Page 1

ÓRGÃO MENSAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA PARA TODO O BRASIL • MAIO DE 2017 • ANO 4 • Nº 44 • 16.000 EXEMPLARES • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA www.institutocairbarschutel.org – www.associacaochicoxavier.com.br

EAC 2017 abre inscrições Tradicional evento em setembro homenageia Cairbar Schutel em Matão.

Novidadas para as crianças Espaço de convivência Sala dialogada sobre educação Investimento em valor mínimo

Confira agenda de eventos espíritas! Programe-se e participe! Encontros Jornadas no em Guaxupé Rio Grande e Avaré do Sul Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT

Eventos em Matão e região

Congresso em Campo Grande

Evento em Pres. Prudente

Obrigado Divaldo 90 anos! – 05-05-1927 – 05-05-2017

Treinamento São João da Boa Vista (SP) convida para marcante evento sobre educação em feriado prolongado. Página 7


PÁGINA 2

Maio de 2017

Editorial

Um mês muito especial

A

lém das justas homenagens às mães, o mês de maio também lembra o nascimento de dois grandes vultos da história do Espiritismo no planeta: Eurípedes Barsanulfo (em Sacramento-MG, no dia 01/05/1880) e Divaldo Pereira Franco (em Feira de Santana-BA, no dia 05/05/1927, completando, pois, 90 anos, em plena atividade no bem, a quem todos devemos imensa gratidão). Mas também nasceram em maio Pierre Gaétan Leymarie (redator-chefe da Revista Espírita, em 02/05/1827) e Pedro de Camargo “Vinícius” (dedicado educador, em 07/05/1878). A edição também abre as inscrições de nosso importante evento de Matão, o Encontro Anual Cairbar Schutel (EAC), a ocorrer em setembro (matéria ao lado). E o leitor notará o alcance da presente edição, com as notícias e matérias. Novamente nosso pedido aos amigos para não deixar a publicação parada e sim estimular sua leitura e circulação. Nossa gratidão a todos! E, claro, nosso abraço ao querido Divaldo, pela sua lucidez e presença amiga do movimento espírita, com seu legado de amor e trabalho no bem. r

EAC – Encontro Anual Cairbar Schutel abre inscrições 7ª. edição aguarda sua presença, traz novidades, esperando encantar. Instituto Cairbar Schutel

D

ata: 02 e 03 de setembro de 2017 – sábado e domingo. Local: SOREMA – MATÃO (mesmo local de 2015 e 2016). Horário: Sábado a partir das 12h30 e término às 19h00, com intervalos.

www.institutocairbarschutel.org

a) Exclusivamente pela internet, no site do Instituto: www.institutocairbarschutel.org. b) Estão isentos de investimento as pessoas até 12 anos de idade, mas inscrição no site é obrigatória, para dimensionarmos faixa etária.

alimentos e com atrações artísticas e musicais. Sala dialogada sobre educação (à noite). Aguardem, como sempre. Desejamos surpreender você novamente! 10 – Principal alteração:

Inscreva-se para o EAC No site www.institutocairbarschutel.org ou pelo celular através do QR code.

Domingo, das 8h às 12h30, com intervalo. Investimento: R$ 25,00 (valor único a partir de 12 anos), por pessoa. Mediadores: ALZIRA BESSA (Sacramento-MG), MARCUS DE MÁRIO (RJ) e SANDRA BORBA (RN). Inscrições:

7 – Programação e detalhes, inclusive definições. Informaremos gradativamente pelo site, nos e-mails dos inscritos e pelo face. Curta páginas no face: INSTITUTO CAIRBAR SCHUTEL e TRIBUNA DO ESPIRITISMO para receber notificações. 8 – Crianças Teremos atividades e monitores, por faixa etária, como ocorreu em 2016. 9 – Novidades Oficinas de circo com atividades para crianças, acompanhadas de educadores. Espaço de convivência para confraternização durante e pós evento, com livraria e venda de

Colocamos inscrição no valor mínimo para reduzir custos do evento e não forneceremos alimentação gratuita, que poderá ser adquirida pelo participante na lanchonete disponível no evento, a preços acessíveis e ao gosto do inscrito, com várias opções. Informaremos pelo site, posteriormente, cardápios e preços. r


