Page 1

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO MÉDICA Comemorar 20 anos ao serviço do ensino médico e das ciências da saúde

SUMÁRIO 2. Entrevista ao Prof. Alberto Matos-Ferreira, presidente do Instituto de Educação Médica (IEM) 6. Cerimónia de Abertura das comemorações dos 20 anos do IEM 12. Tarde Cardiológica 16. Prostate Cancer Course 24. Fotomomentos

20, 21 E 22 DE JUNHO DE 2013 20, 21 e 22 de junho de 2013 1


ENTREVISTA

«Vamos reestruturar o Instituto e criar cursos de média e de longa duração, que permitirão obter o título de Máster» No âmbito das comemorações dos 20 anos do Instituto de Educação Médica (20 a 22 de junho, Auditório Agostinho da Silva, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa), o seu fundador e presidente, Prof. Alberto Matos-Ferreira, reflete sobre duas décadas de trabalho ao serviço do ensino médico e das ciências da saúde. Nesta entrevista, Matos-Ferreira revelou que o Instituto tem em curso uma reestruturação profunda para responder às adversidades dos tempos e continuar a marcar a diferença no ensino em Portugal.

Porque é que o Instituto de Educação Médica (IEM) comemorou o seu 20.º aniversário com um curso na área da Cardiologia e outro no âmbito da Urologia, particularmente do cancro da próstata? O Prof. Fausto Pinto é o atual presidente-eleito da Sociedade Europeia de Cardiologia, o que o colocou numa posição de destaque no meio médico internacional. Isto justificou a escolha da Cardiologia como tema de um dos cursos, pois permitiu-nos comemorar a sua nova posição hierárquica, que tanto honra o País, em simultâneo com a comemoração dos vinte anos do IEM. Na Medicina, como em qualquer outro campo, há assuntos que – devido à sua atualidade, relevância e importância – nunca perdem o interesse. O cancro da próstata é um deles e, por isso, foi o tema escolhido para o outro curso, o que não

2

Comemoração dos 20 anos do IEM

quer dizer que seja mais importante do que outros assuntos relacionados com as cerca de quarenta especialidades que constituem a Medicina na prática atual. A sua escolha deve-se principalmente à importância da doença pela frequência, gravidade de alguns casos, e modificações que o diagnóstico e a terapêutica sofrem continuamente. Deste modo, o carcinoma da próstata tem sido um assunto recorrente na atividade do IEM, sempre com a colaboração do insubstituível Prof. Fritz Schröder, figura mundial central nesta área. O que significa para o IEM comemorar 20 anos de existência? Considerando as dificuldades que o Instituto de Educação Médica e as pessoas que fazem tudo para que seja uma referência mundial na educa-


Após incontáveis contactos, surgiu um convite da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias motivado pelo interesse em ter uma valência de ensino médico no seu currículo académico. Agradecemos aos órgãos de Gestão Académica e à Administração por terem salvado o IEM.

ção ultrapassaram para continuar a oferecer, com nível e frequência, simpósios e cursos, sem a mínima garantia de fundos, esta efeméride é uma conquista épica. Quais as principais vitórias e dificuldades que destacaria no percurso do Instituto? Após um período de bloqueios e de hostilização crescente em relação ao IEM por parte da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, instituição onde foi fundado, utilizando vários pretextos, e apesar de termos feito tudo para inverter esta situação, em outubro de 2006, foi-nos dito que o Instituto deveria sair da Faculdade, porque precisavam das instalações para criar o seu próprio instituto de pós-graduação! Foi um grande choque. Mas o nosso objetivo é ensinar, instruir e fazê-lo tão cedo quanto possível. Por isso, iniciámos a procura de uma instituição na qual o IEM se pudesse instalar e oferecer a sua experiência e colaboração.

Quais os desafios de fundar e presidir um instituto como este? Além das dificuldades em obter patrocínios também se tem tornado cada vez mais difícil conseguir professores, porque, com frequência crescente, exigem contrapartidas que o IEM não pode satisfazer. De que modo o IEM irá responder a estas dificuldades? Vai ser muito difícil, mas vamos reestruturar o Instituto, mantendo o formato atual dos cursos, mas criando cursos de média e de longa duração, para um número restrito de alunos, que lhes permitirão obter o título de Máster. Que outros aspetos e objetivos desta reestruturação gostaria de salientar? Estamos a trabalhar com a Administração para integrar o IEM na Universidade como Unidade Orgânica, passando, deste modo, a receber apoio da Universidade. Poderemos ter um quadro de professores e investigadores para desenvolver uma das coisas essenciais em qualquer universidade – a investigação. A reestruturação, para ser eficaz e dar frutos, 20, 21 e 22 de junho de 2013

3


ENTREVISTA tem de contar com mais pessoas, para já, com médicos empenhados nas tarefas e no apoio ao funcionamento e às necessidades gerais. O IEM tem vivido praticamente sempre do meu trabalho e dedicação e do trabalho insubstituível do secretariado. O Instituto foi dos primeiros a apostar no e-learning. Considera que tem sido uma aposta ganha? Não fomos só pioneiros no e-learning, mas também no b-learning, webinar e telemedicina. Não temos ainda experiência que se possa analisar e só conseguiremos desenvolver estas técnicas com a colaboração de outras pessoas que entrem para o quadro do IEM e da própria Universidade que está bem apetrechada para estas tecnologias. Dos cerca de 160 cursos já ministrados, quais lhe ficaram especialmente guardados na memória? Além dos vários cursos sobre carcinoma da próstata, tema pelo qual tenho um interesse especial, guardo na memória, pela sua alta qualidade e nível dos palestrantes, os cursos para os Internos do Ano Comum. São cursos para recém-formados, constituídos por aulas teóricas, com temas escolhidos pelos alunos; aulas teórico-práticas, nas quais os temas teóricos são ilustrados com exemplos da prática clínica; e aulas práticas hands on de cirurgia clássica, nas quais se treinam suturas e como fazer nós, utilizando carne de porco, e de cirurgia laparoscópica, utili-

