Issuu on Google+

ÓRGÃO MENSAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA PARA TODO O BRASIL • DEZEMBRO DE 2016 • ANO 4 • Nº 39 • 17.500 EXEMPLARES • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA www.institutocairbarschutel.org – www.associacaochicoxavier.com.br

Mãos da solidariedade no Natal Veja iniciativa em destaque na página 6.

Assista ao clipe da iniciativa Fraternidade sem Fronteiras

Foco na educação

Lei do Trabalho

Lei de Adoração

Livro e CD

Pais não devem apenas levar os filhos, mas precisam fazer parte dos programas de educação.

Entrevista com Juiz do Trabalho elucida questão e traça visão humanista no exercício da profissão.

Comovente relato de médico traz importante reflexão sobre o cepticismo e a fé humana em Deus.

Músico araraquarense traz homenagem marcante ao poeta Augusto dos Anjos em livro e CD.

Página 3

Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT

Páginas 10 e 11

Página 8

Página 7

Construamos a paz com atitudes solidárias e respeito uns pelos outros!


PÁGINA 2

Dezembro de 2016

Editorial

A

Em 2017

lcançamos o ano em que se comemora os 160 anos de O Livro dos Espíritos, lançado em 18 de abril de 1857. Várias outras efemérides importantes na história do Espiritismo serão lembradas ao longo do ano que traz o número sete no final. Isso é muito saudável porque nos estimula estudar e encaminhar esforços para a divulgação do Espiritismo e a união dos espíritas, com os conhecidos e saudáveis desdobramentos. Agora em dezembro, com o Natal de Jesus – Mestre a orientar os espíritos vinculados ao planeta – a lembrança carinhosa também é para Jesus e para Yvonne do Amaral Pereira (nasceu em Rio das Flores –RJ, em 24 de dezembro de 1900) e para Joanna Angélica (que nasceu em Salvador –BA, em 11 de dezembro de 1761), uma das encarnações do conhecido Espírito Joanna de Angelis, nomes possantes da literatura espírita. Aqui nos posicionamos com imensa gratidão a tantos amigos, em toda parte, que nos ajudam com os custos e distribuição do TRIBUNA. Graças a esses apoios o jornal tem cumprido sua tarefa. A todos nosso abraço de gratidão para um Feliz Natal, com harmonia no ano novo! r

Trechos parciais de Cairbar Mensagem foi psicografada no EAC 2016 Redação

institutocairbarschutel@gmail.com

O

mais belo da Doutrina Espírita é a renovação, a esperança e a possibilidade de fazer o dia de amanhã um dia sem aflições, um dia de glória, consolo e novas conquistas. A cada manhã a luz do conhecimento espírita acende um coração predisposto ao amor. Podemos sempre com a boa vontade abandonar as nossas más tendências, deixar o velho homem de outrora para renascer o novo homem que reconhece o Cristo como modelo que não só busca as palavras de ensinamentos espíritas,

É certo, pois, que devemos ter e conquistar pelo esforço íntimo a nossa paz interior, porém Jesus e a Doutrina nos convidam não somente a encontrar a paz interna, a doutrina nos convida a levar esse amor abundante, essa serenidade aos lugares de dores, de aflições, de fome.

mas que se obriga a ter uma fé ativa que opera auxílio aos irmãos em obras concretas. É certo, pois, que devemos ter e conquistar pelo esforço íntimo a nossa paz interior, porém Jesus e a Doutrina nos convidam não somente a encontrar a paz interna, a doutrina nos convida a levar esse amor abundante, essa serenidade aos lugares de dores, de aflições, de fome. Nosso maior e grande desafio, após encontrar a força da paz é distribuir essa riqueza àqueles que caminham desanimados e desorientados, uma paz interna em benefício do próximo. (...) Se soubessem o quanto efêmero e curta é nossa existência na Terra

não desperdiçaríamos um fel em nossos lábios e não permitiríamos que nenhum espinho brotasse em nosso coração. Usaríamos das nossas mãos abençoadas para a caridade e para a fraternidade e para a solidariedade sempre. Que possamos neste encontro iluminado e abençoado preencher o nosso coração com as rosas do amor, com o sorriso de Jesus e com a luz do Criador. (...) r

A cada manhã a luz do conhecimento espírita acende um coração predisposto ao amor.

Jesus – para homenagear seu Natal “Será eterno o seu código moral.” Coletânea extraída do livro Estudando o Evangelho de Martins Peralva (ed. FEB)

A

s palavras de Jesus não passarão, porque serão verdadeiras em todos os tempos. Será eterno o seu código moral, porque consagra as condições do bem que conduz o homem ao seu destino eterno. – Allan Kardec. A passagem de Jesus pela Terra, os seus ensinamentos e exemplos deixaram traços indeléveis, e a sua influência se estenderá pelos séculos vindouros. Ainda hoje Ele preside aos destinos do

globo em que viveu, amou, sofreu. – Léon Denis, O Espiritismo, sem Evangelho, pode alcançar as melhores expressões de nobreza, mas não passará de atitude destinada a modificar-se ou desaparecer, como todos os elementos transitórios do mundo – Emmanuel. Para cooperar com o Cristo, é imprescindível sintonizar a estação de nossa vida com o seu Evangelho Redentor – André Luiz. r


