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ÓRGÃO MENSAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA PARA TODO O BRASIL • SETEMBRO DE 2017 • ANO 4 • Nº 48 • 16.000 EXEMPLARES • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA www.institutocairbarschutel.org – www.associacaochicoxavier.com.br

Cairbar Schutel Gigante no exemplo

Legado de bondade e trabalho inspira gerações Em 2018 150 anos de nascimento 22/09/1868 – 22/09/2018 8ª. edição do EAC

Obras clássicas

Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT

Remetente: INSTITUTO CAIRBAR SCHUTEL Cx. Postal 2013 – 15997-970 – Matão-SP.


Setembro de 2017

Editorial

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Setembro de Cairbar

le nasceu no dia 22 de setembro, em 1868. No próximo ano alcançaremos a marca de 150 anos, seu sesquicentenário de nascimento. Um homem que influenciou gerações de espíritas. Um comunicador por excelência, conforme matéria em destaque nas páginas centrais da presente edição, em homenagem de gratidão ao notável seareiro. Há 7 anos (desde 2011), Matão tem realizado o EAC – Encontro Anual Cairbar Schutel – que também é realizado em setembro propositadamente –, numa forma de homenagear e agradecer ao esforço empreendido pelo legado de Schutel. Surgiu por inspiração do esforço desse cidadão e espírita exemplar. Quando o leitor estiver com a presente edição em mãos, estaremos praticamente às vésperas de comemorar a data citada e já antecipando outra data importante, também de nascimento. De Allan Kardec, que ocorre em outubro (vide matéria ao lado). E como a edição de outubro normalmente chega aos leitores sempre por volta do dia 10, em sua generalidade, antecipamos aqui as homenagens ao Codificador. r

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Em outubro, o Codificador 3 de outubro é data histórica Redação

institutocairbarschutel@gmail.com

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issão de Allan Kardec - “A missão dos reformadores está cheia de escolhos e de perigos e a tua é rude, disso te previno, porque é o mundo inteiro que se trata de agitar e de transformar.”  - Espírito Verdade (Obras Póstumas) “Escrevo esta nota no dia 1º de janeiro de 1867, dez anos e meio depois que esta comunicação me foi dada, e verifico que ela se realizou em todos os pontos, porque experimentei todas as vicissitudes que nela me foram anunciadas. Tenho sido alvo do ódio de implacáveis inimigos, da injúria, da calúnia, da inveja e do ciúme; têm sido publicados contra mim infames libelos; as minhas melhores instruções têm sido desnaturadas; tenho sido traído por aqueles em quem depositara confiança, e pago

com a ingratidão por aqueles a quem tinha prestado serviços. A Sociedade de Paris tem sido um contínuo foco de intrigas, urdidas por aqueles que se diziam a meu favor, e que, mostrando-se amáveis em minha presença, me detratavam na ausência. Disseram que aqueles que adotavam o meu partido eram assalariados por mim com o dinheiro que eu arrecadava do Espiritismo. Não mais tenho conhecido o repouso; mais de uma vez, sucumbi; sob o excesso do trabalho,

tem-se-me alterado a saúde e comprometido a vida. “Entretanto, graças à proteção e à assistência dos bons Espíritos, que sem cessar me têm dado provas manifestas de sua solicitude, sou feliz em reconhecer que não tenho experimentado um único instante de desfalecimento nem de desânimo, e que tenho constantemente prosseguido na minha tarefa com o mesmo ardor, sem me preocupar com a malevolência de que era alvo. Segundo a comunicação do Espírito Verdade, eu devia contar com tudo isso, e tudo se verificou.” - Allan Kardec r (Transcrição parcial do livro Obras Póstumas) Nota da redação: Hippolyte Léon Denizard Rivail, que utilizou-se do pseudônimo de Allan Kardec na Codificação do Espiritismo, nasceu em 03 de outubro de 1804.


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Educando com Jesus Apelo é para os poderes da alma Marcus De Mario

marcusdemario@gmail.com

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que Jesus veio fazer na Terra? Por que ele veio até nós? Qual a sua verdadeira mensagem? Por que ele é considerado Mestre? Podemos considerar as lições contidas no Evangelho como roteiros educacionais? A informação que ele é um espírito superior, governador de nosso planeta, procede? Essas e tantas outras perguntas vamos procurar responder através dos princípios espíritas, esclarecendo a missão de Jesus junto à humanidade. Iniciamos pelo significado profundo do título de Mestre, único título que ele aceitou, como vemos no Evangelho de João (13:13): “vós me chamais o Mestre e Senhor e dizeis bem; porque eu o sou”. Segundo Pedro de Camargo “Vinicius”, em seu livro O Mestre na Educação, o entendimento vai muito além da figura de um professor que ensina, como comumente se considera. Em suas considerações, lemos: Mestre é aquele que educa. Educar é apelar para os poderes do espírito. Mediante esses poderes é que o discípulo analisa, perquire, discerne, assimila e aprende. O mestre desperta as faculdades que jazem dormentes e ignoradas no âmago do “eu” ainda inculto. A missão do mestre não consiste em introduzir conhecimentos na mente do discípulo: se este não se dispuser a conquistá-los, jamais os possuirá. Educar, e não apenas ensinar, é o papel do mestre, motivo pelo qual podemos afirmar que nem todo professor se faz um mestre, mas todo mestre é também um professor. Apelar para os poderes do espírito é alcançar o âmago do