4

Comemoração dos 20 anos do IEM

zando aparelhos endotrainers, nos quais os internos treinam o uso de laparoscópios, fazendo pequenas manobras idênticas às realizadas nos doentes. Estes cursos despertam grande entusiasmo, pelo que vamos fazer outro ainda este ano. Como é que avalia a formação médica pós-graduada e contínua no nosso País? Bastante bem. Tenho verificado, no European Board of Urology, do qual faço parte, que a formação dos nossos jovens é melhor do que a dos da maioria dos países europeus. Por exemplo, os jovens urologistas portugueses têm ficado, individualmente, em primeiro lugar, entre todos. Nos exames escritos, nomeadamente os de 2012 e 2013, os portugueses ficaram, em grupo, em primeiro lugar, em relação a


«ESTA EFEMÉRIDE [OS 20 ANOS DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO MÉDICA] É UMA CONQUISTA ÉPICA!»

O IEM EM

NÚMEROS 154

associados singulares

3

associados coletivos todos os jovens urologistas dos outros países, o que foi realçado na assembleia-geral do Board. Como é que vê o futuro da saúde dos portugueses, considerando os tempos que atravessamos e as reformas e cortes efetuados nos cuidados de saúde e na formação? Apesar dos cortes e restrições, a Medicina portuguesa e os serviços são dos melhores da Europa.

500

profissionais, entre coordenadores, regentes, moderadores e palestrantes participaram em mais de 1.900 atos discentes até 2013

160

cursos ministrados

10.000

formandos até 2013 Qual o balanço que faz das comemorações do 20.º aniversário do IEM? Depois de meses de preparação exaustiva, cuidada em todos os pormenores, entusiasmados pelo muito que o evento representava para nós, e apesar do enorme interesse dos temas e do alto nível dos palestrantes nacionais e estrangeiros, a assistência foi muito reduzida, o que me deixou dececionado. Outro facto extremamente negativo e triste é o de

ter enviado cartas-convite para dezenas de altas individualidades universitárias, hospitalares e da sociedade civil para participarem na Cerimónia de Abertura, e poucos foram os que acusaram a receção do convite. Isto é extremamente chocante e revelador do nível cívico da nossa sociedade. 20, 21 e 22 de junho de 2013

5


CERIMÓNIA DE ABERTURA

Doenças cardiovasculares e papel das sociedades científicas em destaque

Mesa de honra (da esq. para a dta.): Dr. Tomé Lopes, presidente da Associação Portuguesa de Urologia; Prof. Fausto Pinto, presidente-eleito da Sociedade Europeia de Cardiologia; Dr.ª Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud; Prof. Mário Moutinho, reitor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT); Prof. Manuel Damásio, presidente do Conselho de Administração da ULHT; Prof.ª Dulce Brito, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia; Prof. Miguel Castanho, subdiretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa; e Prof. Alberto Matos-Ferreira, presidente do Instituto de Educação Médica.

O Auditório Agostinho da Silva, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa, acolheu as comemorações do 20.º aniversário do Instituto de Educação Médica, que decorreram de 20 a 22 de junho. A Cerimónia de Abertura foi marcada pela presença de altas individualidades e pelo abordar de temas tão relevantes quanto as doenças cardiovasculares e o papel das sociedades científicas na prática médica. 6

Comemoração dos 20 anos do IEM


As boas-vindas foram dadas, como não poderia deixar de ser, pelo fundador e presidente do Instituto de Educação Médica (IEM), Prof. Alberto Matos-Ferreira. Na manhã do dia 20 de junho, na Cerimónia de Abertura das comemorações do 20.º aniversário do IEM, foram passadas em revista duas décadas de existência de um Instituto que, apesar das dificuldades, continua a contar com profissionais dispostos a assegurar a sobrevivência e desenvolvimento deste marco na formação médica contínua e pós-graduada em Portugal.

players, não só ao nível europeu, mas mundial, temos de estar conscientes de que o nosso retângulo e ilhas já não têm propriamente fronteiras. Neste contexto, vamos renovar o IEM e garantir que este realmente contribui para a melhoria do ensino médico não só no nosso País, mas também na comunidade lusófona e na Europa.»

Prof. Manuel Damásio

VINTE ANOS EM BALANÇO Inicialmente ligado à Faculdade de Ciências Biomédicas da Universidade Nova de Lisboa, o IEM mudou-se «de armas e bagagens», em 2006, para a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e prepara-se, com o apoio desta instituição, para levar a cabo uma reestruturação profunda e apresentar um plano de atividades ambicioso. O objetivo, referiu Matos-Ferreira durante a sua intervenção, «é ultrapassar as dificuldades financeiras e manter a qualidade e frequência do ensino médico e da formação em ciências da saúde que fazem do IEM uma referência nacional nesta área». As palavras que se seguiram, do Prof. Manuel Damásio, presidente do Conselho de Administração da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, corroboraram as do presidente do IEM e foram mais longe: «Numa altura em que somos

Prof. Alberto Matos-Ferreira

20, 21 e 22 de junho de 2013

7


CERIMÓNIA DE ABERTURA sua presidente, bem como as relações desta instituição com outros centros de investigação mundiais. Ao mesmo tempo, a assistência foi brindada com uma visita guiada, através de fotografias, à Fundação e ao seu Centro Clínico. Foi fácil perceber que nada foi decidido ao acaso.