PÁGINA 3

Dezembro de 2016

Família, Escola e Educação Como exigir obediência e bom comportamento se não somos assim? Marcus De Mario

marcusdemario@gmail.com

M

uitos pais, perturbados pela conduta de seus filhos, nem sempre obedientes, estão literalmente internando suas crianças e adolescentes nas escolas de tempo integral, e quando isso não é possível fazem matrícula em curso de línguas, aulas de tecnologia da informação, inscrição em práticas esportivas, tudo para ocupar o máximo possível os filhos, e ter algumas horas de sossego no lar, com a crença que escolas, cursos, clubes vão colocar os filhos na “linha”, vão fazer com que gastem as energias e se disciplinem. Muitos pais, na verdade, demonstram que em casa não tem paciência, tolerância e muito menos autoridade moral com os filhos. Não realizam a educação de seus filhos e transferem para a escola e outras instituições esse dever que lhes compete. Precisamos aprender a educar para a autonomia, para a solidariedade, para a bondade, mas para isso temos primeiro que nos educar, ou seja, temos que combater em nós a indolência, o comodismo, a hipocrisia, o individualismo, coisas de que nossa sociedade está farta, acarretando consequências ruins, como temos assistido todos os dias. Como exigir obediência e bom comportamento de nossos filhos,

se confundimos isso com respeito total, exagerado a nós, e cerceando a liberdade deles? E pior, dando maus exemplos, pois de nossa parte não somos obedientes e nem sempre mantemos bom comportamento? É como aquela

Será mesmo que existem filhos difíceis, filhos problemáticos? Cremos que existam filhos desafio, e que somente uma boa educação, perseverante, pode dar-lhes autocontrole, sem amarras, sem exageros, mas com muito diálogo, bons exemplos e autoridade moral, o que deve começar mesmo antes do berço, pois na barriga da mãe ele já ouve e sente tudo que lhe transmitimos.

mãe viciada em doces e chocolates, um tanto quanto obesa, colesterol alto, sedentária, e que exige que sua filha, na escola, só coma coisas saudáveis e participe de atividades

que tenham exercícios físicos. Sem dar o próprio exemplo, essa é uma educação sem efeito, e se a filha começar por sua vez a comer doces e chocolates, por certo será castigada e, por não ser obediente, acabará matriculada em todos os cursos possíveis além da escola. Será mesmo que existem filhos difíceis, filhos problemáticos? Cremos que existam filhos desafio, e que somente uma boa educação, perseverante, pode dar-lhes autocontrole, sem amarras, sem exageros, mas com muito diálogo, bons exemplos e autoridade moral, o que deve começar mesmo antes do berço, pois na barriga da mãe ele já ouve e sente tudo que lhe transmitimos. Devemos fazer esforços no sentido de unir a família com a escola e vice-versa, Que temos de ter uma nova escola, novas metodologias, não coloco em dúvida, mas daí a correr para “novidades” sem fundamento pedagógico, vai uma grande distância. Lembrando que somos espíritos imortais, que, portanto, os filhos trazem uma bagagem de experiências, aprendizados e conquistas, não podemos transferir a educação para o ambiente exclusivo da escola, ou mesmo de outras instituições sociais, divorciando a família desse processo. Pais e professores devem se dar as mãos, assim como no

âmbito do Centro Espírita, quando os pais e outros responsáveis não podem, não devem entregar os filhos para a Evangelização, e voltar para casa. Precisam fazer parte do Grupo da Família, que deve acontecer ao mesmo tempo da evangelização infantojuvenil. E no âmbito doméstico, o chamado Culto do Evangelho no Lar deve envolver a todos os componentes da família, inclusive as crianças, os adolescentes e os jovens, e não apenas os chamados adultos. Família, escola, centro espírita e outras instituições de caráter educativo devem se unir para a boa formação das novas gerações. O distanciamento entre elas traz consequências funestas para a sociedade, como temos assistido. Que se procure, em todas as instâncias, a moralização e espiritualização das novas gerações, se queremos um mundo em paz, mais justo e equilibrado. Que os pais sejam mais fáceis, para que os filhos sejam menos difíceis. Que os professores sejam mais humanos, para que os alunos sejam mais participativos. É no amor que família e escola devem se encontrar. É no amor que conseguiremos transformar os indivíduos para assistirmos paulatinamente a transformação para melhor de toda a sociedade. r


Dezembro de 2016

PÁGINA 4

Será um ano a mais ou a menos? Viver é aprender continuamente. Vladimir Polízio polizio@terra.com.br

N

a verdade, as duas assertivas estão corretas. Será sempre mais um tempo conquistado, pois não sabemos o dia do retorno à morada eterna e também será sempre um tempo a menos, considerando que nas páginas do livro particular da vida constam a hora em que deveremos aparecer e desaparecer deste mundo1. Com o término do ano, mais uma etapa foi vencida em nossa vida. É mais um trecho do caminho que deixamos para trás, conscientes porém de que tivemos 365 dias disponíveis para corrigir os desvios da rota, reformar pensamentos, rever atitudes e compromissos, especialmente os que ficaram pendentes. Se ficaram para depois é porque algo não está coerente conosco. O clima de festa poderá lhe parecer abusivo, mas faz parte da euforia a que muitos se entregam, quer em relação à alegria que o período ofereceu por alguma razão ou mesmo pela oportunidade que o novo ano promete, como ‘mensageiro da sorte’ àqueles que não sentiram a reconfortante brisa da felicidade nesse tempo que vai ficando para trás. O que vem é sempre novo e, por isso mesmo, acontece a manifestação espontânea da esperança, que os benfeitores da espiritualidade consideram como sendo uma das filhas da caridade. Há, também, os indiferentes ou tristes, tocados pelas vibrações de dor em razão da ausência de trabalho, da visita infortunada de doenças ou da própria morte,

