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Editorial

 Ir. Wanilda Melo Barbara, RCM

Viver para celebrar recordar e agradecer

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stamos chegando ao fim do ano de 2013, que certamente ficará marcado na história da Igreja como o ano que vivenciou fatos significativos que repercutiram em todo o mundo, como a renúncia do Papa Bento XVI e a eleição do seu sucessor, o Cardeal argentino, Jorge Mário Bergóglio, que assumiu o nome de Francisco, como expressão de um projeto de vida para a Igreja. O primeiro Papa latino-americano, o primeiro Papa Jesuíta, com seu testemunho de fé, sua simplicidade, transparência, coerência e determinação, vem manifestando ao mundo, numa linguagem compreensível a todos, uma mensagem de amor e de esperança. Sua presença marcante foi notável em sua primeira viagem internacional como Papa, privilegiando o Brasil com seu testemunho durante a Jornada Mundial da Juventude, celebrada no Rio de Janeiro, durante o mês de julho. A Congregação Concepcionista esteve presente na JMJ Rio 2013 com representações de alunos, Irmãs e educadores do Brasil, dos Estados Unidos, do México, da Venezuela e da República Dominicana. A presente edição de “Integração em Revista” apresenta-nos algumas breves pinceladas dos momentos vividos nesse encontro, que reuniu quase quatro milhões de jovens de diversas partes do mundo. Recordar é também uma forma de agradecer os dons que recebemos, é trazer para a memória e para o coração a lembrança da obra que Deus vai realizando no mundo e nas pessoas ao longo do tempo. Como família Concepcionista celebramos, no dia 21 de outubro, o primeiro aniversário da CANONIZAÇÃO de Santa Carmen Sallés. Para fazer memória desse fato tão importante para a congregação Concepcionista, todas as comunidades procuraram, de alguma forma, se unirem em louvor e ação de graças a Deus pela santidade de Santa Carmen Sallés. Alguns artigos da presente edição fazem menção ao fato. Outro tema que ocupa algumas páginas desta edição recorda o dia de combate à fome no mundo. Num país tão rico como o Brasil o desperdício de alimentos, por ano, corresponde ao valor de 12 bilhões de reais. É doloroso pensar que enquanto tantos desperdiçam alimentos, há milhões de pessoas que passam fome. A mudança dessa realidade passa pela conscientização das pessoas. Um projeto desenvolvido no Colégio Maria Imaculada (SP) promoveu algumas atividades como a pesagem de todos os alimentos deixados no prato, pelos alunos do Integral, a fim de conscientizá-los sobre as consequências do desperdício. Podemos contar ainda nesta edição com diversos projetos e artigos que expressam a preocupação dos educadores da Rede Concepcionista de Ensino com a formação dos educandos, de modo que sejam ajudados no desenvolvimento harmônico de suas qualidades físicas, intelectuais, espirituais e morais. É claro que a sociedade, constituída por pessoas idôneas, pessoas de bem, pessoas que buscam o bem não somente para si, mas o “bem” como uma categoria de importância, o “bem” em si, o “bem” para todos é um ideal que se concretiza a partir do processo educativo das pessoas que hoje passam pelas escolas. Que Deus nos ajude para que possamos continuar garantindo a concretização do Projeto Educativo Concepcionista e fazendo do ideal de Santa Carmen Sallés uma realidade que contribui para um mundo melhor! 3


Religiosas Concepcionistas Missionárias do Ensino www.concepcionistas.com.br SEDE PROVINCIAL Rua Humberto I, Nº 395 - Vila Mariana Cep: 04018-031 – São Paulo – SP Tel. (11) 5539-2577 – Fax (11) 5549 5743 E-mail: provinciabrasil@concepcionistas.com.br

Expediente

Nesta Edição

A JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE, EXEMPLO PARA O MUNDO

TECNOLOGIAS DIGITAIS

COLÉGIO MARIA IMACULADA Av. Bernardino De Campos , 79 Cep: 04004-050 - São Paulo - SP Tel.: (11) 3283-2111 Site: www.colegiomariaimaculada.com.br E-mail: cmisp@cmisp.com.br CRECHE LAR ESCOLA “CARMEN SALLÉS” Rua Conselheiro Rodrigues Alves, 419 Cep: 04014-011 - Vl. Mariana São Paulo - SP - Tel.: (11) 5083-0941 RECANTO BETÂNIA Rodovia José Simões Louro Jr. , 3284 Cep: 06900-000 - Embu Guaçu - SP Tel.: (011) 4661-1449 E-mail: recanto@concepcionistas.com.br COLÉGIO MARIA IMACULADA Rua Francisco Gomes, 661 Cep:13730-320 - Mococa - SP Tel.: (19) 3656-0107 Site: www.cmimococa.com.br E-mail: colegio@cmimococa.com.br

Participantes da Rede Concepcionista na JMJ 2013 dão seus depoimentos sobre a sensação vivida, ao presenciar um momento único e emocionante no Rio de Janeiro.

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BONECA OU BATOM?

LAR MARIA IMACULADA Rua Prudente de Morais, Nº 533 Cep: 13730-400 – Mococa – SP Telefax: (19) 3656-0020 Site: www.larmariaimaculada.com.br E-mail: contato@larmariaimaculada.com.br

Num mundo que avança tecnologicamente a passos cada vez mais rápidos, usar das tecnologias digitais e alterar o conceito tradicional de aula virou quase uma lei. Como educadores podem lidar com esse desafio?

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Homens e mulheres aprendem de forma distinta. Enquanto o sexo feminino pode se sair melhor em determinadas atividades, o sexo masculino pode se destacar em outras. E numa sala de aula? Como passar o mesmo conteúdo para alunos e alunas?

em revista

ISSN 1981-8246

Ano XIV - Nº 29 - Dez 2013

VINÍCIUS CANTA E ENCANTA

PROJETO PRATO LIMPO TODOS OS DIAS

UM ANO DA CANONIZAÇÃO DE SANTA CARMEN SALLÉS

COLÉGIO REGINA PACIS Rua Daniel de Carvalho, 1424 Cep: 30441-152 - Belo Horizonte - MG Tel.: (31) 3337-5945 Site: www.rpacisbh.com.br E-mail: cogeral@rpacisbh.com.br CASA NOVICIADO Rua Herculano de Freitas, 1.566 - Barroca Cep: 30431-080 – Belo Horizonte - MG Tel.: (31) 3332-3933 e 3332-9741 E-mail: noviciado@rpacisbh.com.br CASA IMACULADA CONCEIÇÃO Rua Professora Antônia Meireles, Nº 07 Loteamento Carvalho Cep: 48540-000 – Jeremoabo - BA Tel.: (75) 3203-2348 – Fax (75) 203-2035 E-mail: concepjerem@ieg.com.br

Está cada vez mais comum vermos meninas a partir de oito anos trocando seus brinquedos por maquiagens e falando em namorar. Confira os principais fatores que podem ajudar nesta mudança comportamental das meninas de hoje.

ERA 3.0 = VALORES?

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CRECHE MADRE CARMEN SALLÉS QR 431, Conj. 1 - Lotes 10, 11 e 15 Cep: 72329-101 - Samambaia- DF Tel.: (61) 3359-4901 E-mail: creche@Carmensalles.com.br

OBRA SOCIAL MARIA IMACULADA QR 431, Conjunto 1, Lotes 12 e 13 Cep: 72329-101 – Samambaia - DF Tel.: (61) 3359-4901 COLÉGIO MARIA IMACULADA Rua São Francisco Xavier, 935 Cep: 20550- 011 - Rio de Janeiro - RJ Tel.: (21) 2264-4998 - Fax: (21) 2569-4481 Site: www.cmirj.com.br E-mail: diretoria@cmirj.com.br

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ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL

COLÉGIO MADRE CARMEN SALLÉS Av. L2 Norte, Quadra 604 Cep: 70830-154 - Brasília- DF Tel.: (061) 3223-2863 Site: www.carmensalles.com.br

COLÉGIO MARIA IMACULADA QI 05 - CH 72 - Lago Sul Cep: 71600-790 – Brasília - DF Tel.: (61) 3248-4768 – Fax: (61) 3248-6464 E-mail: diretoria@cmidf.com.br

No dia 21 de outubro de 2013, completouse um ano da canonização de Carmen Sallés pelo papa Bento XVI, em Roma. Saiba o que as Unidades Concepcionistas espalhadas pelo mundo fizeram para relembrar este momento abençoado.

Na chamada era digital, com pessoas cercadas de tablets, smartphones e afins, será que estamos nos lembrando de algo essencial para a constituição das relações humanas: a construção dos valores?

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Um dos momentos de grande tensão na vida do jovem é a escolha de uma profissão. Para auxiliá-lo nessa importante etapa da vida, a orientação profissional realizada pelas escolas se torna essencial para preveni-lo de futuras decepções profissionais.

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Uma publicação semestral das Religiosas Concepcionistas Missionárias do Ensino - Província do Brasil, feita com a colaboração de Pais, Educadores e Religiosas da Rede Concepcionista de Ensino

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COLÉGIO IMACULADA CONCEIÇÃO Rua Professor José Cândido, 238 - Centro Cep: 37750-000 - Machado - MG Tel.: ( 35) 3295 1168 E-mail: cic@axtelecom.com.br COLÉGIO IMACULADA CONCEIÇÃO Rua Cristiano Stockler, Nº 271 Cep: 37900-150 – Passos - MG Tel.: (35) 3521-8777 – Fax: (35) 3521-6221 Site: www.cicpassos.com.br E-mail: cic@cicpassos.com.br

O Brasil desperdiça por ano 12 bilhões de reais em alimentos. No Colégio Maria Imaculada (SP) foi feita uma pesagem de todos os alimentos deixados no prato pelos alunos do Integral, a fim de conscientizá-los sobre as consequências do desperdício.

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Para celebrar o centenário de Vinícius de Moraes, o Colégio Regina Pacis, de BH, promoveu uma Mostra Literária composta por apresentações e documentários que relembraram a importância deste poeta tão marcante da literatura brasileira.

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Fale Conosco

n Diretora Responsável: Ir. Wanilda Melo Barbara (cpe@carmensalles.com.br) n Jornalista Responsável Mariana da Cruz Mascarenhas MTB 0070174SP n Produção Gráfica: Edenilson S. Coelho (edenilson@concepcionistas.com.br) n Redação: Sede Provincial Rua Humberto I, nº 395 - Vila Mariana São Paulo - SP - Cep: 04018-031

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n Impressão e acabamento: Gráfica Neoband

BENEFÍCIOS DO FAZER ARTÍSTICO

n Tiragem desta Edição:

7200 exemplares (Distribuição gratuita e dirigida)

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ESTILOS DE APRENDIZAGEM

Ensinar está muito além de passar um conteúdo aos alunos. Por isso, transmitir um aprendizado a crianças e adolescentes requer que pais e professores os conheçam em sua totalidade.

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SE OS HOMENS SÃO DE MARTE E AS MULHERES SÃO DE VÊNUS, QUE LÍNGUA O PROFESSOR DEVE FALAR?

Expressar-se através da Arte não apenas ajuda a aflorar nossos sentimentos como desperta a criatividade. No Colégio Maria Imaculada, de Mococa, aconteceu o Show de Talentos com apresentações de canto, dança, música e até filmes criados pelos alunos.

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Sua opinião é importante para nós! Envie seus comentários, críticas ou sugestões para: n E-mail: integracao@concepcionistas.com.br ou, se preferir v ia Correio: n Rua Humberto I, nº 395 - Vila Mariana Cep: 04018-031 - São Paulo - SP Aos cuidados de Edenilson Coelho

Obs.: Por motivo de espaço da publicação, as cartas enviadas podem ser resumidas a critério da redação da revista.

No Portal Concepcionista você pode consultar e fazer download de todas as edições de Integração em Revista. Basta acessar www.concepcionistas.com.br e clicar em “Revista Integração”


A Jornada do Rio,

exemplo para o mundo Depoimentos emocionantes de quem vivenciou este momento único de gratidão e fé

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afinidade que logo se estabeleceu entre o Papa Francisco e a multidão que participava da Jornada Mun dial da Juventude foi tão forte que, ao me deslocar nas calçadas de Copacabana, ouvi de uma jovem, falando em espanhol, com sua colega, esta expressão: Parece que ouvi o Papa sussurrar no meu ouvido, dizendo: “JESUS ESTÁ CONTIGO”. É impossível tentar dar uma versão, ainda que em rápidas impressões, da Jornada Mundial da Juventude realizada no Rio de Janeiro, de 23 a 28 de Julho último, sem controlar a emoção

que ressurge impetuosa quando evocamos o evento. A representação da família concepcionista foi enriquecida com a presença de jovens do Iraque que a comunidade acolheu em São Paulo, e com a qual, durante alguns dias, na Pré- Jornada, ensaiou músicas religiosas e o exercício de orações, além das divertidas tentativas formas de comunicação. O Rio se encontrava todo ocupado pelos batalhões da fé e da paz que chegavam de todo o Brasil e de todo o mundo. Três milhões de pessoas se cruzavam, comunicavam-se às vezes por gestos e olhares, esquecendo as

dificuldades de locomoção e acomodação. A multiplicidade de bandeiras, a variedade das cores, as mais diversas origens e etnias e o exotismo de alguns, tudo ajudava a compor um estranho e diversificado mosaico, no qual só havia uma visão uniforme: o rosto de Jesus. Durante a Jornada ocorriam, simultaneamente, catequeses, missas, palestras, adorações, momentos de oração e cantos de exaltação a Deus. Da primeira Jornada em 1986, em Roma, até a nossa brasileira, bem carioca, à sombra do Cristo Redentor, ela certamente evoluiu muito e positivamente.

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Pastoral

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Pastoral

FRANCISCO Foi uma grande festa cristã, em que todos se deixaram influenciar pela figura carismática e extremamente envolvente do Papa Francisco, o mais novo sucessor de Pedro, que acena com o amor de Deus no lugar do anátema, que recoloca a Igreja no caminho da misericórdia, que reserva a condenação ao pecado e não ao pecador. Só a opção pelo nome de Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis, que sempre lutou em favor dos pobres, e que apontou, em toda a sua vida, o caminho do despojamento e da simplicidade, foi uma afirmação vigorosa do que quer a Igreja ao lado dos que sofrem, dos despossuídos, dos que não dispõem

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de bens materiais e de nenhuma forma de recurso ou de poder. Francisco, por certo, executou, com perfeição e brilho, o tema da Jornada Mundial da Juventude realizada no Rio: “Ide e fazei discípulos em todas as nações” (Mateus 28, 19). Cada palavra que pronunciava, cada frase que dizia, cada pensamento que expressava levava os jovens e a multidão, que se integraram informalmente à Jornada, a longos

aplausos, acompanhados de gestos de simpatia e de solidariedade. Todos os que vivenciaram a Jornada Mundial da Juventude 2013 deixaram o solo carioca retemperados em sua fé e sua convicção católica. As alocuções e homilias do Papa, bem como as exortações aos jovens de todos os continentes, as palavras sábias dos representantes de suas igrejas e dioceses, clérigos e leigos constituíram, sem dúvida, excelente

 Maria Amélia C. F. Fernandes

Coordenadora da Pastoral do Colégio Maria Imaculada São Paulo- SP

Seguem alguns depoimentos de alunas da Rede Concepcionista que participaram da Jornada e puderam viver esses lindos momentos: “Foi graças à Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro que pude conhecer melhor o Papa Francisco. Seu jeito simples e suas palavras tocantes fizeram com que eu passasse a ter uma grande admiração por ele! Se na JMJ passada, em Madrid, reafirmei minha fé, na JMJ Rio recebi um convite: levar essa fé para outros lugares, a começar pelos que estão mais perto de mim e depois para lugares mais distantes. O momento que eu mais gostei foi a noite de vigília em Copacabana. As palavras proferidas pelo Papa Francisco e os testemunhos me emocionaram. Além disso, foi incrível

ver a praia ocupada por milhares de pessoas de nacionalidades diferentes que estavam reunidas para professarem a mesma fé. Somente a vivência de uma Jornada permite saber como é participar dela. Que venha o próximo encontro na Polônia!” (Flávia Vasconcellos – Colégio Maria Imaculada – São Paulo). “Participar da Jornada Mundial da Juventude foi incrível. Os momentos vividos foram mágicos e inesquecíveis. Foram seis dias de muita alegria, fé, paz e harmonia. A cidade maravilhosa, Rio de Janeiro, ficou ainda mais bonita com milhares de jovens reunidos para

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Sou muita grata à Rede Concepcionista de Ensino por haver me propiciado testemunhar a beleza e a grandeza das maravilhosas demonstrações de fidelidade à Igreja e, sobretudo, o grito que ecoou do Rio para o mundo, sussurrando “Jesus está contigo”.

cabedal de conhecimentos que serão muito úteis a todos nós que vivemos o cotidiano em convívio com pessoas virtuosas, graças a Deus, mas igualmente com outras que ainda não abriram seu coração para Cristo. A família concepcionista manteve-se igualmente todo o tempo em absoluta comunhão de pensamentos, ideias e ações sociais com o irmão argentino, que se fez Francisco para não deixar dúvida de qual é o rumo do seu pontificado. Nós já vivemos essa feliz e abençoada experiência, pois a atuação concepcionista sempre esteve voltada para os mais fracos e mais necessitados, graças à visão privilegiada e iluminada da nossa fundadora, hoje Santa Carmen Sallés. Só podemos acreditar, interpretando o grande acontecimento de Julho no Rio, no Ano da Fé, que todo o esforço da Rede Concepcionista de Ensino e da Igreja há de produzir admiráveis conquistas de fiéis para esta, como a reconciliação com Jesus de quantos, por motivos diversos, se afastaram da estrada da salvação. A intercessão de Maria certamente acontecerá, mais uma vez, pois ela, sendo permanente fonte de inspiração, de amor e de devoção à vida cristã, estenderá novamente o manto de sua proteção sobre todos os que revelam o desejo de retornar à casa do Pai.

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Pastoral

crescer na fé. A JMJ foi emocionante, ver o Papa de perto foi algo inexplicável. A saudade é muita, relembrar cada momento me faz agradecer cada vez mais por ter tido essa oportunidade única.” ( Ana Luisa Trentin – Colégio Maria Imaculada - Mococa ) “Reviver a experiência de participar da Jornada Mundial da Juventude foi, sem dúvida, algo maravilhoso. Ter o privilégio de estar com o Papa Francisco e compartilhar de seus ensinamentos foi renovador. Participar de um encontro como esse é muito mais do que ouvir sobre a Palavra de Deus, é vivenciar toda a força e união do povo católico, é comprovar que a juventude não está perdida e que nós, jovens, sabemos o caminho que vamos trilhar porque Jesus é a Verdade, o Caminho e a Vida. O amanhã pode ser melhor, haverá dificuldades, mas somos enviados por Cristo a ir e evangelizar em todas as nações. O Papa Francisco nos convida a sermos revolucionários e corajosos, a não termos medo de andar contra a corrente. Ser católico é muito mais do que ir à missa e rezar, é sentir a presença viva de Deus em nossas vidas e eu pude sentir isso durante a Jornada. É saber que somos diferentes, não porque somos melhores do que os outros, mas porque somos unidos pela fé e

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sabemos que, apesar das dificuldades, haverá alguém para nos estender a mão e nos levantar, esse alguém é Cristo. Cada um de nós carrega sua própria cruz, mas somos chamados a enfrentar e a não ter medo de levar Cristo para todos os povos. A JMJ 2013 não apenas fortaleceu minha fé, mas me apresentou um mundo novo, em que tenho a missão de evangelizar e fazer discípulos. A Jornada fez com que me tornasse mais forte e consciente de que as dificuldades não são raras exceções, mas

sim meras barreiras que temos que derrubar para alcançar a vida eterna. Espero que a fé e o amor em Deus possam, um dia, reinar em todos os corações, porque temos uma missão. ‘Ide, sem medo, para servir’, Papa Francisco”. (Isabella Maria Martins Fernandes - Colégio Madre Carmen Sallés- Brasília) “Participar da Jornada, neste ano, foi uma graça. O carisma e a graça contagiante do Papa Francisco fizeram com que nós, jovens, nos sentíssemos

mais próximos e conectados uns aos outros e, principalmente, com Jesus Cristo. Eu já tinha participado da Jornada anterior na Espanha, em 2011, mas este ano superou todas as minhas expectativas por estarmos em nosso país e com um Papa mais aberto, que falou na nossa linguagem, de maneira jovem e simples. Três fatos me marcaram muito. O primeiro deles é para mim o mais emocionante, a chegada de Francisco em Copacabana, ver aquele sorriso contagiante e a preocupação de tentar “falar” com todos que estavam à sua espera. Nesse mesmo dia, ele tomou chimarrão de um dos peregrinos, o que confirma a sua simplicidade. O segundo foi a encenação da Via Sacra fazendo um paralelo com os problemas enfrentados pelo jovem hoje em dia, momento diferente do de Madri. E, finalmente, o terceiro momento foi a Vigília na Praia de Copacabana em que o Papa pediu um minuto de silêncio. Nesse período foi difícil segurar as lágrimas, pois, quando olhei à minha volta, vi milhares de pessoas (quando cheguei em casa vi que éramos três milhões e meio) e o único som perceptível eram as ondas que se quebravam na praia. O flash mobile foi um momento muito especial também, pois mostrou a vitalidade e a renovação juvenil da Igreja Católica. Jornada é peregrinação, desafios, superação e, no Rio, enfrentamos chuva, calor, frio, filas de duas horas para comer e usar os banheiros, ficamos da uma até às quatro horas da tarde em pé, debaixo de lona e com capa de chuva para nos proteger com o objetivo de ver o Papa, mas isso se tornou muito pequeno diante da graça que recebemos. A JMJ não acabou no dia 28 de julho após a Vigília, pelo contrário, nesse dia, ela começou. Agora somos missionários da palavra, testemunhas de um amor sobre-humano e temos como dever levar isso às pessoas: “Ide e fazei missionários entre todas as nações”. E como diria nosso amado Papa: “não tenham medo, cada um de vocês está no meu coração. Vocês não estão sozinhos” (Taís Stacciarini - Colégio Madre Carmen Sallés - Brasília).

