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ÓRGÃO MENSAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA PARA TODO O BRASIL • DEZEMBRO DE 2017 • ANO 5 • Nº 51 • 15.000 EXEMPLARES • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA www.institutocairbarschutel.org – www.associacaochicoxavier.com.br

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Jesus

a luz do mundo!

Presença, grandeza, bondade e sabedoria. Veja vários destaques nesta edição.

E o Natal? Façamos algo, no soerguimento do bem. Nas realizações da fraternidade, quem ama faz o tempo. Página 8

Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT

Remetente: INSTITUTO CAIRBAR SCHUTEL Cx. Postal 2013 – 15997-970 – Matão-SP.


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Dezembro de 2017

Editorial

Dezembro que traz 2018

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suavidade de dezembro, trazida pela lembrança do amor verdadeiro – ainda que em data simbólica e mesmo o apelo comercial próprio –, lança no ar novo alento diante dos imensos desafios da atualidade. As efemérides espíritas do mês são intensas e sugerimos ao leitor pesquisar na net para entusiasmar-se com a motivação das datas históricas. E rapidamente estaremos em janeiro de 2018, ano que abre outras importantes lembranças históricos espíritas: 150 anos de lançamento do livro A Gênese (6 de janeiro de 1868), 150 anos de nascimento de Cairbar Schutel (22 de setembro de 1868) – que será motivação para o EAC 2018; 160 anos de fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (a primeira do mundo, em abril de 1858); 160 anos de lançamento da Revista Espírita (janeiro de 1858). Trabalho abençoado aguarda o esforço de todos nós, seja pela grandeza do conhecimento espírita, seja pela oportunidade que o trabalho oferece. Mãos à obra, pois. Feliz Natal a todos, com a gratidão de todos nós pela parceria e apoio. r

O anjo das crianças Texto está na Revista Espírita. Transcrito da edição de abril de 1860

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eu nome é Micael. Sou um dos espíritos designados para a guarda das crianças. Que suave missão! E que felicidade proporciona à alma! A guarda das crianças? perguntareis. Mas elas não têm suas mães, bons anjos designados para essa guarda? E por que ainda é necessário um Espírito para delas se ocupar? Mas não pensais nas que não têm mais essa boa mãe? Não as há, e muitas? E a mãe, ela mesma, por vezes não necessita de ajuda? Quem a desperta em meio ao seu primeiro sono? Quem a faz pressentir o perigo, inventar o alívio quando o mal é grave? Nós, sempre nós. Nós, que desviamos a criança do barranco, para onde corre traquinas; que dela afastamos os animais perigosos e

que afastamos o fogo que poderia misturar-se aos seus cabelos louros. Nossa missão é suave! Somos ainda nós que lhes inspiramos a compaixão pelo pobre, a doçura, a bondade. Nenhuma, mesmo das piores, poderia perturbar-nos. Há sempre um instante no qual seu coraçãozinho se abre para nós. Quantos de vós admirar-se-ão desta missão. Mas não dizeis sempre que há um Deus para as crianças, sobretudo para as crianças pobres? (...) há (...) anjos, amigos. Como poderíeis explicar de outro modo esses salvamentos miraculosos? Há ainda muitos outros poderes, de cuja existência nem mesmo suspeitais. Há o Espírito das flores, dos perfumes; há mil e um outros, cujas missões mais ou menos elevadas vos pareceriam

deliciosas e invejáveis, após vossa dura vida de provas. Eu os convidarei a virem ao vosso meio. Neste momento sou recompensada por uma vida inteiramente dedicada às crianças. Casada jovem com um homem que tinha muitas, não tive a felicidade de ter as minhas próprias. Inteiramente devotada a elas, Deus, o bom e soberano Senhor, concedeu-me ser ainda guarda das crianças. Suave e santa missão! eu o repito, e cuja plena eficácia as mães aqui presentes não poderiam negar. Adeus, vou à cabeceira dos meus pequenos protegidos. A hora do sono é a minha hora, e é preciso que visite todas essas lindas pálpebras fechadas. O bom anjo que vela por elas, sabei-o, não é uma alegoria, mas uma verdade. r

Dezembro lembra Wallace Conhecido autor nasceu em 1924, no dia 11 de dezembro. Transcrição parcial do site www.feparana.com.br

N

ascido em Divisa (ES), Wallace Leal Valentin Rodrigues foi para Araraquara, SP com a família, na década de 30. Estudou Ciências Econômicas em Ribeirão Preto, e ofereceu grande contribuição à cultura de Araraquara nas décadas de 1950 a 1960. Foi ator e diretor de teatro, diretor de cinema, escritor, jornalista e tradutor. Wallace se destacou como Redator-Chefe do jornal O Clarim

e da Revista Internacional de Espiritismo, fundados por Cairbar Schutel, Wallace foi levado para a editora, em 1964, pelas mãos do sr. José da Cunha, outro gigante que durante muitos anos sustentou a chama acesa por Schutel. Considerado pela crítica especializada como uma das pessoas mais cultas dos em nosso país, aos 62 anos, Wallace teve seu estado de saúde comprometido e desencarnou a 13 de setembro de 1988. r