ser imortal, é fazer com que todo o seu potencial aflore, frutifique, lembrando que esse potencial foi dado por Deus no ato da criação, e que ele vem sendo desenvolvido através das experiências reencarnatórias, até sua plenitude quando do estado de perfeição do espírito. Então, no processo educacional, o mestre fará com que o educando – o espírito imortal – desenvolva cinco etapas, num ritmo progressivo e, ao mesmo tempo, simultâneo: Análise – Aqui o educando desenvolve a capacidade de estudar alguma coisa de maneira mais minuciosa, percebendo os detalhes, só

aceitando o ensino depois de uma análise criteriosa. Perquirição – O educando é levado a investigar o objeto de estudo, aprendendo a pesquisar e indagar. Discernimento – É o momento de avaliar utilizando o bom senso, percebendo a diferença entre o certo e o errado, distinguindo com clareza todas as informações. Assimilação – O educando, com visão global, consegue entender por completo, consegue apreender o ensino. Aprendizado – O educando é levado a incorporar conscientemente o ensino, passando a ter

conhecimento pleno sobre o objeto de estudo. Nesse trabalho o verdadeiro mestre levará o educando à consciência de si mesmo e ao seu papel na coletividade, tornando-se um sujeito ético e espiritualizado, cumpridor dos seus deveres, respeitador dos direitos e responsável por seus atos, tudo o que mais se deseja para que tenhamos honestidade, paz e solidariedade entre todos. O professor - e o evangelizador - que educar com Jesus, estará desenvolvendo a verdadeira educação, ética, humana, formadora do caráter, estimuladora das virtudes, pois ele é o Mestre por excelência, nosso guia e modelo, como apresentado na questão 625 de O Livro dos Espíritos, e ao qual devemos fazer todos os esforços para seguir. Conhecendo Para saber sobre meu trabalho e meus livros, acesse www.marcusdemario.wix.com/marcusdemario. r


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Exus e Orixás Hierarquia ou estágio espiritual? Marildo Campos Brito 36odliram@gmail.com

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á uma mística, e um poder atribuído em torno de tais entidades, como sendo personificações pagãs e individualizadas na criação do universo desde a antiguidade, em que os Orixás estariam voltados ao bem e os Exus ao mal, cada qual desempenhando seu papel na natureza. Segundo afirmam alguns historiadores, os Exus, foram reinterpretados como entidades excecráveis e demoníacas

por influência católica na colonização e formação político-social do Brasil. Na umbanda e no candomblé, conhecidos por seus hábitos e costumes ritualísticos provindos dos cultos afro-brasileiro, acabaram incorporando fantasias, desvarios e mentiras por efeito de ideoplastias reconstruídas, autossugestão e zoantropias de várias formas a partir de suas construções mentais1; onde esses mesmos Espíritos um dia, viveram como

homens na terra, e que ao desencarnarem, permitiram-se guiar pelas absurdas e inconcebíveis concepções humanas, com sua ignorância e desobediência as leis divinas, passando a fomentar seus ódios e sentimento de vingança contra aqueles que lhe foram causa de desdita nesta vida como em outras; e que adestrados a técnicas de obsessão e vampirização por hordas de Espíritos malfeitores, tornaram-se subservientes e empedernidos a processos de hipnose e auto hipnose, levando a contendo sua exploração perturbadora e obsessiva junto daqueles que permanecem jungidos sob a condição de suas vítimas; outros ainda, que afeitos aos prazeres efêmeros da matéria e sortilégios, preferem tão somente satisfazer suas paixões e vícios, seviciando criaturas em troca de pagas, oferendas e homenagens. Já os Orixás, deidades conhecidas como por pretos velhos, caboclos, boiadeiros e outros tantos, estariam na ação de protegerem eternamente a natureza e fazerem o bem aos homens, condição, todavia que refletem ainda o atavismo religioso há que se vincularam no mundo com supostos e imaginários poderes de justiça e ordem. Como nos ensina o Espiritismo que a natureza não dá saltos, e o progresso não podendo ser adiado indefinidamente, chegará um dia em que todas essas criaturas como filhos de um mesmo e único Pai e irmãos nossos, despertarão e

