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ÓRGÃO MENSAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA PARA TODO O BRASIL • FEVEREIRO DE 2018 • ANO 5 • Nº 53 • 14.000 EXEMPLARES • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA www.institutocairbarschutel.org – www.associacaochicoxavier.com.br

O estímulo das mãos

Foto: www.lls.org

Elas ensinam o pensamento a pensar, estimulando a memória, o raciocínio, a imaginação e outras operações mentais. Veja página 9.

EAC 2018 já se movimenta Pessoas físicas e jurídicas podem colaborar com o evento. Páginas 6 e 7

Palestras com Alessandro Viana Vieira de Paula em fevereiro Em Araraquara (SP): Dia 24, sábado, às 18 horas – no Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo - R. Alice Pavão Cariza, 372 Em Rio Claro (SP): Dia 25, domingo, às 9 horas e 30 minutos – Salão da USE – Rua 14, nº 240 - Consolação

Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT

Remetente: INSTITUTO CAIRBAR SCHUTEL Cx. Postal 2013 – 15997-970 – Matão-SP.


Fevereiro de 2018

Editorial

Justa referência

J

ubilosos pelas importantes datas espíritas em 2018, referidas com abundância na edição anterior do TRIBUNA, reproduzimos ao lado, na íntegra, Editorial da RIE (Revista Internacional de Espiritismo) – A divulgação espírita –, edição de janeiro/18, para fazer nossas as palavras da magnífica síntese em referência às efemérides e seus desdobramentos. No mesmo sentido iniciamos a partir da presente edição, participação da articulista Maroísa Baio, de Limeira (SP), e mensalmente até dezembro, com matérias exclusivas sobre a incomparável Revista Espírita, no ano em que se comemora seus 160 anos de publicação, a partir de 1858. Num mês de outras datas importantes para a história do Espiritismo no planeta e que o leitor poderá localizar com facilidade na Internet, prossigamos na direção do bem. O TRIBUNA conta com seu apoio de distribuição planejada e ao longo das edições o leitor encontrará vários motivos de entusiasmo com a divulgação espírita, ideal que nos move a todos. Afinal temos conosco as referências basilares do amor. r

Editorial da RIE Fazemos nossas as palavras daquele documento para as iniciativas em andamento. RIE - janeiro de 2018, página 618

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divulgação espírita “Lembra-te deles, os quase loucos de sofrimento, e trabalha para que a Doutrina Espírita lhes estenda socorro oportuno. Para isso, estudemos Allan Kardec, ao clarão da mensagem de Jesus Cristo, e, seja no exemplo ou na atitude, na ação ou na palavra, recordemos que o Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação.”[1] Iniciamos um ano especial para a Doutrina Espírita. Além da comemoração dos 150 anos de lançamento de A Gênese – a quinta obra básica da codificação espírita, já celebrada em janeiro e que deve ser motivo de discussões em congressos, seminários, palestras, bem como na imprensa espírita como um todo, de janeiro a dezembro –, 2018 reserva algumas datas marcantes para a Casa Editora O Clarim. Em 30 de janeiro de 1938 desencarnava Cairbar de Souza Schutel, fundador desta editora e mente idealizadora de toda a obra decorrente, em quase 33 anos intensos e ininterruptos como trabalhador devotado à divulgação espírita. São, portanto, 80 anos de seu retorno à pátria espiritual. Mais adiante, em setembro, precisamente no dia 22, serão co-

memorados 150 anos de seu nascimento, efeméride que merecerá homenagens durante o ano todo, como o lançamento de uma vinheta comemorativa e a publicação de uma coluna especial durante todo o ano na RIE, conforme explicado, respectivamente, em matérias nas páginas 631 e 642 desta edição. Também merece atenção, e desde já a nossa lembrança, a realização do Encontro Anual Cairbar Schutel (EAC), promovido em Matão pelo Instituto Cairbar Schutel sempre no mês de setembro e que, em sua 8ª edição, terá uma programação especial totalmente voltada ao estudo da vida e da obra do Bandeirante do Espiritismo. Coincidência do destino ou não, o evento se iniciará no dia 22, sábado, justamente o dia do 150º aniversário de Cairbar, finalizando as atividades no dia seguinte. Estas datas comemorativas com certeza merecem a nossa recordação constante, assim como tantas outras que ainda virão, e são importantes para lembrar-nos do alerta que Emmanuel e André Luiz trouxeram. A Doutrina Espírita, sabidamente a terceira revelação, tem um caráter consolador por natureza, pois traz esclarecimento às mentes confusas e desamparadas. Este socorro oportuno não é privilégio nosso e não deve ser confinado como um tesouro indivisível; ao contrário, é preciso sempre alargar seus

PÁGINA 2 horizontes, fazendo com que se expanda ilimitadamente e atinja mais e mais corações ansiosos por receber uma palavra de esperança. Este, pois, é o propósito do nosso trabalho e de tantos outros periódicos, federações, instituições e personalidades: divulgar a Doutrina Espírita! Mais importante que divulgar é internalizar a mensagem, aprender em conjunto, através de exemplos, de atitudes, numa caminhada lenta, mas gradual, em que empregamos nossos esforços para ser cada dia melhores. Prossigamos, seguindo o exemplo desses nobres pioneiros e, principalmente, de Jesus! r 1. XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Estude e viva. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. 9.ed. “Socorro oportuno”. FEB.