Encontros que marcam É muito difícil, mas vou tentar expressar em palavras todas as emoções vividas nos dias de JMJ 2013. Foi uma chuva de bênçãos, de graças, de solidariedade, de fraternidade, de cidadania, de paz... O Rio de Janeiro nunca viu, nem viveu nada igual. A entrega total de todos os participantes contagiava a todos, inclusive os moradores do Rio que não estavam envolvidos na JMJ. Os policiais acostumados a lidar com bandidos eram surpreendidos com jovens sorrindo, cantando e cumprimentando-os, ficavam atônitos. Os moradores dos prédios de Copacabana se sensibilizaram com os peregrinos na noite da vigília e levaram galões de chocolate quente, chá, bolachas, abriram os portões de seus prédios para que os jovens pudessem usar seus banheiros, foi emocionante. Os motoristas de ônibus eram corteses e diziam que nunca tinham visto aquilo, até paravam fora dos pontos para os peregrinos descerem. As pessoas foram tocadas pelo Papa Francisco, pelos peregrinos, pelos voluntários e organizadores do evento. Havia gente de todas as idades, naturalidades, nacionalidades e línguas que conversavam e se entendiam como na “Vinda do Espirito Santo sobre os Apóstolos”. Andávamos quilômetros, passávamos horas em filas para as refeições, porém como o humor permanecia inalterado, era uma festa de Deus. Jovens, crianças, adultos, idosos, religiosos e religio-

sas, padres, agiam da mesma forma: sentavam-se no chão, nas areias, nas sarjetas, sempre com um sorriso nos lábios. Os jovens voluntários, de todos os cantos do Brasil que se colocaram a serviço, estavam em todos os lugares onde necessitasse de ajuda, ordeiros, disponíveis, alegres, sempre prontos para servir. A Feira Vocacional me impressionou pela quantidade de pessoas, pelo interesse demonstrado, não estavam ali cumprindo regras ou normas, queriam realmente conhecer as Comunidades e seus Santos. As catequeses para os jovens em 27 idiomas eram acompanhadas com entusiasmo. Era um só povo e um só Deus! O Papa Francisco foi um maestro seguramente conduzido pelo Espírito Santo, suas palavras sábias tocavam a todos, pedindo “oração, sacramentos e serviço, muito serviço” e eram ouvidas atentamente por milhões que se silenciavam nos momentos de interiorização e vibravam em outros. Sinto meu coração aquecido, abastecido com tanto amor, fraternidade e tantas graças vividas. Em todo momento sentia-se a presença de Jesus Cristo no meio de nós. Já estou com saudades. Agradeço a Deus pela oportunidade maravilhosa que Ele me concedeu de viver esta chuva de bênçãos. Obrigada, Senhor!  Ana Cecília de Melo Vasconcelos Barbara Passos - MG

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Pastoral

Semeando valores com Santa Carmen Sallés

Alunos do Ensino Fundamental e Médio do Colégio Madre Carmen Sallés são levados a refletir sobre questões sociais e existenciais relevantes na sua formação. 12

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educação na Rede Concepcionista de Ensino tem como objetivo a formação integral, que é voltada para a construção de valores éticos, morais e cristãos, promovendo a construção da cidadania e vivenciada por meio de gestos de solidariedade que promovam uma mudança significativa em nosso contexto social. Enquanto Instituição Educativa, acreditamos que somente a partir de um ser humano instruído intelectual e humanamente é que atingiremos possíveis e significativas mudanças no contexto atual. Inspiradas nessa proposta e preocupadas em atender os estudantes de modo individualizado e nos diversos

aspectos da formação: humana, cristã e empreendedora, as orientadoras educacionais, Bianca Drolhe e Karine Ribeiro, juntamente com a coordenadora de pastoral, Claris Tereza Tondello, do Colégio Madre Carmen Sallés, em Brasília, vêm desenvolvendo o projeto Semeando valores com Santa Carmen Sallés, mais conhecido como SEMEANDO, que atende, semestralmente, os estudantes do sexto ano do Ensino Fundamental ao terceiro ano do Ensino Médio, em um momento de formação. São momentos formativos fortes e significativos, em que o aluno é beneficiado com uma aula diferente, fora do espaço de sala de aula, é levado a refletir sobre questões existenciais

e sociais pertinentes para a sua formação. Utilizamos temas diversos relacionados aos assuntos abordados em sala de aula, mas sobretudo com a conscientização das mudanças necessárias de atitudes, que ferem os valores cristãos, de acordo com as necessidades de cada turma. Estas reflexões, em longo prazo, têm como objetivo levar o aluno a comprometer-se com uma ação pedagógica de cunho social. Os encontros acontecem sempre às sextas-feiras, em horário escolar, uma turma por vez. Dessa forma, neste ano, a maioria das turmas teve a oportunidade de viver dois momentos formativos. As etapas do projeto foram criteriosamente pensadas dentro da necessidade e faixa etária de cada turma e o trabalho perpassa estas necessidades, que são acadêmicas, humanas, cristãs e sociais. Começamos sempre com um momento de animação e oração, leitura de um texto bíblico iluminador e uma dinâmica para “quebrar o gelo”, quando todos são inseridos nas atividades de reflexão, compromisso e participação, partilhas, sempre buscando contemplar os objetivos do encontro para a turma e terminamos com a celebração da vida e dos compromissos estabelecidos. O ambiente é pensado e organizado nos mínimos detalhes, tudo para que esse momen-

to seja simples, significativo, focado e marcante na vida dos participantes. Dentre os diversos objetivos, o maior deles foi sem dúvida, despertar nos alunos valores como respeito a si e ao outro, senso de coletividade e responsabilidade, espírito de participação e sensibilizar os alunos para a importância de vivenciar valores como abertura à transcendência, beleza, liberdade, amor, vida, verdade, diversidade, competência, cidadania e solidariedade, visando à construção da paz por meio de uma convivência sadia. Percebemos que, num primeiro momento, os encontros atenderam a uma necessidade educativa, formativa de hábitos e atitudes, mas agora a parceria segue firme no seu trabalho na dimensão mais preventiva, pois o primeiro contato já se estabeleceu. Traçou-se, com muita eficácia, um modelo de trabalho de resultados disciplinares, religiosos e de orientação da vida escolar dos jovens. Sabemos que esse trabalho precisa ser ampliado para envolver outras disciplinas, mas já foi dado o primeiro passo e o desafio agora é não deixar a chama se apagar. Registramos aqui alguns dos objetivos que estão por trás do nosso fazer: sensibilizar para a importância do respeito, da acolhida e gestos de solidariedade nas relações; mostrar que Deus é fidelidade, misericórdia,

bondade, graça e ternura; despertar para a fé e a importância da generosidade, a partir da reflexão sobre as passagens bíblicas; despertar para a prática de gestos que construam a paz; refletir sobre o valor da vida, amizade, família e namoro; criar um grupo comprometido com a ação e consciência do voluntariado; suscitar interesse e compromisso com o grupo jovem e demais necessidades do colégio; criar consciência social e política para a construção da cidadania; reconhecer o carisma concepcionista como um modo de ser e de se posicionar perante a sociedade, a escola, a família; favorecer a formação para a cidadania; proporcionar um espaço de experiência religiosa; desenvolver o espírito de cooperação e empreendedorismo; promover o respeito entre os alunos em relação à diversidade religiosa.

Sobre a Metodologia: n Acolhida (Oração). n Dinâmicas temáticas

de acordo com a necessidade do grupo. n Conversas sobre um tema específico. n Trabalho em grupo e compromisso. n Partilha dos grupos. n Oração conclusiva e de celebração. Para concluir, gostaríamos de dizer que este foi e está sendo um trabalho muito bonito de resultados por tratar-se da reflexão com a orientação educacional e pastoral, e que resultam numa melhora na postura do aluno em sala enquanto sujeito da aprendizagem, num maior compromisso e rendimento nos estudos. Temos muito orgulho de afirmar que esta é a grande chave do despertar empreendedor que a escola alcançou este ano com o projeto!  Bianca Drolhe

Orientadora Educacional do Ensino Fundamental II

 Karine Ribeiro

Orientadora Educacional do Ensino Médio

 Claris Tondello

Coordenadora de Pastoral Colégio Madre Carmen Sallés - DF

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Pastoral

Psicomotricidade

Vale a pena amar

“Contar histórias ainda traz um brilho especial

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aos olhos dos ouvintes, pequenos ou adultos”. amor não escolhe dia, hora ou tempo certo para nos envolver. Ele simplesmente chega e se instala, comodamente, no espaço mais precioso do coração. Ao descobrir a gravidez, a mulher, ora mãe, descobre em si um amor e o exala a todo o universo. Tal amor tende somente a aumentar e a atingir todas as pessoas próximas, à medida que o ser dentro dessa mãe vai crescendo e se desenvolvendo. Maria amou José e amou, incondicionalmente, o menino Jesus. É um exemplo que nos faz lembrar o relacionamento com nossos avós, com os nossos pais e todos os momentos que vivemos com eles.

A casa dos avós é sempre cercada de mistérios. Tudo cheira gostoso. A comida, as roupas de cama, o ar que circula pela sala e o misterioso escurecer quando a varanda se torna uma deslumbrante sala de aula. Ou seria uma sala de histórias? Quantas histórias simples ou assustadoras foram contadas às crianças e adolescentes nesse mundo? Histórias que foram recriadas para se adaptarem às levadezas dos pequenos seres humanos que ali estavam assistindo a tudo e deixando a imaginação fluir e tomar conta de suas mentes atentas. Em tudo havia uma medida suculenta de amor. Podemos chamar de “amor prevenção”, típico dos avós sempre protetores. Na casa dos pais, o mistério era menor, mas logo o vazio era preenchido pelo limite. Uma boa conversa nunca deixava de existir, assim como as histórias puxadas da memória que nem mesmo os próprios pais tinham a consciência de que ainda se lembravam daqueles fatos narrados. Enquanto isso, as crianças nem piscavam seus olhinhos audaciosos esperando a liberação para as brincadeiras na calçada. A lição de casa era percebida

A Psicomotricidade nas aulas de Educação Física

por todos porque se abriam os livros sobre a mesma mesa, onde todos se sentavam para a refeição ou para o diálogo. Algo diferente sustentava aqueles ares de união e deixava o ambiente leve e agradável. Acredito que a causa de tamanha leveza e simplicidade era a fonte onde todos buscavam saciar a sede. Apesar das intempéries do dia a dia, o vínculo entre as pessoas não se rompia tão facilmente. Tiraram-se as varandas. Mudaram as funções das mesas. Sufocaram os limites. Transformaram as brincadeiras em sonhos e ilusões. Individualizaram as refeições e emudeceram o diálogo. O amor, timidamente, ocupa um lugar sóbrio no coração. Mas de uma coisa eu tenho certeza: contar histórias ainda traz um brilho especial aos olhos dos ouvintes, pequenos ou adultos. Nas salas de aulas, quando conto uma história deixada pelo Mestre Jesus, não tem erro, do mais extrovertido ao mais introvertido percebo que estão em atitude de escuta, deixando de lado as peraltices. E para o contador de histórias... ah! É gratificante. O envolvido pelo amor maior consegue chegar aos corações, assim como Jesus fazia, isto é, com simplicidade e carinho mostrava o que há de mais importante no relacionamento entre os seres humanos: o amor. Espero – e tenho fé que ainda iremos alcançar – que nas salas da vida possam ser construídas varandas, nas quais os alunos e professores possam se sentar e, numa aula envolta por histórias, deixarem livres os seus pensamentos, que instantaneamente se tornarão aprendizado de vida. Há de nascer o dia em que todos reconheceremos que vale a pena amar o próximo.

“A Psicomotricidade contribui para o conhecimento e o domínio do próprio corpo da criança, além de constituir-se como um fator indispensável ao seu desenvolvimento global e uniforme”.

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s crianças se movimentam desde que nascem, adquirindo cada vez mais controle sobre seu corpo. Desde então, elas estão em constante busca por novas experiências e maneiras de utilizar seu próprio corpo, através dos movimentos: engatinhar, correr, saltar, manuseando objetos, etc.. Nessa fase, a ação é a principal forma de linguagem. É assim que elas interagem com o meio e aprendem

 Heloiza Daniel

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integr ção Dezembro 2013

Coordenadora de Pastoral do EF II e Ensino Médio. Professora de Ensino Religioso - Colégio Imaculada Conceição - Passos/MG

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sobre si mesmas, sobre as pessoas que as rodeiam e os lugares que frequentam. Atualmente a Psicomotricidade possui uma crescente importância nos trabalhos que se relacionam com o desenvolvimento infantil, tanto na fase pré-escolar, como depois dela. Está presente em todas as atividades que desenvolvem a motricidade das crianças, contribuindo para o conhecimento e o domínio de seu próprio corpo, além de constituir-se como um fator indispensável ao desenvolvimento global e uniforme da criança, e também como a base fundamental para o processo de aprendizagem dos indivíduos. Tem como objetivo principal o desenvolvimento motor, social,

afetivo e psicológico e, por meio de jogos e atividades lúdicas, fazer com que a criança se conscientize sobre seu corpo. Portanto, as atividades motoras desempenham, na vida da criança, um papel importantíssimo. Enquanto explora o mundo que a rodeia com todos os órgãos dos sentidos, vai descobrindo também as relações sociais. Uma das principais propostas de trabalho para as aulas de Educação Física, na Educação Infantil do Colégio Regina Pacis, é proporcionar e criar espaços para os nossos alunos onde eles possam estimular e desenvolver suas capacidades físicas, afetivas e sociais. Não se esquecendo da diversão, da alegria, do lúdico e da fantasia. O planejamento é bem variado e conta com atividades de circuito - saltar, correr, pular, rastejar, equilibrar e dar cambalhotas; jogos simbólicos, onde através dos exercícios de representação buscamos atividades da realidade para o imaginário; atividades com bolas e arcos, entre muitas outras. Vale ressaltar que um dos objetivos das nossas aulas é que os nossos alunos desenvolvam o gosto pela atividade física de forma prazerosa e autônoma, além de proporcionar o desenvolvimento das capacidades físicas, afetivas e motoras, a integração social e saudável, através da brincadeira.

 Luciana Santos

Professora de Educação Física da Educação Infantil ao Ensino Fundamental I do Colégio Regina Pacis – Belo Horizonte - MG

Bibliografia

Revista Nova Escola – 2013 Site: Associação Brasileira de Psicomotricidade Referencial Curricular Nacional Para a Educação Infantil– Volume 3

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Destaque

Um presente para Santa Carmen Sallés

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Comemorando o primeiro ano de sua canonização

arece que foi ontem que me encontrava diante da Basílica de São Pedro, em Roma, ao lado de milhares de fiéis, oriundos de diferentes nações, cada um rezando em seu idioma, as orações rezadas pelo Papa Bento XVI, enquanto ele canonizava sete beatos, entre eles a fundadora da Congregação das Irmãs Concepcionistas Missionárias do Ensino, Carmen de Jesus Sallés. Realizada no dia 21 de outubro de 2012, a canonização uniu pessoas de toda a Congregação presentes em vários países do mundo em um forte momento da santificação daquela que deu origem à missão de espalhar frutos educativos em prol de um mundo melhor. Em 2013, no dia em que se completou um ano da canonização, foi impossível não relembrar e agradecer cada momento vivido na inesquecível viagem a Roma e pedir a Santa Carmen que continue dando forças à missão das Irmãs Concepcionistas de ajudar a formar crianças e jovens para construírem um lugar melhor para se viver, praticando o bem. Para comemorar esta data, a família Concepcionista se uniu pelo mundo com orações e celebrações

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eucarísticas para agradecer um dos acontecimentos mais marcantes para a Congregação: o reconhecimento da santidade de Carmen Sallés e seu amor pelo próximo. No Colégio Maria Imaculada da cidade de São Paulo, por exemplo, alunos do Infantil ao Ensino Médio participaram de uma Vigília de Oração, em que cada um rezou e manifestou sua fé no decorrer do dia, culminando com a Eucaristia celebrada às 18h, com a participação dos educadores. E assim ocorreu nas demais unidades concepcionistas, como no Colégio Madre Carmen Sallés, em Brasília, que também aproveitou esta data festiva para agradecer ao Pai por mais um ano de graças e bênçãos derramadas sobre toda a Congregação e seus integrantes. Um momento de muita emoção e união ocorreu no Colégio Madres Concepcionistas, em Madrid, onde se encontra o Oratório de Santa Carmen, que foi visitado durante todo o dia, de forma presencial e online. Em diferentes horários, as Comunidades Concepcionistas de diversos países uniram-se virtualmente à comunidade de Madri para agradecerem as bênçãos e graças alcançadas por intercessão de Santa Carmen Sallés e relembrar que

há um ano nossa fundadora foi proclamada Santa. Neste tempo em que estamos vivenciando o Ano da fé, a união da família Concepcionista formando uma corrente de oração pode ser considerada um dos marcos memoráveis deste dia de alegrias e de festa e uma oportunidade para o fortalecimento de nossa Fé. Portanto, neste dia 21 de outubro, acreditamos que Santa Carmen olhou e abençoou cada um dos participantes dessa corrente de oração como forma de gratidão pelo seu amor, pela sua santidade e pelo seu legado. Afinal, cada Concepcionista e cada obra de hoje é resultado de sua acolhida do dom do Espírito Santo para favorecer a construção de um mundo melhor.  Mariana da Cruz Mascarenhas Jornalista e ex-aluna do Colégio Maria Imaculada de São Paulo

Desenho de Livia GabrielaVieira aluna Colégio Maria Imaculada - São Paulo - SP

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Educação Ambiental

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Educação Ambiental não deve ser tratada como algo distante do cotidiano das crianças e dos adolescentes, deve, sim, ser respeitada como parte de sua vida. Assim, é importante a conscientização da preservação do meio ambiente para a nossa vida e a de todos os seres vivos, afinal, vivemos nele e dele precisamos cuidar. Além disso, vale lembrar que o pequeno de hoje será o adulto empreendedor de amanhã. Dentre muitos fatores, a reciclagem é uma condição essencial para a pre-

Nós reciclamos...

e você?

Projeto propõe uma reflexão sobre a importância do reciclar para a preservação do meio ambiente 18

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servação do meio ambiente. Reciclar é um ato de respeito a todos os seres vivos: é por meio dele que, possivelmente, tiramos do meio ambiente, objetos que levariam décadas para se desintegrar. Durante as atividades de reciclagem, as crianças e adolescentes são levados à iniciação da prática de preservação, são convidados a

refletir sobre o problema do lixo e, consequentemente, a conhecer os procedimentos da reciclagem. As atividades são planejadas e desenvolvidas de acordo com a imensa diversidade de materiais que podem ser reaproveitados: sucatas, papéis, plásticos – são alguns materiais que, bem trabalhados, permitem o desenvolvimento da criatividade e a aquisição de novas habilidades, resultando em objetos ou brinquedos com valor afetivo diferenciado, já que foram produzidos pelas próprias crianças ou pelos adolescentes. O Lar Maria Imaculada tem um papel fundamental na vida do indivíduo e na sua formação para a cidadania. Através do Projeto de Reciclagem, é possível que a criança e adolescente observe o meio em que vive, faça uma reflexão, tenha atitudes de preservação, busque alternativas, solte a imaginação e inove, com objetos e brinquedos produzidos através do lixo.  Débora Cristina de O. Claudino

Pedagoga e Psicopedagoga Institucional - Lar Maria Imaculada Mococa-SP

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Tecnologia

“As tecnologias digitais, aliadas à educação, podem motivar e despertar interesse nos alunos

Tecnologias Digitais: 20

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de desafiante à aliada na Educação

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ão é novidade para ninguém que vivemos num mundo digital. “Rede de amigos” saltou da roda de batepapo para as telas de computador. “Seguir” alguém já é bem mais que brincar de pega-pega e, quando você gostar de alguma coisa, “curta”, e, logo depois de curtir, não se esqueça de clicar bem ali, naquele “joinha”, logo abaixo. Compartilhar já não tem mais a conotação de cumplicidade e tudo o que caiu na rede é informação. Para nós, educadores de ontem, com pés no hoje e olhos no amanhã,

não é nada diferente. É preciso aliar todo o conteúdo estipulado – seja pelo plano de aula particular, seja pelo cronograma do sistema de ensino – às [novas] tecnologias, de forma que as mesmas sejam um atrativo para despertar a curiosidade e o interesse pela aula. Não podemos acreditar que, com o mundo girando tão rapidamente, onde informações vêm e vão à velocidade de um clic, possamos nos deter às formas tradicionais de educação. Não podemos parar no tempo, pedir cópias da lousa ou submeter os alunos a intermináveis “aulas lidas” em apostilas maçantes e pesadas. Se, hoje em dia, nossos alunos estão com a cabeça no mundo da lua, da forma tradicional, seremos considerados educadores de Marte. É preciso considerar que nossos alunos não aprenderam nada da era digital. Eles já nasceram nela. São os chamados nativos digitais ou Geração Y. São marcados pelo incessante desejo de conhecer, descobrir, fazer várias coisas ao mesmo tempo, sempre usando de criatividade, descobrindo atalhos, formas novas de fazer coisas, talvez antigas. A forma de educar com esses “Web Nativos” não pode ser diferente: eles necessitam de um aprendizado que explore todas essas potencialidades e habilidades que, geralmente, foram adquiridas em momentos de “navegação” na web, ou partilhadas num bate-papo com colegas. Acompanhando, outro dia, um grupo de alunos no laboratório de informática, um deles questionou como fazer determinada tarefa. Um aluno, do outro lado da sala, disse

em voz alta: “te explico in box!”. E os dois alunos trocaram suas experiências em poucos clics e algumas resumidas palavras. Sim, até nisso os professores precisam ficar atentos: a web linguagem está tomando conta das salas de aula, mas isso já é outro assunto e merece muita discussão. O que ocorre é que, na realidade, vemos muitos de nossos docentes um pouco às avessas com as tecnologias em sala de aula. É preciso criar um mecanismo em que se mostre a utilidade das TD (Tecnologias Digitais) num ambiente de aprendizagem. E aqui, entramos em uma nova dimensão: as salas de aula, antes restritas apenas a um lugar composto por fileiras de carteiras, e que depois passaram a ter diversas disposições, chamadas anteriormente de modernizadas, dão lugar a um “ambiente de aprendizagem”, que pode ser um local nada físico, porém, vastíssimo. Cada aluno em sua casa, acessando a sua conta de Facebook, tirando dúvidas com colegas num grupo de estudo, ou recebendo questões para avaliações pela sua conta do Twitter, “seguindo” o professor. E quem disse que o Instagram está fora dessa? O professor pode sugerir que a turma estude um assunto e relate, através de fotos, o que sabe ou o que estudou sobre, usando a hashtag específica para aquele estudo. Clicando nela, teríamos um panorama dos estudos realizados. Diversos outros mecanismos e ferramentas estão ao dispor dos educadores hoje em dia. O Power Point, já conhecido por muitos, vem dando lugar ao Prezi, com seu visual mais interativo e dinâmico. O Youtube

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pelos conteúdos outrora julgados ultrapassados”

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Tecnologia

Usar a web como aliada à educação é fazer com que barreiras sejam quebradas, com que as novas gerações tenham mais contado com diferentes meios de produção de texto, de organização de ideias e de pensamento. deixou de ser um canal de músicas e nele podemos encontrar um universo de material rico para ilustração de estudos, desde os cálculos matemáticos até as obras clássicas da literatura universal. O mais importante a ser ressaltado nesse caso é um projeto e um planejamento pedagógico adequados para o uso desses recursos, a fim de criar, em rede, um ambiente de aprendizagem. O educador não pode

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pensar o uso das tecnologias digitais on/off line sem a potencial utilização pedagógica, como um quebra-galho ou um contato livre do aluno com a tecnologia. É preciso criar um link entre o conteúdo estudado, a forma de aplicá-lo e a utilização dos recursos tecnológicos disponíveis para essa utilização. A proposta, além do conteúdo a ser estudado/debatido, é sempre mostrar ao educando e ao educador que é possível a utilização dos conteúdos e ferramentas da web, de forma segura e positiva, e que esse costume pode agregar valor ao que se estuda e ao que se é ensinado. Para o caso da criação de um grupo de estudos, via Facebook e outros aplicativos, faz-se mister a interação do professor. Antes disso, é importante que se discutam as regras do grupo e os limites de cada participante. Evidenciar que, como todo território, na web pode-se fazer muita coisa no anonimato, e isso pode trazer sérias consequências. O professor ou moderador do grupo deve marcar presença, tirando dúvidas, sugerindo leituras – pela web ou através do acervo físico da biblioteca – deixando suas impressões sobre o que se debate naquele ambiente. Isso prova que a “presença” do educador nesse ambiente é imperativa. Ele precisa, de fato, moderar o que diz, aconselhar, trocar ideias e opiniões. E mais uma vez reforça-se a ideia de que, nesse ambiente, é preciso sempre ir ao encontro do conhecimento. Apesar de, na web, o conhecimento saltar aos nossos olhos, é necessário desenvolver nos educandos o conceito de “saber filtrar” a qualidade e a veracidade das informações. É imprescindível inculcar a ideia de que existe muita informação na rede, mas nem tudo que está nela pode ser considerada formação. As tecnologias digitais, aliadas à educação, podem motivar e despertar interesse nos alunos pelos conteúdos outrora julgados ultrapassados. O estudo de uma tabela periódica, por exemplo, num grande quadro pendurado à frente da turma fica muito aquém, quando se tem um aplicativo em que o aluno “entra”, de fato, em cada quadro correspondente ao

elemento químico, adquire informações sobre o elemento, sua utilização e até mesmo seus dados históricos, com links que o direcionam para as pesquisas que o envolvem. O recurso de aliar a tecnologia à prática educativa significa uma fonte inesgotável de pesquisa. E isso surtirá efeito, quando o professor tiver conhecimento de causa, ou seja, sentir-se inserido nesse “mundo web”. A grande aliada da educação, nesse sentido, é, na verdade, a facilidade de comunicação. Como qualquer assunto a ser debatido pressupõe estudo e conhecimento, com a utilização das tecnologias digitais também não é diferente. O educador não precisa estar por dentro de todas as ferramentas e aplicativos disponíveis na web, mas precisa ter o conhecimento mínimo para utilizar o que sabe em sua prática pedagógica. Pierre Lévy, conhecido como o filósofo da cibercultura, destaca que, quando experimentamos “uma nova configuração técnica, um novo estilo de vida é inventado”. É tarefa do educador e do ambiente escolar encarar esse desafio. Os alunos de hoje não estão, mas são sedentos de conhecimento, dentro e fora dos muros da escola. Usar a web como aliada à educação é fazer com que barreiras sejam quebradas, com que as novas gerações tenham mais contado com diferentes meios de produção de texto, de organização de ideias e de pensamento. Imaginem nossa Rede de Ensino, com grupos de alunos de 3ª Série de Ensino Médio, em rede, discutindo e se informando sobre datas, conteúdos e outros detalhes dos mais importantes vestibulares do Brasil. Fica a dica!