fatores que agridem o sentimento e sombreiam os corações saudosos. “Em nossa romagem na vida, atravessamos épocas de sementeira e fases de colheita”2. É uma séria e delicada situação. Contudo, em que pesem contrariamente na balança da emoção o desânimo e a indisposição, contribuindo com o afastamento dos ambientes onde fervilham a alegria, essas atitudes, embora coerentes com as forças fluídicas que envolvem cada pessoa em determinado instante da existência frente aos problemas que enfrentam, há que se pensar, necessariamente, num justo motivo para compreender a grandeza da vida física frente aos desequilíbrios da harmonia e da paz a que somos conduzidos em determinados momentos. Nunca esquecer que VIVER representa o maior prêmio recebido do Senhor da Vida e dos Mundos. Menosprezar a vida é ignorar a bondade do Criador, é não levar em conta a oportunidade gloriosa e bendita de exercitar tudo o que foi um dia planejado em outras esferas no infinito. Essa chance desencadeia no curso da vida uma série de outras conquistas que durante os anos na Terra cada um vai realizando, pois “a vida é uma escola e cada criatura, dentro dela, deve dar a própria lição”3. E essa vida, como se sabe, não é feita de retalhos, qual colcha cujos pedaços de tecido são irregulares, mas de trechos, de etapas que, progressivamente vão se materializando, sendo superadas e deixadas para fazerem parte do passado, sobre o qual vamos edificando com

sacrifício o futuro, não obstante os acidentes que encontramos ao longo do percurso, lembrando que “os obstáculos são bênçãos em que podemos receber e dar, conforme a nossa atitude perante a vida”4. Um bom Ano Novo a você que me lê agora, reconhecendo que tudo, mas tudo mesmo, pertence ao Criador, inclusive nós.

Pense nisso e seja feliz, pois todos podem ser felizes de acordo com a dimensão desse sentimento no exato momento em que está vivendo. r 1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 159. 2. De André Luiz, por Chico Xavier. 3. De André Luiz, por Chico Xavier. 4. De Emmanuel, por Chico Xavier.

Abertura no domingo, 11 de dezembro, às 20h, com apresentação do CORO FRATER.


PÁGINA 5

Dezembro de 2016

A lição dos Banquetes Magnéticos Ainda nos dividimos por opiniões, infelizmente. Rogério Miguez rogmig55@gmail.com

A

ntes de iniciar a missão de elaboração do Pentateuco espírita, em 1823 com apenas 19 anos, Allan Kardec teve a atenção voltada para os fenômenos magnéticos passando a frequentar os trabalhos da Sociedade de Magnetismo de Paris. O Magnetismo assumiu tal relevância à época de Kardec que em todo dia 23 de maio, aniversário natalício de Franz Anton Mesmer, estudioso do Magnetismo Animal, realizavam-se dois banquetes anuais reunindo a nata dos magnetizadores de Paris, conforme registro na Revista Espírita de 1858. Como participante, o Mestre de Lyon indagava: Por qual motivo a solenidade comemorativa era sempre celebrada em dois banquetes rivais, onde cada grupo bebia a saúde do outro e onde, sem resultado, erguia-se um brinde à união? O fato se “justificava”, pois havia uma cisma entre os simpatizantes e praticantes do Mesmerismo. Refletia ainda: Tem-se a impressão de que estão prestes a se entenderem. Por que, então, uma cisão entre homens que se dedicam ao bem da humanidade e ao culto da verdade? Têm eles duas maneiras de entender o bem da humanidade? Estão divididos quanto aos princípios de sua Ciência? Absolutamente. Eles têm as mesmas crenças e o mesmo mestre, que é Mesmer, desencarnado em 1815. Se esse mestre, cuja memória invocam, atende a seu apelo, como o cremos, deve sofrer ao ver a desunião dos discípulos. Os magnetizadores buscavam através de técnicas com movi-

mentação ou imposição de mãos transmitir os salutares fluidos magnéticos, visando a cura de quantos os procuravam, vindo deste fato o questionamento do Sábio de Lyon, afinal o objetivo era nobre, restituir a saúde aos doentes, como poderiam divergir sobre este intento? Continuando a raciocinar: Por mais inofensiva que seja essa guerra não é menos lamentável, embora se limite aos golpes de pena e ao fato de beber cada um no seu canto. Gostaríamos de ver os homens de bem unidos por um mesmo sentimento de confraternização. Com isso a Ciência Magnética lucraria em progresso e em consideração. E quem não gostaria? A perplexidade do Codificador se justificava plenamente, pois não podia compreender como adeptos da Ciência do Magnetismo pudessem se dividir, deixando para a posteridade, exemplo pouco edificante. Isto se deu há décadas atrás, o Sábio Gaulês acabara de publicar O livro dos Espíritos, em 1857, contudo, o fato apresenta um paralelo surpreendente ao momento atual. Mudou o foco, os adeptos são outros, mas a cisão continua agora entre os seguidores da própria Doutrina dos Espíritos. A espiritualidade têm enviado vários chamamentos, entretanto, cremos, não tem surtido o efeito desejado, pois as divisões continuam, seja na prática, na teoria ou em ambas, apesar dos livros básicos espíritas serem exatamente os mesmos, nada mudou. Cada agremiação espírita quer possuir a sua verdade. Argumen-