PÁGINA 3

Maio de 2017

Os desafios na educação dos filhos Proteger ou liberar? Marcus De Mario

marcusdemario@gmail.com

N

os tempos atuais assistimos os pais entre dois dilemas principais na educação dos filhos: proteger ou liberar. Existem pais que tudo fazem para proteger os filhos da própria vida, são os super protetores, sempre dizendo que não querem ver os filhos sofrerem, que devem estar sempre junto deles, que tudo fazem para os filhos não passarem pelo que eles passaram, que a sociedade atual está em crise e que por isso precisam dar toda proteção aos filhos. Esquecem que viver em sociedade faz parte da vida, e que se os filhos não tiverem suas próprias experiências, dificilmente saberão exercer a autonomia e fazer escolhas. Então temos os pais que liberam de forma exagerada, dizendo que os filhos têm que aprender com a própria vida, que não lhes compete ficar vigiando, e que os filhos devem arcar com as próprias consequências das suas escolhas e dos seus atos. É um extremo perigoso, pois enquanto crianças e adolescentes, os filhos são necessitados de boas orientações e bons exemplos. Pais ausentes deixam o caminho muito livre para opções que podem gerar sofrimentos evitáveis, tanto para os filhos, quanto para os próprios pais e toda a família. Na educação dos filhos o ideal é o equilíbrio entre a proteção e a

liberdade. Aprendemos com o Espiritismo que educar, perante a lei divina, é considerada uma missão da maior importância, pois os filhos não são, em verdade, nossos filhos, e sim nossos irmãos em caminhada

Na educação dos filhos o ideal é o equilíbrio entre a proteção e a liberdade. Aprendemos com o Espiritismo que educar, perante a lei divina, é considerada uma missão da maior importância, pois os filhos não são, em verdade, nossos filhos, e sim nossos irmãos em caminhada evolutiva (...).

evolutiva, os quais Deus, o verdadeiro Pai, nos confiou para que possamos dar a eles bons exemplos, boas orientações, amparo na caminhada terrena. Da educação dos filhos teremos que dar conta perante a lei divina, então nem podemos superprotegê-los, nem devemos liberá-los sem rédeas, completamente soltos. É verdade que não podemos exigir dos filhos que sejam deste ou daquele jeito, que sigam este

ou aquele caminho, pois como espíritos imortais dotados de livre arbítrio, somente eles podem decidir o que querem fazer e o que querem ser na vida, mas isso não significa que não tenhamos de ser semeadores do bem, do amor, da ética em suas almas, pois essas sementes germinarão mais cedo ou mais tarde, ainda nesta existência ou em próxima, através da lei da reencarnação, pois nosso destino é progredir sempre, o que será muito facilitado se os pais cuidarem da boa educação dos filhos, entendendo que essa educação não está limitada à escolaridade que fornece diplomas e certificados, mas igualmente à moralização e espiritualização que forma homens e mulheres de bem. O que deve ser feito Diante do filho desafio, os pais devem dar muito amor e mostrar que existem limites, que a disciplina também é importante, assim colocando em ação a autoridade moral de quem está preocupado com o futuro dele. Diante do filho virtuoso, com preponderância para o bem, denotando conquistas já realizadas, os pais devem, com amor, estimulá-lo a prosseguir nos esforços da autoeducação e do amor ao próximo, sendo também exemplo para ele.

Diante do filho bom, mas egoísta, aquele que não dá muito trabalho, mas que precisa desenvolver melhor seu caráter, os pais devem envolvê-lo no amor que se transforma em ações de caridade, levando-o a refletir sobre a justiça social, mediante o conhecimento da lei divina. Enfim, diante dos filhos, sejam, rebeldes, dóceis, difíceis, bons, numa gama muito grande de personalidades, conquistas e experiências, os pais devem sempre trabalhar pela semeadura do amor em seus corações, desde a tenra infância, tendo no Espiritismo um farol de luz que facilita a compreensão desses seres que contam com eles para uma existência terrena mais plena, mais equilibrada, mais feliz, com vistas ao crescimento pessoal e também o estabelecimento de uma sociedade renovada em seus valores. Nem superproteção, nem liberdade demasiada. Em família, no ambiente doméstico, fazer do lar ambiente de vivência do Evangelho. Na sociedade, nas experiências do cotidiano, exercer sempre a caridade. Combate incessante ao egoísmo e materialismo a partir dos próprios exemplos, pois o pai e a mãe que se educam, terão condições de cumprir a missão de educar os filhos. r