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Smart-jovem

té 1997, celulares eram usados apenas para ligações. Mas não era o bastante. Informação tornou-se vital e velocidade também. Ambos progrediram junto à tecnologia. Celulares integrados com a internet, com processadores velozes e telas enormes são o “hoje”. Os celulares avançaram e as pessoas avançaram junto, principalmente os jovens. Porém, estaria a juventude se igualando aos seus dispositivos móveis? Tornando-se um smart-jovem? Pode-se tirar uma foto e compartilhá-la no Facebook em alguns segundos, enquanto você está num restaurante jantando e conversando. Há dez anos, esse processo levaria um dia inteiro e seriam necessários três ou quatro dispositivos. Tudo ficou muito rápido e com multitarefas. Talvez, essa seja a palavra do futuro: “multitarefas”.

Os moços e moças tornaram-se multitarefas. Como no exemplo citado: você está numa roda de amigos jantando, no entanto tem a necessidade de compartilhar sua refeição no Instagram e no Facebook. Simplesmente, estar lá já não é mais o bastante. Assiste à TV enquanto come, pois o ato de estar à mesa aproveitando sua refeição, também já não é mais o bastante. Sempre procura manter-se ocupado, fazendo alguma atividade. Porém, ao fazer tantas coisas simultaneamente, ou seja, “multitarefando”, não se presta atenção a nada. Jantares em família passam silenciosos, pois o principal “membro familiar” está falando: a TV. A situação chegou ao ponto em que alguns grupos de amigos, quando se reúnem, põem o celular no centro da mesa e aquele que pegar o seu

aparelho primeiro pagará a conta. Isso é um avanço, o problema da anti socialidade digital, ao menos, foi evidenciado, falta apenas a conscientização. Portanto, vive-se num mundo pósterceira revolução industrial. Tudo é novo e as pessoas, alienadamente, tentam se adaptar. Para os jovens, esse processo é mais rápido, pois são os mais expostos às inovações. No entanto, deve-se compreender que o novo é bom, mas não, obrigatoriamente, deve substituir o velho. Não importam quantos aplicativos você tenha no seu smartphone. Eles nunca serão melhores que uma boa conversa, frente a frente, entre amigos, comendo e rindo.  Nichan Mekhitarian Neto 3º Ano A- EM - Colégio Maria Imaculada - São Paulo - SP

 Eliel Silva

Formado em Filosofia e Pedagogia – UNIFEG; especialista em Administração Escolar. Participa do Grupo de Formação em Tecnologias Digitais para a Rede Concepcionista de Ensino, promovido pela UNISINOS/RS. Colégio Imaculada Conceição – Machado/MG.

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Boneca

Comportamento

ou batom? Uma dúvida que perturba as meninas cada vez mais cedo

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m 2013, a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgaram uma pesquisa sobre o fato de que as substâncias químicas presentes em alguns itens, como cosméticos convencionais, podem causar doenças, a longo prazo, como câncer, diabetes, asma, entre outros... O estudo serviu de alerta à população quanto ao uso constante, e principalmente exagerado, de determinados produtos de beleza que podem ser nocivos à saúde, devido a suas formulações. Cada vez mais fortalecido, especialmente nos dias de hoje, o mercado de beleza se inova a todo

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o instante a fim de atrair um público bem amplo e, muitas vezes, sem se importar com a qualidade dos produtos oferecidos, visando apenas ao aumento dos lucros. Um dos públicos que se tornou centro das atenções deste mercado é o juvenil, que nos dias de hoje engloba uma faixa etária cada vez mais nova para entrar neste mundo. Afinal, se tornou comum vermos meninas com idade a partir de sete ou oito anos trocando suas bonecas por batons e afins, preocupadas com a beleza e em se mostrar para os garotos. Um dos grandes responsáveis por este cenário é a mídia, que acaba por inserir cada vez mais cedo o público infantil no mundo adolescente, de modo a estender essa fase, para contar com telespectadores ainda em formação mental que se sentirão mais influenciados por ela. “Hoje,

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Coordenadora da Pastoral, Maria Amélia Fernandes, destaca a mídia como grande influenciadora deste fator

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Comportamento

Descobrindo Novos Talentos

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Um pequeno grande artista os bancos escolares, vez ou outra se destacam alunos com habilidades diferenciadas, é o caso do nosso aluno Adriano Machado Torres, do 3º

Ao navegar na Internet, as meninas têm contato com todas as novidades do mundo exterior de é impossível negar que a televisão, sobretudo, difunde hábitos, populariza moda e induz as pessoas a comportamentos estereotipados. Quanto a estimular a troca de brinquedo por maquiagem e a preocupação com o namoro, trata-se de um resultado natural de como a mídia eletrônica seduz o público, anônimo e amplamente diversificado”, relata Maria Amélia C.F. Fernandes, coordenadora da Pastoral do CMI-SP e professora de Ensino Religioso. Ela completa que todo este conteúdo midiático conduz à erotização, ao ideal de beleza imposto pelos grandes interesses econômicos que sustentam a própria mídia. Em relação ao papel dos pais nesta fase precoce de transição e amadurecimento da infância de seus filhos, Maria Amélia relata que, expostos ao discurso unificado da mídia, eles se tornam alvo predileto dos marqueteiros, que são os responsáveis por transformar as metas do mercado em realidade. Em consequência disto, a coordenadora diz que a maioria dos pais acaba por estimular suas filhas a ingressarem cedo no universo da beleza, incentivando-as a apressarem sua entrada na vida social, como debutar. “Há, nesse contexto, um aspecto perverso estimulado pela ganância midiática do dinheiro. Boa parte de

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modo muito ágil e podem acessar qualquer tipo de informação que acaba por contribuir para o fim adiantado da infância. crianças e adolescentes começam a se preocupar, desde cedo, com a vida de artista de televisão, de modelo...”, completa. De acordo com Maria Amélia, outro fator que contribui para esta preocupação precoce com a beleza está no rápido desenvolvimento corporal das meninas atualmente. “É inegável que essa realidade contribui para que a criança abandone a infância mais cedo. Há ainda um outro fator de ordem tecnológica que ajudou a fortalecer essa mudança de comportamento. Refiro-me ao computador e às redes sociais”. A coordenadora destaca que, ao navegar na Internet, as meninas têm contato com todas as novidades do mundo exterior de modo muito ágil e podem acessar qualquer tipo de informação que acaba por contribuir para o fim adiantado da infância.

Maria Amélia relata ainda que no Colégio Maria Imaculada de São Paulo os professores do Ensino Fundamental I sempre refletem com seus alunos temas ligados a entrada na adolescência, já que eles têm notado um número cada vez maior de meninas mais novas discorrendo assuntos voltados à beleza e garotos. “Eles procuram estabelecer o melhor diálogo possível. É importante fazer com que o aluno tenha um paradigma diferente do que a mídia passa sobre beleza e relacionamentos. É um momento rico de troca de saberes e uma possibilidade de mudança”. Seja com sete, oito, ou nove anos, o período de transformação da infância deve ocorrer da forma mais adequada possível e dependerá da formação de cada criança, mas, segundo Maria Amélia, é importante levar em consideração que cada fase tem suas características. “A infância é uma fase maravilhosa que deve ser vivida com todo o seu esplendor. Acredito que as meninas têm o direito de aproveitar melhor este período e nós, adultos, temos o dever de promover a infância devida a elas!”, conclui.

ano A. Aluno do Colégio Maria Imaculada de Brasília, sempre gostou muito de desenhar, contar histórias e conversar com os adultos. Adriano já ganhou dois concursos do jornal local da cidade, Correio Brasiliense, e até montou, com a ajuda dos familiares, uma galeria virtual no Facebook (www.facebook.com/meusdesenhosfavoritos), onde apresenta suas principais obras. Este ano, na Festa da Família, expôs alguns quadros e já saiu do evento com algumas encomendas feitas pelos que apreciaram suas obras. Ele gosta muito de ver filmes, documentários e desenhos na TV e deixa sua imaginação fluir por meio de suas várias criações, diz que gosta de contar suas histórias através de seus desenhos. Quando crescer, ele quer ser desenhista e participar de resgates de

animais. Não gosta de acordar cedo, mas quando chega à escola visita a sala de cada funcionário para dar o seu bom dia e ter um dedinho de prosa com os que ali estão. Suas ilustrações são muito criativas e coloridas com diversos detalhes, fruto da imaginação fértil do seu mundo infantil.

Conversa com Adriano: – O que você mais gosta de fazer? – Gosto de fazer passeios ao zoológico, fazer desenhos de animais e de assistir filmes. – Como você cria seus personagens? – Pensando e, depois de pensar, desenho a minha ideia. – Que atividade você mais gosta na escola? – Natação e aula de Arte.  Maria Rosângela Carvalho Viegas de Araujo

Pedagoga e Psicomotricista Diretora Pedagógica do Colégio Maria Imaculada - Brasília - DF

ALGUNS DESENHOS DE ADRIANO

 Mariana da Cruz Mascarenhas Jornalista, ex-aluna do Colégio Maria Imaculada - SP

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Pedagogia

A Galinha Paulina

“As crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade, mas sim, fruto de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação.” (Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil. pág.21)

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adaptação escolar na Educação Infantil sempre foi um “Palavrão” para pais, professores e alunos. Muitas vezes essa adaptação não é só da criança; pais também precisam estabelecer um vínculo de confiança sólido com a escola. Nesta fase, eles observam de perto as atitudes dos professores, conhecem os funcionários e compartilham com outros pais, experiências, angústias e conquistas. Com o projeto “A Galinha Viajante”, uma série de experiências lúdicas e prazerosas favoreceu o vínculo e a interação entre colegas, professoras e

que de areia, um passeio pela escola, enfim, tudo que a Galinha Paulina propunha era muito mais divertido e gostoso de se fazer. E não podemos nos esquecer de que a Galinha também apresentava aos seus amigos mirins as palavras mágicas e dava dicas de boas maneiras, por ela ser uma galinha muito educada. Como é comum sempre visitarmos nossos amigos mais queridos, com ela não podia ser diferente. A Galinha Paulina percorreu a casa de cada um dos alunos e todas as famílias puderam descrever em seu “Diário” como foi sua passagem por lá. Foi possível perceber que os alunos demonstraram bastante envolvimento, prazer e curiosidade em cada nova viagem da amiga “Paulina”, sem contar a paciência de uns e impaciência de outros na espera pela tão sonhada visita. A culminância do projeto se deu com o aniversário da querida galinha, e tivemos uma tarde toda para comemorar uma data tão especial, teve até brigadeiro e chapeuzinho da galinha pintadinha. Foi uma farra só!

A seguir, um relato da “Galinha Paulina”, elaborado pela mãe de uma aluna. Olá! famílias, além da exploração de alguns espaços do colégio. No decorrer do projeto, muitas brincadeiras e atividades foram realizadas para acolher a nova amiguinha feita de pano, a “Galinha Paulina”. Tudo começou com as boas-vindas e apresentação da personagem da sala: “A Galinha Paulina”, que foi encontrada pelos alunos por meio de pegadas e cacarejos. Nos dias seguintes, as crianças sentiam vontade de voltar para a escola e descobrir qual novidade a ser explorada, a nova amiga trazia. Podia ser um livro, um brinquedo, um instrumento musical... Brincar com bolhas de sabão no parque, construir bolos e castelos no tan-

Meu nome é Paulina. Sou uma galinha “viajante”. Hoje visitei a casa da minha amiga: Valentina. Veja como nos divertimos pra valer! – Olá Valentina, até que enfim chegou o grande dia de ficarmos juntinhas, não é? – Pois é Paulina, demorou, mas chegou meu dia tão esperado, estou muito feliz e... – Sabe Valentina, fui para a casa de todos os seus amiguinhos da sala, foi uma farra só com cada um deles, vale até a pena lembrar, escute só:

– Com a Anne brinquei com as bonecas Polly´s e ela tem dois irmãozinhos pimentinhas que só;... – Tomei sorvete com a Elisa, o seu sabor preferido: “uva” humm... – Assisti ao desenho da Dora com a Emília. Eu já sei que você também gosta da Dora, a aventureira. – Giovanna estava “dodói” e fui com ela ao médico. – Conheci a Giovana, a irmãzinha do Henrique. – Na casa do Isaac, brinquei muito com o Thor, seu cachorrinho sapequinha. O peixinho e as tartarugas da Isabela Arantes são muito bonitinhos; brinquei muito com eles, mas coitadinha da Isabela, estava “dodói” e então ela foi ao médico.

– Mas que peninha, o Miguel também estava “dodoizinho”, ajudei-o a tomar seus remedinhos e depois brincamos, é claro... – Ahhhhhhh, para tudo, Valentina do céu, eu conheci umas primas minhas que eu nem sonhava que existiam, elas moram na casa da vovó do Rafael, também estavam lá meus primos e sobrinhos, foi emocionante esse encontro. Vocês chamam de galinhas, galos e pintinhos, mas para mim são meus entes queridos, já estou com saudades, snif snif... – O Nicolas me deixou brincar com todos os seus brinquedos, inclusive o navio pirata. – Você nem imagina que temos um cantor entre os amiguinhos, é o Rafael. Eu dormi embalada com sua voz, uahh, só de lembrar dá um soninho...

– Huummm que delícia, com a Isabela Silveira! Comi pastel e depois pizza. Nossa, exagerei tanto na comilança que até botei uns ovinhos de chocolate, rsrsrs.

– A Duda, irmã da Stela, me queria para ela, mas como? Não podia ficar lá, minha caminhada ainda não havia acabado não é?

– Parece que tem uma danada de uma virose rondando a meninada, não é o que o João Lucas apesar de estar com febre, foi comigo até o trabalho do seu papai e brincamos muito nos carros que estavam lá? Foi muito bacana...

– Além de brincar muito nessas minhas visitas, o que mais fiz foi comer. A vovó do Theo fez uma jantinha deliciosa, penso que engordei uns 5 quilos nas minhas viagens, se não me cuidar, logo, logo, vou virar uma canja bem caldulenta, rssrsrs.

– Com o João Pedro fomos até a escola em que sua mamãe trabalha e conheci também o Pedro, seu boneco...

– Ufa... que sede, acho que falei demais, o que você achou? Foram bem legais minhas visitas não foram? Sou realmente uma galinha viajante, óoo que orgulho!

– Com a Laís fui ao supermercado, aproveitei e comprei muitas guloseimas deliciosas, para variar exagerei na comilança... – Passei um fim de semana todinho com o Lucas, encontramos a Elisa no CPN e o João Lucas no Parque de Exposição... – Nossa, você nem imagina que delícia de brigadeiro que comi com a Luma; me deu até dor de barriga, rs... Sou tão sapeca, pulo tanto, que graças à mamãe da Maria Eduarda não perdi meu nome que soltou da minha casinha...

– Ops... psiu... psiu...Valentina, ohhhValentina, Valentinnna, Valentinaaaaa...shiii dormiu, também acho que minhas aventuras viraram histórias para dormir. Ah, mas valeu cada minuto, as amizades que fiz são para sempre. – Boa noite Valentina, até amanhã, depois brincamos viu? DEUS a abençoe!  Flávia Cristina Rodrigues

Professora Maternal II Colégio Imaculada Conceição – Passos – MG

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Pedagogia

Era 3.0 = Valores? “A era digital chegou e todos nós sabemos disso, mas de que adianta equipar toda a escola com tablets, lousas digitais, computadores, redes wi fi, se a construção dos valores essenciais está sendo deixada de lado?”. 30

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omo atuar na era em que estamos, a era 3.0, que é direcionada à tecnologia digital, às coisas prontas (das comidas fast foods, das entregas expressas, do e-commerce, das redes sociais)? Com esse imediatismo todo e com a atual Geração Z, como fica a escola ao trabalhar ou tentar resgatar em nossos alunos os valores, a educação financeira e o empreendedorismo? Como fica contraditório trabalhar esses componentes quando estamos em uma sociedade na qual contravalores estão sendo expostos diariamente, quer seja na política, na cultura ou na

saúde. Jornais, revistas, redes sociais são implacáveis... Pessoas curtem, compartilham e comentam informações vazadas de coisas imorais e sujas no Congresso Nacional. O Brasil sempre é alvo de notícias escandalosas internacionalmente. Tarefa nada fácil... É muito bom quando a família procura a escola, fazendo questionamentos sobre o educar para os valores, para a gestão e o empreendedorismo. Sabemos que o tempo está cada vez mais escasso e, por isso, a família delega ou terceiriza responsabilidades na educação de seus filhos. A escola é sim o braço direito da família na

construção de valores. Mas esta é o alicerce. É através dela que deve ser iniciado este trabalho. A escola, melhor do que ninguém, tem todas as ferramentas para que esses componentes estejam atrelados aos conteúdos diários. Principalmente quando se trata de uma Escola Mariana, católica, cuja missão principal é essa. Valores são os princípios, ideais e os julgamentos morais. Os valores a serem trabalhados em sala de aula devem estar ligados ao que é verdadeiro, nobre, justo, amável, honroso e virtuoso. Somente a escola pode trabalhar com os valores essenciais. Os futuros parlamentares, médicos, professores saem dos bancos da sala de aula. Mesmo na era digital, a figura do professor ainda é indispensável. O afeto vem do toque, do olhar, do bom dia e não da máquina virtual, do teclado qwerty, do Ipad ou das redes sociais. A era digital chegou e todos nós sabemos disso. Mas do que adianta equipar toda a escola com tablets, lousas digitais, computadores, redes wi fi, se a construção dos valores essenciais está sendo deixada de lado? Nada. Portanto, os valores devem ser inseridos desde a Educação Infantil, passando pelo Ensino Fundamental e ganhando força cada vez maior até chegar ao Ensino Médio. Limites, responsabilidades, solidariedade, respeito, deveres, honestidade são valores fundamentais e urgentes para

nossa atual sociedade. Desenvolvendo projetos interdisciplinares poderemos levar nossos alunos à formação plena da cidadania. Educação financeira e empreendedora são componentes muito importantes. Aqui entra o valor monetário, mas que está atrelado ao valor moral, do justo, da honestidade, do bem. Mais um motivo para trabalharmos com esse assunto, pois na era digital, o e-commerce faz a cabeça de qualquer um. Possibilidades de compras, de trocas, de devoluções, do pagamento facilitado no cartão de crédito, nas entregas expressas em casa, são atrativos para que a população adquira muitas dívidas.

Consumo sustentável não está relacionado à ecologia, sustentabilidade, mas ao bom uso do dinheiro, às práticas empreendedoras, ao uso inteligente do cartão de crédito. Então, a educação financeira chega à era 3.0 para abordar “muito mais do que o dinheiro propriamente dito, a qualidade e sustentabilidade nas escolhas, no uso criativo dos recursos, na argumentação e filosofia para negociar melhor, percepção de que nem tudo que custa tem valor e nem tudo que tem valor custa”. Para Gustavo Cerbasi, o status de compra hoje, na sociedade, tem valor prioritário. Por isso, devemos mudar essa visão. O correto seria desenvolver escolhas que sejam guiadas pelo benefício duradouro que o bom uso do dinheiro pode proporcionar. O momento é este, trabalhamos agora para colhermos no futuro.  Juliana Zorzin Silva

Coordenadora Pedagógica Ensino Infantil e Fundamental – 1º ao 5º ano Colégio Imaculada Conceição Passos - MG

Bibliografia

www.maisdinheiro.com.br Gustavo Cerbasi, Revista Aprendizagem, página 59, ano 7 nº 35/2013 Editora Melo.

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Pedagogia

Interdisciplinaridade

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essa etapa do quarto bimestre, os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental do Recanto Betânia estudaram sobre o início da Colonização do Brasil, sendo um eixo articulador para a interdisciplinaridade como forma de desenvolver um trabalho de integração dos conteúdos de uma disciplina com outras áreas de conhecimento. Segundo Piaget, interdisciplinaridade pode ser entendida como o “intercâmbio mútuo e integração recíproca entre várias ciências”. Exploramos acontecimentos da história dos textos informativos e

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elaboramos diversas linhas do tempo. Na sala digital os alunos desenvolveram habilidades auditivas e visuais, assistindo ao videoclipe da música Pindorama – Palavra Cantada levandoos a reflexão dos conhecimentos. Desenvolveram a expressão criativa através de desenhos sobre o paubrasil, destacando diferentes épocas, e desenvolveram a consciência ecológica plantando a muda da árvore. As crianças se envolveram na construção do conhecimento globalizante, apresentando novas posturas e mudanças de atitudes. Para Libâneo (1994), o processo de ensino se caracteriza pela combinação de atividades do professor e dos alunos, ou seja, o professor dirige o estudo das matérias e, assim, os alunos atingem progressivamente o desenvolvimento de suas capacidades. É importante ressaltar que o direcionamento do processo de ensino necessita do conhecimento dos princípios e diretrizes, métodos, procedimentos e outras formas organizativas. O professor deve articular ações disciplinares, buscando um conteúdo em comum, sendo assim, a interdisciplinaridade será bem sucedida se atingir os objetivos propostos, previamente estabelecidos e compartilhados com os alunos.

Trabalhar a interdisciplinaridade exige que o professor utilize diversos recursos pedagógicos e metodologias didáticas. Através desse ensino, envolvendo aspectos históricos e críticos, irá possibilitar uma aprendizagem significativa e eficaz.  Andrea Ramos Dias Araujo

Pedagoga- Especialista em Educação Especial com ênfase em Def Intelectual - Centro Educacional Recanto Betânia - Embu Guaçu - SP

Bibliografia

Colonização do Brasil foi estudada de modo interdisciplinar no Recanto Betânia trabalhando as habilidades auditivas, visuais e criativas dos alunos

Estudando o Folclore

LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola Pública: A pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo: Edições Loyola, 1985. MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília, 1997 PIAGET, J. Epistemologie des rélations interdisciplinaires. In Ceri (eds.) L’interdisciplinarité. Problèmes d’enseignement et de recherche dans les Universités. Paris: UNESCO/OCDE, 1972, pp. 131-144.

Para vivenciar essa cultura popular brasileira, estudantes do CMISP desenvolveram atividades como teatro e até a preparação de comidas típicas do Brasil

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folclore é a sabedoria popular, passada de geração para geração em suas diversas manifestações culturais. A palavra vem da expressão inglesa “folk-lore”, ou seja, saber do povo.

Envolvendo esse tema, os 8º anos dedicaram-se a uma atividade durante as aulas de Arte, por meio de estratégias diversificadas. Primeiro, fizeram, divididos em grupo, a pesquisa de assuntos diferentes apresentados em seminário e englobando tópicos como a definição da palavra, curiosidades, remédios caseiros como os chás e emplastos com plantas, artesanato, brincadeiras, dança, comida, roupas e músicas típicas, lendas e mitos das cinco regiões brasileiras. Após as apresentações dos temas sugeridos, os alunos confeccionaram um teatro de sombras, em que foram apresentadas as lendas do nosso país. Finalizando o projeto, foi preparada uma mesa com comidas e bebidas

típicas das cinco regiões brasileiras. Este foi o ponto mais alto do trabalho, pois, além da pesquisa e da explicação da origem dos pratos, as turmas puderam saborear as delícias gastronômicas do Brasil. Eles ficaram motivados e muito interessados pelo conhecimento e reconhecimento da nossa cultura, tão pouco valorizada e divulgada. O objetivo do trabalho foi atingido: o conhecimento e o resgate da importância da extensa cultura popular e a valorização do que é nosso.

 Andrea T. Albuquerque

Professora de Arte e Desenho Geométrico – Colégio Maria Imaculada - São Paulo - SP

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Pedagogia

Renascimento:

Quando o homem, a arte e a ciência se cruzam

“Que obra de arte é o homem: tão nobre no raciocínio; tão vário na capacidade; em forma e movimento, tão preciso e admirável, na ação é como um anjo; no entendimento é como um deus; a beleza do mundo; o exemplo dos animais.” Hamlet, de Shakespeare. 34

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os meses de Agosto e Setembro deste ano, o Centro Cultural Banco do Brasil presenteou a cidade de São Paulo com a exposição “Mestres do Renascimento – Obras-Primas Italianas”. Foi uma grande oportunidade para ver de perto obras de destacados artistas como Michelangelo, Veronese, Donatello, Bellini, Leonardo da Vinci entre outros.