tam ser a Doutrina de inteira liberdade, e não estão errados, mas concluem equivocadamente que cada qual deve decidir como: praticá-la, interpretá-la, quais livros seguir..., esquecem-se de que liberdade deve sempre ser acompanhada por responsabilidade. De onde estiver Kardec seguramente estará refletindo sobre a situação, com a agravante de

que agora não se trata apenas do seguimento de praticantes do Magnetismo, mas de todo o conjunto do movimento espírita brasileiro. Como evitar tal quadro? Uma possível sugestão, talvez a mais eficaz, seria manter-se fiel aos conceitos contidos nas obras básicas, e só seguir outras literaturas comprovadamente espíritas. r


PÁGINA 6

Dezembro de 2016

Uma oportunidade de agir Podemos fazer nossas as mãos da solidariedade trazidas pelo pensamento de Jesus. Redação

institutocairbarschutel@gmail.com

A

organização Fraternidade Sem Fronteiras, sem fins lucrativos e nascida no Brasil, tem sensibilizado muita gente, com suas apresentações em eventos, do trabalho realizado nas regiões mais pobres do planeta, onde a fome, a miséria e o desamparo fazem presença marcante. Atuando desde 2009 na implantação de Centros de Atendimento, o grupo desenvolve esforços de adesão para apadrinhamento de crianças órfãs e em situação de extrema

miséria, especialmente na África. É comum que, na ausência dos pais, ainda muito cedo as crianças assumem a responsabilidade dos irmãos mais novos. E, devido às dificuldades de sobrevivência, milhares delas perdem os mais elementares direitos essenciais da vida de qualquer criança. O apadrinhamento, com apenas R$ 50,00 mensais, permite atender uma criança por mês para que viva com mais dignidade e não passe fome, ao menos. O trabalho da FSF é voluntário e tem o apoio de pessoas e instituições. Diversos apoiadores

Atuando desde 2009 na implantação de Centros de Atendimento, o grupo desenvolve esforços de adesão para apadrinhamento de crianças órfãs e em situação de extrema miséria, especialmente na África.

realizam bazares, chás e outros eventos para arrecadação de fundos. Muitos se tornam multiplicadores, divulgando a causa por meio de palestras e vídeos e outras formas de comunicação em massa. Visite o site e conheça mais. Que tal aderir individualmente ou como empresa ou instituição? Com pequenas contribuições mensais oferecidas pelos padrinhos o grupo faz a diferença na vida de crianças muito vulneráveis nas condições em que vivem. r

Contatos e formas de contribuir (67) 3028 5429 – contato@fraternidadesemfronteiras.org.br www.fraternidadesemfronteiras.org.br Curta no Facebook: fraternidade.semfronteiras Transferências bancárias: Banco do Brasil – ag. 2959-9 – cc 26.224-2 Banco Itaú – ag. 0091 – cc 53.286-1 Banco Bradesco – ag. 3408-8 – cc 22.109-0 Organização Fraternidade sem Fronteiras – CNPJ 11 335 070/0001-17 Sede no Brasil: Rua Treze de Junho, 1.778, Monte Castelo, Campo Grande (MS)


PÁGINA 7

Dezembro de 2016

Sensibilidade de Augusto dos Anjos Obra completa do grande poeta (psicografia de Chico Xavier) e CD com dez poemas musicados recebem o nome de Número Infinito. Zé Henrique Martiniano zhmartiniano@gmail.com

E

m 2010 comecei a ler o Parnaso de Além-Túmulo, primeiro livro de Chico Xavier, escrito em 1932, quando ele tinha apenas 22 anos de idade. Surpreendi-me, especialmente com os poemas de Augusto dos Anjos. Tive um impulso de musicá-los e comecei. Fui compondo músicas sobre os poemas que lia. Depois vieram os arranjos e as gravações

em estúdio. Isso levou algum tempo e o CD finalmente ficou pronto em 2014. Foi então que descobrimos que naquele ano se comemorava o centenário de morte de Augusto dos Anjos...

Eu não gosto de fantasiar e sempre discuto com a D. Arlett, da Obreiros do Bem de Araraquara, que essas coisas podem coincidir. Mas dessa vez estava parecendo mesmo uma encomenda, feita quatro anos antes, para esse evento. O CD é composto por 10 poemas musicados, de Augusto dos Anjos e psicografados por Chico Xavier, e mais uma faixa composta a partir do texto inscrito na lápide de Allan Kardec, que funciona como um prefácio. Mostrei o trabalho a meu amigo do Instituto SER de Belo Horizonte, Júlio Corradi, que conheci no primeiro EAC – Encontro Anual Cairbar Schutel – em Matão. Ele acabou batizando o CD de “Número Infinito”, devido à curiosa história narrada por Herculano Pires sobre o último poema de Augusto dos Anjos em vida, “Último Número”, e um dos psicografados por Chico Xavier, “Número Infinito”, entre os quais se percebe um claro diálogo. Depois do lançamento do CD em 2014, continuei a pesquisar sobre Augusto dos Anjos, o po-

