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Editorial

Ternura materna

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mbora o apelo comercial, o mês de maio reserva seu segundo domingo para comemorar o Dia das Mães. Verdadeiramente as mães representam o modo com que Deus envia e reenvia seus filhos para as experiências de aprendizado visando a evolução das almas. Desse incrível processo de interação mãe e filho, antes da gestação e particularmente durante o desenvolvimento do novo corpo, os laços de afeto se intensificam a ponto de criar aquele que se pode considerar como o maior dos amores: o de mãe para com seu filho, que segue para a vida toda. Da Revista Espírita, de fevereiro de 1859, extraímos do texto A infância: “(...) De onde vem essa doce afeição, essa terna benevolência que os próprios estranhos sentem por uma criança? Vós o sabeis? (...)”. E o espírito prossegue com as explicações sobre a importância da infância. Com o nascimento surge a figura da mãe, benfeitora, protetora, verdadeiro anjo guardião, cujo amor somente elas próprias sabem avaliar. É a sabedoria e Providência de Deus para com seus filhos na figura de mãe, que O representa. r

Não se pode curar o mundo sem curar-se primeiro a si mesmo “Quem puder abandonar a velha concha do “eu”, para escutar os ensinos de Jesus na acústica do coração e da consciência, não encontrará nada que não seja a verdadeira fraternidade.” - Emmanuel Rogério Coelho

rcoelho47@yahoo.com.br

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e realmente nos dispomos a cooperar na obra da regeneração do mundo, devemos – inicialmente – regenerar-nos a nós mesmos, desconectando-nos, em definitivo, de tudo que exalta e excita a personalidade. Combater o orgulho e o egoísmo que vitalizam o personalismo dissolvente e desfraldar bem alto a bandeira da fraternidade é a decisão que a hora presente exige como condição para o engajamento nas hostes do Senhor... Fraternidade! Tal a fórmula básica do serviço com o Divino Amigo. Faz-se necessário adequarmonos urgentemente aos normativos do Mestre que é e sempre será o “Modelo e Guia Mais Perfeito”1 para todos nós. Dessa forma, entendemos com Emmanuel que, se realmente estamos dispostos a matricularmo-nos nas leiras

do serviço cristão, não podemos olvidar que agir sob a inspiração direta do Evangelho é o caminho de acesso à bênção sublime a que o Céu nos destinou. Mas para atingir esse alvo há que se dinamizar a

de braços abertos, prontos para acolher-nos. O sublime convite feito ao Mancebo de Qualidade ecoa através dos tempos, ainda arregimentando fiéis discípulos para a subli-

(...) se realmente estamos dispostos a matricularmo-nos nas leiras do serviço cristão, não podemos olvidar que agir sob a inspiração direta do Evangelho é o caminho de acesso à bênção sublime a que o Céu nos destinou. Mas para atingir esse alvo há que se dinamizar a fé-raciocinada que o Espiritismo faculta e amoldar o nosso perfil à diretriz d`Aquele que trabalhou e serviu sem dogmas; sem exclusivismo; sem privilégios, sem conflitos; sem discórdia; sem separatismo; sem inquietação, sem desânimo; sem trincheiras intelectuais; sem charcos do egoísmo...

fé-raciocinada que o Espiritismo faculta e amoldar o nosso perfil à diretriz d`Aquele que trabalhou e serviu sem dogmas; sem exclusivismo; sem privilégios, sem conflitos; sem discórdia; sem separatismo; sem inquietação, sem desânimo; sem trincheiras intelectuais; sem charcos do egoísmo... Cristo fala-nos, como sempre, nas páginas eternas da Boa Nova,

me sementeira: “vem e segue-Me, estou esperando por ti”. Sim, Jesus espera! Espera o fim das torres de marfim do personalismo para - juntos - Ele e nós, erguermos o estandarte da verdadeira fraternidade. r 1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 88.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, q. 625.