Embora a arte renascentista esteja alocada há pelo menos seis séculos, sua pujança e representatividade são, ainda hoje, alvo de inúmeros estudos acadêmicos. A estética renascentista e o despertar da ciência deram novos substratos à arte e abriram seguros caminhos para o desenvolvimento da sociedade dando unidade ao princípio humanístico do fazer social. Os séculos XV e XVI foram testemunhos de transformações e avan-

no Vaticano. Vale lembrar que uma equipe de pintores, que incluiu Pietro Perugino (1446-1523), Sandro Botticelli (1445-1510) e Domenico Ghirlandaio, criou uma série de painéis de afrescos que retratam a vida de Moisés e de Cristo, juntamente com retratos papais e da ancestralidade de Jesus. Dessa forma, embora a Capela tenha a obra de Michelangelo como ponto principal, este é um trabalho conjunto que proporciona ao visitante a observação de estilos e variações da arte e da técnica renascentista. O pintor Rafael de Sanzio (14831520) é considerado o que melhor expressou os ideais clássicos de beleza do Renascimento. A harmonia e a regularidade das cores tornaram-se precisamente tão elaboradas que se transformaram em modelo para o ensino acadêmico de pintura. Imobilidade e beleza geométrica, ritmo e graça, conhecimento científico e beleza, em geral, são apenas algumas das palavras que sistematizam as pinturas renascentistas. Descobri-las é desvendar um mundo de novas possibilidades fundamentadas na capacidade do homem em representar, com perfeição, os ideais de uma época. O humanismo, o racionalismo e o individualismo foram os conceitos políticos, religiosos, morais e sociais que possibilitaram o exercício da liberdade e o consequente avanço das ciências e da sociedade. Num mundo

de novas contradições apareciam novas soluções. Em um período de valorização do homem e ascensão da burguesia, novas cenas e cenários passaram a ocupar espaço nos quadros e afrescos sem abrir mão dos temas religiosos que sempre tiveram lugar de destaque no renascimento cultural. Aliando às novas técnicas de pintura a utilização de perspectiva, profundidade e volume com correspondência direta com o uso variado de cores frias e quentes, o manejo da luz e a adoção da tinta óleo, os grandes mestres do renascimento deram um novo e absoluto passo nas artes e na história criando obras que, ainda hoje, são estudadas, admiradas e servem de referência para a compreensão do homem e do mundo. Vale a pena aproveitar as oportunidades de passeios na sua cidade para entrar em contato com experiências que marcaram a história da humanidade. É uma forma fantástica de aprender e surpreender-se com aquilo que o homem sempre teve de melhor: a capacidade de transformar o mundo.  Fabiana Scoleso

Doutora em História Social pela PUCSP e Professora de História do Ensino Médio do Colégio Maria ImaculadaSão Paulo - SP.

Bibliografia

Mestres do

ços por toda a Europa: a queda de Constantinopla, a presença dos turcos-otomanos no sudeste da Europa e o renascimento comercial no centro europeu, principalmente a retomada do fluxo comercial pelos italianos no mar Mediterrâneo, deram novos contornos e projeção para as artes e para a ciência. Pioneiras do Renascimento as cidades italianas tiveram soberania no avanço das rotas comerciais, assim como fizeram reemergir a cultura greco-romana que fora sufocada pelas invasões bárbaras e consequente queda do Império Romano do Ocidente a partir do século V. A história da arte renascentista caminhou pela progressão da nova função da arte. Com Leonardo da Vinci, o pensamento artístico como teoria do conhecimento encontrou maior abrangência e a lógica entre arte e ciência ganhou, em suas obras, representações icônicas como seus estudos de anatomia, o Homem Vitruviano baseado na famosa passagem do livro do arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio. O desenho de Leonardo é considerado o cânone das proporções. Vários foram os projetos que sintetizaram arte e ciência. Seus projetos de cidade “ideal” para Florença, o parafuso voador, a ponte giratória e o canhão de três canos expressam bem a genialidade de sua pesquisa experimental. De certo a obra de Leonardo ultrapassou a própria arte, porque dialogou com a natureza e matizou, dentro de sua época, as possibilidades de um mundo não apenas esteticamente novo, mas de novas ideias e possibilidades. Michelangelo Buonarroti (14751564) se situa em outra dimensão do Renascimento. Aprendiz de Domenico Ghirlandaio (1449-1494), Michelangelo frequentou a escola de escultura financiada por Lourenço de Médici na qual entrou em contato com os estudos filosóficos de Platão e com a estética grega de equilíbrio das formas. Destacou-se pela pintura dos afrescos do teto da Capela Sistina

ARGAN, G. C. De Giotto a Leonardo – volume 2. São Paulo: Cosac &Naify, 2003. JANSON, H. W, JANSON, Anthony F. Iniciação à História da Arte. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996. PROENÇA, Graça. História da Arte. 17 ed. São Paulo: Ática, 2007. PETROSILLO, Orazio. Cidade do Vaticano. Cidade do Vaticano: Ufficio Vendita Pubblicazioni e Riproduzioni, 2002.

IMAGENS: FOLDER DE DIVULGAÇÃO DA EXPOSIÇÃO

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Pedagogia

Alfabetização

Produzindo escritas em situações de interação grupal “Para que a alfabetização em grupo aconteça em sala, não basta juntar as mesas. É preciso construir os agrupamentos produtivos. Cabe ao professor conhecer cada aluno como um ser individual e integrado ao grupo’. 36

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pós os anos 80, a alfabetização ganhou um novo e importante olhar, uma mudança de paradigma. Na abordagem tradicional, a interação entre alunos costumava ser vista como indisciplina, pois o professor era o único detentor do conhecimento e cabia a ele transmitir os saberes. Nesse novo olhar, o aluno não aprende apenas com o professor e com a memorização de saberes, mas tem um papel ativo na construção do seu conhecimento e do conhecimento do seu par. Desde o início da escolaridade, as crianças estão autorizadas a escrever por si mesmas em propostas que pro-

movem a interação com outros como condição para aprender. Para que a alfabetização em grupo aconteça em sala, não basta juntar as mesas e solicitar que os alunos sentem-se próximos. É preciso construir os agrupamentos produtivos. Cabe ao professor conhecer cada aluno como um ser individual e integrado ao grupo. Separar as crianças por hipóteses de escrita é o primeiro olhar, para que se tenha, de modo claro, o objetivo daquela dupla de trabalho. Os melhores agrupamentos são heterogêneos, pois, quanto mais tivermos opiniões diferentes sobre o sistema de escrita, mais o debate se enriquecerá e as possibilidades de

confronto e troca aumentarão. E, com isso, a reflexão sobre a escrita ocorre de forma natural. Outro aspecto importante é aceitar que todos na escola possam produzir e interpretar escritas, cada qual em seu nível. Até crianças não “alfabetizadas” convencionalmente produzem suas escritas e devem ser respeitadas como escritoras e leitoras. Nas atividades grupais, os alunos precisam pôr em jogo tudo o que sabem, ter problemas a resolver e decisões a tomar em função do que se propõem a produzir. A interação implica expor ideias, confrontá-las com as dos outros e, consequentemente, avançar na autonomia. O conteúdo trabalhado deve ser de objeto sociocultural real — os alunos precisam encontrar um sentido na atividade que desenvolvem. As crianças aprendem a escrever em situações relevantes do ponto de vista da prática social e com sentido para elas, não em exercícios preparatórios (orais ou escritos) nem em exercício de cópia repetitiva. As atividades devem ser estabelecidas de acordo com a necessidade do grupo e do seu interesse. A organização da tarefa garante a máxima circulação de informação possível entre os alunos — por isso as situações propostas devem prever o intercâmbio, a interação entre eles. A intervenção do professor não visa ensinar um produto - por exemplo, necessariamente soletrando a resposta. O que se quer é levar o aluno

a avançar nas ideias de forma que ele possa integrar as novas informações. O professor é um dos parceiros do aluno e é ele que, munido de informações sobre este, vai propiciar as atividades adequadas para cada criança, ampliando sua capacidade linguística e discursiva em direção à construção de certa autonomia, necessária à participação nas práticas sociais de leitura, da escrita, da escuta e da fala. O professor ensina práticas de escritor em diferentes situações didáticas. É importante entender quando a interação aluno/aluno pode ser mais produtiva que a interação professor/ aluno. Enquanto a condução do professor representa uma autoridade, entre si, os alunos dialogam de igual para igual. As interações colocam à prova suas ideias, eles as revisam e as re-

formulam e, assim, avançam com crescente autonomia. Essa concepção de ensino abandona a condição de comunicar, primeiro, as letras para, depois, produzir textos. Portanto, os alunos acessam as práticas sociais de realizar uma produção de texto ao mesmo tempo em que compreendem o sistema de escrita alfabético. Aprendem, da mesma forma, que aprender com o outro significa valorizar o conhecimento oferecido por ele numa situação de troca intensiva, constante e de forma prazerosa. O objetivo do trabalho é mostrar que, mesmo antes de saber ler e escrever no sentido convencional, as crianças podem compartilhar e confrontar com outras crianças suas teorias acerca do sistema, por meio da interação com o objeto e entre os sujeitos. “Socializar conhecimentos pode dar-se entre crianças e adultos, mas o compartilhar hipóteses subjacentes à construção desses conhecimentos só se dá entre quem as elaboram contemporaneamente. Essa é uma das grandes vantagens da interação entre os pares.” (Ana Teberosky).  Andressa Ap. de Freitas Oliveira

Pedagogia, Psicopedagogia, PROFA - especialização em alfabetização. Professora da Ed. Infantil do Colégio Maria Imaculada - São Paulo - SP

Bibliografia

Construção de escritas através da interação grupal- Ana Teberosky

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Pedagogia

Tema igual, aula diferente

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anter a atenção e a participação dos alunos durante a aula é um desafio constante. Até aqueles mais dedicados e estudiosos podem se sentir desmotivados depois de algumas horas de aula e atividades na escola. Para evitar esse tipo de situação, este ano foram criadas diferentes estratégias para aplicar o conteúdo e tirar os alunos da posição de ouvintes dormentes e inativos para participantes entusiasmados e colaborativos. Em troca de um aprendizado bem mais dinâmico, transformei a teoria em aulas práticas. E, entrelaçado à ludicidade, adotei as mesmas com um termo inesquecível: “Aula temática”. Se possível, aos olhos das crianças, todos os dias seriam dias de aula temática. Além de deixar as aulas menos cansativas, a criatividade explora o potencial de cada aluno individualmente. Por isso mesmo, é importante salientar que apesar da educação criativa ser feita coletivamente, cada aluno responde de uma forma diferente. Entre as várias que fizemos, as mais divertidas foram: “Ouça, fale, pegue e deguste” (para explorar os cinco sentidos), “Batatarte” (fazer arte com a batata), “Ovo sem casca” (experiência do ovo com vinagre), “Chá aromático” (para trabalhar as plantas aromáticas) e outras. Os assuntos a serem estudados são os mesmos, porém devemos buscar

“Os assuntos a serem estudados são os mesmos, porém devemos buscar maneiras de torná-los mais atraentes a todos. É preciso abrir o leque de opções e ferramentas de ensino, com atividades que despertem mais interesse”.

maneiras de torná-los mais atraentes a todos. É preciso abrir o leque de opções e ferramentas de ensino, com atividades que despertem mais interesse. Além de um resultado satisfeito, valoriza-se não só a memorização, mas, sobretudo, o aprendizado com qualidade e interação. A educação criativa, nos dias de hoje, é mais que uma ideia genial para se trabalhar em sala de aula, é uma necessidade. As crianças estão cada vez mais envolvidas com “coisas de gente grande”: computador, internet, aparelhos tecnológicos diversos, etc. Crianças têm, naturalmente, uma capacidade fantasiosa muito grande e isso é evidente, com o envolvimento delas nesse mundo tecnológico, seu processo criativo multiplica e a inquietação também. Enfim, este é o melhor momento de darmos a essa Geração Z, como vem sendo tratada essa geração de “nativos digitais”, o que eles realmente procuram: formas diferentes de aprenderem os conteúdos, professores supermotivados e metodologias bem mais envolventes.

 Camila Teixeira de Carvalho Vasconcelos

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Graduada em Letras/Pedagogia – Especialista em Língua Portuguesa e Literatura.. Professora do 2º ano Ensino Fundamental I – Colégio Imaculada Conceição - Passos - MG

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Se os ho mens são de Marte e as mu lheres são de Vênus, que líng ua o professor deve falar?

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m uma matéria publicada em meados de Setembro de 2009, a conceituada revista Scientific American trazia uma discussão a respeito das diferenças cerebrais entre homens e mulheres, afirmando que muitos estudos científicos vêm sendo realizados a fim de responder a uma pergunta que há muito vem apoquentando a humanidade: “Por que as mulheres não pensam como os homens?”. Trabalhando como professora de Inglês como Segunda Língua (English as a second language - ESL) e de Língua Portuguesa tanto em escolas regulares quanto em cursos livres de idiomas, percebi que existe uma diferença na forma como as pessoas aprendem. Além de considerar os diversos tipos de inteligência, a faixa etária e os fatores socioeconômicos, observei que algumas atividades são mais bem-sucedidas com classes de alunos predominantemente do sexo masculino, e outras com o sexo feminino. A dinâmica das aulas também é completamente diferente quando consideramos a questão do gênero, e isso despertou minha curiosidade em pesquisar a construção do conhecimento do sexo masculino e do feminino. Alicia Fernández, psicopedagoga argentina, assinala que o conhecimento sobre as questões de aprendizagem (e também da não-aprendizagem) não pode ser aprofundado sem que se leve em conta as diferenças. A aprendizagem não pode ser considerada um processo neutro, uma vez que as pessoas que dele fazem parte têm identidades sociais que não podem ser negligenciadas. E a perspectiva

dessas identidades e das relações no âmbito escolar também tem que levar em conta as relações de gênero. Há muito, acredita-se que a diferença de comportamento e, consequentemente, a forma como meninos e meninas aprendem, está principalmente relacionada à maneira como são tratados por seus pais e professores. Recentemente, porém, diversos autores vêm estudando as diferenças biológicas e químicas cerebrais para determinar em que grau elas influem no aprendizado do homem e da mulher. A escola e sua abordagem de professores e professoras em relação a esses meninos e a essas meninas também é responsável pela construção dessa identidade. Em entrevista à revista Nova Escola (2007), Alicia Fernández relatou que até mesmo os motivos para encaminhamento de meninos e meninas para clínicas psicopedagógicas eram bastante diversos. Segundo a autora, “os meninos apresentam hiperatividade e as meninas são diagnosticadas com distúrbios de atenção - estão sempre dispersas e não se concentram”. Existem diversos estereótipos culturalmente formados em relação ao aprendizado e ao gênero. Acredita-se, por exemplo, que mulheres costumam ser melhores em se tratando de linguagens, enquanto homens dominam os campos da matemática e das ciências. Um grande número de pesquisas tem demonstrado que mulheres aprendem a ler antes que os homens, têm menos problemas com relação à leitura e conseguem soletrar mais palavras de forma correta durante os primeiros anos escolares. Além disso, nos anos subsequentes,

“A aprendizagem não pode ser considerada um processo neutro, uma vez que as pessoas que dele fazem parte têm identidades sociais que não podem ser negligenciadas. E a perspectiva dessas identidades também tem que levar em conta as relações de gênero” as meninas continuam se sobressaindo em relação ao vocabulário e à interpretação de textos. Em uma análise abrangente de 165 estudos acerca das habilidades verbais e a diferença entre gêneros, Hyde e Linn (em um estudo realizado em 1988) concluíram que mulheres mostram uma pequena vantagem, mas que ela é tão pequena que não pode ser considerada importante. Meninas costumam apresentar habilidade verbal maior até o Ensino Médio, mas a partir da quarta série perdem terreno em testes de habilidade matemática e em ciências. Eles também superam as meninas em atividades que exijam habilidades espaciais como rotação mental, percepção e visualização espaciais (de acordo com estudo de VOYER et al., 1995). Essa diferença

de resultados entre os gêneros tem implicações no futuro da carreira das meninas. Durante a última década, houve um esforço conjunto para entender a escassez de mulheres nas áreas de Ciências, Matemática e Engenharia. As habilidades inferiores em Matemática exibidas por diversas adolescentes têm várias implicações educacionais. A partir dos doze anos, meninas passam a gostar menos de ciências e matemática e mais de linguagens e estudos sociais em comparação aos meninos. Elas também não esperam se sair tão bem nessas matérias, e atribuem suas falhas à falta de conhecimento. No Ensino Médio, as meninas perdem o interesse em se especializar em matérias como “Química” ou “Cálculo”, o que, a longo prazo, acarreta a falta de prérequisitos necessários para cursarem certas graduações, tais como Engenharia ou Ciências da Computação. De acordo com um recente levantamento do Ministério da Educação (MEC), segundo dados do Censo da Educação Básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), as mulheres são maioria na educação superior em todas as regiões do Brasil desde 1996. E, a cada dia, a diferença cresce ainda mais. As mulheres ultrapassam os homens em número de estudantes em sala de aula a partir da 5ª série e são maioria nas instituições de ensino superior. Nas universidades, representam mais de 60% dos alunos que conseguem um diploma em todas as regiões do Brasil, apesar de não haver diferenças entre os gêneros no tocante às medidas gerais de inteligência.

Continua

Pedagogia

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Do pergaminho à era digital

Pedagogia Para entender a relação entre gênero e escola, é fundamental analisarmos a relação/ interação professor aluno. Meninos tendem a ser mais agressivos e indisciplinados que meninas, e, apesar desse comportamento ser perfeitamente aceitável durante as atividades na hora do intervalo, pode ser extremamente complicado no âmbito de sala de aula. Meninos costumam ter mais problemas de comportamento em classe e são repreendidos cerca de dez vezes mais que as meninas (em obra de STAKE & KATZ, 1982). Também é importante observar que o estudo aponta para uma tendência dos professores de elogiar mais os meninos, ou seja, eles, de maneira geral, recebem mais atenção que as meninas. Apesar de os estudos acerca da estrutura cerebral nos mostrarem a importância de considerarmos o bios, há a suposição de que a diferença entre homens e mulheres seja inata, seja inválida, de acordo com um estudo divulgado na revista Scientific American de Setembro de 2009 (supracitada). O estudo (NAPOULOS et al., 2008a) inabilita essa noção levando em conta a plasticidade cerebral, ou seja, a noção de que as experiências é que “moldam” o cérebro. As pesquisadoras afirmam que a subdivisão do córtex pré-frontal, uma área envolvida na cognição social e no julgamento interpessoal, é proporcionalmente maior em mulheres. Essa área, conhecida como giro reto, é uma faixa estreita abaixo da superfície do lobo frontal. Nas trinta mulheres que participaram do estudo, os pesquisadores descobriram um giro reto 10% maior do que nos trinta homens participantes. As pesquisadoras supõem que, à medida que as mulheres são as primeiras a cuidarem das crianças, seus cérebros são programados para desenvolver um giro reto maior, o que as prepara para serem “cuidadoras” sensíveis. Os hormônios sexuais pré-natais são conhecidos por alterar o comportamento e certas estruturas cerebrais em outros mamíferos. Talvez tais hormônios ou mesmo genes relacionados ao sexo possam aumentar o desenvolvimento do giro reto feminino, ou ainda diminuir o desenvolvimento do

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masculino, levando a diferenças inatas na cognição social. Ainda de acordo com o estudo, a melhor forma de testar essa hipótese seria analisar as crianças. Já que, se a diferença no giro reto está presente desde cedo, provavelmente seja uma característica congenitamente programada. Um segundo estudo foi conduzido (NAPOULOS et al. 2008) para medir a mesma área cerebral em pessoas de sete a dezessete anos. O resultado da pesquisa foi de que o giro reto era maior em meninos. Além disso, o mesmo teste de conhecimento interpessoal mostrou que essa habilidade se correlacionava com o giro menor e não com o maior, como nos adultos. As autoras do estudo reconhecem que suas descobertas são “complexas” e alegam que a reversão entre a infância e a maturidade reflete o amadurecimento tardio do cérebro masculino em relação ao feminino. Outro ponto importante e que vale ser ressaltado nessa pesquisa é que os sujeitos que dela participaram não foram simplesmente separados de acordo com seu “sexo biológico”, mas passaram por um teste que avaliava o “grau de masculinidade VS. feminilidade” (independente de seu sexo biológico) de cada um dos envolvidos, a fim de descobrir seu “gênero psicológico”. O resultado descoberto foi o de que essa medida de “gênero” estava relacionada ao tamanho do giro reto: maior correlação com mais personalidade feminina em adultos, mas de personalidade menos feminina em crianças. Ou seja: existe relação entre o tamanho do giro e a percepção social, mas não está simplesmente relacionada à diferença macho-fêmea. Antes, esse traço parece refletir mais a “feminilidade” de um indivíduo do que seu sexo biológico. Sim, homens e mulheres são psicologicamente diferentes, e os neurocientistas têm descoberto discrepâncias tanto anatômicas quanto fisiológicas, mas essas diferenças não são inatas. Cada um tem suas preferências e seu estilo interpessoal e, inevitavelmente, é moldado por suas experiências do que por aspectos biológicos. Da mesma forma, o cérebro

que produz comportamentos masculinos e femininos é, pelo menos, até certo ponto, moldado pela soma das experiências como menino ou como menina. Não podemos separar a questão do gênero entre social e biológica: esses fatores são intrinsecamente ligados e codependentes. E, apesar de ser de suma importância para o entendimento das diferenças entre homens e mulheres na aprendizagem, sabemos que mesmo as diferenças biológicas são, em parte, “fabricadas” pelo meio. Ainda hoje vivemos numa sociedade que é fortemente gendrada e, por isso, os estímulos recebidos em relação às habilidades que homens e mulheres devem apresentar, continuam presentes na educação escolar. Mas, como as relações de gênero são socialmente construídas, devemos refletir sobre essa questão, também, no âmbito escolar. O professor/ a professora, como um(a) dos ensinantes que farão parte da história de seu aluno ou aluna, é capaz de reelaborar e ressignificar o aprendizado para seu aprendente. Alicia Fernández trata da construção do conhecimento por meio de um processo em que tomamos parte e apropriamo-nos do conhecimento construído por outros. O conhecimento pode se dar de forma impessoal: o(a) professor(a) pode ser excluído da equação do conhecimento, mas não da equação do saber. O professor é imprescindível para a aprendizagem, que, de acordo com a autora, “é a possibilidade de incorporar o conhecimento, que é de outro, ao saber pessoal”. O professor “possibilita e veicula essa transmissão, não só de conhecimentos, mas de insígnias que se dão por meio da transmissão dos conhecimentos”. O desenvolvimento de competências cognitivas deve ser motivado em meninos e meninas, independente das diferenças em seus “papéis sociais”, respeitando suas vicissitudes e idiossincrasias.

 Simone Freitas Generoso

Professora de Língua Portuguesa e Inglesa – Colégio Maria Imaculada SP

As Leis Abolicionistas do século XIX

Turmas do 8º ano do Recanto Betânia mesclam modernismo e antiguidade ao reproduzirem pesquisas da internet em pergaminhos.

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o mundo globalizado e informatizado no qual estamos inseridos, onde a tecnologia impera de maneira acelerada, os alunos estão cada vez mais habituados à comunicação digital, independente de sua classe social, pois hoje em dia poucos são aqueles que não têm acesso a uma lanhouse ou smartphone. Assim, seu mundo está repleto de informações provenientes da internet e sua forma de adquirir conhecimento vai muito além da sala de aula. Logo, o desafio do professor torna-se maior a cada dia. Uma das alternativas é fazer com que o local de ensino se modernize e conte com recursos que ajudem a prender a atenção e despertar o interesse do estudante. Diante desta situação, os alunos do 8º ano do Centro Educacional Recanto Betânia tiveram uma experiência incrível. Durante as aulas de História, eles uniram a era digital com a escrita da antiguidade. O conteúdo trabalhado foram as Leis Abolicionistas. Os alunos pesquisaram sobre as leis utilizando a internet e reproduziram as mesmas em pergaminhos (material de suporte gráfico resultante do tratamento da pele de certos animais, como o

As principais leis criadas na época do Império brasileiro foram, aos poucos, abolindo a escravatura no Brasil. Os ingleses participaram diretamente na intenção de contribuir para a abolição da escravidão. Este fato se explica pelo interesse em se fortalecer o mercado consumidor no Brasil. 1. A Lei Bill Abeerdem 1845: lei britânica que autorizava seus navios a bombardearem qualquer navio negreiro que traficasse escravos entre a África e a América.

carneiro, a cabra e a vitela. O aparecimento deste material encontra-se relacionado com a necessidade de um suporte de escrita que apresentasse a capacidade de reter e perpetuar documentos de elevado valor histórico, ou seja, um substituto do papiro). Os resultados dos trabalhos foram satisfatórios, pois os alunos vivenciaram de maneira efetiva como era a escrita na antiguidade, reproduzindo documentos importantes para a História do Brasil.

2. A Lei Eusébio de Queiroz 1850: proibia o tráfico negreiro internacional, sobretudo entre África e Brasil. Esta lei diminuiu consideravelmente o número de escravos no Brasil. 3. A Lei do Sexagenário 1872: libertava todos os escravos a partir dos 60 anos de idade. Esta lei, de fato, não trouxe grandes benefícios ao escravo. Primeiro porque dificilmente um escravo chegava a esta idade e, por outro lado, não era de interesse do proprietário. 4. A Lei do Ventre Livre 1885: libertou todos os escravos nascidos a partir da sua aprovação. Esta lei não trouxe real liberdade ao escravo, pois este ainda dependia do sustento de seu Senhor. 5. A Lei Áurea 1888: assinada pela princesa Isabel, libertava todos os escravos do Brasil. Esta lei não foi acompanhada de um projeto de inserção do negro na sociedade.  Lilian Rabelo de Lima

Professora de História - Recanto Betânia - Embu Guaçu - SP

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rabalhar com projetos pedagógicos nas séries iniciais desperta nas crianças a vontade de buscar o novo e permite ao professor planejar um trabalho pedagógico interdisciplinar e coerente com as especificidades da faixa etária dos seus alunos. Ligadas a essas reflexões, as dimensões do lúdico e do artístico, na organização do trabalho pedagógico, devem ser destacadas, pois possibilitam aos alunos conviver em grupos, tomar decisões,fazer escolhas e descobertas, usufruindo e reproduzindo brincadeiras e expressões artísticas. Segundo Edwards et al. (1999) , um projeto visa levar a criança a ser protagonista, investigadora, capaz de descobrir significados de novas relações e de perceber os poderes dos seus pensamentos por meio da síntese de diversas linguagens expressivas, comunicativas e cognitivas. Ao pensar no trabalho com projetos, algumas atitudes são imprescin-

Projeto presenteou os alunos com a oportunidade de acompanhar, ao vivo, a transformação de uma lagarta em borboleta. díveis, como a definição do problema, o planejamento do trabalho, a coleta, a organização e o registro das informações, a avaliação e a comunicação. Os professores assumem o importante papel de coordenar o trabalho, problematizar e orientar as crianças durante todo o percurso. O trabalho com alunos na fase de alfabetização é de pura investigação. Nessa fase, as crianças são muito

questionadoras, querem sempre descobrir os porquês. Partindo desse pressuposto, construímos e planejamos, em conjunto, nosso projeto denominado: “ Metamorfose : A mudança da vida”. O projeto teve início com uma situação-problema, levada pelas crianças, sobre a vida dos sapos. A partir daí, intensificamos nossas pesquisas e aprofundamos nossos conhecimentos, apreciamos o livro “ A promessa do girino”, Jeanne Willis e Tony Ross. Editora Ática. A curiosidade não parou aí, surgiram outros questionamentos. Um deles foi como as borboletas nascem, pois o girino apaixona-se pela lagarta e, no final, os dois não se reconhecem. A elaboração do projeto ocorreu em conjunto, crianças e professora. Nossas ações foram colocadas, passo a passo, levando as crianças a participarem de interações orais. A primeira ação concreta de pesquisa foi a montagem de um terrário com lagartas que se alimentam das

Continua

Projetos

Metamorfose: a mudança da vida

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Projetos

Ser criança... Ser feliz...

Teatro, palhaçadas e muitas brincadeiras marcaram a Semana da Criança 2013 no CMI Mococa.

h folhas da árvore Manacá da Serra. A escola recebeu o casal Patrícia e Nelson (pais da aluna Lara Cabral), que gentilmente trouxeram as lagartas e as folhas da árvore para montar o terrário. Em seguida, eles realizaram uma palestra com informações sobre as lagartas e borboletas. O segundo momento foi o presentinho especial que cada criança ganhou: “uma pupa dentro de um vidro” para observarem em casa, bem de pertinho, o despertar da borboleta. Foi emocionante! As novidades eram diárias: transformação das lagartas em pupas, das pupas, saindo as borboletas e até o presente para o jardim da escola de

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ficar repleto de lindas borboletas do Manacá da Serra. Com tantas novidades, todos queriam ficar atentos. Surgiu, então, a ideia de criar um blog e de registrar, passo a passo, nosso projeto. Esses registros aconteceram em parceria com Eliel Silva que, carinhosamente, registrava tudo com muita dedicação. No desenrolar do projeto, houve atividades interdisciplinares contemplando conhecimentos em diversas áreas: Religião, Arte, Português, Matemática, Natureza e Cultura. Vale a pena conferir. Entre no blog e visualize, passo a passo, nossas descobertas. http://misteriodametamorfose.blogspot.com.br/

A culminância aconteceu com um teatro, reconto da história “A primavera da lagarta”, de Ruth Rocha, e com a exposição de todo material produzido pelas crianças e explicação dos alunos sobre as pesquisas. O projeto integrou diferentes componentes curriculares e atendeu às expectativas das crianças quanto ao assunto pesquisado. “É preciso ter paciência com as lagartas, se quisermos conhecer as borboletas...”.

á uma música infantil antiga que tem como início este verso: “Criança feliz, feliz a cantar, Alegre a embalar, seu sonho infantil” Nessas poucas palavras, realidades tão complementares: criança, feliz, alegre, sonho... Toda criança merece sonhar, cantar, ser feliz. É com essa convicção que a comunidade educativa do Colégio Maria Imaculada preparou, com muito carinho, uma semana diferente para seus alunos e também para as crianças da Rede Municipal de Ensino de Mococa, festejando em grande estilo a Semana da Criança 2013. Momentos de brincadeiras com o palhaço Mocoquinha (o talentoso professor de teatro e música do colégio: Tiago) e apresentação teatral fizeram, desses dias, algo “mágico” na vida de quase duas mil crianças. Enriquecedor para elas e para os alunos do colégio. De modo especial, para os alunos do

7º ano que, sob orientação do contador de histórias Danilo, que trabalha na biblioteca do CMI, apresentaram a peça “A magia dos brinquedos”. As crianças se divertiram e os alunos colocaram em prática diferentes tipos de inteligência. Oportunidade para vencerem medo, insegurança, timidez e mostrarem o quanto são capazes. É assim que fazemos educação. É assim que construímos conhecimento. É assim que ajudamos na formação de pessoas.

 Rita de Cássia Justo

Educadora do Colégio Maria Imaculada - Mococa - SP

 Talitha Marini Carvalho Oliveira

Pedagoga pós-graduada em Psicopedagogia; Professora do 1º ano – Colégio Imaculada Conceição Machado - MG

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Projetos

Prato limpo todos os dias A GRSA é uma empresa que atua há 36 anos no mercado brasileiro, que está presente na vida de milhares de pessoas diariamente através do serviço de alimentação dentre outros. É parceira do Colégio Maria Imaculada, São Paulo, desde o ano de 2011 prestando o serviço de alimentação aos alunos do Período Integral e restaurante comercial. Vem trabalhando as questões ligadas à educação alimentar e desenvolve alguns projetos com os alunos, como o destaque a seguir.

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direito à alimentação é o mais importante dos direitos humanos”. Jacques Diouf – Diretor Geral da FAO. O tema oficial do Dia Mundial da Alimentação deste ano busca ferramentas para aumentar a compreensão de problemas e soluções na busca pela erradicação da fome. O desperdício de alimentos é um grave problema mundial. O Brasil joga na lata de lixo, por ano, cerca de 12 bilhões de reais em comida, quantidade suficiente para sustentar aproximadamente 30 milhões de pessoas. Sendo assim, é considerado o país campeão mundial em desperdício de alimentos. O desperdício tem início no plantio e se estende na colheita, transporte, armazenagem, supermercados, feiras, restaurantes, despensas e cozinhas. Dos 43,8 milhões de toneladas anuais de lixo geradas no país, cerca de 26,3 milhões são de alimentos.

O Programa COMER APRENDER VIVER junto com a GRSA desenvolve programas de treinamentos e orientações para manipuladores de alimentos a fim de evitar perdas nas cozinhas e de Educação Alimentar e Nutricional para orientar os alunos em relação ao consumo consciente dos alimentos através do Programa Prato Limpo Todo Dia. Neste mês, orientamos os alunos do integral e do restaurante comercial em relação ao desperdício de alimentos, através do projeto “PRATO LIMPO TODOS OS DIAS”. Em junho realizamos com as crianças do integral o projeto “DIGA NÃO ao DESPERDÍCIO”, da seguinte maneira: Durante 1 semana foi realizada a pesagem de tudo o que era desperdiçado (colocado no prato e não consumido) de todos os alunos do integral. Após esta primeira semana, foi feita uma conscientização com os alunos sobre a quantidade descartada e o quanto isso representava em dinheiro e a quantidade de pessoas que poderiam ser servidas (caso não houvesse o desperdício). Foi realizada uma nova pesagem durante a semana seguinte. Na primeira coleta tivemos 23,1kg de alimentos jogados no lixo (R$

O DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS NO MUNDO Cerca de um terço dos alimentos produzidos todos os anos no mundo para consumo humano – aproximadamente 1,3 bilhão de toneladas – são perdidos ou desperdiçados, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). A quantidade anual de comida jogaga fora pelos EUA e pela Europa poderia alimentar 3 vezes a população mundial no mesmo período A quantidade total de alimentos desperdiçados nos países industrializados apenas pelos consumidores (222 milhões de toneladas) é quase equivalente à quantidade total de alimentos produzidos na África Subsaariana (230 milhões de toneladas). Nos países mais pobres ou em desenvolvimento, a maior parte dos alimentos é perdida durante o processo de produção e transporte. Já nas nações mais ricas, o desperdício acontece quando os alimentos já foram comprados pelos consumidores. FONTE: INSTITUTO AKATU

DICAS PARA EVITAR O DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS EM CASA: Monte um cardápio semanal com a participação de todos da família; A partir deste cardápio faça uma lista de compras do supermercado; Preste atenção no prazo de validade dos produtos;

102,00), o que significa cerca de 30 refeições desperdiçadas. Já na segunda semana de coleta tivemos redução de 7,5kg de alimento desperdiçado, uma redução significativa, que em termos de refeições representou uma redução de 10 refeições desperdiçadas, em comparação com a primeira semana de coleta. Nas nossas cozinhas temos o programa TRIM TRAX, que nada mais é do que a contagem das quantidades de todos os resíduos gerados e monitoramento dos mesmos. Após este monitoramento é realizada análise dos dados, e estabelecida uma meta de redução de todos os resíduos gerados. Somos a pontinha do Iceberg, pois estamos no final desta cadeia gigantesca de desperdício que se inicia no plantio, mas esperamos com estas ações podermos conscientizar TODOS da importância do consumo consciente e também ajudar a minimizar cada vez mais, não só o desperdício de alimentos, como também os impactos ambientais causados por ele.  Thaís S. Carvalho

Nutricionista GRSA

Coloque no prato somente o que vai comer, é melhor repetir do que jogar alimentos fora;

 Dra. Ana Paula F. Bernardes

Silva – Coordenadora do Projeto de Educação Nutricional GRSA Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

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Projetos

Contando histórias, transformando vidas “Eu vou te contar uma história, agora, atenção! Que começa aqui no meio da palma da tua mão Bem no meio tem uma linha ligada ao coração. Quem sabia dessa história antes mesmo da canção? Dá tua mão, dá tua mão, dá tua mão, dá tua mão...” Palavra Cantada

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eu nome é Danilo Cippollini, sou auxiliar bibliotecário no Colégio Maria Imaculada, em Mococa – SP. Gostaria de ser chamado, simplesmente, de contador de histórias; acredito ser mais poético, além de transmitir a verdadeira essência daqueles que ousam trabalhar com livros. A arte de contar histórias é considerada milenar, mas renova-se a todo instante em uma relação de troca mútua entre aquele que conta e aquele que se encanta. Assim nascem as

histórias, pois quem conta um conto encanta uma vida. A fascinação pelas histórias começa na infância, quando tudo é questão de magia, e infelizmente vai perdendo seu prestigio com o passar do tempo. Adultos ouvem histórias? Ouvem fatos... Deixaram de sentar para partilhar os sonhos, os medos, os anseios... Vivem tão atarefados que se esquecem de ouvir histórias, e é necessário saber ouvir, para depois então contá-las construindo sua própria história, que com as palavras vai tecendo-se no lento fio branco da existência.

Partilhar histórias é ser emoção que pulsa, é ser palavra dita, é ser sonho em terra de realidade, é ser unicamente alma. Acredito ter conseguido despertar isso nos alunos do 7º ano do Ensino Fundamental, com quem, além de contar histórias, tenho a honra de partilhar reflexões. Tamanha foi a satisfação quando um dos alunos pediu para contar a sua história. Não pude deixar de lembrar o livro “Galileu leu”, quando a professora ouve, verdadeiramente, aquilo que o aluno quis dizer e deixa que ele conte sua história... Todos envolvidos pelo momento descontroladamente contam as suas – “Foi um tal de peixe morrido daqui, gato matado dali” – O aluno chora, não chora, chorava, e quando menos se espera, a classe toda o acompanhou nas lágrimas. Diz o senso comum que para contar história, assim como para diversas outras coisas, é necessário ter o dom, ter vocação. Particularmente digo que para contar histórias é necessário saber ouvi-las, e deleitar-se com isso. A história contada pelo aluno deixou-me esperançoso. Não quero ser O contador de histórias, quero que sejamos OS contadores de histórias, quero fazer mágica em conjunto; brincar sozinho nunca foi divertido. Conversando com a diretora do colégio, Ir. Vera Lucia Marini, e partilhando meus anseios, obtive desta a liberdade para criar com as crianças. Criar “o quê?” Ainda não sabia, mas o coração estava encarregado em trabalhar nisso. Foi então que, num raio de luz azul-turquesa, veio-nos a ideia de uma peça teatral, uma forma de contar histórias com o corpo todo. Os alunos amaram a ideia, e o desafio seria escolher, agora, o texto que seriamos responsáveis por dar vida. Livros em cima das mesas, leitura daqui, leitura dali. Não queríamos algo fácil, queríamos algo que fosse “nós”, complexos, difíceis, diferentes. Enfim, escolhemos o texto “A magia dos brinquedos” que conta a história de uma menina rica e egoísta que não gostava de dividir seus brinquedos com a menina pobre que vivia brincando com sua velha boneca na pracinha. Não emprestava e ainda

“O teatro é o primeiro soro que o homem inventou para se proteger da doença da angústia” Jean Barrault maltratava seus bonecos. Em uma noite de pura magia, os brinquedos criam vida e resolvem dar uma lição em sua dona. Forma-se um julgamento com direito a juiz e tudo, inclusive defesa para a menina má, mas quem realmente dará a lição é o anjo da razão que em meio ao tumulto do julgamento aparece para por fim à desordem e ensinar o verdadeiro sentido do amor. A menina rica e egoísta, como que acordando de um sonho, resolve mudar sua postura e vai à procura da menina da pracinha e com ela brinca sem maldade e com o coração transformado. A verdadeira magia não aconteceu com os brinquedos – ursinho, bailarina, boneca de pano, soldadinho de chumbo, boneco de corda, fantoche – mas com a menina e, consequentemente, com todos nós. Esperamos ansiosos o momento de apresentar a peça, que aconteceu na

semana da criança. Quando uma coisa é boa não se pode guardar somente para si, e com esse ensinamento o conselho diretor do colégio, representado pela gestora, compareceu a uma reunião com a secretária de educação, gestoras e coordenadoras das escolas municipais de Mococa e lhes fez o convite para conosco participarem deste momento. A surpresa foi a grande adesão por parte das escolas municipais, que ligaram para agendar sua visita ao colégio para assistirem a peça. Cerca de 2.000 alunos visitaram nossa escola para participar desse momento surpreendentemente mágico. O resultado não podia ser melhor. Adorarei contar-lhes um dia. Fica aqui o testemunho de um contador de histórias que, aliás, acredita ser médico. Isso mesmo! Médico que ajuda vidas a desenvolverem suas histórias, e vidas que estão deixando as suas apagarem, mas isso já é outra história... Esta história entrou por uma porta e saiu pela outra, Quem souber que conte outra...

 Danilo Cippollini

Professor Contador de Histórias Colégio Maria Imaculada - Mococa - SP

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Projetos

Projeto Mon tanha-Russa

Olho: falta texto

Física e Matemática são disciplinas que sempre caminham juntas. As dificuldades também!

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onsiderando que as atividades práticas e a interdisciplinaridade podem possibilitar um aprendizado efetivo, os professores de Matemática e Física (Solange e Leonardo) propuseram aos alunos do 9º ano a construção de uma montanha-russa, utilizando apenas palitos de sorvete, cola quente e bolinhas de gude. Trabalhar construindo estruturas tridimensionais utilizando formas geométricas conhecidas e estudadas, e relacioná-las com os conceitos de energia mecânica, numa aplicação prática, foi o objetivo dessa atividade.

O projeto foi proposto para ser executado em 15 dias e parte da construção realizou-se nas aulas de Física e Matemática. Os professores puderam conduzir os alunos a saírem do plano bidimensional da lousa e erguer estruturas estáveis. Entre os critérios de avaliação apresentados inicialmente citam-se: o limite máximo de 50 cm em cada dimensão (altura, largura e profundidade), a estabilidade da estrutura, as relações métricas medidas experimentalmente num triângulo retângulo evidenciado, a estética e a criatividade ao criarem o percurso de descida da bolinha sem que ela saísse da trajetória proposta e, finalmente, a

entrega de um trabalho escrito pelos grupos. Na parte de Física, o conceito trabalhado foi o princípio de conservação de energia mecânica, em que os alunos puderam analisar se o sistema era conservativo, com a transformação integral da energia potencial gravitacional em energia cinética, ou se tratava de um sistema dissipativo. Na Matemática, além do estudo das relações métricas num triângulo retângulo, eles puderam trabalhar tridimensionalmente facilitando a visualização nas representações em 3D. Os trabalhos foram apresentados no anfiteatro com as três turmas em conjunto e, após serem avaliados, mostraram ótimos resultados. Mas, o que mais surpreendeu ao final, foi a criatividade dos alunos, que souberam apresentar os conhecimentos adquiridos de maneira lúdica.  Profº Dr. Lucio Leonardo

Professor de Física do EFII e Ensino Médio. Professor de cursos de graduação da UNIFESP, UNIP e do Centro Universitário São Camilo

 Profª Solange L. Lucas Goltl

Professora de Matemática do EFII Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

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Projetos

Quem lê, reconta e encanta

“As fadas... eu creio nelas! Umas são moças e belas, Outras, velhas de pasmar... [...] Quem as ofende... cautela! A mais risonha, a mais bela, torna-se logo tão má, tão cruel, tão vingativa! É inimiga agressiva! É serpente que ali está”! Antero de Quental

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Por que recontar histórias? Por definição, Morrow nos ensina que recontar uma história é contar o que se lembra da mesma após sua leitura. Ao longo dos anos, vem se falando muito sobre a importância da formação do leitor, mas pouco se tem feito no que diz respeito ao

desenvolvimento do gosto pela leitura. Visto que o ato de ler não visa só a formação acadêmica da criança, mas a sua consciência como cidadã, trabalhar com a formação do leitor passa inevitavelmente pela leitura de livros, de imagens e do seu cotidiano com seu acervo cultural, que lhe dará visão de mundo. Desde pequena, a criança ouve histórias narradas por sua mãe, seu pai ou outros familiares mais próximos. Os contos de fadas, as fábulas, as histórias bíblicas, os poemas, as anedotas ou até as histórias inventadas por seus pais carregam o poder de encantar e deslumbrar a todos os que os ouvem. É ouvindo que podemos sentir emoções importantes na vida, como: tristeza, raiva, irritação, medo, alegria, segurança, insegurança, irritação, bem-estar, pavor, tranquilidade, liberdade, entre muitas outras sensações. Daí a importância da seleção de livros sobre literatura infantil que desenvolvam na criança o senso crítico, construindo um ser independente, com uma visão de mundo voltada à situação real. De acordo com especialistas, a literatura infantil é responsável pela “formação de uma nova mentalidade”. Toda criança que lê e tem acesso a livros adquire maior facilidade

em aprender e conhecer o mundo. A leitura facilita a compreensão dos conteúdos estabelecidos, pois, quanto maior for o entendimento e conhecimento, mais nós, professores, poderemos avançar e aguçar a curiosidade dos alunos, fazendo com que busquem as suas respostas nos livros, utilizando-os como instrumentos de pesquisa. O indivíduo que lê participa, de forma efetiva, na construção e reconstrução da sociedade e de si mesmo, enquanto ser humano na sua totalidade. Desenvolver o gosto pela leitura é um processo que deve ser estimulado e incentivado em todos os espaços da sociedade, principalmente no ambiente escolar, propiciando a vivência de um mundo mais justo, democrático e cooperativo. O projeto “Conto e Reconto” do 4º ano vem ao encontro do anseio dos alunos em obter o domínio da habilidade de leitura proficiente, garantindo o exercício de cidadania, o acesso aos bens culturais e a inclusão social. Através da leitura, testamos os nossos valores e experiências com os dos outros. Esse projeto foi criado com o objetivo de melhorar a oralidade. Num primeiro momento, as crianças leram os livros sugeridos na biblioteca da escola. Depois dessa leitura, observou-se que elas desenvolveram diferentes maneiras criativas de recontarem o que leram aos seus colegas, podendo fazê-los sozinhas ou com a ajuda de alguém da família, haja vista a importância da escola e da família caminharem juntas para a construção do conhecimento. As estratégias usadas garantem que os alunos, paulatinamente, desenvolvam habilidades como: ler com mais entonação, expor-se em público com menos timidez, escrever textos coerentes, além de permitir o contato com portadores textuais distintos – o que enriquece a bagagem cultural do aluno, inserindo-o no tão necessário “ambiente letrado”. Em um século, onde saber expressar-se, fazer-se entender e ser entendido nos mais diferentes contextos e situações, como sinônimo de sobrevivência e inclusão social, enfrentar e

combater o decrescente interesse do jovem e adolescente pela leitura é um dos maiores desafios do Brasil. Ler, porém, é um hábito que rapidamente vem sendo substituído pela facilidade e superficialidade das informações eletrônicas. Nós, professores, no entanto, por estarmos em um ambiente de educação formal, precisamos criar situações interessantes para a prática da leitura. “Não devemos estimular o hábito da leitura; devemos sim, estimular o gosto pela leitura, porque ler se aprende lendo, assim como escrever se aprende escrevendo”. O meu papel neste projeto é o de convidar o aluno-leitor a integrar-se no processo de constituição da obra, contemplando-a, entendendo-a e interpretando-a, o que torna a leitura um processo singular e particularizado. A atividade de interpretação de uma obra literária é um ato de prazer que mobiliza o leitor a se imaginar dentro da obra, criando uma nova percepção do seu universo. É bom lembrar que o prazer de ouvir uma história bem contada não se esgota na infância, portanto, se criarmos leitores pensantes, estaremos investindo no futuro. Por que nós precisamos fazer a roupa do amanhã e onde está o pano???? Estamos com a maior riqueza do Brasil que são as crianças... Para enriquecer ainda mais o projeto, os pais se empenharam muito em ajudar seus filhos, usando variados e criativos modos de reconto. Após cada

apresentação, os alunos trouxeram “mimos” para os colegas, o que foi muito bom!! Tivemos também a participação e colaboração fundamental da ajudante de biblioteca, Rosiane Martins, que esteve conosco no decorrer dos trabalhos. Enfim, agradeço aos pais, à Rosiane e, principalmente, aos meus queridos alunos que se empenharam e abraçaram a proposta com muita seriedade. Sem vocês, nada teria sucesso....  Pollyani Signoretti G. Nannetti

Professora do 4º ano. E.F.1. Ex-aluna do CIC e pós-graduada em Educação Infantil Colégio Imaculada Conceição Machado - MG

“Viajar pela leitura sem rumo, sem intenção. Só para viver a aventura que é ter um livro nas mãos. É uma pena que só saiba disso quem gosta de ler. Experimente! Assim sem compromisso, você vai me entender. Mergulhe de cabeça na imaginação!” Clarice Pacheco 55


Projetos

Cuidando do meio ambiente

Benefícios do fazer artístico

Show de Talentos” propõe o desenvolvimento artístico dos alunos.