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E por que não inovar? Há uma nova dinâmica a implantar. Marcus De Mario

marcusdemario@gmail.com

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ocê já ouviu falar do Projeto Âncora? Sabe alguma coisa sobre a Escola do Sentimento? Já assistiu algum vídeo da Escola Amorim Lima? E do projeto da Escola Vila Verde, lá de Alto Paraíso de

modelo em inovação e criatividade na educação básica? Antigamente essas escolas inovadoras eram classificadas e conhecidas como escolas experimentais, e vistas um tanto quanto com desconfiança, pelas

pois a escola atual, chamada de conservadora, tradicional, bancária etc, não está mais servindo, bastando, para essa constatação, verificar o alto índice de violência nas escolas, os 24 milhões de analfabetos funcionais e outros dados que demonstram a falência dessa escola. Está na hora de uma escola dinâmica, criativa, humanizada, que seja uma segunda família para os educandos, que não fique apenas na transmissão de conteúdos curriculares, mas que também se preocupe com o desenvolvimento

Está na hora de uma escola dinâmica, criativa, humanizada, que seja uma segunda família para os educandos, que não fique apenas na transmissão de conteúdos curriculares, mas que também se preocupe com o desenvolvimento moral das crianças e jovens, em parceria com a família e a comunidade em seu entorno.

Goiás? Sabe que existe a Escola Interativa, em Ribeirão Preto? Já acompanhou nas redes sociais o Conhecer, de Leopoldina, MG? Está sabendo que o Ministério da Educação – MEC, em 2015, reconheceu 178 organizações educacionais brasileiras como

suas novidades estranhas no processo de ensino. Hoje não é mais assim. Elas representam, com fundamentação pedagógica e metodologias bem estruturadas, um novo caminho na educação escolar, aliás, sem medo de errar, o caminho que o ensino deve tomar,

Para a evangelização espírita

Novas reedições

Receba gratuitamente o Projeto Educação do Espírito. Basta solicitá-lo enviando e-mail para marcusdemario@gmail.com.

Novas edições dos meus livros É Preciso Amar, e Alma e Corpo – Caminhos da Sexualidade, estão saindo pela Pillares Editora. Adquira em www,almadolivro.com.

moral das crianças e jovens, em parceria com a família e a comunidade em seu entorno. Exemplo clássico dessa escola inovadora está lá no inicio do século 19, isso mesmo, na Suíça, que foi o Instituto de Yverdon, fundado e dirigido pelo educador Pestalozzi. Mas também temos exemplos clássicos na primeira metade do século 20, com a chamada Escola Nova, com educadores da excelência de Freinet, na França, entre outros. E aqui no Brasil não podemos deixar de citar Anísio Teixeira com sua Escola Parque, e Darcy Ribeiro, com o projeto do CIEP – Centro Integrado de Educação Popular.

Poderíamos citar muitas outras escolas inovadoras e seus educadores, mas não estamos aqui para um esforço histórico, e sim para alertar pais e professores quanto à necessidade de revermos a escola, o processo de ensino e a filosofia da educação. Precisamos desconstruir ideias e ações para reconstruir a escola, para que ela atenda os anseios das novas gerações, e da necessidade de transformação moral da humanidade. O Espiritismo tem um papel de muita importância nesse contexto, pois ele vai muito além das paredes do centro espírita. É doutrina filosófica com bases científicas e consequências morais de alto alcance, tanto para os indivíduos quanto para as coletividades. E Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita, foi pedagogo e dirigiu igualmente uma escola inovadora na Paris, cidade luz, da metade do século 19: o Instituto Rivail, que utilizava o método pestalozziano de ensino. Muitos dos nossos leitores podem estar pensando que desconstruir, renovar, inovar, humanizar, dá muito trabalho, mas esse é o caminho, e quanto mais tempo adiarmos essa tarefa, mas a sociedade humana irá se enredar no egoísmo e no materialismo. Não esqueçamos que somos discípulos de Jesus, e sua ação no mundo foi transformadora, desafiadora para nos entregar o Evangelho. E não podia ser diferente, pois ele é o guia e modelo da humanidade, é o Mestre por excelência, e não podia ficar estagnado nos padrões culturais de sua época, assim como não podemos ficar em nossa “zona de conforto”, assistindo o tempo passar. Pensemos nisso. E façamos ações para renovar nossas escolas, inclusive as de evangelização espírita, indo ao encontro, mais rapidamente, do tão sonhado e falado mundo de regeneração. r


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Quando vaidosos, invigilantes...

Sábias e oportunas respostas

Adeptos demasiado entusiastas são mais perniciosos que adversários do Espiritismo.

Destacamos duas respostas do escritor Mário Frigéri sobre o Sermão do Monte.