eta que mais psicografou através de Chico no Parnaso e descobri que havia poemas publicados em vários livros. Tive então a ideia de reuni-los todos em uma única obra. Com a grande ajuda da Márcia Tamia, pesquisamos em toda a sua psicografi a, mais de 400 livros. Inscrevemos o projeto na Lei Rouanet, também por sugestão do Júlio Corradi, e com grande apoio técnico da Eleonora Tosetto. Numa primeira tentativa de aprovação para obter os benefícios

da lei de incentivo à cultura, o projeto do livro foi rejeitado pelo ministério, por ser considerado de cunho religioso. Recorremos da decisão, argumentando sobre a qualidade dos poemas e chamando a atenção para o aspecto cultural da obra. Nessa nova avaliação o projeto foi aprovado, com a seguinte observação: “O projeto apresenta impactos positivos no âmbito cultural, uma vez que visa registrar em livro e CD poesias psicografadas pelo médium Chico Xavier, um conteúdo que, independentemente da crença do leitor ou ouvinte, apresenta inegável caráter cultural.” Na intenção de dar ao livro um caráter utilitário e de pesquisa, além dos 75 poemas coletados de 16 livros, acrescentamos: glossário, feito por Márcia Tamia; parte da dissertação de mestrado de Alexandre Caroli, que trata dos poemas de Augusto dos Anjos; pesquisa de temas abordados nos poemas no âmbito da ciência, filosofia e religião (contribuição preciosa de Aluizio Elias), o CD com 10 poemas musicados e ainda as letras das músicas cifradas. A ilustração da capa ficou por conta de Marina Reis e o projeto gráfico, de Júlio Corradi. Nossa gratidão às editoras pelos direitos autorais cedidos, dos poemas. Estou muito feliz por conseguirmos divulgar esse material precioso – e espero que o Augusto também. r


Dezembro de 2016

Lei de Adoração Médico vive dois casos emocionantes. Orson Peter Carrara

orsonpeter92@gmail.com

J

osé Couto Ferraz publicou magnífica abordagem na edição de outubro/16 da RIE – Revista Internacional de Espiritismo, a partir de um noticiário que conclamou: “procura-se Deus vivo ou morto – uma tese para debate”. Isso a partir da declaração de um astronauta que ironizou: ‘Fui ao céu e não vi Deus’”. Ferraz, então, construiu sólida abordagem sobre a crença em Deus e trouxe comovente narrativa, que transcrevo parcialmente, adaptando: O médico-escritor escocês A. J. Cronin, (...) narra em página solta inserida na imprensa internacional, com o título: “Por que eu Creio em Deus”, sua experiência pessoal, a respeito da crença no Ser Supremo. Estudando medicina (...) quando dissecando cadáveres impregnados de formol, o corpo humano parecia-lhe, simplesmente, uma máquina orgânica complexa, que deixava de funcionar com o desarranjo de qualquer das suas peças fundamentais. (...). (...) quando ele pensava na palavra Deus (...) transparecia seu des-

prezo (...). Quando começou a clinicar (...) verificando valores (...) como: a coragem, o bom-humor, a abnegação, a renúncia, o sacrifício, não encontrando explicações dentro da teoria do mecanicismo materialista da vida humana para justificar sentimentos tão enobrecedores, começou a refletir com novas predisposições intelectuais. À medida que assistia o fenômeno do nascimento de uma criança, ou sentava à cabeceira dos doentes terminais (...), sua atitude foi tornando-se menos arrogante. Perdeu aquele ar de superioridade (...). No entanto, dois fatos marcantes tocaram seu sentimento. O primeiro deles aconteceu numa mina de carvão depois de violenta explosão que soterrou quatorze mineiros por cinco dias. Finalmente, a turma de salvamento que abria o caminho subterrâneo, ouviu saindo do fundo dos escombros a débil melodia de um cântico. Era o hino: “Oh! Deus, socorro nosso desde antigas eras”. Fora assim que os homens soterrados haviam decidido manter

sua coragem. E, quando foram retirados fracos, mas vivos, a multidão entoou o hino que, cantado por um milhar de vozes, ecoou pelo estreito vale. Quando ele subiu à superfície com os mineiros salvos, um grande volume de som o colheu com uma força emocional indescritível, levando-o até às lágrimas pela demonstração da fé humana em Deus. O outro fato aconteceu com uma jovem enfermeira, que trabalhava sozinha numa ronda de quinze quilômetros diários montada numa bicicleta para atender os seus pacientes, trazendo sempre na fisionomia os traços de uma disposição, jovialidade e paciência dignas de admiração. (...) Era uma verdadeira sacerdotisa como enfermeira profissional. Seu ordenado era irrisório, mal a atendia em suas necessidades. Uma noite depois de um caso particularmente trabalhoso, ele arriscou um protesto: – Enfermeira, por que você não exige que lhe paguem melhor? Você devia ganhar pelo menos o triplo do que ganha

PÁGINA 8 por semana. Deus sabe que você merece. Houve um instante de silêncio. Ela sorriu e com um brilho no olhar, surpreendeu o médico: – Doutor, se Deus sabe que eu mereço, isso é tudo para mim. Naquele momento, o médico compreendeu que toda aquela existência de trabalho, em que pontificava o amor ao próximo, era um atestado evidente de sua maneira de adorar a Deus. Percebeu num lampejo a opulenta significação da vida daquela jovem e o vazio interior existente no seu mundo íntimo, pela ausência da crença em Deus. Um desastre numa mina, a fortuita observação de uma simples enfermeira, ergueram do pântano do cepticismo aquele homem para a terra firme da adoração a Deus. A adoração pelo Ser Supremo, ensina o Espiritismo, consiste na elevação do pensamento na prática do bem, amando incondicionalmente a tudo e a todos os seres na obra da criação divina. r

Sobre Deus Complementando o artigo desta página, sobre crença em Deus, não deixe de ver o notável filme “Deus não está morto”. Acesse pelo celular aqui ou busque no Youtube.