Maio de 2017

O dízimo Como entender a questão? Fabio Dionisi

fabiodionisi@terra.com.br

R

ecentemente, um confrade nos propôs que explicássemos porque o dízimo não é aceito nos Centros Espíritas, que também precisam pagar suas contas, uma vez que o mesmo aparece no próprio Antigo Testamento? De fato, lá encontramos que o dízimo era uma renda recebida pelo verdadeiro dono do solo; portanto, devida a Iahweh, que é considerado o verdadeiro dono da terra de Israel. Encontramos no Deuteronômio que o dízimo era relativo ao que é produzido nos campos, sendo levado ao Templo, e que a cada três anos deveria ser deixado para os pobres. Em Números, ele aparece como um imposto devido aos levitas, sendo que estes retiravam uma décima parte para os sacerdotes, como antecipação ao Deus dos Judeus. Segundo Levítico, deve incluir o rebanho. Portanto, não se pode negar que o dízimo lá se encontra. Tratava-se de uma exigência da lei, segundo a qual o povo israelita era obrigado a dar um décimo do fruto de tudo que fosse gerado pelo seu trabalho para Iahweh, Deus dos judeus. Se analisarmos o seu destino, tratava-se de uma forma de taxação, cujo objetivo era prover as necessidades dos Levitas e sacerdotes. Mas, no Novo Testamento esta obrigatoriedade, do cumprimento desta lei, não aparece. Jesus não recomenda e nem obriga aos seus discípulos fazê-lo. Em duas de suas cartas, Paulo solicita que, para aqueles que possam ajudar a Igreja, que o façam; mas, não estipula obrigatoriedade e nem valores. (I Cor, 16:1-2 e Hebreus, 7:18) Na Doutrina Espírita, igualmente, nada encontramos que obri-

gue o pagamento da décima parte dos proventos realizados pelo fiel. Kardec registra, logo no 1º capítulo de O Evangelho segundo o Espiritismo: “Na lei moisaica, há duas partes distintas: a lei de Deus, promulgada no monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, decretada por Moisés”; para mais à frente explicar que: “Jesus não veio destruir (...) a lei de Deus; veio cumpri-la (...). Mas, quanto às leis de Moisés (...), ele, ao contrário, as modificou profundamente, (...) reduzindo-as a (...): ‘Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo’, e acrescentando: aí estão a lei toda e os profetas”. Nos Evangelhos encontramos que Jesus recomenda aos seus discípulos: “(...) anunciai que o Reino

dos céus está próximo; curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai!” (Mt, 10:5-8) Por esse motivo, na era apostólica, nada se cobrava ou se exigia dos discípulos e atendidos. Nem na Casa do Caminho, nem nas primeiras igrejas. Se, a bem da verdade, era costume todos dividirem seus bens com os demais, nada era obrigado. Tudo devia ser feito espontaneamente. É, por isso, que em Centro Espírita, que siga Jesus e a Codificação, não se encontrará nenhum tipo

PÁGINA 4 de coleta, a título de pagamento pelos atendimentos; bem como, nenhum voluntário ou mesmo dirigente é remunerado. Nem obrigatoriedade e nem quantia, por parte dos atendidos; nem salário, para os voluntários. Aceitam-se doações, desde que espontâneas. Como entidade jurídica, precisarão ter associados, que até contribuam como tais; contudo, a afiliação não é obrigatória para se poder usufruir da caridade exercida dentro da Instituição. Permanecemos na paz que Jesus nos desejou. r