J. Herculano Pires*

(...) Não é através de pretensas revelações mediúnicas de espíritos e médiuns invigilantes e vaidosos, nem de percepções de videntes convencidos de suposta investidura missionária, e muito menos de reformas idealizadas por cientistas improvisados, que revelam ignorar o próprio sentido da doutrina, que se fará o progresso do Espiritismo. Esse progresso só

será possível depois que os adeptos sensatos consigam compreender a posição do Espiritismo no panorama geral da Cultura. Os adeptos demasiado entusiastas, como advertiu Kardec, são mais perniciosos ao Espiritismo do que os seus adversários. Estão sujeitos a cair facilmente nas armadilhas da sua própria vaidade e desfigurar a doutrina com proposições ridicularizante. Precisamos acordar para esta desoladora verdade: o Espiritismo é ainda o Grande Desconhecido, até mesmo dos espíritas que pensam havê-lo

dominado completamente. Por isso, os espíritas dotados de humildade suficiente para reconhecer a sua incompetência espiritual e intelectual para tanto, servem melhor à doutrina e a preservam das deturpações dos vigilantes. O Espiritismo é o alicerce de uma nova Civilização, a plataforma das futuras conquistas da Humanidade. Precisamos estudá-lo com o respeito devido

às obras-primas do saber humano, todas elas sempre orientadas por gênios da cultura, sob a assistência constante dos Espíritos Superiores que velam pela evolução planetária. Quem se julga capaz de reformular uma dessas obras acaba sempre cometendo uma profanação. Tratemos de aprofundar o nosso precário conhecimento Espírita e nunca nos atreveremos a profanar a obra genial de Allan Kardec.” *Trecho parcial da Apresentação feita por Herculano no livro A Gênese, edição da LAKE. r

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Transcrição parcial de entrevista inédita de www.oconsolador.com.br

– Como tornar prático o uso das bem-aventuranças? R – Quando o lavrador vê a lavoura tomada pelo mato, ele, se quiser salvá-la, só tem uma alternativa, composta por dois elementos: enxada com trabalho duro. A dificuldade em praticar o Evangelho é diretamente proporcional à propagação do carrapicho. O Evangelho é a enxada, nossos bons sentimentos são a planta, e os sentimentos maus são a praga. Façamos das bem-aventuranças nossa ferramenta de carpa e em pouco tempo a plantação estará limpa e florescente. Mas quem não quiser capinar, tem todo o direito de cruzar os braços. (...) 13 – No Espiritismo, como transformar o precioso Sermão do Monte em roteiro prático de paz e serenidade? R – A questão embutida em sua pergunta é muito grave. A ferramenta é ótima, a obra é boa, o público é numeroso, mas o operário que maneja a ferramenta, embora perfectível, afigura-se-nos ainda inábil em parte, necessitando de mais traquejo, burilamento e conscientização. Ouçamos o padre Antônio Vieira no “Sermão da Sexagésima”, falando, porém, em tese, para não melindrar nossos esforçados semeadores. Pergunta Vieira: Por que João Batista convertia tantos pecadores? Porque enquanto as suas palavras pregavam aos ouvidos, os seus exemplos pregavam aos olhos. A palavra do Batista pregava penitência, e sua

presença era o retrato vivo da penitência. Pregava jejum, e seu aspecto dizia que ele vivia de gafanhotos e mel silvestre. Pregava contra a soberba e a vaidade, e seu corpo era vestido de peles de camelo e cilício. Pregava retiros do mundo, e seu aspecto era o de quem vivia numa cova. Se os ouvintes ouvem uma coisa e veem outra, como se hão de converter? Se quando percebem os nossos conceitos, têm diante dos olhos as nossas manchas, como hão de conceber virtudes? Se a minha vida é apologia contra a minha doutrina, se as minhas palavras vão já refutadas nas minhas obras, se uma coisa é o semeador e outra o que semeia, como se há de fazer fruto? E encerra seu Sermão com esta apóstrofe irretorquível: Semeadores do Evangelho, eis aqui o que devemos pretender nos nossos sermões: não que os homens saiam contentes de nós, senão que saiam muito descontentes de si; que não lhes pareçam bem os nossos conceitos, mas que lhes pareçam mal os seus costumes, as suas vidas, os seus passatempos, as suas ambições, e enfim, todos os seus pecados. r

A dificuldade em praticar o Evangelho é diretamente proporcional à propagação do carrapicho. O Evangelho é a enxada, nossos bons sentimentos são a planta, e os sentimentos maus são a praga.