Dr.ª Leonor Beleza

PRESENÇA DA FUNDAÇÃO CHAMPALIMAUD Seguiu-se a intervenção da Dr.ª Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud. Apresentar e falar sobre os projetos e a atividade desta instituição foi o objetivo da sua conferência, subordinada ao tema «A Fundação Champalimaud no contexto da investigação em Portugal». Assim, a presidente da Fundação começou por explicar os motivos da criação desta instituição nacional indissociáveis da vida e da forma de estar do seu fundador – António de Sommer Champalimaud (1918-2004). As escolhas efetuadas pela Fundação Champalimaud, ao nível das suas áreas de investigação – Neurociências, Oncologia e Oftalmologia –, foram explicadas de forma pormenorizada pela

8

Comemoração dos 20 anos do IEM

DOENÇAS CARDIOVASCULARES COM PREVALÊNCIA PREOCUPANTE A segunda e última conferência desta Cerimónia de Abertura ficou a cargo do presidente-eleito da Sociedade Europeia de Cardiologia (SEC) para 2014-2016, o Prof. Fausto Pinto, que falou sobre «O papel das sociedades científicas na harmonização da prática médica». Este cardiologista, que muito tem contribuído para a internacionalização da prática clínica e da investigação nacional no âmbito desta especialidade, começou por apresentar o panorama das doenças cardiovasculares (DCV) na Europa e no mundo, bem como algumas previsões conhecidas para esta área em termos de prevalência e custos (ver caixa «Factos & Números»). De destacar a sua primeira afirmação: «As doenças cardiovasculares são e continuarão a ser a causa número um de mortalidade e morbilidade no mundo». De facto, neste momento, dentro das doenças não transmissíveis, as doenças cardiovascula-


Factos & Números As doenças cardiovasculares (DCV) são a primeira causa de morte em todo o mundo e continuarão a sê-lo nos próximos 20 anos Nos EUA prevê-se que, até 2030, a prevalência dos fatores de risco cardiovascular aumente em 9,9% As doenças cardiovasculares matam 2 milhões de europeus por ano e têm um custo anual de 192 mil milhões de euros A esperança média de vida com qualidade (QALY - quality-adjusted life year) aumentou significativamente na Europa, podendo ser diretamente relacionada com os avanços científicos, em particular na área cardiovascular Em 2010, 285 milhões de pessoas, no mundo, tinham diabetes. As previsões apontam para que, em 2030, sejam 438 milhões

Prof. Fausto Pinto

43,2% dos doentes com diabetes não estão diagnosticados nem tratados Em Portugal, em 2010, foram gastos 2.097 euros per capita em saúde, valor abaixo da média europeia (2.171) Não há relação direta entre os custos per capita e os ganhos em saúde em termos de esperança média de vida Nos EUA, com um investimento de $3,70, por ano, por cidadão, são evitadas um milhão de mortes prematuras Neste momento, na Europa, são investidos 1,8% do PIB (produto interno bruto) em investigação, enquanto nos EUA a percentagem investida é de 2,7%; no Japão 3,4%; e na China 1,75%, com o objetivo anunciado de subir para 2,2% até 2015 O principal programa europeu de apoio à investigação, o Framework Programme 7, recebe apoios no valor de 6 biliões de euros, cerca de 10% do orçamento total para investigação entre 2008 e 2013 O orçamento para investigação em saúde do National Institutes of Health, nos EUA, era de aproximadamente 30 biliões de dólares, em 2008, sendo que cerca de 3 biliões foram atribuídos ao National Heart, Lung, and Blood Institute, principal instituição envolvida na investigação na área cardiovascular

res apresentam uma prevalência de 48%, seguidas do cancro (21%), outras doenças (16%), doenças respiratórias (12%) e diabetes (3%), como mostrou o presidente-eleito da SEC. Apesar de a percentagem atribuída à diabetes ser a menos elevada dentro das DCV, Fausto Pinto não encarou esta questão «de ânimo leve». «Apenas um quarto dos doentes com diabetes estão devidamente diagnosticados e tratados, sendo que o aumento da prevalência desta doença está relacionado também com o aumento das taxas de obesidade, particularmente nas crianças e adolescentes, o que é extremamente preocupante, já que a obesidade, a diabetes e as DCV andam de mãos dadas», alertou o presidente-eleito da SEC. 20, 21 e 22 de junho de 2013

9


CERIMÓNIA DE ABERTURA O PAPEL DAS SOCIEDADES CIENTÍFICAS Neste contexto, como poderão as sociedades científicas como a SEC - a maior do mundo, com 80 mil associados - ter um papel ativo na inversão desta realidade? Fausto Pinto identificou cinco áreas de ação decisivas: a investigação; os registos; as atividades educacionais; as guidelines; e a sensibilização («advocay»). Ao nível da investigação, o presidente-eleito da SEC apresentou alguns dados relevantes sobre o assunto (ver caixa «Factos & Números»), particularmente ao nível do investimento nesta área, para depois salientar que a maioria dos trabalhos desenvolvidos com o apoio das sociedades científicas (60%), como mostrou no caso da Sociedade Espanhola de Cardiologia, resulta na sua publicação,

«A SEC TEM DESENVOLVIDO INÚMEROS PROGRAMAS DE APOIO À INVESTIGAÇÃO, ENTRE OS QUAIS O ESC CARDIOLOGISTS OF TOMORROW.» Prof. Fausto Pinto