PÁGINA 5

Maio de 2017

Um presente que se entrega ao próximo Pequenos gestos fazem grande diferença Renato Lima

renatolearn@hotmail.com

C

declaradas: a moderação, a mansuetude, a afabilidade e a paciência, como as formas que o Mestre nos aponta como corretas. São condenadas: a violência, a cólera, e toda a expressão descortês para com o próximo. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. IX, item 4). Assim, nós devemos ter em mente, que a caridade mais imediata que podemos praticar com todo aquele com o qual entramos em contato em nosso dia a dia, é a forma de tratamento que dispensamos a este próximo. Por isso que, a forma como tratamos alguém, é um pacote; um presente que entregamos a esta pessoa. Este presente pode ser um mimo maravilhoso, que a pessoa levará consigo por todo o dia. Mas, pode também ser, como diz o ditado, um presente de grego, em alusão ao famoso cavalo presenteado na guerra, deixado peVocê gostaria que, los Gregos nos muros dos Troianos. quando alguém se Um sorridente e sonoro “Bom dia!”, dado logo pela manhã a um lembrasse do encontro desconhecido que sai despretensioque teve com você samente de uma padaria, com seu solitário pão francês debaixo do braço, naquela manhã, um pode ser um sopro de esperança a um sorriso verdadeiro irmão, cujo desconsolo e desânimo brotasse no rosto desta açoitam a alma já quase sem forças. Este mero “Bom dia!” pode salvar pessoa, e um pedido de um momento de desespero - pode agradecimento fosse salvar uma vida! Igualmente, no lado oposto deste vetor, um funcionário lançado ao alto, lhe abençoando o dia? E você cujas preocupações da vida atribulada exaurem a sua vontade de viver, pode conseguir isto, quando é destratado por seu patrão, declara a infeliz derrota que marca apenas sendo gentil, por muito tempo sua existência. educado, paciente e Cabe a nós, exclusivamente, compreensivo com esta escolhermos qual a qualidade do presente que queremos entregar a pessoa.

omo devemos tratar o nosso próximo, é uma questão muito abordada nos Evangelhos do Novo Testamento. Encontramos, em vários momentos, as inspiradoras recomendações que nosso Mestre Jesus aponta como as boas práticas no tratamento com nosso próximo – seja ele quem for. No Evangelho de Mateus, diz: “Pois eu vos digo que todo o que se ira contra o seu irmão será réu no juízo; e o que disser ao seu irmão: ‘Raca’, será réu no conselho; e o que disser: ‘és louco’, merecerá a condenação do fogo do inferno”. (Mateus 5:22). Allan Kardec, ao comentar este trecho selecionado por ele a partir do Novo Testamento, diz que essas máximas de Jesus estabelecem um novo padrão de tratamento entre as pessoas. São

todos que trocam momentos em comum conosco. Você gostaria que, quando alguém se lembrasse do encontro que teve com você naquela manhã, um sorriso verdadeiro brotasse no rosto desta pessoa, e um pedido de agradecimento fosse lançado ao alto, lhe abençoando o dia? E você pode conseguir isto, apenas sendo gentil, educado, paciente e compreensivo com esta pessoa. No Evangelho de Lucas, encontramos: “Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem”. (Lucas, 6:31). E

em Mateus: “E assim, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles. Porque esta é a lei e os profetas”. (Mateus, 22:7-12). E esta mensagem de nosso Mestre não nos parece profundamente justa? Há bom senso maior do que tratar as pessoas da mesma forma como gostaríamos de ser tratados? Ou ainda, não é de se esperar que as pessoas nos tratem como nós as tratamos? Em sua caminhada, distribua o mesmo amor que você gostaria de receber em tratamento. Dê o melhor presente aos que cruzarem seu caminho. Faça com que a lembrança da convivência com você seja para as pessoas como um caminhar por um campo verdejante e ensolarado. Não seja o dia nublado de alguém. Seja o Sol. Um Sol de amor, de carinho, de gentileza, de alegria e mansuetude. r

Atendimento fraterno pelo diálogo Atendimento fraterno pelo diálogo Tema: Acolher, consolar e esclarecer com Jesus e Kardec Data: 27 de maio, sábado, das 15 às 18h, com intervalo Local: Comunidade Espírita Cairbar Schutel, em Matão (SP) Coordenador: Mauro Santos, da USE Estadual Informações: usematao@outlook.com ou (16) 99151-5077, com Valentim.

EM CAXIAS DO SUL (RS)


Maio de 2017

“Não podemos perder o vínculo com o Evangelho” Divaldo Franco

PÁGINA 6


PÁGINA 7

Maio de 2017

Família é destaque em eventos Com o pesquisador Luiz Fernando Lopes Data: 2, 3 e 4 de junho, sábado e domingo Sexta 2 - 20h – Portal da LuzAraraquara Tema: Reencarnação e Configuração Familiar Sábado 3 - das 14h às 17h30 – Nosso lar –Matão Tema: A Família como Fator de Proteção para os Transtornos Psicológicos Sábado 3 - 20h – Comunidade C Schutel – Matão Tema: Estresse e Agressividade no Relacionamento Familiar Domingo 4 - 09hNosso Lar- Matão Tema: A Morte na Família e os Familiares no Mundo Espiritual Venha ouvir os relatos das histórias contadas e ensinos transmitidos por Divaldo Franco, envolvendo família e seus desafios, na convivência, na influência recebida, nos casos apresentados, lançado o livro organizado por Luiz Fernando: Vivências do Amor em Família.

2º Dia Juvenil Inter-regional Data: 21/05-dom- das 8h30 às 17h30

Local: Escola Borges de Medeiros - Campo Bom (RS) Informações: facebook.com/polodoacaoconjergs

Das 8h às 12h30


Maio de 2017

PÁGINA 8

Tempos de renovação Estamos atentos e percebendo? Joaquim Bueno Neto

escovajb@yahoo.com.br

N

arra o Evangelho de Mateus (16:1-3) que, aproximando-se alguns Fariseus de Jesus, pediram-lhe um sinal vindo do céu. O Mestre respondeu: “Chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado; e, pela manhã: Hoje, haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos”. Expressiva sua observação. Reporta à dificuldade do ser humano em discernir além daquilo que apenas seus olhos veem. De fato, precisamos nos perguntar:

Eric H. Monkkonen, da Universidade da Califórnia, segundo o qual a violência nas grandes cidades atuais é menor do que nos séculos XV e XVI. Em que pese o senso comum, aprendemos com a Doutrina Espírita 2 que o Universo é um mecanismo conduzido por expressivo número de Inteligências, um governo onde cada ser inteligente tem sua parte de ação sob o olhar do soberano Senhor, cuja vontade única mantém, por toda parte, a Unidade. Sob esse Poder Regulador, tudo se move numa ordem perfeita. O

O desenvolvimento da inteligência é necessário, mas nunca dispensará a elevação do sentimento. Eis o período que marcará uma das principais fases da humanidade, que complementará as fases precedentes, como a idade madura é o complemento da juventude.

Percebemos a renovação gradativa que se opera, à luz da Lei de Progresso? Ouvimos pessoas se manifestando pessimistas, seja pelo avanço da incredulidade, da corrupção, da violência etc. Ao contrário do que se imagina, porém, já vivemos tempos piores. O historiador francês Georges Duby, falecido em 1997, escreveu que “a sociedade medieval vivia, morria e se divertia com grande brutalidade”.1 Estudos apontam que a vida valia bem menos e era menos segura que nos dias atuais. É o que demonstram, também, as pesquisas do professor de História

que nos parecem perturbações são movimentos parciais, que parecem irregulares porque nossa visão é limitada, como ensinou Jesus. Se fosse mais dilatada, compreenderíamos que essas irregularidades são aparentes e que se harmonizam no todo. Com sua inteligência, o ser humano produziu resultados notáveis nas Ciências, nas Artes e no bem estar material. É que resta-nos, ainda, um progresso a realizar, segundo o Codificador Allan Kardec: o de fazer reinar entre nós a caridade, a fraternidade e a solidariedade. Só assim alcançaremos o bem-estar moral.

O desenvolvimento da inteligência é necessário, mas nunca dispensará a elevação do sentimento. Eis o período que marcará uma das principais fases da humanidade, que complementará as fases precedentes, como a idade madura é o complemento da juventude. É por isso que já se vê fundar instituições protetoras, civilizadoras e emancipadoras; que as leis penais se impregnam, a

cada dia, de sentimentos mais humanos e que preconceitos de raça se enfraquecem. São sinais característicos dos tempos de renovação que atravessamos, o anúncio daquilo que se cumprirá em larga escala, sempre sob a segura coordenação do Alto. r 1 – Sangue no passado. Revista VEJA, Edição 1802, 14/05/2003. 2 – Os tempos são chegados. A Gênese, de Allan Kardec, Cap.XVIII, itens 4, 5 e 21.