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A Educação Segundo o Espiritismo Quem resolverá os problemas sociais? Marcus De Mario marcusdemario@gmail.com

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ciência econômica procura o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo, mas esse equilíbrio, supondo-se que seja possível, sofrerá sempre intermitências e durante essas fases o trabalhador tem necessidade de viver. Há um elemento que não se ponderou bastante, e sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar os caracteres, aquela que cria os hábitos, porque educação é conjunto de hábitos adquiridos” (O Livro dos Espíritos, questão 685a, comentário de Allan Kardec). Aqui temos uma profunda colocação de Kardec. Não é a ciência econômica que resolverá os problemas sociais, ou seja, não são os economistas, administradores e outros, com seus estudos e fórmulas que conseguirão promover uma sociedade equilibrada e justa. Isso porque falta à maioria deles

“Prática Educativa para Pais e Educadores” Conheça o livro “Prática Educativa para Pais e Educadores”, de Marcus De Mario. Adquira com desconto em: www.almadolivro.com.

dar importância à educação, ou Se ficar estacionada no campo da melhor, falta entenderem o que teoria, não é a verdadeira educação realmente seja a educação, pois in- moral. E no que ela consiste? A sistem em vê-la apenas como esco- resposta está no próprio texto do Codificador: laridade onde se Kardec refere-se à Arte de Foraprendem matérias curricula- educação moral, e mar os Caracteres – Para entenderres, aprendizado apressa-se em dizer que mos esse enunesse avaliado por ciado, a palavra provas e notas, ela não se adquire pela “caracteres” deve e coroada pelo leitura de livros, pelo ser compreendiploma de conconhecimento de regras, dida como eleclusão de curso. ment os p e l o s Essa é a cha- ou seja, não se limita a quais se identimada educação ensinos passados do fica alguém, ou intelectual, que seja, o seu caránão leva em con- professor para o aluno, ter, significando ta o sentimento. ou do escritor para o o conjunto de Kardec refere-se à educação leitor. Se ficar estacionada traços da personalidade e do moral, e apres- no campo da teoria, não comportamento sa-se em dizer é a verdadeira educação que distingue que ela não se moral. uma pessoa. É adquire pela leitura de livros, pelo conhecimento por isso que com o Espiritismo de regras, ou seja, não se limita a utilizamos as expressões “formar ensinos passados do professor para o caráter” e “desenvolver o senso o aluno, ou do escritor para o leitor. moral” do educando, para que este seja um homem de bem no mundo. É uma arte, exigindo do educador - seja ele pai, mãe, professor ou evangelizador -, ao mesmo tempo, conhecimento e sentimento. Esse trabalho é de competência tanto da família quanto da escola.

Conjunto de Hábitos Adquiridos – Na visão espírita o educando é um espírito imortal que vem realizando seu progresso através das reencarnações, portanto, na atual personalidade carrega consigo hábitos previamente adquiridos, e que nem sempre são positivos. A educação moral deve corrigir más tendências e reforçar boas tendências. Para isso requer do educador o próprio exemplo, que deve propiciar ao educando participação nas ações pedagógicas, sempre visando incutir-lhe bons hábitos, que ele aprende através de vivências e compreensão de que eles são bons para ele e para os outros, portanto, para a sociedade. Salvar o homem-espírito do egoísmo, do orgulho, da indiferença, do materialismo, permitindo seu progresso intelectual, moral e espiritual, é a proposta espírita para a educação. Uma proposta transformadora, profunda, que envolve todos os agentes educacionais, principalmente a família e a escola., e que tem nas atividades evangelizadoras do centro espírita uma ação muito importante, verdadeiro laboratório pedagógico do Espiritismo, num trabalho de dedicação à moralização e espiritualização das novas gerações. r

Projetos e palestras Marcus De Mario é educador, escritor, consultor e palestrante. Conheça o Projeto Educação do Espírito, a Escola do Sentimento, a Pedagogia da Sensibilidade em: www.marcusdemario.wix.com/marcusdemario.


