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Insetos de guerra

A saga dos insetos

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Este é um menãt... Personagem o qual será narrado essa prévia.


Diego Borella



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O apocalipse invertebrado

1ª Edição


Direção de Projetos: Diego Borella Diagramação: Nunes de Freitas 1ªRevisão: Mirian Carvalho 2ª Revisão: Lucinara Pereira Designer Técnico: Fill Chapelletartes Apoio de capa: Amauri Pinto

Todos os direitos reservados ao autor. Nem uma parte desta obra pode ser reproduzida, distribuída, copiada ou arquivada por quaisquer meios sem o consentimento prévio do autor. Para mais informações acesse:

www.insetosdeguerra.com.br

Borella, Diego - 1985 Insetos de Guerra: o apocalipse invertebrado/ 1ª ed. Alvorada, RS: 100 editora, 2013 16 X 23 cm 392 - páginas

1. Insetos – Adulto-Juvenil/ 2. Ficção Brasileira.


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CAPÍTULO xiiI  Uma carona rápida

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DIA AMANHECEU COM O SOL PROJETANDO SUA LUZ dentro da pegada de vaca, acordando o jovem menãt que se espreguiçou depois de um sono profundo entre pesadelos de meia realidade. Um relâmpago de pensamento percorreu sua mente, e ele se lembrou de tudo que ocorrera na noite anterior, lamentando-se por ter deixado seu pai nas mãos dos gafanhorcs. Mas enfim ele estava pela primeira vez em sua vida fora das fronteiras da floresta Dormesol, onde fora criado e apesar de ser tentado a voltar pra casa e ver o que havia acontecido ao seu pai, sua curiosidade foi maior, e assim ele saltou pra fora do fosso cautelosamente, atravessou o brejo em pulos milimétricos, e entrou na floresta de grama que inundava boa parte daquela região à frente. Ele puxou o mapa de dentro de sua capanga, com intuito de se localizar, mas não soube se orientar direito pois, não sabia ao certo onde estava. Quando prestou mais atenção aos detalhes no mapa, deduziu mais ou menos onde ele se encontrava pela figura de uma cuia de chimarrão que estava desenhada ali e dessa forma rumou para o sul, querendo descobrir o que encontraria no ponto onde havia a figura de um menãt fazendo a colheita, mas que ele não sabia tratava-se de uma plantação.


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A partir daqui nós vamos avançar o tempo em um dia, pois os acontecimentos que se deram serão narrados mais adiante. O que se pode dizer desses acontecimentos é que quando o jovem formiga chegou bem no ponto onde há uma bifurcação de trilho de trem (sem ele saber que se tratava de um trilho de trem, nem mesmo sabendo o que era um trem), ele de cara teve sua primeira batalha em meio ao chão de grama, onde conheceu e foi em socorro de três figuras que posteriormente se tornariam muito seus amigos. Um deles era Derico, o dwarfâninha maquinista, e os outros dois eram dois bixolitos que trabalhavam em auxílio de Derico na condução e abastecimento do trem. Por hora, o que se deve saber é que em recompensa por salvar o trem do assalto que estava sofrendo, o pequeno menãt ganhou alguns pilas e um par de luvas-de-leda, que mais tarde descobriria lhe seriam de indispensável ajuda. E após ele afugentar os insetos assaltantes, ele pegou uma carona até um ponto do mapa onde se lia: “Entrefolhas”. Dali o maquinista seguiria viagem até Bozzay onde descarregaria e carregaria mercadorias. Orientado por Derico a não andar em plena grama, pois seria demasiadamente perigoso, a formiga chegou andando por um caminho mais seguro até um ponto do mapa onde se lia: “Carvalho”. Ali ele encontraria um lugar repleto de desafios e quebracabeças em que sua coragem e força de vontade seriam seus aliados indispensáveis para poder avançar em sua jornada rumo a se tornar um verdadeiro elocheim.


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Aqui haverão alguns desenhos para emular as situaçþes ocorridas... Mas logo depois os textos continuam repletos de aventuras!