“A educação ambiental é muito mais do que conscientizar sobre o lixo, reciclagem e datas comemorativas, é trabalhar situações que possibilitem à comunidade escolar pensar em propostas de intervenção na realidade que os cerca”.

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om o intuito de instigar o aluno a ter consciência da importância ecológica para este mundo diferente e transformador, é que este projeto foi criado. De uma forma interdisciplinar, o mesmo foi um elo entre todas as disciplinas, num entrelaçamento de fios ambientais com o pedagógico. Desenvolver a criatividade dos alunos, apresentar textos relacionados ao tema, estimular a leitura e a escrita para a apropriação do conhecimento, buscar o gosto pela pesquisa e tarefas em grupo, trabalhar a oralidade, a socialização, o conhecimento lógico-matemático, enfim, tornar o processo de aprendizagem um aliado aos conteúdos específicos do meio ambiente. Dentre os trabalhos desenvolvidos, podemos citar: ida ao laboratório e ao

é audiovisual, histórias contadas e discutidas sobre o tema, além dos diversos textos relacionados ao assunto. E como desfecho, os alunos montaram uma exposição que retratou a confecção do mascote “Zé Globinho”, o amigo do planeta. Além de aprenderem um pouco mais sobre o esquema corporal, essa atividade foi um sucesso pela criatividade e riqueza na confecção dos robôs. A educação ambiental é muito mais do que conscientizar sobre o lixo, reciclagem e datas comemorativas, é trabalhar situações que possibilitem à comunidade escolar pensar em propostas de intervenção na realidade que os cerca.  Mirley de Fátima Soares.

Professora do 10 ano do Ensino Fundamental - CIC Passos

indubitável a importância do desenvolvimento das capacidades sensoriais, sentimentais e emotivas através da arte. O aluno, por meio da experimentação artística, desenvolve seus sentimentos e capacidades de expressão, torna-se mais sensível e compreende melhor as angústias, alegrias, pesares, paixões, vícios e virtudes, inerentes ao ser humano. Torna-se mais criativo, pois vê mais possibilidades de transmissão de ideias e sentimentos, tendo também melhor desempenho na comunicação. Torna-se mais crítico, consciente e participativo, no que se refere à sociedade, com maior capacidade para discriminar a realidade projetada pela mídia e a realidade em si, uma vez que a arte expõe as mudanças sociais através do tempo e os conceitos de construção de sociedade, com suas reflexões, ideias e denúncias sociais, expressas através dos símbolos artísticos. Em suma, os benefícios do fazer artístico são incomensuráveis, mas para sintetizar “a arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível”, como afirmou Leonardo da Vinci, grande gênio da humanidade. Mediante tantos benefícios, no Colégio Maria Imaculada da cidade de Mococa, aconteceu, pelo segundo ano consecutivo, o “Show de Talentos”, evento que propõe o desenvolvimento artístico dos alunos.

Estes apresentaram vários segmentos da arte: canto, música, teatro, dança, poesia e até a sétima arte fez parte da programação. Na apresentação de cinema, os alunos estudaram a pantomima, o pensamento e a comicidade do cinema mudo e criaram dois filmes homenageando Charlie Chaplin. O primeiro filme retratou o foco cômico e o segundo filme a denúncia social. Um dos grupos apresentou um trabalho de percussão, utilizando copos e a acústica das palmas para marcar o ritmo, enquanto as meninas cantavam, outros grupos apresentaram trabalho de expressão corporal através da dança e teve até um grupo de alunos músicos que mandaram um

bom e velho rock’n roll. O evento foi de grande repercussão, pois os elogios foram sinceros e a alegria e satisfação dos alunos aos olhos orgulhosos dos pais e do público em geral foi a grande recompensa para todo o esforço e dedicação. Confiram os vídeos na internet: Chaplin - Amor de Verão http://youtu.be/uyv0qe4uFDo Alimentando Pássaros http://youtu.be/ssYppGxq6Jo  Tiago de Jesus Pereira

Professor de Língua Portuguesa, Teatro e Música - Colégio Maria Imaculada - Mococa - SP

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Projetos

Herbário

Projeto envolveu a criação de um herbário pela turma do Colégio Regina Pacis a fim de ampliar o conhecimento botânico e o contato com a natureza

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formação de herbários iniciou-se no século XVI na Itália e ainda hoje é muito utilizado para a classificação de espécies vegetais. O herbário é uma coleção de plantas prensadas e secas, dispostas segundo determinada ordem e disponíveis para referência ou estudo. O objetivo geral de um herbário é a colheita e conservação de exemplares de plantas com suas respectivas identificações que permitem classificá-las em suas várias categorias taxonômicas, além de verificar a variedade de

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Dezembro 20132013 integr ção Julho

Orientação profissional Uma escolha consciente A orientação profissional é um processo que visa auxiliar os jovens a fazer uma escolha consciente e madura. Para isso é necessária a integração do conhecimento sobre si mesmo e sobre as profissões, descobrindo juntos qual o seu talento, suas habilidades e seus interesses e, então, decidir com segurança e maturidade, qual a profissão que melhor lhes convêm.

formas existentes nas raízes, caules, folhas e flores. Os alunos do 7° ano foram divididos em grupos e orientados pelo professor de Ciências a coletarem as mais variadas folhas, flores, caules e raízes de modo a não agredirem o ambiente. O trabalho levou cerca de três semanas, tempo suficiente para fazer a

secagem dos exemplares. Os alunos utilizaram principalmente catálogos telefônicos antigos para realizarem a secagem. Este procedimento é imprescindível para que a umidade que sai das plantas seja absorvida pelo papel ou jornal e não passe de um exemplar para o outro. Assim, evita se o crescimento de fungos (bolores) nas plantas, que as danificavam, não permitindo a sua conservação. A montagem dos herbários foi feita no laboratório de ciências. Primeiramente os alunos classificaram as plantas de acordo com seu grupo taxonômico (briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas) e as dispuseram catalogadas nas pastas. Houve uma grande dedicação dos alunos, desde a coleta das plantas, secagem e montagem dos herbários. Esse trabalho proporcionou aos alunos um maior conhecimento na área de botânica e uma aproximação com a natureza.  Henrique Amormino Albini

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Orientação Profissional

Professor de Ciências do Ensino Fundamental II - Colégio Regina Bacis - BH

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período de escolha profissional é de grande expectativa e tensão para os jovens. Esses sentimentos podem ser explicados pela grande responsabilidade em fazer a escolha certa e pelo alto número de opções de cursos que os jovens se deparam ao final do Ensino Médio. Além disso, a decisão ocorre durante o fim da adolescência, fase em que mudanças corporais, psicológicas e sociais estão acontecendo. A escolha da profissão é mais um desafio a ser enfrentado. A orientação profissional é um processo que visa auxiliar os jovens a fazer uma escolha consciente e madura. Para isso é necessária a integração do conhecimento sobre si mesmo e sobre as profissões, descobrindo juntos qual o seu talento, suas habilidades e seus interesses e então decidir com segurança e maturidade, qual a profissão que melhor lhes convêm. Julho 2013

Sendo assim, busca facilitar ao jovem a escolha da profissão a partir da consciência dos fatores que interferem na tomada dessa decisão. Entre os fatores trabalhados, podemos citar: políticos, econômicos, sociais, educacionais, familiares e psicológicos. Nesse sentido, o projeto desenvolvido nas escolas é baseado nos princípios de autoconhecimento, conhecimento da realidade profissional e, por fim, a tomada de decisão. Sabe-se que o mercado de trabalho sofre constantes transformações. As profissões já não têm o mesmo perfil que dez ou vinte anos atrás. Somado a isso, há as crises econômicas e políticas que acontecem no mundo. É fundamental que o profissional esteja

“Mais fácil aprender a fazer algo de que se gosta, do que aprender a gostar de algo que se faz bem.” Eliseu Neto

preparado tecnicamente e emocionalmente para enfrentar, com segurança, os obstáculos que terá. É através do trabalho que o homem se apropria do real, do concreto; transformando a si mesmo, ou seja, construindo-se ao mesmo tempo em que transforma o mundo real. A escolha adequada da profissão a ser seguida garante ao profissional: saúde mental, satisfação pessoal e profissional, gerando bem estar para a sociedade. Não é raro depararmos com jovens, nas universidades, insatisfeitos com o curso escolhido e profissionais com baixo rendimento em seu trabalho. Nesse sentido, a orientação profissional vem como um instrumento adequado e necessário para que haja uma prevenção no que diz respeito aos altos índices de desistências nos primeiros anos acadêmicos e também de profissionais frustrados e insatisfeitos com sua opção de vida.  Isaura von Zuben Lemos

Psicóloga e Coordenadora do Projeto de Orientação Profissional CIC Passos

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Valores

O cultivo de valores na Educação Infantil

“O colégio é um precioso jardim. Há flores mais bonitas que uma criança? É necessário o cuidado atento e prudente de um jardineiro para torná-las férteis.” Ecos do pensamento de Carmen Sallés – 548.

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desenvolvimento e a formação de valores, hábitos que o indivíduo terá como base por toda a sua vida, em conjunto com a formação familiar, são adquiridos e construídos em sua maior parte na Educação Infantil. Todo indivíduo, em especial a criança, necessita de bases morais bem definidas, de forma que saiba como proceder ao se deparar com pequenos ou grandes problemas, questionando o que não lhe é aceito e nem aceite tudo o que lhe é colocado. É de suma importância que escola e família tenham a consciência de transmitir princípios para seus alunos e filhos, visto que estes serão norteadores de sua própria vida, indicando caminhos, formalizando escolhas e

propondo conteúdos positivos que facilitem a formação de um caráter adequado. Este é o espaço de tempo para auxiliar a criança a pensar e refletir sobre a sua ação, prática e diferentes valores, bem como as implicações de expressá-los para si, para a comunidade e ou sociedade e para o mundo em geral, examinando o entendimento, a motivação e a responsabilidade de fazer escolhas pessoais e sociais positivas, além de ajudar os alunos a se desenvolverem como indivíduos e tornar possível a construção completa e harmoniosa de todas as qualidades do ser humano. Somos solicitados, com frequência, a abordar problemas que surgem na sociedade e são resultados, muitas vezes, da ausência de uma relação saudável entre os seres humanos para

quem os principais valores pessoais, sociais e morais parecem não existir. Diante destas solicitações e necessidades sociais, devemos, desde muito cedo, incentivar e cultivar os valores no dia-a-dia dos nossos alunos e conscientizá-los da importância e da necessidade de preservá-los. É fundamental que as crianças percebam o quanto é importante dizer obrigado, pedir desculpas, por favor e licença e que essas palavras são necessárias para uma boa convivência em grupo. Ainda na infância devem perceber que os valores estão presentes não só na sala de aula, mas nas atividades diárias e cotidianas e que devemos aplicá-los diariamente em nossas ações procurando cooperar com o próximo. Em consonância com os pensamentos do médico e biólogo Hum-

berto Maturana, que propõe o cultivo do amor como um caminho para a realização humana, observa-se a importância da promoção da integração entre família e escola, desenvolvendo vínculos afetivos e resgatando valores morais e humanos como o amor, o respeito, a humildade, a cooperação, justiça, honestidade e responsabilidade, por meio de ações vivenciadas de experimentação, que possibilitem ajustar ou não os valores adquiridos, somando-os à prática e à convivência. Por meio da educação preventiva podemos atingir o objetivo de formar cidadãos conscientes e críticos, com conceitos simples de educação que auxiliam o desenvolvimento e construção de princípios morais, mostrando-lhes qual o melhor caminho a seguir, pois quando a educação

é completa, abrange o ser humano em sua totalidade e equilibra e harmoniza os ensinamentos de acordo com a realidade, semelhante aos pensamentos e palavras de Madre Carmen Sallés, perpassados por anos, que demonstram e perfazem com grande sabedoria prática, fruto de uma soma de pedagogia, psicologia e experiência que “...formar um coração de ternura nas crianças, ensinando-as e estimulando-as à prática da virtude e alimentando-as com lições sadias e com boas orientações, infiltraremos nelas o aroma da virtude e da honradez” (R.C.M., Me. Asunción Valls. p. 38).  Joana Dark Oliveira Paiva

Orientadora Educacional do Segmento I. - Colégio Madre Carmen Sallés - Brasília/DF.

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Arte e Educação do Ensino Médio. Para esse desafio poético, houve a integração das disciplinas de Artes, Música, Português e Redação. Em maio, uma seresta homenageou as mães do Regina Pacis com as músicas de Vinícius. Alunos do Ensino Infantil ao Fundamental II cantaram e encantaram com Samba da Benção, A vida tem sempre razão, Pela luz dos olhos teus, Garota de Ipanema, Eu sei que vou te amar, O Velho e a flor, entre outras pérolas do poeta. Em junho, em uma Mostra Literária, toda a escola envolveu-se com apresentações, representações e documentário sobre o artista. Porém, o mais sensacional para nós educadores foi ver que a obra de Vinícius de Moraes encantou os alunos e se frutificou em cada um deles. Foi significativo constatar que, à medida que estudavam a vida e a obra do

Vinicius canta e encanta

Mostra Literária em homenagem a Vinícius de Moraes contou com apresentações artísticas no Colégio Regina Pacis e aproximou os alunos das obras deste grande poeta brasileiro.

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m 19 de outubro de 1913 nascia, no Rio de Janeiro, o nosso Poetinha. Comemoramos então, neste ano, o centenário de Vinícius de Moraes. Oportunidade de conhecermos melhor esse diplomata que serviu o Brasil em vários países, levando nossas cores, músicas e poesias pelo mundo. Junto com amigos e músicos, dentre eles Tom Jobim e João Gilberto,

foi responsável pelo início da Bossa Nova, movimento de renovação musical da década de 1960, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em que os jovens universitários, influenciados pelo jazz norte- americano, elegeram o violão e uma batida sincopada como a nova forma de fazer música. As músicas e poesias de Vinícius foram a inspiração para trabalhos realizados por alunos da 2ª. série do Ensino Fundamental ao 1ª. Ano

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Poetinha, mais curiosos e orgulhosos da cultura brasileira os alunos se mostravam. O mérito maior desse trabalho foi perceber que, em tempos  Denise Vianna Arte Educadora, prof. de Artes e de relações virtuais, o romantismo de Música do Fundamental I, II e Ensino Vinícius conquistou as nossas crianças Médio do Colégio Regina Pacis em Belo Horizonte. e jovens.

Chá Literário

a manhã de sábado do dia 26/10/13 o Colégio Maria Imaculada apresentou o terceiro Chá Literário em comemoração ao centenário de Vinícius de Moraes. O projeto teve vários objetivos, tais como: desenvolver e fortalecer a cultura de leitura e escrita de textos poéticos com alunos; contribuir para superar as dificuldades de interpretação e produção de textos e proporcionar momentos intensos de saudades e imaginação, por meio das declamações de versos e rimas, poesias e canções do grande “Poetinha” Vinícius de Moraes. Para a culminância do projeto, os alunos do 6º ao 9º ano, juntamente com a professora de Língua Portuguesa, apresentaram a biografia de Vinícius de Moraes e, em seguida, realizaram belíssimas declamações. Alguns alunos, como Diana Boaventura Damásio (8º ano), Marcelo C. Gonçalo (9º ano) e Valentina Peleja (9º ano) cantaram a música Garota de Ipanema junto ao som do violão tocado por Valentina; Diana também cantou e tocou a canção Lá vem o pato, muito conhecida por todos, principalmente pelas crianças. Foi maravilhoso! Repleto de aplausos! Durante todo o momento, todos que visitavam a sala de Língua Portuguesa tiveram o prazer de apreciar o belo sabor de diversos tipos de chás, acompanhados de geleias,

patês, biscoitos variados, entre outras delícias trazidas pelos alunos. Foi um momento único, pois além das degustações, teve sorteio de vários livros literários, canecas, caixas de bombons e outros presentinhos carinhosos. Esse evento acontece no mês de Outubro, junto à Mostra Cultural de nossa escola, pois em Outubro é comemorado, no Brasil, o Dia das Bibliotecas Escolares no dia 26, o Dia Nacional da Leitura no dia 12 e o Dia Nacional do Livro no dia 29. É possível e fácil verificar que, embora a diversidade de textos seja um parâmetro nacional, as escolas priorizam as tipologias clássicas (narração, dissertação e descrição) em sua prática pedagógica, contudo, a tipologia poética é pouco explorada e muitas vezes se torna depreciada por muitos. A poesia, nesse contexto, pode funcionar como uma oportunidade de auxiliar os alunos a repensarem no que sentem e no que pensam, assim, o projeto Chá Literário propõe auxiliar nesse processo, resgatando por meio da linguagem e da tipologia poética, o que verdadeiramente impulsiona o ser humano: suas emoções.  Luciana Miranda Macêdo.

Professora de Língua Portuguesa do Colégio Maria Imaculada - Brasília - DF

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Testemunho

Lar doce lar...

Exemplo de superação e gratidão

Ex-aluno do Colégio Regina Pacis, David relatou a importância da inclusão social de pessoas com deficiência e como ele mesmo vivenciou tal situação sendo acolhido pela Rede Concepcionista

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ar doce lar... Foi com esta pequena e significativa frase que o nosso antigo aluno David Cesar iniciou sua palestra para os alunos do 6º ano ao Ensino Médio do Colégio Regina Pacis - BH. Foi um momento muito forte porque ver David e escutá-lo realmente toca o coração.

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A Constituição Brasileira, de 1988, prevê o direito universal à Educação em seu artigo 208. O Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, garante o mesmo. Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases (Lei 9394/96) definiu regras a respeito da inclusão escolar, que foram reforçadas pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, publicada em 2007. Todos esses passos foram dados em direção a uma educação a que todos tenham acesso, independentemente de dificuldades físicas e intelectuais - e de qualquer outra natureza. Conhecer a Lei, acreditar em sua existência e até lutar por ela talvez seja fácil, mas vivê-la na prática é um desafio. Com a presença de David, desde que chegou em 1997, fomos aprendendo a colocar na prática o

que muitos falamos em teoria. Quanto crescimento! Ao ingressar no Colégio todos foram percebendo a missão iniciada por Santa Carmen Sallés, Evangelizar através da Educação, educar evangelizando e assim David foi ensinando a cada educador e aos alunos que não existem fronteiras, nem limites quando se quer alcançar a vitória. Os anos foram passando e David foi crescendo e se desenvolvendo, hoje ele volta ao Colégio e continua nos ensinando. Assim é a vida... Um ensinando ao outro e todos crescendo. Santa Carmen diria a David o que dizemos para ele: Adiante, sempre adiante!!! Agora quem fala é o próprio David, partilhando um pouco da experiência que teve ao regressar ao Colégio como estudante de Direito e palestrante.

“Fazer palestra é acordar todos os dias com um frio na barriga sem saber o que estão esperando de você e como será a reação de todos. Se vão gostar, se não... Hoje, dia 24 de Junho de 2013, eu tive a maravilhosa oportunidade de sentir este frio na barriga para compartilhar minha vida no lugar que a construiu. Quando o portão se abriu para mim, os sentimentos de nostalgia me dominaram. Uma saudade tomada de emoção. Voltei no tempo no mesmo momento e me vi com seis aninhos, quando o único colégio na época me acolheu. Sorte a minha ter sido recusado em outros colégios, não?! Caso contrário, acredito que até mesmo meu caráter poderia ter tomado outro rumo. Foi ali que conheci os amigos que trilham comigo até hoje, ali que minha família depositou toda sua confiança e ali que me fez ser quem sou hoje. Daí o nome Regina Pacis, expressão latina que significa “Rainha da Paz”. Não tinha como encontrar nome melhor, porque ali encontrei minha paz mental, o que me ajudou na forma com que pudesse trabalhar minha deficiência, que estava diretamente ligada a minha aceitação, que foi integral a partir do momento em que todos a minha volta confiaram em mim para seguir a vida confiante, com paz. Há cinco anos tive um sonho, no qual eu estava dando

uma palestra no Colégio Regina Pacis. Aquele sonho ficou na minha cabeça. Um sonho exequível, uma meta que eu nunca pensei que seria alcançada. Aconteceu. Aconteceu hoje. Voltei à minha casa. E mais, voltei com o objetivo de passar mensagens de superação para aqueles pequenitos que estavam sentados onde eu já estive e saí aprendendo com eles. Aprendizado recíproco, sentimentos recíprocos. Obrigado a todos, de coração. Lar doce lar... O termo inclusão não abarca apenas pessoas que poderiam ser excluí-

Voltei no tempo no mesmo momento e me vi com seis aninhos, quando o único colégio na época me acolheu. das da Educação devido a dificuldades de aprendizagem. Ele abrange todas as crianças e todos os jovens, com saúde e desenvolvimento típicos ou não, de todas as etnias e as classes sociais, pois expressa o direito à educação de maneira ampla: qualquer dificuldade de aprendizado que se tenha, seja ela decorrente de qualquer condição, deve ser acolhida e solucionada pela escola. No caso dos alunos com deficiência, a inclusão parece ser mais evidente, mas isso não significa que os colegas considerados típicos não se beneficiem dela. “Estudos comprovam que alunos que estudam com coleguinhas com deficiência também aprendem mais”, observa a psicopedagoga Sheila Pinheiro. Por que isso acontece? Porque, uma vez que a escola se engaja na busca por soluções de aprendizado, todos saem ganhando”.  Ir. Sarah Reis

Colégio Regina Pacis – Belo Horizonte

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Testemunho

Como a Providência pode surpreender

O amor que senti por

O exemplo de fé e superação de uma mulher que jamais desistiu de seu sonho de ser mãe, apesar dos obstáculos, e hoje se sente realizada. 66

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epois que me casei, em Dezembro de 2002 , logo quis ser mãe. Eu e meu marido, Júnior, morávamos em Salvador, no Bairro do Flamengo. Passaram-se alguns meses de tentativas para engravidar e nada, para minha frustração. Minha médica dizia que estava tudo certo e que eu não precisava me preocupar, apenas diminuir a ansiedade. Mas sabe aquele sexto sentido, alguma coisa dizendo

aquele pequeno ser era tão forte, que só agradecia a Deus por que não iria acontecer? Eu tinha essa certeza em mim. Em 2004 voltamos para Belo Horizonte. Estávamos felizes e queríamos constituir nossa família. Meu médico já de vários anos nos aconselhou então investigar a fundo, possíveis causas de infertilidade, tanto eu quanto meu marido. Foi o que fizemos e vários exames foram feitos, muitos e muitos. O resultado: não podíamos ter filhos biológicos. Nunca vou esquecer aquela frase de um pro-

tê-la conosco. Ela é, com certeza, nossa princesa. A lição, neste momento, foi de que para nos tornarmos Mãe e Pai bastou, simplesmente, o Amor.

verdade: “Não, nunca tinha pensado, nem ao menos passado em minha mente.” Da mesma forma que meu marido também não pensou. Passados alguns dias, Júnior acordou cedo, olhou para mim e aí sim falou tudo que até então tinha guardado desde o dia da consulta fatídica. Convidou-me para ir ao Juizado da Infância para fazer nossa inscrição, requerendo a adoção. Eu, simplesmente, me senti bem e concordei. No mesmo dia fizemos nossa inscrição em duas comarcas, em Belo Horizonte e Contagem. Na época, Julho de 2004, podia se inscrever em qualquer comarca, independente da cidade de moradia. Hoje isso não é possível. Só se pode requerer a adoção no juizado da própria cidade em que se mora. Em Fevereiro de 2005, Deus colocou em meu caminho uma pessoa que mudou nossas vidas, que permitiu sermos pais: a mãe biológica de nossa primeira filha, Ana Laura. Nunca a tinha visto na vida e do jeito que veio, se foi, mas deixou conosco um dos nossos tesouros mais valiosos que temos na vida. Ana Laura, hoje com 8 anos, nasceu no dia 30 de Abril de 2005. Era um lindo sábado ensolarado. Nasceu ao meu lado e quando a vi, chorei muito. Era linda e perfeita a minha filha. Júnior não conseguia falar, só chorava de alegria. Ela teve alta do hospital na segunda-feira e fomos então para casa com um bebê de dois dias de vida. O processo de adoção foi completamente legalizado, sem intercorrências. Como me realizei como mãe! O amor que senti por aquele pequeno ser era tão forte, que só agradecia a Deus por tê-la conosco. Ela é, com certeza, nossa princesa. A lição, neste momento, foi de que para nos tornarmos Mãe e Pai bastou, simplesmente, o Amor. O tempo passou e nossa vontade de ter mais filhos aumentou. Quando

A adoção, para nós, vai muito, muito além de sua definição literal, que é acolher. São nossos filhos, nossa vida. Hoje nossa casa é cheia, preenchida e não imagino a vida sem eles.

