendações e, por fim, ocorrerá a execução de projectos concretos. http://expresso.sapo.pt/ibm-inclui-faro-na-aposta-em-cidades-inteligentes=f768316

City Protocol: A primeira certificação para Smart Cities O “City Protocol” é o primeiro certificado para cidades inteligentes e visa codificar o que torna realmente uma cidade inteligente, assim como distinguir quais são as cidades que estão a trabalhar para conquistarem esse título. Este certificado foi criado por mais de 30 organizações, incluindo o Município de Barcelona, GDF SUEZ e a Cisco e será gerido pela recentemente criada City Protocol Society. A City Protocol Society é uma rede global de cidades que, em parceria com outras entidades como empresas e universidades, pretende desenvolver abordagens e soluções comuns para ajudar as cidades a construírem um futuro sustentável. http://www.cityprotocol.org/

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Smart Grids Summit Berlim, 28-30 Janeiro 2013 Esta conferência pretende fornecer contributos sobre os projectos mais relevantes de redes inteligentes e sobre a investigação e desenvolvimentos que tem vindo a ser realizada e que faz da Europa líder mundial em tecnologias e inovação na área da energia. O evento reunirá os principais especialistas, investidores e reguladores em matéria de smart grids para partilha de conhecimentos sobre os desafios e os projectos que estão a ser desenvolvidos nesta área.

Smart Grids, Smart Cities Forum 2013 Nice, 20-22 Março 2013 A conferência “Smart Grids, Smart Cities” irá reunir especialistas dos sectores público e privado para discutirem as iniciativas, os projectos já implementados e bem-sucedidos e as perspectivas futuras para as cidades inteligentes em 2013. O evento baseia-se na apresentação de projectos-piloto de smart grids, que posteriormente possam ganhar escala e serem replicados noutros locais.

Cimeira: Digital Grids and Smart Cities Riyadh, 10 -12 Março 2013 Nesta cimeira irão discutir-se estratégias para se criar um futuro sustentável e inteligente. Durante o evento na Arábia Saudita irão realizar-se várias apresentações de especialistas locais e internacionais sobre smart cities e redes digitais, comunicações e sistemas. O programa irá abordar vários aspectos como smart web, comunicação smart e mobilidade inteligente que irão facilitar a vida nas cidades do futuro.

International Workshop on Pervasive Internet of Things and Smart Cities Barcelona, 25 - 28 Março 2013 Este workshop destina-se a investigadores e empresas das áreas da Internet das Coisas, da computação pervasiva e ubíqua e das cidades inteligentes, para discutir os desafios que se colocam à investigação e às tecnologias associadas a novas aplicações e serviços para cidades habitáveis.

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SITES & LINKS Global City Indicators Facility

City Protocol

Smart Specialisation Platform

Portal sobre Smart Cities - Espanha

Projecto RENERGY – INTERREG IVC

Smart Cities Inspiration Blog

LIVROS & ARTIGOS

Articular um Crescimento Sustentável e Inteligente através da Especialização Inteligente CE, Novembro 2012

Guia para Estratégias de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente CE, Maio 2012

O “Guia para a Smart Specialization” vem fornecer orientações aos Estados-membros para que estes desenvolvam estratégias de investigação e inovação com base no conceito de ‘especialização inteligente’. A “smart specialisation” traduz-se numa abordagem estratégica para alcançar o desenvolvimento económico através da investigação e da inovação. Apostar numa especialização inteligente será um requisito essencial para os investimentos dos Fundos Estruturais em investigação e inovação, enquanto parte da futura contribuição da Política de Coesão Europeia para a criação de emprego e crescimento.

Este documento fornece recomendações concretas e exemplos de boas práticas para promover a discussão entre as autoridades públicas e os stakeholders dos Estadosmembros no âmbito das estratégias regionais de investigação e inovação para uma especialização inteligente.

Smart Cities of the Future Paper 188

Centre for Advanced Spatial Analysis - University College of London, Outubro 2012 O recente documento elaborado pelo Centro de Análise Espacial Avançada, da Universidade de Londres, pretende dar uma perspectiva das mudanças que irão ocorrer nas cidades do futuro, focando as áreas onde os espaços urbanos poderão ser mais inteligentes, como a energia, a mobilidade e o transporte urbano, ambiente, envolvimento dos cidadãos, entre outras.

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EfficienCITIES Città-modello per lo sviluppo del Paese Siemens e Cittalia, 2012 O relatório, elaborado pela Siemens e pela Cittalia (centro de estudos e investigação para as cidades e autarquias italianas), aborda 54 capitais de província italianas com mais de 90 mil habitantes. Estas foram analisadas em matéria de inovação e qualidade de vida, de acordo com um conjunto de indicadores como sustentabilidade, qualidade da água, qualidade do ar, mobilidade, energia, entre outros. Este relatório constatou que é na mobilidade urbana, sustentabilidade e edifícios que os municípios italianos têm investido mais.

Análisis de las Ciudades Inteligentes en España 2012 - El Viaje a la Ciudad Inteligente IDC, Setembro 2012

Este Livro Branco faz uma análise das cidades inteligentes em Espanha, integrando 44 cidades com mais de 150.000 habitantes. A metodologia utilizada abrange as seguintes dimensões inteligentes: governo; edifícios; mobilidade; energia e meio ambiente; e serviços. Além do mais, considera um conjunto de forças facilitadoras, a saber: pessoas, economia e tecnologias de informação e comunicação. Integra 23 critérios de avaliação e 94 indicadores. As cinco cidades que lideram o ranking são: Barcelona, Santander, Madrid, Málaga e Bilbao.

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FICHA TÉCNICA Edição e Coordenação: INTELI Equipa: Catarina Selada, Patrícia Afonso, Maria João Rocha e Diana Reis Colaboraram nesta edição: Carolina Blasco – Município de Burgos (Espanha) Design gráfico: Mónica Sousa (INTELI) Fotografia de capa: Anthony Malhado (INTELI)


A INTELI é um think-and-do-thank que actua na área do desenvolvimento integrado dos territórios a nível económico, social, cultural e ambiental, através do apoio às políticas públicas e às estratégias dos actores locais. Opera nos domínios da cultura e criatividade, energia e mobilidade e inovação social, procurando contribuir para a afirmação de cidades e regiões mais criativas, sustentáveis e inclusivas.

Edição: INTELI – Inteligência em Inovação, Centro de Inovação Av. Conselheiro Fernando de Sousa, 11, 4º 1070-072 Lisboa – Portugal Tel: (351) 21 711 22 10 Fax: (351) 21 711 22 20 Website: www.inteli.pt E-mail: citiesbrief@inteli.pt

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