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ÓRGÃO MENSAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA PARA TODO O BRASIL • FEVEREIRO DE 2017 • ANO 4 • Nº 41 • 13.500 EXEMPLARES • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA www.institutocairbarschutel.org – www.associacaochicoxavier.com.br

Os pais e as drogas

Foto: http://i.huffpost.com/gen/2645576/images/o-TEENAGERS-facebook.jpg

Onde falhamos? Fomos exigentes demais? Ou complacentes? Veja matérias nas páginas 8 e 9.

E os jornais? Veja oportuna reflexão na página 5. Acesse também pelo celular

Eventos importantes movimentam o estado Cuidar do corpo ou da alma? CONRESPI em Barretos (SP), Encontro da Família em Marília (SP) e Alessandro Viana de Paula em Araraquara (SP) trazem importante contribuição para o estudo e a divulgação de temas oportunos.

Qual deve ser a prioridade? Marcus de Mário elaborou elucidativa matéria sobre a finalidade do Centro Espírita, que merece profunda reflexão. E trecho de Amália Soler traz outro foco na mesma direção.

Páginas 6 e 7

Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT

Conheça no site os oradores do EAC 2017 Acesse: www.institutocairbarschutel.org

Páginas 3 e 9


Fevereiro de 2017

Editorial

Fevereiro também importante

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a edição anterior, de janeiro/17, fizemos grande destaque às efemérides espíritas do mês. Se o leitor buscar informações históricas de fevereiro, igualmente se surpreenderá. Para isso basta pesquisar no portal google: Efemérides espíritas de fevereiro. Do nascimento da educadora Anália Franco, do notável escritor Victor Hugo ao Presidente amer ic ano Abr aham Lincoln – que mantinha sessões espíritas na Casa Branca –, encontraremos também as desencarnações de Gabriel Dellane e Pestalozzi, entre outros importantes vultos e eventos registrados em fevereiro na história do Espiritismo. E foi no mesmo fevereiro, em 1925, que Cairbar Schutel fundou em Matão a sua RIE – Revista Internacional de Espiritismo, em plena circulação nos dias atuais. Na atualidade, destaca-se no movimento regional a tradicional CONRESPI, que em 2017 ocorre em Barretos (SP). São fatos motivadores, sempre presentes, convidando-nos a estudar, pesquisar, le var adiante a mensagem espírita. Deixamos ao leitor nossa atual edição! Boa leitura! r

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RIE – Revista Internacional de Espiritismo Publicação foi fundada em fevereiro de 1925. Redação

institutocairbarschutel@gmail.com

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empenho de Schutel na expansão do pensamento espírita encontrou na fundação da conhecida publicação, como era seu propósito, a possibilidade de aprofundar os conceitos do pensamento em seu tríplice aspecto, publicando textos de mais profundidade e direcionado aos que gostam de pesquisar e estudar. “(...) Para tornar viável o novo veículo, Schutel contou com a colaboração de Luis Carlos de Oliveira Borges, de Dourado, interior paulista, que, tornando-se fã do jornal O Clarim, decide visitar Matão, no princípio da década de 1920, para conhecer suas instalações. Àquela época, Schutel recebia vasto material em outros idiomas com conteúdo mais elaborado, mas que não poderiam ser publicados no jornal O Clarim. Falando sobre esse material, Schutel revela a Borges que gostaria de encontrar um meio de divulgar esses artigos, mas não possuía recursos para

tal. Borges, então, confiante na proposta idealista de seu interlocutor, garante que bancaria os primeiros recursos necessários à instalação da Revista Internacional de Espiritismo. E assim, com

esforço conjunto, foi possível a primeira edição da RIE em fevereiro de 1925, impressa em São Carlos. Com o subtítulo “Publicação mensal de estudos anímicos e espíritas”, a RIE revelava o seu claro propósito de exploração dos novos estudos abordados pelo Espiritismo. No editorial de abertura, Cairbar Schutel justifica a adoção do título e do subtítulo da revista: “O título e o subtítulo que adotamos para esta publica-

ção compreendem uma vasta área de trabalhos e conhecimentos que marcam na hora atual um movimento de acentuado progresso na marcha da humanidade. (...) Por toda parte do mundo congregam-se esforços para a divulgação da Ideia Espírita. Associações, federações de associações, congressos nacionais e internacionais, dão conta dos progressos que o Espiritismo vai realizando”. (...)”. Com a transcrição parcial do texto disponível no portal Wikipédia, e adaptado para a presente matéria, o jornal Tribuna do Espiritismo presta sua homenagem ao esforço surgido em Matão (SP), com o idealismo de Schutel e o apoio recebido do nobre Luis Carlos de Oliveira Borges, para tornar viável o projeto do inesquecível seareiro espírita. E estende seus cumprimentos à coirmã RIE, pelos esforços continuados ao longo de várias gerações. Porta-voz da editora, ao lado do já centenário O Clarim, também fundado por Cairbar, a RIE projetou ainda mais o nome da cidade e dos esforços aqui empreendidos em tantas décadas, valorizando a divulgação espírita, motivo de júbilo para a família espírita, no qual se une também o presente veículo, também surgido pelo legado de Schutel. r