PÁGINA 4 compreenderão a realidade maior a custo de renúncias e sacrifícios sob o desvelado e incondicional amor Divino, para poderem assim na afirmação de Allan Kardec modificarem-se gradualmente até atingirem a perfeição2 em voos mais amplos de luz e evolução. No livro Loucura e Obsessão pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda psicografia de Divaldo Pereira Franco, iremos nos deparar nas entrelinhas da obra, com a personagem Emerenciana, devotada e abnegada trabalhadora espiritual, que em sua última existência foi mãe de Valdemar, onde possuidora de merecedores créditos espirituais, pode socorrer e libertar seu filho que se auto intitulou como Exu, que aliado a perniciosa malta de Espíritos infelizes e embrutecidos no mal o exploravam psiquicamente. E neste sincretismo aos cultos e doutrinas fetichistas, a temeridade e a crença popular, acabou assimilando a ideia errônea e preconcebida de que o Espiritismo seria uma doutrina diabólica que compactua com as forças do mal por meio de feiticeiros e magia negra, sem se permitirem, contudo, aplicarem-se as sábias palavras de Jesus “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”3 r 1 – Referências do livro “Loucura e Obsessão” (Divaldo Pereira Franco). 2 – O Livro dos Espíritos (Allan Kardec – Questão 116). 3 – João 8:32.


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2ª Semana Nacional de Arte Espírita Artistas espíritas do Brasil unem-se num só ideal ABRARTE

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A s s o c i aç ão B r a s i l e i ra de Artistas Espíritas (Abrarte) promove entre os dias 30 de setembro e 8 de outubro de 2017 a 2ª Semana Nacional de Arte Espírita. O objetivo do evento é promover uma ampla divulgação à sociedade em geral da existência de um movimento artístico espírita de qualidade, proporcionando o congraçamento de todos os artistas espíritas brasileiros compromissados com a causa do Espiritismo. O evento integra o calendário de comemoração dos 10 anos de fundação da Abrarte. A 2ª Semana Nacional de Arte Espírita vai se realizar simultaneamente em várias cidades brasileiras, cada qual com sua programação própria, contemplando atividades artísticas vinculadas à Doutrina Espírita, como apresentações de artistas e grupos, eventos artísticos como festivais, saraus, concertos,

A 2ª Semana Nacional de Arte Espírita vai se realizar simultaneamente em várias cidades brasileiras, cada qual com sua programação própria, contemplando atividades artísticas vinculadas à Doutrina Espírita, (...) realizados nas casas espíritas ou em ambientes públicos.

palestras, exposições, mostras, workshops, seminários, estudos, oficinas de arte, etc., realizados nas casas espíritas ou em ambientes públicos. Para a viabilização do evento, em cada cidade ou região metropolitana participante da Semana existe uma comissão local para realizar os convites aos artistas, organizar a programação local e divulgar o evento em sua região. As comissões locais são subordinadas à Comissão Organizadora Nacional, composta de membros da Diretoria e Conselho Doutrinário da Abrarte. Para acompanhar o que está sendo preparado em cada cidade ou região, conhecer os contatos das Comissões L oc ais e ter mais notícias sobre a 2ª Semana Nacional de Arte Espírita, visite nosso blog ou contate a Comissão Nacional: • Blog do evento: https://semanadearteespirita.wordpress.com/ • E-mail: semana.arte.espirita@ gmail.com Esta é a segunda vez que a Abrarte promove este evento. A primeira edição da Semana Nacional de Arte Espírita ocorreu entre 16 e 24 de outubro de 2010 e, naquela oportunidade, foi realizada em 21 cidades de 11 unidades da Federação. Foram 110 eventos que mobilizaram 80 grupos e 67 artistas solo. Nesta 2ª edição já contamos com 74 cidades em 21 estados e Distrito Federal, e novos participantes estão se mobilizando para em breve se juntarem a nós.

O quadro atual de cidades participantes é o seguinte: Amapá: Macapá; Bahia: Salvador, Serrinha, Lauro de Freitas; Ceará: Fortaleza, Maracanaú; Distrito Federal: Brasília; Espírito Santo: Vitória, Vila Velha, Serra, Guarapari, Colatina, Nova Venécia, Ibatiba; Goiás: Goiânia, Aparecida de Goiânia; Maranhão: São Luís; Mato Grosso: Cuiabá; Mato Grosso do Sul: Campo Grande, Sidrolândia; Minas Gerais: Belo Horizonte, Ouro Branco; Pará: Belém, Tucuruí, Ananindeua; Paraíba: João Pessoa; Paraná: Curitiba, Foz do Iguaçu; Pernambuco: Recife; Piauí: Teresina, Parnaíba, Floriano; Rio de Janeiro: Rio de Janeiro,

Araruama, Mesquita, Nova Iguaçu; Rio Grande do Norte: Natal; Rio Grande do Sul: Porto Alegre, Camaquã; Roraima: Boa Vista; Santa Catarina: Florianópolis, Blumenau; São Paulo: São Paulo, Campinas, Indaiatuba, Jundiaí, Franca, Restinga, Itanhaém, Peruíbe, Praia Grande, Matão, São Carlos, Araraquara, Jaboticabal, Taubaté, São José dos Campos, Caçapava, Pindamonhangaba, Ribeirão Preto, São Vicente, Bebedouro; Sergipe: Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão, Boquim, Lagarto, Itabaiana, Itabaianinha, Nossa Senhora da Glória, Tobias Barreto, Umbaúba, Frei Paulo, Malhador, Barra dos Coqueiros. r