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Dezembro de 2017 líder espírita. Fundou o Centro Espírita Luiz Gonzaga e uma instituição que hoje é a Casa de o país Repouso Allan Kardec, destinada ao acolhimento de idosos. Contudo, desencarnou antes de conseguir Orson Peter Carrara realizar o seu sonho de fundar o orsonpeter92@gmail.com hospital, ou o Sanatório, como eram então chamados os hospitais sua esposa, dona Gracinda Batista, psiquiátricos. Seu companheiros tendo sido eles os doadores do é que levaram adiante a ideia e aí imóvel que possibilitou a criação do está o Bairral hoje, um grande e hospital como uma Fundação. (...) respeitado hospital. (...) 2. E como surgiu a ideia de sua fundação? 5. Nos alcance dos 80 anos Surgiu da necessidade de acolher da instituição, o que pode ser os doentes mentais que até então destacado? eram simplesmente jogados nas (...) Partindo das duas pequecadeias públicas ou confinados em nas casas do início, chegou a esse porões das Santas Casas. Movidos complexo hospitalar sem igual no pelo sentimento de caridade pre- país e, provavelmente, em toda a América Latina. (...) é de se destacar a sua evolução técnica nos últimos anos, com investimento pesados no aperfeiçoamento do nosso corpo de profissionais (...). Todo esse esforço culminou com a implantação do programa de Residência Médica, para formação de médicos psiquiatras, hoje reconhecida como uma das melhores do país. Outro ponto a destacar é a recente implantação do atendimento em Psiquiatria Infantil,

Excelência em psiquiatria Hospital é modelo para e completa 80 anos.

E

ntrevistamos o Presidente do Conselho Diretor da Fundação Espírita Américo Bairral, Alberto Luis de Mello Rosatto, em Itapira (SP), notável instituição hospitalar psiquiátrica que completa 80 anos de fundação em 2017. São 824 leitos, 150 funcionários, num grande complexo. O texto integral foi originariamente publicado pela revista eletrônica O Consolador – www. oconsolador.com.br (edição 528,

com um projeto de diagnóstico e terapia inovadores e, provavelmente, único no Brasil (...) 7. Das conquistas em andamento, qual se sobressai no momento da instituição? Creio que é a Psiquiatria Infantil. Trata-se de uma iniciativa pioneira, pelo menos nos níveis de qualidade que estamos implantando, e muito importante, pois é patente que muitos transtornos mentais futuros poderão ser evitados se houver uma intervenção adequada nas primeiras manifestações dos sintomas. (...) 9. Algo que gostaria de destacar em especial? Gostaria de destacar que é extremamente gratificante para todos nós diretores a oportunidade de serviço que nos tem sido oferecida, permitindo-nos fazer parte da história dessa instituição modelar que é o Instituto Bairral de Psiquiatria. O que representa motivo de um certo “orgulho” e, ao mesmo tempo, o desafio de legar aos nossos sucessores um hospital tão bom ou melhor do que o que recebemos dos nossos antecessores. (...) r

13ª Campanha de Natal Casa da Sopa

de 06/08/17). Aqui reproduzimos conizado pela Doutrina Espírita, trechos parciais. Américo Bairral e seus companheiros tiveram a ideia de se fundar um 1. Quando foi fundado o Bairral? hospital para tratar dessas pessoas A fundação oficial do Hospital data de 31 de dezembro de 1937, 3. Quem foi Bairral? quando foi aprovado o primeiro Américo Bairral era funcionário estatuto. (...) São considerados fun- público, lotado na Coletoria Fededadores o senhor Onofre Batista e ral de Itapira e era um destacado

Há mais de dez anos a cidade de Matão se movimenta, por iniciativa e organização da Casa da Sopa (instituição que agrega operosa equipe para distribuição de sopa aos sábados), para a conhecida Campanha de Natal, com a entrega de sacolas para crianças com o nome “Posso fazer uma criança feliz”. A sacola contém escova e pasta de dente, sabonete, roupa, calçado, brinquedo, doces e algo mais que o coração do doador desejar. As

sacolas trazem o nome e idade da criança – inclusive com a numeração da roupa e calçado – para facilitar a aquisição, mediante prévio cadastro das famílias atendidas. O evento, no dia 17 de dezembro, terá a presença de Fernando Arrobas. As sacolas com tais conteúdos devem ser entregues até o dia 12 de dezembro, na Rua Enzo Castelani, 1.785. Informações pelo telefone: (16) 3384 3659.


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Quer presentear com sensibilidade no Natal? Livro, presente de amigo! Livro espírita, presente de irmão!


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Não há dúvida que presentear com livro é um elogio. Presentear com livros espíritas é semeadura de paz e harmonia no coração humano diante do difícil momento da humanidade. Considerando a grandeza da Doutrina Espírita, a lucidez de seus postulados e es-

pecialmente os frutos de paz em favor da convivência e da realidade íntima individual, selecionamos algumas opções como sugestão de presente no Natal, levando ao mesmo tempo conhecimento e alegria aos seus amigos e familiares.


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Algo por eles, neste Natal! Façamos algo por eles, os nossos irmãos que ignoram ou que não querem aceitar os benefícios da serenidade e da esperança. Transcrição integral do site www.momento.com.br Parece que Ele nasce todos os anos... E isso nos acalma... Enxerguemos cada Natal como esta chance de recomeçar, de renascer do Espírito, sem medo, sem traumas, com energias e vontade renovadas. Nada de reclamações, nada de pessimismo, nada de palavras que mais nos afundam do que nos salvam. Seriedade, sim. Compromisso com o bem, sempre. Porém, não deixemos que esses ares tão cheios de alegria se percam ao longo dos próximos meses. Não esqueçamos de manter esse laço sempre apertado, o laço entre nós e o Criador, através da prece. Conversemos sobre nós, façamos nosso balanço, agradeçamos, reflitamos. Peçamos algo, se achar que devemos, mas peçamos com sabedoria.

Foto: https://juventudedominicana.files.wordpress.com/2012/03/cf-2012.jpg

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atal é tempo de pensar nos outros. Vemos o quanto é bom compartilhar, dividir e trocar o eu pelo nós. Natal é tempo de lavar a psicofera do mundo. Parece que ao longo dos meses do ano respiramos um ar pesado, difícil. Os pensamentos quase sempre estão em complicações, indignações, revoltas e tristezas várias. O mundo anda tenso, inseguro, pessimista. O Natal é a chance de quebrarmos isso, trazendo a figura de Jesus de volta para nossos corações. Recordar aquele nascimento tão cheio de esperança, de docilidade e delicadeza que tantas vezes representamos nos palcos da Terra.

Não deixemos de orar pelo mundo e por aqueles que sofrem, pelos menos esclarecidos, pelos que caem, pelos que ainda não despertaram. Jesus estará renascendo para eles também. *** Compadeçamo-nos de todos aqueles que não podem ou não sabem esperar. Eles estão em toda parte... Quase sempre são vítimas da inquietação e do medo. São casais que não se toleram nas primeiras rusgas do matrimônio e desfazem a união em que se compromissaram, abraçando riscos pelos quais, em muitas circunstâncias, cedo se encaminham para sofrimento maior. São mães que rejeitam os f ilhos que carregam no seio, entregando-se à prática do aborto, recusando a presença de criaturas que se lhes fariam instrumentos de redenção e reconforto no futuro, caindo, às vezes, em largas faixas de doença ou desequilíbrio. São amigos doentes ou desesperados que se rebelam contra os supostos desgos-

tos da vida e se inclinam para o suicídio, destruindo os recursos e oportunidades que transportariam para a conquista da vitória e da paz em si mesmos. São jovens, famintos de liberdade e prazer que, impedidos naturalmente do acesso a satisfações imediatas, se entregam ao abuso dos alucinógenos, estragando as faculdades com que o tempo os auxiliaria na construção da felicidade futura. Neste Natal, façamos algo por eles, os nossos irmãos que ignoram ou que não querem aceitar os benefícios da serenidade e da esperança. Pronunciemos algumas frases de otimismo e encorajamento. Escrevamos algum bilhete que os reanime para a bênção de viver e servir. Estendamos simpatia em algum gesto espontâneo de gentileza. Não nos declaremos sem possibilidade de contribuir, nem digamos que temos todas as horas tomadas por encargos e serviços dos quais não nos podemos distanciar. Façamos algo, no soerguimento do bem. Nas realizações da fraternidade, quem ama faz o tempo. r Redação do Momento Espírita, com base no cap. Algo por eles, do livro Deus aguarda, pelo Espírito Meimei, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. GEEM. Em 6.12.2016.

Saberes necessários Trecho parcial de livro de Sandra Borba e Cláudia Farache Lemos*: “(...) Não basta conhecer. O conhecimento se converte em saberes quando atinge a aplicação ou se reduz a mera informação. (...) Acompanhado o processo de formação que Jesus proporcionou aos seus discípulos, constatamos que o Mestre identificou certos saberes e fazeres necessários para a realização da tarefa de evangelização. (...). Para o desempenho de tão complexa tarefa os discípulos foram preparados pelo

Senhor, dia após dia, com ensinos, exemplos e a própria ação fluídica do Mestre, (...).Da mesma forma, todos os que desejamos atender à determinação de Jesus, (...) necessitamos igualmente de formação, de construção de uma identidade cristã, construção essa que exige certos saberes e fazeres que nos caracterizem como verdadeiros discípulos e servidores fiéis do Cristo (...)” *livro: Saberes Necessários à tarefa de Evangelização Infantojuvenil, edição FEP, págs.44/45, 1ª. Edição.


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Nem todo espiritualista é espírita Tema abre interessante perspectiva de análise. Rogério Miguez rogmig55@gmail.com

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sobrevivência da alma sempre foi atestada em nossa história, porquanto, médiuns sempre os houve, em consequência, “aquilo” que sobrevivia à chamada morte, não se sabendo exatamente o que era, a todo o momento pode ser observado por muitos. Deste fato, ainda nos primórdios de nossa civilização, surgiram as primeiras ideias espiritualistas, diversificaram-se, coexistindo com certa harmonia nos dias atuais. No século XIX, surge a formalização de uma doutrina espiritualista reunindo de forma metódica esta realidade espiritual através de observações práticas continuadas feitas por muitos médiuns e pesquisadores, tudo muito bem estruturado e acabado por Allan Kardec: o Espiritismo. Embora se apresentando como mais uma ideologia espiritualista, difere de outros sistemas seme-

lhantes, fato este não percebido por muitos espíritas. No contexto do espiritualismo, doutrina diametralmente oposta ao materialismo, por defender a existência e primazia do espírito sobre a matéria, base de todas as religiões, embora nem todo espiritualista acredite em um Deus único, este crê: 1. Na existência de um princípio espiritual e imaterial, dissociado da matéria corpórea; 2. Na imortalidade deste princípio, ou seja, na sua sobrevivência; 3. Na conservação de sua continuada individualidade após a morte. Nota-se nesta tríade de princípios, acreditar na existência de uma alma, termo frequentemente empregado no contexto religioso, não implica na aceitação da possibilidade do retorno desta alma do mundo dos mortos se manifestar no mundo dos vivos, como entende e ensina o Espiritismo.

E mais, nem todos adeptos da conservação da individualidade do princípio espiritual são espíritas, pois há aqueles espiritualistas entendendo que este princípio retornando ao mundo dos mortos, embora individualizado, se funde a um todo, do qual saiu antes de aqui chegar, perdendo esta sua identida-

Pode-se afirmar assim: todo espírita é necessariamente espiritualista, mas nem todo espiritualista é obrigatoriamente espírita.

de, ideia esta não comungada pelo Espiritismo, pois este sabe: após a individualização do princípio espiritual, processo realizado apenas por Deus, este jamais se perde ou se desintegra. Desta forma, embora a Doutrina espiritista aceite os três postulados citados anteriormente, fazem parte da crença espírita, entre outros aqui não listados, nem todo espiritualista comunga as especificidades espíritas. Além disto, há espiritualistas não entendendo Deus como a inteligência única, causa primária de todas as coisas, como o Espiritismo O compreende, pois alguns creem em muitos deuses, outros

ainda acreditam fazer parte da divindade. Mais um ponto não compartilhado por todos os espiritualistas é a crença na reencarnação, também um postulado espírita. Muitos, cremos mesmo a maioria dos cristãos, não aceita a volta do princípio espiritual em uma nova vida, com um novo corpo, em um outro momento de sua existência, tantas vezes quantas forem necessárias para se atingir a perfeição. Alguns defendem a tese da ressurreição, porém, não representa a mesma ideia, pois esta aceita a volta do espírito em nova vida, mas com o mesmo corpo, contudo, a ciência já demonstrou ser impossível; outros ainda admitem a possibilidade do retorno do espírito, após a sua morte, integrando o reino animal, ou seja, ocupando um corpo de um irracional, a teoria da metempsicose. Pode-se afirmar assim: todo espírita é necessariamente espiritualista, mas nem todo espiritualista é obrigatoriamente espírita. Fazendo nossas as palavras de Deolindo Amorim: Tentar esclarecer não é demolir, é procurar servir à Verdade, respeitando as ideias alheias. r


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Perfil de Jesus Carta é atribuída ao conhecido Senador. Mário Frigéri

mariofrigeri@uol.com.br

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egundo aprendemos na Doutrina Espírita, Emmanuel (mentor de Francisco Cândido Xavier) e Públio Lentulus são a mesma individualidade. Públio era senador romano e vivia na Palestina, no tempo em que Jesus cumpriu ali Sua missão. Sua história é narrada no romance Há 2000 anos, publicado pela FEB. O orgulhoso senador teve oportunidade de falar pessoalmente com o Cristo, numa passagem difícil de sua existência, mas, segundo ele, deixou escapar aquele momento fugaz, desprezando a vereda de luz que o divino Amigo lhe fizera entrever. A pedido de Lívia, sua esposa, Públio fora, a contragosto, à procura do sublime Rabi para solicitar-Lhe a intervenção em favor da filhinha querida, que se encontrava adoentada. Depois de caminhar longo tempo sem O encontrar, sentou-se em um banco de pedra e deixou-se ficar ali, abismado em seus pensamentos, enquanto a noite cobria a região com seu velário imenso. Em dado momento, porém, sob suave torpor, pareceu-lhe haver sido arrebatado em espírito, quando percebeu os passos de alguém. Era Jesus que se aproximava de mansinho e o olhava com profunda compaixão. Envolto por estranho magnetismo, Públio deixou que lágrimas ardentes lhe caíssem dos olhos, enquanto uma força incoercível o fez ajoelhar-se na relva prateada de luar. O entendimento que se segue entre ambos é um dos mais belos já registrados na literatura terrena. Jesus o concita a apro-

veitar aquele glorioso momento – naquele instante ou daí a alguns milênios –, e lhe promete a cura da filhinha, graças à fé e ao amor presentes no coração de sua esposa. Passado o êxtase, o orgulhoso senador retorna ao lado sombra de sua personalidade terrena e, desprezando aquele minuto decisivo

Desse encontro de Públio com Jesus nasceu uma das mais belas descrições do Cristo já feita em todos os tempos. Dizem historiadores que foi encontrada no arquivo do Duque de Cesarini, em Roma. É uma carta atribuída a Públio Lentulus, então procônsul na Judeia, e foi enviada de Jerusalém ao imperador Tibério César para informá-lo dos acontecimentos na Palestina.

de sua vida, sente-se amargamente humilhado por haver dobrado os joelhos diante daquela figura extraordinária, fato que sobrepôs-se à própria alegria de chegar em casa e ver a filhinha convalescente nos braços da esposa. Após uma vida longa e atribulada, Públio desencarna no ano 79, sob os escombros de Pompeia, quando o Vesúvio entrou em erupção.

Desse encontro de Públio com Jesus nasceu uma das mais belas descrições do Cristo já feita em todos os tempos. Dizem historiadores que foi encontrada no arquivo do Duque de Cesarini, em Roma. É uma carta atribuída a Públio Lentulus, então procônsul na Judeia, e foi enviada de Jerusalém ao imperador Tibério César para informá-lo dos acontecimentos na Palestina. Foi traduzida para vários idiomas, publicada em jornais e revistas e distribuída, aos milhares, em forma de folheto. A sua íntegra pode ser encontrada na Internet, em mais de uma versão. Aqui, porém, devido à exiguidade de espaço, vamos condensar essa página belíssima, apresentando apenas algumas das características físicas e morais delineadas a respeito de nosso Mestre e Senhor. Retrato do Cristo Jesus é um homem de grandes virtudes e conhecido do povo como profeta da Verdade. Seus discípulos dizem que é Filho de Deus e, por isso, cada dia mais se ouvem coisas maravilhosas a seu respeito: cura os enfermos, ressuscita os mortos, além de muitos outros milagres que realiza. É um homem de estatura justa e muito belo de aspecto, e há tanta majestade em seu rosto que aqueles que o veem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura, distendidos até as espáduas, na forma em uso entre os nazarenos. Seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno e ne-

nhuma ruga ou mancha se vê na sua face, de uma cor moderada. O nariz e a boca são irrepreensíveis, e a barba, não muito longa e repartida ao meio, é semelhante aos cabelos. Tem os braços e as mãos muito belos. Seus olhos são afetuosos e graves, expressivos e claros, e o surpreendente é que resplandecem no seu rosto como os raios do Sol. Ninguém pode olhar fixamente o seu semblante, porque, quando resplende, amedronta, e quando ameniza, comove. Caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, mas, na sua presença, falando com Ele, tremem e o admiram. Quem d’Ele se aproxima verifica que é muito modesto na pessoa e na presença. É o mais belo homem que se pode imaginar, muito semelhante à mãe, que é de rara beleza. Faz-se amar e é alegre com gravidade. Dizem que nunca o viram rir, mas sim chorar. Na palestra contenta muito, mas raramente o faz. Afirmam que jamais alguém falou como esse homem por estas redondezas. É admirado por toda a cidade de Jerusalém, Ele que sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Na verdade, nunca se ouviram tais conselhos, de grande doutrina, como ensina esse Jesus. Se a Majestade Tua, ó César, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens e procurarei mandá-lo o mais depressa possível. À tua obediência estou prontíssimo: aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido – (a) – Publius Lentulus. r


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O sermão do monte Um hino de beleza e misericórdia. Joaquim Bueno

escovajb@yahoo.com.br

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ela mediunidade do Sr. Leymarie, conforme consta na Revista Espírita de Outubro de 1862, em mensagem intitulada “Estilo das Boas Comunicações”, afirmou o irmão espiritual Barbaret que a verdadeira superioridade de um ensino repousa sobre o “estilo conciso, claro e inteligível sem esforço de imaginação” e que a importância não é dada “por sua extensão, mas pela soma de idéias que encerram em pequeno espaço”. Por sua vez, André Luiz, em psicografia de Waldo Vieira, conforme se lê no capítulo 15 da obra Conduta Espírita, indicou as virtudes indispensáveis para um

bom discurso ou texto, destacando quatro: simplicidade, clareza, concisão e objetividade. Assim é o sermão do monte, poesia espiritual de inigualável qualidade, que encanta almas há séculos. O registro deste discurso de Jesus consta nos evangelhos sinóticos (atribuídos a Mateus, Marcos e Lucas). O texto de Marcos é bastante modesto nas referências a ele, mencionando os ensinos do “sal da Terra” e da “luz do mundo”. Lucas possui citações esparsas nos capítulos sexto, décimo primeiro, décimo segundo e décimo quarto do seu livro. Já o evangelho de Ma-

teus é o mais didático para estudo deste sermão, porque lhe dedica três capítulos em seqüência; do quinto ao sétimo. Embora esteja relacionado ao sermão de Lucas, capítulo seis, versículos de vinte a quarenta e nove, o texto mateano é, pelo menos, três vezes mais longo que aquele. O cenário do sermão é um monte elevado que, na Bíblia, é lugar habitual para revelações espirituais. E presume-se que o público alvo seja maior do que o círculo íntimo dos primeiros discípulos do Mestre. O acento tônico desses ensinos parece estar na orientação aos discípulos para que “excedam” a “jus-