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O humor dos gênios Só rindo mesmo diante das incoerências... Cláudio Bueno da Silva

Klardec1857@yahoo.com.br

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renomado escritor espírita baiano Carlos Imbassahy (1883-1969), em sua famosa obra O que é a morte inclui, para ilustrar certa parte do seu texto, duas notas humorísticas envolvendo dois nomes da história de França. A primeira: “Luiz XIV perguntou a Molière: – Está contente com seu médico? – E este: – Sim, admiravelmente. Ele não lê os meus livros e eu não tomo os seus remédios”. E a segunda nota, não menos espirituosa: “Eu chamo o médico porque o médico precisa viver, compro os remédios porque o farmacêutico precisa viver e ponho os medicamentos fora porque eu também preciso viver”. Assim como o bem humorado polemista espírita, muitos grandes nomes do saber humano usaram o humor para expressar suas ideias e se comunicar com o mundo.

Após o término da festa de comemoração dos setenta e dois anos de Albert Einstein, em 1951, este se preparava para partir e já estava no carro quando, cercado

por fotógrafos e jornalistas que insistiam em saber sua opinião sobre a situação política, irritado e des-

contraído ao mesmo tempo, mostrou-lhes a língua e a imagem foi registrada. Essa foto, que Einstein apreciava muito, tornou-se famosa em todo o mundo. Tempos depois, o cientista teria dito à sua secretária: “A língua de fora revela as minhas posições políticas”. O sábio e ainda incompreendido Allan Kardec aplicou num dos números da Revista Espírita1 duas pérolas de humor, onde a perspicácia do mestre reflete no cérebro de quem pensa e não na boca de quem gargalha. Referindo-se aos “milagres”, Kardec diz: “Diàriamente a Ciência faz milagres aos olhos dos ignorantes. Por isso, outrora, os que sabiam mais que o vulgo passavam por feiticeiros. E como acreditavam que toda ciência sobre-humana vinha do diabo, queimavam-nos. Hoje, que estamos muito mais civilizados, contentamo-nos em mandá -los para os hospícios.”

A outra pérola é sobre o “julgamento do Espiritismo”: “Se um dia um corpo de cientistas nomeasse um relator para examinar a questão do Espiritismo e esse relator não fosse francamente Espiritualista, seria o mesmo que um concílio escolher Voltaire para tratar de uma questão de dogma.”1 Em outro número da mesma Revista Espírita ³ Kardec responde a um jornalista injurioso: “A propósito, poderíeis dizer-me por que Jesus escolheu seus apóstolos entre o povo, e não entre os homens de letras? Sem dúvida porque, na época, não havia jornalistas para lhe dizerem o que ele devia fazer”.2

Tempos depois, o cientista [Albert Einstein] teria dito à sua secretária: “A língua de fora revela as minhas posições políticas”.

O humor é necessário à vida, e como se vê, não é incompatível com a seriedade. O humor inteligente fala ao raciocínio e auxilia a compreensão, dispensando a gargalhada, que em boa parte das vezes é galhofa. Mas, é preciso reconhecer que há momentos em que rir é a melhor coisa a fazer. r 1. Revista Espírita, setembro,1860, “O maravilhoso e o sobrenatural”, Edicel. 2. Revista Espírita, outubro, 1860, “Resposta do Sr. Allan Kardec”, Edicel.


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Médium faz revelações? Prudência e bom senso são essenciais na questão. Orson Peter Carrara

orsonpeter92@gmail.com

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elecionamos orientações de O Livro dos Médiuns para responder à grave questão que intitula a presente abordagem. Perguntas sobre o passado e o futuro ou mesmo revelações trazidas sem nenhuma prudência são comuns especialmente entre novatos na prática espírita e também com médiuns que não estudam e esquecem os deveres da prática mediúnica. Nada melhor, pois, que buscar a orientação segura da Codificação Espírita. O capítulo XXVI de O Livro dos Médiuns, com o significativo título Perguntas que se podem dirigir aos espíritos, é pródigo, repleto de orientações que não devem ser esquecidas. Selecionamos alguns trechos (com adaptações e transcrições parciais) e sugerimos aos que querem conhecer a prática espírita que estudem o citado capítulo. Perguntas simpáticas ou antipáticas aos espíritos (item 288) a) Os Espíritos sérios respondem sempre com prazer às perguntas que têm por objetivo o bem os meios de vos fazer avançar. Não atendem às questões fúteis; b) As perguntas que são feitas com objetivo de curiosidade e de prova são antipáticas aos espíritos