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Cairbar, um comunicador por excelência Em setembro (22) nasceu o grande seareiro da divulgação espírita Orson Peter Carrara

orsonpeter92@gmail.com

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esforço empreendido pelo notável Cairbar Schutel, em Matão, na divulgação do Espiritismo, deixou clara sua posição de grande comunicador. Tomando conhecimento dos ensinos trazidos pelo Espiritismo, o moço que viera do Rio de Janeiro e se instalara no pequeno município paulista que ele mesmo auxiliara emancipar-se politicamente, não teve dúvidas: lançou-se de corpo e alma para que tais ensinos se tornassem conhecidos e pudessem beneficiar mais e mais pessoas. A partir da fundação de um centro espírita e de um jornal que já é centenário, sua atuação extrapolou os limites da então pequena Matão, projetando-se através das décadas para o cenário internacional, principalmente após o surgimento de sua querida RIE, fundada em 1925. Da distribuição avulsa pelas ruas da cidade, nos trens de passageiros, na remessa a cidades vizinhas e na postagem que se ampliou gradativamente para todo o Brasil, o pequeno jornal foi um farol a despertar consciências adormecidas para a realidade da imor-


PÁGINA 7 talidade da alma, da pluralidade da existência e da comunicabilidade dos espíritos, entre outros princípios da Doutrina Espírita. Vale acentuar que, em 1905, quando Schutel iniciou seu apostolado, sua idade era de apenas 36 anos. Durante os próximos 33 anos, de 1905 a 1938, dedicou sua vida completamente à divulgação e à vivência do Espiritismo. É importante destacar também o aspecto de vivência. Afinal ele foi um autêntico cristão, nunca desprezando ou ignorando quem quer que o buscasse. Jamais teve atitudes de indiferença ou discriminação quanto aos pobres e necessitados que o procuravam em busca de consolo moral ou em busca do socorro material. Mas sua grande marca foi mesmo o de comunicador. Além dos periódicos que publicou, dos livros que escreveu, das palestras proferidas, do incentivo doutrinário distribuído, ele igualmente influenciou expressivamente toda uma geração de espíritas. Seu exemplo, seu estímulo, a notável sequência pioneira dos programas radiofônicos (depois transformada em livro), fizeram dele um comunicador por excelência. Há que se destacar também que, mesmo após a desencarnação, seu trabalho continua. Ditou várias mensagens, por diferentes médiuns, já foi identificado igualmente por diferentes médiuns em locais onde o assunto é divulgação espírita e, por relatos idôneos, po-

Setembro de 2017 de-se afirmar que ele é um dos espíritos coordenadores da expansão do pensamento espírita, inclusive no âmbito internacional. Cairbar percebeu de imediato a proposta do Espiritismo, exposta com clareza por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, obra que alcançou 160 anos de publicação em 2017, pois que lançada em 18 de abril de 1857. Fica claro perceber o alcance da comunicação espírita. Ela, a Doutrina Espírita, não é estanque, mas dinâmica. Sua própria índole cristã é comunicativa. Surgiu com a publicação de livros, projetou-se através de livros e comunicação verbal, alcançou respeito pela comunicação vivida na prática e atualmente vive a realidade de ver seus temas essenciais serem tratados abertamente pela mídia. Ora, o trabalho iniciado pelos espíritos, percebido por Allan Kardec – que lhe organizou metodicamente os ensinos –, vitalizado pela marcante presença de Chico Xavier, mas igualmente estimulado pelo trabalho de homens da fibra de Cairbar Schutel, entre tantos anônimos ou conhecidos, do presente ou do passado, é fator que nos convida à reflexão. Que atuação estamos tendo para continuar referido empreendimento, cujo objetivo é espiritualizar o ser humano? Exemplos não nos faltam. Entre eles, um comunicador por excelência: Cairbar de Souza Schutel (22/09/1868-30/01/1938).

Vale destacar que o livro VISÃO ESPIRITA DE UM BANDEIRANTE – PENSAMENTOS DE CAIRBAR SCHUTEL – volumes I e II, publicados pela editora O Clarim em 2005 – ano em que se comemorou o centenário de O Clarim, reúne os editorais da RIE, de 1925

a 1938, na autêntica ferramenta de comunicação de sua lucidez doutrinária e sua firmeza de caráter, que ele usou através das páginas da Revista Internacional de Espiritismo, na defesa e na divulgação das ideias espíritas. Um exemplo, sem dúvida, de comunicação espírita. r


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Pesquisa revela perfil dos espíritas Respostas vieram de público predominantemente feminino Ivan Franzolim

franzolim@gmail.com

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terceira edição anual da Pesquisa Nacional para Clientes, encerrada no final de julho de 2017, revela o perfil dos espíritas que confirma dados do Censo 2010. A pesquisa teve 2616 respostas de espíritas de todos os estados do Brasil, moradores em mais de 400 cidades diferentes. Os voluntários espíritas são predominantemente do sexo feminino (mais de 60%), com idade média de 47 anos, casado, com ensino superior ou acima, assalariado,

autônomo ou aposentado, ganha acima de quatro salários mínimos e já leram até 30 livros espíritas. Dados que apresentam a mesma tendência do último Censo do IBGE. Em geral, os espíritas são leitores da mídia espírita por meio da internet, fizeram algum curso espírita e são voluntários em instituições espíritas. A pesquisa abordou também as crenças dos espíritas e concluiu que: Após o desencarne, 38,5% acreditam que deverão ser levados a um

EMEARA em Araraquara Realização conjunta une duas instituições Lucas Primani – dmuseararaquara@yahoo.com.br O EMEARA (Encontro de Mocidades Espíritas de Araraquara) é uma realização conjunta das mocidades da USE-União das Sociedades Espíritas de Araraquara e da Aliança Espírita Evangélica Regional Araraquara. O evento é uma ótima oportunidade de estudo, confraternização e unificação das mocidades espíritas de Araraquara e região.

Cronograma do encontro: - dia 16, sábado: recepção das 15h às 16h (com lanche). - dia 17, domingo, das 7h às 8:20h: recepção, despertar e café da manhã. O início das atividades de estudo será às 8:45h com término previsto para as 16h. Mais informações através do e-mail: dmuseararaquara@yahoo. com.br

hospital ou instituição cuidadora em uma colônia espiritual. A transição planetária deve acontecer depois de 50 ou de 100 anos para 47,2%. O estudo semanal do Evangelho no Lar deveria ser realizado por quem desejar, foi a opinião de 51,5% contra 48,3% que preferiram a optar que deveria ser realizado por todos os espíritas. A maioria (68%) consideram que a aceitação das ideias espíritas na sociedade brasileira está evoluindo razoavelmente. Apenas 14,5% consideraram que está diminuindo, estagnada ou evoluindo vagarosamente. Entendem que o espiritismo deve ser seguido pelos espíritas mais como filosofia e/ou ciência, do que como religião (57,7%). Acreditam (56,1%) que na lei de causa e efeito todos terão obrigatoriamente de sofrer a mesma dor que impuseram aos outros. Os trabalhadores executam entre duas a quatro atividades motivados pelo desejo de “Ser útil às pessoas e/ ou à comunidade” e “Contribuir para

PÁGINA 8 disseminar o Evangelho de Jesus”. A mediunidade mais comum é de passes e psicofonia. Possuem grande interesse pelos assuntos: Movimento Espírita Atual, Mundo Espiritual, Mediunidade, Lei da Causa e Efeito. Apenas 34% se declararam médium, principalmente de Passes (27,5%) e Psicofonia (18,5%). A maioria dos frequentadores visitam a instituição espírita de 3 a 8 vezes por mês e consideram que tiveram boa acolhida do Centro Espírita. Interessam-se mais por Palestras e Cursos e acham boas as instalações e decoração das Casas. O objetivo da pesquisa é disponibilizar os resultados para auxiliar o movimento espírita e suas instituições a planejarem suas ações comunicativas, além de servir de subsídio para pesquisas científicas. O leitor poderá conhecer todos os resultados a partir de 15 de agosto no blog: http://franzolim. blogspot.com.br/ r


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De perseguidor a discípulo da Boa Nova As cartas paulinas ainda hoje estão plenas de atualidade Rogério Coelho

rcoelho47@yahoo.com.br

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aulo, servidor do Cristo, apóstolo de vocação divina, foi escolhido e destinado, sem o saber, a anunciar a Boa Nova. O Sol castigava as areias escaldantes do deserto da Síria: era meio-dia... Os primeiros telhados das casas situadas na periferia da cidade de Damasco já podiam ser vistos na linha do horizonte. O ardoroso perseguidor dos cris-

Ontem acendíamos as fogueiras inquisitoriais, semeando o terror e perpetuando a escravidão mental das criaturas juguladas à ignorância. E hoje?! A exemplo do Apóstolo dos Gentios já nos transformamos em discípulos do Cristo? Espíritas, trabalhadores da última hora, estamos aproveitando a hora que resta?