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Depois de enfrentar os bizorrorcs e salvar o trem do assalto, o jovem formiga se dirigiu ao pÊ de carvalho, onde encontrou um lugar cheio de quebra cabeças e inimigos muito maiores que ele.

1 bizorrorc


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Confira agora a aventura que esse jovem formiga enfrentarรก.


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CAPÍTULO XIV  Carvalho de ossos

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O ADENTRAR NO GRANDE CARVALHO, A FORmiga se deparou com uma escuridão subjugada apenas pela tênue claridade que dificultosamente penetrava pela boca gradeada daquela árvore. Demorou algum tempo para que seus olhos se adaptassem à abstinência de luz. À sua esquerda enraizavam-se dois dentes-de-leão. Um aflorava numa flor amarela, que deixou o pequeno perplexo, em como uma planta tão terna e bela poderia nascer num ambiente tão lúgubre como aquele. Ao lado havia um talo maduro, no qual se podia perceber umas poucas sementes. Analisando a situação, o menãt puxou de sua espagulha decepando o talo que caiu de um baque no chão. Com a queda, as sementes, que mais parecem paraquedas, se desprenderam flutuando ao solo. O inseto embainhou sua espagulha, e, apanhando-as, formou um feixe como de palha. Puxou de sua capanga suas duas pederneiras-d’água e, ferindo uma na outra: trac! trac! – faiscou sobre as sementes que de imediato se inflamaram numa lavareda de estalos. O menãt sabia que a chama daquele feixe não duraria por muito tempo, por isso tratou de localizar algo que pudesse alimentá-lo. Caminhando um pouco à frente, tomou um enorme susto quando se deparou com um pé de ossos, provavelmente de uma ave, a qual não saberia identificar qual. Percebera que se tratava de um tocheiro, onde abria-se, fixo sobre a ponta do osso da canela, um bico como de um filhote esperando a comida dos pais, que provavelmente seria do próprio dono do pé. Correu até ele, e, lançando o fogo dentro do bico, surpreendeu-se por não acender, pois não havia nem um material que pudesse gerar


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combustão. Decepcionado, o menãt baixou o feixe que já se queimava pela metade, quando pôde perceber algo grafado no osso da canela. O menãt não teve nem uma dificuldade de identificar o que estava escrito ali, pois eram palavras em insetöguês, que traduzindo para nosso idioma, seria: ”Das entranhas escorre o que lhe iluminará“. O inseto colocou seu pensamento a todo vapor, lutando contra o tempo que consumia o feixe em chamas a cada segundo. Correu suas antenas na penumbra até onde seus olhos pudessem alcançar, caminhava procurando encontrar algo que fosse combustível. Quando passou a chama ao rumo das paredes, algo reluziu disforme. Correu até lá descobrindo uma espécie de seiva que escorria em meio as ranhuras que compunham as paredes do carvalho. Sem perder tempo, apanhou um punhado da seiva e, correndo até o tocheiro de ossos acendeu-o, bem no instante em que o fogo se extinguia. Seu abdômen se contraiu num suspiro aliviado. Após acender o tocheiro, a luminosidade do lugar aumentou consideravelmente, mas nem tanto a ponto de clarear totalmente o local. O menãt aprofundou-se na escuridão antenado a qualquer movimento que pudesse ameaçar-lhe. A curiosidade dançava com o medo dentro de sua mente, difundindo-lhe uma sensação totalmente nova. – Quiiiiiiiigg! – sibilou algo próximo em suas costas, chamando a atenção de suas antenas. Sacou de sua espagulha lançando um olhar de soslaio. Teve a impressão de já ter ouvido aquele chiado, nisso temeu dar novamente de cara com uma aranha gigante como aquela a beira de Oyàng. Mas ao invés disso, o que avistou fora um pequeno aracnídeo que se dependurava ao fio de uma teia que se perdia na escuridão do teto lá em cima. O inseto se virou já desferindo um golpe: – Àyp! – bradou ele em uníssono com o ataque –, com o intuito de atorar o bicho ao meio, mas a peste fora mais rápido que o jovem pôde imaginar: subiu em sua teia se abrigando sob a proteção do escuro, no que o menãt não consegui mais que golpear o vazio. Sucedeu a isso que outros incontáveis chiados semelhantes àquele fizeram-se ecoar ameaçadores por todo o lugar. Isso levou o menãt a deduzir que o local estava infestado