Ana Laura tinha 4 anos, resolvi ir até o Juizado da Infância para ver em que situação estava nossa inscrição. Tive uma grande surpresa, pois a assistente social disse que tentou nos contatar e não conseguiu, pois nesse intervalo de tempo moramos por quase dois anos em Itabira. Avisou-me que éramos os próximos da fila e que nossa próxima criança podia chegar a qualquer momento. Como estávamos inscritos como pais de plantão, ou seja, requerentes a adoção de crianças recém-nascidas, seria um bebê com tal perfil. Saí de lá e fui comprar banheira e outros itens de bebê. Ana Laura doou seu berço com muita satisfação e ganhou uma linda cama. Dois meses depois disso recebemos outro telefonema, só que agora falando que nosso bebê chegaria no próximo dia, no próprio Juizado, e para que não nos atrasássemos. Então Júnior, que estava com viagem de trabalho marcada para o dia seguinte, a desmarcou no mesmo instante. Não conseguimos dormir. Chegamos com umas duas horas de antecedência e, quando ele veio nos braços da comissária de Justiça, achei que fosse desmaiar. Fomos en-

Continua

fissional muito bem indicado: “vocês podem tentar fertilização, produção de espermatozóides, mas há grande chance de má formação fetal, além de um custo muito alto”. Lembro que saí dessa consulta totalmente arrasada, sem forças para ajudar meu marido, que também se encontrava da mesma maneira. Voltamos para casa mudos, cada um com seus pensamentos. Foi um momento em que me senti vazia, sem condições nem mesmo de expressar toda a minha frustração e tristeza. Por um tempo, que não sei mensurar, não consegui pensar em rumos a se tomar, apenas o vazio e uma dor enorme no meu coração. Mas o interessante é que, mesmo ciente de nossa realidade, sentia que de alguma forma eu seria mãe. Deixamos alguns meses passar e não tocamos mais no assunto. Em um final de semana fomos à casa de meus pais e eles nos perguntaram se já tínhamos pensado em adoção. Eu os olhei e respondi a plena

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Testemunho caminhados ao berçário do Juizado e lá estava ele, nosso filho, com 5 dias de vida, deitado em um bercinho. Olhamos para ele e novamente fomos tomados pela emoção de 4 anos atrás. O mesmo sentimento de amor invadiu nossos corações. Mais que depressa, troquei suas roupinhas pelas que tinha levado e coloquei em seus pés um par de sapatinhos vermelhos. Também ofereci uma mamadeira que preparei lá na hora e ele a mamou inteira. Lembro que a assistente social achou até graça quando viu que já tínhamos providenciado tudo. Comentou: “Nem vou perguntar se vocês gostaram”. E nem precisava né? Filho, nós não escolhemos, eles vêm e amamos e cuidamos deles. Levamos Lucas para casa e Ana Laura já nos esperava aflita. Ela se encantou com o irmão. Como quase todo irmão mais velho, apareceu aquele ciúme em nossa menina, mas nada que não pôde ser contornado. São grandes amigos irmãos. Passaram-se praticamente 4 anos e nossa rotina já estava estabilizada. Ana Laura e Lucas estudando no Colégio Regina Pacis, no turno da tarde, desde 2012 e eu em um preparatório para um concurso público. No dia 21 de Abril deste ano, recebemos outro telefonema importante do Juizado da Infância. A assistente social nos chamou para conhecermos uma criança de 5 meses que estava em um abrigo da cidade, desde os 2 dias de vida. Como já não éramos pais de plantão, não se tratava de um recém-nascido, porém era um bebê. Desta vez, confesso que tive um pouco de medo e acredito que meu marido também. No dia seguinte, lá fomos nós ao tal abrigo e, aí sim, senti um turbilhão de emoções, que nem em mil palavras sou capaz de descrever. Nunca tinha entrado em um abrigo. Fomos recebidos não por uma ou duas pessoas, mas sim por umas 20 crianças. Todas pequeninas à espera de alguém. Queriam saber quem tínhamos ido visitar, nosso nome, queriam brincar, conversar; os maiores, já com 6 anos, mostravam seus quartos e materiais escolares. Mas logo veio uma moça com um bebezinho no colo. Era nosso

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outro filhinho. Pedi para segurá-lo e ele deu uma gargalhada para mim, a coisa mais fofa. Como não podia faltar alguma surpresa em nossos casos, nos falaram o nome do bebê, Lucas Rodrigues. Nós rimos bastante e falamos que já tínhamos um Lucas Rodrigues em casa. “Bom, então vamos dar a vocês, caso fiquem com a criança, um tempo para mudarem o nome dele”, foi o que nos disse a assistente. Fomos para casa, montamos o berço novamente e no dia seguinte saímos do abrigo com nosso terceiro filho, já com seu nome legal, Pedro. Dessa vez, minha irmã Cristina foi conosco buscar o bebê e, como nós, ficou muito comovida com todas aquelas crianças. Pedro foi um caso

Nós temos nossos filhos como uma família qualquer. Não vieram da minha barriga, vieram sim, dos nossos corações. Assim como tinha certeza de que seria mãe, tenho certeza que Deus nos dá sempre aquilo que pertence a nós. a parte, com 2 dias de vida foi encaminhado ao abrigo. Mas a grande parte daquelas crianças está lá devido a tristes histórias, principalmente de maus tratos. Entramos no carro e quanto mais eu olhava aquele bebê em meus braços, mais me beliscava para ver se acreditava que agora eu era mãe de três filhos. Foi o único que não chegou recém-nascido, mas garanto que a emoção sentida por nós foi aumentando a cada dia que se passava, principalmente agora, que aos seus 10 meses de idade, começou a falar “mamã e papá”.

A adoção, para nós, vai muito, muito além de sua definição literal, que é acolher. São nossos filhos, nossa vida. Hoje nossa casa é cheia, preenchida e não imagino a vida sem eles. São três pequenos, três histórias, três seres que Deus permitiu que viessem como nossos filhos. Eles nos ensinam, nos divertem, nos fazem raiva, pois somos humanos, mas nos fazem, todo dia, acordar e buscar alguma maneira de sermos melhores do que fomos no dia anterior. Seja o que for o que cada um será no futuro profissional, queremos muito e, acima de tudo, que sejam pessoas de bem, com um coração repleto de amor e caridade ao próximo. E é por isso que precisamos nos melhorar e dar o exemplo. Quantas pessoas podem mudar a vida umas das outras, não é? É o que acredito. Muitas pessoas falam conosco que somos bons por adotar três crianças, mas não é nada disso. Nós é que somos agraciados por têlas, pois são elas que nos ajudam e tornam nossos dias mais felizes. Adoção não é fazer caridade e, sim, agarrar a maravilhosa oportunidade de conviver com um filho ou filha, educar, zelar, simplesmente porque faz todo o sentido. Nós temos nossos filhos como uma família qualquer. Não vieram da minha barriga, vieram, sim, dos nossos corações. Assim como tinha certeza de que seria mãe, tenho certeza que Deus nos dá sempre aquilo que pertence a nós. Quanto a todas as crianças que vivem nos abrigos e esperam por alguém, peço que Deus ponha muito amor no coração das pessoas que querem filhos, para que, se pertencer a eles, possam se tornar pais maravilhosos de filhos do coração, crianças encantadoras que são a razão de nossas vidas. Hoje, quando penso que a adoção não foi um projeto que traçamos desde o começo, nos sentimos gratos por tudo. Sabíamos que seriamos pais e abrimos nossos corações para isso.  Patrícia Maria Guedes de Oliveira Rodrigues Mãe dos alunos Lucas Guedes de Oliveira Rodrigues e Ana Laura Guedes de Oliveira Rodrigues - Colégio Regina Pacis - Belo Horizonte - MG

Criatividade brotando “O Cristão é alguém cuja imaginação deve voar além das estrelas.”

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Francis Schaeffer

de comunicação, entre o artista e aquele que observa ou aprecia a obra artística. O artista sente e logo tenta demonstrar seus sentimentos aos observadores, pois eles são bem diferenciados: cada um possui uma visão e uma sensação diferente, diante do que está sendo proposto. É tão importante o trabalho com a Arte na vida de cada

um, pois é uma das poucas formas de poder se captar a alma daquele que dá vida a uma obra. Isso facilita o elo de comunicação entre artista e observador.

 Karla Fernanda Porcel

Arte Educadora Lar Maria Imaculada - Mococa -SP

oder despertar e aprimorar a Arte – não só no coração, como na inteligência das crianças e adolescentes, no Lar Maria Imaculada – faz com que eu me sinta realizada. Não me realizo apenas quando vejo trabalhos concluídos, realizo-me, sim, na busca pelo aprender, pelas invenções, nas dúvidas e no compartilhamento de ideias... Isso me mostra que estou desenvolvendo um trabalho sério, além de eu poder observar a felicidade em cada rostinho que conseguiu demonstrar seu sentimento, sua busca, ao se entregar à Arte. Como a Arte é uma forma de se expressar, ela representa um meio

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Testemunho

Educação Concepcionista... sempre! Nossos alunos do 9º ano, com suas famílias, organizam e planejam suas vidas após estes nove anos juntos. Vão continuar a busca pelo conhecimento em outras escolas, farão novas amizades, terão novos educadores! Como é gratificante ver o quanto cresceram em tamanho, idade e sabedoria! Mas também é triste vê-los partir. Temos a certeza de que, nós, educadores desta escola, de alguma forma ou de outra, contribuímos para este crescimento. Agora é hora de continuar o caminho, nunca esquecendo os valores educativos e espirituais de Santa Carmen Sallés! Os depoimentos das alunas deixam claro o quanto sentirão saudades da família.  Rosângela G. de O. Santos

Coordenadora de Pastoral Centro Educacional Recanto Betânia Embu - Guaçu - SP

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“Sinto-me muito privilegiada por estudar em uma Escola Concepcionista. Foram nove anos vivendo os conceitos e os ensinamentos da Lei de Deus. Esse, infelizmente, é meu último ano na escola! Na vida temos que passar por muitas fases e essa para mim está sendo a fase mais difícil até o momento. Foram nove anos em que construí uma família, linda, maravilhosa, a família Recanto Betânia! Ao sair do colégio, meu objetivo principal é continuar vivendo como uma aluna concepcionista, vivendo na sociedade de uma forma diferente. Posso me considerar uma jovem escolhida por Deus, pois tive uma oportunidade única: estudar em uma escola concepcionista, educada na casa de Maria Imaculada” Raiara Soares Trancoso. “Sou aluna concepcionista há nove anos. Durante esse tempo aprendi e vivenciei valores que irei levar para a vida toda, como amar a Deus e ao meu próximo, honrar a família e saber agradecer sempre, tendo Maria Imaculada e Santa Carmen Sallés como exemplos, mulheres que deram a vida e disseram sim a Deus. E hoje agradeço primeiramente a Deus , a todas as Irmãs e educadores, aos funcionários e coordenadores por permitir esta obra em minha vida“ Gabriella Barbosa Costa. “Agradeço primeiramente a Deus e a Santa Carmen Sallés por me ajudar e me abençoar a cada dia nesta escola maravilhosa, pelos educadores que ensinam o verdadeiro valor que devemos ter no dia a dia, com todos a nossa volta. Irei sentir saudades de todos os amigos, professores e funcionários. Com certeza levarei para sempre o amor, o carinho e principalmente o respeito que recebo aqui nesta escola. Obrigada!” Aryadne Silva de Oliveira.

Lançar sementes “Sinto-me como um jardineiro ou como o “Semeador” que espera ver seu jardim florido

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e colher bons frutos de seu pomar...”

into-me chamada à “Missão, e lançar sementes me aproxima de Deus... Sinto-me como um jardineiro ou como o “Semeador” que espera ver seu jardim florido e colher bons frutos de seu pomar... E como é gratificante ver nosso trabalho reconhecido, alcançarmos os objetivos de ver que nossos educandos se engajaram na construção do Reino! Como me alegrei com a participação dos alunos desta casa, pertencentes ao MAJC – Movimento de Adolescentes e Jovens Concepcionistas, na JMJ Rio 2013! E não só os trinta participantes do MAJC, mas também os demais alunos que fizeram parte do evento, os pequeninos e seus fami-

liares, que trouxeram suas fotos para mostrar sua participação. Sou feliz pelo chamado à Missão que Deus me confiou! Sinto-me gratificada, emocionada e maravilhada em preparar corações para serem sacrários vivos e solos férteis para acolher Jesus. É um presente de Deus fazer parte da Missão Concepcionista. Como disse o Papa Francisco: “Todos esperam e buscam ver Jesus. E por isso necessitam dos que creem”. Que bom corresponder com fidelidade àquilo que a Igreja me pede! Agradeço a Santa Carmen Sallés o fato de poder concretizar o ideal de evangelizar através da educação hoje, na figura das Irmãs Concepcionistas, de seguir, a exemplo de Maria Ima-

culada, os ensinamentos do Cristo. A formação religiosa constrói um melhor indivíduo com AMOR, JUSTIÇA, FRATERNIDADE e PAZ. Como é bom ver a confiança estampada nos pais que deixam seus filhos em nossas casas: A casa de Santa Carmen, inspirada na Imaculada, que foi a primeira Apóstola de Jesus! Espero poder contagiar, cada vez mais, com criatividade e com meu real testemunho, a muitos que por mim passarem. “ANUNCIAR O EVANGELHO É MISSÃO DE TODO CATÓLICO”. “Adelante, siempre adelante...”  Sheyla Cotilha

Coordenadora de Pastoral do Colégio Maria Imaculada - Rio de Janeiro - RJ

“Estudo no Recanto Betânia desde os cinco anos de idade. Nesses nove anos só tenho a agradecer por tudo. Esse foi meu primeiro e único colégio até hoje, não sei como vai ser lá fora. Sentirei falta das minhas amizades, principalmente algumas que tenho desde o pré, e dos meus professores! Todos ficarão guardados em meu coração para sempre. Realmente esse colégio vai deixar muitas saudades!” Eduarda Santos Barreto.

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Psicopedagogia

Para pensar o desenho da criança

“Aprender é deixar-se modificar por um conhecimento e transformá-lo em um instrumento pessoal, de viver e conviver”.

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observem transformações, o modo como cada um do grupo desenha as pesquisas individuais e, também, as descobertas coletivas. O fato de o desenho ocupar espaço tão intenso no dia a dia das crianças e dos professores abre um potente campo de investigação sobre essa linguagem. Se quisermos que nossas crianças desenhem sempre, é fundamental refletir continuamente sobre esse campo de expressão. Acredito na necessidade do desenho fazer parte da rotina dos pequenos todos os dias. Um aspecto que norteia essa ideia é que se trata de um fazer cultivado: desenhar diariamente, apreciar as próprias produções, as dos colegas ou de outros artistas, são formas de intervir no traçado e no repertório gráfico. Na criação, as crianças demonstram muita ludicidade: brincam, jogam, inventam, narram, conversam, traçam. A partir dos três anos, as crianças já possuem um tempo de maior concentração e envolvem-se com seus traçados. Procuro observar os desenhos ressaltando o percurso de cada um, as

conquistas, as ideias e os elementos novos e valorizo, também, os que ainda não figuram. O que olhar no desenho da criança? O que comentar? Será que os pequenos só rabiscam? Quando vão começar a desenhar? Por que essa criança de cinco anos ainda não figura? Mesmo convivendo com crianças desenhando, muitas dúvidas e questionamentos se apresentam entre professores. Podemos nos aproximar bastante da produção gráfica infantil, se observarmos as crianças ao desenhar, se estudarmos diferentes autores que pesquisaram o assunto e se cultivarmos o hábito de apreciar arte. Desse modo, podemos estabelecer um diálogo mais próximo com o desenho da criança, por meio de conversas verbais e visuais, fazendo apreciações e propostas que nos permitirão mergulhar, cada vez mais, em suas pesquisas gráficas pessoais. “A criança está interessada em realizar movimentos e ver o que faz enquanto desenha.” A relação entre o ato de desenhar e o desenho se transforma quando a ação deixa de ser a tônica e a imaginação das crianças entra em cena. Acompanhando o processo de transformação da relação das crianças com o desenho, é notável que, assim que elas descobrem que podem representar os objetos reais, identificando os acontecimentos e o entorno como fonte de pesquisa para o desenho, tornam-se porosas ao ambiente social, reconhecem como cada um desenha e passam a pensar o desenho como linguagem. Vejam algumas possibilidades de apresentar o desenho:

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Desenho de observação Desenho livre ou espontâneo Desenho com interferência Desenho a partir de uma apreciação.

 Andréa Griecco

Pedagoga, Professora da Educação Infantil - Colégio Maria Imaculada São Paulo - SP

Bibliografia

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desenho é uma linguagem que está presente nas salas da Educação Infantil diariamente. As crianças são sempre convidadas a desenhar em diferentes momentos da rotina. O professor precisa estar preparado para planejar situações que estejam em diálogo com o pensamento da criança sobre o desenho e, ainda, que ele possa desafiar novos pensamentos, abrindo uma diversidade de caminhos possíveis a trilhar. No processo de aprendizagem em Artes Visuais, a criança exterioriza seu mundo interno, sua personalidade e seu modo de ver e de sentir as coisas. Ela traça um percurso de criação e construção individual que envolve escolhas, experiências pessoais, aprendizagens, relação com materiais e sentimentos. A criação é exclusividade das crianças, mas cabe ao professor alimentar esse percurso de forma intencional, oferecendo propostas e experiências variadas. A frequência com que essa linguagem é trabalhada nos primeiros anos da escolaridade faz com que os professores

Desenho Infantil- Florence de Mèredieu Textos: “Centro de Formação- Escola da Vila” Iavelberg, Rosa. O desenho cultivado da criança: prática e formação de educadores. São Paulo: Zouk, 2006.

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Psicopedagogia

Estilos de

Aprendizagem “Cabe a nós, educadores e pais, compreendermos que na aprendizagem o sujeito deve ser entendido na sua totalidade, que ele aprende a partir do seu corpo, suas emoções, sua capacidade intelectual. Ao aprender, há uma aprendizagem da realidade com a de si mesmo”. 74

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“Era uma vez uma escola para animais. Os professores tinham certeza que possuíam um programa de estudos inclusivo, porém, por algum motivo, todos os animais estavam indo mal. O pato era a estrela da classe de natação, porém não conseguia subir nas árvores. O macaco era excelente subindo em árvores, mas era reprovado em natação. Os frangos se destacavam nos estudos sobre os grãos, mas desorganizavam tanto a aula de subir em árvore que sempre acabavam na sala do diretor. Os coelhos eram sensacionais nas corridas, mas precisavam de aulas particulares de natação. O mais triste de tudo era ver as tartarugas, que, depois de vários exames e testes foram diagnosticadas como tendo “atraso de desenvolvimento.” De fato, foram enviadas para uma classe de educação especial numa distante toca de esquilos. A pergunta é: quem eram os verdadeiros fracassados? “

e

sta história nos remete a pensar sobre os diferentes tipos de aprendizagem, a unicidade de cada ser. Sobre os talentos, capacidades e habilidades individuais e principalmente as “maneiras” que cada um aprende apoiando-se em diferentes sentidos para captar e organizar a informação. A aprendizagem inicia-se ainda no útero materno. No princípio de sua vida, o bebê está aprendendo. Em seu cérebro, trilhões de neurônios estão esperando para serem conectados. É surpreendente pensar que algumas conexões foram realizadas pelos genes durante a fertilização, nos circuitos que controlam a respiração e batimentos cardíacos, nos que regulam a temperatura ou produzem os reflexos. Porém, um grande número de neurônios está pronto, com um grande potencial para realizar cálculos

matemáticos ou escrever um texto. Nos primeiros anos de vida, o desenvolvimento da linguagem é bastante significativo. Por volta dos cinco ou seis anos, a criança tem um vocabulário de aproximadamente 10.000 palavras, ou seja, ela aprende mais ou menos 2.000 palavras por ano. E este progresso foi realizado sem um esforço visual e sem instrução formal. O grande desafio dos pais, professores e profissionais que trabalham com crianças é ajudá-las a adquirir confiança em si mesmas, a acreditar nas suas capacidades e progressos para que ocorra a aprendizagem. Acima de tudo, respeitar sua individualidade e seu ritmo pessoal. Infelizmente, vemos muitos professores e pais tentando fazer com que macacos sejam exímios na natação e que patos pulem de galho em galho. A aprendizagem vai muito além de meras habilidades ensaiadas e decoradas.

Parafraseando a psicopedagoga Isabel Parolin – “A aprendizagem começa no interpessoal, ou seja, nas relações estabelecidas e termina no intrapessoal, nas subjetivações e nas sínteses que o aprendiz consegue fazer, onde deve ocorrer um clima emocional favorável do ensinante (pai, mãe, professor) com seu aprendente (filho, aluno)”. Segundo Parolin, aprender é deixar-se modificar por um conhecimento e transformá-lo em um instrumento pessoal, de viver e conviver. “Cada aprendiz aprende de uma maneira distintiva e característica quando se confronta com uma tarefa de aprendizagem.”

Os estilos de aprendizagem mais comuns: Estilo visual – Nesse estilo se aprende através da observação. Na leitura, gosta das descrições, desfruta-as imaginando as cenas. Possui boa capacidade de concentração, boa ortografia, porque visualiza a palavra. Não toma conhecimento dos sons. Distrai-se quando há desordem visual. Com relação à memória, gosta de anotar, escreve as coisas para recordar. Geralmente se lembra de rostos, mas não de nomes. O aprendiz com estilo visual é muito imaginativo. Emocionalmente falando, chora com facilidade e é bastante calado. Pode perder a paciência se precisar escutar por um longo tempo.

Continua

História sobre aescola dos animais

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Psicopedagogia

Estilo cinestésico: Refere-se a pessoas que aprendem por meio de atividades físicas, ou seja, quando fazem as coisas, por meio do movimento e da manipulação física. Na leitura, preferem histórias com mais ação e movimenta-se enquanto lê. Não é um grande leitor. Geralmente tem má ortografia, escreve as palavras como sente. Recorda-se mais do que fez e não o que viu ou falou. Para estas pessoas, as imagens não são tão importantes, não prestam atenção nas apresentações visuais e auditivas. No aspecto emocional, quando está contente, pula, empurra, abraça e puxa para demonstrar sua alegria.

E quando surgem as dificuldades de aprendizagem? Quando estas surgem, afetam a pessoa na sua totalidade. A pessoa sofre pela subestimação que sente por não conseguir cumprir com aquilo que espera de si mesma e com o que os outros esperam dela. Pode-se dizer que o fracasso toca o ser íntimo e social da pessoa. Vivemos em uma sociedade imediatista, onde o sucesso representa o ponto mais alto dos valores. “Triunfar na escola constitui uma perspectiva de conseguir uma boa situação e ter a possibilidade de acessar o consumo

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de bens. O baixo rendimento escolar pressupõe a renúncia a tudo isso”. É comum encontrar nas salas de aula crianças que não conseguem atingir o rendimento que seria esperado delas, que não aprendem como as demais, e que por mais que os educadores utilizem método e estratégias diferenciadas, não funcionam com elas. Portanto, torna-se necessário um diagnóstico de especialista apropriado para a complexidade de sintomas apresentados, pois através deles é possível apropriar-se de estratégias de conduta e tratamento adequado. De acordo com o diagnóstico, o educador irá buscar os pontos fortes, as áreas de dificuldade e conceber a forma que melhor o aluno aprende e como pode compensar as áreas deficitárias. Ressaltando que, as dificuldades podem surgir em mais de uma área ou um sintoma pode ser devido a mais de uma causa, tornando-se necessário, assim, a análise de cada caso individual, o qual tornará o trabalho mais efetivo. Não se tem causas únicas, nem tratamentos iguais. Cada criança apresenta reação diferente aos diversos fatores que intervêm na sua aprendizagem. Portanto, é imprescindível conhecer a criança em sua totalidade, entender seu problema específico e ajudá-la a conhecer seus pontos fortes e fracos oferecendo a ela estratégias que apresentem sucesso em sua aprendizagem.

Intervenção Ao perceber a dificuldade da criança, torna-se necessária a união da família e escola para que seja traçada uma linha de ação, onde ambas assumem suas responsabilidades, permeando a coerência entre as diferentes estratégias e possibilidade de se realizar o proposto. De acordo com o diagnóstico, a escola assume o papel pedagógico do processo, respaldada pelos profissionais que acompanham a criança. Estes traçam os objetivos que atendam a demanda dos pais e professores, se reunindo sistematicamente para avaliar a evolução e reprogramar estratégias.

O sucesso da intervenção e promoção da aprendizagem se dá como resultado da união entre escola – família e profissionais envolvidos. O sucesso da intervenção e promoção da aprendizagem se dá como resultado da união entre escola – família e profissionais envolvidos. “Na trajetória da aprendizagem nem tudo são flores. O aprendiz terá de reaprender uma energia que nem sempre ele consegue obter sucesso. O ensinante terá de promover um espaço educativo, que é objetivo e subjetivo, para que o aluno faça o devido investimento e obtenha o resultado esperado tanto pelos pais, quanto pela escola.” Cabe a nós, educadores e pais, compreendermos que na aprendizagem o sujeito deve ser entendido na sua totalidade, que ele aprende a partir do seu corpo, suas emoções, sua capacidade intelectual. Ao aprender, há uma aprendizagem da realidade com a de si mesmo. Faz-se necessário entender que a aprendizagem caminha unida ao crescimento, onde o aprendiz vai deixando pouco a pouco a sua dependência para chegar a ser independente.

A importância do Esporte na Educação

“O Esporte Educacional visa implantar e avaliar as políticas de esporte escolar como um meio de educação e não um mero grupo de modalidades esportivas”.

o

Esporte Educacional é uma manifestação de atividade humana que promove o desenvolvimento integral do indivíduo. Atua como meio de socialização e manutenção da saúde, desenvolve a autoestima, a autosuperação e o autoconhecimen-

to, tanto no sistema formal de ensino como fora dele. O Esporte Educacional visa implantar e avaliar as políticas de esporte escolar como um meio de educação e não um mero grupo de modalidades esportivas. Por meio do esporte, abre-se um espaço dentro das instituições e os alunos são estimulados a desenvolver sua capacidade crítica, e oportuniza a formação dos educadores, garantindo a eles competência técnica, política e pedagógica e, finalmente, a desvinculação do conceito de rendimento esportivo das competições escolares. Falar de Esporte Educacional torna-se um imenso prazer, pois é justamente o professor que tem o dever de criar em seus alunos o gosto por tal fenômeno cultural. Quando o

educador limita-se a apresentar um só esporte, ele impede que o aluno tenha opções a serem escolhidas, não sabendo nunca definir o esporte de sua preferência. O ideal é diversificar o trabalho e ampliar o conhecimento sobre a maior parte das atividades propostas. Como já foi mencionado, o esporte deve ser sempre um meio de ensino. Quanto mais o professor puder esclarecer, melhor serão as suas aulas e maior será o interesse dos alunos por atividades esportivas.

 Leonardo Tavares

Professor de Educação Física e Judô Faixa Preta 1º Dan - FEMEJU Colégio Maria Imaculada Brasília - DF

 Gláucia Maria Oliveira Zaparoli

Psicopedagoga – Orientadora Educacional – Colégio Imaculada Conceição - Passos - MG

Bibliografia

Estilo auditivo – Esses aprendem melhor quando recebem a informação oralmente e quando podem falar e explicar essa informação para outra pessoa. Apresentam facilidade para o diálogo e para expressar seus sentimentos verbalmente. Aprendem mais quando as instruções são dadas em voz alta e podem responder oralmente. Gostam de falar sobre o que estão fazendo e de fazer muitas perguntas. Sua ortografia geralmente não é muito boa, porque escrevem a palavra como a ouvem. É capaz de se lembrar de nomes, mas de se esquecer dos rostos. Retém por repetição. No aspecto emocional, explode verbalmente quanto sente alegria ou raiva, porém se acalma em seguida.

Esportes

Dificuldades de Aprendizagem – Detecção e estratégias de ajuda. Textos: Ana Maria Salgado Gomez – Psicóloga Nora Espinosa Terán - Psicóloga Professores formadores: a relação entre a família, a escola e a aprendizagem – Isabel Parolin

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Vocações

Vocação:

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um caminho, uma realização! II Musical Vocacional convida a uma reflexão sobre as vocações através de apresentação teatral.

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om o tema “Caminho e Descoberta! Um chamado. Uma resposta. Uma realização pessoal e comunitária”, os alunos do C. E. Recanto Betânia participaram com entusiasmo e muito envolvimento do II Musical Vocacional, no dia 30/08/2013. Neste II Musical Vocacional nossos alunos refletiram sobre este chamado especial que Deus nos faz e, para finalizar o mês, apresentaram um

teatro sobre as vocações específicas com coreografias alegres, paródias e poesias. Os alunos da Escola Júlia de Castro Carneiro, sob a direção da educadora Lourdes Carrasco (nossa coordenadora pedagógica), apresentaram a fanfarra com uma linda coreografia ensaiada por eles sob o comando do educador João, professor de Música da escola e do professor de Educação Física, Márcio. O tema nos ajuda a refletir sobre nosso chamado. O que Deus quer de

nós? Que caminho seguir? Que respostas queremos dar ao Senhor? Como realizar a missão? Podemos fazer a diferença no mundo dando a nossa adesão para sermos anunciadores do amor Dele! Seja na vocação fundamental, seja numa vocação específica! O chamado exige de nós uma resposta para o cumprimento de uma missão. Será que somos capazes de pensar na importância que tem esta resposta? O que Deus mais quer é que nós estejamos juntos d’Ele, de Seu Filho Jesus e do Espírito Santo, participando do amor da Santíssima Trindade e também da nossa comunidade, vivendo

uma realização pessoal e comunitária! Vocação é uma semente divina ligada a um “sim” do homem, em sua plenitude. Nem a percepção do chamado, nem a resposta a ele são tão fáceis e tão naturais! Exige muito discernimento e oração! Como nos ensina Santa Carmen Sallés “Buscai tempo para a oração e dedicai-vos habitualmente a ela. O encontro com Deus é necessário”. E como é necessário! O encontro permanente com Deus através da oração nos ajuda a escolher caminhos e também a nossa vocação, o nosso chamado. Nossos alunos continuam traçando o caminho, continuam fazendo suas

escolhas e, com certeza, a escolha de cada um será melhor para eles e para a construção do Reino! E como não dizer que “Na tarefa da educação, acompanhar é fundamental. Caminhando juntos aos educandos poderemos descobrir a verdade e a Verdade” (Santa Carmen Sallés). Só assim colheremos os frutos que agora são sementes que germinam e, com nosso caminhar juntos, faremos a diferença!  Rosângela G. de O. Santos

Coordenadora de Pastoral Recanto Betânia - Embu Guaçu - SP

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Atividades COLÉGIO REGINA PACIS n BELO HORIZONTE n MG

Mergulhe com a Educação Infantil no fundo do mar

Visita à Estação Ecológica da UFMG

res vivos. Vivenciaram momentos únicos de descobertas e se encantaram com as peculiaridades e curiosidades dos animais marinhos. Essa vista externa proporcionou às crianças o contato com o conhecimento de maneira concreta e lúdica que é, como sabemos, a maneira mais eficaz de ensino, e acrescentou, e muito, ao Projeto da escola: “Grandes Navegações”, que é o tema da Mostra Cultural desse ano.  Simone da Glória Marçal

Professora do Maternal I e II da Educação Infantil - Colégio Regina Pacis - Belo Horizonte

Em geral, as crianças são fascinadas por animais, sejam eles domésticos, selvagens, grandes, pequenos, que vivem na terra ou na água. Com alguns elas têm contato, outros só conhecem por imagens de revistas, filmes e desenhos animados. No dia 28 de agosto os alunos da Educação Infantil, do Colégio Regina Pacis, visitaram uma das mais completas exposições do mundo subaquático, “No Mundo das Águas”. Fizeram uma incrível “viagem” ao fundo do mar onde puderam conhecer diversos se-

Olimpíada de Química Alunos do Colégio Regina Pacis participam pela segunda vez da Olimpíada Mineira de Química. A primeira vez que participaram dessa Olimpíada foi no ano de 2012 com o intuito de promover as atividades que levem os jovens estudantes a refletir sobre a importância da Química em suas vidas e na sociedade moderna. Pela participação, nossos alunos receberam um certificado emitido pelo Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais. Este ano o professor de Química, Wellington Lima, promoveu a fase de seleção na própria escola e novamente os alunos foram inscritos, reafirmando o compromisso que a instituição tem de incentivar a participação em atividades extras, que integrem a vivência escolar com propostas em aprofundar o conteúdo.

Os alunos do Ensino Fundamental I do Colégio Regina Pacis participaram de uma tarde ecológica, no dia 28/08/13, na Estação Ecológica da UFMG. Foi um momento de enorme aprendizagem e descontração. Eles participaram de oficinas, caminhadas e campanhas para preservação do ambiente. Os passeios duraram em média duas horas e foram guiados por monitores que, durante o percurso, deram explicações sobre diferentes espécies de plantas e animais. O mais importante,

além desse momento de contato com a fauna e a flora diversificada, foi a conscientização sobre a importância da conservação da natureza. Durante as trilhas os pontos de parada permitiram conhecer mais sobre aspectos da Mata Atlântica e do Cerrado. O trajeto pelos biomas passa por pontos de observação de copaíbas, eucaliptos, lobeiras, cupins, formigueiros, paineiras, bambuzais (de uma espécie chinesa, não nativa do Brasil) e cutieiras.

Os alunos tiveram ainda a oportunidade de conferir o local onde ficava a antiga lagoa da Estação Ecológica – e de conhecer, através do trajeto percorrido, a ponte de cordas. Foi uma tarde inesquecível em que o "espírito de cidadania e prazer" fizeram-se presentes em todos os momentos.  Lúbia Lara Cunha de Andrade

Professora do 5º ano do Ensino Fundamental I - Colégio Regina Pacis - BH

 Wellington Geraldo Lima Amaral

Professor de Química do Ensino Médio Colégio Regina Pacis – Belo Horizonte

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Atividades COLÉGIO MADRE CARMEN SALLÉS n BRASÍLIA n DF

Oficina Vocacional

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o dia 29 de agosto, os alunos da 2ª e 3ª série do Ensino Médio participaram da Oficina Vocacional do Colégio Madre Carmen Sallés. Nesse evento, contamos com a presença de profissionais de diversas áreas como: Direito, Administração, Comunicação, Medicina, Nutrição, Educação Física, Engenharia Civil, Engenharia Agronômica, Engenharia Elétrica, Biomedicina, Biologia, Arquitetura, Jornalismo, Enfermagem e Artes. Foi um momento em que esses profissionais puderam contribuir com suas experiências nas carreiras que optaram por seguir.

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riadas profissões, auxiliando o despertar de nossa verdadeira vocação. Os profissionais foram bastante solícitos, explicando o currículo de cada curso, as áreas de especialização, o mercado de trabalho e esclarecendo as dúvidas específicas de cada um. Os alunos devem estar preparados e decididos sobre qual rumo tomar. A escola é fundamental para nos auxiliar nesta decisão, por isso a parabenizo pela iniciativa e espero que mais atividades como esta sejam realizadas.” (Luiza Ferreira de Almeida Gomes - 2ª série do Ensino Médio.) “Participar da Oficina Vocacional foi um momento único e indescritível. Nesse evento pedagógico, organizado pela Orientadora Educacional Karine, pudemos ter o contato direto com os profissionais das mais diversas áreas e saber sobre jornada de trabalho, salários, dia a dia, mercado de trabalho, locais de atuação, entre outras informações importantes. O que mais despertou minha atenção foi tirar essas dúvidas justamente com pessoas graduadas na minha área de interesse. Descobri profissões que eu nem conhecia, como Engenharia Médica. Fiquei fascinada com o empenho e dedicação da Karine ao organizar este momento. Hoje esclareci minhas dúvidas e fortaleci minha

Esse projeto foi pensado pela Orientação Educacional, dentro do projeto de Orientação Vocacional, no intuito de oportunizar aos jovens um momento de vivência diferente junto aos profissionais. Nessa atividade, os alunos puderam conversar com os profissionais, obtendo informações e tirando dúvidas sobre o mercado de trabalho, fortalecendo suas decisões para um futuro promissor e assertivo. Os jovens tiveram uma participação significativa e certamente despertaram aspectos importantes como o autoconhecimento e interesse diante desse momento de escolha. Percebeu-se ao final dessa atividade

escolha profissional. Depois de muito conversar com a convidada do evento, confirmei minha escolha e pretendo seguir a carreira de Médica.” (Tais Coelho Staccianirni - 3ª série do Ensino Médio) “A escolha profissional talvez seja a decisão mais difícil que os adolescentes precisam tomar. É papel da família e também da escola oferecer condições para que essa escolha seja feita de forma consciente. Eventos como esse, organizado pela Orientação Educacional do Colé-

gio Madre Carmen Sallés, certamente contribuem muito para uma tomada de decisão baseada em argumentos conscientes. Os alunos puderam esclarecer inúmeras dúvidas relacionadas a diferentes áreas de atuação profissional, o que por si só não garante que essa escolha seja acertada, mas proporciona um debate consciente, que leva a um amadurecimento fundamental nesse momento decisivo para os jovens.” (Soraia Cristina Real Karia - Professora de Língua Portuguesa do Ensino Médio).

um ótimo aproveitamento por parte dos alunos e uma satisfação de todos que contribuíram direta ou indiretamente para que esse momento acontecesse, tomando por base alguns depoimentos.  Karine Ribeiro César

Orientadora Educacional do Ensino Médio - Colégio Madre Carmen Sallés – Brasília/DF

“Foi uma experiência que proporcionou aos alunos tanto das 2ª séries como das 3ª séries o contato com profissionais de diversas áreas. Este encontro despertou em muitos o interesse em conhecer as mais va-

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Nova Velhice?

Reflexão

Criatividade, sempre!

“Nós envelhecemos desde que nascemos!” Santo Agostinho (354-430), bispo e teólogo

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velhice bate na porta de todas as pessoas, mesmo sem aviso. Dia 21 de agosto de 2013 fui chamado pela Irmã Provincial, Zaíra Leite, das Religiosas Concepcionistas, para ajudar a resolver uma dúvida sobre contrato de saúde. Ela estava contrariada com a palavra IDOSO. – Veja se pode! IDOSO ao lado da foto da Identidade. Podiam, ao menos, ter escrito IDOSA.

“Goethe tinha 82 anos quando pôs ponto final no seu monumental poema Fausto. Miguel Cervantes só deu por concluído o Dom Quixote aos 68. Ticiano, o pintor, produziu um de seus quadros mais notáveis, A batalha de Lepanto, aos 98, Michelangelo tinha 78 anos quando projetou a grande cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano. José Saramago escreveu sua última obra, A viagem do elefante, entre 2006 e 2008, com mais de 84 anos. Em 2008, aos 78, Clint Eastwood tornou-se o ator mais velho a obter um primeiro lugar nas bilheterias dos Estados Unidos, com Gran Torino, filme que também dirigiu...”, escreveu Antônio Edson na Revista Família Cristã (janeiro de 2012, p. 37). Temos uma lista interminável de pessoas, com mais de 70 e até 80 anos, com criatividade e invejável produção acadêmica e artística. – Mas é apenas no RG. O importante é que a senhora está bem! – Tentei consertar. – Mas palavra ainda incomoda! – concluiu a Irmã Zaíra. O que fazer diante da nova fase, da Mais Idade? A velhice chega, para todas as pessoas; ela é inexorável, imponderável. Precisamos, porém, encontrar uma maneira de viver bem e melhor esse período, mantendo a qualidade de vida, uma vez que a

Envelhecimento ativo “Não faltam ofertas de lazer, culturais e esportivas para a terceira idade usufruir o que a cidade tem de melhor. Estamos em um período de mudanças no paradigma da velhice... Os antigos ‘velhos’, resignados à aposentadoria, à dependência e ao recolhimento doméstico, atualmente vivem uma ‘nova velhice’, ligada a uma postura mais ativa e de protagonismo de suas escolhas. Sair do ambiente

doméstico e ocupar espaço público é um dos movimentos que esta geração de idosos tem praticado” – sescsp.org. br/revistae, agosto 2013. Desde meus tempos de seminarista paulino (1978-1990), aprecio as crônicas do escritor Carlos Heitor Cony, colunista do jornal Folha de S.Paulo. Certa vez, ele disse “que a vida começa aos 40 anos”. Mas, ao completar 50, passei a dizer que “a vida começa aos 50 anos”; depois, se chegar aos 60, direi que “ela começa aos 60 anos”, e assim por diante... Há uma tendência, quase unânime, dos novos e velhos, em esconder a verdadeira idade. E também há quem diz que não se deve perguntar a idade às mulheres, porque “é falta de educação”. Mas, bem, bem no âmago da questão, ainda temos a síndrome de Peter Pan, do mito “eterna juventude!” E, assim, surgem “os desfigurados”, aquelas pessoas de “mil e uma” cirurgias plásticas que não conseguem olhar para o próprio espelho. Parecem fantasmas, para não dizer “monstros vivos”. É a arte do “puxa-estica”. E de plástica em plástica vão vivendo. Na tentativa de serem mais bonitos, melhores, mais novos, mais rejuvenescidos, com o apoio da indústria da beleza e da high tech high (alta tecnologia). “O passado não reconhece seu lugar, está sempre presente... Quero poder tocar seu rosto com as pontas dos dedos e amar as rugas que escre-

veram nossas histórias, quero sentir sua mão tocar meu rosto enrugado e poder dizer que até minhas rugas te amam”, escreveu o poeta gaúcho, Mario Quintana (1906-1994). A tentativa desse mundo apressado e caótico é preencher o “vazio da existência”. Todavia essas pessoas esquecem tratar-se, na verdade, do vazio de espiritualidade, do vazio de valores, de cultura, lazer, formação e informação... vazio dos quatro pilares da educação para o século XXI (Jacques Delors, UNESCO, 1998): aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver. “Você aprende, assim como quando criança, quando adolescente... Todas as partes (as fases) da vida são aprendizado. Você aprende a envelhecer também, senão não fica bom”, declarou a atriz Renata Sorah, 66 anos, ao caderno Ilustrada (Folha de S.Paulo, 28/07/2013, p.E2). A Queda do Muro de Berlin (1989) sinalizou o início da pós-modernidade, segundo os historiadores e cientistas sociais, trouxe uma mudança de mentalidade pelo mundo afora. Antes todo mundo queria “parecer” mais velho. E, às vezes, cometia a falsidade ideológica (e cronológica) para poder dirigir, jogar, trabalhar, ir ao cinema..., antecipando não apenas a maioridade, mas também os fatos, as fotos e as experiências.

Limitações e direitos “O preconceito é um dos fatores limitantes para que parte dos idosos deixe o estilo de vida passivo... Nesse sentido, destaca-se a criação do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, em 2002, e do Estatuto do Idoso, em 2003, que representam grande avanço no tratamento das questões que envolvem os idosos brasileiros, estipulando desde descontos em todos os eventos culturais e veto de reajustes em planos de saúde até penalidades criminais para abandono em asilos, por exemplo. Porém, a existência desses mecanismos não basta. ‘É preciso que a sociedade como um todo e, principalmente, os segmentos idosos se organizem e lutem pelos seus direitos, pressionando os políticos por

Continua

demanda de idoso aumenta cada vez mais pelo mundo afora. Na obra A nova velhice (Ed. Revinter), Tereza Goes faz uma reunião de textos de profissionais e estudiosos do tema do envelhecimento em diversas áreas: medicina, psicologia, comunicação social, educação física, arquitetura, etc, lista as mudanças da nomenclatura: “terceira idade”, “quarta idade”, “melhor idade”, “maior idade”, “feliz idade”, “idade da sabedoria”, “idade da experiência”, “idade da flor” (sic!), na tentativa de “encobrir o termo velhice e a da sempre negada proximidade da morte” – (cf. RevistaE-sescsp, julho de 2013: Nova velhice em novos tempos).

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Reflexão

O importante na nova velhice é viver bem e melhor, mergulhando nos valores, na espiritualidade, na vida simples e despojada, para aprender a ficar de bem com ela. meio de ações concretas que resultem em efetivas melhorias no campo da saúde, da previdência social, da segurança, dos transportes, lazer e educação, garantindo o respeito dos demais segmentos e o pleno exercício de sua cidadania’, afirma João Netto -- sescsp.org.br/revistae, agosto 2013. É claro que se deve cuidar da saúde e da beleza. Aliás, os números da indústria da beleza e das academias comprovam o crescimento, cada vez mais, de produtos e frequentadores, tanto de mulheres quanto de homens. Para muitos homens “machistas” essa corrida ao mundo da beleza era visto com ressalvas, e, no mínimo, como algo supérfluo, e/ou, para “meia dúzia” de privilegiados, luxo para uma pequena elite da população. “Que a velhice não nos surpreenda com mais rugas na alma do que no corpo”, nos advertia o filósofo francês Michel Montaigne (1533-1592). Por que motivos não podemos mostrar as “rugas da vida”, das mãos

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calejadas, da cabeça careca ou queimada pelo sol a sol em tardes de verão escaldante, ainda com certa nostalgia da beleza do sol se pondo e o corpo pedindo “comida e cama”, devido à longa jornada de trabalho? Mas houve uma mudança do “fator previdenciário”, no século XXI a população ultrapassa, com certa facilidade, a idade de um século de vida. A lista de mulheres e homens, do mundo acadêmico, artistas, arquitetos... com idade acima de cem é “invejável”, de cair o queixo. Talvez haja certo exagero em “como viver 200 anos”, bela crônica de Laura Baptista Leite, traduzida em anúncio publicitário do Açúcar União (Copersucar): “Vá a mais lugares, / Abrace mais amigos, / Dance mais. / Diga menos “nãos”, / Invente menos problemas, / Pratique mais esportes, / Ria mais de si mesmo,/ Saia mais com os amigos,/Cante mais,/ Plante uma árvore,/ Brinque mais...” Tudo isso é bom e ajuda a viver mais e melhor! Vivemos tempos de “fast food”, tudo rápido, descartável e “pra ontem”. Trata-se do mundo dos apressados, hoje é tarde demais! Os defensores do “slaw food”; “É devagar / É devagar / É devagar é devagar / Devagarinho / Devagarinho / É que a gente chega ...” na voz de Martinho da Vila são malvistas ou, no mínimo, as pessoas do tempo das carroças, dos carros velhos, os “museus” no meio do trânsito galopante da história. Hoje é o tempo do “big data”, da partícula de “bóson de Higgs”

– conhecida como “partícula de Deus”- da revolução tecnológica, da comunicação em rede... tudo rápido, conectado, interconectado, o mundo em rede. Conforme previra Marshall McLuhan (1911-1980): “o mundo é uma aldeia global”. O importante na nova velhice é viver bem e melhor, mergulhando nos valores, na espiritualidade, na vida simples e despojada, para aprender a ficar de bem com ela, para aprender a valorizar as conquistas e a alegria e felicidade interiores, e vencendo, assim, o medo do espelho e mentalidade obsessiva em consumir tudo o que aparece nas vitrines do mundo dos novos tempos de shopping center da moda e da beleza!

Nas telas, outas experiências. Filmes mostram diferentes formas da nova velhice: 1. E se vivêssemos todos juntos? (Stéphane Robelin, França, 2011). Cinco amigos, dois casais e um solteirão mulherengo, se conhecem há mais de 40 anos e decidem morar juntos ao começarem a enfrentar os problemas da velhice. 2. O Quarteto (Dustin Hoffman, Reino Unido, 2012). Uma mansão serve de moradia para músicos aposentados. 3. O exótico Hotel Marigold (John Madden, Reino Unido, 2011). O filme parte de um questionamento: O que fazer com a velhice? 4. Minhas tardes com Marghertte (Jean Becker, França, 2010). Feirante de pouca instrução, Germain encontra numa praça, por acaso, Margheritte, uma senhora que vive em uma casa de repouso. A idosa passa a ler em voz alta trechos do livro “A Peste”, de Albert Camus (1891-1937), para o novo amigo, que desde a infância tem dificuldade para a leitura -- sescsp. org.br/revistae, agosto 2013.  Gilmar Corazza

Editor e professor, coordenador de patrimônio da Rede Concepcionista de Ensino - Sede Provincial - SP

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Integração em Revista - Nº 29  

Dezembro de 2013

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