tãos, comburido internamente por incoercível ódio, não fazia caso do calor externo. Aquecido internamente pelas labaredas da total aversão àquela Doutrina nascente, buscava com febricitação os seguidores do Carpinteiro de Nazaré que, segundo sua visão obtusa não passavam de perturbadores da paz pública, infratores da Lei Antiga, bárbaros, hereges... Levava na algibeira carta do Sinédrio dando-lhe amplas liberdades; direito de vida e morte aos que lhe caíssem nas mãos, em especial Ananias que corrompera sua noiva com aqueles disparates profanos. Mal sabia ele que do Plano Espiritual os irmãos Abigail e Estêvão, envolviam-no nas mais cariciosas vibrações de Amor como a preparar-lhe o Espírito indócil para o luminoso acontecimento que se fazia iminente: o definitivo encontro com Jesus que viria dividir para todo o sempre as fases de sua vida: de perseguidor a discípulo da Boa Nova! Surge no Céu sem nuvens uma luz intensa no interior da qual a mirífica figura de Jesus desenha-

va-se em contornos luminescentes. Ante o inusitado da circunstância, Saulo cai do cavalo sob assomos de perplexidades, ajoelhando-se nas areias quentes. Soa, então, uma voz de inflexão singular: ao mesmo tempo meiga e autoritária, doce e enérgica: “Saulo, Saulo, por que me persegues!?” O orgulhoso cidadão romano, intrépido defensor da lei moisaica submete-se de imediato à autoridade d`Aquele que passaria a viver nele: “Senhor! Que queres que eu faça?” Paulo não escolhe tarefas, não impõe condições: coloca-se – incontinenti – à disposição. Após o luminoso episódio, às portas de Damasco, transforma-se de Saulo em Paulo; de ardoroso perseguidor em eloquente e abnegado discípulo da Boa Nova, levando aos Gentios a mensagem de libertação... Suas cartas atravessaram os séculos incólumes, vibrando até hoje, plenas de atualidade sob o diapasão dos transcendentes ensinamentos do Cristo de Deus.

Ontem acendíamos as fogueiras inquisitoriais, semeando o terror e perpetuando a escravidão mental das criaturas juguladas à ignorância. E hoje?! A exemplo do Apóstolo dos Gentios já nos transformamos em discípulos do Cristo? Espíritas, trabalhadores da última hora, estamos aproveitando a hora que resta? Analisando nossas vidas hoje, nossas ocupações, nosso relacionamento com o próximo, nossos interesses mais imediatos, podemos, em sã consciência dizer com Paulo: “vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim?”. Eis a questão que se impõe! r


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Agostinho, missionário do Cristianismo e do Espiritismo Um personagem peculiar da história humana Fabio Dionisi

fabiodionisi@terra.com.br

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ossídio, seu primeiro biografo, e amigo por quarenta anos, em sua obra Vida de Santo Agostinho, o descreveu em detalhes, desenhando um retrato de um homem que comia pouco, com parcimônia, trabalhava incansavelmente, desprezava fofocas e fuxicos, que procurava rejeitar as tentações da carne, e, que exerceu a prudência na gestão financeira conforme sua posição e autoridade de bispo. Por sua vez, de Aurélio Agostinho, sabemos, também, que, embora tenha sido de seu desejo a de uma vida monástica, de muita reflexão, meditação e oração, na verdade, uma vez bispo, sua vida foi exatamente oposta. O que ficou constatado, mais uma vez, durante a elaboração da Codificação Espírita, muitos séculos mais tarde; mais uma vez, incansavelmente ativo, atuando em várias frentes. Com o mesmo empenho com que defendeu o cristianismo nascente, combatendo através de cartas, homilias, sermões e livros, os movimentos heréticos (maniqueísmo, donatismo, pelagianismo e arianismo), foi profícuo divulgador dos conceitos Espíritas, no séc. XIX. “Santo Agostinho é um dos maiores vulgarizadores do Espiritismo. Manifesta-se quase por toda parte. (..) Pertence ele à vigorosa falange dos Pais da Igreja, aos quais deve a cristandade seus mais sólidos esteios.” (Erasto; discípulo de São Paulo). Somente na obra de Allan Kardec, podemos encontrar 36 (trinta

e seis) citações; tanto do Pentateuco que compõem a Codificação Espírita, quanto na Revista Espírita, igualmente preparada e editada por Allan Kardec. Talvez tenham sido muito mais. Quem poderá dizê-lo? Pois nem tudo ficou registrado... Mas é o que temos, por enquanto... Certamente, entre o Aurélio Agostinho que conhecemos do século IV e V, e o que se comunicou durante o advento do Consolador Prometido, em meados do século XIX, teve que mudar muitos conceitos... Como qualquer Espírito, também tem se transformado na mesma medida em que se expande em sabedoria e virtudes.

“Dar-se-á venha Santo Agostinho demolir o que edificou? Certamente que não. Como tantos outros, ele vê com os olhos do espírito o que não via enquanto homem. (...) compreende o que antes não compreendia (...). Na Terra, apreciava as coisas de acordo com os conhecimentos que possuía. (...) Agora pode ele, sobre alguns pontos, pensar de modo diverso do que pensava quando vivo, sem deixar de ser um apóstolo cristão..” ESE (Cap. 1, item 11) Embora, esta mudança não deve ter sido tão grande assim... pois, Agostinho conhecia muito bem as teorias de Sócrates e Platão, tais como: Mito da Caverna, Mito de Er ou das Reminiscências, Mundo das Ideias e das Formas.