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daqueles seres asquerosos, e que isso lhe causaria problemas e, ainda mais: Quais seres desconhecidos poderiam viver dentro daquela colossal árvore? – Pensou consigo. Logo após, o menãt, que já avançava consideravelmente longe do brilho das chamas, avistou outro tocheiro idêntico àquele. Dirigiu-se até a parede apanhando um bocado da seiva levando-a lá. Trac! Trac! – bateu o menãt com suas pederneiras d’água, mas a substância viscosa parecia não se inflamar apenas com as faíscas. Agora ele tinha de descobrir como trazer o fogo até ali, visto que, já havia usado todas as sementes de dente-de-leão. Ponderando sobre o cenário o qual estava presente, chegou à conclusão que tudo não passava de um quebra cabeças, e que se descobrisse como encaixar as peças em seus devidos lugares, conseguiria sair daquele lugar e chegar a Valcabas. Pensou em pegar a seiva com as mãos, e levá-la acesa até o tocheiro apagado, mas desconsiderou, pois provavelmente queimaria suas luvas-de-leda. Pense, pense, como... – martelou o inseto em sua mente – Ah! já sei! – concluiu. Com o talo do dente-de-leão em mãos, o menãt conseguiu recolher um punhado da seiva viscosa e acendê-la, levando a chama que pingava pelo chão como piche quente até o segundo tocheiro. Nisso percebera que fora uma ótima ideia não ter tentado transportar a seiva com as mãos, pois ela era tão inflamável que queimava até mesmo o talo verde da pequena planta. Ao acender, uma luminosidade derramou-se sobre o chão revelando uma espécie de alçapão, uma tampa redonda que se abria ao meio como uma boca. O menãt pôs a se perguntar o por que daquele alçapão estar ali no centro do salãozinho, visto que, ele deveria subir, não descer. Procurou uma maneira de abrí-lo, mas não obteve resultados, pois não havia nada a que ele pudesse puxar, e até mesmo aquelas tampas eram demasiadamente pesadas para que ele conseguisse movêlas. Olhando na penumbra á frente, constatou haver outro tocheiro de ossos, mas esse parecia ser de pé contrário aos outros dois. Não perdeu tempo, acendeu-o de maneira que a luminosidade conjunta dos três tocheiros expulsou praticamente todas as trevas do lugar. Com isso, o


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inseto se deu por conta que já havia atravessado para o outro extremo do salãozinho, e que boa parte da parede daquele lado não possuía ranhuras nem flexuosidades como o lado oposto, era apenas uma faixa lisa que subia na transversal até alcançar o teto invisível lá em cima. Considerou em retirar suas luvas-de-leda para poder subir utilizandose da aderência de seus membros, mas lembrou-se das palavras de Derico, e decidiu não arriscar. Um brilho débil de metal refletindo pouca luz chamou a atenção de suas antenas. Ao averiguar o que era, o pequeno descobriu um orifício ao pé da parede, cujo interior parecia estar revestido com uma chapa de metal contendo uma mola dentro. Ao lado recostava-se um prego fino, pouco maior que ele mesmo. Pegou-o introduzindo-o no orifício: nhiiinnnq! Sentiu a pressão da mola juntamente com uma estrondosa sequência de ruídos semelhantes a batidas de machado em madeira: táf! táf! táf... Quando olhou para cima, o inseto surpreendeu-se com uma fileira de pregos que despontavam da parede acompanhando-a numa sequência que ascendia como uma escada até o teto. O menãt se entusiasmou. Soltou o prego fino com o intuito de chegar ao segundo andar, mas nesse mesmo instante a pressão da mola cuspiu o metal fazendo com que todos os outros cravos na parede fossem recolhidos para dentro dos furos novamente. Depois de inúmeras tentativas frustradas de manter o prego dentro do orifício, o menãt se recostou para descansar um pouco. Com a barriga arfando, descobriu mais ao fundo, escondido sob a escuridão inalcançada pela luz das chamas, mais um tocheiro. Não viu a necessidade de acendê-lo, visto já haver luz suficiente; mas como que por um impulso, decidiu fazê-lo. Quando meteu fogo na seiva dentro do bico, um ranger de porta se abrindo ecoou por todo o salãozinho. Subsequentemente um estalar como de um elevador subindo fez um objeto emergir pelo alçapão ao centro. O objeto era escoltado por dois palitos de fósforo que se fixavam inexplicavelmente em pé sobre o pequeno tablado. O menãt não saberia explicar do que se tratava aquilo, pois jamais havia visto nada igual. Um bloco cúbico cuja cor branca era chuviscada por pontinhos côncavos e pretos. Ao se aproximar, o inseto percebeu que os pontinhos variavam de quantidade em cada um dos lados do bloco – em um lado haviam três pontos, em oposto a esse haviam cinco pontos, do outro lado haviam dois, no que em oposto àquele haviam quatro, e que sobre o bloco havia um só.