que, então, não as respondem e se afastam; c) Os espíritos imperfeitos procuram enganar, respondem tudo, sem se importarem com a verdade; d) As pessoas que veem nas comunicações espíritas uma dis-

tração e um passatempo, ou um meio de obter revelações sobre o que lhes interessa, agradam muito aos espíritos inferiores que, como elas, querem se divertir, e ficam contentes quando são mistificadas; e) Os espíritos inferiores são incapazes de compreenderem certas perguntas, o que não lhes impede

de vos responder bem ou mal, como ocorre entre vós; Questões sobre o futuro (item 289) f ) A manifestação dos espíritos não é um meio de adivinhação. Se queres absolutamente uma resposta, ela vos será dada por um espírito travesso; g) Todas as previsões que não têm um objetivo útil geral deve-se desconfiar delas. As previsões pessoais, quase sempre, podem ser consideradas apócrifas (falsas); h) Os espíritos levianos não têm nenhum escrúpulo em vos enganar (...) toda previsão circunstanciada deve vos ser suspeita; Questões sobre existências passadas (item 290 – perg. 15) i) Em geral, deveis considerar como falsas, ou pelo menos suspeitas, todas as revelações dessa natureza (sobre o passado) que não têm um fim eminentemente sério e útil. Valiosas orientações (capítulo XXXI) j) Repeli impiedosamente todos esses Espíritos que se apresentam como conselheiros exclusivos, pregando a divisão e o isolamento (...). São quase sempre espíritos vaido-

sos e medíocres, que procuram se impor aos homens (...); k) Todas as vezes que um Espírito indique, como remédio para os males da humanidade, ou como meio para atingir a sua transformação, coisas utópicas e impraticáveis, medidas pueris e ridículas (...) esse não pode ser senão um espírito ignorante e mentiroso; Sobre os médiuns (capítulo XVI – segunda parte, item 196) l) Orgulhosos: os que se envaidecem das comunicações que recebem; m) Suscetíveis: melindram-se com as críticas das quais suas comunicações podem ser objeto; n) Ambiciosos: os que, sem pôr a preço sua faculdade, esperam dela tirar quaisquer vantagens; o) De má-fé: os que simulam as faculdades que não têm para se darem importância; Objetivo aqui foi estimular o estudo na fonte segura da Codificação para evitar-se aborrecimentos, decepções, fraudes. Considere-se, por outro lado, a seriedade do fenômeno mediúnico – inclusive nas questões que podem ser dirigidas aos espíritos e nas orientações deles recebidas pelos médiuns sérios e comprometidos com a genuína prática espírita –, que produz frutos saudáveis de esclarecimento, conhecimento, conforto e socorro a quem busca e a quem deseja ser útil. Por isso é de muita utilidade buscar-se constantemente os capítulos de O Livro dos Médiuns (sugerimos consulta ao índice para perceber-se a grandeza do conteúdo), para agir com segurança e discernir sobre o que é correto ou o que se apresenta sob suspeita, nas informações recebidas ou trazidas pela mediunidade. Por isso sugerimos ampla consulta aos capítulos específicos da obra cujos títulos despertarão de imediato a atenção do leitor. r


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Direito e Espiritualidade Publicação já está disponível. AJE-Brasil