Santo Agostinho: saiba mais Quem foi Santo Agostinho? Agostinho (354-430 d.C.) nasceu em Tagaste, norte da África. Seu Pai, Patrício, era pagão; sua mãe, Mônica, posteriormente Santa Mônica, era cristã. Foi bispo durante trinta e quatro anos, tempo em que escreveu copiosamente, combateu heresias e viveu em comunidade com outros cristãos. Entre suas obras, a mais famosa: Confissões. Instruções mediúnicas dadas por Santo Agostinho: Em O Evangelho Segundo o Espiritismo encontra-se algumas comunicações deste insigne Espírito. São elas: Os Mundos de Expiações e de Provas, Mundos Regeneradores e Progressão dos Mundos (Cap. 3, 13 a 19), O Mal e o Remédio (Cap. 4, 19), O Duelo (Cap. 12, 11 e 12), A Ingratidão dos Filhos e os Laços de Família (Cap. 14, 9) e Alegria da Prece (Cap. 27, 23). Em O Livro dos Médiuns há anotações Sobre o Espiritismo (Cap. 31, 1) e Sobre as Sociedades Espíritas (Cap. 31, 16).

Por isso, não seria estranho Santo Agostinho ter conhecimento de conceitos como o da preexistência do conhecimento, a imortalidade da Alma, reencarnação, Lei de Causa e Efeito, escolha do tipo de vida, antes de retornarmos ao mundo das formas. Fácil de ser comprovado. Basta nos valermos de suas próprias citações, na época da Patrística, sobre o que ele escreveu ou disse sobre as relações com os Espíritos dos mortos, a reencarnação, o perispírito, etc. Em agosto último, lembramos mais uma data da desencarnação deste grande expoente, a quem a humanidade terrestre muito deve, também. r


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Setembro de 2017 católica, me tornei espírita após quatro anos de casada com Roque, que já era espírita. Tivemos uma filha (Sílvia Regina), dois netos (Alexandre e Fabíola) e um bisneto (Carlos Eduardo).

Recordações de Roque Jacintho Entrevistamos Sra. Maria Dirce, viúva do conceituado escritor Redação

institutocairbarschutel@gmail.com

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atural de Sorocaba e residente em Diadema, ambos municípios do interior paulista, D. Maria Dirce formou-se professora primária e vincula-se ao Núcleo de Estudos Espíritas Amor e Esperança, da mesma cidade onde reside. Viúva de Roque Jacintho, que deixou extensa obra de 130 livros publicados (sendo autor do primeiro livro espírita infantil do mundo), que igualmente foi jornalista e contabilista. Tornou-se espírita alguns anos após o casamento, pela influência direta da intensa atividade do então marido. Transcrevemos parcialmente trechos da entrevista que será publicada na íntegra pela revista eletrônica O Consolador.

1 – Como e quando a Sra. Conheceu Roque Jacintho? R: Conheci Roque no jornal onde ele trabalhava em Sorocaba, onde fui, acompanhada de minha irmã, pagar a mensalidade do jornal - a pedido de meu paizinho. 2 - Ele já era espírita? e a Sra? Em caso negativo, para o caso de cada um, como se tornaram espíritas? Tiveram filhos? R: Roque (embora de família católica) não era católico. Sempre se interessou pelo espiritismo desde criança, tanto que escreveu seu primeiro poema espírita com 11 anos. Eu vim de família católica, inclusive era filha de Maria e seguidora de todos os rituais da igreja

3 - Como era o envolvimento de Roque com a Doutrina Espírita? R: Roque tinha muito carinho, respeito e fidelidade à Doutrina Espírita, fazendo de sua vida um verdadeiro exercício de caridade exemplificando suas obras no cotidiano. A Doutrina representava muito na vida de Roque, ele dizia que queria ser útil à Deus. 4 - Quantos livros ele publicou? E qual o que mais chamou atenção? Em sua opinião, por que? R: Roque escreveu mais de 130 obras e não tenho como definir uma que chame mais a atenção, pois ele as escreveu com muito amor, carinho e dedicação sempre. Dentre as obras, ele escreveu o primeiro livro espírita infantil do mundo: “O Lobo Mau Reencarnado” atualmente em sua 3ª edição pela Luz no Lar. (...)

7 - De que forma ele sentia o Espiritismo? R: Roque era e, tenho certeza, continua sendo um grande defensor da Doutrina Espírita. Sempre foi muito exigente com referência as obras doutrinárias. Nunca aceitou as falsas realidades que muitas vezes chegavam às suas mãos. Para ele as obras de Allan Kardec jamais devem ser relegadas, pois são a Verdade do Espiritismo e ninguém mais poderia seguir com essas obras a não ser a vinda de Francisco Cândido Xavier. Roque teve a vida pautada em se dedicar a escrever para as crianças, jovens e orientações para todas as formas de ajudar a difundir o Evangelho. 8 - Algo marcante que a Sra. gostaria de destacar para o público? R: Nosso querido Chico Xavier dizendo ao Roque que o espírito de Monteiro Lobato estava contando com ele para trazer do mundo espiritual as histórias infantis. Roque, então, abraçou com muito amor e carinho esta tarefa, foi então onde começamos a Luz no Lar. r

Instituições matonenses aniversariam no mesmo dia A Comunidade Espírita Cairbar Schutel e o Centro Espírita Nosso Lar, tradicionais instituições espíritas de Matão, foram fundadas em setembro e aniversariam para alegria de seus integrantes. A primeira delas tem suas origens históricas no distante 16 de setembro de 1947, quando ocorreu a fundação da Mocidade Espírita Cairbar Schutel, que resultou na instituição que agora completa 70 anos de atividades, mantendo extenso trabalho doutrinário e assistencial na cidade.