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Ao observá-lo, o pequeno teve uma ideia. O bloco não era tão pequeno ao ponto de poder ser carregado nos braços pelo invertebrado, mas nem tão grande de não poder ser empurrado. Forçando com o ombro, o menãt conseguiu arrastá-lo até o orifício na parede. Com isso, encaixou o prego de maneira que o grande bloco não o deixasse escapulir. Agora era só subir. Lançou um olhar ao alto, e percebera não haver nem uma luminosidade a qual pudesse avistar o teto lá em cima. Como já havia ponderado, seria demasiado arriscado subir às escuras. Olhou para os dois palitos de fósforo sobre o tablado ao centro do salão, percebendo que suas cabeças não eram vermelhas como os palitos comuns, mas ao invés disso, encabeçavam-se dum verde-oliva tão forte que chegava a doer as vistas. Desconfiado, o menãt acendeu o palito num tocheiro, sucedendo algo jamais visto ou nem mesmo imaginado pelo pequeno. O fósforo se incendiou, mas as chamas não consumiam a madeira: flamejando incansavelmente no mesmo lugar. Ademais, a luminescência verde expelida pela chama era maior que a do fogo comum. O menãt encaixou o palito na cinta que segurava a espagulha em suas costas, dessa maneira poderia saltar com mais liberdade. Ele então pulou sobre o bloco no intuito agarrar-se no primeiro prego à parede – fez isso com extrema cautela, pois temia tostar as antenas. À medida que subia, surgiam, estendidas na superfície da parede, incontáveis teias de aranhas do tamanho de uma unha de homem, com suas imóveis donas prontas a dar o bote ao mínimo contato. Ao contemplá-las, o pequeno agradeceu ao seu deus por não ter subido pela parede usando de sua aderência, pois certamente, em meio àquela escuridão teria um fim trágico e fatal. Quando alcançou o último prego, descobriu uma cúpula cujo centro possuía um grande orifício que dava passagem para o próximo andar. Mas parecia haver algo que tapava a passagem; uma teia de aranha constatou o menãt, ao esticar a chama verde àquele rumo. Além da teia, havia nascida do próprio carvalho, uma forquilha que despontava seu cabo para baixo, de maneira que o um inseto que quisesse passar para cima pulava dali do prego e, agarrando-se no cabo da forquilha, subia, passando pelo grande orifício. O menãt se dirigiu até a ponta do prego, sendo que nesse instante algo avocou os apêndices de sua cabeça. Era uma das aranhas da