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Evangelização da Família Centros espíritas devem curar o corpo ou cuidar da alma? Marcus De Mario

marcusdemario@gmail.com

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emos assistido muitos Centros Espíritas dedicados ao tratamento espiritual, com suas dependências transformadas em verdadeiras alas de hospital, com macas, luzes especiais e um grande número de médiuns, passistas e colaboradores envolvidos no atendimento a centenas de pessoas semanalmente, a maioria procurando cura para sua saúde orgânica. Será que essa é a finalidade do Centro Espírita? Ou isso será um desvio do que realmente precisamos fazer na vivência dos princípios espíritas? Ao estudarmos o Espiritismo verificamos que a doutrina faz um grande apelo pela transformação moral do indivíduo, para consequente transformação moral da sociedade, daí sendo classificada como uma doutrina que apela aos poderes do espírito, ou seja, que trabalha o potencial divino existente em cada um, e já em pleno desenvolvimento, levando-o para o autoconhecimento. É, por isso, o Espiritismo doutrina de educação do ser imortal destinado à perfeição, à felicidade. Fica claro que a finalidade do núcleo espírita não é o atendimento ao corpo perecível, e sim à alma imortal. Nesse entendimento devemos priorizar os serviços de evangelização da família, envolvendo crianças, jovens e adultos através das reuniões públicas de palestras, grupos de estudo da doutrina espírita, educação infantojuvenil, apoio à convivência fraterna no lar, atendimento fraterno, entre outros serviços ligados à educação. Não estamos dizendo que as áreas da mediunidade e da promoção e assistência social, por exemplo, não sejam importantes e não devam ser desenvolvidas, pois também são relevantes, mas que a prioridade do Centro Espírita deve ser a evangelização da família,

para ligar as pessoas ao Evangelho, proposta de vida com base no amor a si mesmo, ao próximo e a Deus. E por falar em evangelização Durante muito tempo o movimento espírita entendeu a evangelização como sendo serviço destinado à criança e ao jovem, semanal, acontecendo no sábado ou domingo, durante aproximadamente uma hora, com base em contação de histórias, atividades de fixação, seguindo roteiros de aula previamente estabelecidos, apostilados e reproduzidos por grande maioria. Os evangelizadores eram normalmente pessoas de boa vontade, mas nem sempre preparadas e com algum conhecimento pedagógico. Esse quadro está mudando e cada vez mais vemos a realização de treinamentos, cursos, palestras, encontros visando a capacitação dos evangelizadores, assim como a formatação de novos materiais e metodologias. É uma movimentação muito importante, pois não basta a boa vontade, é preciso também amor à tarefa educacional e preparo pedagógico. Um outro passo ainda precisa ser dado, ou consolidado: entender que a evangelização deve abranger a família como um todo: pais, avós, responsáveis, filhos, enfim, precisa atender da criança ao adulto, trabalhando as relações de convivência familiar, pois é no lar onde os espíritos compromissados entre si se encontram para suas expiações, provas e missões. E a família é a célula básica da sociedade. Amparar a família para que ela tenha um encontro com Jesus é fundamental, e o Espiritismo, que é o Cristianismo Redivivo, pode realizar esse encontro através da evangelização espírita, desde que esse serviço seja realizado com dinamismo, cria-

tividade, sentimento e fundamentação pedagógica adequada. Educação do espírito Com a informação que todos somos almas imortais, espíritos reencarnados, entendemos que a evangelização desenvolvida no Centro Espírita deve ser voltada para o espírito, combatendo as possíveis más tendências que ainda tenha, e potencializando as boas tendências que está desenvolvendo através das diversas experiências existenciais. Isso só pode acontecer se elegermos como prioridade trabalhar as leis morais, as virtudes, a ética, o amor ao próximo, para que o bem mais rapidamente seja consagrado em toda a humanidade. Por motivo de todo esse entendimento lançamos a obra Educando o Espírito – Projeto Educação do Espírito, publicação digital e de distribuição gratuita, oferecendo aos educadores espíritas uma proposta

pedagógica para a evangelização espírita. O livro pode ser solicitado através do e-mail marcusdemario@ gmail.com, e o enviaremos sem nenhum custo. É uma proposta desafiadora, em novos padrões, cuja experiência tem mostrado excelentes resultados, e perfeitamente compatível com qualquer Centro Espírita. Lembremos que Allan Kardec foi um grande educador, e que por toda a obra da Codificação tanto ele quanto os espíritos superiores afirmam ser o Espiritismo doutrina de educação. Então o Centro Espírita que quer representar legitimamente o Espiritismo, deve fazer todos os esforços no sentido de facultar a evangelização não apenas das novas gerações, mas de toda e qualquer pessoa, numa visão integral do ser e da sociedade, onde se insere a família, que não pode ficar à margem, sob pena de retardarmos o progresso humano rumo à felicidade. r