Edição mais recente da RIE, que surgiu em 15 de fevereiro de 1925. Para assinar acesse www.oclarim.com.br ou pelo telefone (16) 3382-1066.


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Educar para a vida A educação é antídoto para os males humanos, inclusive o suicídio. Marcus De Mario

marcusdemario@gmail.com

Esse combate é feito através do esclarecimento que não somos apenas o corpo biológico, mas sim almas imortais, e que a vida continua após a morte do corpo, portanto a morte não é o fim, mas o recomeço. Ainda esclarece que temos várias existências através da reencarnação, tudo conjugado para fazermos nosso progresso rumo à perfeição, nosso grande e inevitável destino, conforme soberanamente determinam os desígnios divinos. Diante desses esclarecimentos, todos eles comprovados pelos

(...) reconhecemos da necessidade da educação, na família e na escola, trabalhar a espiritualização da vida, a espiritualidade do ser humano, para que homens e mulheres, desde a infância, tenham uma visão mais profunda do significado de viver.

Foto: www.rd.com

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emos lido reportagens a respeito dos altos índices de suicídio ocorridos no mundo, inclusive no Brasil, e boa parte dos casos revelam que o extermínio da própria vida decorreu por uma visão apenas materialista da vida, quando a pessoa, ao se deparar com uma doença, com a velhice, com um grave problema financeiro e assim por diante, sem ter maior perspectiva do que o nascer, viver e morrer, opta então por se matar, transgredindo a lei divina, numa fuga às suas provas, tão necessárias para seu progresso moral e espiritual. Então, reconhecemos da necessidade da educação, na família e na escola, trabalhar a espiritualização da vida, a espiritualidade do ser humano, para que homens e mulheres, desde a infância, tenham uma visão mais profunda do significado de viver. Sabemos que o Espiritismo veio combater as duas grandes chagas da humanidade: o egoísmo e o materialismo, como informam os espíritos superiores em O Livro dos Espíritos.

fatos, vemos que o suicídio nada resolve, pelo contrário, como nos revelam as mensagens de espíritos de suicidas, através da mediunidade, pois nos dizem que muito sofrem no mundo espiritual e se arrependem do ato cometido. Aos pais e aos professores compete trabalhar filhos e alunos para uma visão mais transcendente do existir, para a compreensão do finalismo superior de aqui estarmos, e de que ainda estamos num mundo de provas e expiações, que não são castigos divinos, mas sim consequências de nossas livres escolhas na jornada terrena. Nessa questão do educar para a vida, e devemos pontuar: a verdadeira vida, que é a espiritual, as instituições religiosa têm papel de relevância, destacando-se o centro espírita, legítimo representante do Espiritismo, que por meio do serviço de evangelização da família, compreendendo da criança ao adulto, deve trabalhar incessantemente a imortalidade da alma, a vida após a morte, a reencarnação, a lei de evolução, a lei de causa e efeito e a perfeita justiça divina, quando então todos terão oportunidade de enxergar a existência terrena do ponto de vista espiritual, e não apenas material. E trabalhando igualmente a lei de amor, no “amai-vos uns aos outros”, e no aprender a fazer ao outro somente o que se queira que o outro nos faça, conforme ensinou Jesus Cristo, daremos condições para que aquele que tenha o contato com a doutrina, tenha condições de se erguer do egoísmo para a caridade, a fraternidade e a solidariedade.

A educação para a vida do espírito que todos somos é urgente. Reconhecemos que nem todos os pais, assim como nem todos os professores, terão a visão que nós, espíritas, possuímos da vida, mas importante é que trabalhem com seus filhos e alunos uma visão superior, mais espiritualizada da vida, trazendo para discussão questões ligadas à alma, à moral, ao existir mais ético e espiritual. Quando começamos a dar valor às virtudes e à espiritualidade que está em nós, os chamados problemas existenciais se tornam menos angustiantes, e começamos a colocar em prática a resignação, a tolerância, a compreensão, a fé, a perseverança, isso porque teremos objetivos e metas a alcançar que nos impulsionarão sempre à frente, tornando-nos úteis a nós mesmo, ao próximo e à sociedade. A educação, do ponto de vista moral e espiritual, é o grande antídoto para todos os males do ser humano, entre eles o suicídio, proveniente dessa visão mesquinha do aqui e agora que teima em nos caracterizar. Não percamos oportunidade de esclarecer com a visão espírita da vida, de educar para a realidade do espírito imortal, levando a todos reconhecer que a chave para compreensão dos porquês da vida está na vida que continua após a morte e na reencarnação. Para o evangelizador espírita O Projeto Educação do Espírito está disponível a todos os interessados, com a entrega de dois livros digitais gratuitos. Acesse www. marcusdemario.com e solicite! Novo livro Já está disponível, em lançamento da Editora EME, meu livro Superando Aflições, esclarecendo e confortando com a doutrina espírita. Adquira em www.editoraeme. com.br. r