tiça” dos escribas e fariseus. Sem isso, não se tem acesso ao chamado “Reino dos Céus”. A prédica, segundo Mateus, começa com a expressão “bem-aventurados”, comum também nos Salmos. As chamadas “bem-aventuranças” são trabalhadas pelo Codificador Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, dando título aos capítulos quinto e do sétimo ao décimo. Enaltecem qualidades morais imprescindíveis à conquista da paz íntima, como humildade, resignação, mansidão, misericórdia, pureza de coração, paciência e renúncia por amor às leis espirituais. 


Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT Dezembro de 2017

REMETENTE: Instituto Cairbar Schutel. Caixa postal 2013 15997-970 - Matão-SP

O sermão do monte Continuação da página 11. Joaquim Bueno

Amélia Rodrigues, em mensagem psicografada por Divaldo Pereira Franco, na noite de 28 de janeiro de 2014, em Jerusalém, Israel, expressou que “as bem-aventuranças tornaram-se o hino internacional de beleza e de misericórdia” que “espraiou-se pelo mundo e tomou conta das mentes e dos corações simples em espírito, dos mansos e pacíficos, dos esfaimados e sedentos de paz e justiça, dos misericordiosos, dos perseguidos e de todos aqueles que não encontram lugar no mundo, anelando pela libertação através da plenitude”. Na seqüência de sua pregação, faz o Mestre duas comparações notáveis, situando os discípulos da Boa Nova como “sal da terra” e “luz do mundo”, conclamando seus seguidores a estarem no mundo para preservá-lo da corrupção (alegoria ao sal) e a buscarem a exemplificação, em tudo o que fizerem. Sim, o cerne do discurso está no esforço do cristão em exceder, em muito, é preciso destacar, a “justiça dos escribas e fariseus”,

religiosos influentes na sociedade da época. E o Cristo se explica, propondo contrapartidas aos antigos mandamentos da Lei: Mais do que “não matar”, é preciso se prevenir da cólera contra o outro, entrando em acordo o mais rápido possível com os adversários; Além do “não adulterarás”, o “olhar com intenção impura” é atitude comprometedora; Acima do “não jurar falso”, coloca como indispensável evitar-se qualquer tipo de julgamento, priorizando que sejam as palavras sim, sim e não, não. Para concluir as rupturas às velhas ordenanças, contrapõe, à vingança do “olho por olho, dente por dente”, o “oferecer a outra face”, e, ao “odiar o inimigo”, amá-lo, orando mesmo por aqueles de quem se sofre perseguição e calúnia. Vem, em seguida, severa exortação a respeito de três práticas religiosas comuns da época: a esmola, a oração e o jejum. Em todas elas, o Mestre enfatiza a necessidade imperiosa de “fazer

em segredo”, contra os hábitos vigentes da ostentação e do reconhecimento das pessoas. Procurando prevenir a humanidade contra os perigos das ilusões da matéria, adverte também quanto à ansiosa solicitude pela vida, tocando nas preocupações mais comuns do ser humano: o comer, o beber e o vestir, demonstrando ser impossível conciliar o amor a Deus com o excessivo apego às coisas materiais. Em todo o momento, o discurso do Cristo perpassa a necessidade da pureza de sentimentos e intenções, em oposição à hipocrisia, ilustrando com a imagem do travessão dentro do olho. Sua fala convida, ainda, à prática da oração sincera, colocando o Pai Celestial como aquele que sabe prover como ninguém o indispensável às necessidades dos seus filhos, pois é superior, em muito, ao melhor e mais cauteloso dos pais terrenos, que, mesmo sendo imperfeitos, sabem dar boas coisas aos filhos. E, a partir do capítulo sexto, versículo nove, lê-se a incomparável

Oração Dominical, assim chamada por ser a oração do Senhor (dominus, em latim). Quase no término de sua fala, o meigo Rabi preconiza a vigilância contra os “falsos profetas”, apresentando singular maneira de se prevenir contra eles: “Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem árvore má produzir frutos bons”. E, para encerrar, lembra que seguir suas divinas orientações exige o “entrar pela porta estreita” e o “edificar a casa sobre a rocha”. Duas imagens fortes e impactantes, com as quais o Amigo Celeste faz sua exortação final às almas que, naqueles dias singulares, tiveram a ventura de ouvir, da sua boca, o roteiro mais seguro para a renovação gradativa do espírito imortal. Vivenciar o sermão do monte é entender que todo conhecimento superior traduz-se em responsabilidade, é carregar no peito um coração sintonizado com a retidão de caráter, a humildade sincera e a caridade sempre disposta a socorrer a dor, onde e como se estiver. r

Tribuna do Espiritismo - dezembro de 2017  
Tribuna do Espiritismo - dezembro de 2017  
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