10

Comemoração dos 20 anos do IEM

em 73% dos casos em revistas internacionais e, em 91,34%, em revistas nacionais. A SEC, acrescentou Fausto Pinto, tem desenvolvido inúmeros programas de apoio à investigação, entre os quais o ESC Cardiologists of Tomorrow, uma plataforma que pretende promover parceiras entre jovens investigadores por toda a Europa. Relativamente aos registos, o presidente-eleito da SEC indicou que, apesar de existirem vários e em muitos países, atualmente questiona-se a sua objetividade e independência devido ao facto de serem criados pelos governos ou pela indústria farmacêutica e de equipamentos. «As sociedades científicas devem assumir um papel de total independência e ter a capacidade de construir registos o mais isentos possível, para que possam traduzir a realidade», sublinhou Fausto Pinto. Promover atividades educacionais como Congressos, reuniões de subespecialidade, cursos, fellowships, entre outros, foi algo também bastante enfatizado pelo presidente-eleito da SEC, tal como a definição de guidelines e de standards baseados na evidência científica e que possam ser aplicados à prática clínica. Fausto Pinto relevou ainda o papel das sociedades científicas ao nível da sensibilização governamental e dos meios de comunicação social, que devem procurar, como a SEC, ser ouvidas pelos decisores políticos nacionais e internacionais, e colocar temas como a prevenção, a investigação, a regulamentação, os registos ou a e-health na agenda pública. Esta Cerimónia de Abertura terminou com a in-


tervenção do Prof. João Vasconcelos Costa, pró-reitor para o desenvolvimento institucional da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, que elogiou «a perseverança e a dedicação da direção do Instituto de Educação Médica, bem como o papel do Prof. Matos-Ferreira». Destacando também o empenho de centenas de professores e milhares de alunos que proporcionaram e procuraram formação no IEM, João Vasconcelos Costa sublinhou o pioneirismo do Instituto no ensino à distância. «O e-learning é particularmente importante na educação médica devido à necessidade contínua de atualização, formação, mas também de cultura, para que não se esqueça o humanismo essencial à relação médico-doente», afirmou.

Momento musical A Cerimónia de Abertura das comemorações do 20.º aniversário do Instituto de Educação Médica (IEM) não ficaria completa sem a aposta na componente cultural. Neste contexto, a também aniversariante orquestra Os Violinhos, criada em 2003, e constituída por alunos da Academia de Música de Lisboa, animou o final da manhã e abriu o apetite para o almoço. Estes violinistas de palmo e meio tocaram e encantaram «como gente grande» mostrando à assistência porque é que são uma das orquestras nacionais mais premiadas, com oitenta distinções em dez anos. Oiça aqui Os Violinhos e saiba mais sobre o projeto em www.violinhos.net.

Prof. João Vasconcelos Costa 20, 21 e 22 de junho de 2013

11


TARDE CARDIOLÓGICA

Desafios e novidades no diagnóstico, tratamento e prognóstico das doenças cardiovasculares

Alguns dos participantes na Tarde Cardiológica (da esq. para a dta.): Prof.ª Dulce Brito; Prof. Fausto Pinto (coordenador); Prof. Luís Moura; Dr.ª Maria João Andrade; Dr. João Sousa

A tarde do dia 20 de junho foi dedicada às doenças cardiovasculares, a primeira causa de morte e morbilidade em todo o mundo. Só este facto bastaria para justificar que o Instituto de Educação Médica (IEM) tenha escolhido esta temática para um curso que visa comemorar o seu 20.º aniversário. No entanto, o interesse deste tema está relacionado também com avanços e novidades. «A área cardiovascular constitui um dos ramos da Medicina que tem tido desenvolvimentos mais espetaculares nos últi-

12

Comemoração dos 20 anos do IEM

Uma «Tarde Cardiológica» subordinada ao tema «Novos desafios em Medicina cardiovascular» foi uma das propostas do Instituto de Educação Médica para comemorar os seus 20 anos de existência. Assim, no dia 20 de junho, foram abordadas as últimas novidades ao nível do diagnóstico, tratamento e prognóstico das doenças cardiovasculares.


mos anos, tanto no âmbito do diagnóstico, como da terapêutica e, mesmo, ao nível do prognóstico», referiu o coordenador desta «Tarde Cardiológica», Prof. Fausto Pinto, presidente-eleito da Sociedade Europeia de Cardiologia (SEC) e professor catedrático de Cardiologia da Faculdade de Medicina de Lisboa (FML).

DISCUTIR OS TEMAS QUENTES DA ESPECIALIDADE Neste contexto, o programa foi desenhado, de acordo com Fausto Pinto, «para proporcionar a partilha, por parte dos cardiologistas nacionais mais conceituados, dos seus resultados em áreas recentes da avaliação diagnóstica e de intervenção terapêutica em Cardiologia». Dividido em duas partes – diagnóstico e tratamento -, o curso permitiu debater as novidades da especialidade. No âmbito do diagnóstico foram, pois, apresentados e discutidos os avanços recentes na área da doença isquémica cardíaca, da doença cardíaca valvular, da aritmologia e da insuficiência cardíaca. Relativamente à terapêutica, o coordenador do curso sublinhou «a discussão em torno de um dos temas quentes em Cardiologia - o tratamento percutâneo da doença da válvula aórtica -, mas também questões como a hipertensão arterial resistente, a fibrilhação auricular e toda a problemática das células estaminais/regeneração do miocárdio». Já quanto aos oradores escolhidos, Fausto Pinto rei-

terou que teve uma especial preocupação em procurar os mais experientes e com trabalho feito nas áreas que abordaram.

DO DIAGNÓSTICO...… A primeira especialista a intervir foi a Dr.ª Maria João Andrade, cardiologista no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental/Hospital de Santa Cruz (HSC), e abordou o tema «cardiopatia isquémica». A sua apresentação centrou-se na avaliação diagnóstica na doença coronária, tendo sido reiterada a importância da complementaridade das diferentes técnicas de imagem na identificação dos problemas cardíacos para encontrar a melhor estratégia de intervenção. Seguiu-se a comunicação do Prof. Luís Moura, cardiologista no Hospital Pedro Hispano e professor na Faculdade de Medicina do Porto. Este especialista centrou a sua apresentação, subordinada ao tema «valvulopatias», em alguns avanços recentes no diagnóstico e terapêutica das doenças valvulares, em particular na estenose aórtica e insuficiência mitral. Depois de passar em revista os últimos estudos sobre a matéria, Luís Moura concluiu que «no tratamento médico da doença valvular nada está provado e aprovado, no entanto, deve ser mantida a esperança de que, com mais evidência e trabalho adicional, em breve, este cenário poderá ser modificado». «Aritmologia» foi o tema abordado pelo Dr. João 20, 21 e 22 de junho de 2013

13


TARDE CARDIOLÓGICA

Dr. Carlos Aguiar

Dr. Rui Teles

de Sousa, cardiologista no Centro Hospitalar de Lisboa Norte/Hospital de Santa Maria (HSM). Este especialista focou os aspetos mais recentes ao nível dos mecanismos fisiopatológicos na fibrilhação auricular. A primeira parte desta Tarde Cardiológica ficou completa com a apresentação da Prof.ª Dulce Brito, cardiologista também no HSM e professora na FML, sobre «insuficiência cardíaca». Durante a sua comunicação foram reiteradas as dificuldades sentidas ao nível do diagnóstico desta patologia, bem como a relevância da utilização dos biomarcadores, como os péptidos natriuréticos tipo B.

...À TERAPÊUTICA Uma das apresentações mais esperadas terá sido a que inaugurou a segunda parte deste curso, dedicada ao tratamento, subordinada ao tema «próteses aórticas transcutâneas». O tema foi desenvolvido pelo Dr. Rui Teles, cardiologista no HSC,

14

Comemoração dos 20 anos do IEM

Prof. Lino Gonçalves

Dr. Eduardo Oliveira

responsável pela colocação do primeiro implante percutâneo de uma válvula com 31 milímetros em Portugal. Durante a sua comunicação, este especialista abordou a importância da implantação de próteses aórticas por via percutânea, bem como da seleção de doentes, das técnicas de diagnóstico e dos resultados das mesmas. Em seguida foi abordado outro avanço recente, «a terapêutica de regeneração miocárdica», pelo Prof. Lino Gonçalves, chefe de Serviço de Cardiologia no Centro Hospitalar de Coimbra e professor na Faculdade de Medicina de Coimbra. Esta é uma terapêutica que, a ser bem-sucedida, abre inúmeras perspetivas futuras, como foi referido durante o curso. De qualquer modo, Lino Gonçalves sublinhou que «a terapêutica de regeneração miocárdica está a dar apenas os seus primeiros passos, sendo necessário um melhor conhecimento dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos na regeneração miocárdica». E concluiu: «É fundamental o desenvolvimen-


to de ensaios clínicos de maior dimensão para avaliar o valor real desta nova terapêutica, bem como o seu perfil de segurança.» A fibrilhação auricular foi o tema apresentado pelo Dr. Carlos Aguiar, cardiologista no HSC, que salientou a importância dos novos agentes anticoagulantes orais na prevenção do tromboembolismo venoso na fibrilhação auricular. O último tema do curso – «hipertensão arterial resistente» – foi abordado pelo Dr. Eduardo Oliveira, cardiologista no HSM, que mostrou alguns resultados referentes ao uso da desnervação renal no tratamento da hipertensão arterial refratária.

Depois de discutidas todas estas questões, Fausto Pinto fez um balanço bastante positivo do curso, referindo que o mesmo «permitiu efetivamente debater os aspetos mais atuais ao nível do diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares, com alguns dos mais importantes cardiologistas nacionais». E, sobre o que foi discutido, o coordenador deste curso concluiu: «Apesar de as doenças cardiovasculares serem, e de irem continuar a ser, a causa número um de mortalidade e morbilidade no mundo, existe todo um conjunto de métodos de diagnóstico e de tratamento que permitem minorar o impacto das mesmas.»

EM CONCLUSÃO... Mensagem do Prof. Fausto Pinto sobre 20.º aniversário do IEM «O IEM, com o Prof. Matos-Ferreira a liderar, tem sido um exemplo no âmbito da educação médica em Portugal. A possibilidade de organizar eventos, com o objetivo de difundir os avanços mais recentes nas várias áreas médicas, constitui uma tarefa fundamental para a formação médica, com repercussão direta nos cuidados médicos prestados às populações.»

20, 21 e 22 de junho de 2013

15


PROSTATE CANCER COURSE

Controvérsias no diagnóstico e tratamento do carcinoma da próstata Os desafios impostos por uma patologia que se prevê que, até 2030, afete 1,8% da população mundial – o cancro da próstata – levaram o Instituto de Educação Médica a organizar mais um curso sobre esta temática, desta vez, no âmbito das comemorações do seu 20.º aniversário. Aqui fica um resumo do que foi discutido e de algumas das conclusões a que foi possível chegar.

Se há patologia cuja abordagem «dá pano para mangas» é o cancro da próstata. Por isso, o Instituto de Educação Médica (IEM) teve sempre uma especial preocupação em organizar cursos de atualização nesta área que, ao mesmo tempo, permitam reunir os especialistas nacionais e internacionais mais conceituados para partilhar experiências. Nos dias 21 e 22 de junho, o IEM organizou um novo curso sobre os desafios ao nível do diagnóstico e tratamento do cancro da próstata, mas desta vez teve um significado especial, já que decorreu no âmbito das comemorações dos 20 anos do Instituto. Mas porque é que o cancro da próstata é um

16

Comemoração dos 20 anos do IEM

assunto tão controverso na Medicina e, particularmente, entre os urologistas? O Prof. Alberto Matos-Ferreira, presidente do IEM e cocoordenador do curso « Prostate Cancer – Pitfalls and Controversies in Diagnosis and Therapy in 2013», fez questão de explicar: «O número de tratamentos varia às dezenas e, cada um, implica uma série de avaliações difíceis como a eficácia geral, a qualidade de vida oferecida, questões financeiras, considerações técnicas, técnicas cirúrgicas e outras, as solicitações do doente, a disponibilidade do tratamento, a confiabilidade do diagnóstico, além de uma série de interesses económicos.»


Participantes no painel sobre biomarcadores no diagnóstico e progressão do cancro da próstata. (da esq. para a dta.): Prof. Alberto Matos-Ferreira e Prof. Fritz Schröder (coordenadores/moderadores); Dr. Francisco Pina e Prof. Francisco Cruz (oradores)

A par desta situação, os especialistas deparam-se também com algumas «armadilhas», como exemplificou o presidente do IEM e cocoordenador deste curso: «Erros no diagnóstico, como por exemplo, falsos negativos, erros na definição do estádio da doença, entre múltiplas possíveis interpretações clínicas e dos dados, mesmo quando colhidos com instrumentos e técnicas modernas de última geração.» Neste contexto, e tendo como objetivo, sublinhou Matos-Ferreira, «lançar luz sobre alguns pontos mais complexos na abordagem aos doentes com esta patologia», o curso dividiu-se em cinco sessões e contou, mais uma vez, com

a cocoordenação do Prof. Fritz Schröder, professor de Urologia e diretor de departamento no Erasmus Medical Center, em Roterdão, Holanda.

BIOMARCADORES, MONITORIZAÇÃO E SOBREDIAGNÓSTICO Este especialista inaugurou os trabalhos do curso, na manhã do dia 21 de junho, proferindo a palestra «biomarcadores no diagnóstico e progressão do cancro da próstata», na primeira sessão, que foi dedicada à temática «biomarcadores, monitorização e sobrediagnóstico». Seguiu-se a intervenção 20, 21 e 22 de junho de 2013

17


PROSTATE CANCER COURSE Prof. Celso Matos

do Dr. Francisco Pina, urologista no Centro Hospitalar de São João (CHSJ), no Porto, sobre «monitorização do cancro da próstata: estádio e perspetivas». A última conferência deste painel foi proferida pelo Prof. Francisco Cruz, diretor do Serviço de Urologia do CHSJ, subordinada ao tema «sobrediagnóstico e sobretratamento no cancro da próstata – como lidar com esta questão enquanto clínicos?». Seguiu-se uma mesa-redonda com o objetivo de reunir os palestrantes e moderadores do painel em torno dos temas apresentados e coube a Fritz Schröder Dr. José Venâncio e Dr.ª Inês Santiago, moderadores da sessão sobre imagiologia e biopsia prostáticas apresentar as conclusões da discussão: «Apesar da elevada prevalência do cancro da próstata – cerca de 60% dos homens entre os 50 e os 70 anos – está comprovado que a monitorização permite obter uma mortalidade devida a esta causa 30% inferior. Considerando que, muitas vezes, os efeitos secundários dos tratamentos excedem os benefícios, a nossa tarefa será minorar esses efeitos secundários, particularmente os relacionados IMAGIOLOGIA E BIOPSIA PROSTÁTICAS com o sobretratamento. São os biomarcadores que nos permitem não só diagnosticar esta paRelativamente à segunda sessão do curso – imatologia, como, mais importante, decidir entre um giologia prostática e biópsia –, Schröder disse tratamento mais ou menos agressivo, bem como não ter dúvidas de que «a imagiologia prostática monitorizar a sua progressão.» é algo revolucionário nesta área, pois através da

18

Comemoração dos 20 anos do IEM


Participantes na sessão sobre prevenção, vigilância ativa e terapêutica focal

ressonância magnética é pos(da esq. para a dta.): Prof. Fritz Schröder (moderador e orador), Prof. Luís Campos Pinheiro (orador) e Prof. Arnaldo Figueiredo (moderador e orador) sível distinguir as formas agressivas das não agressivas deste tipo de carcinoma». No entanto, ressalvou o cocoordenador do curso, professor de Urologia e diretor de departamento no Erasmus Medical Center, em Roterdão, Holanda, «esta é uma técnica imagiológica muito difícil de interpretar, pelo que deveria fazer parte do currículo da especialidade.» Este tema foi apresentado pelo Prof. Celso Matos, diretor da divisão de MRI (magnetic resonance imaging) no Erasme University Hospital, em tion (FDA), no entanto, os argumentos apresentaBruxelas, Bélgica. dos por esta entidade estão novamente em discussão», referiu este especialista, que mostrou dados PREVENÇÃO, VIGILÂNCIA ATIVA do estudo REDUCE (A Clinical Research Study To E TERAPÊUTICA FOCAL Reduce The Incidence Of Prostate Cancer In Men Who Are At Increased Risk), que apontam para A tarde deste primeiro dia de curso foi dedicada a uma redução de 23% ao nível desta patologia com discutir as questões da prevenção, vigilância ativa estes fármacos, bem como um possível benefício e terapêutica focal no cancro da próstata. A priem termos de prevenção secundária. meira palestra foi proferida por Fritz Schröder, que Seguiu-se a apresentação do Dr. Belmiro Paraapresentou as principais evidências científicas no da, urologista no Serviço de Urologia e Transplanque diz respeito ao papel dos inibidores da 5-alfatação Renal do Centro Hospitalar e Universitário -redutase (5ARI’s, na sigla inglesa) na prevenção e de Coimbra (CHUC), sobre o papel das estatiseguimento do cancro da próstata. «Esta indicação nas no cancro da próstata, que foi proferida pelo não foi aprovada pela Food and Drug AdministraProf. Arnaldo Figueiredo. Este especialista, entre 20, 21 e 22 de junho de 2013

19


PROSTATE CANCER COURSE

O segundo dia do curso decorreu no Auditório Pessoa Vaz

outros estudos, focou a meta-análise «Statins and prostate cancer recurrence following radical prostatectomy or radiotherapy: a systematic review and meta-analysis», publicada em junho deste ano na revista científica Annals of Oncology, que concluiu que poderá haver um efeito benéfico das estatinas nos doentes com cancro da próstata tratados com radioterapia, apontando para a necessidade de serem realizados mais estudos com a associação de estatinas a terapêuticas oncológicas. O Prof. Arnaldo Figueiredo, também urologista no Serviço de Urologia e Transplantação do CHUC, propôs-se, em seguida, a discutir a eficácia e segurança da vigilância ativa. Esta tem sido uma temática bastante abordada entre a comuni-

20

Comemoração dos 20 anos do IEM

dade urológica, já que representa um dilema para os especialistas: Se, por um lado, há carcinomas que apenas necessitam de monitorização, podendo, nestes casos, evitar-se os efeitos secundários do tratamento agressivo; por outro lado, ainda há dificuldade em identificar os casos que não necessitam de monitorização, sendo que monitorizar, por exemplo, através de análises, técnicas imagiológicas, biopsias, também tem efeitos secundários associados e, quando o cancro evolui, na maioria dos casos, é necessário realizar uma prostatectomia radical, sendo que, em cerca de 30% dos casos, este protocolo leva à morte. Discutir a viabilidade da terapêutica focal foi a proposta apresentada pelo Prof. Luís Campos


Dr. Pedro Oliveira

Pinheiro, urologista no Serviço de Urologia do Centro Hospitalar de Lisboa Central/Hospital de São José. Sobressaiu da sua apresentação o facto de esta terapêutica permitir destruir apenas as células afetadas pelo cancro da próstata, que podem ser identificadas com a ajuda da ressonância magnética. No entanto, os especialistas continuam a mostrar preocupação em relação aos efeitos secundários deste tipo de terapêutica, que, para que possa ser realizada, obriga à existência de uma estrutura sólida para prestação de cuidados paliativos.

RADIOTERAPIA E RECIDIVA PÓS-RADIOTERAPIA As últimas evidências científicas no que diz respeito ao tratamento do cancro da próstata com ra-

Prof. Carlos Greco

dioterapia foram apresentadas, na quarta sessão deste curso, pelo Prof. Carlos Greco, do Departamento de Radioterapia da Fundação Champalimaud, dando início aos trabalhos do segundo dia. Seguiu-se a palestra subordinada ao tema «Biopsias prostáticas depois de radioterapia externa, braquiterapia, crioterapia e ultrasom concentrado de alta intensidade – A perspectiva de um patologista», proferida pelo Dr. Pedro Oliveira, do Serviço de Anatomia Patológica no Hospital da Luz, em Lisboa. Sobre as questões discutidas nesta sessão, Fritz Schröder, enquanto cocoordenador deste curso, referiu: «Se temos um cancro da próstata localizado sem metástases, é possível tratar o tumor com o grande objetivo da sua cura e isso pode ser alcançado através da radioterapia ou de prostatectomia radical. Se optarmos pela radioterapia, em alguns 20, 21 e 22 de junho de 2013

21


PROSTATE CANCER COURSE

Dr. Carlos Carvalho

Dr. Fabio Calabrò

homens, temos recidiva, porque o tumor não fica totalmente tratado. A grande questão que permanece é como resolver a situação quando se realiza radioterapia e o PSA (prostate-specific antigen) sobe.»

TRATAMENTO DO CANCRO DA PRÓSTATA RESISTENTE A quinta e última sessão do curso foi dedicada à discussão de novos fármacos para o tratamento do cancro da próstata resistente à castração. A apresentação preparada pelo Dr. Daniel Castellano, do Serviço de Oncologia Médica do Hospital 12 de Octobre, em Madrid, Espanha, foi apresentada pelo Dr. Carlos Carvalho, do Serviço de Oncologia do Hospital Fernando Fonseca, na Amadora, e focou a problemática subjacente a este tipo de

22

Comemoração dos 20 anos do IEM

carcinoma. Carlos Carvalho proferiu ainda outra palestra sobre a abordagem do cancro da próstata resistente à castração. Já os novos fármacos disponíveis para o tratamento deste tipo de carcinoma da próstata foram passados em revista pelo Dr. Fabio Calabrò, do Departamento de Oncologia Médica dos Hospitais San Camillo Forlanini, em Roma, Itália. Este especialista concluiu que «o programa de sinalização do recetor de adrogénio tem vários alvos submissos à terapêutica; há uma quantidade substancial de atividade no desenvolvimento de fármacos de reatividade não cruzada que atingem nodos de vulnerabilidade; as abordagens sequenciais são altamente suscetíveis, resultando habitualmente na resistência aos fármacos; deve ser considerada a combinação de tratamentos intensivos.»


ENTREVISTA FLASH AO

PROF. FRITZ SCHRÖDER

«A chave está no diagnóstico precoce e correto» É a quinta vez que o Prof. Fritz Schröder, professor de Urologia e diretor de departamento no Erasmus Medical Center, em Roterdão, Holanda, organiza, no nosso País, juntamente com o Prof. Alberto Matos-Ferreira, um curso sobre cancro da próstata. Nesta entrevista, este especialista reflete sobre essa experiência e sobre o futuro ao nível do diagnóstico e tratamento desta patologia.

Como é que surgiu a oportunidade de organizar estes cursos em Portugal?

Conheci o Prof. Matos-Ferreira no European Board of Urology, na década de 1980. Nessa altura, iniciámos um programa de educação em Urologia nos países europeus e, durante esse tempo, estreitámos laços, pelo que estes cursos em Portugal surgiram do nosso interesse pela área e do gosto de trabalhar em conjunto. Quais as mensagens-chave que, na sua opinião, podem ser retiradas deste último curso?

Necessitamos de melhores biomarcadores, bem como de

estudar melhor a imagiologia prostática, particularmente a ressonância magnética, para podermos distinguir os carcinomas agressivos dos não agressivos. Ao nível do tratamento, os inibidores da 5-alfa-redutase (5ARI’s, na sigla inglesa) têm de ser considerados na prevenção do cancro da próstata. Por último, depois de realizado o tratamento com radioterapia, se houver recidiva, a terapêutica focal será provavelmente uma das melhores opções, pois é muito difícil, após a radioterapia, remover toda a próstata através de uma prostatectomia radical. Como é que encara o futuro do carcinoma da próstata?