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Vigiai e Orai A propósito do carnaval... Rogério Miguez rogmig55@gmail.com

À

parte as regiões envolvidas literalmente em conflitos bélicos, sofrendo com as consequências das vibrações produzidas pelo ódio e a violência, gerando por sua vez sentimentos de profunda tristeza, dor e revolta entre as populações civis, sempre envolvidas nos conflitos, um cenário verdadeiramente tenebroso, aqui na Pátria do Cruzeiro temos um período a se repetir anualmente durante o qual se poderia fazer um paralelo em termos

Nesta época, como sugestão, podemos ler ou estudar aquele livro espírita esquecido na estante, literalmente novo, pois não encontramos o tempo necessário para conhecê-lo neste ano findo, mas não é só a literatura espírita (...) qualquer romance clássico dos grandes escritores, livros científicos, históricos, boas biografias, são muitas as opções.

de prejuízo à nação, equivalente a uma guerra de curta duração, talvez um dos piores momentos enfrentados pela pátria no que tange a geração de fluidos negativos, energias descontroladas, miasmas destruidores: o mês do Carnaval. Interesses escusos da mídia, nada mais desejam do que ganhar dinheiro com o resultado da propaganda envolvida durante o evento,

submetem o país a uma verdadeira lavagem cerebral tentando incutir na mente dos habitantes desta cordata nação ser o Carnaval a festa do povo e para o povo. De tanto repercutir notícias do Carnaval, o mundo acredita ser o Brasil um país de carnavalescos com toda a população envolvida com esta infeliz festa de uma forma ou de outra. Entretanto, pesquisa realizada pela Agência Estado 1, concluiu categórica: apenas 41% dos brasileiros gostam de Carnaval, enquanto 57,4%, nos dizeres da própria pesquisa, não querem nem ouvir falar do assunto. Esta pesquisa foi desenvolvida no início deste século, portanto ainda pode ser tida como válida, pois nada mudou de lá para cá, justificando uma estatística diversa. Humberto de Campos, em 12 de março de 1939, no livro Novas Mensagens, já advertia no texto O carnaval no Rio, sobre a impropriedade desta desastrosa comemoração, geradora de tantos infortúnios. Como se não bastassem as estatísticas apontando o aumento dos crimes de toda a ordem, o Espiritismo esclarece que em função do destrambelho generalizado desta minoria envolvida no evento, pois são dezenas de milhões, a atmosfera do país é submetida a ondas contínuas de fluidos perniciosos acentuando o já conturbado cenário a que está submetida a nação por conta de tantas injustiças por aqui praticadas. Os espíritas têm o dever de não sintonizar com os reclamos da mídia tentando nos fazer crer no difundido chavão: quem não gosta de samba, bom sujeito não é...

A Doutrina muito bem nos esclarece sobre os perigos incorridos por todos aqueles se deixando levar pela propaganda, acabando por não só participar ativamente nos “inocentes” folguedos, bem como estabelecendo perniciosa sintonia via meios de comunicação, tais como a TV e o Rádio. Nesta época, como sugestão, podemos ler ou estudar aquele livro espírita esquecido na estante, literalmente novo, pois não encontramos o tempo necessário para conhecê-lo neste ano findo, mas não é só a literatura espírita que pode nos afastar desta sintonia, são todos os livros escritos visando o bem da humanidade, qualquer romance clássico dos grandes escritores,

livros científicos, históricos, boas biografias, são muitas as opções. Em paralelo a esta salutar prática, a oração é sempre muito bem-vinda, para fortalecer fluidicamente a nossa casa e os que lá habitam, bem como toda a vizinhança, como bem afirmam os beneméritos Espíritos esclarecidos. Eis a “receita”: vigilância e oração, medidas preventivas aos danos causados pelo turbilhão fluídico malsão a que estará mais uma vez submetida a nação. r 1. Agência Estado de 12/02/2004. Disponível em: http://brasil.estadao.com. br/noticias/geral,pesquisa-mostra-so-41-dos-brasileiros-gostam-de-carnaval,20040212p2948

Fundada a Associação de Educação e Cultura Espírita Gabriel Delanne

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o dia 2/9/2017 foi fundada, em Botucatu, a Associação de Educação e Cultura Espírita Gabriel Delanne, à qual já se filiaram 14 Centros Espíritas e a Associação Médico-Espírita de Botucatu. O objetivo precípuo da Associação será promover o congraçamento das Entidades Espíritas de Botucatu e região, através da troca de experiências e discussão de assuntos educacionais e culturais considerados essenciais à constante evolução do Movimento Espírita. As ideias apresentadas e aprovadas nas reuniões serão materializadas por eventos a serem promovidos pela Entidade.

Para 2018, estão programadas as seguintes atividades: a) I Encontro de Educação e Cultura Espírita, no dia 16 de junho. b) Curso de formação de evangelizadores infantis e juvenis (datas a serem determinadas). c) Seminário: “Sexualidade: uma visão pela ótica do Espírito”, por Simão Pedro de Lima, no dia 10 de novembro. d) Feira do Livro Espírita (data a ser determinada). Contatos: 14-996090320 (WhatsApp), ou pelo e-mail: edsonramosdesiqueira@gmail.com.


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Revista Espírita – uma obra coletiva Publicação alcança 160 anos em 2018 Maroísa Baio

maroisafpb@gmail.com

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a Introdução do primeiro cológicos, a fim de fazer compreender refa, nem a nossa insuficiência. Para número da RE (janeiro de toda a sua importância.” suplementá-la, contamos com o con1858), Allan Kardec apreNo final da Introdução, ele faz curso benevolente de todos quantos se senta o propósito desse novo meio uma solicitação: “Por mais abundan- interessam por essas questões; seremos, de divulgação do Espiritispois, bastante reconhecidos mo: “Os Espíritos Superiopelas comunicações que houres têm sempre por objetivo verem por bem transmitir-nos despertar nos homens o amor acerca dos diversos assuntos de do bem, através dos preceitos nossos estudos.” evangélicos; por isso mesmo Apresenta então os teeles nos traçam o pensamento mas que os leitores podeque deve presidir à redação riam lhe enviar, mostrando dessa coletânea.” assim o amplo leque de As manifestações dos estudos a que a RE se deEspíritos pipocavam por dicaria: manifestações matoda parte, em todas as teriais ou inteligentes; fatos classes sociais, entre tode sonambulismo e êxtase; das as idades. Além de fatos sobre segunda vista, apresentarem provas da previsões; fatos sobre o poexistência dos Espíritos e der oculto atribuído a certas de sua comunicabilidade pessoas; lendas e crenças com o mundo físico, tampopulares; fatos sobre visões bém ofereciam um novo e aparições; fenômenos psihorizonte de estudos para cológicos no momento da quem delas se ocupasse. morte; problemas morais e Para Kardec, “estudar a napsicológicos; atos notáveis tureza dos Espíritos é estude devotamento e abnegadar o homem, tendo em vista ção; obras nas quais se enEdição recente da “Revista Espírita” em língua francesa. que ele deverá fazer parte, contrem fatos relacionados um dia, do mundo dos Espíritos. Eis tes sejam nossas observações pessoais às manifestações dos Espíritos. porque acrescentamos, ao nosso título e as fontes onde as recolhemos, não Assim, a RE se tornava uma principal, o de jornal de estudos psi- dissimulamos as dificuldades da ta- publicação coletiva! Kardec colocava-se mais próximo dos que também desejavam aprender! E o efeito não tardou a acontecer: o volume de sua correspondência pessoal cresceu vultosamente! Por isso, já na RE do mês seguinte, ele dirige algumas palavras aos leitores que atenderam seu apelo, aos quais se dizia infinitamente agradecido e que, mais cedo ou mais tarde, todos os temas seriam aproveitados: “A falta de espaço não é a única causa que pode retardar a publica-

ção, mas ainda a oportunidade das circunstâncias e a necessidade de os relacionar aos artigos dos quais podem ser complementos úteis. A multiplicidade de nossas ocupações, junto à extensa correspondência, deixa-nos por vezes na impossibilidade material de responder, como gostaríamos e como deveríamos, às pessoas que nos dão a honra de nos escrever. Rogamos encarecidamente não interpretarem de maneira desfavorável um silêncio que independe de nossa vontade. Esperamos que sua boa vontade não se arrefeça e que não queiram interromper suas interessantes comunicações.” Muitos também lhe escreviam solicitando esclarecimentos sobre pontos da Doutrina. Ele esclarece não ser possível responder a todos por escrito, repetindo as mesmas explicações várias vezes: “Destinando-se nossa revista a servir de meio de correspondência, nela tais respostas naturalmente encontrarão

(...) a RE se tornava uma publicação coletiva! Kardec colocava-se mais próximo dos que também desejavam aprender! E o efeito não tardou a acontecer: o volume de sua correspondência pessoal cresceu vultosamente!

lugar à medida que os assuntos tratados nos oferecerem oportunidade, e isso com tanto mais vantagem quanto mais completas e proveitosas forem as explicações.” Vamos aproveitar? r


Aguarde a programação e abertura das inscrições!

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Jesus foi um comunicador Há uma infinidade de doentes ansiosos pelo remédio. Cláudio Bueno da Silva

Foto: www.lds.org

Klardec1857@yahoo.com.br

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Espir itismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação”, disse o Espírito Emmanuel em Estude e Viva, psicografia dos médiuns Chico Xavier e Waldo Vieira. Todos nós podemos ser divulgadores da Doutrina Espírita, mas além da divulgação, a boa comunicação também é importante. É preciso que se encontre, de acordo com as circunstâncias, a melhor forma de fazer compreender a Doutrina, de chegar à inteligência, de tocar o coração das pessoas. Jesus usou uma estratégia de comunicação ao pedir aos apóstolos que não fossem falar aos gentios, porque sabia que eles não estavam preparados para entender as propostas espiritualizadas que trazia. Não os desprezou por serem pagãos, mas porque insistir ali seria perder tempo precioso. As parábolas, as reuniões em casas, as aglomerações ao ar livre, nos caminhos, as curas, as demonstrações de amor e

compreensão, foram outros tantos métodos que o Mestre utilizou para se comunicar com o povo. Assim como Jesus, o Espiritismo trouxe ideias novas, mais amplas e profundas que para serem assimiladas precisam de certo amadurecimento espiritual. Na atualidade (mais que naquele tempo) métodos adequados de comunicação são fundamentais. Embora o Espiritismo não se preste a fazer prosélitos, e a princípio não se preocupe com os que reagem a essas ideias, os orgulhosos, os incrédulos sistemáticos, os zombadores, será sempre bom que mais e mais pessoas conheçam e compreendam os fundamentos da Doutrina. Em linhas gerais, o movimento espírita tem sabido explorar, principalmente nos últimos tempos, os recursos de divulgação disponíveis, que são muitos: o livro, a imprensa, o teatro, o cinema, os eventos, e agora a rapidez e as facilidades da Internet. Todos esses meios de divulgar o Espiritismo, contudo,

não serão tão eficientes quanto se espera se não forem observados detalhes importantes da comunicação como a linguagem clara, a modalidade certa para cada público, objetivos a atingir, empatia, apelo a emoção e a inteligência, cuidados com a apresentação, avaliação crítica da resposta que se obtém com o trabalho, etc. Isso serve para grandes públicos como para uma só pessoa. Jesus falou aos oprimidos, aos cansados de sofrer, aos humildes que estavam dispostos a enxergar e mudar de vida, aos doentes que queriam o remédio moral que ele oferecia. Da mesma forma hoje, há uma infinidade de doentes ansiosos pelo remédio que o Espiritismo traz através do consolo e do esclarecimento. Jesus conta conosco para espalhar a Boa Nova. Há muito trabalho a ser feito. Não tenhamos

90 anos em 2018 O livro Parábolas e Ensinos de Jesus, conhecida obra de Cairbar Schutel, foi publicada em janeiro de 1928, tendo completado, pois, no último mês, 90 anos de publicação. Com 28 edições, a obra é referência para estudo dos ensinos de Jesus. Escreveu o autor nas páginas iniciais (referindo-se aos guias e protetores espirituais): Como poderia eu escrever os ditames contidos nesta obra, sem o vosso paternal auxílio? Aceitai, como uma homenagem de amor que me ensinastes a cultivar, os meus melhores préstimos ao vosso labor.

medo nem vergonha por estarmos do lado do Cristo. Ele é a verdade que nos levará ao Reino da Verdade. O pensamento do mundo não pode nos intimidar e nem nos contaminar. Ainda que sejamos vítimas do preconceito, da indiferença, da discriminação e até da perseguição, não devemos abrir mão da fé raciocinada conquistada através do estudo, da reflexão e da experiência. É preciso ter coragem para sustentar nossas convicções. Nesses tempos de profundas transformações temos duas escolhas a fazer: testemunhamos a favor da verdade, unindo o discurso à ação, mesmo com o sacrifício dos nossos interesses, ou aceitamos as imposições do mundo. Na primeira hipótese a vida futura nos reserva o prêmio do dever cumprido; na segunda, já teremos recebido por aqui mesmo, a nossa recompensa. r


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As mãos estimulam o espírito Espírito só evolui se reencarnar. José Benevides Cavalcante

jobenevides@gmail.com

“N

o cérebro, porém, inicia-se o império da química espiritual” – (André Luiz, NO MUNDO MAIOR, cap. 4) Após observarem e analisarem o rendimento escolar e a performance de 259 estudantes, pela Universidade de Illinois, Estados Unidos, o Dr. Charles Hillman e sua equipe concluíram que as melhores notas de leitura e matemática foram dos alunos que mais se empenharam em atividades físicas. Com isso, o cientista afirma que já tem argumentos para dizer que a atividade física modifica as funções relacionadas à aprendizagem, estimulando os impulsos elétricos do cérebro. Por outro lado, um outro estudo, desta feita na Universidade da Califórnia, sob a responsabilidade da psicóloga Sonja Lyubomirsky pediu aos participantes praticassem ações gentis durante dez semanas. Todos registraram aumento na felicidade durante o estudo. Os que praticaram ações variadas, como de oferecer para ajudar a lavar a louça, fazer elogios ou segurar a porta aberta para um estranho

passar, registraram níveis mais altos e prolongados de felicidade, em comparação com quem repetiu sempre a mesma atitude com diferentes pessoas. “Gentileza e boa vontade estão relacionadas à felicidade e as pessoas que tentam ser mais gentis no dia a dia tendem a experimentar mais emoções positivas e se tornaram mais alegres”, afi rma a pesquisadora. O mecanismo que explica essa relação foi mais esclarecido por um estudo posterior, realizado na Universidade Hebraica, em Israel, no ano de 2005. A gentileza está ligada ao gene que libera uma substância chamada dopamina, neurotransmissor que proporciona bem-estar. Quando o filósofo grego, Anaxágoras, século V antes de Cristo, afirmou que “o homem só pensa porque tem mãos”, com certeza, ele antevia o que hoje a ciência está procurando desvendar como fator participativo no desenvolvimento da inteligência e do sentimento humanos. As mãos não são apenas extensões de nosso pensamento, pois com elas colocamos em prática aquilo que pensamos. Elas estimulam e educam nossas

atividades mentais. Aliás, as mãos representam a dinâmica do corpo, principal instrumento de nossas ações. Elas não só atendem às ordens do pensamento, como ensinam o pensamento a pensar, estimulando a memória, o raciocínio, a imaginação e outras operações mentais. Foi sobre essa ideia que os grandes educadores criaram o conceito de escola ativa, para que os alunos não ficassem apenas na teoria, mas pudessem de imediato começar a pôr em prática o que estavam estudando. Hoje, existe dentro dos estudos sobre educação e o desenvolvimento mental, uma área dedicada à psicomotricidade, que estuda a relação íntima entre a atividade mental e os movimentos do corpo. Na criança especificamente - mas também em qualquer idade, até mesmo nas pessoas idosas - os movimentos estimulam as áreas cerebrais, facilitam a criação de redes neurais, ativam o raciocínio e a criatividade. É por isso que a natureza criou mecanismos que fazem com que a criança seja sempre ávida de movimentar-se de forma intensa e constante. Com a crescente incidência do Mal de Alzheimer, o exercício físico é

Quando nos reportamos a este importante tema, estamos reforçando a concepção de que o Espírito só evolui se reencarnar, pois é, a partir do corpo e da sua inter-relação com o mundo físico, que ele passa a acionar suas potencialidades.

recomendado pelos geriatras, a fim de estimular certas áreas cerebrais pouco acionadas ou inoperantes. Quando nos reportamos a este importante tema, estamos reforçando a concepção de que o Espírito só evolui se reencarnar, pois é, a partir do corpo e da sua inter-relação com o mundo físico, que ele passa a acionar suas potencialidades. Jesus fazia questão de colocar seus discípulos à frente para atuarem em favor dos necessitados. Com isso, eles podiam praticar a gentileza, estimular as mãos e educar-se espiritualmente, vivenciando a alegria de servir. É de Jesus que colhemos a lição de que para ser bom é necessário fazer o bem, para fazer caridade é indispensável movimentar o corpo, para se ter Deus no coração é preciso se entregar ao exercício do bem ao semelhante. Nesse mesmo sentido, madre Teresa de Calcutá, uma das grandes expressões da caridade sobre a Terra, deixou-nos o seguinte lembrete: “É mais sagrada a mão que ajuda do que a boca que ora”. r


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O passe e suas técnicas É preciso superar tabus e preconceitos! Marildo Campos Brito 36odliram@gmail.com

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bservamos que a cada dia, a busca pelo passe magnético nas casas espíritas vem aumentando, e de contrapartida, cursos e seminários são oferecidos aos que queiram colaborarem na doação dessas positivas e salutares energias, minorando os padecimentos físicos e morais das criaturas humanas. Infelizmente, confrades espíritas, tem enfrentado desaprovações relativo as técnicas associadas ao passe, como é o caso dos dispersivos longitudinais e transversais; dos ativantes e calmantes, alegando que tais procedimentos, seriam apenas encenações rítmicas das mãos para impressionarem os pacientes e desnecessários ao fim colimado. A civilização Assíria Babilônica na Mesopotâmia, foi quem empregou uma das primeiras técnicas no tratamento de doenças pela imposição das mãos. Mas nem sempre foi

assim! Basta recordarmos o episódio do cego de nascença, quando Jesus, misturando saliva na terra, aplicou-a sobre os olhos desse pobre homem,

Soma-se ao esforço nacional O jornal Tribuna do Espiritismo, de edição mensal e distribuição gratuita (mantido por patrocínios, doações espontâneas e parcerias), foi lançado em setembro de 2013. Ele vem somar-se às demais publicações de divulgação espírita. Surgiu em Araraquara (SP) e posteriormente foi entregue ao Instituto Cairbar Schutel, de Matão (SP). Não é, todavia, um jornal de Matão ou de Araraquara. Sua função não é local e sim de alcance nacional. Com articulistas variados a cada edição, excetuadas possíveis colunas fixas, atende também reportagens e notícias de diferentes regiões do país, sem prejuízo dos eventos

regionais. Somamos, pois, forças com o ideal da divulgação espírita, contando também com seu apoio de distribuição. Acesse o site: www. tribunadoespiritismo.org

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dizendo em seguida – “Vá lavar-se no tanque de Siloé” (que significa “enviado”) O homem foi, lavou-se e voltou a enxergar. Agora, porque razão, Jesus, não o fez igualmente com Bartimeu, o cego de Jericó, quando lhe restituiu a visão apenas tocando-lhe os olhos? Estaria também o Mestre, inovando ou encenando apenas para desper-

valiosas elucidações a respeito ¹[...] a Entidade compassiva, utilizando-se da técnica do passe longitudinal com pequenas variações, demonstrando, porém, profundo conhecimento dos centros captadores de força no corpo e no perispírito, operou, dispersando, a princípio, as construções mentais perniciosas e desencharcando-lhe o

tar o fascínio dos circunstantes? Certamente que não! Todavia, não podemos ignorar que Jesus, detinha complexo e completo conhecimento sobre a manipulação dos fluidos universais, aplicando e direcionando-os sabiamente para cada caso. Sem a pretensão de fazermos proselitismo, o fato requer bom senso de todos nós, profundo e acurado estudo de suas particularidades e funcionalidade, onde os facilitadores ou monitores, ao ministrarem a temática sobre o passe nas instituições, se valessem mais das oportunas e enriquecedoras obras de idoneidade doutrinaria, possibilitando-nos colher maiores informes e melhores resultados. Desse modo, a exemplo dos dispersivos, quando previamente aplicados, estarão eles contribuindo na desobstrução de elementos perturbadores dos centros vitais de força, equilibrando e reordenando para posterior e efetiva absorção de revitalizadoras energias pela ação magnética. Vejamos essas

psiquismo de fluidos prejudiciais [...]. Porém há quem prefira eximir-se da responsabilidade objetando – Deixemos aos Espíritos o trabalho maior, de nossa parte basta a boa vontade! Em trecho de outra obra, deparamo-nos sobre a exigência de aquisições especiais por técnicos desencarnados em magnetização. ²[...] não basta a boa vontade, como acontece em outros setores de nossa atuação. Precisam revelar determinadas qualidades de ordem superior e certos conhecimentos especializados [...] Diante de insofismável realidade, ainda que a espiritualidade nos auxilie, dirimindo nossas deficiências ao consagrado labor da fluidoterapia, imperioso conjugarmos no desdobramento deste abençoado mandato de amor, o conhecimento que aprimora, liberta e ilumina. r 1 – Divaldo P. Franco – Loucura e Obsessão – feb – pag. 65 2 – Francisco C. Xavier – Missionários da Luz – feb – pag. 321


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O conhecimento espírita e o exercício da fé Como aliar os dois fatores? Wilson José Demori wjdemori@gmail.com

“T

odo aquele que vem a mim ouve as minhas palavras e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante.” (Lucas, VI-47) As palavras de Jesus contidas no Evangelho de Lucas nos leva a uma reflexão muito profunda de que, tão ou mais importante do que o estudo da Doutrina Espírita, de nossas idas ao Centro, de nossas preces diárias, do Evangelho no Lar que semanalmente fazemos, é sem dúvida, o exercício prático da fé que adquirimos no nosso aprimoramento teórico. É necessário estabelecer uma via de mão dupla entre a vida que levamos e tudo o que aprendemos dentro do Centro Espírita, uma consonância entre aquilo que rezamos e os nossos atos do dia a dia, uma harmonia entre o que lemos no Evangelho e propomos às outras pessoas. A busca do aprimoramento espiritual através do conhecimento da Doutrina Espírita, somada ao

exercício da fé, traduzida nos atos da nossa rotina diária, chamamos de Reforma Íntima. A prática dos ensinamentos da Doutrina Espírita trará benefícios não somente aos irmãos que iremos com nossos atos direta ou indiretamente ajudar, mas também à nossa evolução espiritual, tarefa esta para qual estamos aqui encarnados. Agindo desta maneira, aliando a teoria à prática, o Espiritismo irá verdadeiramente fazer sentido dentro de nós, porque o exercício constante e sistemático dos exemplos deixados por Jesus Cristo, nos conduzem a uma mudança para melhor, uma renovação necessária e permanente que nos direciona gradativamente para mais perto de Deus, e todos um dia lá chegaremos, uns antes, outros depois, pois bem como disse Jesus: “nenhuma ovelha se perderá”. Só que determinadas posturas são verdadeiramente mais difíceis de praticar do que de aprender, obstáculo este criado pelo fruto

de nossa imperfeição, comum a todos ainda. Perdoar um inimigo, uma ofensa recebida, priorizar o lado espiritual ante ao material, abandonar o orgulho e as vaidades, não se irritar nas questões do trânsito, são alguns exemplos de tarefas que, para muita gente ainda custa caro, e que, mesmo sendo muito difícil, o primeiro passo para vencê-las é reconhecer a nossa imperfeição e procurar combatê-las no nosso dia a dia. Faz-se necessário lembrarmos que, todos os dias, um Deus de infinita misericórdia e bondade nos concede a oportunidade de recomeçar, de buscarmos seguir o caminho do bem que nos leva até Ele, de buscar através do conhecimento da Doutrina Espírita o elo de ligação com a vida que eu levo todos os dias, na prática do exercício da minha fé, através do benefício que posso levar para outras pessoas, seja através de uma palavra de carinho, de um

Sabedoria nas frases Do livro “Vivendo o mais além” (Antônio Baduy Filho).