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www.ajebrasil.org.br

ireito e Espiritualidade”, eis o mais novo produto da AJE-Brasil (Associação Jurídico-Espírita do Brasil). Trata-se de revista impressa, com periodicidade semestral, cujo lançamento deu-se em março, em edição histórica. Ao se comemorar três anos de existência da instituição, a AJE-Brasil busca com a revista ampliar o acesso das reflexões havidas nos grupos de estudos para o público em geral. O editorial da revista de lançamento bem evidencia um dos principais fins da AJE-Brasil: despertar consciências para a internalização da ética. E também os objetivos do próprio periódico: estabelecer a ponte entre questões jurídicas e a perspectiva espiritualista, compreendida como toda filosofia que se opõe ao materialismo. Além da divulgação dos eventos das AJEs, que se acham espalhadas pelo país, atualmente num total de 12, “Direito e Espiritualidade” traz artigos que convidam o leitor a meditar sobre a importância do agir ético, sobretudo por parte do cristão. O Direito é afeto à vida de todo e qualquer cidadão. Logo, a revista não é restrita aos espíritas operadores do direito, mas a qualquer cidadão, independentemente da profissão e da crença religiosa. Assuntos da ordem do dia são destaques na edição comemorativa: a questão da redução da maioridade penal, em relação à qual a AJE-Brasil se posiciona contrariamente; a política oficial de drogas, adotada em nosso país, que merece atenção crítica, em benefício de todos aqueles que padecem da dependência química e da sociedade em geral; a crise decorrente do zika vírus, da microcefalia e da necessidade de se acolher a gestante em aflição, fortalecendo-a. Em setembro de 2015, a AJE-Brasil promoveu o 1º Congresso Jurídico-Espírita Brasileiro. Ao final do evento produziu-se a Carta de Brasília, em 10 tópicos, com princípios, valores e proposições a nortearem os trabalhos das AJEs, e a contribuírem com o próprio movimento espírita. A edição ainda traz o histórico das AJEs estaduais. Nota-se que não se trata de mais um periódico, mas de importante canal de comunicação das AJEs ao movimento espírita brasileiro, visando à disseminação dos ideais de fraternidade, de paz, de justiça, de amor e de caridade. Esteja entre nós, sendo um dos assinantes de “Direito e Espiritualidade”. Informações: www.ajebrasil.org.br/revista r


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gelho e da Codificação Espírita. Em obra de 224 páginas, o conhecido autor debruçou-se sobre os ensinos de Chico para oferecer ao leitor uma obra primorosa. Além das partes comentadas, o livro traz vivências do médium e também

Por feliz ocorrência, sem que isso fosse combinado previamente, o cantor Leleco, de Bauru (SP), lançando o CD Tributo a Chico Xavier, igualmente homenageia o médium, e o faz com músicas de sua própria inspiração e composição, além da parceria com outros compositores. Com o homenageado em comum, Orson e Leleco resolveram ligar os seus trabalhos, objetivando inclusive apresentações conjuntas para destacar os ensinos de Chico Xavier. O livro de Orson e o CD de Leleco já estão disponíveis.

textos psicografados que mostram toda a atualidade do pensamento espírita e a perfeita coerência que liga a vida de Chico aos postulados do Evangelho.

O lançamento oficial dos dois trabalhos está previsto para o Encontro Chico Xavier, a ocorrer em Guaxupé (MG), no final de julho próximo. r

Chico Xavier Respostas comentadas e CD destacam legado do médium. IDE Editora

www.idelivraria.com.br

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ndiscutível o exemplo de humildade, trabalho e desapego do conhecido médium mineiro! Sua vida de dedicação ao bem inspirou filmes e peças de teatro, músicas e homenagens, que vão desde títulos de Cidadania a Menções Honrosas, reportagens e documentários, além de motivar eventos de portes variados por todo o país. As respostas de Chico a entrevistas em diferentes lugares e épocas de sua vida, divulgadas por diversos órgãos de comunicação escrita, espíritas ou não, e mesmo em programas televisivos ou em emissoras de rádio, disponibilizaram a publicação de vários livros.No mês de abril, aniversário do médium Francisco Cândido Xavier, a IDE Editora lançou Diante da Vida com Chico Xavier, em pesquisa de

Orson Peter Carrara, que, ocupando-se de dez obras publicadas pela própria editora, em trabalhos de autores e/ou organizadores variados, selecionou trechos de di-

versas entrevistas, comentando-as em seus detalhes e especialmente ligando-as aos preceitos do Evan-


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A conduta do cristão neste momento histórico do Brasil Eis um questionamento interior: como estamos? Alessandro Viana de Paula

vianapaula@uol.com.br

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negavelmente, vivemos no Brasil um momento de decisões históricas, conforme acentuou o confrade Divaldo Pereira Franco, ao conceder uma entrevista sobre as manifestações públicas da atualidade. Na obra ‘Justiça e Amor’, ditado pelo espírito Camilo, através da mediunidade de José Raul Tei-

para que as almas encarnadas na Terra possam escolher de que lado anelam ficar, se na luz, se nas sombras’. De fato, são tempos difíceis, no qual muitas almas ainda vinculadas ao desvio moral, a falta de ética, ao egoísmo e as paixões angustiantes não desejam abandonar esses velhos hábitos, proporcionando danos indivi-

xeira, há também uma importante orientação que merece maiores reflexões (capítulo VI – ‘Jesus e a violência’). Diz o referido espírito que: ‘São tempos difíceis e def inidores, esses tempos atuais. São oportunidades

duais e coletivos, utilizando-se do mecanismo da negação ou da transferência para fugir das respectivas responsabilidades. Tais ocorrências confirmam que a Terra ainda é um mundo de provas e expiações, por conta

da imperfeição moral de seus habitantes, mas há uma grande parte desses habitantes, que, não obstante ainda tenham limites morais, já não suportam mais o mal, a violência, a corrupção, o crime etc. Por isso, estamos vivendo a era da transição planetária, porque essas pessoas de bem almejam um

mundo melhor, mas necessitamos construir, hoje, o mundo regenerado do porvir. Dessa forma, os homens de bem devem agir nesta hora grave da nossa nação, colaborando com Ismael, o benfeitor do Brasil, e com outros espíritos que trabalham pela renovação moral da pátria brasileira.

Não podemos mais adotar a indiferença, a passividade, o silêncio diante de tantas hipocrisias e falta de ética, de forma que, se for da nossa simpatia, deveremos participar das manifestações pacíficas e públicas que discordam da corrupção e da mentira.


PÁGINA 9 Não podemos mais adotar a indiferença, a passividade, o silêncio diante de tantas hipocrisias e falta de ética, de forma que, se for da nossa simpatia, deveremos participar das manifestações pacíficas e públicas que discordam da corrupção e da mentira. Na citada entrevista de Divaldo Franco, ele aduz que já foi a época em que o cristão fugia do mundo para servir a Deus, mas hoje compreendemos que o Pai Celestial está em toda parte, de tal sorte que estamos sendo convidados a ‘mostrar a outra face’, a face do amor, do bem, da verdade e da ética cristã, que está acima das acirradas discussões ideológicas partidárias. A nossa conduta não se limitará às passeatas públicas, mas será dinâmica, porque abrangerá ainda as questões mais locais, como o Município e o Estado em que residimos. Em nossa cidade, sermos voluntários nas Associações de

Maio de 2016 Bairro, nos Conselhos Municipais, fiscalizarmos os gastos com as verbas públicas, promovermos manifestações públicas, pacíficas e sem ideologias políticas e religiosas, denunciar irregularidades ao Ministério Público etc., portanto, não é hora de se acovardar diante das injustiças, mas de agir, com coragem, para a construção do mundo moralizado. Por essa razão, o espírito Camilo, na aludida obra, disse que é um momento de definição, cabendonos a escolha de trilhar pela sombra ou pela luz. Qualquer omissão neste momento histórico e especial, não só do Brasil, mas também do Orbe Terrestre, nos situará nas faixas da sombra, porque, repita-se, o amor não pactua com a indiferença. Os espíritas em particular, porque têm acesso às informações e revelações que vertem da Espiritualidade Superior, devem conservar o otimismo, porque

Educação é destaque em Araraquara Uma palestra e dois seminários em dois sábados seguidos O Centro Espírita Portal da Luz, em Araraquara (SP), promove um Encontro de Formação de Educadores Espíritas, destinado a pais e educadores espíritas, visando a evangelização de espíritos. O programa consta de palestra na sexta-feira, dia 20 de maio, às 20h, com Artur Valadares, de São Carlos (SP), que aborda o tema ‘Educação e Nova Era’. No sábado, 21 de maio, às 9h, seminário com Saulo Amui, de Sacramento (MG), com o tema ‘A importância do Evangelho como recurso de espiritualizar nossa existência’. No sábado seguinte, dia 28 de maio, também às 9h, seminário com o mesmo Saulo com o tema ‘Como aplicar os recursos da fala, da arte, da natureza e da reflexão na Educação do Espírito’. A instituição localiza-se à Rua Luis Saska, 181- Jardim Celiamar. Os seminários ocorrem apenas no horário da manhã nos dois sábados, 21 e 28 de maio. Não é preciso fazer inscrição. Leve apenas um suco e um petisco para o lanche. Informações adicionais com Renata pelo e-mail: renatamagri@ymail.com

sabem de toda a ação dos espíritos, sob a égide do Cristo, para a instalação da era nova. Devem, ainda, orar pela nossa nação, emitindo boas vibrações a colaborar pela efetiva mudança moral, bem como para entrar em sintonia com as energias sublimes da vida, a fim de se fortalecer para este momento histórico. Não deverá guardar qualquer ódio ou rancor das pessoas corruptas, pois exercitará a compaixão recomendada por Jesus, entendendo que são almas momentaneamente enfermas e que as leis divinas se encarregarão de educá-las. Repetindo a proposta de Paulo de Tarso, temos que ser ‘cartas vivas do evangelho’, não nos

omitindo diante das responsabilidades cristãs, que são bem definidas, e plenificam as nossas almas à medida que vamos cristianizando-nos. Em virtude da consciência que temos da transição planetária e da missão que nos cabe nesta hora tão difícil e definidora, oremos a Deus, rogando forças para que possamos empreender o ‘bom combate’, e libertos do egoísmo e do orgulho, empenhemo-nos para amoldar as nossas ações às diretrizes do Evangelho, optando conscientemente pelo lado da luz, pois, assim procedendo, estaremos colaborando para a cristianização do mundo, inclusive da nossa amada nação. r


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Avaré (SP) aguarda você! Um grande evento para um centenário. Redação

institutocairbarschutel@gmail.com

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ntrevistamos Marli Suzana Forteza Paixão, que é de família espírita, nascida em Óleo e residente em Avaré, ambos municípios paulistas, Marli é formada em Matemática e Pedagogia, com Mestrado em Educação pela UNESP-Bauru. Professora e integrando equipe diretora do Centro Espírita Léon Denis, respondeu à nossa entrevista sobre o centenário da instituição onde se integra que, inclusive, prepara evento comemorativo do centenário. 1 - O Leon Denis, fundado em 1916, completa seu centenário. O que você diz de uma instituição centenária? R. Que vem cumprindo o seu papel como instituição espírita no sentido de levar nossa doutrina consoladora a tantos irmãos. Em cada época, exerceu o que lhe era mais urgente: curas espirituais no início do século, estudo e evangelho em outros momentos necessários à iluminação espiritual dos avareenses. Analisamos a história de nossa casa espírita e reconhecemos a luta de grandes espíritas anônimos, como D. Maria Rita da Silva, que com determinação e fé construiu a casa espírita em zona rural, fugindo da perseguição religiosa da época e esclarecendo mais de 50 pessoas semanalmente. 2 - Da história de cem anos, o que você gostaria de destacar? R. A luta dos fundadores, nas primeiras décadas de 1900, sendo

a fundadora uma MULHER, (para a época um fato pouco comum de liderança), as dificuldades de locomoção dos frequentadores para se dirigirem à sede (zona rural), as curas espirituais que aconteciam e também a grande sustentação espiritual que a casa possui. Destacamos que os fundadores da Colônia

Espírita e da Casa Espírita Chico Xavier, iniciaram suas tarefas espíritas em nossa casa, sendo nossos parceiros até hoje. 3 - Na cidade onde nasceu Herculano Pires, qual a influência desse grande nome doutrinário na história do Espiritismo na cidade? R.Temos como Banca Espírita da cidade o nome do querido Herculano e este sempre é lembrado nas palestras e estudos, mas, infelizmente, percebemos que o estudo sistematizado de suas obras é pouco frequente nas casas espíritas, sendo este um projeto de nossa casa para o próximo ano – meta para o II Encontro de nossa região.