Teremos mais indivíduos a ser monitorizados se conseguirmos melhorar o diagnóstico. A chave está no diagnóstico precoce e correto. Se conseguirmos fazê-lo, então, teremos boas razões para, junto do Ministério da Saúde, dizer que a monitorização é efetiva e que, com ela, conseguimos reduzir o número de mortes em 30%. Espero também que consigamos chegar a um ponto em que tratamos agressivamente apenas os casos em que tal se justifique, invertendo a tendência atual para o sobretratamento. 20, 21 e 22 de junho de 2013

23


FOTOMOMENTOS

Personalidades de renome comemoram duas décadas de existência do IEM Foram várias as personalidades de renome nacional e internacional, na área da Medicina e investigação, que se quiseram associar a um momento tão importante da vida do Instituto de Educação Médica (IEM) como a comemoração dos seus 20 anos de existência. A ocasião foi aproveitada para trocar ideias e conviver nos momentos criados para o efeito.

MOMENTOS DE CONVÍVIO

O Prof. Alberto Matos-Ferreira e o Prof. Fausto Pinto, presidente-eleito da Sociedade Europeia de Cardiologia, com o Prof. João Vasconcelos Costa (à esq.), diretor da Faculdade de Ciências Biomédicas e pró-reitor para o desenvolvimento institucional da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

O Prof. Fritz Schröder, do Erasmus Medical Center, em Roterdão, na Holanda, e o Prof. Alberto Matos-Ferreira, presidente do IEM, juntaram-se pela quinta vez em Portugal para debater as problemáticas subjacentes ao cancro da próstata.

24

Comemoração dos 20 anos do IEM

O Prof. Alberto Galvão-Teles, professor jubilado de Endocrinologia da Faculdade de Medicina de Lisboa, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade e coordenador do Programa Nacional de Combate à Obesidade, com o Prof. Alberto Matos-Ferreira.


Ângela Vasconcelos (na foto), tem sido o braço direito do Prof. Alberto Matos-Ferreira na chefia do secretariado do IEM, do qual também faz parte Andreia Martins O Prof. Alberto Matos-Ferreira e o Prof. Celso de Matos, diretor da Divisão de Ressonância Magnética do Departamento de Radiologia do Erasmus University Hospital, em Bruxelas, Bélgica.

A Dr.ª Tânia Oliveira e Silva, do Centro Hospitalar de Lisboa Central/ /Hospital Curry Cabral, o Dr. João Varregoso, urologista no Hospital Fernando-Fonseca, na Amadora, e o Dr. Manuel Mendes Silva, fundador e presidente da Associação Lusófona de Urologia, partilham experiências durante uma das pausas no programa científico.

Visita aos pósteres submetidos no âmbito do curso «Prostate Cancer - Pitfalls and Controversies in Diagnosis and Therapy in 2013».

O Prof. Francisco Cruz (ao centro.), diretor do Serviço de Urologia do Centro Hospitalar de São João, no Porto, e o Prof. Luís Campos Pinheiro (à dta.), urologista no Centro Hospitalar de Lisboa Central/ /Hospital de São José, durante a visita à exposição técnica. 20, 21 e 22 de junho de 2013

25


FOTOMOMENTOS

O cocktail de boas-vindas aos convidados do jantar comemorativo dos 20 anos do IEM foi uma oportunidade única de convívio.

JANTAR COMEMORATIVO DOS 20 ANOS DO INSTITUTO

O Dr. Carlos Carvalho (à esq.), oncologista no Serviço de Oncologia do Hospital Fernando-Fonseca, na Amadora, e o Dr. Pedro Oliveira, do Serviço de Anatomia Patológica do Hospital da Luz, em Lisboa.

26

Comemoração dos 20 anos do IEM

O Dr. Manuel Mendes Silva partilhou a mesa, entre outros, com o Dr. Francisco Ferronha, urologista no Centro Hospitalar de Lisboa Central/Hospital de São José, e com o Dr. Ciprian Mursean (à dta.), urologista no Centro Hospitalar de Lisboa Central/Hospital Curry Cabral.


Tiago de Oliveira (à esq.) e o mestre António Chaínho animaram o jantar com a sonoridade única da guitarra portuguesa.

O Prof. Fritz Schröder aproveitou o jantar para conviver com os colegas portugueses.

O Prof. Alberto Matos-Ferreira e o Prof. João Vasconcelos Costa acompanhados pelas esposas, respetivamente, Maria Odete Matos-Ferreira e Filomena Vasconcelos Costa, e partilharam a mesa, entre outros, com o Dr. Victor Hugo Vaz dos Santos, diretor do Serviço de Urologia do Centro Hospitalar de Lisboa Central/Hospital de São José.

O Dr. Victor Hugo Vaz dos Santos (à esq.), o Dr. José Campos Pinheiro (ao centro), chefe de serviço de Urologia, ex-diretor e fundador do Serviço de Urologia do Hospital Fernando-Fonseca, na Amadora, e ex-diretor do Serviço de Urologia e Transplantação do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, e o Dr. Manuel Mendes Silva também marcaram presença neste jantar.

20, 21 e 22 de junho de 2013

27


FICHA TÉCNICA Propriedade Instituto de Educação Médica Design e paginação Diana Chaves (dianachaves@sombravertical.pt) Fotografia Celestino Santos (reporter_t@hotmail.com) Textos Vanessa Pais (vanessa.pais@gmail.com)

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO MÉDICA Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias Av. Campo Grande, 376 1749-024 Lisboa Email: iem@iem.pt Tel.: 218 853 079

Comemorar 20 anos ao serviço do ensino médico e das ciências da saúde  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you