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parede, que decidira não esperar sua refeição, saindo à caça. Naquela posição seria praticamente impossível um embate, pois levaria o inseto a um fim desastroso no chão lá embaixo. Acuado, caminhou apresado o quanto pôde sobre o prego, bambeando o equilíbrio até o ponto agudo, no que nesse momento o aracnídeo atacou de presas em riste sobre ele, ao passo que ele, pulou, deixando apenas o vazio do espaço que abocanhou a aranha numa queda que provavelmente não a deixou com vida. Ali ele sentiu pela primeira vez a desvantagem das luvas-deleda, pois suas mãos não aderiram à madeira da forquilha, dando-se ao caso de quase o menãt desabar à baixo também. Isso só não aconteceu por que o pequenino firmou seus pés que aderiram, dando-lhe equilíbrio e estabilidade. Um suspiro de alívio fluiu dos respiráculos em seu abdômen. Agora era só o menãt meter fogo na teia e passar para o segundo nível do pé de carvalho. De sua mente fluíam pensamentos os quais eram em parte receio, em parte adrenalina, pois já imaginava que tipos de desafios e inimigos o esperavam lá em cima. Quando meteu fogo na teia de aranha logo acima de sua cabeça, esperou acontecer o óbvio, mas ao invés disto, nada acontecera. O inseto pensava estar não enxergando direito, golpeou novamente a teia com a chama verde, porém, nada novamente, apenas um leve balançar da rede aracnídea. Ali estava algo que realmente nunca havia passado pela cabeça daquele menãt, um fogo que além de verde, não queimava! Após inúmeras tentativas, o inseto então resolveu rasgar aquela teia à moda ferro, sacou de sua espagulha já desferindo um golpe que abriu um pequeno talho insuficiente para o invertebrado passar. Foram necessárias várias golpeadas para poder romper com um buraco que desse maneira à passagem. Subiu pela forquilha.

Com a espagulha cruzada às costas, e o palito flamejando em mãos, o menãt contemplou uma escuridão que lhe deu a impressão de que se não houvesse a chama para atenuá-la, tragaria-lhe para sempre. Caminhava minucioso, percebendo que enquanto avançava, minúsculos aracnídeos se afastavam com medo do fogo. Após uns tantos passos, se deparou com a parede ao seu lado direito a qual era minada de espinheiros-leitosos. Esse parasita vegetal se dá numa


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trepadeira que finca seus espinhos na madeira das árvores, sugando-lhe a seiva. O perigo deles não está nos espinhos em si, mas sim no visgo que eles expelem, o qual é mais corrosivo que a soda cáustica. Como o pai daquele menãt tinha comentando sobre aquele tipo de planta, o menãt, discernindo se tratar de uma delas, evitou-os rumando para o lado oposto. À sua esquerda, o cenário foi totalmente diferente. Viu uma escada de dominós que subia acompanhando o contorno da parede, escondendo-se das vistas sob o escuro lá em cima. Cautelosamente, o inseto pôs-se a subir. Enquanto subia, sentia a sensação de que algo o estava a observar, não fazendo ideia de onde vinha o olhar que o fitava. De repente, um silêncio tumular tomou conta de tudo; sentia seus batimentos cardíacos aumentarem em seu abdômen. Já havia avançado tanto quando pôde achar que já estava perto do topo, mas parecia que as escadas nunca terminavam. – Xiiiinnnqui! Hec! – chiou algo. Fora tão asqueroso e ao mesmo tempo assustador que fez as antenas do inseto gelarem de susto. Não parecia ser de uma aranha, nem tão pouco saberia dizer o que era. Sacando de sua espagulha, o pequeno pôs-se em posição de contra-ataque. Esperou antenado. Foi quando de repente, um percevejo verde e fedido como lixo escancarou-se como um pesadelo à sua frente. Tinha de tamanho para o menãt como um leão para um homem. Sem rodeios, o alado avançou, parecendo não possuir nem um pingo de temor. Com sua tromba sugadora de sangue afiada como uma agulha, mirou impiedosamente o tórax do pequeno, e só não o atravessou ao meio, pois a formiga teve o reflexo de varrer com sua espagulha o membro hematófago, que tilintou inexplicavelmente num contrachoque que produziu faíscas resplandecentes por todos os lados. Ali o menãt pôde sentir a vantagem de suas luvas-de-leda, que deram-lhe agilidade acima do normal ao manejar a espagulha. