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2015


2015

relatรณrio de atividades


sumário Summary

Quem somos e Missão 5 Who we are and Mission

4. Projetos temáticos 44

Carta da presidente 6

4.1 Áreas protegidas 44

4.2 Análise de serviços ecossistêmicos e capital natural 46

Letter from the President

Prefácio 7

Preface

1. Destaques e prêmios 8

Highlights and awards

2. IPÊ em números 16 IPÊ IN NUMBERS

3. Projetos por localidade 18 Project by site

3.1 Pontal do Paranapanema 20

3.2 Nazaré Paulista 28

3.3 Baixo Rio Negro 32

3.4 Pantanal e Cerrado 38

Pontal do paranapanema Nazaré Paulista Lower Rio Negro The Brazilian Savanna

Thematic projects

Protected areas

Analysis Of Ecosystem Services

5. Parcerias Institucionais e Campanhas 48

Institutional Partnerships And Campaigns

6. ESCAS 54 ESCAS

7. Dados financeiro 62 Financial data

8. Doe e Conecte-se ao IPÊ 70

Donate and Connect to IPÊ

9. Quem fez o IPÊ 2015 70

Who made IPÊ in 2015th

10. Apoiadores, parceiros e financiadores 72

Supporters, partners and Financiers

11. Report in English 79

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quem somos O IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas é uma organização brasileira, sem fins lucrativos, com título de OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Criada em 1992 para promover a conservação da biodiversidade do Brasil, a instituição desenvolve cerca de trinta projetos socioambientais na Mata Atlântica, Amazônia e Pantanal e Cerrado. Todos os trabalhos são apoiados em pesquisa, educação, envolvimento comunitário, cadeias produtivas, negócios sustentáveis e influência em políticas públicas, frentes que fazem parte do seu Modelo IPÊ de Conservação, criado pela instituição. Além disso, o IPÊ também promove cursos por meio da ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade.

missão Desenvolver e disseminar modelos inovadores de conservação da biodiversidade que promovam benefícios socioeconômicos por meio de ciência, educação e negócios sustentáveis.

FOTO: Érica Felipo

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carta da presi dente

O IPÊ vem crescendo, se estruturando e se fortalecendo, mesmo em meio aos desafios enfrentados nos tempos atuais. Parte de nosso empenho tem sido o de aprender com o passado para realizar com qualidade no presente, nutrindo perspectivas de chegarmos a um patamar ainda melhor no futuro. Isso nem sempre é fácil, pois as condições do mundo moderno são voláteis, mudando com uma rapidez nunca antes vivenciada. Todavia, mesmo sendo a espécie mais dominante, como apontou Charles Darwin em seu livro The Descent of Man, “o homem é capaz de refletir sobre suas ações do passado e seus motivos, aprovando algumas e desaprovando outras... o homem não consegue evitar de olhar para trás e para a frente”. E é essa a característica que vemos como a oportunidade de avaliar o que realizamos, para melhorar o que pretendemos fazer nos nossos próximos passos. O ano de 2015 foi pautado por um contínuo semear, plantar e colher. Vemos o semear com nossa equipe jovem e alunos, pois muitos têm desabrochado como excelentes profissionais, espalhando ideias sobre conservação e sustentabilidade no Brasil e até mundo afora. O plantio tem sido constante com a continuidade, a persistência e a busca por uma adaptabilidade que os tempos modernos exigem, sem perdermos a ternura, o foco e o rumo de nossos objetivos. E a colheita são os bons frutos dos trabalhos realizados, como o maior corredor de Mata Atlântica plantado, o maior banco de dados sobre a anta no mundo, ou o mico-leão preto se tornando símbolo do estado de São Paulo, muito por conta dos 30 anos de trabalhos contínuos de proteger e dar visibilidade à espécie. Outros frutos dessa colheita são as dissertações advindas de nossa Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade – ESCAS, quando influenciam regiões inteiras ou políticas públicas ligadas a temas socioambientais relevantes. Temos ainda a celebrar parcerias com o setor privado, disseminando conceitos, valores e conhecimentos que ajudam a equilibrar as ações humanas, tornando-as mais sustentáveis. O futuro é sempre uma incógnita, mas hoje o IPÊ conta com um corpo de profissionais e um Conselho atuante, que certamente são chave para continuidade, inovação e ousadia num caminhar firme em solo fértil. Novas descobertas deverão emergir e vai depender de nossa capacidade de estarmos atentos para as oportunidades, de sempre nos mantermos na vanguarda para assegurar que estamos aptos a dar uma contribuição ao Brasil e ao nosso planeta.

Suzana Machado Padua Presidente 6

FOTO: Ilana Bar


prefácio

Em seu vigésimo terceiro ano de existência, o IPÊ continua sendo uma fonte de inspiração para que as pessoas possam desenvolver e implementar ações em busca de um planeta melhor. Isso acontece por causa de uma combinação de características que diferenciam a nossa organização. Entre elas, podemos citar a forte ação local, o engajamento nas regiões onde atuamos, as ações educacionais e as competências para inovação e geração de conteúdo. É isso que procuramos demonstrar neste relatório. Para que o leitor possa desfrutar melhor, é válido ressaltar que o texto contido nas páginas seguintes encontra-se dividido de acordo com a natureza das nossas atividades. Temos uma descrição das realizações de “Projetos por Localidade”, em áreas onde são desenvolvidos programas de longo prazo, com a implementação do “Modelo IPÊ” de trabalho. Este modelo resulta da integração de ações voltadas para conservação de biodiversidade, educação ambiental, manejo de áreas naturais, envolvimento comunitário, cadeias produtivas, gestão de paisagens e políticas públicas. Isso acontece de formas variadas no Pontal do Paranapanema, no Sistema Cantareira, no Baixo Rio Negro, no Pantanal e no Cerrado. Em seguida, descrevemos o que foi feito através dos chamados Projetos Temáticos. Em 2015 destacamos o tema “Áreas Protegidas” e “Pesquisa e Desenvolvimento” em assuntos relacionados a oferta e monitoramento de serviços ecossistêmicos. Descrevemos também as ações de nossa Unidade de Negócios Sustentáveis, com ênfase na construção de parcerias institucionais com o setor privado, e na promoção e no fortalecimento de atividades que integram comunidades e cadeias produtivas. Em complemento a todas essas ações, o nosso relatório descreve ainda os resultados da ESCAS em 2015, incluindo seus cursos livres, o Mestrado e o MBA. O componente educacional do IPÊ, que hoje é disseminado por meio da ESCAS, tem um papel estrutural na busca de nossa missão e contribui fortemente para potencializarmos nossas ações e para impactarmos positivamente algumas das grandes questões socioambientais do planeta. Todas as realizações descritas no relatório nutrem uma motivação na nossa equipe e, ouso dizer, em nossos parceiros, a ponto de os nossos sonhos de construção de um planeta melhor se sobressaírem em relação aos desafios atuais que nosso país enfrenta. Esperamos que o leitor compartilhe desse entendimento e que aprecie nosso relatório. Eduardo H. Ditt Secretário executivo

FOTO: Érica Felipo

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ARBORIZAÇÃO URBANA

1. destaques e prêmios

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FOTO: Érica Felipo

Em 2015, o IPÊ entregou à prefeitura de Atibaia (SP) o resultado final do estudo base para o planejamento de arborização urbana da cidade. Agora, o município conta com um mapa que indica a situação da cobertura vegetal dos seus 44 bairros e as regiões que mais precisam de arborização. Além disso, o IPÊ também apresentou à prefeitura uma análise específica sobre o bairro Alvinópolis, área que possui a menor cobertura vegetal em toda a cidade, indicando a quantidade de árvores que precisa ser plantada no bairro e o porte mais adequado de acordo com os espaços disponíveis para plantio. O trabalho é resultado de um termo de parceria firmado entre a prefeitura e o Instituto, em janeiro de 2014, que começou com um diagnóstico da cobertura vegetal dos bairros dentro da área urbana e de expansão urbana do município, indicando aqueles com maior e menor percentual de áreas verdes. Com mais da metade da população mundial vivendo em áreas urbanas, tornar as cidades mais seguras e sustentáveis é um desafio. Com o planejamento, a cidade de Atibaia será uma das poucas do País com uma estratégia para recomposição vegetal, com as espécies corretas e de maneira adequada aos objetivos da população.


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PUBLICAÇÕES

Em parceria com a Matrix Editora, o IPÊ lançou em 2015 três publicações.

O Homem que salvou Nova York da falta de Água e outros 11 mestres da Sustentabilidade, de Rafael Morais Chiaravalloti. Livro conta histórias de personalidades que transformaram realidades ao se dedicarem à sustentabilidade.

ESTRATÉGIAS PARA ÁGUAS DO CERRADO Em Dezembro de 2015, o Consórcio Cerrado das Águas, definiu as estratégias para os próximos dois anos (2016-2017). A partir de 2016, diversos programas serão implementados com o objetivo de proteger os recursos hídricos noa bioma, especialmente na região de Minas Gerais. São eles: Empoderamento da comunidade para a restauração de paisagens; Monitoramento de recursos hídricos; Capacitação e treinamento de multiplicadores; e Suporte à certificação de produtores rurais.

Unidades de Conservação: fatos e personagens que fizeram a história das categorias de manejo, de Angela Pellin e Claudio Padua, do IPÊ, e Fabiana Pureza, mestre pela ESCAS. A publicação trata sobre as motivações para o surgimento das categorias de manejo das UCs que constituem o atual sistema de áreas protegidas.

O Consórcio é formado por instituições da Sociedade Civil como IPÊ, UICN, Cooxupé, Imaflora, Federação de Cafeicultores do Cerrado Mineiro, Região do Cerrado Mineiro e UTZ Certified, BiodiverCidade: Desafios além da empresa Nespresso. Juntas, e oportunidades na gestão as organizações atuam pelos seguintes objetivos comuns: Melhorar as práticas de áreas protegidas urde gestão do solo e da água e promobanas, de Angela Pellin e Erika ver a restauração das áreas de vereda, Guimarães. O livro promove uma em âmbito regional; Facilitar a troca reflexão sobre o papel das áreas de informações por meio de serviços protegidas no contexto das cidades técnicos de extensão aos produtores e sobre a necessidade de aprimorar rurais tendo em vista a melhoria das a gestão desses espaços, ampliando práticas ambientais adotadas na região; sua proteção e tornando-os mais Estimular e facilitar o processo de integrados à sociedade. O lançamento dos livros aconteceu regularização das propriedades rurais, buscando conformidade estratégica em durante a 8a edição do Congresso Brasileiro de Unidades de Conserva- nível de paisagem para conciliar o cumção (CBUC), em Curitiba/PR. Os livros primento da legislação com a obtenção estão disponíveis para venda no site de benefícios de longo prazo para toda a comunidade. lojadoipe.org.br

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CAMPANHAS “A Natureza tem muito a dizer. Ouça”

VIVEIRO VIVO

A agência Young & Rubicam Brasil criou a peça para o IPÊ, com a arte do ilustrador Christo Dagorov. O artista búlgaro é criador da série “Lips” em que desenha diferentes formas, texturas e até mesmo cenários a partir de fotos de lábios. Residente na Suíça, Christo fez questão de ter seu trabalho ligado à causa e ao nome do IPÊ. “Estou muito satisfeito em poder contribuir com um trabalho tão importante. Espero ter a oportunidade de visitá-los em breve”, comentou ele.

Em novembro, o IPÊ lançou na plataforma Catarse a campanha de crowdfunding para arrecadar recursos para a manutenção do seu viveiro em Nazaré Paulista. Na campanha Viveiro Vivo, as contribuições foram destinadas para as atividades deste importante local que, além de produzir mudas nativas utilizadas no reflorestamento da Mata Atlântica, é espaço de educação ambiental que serve a cerca de 700 alunos de escolas públicas da cidade. Saiba mais: www.catarse. me/viveirovivo

COALIZÃO BRASIL

Em 2015, o IPÊ tornou-se membro da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura A Coalizão é formada por mais de 100 empresas e organizações da sociedade civil. A ideia do grupo é promover e propor políticas públicas, ações e mecanismos financeiro-econômicos para o estímulo à agricultura competitiva de baixo carbono, pecuária e economia florestal que impulsionem o Brasil como protagonista na liderança global da economia sustentável. Os representantes participaram ativamente da COP21 apresentando suas propostas e enriquecendo os debates sobre o sobre o papel das florestas e da agropecuária no combate às mudanças climáticas.

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ALIANÇA PELA ÁGUA

Em mais um ano o IPÊ contribuiu com a Aliança pela Água, rede da sociedade civil que existe para contribuir com a construção de segurança hídrica em São Paulo. Em discussões, palestras e reuniões ao longo do ano, o Instituto atuou levando informações geradas por suas pesquisas para a proteção do Sistema Cantareira e resultados de iniciativas que efetivamente colaboram para a proteção dos mananciais, como reflorestamento e melhoria do uso do solo em pequenas propriedades realizados na região do sistema.

“Além do reflorestamento, precisamos estar atentos às APPs hídricas e a forma de uso do solo. Nosso trabalho vem mostrando que é possível melhorar o solo de pequenas propriedades sem prejudicar o ganho econômico dos produtores, colaborando para a produção de água no Sistema Cantareira. A importância disso é imensa, visto que, segundo nossas pesquisas, 60% das APPs hídricas dessa região não têm cobertura vegetal necessária para garantir a qualidade ambiental” Eduardo Ditt, secretário executivo do IPÊ

NEXT GENERATION

O IPÊ foi uma das organizações do terceiro setor selecionadas em 2015 para participar do NEXT GENERATION DEVELOPMENT PROGRAMME (NGDP). O programa já foi realizado em mais de cinco países e faz parte da iniciativa para formação de lideranças do banco HSBC. Durante uma semana, líderes da empresa trabalharam com o staff do IPÊ buscando soluções para os desafios no desenvolvimento e gestão de projetos, na sede, em Nazaré Paulista.

“Foi muito emocionante ver a paixão da equipe do IPÊ e parceiros para conduzir a agenda de reflorestamento. Eles conhecem muito o assunto mas ao mesmo tempo são muito humildes. Desejo sucesso na liderança do programa de educação e do viveiro”. Christel Wysin

“Estou muito impressionada com o coração e paixão que vocês colocam em tão nobre trabalho. São todos especialistas no que fazem e sua combinação de conhecimentos e de acolhimento foi inspiradora e motivadora. A equipe realmente me fez pensar diferente e me inspirou. Só posso agradecer!”. Margaret Adaniel

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FLORESTAS DO MUNDO EM RISCO Em 2015, um extenso estudo global sobre a fragmentação florestal no mundo constatou, a partir de um mapa de alta resolução, que 70% das florestas existentes na Terra estão sob grande ameaça por estarem posicionadas em áreas vulneráveis. A pesquisa foi publicada pela revista Science Advances por 24 autores de vários países, incluindo o pesquisador e professor visitante da ESCAS/IPÊ, Clinton Jenkins. A análise originou o primeiro mapa global em alta resolução que aponta onde estão esses remanescentes florestais e como eles estão sofrendo com os efeitos da fragmentação. A maior parte das áreas florestais que ainda existem no mundo possuem

uma característica comum: localizam-se, em média, a um quilômetro da borda da floresta, dentro de uma faixa onde existem as atividades humanas e ameaças naturais que podem influenciar e degradar esses ecossistemas, segundo a pesquisa. Outra conclusão é a de que os habitats fragmentados têm reduzido a diversidade de plantas e animais de 13% a 75% e os efeitos mais negativos se encontram nos menores e mais isolados fragmentos. “O Brasil detém dois dos exemplos mais extremos para as florestas. De um lado, a Amazônia, a maior floresta tropical e a menos fragmentada do mundo, um bioma que ainda pode ser considerado bem conservado,

mas que vive sob grande ameaça. Do outro lado, a Mata Atlântica, uma das florestas mais devastadas e fragmentadas do planeta, que, para sobreviver, precisa salvar suas pequenas partes e tentar reconstruir um ecossistema maciçamente danificado. O que vemos, entretanto, é que a Amazônia está caminhando para o mesmo caminho da Mata Atlântica, caso não houver medidas eficazes de combate ao desmatamento. Este estudo é uma chamada para acordarmos para o quanto estamos afetando ecossistemas - incluindo áreas que pensamos ser conservadas”, afirma Jenkins.

VISITA

O ministro do comércio exterior da Bélgica, Pieter de Crem, conheceu a sede do IPÊ em Nazaré Paulista e o projeto de plantio para a conservação da água na região. A iniciativa da visita foi de Marie-Noëlle Keijzer, CEO da We Forest, uma organização internacional sem fins lucrativos, de origem belga, com o objetivo de captar recursos para plantio de árvores e mitigação do aquecimento global. Um dos projetos apoiados pela iniciativa no IPÊ é o “Corredores da Mata Atlântica”, no Pontal do Paranapanema.

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TED: BIODIVERSIDADE EM PAUTA A presidente do IPÊ, Suzana Padua, foi uma das palestrantes do TEDx São Paulo, que abordou o tema “Futuro Melhor”. Palestrantes do Brasil e do exterior falaram sobre ações que podem criar hoje um futuro mais justo e sustentável para todos, compartilhando suas experiências em projetos que engajam a sociedade de maneira positiva e pró-ativa. Suzana abordou a necessidade de uma Educação que celebre a vida e que traga as pessoas para perto da natureza novamente. Também em 2015, a TED Fellow Patrícia Medici fez uma palestra no segundo encontro dos membros do TED global, na California, denominado “Nadando Contra a Maré” (“Swimming Against Tide”). Patrícia, que coordena no IPÊ a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, dividiu com o público a sua experiência de 20 anos na busca pela conservação da anta brasileira. Sua participação pode ser vista em: www.ted.com O TED (Technology, Entertainment, Design. Em português Tecnologia, Entretenimento, Design) é uma série de conferências sem fins lucrativos com o lema“ideias que merecem ser compartilhadas”, por meio de palestras curtas, em vários formatos, como TED Global e TEDx.

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prêmios PESQUISADOR RECEBE O “OSCAR VERDE”

WHITLEY CONTINUATION PARA RESTAURAÇÃO O corredor florestal plantado pelo IPÊ no Pontal do Paranapanema ganhou um grande reforço com o Whitley Continuation Funding. Pela quarta vez, o prêmio foi concedido pelo Whitley Fund for Nature ao pesquisador Laury Cullen Jr., coordenador do projeto Corredores da Mata Atlântica. A premiação de 70 mil libras será utilizada ao longo de dois anos para a restauração de 20 hectares de floresta (40 mil árvores), na região. Cinco hectares serão plantados em Áreas de Reserva Legal de assentamentos rurais no formato de Sistemas Agroflorestais (SAFs). Outros 15 hectares vão integrar o corredor florestal, o maior do Brasil, que une as duas principais Unidades de Conservação da região - o Parque Estadual Morro do Diabo e a Estação Ecológica Mico-Leão-Preto.

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O pesquisador Arnaud Desbiez, coordenador do projeto Tatu-Canastra, realizado por meio do IPÊ e do Royal Zoological Society of Scotland, recebeu em 2015 o Whitley Award. Um dos mais prestigiados da conservação ambiental mundial, considerado o “Oscar verde”, o prêmio foi entregue pela princesa Anne, em cerimônia na Royal Geographical Society, em Londres, em homenagem ao seu trabalho para conservar a espécie. Outros vencedores do Whitley Awards 2015 foram: Panut Hadisiswoyo (Indonésia), Pramod Patil (Índia), Rosamira Guillen (Colômbia), Inaoyom Imong (Nigéria), Jayson Ibañez (Filipinas) e Ananda Kumar (Índia). Com a premiação, o pesquisador expandiu os esforços de conservação do tatu-canastra para áreas do Cerrado de Mato Grosso do Sul.


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PRÊMIO PARA O MICOLEÃO-PRETO O IPÊ foi o vencedor do Prêmio Nacional de Biodiversidade, na categoria ONG. A premiação foi destinada ao Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto, realizado pela instituição há mais de 30 anos no Pontal do Paranapanema (SP). Iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, o prêmio reconhece o mérito de trabalhos que visam melhorar ou manter o estado de conservação das espécies da biodiversidade brasileira. De um total de 888 inscritos, 18 foram selecionadas pelos especialistas da Comissão Julgadora, em seis categorias da premiação.

TRABALHO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO IPÊ É RECONHECIDO

O IPÊ foi uma das organizações socioambientais reconhecidas com o Prêmio Lide de Meio Ambiente. O Instituto recebeu a homenagem pelo seu trabalho em Educação Ambiental em prol da biodiversidade. O conselheiro do IPÊ Paulo Lalli, representou o Instituto na cerimônia durante o 6º Fórum Mundial de Meio Ambiente, em Foz do Iguaçu (PR). A ideia do prêmio é reconhecer empresas e organizações atuantes em todo o território nacional, que realizam projetos ambientais e demonstram uma cultura preocupada com a sustentabilidade. Veja mais detalhes no site: www.ipe.org.br/ra2015

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2. ipê em números Em 2015:

300 alunos

capacitados em cursos de meio ambiente e sustentabilidade pela ESCAS

217 professores

capacitados em educação ambiental

14,6 mil pessoas beneficiadas diretamente

Cursos, palestras, extensão rural, educação ambiental, negócios sustentáveis

+ de

85

gestores

+ de

+ de

179

250

em Monitoramento de Biodiversidade

capacitados para produções mais sustentáveis na Mata Atlântica e Amazônia

comunitários capacitados

16

de Unidades de Conservação beneficiados

pequenos produtores


2.ipê em números

2,6

milhões de árvores

plantadas na Mata Atlântica

Pesquisas científicas para conservação de

6

espécies ameaçadas e vulneráveis à extinção

30

projetos para conservação socioambiental

+ de

5,9 mil pessoas capacitadas

em cursos de meio ambiente e sustentabilidade

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3. projetos por localidade

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FOTO: Ilana Bar

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3.1 pontal do paranapanema bioma: Mata Atlântica nº de pessoas beneficiadas: 4.190 região: Oeste de São Paulo desafio: Desenvolver sistemas e meto-

dologias de gestão de paisagens, equilibrando os ganhos socioeconômicos com a manutenção dos serviços ecossistêmicos e conservação de espécies ameaçadas.

principais realizações: Há mais de

23 anos na região, o IPÊ é o responsável pelo plantio de mais de 1.000 hectares de floresta no maior corredor reflorestado do Brasil, que une a ESEC Mico-Leão-Preto ao Parque Estadual Morro do Diabo. As pesquisas com a anta, o mico-leão-preto e a onça pintada já serviram para criação de políticas públicas para salvar essas espécies. Em Teodoro Sampaio (SP), cidade onde o IPÊ consolidou suas ações, a educação ambiental faz parte do currículo escolar municipal. As atividades do Instituto alcançam diversas pessoas desta e de cidades vizinhas, localizadas no entorno de áreas protegidas.

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3.1 pontal do paranapanema

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: UM PONTAL BOM PARA TODOS VI Econegociação debateu desenvolvimento socioambiental sustentável no Pontal do Paranapanema O IPÊ realizou em 2015, com o Parque Estadual Morro do Diabo/Fundação Florestal (SP), o VI Encontro Participativo “Econegociação: um Pontal bom para todos”. Com mais de 100 pessoas, o evento debateu as principais conquistas socioambientais da região nos últimos 10 anos e os desafios para o desenvolvimento sustentável local. Entre os participantes estavam representantes da Fundação Florestal, Divisão de Meio Ambiente e prefeitura de Teodoro Sampaio, Itesp, Sabesp, ICMBio (Estação Ecológica Mico-Leão Preto), CESP, CETESB, Ministério Público de São Paulo, Condema, Comitê de Bacias Hidrográficas do Pontal (CBH-PP), assentados rurais, fazendeiros, entre outros tomadores de decisão, organizações e lideranças que desenvolvem ações com foco socioambiental para a região. Nessa edição foram discutidos os diversos cenários socioambientais da região e suas principais transformações ao longo de mais de 10 anos. A partir de um quadro sobre as melhorias, potencialidades, riscos e obstáculos diante dos cenários socioambientais atuais, os participantes definiram quais são as ações prioritárias para a conservação no Pontal. Para a biodiversidade, por exemplo, a comunidade apontou a necessidade de se aumentar os plantios estratégicos para a formação de corredores florestais aumentando a conectividade entre florestas, e o envolvimento do poder público para ampliar o alcance da educação ambiental nos municípios da região do Pontal do Paranapanema.

Atividades chegam a cidades da ESEC MLP Em 2015, o IPÊ passou a realizar atividades educativas de maior impacto nas cidades que abrigam fragmentos da Estação Ecológica Mico-Leão-Preto (ESEC Mico-Leão-Preto). Para isso, foi além dos limites de Teodoro Sampaio, chegando em Euclides da Cunha, Marabá Paulista e Presidente Epitácio, cidades onde a ESEC está presente. Com a população local, as iniciativas estimulam a valorização e conservação desta espécie ameaçada de extinção, que só existe no Estado de São Paulo e que tem na ESEC um dos seus últimos refúgios de habitat. A Estação Ecológica é uma das principais Unidades de Conservação Federal do Estado de São Paulo, com cerca de 6,7 mil hectares e atualmente conectada ao Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD) por um corredor florestal, restaurado pelo IPÊ. A área é dividida em quatro fragmentos florestais: Água Sumida (1.119 ha), Ponte Branca (1.306 ha), Tucano (2.115 ha) e Santa Maria (2.057 ha).

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Capacitação de professores, oficinas de arte-educação e iniciativas junto ao ensino fundamental foram as estratégias para chamar a atenção para a espécie. Com a Exposição Itinerante sobre o Mico-Leão-Preto nas escolas dessas cidades, o IPÊ espalhou a mensagem a mais de 2 mil pessoas por meio de fotos e vídeos. O trabalho nos municípios da ESEC será contínuo a partir desta experiência, especialmente com a comunidade estudantil e educadores. Só em 2015, mais de 160 professores participaram de três cursos gratuitamente. “O professor tem um enorme potencial de multiplicar o conhecimento para um número significativo de pessoas. E esse trabalho precisa ser contínuo. Se tivéssemos mais professores capacitados na área socioambiental, certamente teríamos uma sociedade bem mais atenta às questões do meio ambiente”, diz Maria das Graças Souza, coordenadora de Educação Ambiental do IPÊ. O contato com a comunidade e instituições locais tem fortalecido ainda mais a presença do IPÊ na região ao longo dos anos de trabalho. Confira a opinião de parceiros e beneficiários dos projetos do IPÊ em www.ipe.org.br/ra2015

“Foi encantador. Descobrimos que mesmo vivendo lado da ESEC, muitas crianças e mesmo os professores não conheciam o mico-leão-preto. Para eles, a Estação Ecológica era somente uma placa. A exposição foi um instrumento importante que despertou a curiosidade dos alunos e dos educadores, além de alguns pais que também passaram por ali. Deste contato, os professores passaram a levar atividades para dentro da sala de aula, enriquecendo seus conteúdos e continuando a falar sobre a natureza local”, comenta Sandra Regina Dezo de Azevedo, da equipe do IPÊ.

Capacitação para geração de renda

Maria Aparecida de Oliveira

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Em 2015, foram realizados dois encontros de artesãs no intuito de apoiar o desenvolvimento de novas alternativas de renda e de valorizar o meio ambiente local junto aos seus moradores. Ao todo, 22 mulheres participaram de aulas sobre criação e qualificação de peças artesanais. Foi o caso de Maria Aparecida de Oliveira. Assentada rural há mais de 16 anos, no assentamento Santa Zélia (Teodoro Sampaio), Cida (como é conhecida) teve na família o incentivo para começar a bordar. Ela diz que o dom veio de berço, e que vem sendo aperfeiçoado junto com o IPÊ, por meio das oficinas do Instituto.


3.1 pontal do paranapanema

RESTAURAÇÃO DA PAISAGEM “A gente viu nos cursos que dá pra gente fazer nossas peças contando nossa própria história. Tudo o que a gente tem no lote de terra, as árvores, os bichos... tudo pode virar artesanato, dando valor pras nossas coisas. Isso incentiva mais a gente. A história da anta marcou muito. Sempre via anta atropelada, coisa aqui da nossa região. Resolvi trazer ela para minhas peças”, conta Cida. O artesanato é um instrumento para transmissão de informação ambiental e uma atividade que vem mudando a realidade de assentados rurais. Confira mais depoimentos em www.ipe.org.br/ra2015.

Corredores de Mata Atlântica Em 2015, o IPÊ continuou as atividades de consolidação do corredor florestal da Mata Atlântica - o maior já reflorestado no Brasil, com 2,3 milhões de árvores. Ele liga duas Unidades de Conservação fundamentais para espécies como o mico-leão-preto e a onça pintada: o Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD) e a Estação Ecológica Mico Leão Preto (ESEC MLP). Ao longo do ano, foram realizados estudos sobre crescimento e função ecológica das árvores em 200 hectares do corredor, plantado na Área de Reserva Legal da fazenda Rosanela, em Teodoro Sampaio. O projeto dos corredores busca solucionar a falta de conectividade entre fragmentos florestais restaurando Áreas de Preservação Permanente (APPs) degradadas e Reservas Legais em propriedades rurais. As áreas prioritárias para a restauração são apontadas pelo “Mapas dos Sonhos”, criado pelo IPÊ. Para implementar o corredor, utilizam-se as mudas de oito viveiros comunitários estabelecidos e apoiados pelo Instituto, que produzem 400 mil mudas de espécies nativas ao ano. O IPÊ lançou o vídeo “Corredores para Vida”, que conta mais sobre esse trabalho. Acesse em: www.ipe.org.br/ra2015.

Representante de Durrell visita Corredores Dominic Wormell, Chefe do Departamento de Mamíferos da Durrell Wildlife Conservation Trust, visitou os projetos do IPÊ no Pontal do Paranapanema. A organização é parceira do Instituto há mais de 20 anos e tem por missão salvar espécies da extinção, entre elas o mico-leão-preto. Para isso, entre outras ações, desde os anos 80 participa do comitê internacional de conservação dos micos-leões e realiza projetos em favor da espécie. Um desses projetos é a campanha “Cans for Corridors”, que arrecada doações em prol do Corredor de Mata Atlântica no Pontal do Paranapanema. “O Cans for Corridors conecta as

pessoas com as questões ambientais para ajudar uma história de recuperação positiva. Tive a oportunidade de ver as primeiras árvores do corredor sendo plantadas e, em visitas subsequentes, tenho visto mais e mais a restauração da terra. Nesta visita vimos o progresso dos corredores. Foi verdadeiramente inspirador ver como os corredores e trampolins ecológicos têm crescido. É um fantástico exemplo de como um trabalho de conservação deve ser executado”, comentou Dominic. Em Pesquisa & Desenvolvimento, saiba como os corredores estão sendo avaliados como capital natural.

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Projeto SAFs Pontal do Paranapanema O desafio do projeto SAFs (Sistemas Agroflorestais) no Pontal do Paranapanema é promover sistemas de produção agroecológicos, que tragam ganhos econômicos, ambientais e sociais para a região. O projeto atende 57 famílias de assentados rurais oferecendo uma alternativa aos sistemas de produção que hoje são inviáveis economicamente para pequenos produtores. Ao mesmo tempo, ajuda a produzir cobertura vegetal na Mata Atlântica, conectando fragmentos florestais a partir do plantio de sistemas biodiversos. Aqui, a agricultura é aliada da floresta. Os SAFs e sistemas silvopastoris são formas de manejo da terra que combinam plantio de árvores nativas com culturas agrícolas, sejam elas perenes ou não. Por meio deles é possível ter um solo mais equilibrado e rico em nutrientes, além de uma produção mais livre de agrotóxicos, usando práticas mais sustentáveis de uso do solo. A

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produção diversificada também é um meio de proporcionar ganhos econômicos ao agricultor. Em 2015, o IPÊ implantou o sistema em 57 hectares de assentamentos, 1 hectare por família. Foram plantadas 2.600 mudas frutíferas, 18.000 mudas nativas e 75.000 mudas de café. Ao diversificar os produtos produzidos no terreno, os assentados estão criando um ambiente mais livres de pragas. Isso ajuda na economia de insumos, na qualidade dos alimentos e, claro, no ambiente. No ano, também foram consolidadas a implantação de 51 ilhas de café com floresta, um sistema de plantio que já deu grandes resultados em anos anteriores, implementado também pelo IPÊ na região. Com o projeto, os assentados tiveram uma oportunidade que dificilmente seria possível devido aos custos de implementação necessários e ainda cumprem com a legislação, plantando em Áreas de Reserva Legal.


3.1 pontal do paranapanema

“Maravilha de ipê!” “Olha que maravilha de ipê! Isso deve ser por causa do adubo, mas também porque aqui a gente planta tudo junto e a coisa vai, né?” No sítio de Rita Rosa Bernadino, abacaxi, lichia, melancia e laranja dividem espaço pacificamente com abobrinha, quiabo, café, mandioca e árvores nativas da Mata Atlântica. Ela é uma das assentadas rurais que participou em 2015 dos dois cursos do IPÊ sobre como manejar o SAF na propriedade e como fazer a gestão da produção. De maneira simples, ela explica o que aprendeu e olha encantada como em sete meses os pés de ipê, canafístula e embaúba que plantou já cresceram. Há 13 anos Rita mora no assentamento Margarida Alves, em Mirante do Paranapanema (SP). Até o ano passado, vivia da produção de leite, de plantar mandioca e quiabo. Hoje, já sente que os plantios nos SAFs estão crescendo mais rapidamente do que no método convencional e que já contribuem para a renda da família. “Já tiramos abóbora e abobrinha, que já vai ajudando a ganhar alguma coisa. E vamos começar a entregar a mandioca. E quando o café tiver grande, vai ser muito bom, porque vai dar pra tirar uma renda boa. É uma coisa que dá trabalho. Não adianta a gente plantar e ir uma vez no mês para limpar o terreno. A gente tem que ralar mesmo. Mas as árvores vão ajudar - quando crescer mais, vão dar sombra e vai ficar mais fácil o trabalho no campo”, afirma. Os ganhos financeiros dos agricultores envolvidos no projeto serão levantados a partir de 2016. Enquanto isso, Rita já pode ver claramente os ganhos ambientais do sistema que, para ela, andam lado a lado com o econômico. “O número de bicho aumentou aqui no lote. Até arara vem aqui. Antes não existia nada, agora tem sombra pra eles, né? Se eu puder entrar de novo no projeto pra aumentar minha plantação eu quero. Mas tem que deixar pros outros também, porque eu acho que eles vão ver o nosso resultado e vão acreditar que dá pra fazer”, diz Rita.

CONSERVAÇÃO DA FAUNA Mico-Leão-Preto (Leontopithecus Chrysopygus) O Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto visa garantir populações viáveis do mico em um habitat mais protegido e menos fragmentado, envolvendo as comunidades no cuidado com esta, que é a espécie símbolo do Estado de São Paulo. Para isso, atua de forma multidisciplinar, com pesquisa, educação ambiental, envolvimento comunitário, e conservação. As pesquisas avaliam a estrutura genética e a diversidade de metapopulação. O IPÊ tem ampliado o número de grupos pesquisados e locais. Está presente em quatro dos cinco fragmentos florestais onde o mico-leão-preto ocorre, no Pontal do Paranapanema. Assim como as ações de educação ambiental, as pesquisas também avançaram para os fragmentos da ESEC MLP em 2015. No ano, cinco grupos foram capturados em três fragmentos e estão sendo monitorados com rádio-colar. Em breve, esses mesmos grupos receberão colares com GPS, uma inovação no monitoramento de primatas de pequeno porte, como os micos. O projeto chegou a registrar 23 indivíduos em um único fragmento (Santa Maria, uma área privada de 467 hectares). Esta é uma das

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maiores densidades já obtidas para a espécie na região. Já são seis grupos de dois a sete indivíduos registrados em 75% da área do fragmento. O número é bom, mas os estudos de área de vida têm mostrado que os grupos estão sobrepondo seus territórios por falta de espaço e disponibilidade de alimentos. Em 2016, o objetivo da pesquisa será justamente investigar quais são os recursos chaves para promover o crescimento e manutenção da população nesses fragmentos pequenos e nas novas áreas restauradas. Uma das apostas é o manejo de habitat. Em parceria com a Durrell Wildlife Conservation Trust já estão sendo desenvolvidos modelos de ocos artificiais que podem auxiliar no manejo dessas espécies em áreas mais degradadas ou plantadas recentemente. Ao todo, as pesquisas de 2015 levantaram amostras para análises genéticas e de saúde de 11 animais, de quatro grupos distintos. Em parceria com a Universidade Estadual Paulista (UNESP), alunos estão sendo treinados em técnicas de campo e coleta de dados para análise de ecologia espacial e dispersão de sementes dos micos.

Boa novidade Em outra área de estudo, a RPPN Mosquito (1300 ha), na cidade de Narandiba (SP), a equipe de pesquisa encontrou em 2015 dois filhotes de micos-leões-pretos, resultado de translocações ocorridas nos últimos anos. A RPPN Mosquito é um remanescente de Mata Atlântica de interior onde não existiam mais vestígios da espécie. A partir de 1995 o IPÊ realizou translocações de mico, como parte do Plano de Manejo Metapopulacional para sua conservação. Inicialmente, dois grupos foram trazidos de uma área de Lençóis Paulista para a RPPN

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Mosquito em caráter experimental. Já em 2007 e 2008, três translocações emergenciais foram feitas da região de Buri para esta mesma área. Encontrar filhotes nessa população é um indicativo de que os grupos translocados podem estar aumentando, embora apenas uma pesquisa mais intensiva possa estimar o impacto destas translocações ao longo do tempo. Uma nova pesquisa está sendo planejada para avaliar a situação da população nesta área e delinear metas para novas ações de manejo, a fim de estabelecer uma população viável a longo prazo no local.


3.1 pontal do paranapanema

Mapa para conexão O IPÊ participa do grupo que elaborou os mapas de áreas prioritárias para restauração, formando o corredor florestal que ligará a Flona Capão Bonito à Serra de Paranapiacaba, no Estado de São Paulo. Esse corredor florestal pode beneficiar o mico-leão-preto ao conectar suas áreas de ocorrência na região fragmentada de Buri ao maior contínuo florestal do Estado, com o objetivo de estabelecer uma segunda população viável da espécie. Para a implementação do corredor, serão necessários plantar 1.000 hectares de florestas em Áreas de Preservação Permanente, distribuídos ao longo inúmeras propriedades localizadas entre as áreas florestais da bacia do Alto Paranapanema. A proposta de reflorestamento para a região foi apresentada aos governos federal e estadual em duas ocasiões: durante um workshop para o desenvolvimento do Plano de Manejo da Flona Capão Bonito e durante reunião da Comissão para a Conservação de Primatas do Estado de São Paulo (Comissão Pró-Primatas). O projeto conta agora com o apoio do ICMBio (Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade) e da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo.

Apresentação de resultados Os resultados das pesquisas do IPÊ com o mico-leão-preto em 2015 foram disseminados em algumas conferências nacionais e internacionais, como no Congresso da Sociedade Brasileira de Zoológicos e Aquários, em Foz do Iguaçu, Brasil, e na Conferência da Associação Europeia de Zoológicos e Aquários (EAZA), na Polônia. Foram cerca de 15 palestras sobre as ações desse Programa de Conservação, nas mais diversas ocasiões, além de cinco matérias publicadas em jornais locais, mais de 15 notícias na mídia nacional online e dois programas de TV nacionais.

Onça-pintada (Pantera onca) Com a iniciativa “Estratégia para Conservação da Onça-Pintada no Alto Rio Paraná”, o IPÊ promoveu uma avaliação dos dados sobre a espécie a partir da reunião das informações de pesquisas de longa duração realizadas por diversas organizações no corredor do Alto Rio Paraná. Essa análise gerou um dos bancos de dados mais completos sobre a onça-pintada na Mata Atlântica. Além disso, ajudou a estabelecer um plano para a conservação da onças-pintadas na região do Pontal do Paranapanema e Bacia do Alto Rio Paraná, que atende aos objetivos nacionais para a proteção da espécie. Como principal estratégia para a conservação da onça-pintada no Corredor de Biodiversidade do Alto Paraná, o plano aponta 10 áreas prioritárias onde devem ser implementados corredores e Unidades de Conservação, a fim de proteger o ambiente utilizado pela espécie. Para indicação destas áreas os pesquisadores combinaram informações do mapa de Alta Adequabilidade de Habitat das onças-pintadas com os mapas gerados em conjunto com a Rede Gestora do Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná. O desenvolvimento do plano se mostra extremamente necessário para a proteção da espécie em longo prazo, visto que ela só persiste no Corredor de Biodiversidade do Alto Paraná por ainda restarem grandes áreas preservadas com recursos disponíveis, porém, vulneráveis.

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3.2 nazaré paulista bioma: Mata Atlântica nº de pessoas beneficiadas: 6.704 região: Sudeste do Estado de São Paulo desafio: Conservar os serviços ecos-

sistêmicos dessa região prioritária para a proteção da Mata Atlântica, com pesquisas científicas e envolvimento da comunidade. As ações propõem novos modelos de uso do solo, práticas de plantio e educação ambiental, favorecendo os recursos hídricos e os remanescentes florestais da região.

principais realizações: Plantio de

300 mil árvores nativas da Mata Atlântica em áreas de mananciais. Maior e mais detalhado mapeamento da situação socioambiental do Sistema Cantareira de abastecimento, fornecedor de água para 14 milhões de pessoas, e cujos dados servirão para estabelecer estratégias de proteção aos seus recursos hídricos. Promoção da Educação Ambiental em 100% das escolas estaduais de Nazaré Paulista e em oito municípios que abrangem o Sistema Cantareira.

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3.2 nazaré paulista

jogos “ProvocAção”. O material, e especialmente o jogo, estimula os estudantes a refletirem sobre ações necessárias à solução dos problemas socioambientais da cidade. Ele foi resultado de uma criação coletiva, uma parceria do projeto “Água Boa” com alunos do Mestrado Profissional da ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (IPÊ) e com os próprios professores da rede pública que opinaram, testaram e aprovaram o Projetos buscam sensibilizar a sociedade para material como ferramenta educativa. a proteção da água A ideia é que os educadores possam usar o material para multiplicar o conhecimento adquirido por meio das atividades do projeto ao longo dos anos, aplicando agora Para o IPÊ, a conservação dos recursos naturais e da biodiversidade só são efetivos quando unidos à educação ferramentas diferenciadas que facilitem o aprendizado de seus alunos em sala de aula. ambiental e envolvimento comunitário. Assim, com os “Para nós, educadores, participar do projeto foi um projetos “Água Boa” e “Nascentes Verdes, Rios Vivos”, o Instituto leva informação a professores e alunos de es- processo bem interessante de transformação da educação municipal de Nazaré Paulista. O IPÊ incluiu em nosso colas locais, incentivando a formação de uma sociedade currículo escolar as nossas riquezas – humana, cultural mais atuante pela proteção ambiental. e ambiental”, comenta a Diretora do Departamento de O “Água Boa” desenvolve a educação e mobilização comunitária para a conservação dos recursos hídricos em Educação do Município, Daniela Matias Zanoni. Além de Nazaré Paulista, outras áreas também serão Nazaré Paulista, especificamente na bacia do Rio Atibainha. Para isso, promove capacitação de jovens estudantes contempladas no decorrer do próximo semestre, começando pelas cidades jurisdicionadas pelas Diretorias de Ensino Médio, capacitação dos educadores da rede Regionais de Ensino de Bragança Paulista e de Mirante municipal de ensino, e produção de material didático do Paranapanema, no estado de São Paulo. O material foi para trabalhar questões socioambientais do município. apresentado também em uma oficina para educadores Em 2015, financiado pelo Fehidro, o projeto encerdurante o XIII Diálogo Interbacias de Educação Ambienrou uma importante etapa, com o lançamento de um tal, em São Pedro (SP). exclusivo material educativo, distribuído gratuitamente Na mesma linha, o projeto “Nascentes Verdes, Rios Via professores e diretores de escolas públicas de Nazaré vos” trabalha para que a comunidade local compreenda o Paulista. Direcionado a docentes, o material é composto trabalho de recuperação florestal do IPÊ, aproxime-se das por um livro e um CD de apoio ao professor e o kit de questões ambientais e se engaje nas atividades. Assim, busca sensibilizar a comunidade estudantil para as ações de restauração ecológica que ocorrem no município; capacita professores e gestores escolares para trabalharem os temas ambientais locais; e promove o envolvimento dos familiares dos estudantes nas atividades. O componente de Educação Ambiental do projeto existe desde 2010 e já faz parte do Programa Pedagógico das escolas estaduais de Nazaré Paulista, contando com o apoio da Diretoria de Ensino Regional de Bragança Paulista, Prefeitura Municipal de Nazaré Paulista e Fundação Itaú Social. Em 2015, foram realizadas 26 atividades de campo com cerca de 650 alunos e 57 professores, 40 palestras, um curso de capacitação para educadores e cinco eventos em todas as escolas estaduais de Nazaré Paulista.

CONSERVAÇÃO DA PAISAGEM E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

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Futuro que nasce no viveiro-escola O IPÊ já plantou no Sistema Cantareira mais de 300 mil árvores nativas, com o objetivo de proteger a água. E graças ao seu viveiro-escola, na cidade de Nazaré Paulista, é que muitas dessas árvores puderam dar origem às florestas que hoje ajudam a garantir a produção e a qualidade da água em uma das regiões mais importantes para a segurança hídrica da cidade de São Paulo. O viveiro é um espaço educativo de grande importância local. Ali acontece o primeiro contato dos estudantes com o projeto “Nascentes Verdes, Rios Vivos”. Junto com os professores e técnicos do Instituto, eles aprendem os passos necessários para cultivar as mudas, aproximando-se ainda mais da realidade ambiental local. Em 2015, o IPÊ conseguiu, com apoio do Fundo Itaú de Excelência Social, melhorar a infraestrutura do viveiro, instalando salas de apoio para as atividades. Também com apoio da sociedade civil, iniciou a campanha para manutenção do viveiro por mais um ano, por meio do crowdfunding via site Catarse. A campanha encerra-se em 2016. Confira mais depoimentos sobre os projetos em www.ipe.org.br/ra2015

Trilha nova “Foi aqui no viveiro que eu descobri que queria Além dos projetos de educação ambiental, o IPÊ protrabalhar na área ambiental. Fui estudante de moveu em 2015 uma capacitação para funcionários da uma das escolas aqui de Nazaré e hoje sou estaprefeitura de Nazaré Paulista, com informações sobre a importância das florestas urbanas, as técnicas de plangiária em educação ambiental. Gostaria muito tios, os cuidados que devem ter com as mudas e a maneique mais estudantes tivessem essa oportunira correta de realizar as podas das árvores que compõem dade assim como eu tive.” Viviane de Almeida, as áreas verdes da cidade. O Instituto também realizou estagiária do IPÊ o plantio de árvores em uma trilha em zona urbana, que hoje é utilizada para visitas guiadas de alunos da rede pública, a fim de disseminar a importância biológica e consequências como a redução da produção e da qualidacultural de algumas espécies. de da água nos mananciais. Na tentativa de reverter esse quadro e contribuir para a segurança hídrica do Sistema Cantareira em longo prazo, o IPÊ desenvolveu o projeto “Semeando Água” (patrocinado pela Petrobras). O trabalho promoveu intervenções em seis unidades demonstrativas nas áreas de abrangência do sistema de APPs do Sistema Cantareira não têm cobertura propondo melhoria da produção e das florestal suficiente para garantir segurança hídrica abastecimento, pastagens, adequação do uso do solo, regularização de APPs e reflorestamento. Pesquisas do IPÊ indicam que 55% do solo em Áreas Em 2015, foram implantados 15 hectares de prátide Preservação Permanente (APPs), que abrangem rios, represas e nascentes do Sistema Cantareira, estão inade- cas de melhoramento do uso do solo em propriedades quados: aproximadamente 41% estão ocupados por pasto nas áreas de abrangência do Sistema Cantareira. Em 30 hectares das seis unidades demonstrativas do projeto degradado e outros usos, e cerca de 14% estão cobertas propriedades que influenciam a captação de água para com eucalipto. Desta forma, as condições ecológicas as represas do Sistema Cantareira - também foi realizado necessárias para a produção e manutenção dos recursos um monitoramento econômico. Nelas, foi desenvolvida hídricos ficam extremamente prejudicadas, levando a

RECURSOS HÍDRICOS

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3.2 nazaré paulista

a metodologia Voisin, de rodízio do gado na pastagem, permitindo a recuperação do solo e sua capacidade de absorção da água da chuva para os lençóis freáticos. Ao final do projeto, foram implantados 34,8 hectares de manejo de pastagem ecológica. “Estimamos que um pasto degradado perca até 60% da sua capacidade para infiltração de água no solo. Com uma cobertura de 30 cm (de capim), essa capacidade sobe para até 70%. Se considerarmos as medidas de adequação do uso do solo dessas pastagens e ainda de restauração florestal, podemos até ter eventos extremos, mas certamente teremos a capacidade de absorvê-los melhor. Considerando esse cenário, com fluxo regular de chuvas, adequação das áreas, conscientização das pessoas, em longo prazo aumentaremos a vida útil dos reservatórios,” explica Alexandre Uezu, pesquisador. Além do manejo do solo, o IPÊ também implantou e fez a manutenção e monitoramento de 10 modelos de restauração de baixo custo, em 15 hectares, que irão indicar quais são os mais adequados e viáveis para a região em termos de economia e aplicabilidade.

Educação e comunicação Complementando a estratégia do projeto para a proteção dos recursos hídricos, o IPÊ realizou também seis cursos de capacitação em propriedades modelos, cinco palestras educativas, oito encontros participativos, um curso para educadores e uma campanha de sensibilização para a conservação da água. As atividades alcançaram mais de 3.000 pessoas diretamente e 13,6 mil indiretamente. Dentre os materiais para a sensibilização da população local, foram criados um video sobre os resultados do projeto e um almanaque de atividades educativas, distribuído gratuitamente em escolas locais. O video e o almanaque podem ser acessados em www.ipe.org.br/ra2015.

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3.3 baixo rio negro bioma: Amazônia nº de pessoas beneficiadas: 1.000 região: Margem esquerda do Baixo Rio Negro e Novo Airão desafio: Implementar modelos inovadores de gestão

territorial e que promovam a qualidade de vida e a conservação da biodiversidade, a partir do apoio a cadeias produtivas sustentáveis. Outro desafio é conservar o peixe-boi-da-amazônia, espécie símbolo local, disponibilizando resultados de pesquisas científicas, atuando em rede com outras organizações e influenciando políticas públicas. principais realizações: Há 15 anos na região, o trabalho do IPÊ já rendeu frutos importantes como o reconhecimento do Mosaico de Áreas Protegidas do Baixo Rio Negro e o processo de recategorização do Parque Estadual Rio Negro - Setor Sul. O Instituto também contribuiu para a formatação de um Roteiro de Turismo de Base Comunitária junto com as comunidades. Os dados de anos de pesquisa do peixe-boi-da-amazônia em vida livre já são aplicados para a proteção da espécie, inclusive em áreas protegidas.

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3.3 baixo rio negro

CADEIAS PRODUTIVAS Soluções para fortalecimento dos empreendedores da sustentabilidade Em 2015, o IPÊ finalizou o projeto “Eco-Polos Amazônia XXI: Desenvolvimento de Cadeias Produtivas Sustentáveis para a Amazônia”, realizado desde 2012 com apoio do Fundo Vale. Com foco nas frentes de Agroecologia, Turismo e Artesanato, o projeto estruturou as cadeias produtivas dessas atividades junto com as comunidades desenvolvendo: pesquisas e diagnósticos; articulação em rede com instituições, fóruns e conselhos; fortalecimento das organizações comunitárias; extensão rural; apoio e investimento em infraestrutura de produção; e incentivo à inserção dos produtos da sociobiodiversidade local no mercado. O “Eco-Polos” foi um grande avanço na atuação do Instituto na região, pois ampliou a sua atuação, trabalhando com mais comunidades do que nos anos anteriores, em um processo de construção participativo. No total, 29 comunidades de seis Unidades de Conservação e entorno fizeram parte do projeto, a maioria formada por agricultores familiares e grupos produtivos de mulheres. Foram 1295 famílias alcançadas por meio de atividades, 270 produtos artesanais e 62 produtos da agrobiodiversidade catalogados, e 20 oficinas de capacitação.

No ano de encerramento do projeto, os grandes destaques foram os resultados em infraestrutura para a produção e prestação de serviços junto com as comunidades. Com apoio do IPÊ e parceiros, os grupos produtivos já contam agora com locais próprios e ferramentas para desenvolverem seus trabalhos, formando, assim, núcleos de atividades sustentáveis. Para a Rede Tucumã, por exemplo, associação formada por agricultores de toda a margem esquerda do Baixo Rio Negro foi construída uma sede na comunidade Pagodão, com participação dos associados. Além disso, um barco foi adquirido para comercialização de produtos da agrobiodiversidade local. Na comunidade de São Sebastião, o Clube de Mães iniciou a reforma de sua sede, com apoio do Consulado da Mulher e com recursos próprios. Em Nova Esperança, onde o Turismo de Base Comunitária é a grande aposta para o desenvolvimento local, foram construídos um restaurante e um redário a fim de receber os visitantes. Para o desenvolvimento do artesanato, a região da margem esquerda do Baixo Rio Negro conta agora também com uma sede para o grupos de jovens artesãos no Aruaú e um Centro de Beneficiamento de Sementes nas comunidades Agrovila do Tarumã (RDS do Tupé) e Terra Preta (RDS Puranga Conquista), com duas estufas de secagem de sementes para as comunidades.

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ARTESANATO Marca e identidade do território Como parte do processo de profissionalização dos artesãos das comunidades Terra Preta, Três Unidos e Nova Esperança, no Baixo Rio Negro, o IPÊ viabilizou a elaboração de uma logomarca para os produtos artesanais, fortalecendo a identidade dos produtos dessa região. Os designers Rozana Trilha e Ricardo Ricco realizaram uma seleção e curadoria de peças que farão parte de um catálogo dos produtos do Baixo Rio Negro. A marca descreve o trançado das fibras, as pinturas corporais indígenas e as formas dos entalhados em madeira. Há também dois traçados identificando as ondas do Rio Negro, que os ribeirinhos têm como única e exclusiva forma de transportar seus produtos para além das comunidades. A cor significa riqueza da floresta Amazônica e a matéria-prima utilizada para a confecção do artesanato: sementes, fibras e resíduos de madeira.

Artesão de carteirinha Em parceria com a Secretaria Estadual de Trabalho (Setrab-Am), o IPÊ realizou, em 2015, a entrega de 144 carteiras de artesão, aos comunitários do Baixo Rio Negro, nas comunidades de Três Unidos, Nova Esperança e São João do Tupé. Este documento garante uma série de benefícios, amparados pelo Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), como a isenção de impostos na emissão de nota fiscal eletrônica e direitos previdenciários aos artesãos. FOTO: Érica Felipo

Intercâmbio cultural Mais uma vez, os artesãos do Baixo Rio Negro tiveram uma oportunidade de trocar experiências com empreendedores de outras regiões do país. Uma atividade de intercâmbio levou sete artesãos das comunidades Terra Preta, Nova Esperança, Três Unidos e Aruaú, a Belo Horizonte para conhecerem o programa “Mãos de Minas”, uma associação autossustentável, que é referência no Brasil por preservar a identidade cultural do artesanato e fortalecer o setor.

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3.3 baixo rio negro

TURISMO O Turismo de Base Comunitária (TBC) é um dos instrumentos utilizados pelo IPÊ para mobilização e geração de renda a comunidades, com base na valorização da sociobiodiversidade local e conservação ambiental no Baixo Rio Negro. As ações para fortalecimento da atividade passam por capacitação dos comunitários, incentivo a melhorias na qualidade dos serviços oferecidos aos turistas, e sensibilização para o apoio da sociedade a esta atividade que visa trazer benefícios sociais, econômicos e ambientais para a região. Foi com esse olhar que, junto com a ONG Nymuendaju e a comunidade, o IPÊ ajudou a elaborar o Roteiro Tucorin (Turismo Comunitário no Rio Negro), realizado em seis comunidades: São João do Tupé, Colônia Central, Julião, Bela Vista, Nova Esperança e São Sebastião. O roteiro proporciona um turismo de imersão na realidade socioambiental da Amazônia. Em 2015, em um esforço com as comunidades, o IPÊ formatou um plano de negócio para o Tucorin, com o objetivo de promover uma estrutura organizacional, econômica e de comunicação para o roteiro. Uma das estratégias do plano é ampliar as vendas do roteiro, garantindo mais sustentabilidade à iniciativa. Para isso, foi sugerida a criação da Associação de Empreendedores, para profissionalização das relações com clientes, fornecedores e parceiros, garantindo a expansão de vendas e, consequentemente, o aumento de renda para as famílias. O plano também propõe padronizar a qualidade de serviço em respeito às singularidades de cada comunidade-território. A implementação do roteiro, assim como a capacitação e fortalecimento dos empreendimentos e comunidades no aprimoramento dos produtos e serviços oferecidos, contam com apoio do IPÊ, Ong Nymuendaju, Semmas, UEA, Departamento de Engenharia civil da UFAM e Sebrae.

FOTO: Guilherme Artigas

FOTO: Guilherme Artigas

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Clube de Mães Maria Inês Vieira dos Santos faz parte de um grupo de 10 mulheres empreendedoras. Assim como boa parte delas, sua rotina de trabalho é dividida entre seu trabalho como professora na escola da comunidade de São Sebastião, área rural de Manaus (baixo Rio Negro) e como participante do Clube de Mães na mesma localidade. Ali, elas iniciam um trabalho que leva o sabor da Amazônia para diversas partes do Brasil, na produção de geleias, biscoitos, balas, entre outros tipos de delícias com o sabores de cupuaçu, cubiu, araçá e castanha, para citar apenas algumas das riquezas culinárias da região. Em 2015, os produtos do Clube de Mães estiveram presentes no Design da Mata, em São Paulo e também nas feiras na cidade de Manaus e shopping centers regionais. Turistas do Roteiro Tucorin também puderam experimentar os sabores da Amazônia, em duas visitas. Ao longo de mais de sete anos junto com a equipe do IPÊ, por meio de projetos com a agrobiodiversidade, Inês comenta a diferença da presença do Instituto na comunidade com as atividades. “O IPÊ proporcionou cursos e organização para nosso grupo. Participamos de várias feiras fora de Manaus e isso deu um impulso muito bom para nossos produtos. Melhoramos o que a gente produzia, agora temos mais qualidade e até criamos novos produtos, com a ajuda do IPÊ. Hoje, a gente sabe fazer, sabe pra onde vender, temos qualidade e variedade. A renda com os produtos é boa, ajuda a pagar algumas contas, entra como renda complementar para nós”, explica ela. Com recursos próprios, apoio do IPÊ e do Consulado da Mulher, em 2015 o grupo iniciou a reforma do espaço. “Colocamos piso, cerâmica, forro, dentro dos padrões para a produção. Todo mundo gosta quando vê. Agora nosso espaço está mais confortável para trabalhar e também receber os turistas e quem quiser visitar”, conta orgulhosa.

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3.3 baixo rio negro

AGROBIODIVERSIDADE Legado para a agricultura com a Rede Tucumã Com base no conceito da Sociobiodiversidade, que valoriza as tradições e o “saber-fazer” das populações tradicionais, as ações do IPÊ estimulam a produção agroecológica entre os pequenos agricultores locais. Na região, o Instituto promove capacitação e assessoria no acesso a políticas públicas de produção e comercialização para agricultura familiar, além de extensão rural. Assim, fortalece a agricultura, aliando melhoria da produção com qualidade de vida e conservação da biodiversidade. Um dos grandes resultados desse trabalho no último ano foi a consolidação da Rede Tucumã, associação formada por 30 pequenos agricultores locais. Além de construírem a sede e obterem o barco para começar em breve a escoar os alimentos produzidos, os próprios comunitários vêm se organizando com o objetivo de captar recursos para dar continuidade aos seus projetos. Essa organização já deu resultado. A rede receberá até 2016 recursos do Fundo Socioambiental CASA, obtido por meio do edital “Fortalecimento de Comunidades na busca pela Sustentabilidade”. Sempre atento a reuniões e atividades para o desenvolvimento de projetos para a comunidade, Nidoval Souza dos Santos participou de inúmeros cursos oferecidos pelo IPÊ durante o projeto “Eco-Polos”. Um dos fundadores da rede Tucumã, ele conta que busca conhecimento para contribuir com os agricultores e que tem como meta, junto com os associados, atender mais de 600 famílias. “Fui buscando conhecimento para que melhorar a vida do produtor e tive muito aprendizado, por exemplo, sobre o que é uma associação e como funciona. Participei dos intercâmbios pra conhecer outros projetos e das oficinas para saber como fazer o SAF. Agora coloco em prática o que aprendi. Queremos atender 29 comunidades dentro da área de atuação da associação, que é de 100 quilômetros ao longo da margem esquerda do Rio Negro”, comenta.

ARQUIVO PESSOAL

“Falavam tanto de desenvolvimento sustentável aqui na região, mas a gente sempre esbarrava na venda dos produtos e não ia pra frente. Não pela falta de comprador, mas não tinha como chegar nas cidades. Nosso produto é diferenciado, não tem agrotóxico e é baseado no SAF (Sistema Agroflorestal), então tem muita procura e pode gerar renda para as famílias daqui. Apesar de termos ainda muitos sonhos a realizar, já conseguimos algumas coisas. Por exemplo, agora com o barco, a safra de cupuaçu não vamos perder mais por falta de transporte para levar até Manaus. Antes estragava e era um desperdício muito grande. Agora é renda pro produtor. Antes do IPÊ só tinha esperança, mas agora estamos fazendo mesmo!”, conta Nidoval Souza dos Santos, morador de São João do Tupé.

Produtos orgânicos Com o olhar direcionado a uma produção mais sustentável, o IPÊ apoia iniciativas que estimulam a produção orgânica na região. É o caso da Semana dos Alimentos Orgânicos, evento que promove a produção e o consumo destes produtos. Em Manaus, o evento de 2015 foi organizado pela Comissão de Produção Orgânica do Amazonas e Rede Maniva de Agroecologia (REMA), das quais o IPÊ e diversas organizações fazem parte.

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3.4 pantanal e cerrado bioma: Pantanal e Cerrado nº de pessoas beneficiadas: 1.300 região: Mato Grosso do Sul desafio: Desenvolver ações de pesquisa e conservação

da anta brasileira (Tapirus terrestris) e tatu-canastra (Priodontes maximus) e seus habitats no Pantanal e no Cerrado. Por meio de projetos, são realizados: pesquisa científica em ecologia, saúde e genética das espécies; educação ambiental; treinamento e capacitação; turismo científico; e comunicação. principais realizações: Produção do mais completo banco de dados e informações sobre a anta brasileira no mundo, fundamental para o planejamento de ações para a sua conservação nos âmbitos regional, nacional e em 11 países sul-americanos. Com a expansão para o Cerrado, já são três os biomas cobertos por estudos com a espécie. Com o projeto Tatu-Canastra, foi possível realizar um levantamento de dados inéditos sobre o comportamento da espécie, que contribuem para futuros planos de conservação.

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3.4 pantanal e cerrado

CONSERVAÇÃO DA FAUNA: Anta Brasileira (Tapirus Terrestris) As pesquisas da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB) passaram a incluir em 2015 novas áreas de estudo no Cerrado, no Mato Grosso do Sul (MS). A cerca de 130 quilômetros da capital Campo Grande, a equipe avalia o impacto de diferentes ameaças às antas no bioma. Este é mais um importante passo no trabalho de pesquisa para a conservação da anta brasileira, que em 2016 completa 20 anos. Os estudos já passaram pela Mata Atlântica, na região do Pontal do Paranapanema (de 1996 a 2008), e continuam acontecendo no Pantanal do Mato Grosso do Sul (desde 2008). “Na Mata Atlântica, analisamos os impactos da destruição e fragmentação de habitat. No Pantanal, analisamos as populações em vida natural, com poucas ameaças. Agora, no Cerrado, queremos entender como os atropelamentos em rodovias, o avanço da agricultura em larga escala (sobretudo soja e cana), pecuária de alta densidade, caça e muitas outras ameaças impactam a sobrevivência da espécie”, afirma Patrícia Medici, coordenadora da INCAB-IPÊ.

Resultados de 2015 Ao todo, aconteceram nove expedições: quatro no Pantanal e cinco no Cerrado, capturando 21 antas. No Pantanal, as antas são capturadas por armadilhas de caixa e tiros à distância. Apenas na área da Fazenda Baía das Pedras, local de estudo do Programa Pantanal, 19 foram capturadas, passando por exames de saúde e de genética. Seis indivíduos eram novos, o que amplia o volume de informações sobre a espécie no bioma. Cinco foram equipados com coleiras de GPS e colares expansíveis para monitoramento.

Nos últimos sete anos, 54 indivíduos já foram capturados e monitorados continuamente na Fazenda Baía das Pedras. Mais de 250.000 localizações foram identificadas por telemetria, dando origem a 270 mapas sobre a ecologia espacial e interações intraespecíficas da espécie.

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No Cerrado, duas antas foram capturadas em armadilhas e uma delas, um macho, equipada com colar de GPS. Além disso, amostras de material biológico (sangue, tecido, pelos, ectoparasitas dentre outras) foram recolhidas para estudos genéticos e epidemiológicos. Um fato relevante do ano foi o número de antas mortas por atropelamento: 50 em apenas quatro rodovias do Cerrado.

Ações complementares geram impacto na conservação Utilizar a anta como espécie bandeira em programas de educação ambiental é uma meta da INCAB. Cerca de 1.300 pessoas foram alcançadas por esse trabalho: 25 professores, mais de 1.000 crianças, adolescentes e jovens adultos em escolas rurais e urbanas, 50 trabalhadores de fazendas, cerca de 200 pequenos agricultores em três assentamentos rurais. Mais de 40 zoológicos em nove Estados brasileiros participaram da campanha “Minha Amiga é uma Anta” junto com a Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil, chegando a mais de 45 mil pessoas. Adicionalmente, o trabalho busca capacitar novos profissionais de conservação. Em 2015, 600 alunos de graduação e 345 profissionais da área participaram de palestras e cursos; três veterinários foram treinados em captura, anestesia, e manipulação de antas em vida livre. Com o turismo científico, a iniciativa alcançou 111 visitantes. Um deles, Manolo García, pesquisador que trabalha com a anta centro-americana na Guatemala e membro do Grupo de Especialistas em Antas (TSG) da IUCN. O pesquisador, que já foi aluno do curso de Biologia da Conservação no IPÊ, é agora um dos poucos profissionais no mundo a se dedicar à conservação da anta centro-americana. O seu objetivo ao acompanhar a expedição foi entender melhor as metodologias de pesquisa usadas pela INCAB no campo.

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“Achei muito interessante a forma como a equipe trabalha e organiza as atividades. Os estudos que estão planejando para cá (Brasil) certamente poderão ser aplicados para outras espécies de antas como a centro-americana. Ninguém no mundo está capturando tantas antas para pesquisa como Patrícia Medici aqui no Brasil. E ninguém sabe mais de ecologia espacial do que a equipe daqui. Esta é uma excelente oportunidade através da qual é possível ter uma ideia boa de como é a relação entre as antas, os espaços de uso na floresta, entre outras informações que serão chave para desenvolvermos um estudo similar com as antas na Guatemala”.


3.4 pantanal e cerrado

creditos: Ronald Rosa

Movimento nas redes sociais visou reverter a imagem negativa das antas A comunicação é uma ferramenta de sensibilização para a conservação da anta brasileira. Em 2015, junto com o veterinário e ilustrador Ronald Rosa, a INCAB lançou um movimento via redes sociais a favor de animais que sofrem por terem seus nomes utilizados pelas pessoas de forma negativa, como a anta. Para criticar o costume brasileiro de utilizar “anta” como forma de insulto, foram publicadas a cada semana, por 12 semanas, ilustrações apresentando a espécie interagindo com outros animais que, assim como ela, também têm seus nomes utilizados de maneira pejorativa, como a baleia, a cobra, a galinha entre outros.

Além da campanha, o projeto foi tema de seis reportagens na imprensa internacional e 17 na imprensa nacional. Foram realizadas também 12 apresentações em encontros e conferências nacionais e internacionais; participação em 16 reuniões locais com outras organizações de conservação; 66 contribuições para materiais sobre conservação; três artigos científicos publicados; preparação de quatro capítulos de livros e cinco artigos científicos (em andamento). Outra ação relevante em 2015 foi o talk de Patrícia Medici no TED - Ideas Worth Spreading, que gerou mais visibilidade para a causa. Até o final de 2015, mais de 600 mil pessoas acessaram o vídeo. Assista aqui: www.ipe.org.br/ra2015

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Tatu-Canastra (Priodontes Maximus) Ano importante para o tatu-canastra Educação ambiental e disseminação da causa

O principal objetivo dos estudos com o tatu-canastra é investigar a ecologia e biologia da espécie e compreender a sua função no ecossistema, usando rádio transmissores, armadilhas fotográficas, monitoramento, mapeamento de recursos e entrevistas. Iniciado em 2011, o projeto documentou o importante papel da tatus gigantes como engenheiros do ecossistema e obteve novas informações sobre saúde, dieta, reprodução e comunicação. Em 2015, o trabalho com o tatu-canastra conseguiu significativos progressos, mesmo com as dificuldades de localização em suas tocas e a raridade de avistamentos em suas grandes áreas de vida. Três novos tatus gigantes foram capturados e oito indivíduos recapturados e equipados com GPS. Ao todo, desde o início do projeto, 20 indivíduos foram capturados para a pesquisa. Com a implantação do GPS, a qualidade dos dados fornecidos foi melhorada significativamente.

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As pesquisas epidemiológicas com os tatu-canastra e outras três espécies de tatus também já resultam em informações importantes para a saúde do animal, na área de estudo do projeto, no Pantanal. O veterinário do projeto, Danilo Kluyber, apresentará a análise final em 2016, verificando nos animais a prevalência de quatro zoonoses responsáveis pela doença de Chagas, leishmaniose, hanseníase e paracoccidiomicose. O trabalho visa compreender como a medicina da conservação pode beneficiar a saúde humana. Apesar dos sucessos, um grande revés na pesquisa em 2015, foi a morte do tatu Alex, que vinha sendo monitorado há cerca de dois anos. Pesquisar esse filhote e seu relacionamento com a mãe trouxe relevantes informações sobre a espécie. As imagens capturadas por cameras-trap de mãe e filhote, inclusive, foram finalistas do prêmio BBC Wildlife.

WORKSHOP: Em 2015, o projeto organizou a 1a Oficina de Avaliação e Desenvolvimento de Pesquisas em Saúde com Tatus “in situ”, no Zoológico de São Paulo. Pesquisadores e colaboradores que usam as amostras capturadas durante saídas de campo do projeto apresentaram os resultados de suas pesquisas e discutiram sobre análises dos materiais coletados. Cerca de 30 especialistas estiveram presentes também discutindo sobre novas parcerias e linhas de pesquisa. DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: Para o componente de educação e comunicação do trabalho com os tatus, o projeto utiliza a divulgação por meio da imprensa (revistas, notícias, televisão e mídia social) e estabelece parcerias para campanhas de sensibilização. Em 2015, foram realizadas 39 apresentações em conferências, universidades, instituições de pesquisa e zoológicos. Além disso, três artigos foram submetidos para publicação.


3.4 pantanal e cerrado

No Pantanal, na Fazenda Baía das Pedras, apoiadora do projeto, a equipe faz apresentações e fornece materiais sobre o trabalho aos turistas que visitam a fazenda. O mesmo ocorre nas escolas rurais locais. Além do suporte para as suas atividades, o projeto conta com apoio da comunidade e de vizinhos e trabalhadores da fazenda na busca de pistas, tocas e outras evidências dos tatus-canastra. A campanha junto com a Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB), em zoológicos brasileiros foi concluída em 2015. Mais de 100.000 pessoas foram alcançadas pelas ações, que contaram com a participação de 25 jardins zoológicos. Os materiais educativos foram traduzidos para o espanhol por voluntários da Associação Latino Americana de Zoológicos e Aquários (ALPZA) e lançados em zoológicos latino-americanos.

No Cerrado, projeto busca apoio da comunidade para encontrar tatus

Reconhecimentos Os esforços do projeto Tatu-Canastra pela conservação da espécie no Pantanal e no Cerrado foram reconhecidos por meio da homenagem “Ecologia e Ambientalismo” na Câmara dos Vereadores de Campo Grande (MS). Além disso, o trabalho do coordenador do projeto, Arnaud Desbiez, obteve aquele que é considerado o Oscar da conservação mundial, o Whitley Awards, recebido pelas mãos da princesa Anne. Saiba mais em Destaques.

Tamanduás na mira Além dos tatus, a equipe vem se dedicando ao estudo também do tamanduá-bandeira no Pantanal. Em 2015, seis animais foram capturados para estudo e três deles continuam sendo monitorados. O objetivo deste trabalho é promover um estudo comparativo sobre o comportamento dos tamanduás do Pantanal com tamanduás reintroduzidos em Ibera, Argentina.

Já estabelecido no Pantanal, o projeto Tatu-Canastra iniciou nova fase no Cerrado de Mato Grosso do Sul (MS), em 2015. Na região, os pesquisadores buscam apoio da população para localizar rastros da espécie ao longo de áreas do bioma. Mesmo sendo o maior dentre todos os tatus, o canastra tem hábitos noturnos e é um animal críptico (com coloração semelhante ao seu habitat), fatores que dificultam o seu avistamento, mesmo em regiões de maior ocorrência. Para mapear as áreas de ocorrência de tatus, os pesquisadores pedem que os moradores do MS relatem indícios de rastros, pegadas, tocas e fezes da espécie. Para isso, distribuem panfletos e cartazes e disponibilizam informações no site www.vivatatu.com.br, ajudando as pessoas a reconhecerem os sinais de tatus nas redondezas. “Temos tido respostas positivas das comunidades locais. É o que chamamos de Ciência Cidadã. Todas as informações serão investigadas. O mais importante é que estamos criando um grande interesse nas pessoas pela espécie que quase ninguém conhece. A partir disso, as pessoas reconhecem a importância dos tatus e tornam-se também agentes na sua conservação. Este tem sido um instrumento de divulgação extraordinário que realmente aproxima o projeto da população local.”, afirma Arnaud Desbiez, coordenador. Para as pesquisas no Cerrado, já foram coletados todos os locais onde existem tatus-canastra, a partir de bases de dados governamentais, inventários de biodiversidade e entrevistas com organizações e estudantes. Mais de 30 localizações foram obtidas e, com as entrevistas de 2015, 20 novos locais de aparecimento da espécie foram identificados.

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4 .1 ÁREAS PROTEGIDAS Em parceria com diversas instituições, o IPÊ colabora para o desenvolvimento e conservação efetiva de áreas protegidas em todo o Brasil. Elaboração de planos de manejo para as Unidades de Conservação (UCs), capacitações de gestores dessas áreas, atividades junto a comunidades de dentro e do entorno das UCs são algumas das atividades com resultados importantes na manutenção dos recursos naturais dos biomas brasileiros.

4. projetos temáticos

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4. projetos temáticos

Planos de manejo Em uma parceria com a Fundação Florestal do Estado de São Paulo, o IPÊ iniciou, em 2015, a elaboração do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental da Ilha Comprida (APAIC). A APAIC foi instituída no ano de 1987 e abrange o município de Ilha Comprida, que possui um território de 17.572 hectares, em São Paulo. Protege matas de restinga, dunas, praias e manguezais. A APA enfrenta uma série de desafios, entre eles, a necessidade de compatibilizar a conservação da área com o processo de ocupação do território. Em 2016, o plano deverá ser entregue. Além deste, o IPÊ foi o articulador do – Plano de Manejo do Parque Natural Municipal Augusto Ruschi (São José dos Campos-SP) e da Proposta de modelo de gestão e integração entre as áreas protegidas da Região do Banhado, áreas de São José Aurelice Vasconcelos dos Campos (SP).

Monitoramento participativo de biodiversidade Desde 2013, o IPÊ atua na implementação de um Programa de Monitoramento Participativo da Biodiversidade, em parceria com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) . O trabalho acontece em sete Unidades de Conservação (UCs) federais da Amazônia: Reserva Extrativista (Resex) do Cazumbá-Iracema/AC, Floresta Nacional (Flona) do Jamari/RO, Parque Nacional (Parna) do Jaú /AM, Reserva Extrativista (Resex) do Rio Unini/AM, Parque Nacional (Parna) das Montanhas do Tumucumaque/AP, Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns/PA e Reserva Biológica (Rebio) do Uatumã/AM. A principal motivação do trabalho é acompanhar o estado de conservação da biodiversidade nessas UCs e envolver a comunidade local na gestão dessas áreas, usando o monitoramento como ferramenta para

garantir a conservação, o manejo e o uso sustentável dos recursos naturais e da biodiversidade. O monitoramento em cada UC acontece durante todo o ano, com a execução do Protocolo Mínimo, estabelecido junto ao ICMBio, e o Protocolo Complementar, construído coletivamente com comunitários, sociedade civil, universidades e gestores públicos.

Ao longo de dois anos foram realizados 90 eventos com 1.879 participações. A aplicação de oito cursos resultou na formação de 179 monitores ambientais. Reuniões, encontros e oficinas com parceiros locais (ONGs, Universidade e Agentes Públicos) são estratégias usadas na continuidade do processo do monitoramento participativo ao longo dos anos.

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Em 2015, foram promovidos três eventos formativos com 98 participantes, 20 eventos de amostragem do protocolo mínimo, com 93 monitores, 10 eventos de amostragem do protocolo complementar, com 111 participantes. Ao todo, 24 instituições e 58 comunidades estão envolvidas na iniciativa. No ano, monitores realizaram sete amostragens nas UCs. Foram avaliados: quelônios aquáticos na Resex Unini e no Parna Jaú; macroinvertebrados, peixes e parâmetros ambientais no Parna Tumucumaque; caça e exploração madeireira na Resex Tapajós-Arapiuns; desembarque pesqueiro do tucunaré na Rebio Uatumã; e médios e grandes mamíferos na Flona Jamari. Adicionalmente, foi realizado o monitoramento de mamíferos, aves, plantas e borboletas frugívoras, em seis UCs, totalizando 12 trilhas de 5km percorridas nas estações seca e cheia. Cada atividade foi precedida por uma ação de mobilização, reuniões participativas e capacitação, criando espaços que favorecem o diálogo, o intercâmbio de experiências e a agregação de conhecimento de diferentes atores. A evolução do projeto em benefício das UCs tem relação direta com envolvimento de comunidades, parceiros, instituições locais e órgão gestor (ICMBio).

Motivação e sucesso na gestão de UCS Projeto em parceria com o ICMBio (Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade) busca promover aumento na qualidade da gestão das Unidades de Conservação (UCs) federais no Brasil. Desde 2012, desenvolvem-se soluções inovadoras e criativas para melhorar a gestão das áreas protegidas no Brasil, estimulando as competências proativas das equipes das UCs. Ao todo, o projeto beneficia 86 gestores de forma direta, com capacitação, formulação e desenvolvimento de projetos conjuntos. Após lançamento em 2014 de uma plataforma online e uma revista bilíngue (Português e Inglês) sobre Práticas Inovadoras na Gestão de Áreas Protegidas, em 2015, o projeto passou a investigar mecanismos inovadores de contratação de comunitários e pessoas que moram dentro ou no entorno de Áreas Protegidas para apoiar a gestão desses espaços. A iniciativa é apoiada pela Betty and Moore Foundation. Para saber mais: www.icmbio.gov.br/praticasinovadoras

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4.2 ANÁLISE DE SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS E CAPITAL NATURAL PESQUISA & DESENVOLVIMENTO Com base em estudos genéticos e em parceria com grandes empresas, o IPÊ tem avaliado como a biodiversidade, os serviços ecossistêmicos e o capital natural respondem a projetos de restauração florestal realizadas pela iniciativa privada. As atividades acontecem em áreas restauradas ou em restauração das empresas, buscando entender a viabilidade dos projetos e propor mecanismos para maior efetividade dos mesmos. Em 2015, teve início o projeto “Desenvolvimento de Tecnologias para Valoração de Serviços Ecossistêmicos e do Capital Natural em Programas de Meio Ambiente”. O trabalho visa elaborar tecnologias para valoração de serviços ecossistêmicos e do capital natural em empresas, programas de revegetação e corredores ecológicos no Pontal do Paranapanema, extremo oeste Paulista. Entende-se por capital natural a somatória de todos os benefícios que os ecossistemas equilibrados fornecem ao homem, dos mais tangíveis (água potável, alimento e madeira), aos mais abstratos (valor espiritual e cultural que os ambientes naturais representam para diversas comunidades). O projeto acontece com a Duke Energy Paranapanema S.A., a Fazenda Rosanela, a ESEC Mico Leão Preto e o Parque Estadual do Morro do Diabo, com o intuito de


4. projetos temáticos

analisar quatro serviços ecossistêmicos chaves: sequestro de carbono, qualidade da água, qualidade do solo e biodiversidade, nas áreas financiadas pela empresa no projeto Corredores da Mata Atlântica. Entre outros resultados, ao final das atividades desta etapa do projeto, serão criadas uma ferramenta de baixo custo para a valoração do “Capital Natural” para empresas do setor elétrico e uma ferramenta rápida e de baixo custo para medir a biomassa florestal dos reflorestamentos e o volume de carbono neutralizado (sequestrado) nas áreas restauradas. O projeto visa também medir a qualidade da água e dos processos erosivos, mostrando como a floresta restaurada melhora a qualidade da água nos reservatórios. Além disso,

também está prevista a produção de um manual com protocolos de valoração de serviços ecossistêmicos para empresas, sejam do setor elétrico, mineração, celulose e papel, sucroalcooleiro e saneamento básico. Com o projeto “Desenvolvimento de Metodologia para o Equilíbrio Ecológico de Corredores Florestais no Entorno de Reservatórios Baseado em Genética Metagenômica”, também iniciado em 2015, são avaliados (por meio de estudos de DNA da biodiversidade) o solo, a conectividade entre Áreas de Preservação Permanente (APPs) plantadas no entorno de mananciais, a qualidade da água e os serviços ecossistêmicos. O trabalho acontece em áreas restauradas pela AES, nos municípios de Caconde e Promissão, no estado de São Paulo.

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Ao conquistar parceiros, promover ideias inovadoras e integrar comunidades com vistas ao desenvolvimento socioeconômico, a Unidade de Negócios Sustentáveis do IPÊ contribui para que a causa socioambiental esteja em evidência de diversas maneiras, beneficiando os mais diversos públicos.

5. parcerias institu­ cionais e campanhas

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5. parcerias institucionais e campanhas

PARCERIAS Design da nossa terra Em 2015, pela primeira vez sob coordenação do IPÊ, o Design da Mata promoveu quatro eventos na cidade de São Paulo, para divulgação e comercialização da arte tradicional de comunidades de cinco biomas brasileiros. Ao longo desse ano, toda riqueza socioambiental da Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Caatinga e Campos Sulinos traduzida em forma de artesanato, gastronomia, música e cultura - conquistou o público da cidade de São Paulo em locais como A Casa - Museu do Objeto Brasileiro, MADE - Mercado Arte e Design -, 16º Puro Design Handmade, Feira Rosembaum e loja Paula Ferber. O interesse pelo talento de comunidades tradicionais teve um resultado significativo. Nesse ano, foram mais de 1.400 produtos comercializados de 28 grupos de artesãos; apresentações culturais de música, teatro, poesia; e R$ 83.177,00 reais destinados aos comunitários. Mais do que a comercialização de produtos, o Design da Mata estimulou nos visitantes de seus eventos o reconhecimento pelo trabalho dessas comunidades e a valorização da biodiversidade da qual todos somos parte. Esse tem sido o espírito das ações desenvolvidas em cinco anos de projeto: por um consumo mais consciente, com valor socioambiental. A grande inovação no ano foi a viagem de imersão promovida pelo Design da Mata na Amazônia, criando uma conexão maior do público consumidor com algumas comunidades participantes do projeto. A bordo do Barco Maíra I, oito viajantes passaram pelo Baixo Rio Negro, Anavilhanas e Manaus, vivenciando o turismo de base comunitária. Acompanhados pelos técnicos do IPÊ, conheceram artesãos indígenas, ribeirinhos e empreendedores comunitários, provaram da culinária regional, e contribuíram com reflexões em grupo sobre os valores e práticas que acercam essa cultura.

FOTO: Divulgação

“Sempre usei a arte popular em meus trabalhos e estar junto com os artesãos talentosos como os do Rio Negro foi muito inspirador. Projetos como esse aproximam o público dessa arte, que deve ser vista com muito orgulho. Foi ótimo ter esse contato com a comunidade e pensar como a minha marca pode se unir ao trabalho desenvolvido ali”. Paula Ferber, designer de sapatos.

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POR UMA CULTURA DE DOAÇÃO Para apoiar o movimento que estimula uma cultura de doação no Brasil, o IPÊ vem criando mecanismos e desenvolvendo parcerias com organizações para se aproximar de indivíduos potenciais doadores para a causa socioambiental.

Natureza no pé com Havaianas IPÊ No 11º ano de parceria, as Havaianas lançaram em 2015 os novos modelos IPÊ com os desenhos da borboleta-estaladeira, do falcão-de-coleira e do gato-do-mato. Foram vendidos 932.682 pares e arrecadados R$ 690.541,48, destinados ao Instituto. Assim como nas coleções passadas, a parceria busca divulgar as belezas da natureza brasileira e apoiam o IPÊ com 7% do valor líquido das vendas. Até 2015, mais de 6 milhões de reais foram arrecadados para a causa.

Get2gether apoia causas de organizações como o IPÊ Lançado em junho de 2015, o site Get2gether é uma plataforma que tem como objetivo reunir pessoas, empresas e causas sociais e ambientais em torno da cultura de doação no Brasil. É possível contribuir de duas maneiras: Doações diretas para as ONGs, e via Clube do Bem, quando o doador escolhe um plano que caiba no orçamento e ganha uma carteirinha para aproveitar benefícios exclusivos de um sócio-doador. www.get2gether.com.br

Tribanco Parceiro do IPÊ há nove anos, o Tribanco contribui com o Instituto por meio de doações atreladas a alguns dos seus produtos financeiros. A cada operação do Produto Crédito Certo Tribanco (CCT) , são doados R$0,10. Além disso, 1 centavo de cada fatura paga na Tricard também é direcionado ao IPÊ, colaborando com o fundo financeiro para a sustentabilidade dos projetos de conservação socioambiental. Ao todo foram doados R$62.114,10 em 2015. Também em parceria com o IPÊ, a empresa realiza programas internos, eventos de endomarketing e comunicações sobre sustentabilidade aos seus colaboradores.

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Dia de Doar via crowdfunding O Dia de Doar 2015 aconteceu em 1º de Dezembro! O IPÊ participou do movimento por meio da campanha de crowdfunding Viveiro Vivo, para arrecadar recursos para a manutenção do Viveiro em Nazaré Paulista.


5. parcerias institucionais e campanhas

“Temos trabalhado junto com o IPÊ experimentando treinamentos nas lojas parceiras em conjunto. É muito interessante porque as pessoas da instituição agregam muito no momento em que vão explicar como a doação impacta a causa pela qual trabalham. É perceptível o desenvolvimento e o crescimento das doações nas redes onde fizemos esse trabalho. Os treinamentos conjuntos impactam significativamente na adesão das lojas pelo movimento arredondar e pela causa com a qual eles colaboram. Falar diretamente para a pessoa, envolve muito mais”, afirma Nina Valentini, diretora executiva do Movimento Arredondar.

Um ano redondo para a causa O Movimento Arredondar surgiu em 2011 com a proposta de fazer valer muito cada centavo! A ideia é que ao fazer suas compras nos estabelecimentos parceiros, o consumidor possa optar por “arrendondar” o total gasto, doando os centavos para instituições sociais e ambientais sem fins lucrativos, que atuam em causas relacionadas aos Objetivos do Milênio. Essa ideia caminhou muito desde então. Em 2015, 21 parceiros participaram, apoiando 16 instituições e arrecadando R$164.796,99 ao todo. Dentre 335 organizações que participaram da seleção para receber as doações, o IPÊ foi uma das escolhidas, e 2015 foi o segundo ano consecutivo em que o Instituto se beneficiou dos repasses de consumidores doadores de lojas que arredondam para o meio ambiente: Luigi Bertolli, Offashion, Havaianas, Meggashop, Timberland e Emme. Neste ano, R$ 59.384,99 foram destinados ao IPÊ. A equipe do Instituto está em constante contato com as lojas parceiras, levando informações sobre o trabalho e estimulando a participação das pessoas.

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Ecoswim reuniu mais de 600 participantes Em 2015, muita gente colaborou com a Mata Atlântica no Ecoswim! Foram 611 nadadores, organizados em equipes, para uma competição que valeu a proteção das florestas e da água no Sistema Cantareira: o valor das inscrições (R$4.000,00) foi destinado para a manutenção do viveiro de mudas do IPÊ, usado para restaurar a floresta na região de Nazaré Paulista (SP). A iniciativa da equipe de natação da Poli USP aconteceu em Santo André (SP), no Complexo Pedro Dell’Antonia. Ao todo, 45 equipes nadaram 200.000 metros. A equipe da Poli visitou o IPÊ e plantou algumas mudas com a equipe representando os participantes do evento!

ACÕES COM A COMUNIDADE

“Vemos que a postura das artesãs passou a ser muito mais participativa em relação aos rumos que o grupo deve adotar, principalmente, no que se refere a clareza dos papéis e responsabilidades de cada uma para o sucesso do negócio.”, comenta a coordenadora Fernanda Pereira. 52

Proporcionar um novo olhar para a realidade socioambiental local e buscar novos caminhos para geração de renda, mais sustentável e justo. É desta forma que as ações do IPÊ chegam a grupos como o de bordadeiras, em Nazaré Paulista (SP). Com a iniciativa “Entrelaçando vidas e costurando caminhos para a conservação da biodiversidade”, o grupo participou de cinco oficinas de capacitação em gestão da produção e comercialização de produtos artesanais, com base em práticas participativas, empreendedoras, coletivas, sustentáveis e solidárias. O grupo de bordadeiras já existe desde 2002, pelo projeto “Costurando o Futuro”. Elas produzem peças que retratam a biodiversidade brasileira, as mulheres melhoram a renda familiar e ainda divulgam a riqueza natural da Mata Atlântica, região onde vivem. Capacitá-las sobre questões relacionadas à gestão da produção era algo necessário além das oficinas de atualização de modelos e técnicas de artesanato já realizadas. Além disso, o projeto ampliou a participação das mulheres em feiras e eventos para a venda dos produtos. O reflexo dessa ação pôde ser sentido em números. A renda média gerada de setembro de 2014 a outubro de 2015 foi de 1.168,22, cerca de R$97,35 mensais, um aumento de 100% sobre o período anterior. A avaliação sobre o desenvolvimento do grupo terá continuidade em 2016, por meio de um plano de ação.


5. parcerias institucionais e campanhas

LOJA DO IPÊ

A Loja do IPÊ é um dos canais onde as comunidades do Pontal do Paranapanema, Nazaré Paulista e Baixo Rio Negro divulgam e comercializam seus produtos. Café sombreado, bucha agroecológica e artesanato dessas regiões podem ser encontrados no site www.lojadoipe.org.br. A venda dos produtos na loja beneficiou 39 famílias em 2015. Confira depoimentos e entrevistas com parceiros em www.ipe.org.br/ra2015

CAÇA TALENTOS

Com apoio do Instituto Lojas Renner, o IPÊ iniciou em 2015 o projeto “Talentos da Natureza”, com o objetivo de identificar moradoras de Nazaré Paulista (SP) com as mais diversas habilidades, sejam elas em artesanato, produção agroecológica ou outras atividades. A partir dessa identificação, em 2016, essas moradoras serão capacitadas para a criação e o desenvolvimento de produtos ou serviços que estejam alinhados a essas habilidades e que privilegiem práticas sustentáveis e ainda sejam capazes de gerar renda adicional para as suas famílias. Com esse processo, espera-se estimular a capacidade individual e coletiva para criação e consolidação de negócios sustentáveis do ponto de vista social, ambiental e econômico.

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Com sede em Nazaré Paulista (SP), a ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade é uma iniciativa do IPÊ para capacitação e formação de profissionais e futuros líderes na área socioambiental. A escola é resultado dos esforços de seus pesquisadores na missão de multiplicar o conhecimento adquirido em estudos de campo e transferir as suas experiências na área. Desde 1996 já foram capacitadas 5.971 pessoas por meio de cursos de curta duração e, desde 2006, também por meio de cursos de pós-graduação: MBA em Gestão de Negócios Socioambientais e Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável. Capacitando profissionais do Brasil, EUA e América Latina, a ESCAS trabalha um modelo diferenciado de educação, que permite aos alunos: aplicarem seus conhecimentos de forma prática; conviverem próximos a pesquisadores e docentes ampliando o networking; e acessarem ensino qualificado e multidisciplinar garantindo uma visão mais ampla dos temas abordados. Em 2015, a escola lançou seu novo site www.escas.org.br

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FOTO: Érica Felipo


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A ESCAS EM 2015

CURSOS DE CURTA DURAÇÃO

300 alunos bolsas de estudo integral 25 Mestrado Profissional e MBA 09 Cursos de Curta Duração bolsas de estudo parcial 27 Mestrado Profissional 04 Cursos de Curta Duração

EM 2015 183 alunos capacitados em cursos na sede 34 alunos capacitados em cursos in company 14 cursos

Profissionais de variadas áreas do conhecimento, estudantes e pessoas interessadas nos temas socioambientais são os públicos atendidos pelos cursos de Curta Duração. Os cursos refletem a expertise do IPÊ em seus projetos de pesquisa e buscam transformar o conhecimento acadêmico em ferramentas aplicáveis para a conservação socioambiental. Em 2015, ofereceu novos cursos como “Produção e comercialização de plantas medicinais”, “Planejamento Territorial e Ambiental” e “Biomimética”, e inseriu novos conteúdos em cursos já tradicionais como o de “Viveiros e Mudas”, com aulas para gestão do negócio.

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Experiência online A grande novidade do ano foi primeiro curso a distância da ESCAS: “Programa R para Biologia da Conservação”. Em parceria com a Bocaina Biologia da Conservação, o curso teve a participação de 85 pessoas. Em sete módulos durante oito semanas, com webinários semanais ao vivo, o curso teve como objetivo ensinar a ferramenta gratuita a profissionais e estudantes, a fim de aprimorarem suas análises em projetos ligados a biodiversidade e conservação. Ao longo do curso, os alunos puderam esclarecer todas ARQUIVO PESSOAL as dúvidas necessárias em tempo real logo após receber cada um dos módulos. “O Programa R está em ascensão como a ferraA fim de melhorar a forma como utiliza a ferramenta, menta ideal para todo tipo de análise. É indicado o biólogo Bruno Morais de Carvalho viu no curso online para o pesquisador ou estudante na universidade a chance de estudar e ao mesmo tempo continuar as - que precisa saber analisar dados para ter boas viagens necessárias para finalização das pesquisas para a chances de publicar seus trabalhos em periódicos sua tese de mestrado pela Universidade Federal de Minas científicos - ou para o profissional que precisa Gerais. dominar índices e gráficos necessários. Foi um “Eu não tinha muito tempo disponível devido à minha ótimo momento para lançar uma proposta online, dedicação ao mestrado, por isso achei fantástica essa acessível para muitas pessoas que por um motivo oportunidade. Foi muito tranquilo, porque acessava no tempo que eu tinha disponível dentro do prazo do curso ou outro não podem viajar para um bom curso e ainda contava com o acompanhamento direto do propresencial” Marcos Vital, professor. fessor, a quem recorro até hoje para tirar dúvidas. Sou da área de Botânica, e já tive aulas de estatística, mas o programa R envolve muito mais do que somente estatísticas. Agora posso utilizar a ferramenta gerando dados interessantes, que poderão compor artigos a serem publicados nos próximos anos”, afirma Bruno, doutorando da Escola Nacional de Botânica Tropical, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

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In company Em 2015, a ESCAS promoveu um curso de curta duração fora da sede: “Ecologia de Paisagem”, para a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Rio Grande do Sul. Os cursos in company têm como objetivo facilitar o acesso às aulas fora de São Paulo, podendo ser customizados de acordo com as necessidades dos participantes.

Parcerias com universidades Em parceria com a ESCAS, universidades internacionais realizam programas de estudo complementares, que dão oportunidade aos seus alunos de terem contato com temas relacionados à ecologia e sustentabilidade global. Ao longo dos cursos, os estudantes acompanham na prática os projetos do IPÊ com comunidades e trabalho dos pesquisadores do Instituto no campo. - Em 2015, estudantes da Colorado University Boulder participaram pelo quinto ano consecutivo do curso Conservation Biology in Brazil’s Atlantic Forest - Brazil Global Seminar. - Pelo 15º ano, os alunos de Columbia participaram do SEE-U (Summer Ecosystem Experience for Undergraduate), programa da universidade que garante créditos aos alunos para seu período de formação

Projetos especiais Em 2015, em parceria com a Unidade de Negócios do IPÊ, a ESCAS promoveu um projeto de educação junto aos colaboradores do Grupo Pão de Açúcar (GPA). O objetivo foi levar informações sobre sustentabilidade a colaboradores que atuam nos caixas das lojas e nos programas de sustentabilidade do grupo, despertando-os para a prática, utilizando metodologias criativas. O treinamento envolveu 145 colaboradores de todo o Brasil e aproximou os colaboradores que atuam nos caixas das lojas. O IPÊ também promoveu um diagnóstico entre mais de 400 gerentes de estabelecimentos sobre a compreensão dos líderes frente ao tema sustentabilidade e propôs ações para o desenvolvimento do assunto.

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MESTRADO PROFISSIONAL Em 2015, participaram três turmas: a sétima no formato intensivo, e as primeira e segunda turmas no formato modular, totalizando: 57 alunos em curso 17 Mestres formados 16 bolsas de estudo integral 21 bolsas de estudo parcial O Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável existe desde 2008, iniciado em parceria com o Instituto Arapyaú. Reconhecido pela Capes, o curso já formou 67 mestres, em cursos nos formatos intensivo e modular, em dois campi: Nazaré Paulista (SP) e Uruçuca (Bahia). Em seu oitavo ano de execução, o Mestrado Profissional atraiu novos parceiros, contando com o suporte da empresa Veracel e um doador pessoa física. O curso também contou com nove bolsas de estudo via projetos de Pesquisa&Desenvolvimento do IPÊ - cinco delas financiadas pela empresa Duke Energy, três pela AES e uma pela CESP. Também contou com uma bolsa de estudo com recurso da Panthera Foundation, pelo projeto “Connectivity assessment and conservation planning for jaguars (panthera onca) between the upper-Paraná and the Pantanal, Brazil”.

Produtos Finais A ESCAS estimula os alunos do Mestrado Profissional a desenvolverem ao final do curso produtos com potencial inserção social, que promovam conceitos e reflexões que possam ser explorados na sociedade. Em 2015, foram 17 novos produtos finais com temas variados como direito ambiental, educação ambiental, resíduos sólidos, gestão socioambiental e análises florestais. Sobre este último tema, um dos trabalhos trouxe uma revelação grave para a Mata Atlântica no extremo sul da Bahia. Com o trabalho “Análise da dinâmica atual do desmatamento na APA do Pratigi e suas implicações futuras para as mudanças climáticas” Bruno da Matta alertou para

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o grau de ameaça de uma das regiões mais diversas do Brasil, localizada no corredor Central da Mata Atlântica, região que detém o recorde mundial de espécies arbóreas, com 458 espécies por hectare. O estudo mostrou que, apesar de sua importância biológica, o ritmo de desmatamento da APA foi de 1,2% entre 2000 e 2011, resultando numa redução da cobertura florestal de mais de 14.000 hectares. A taxa de desmatamento é 30 vezes maior se comparada à Mata Atlântica como um todo e maior do que muitas regiões da Amazônia, bioma brasileiro mais afetado pelo desmatamento atualmente. A projeção futura indica que, se nada for feito em 30 anos, a região será reduzida a 30% de floresta, comprometendo boa parte da biodiversidade e os serviços ecossistêmicos locais. A proposta é que os dados do levantamento sejam considerados a partir de agora para ações de conservação na área. Em 2015 também foram publicados dois livros oriundos de trabalhos finais da ESCAS: “Educando Para a Sustentabilidade Corporativa”, da aluna Alexandra Alcantara Teixeira. O livro fala sobre a mudança organizacional que programas de educação para a sustentabilidade promovem no ambiente corporativo, tendo como exemplo uma instituição financeira.


6. ESCAS

“Unidades de Conservação - Fatos e personagens que fizeram a história das categorias de manejo” com co-autoria da aluna Fabiana Pureza. A publicação faz uma análise do surgimento das categorias de manejo das Unidades de Conservação e áreas protegidas do Brasil.

Avaliação de Impacto

“Começamos o trabalho com 168 famílias em oito comunidades. Hoje estamos com 25 associações, que impactam diretamente 850 famílias nas cidades de Caravelas, Nova Viçosa, Teixeira de Freitas e Alcobaça. Não existia nenhuma associação legalizada ou que se beneficiava dos contratos com a prefeitura. Hoje, oito delas já acessam esses benefícios, como o fornecimento de alimentos de qualidade para o programa de aquisição de alimentos. Levar o conhecimento a essa população gerou, além de renda, um empoderamento com relação aos seus direitos, deveres e oportunidades, que antes eles não tinham”, afirma Jeilly.

A ESCAS vem acompanhando os egressos a fim de verificar seu desenvolvimento e o papel transformador em suas áreas de atuação. Atualmente, 32% deles atuam na iniciativa privada, 36% no setor governamental, 24% no setor não governamental nacional e 4% no internacional e 4% na academia. Alguns egressos optaram por empreenderem em seu próprio negócio, desenvolvendo projetos, como no caso de Jeilly Vivianne Ribeiro. Aluna do Mestrado Profissional da primeira turma da Bahia, ela escolheu o curso por poder estudar na região onde mora e trabalha. Após se tornar Mestre pela ESCAS, Jeilly criou sua própria empresa, a Polímata Ambiental. Atuando no extremo sul da Bahia, com parceiros e clientes, o trabalho de Jeilly tem impactado a região por meio de diversos projetos em busca do desenvolvimento local sustentável. Com assistência técnica e acompanhamento da empresa, moradores e pequenos produtores rurais de baixa renda passaram a ter conhecimento sobre como realizar plantios com bases agroecológicas que geram benefícios à comunidade e aumentam a renda familiar. Também passaram a compreender melhor como acessar as políticas públicas para ampliar a capacidade de ganhos com o trabalho na terra. Em muitos trabalhos com as comunidades locais, Jeilly utiliza as referências e técnicas aprendidas ao longo da sua formação no Mestrado Profissional e ainda mantém contato com os professores para troca de ideias e desenvolvimento de suas atividades. “Encontrei na ESCAS uma grande generosidade da transferência de conhecimento. Todos os materiais possíveis e contatos eram transferidos para nós. Quando você tem acesso ao conhecimento e a produtos de qualidade, seu crescimento só depende de você. Os professores são referências para mim e ainda hoje recorro a eles e aos cases relacionados ao trabalho com comunidades e processos participativos. Mesmo após cinco anos, os materiais são bastante úteis na minha vida profissional”, comenta.

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MBA GESTÃO DE NEGÓCIOS SOCIOAMBIENTAIS Em sua terceira turma, o MBA apresenta os seguintes números em 2015: 12 alunos iniciaram a terceira turma 33 alunos formados desde 2012

Troca de experiências, análise de diferentes realidades e sentir que se está fazendo a diferença na construção de uma sociedade mais sustentável por meio de negócios inclusivos. O MBA Gestão de Negócios Socioambientais proporciona ao aluno um olhar profundo para desafios globais e locais do desenvolvimento socioambiental. O curso capacita profissionais em transição de carreira, empreendedores e jovens executivos no desenvolvimento de novos modelos de negócios comprometidos com a sustentabilidade. Realizado com apoio pedagógico da Artemisia Negócios Sociais e do CEATS /USP (Centro de Empreendedorismo e Administração em Terceiro Setor), o curso oferece uma abordagem totalmente inovadora e prática sobre os conceitos que hoje fazem a diferença nos negócios das empresas e organizações de destaque: sustentabilidade socioambiental, negócios inclusivos junto à base da pirâmide e valor compartilhado. Em 2015, uma nova turma foi iniciada no campus em Nazaré Paulista (SP). Fernanda de Barros Filgueiras, publicitária do Rio de Janeiro, é uma das alunas. Ela sempre teve curiosidade sobre assuntos ligados ao desenvolvimento social e negócios na base da pirâmide. Tanto, que seu desejo por empreender em uma área social a fez ser sócia da startup Vem Gerir, com foco em microempreendedores. Quando conheceu o MBA da ESCAS neste tema, soube que era uma grande oportunidade de se desenvolver na área.

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Atuando também como trainee de marketing na empresa Cielo, Fernanda acredita que as empresas têm papel fundamental no impacto socioambiental e, por isso, busca levar seu conhecimento desde já para sua área de trabalho. Para ela, o MBA tem trazido lições importantes, apontando caminhos para a compreensão de que é possível ser um empreendedor socioambiental até mesmo dentro de uma empresa do setor privado. “O que o MBA traz, primeiramente, é a visão ampla do que é um negócio socioambiental... Além disso, dá todas as ferramentas pra você ser um empreendedor socioambiental de sucesso. Apesar de esse ser o foco da maior parte do curso, o MBA ensina que, pra ser um empreendedor, você não precisa, necessariamente, abrir uma empresa. Existem diversos caminhos para serem trilhados, inclusive dentro de iniciativas privadas ou terceiro setor. Mesmo com todo esse conhecimento eu diria que, o mais importante que o curso dá, é a esperança: nas pessoas e em um mundo melhor. Posso afirmar que o MBA me proporcionou conhecer as pessoas mais incríveis nessa vida, que detêm muito conhecimento, não só sobre os temas que estão abordando, mas sobre a vida. Ter a oportunidade de criar vínculos, poder estudar ou trabalhar com elas não tem preço”. Confira este e outros depoimentos em www.ipe.org.br/ra2015


6. ESCAS

Aluna do MBA da ESCAS leva prêmio por monografia em negócios sociais

ARQUIVO PESSOAL

O trabalho de conclusão do MBA Gestão de Negócios Socioambientais intitulado “Negócios sociais e Grandes Empresas: Oportunidades e desafios para parcerias na cadeia de valor” recebeu o prêmio ICE 2015: Finanças Sociais e Negócios de Impacto. Realizado pela aluna Veridyana de Oliveira Cesar Borges, com orientação de Graziella Comini, o estudo ouviu a experiência de cinco diferentes negócios sociais brasileiros e suas parcerias com grandes empresas, um relacionamento permeado por desafios. A começar pela capacidade de um pequeno negócio social atender ao volume da demanda empresarial, em larga escala, até a burocracia que envolve uma parceria entre empresas. Para Veridyana, que atualmente é supervisora de Sustentabilidade da Danone, existe um grande caminho a ser percorrido nas parcerias entre empresas e negócios sociais. Com o prêmio, ela pretende continuar seus estudos no tema. “Quero difundir cada vez mais o conhecimento que adquiri no MBA com esse trabalho. Não quero que ele fique numa gaveta, então pretendo agora trabalhar para que ele possa ser implementado de alguma maneira. Para mim, este é o ponto mais importante desse prêmio”, comemora. Saiba mais sobre o trabalho em www.ipe.org.br/ra2015

“Acredito que o Negócio Socioambiental é o que, de fato, vai mudar o mundo. Antigamente, havia uma divisão muito forte entre mudar o mundo e ganhar dinheiro. Quem queria mudar o mundo ia trabalhar em ONGs e quem pretendia ganhar dinheiro se arriscava em empresas. Os negócios sociais vieram justamente pra quem tem a intenção de mudar o mundo, mas, ao mesmo tempo, entende a importância do dinheiro como ferramenta. Ao identificarmos um problema social ou ambiental, não é preciso mais ficar esperando o governo resolver e nem iniciativas privadas ou pessoas físicas doarem para alguma Instituição. Hoje, já é possível ganhar a vida resolvendo problemas socioambientais, e é essa ideia que mais me encanta”, Fernanda Filgueiras aluna do MBA

“Vale a pena para um negócio social buscar parcerias com empresas, procurando oportunidades ainda inexploradas. Mas para que a parceria aconteça, é preciso que eles identifiquem que tipo de empresa faz sentido para seu negócio e compreender a estratégia da empresa em questão. Acredito que é essencial tentar mostrar o lado social do negócio, mas ter alinhada a visão econômica também. Conseguir mostrar que ele tem essa visão social e econômica do negócio é visto como um diferencial pelas grandes empresas”, afirma Veridyana. ARQUIVO PESSOAL

61


FOTO: Érica Felipo


7. dados financeiros


BALANÇO PATRIMONIAL EM 31 DE DEZEMBRO DE 2015 E 2014 (Valores expressos em reais)

ATIVO

Nota

2015

2014

CIRCULANTE Caixa e equivalentes de caixa

4

4.476.459

2.174.030

Aplicações financeiras

5

1.463.232

2.281.487

Contas a receber

6

2.666.062

1.176.770

Adiantamentos

7

40.076

49.017

13.339

10.163

243.526

617.411

8.902.692

6.308.878

Estoques Empréstimos a Receber

8

TOTAL DO CIRCULANTE

NÃO CIRCULANTE Aplicações financeiras

9

13.155.892

12.125.759

Imobilizado

10

914.339

957.870

Intangível

11

2.489

4.621

TOTAL NÃO CIRCULANTE

14.072.720

13.088.249

TOTAL DO ATIVO

22.975.412

19.397.127

As notas explicativas são parte integrante das demonstrações contábeis

64


7. dados financeiros

PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Nota

2015

2014

CIRCULANTE Fornecedores

12

186.548

41.938

Obrigações trabalhistas

13

88.122

143.424

Obrigações tributárias

23.770

8.104

Outras contas a pagar

20.691

30.411

TOTAL DO CIRCULANTE

319.132

223.876

NÃO CIRCULANTE Projetos a executar

5.242.264

4.515.222

Projetos em execução

2.514.529

1.091.997

TOTAL NÃO CIRCULANTE

7.756.793

5.607.219

1.064.191

1.101.329

679.404

338.944

13.155.892

12.125.759

14.899.487

13.566.032

22.975.412

19.397.127

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

14

15

Patrimônio social Superávit do período Fundo Endowment

TOTAL DO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO

9

65


DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO PARA OS EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2015 E 2014 (Valores expressos em reais) Nota

2015

2014

Receita de financiadores e doadores

7.216.261

8.264.830

Receita de prestação de serviços

1.147.468

1.241.423

140.248

49.911

8.503.977

9.556.164

(4.378.567)

(6.135.741)

Tributos sobre serviços e vendas

(74.060)

(65.526)

Custo dos produtos vendidos e serviços prestados

(15.049)

(5.197)

(4.467.676)

(6.206.464)

17

(894.977)

(859.385)

Despesas administrativas

18

(1.997.842)

(1.598.006)

Despesas com viagens

19

(315.524)

(527.796)

(229.839)

(248.830)

13.088

45.340

RECEITAS OPERACIONAIS

Receita de vendas 16

CUSTOS Custos com Projetos

DESPESAS OPERACIONAIS Despesas com pessoal

Despesas com Manutenção/ Locação Outras receitas / despesas operacionais líquidas Resultado de equivalência patrimonial Depreciações e amortizações

-

(947)

(178.984)

(229.343)

(3.604.078)

(3.418.967)

432.223

(69.266)

247.182

408.211

679.404

338.944

Superávit do periodo antes do resultado financeiro

Resultado financeiro líquido

20

SUPERÁVIT DO PERÍODO

As notas explicativas são parte integrante das demonstrações contábeis

66


7. dados financeiros

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE PARA OS EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2015 E 2014 (Valores expressos em reais) 2015

2014

679.404

338.944

Fundo Endowment

1.030.133

405.742

Ajustes de exercícios anteriores

(376.082)

Total do resultado abrangente

1.333.455

Superávit do Período

744.687

As notas explicativas são parte integrante das demonstrações contábeis

67


DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO PARA OS EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2015 E 2014 (Valores expressos em reais)

SALDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2013

Transferência para o patrimônio social

Patrimônio Social

Fundo Endowment

Superávit do período

Patrimônio líquido

1.132.560

11.720.016

(31.231)

12.821.345

31.231

-

(31.231)

Fundo Endowment

405.742

Superávit do período

SALDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2014

Transferência para o patrimônio social Ajuste de exercícios anteriores

1.101.329

12.125.759

338.944

Fundo Endowment

338.944

338.944

13.566.032

(338.944)

(376.082)

1.030.133

1.064.191

13.155.892

As notas explicativas são parte integrante das demonstrações contábeis

Parecer da auditoria e outros dados: www.ipe.org.br/ra2015

68

338.944

(376.082)

Superávit do período

SALDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2015

405.742

1.030.133 679.404

679.404

679.404

14.899.487


7. dados financeiros

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA PARA OS EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2015 E 2014 (Valores expressos em reais) 2015

2014

679.404 178.984 (376.082)

338.944 229.343 947 -

(1.489.293) (3.175) 382.827

(1.129.271) (3.484) (238.478)

144.610 15.666 (9.720) (55.301)

13.485 3.712 (579) (71.060)

(532.079)

(856.441)

Projetos em execução Projetos a executar Aplicações financeiras

1.422.532 727.042 818.255

1.091.997 (1.070.672) 111.179

CAIXA GERADO PELAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTOS

2.967.829

132.505

67.892 (201.214) -

9.000 (195.149) -

CAIXA GERADO PELAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS

(133.322)

(186.149)

CAIXA LÍQUIDO GERADO/(CONSUMIDO) NAS ATIVIDADES OPERACIONAIS E DE INVESTIMENTOS

2.302.429

(910.085)

2.174.030 4.476.459

3.084.115 2.174.030

2.302.429

(910.085)

FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS Superávit do período Depreciação e amortização Resultado de equivalência patrimonial Ajuste de exercícios anteriores Aumento (redução) nos ativos: Contas a receber Estoques Impostos a recuperar Outros créditos Aumento (redução) nos passivos: Fornecedores Obrigações fiscais Outras obrigações Obrigações trabalhistas CAIXA GERADO PELAS ATIVIDADES OPERACIONAIS FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTOS

FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS Baixa de ativo Imobilizado Baixa de investimentos Aquisições de ativo imobilizado Aquisições de software

Caixa e equivalentes no início do exercício Caixa e equivalentes no final do exercício VARIAÇÃO DO CAIXA E EQUIVALENTES

10 10

4 4

69


8. doe e conecte-se ao IPÊ www.ipe.org.br www.facebook.com/ipe.instituto.pesquisas.ecologicas @institutoIPE

@institutoipe

youtube.com/videosdoipe IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas

9. quem fez o IPÊ em 2015 Adriana Sagiani

Eduardo Paraiso

Jussara Christina Reis

Pedro Tadeu Gonçalves da Silva

Aires Aparecida Cruz

Eliane Ferreira de Lima

Laury Cullen Jr

Pollyana F. de Lemos

Alexandre Uezu

Fabiana Prado

Leonardo P. Kurihara

Rafael Morais Chiaravalloti

Aline de Fátima Rocha dos Santos

Fábio Bueno de Lima

Lizandra Mayra Gasparro

Rafael Ruas Martins

Aline dos Santos Souza

Fabíola Cristina da Silva

Luis Gustavo Hartwig Quelu

Regina Reinaldo da Silva

Allany L. Duveza

Fernanda Pereira

Luiz Fonseca Filho

Renata Fernandes Santos

Amanda Gutierrez Andrade

Fernando Lima

Luiz Soares Constantino

Renata Teixeira

Andrea Peçanha Travassos

Franciele Ramos

Marcela Elisa Beraldo

Roberto de Lara Haddad

Andrea Pupo Bartazini

Francisco da Silva de Amorim

Marcela Paolino

Rogério Fernando Lourenção

Antonio Carlos Coelho

Gabriela Cabral Rezende

Marco Antonio Vaz de Lima

Ronnie Aparecido Ramos

Arnaud Desbiez

Gabriel Damasceno

Maria das Graças de Souza

Roseli de Paula

Bruna Oliveira

Gabriel Masocatto

Maria Helena de Paula

Rosemeire Ferreira de Moraes Silva

Carolina Farias Ferreira

Gabriela Pinho

Mariana Semeghini

Ruan Vitor Loureiro Gomes

Caroline Testa

Giovana Dominicci Silva

Mauro Rufato Jr.

Sandra Dezo Azevedo

Claudio Padua

Haroldo Borges Gomes

Miriam Ikeda

Sérgio Augusto Góes

Clinton N. Jenkins.

Hercules Quelu

Nailza Pereira

Suzana Padua

Cristiana Saddy Martins

Ivete de Paula

Nivaldo Ribeiro Campos

Tiago Pavan Beltrame

Cristina F. Tófoli

João Batista Caraça

Oscar Sarcinelli

Valdecir Morais do Nascimento

Danilo Hélio Diniz da Silva

João Rosa

Osmar Peixoto dos Santos

Vitória Carvalho

Danilo Kluyber

Joana Darque da Silva

Olavo Faustino da Silva

Viviam Conceição

Denis Cassio Ramos

José Eduardo Lozano Badialli

Patrícia Medici

Viviane Almeida

Diego Aguiar Santos

José Maria de Aragão

Patrícia Paranaguá

Viviane Pinheiro

Eduardo Humberto Ditt

José Wilson Alves

Paula Piccin

Walter Ribeiro Campos

Eduardo Goularte de Fiori

Juliana Ezmenda

Pedro M. Pedro

Williana Souza Leite Marin

70


9. quem fez o IPÊ em 2015

pesquisadores associados

conselho

Ilnayara Sousa

PRESIDENTE

CONSELHO FISCAL

Lais Fernandes

Suzana Machado Padua, Ph.D

Alexandre Alves - Diretor do Inseed Investimentos

Paulo Henrique Bonavigo

VICE-PRESIDENTE E REITOR DA ESCAS

Gustavo Wigman - Especialista em finanças corporativas; Morgan Stanley & Company, Brazil 


Renato de Giovani

Claudio Valladares Padua, PH.D

Maria José Zakia

Renata Evangelista Rita Silvana

CONSELHO ADMINISTRATIVO

Rúbia Goreth Maduro

Alice Penna e Costa – Consultora

Sherre Nelson

Ana Maria Laet - Diretora da Ana Laet Design


Thiago M. Cardoso

Cristina Gabaglia Penna - Diretora da Hólos Consultores Associados Graziella Comini - Professora e Coordenadora FEA / USP

Maria Cristina Archilla - Administradora de Empresas e Consultora CONSELHO CONSULTIVO Paulo Lalli - Consultor Roberto Waack - Presidente do Conselho da AMATA. SECRETÁRIO EXECUTIVO Eduardo Humberto Ditt

Juscelino Martins - Presidente do Conselho de Administração do Tribanco (Grupo Martins) Mary Pearl - Ph.D; Diretora Executiva do Wildlife Trust 


FOTO: Ilana Bar

71


10. apoiadores, parceiros e financiadores FOTO: Érica Felipo


apoiadores ACARI Associação de Amigos do Peixe-Boi da Amazônia | AMPA, AM (Brasil) Associação de Escritores e Ilustradores de Teodoro Sampaio | AEITS, SP (Brasil) Associação de Produtores Orgânicos do Amazonas |APOAM, AM (Brasil) Associação dos Produtores de Produtos Artesanais do Pontal do Paranapanema Associação Pró-Menor de Teodoro Sampaio/ Projeto Guarda Mirim Ambiental, SP (Brasil) Associação Central de Turismo Comunitário da Amazônia | ACTCA(Brasil) Association of Zoos & Aquariums |AZA Tapir Taxon Advisory Group | TAG (Estados Unidos) Brascan (Brasil) Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas | CBEE (Brasil) Centro de Pesquisas e Gestão de Recursos Pesqueiros do Litoral Sudeste e Sul | CEPSUL (Brasil) Centro Nacional de Pesquisas para a Conservação de Predadores Naturais CENAP/ ICMBio (Brasil) Centro Nacional de Pesquisa e Conservação dos Primatas Brasileiros | CPB/ICMBio (Brasil)

Conselho Consultivo do Parque Estadual do Lagamar, Cananeia, SP (Brasil)

European Association of Zoos&Aquaria |EAZA Tapir Taxon Advisory Group | TAG (Internacional)

Conselho Consultivo do Parque Nacional de Anavilhanas, Novo Airão, AM (Brasil)

Fórum Permanente em Defesa das Comunidades Rurais de Manaus | FOPEC, AM (Brasil)

Conselho Consultivo do Parque estadual do Rio Negro – Setor Sul, Manaus, AM (Brasil)

Fórum de Turismo de Base Comunitária AM (Brasil)

Conselho Gestor da APA de Guaraqueçaba, PR (Brasil)

Fundação Florestal do Estado de São Paulo | FF/ SP (Brasil)

Cooperativa dos Assentados de Reforma Agrária | COCAMP, SP (Brasil)

Fundação Parque Zoológico de São Paulo, SP (Brasil)

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior | CAPES (Brasil)

Fundo Brasileiro para Biodiversidade |FUNBIO (Brasil)

Coordenadoria de Assistência Técnica Integral | CATI, Nazaré Paulista, SP (Brasil)

Hotel Fazenda Baía das Pedras, MS (Brasil)

Coordenadoria de Assistência Técnica Integral | CATI Registro | Secretaria de Agricultura SP (Brasil)

Hughes Telecomunicações do Brasil (Brasil)

COTEC/IF - Comissão Técnico-Científica do Instituto Florestal Copenhagen Zoo (Dinamarca) Departamento de Educação de Nazaré Paulista Departamento Municipal de Educação de Teodoro Sampaio, SP (Brasil) Departamento Municipal de Meio Ambiente de Teodoro Sampaio, SP (Brasil)

Houston Zoo Inc. (Estados Unidos) Idea Wild (Estados Unidos) Instituto Ambiental do Paraná | IAP, PR (Brasil) Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis | IBAMA | SISBIO (Brasil) Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade | ICMBio (Brasil) Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas I IDESAM (Brasil) ICMBio - Estação Ecológica Mico-leão-preto e Floresta Nacional de Capão Bonito (Brasil)

Cia Energética de São Paulo | CESP (Brasil)

Diretoria de Ensino Regional de Bragança Paulista, SP (Brasil)

Comissão de Produção Orgânica do Amazonas (CPOrg), AM (Brasil)

Diretoria Regional de Ensino de Mirante do Paranapanema, SP (Brasil)

Companhia Nacional de Abastecimento I CONAB, AM (Brasil)

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária | EMBRAPA, Amazônia Ocidental (Brasil)

Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas | IDAM (Brasil)

Comunidade Ecológica do Assentamento Ribeirão Bonito | CERB, SP (Brasil)

Escola Estadual Delfina Nogueira de Souza, Nova Alvorada do Sul, MS (Brasil)

Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas | IPAAM (Brasil)

Comunidade Ecológica do Assentamento Tucano | CEAT, SP (Brasil)

Escola Pantaneira Barranco Alto, Pantanal, MS (Brasil)

Instituto de Terras do Estado de São Paulo |ITESP (Brasil)

Comunidades do Rio Cuieiras e Margem Esquerda do Rio Negro, Manaus, AM (Brasil)

Escola Pantaneira Fazenda Primavera, Pantanal, MS (Brasil)

Instituto Florestal de São Paulo | IF/SP (Brasil)

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Instituto de Cooperativismo e Associativismo do Estado de São Paulo | ICA | Célula Registro (Brasil)


10. apoiadores, parceiros e financiadores

Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (Brasil)

Polícia Militar Ambiental de Teodoro Sampaio, SP (Brasil)

Instituto Florestal de São Paulo | IF/SMA Parque Estadual Morro do Diabo | PEMD (Brasil)

Ponto de Cultura Caiçara Fundação Florestal/ PELC (Brasil)

Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária | INCRA (Brasil)

Prefeitura Municipal da Estância de Cananeia, SP (Brasil)

Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Paraná | SEMA, PR (Brasil)

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia | INPA (Brasil)

Prefeitura Municipal de Nazaré Paulista, SP (Brasil)

Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo | SABESP, SP (Brasil)

IUCN Brasil (Brasil) IUCN/SSC Tapir Specialist Group | TSG (Internacional)

Prefeituras Municipais de Piracaia, Joanópolis e Vargem, SP, Extrema, Itapeva e Camanducaia, MG (Brasil)

Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Novo Airão, AM (Brasil)

IUCN/SSC Sirenian Specialist Group| SSG (Internacional)

Prefeitura Municipal de Teodoro Sampaio, SP (Brasil)

IUCN/SSC Conservation Breeding Specialist Group|CBSG (Internacional)

Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa)/Ministério do Meio Ambiente (Brasil)

Universidade Estadual do Amazonas I UEA, AM (Brasil)

IUCN/SSC Primate Specialist Group|PSG (International)

Rede Cananeia

Universidade Estadual Paulista I UNESP Rio Claro – Laboratório de Primatologia (Brasil)

Laboratório de Mamíferos Aquáticos LMA/INPA (Brasil) Laboratório Renato Arruda, Campo Grande, MS (Brasil) Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento I MAPA, AM (Brasil) Ministério do Desenvolvimento Agrário | MDA (Brasil) Ministério do Meio Ambiente SBF (Brasil) Ministério Público Estadual Presidente Prudente, SP (Brasil) ONG Instituto Itapoty (Brasil) ONG Nymuendaju (Brasil) Parque Estadual do Lagamar de Cananeia | PELC – FF/SP (Brasil) Parque Estadual Morro do Diabo | PEMD – FF/ SP (Brasil) Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros - Sorocaba/SP

Rede Maniva de Agroecologia do Amazonas, AM (Brasil) Refúgio Biológico Itaipu Binacional, Paraná (Brasil)

Secretaria Municipal de Feira, Mercados, Produção e Abastecimento de Manaus |SEMPAB (Brasil)

Sociedade Brasileira de Zoológicos e Aquários | SZB (Brasil) TED Fellowship Program (Estados Unidos)

Universidade Federal do Amazonas | UFAM, AM (Brasil)

Royal Zoological Society of Scotland | RZSS (Reino Unido)

Universidade Federal de São Carlos |UFSCAR | Laboratório de Biodiversidade Molecular e Citogenética, SP (Brasil)

Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo (Brasil)

Viveiro Alvorada, Pontal do Paranapanema, SP (Brasil)

Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Manaus | SEMMAS (Brasil)

Viveiro Viva Verde, Pontal do Paranapanema, SP (Brasil)

Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas | SDS (Brasil)

Votorantim Celulose e Papel | VCP (Brasil)

Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Brasil)

Whitley Fund for Nature | WFN (Reino Unido)

Secretaria de Trabalho do Estado do Amazonas I SETRAB (Brasil) Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Novo Airão, AM (Brasil)

Wildlife Conservation Network | WCN (Estados Unidos) World Association of Zoos and Aquariums | WAZA (Suíça) WWF-Brasil World Wildlife Fund for Nature (Internacional) Zoo Conservation Outreach Group | ZCOG (Estados Unidos)

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parceiros Ação Ecológica Guaporé – ECOPORÉ Agência de Cooperação Internacional do Governo da Alemanha| GIZ (Alemanha) Ajuri de Novo Airão (Brasil) AMATA Ana Laet Comunicação (Brasil) Artemisia Negócios Sociais (Brasil) Ashoka (Brasil)

European Association of Zoos & Aquaria |EAZA Tapir Taxon Advisory Group | TAG (Internacional) Fazenda Rosanela (Brasil) Fibria (Brasil) FICAS Fundação Almerinda Malaquias | FAM, Amazonas (Brasil)

Parque Nacional de Iguaçu (Brasil) Parque Nacional de Anavilhanas/ICMBio (Brasil) Punta Verde In Situ Onlus (Itália) Prefeitura da Estancia de Atibaia - SP Rede Rio Negro (Brasil) SABESP (Brasil) Sea to Shore Alliance (Estados Unidos)

Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp)

São Paulo Alpargatas S/A | Havaianas (Brasil)

Associação Bem-te-vi Diversidade Associação Conservação da Vida Silvestre, WCS- Brasil

Grupo Martins (Brasil)

TAM Linhas Aéreas (Brasil)

Hotel Fazenda Baía das Pedras, Pantanal, MS (Brasil)

Tribanco/Tricard

Association of Zoos & Aquariums |AZA Tapir Taxon Advisory Group | TAG (Estados Unidos) Biofílica (Brasil) Campus Brasil Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (CEATS/USP) (Brasil) Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica | CEPAM/ICMBIO (Brasil) Climep – Clinica de M.P. do Pará Columbia University (Estados Unidos) Copenhagen Zoo (Dinamarca) Crescimentum Consultoria (Brasil) Danone (Brasil) Durrell Wildlife Conservation Trust | DWCT (Reino Unido) EcoSwim/Grupo de Nadadores da Politecnica/ USP Escolas Estaduais Francisco Derosa, Fabio H. Pínola, Clélia B. L. Silva, Henrique Miguel Hacl, e Bairro do Mascate - Nazaré Paulista, SP (Brasil) Equilibrium Research (Reino Unido)

SIG Brasil

Houston Zoo Inc. (Estados Unidos)

Universidade de Colorado Boulder (Estados Unidos)

Idea Wild (Estados Unidos)

Universidade de Columbia (Estados Unidos)

Instituto Arapyaú (Brasil)

Universidade da Florida (Estados Unidos)

Instituto Arredondar

Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal (VPS), São Paulo, SP (Brasil)

Instituto Biológico de São Paulo, São Paulo, SP (Brasil) Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade | ICMBio (Brasil) Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais | IPEF (Brasil) Instituto Pró-Carnívoros (Brasil) International Union for Conservation of Nature| IUCN (Internacional) IUCN/SSC Conservation Breeding Specialist Group | CBSG (Internacional) IUCN/SSC Tapir Specialist Group | TSG (Internacional)

Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), Departamento de Patologia e Toxicologia (VPT), Laboratório de Patologia Comparada de Animais Selvagens (LAPCOM), São Paulo, SP (Brasil) Universidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Biociências (IB), Centro de Assistência Toxicológica de Botucatu (CEATOX), Botucatu, SP (Brasil) Whitley Fund for Nature (Reino Unido)

Laboratório Renato Arruda, Campo Grande, MS (Brasil)

Wildlife Conservation Network | WCN (Estados Unidos)

Nespresso (Brasil)

World Association of Zoos and Aquariums | WAZA (Suíça)

Núcleo Oikos (Brasil) Parco Zoo Punta Verde (Itália)

patrocinadores

Young&Rubicam Brasil Zoo Conservation Outreach Group | ZCOG (Estados Unidos)

Petrobras - Programa Petrobras Socioambiental

doadores Alex and Sybilla Balkanski (Estados Unidos)

James Cork (Reino Unido)

Richard Osterballe (Dinamarca)

André Padua

Jeffrey Flocken (Estados Unidos)

Richard Schwartz (Estados Unidos)

Doug & Sheila Grow

Juscelino Martins (Brasil)

Rick Barongi (Estados Unidos)

Donald Kendall (Estados Unidos)

Laura Mattera

Rita & Carlos Jurgielewicz e Família (Brasil)

Dorothée Ordonneau (França)

Liana John (Brasil)

Roberto Alonso Lázara (Brasil)

Érica Felipo

Luccas Longo (Brasil)

Ronald Rosa (Brasil)

François Huyghe (França)

Luiz Seabra (Brasil)

Rudy Rudran (Estados Unidos)

Hope & Bob Stevens (Estados Unidos)

Matthew Shirts (Brasil)

Salisbury Zoo-Chesapeake AAZ

George Rabb (Estados Unidos)

Naples Zoo and Caribbean Gardens

Suzanne Davenport (Estados Unidos)

Guilherme Peirão Leal (Brasil)

Pedro Watanabe (Brasil)

Teleperformance

Gilia Angell and Aaron Abrams (Estados Unidos)

Pete Puleston (Estados Unidos)

Tim Mather (Estados Unidos) Victor Ruiz Huidobro(Brasil)

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10. apoiadores, parceiros e financiadores

financiadores AES-Tietê Alexandria Zoological Park (Estados Unidos) Agência de Cooperação Internacional do Governo da Alemanha| GIZ (Alemanha) Association Beauval Nature pour la Conservation et la Recherche (França) Association Française des Parcs Zoologiques – AfdPZ (França) l´Association Jean-Marc Vichard pour la Conservation (França);

Fundo de Direitos Difusos - Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor – SENACON (Brasil).

Papoose Conservation Wildlife Foundation (Estados Unidos)

Fundo Estadual de Recursos Hídricos | FEHIDRO (Brasil)

Parc Zoologique d’Amnéville (França)

Fundo Itaú de Excelência Social | FIES (Brasil) Fundo Nacional do Meio Ambiente | FNMA (Brasil) Fundo Vale para o Desenvolvimento Sustentável (Brasil)

Paradise Wildlife Park (Reino Unido) Parco Zoo Falconara (Itália) Parco Zoo Punta Verde (Itália) PDRS - Programa Micro Bacias II - Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável I Secretaria do Meio Ambiente (SMA) BIRD Phoenix Zoo (Estados Unidos)

Bergen County Zoo (Estados Unidos)

Fundo Nacional para a Biodiversidade | Funbio (Brasil) / Tropical Forest Conservation Act (TFCA)

Brazil Foundation (Brasil)

Future for Nature Foundation (Holanda)

Quagga Foundation (Holanda)

Brevard Zoo Quarters for Conservation (Estados Unidos)

Giardino Zoologico di Pistoia (Itália)

Reid Park Zoo Teen Volunteers

Givskud Zoo (Dinamarca)

Réserve Zoologique de Calviac (França)

Gordon and Betty Moore Foundation (Estados Unidos)

Riverbanks Zoo and Gardens (Estados Unidos)

Belizean Grove

Caixa Econômica Federal – Fundo Socioambiental (Brasil) CERZA Lisieux Zoo (França) Chattanooga Zoo (Estados Unidos)

Greenville Zoo, the San Antonio Zoo and Aquarium

Chester Zoo, North of England Zoological Society (Reino Unido)

Happy Hollow Zoo (Estados Unidos)

Prince Bernhard Fund for Nature (Holanda) Punta Verde in Situ Onlus (Itália)

Roger Williams Park Zoo, Sophie Danforth Conservation Biology Fund (Estados Unidos) Russel E. Train Education for Nature Program | EFN/WWF (Estados Unidos)

CNPq (Brasil)

Hotel Fazenda Baía das Pedras, Pantanal, MS (Brasil)

Sacramento Zoo (Estados Unidos)

Coins for Change Program, Club Penguin, Disney Studios (Canadá)

Houston Zoo Inc. (Estados Unidos)

Save the Manatee Club (Estados Unidos)

Columbus Zoo Conservation Fund (Estados Unidos)

Idea Wild (Estados Unidos)

SavingSpecies

Instituto Lojas Renner (Brasil)

Sea World Busch Gardens (Estados Unidos)

International Development ResearchCenter | IDRC (Canadá)

SEMARH - Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos - Goiás

International Foundation for Science | IFS (Estados Unidos)

Taiwan Forestry Bureau (Taiwan)

Companhia Energética de São Paulo | CESP (Brasil) Conservation des Espèces et des Populations Animales/ CEPA (France) Copenhagen Zoo (Dinamarca) Deutsche Bank S.A. (Brasil) Duke Energy (Brasil) Disney Worldwide Conservation Fund (Estados Unidos) Durrell Wildlife Conservation Trust - Durrell Conservation Academy Award (UK) Ecosystem Alliance - UICN NL, Wetlands International e Both ENDS (Holanda) Embaixada da França (Brasil) Fanwood Foundation (Estados Unidos) Fondation Segré (Suíça) Ford Foundation (Estados Unidos) Fresno Chaffee Zoo Wildlife Conservation Fund (Estados Unidos) Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo | FAPESP (Brasil) Fundação Banco do Brasil - FBB

Ipplan - Instituto de Pesquisa, Administração e Planejamento de São José dos Campos (Brasil) IUCN (USA) Jacksonville Zoo (Estados Unidos) JRS Biodiversity Foundation (Estados Unidos) Lion Tamarins of Brazil Fund Liz Clairborne Art Ortenberg Foundation (Estados Unidos)

Salisbury Zoo-Chesapeake AAZK

Taronga Zoo (Australia) The Conservation Division, Forestry Bureau (Taiwan) The Elisabeth Giauque Trust (Reino Unido) The Royal Zoological Society of Scotland (Reino Unido) Tropical Forest Conservation Act| TFCA (Estados Unidos)

Macboot (Brasil)

United States Agency for International Development | USAID (Estados Unidos)

Margot Marsh Biodiversity Foundation (Estados Unidos)

United States Marine Mammal Commission | USMMC (Estados Unidos)

Minnesota Zoo (Estados Unidos)

Veracel

Mohamed bin Zayed Species Conservation Fund (Emirados Árabes Unidos)

Vienna Zoo (Áustria)

Nashville Zoo at Grassmere (Estados Unidos)

Zoo Wroclaw (Polónia)

Naples Zoo at Caribbean Gardens

We Forest (Bélgica)

National Geographic (EUA)

Whitley Fund for Nature (Reino Unido)

Natural Research (MMA) (Reino Unido)

Wildlife Conservation Network | WCN (Estados Unidos)

Oklahoma City Zoo (USA)

Zoo Parc de Beauval (França)

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11. report in English

11. report in English 79


who we are IPÊ - Institute for Ecological Research is a Brazilian non-profit organization. Established in 1992 to promote conservation of biodiversity in Brazil, the institution develops some thirty social-environmental projects in the Atlantic Forest, Amazon, Pantanal and Cerrado (the Brazilian Savanna). All projects are supported by research, education, community involvement, productive chains, sustainable business and public policies, fronts that make up the IPÊ Conservation Model, established by the institution. IPÊ also promotes courses through the ESCAS - Faculty for Environmental Conservation and Sustainability.

mission To develop and disseminate innovative models for biodiversity conservation that promote socio-economic benefits through science, education and sustainable business.

letter from the president IPÊ has been growing, structuring itself and gaining strength, even amidst the challenges faced in recent times. Part of our work has been to learn with the past and to do with quality in the present, aiming at reaching the future at an even better level. That is not always easy, as conditions in the modern world are volatile, changing at speed that has never been lived before. However, despite being a more dominant species, as identified by Charles Darwin in book The Descent of Man, man “is capable of reflecting on his past actions and their motives - of approving some and disapproving of others; man must look back, but also ahead.” And it is this characteristic we see as the opportunity to avoid what we do to improve what we plan to do in the next steps. The year of 2015 was focused on continuous seeding, planting and picking. We see the seeding among our young team and students, as many have shown themselves excellent professionals, spreading ideas about conservation and sustainability in Brazil and world over. Cultivation has been constant with the continuation, the persistence and the search for adaptability that modern times require, without losing tenderness, focus and the route to our objectives. And the harvest is the good fruit of our work promoted, for example, in the largest Atlantic Forest corridor, cultivating the largest data bank on the tapir in the world, or making the black lion tamarin

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a symbol of the State of São Paulo, greatly due to the 30 solid years of work to protect and provide visibility to the species, or dissertations coming from our Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade – Faculty for Environmental Conservation and Sustainability - ESCAS, when they influenced entire regions or public policies connected to relevant socioenvironmental themes. We also have to celebrate partnerships with the private sector, spreading concepts, values and knowledge that helps balance human actions, making them more sustainable. The future is always open, but today IPÊ can count on a body of professionals and an active Council, truly the key to continuation, innovation and daring with solid steps on fertile soil. New discoveries should emerge and should depend on our capacity to be aware of opportunities to maintain ourselves in the lead, guaranteeing that we are prepared to provide a contribution to Brazil and to our planet. Suzana Padua President

preface In its twenty-third year in existence, IPÊ is still a strong source for inspiration for those able to develop and implement actions in search of a better planet. This takes place due to a combination of characteristics that differentiate our organization. Among them, we can mention the strong local action, the engagement in regions in which we operate, the educational actions and the competences for innovation and generation of content. That is what we aim to show in this report. For the reader to be able to make better use of it, it is worth pointing out that the text contained in the following pages is divided according to the nature of our activities. We have a description of the accomplishments of “Projects per Site”, in areas in which long-term programs are developed, with implementation of the “IPÊ Model” for work. This model results in integration of actions turned to conservation of biodiversity, environmental education, management of natural areas, community involvement, productive chains, management of landscapes and public policies. This takes place in varied manners in the Pontal do Paranapanema, in Cantareira System, in Lower Rio Negro, in the Pantanal and Cerrado (the Brazilian Savanna). Then, we describe what was done in the so-called Thematic Projects. In 2015 we focus on theme “Protected Areas” and “Research and Development” in topics related to the offer and monitoring of ecosystem services. We also describe the actions of our Sustainable Business


11. report in English

Unit, focusing on the construction of institutional partnerships with the private sector, and the promotion and strengthening of activities that integrate communities and productive chains. Complementing all these actions, our report also describes the ESCAS results in 2015, including its free courses, the Master’s and the MBA. The IPÊ educational component, promoted through the ESCAS, plays a structural part in the search for our mission and contributes strongly to the potentiation of our actions and the positive impact on some of the great socioenvironmental questions on the planet. All accomplishments described in the report generate motivation in our team and, I dare say, in our partners, so much so that our dreams for construction of a better planet may overcome the relations with the current challenges faced by our country. We hope that readers may share this understanding and appreciate our report. Eduardo H. Ditt Executive secretary.

1. highlights and awards URBAN TREE PLANTATION In 2015, IPÊ delivered to the Atibaia (SP) city hall the final result of the base study for urban plantation of trees in the city. Now, the city counts on a map that shows the situation of urban plant coverage in its 44 neighborhoods and the regions that most need tree plantation. With the planning, the city has been granted a strategy for plant recovery, with the right species and in an adequate manner to the objectives of the population.

WATER USAGE STRATEGIES FOR THE CERRADO (BRAZILIAN SAVANNA) In December 2015, the Cerrado Water Consortium defined the strategies for the coming two years (2016-2017). Starting in 2016, several programs will be implemented with the objective of protecting water resources in the biome, especially in the region of Minas Gerais. The consortium is made up of institutions in the civil society like IPÊ, UICN, Cooxupé, Imaflora, Federação de Cafeicultores do Cerrado Mineiro, Região do Cerrado Mineiro and UTZ Certified, as well as company Nespresso.

PUBLICATIONS In partnership with Matrix Editora publishing house, in 2015, IPÊ released three publications in Portuguese. ‘O Homem que salvou Nova York da falta de Água e outros 11 mestres da Sustentabilidade’ (The Man who Saved New York from Water Shortages and another 11 masters in Sustainability), by Rafael Morais Chiaravalloti. ‘Unidades de Conservação: fatos e personagens que fizeram a história das categorias de manejo’ (Protected Areas: facts and characters who made the story of management categories), by Angela Pellin, Claudio Padua and Fabiana Pureza; and ‘BiodiverCidade: Desafios e oportunidades na gestão de áreas protegidas urbanas’ (BiodiverCity: Challenges and opportunities for management of urban areas), by Angela Pellin and Erika Guimarães.

CAMPAIGNS NATURE HAS MUCH TO SAY. LISTEN. Agency Young & Rubicam Brazil has created the spot for IPÊ, with art by illustrator Christo Dagorov. “I am very pleased for having been able to contribute to a work that is this important. I hope to have the chance to visit you in the near future,” he said.

LIVING NURSERY (VIVEIRO VIVO) In November, IPÊ released a crowdfunding campaign to collect funds for the maintenance of its nursery in Nazaré Paulista. Contributions should help this important site which produces native saplings for Atlantic Forest reforestation and is a space for environmental education for 700 students of public schools in the city.

BRAZIL COALITION In 2015, IPÊ became a member of the Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura (Brazil Coalition - Climate, Forests and Agriculture - which includes over 100 companies and organizations of the civil society. The group promotes and proposes policies, actions and financial-economic mechanisms for stimulation of lowcarbon competitive agriculture, livestock and the forestry economy, which boost Brazil as a leader in the global sustainable economy. The representatives participated actively in COP21, presenting their proposals for the fight against climate change.

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ALLIANCE FOR WATER Once again, IPÊ contributed to the Aliança pela Água (Alliance for Water), a civil society network established to contribute with the construction of water safety in São Paulo. In talks and meetings throughout the year, the Institute promoted its research for protection of the Cantareira System and its initiatives for protection of watersheds.

NEXT GENERATION IPÊ was one of the third sector organizations selected for participation in the NEXT GENERATION DEVELOPMENT PROGRAMME (NGDP) in 2015. The program has already been promoted in over five countries and is part of an HSBC initiative for leadership training. During the week, company leaders work with Institute staff seeking solutions to challenges in the development and management of projects.

VISIT The Belgian Foreign Trade minister, Pieter de Crem, visited the IPÊ headquarters in Nazaré Paulista and learnt about the plantation project for conservation of water in the region. The initiative for the visit was by Marie-Noëlle Keijzer, CEO of We Forest, a Belgian international organization that supports project “Atlantic Forest Corridors”, developed by IPÊ, in Pontal do Paranapanema.

in California, denominated “Swimming Against the Tide”. Patrícia, who coordinates IPÊ’s Lowland Tapir Conservation Initiative, shared with the audience her experience of 20 years in conservation of the Brazilian tapir. Participations may be viewed at www.ipe.org.br/ra2015.

AWARDS Researcher receives the “Green Oscar”Arnaud Desbiez, coordinator of the Giant Armadillo project, promoted by IPÊ and the Royal Zoological Society of Scotland, received the Whitley Award in 2015. Among the most renowned conservation awards in the world and considered the “Green Oscar”, the award was delivered by princess Anne, at a ceremony at the Royal Geographical Society (London), in honor of his work to conserve the species.

AWARD FOR THE BLACK LION TAMARIN AND ENVIRONMENTAL EDUCATION IPÊ won the National Biodiversity Award, in category NGO. The Environment Ministry award was turned to the Black Lion Tamarin Conservation Project, promoted by the institution for over 30 years at the Pontal do Paranapanema (SP). The Institute also received the Lide Environment Award for its work in Environmental Education for biodiversitys.

2. ipê in numbers

WORLD FORESTS AT RISK

30 social-environmental conservation projects

In 2015, a broad global study on forestry fragmentation worldwide showed that, based on a high-resolution map, 70% of the forests on planet Earth are greatly threatened as they are in vulnerable areas. The research was published by magazine Science Advances, by 24 authors in several countries, including visiting ESCAS/IPÊ researcher and professor Clinton Jenkins. The analysis resulted in the first global high-resolution map indicating where the remaining forests are and how they are suffering the effects of fragmentation.

2.6 million TREES PLANTED in the Atlantic Forest

TED: BIODIVERSITY UNDER DISCUSSION IPÊ president Suzana Padua was one of the speakers at TEDx São Paulo, which covered theme “A Better Future”, talking about the need for Education celebrating life and bringing people closer to nature again. Also in 2015, TED Fellow Patrícia Medici gave a talk at the second meeting of TED global members,

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Scientific research for CONSERVATION of 6 species that are threatened and vulnerable with extinction Over 5,900 people trained in environment and sustainability courses In 2015 Over 14,600 PEOPLE WERE DIRECTLY BENEFITED Courses, talks, rural extension, environmental education, sustainable business and campaigns Over 85 Protected Areas managers benefited 179 communities trained in the monitoring of biodiversity Over 217 professors trained in environmental education


11. report in English

Over 250 small producers trained in sustainable production in the Atlantic Forest and the Amazon 300 students trained in environment and sustainability courses

3. project by site 3.1 pontal do paranapanema BIOME: ATLANTIC FOREST N. OF PEOPLE REACHED: 4,190 REGION: WESTERN SÃO PAULO STATE CHALLENGE: Develop systems and methodology for management of landscapes, balancing socioeconomic gains with the maintenance of ecosystem services and conservation of threatened species. MAIN ACCOMPLISHMENTS: For over 23 years in the region, IPÊ is responsible for the cultivation of over 1,000 hectares of forests in the largest reforestation corridor in Brazil, linking ESEC Mico-Leão-Preto to Parque Estadual Morro do Diabo. Research with the tapir, the black lion tamarin and the jaguar has already served for creation of public policies to save these species. In Teodoro Sampaio (SP), the city in which IPÊ consolidated its actions, environmental education is part of the municipal school calendar. Institute activities reached several people in this city and in neighboring cities, located around protected areas.

participants defined what the priority actions are for conservation in the Pontal. One of the main actions for protection of biodiversity, according to the participants, is creation of means for cultivation of forestry corridors that connect forest fragments.

ACTIVITIES GET TO ESEC MLP CITIES In 2015, IPÊ started promoting educational activities with greater impact in the four cities that include fragments of the Black Lion Tamarin Ecological Station (Estação Ecológica Mico-LeãoPreto - ESEC MLP). With the local population, the institutions estimated the appreciation and conservation of this endangered species, which only exists in the state of São Paulo and which has in the ESEC one of its last habitat refuges. Training of 160 teachers, art-education workshops and initiatives alongside primary school were the strategies to attract attention to the species. With a Travelling Exhibition on the Black Lion Tamarin at schools in these cities, IPÊ spread the message to over 2,000 people through pictures and videos. The work of the cities in the ESEC will be continuous, based on this experience, especially in the student and teacher communities.

TRAINING FOR GENERATION OF INCOME

In 2015, two meetings between artisans were promoted to support the development of new alternatives for income and to generate in residents a feeling of appreciation of the local environment. In all, 22 women participated in the lessons on creation and qualification of artistic items. ENVIRONMENTAL EDUCATION This was the case with Maria Aparecida de Oliveira. Settled in the rural area over 16 years ago, A GOOD PONTAL FOR ALL: at settlement Santa Zélia (Teodoro Sampaio/SP), VI ECONEGOTIATION DEBATED SUSTAINABLE DEVELOPMENT Cida had in her family an incentive to embroider. IN PONTAL DO PARANAPANEMA She says that her talent “came from the crib”, In 2015, IPÊ, with Morro do Diabo State Park/Fundação but that it has been improving with IPÊ, through workshops at the Institute. Florestal (SP), promoted the VI Participative Meeting “In the courses we saw that it is possible for “Econegotiation: A Good Pontal for All”. With the presence us to make our items telling our own story. of over 100 people (from NGOs, public organizations All we have on the land, the trees, the animals... and local leaders), the event debated the main socioenvironmental conquests of the region over the last It can all become handicraft, adding value to our 10 years and the challenges for sustainable development. things. This generates greater incentives in us. The story of the tapir was very marking. I would always The last Econegotiation had taken place in 2005. see tapirs run over, something common in our In this edition, several socioenvironmental sceneries region. I decided to bring it into our items,” he says. were discussed in the region as were their main transformations for that year. Based on a scenery of improvement, potentials, risks and obstacles facing the current socioenvironmental sceneries, the

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RESTORATION OF THE LANDSCAPE

SAFS PONTAL DO PARANAPANEMA PROJECT

ATLANTIC FOREST CORRIDORS

The SAFs (Sistemas Agroflorestais - Agroforestry Systems) challenge in Pontal do Paranapanema is promoting agro-ecological production systems, bringing economic, environmental and social gains to the region. The project reaches 57 families in rural settlements offering an alternative to productive systems that are currently economically unviable to small producers. At the same time, it helps produce vegetable coverage in the Atlantic Forest, connecting forestry fragments based on plantation of biodiverse systems. In 2015, IPÊ implemented the system in 57 hectares of settlements, 1 hectare per family. Some 2,600 fruit saplings, 18,000 native saplings and 75,000 coffee saplings were planted. On diversifying products farmed at the plot, the settlers are creating an environment that is freer of pests. This helps economize on inputs, generates better quality food and, of course, benefits the environment. In the year, the implementation of 51 coffee islands in the forest were implemented, a cultivation system which has already generated great results in previous years, also implemented in the region by IPÊ. With the project, the settlements had an opportunity that would hardly have been possible due to the necessary implementation costs, and are also complying with the legislation, planting in Legal Reservation Areas.

In 2015, IPÊ continued the activities for consolidation of the Atlantic forest corridor - the largest already reforested in Brazil, with 1.5 million trees - in Teodoro Sampaio. Throughout the year, studies were promoted on the growth and ecological function of the trees planted over 200 hectares of the corridor. The corridors project seeks to solve the lack of connectivity between forestry fragments, restoring degraded Permanent Preservation Areas and Legal Reservations in rural properties. The priority areas for restoration are identified by the “Dream Map”, created by IPÊ. To implement the corridor, saplings used come from eight community nurseries established and supported by the Institute, producing 400,000 saplings of native species each year. IPÊ released video “Corridors for Life”, which explains a little more about this work. View the English subtitled version at: www.ipe.org.br/ra2015.

REPRESENTATIVE FROM DURRELL VISITS THE CORRIDORS Dominic Wormell, Head of the Mammals Department at Durrell Wildlife Conservation Trust, visited IPÊ projects in Pontal do Paranapanema in 2015. The organization has been an Institute partner for over 20 years and has as its mission the saving of species facing extinction, among them the Black Lion Tamarin. For such, among other actions since the 1980s, it has been participating in international lion tamarin conservation and promotes projects in aid of the species. Among them is campaign “Cans for Corridors”, which collects donations for Atlantic Forest Corridors. “Cans for Corridors connects people with environmental matters to help generate a story of positive recovery. I had the opportunity to see the first trees being planted in the corridor and, in subsequent visits, have seen more and more restoration of the land. In this visit we have seen the progress of the corridors. It was truly inspiring to see how the corridors and ecological trampolines have been growing. It is a fantastic example of how conservation work should be executed,” explained Dominic. In Research & Development, learn how the corridors are being evaluated as natural capital.

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“WONDERFUL IPÊ!” “Look what a wonderful ipê! This should be due to the fertilizer, but also because here we plant everything together, and things flow.” On Rita Rosa Bernadino’s land, pineapples, lychees, watermelon and orange peacefully share space with squash, okra, coffee, cassava and native trees of the Atlantic Forest. She is one of the rural settlers who participated in one of the two 2015 IPÊ courses about how to manage SAF on the property and how to manage production. Simplifying, she explains what she learnt and is enchanted to see how in seven months the ipê, golden shower and cecropia trees she planted have grown. For the last 13 years, Rita has been living on settlement Margarida Alves, in Mirante Paulista (SP). Until last year, she lived off production of dairy, cassava and okra. Today, she already feels that the cultivation in SAFs is growing faster than the conventional method and contributing to family income. “We have already harvested pumpkins and squash, which is helping gain something. And we are about to start returning the cassava. When coffee is big, it will be good because


11. report in English

it will be possible to generate good income. It gives work. But the trees will help - when they grow further, they will provide shade and it will make work in the fields easier,” she says. Financial gains by farmers involved in the project will be raised in 2016. In the meantime, Rita can already see the environmental gains of the system. “The number of animals has risen significantly on my lot. Even macaws come here. Before there was nothing, and there is now shade for them, right?”, she says.

CONSERVATION OF THE FAUNA Black Lion Tamarin (Leontopithecus Chrysopygus) The Black Lion Tamarin Conservation Program aims to guarantee viable populations of the tamarin in a more protected and less fragmented habitat, involving communities in this care, which is the symbol species of the State of São Paulo. The field research evaluates the genetic structure and diversity of the metapopulation and, over the years, the number of sites covered and groups studied has been on the rise. As is the case with environmental education activities, research also advanced to the fragments of ESEC MicoLeão-Preto in 2015. In the year, five groups were captured in three fragments and are being monitored with radio collars. Soon, these same groups will receive GPS collars, an innovation in the monitoring of small primates, like tamarins. The project has registered up to 23 individuals in a single forestry fragment (Santa Maria, a private area covering 467 hectares). This is one of the greatest densities ever obtained for the species in the region. There are already six groups of two and seven individuals registered in 75% of the area fragment. The number is good, but the life area studies have been showing that the groups are overlapping territories due to the lack of space and availability of food. In 2016, the objective of the research will be investigation of what resources are key to promote the growth and maintenance of the population in these small fragments and in new restored areas. One of these bets is habitat management. In partnership with Durrell Wildlife Conservation Trust models of artificial hollows are already being developed to help in the management of these species.

GOOD NEWS In another study area, RPPN Mosquito (1300 ha), in the city of Narandiba (SP), the research team found in 2015 two baby black lion tamarins, resulting from translocations taking place over the last five years.

MAP FOR CONNECTION IPÊ participates in the group that elaborated the priority area maps for restoration and formation of the forestry corridor to connect Flona Capão Bonito to Paranapiacaba Mountain Range, in the State of São Paulo. This corridor may benefit the black lion tamarin by connecting its occurrence areas in the fragmented region of Buri to the largest forestry continuum in the State, with the objective of establishing a second viable population of the species.

PRESENTATION OF RESULTS The results of IPÊ research with the Black Lion Tamarin in 2015 were disseminated in conferences like the Congress of the Brazilian Zoo and Aquarium Society, in Foz do Iguaçu, Brazil, and at the Conference of the European Zoo and Aquarium Association (EAZA), in Poland. There were about 15 talks, five articles published in local papers, over 15 news items in the national online media and two national TV programs.

Jaguar (Panthera Onca) With initiative “Estratégia para Conservação da OnçaPintada no Alto Rio Paraná” (Strategy for Conservation of the Jaguar in the Higher Paraná River Area), IPÊ promoted an evaluation of data about the species, reuniting long-term research information by several organizations in the Higher Paraná River. This analysis generated one of the most complete data banks on the jaguar in the Atlantic Forest. Apart from that, a plan was established for conservation of the jaguar in Pontal do Paranapanema and the Higher Paraná River Basin, which complies with national objectives for protection of the species. As the main strategy for conservation of the jaguar in the Higher Paraná Biodiversity Corridor, the plan identifies 10 priority areas for implementation of corridors and Conservation Units, aiming to protect the environment used by the species. For nomination of these areas, information on the Habitat High Adequacy map for jaguars were combined with the maps generated together with the Network Managing the Paraná River Biodiversity Corridor. Development of the plan shows itself to be extremely necessary for protection of the species in the long term, as it only persists in the Higher Paraná Biodiversity Corridor as there are still great preserved areas with available resources, albeit vulnerable.

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3.2 nazaré paulista

education in Nazaré Paulista. IPÊ included our wealth in our teaching curriculum – human, cultural and environmental,” said the Director of the Education BIOME: ATLANTIC FOREST Department of the City, Daniela Matias Zanoni. NUMBER OF PEOPLE REACHED: 6,704 In the same line, project “Nascentes Verdes, Rios REGION: Southeast of the State of São Paulo Vivos” (Green Springs, Living Rivers) works for the local community to understand IPÊ work for forestry recovery, CHALLENGE: Conserving the ecosystem services of this to come closer to environment questions and to engage priority region for protection of the Atlantic Forest, in activities. Thus, the aim is to sensitize the educational with scientific research and involvement of the community so that ecological restructuring actions taking community. The actions propose new models for use place in the city; training teachers and school managers of the soil, cultivation practices and environmental to work on local environmental themes; and promotes education, favoring water resources and the remaining the development of relatives of students of the activities. forest in the region. In 2015, 26 activities were performed in the field with MAIN ACCOMPLISHMENTS: Cultivation of 300,000 native trees around 650 students and 57 teachers, 40 talks, one training course for educators and five events in all state in the Atlantic Forest in watershed areas. Greater and schools in the city. more detailed mapping of the social and environmental situation in the Cantareira Supply System, which supplies water to 14 million people, and whose data serve to establish strategies for protection of water resources. FUTURE BORN IN THE SCHOOL NURSERY Promotion of Environmental Education in 100% of the state schools of Nazaré Paulista and in eight cities that IPÊ has already planted over 300,000 native trees cover the Cantareira System. in the Cantareira System with the objective of protecting the water. And thanks to its school nursery, in the city of Nazaré Paulista, many of these trees could originate the flowers that now help guarantee production and the volume of water in one of the most important regions for CONSERVATION OF THE LANDSCAPE water safety for cities like São Paulo and Campinas. AND ENVIRONMENTAL EDUCATION The nursery is a teaching space of great local importance. That is where the first contact between PROJECTS SEEK TO SENSITIZE THE SOCIETY FOR students and project “Nascentes Verdes, Rios Vivos” PROTECTION OF WATER (Green Springs, Living Rivers) takes place. In 2015, IPÊ managed, with the support of the Itaú Social Excellence To IPÊ, conservation of natural water resources Fund, to improve infrastructure in the nursery, installing and biodiversity is only effective when united to support rooms for the activities. environmental education and community involvement. Thus, with the “Água Boa” (Good Water) and “Nascentes Verdes, Rios Vivos” (Green Springs, Living Rivers), the Institute takes information to teachers and students in NEW TRAIL local schools, providing incentives to formation of a society that is more active in environmental protection. Apart from the environmental education projects, In 2015, with Água Boa (Good Water) project, IPÊ in 2015, IPÊ promoted the training of Nazaré Paulista released exclusive educational material distributed freely city hall staff, with information about the importance of to teachers and school heads in Nazaré Paulista and urban forests, plantation techniques, care necessary with region. Guided to teachers, the material is composed of saplings and the correct way to prune trees that are in a book and a CD for support to the teacher and includes the green areas in the city. The Institute also promoted games kit “ProvocAção”. The idea is to stimulate and the plantation of trees in an urban zone trail, currently support teachers in the development of education greatly used for guided tours with students in public strategies regarding the environment. schools, aiming at spreading the biological and cultural “To us, educators, participating in the project was a importance of some species. very interesting process for transformation of municipal

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11. report in English

WATER RESOURCES APPS IN THE CANTAREIRA SYSTEM DO NOT HAVE SUFFICIENT FORESTRY COVERING TO GUARANTEE WATER SAFETY IPÊ research shows that 55% of the Permanent Preservation Areas, which cover rivers, dams and springs in the Cantareira System, are inadequate: approximately 41% are occupied by pastures and other uses, and around 14% are covered in eucalyptus. Thus, the necessary ecological conditions for production and maintenance of water resources are greatly affected. In the attempt of reverting this picture and contributing to the safety of the Cantareira System in the long term, IPÊ developed project “Semeando Água” (Sowing Water - sponsored by oil company Petrobras). The work promoted interventions in six demonstrative units in the areas covered by the supply system, proposing improvement in production of the pasture, updating use of the soil, regularization of preservation and reforestation areas. In 2015, 15 hectares were implemented for improvement of use of the soil in properties in the areas covered by Cantareira System. In 30 hectares in the six demonstrative units in the project - properties that influenced the collection of water for dams in the Cantareira System - economic monitoring also took place. There, the Voisin methodology was developed, with cattle rotation in pastures, allowing the recovery of soil and the absorption capacity of rainwater in water tables. At the end of the project, 34.8 hectares of ecologic pasture management were implemented. Apart from management of the soil, IPÊ also implemented and worked on monitoring 10 models for low cost restructuring, in 15 hectares, to identify the most viable for the region in terms of economics and applicability.

EDUCATION AND COMMUNICATION Complementing the strategy of the project for protection of water resources, IPÊ also promoted six training courses in model properties, five education talks, eight participative meetings, a course for educators and a campaign for generation of awareness regarding water conservation. The activities reached over 3,000 people directly and 13,600 indirectly.

3.3 lower rio negro BIOME: AMAZON N. OF PEOPLE REACHED: 1,000 SITE: Left bank of the Lower Rio Negro and Novo Airão, Amazonas. CHALLENGE: Implementing innovative models for territorial management and promoting life quality and conservation of biodiversity, based on the support of sustainable production chains. Another challenge is conservation of the Amazon manatee, a species that is symbolic of the region, making scientific research results available, operating in a network with other organizations and influencing public policies MAIN ACCOMPLISHMENTS: In the region for 15 years,

IPÊ work has already generated important fruit like the recognition of the Mosaic of Protected Areas in the Lower Rio Negro and the process for recategorisation of Rio Negro State Park - South Sector. The institute also contributed to the formation of a Community Based Tourism Route alongside the communities. The figures for the years of research on the Amazon manatee in freedom are already applied to the protection of the species, also in protected areas.

PRODUCTIVE CHAINS SOLUTIONS FOR SUPPLY OF SUSTAINABILITY ENTREPRENEURS In 2015, IPÊ concluded project “Eco-Polos Amazônia XXI: Development of Sustainable Productive Chains for the Amazon”, promoted since 2012, with the support of the Vale Fund. Focusing on Agrotechnology, Tourism and Handicraft fronts, the project structured the productive chains of these activities alongside the communities, developing: research and diagnosis, articulation in network with institutions, forums and councils; the strengthening of community organizations; rural extension; support and development in production infrastructure, and incentives to insertion of local sociobiodiversity products on the market. “Eco-Polos” was a great progress for the Institute. With the project, IPÊ worked with more communities than in previous years, in a participative construction process. In total, 29 communities in six Conservation Units and in the surrounding area were part of the project, most made of six family farms and productive groups made up of women. A total of 1295 families were benefited, 20 training workshops were developed and 270 handicraft products and 62 agrobiodiversity products were registered.

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In the year of conclusion of the project, the main highlights were the production and service providing infrastructure results alongside the communities. With support from IPÊ and its partners, the communities now already count on their own places and tools for development of their work, thus, creating sustainable activity nuclei.

HANDICRAFT TERRITORIAL BRAND AND IDENTITY As part of the process for training of artisans in the Terra Preta, Três Unidos and Nova Esperança communities, in Lower Rio Negro, IPÊ made possible the elaboration of a brand for the handicraft, strengthening the identity of products from the region.

REGISTERED ARTISAN In partnership with the State Labor Secretariat (Setrab-Am), in 2015, IPÊ promoted the delivery of 144 “artisan registrations” to people in the Lower Rio Negro community. The document guarantees a series of benefits, fostered by the Brazilian Handicraft Program (PAB), like the cancellation of taxes when issuing electronic invoices and social security rights to the artisans.

TOURISM Community Basted Tourism (CBT) is one of the instruments used by IPÊ for mobilization and generation of income to communities, based on the appreciation of local sociobiodiversity and environmental conservation in the Lower Rio Negro. It was in this perspective that, together with NGO Nymuendaju and the community, IPÊ helped elaborate the Tucorin Route (Community Tourism in Rio Negro), promoted in six communities: São João do Tupé, Colônia Central, Julião, Bela Vista, Nova Esperança and São Sebastião. The route provides immersion tourism in the social-environmental reality of the Amazon. In 2015, in an effort with the communities, IPÊ developed a business plan for Tucorin, with the objective of promoting an organizational, economic and communication structure for the route. One of the strategies of the plan is to expand sales of the route, guaranteeing greater sustainability to the initiative. The plan also proposes the standardization of the quality of the service with regard to the singularities of each community-territory.

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MOTHER’S CLUB Maria Inês Vieira dos Santos is part of a group of 10 women entrepreneurs. As is the case with many of them, her routine is divided between her work as a teacher at the community school in São Sebastião, in the rural area of Manaus, and as a participant in the Mother’s Club in the same place. There, the group promotes special work, which takes the flavor of the Amazon to several areas of Brazil, in production of jams, biscuits, sweets, among other kinds of delicacies with flavors like cupuaçu, cubiu, araçá and nuts. In 2015, Mother’s Club products were present in the Design da Mata fair, in São Paulo, and also in the fairs in the city of Manaus and regional shopping centers. Tucorin Tourist Routes could also experiment the flavors of the Amazon, in two visits. Over seven years alongside the IPÊ team, through projects in agrobiodiversity, Inês comments the difference of the presence of the Institute in the community and activities. “IPÊ provided courses and promoted organization of our group. We participate in several fairs outside Manaus and that resulted in a very great impulse for our products. We have improved what we produced, and now have greater quality and have even created new products, with IPÊ help. Today, we know what to do, know where to sell, and offer quality and variety. Income with the products is good, helping pay some bills, and it is added revenue to us,” she explains. With her own funds, IPÊ support and that of the Women’s Consulate, in 2015, the group started redoing its space. “We put in flooring and a ceiling, following production standards. Everybody likes it when they see it. Now, our space is more comfortable for working and receiving tourists and whoever wants to visit,” she explained, proudly.

AGROBIODIVERSITY LEGACY FOR AGRICULTURE IN TUCUMÃ NETWORK Based on the concept of Sociobiodiversity, which appreciates traditions and “know-how” of traditional populations, IPÊ actions stimulate agroecological production of small farmers, like: training and advisory in the access to public policies for production and trade in family farming; extension and agricultural technical assistance and support to trade. One of the great results of this work in the last year was the consolidation of Tucumã Network, an association made up of 30 small local farmers. Apart from setting up the head office and getting a boat to help transfer the food produced, community owners find they are organized with the objective of collecting funds to proceed with their projects.


11. report in English

“So much is said about sustainable development here in the region, but we always got stuck on the sale of products and could not progress. That is not due to lack of buyers, but due to how to arrive in cities. Our product is different, with no pesticides and is based on SAF (the Agroforestry System), so there is much demand and it may generate income to families here. Although we still have many dreams to realize, we have already reached some. For example: Now, with the boat, the cupuassu harvest will no longer be lost due to lack of transport to Manaus. Before, it would go bad and we lost a lot. It is now revenues for the farmers. Before IPÊ, we only had hopes, but we are now doing things!”, explained Nidoval Souza dos Santos, who lives in São João do Tupé.

3.4 pantanal and cerrado BIOME: PANTANAL AND CERRADO (BRAZILIAN SAVANNA) NUMBER OF PEOPLE REACHED: 1,300 SITE: Mato Grosso do Sul. CHALLENGE: To develop research conservation actions regarding the Brazilian tapir (Tapirus terrestris) and the Giant Armadillo (Priodontes maximus) and their habitats in the Pantanal and the Cerrado (the Brazilian savanna). Through projects, the following activities are performed: scientific and ecological research, health and genetics of species; environmental education; training; scientific tourism; and communication. MAIN ACCOMPLISHMENTS: Production of the most complete

data bank and information on the Brazilian tapir, fundamental for the planning of actions for conservation in the regional and national scope, and in 11 countries in South America. With expansion to the Cerrado, there are already three biomes covered by studies on the species. With the Giant Armadillo project, it was possible to promote a collection of new data on the behavior of the species, contributing to future conservation plans.

CONSERVATION OF THE FAUNA Brazilian Tapir (Tapirus Terrestris) In 2015, research activities of the Lowland Tapir Conservation Initiative (INCAB) started including new areas of study in the Cerrado, in Mato Grosso do Sul (MS). Situated some 130 kilometers away from state capital Campo Grande, the team evaluates the impact of different threats to the tapir in the biome. This is an important step in the research work for conservation of the Brazilian tapir, which celebrates its 20th anniversary in 2016. The studies have already covered the Atlantic Forest, in Pontal do Paranapanema region (from 1996

to 2008), and continue taking place in the Pantanal in Mato Grosso do Sul (since 2008).

2015 RESULTS In all, there were nine expeditions: four in the Pantanal and five in the Cerrado, capturing 21 tapirs. In Pantanal, tapirs are captured in box traps and using long-distance shots. In the region of Baía das Pedras Farm alone, the site study for the Pantanal Program, 19 were captured, undergoing health and genetic examination. Six individuals were new, which expanded the volume of information on the species in the biome. Five were equipped with GPS and expansive collars for monitoring. In the Cerrado, two tapirs were captured in traps and one of them, a male, was equipped with a GPS collar. Apart from that, samples of biological material were collected for genetic and epidemiological studies. A relevant fact for the year was the number of roadkill tapirs: 50 in only four highways in the Cerrado. Over the last seven years, 54 individuals have already been captured and are undergoing continuous monitoring at Fazenda Baía das Pedras. Over 250,000 locations were identified by telemetry, granting origin to 270 maps on the spatial ecology and intraspecific interactions by the species.

COMPLEMENTARY ACTIONS GENERATE AN IMPACT ON CONSERVATION Using the tapir as the flagship species for environmental education programs is an INCAB target. Around 1,300 people were reached by this work: 25 teachers, over 1,000 children, adolescents and young adults in rural and urban schools, 50 farm workers, and around 200 small farmers in three rural settlements. Over 40 zoos in nine Brazilian states participated in campaign Minha Amiga é uma Anta (My Friend is a Tapir), reaching over 45,000 people. Additionally, the work aims at training new conservation professionals. In 2015, 600 graduate students and 345 professionals in the area participated in talks and courses. With scientific tourism, the initiative reached 111 visitors. One of them was Manolo García, a researcher that works with the Central-American tapir in Guatemala and a member of the IUCN Tapir Specialist Group (TSG). The objective, when following the expedition, was to better understand the research methodology used by INCAB in the country. “I found it very interesting how the team works and organizes activities. The studies that are being planned here (in Brazil) may surely be expanded

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to other species of the tapir, like the Central-American variety. Nobody in the world is capturing as many tapirs for research as Patrícia Medici, in Brazil. And nobody knows more about ecology than the team here. This is an excellent opportunity through which it is possible to have a good idea of the relationship between tapirs, spaces for usage in forests, among other information which will be key to the development of similar studies with the tapirs of Guatemala.”

MOVEMENT IN SOCIAL NETWORKS AIMED AT REVERTING THE NEGATIVE IMAGE OF TAPIRS Communication is a tool for sensitization for the conservation of the Brazilian tapir. In 2015, alongside vet and illustrator Ronald Rosa, INCAB released a movement on social media in favor of animals that suffer due to their names being used by people in a negative manner, as is the case with the tapir (In Brazilian Portuguese, anta is synonymous with fool). To “fight” the Brazilian custom of using “anta” (tapir) as an insult, each week, for 12 weeks, illustrations were published showing the species interacting with other animals which, like her, also have their names used in a negative manner, as is the case with the whale, snake, chicken and others. Apart from the campaign, the project was the theme of six articles on the international press and 17 in the national press. Another relevant action in 2015 was the TED- Ideas Worth Spreading talk by Patrícia Medici, which generated greater visibility to the cause. At the end of 2015, over 600,000 people viewed the video. Watch here: www.ipe.org.br/ra2015

Giant Armadillo (Priodontes Maximus) IMPORTANT YEAR FOR THE GIANT ARMADILLO In 2015, work with the giant armadillo reached significant progress. Three new giant armadillos were captured and eight individuals were recaptured and equipped with GPS. In all, since the start of the project, 20 individuals have been captured for the research. With the implementation of GPS, the volume of data supplied was significantly improved. Epidemiological research with the giant armadillo and another three species of armadillos has also already resulted in important information, in the product study area, in the Pantanal. Project vet Danilo Kluyber will present the final analysis of these studies in 2016, verifying how conservation medicine may benefit human health.

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ENVIRONMENTAL EDUCATION AND PROMOTION OF THE CAUSE WORKSHOP: In 2015, the project organized the 1st Research Evaluation and Development Workshop on Armadillos “on site”, at the São Paulo Zoo. Researchers and collaborators who use the samples captured during field trips presented the results of their research and discussed the analysis of the material collected.

SCIENTIFIC PROMOTION The project uses promotion through the press and establishes partnerships for awareness generation campaigns. In 2015, there were 39 presentations at conferences, universities, research institutes and zoos. Apart from that, three articles were submitted for publication. In Pantanal, at Baía das Pedras Farm, a project supporter, the presentation team provides material about the work to tourists who visit the farm. The same takes place in local rural schools. The campaign, alongside the Zoo and Aquarium Society of Brazil (SZB), in Brazilian zoos, was concluded in 2015. Over 100,000 people were reached by the actions, which included the participation of 25 zoos. The education material was translated to Spanish for volunteers of the Latin American Zoo and Aquarium Association (ALPZA) and released in Latin American zoos.

IN THE CERRADO, PROJECT SEEKS SUPPORT FROM THE COMMUNITY TO FACE TABOOS Already established in the Pantanal, the Giant Armadillo project started in this new phase in the Cerrado in Mato Grosso do Sul, in 2015. There, to map the areas of occurrence of armadillos, the researchers ask residents in the state to report signs of tracks, footprints, dens and feces of the species. For such, pamphlets and posters are distributed and information is made available on www.vivatatu.com.br, helping people identify armadillo signs in the vicinity. “We got positive answers from local communities. This is what we call Citizen Science. All information will be investigated. What matters most is that we are creating in people great interest in the species, which almost nobody knows. Based on that, people recognize the importance of armadillos and are also agents for their conservation. This is an extraordinary promotion instrument that truly brings the project closer to the local population,” said coordinator Arnaud Desbiez.


11. report in English

For research on the Cerrado, all sites in which there are giant armadillos have been identified, based on government data bases, biodiversity inventories and interviews with students and organizations. Over 30 locations were obtained and, with the 2015 interviews, 20 new sites in which the species is found were identified.

RECOGNITION Efforts in the Giant Armadillo project for conservation of the species in the Pantanal and the Cerrado were recognized in ceremony “Ecology and Environmentalism” at the Campo Grande City Council (in Mato Grosso do Sul state). Apart from that, the work of project coordinator Arnaud Desbiez won the Whitley Awards. Learn more in Highlights.

ANTEATER IN SIGHT Apart from armadillos, the team has also been standing out in studies of the giant anteater in the Pantanal. In 2015, six animals were captured for studying and three of them are still being monitored. The objective is to promote a comparative study on the behavior of anteaters in the Pantanal and that of anteaters reintroduced into Ibera, Argentina.

4. thematic projects 4.1 PROTECTED AREAS

In partnership with several institutions, IPÊ collaborates with the effective development and conservation of protected areas throughout Brazil. Elaboration of management plans for the Protected Areas (UCs), training of managers in the area, activities alongside the community within and around the UCs are some of the activities with important results in maintenance of natural resources in the Brazilian biomes.

MANAGEMENT PLANS In a partnership with the Forestry Foundation of the State of São Paulo, in 2015, IPÊ started the elaboration of the plan for management of the Environmental Protection Area in Ilha Comprida (APAIC). Apart from that, IPÊ was the articulator of the – Plan for Management of Augusto Ruschi Natural Municipal Park (in São José dos Campos-SP) and the Proposal for the management and integration model among the protected areas in the Banhado region, areas in São José dos Campos (SP).

PARTICIPATIVE MONITORING OF BIODIVERSITY Since 2013, IPÊ has been operating in implementation of a Biodiversity Participative Monitoring Program in seven federal Conservation Units (UCs) in the Amazon. The initiative is part of the in situ Biodiveristy Monitoring Program in Federal UCs. The main motivation is the following of the state of biodiversity in UCs and involving the local community in management of these areas, having monitoring as a tool to guarantee conservation, management and the sustainable use of biodiversity. In 2015, three training events were promoted with 98 participants, 20 minimum protocol exemplification events, with 93 monitors, 10 complementary protocol exemplification events, with 111 participants. In all, 24 institutions and 58 communities are involved in the initiative. In the year, monitors promoted seven exemplifications in UCs. Evaluation included: water chelonians at Resex Unini and in Parna Jaú, macroinvertebrates, fish and environmental parameters in Parna Tumucumaque, hunting and wood exploration at Resex Tapajós-Arapiuns, fishing of the tucunaré in Rebio Uatumã, and medium and large mammals in Flona Jamari. Additionally, mammal, bird, plant and frugivorous butterfly monitoring was promoted in six UCs, totaling 12 tracks covering 5km in the wet and dry seasons.

MOTIVATION AND SUCCESS IN MANAGEMENT OF UCS This project, in partnership with ICMBio (Chico Mendes Institute for the Conservation of Biodiversity), aims to promote growth in the quality of management of federal Protected Areas (UCs) in Brazil. Since 2012, innovative and creative solutions have been developed to improve the management of protected areas in Brazil, stimulating competences of teams in the UCs. In all, the project directly benefits 86 managers, with the training and development of joint projects. In 2015, the project started investigating innovative mechanisms for the hiring of community members and people who live within or around the Protected Areas to support the management of these areas. The initiative is supported by Betty and Moore Foundation. To learn more: www.icmbio.gov.br/praticasinovadoras.

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4.2 ANALYSIS AND EVALUATION OF ECOSYSTEM AND NATURAL CAPITAL SERVICE RESEARCH & DEVELOPMENT Based on genetic studies and in partnership with large companies, IPÊ has been evaluating how biodiversity, ecosystem services and natural capital answer to initiatives for forestry restoration. In 2015, project “Developing Technologies to Appreciate Ecosystem and Natural Capital Services in Environment Programs” began. The work aims at elaborating technology for appreciation of ecosystem services and natural capital in companies, programs for revegetation and ecological corridors in Pontal do Paranapanema, in the far west of the state of São Paulo. The project takes place with the support of Duke Energy Paranapanema S.A., Fazenda Rosanela, ESEC Mico Leão Preto and Morro do Diabo State Park, and aims at analyzing four key ecosystem services: carbon capture, water quality, soil quality and biodiversity, in the areas financed in project Atlantic Forest Corridors, which resulted in the largest reforested corridor in Brazil, in the far West of the state of São Paulo. Among other results, at the end of the activities of this phase of the project, a low-cost tool will be created for appreciation of “Natural Capital” for companies in the electric sector and a fast and cheap tool to measure forestry biomass in reforestation areas and the natural carbon (captured) in restored areas. With project “Desenvolvimento de Metodologia para o Equilíbrio Ecológico de Corredores Florestais no Entorno de Reservatórios Baseado em Genética Metagenômica” (Development of Methodology for Ecological Balance of Forestry Corridors in the Area Surrounding Reservoirs Based on Megagenome Genetics), also started in 2015, with evaluation of soil (through DNA biodiversity studies), the connection between Permanent Preservation Areas cultivated in the area around the watersheds, the quality of the water and ecosystem services. Work takes place in areas restored by AES, in the cities of Caconde and Promissão, in the state of São Paulo.

5. institutional partnerships and campaigns On winning partners, promoting innovative ideas and integrating communities aiming at the socioeconomic development, the IPÊ Sustainable Business Unit contributes for the socioenvironmental cause to be in evidence in several ways, benefiting the most diverse of audiences.

PARTNERSHIPS DESIGN IN OUR LAND In 2015, for the first time under IPÊ coordination, Design da Mata promoted four events in the city of São Paulo, for promotion and trade of traditional art made by communities in the five Brazilian biomes. Throughout the year, all socioenvironmental wealth of the Atlantic Forest, Amazon, Cerrado, Caatinga and Campos Sulinos - translated in the form of handicraft, gastronomy, music and culture - winning the public in the city. The interest in traditional community talent presented a significant result. In the year, there were over 1,400 products traded in 28 groups of artisans; cultural presentations of music, theatre, poetry; and R$ 83,177.00 reals turned to the community. The great innovation of the year was the immersion trip promoted by Design da Mata in the Amazon, creating a greater connection between the consumer public and communities participating in the project. On board Boat Maíra I, eight travelers visited Lower Rio Negro, Anavilhanas and Manaus, experiencing community based tourism. Accompanied by IPÊ technicians, they met Indian artisans, riverbank dwellers and community entrepreneurs, sampled regional cuisine and contributed with group reflections on the values and practices that surround this culture.

NATURE ON YOUR FEET WITH HAVAIANAS IPÊ In the 11th year of the partnership, in 2015, Havaianas released the new IPÊ models with designs of the red cracker butterfly, the aplomado falcon and the wild cat. Sales totaled 932,682 pairs and revenues reached R$ 690,541.48, turned to the Institute. As was the case with previous collections, the partnership aims at promoting the beauties of Brazilian nature and support IPÊ with 7% of the net value of sales. Up to 2015, over 6 million reals have been raised for the cause.

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11. report in English

TRIBANCO

ECOSWIM BROUGHT TOGETHER OVER 600 PARTICIPANTS

IPÊ partner for nine years, Tribanco contributes to the institute through donations connected to some of its products. With each operation of the Produto Crédito Certo Tribanco (CCT) , R$ 0.10 is donated. Furthermore, 1 cent of each bill paid on Tricard is also turned to IPÊ, collaborating with the financial fund for sustainability of socioenvironmental conservation projects. In all, donations totaled R$ 62,114.10 in 2015.

In 2015, many people collaborated with the Atlantic Forest in Ecoswim! Some 611 swimmers participated, organized in teams, for a competition that resulted in the protection of forests and of the water of Cantareira System: the registration fee (R$ 4,000;00) was turned to maintenance of the IPÊ sapling nursery, used to restore forests in the Nazaré Paulista (SP) region. The Poli USP swimming team initiative took place in Santo André (SP).

FOR A DONATION CULTURE

ACTIONS WITH THE COMMUNITY

To support the movement that stimulates a donor culture in Brazil, IPÊ has been creating mechanisms and developing partnerships with organizations to come closer to potential donors to the socioenvironmental cause.

Providing a new outlook into the socioenvironmental reality and seeking new routes for generation of income, more sustainable and fair. This is how IPÊ actions reach groups like that of the embroiderers of Nazaré Paulista (SP). With initiative “Entwining lives and routes for conservation of biodiversity”, the group participated in five training workshops in management of production and trade of handicraft products based in participative practices, entrepreneurship, collective, sustainable and solidarity practices. The group of embroiderers has already been in operation since 2002, in project Sewing for the Future (Costurando o Futuro). With items that bring to mind Brazilian biodiversity, the women improve their family income and also promote the natural wealth of the Atlantic Forest, the region in which they live. Training them regarding management of production was necessary. Apart from that, the project expanded women’s participation in fairs and events for sale of products. The reflection of this action could be felt in numbers. Average revenues generated from September 2014 to October 2015 totaled 1,168.22, around R$ 97.35 a month, growth of 100% over the previous period.

GET2GETHER SUPPORTS CAUSES BY ORGANIZATIONS LIKE IPÊ Released in June 2015, site Get2gether is a platform that focuses on bringing people, companies and social and environmental causes together around a donation culture in Brazil. It is possible to contribute in several manners: Direct donations to NGOs, and through the Clube do Bem.

GIVING TUESDAY Giving Tuesday 2015 took place on December 1st. IPÊ participated in the movement through the Living Nursery (Viveiro Vivo) crowdfunding campaign, to connect funds for maintenance of the Nursery in Nazaré Paulista.

A ROUNDED YEAR FOR THE CAUSE Movimento Arredondar (Rounding Up Movement) arose in 2011, with the proposal of making each cent valid! The idea is that on buying at partner establishments, consumers can decide to “round up” the total spent, donating the cents to non-profit social and environmental institutions. In 2015, 21 partners participated, supporting 16 institutions and generating revenues of R$ 164,796.99 in all. This was the second year running in which IPÊ benefited from transfers from consumers who made donations at shops and rounded up for the environment: Luigi Bertolli, Offashion, Havaianas, Meggashop, Timberland and Emme. This year, R$ 59,384.99 was turned to IPÊ.

TALENT HUNTING With the support of Lojas Renner Institute, in 2015, IPÊ started project “Talentos da Natureza” (Talents of Nature), with the objective of identifying residents of Nazaré Paulista (SP) with the most varied of talents, be it for handicraft, agroecological production or other activities. Based on this identification, in 2016, these residents will be trained for the creation and development of products or services that may be aligned to these abilities, focusing on sustainable practices and capable of generating additional income for the families.

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IPÊ SHOP

IN COMPANY

The IPÊ Shop is one of the channels through which the communities of Pontal do Paranapanema, Nazaré Paulista and Lower Rio Negro promote and trade their products. Coffee grown in the shade, loofahs, and handicraft from these regions may be found on site www. lojadoipe.org.br. Sale of products at the shop benefited 39 families in 2015.

In 2015, ESCAS promoted a short course outside its offices: “Landscape Ecology”, to the Environmental and Sustainable Development Secretariat of Rio Grande do Sul. The in company courses focus on facilitating access to lessons outside São Paulo, and may be customized according to the needs of participants.

6. ESCAS Headquartered in Nazaré Paulista (SP), ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (Faculty for Environmental Conservation and Sustainability) is an IPÊ initiative for the training of professionals and future leaders in the socioenvironmental area. The school is the result of efforts by its researchers aiming at multiplying knowledge acquired in field studies and transferring its experience in the area. Since 1996, 5.971 people have already been trained in short courses and, since 2006, also in post-graduate courses: The MBA in Management of Social-Environmental Business and the Professional Master’s in Conservation of Biodiversity and Sustainable Development. Training professionals from Brazil, the USA and Latin America, ESCAS works on a different model of education, allowing students to: apply their knowledge in practice; relate closely to researchers and professors, expand networking; and access qualified and multidisciplinary education, guaranteeing a broader view of the themes covered.

SHORT COURSES In 2015: - 183 students trained in courses at the head office - 34 students trained at in company courses - 14 courses Professionals in several areas of knowledge, students and people interested in socioenvironmental courses are the audiences reached by the Short Courses. The great news of the year was the first ESCAS distance course: “R Program for Conservation Biology”. In partnership with Bocaina Biologia da Conservação, the course included the participation of 85 people. In seven modules taught over eight weeks, with live weekly webinars, the course aimed at teaching the free tool to professionals and students to improve their analysis of projects connected to biodiversity and conservation.

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PARTNERSHIP WITH UNIVERSITIES In partnership with ESCAS, international universities promoted complementary study programs that provide students with the opportunity to have contact with themes connected to ecology and global sustainability. Over the courses, the students actually follow IPÊ projects in communities as well as the work of researchers in the field. - In 2015, students from Colorado University Boulder participated in the Conservation Biology in Brazil’s Atlantic Forest - Brazil Global Seminar course for the fifth year running. - For the 15th year, students from Columbia participated in SEE-U (Summer Ecosystem Experience for Undergraduate), a program by the university that guarantees student credits for their graduation

PROFESSIONAL MASTERS In 2015: - 57 students studying - 17 Masters graduated - 16 full scholarships - 21 partial scholarships The Professional Masters’ in Conservation of Biodiversity and Sustainable Development has been in operation since 2008, started in partnership with the Arapyaú Institute. Recognized by Capes, the course has already trained 67 masters, in courses in the intensive and modular formats, in two campuses: Nazaré Paulista (SP) and Uruçuca (Bahia). In its eight year in execution, the Professional Masters’ has attracted new partners, counting with the support of company Veracel and of a natural person donor. The course also counted on nine scholarships via projects IPÊ Research & Development (Pesquisa&Desenvolvimento do IPÊ) - five of them financed by Duke Energy, three by AES and one by CESP. It also counted on a scholarship with resources provided by Panthera Foundation, for the “Connectivity assessment and conservation planning for jaguars (panthera onca) between the Upper-Paraná and the Pantanal, Brazil” project.


11. report in English

FINAL PRODUCTS ESCAS stimulates students in the Professional Masters’ to develop, at the end of the course, projects with social insertion potential, which promote concepts and reflections that may be explored in society. In 2015, 17 new end-products with varied themes like environmental law, environmental education, solid residues, social-environmental management and forestry analysis were developed. Regarding the latter theme, one of the works identified a grave revelation to the Atlantic Forest in the far south of Bahia state. With work “Análise da dinâmica atual do desmatamento na APA do Pratigi e suas implicações futuras para as mudanças climáticas” (Analysis of the current dynamics of deforestation in APA Pratigi and its future implications for climate change) Bruno da Matta warned to the level of threat to one of the most diverse regions in Brazil, located in the Central corridor of the Atlantic Forest, a region that houses the global record in number of tree species, with 458 species per hectare. The study shows that, despite its biological importance, the rhythm of deforestation at the APA was 1.2% between 2000 and 2011, resulting in a reduction of coverage of over 14,000 hectares. The rate of deforestation is 30 times greater if compared to the Atlantic Forest as a whole and greater than in many regions of the Amazon, the Brazilian biome that is currently most affected by deforestation. Future projections show that, if nothing is done in 30 years, the region will be reduced to 30% forest, affecting a significant part of biodiversity and local ecosystemic services. The proposal, from now on, is for data from the study to be considered for actions regarding conservation of the area.

IMPACT EVALUATION ESCAS has been following alumni to verify their development and the transformation in their areas of operation. Currently, 32% operate in the private initiative, 36% in the government sector, 24% in the domestic non-governmental sector, 4% in the international and 4% in academia. Some of the alumni decided to start their own businesses, developing projects, as is the case with Jeilly Vivianne Ribeiro. A student in the Professional Masters’ in the first group in Bahia, she opted for the course as she could study in the region in which she lives and works. After becoming a Master from ESCAS, Jeilly created her own company, Polímata Ambiental. Operating in the far south of Bahia, with partners and clients, Jeilly’s work has had an impact on the region through several projects aimed at sustainable development of the region.

With technical assistance and company following, residents and small low-income farmers have been granted knowledge as to how to cultivate on an agroecological basis that generates benefits to the community and increases family income. They also started understanding more about how to access public policies to expand their capacity for gains with work on the land. In much work with the local community, Jeilly uses the references and techniques learnt throughout her training in the Professional Masters’ and also keeps in contact with her professors for the exchange of ideas and development of activities. “In ESCAS, I found great generosity for the transfer of knowledge. All material positive and contact was transferred to us. When you have access to knowledge and to quality products, your growth only depends on you. Professors are references to me, and to this day I still contact them with regard to cases related to the work with communities and participative processes. Even after five years, the material is very useful to my professional life,” she says.

MBA IN MANAGEMENT OF SOCIOENVIRONMENTAL BUSINESS In 2015: - 12 students started in the third class The MBA in Management of Socioenvironmental Business provides to the student a profound outlook for global challenges, and for sites for socioenvironmental development. The course has already trained 33 professionals since 2012. Promoted with the pedagogical support of Artemisia Negócios Sociais and of CEATS / USP (Centro de Empreendedorismo e Administração em Terceiro Setor - the Center for Entrepreneurship and Management in the Third Sector), the course offers a fully innovative outlook and practice on concepts that currently make the difference in the business of the companies and organizations highlighted: socioenvironmental sustainability, inclusive business alongside the shared value pyramid. In 2015, a new group was started on the Nazaré Paulista (SP) campus. Fernanda de Barros Filgueiras, a publicitarian from Rio de Janeiro, is one of the students. She was always curious about topics connected to the social and business development at the base of the pyramid. So much so that her desire for entrepreneurship in a social area made her become a partner in start-up Vem Gerir, focused on microentrepreneurs. When she learnt about the ESCAS MBA in the area, she knew it was a great opportunity for development in the area.

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Also operating as a marketing trainee at company Cielo, Fernanda believes that organizations play a fundamental socioenvironmental part and, for this, she aims to take her knowledge straight to her area of work. To her, the MBA has brought important lessons, showing routes for comprehension that it is possible to be a socioenvironmental entrepreneur, even within a company in the private sector. “First of all, the MBA brings a broad vision of what a socioenvironmental business is... Furthermore, it provides all tools for you to be a successful socioenvironmental entrepreneur. Although this is the focus of most of the course, the MBA teaches that, to be an entrepreneur, you do not necessarily need to open a company. There are several routes to be trailed, including some within private or third sector initiatives. Even with all this knowledge, I would say that what the course provides - and what is most important - is hope: in people and in a better world. I can state that the MBA made it possible for me to meet the most incredible people in this life, with great knowledge, not just on the themes they are covering, but also about life. Having the opportunity of creating ties, being able to study or work with them is priceless.”

ESCAS MBA STUDENTS WINS AWARD FOR SOCIAL BUSINESS MONOGRAPH The paper for conclusion of MBA in Management of Socioenvironmental Business entitled “Negócios sociais e Grandes Empresas: Oportunidades e desafios para parcerias na cadeia de valor” (Social Business and Large Companies: Opportunities and challenges for partnerships in the value chain) won ICE Award 2015: Finanças Sociais e Negócios de Impacto (Social Finance and Impacting Business).

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Promoted by student Veridyana de Oliveira Cesar Borges, with the advisory of Graziella Comini, the study heard about the experience of five different Brazilian social businesses and their partnerships with large companies, a relationship permeated by challenges. Starting with the capacity of a small social business, supplying the business demand, in broad scale, and including the bureaucracy involved in a partnership between companies. To Veridyana, who is currently the Sustainability supervisor at Danone, there is a great route to be followed in partnerships between companies and social businesses. “It is worth it for a social business to seek partnerships with companies, seeking opportunities that are not yet explored. But for the partnership to take place, it is necessary for them to identify what kind of company makes sense to the business and understanding the strategy of the company in question. I believe that it is essential to try to show the social side of business, but also to have an aligned economic vision. Managing to show that it has this social and economic vision of the business is seen as a differential by large companies,” she says.

7. donate and connect to IPÊ www.ipe.org.br/english www.facebook.com/ipe.instituto.pesquisas.ecologicas www.twitter.com/institutoipe www.youtube.com/videosdoipe www.instagram.com/institutoipe


11. report in English

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Direção de arte e projeto gráfico: Ana Laet Comunicação Texto: Paula Piccin Tradução: Ament Traduções Foto capa: Érica Felipo Impressão: Mubbe Soluções Gráficas

RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2015  

Relatório de atividades do IPÊ 2015.

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