A segunda, a caçula da cidade, foi inaugurada no dia 16 de setembro de 2011 (véspera da então 1ª. edição do EAC), alcançando 6 anos de integral dedicação ao estudo e à divulgação espírita, inclusive com transmissão ao vivo de suas palestras públicas, aos domingos, com grande repercussão. É uma coincidência as datas de fundação e inauguração, respectivamente, serem no mesmo dia, mas a gratidão e a alegria por ambas é a mesma. Parabéns a ambas e votos de continuidade no trabalho.


Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT Setembro de 2017

REMETENTE: Instituto Cairbar Schutel. Caixa postal 2013 15997-970 - Matão-SP

Educação – Tarefa de Emergência Adaptação parcial de lúcida abordagem do autor

A Criança e o jovem precisam aprender que suas atitudes tem osmar.marthi@gmail.com consequências e sua liberdade tem limites, exatamente onde começa Casa Espírita, através da evangeli- a liberdade alheia, e que precisamos responder por nossos atos, zação infantojuvenil. Lembremo-nos de que mais perante as Leis Humanas e sobretudo perante for te que mil as Leis Divinas, palavras é um Recorrendo ao insculpidas em exemplo. A nossa consciêncriança aprende Educador dos cia, daí o termo por absorção do Educadores, Mestre de responsabiliambiente e por nossas vidas, Jesus, dade. Algo um imitação, ela imitanto esquecido ta gestos, gostos, aprendemos com Ele a palavras, trejeiPedagogia do Amor, que nos dias de hoje. Instado sotos e atitudes dabre essa questão, queles com quem não julga, que não nosso querido convive mais di- condena, que não força amigo Divaldo retamente. consciências, mas que Pereira Franco, No mundo de hoje, em que há convida, que conduz, que educador de almas, nos orienta extrema liberda- traz à tona o conteúdo que “A educação de, precisamos espírita, trazennos lembrar do que o Espírito já traz (...) profundo ensinamento de Paulo, do a evangelização infanto-juvenil Apóstolo, quando nos diz: “Tudo à luz do Espiritismo, é tarefa de me é lícito mas nem tudo me emergência, mais que de urgênconvém”, nos alertando quanto cia...” Vou deixá-lo crescer, depois aos limites de nossas atitudes, e ele escolherá (a religião que quiser sobretudo as consequências de seguir) para mim representa o mesmo que o deixar contaminossos atos. Osmar Marthi

T

oda transformação implica em mudanças e mudanças demandam de cada um de nós novas posturas. Santo Agostinho nos traz importantíssimas orientações sobre a Educação em seu belíssimo texto “ingratidão dos filhos e os laços de família” (ESE) em que nos ensina que “a principal missão dos pais é conduzir a Deus a alma de seus filhos”. Clara a orientação do nobre espírito, a de que temos que envidar todos os nossos esforços em identificar as más tendências de nossos educandos, corrigindo-as e incentivar suas virtudes. Essa é a missão que nos está confiada pelo Criador e da qual teremos que prestar contas. O Espiritismo é uma doutrina educadora por excelência, a própria reencarnação é um processo de reeducação do ser, pois retornamos crianças, num lar, numa família, para sermos reeducados, e como criança o espírito está mais acessível a receber a orientação dos pais e educadores, seja na escola, seja na

nar-se com o tétano ou outra enfermidade, para depois aplicar o remédio.” Recorrendo ao Educador dos Educadores, Mestre de nossas vidas, Jesus, aprendemos com Ele a Pedagogia do Amor, que não julga, que não condena, que não força consciências, mas que convida, que conduz, que traz à tona o conteúdo que o Espírito já traz, daí o termo Educação – do latim educere – ex – ducere – conduzir para fora, tirar de dentro de – ou seja, reorganizar os conteúdos do espírito. Como por exemplo, na célebre passagem sobre a mulher adúltera, Ele não a condenou, nem a eximiu de suas responsabilidades, dizendo àqueles que a queriam condenar: “atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado”, como todos se retirassem, ficando só com ela, lhe diz: “vá e não peques mais”, mostrando com isso que não temos o direito de julgar e condenar, mas de chamar o ser às suas responsabilidades, advertindo-o de que suas atitudes tem consequências e ensinando-nos que o Amor é o grande recurso do Educador. r

Tribuna do Espiritismo - setembro de 2017  
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