PÁGINA 9

Maio de 2017

Meu pai, Herculano Pires Papai sempre nos educou pelo amor, exemplo e diálogo. Heloísa Pires

Especial para o TRIBUNA

J

osé Herculano Pires, meu querido pai provavelmente havia sido filósofo em outras encarnações pois desde menino demonstrava amor à sabedoria, à refl exão; como dizia Humberto Mariotti, já nascera filósofo. Foi jornalista, homem de ação, coroinha, teosofista e aos dezenove anos encontrou “O Livro dos Espíritos” e estudou-o até a desencarnação. Dizia que encontrara as respostas para todas as suas duvidas. Finalmente compreendeu a justiça de Deus, graças à compreensão maior da Reencarnação. Entendeu Deus, o Criador, e apresenta essa compreensão no livro: “Concepção existencial de Deus”, no qual lembra que ninguém julga o ser no aqui ou no além; é “o próprio indivíduo que se julga e se condena...” Continua Heloísa dizendo a respeito de seu Pai: “Herculano lembra que a serenidade verte da Natureza, do verde das árvores, do céu azul, do sorriso das crianças... Mas o homem consegue permanecer inquieto, não percebe a beleza à sua volta; mergulhado no egoísmo e no orgulho não consegue ser sereno; os desafios o atordoam, o desequilíbrio emocional trava o seu raciocínio. Se não nos deixarmos abater pelos problemas, se realizarmos nossas tarefas grandes ou não com perfeição, se superarmos as dificuldades, lembrando quantas vencemos no tempo e no espaço, seremos serenos”. Papai, carinhosamente chamado de Zequita pela família, desde de muito jovem já organizava o Natal dos pobres na sua cidade

natal, Avaré. Auxiliava os necessitados do corpo e do espírito. Durante muitos anos a Casa Espírita fundada por ele distribuía alimentos e amor para os funcionários pobres de uma olaria. Um dia foram avisados de que a olaria iria acabar e seus funcionários voltariam à sua terra natal. Sempre Ele e minha Virgínia ajudavam os que necessitavam; um grupo de alcoólicos ia buscar almoço ou janta na casa do casal e nunca faltava um prato de arroz, feijão e ovo frito ou bife. O amor aparecia na dedicação à família, aos amigos, aos frequentadores da Casa Espírita, na divulgação da Doutrina Espírita. Virgínia, a esposa muito amada, recebia flores sempre; apesar de distraído não esquecia o aniversário de mamãe (e os nossos), escrevia poesias nas quais demonstrava o grande amor e a gratidão que sentia pela esposa. Comemorava a data do casamento com bolo e prece de gratidão a Deus pela família. Papai sempre nos educou pelo amor, exemplo e diálogo. Gostava de nos levar a passeios, ao teatro com peças infantis, a espetáculos de patinação, circo, etc. Comemorava o Natal com prece, poesias, a história de Jesus. Para encerrar, gostaria muito de agradecer a todos que estão envolvidos nesse encontro que vai homenagear o Papai, será o primeiro de muitos, onde a memoria de Herculano ou Zequita para os mais íntimos estará sempre viva, para todos aqueles que admiram a Doutrina Espirita, gratidão a todos que estão envolvidos e muita luz. r

Heloísa Pires no Encontro Anual José Herculano Pires Heloísa Pires, licenciada em Matemática, Física e Pedagogia com especializações em deficientes físicos e visuais, é filha de Herculano. Ela estará presente em Avaré no próximo mês de Junho (no dia 11) na Colônia Espirita Fraternidade para o I Encontro José Herculano Pires, que homenageia este grande vulto do Espiritismo do Brasil que nasceu em Avaré.


PÁGINA 10

Festa solidária Iniciativa levou doações no lugar de presentes. Marcos Bassoli

A

proveitamos o espaço para compartilhar um bom exemplo passivo de ser seguido por todos. No último mês de março, a mamãe Gláucia, professora da rede federal, procurou a organização do “Projeto Família” da Comunidade Espírita Cairbar Schutel de Matão/SP comentando uma ideia que pegou a todos de surpresa. Ela e seu marido Jonas decidiram utilizar a comemoração do aniversário de um ano de seu filho, o pequeno Inácio, como uma forma de ajudar a quem precisa fazendo uso de um belo exemplo social. O casal solicitou a seus convidados que substituíssem a famosa montanha de presentes por doações em forma de alimentos que posteriormente seriam destinados às famílias atendidas pelo “Projeto Família”. No sábado, fomos ao local da festa na esperança de que a ação tivesse obtido algum resultado. Nossa surpresa não poderia ser maior quando nos deparamos com mais de meia tonelada de alimentos doados. Ao ser questionada sobre suas motivações, a mãe logo respondeu: “...quando você descobre que vai ter um f ilho quer dar o mundo para ele. Mas para mim essa vontade chegou junto da pergunta: será que ele precisa mesmo de tanta coisa? O aniversário de um ano é uma comemoração maravilhosa, que fecha o primeiro ano da família. Lembrei do chá de bebe, dos muitos presentes recebidos que mal cabiam em nossa pequena casa e que acabaram sendo doados em sua maioria... pensei em fazer diferente e sugeri a meu marido que pedíssemos algo que fosse útil para

marcos.san@gmail.com

outras pessoas e ele gostou muito da ideia. A escolha da entidade veio de maneira aleatória após indicação de uma amiga do trabalho”. Deixamos, então, essa dica para quem gostou dessa fraterna ação. Não é necessário ser famoso ou detentor de posses para promover o bem, basta escolher com carinho uma instituição, verificar suas necessidades, avisar com clareza os envolvidos e não esquecer, sobretudo, que nossos atos inspiram pessoas e podem sim promover um mundo melhor. Afinal, o amor só traz o bem, que possamos seguir os exemplos de nosso mestre Jesus, modelo e guia para todas as situações, e não nos esqueçamos de Kardec, já que “fora da caridade, não há salvação”. r


PÁGINA 11

Maio de 2017

Às Mães Nossa gratidão a esses valorosos espíritos. Rogério Miguez rogmig55@gmail.com

C

onforme estabelecido por Deus, todos os Espíritos devem ocupar regularmente diferentes corpos, em diversas vidas, assumindo distintas posições em variados grupamentos familiares, de modo a atingir a perfeição relativa, meta final de nossas existências. Cremos já ter ocupado todas as posições possíveis em uma estrutura familiar, considerando as suas múltiplas possibilidades, visando aprender o que cada uma destas posições proporciona em função das atribuições pertinentes a cada qual. Entretanto, uma das funções na família recebe especial destaque, pois tudo indica ser o centro vital da organização familiar, posição es-

pecífica de Espíritos normalmente mais afetuosos, pacientes, cordatos, tolerantes em suma, amorosos. Esta posição em uma família é designada por uma pequena palavra, mas de grande valor: Mãe. Em inúmeros exemplos de vidas, há relatos de atitudes de extremada dedicação e amor, vivenciados por mães. De modo geral, são Espíritos possuindo polaridade psíquica característica com uma sensibilidade mais apurada. Às mães se pede especial atenção aos “seus” filhos, porém, vale a lembrança, de fato não são seus, não lhes pertencem, são criaturas de Deus, porquanto, Ele nos criou a todos, mães são temporariamente

responsáveis pela guarda de alguns Espíritos, os filhos, aos quais devem dedicar cuidados específicos para serem bem educados, se possível dentro das orientações espíritas. Dentro desta ótica, uma das maiores preocupações das mães, deve ser a condução dos filhos aos grupos de Evangelização, atividade desenvolvida por algumas casas espíritas, àquelas detentoras de estrutura para tanto. Caso a idade da evangelização já tenha transcorrido, os cuidados não cessam, pois se não houve tempo para a evangelização, existe a próxima etapa: os grupos de Mocidade espírita. Estas simples providências podem significar no