“Dentro do possível, dê sua contribuição ao necessitado que lhe cruza o caminho, certo de que a contabilidade divina lança na coluna de débito tanto o mal que se faz, quanto o bem que se deixa de fazer.” “O Espiritismo ensina que, após a morte do corpo físico, a alma penetra o mundo espiritual e, nele, a única garantia de felicidade é o esforço de renovação íntima, conforme os ensinamentos de Jesus. “

abraço, de um trabalho assistencial que posso começar voluntariamente a fazer, da divulgação do Evangelho de Jesus, enfim, da emanação do amor e da caridade em todos os sentidos, na mais pura acepção. Nunca é demais lembrar também, que a busca do conhecimento da Doutrina por si só não se ajusta ao nosso processo de Reforma Íntima, sendo a prática de tudo o que aprendemos fator indispensável na nossa lenta e gradativa evolução espiritual. Ser espírita não significa não cometer mais erros, significa aprender com as faltas cometidas e termos o comprometimento de lutar contra nossas imperfeições que serão diminuídas, mesmo que a conta-gotas. Para isto estamos aqui encarnados, e os frutos que colheremos quando retornarmos à Pátria Espiritual serão as sementes que aqui plantamos, e a oportunidade de plantar se renova todos os dias. r


Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT Fevereiro de 2018

REMETENTE: Instituto Cairbar Schutel. Caixa postal 2013 15997-970 - Matão-SP

Rebeldes tutelados A ignorância anda de mãos dadas com a estagnação mental. Rogério Coelho

rcoelho47@yahoo.com.br

(...) Ai daquele que cerra o seu entendimento! Ai dele! porquanto nós, que somos os guias da Humanidade em marcha, lhe aplicaremos o látego e lhe submeteremos a vontade por meio da dupla ação do freio e da espora.” – Lázaro2 Com toda razão afirma Lázaro na obra citada em epígrafe: “(...) em todos os pontos a Doutrina de Jesus ensina a obediência e a resignação, duas virtudes companheiras da doçura e muito ativas, embora os homens as confundam com a negação do sentimento e da vontade”. Em seguida esclarece: “(...) a obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração”. Daí podemos entender mais facilmente os motivos pelos quais Jesus declarou1: “(...) seja o vosso

falar sim, sim; não, não”. O duplo “sim” e o duplo “não” devem ser as expressões dos consentimentos da razão e do coração. Nossa ancestral e multimilenária rebeldia é vitalizada pela ignorância. Em virtude de nossa caminhada na “contramão” das correntes da vida é que ainda estamos estagiando nos vales das sombras, quando já poderíamos estar nos acumes das felizes paragens do Infinito... Lázaro também enuncia2: “(...) a obediência e a resignação carregam o fardo das provações que a revolta insensata deixa cair”. A ignorância anda de mãos dadas com a estagnação mental. Até há algum tempo justificava-se, mas não agora, pois nossa época está marcada pela efervescência da atividade cultural. Sem embargo, de

nada adianta vencer a ignorância e entregar-se à vaidade intelectual gerada pelo orgulho: a situação de rebeldia continuaria da mesma forma. Como o progresso é Lei compulsória da Natureza e deve se processar queira ou não o homem, são acionados os dispositivos que facultarão a ascensão da humanidade. E quando falham as expressões do amor, a dor (com sua infalível pedagogia) assume o comando. Daí o asserto de Lázaro: “(...) ai do rebelde. Aplicar-lhe-emos o látego e submeteremos a vontade rebelde, por meio da dupla ação do freio e da espora”. A Doutrina Espírita (que é a revivescência do Cristianismo) é a única que faculta esclarecimento suficiente para que possamos bem nos conduzir pelos intricados meandros evolutivos, vez que recoloca para nós, sob verdadeiros prismas, a verdade e o erro, possibilitando-nos escolher conscientemente aquela e evitar este.

Só assim lograremos passar da condição de rebeldes tutelados a discípulos dóceis d`Aquele que é “o Caminho, a Verdade e a Vida”. r

1. Mt., 5:37. 2. KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 104.ed. Rio de Janeiro: FEB, cap. IX, item 8.

A Doutrina Espírita (que é a revivescência do Cristianismo) é a única que faculta esclarecimento suficiente para que possamos bem nos conduzir pelos intricados meandros evolutivos, vez que recoloca para nós, sob verdadeiros prismas, a verdade e o erro, possibilitando-nos escolher conscientemente aquela e evitar este.

Tribuna do Espiritismo - fevereiro de 2018  
Tribuna do Espiritismo - fevereiro de 2018  
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