4 - Do evento comemorativo, quais as expectativas? R. Todos na certeza que teremos muito aprendizado espírita, grandes oportunidades de união das casas e de seus frequentadores,

muita alegria de rever grandes amigos e, principalmente, uma enorme chance de agradecermos à espiritualidade tudo que nos ofereceu nesses 100 anos, planejando juntos um II Encontro para 2017. r

Evento em Avaré (SP) Data: 19 de junho, domingo, das 09 às 19h Local: Colônia Fraternidade Inscrições em Avaré: nas instituições espíritas Inscrição de outras cidades: pelo site do Instituto Cairbar Schutel – acesse www.institutocairbarschutel.org e pesquise Centenário Leon Denis, em Avaré (SP) Informações: fortezapaixao@hotmail.com ou (14) 98146-8338.


REMETENTE:

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Instituto Cairbar Schutel. Maio de 2016

Caixa postal 2013

15997-970 - Matão-SP

Malta Tahan e a cruz Confiança e esperança são as palavras do momento. Raymundo Rodrigues Espelho espelho@myhands.com.br

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e ouvirmos alguma referência a respeito de Julio César de Melo e Souza, poucos saberemos de quem se trata. Mas seu pseudônimo, Malba Tahan, soa conhecido para grande parte de nós. De família simples (nascera no Rio de Janeiro em 1895 e desencarnara em Recife em 1974), teve nas dificuldades dos pais para educarem os nove filhos o estímulo para se desenvolver no tato com as letras. Durante seu tempo no Colégio Pedro II, no qual estudava, pelo prazer de escrever, Julio começou a vender para os estudantes os seus textos por 400 réis cada, iniciando seu futuro de escritor. Suas obras focavam a didática para ensinar a matemática de uma forma divertida e diferente, fugindo do tradicional modelo da época. O autor colocava desafios matemáticos nos livros, aguçando a criatividade e incentivando a descoberta. Seu livro mais conhecido, O homem que calculava, é uma coleção de problemas e curiosida-

des matemáticas apresentada sob a forma de narrativa das aventuras de um calculista persa à maneira dos contos do clássico e Mil e uma noites. Malba Tahan tinha uma expressão literária própria, inconfundível, cultura e discernimento invulgar e soube usar o seu talento para o bem, não apenas por seu interesse em ajudar os amigos de escola no entendimento das lições, como também focalizando questões comportamentais, morais nos textos que publicava. Sem perder o seu tino divertido, ele escreve em um de seus contos que um fidalgo, invejoso e intrigante, levou certa vez a Luís XII, rei da França, uma lista com os nomes das pessoas mais notáveis da corte, dizendo ao monarca: – Aqui está a relação dos homens que vivem ao redor de vosso trono. Alguns, porém,

são vossos inimigos e conspiram contra vossa vida e contra a vossa glória. Penso que não deveis perdoar a esses traidores, falsos súdito. Mas o rei perguntou: – E como poderei encontra nesta lista imensa os meus desafetos?

– Estão todos marcados com uma cruz – disse o informante. – Pois bem – instruiu o monarca –, a cruz manda que se perdoe. Estão, pois, todos perdoados! Malba Tahan não parou nos textos juvenis. Diplomou-se em engenharia, foi professor de matemática do Colégio D. Pedro II, fundou jornais e revistas de recreação e matemática, notabilizando-se com suas fábulas e lendas ambientadas no Oriente. Julio César, como Malba Tahan, deixou importante lição em seu legado cultural que podemos aplicar em outras do nosso dia a dia. A alegr ia, a descontração, a leveza no trato com as inúmeras questões da vida, os problemas que muitas vezes se assemelham aos desafios de lógica, podem encontrar solução bem mais fácil se confiramos mais no Pai, que nunca nos abandona. r

Tribuna do Espiritismo - maio de 2016  
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