PÁGINA 9

Dezembro de 2016

Mudar é Preciso! Espiritismo propõe mudança positiva com amplos benefícios extensivos à sociedade. Ivan Franzolim

franzolim@gmail.com

O

Universo que vivemos está em constante modificação, os seres vivos em processo evolutivo e os humanos vivenciando as mais variadas experiências e assimilando a maior carga de informações e conhecimento jamais constatada na história da nossa civilização. Hoje, um garoto de 14 anos de uma grande cidade recebeu mais informações e adquiriu mais conhecimento que os adultos de grandes cidades do século retrasado. Há menos de 100 anos as pessoas enfrentavam durante todas suas vidas, parte de uma ou duas grandes mudanças sociais. Atualmente vivemos simultaneamente muitas mudanças parciais e completas, sobrepostas e paralelas. Nesse ambiente, a capacidade de mudar não é só imprescindível, ela será responsável pelo maior ou menor aproveitamento das experiências de vida e, até, pela sobrevivência ou qualidade de vida. As mudanças são consequência da nossa evolução gradativa, mas não significa que sempre mudamos para melhor. Muitas vezes inter-

pretamos equivocadamente alguns fatos da vida e tomamos a decisão que se mostrará errada logo à frente. Faz parte do processo educativo. Muitas mudanças que realizamos

As mudanças são consequência da nossa evolução gradativa, mas não significa que sempre mudamos para melhor. Muitas vezes interpretamos equivocadamente alguns fatos da vida e tomamos a decisão que se mostrará errada logo à frente.

foram automatizadas, fazendo-nos pensar e agir de uma forma que no passado achamos que seria a melhor. As novas experiências da vida e o nosso maior desenvolvimento, nos levará a entendimentos mais acertados que produzirão novos automatismos aprimorados. No relacionamento pessoal também houve grandes mudan-

ças com o avanço da tecnologia. Antigamente, as pessoas conseguiam se relacionar com poucos indivíduos e precisavam de muito tempo para isso. Agora, qualquer um pode se relacionar com milhares de pessoas em um tempo muito reduzido. Mudar, contudo, é muito mais que se adaptar as mudanças do ambiente que foram produzidas por outros. É preciso mudar internamente nossa maneira de perceber o próximo, o mundo e a nós mesmos. Cada pessoa desenvolve uma personalidade e um comportamento em decorrência do que acredita e valoriza. Podemos mudar nosso modo de pensar, falar e agir utilizando nossa força de vontade e controlando ou melhorando muitas de nossas expressões. Podemos também agir diretamente em nossas crenças e valores que,

uma vez alteradas, produzirão comportamentos compatíveis. Embora o segundo caminho seja mais efetivo e duradouro, não podemos desprezar nenhum esforço para o nosso desenvolvimento. Considerando que fomos criados para aprender, progredir e contribuir cada vez mais e melhor com os elevados desígnios do próprio criador, a Doutrina Espírita nos convida a conduzir nossas vidas com objetivos adicionais àqueles relativos à vida encarnada, que tenhamos uma proposta de vida, considerando nossa natureza espiritual e objetivando também o desenvolvimento dos sentimentos e do senso ético. O progresso dos seres vivos é um fatalismo derivado da perfeição de Deus. Todos nós vamos evoluir por meio dos infinitos meios educacionais disponibilizados para nós. Podemos nada fazer que a vida certamente nos conduzirá ao progresso em um tempo mais longo e às custas de maior sofrimento, mas já temos condições de conduzirmos conscientemente nossas vidas, do ponto de vista de espíritos imortais destinados a colaborar com o Universo. Essa é a proposta espírita. r

Palestras ao vivo de Matão (SP) Todo domingo, a partir das 9h da manhã, palestras transmitidas ao vivo pelo Facebook, diretamente da programação do Centro Espírita Nosso Lar. Acesse pelo Facebook: http://www.facebook.com/nossolar.matao/


Dezembro de 2016

PÁGINA 10

A Lei do Trabalho Uma visão à luz do Espiritismo. Revista Eletrônica O Consolador – www.oconsolador.com.br – edição 493, de 27/11/16

N

atural de Araraquara (SP), onde também reside, Alan Cezar Runho atua no CENTRO ESPÍRITA PORTAL DA LUZ. Formado em Direito (1996) pela USP e Juiz do Trabalho desde 1998, é espírita de infância e responde à entrevista com a experiência profissional. 1 - O Livro dos Espíritos dedica um capítulo inteiro para tratar da Lei do Trabalho, com 12 questões. Que essência podemos extrair desse compacto capítulo para nossas ações no bem a que somos chamados? A compreensão de que o trabalho, de todas as formas, é uma necessidade perpétua do Espírito, seja para o completo desenvolvimento de suas competências em busca da perfeição, seja para colaborar nos desígnios do Criador. 2 - Como conciliar a imperfeição das leis humanas, concernentes às leis trabalhistas e a sabedoria das Leis Divinas quanto ao trabalho? As leis humanas existem porque o homem ainda não aprendeu a amar. Quando praticarmos a lei do amor em toda sua essência, querendo para os outros o que queremos para nós mesmos, constataremos o quanto as leis humanas são supérfluas. Ao nos pautarmos pela ética do Cristo nos relacionamentos humanos, a imperfeição das leis humanas deixará de ser um obstáculo. 3 - Da legislação humana específica do trabalho, em sua opinião,

quais aspectos mais progrediram de forma a se aproximarem dos objetivos da Providência Divina com relação ao bem dos seres humanos no planeta? Ao longo dos anos, destaco como os maiores progressos da legislação trabalhista: 1) o aumento da proteção do trabalhador em relação à duração da jornada e às condições de higiene e segurança