futuro a diferença na vida destes Espíritos, empréstimos de Deus em nossas vidas. Entretanto, observa-se, com preocupação, muitas mães fazendo a opção correta de conduzir os filhos para as atividades da infância e mocidade espírita, todavia, ao deixarem os seus filhos nas casas espíritas, de lá se afastam, para afazeres outros, ao invés de permanecerem nos centros quando estes também oferecem, às vezes, uma complementação de estudo paralela especialmente dirigida aos pais. Outra situação inquietante é com relação aos exemplos dentro do seio familiar, não é incomum no cotidiano observar mães não se portando de acordo com os princípios recebidos pelos filhos nas aulas de evangelização, criando uma situação difícil, inconsistente com os postulados espíritas aprendidos pelas crianças. Os pais, propriamente ditos, evidentemente, também possuem as suas responsabilidades na condução da educação dos filhos, mas neste mês dedicado às mães, voltamos à atenção para o papel que estas valorosas integrantes do grupo familiar jamais podem esquecer. E se estamos na condição de filhos, devemos sempre nos lembrar de agradecer a estes Espíritos comprometidos muitas vezes ainda antes da reencarnação, encarregados de nos cuidar, com carinho e dedicação, e se de nossa parte, não recebemos esta atenção no período infantil ou mesmo juvenil, por variadas razões, mesmo assim, sejamos gratos às nossas queridas Mães, pois nos proporcionaram a possibilidade de aqui estarmos em mais uma pequena etapa de nossa evolução. Seja este mês de muita alegria proporcionadas pelas lembranças e homenagens que todos devemos dispensar às nossas amorosas e estimadas Mães. r


REMETENTE:

PÁGINA 12

Instituto Cairbar Schutel. Maio de 2017

Caixa postal 2013

15997-970 - Matão-SP

Súplica Soneto é de Bittencourt Sampaio. Vladimir Polizio polizio@terra.com.br

M

aria foi a escolhida pelo Criador, Senhor da Vida, para acolher em seus braços o Mestre dos mestres, que deveria nascer na Terra para viver por um curto período de tempo entre os sofredores, ensinando os dois maiores alicerces do progresso espiritual: O amor a Deus, sobre todas as coisas e o respeito incondicional ao próximo. “Salve agraciada, o Senhor é contigo! Bendita és tu entre as mulheres”. A condição de eleita, mereceu a sublimação do amor em sua pureza de espírito ao assumir a maternidade, o maior dos compromissos, pois recebeu em seu ventre

aquele que, entre os pregadores das sinagogas, escribas e fariseus afirmou convicto de que quando Abraão veio ao mundo, ele, Jesus, já existia. Maria de Nazaré, quando já estava vivendo os últimos momentos na Terra, suas mãos ternas e solícitas abraçaram na sombra do luar a figura de seu filho amado que esteve com ela nesses instantes derradeiros. Não conseguiu dominar o seu intenso júbilo. Num ímpeto de amor, fez um movimento para se ajoelhar. Queria abraçar-se aos pés do seu Jesus e beijá-los com ternura. Ele, porém, levantando-a, cercado de um halo

de luz celestial, se lhe ajoelhou aos pés e, beijando-lhe as mãos, disse em carinhoso transporte: ‒ “Sim, minha mãe, sou eu!... Venho buscar-te, pois meu Pai quer que sejas no meu reino a Rainha dos Anjos.” Maria cambaleou, tomada de inexprimível ventura. Queria dizer da sua felicidade, manifestar seu agradecimento a Deus; mas o corpo como que se lhe paralisara, enquanto aos seus ouvidos chegavam os ecos suaves da saudação dos Anjos, qual se a entoassem mil vozes cariciosas, por entre as harmonias do céu. Assim sendo, rogando o auxílio piedoso da Rainha dos Anjos, oferecemos estas vibrações de louvor, de agradecimento e de amor a todas as mães, presentes ou ausentes fisicamente do nosso mundo. Pela psicografia de Chico Xavier trazemos de Francisco Leite Bittencourt Sampaio, uma das fortes colunas morais da Doutrina dos

Espíritos, este soneto homenageando a figura materna, como berço da vida, na excelsa presença de Maria, em ‘Súplica à Mãe Santíssima’: “Anjo dos bons e Mãe dos pecadores,// Enquanto ruge o mal, Senhora, enquanto// Reina a sombra da angústia, abre o teu manto,// Que agasalha e consola as nossas dores. Nos caminhos do mundo, há treva e pranto// No infortúnio dos homens sofredores,// Volve à Terra ferida de amargores// O teu olhar imaculado e santo! Ó Rainha dos Anjos, meiga e pura,// Estende tuas mãos à desventura// E ajuda-nos, ainda, Mãe Piedosa! Conduze-nos às bênçãos do teu porto// E salva o mundo em guerra e desconforto,// Clareando-lhe a noite tormentosa...” * MÃE - de Francisco Leite Bittencourt Sampaio, por Chico Xavier – 1971. r

Tribuna do Espiritismo - maio de 2017  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you