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O amor é o que o amor faz Culpa, solidão e desânimo podem ser curados. Ângela Moraes

angelafmd@gmail.com

No Evangelho de Jesus, o AMOR é a base de todos os ensinamentos. Nas religiões nãocristãs, ele é a harmonia entre o espírito e seu passado. Nos livros de autoajuda, é chamado de motivação, entusiasmo. Nas tarefas rotineiras do dia a dia, é o que combate a depressão. Nas difíceis batalhas do nosso espírito, ele é o que nos nortearia o rumo a seguir. E mesmo sabendo de tudo isso, muitas vezes nos esquecemos de que o amor é algo para ser vivido, praticado, demonstrado, realizado. James

C.Hunter, autor de “O monge e o executivo”, lembra que “o amor é o que amor faz”. E acrescenta: “AMOR NÃO É COMO NOS SENTIMOS EM RELAÇÃO AOS OUTROS, MAS COMO NOS COMPORTAMOS”. Ou seja, amar é agir, e ação é algo que nos pertence. E, agindo com amor, conheceremos a cura para diversos males da alma, como: - CULPA – Um dos sentimentos mais terríveis que assola o espírito. Derivada do orgulho, não permite que o autoperdão Crise e oportunidade são os dois lados da mesma moeda. De que lado você prefere estar quando a crise (ou a oportunidade) chegar? Tomando como base as variadas crises humanas, Donizete elaborou sínteses relevantes ao aprofundar estudos e reflexões com os ensinamentos Kardec e de outros amigos espirituais. O resultado é este livro, onde o magistrado também aponta propostas à superação, com método e valores morais adequados. Então, vamos juntos nesse aprendizado, porque podemos, sim, gerenciar nossas crises.

aconteça, em relação aos erros pretéritos. Não temos como voltar no tempo para refazer a história, mas podemos tentar corrigir os passos futuros, aliviando-nos a consciência. Foi o que ensinou o apóstolo Pedro quando disse que “o amor cobre uma multidão de pecados” (I Pedro, 4:8). Mas o amor é o que amor faz, então precisamos colocar o amor nas palavras, usando de respeito e cordialidade; nos gestos, com gentileza e simpatia; na maneira de compreender os outros, com paciência e tolerância; nas ações, colocando muitas vezes a necessidade do outro diante da de si próprio. Em uma versão protestante da Bíblia (tradução João Ferreira de Almeida), a passagem diz “a caridade cobre uma multidão dos pecados”. Ou seja: amor em ação = caridade, substituindo a culpa improdutiva. - SOLIDÃO – Quantos depoimentos ouvimos sobre a solidão na juventude, a solidão a dois no casamento, a solidão na terceira idade. Mas não para quem age com amor. Quem se sente só, normalmente exige o amor de outrem, mas não dedica o seu próprio. E dedicar amor significa dedicar tempo: quantas instituições que cuidam de crianças carentes precisam de voluntários – de todas as idades – para todas as funções, desde ajudar no preparo das refeições, até aulas de reforço ou monitoramento para atividades de lazer? Quantos asilos abrigam idosos carentes de um ouvido amigo e palavras de encorajamento? Quantos de nossos familiares não estão precisando, neste momento, de uma ajuda,

talvez numa tarefa doméstica, ou de uma conversa motivadora? O espírito Sanson, em O Evangelho Segundo o Espiritismo revela que “amar (...) é considerar como sua a grande família humana”. E como o amor é o que amor faz, quem ama agindo, não tem tempo para sentir-se só. - DESÂNIMO – A palavra “ânimo”, no Michaelis, é sinônima de “ Alma, espírito, mente”. Quando

sentimos verdadeiro desânimo da vida, é como se a alma tivesse desaparecido, deixando no lugar imenso vazio. Por que? Porque o amor deixou de ser praticado. Perdeu-se o comportamento amoroso no dia a dia. Amar também é sinônimo de CUIDAR. Cuide com amor da sua casa, zelando pela boa conservação dos seus pertences; tenha prazer em enfeitar a mesa do jantar, ainda que o menu seja o simples prato cotidiano e a visita for apenas os de casa; cuide com carinho de suas plantas. Cuidar com amor é o segredo para combater o desânimo, ou seja, encher de ‘alma’ nossas ações e sentimentos.

Assim, a grande mensagem do mestre Jesus era sobre o poder do amor. Ele sabia que amando o próximo, seríamos mais leves. Menos sós. Mais felizes. Ele amou agindo, ou viveu amando, nos mostrando que esse era o caminho. E essa caminhada, por sua vez, é a ação que nos pertence rumo a uma vida mais plena de significado. Que saibamos amar, fazendo! r

a grande mensagem do mestre Jesus era sobre o poder do amor. Ele sabia que amando o próximo, seríamos mais leves. Menos sós. Mais felizes. Ele amou agindo, ou viveu amando, nos mostrando que esse era o caminho.


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Esquecidos e sem cumprir finalidade De quem é a responsabilidade? Cena é de visível irregularidade. Roosevelt Tiago

www.roosevelt.net.br

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ara a realização das palestras, acabamos por visitar várias Casas Espíritas e em muitas, presenciamos uma cena de visível irregularidade: Jornais acumulados e sem serem distribuídos.

“Sua preponderância não decorre absolutamente do número de seus membros; está nas ideias que estuda, que elabora e divulga;...”. Os jornais Espíritas tem a oportunidade de levar a mensagem

A divulgação do Espiritismo foi a grande labuta dos que nos precederam, estimular, divulgar, falar com empolgação dos jornais Espíritas é dever intransferível dos Espíritas, principalmente daqueles

Imagem de capa do Tribuna do Espiritismo de abril de 2014.

Quase sempre, são jornais forjados por mãos voluntárias e com recursos que desconhecemos, ofertados aos Centros Espíritas, para serem entregues aos seus frequentadores, contudo, negligenciando com a divulgação da Doutrina Espírita, ficam esquecidos e sem atingir sua finalidade. A divulgação no Espiritismo, ocupa um papel importante nos objetivos da Doutrina. Allan Kardec, em sua abertura do ano social, em 1º. de abril de 1862, registrado na Revista Espírita, escreveu acerca do Espiritismo:

da Doutrina para além do Centro Espírita, necessitando apenas a boa vontade de seus integrantes. Dessa forma, é obrigação moral de todos, ao receberem esses jornais, cuidarem, com especial atenção, para que sejam distribuídos, levando a mensagem consoladora para toda a parte. Ainda na Revista Espírita, em Maio de 1863, na Nota Bibliográfica, lemos: “Multiplicam-se as publicações espíritas e, como temos dito, incentivamos a divulgação daquelas que podem servir utilmente à causa que defendemos”.

que abraçaram a tarefa de os representar nas Instituições. Quando uma Casa Espírita deixa acumular os jornais que são

veículo da mensagem libertadora, mostram que seus integrantes não estão amadurecidos para representar a causa que dizem professar. Negligenciar com a mensagem Espírita é desconhecer o próprio Espiritismo, afinal, essa é uma tarefa que acompanha seu surgimento vindo até os dias atuais, como ainda lemos na Revista Espírita, ANO DÉCIMO SEGUNDO – 1869: “Além disso, mostrar aos leitores a providencial atuação de Madame Allan Kardec naqueles tempos difíceis, inclusive na fundação da Sociedade Anônima do Espiritismo que, embora constituída sob bases comerciais, visava tão-somente à divulgação e ao fortalecimento do Espiritismo”. Foi a divulgação de alguém que trouxe o Espiritismo até nós, desta forma, mesmo que seja por reconhecimento e gratidão, divulgar é postura adequada e que marca aos que contribuem para que a luz que está em nossa vida, prossiga a iluminar! r


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XXXV CONRESPI será em Barretos Evento regional acontece de 26 a 28 de fevereiro. Inscrições pelo site http://usebarretos.wixsite.com/conrespi. Informações: usebarretos@lardacrianca.org.br

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Inscreva-se pelo site www.usemarilia.com


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Filhos e drogadição Alguns pais se perguntam: Onde falhamos? Fomos exigentes demais? Ou complacentes? Alessandro Viana de Paula

vianapaula@uol.com.br

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benfeitor Camilo, na obra “Minha Família, o Mundo e Eu” (Editora Fráter - 1ª Edição – capítulo 7 - página 67), psicografado pelo médium José Raul Teixeira, assevera que “é próprio de todo o casal vinculado ao bem e que tem sonho de um mundo melhor, fazer votos para que seus filhos nasçam com saúde física, mas, do mesmo modo, que sejam criaturas voltadas para o bem, para as ações da luz, para Deus, enfim”.

em virtude da lei abençoada da reencarnação, de forma que eles não são um livro em branco quando nascem, pois já possuem algumas páginas preenchidas, mas o livro não está finalizado, cabendo aos pais o compromisso de nortear os filhos para o bem, ajudando-os a preencher algumas das páginas em branco. Essas experiências e aprendizados trazidos do pretérito, de outras vidas, geram as boas e

realidades espirituais advém nem, após a existência terrena, para que níveis evolutivos regressará”. Em minhas viagens divulgando o Espiritismo e no atendimento fraterno da Casa Espírita não são poucas as narrativas doloridas de pais que vivenciam a experiência de ter um filho na droga, normalmente na fase da adolescência ou no início da vida adulta. Muitos desses filhos nasceram em lares ajustados, equilibrados,

Alguns pais se perguntam: Onde falhamos? Fomos exigentes demais? Ou complacentes? Sem dúvida, há casos em que os pais falharam na educação, pois foram excessivamente rígidos, ou omissos, ou não enxergaram os conflitos psicológicos de que seus filhos eram portadores, ou não identificaram os sinais de que algo não estava bem. Há situações que os pais agiram de forma exemplar, mas os filhos

À luz da veneranda Religião Espírita, sabemos que a alma não é criada na concepção ou no nascimento, portanto, os nossos filhos, do ponto de vista espiritual, já possuem experiências acumuladas, algumas boas, outras más,

as más inclinações que os filhos demonstram desde a primeira infância, mas, conforme elucida o benfeitor Camilo na referida obra (página 68), “ninguém pode identificar, de pronto, as bagagens morais de que é portadora (a alma), de que

receberam orientação moral e religiosa, e, às vezes, frequentaram a evangelização infantil e a mocidade da Casa Espírita, e, mesmo tendo contato com as informações do Espiritismo, optam, por várias causas, em fazer uso de droga.

acabaram enveredando para o caminho triste das drogas. Camilo, com sua orientação lógica, nos ensina que esses filhos possuem bagagens morais ainda deficitárias, estão em patamares evolutivos que lhes dificultam


PÁGINA 9 enfrentar os desafios existenciais, particularmente aqueles relacionados à vida juvenil, em clima de equilíbrio, optando, muitas vezes, pela fuga das drogas. Vemos, infelizmente, muitos jovens fazendo uso de bebidas alcoólicas, de tabaco, de maconha, de cocaína etc. E, alguns deles, são portadores do conhecimento espírita, da lei de causa e efeito, da obsessão, mas, por fragilidade moral, insistem nesse caminho espinhoso. Gostaria de pontuar a questão da maconha por conta do alto índice de jovens que a utilizam, a pretexto de que não são tão ofensivas à saúde, de que não são viciados e, quando desejarem, abandonarão o uso. Muitos deles estão num estágio de fascinação, sofrendo, inclusive, influência espiritual perniciosa, de tal sorte que vemos pais que usam desde os diálogos religiosos até os científicos, mas em vão, porque, na atual fase, os filhos não conseguem identificar os prejuízos, físicos e morais, que estão amontoando para si mesmos. Em relação ainda a maconha, na minha área de trabalho, deparo-me com muitos jovens nessa situação, e ao serem indagados se estão usando droga, respondem que não, pois usam apenas maconha. Dessa forma, para muitos jovens, a maconha perdeu o status de droga, sendo utilizada apenas para relaxar, e insistem que não faz qualquer mal para a saúde. Preocupo-me como ficará a juventude, a sociedade e as famílias se a maconha for descriminalizada pelo Supremo Tribunal Federal. Não são poucos os pais, alguns espíritas, se afligindo em seus lares com essa realidade. Que dizem os espíritos superiores acerca dessa situação? Como agir? No livro “ Vereda Familiar” (Editora Fráter - 5ª Edição – capítulo 17 - página 107), de autoria espiritual da benfeitora Thereza de Brito, psicografado por José Raul

Fevereiro de 2017 Teixeira, consta que: “Os filhos que guarda no lar, marcados por desequilíbrios de comportamento, fazendo-se doidivanas, irresponsáveis ou cruéis, são aqueles que necessitam da sua compreensão e assistência”. Assim sendo, os pais necessitam compreender a situação, o que não significa conivência ou passividade, mas, à luz da reencarnação, entender que os filhos, que são usuários de

O fato é que um dia [os filhos] ajustarão suas vidas às diretrizes do Cristo, cabendo aos pais darem a sua contribuição, amando e orientando, sem cessar, jamais desistindo para que a culpa não os aflija no futuro, até porque, antes de renascerem, assumiram esse compromisso. droga, estão demonstrando o nível de evolução em que se encontram, estando momentaneamente enfermos sob a ótica moral, e, às vezes, poderão ser as mesmas almas que desviaram do caminho do bem em outras vidas, e hoje, por misericórdia divina, retornam como filhos a fim de que tenham a oportunidade de apontar novos rumos a eles, agora na direção das virtudes. E necessitam dar-lhes assistência, amando-os sem desanimar, porque nenhum investimento de amor é perdido, ficando registrado na intimidade da alma, e, um dia, pela lei divina do progresso, frutificará. Há diversos profissionais da psicologia e da psiquiatria que podem orientar os pais, qualificando-os para a tarefa em questão, porque, em algumas ocasiões, os pais, por ignorância, podem cometer alguns erros em nome do amor.

Os pais têm que agir como semeadores, tendo fé na vida futura, porque não sabem se os filhos desejarão nesta reencarnação refazerem seus passos. O fato é que um dia ajustarão suas vidas às diretrizes do Cristo, cabendo aos pais darem a sua contribuição, amando e orientando, sem cessar, jamais desistindo para que a culpa não os aflija no futuro, até porque, antes de renascerem, assumiram esse compromisso. O Livro dos Espíritos, na questão 208, menciona que a missão dos pais é de educar os filhos, e que, se falharem nessa tarefa, serão considerados culpados. Dessa forma, devem os pais, em quaisquer situações, insistir na educação moral, para que não se sintam corresponsáveis pela falha dos filhos. É uma benção ter o conhecimento espírita, porque os pais sabem que os esforços renderão resultados, logo mais ou nas vidas porvindouras, e ainda sabem do apoio espiritual que lhes chega diariamente, bem como sabem que a oração será o sustentáculo para os manterem sintonizados com os guias espirituais e para renovar as forças morais para prosseguirem amando os filhos que insistem no uso das drogas. Por fim, trago à baila uma bela lição do espírito Marco Prisco,

através da mediunidade de Divaldo Franco, na obra “Diretrizes para uma Vida Feliz” (Editora LEAL 1ª Edição – capítulo 10 – páginas 43 a 46). “Se você surpreendeu o seu filho, masculino ou feminino, usando qualquer tipo de droga, tenha muito cuidado com a maneira de agir. Passado o choque inicial, procure conversar calmamente, em tom de amizade e carinho, buscando saber as causas que o levaram a essa fuga infeliz. Uma atitude de bondade vale mais do que todos os argumentos produzidos pela cólera ou pela agressividade... Faça-o perceber que você está aberto ao diálogo...Dê-lhe uma assistência de vigilância, sem tornar-se um guarda severo ou algoz...Sempre, que possível, converse sobre temas edificantes, cuidando de não se tornar cansativo em relação ao problema...proponhalhe a ajuda especializada de um psicoterapeuta...Todas as pessoas se equivocam, tendo direito à recuperação...Demonstre que você também tem problemas e busca resolvê-los de maneira saudável. Faça-o perceber que a droga somente leva à destruição... Ame, em qualquer circunstância, o seu filho, masculino ou feminino, demonstrando-lhe que nada no mundo o afastará da sua ternura...Aplique sempre a terapêutica do amor e não tenha pressa. O resultado virá no momento próprio”. r

Serviço contrário à expansão do Espiritismo “(...) quando endeusamos os Espíritos, quando acreditamos que suas palavras são infalíveis e que seus menores desejos temos de satisfazer sem lhes opor a menor resistência. Essa obediência absurda dá lugar à obsessão, isto é, à abdicação de nossa vontade, pois quem assim age não dá nenhum passo sem consultar o Espírito familiar. A

essa dominação absoluta, a esse estado de servidão, segue-se a subjugação, situação muito triste e humilhante para o homem, porque ele se torna, assim, dócil instrumento de Espíritos rebeldes e irados (...)” Amália Domingos Soler, capítulo As flores do Espiritismo, no livro A luz do caminho, edição Leopoldo Machado, 1ª. edição, página 212.


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Fevereiro de 2017

Do médium Fernando de Lacerda Lições são fonte de aprendizado e consolação Isabela Pereira Dias Esperança

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o dia 23 de julho de 1911, desembarca no Brasil, Rio de Janeiro, o grande médium de origem lusitana, Fernando de Lacerda. O médium que com grande coragem, publicou inúmeras mensagens de espíritos diversos enfeixados na série de obras DO PAÍS DA LUZ os quais ocasionaram tanto em Portugal como no Brasil, sentimentos contraditórios, desde perseguições, insultos, troças, motivadas pela intolerância religiosa; como sentimentos outros

isaesperanca@hotmail.com

de alegria, gratidão, esperança e consolação frente à luz que jorravam das páginas psicografadas. Lacerda que chega ao Brasil, exilado de sua terra natal, aos 45 anos, demitido injustamente por motivos políticos, após anos em um cargo de responsabilidade como Chefe de Polícia de Lisboa, “respeitado por seu procedimento reto e firme”, nos dizeres de Hermínio Correa de Miranda (Reformador, jan/1977), o que lhe conferia a autoridade necessária para o trabalho. Já aqui no

Brasil, apesar de ter sido recebido com todo carinho pelos espíritas, pede desculpas pela demora da publicação no prefácio do terceiro volume da série, a qual atribui às imensas dores da provação “Feriume profundamente na alma pela injustiça que, pelo menos nos meus olhos d’agora, representou; e reduziu-me à pobreza, e à necessidade de recomeçar a minha labuta, em época que os anos e os trabalhos passados vão dando razão para ir pensando em um futuro de descanso.” Dores estas, que lhe foram inesperadas; sentia-se preparado para os ataques e críticas referentes ao seu trabalho mediúnico enquanto espírita declarado; não esperava ser injustiçado no seu trabalho relativo a inspetoria de polícia: “Esses desgostos colheramme de surpresa. Podia esperá-los por todos os motivos, menos por aqueles por que os recebi.” O amparo do alto não abandonava o seareiro, exortações vinham dos amigos espirituais, como em mensagem de Alexandre Herculano no mesmo livro: “Cego! Queres, acaso ter a presunção de

compreenderes a razão das coisas que te sucedem? Sabes se elas te vem por bem ou mal? Quem te assevera que as agruras que sofres não são passagens indispensáveis a percorrer, no estádio moral em que te encontras? Conforme a promessa de Cristo, do advento do consolador, temos através do intercâmbio espiritual, os ensinos de todas as coisas, as explicações para os sofrimentos, a consolação que tanto ansiamos por meio dos colaboradores de Jesus que “vem iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos”. Lacerda é confortado pela doutrina espírita, o Consolador prometido, em obras que nas palavras do codificador em O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Levanta o véu propositalmente lançado sobre certos mistérios e vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos que sofrem, ao dar uma justa causa e um objetivo útil a todas as dores.” E assim aconselha Herculano, a confiança aos desígnios divinos, pois nem todos acontecimentos da existência serão compreendidos por nós: “Nada se opera no mundo que não obedeça a um princípio sábio e justo. Se ele não aparece sempre à nossa vista, não devemos concluir pela sua não existência, mas porque o não sabemos achar.” r

Pensando nos espíritos Transcrição parcial da Revista Espírita, outubro de 1858. Os Espíritos não são iguais nem em poder, nem em conhecimento, nem em sabedoria. Nada mais sendo que as almas dos homens, desembaraçadas de seu invólucro corporal, apresentam variedade ainda maior do que as encontradas entre os homens na Terra, visto procederem de todos os mundos e porque entre os mundos o nosso planeta não é o mais atrasado, nem o mais avançado.

Há, pois, Espíritos muito superiores, e outros bastante inferiores; muito bons e muito maus, muito sábios e muito ignorantes; há os levianos, malévolos, mentirosos, astuciosos, hipócritas, engraçados, espirituosos, zombeteiros, etc. (...) Pela inferioridade física e moral de nosso globo na hierarquia dos mundos, os Espíritos inferiores são aqui mais numerosos que os superiores.


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Luzes em Paris Novo livro aprofunda pesquisas sobre Kardec. Orson Peter Carrara

orsonpeter92@gmail.com

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ntrevistamos Sidney Fernandes, após o lançamento de seu novo livro. Selecionamos alguns tópicos da vida e personalidade do Codificador. O livro vem acompanhado de um DVD com cenas francesas, depoimentos, entrevistas e muitas informações sobre Kardec no tempos da Codificação Espírita.

1 – É verdade que teve dois irmãos? O movimento espírita não registra esse fato. É verdade. Em meu livro Luzes em Paris eu detalho esse assunto. Auguste-Claude, irmão mais velho, nasceu em 27 de outubro de 1796. Em 1799 nasceu Marie-Françoise. Ambos faleceram em 1802 e 1801, respectivamente, antes, portanto,

do nascimento de Hippollyte-Léon, o nosso Allan Kardec, que ocorreria somente em 1804. 2 – Por que Rivail teve que estudar em outro país? Exatamente no ano do seu nascimento, 1804, Napoleão Bonaparte autoproclamava-se imperador da França. O império havia proibido todos os ensinamentos que pudessem contribuir para despertar e desenvolver o espírito crítico e a filosofia, culminando com os autos de fé em praças públicas das obras de Rousseau e Voltaire. As famílias mais abastadas enviavam seus filhos para estudar fora da França. O sonho dos pais era matricular seus filhos no Instituto Yverdon, de Pestalozzi, até hoje um dos pedagogos mais influentes do mundo. 3 – Quem pagou seus estudos? Denizard não tinha avós paternos. Seu pai, Jean-Baptiste, que exercia funções militares, em 1807, quando Denizard tinha entre dois e três anos, foi considerado desaparecido e presumidamente morto na Espanha. Seu avô materno, Benoît-Marie Duhamel, morrera guilhotinado em Lyon como contrarrevolucionário, em 16 de março de 1794. O menino Rivail passou a ser cuidado por sua mãe, Jeanne-Louise, que morava em Bourg-en-Bresse, e por sua avó materna, Charlotte Bochard, e seu tio, François Duhamel, que residiam em SaintDenis-lès-Bourg, distante pouco menos de cinco quilômetros. Tudo leva a crer que os recursos hauridos por sua avó Charlotte custearam os estudos de Denizard-Hippolyte. 4 – Fale-nos a respeito de uma doação que permitiu o surgimento da sede da Revista Espírita e da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, no centro de Paris. A mudança do Palais Royal, aquele famoso e elegante centro da sociedade parisiense, onde a Sociedade funcionara até o dia 1º de abril daquele ano de 1860, para Sainte-Anne, fora possível graças à doação de uma senhora assinante da Revue,

da província, que havia recebido uma herança com a qual não contava. Ela havia enviado a Allan Kardec a soma de dez mil francos, para ser usada em favor do Espiritismo. — Vós me fizestes —disse ela em carta —compreender o Espiritismo, mostrando-me o seu verdadeiro objetivo; somente ele pôde vencer as dúvidas e incertezas que, para mim, eram fonte de inexprimíveis ansiedades. — Desejo que este singelo óbolo vos ajude a espalhar sobre os outros a luz benfazeja que me tornou tão feliz. Empregai-o como entenderdes: não quero recibo, nem controle. A única coisa que faço questão é do mais estrito incógnito.

5 – É verdade que Allan Kardec não era o homem frio, austero, circunspecto e severo que os espíritas geralmente idealizam? Segundo Anna Blackwell, inglesa, amiga pessoal do casal Rivail, que foi a primeira a traduzir as obras da codificação para o inglês, Kardec não era uma personagem grave e austera, mas sim um sorridente senhor, de estatura média — aproximadamente 1,65 m. de altura — compleição forte, com uma cabeça grande, redonda, maciça, feições bem marcadas, olhos pardos, claros, mais se assemelhando a um alemão do que a um francês. Recebia com extrema afabilidade seus visitantes, sempre de rosto iluminado por um sorriso agradável. Nunca dele se ouvira, descreve Blackwell, uma gargalhada, embora mantivesse sempre a simpatia no trato, com personalidade sólida e cativante. r


REMETENTE:

PÁGINA 12

Instituto Cairbar Schutel. Fevereiro de 2017

Caixa postal 2013

15997-970 - Matão-SP

Os três crivos Conhecido texto é muito atual. Vladimir Polízio polizio@terra.com.br

C

onhecemos a vida muito bem, no que diz respeito à preocupação em relação ao nosso próximo. Muito dificilmente, no transcorrer de uma conversa coloquial, não se fale de alguém. Os hábitos normais, com raízes profundas na maioria das sociedades humanas, traz um vício pernicioso com a roupagem per versa da maledicência. Sabemos também da importância e do poder da palavra, quando bem dirigida, que é capaz de estabelecer a harmonização de um ambiente em desequilíbrio, espargindo fluidos e fortalecendo os sentimentos.

Da mesma forma, quando a intenção é promover a desordem psíquica, a palavra também estará presente, cumprindo o seu papel de desestabilizar o campo de ação de modo a perturbar todos os que ali se encontram, sentindo no ar algo pesado a suportar. É assim mesmo que nos sentimos quando entramos em certos estabelecimentos, que por si só, não deveriam estar em desarmonia, mas que, devido aos assuntos negativos que são dados a conhecer para o grupo que ali se ache, o ambiente não fica em franca harmonia, o que contribui para algum mal-estar

e ligeiras indisposições. Isso é sinal de intranquilidade fluídica, a qual não vemos mas captamos, e muito mais ainda, percebem aqueles cuja sensibilidade é maior; são os chamados sensitivos. Na instrutiva mensagem “Os três crivos” 1, são estabelecidos os requisitos essenciais para que uma conversação seja desenvolvida com produtividade ou que se faça o conveniente silêncio, a fim de que não se aumente o compromisso com a Grande Lei de causa e efeito. “Certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos: – Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular... – Espera!... – ajuntou o sábio prudente – Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos? – Três crivos?! – perguntou o visitante, espantado. – Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro, é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto àquilo que pretendes comunicar?

– Bem – ponderou o interlocutor – assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e... então... – Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julgas saber, será pelo menos bom o que me queres contar? Hesitando, o homem replicou: – Isso não!... Muito pelo contrário... – Ah! – tornou o sábio – então recorramos ao terceiro crivo: o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige. –Útil?!... – aduziu o visitante ainda agitado. – Útil não é... – Bem – rematou o filósofo num sorriso – se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificações para nós... Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência...” Observado está que, calar-se, em alguns casos, vale ouro. r 1. Do livro Aulas da vida, de Irmão X, por Chico Xavier - Ed. IDEAL.

Tribuna do Espiritismo - fevereiro de 2017  
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