As leis humanas existem porque o homem ainda não aprendeu a amar. Quando praticarmos a lei do amor em toda sua essência, querendo para os outros o que queremos para nós mesmos, constataremos o quanto as leis humanas são supérfluas.

do trabalho, evitando a prematura degradação física e psíquica do ser humano; 2) a proibição contra qualquer tipo de discriminação por motivo de sexo, idade, cor, crença religiosa ou estado civil, evidenciando o conceito da fraternidade; e 3) recentemente, o reconhecimento da identidade de direitos do trabalhador doméstico, tido por alguns como o segundo estágio da Lei Áurea. 4 - O que nos falta ainda aperfeiçoar na legislação trabalhista humana para maior proximidade com as Leis Divinas?

Assim como a dor nos alerta quanto à necessidade de retomar o caminho das leis divinas, penso que a legislação ainda é carente de mecanismos eficazes de persuasão ao cumprimento das obrigações legais. Embora o arcabouço jurídico seja bastante robusto na previsão de direitos e garantias, o empenho Estatal para

o seu respeito ainda é deficiente. Nesse estado de coisas, muitos se sentem tentados ao desrespeito a direitos fundamentais dos trabalhadores, aumentando as tensões e conflitos. 5 - Nos embates jurídicos trabalhistas, o que é mais expressivo? Por quê?


PÁGINA 11 Infelizmente, a ganância e a incapacidade de exercer a alteridade, de colocar-se no lugar do outro na relação. De um lado, empregadores que escolhem descumprir obrigações básicas para auferirem maior lucro, apostando na impunidade; de outro, trabalhadores que vêm nas demandas judiciais uma chance de enriquecimento; de ambos os lados, representantes que esqueceram, ou não conheceram, o verdadeiro objetivo da Justiça e enxergam o processo apenas como uma fonte de renda. Isso acontece porque ainda somos materialistas e imediatistas. O orgulho ainda é traço marcante em nós e não compreendemos a lição do Cristo quando nos ensinou que a bem-aventurança está na brandura e na pacificidade. 6- Como um juiz trabalhista procura ou consegue conduzir, diante da imperfeição das leis humanas, os interesses de patrões e empregados e a consciência de retidão indicada pela profissão? Ainda que não se mostrem perfeitas, as leis humanas já evoluíram bastante e oferecem recursos suficientes para o julgamento das causas. A sensibilidade do juiz na apreciação dos conflitos e dos

Dezembro de 2016 conflitantes é o diferencial para uma solução justa. Sua maior dificuldade é identificar suas próprias mazelas. Por que determinadas posturas dos conflitantes e de seus representantes o incomodam mais que outras? O que há de imperfeição nele que está sendo refletido na postura dos litigantes? Quando o juiz consegue identificar tais fragilidades, encontra maior facilidade para conduzir as partes a uma conciliação, ou serenidade necessária para distribuir o direito a cada um. 7 - Algo marcante que gostaria de destacar de suas lembranças no tocante à profissão e o conhecimento espírita? Talvez não propriamente uma lembrança ou fato marcante, mas a compreensão que o conhecimento espírita me possibilita de que a Justiça Divina sempre está presente, mesmo nos meus erros de apreciação ou de julgamentos. Ainda que busque uma postura reta e imparcial, compreendo que não sou o promotor da Justiça mas, sim, um de seus inúmeros agentes. 8 - O egoísmo e o orgulho ainda têm sido grandes obstáculos nas conciliações trabalhis-

Apoio ao TRIBUNA Contamos com o auxílio de diretores e frequentadores das instituições na distribuição do jornal, de mão em mão, na entrada ou saída dos presentes nas reuniões. A experiência já demonstrou que deixar disponível não adianta. É preciso mesmo distribuir pessoalmente e se possível comentar conteúdos de motivação à leitura, como esperamos ocorrer também com as demais publicações. A edição conta com patrocinadores e doações espontâneas. Qualquer contribuição é bem-vinda. Caso queira colaborar, poderá utilizar-se da conta corrente 30.986-9 em nome do Instituto Cairbar Schutel, para agência 0134-1 do Banco do Brasil. CNPJ 17 011 663/ 0001 – 04. O jornal é de distribuição gratuita e atinge 90% dos estados do país, sendo remetido para 500 endereços aproximadamente. Doações para postagens auxiliam muito. Faça contato pelo e-mail institutocairbarschutel@gmail.com.

tas? Um juiz consegue atenuar esses quadros? Penso que já adiantei tal convicção nas perguntas anteriores e respondo afirmativamente. A postura materialista advinda do egoísmo e do orgulho é o maior entrave à conciliação. O juiz consegue atenuar esse quadro quando age com serenidade e domina a arte da persuasão, como Jesus no episódio da mulher adúltera. Não foi com o emprego de força ou argumentação sólida, tampouco com a exibição de seu título de autoridade que Jesus fez cessar a agressão àquela mulher, mas com a persuasão. 9 - Com o conhecimento espírita o que lhe sobressai diante do trabalho remunerado e seus desdobramentos? O trabalho remunerado é uma necessidade. Conforme posto na resposta à questão 674 de O Livro dos Espíritos, “a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta as suas necessidades e os seus prazeres”. Penso que a maior dificuldade seja identificar quais são as reais necessidades e as aptidões naturais de cada um. A esse respeito, as respostas às questões 926 a 928 a) da mesma obra são excelentes fontes de reflexões.

10 - E o trabalho voluntário como é visto no binômio leis e progresso espiritual? Em última análise, o trabalho voluntário atende às finalidades da encarnação, assim compreendidas na forma da resposta à questão 132 de O Livro dos Espíritos. A um só tempo, propicia o aprimoramento (físico, intelectual e espiritual) de quem o desempenha e contribui para com a Criação ou, como expresso naquele texto, põe “o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da Criação”. 11 - Algo mais que gostaria de acrescentar? L embrei-me de um vídeo sobre Chico Xavier exibido pelo amigo Orson Peter Carrara em uma de suas palestras e que exemplifica qual é o limite do trabalho. O incansável irmão que dedicou a encarnação para servir Almas e Espíritos, até o limite de suas forças. 12 - Suas palavras finais Que possamos compreender o trabalho como uma ferramenta de evolução moral, e não como um meio de acumulação de riquezas materiais, tampouco como uma punição, como na interpretação precipitada da alegoria bíblica. r

Marque na agenda: um grande evento em fevereiro! Matão sedia no sábado, 4 de fevereiro de 2017, das 14 às 17h30, na CHÁCARA DO LIU, o Encontro Bauruense em Matão, com a participação dos oradores TATO SAVI, EDGAR MIGUEL e RENATO VERNASCHI, com tema ainda a ser definido. Agende, contudo, para participar. Na próxima edição do TRIBUNA, informaremos tema e demais dados da logística. As vagas são limitadas a 300 pessoas, em evento gratuito e abriremos inscrições pela Internet, motivando a região toda. Anote na agenda para não esquecer, pois se trata de um evento dinâmico e repleto de conteúdo, face à qualidade dos expositores. Procure curtir no Facebook as páginas do Instituto Cairbar Schutel e Tribuna do Espiritismo, onde divulgaremos intensamente a abertura das inscrições e a programação do evento.


REMETENTE:

PÁGINA 12

Instituto Cairbar Schutel. Dezembro de 2016

Caixa postal 2013

15997-970 - Matão-SP

Natal de Jesus Conforme a nossa atitude espiritual ante o Natal, assim aparece o Ano Novo à nossa vida. Emmanuel | Chico Xavier – Livro: “Fonte de Paz”

A

Sabedoria da Vida situou o Natal de Jesus frente do Ano Novo, na memória da Humanidade, como que renovando as oportunidades do amor fraterno, diante dos nossos compromissos com o Tempo. Projetam-se anualmente, sobre a Terra os mesmos raios excelsos da Estrela de Belém, clareando a estrada dos corações na esteira dos dias incessantes, convocando-nos a alma, em silêncio, à ascensão de todos os recursos para o bem supremo. A recordação do Mestre desperta novas vibrações no sentimento da Cristandade. Não mais o estábulo simples, nosso pr6prio espírito, em cujo íntimo o Senhor deseja fazer mais luz... Santas alegrias nos procuram a alma, em todos os campos do idealismo evangélico Natural o tom festivo das nossas manifestações de confiança renovada, entretanto, não podemos olvidar o trabalho renovador a que o Natal nos convida, cada ano, não obstante o pessimismo cristalizado de muitos companheiros, que desistiram temporariamente da comunhão fraternal. E o ensejo de novas relações, acordando raciocínios enregelados com as notas harmoniosas do amor que o Mestre nos legou. E a oportunidade de curar as nossas próprias fraquezas retificando atitudes menos felizes, ou de esquecer as faltas alheias para conosco, restabelecendo os elos da harmonia quebrada entre nós e os demais, em obediência à lição da desculpa espontânea, quantas vezes se fizerem necessárias. È o passo definitivo para a descoberta de novas sementeiras de serviço edificante, atrav6s da visita aos irmãos mais sofredores do que n6s mesmos

e da aproximação com aqueles que se mostram inclinados à cooperação no progresso, a fim de praticarmos, mais intensivamente, o princípio do “amemo-nos uns aos outros”. Conforme a nossa atitude espiritual ante o Natal, assim aparece o Ano Novo à nossa vida. O aniversário de Jesus precede o natalício do Tempo. Com o Mestre, recebemos o Dia do Amor e da Concórdia. Com o tempo, encontramos o Dia da Fraternidade Universal. O primeiro renova a alegria. O segundo reforma a responsabilidade. Comecemos oferecendo a Ele cinco minutos de pensamento e atividade e, a breve espaço, nosso espírito se achará convertido em altar vivo de sua infinita boa vontade para com as criaturas, nas bases da Sabedoria e do Amor. Não nos esqueçamos. Se Jesus não nascer e crescer, na manjedoura de nossa alma, em vão os Anos Novos se abrirão iluminados para nós. r


Tribuna do Espiritismo - dezembro 2016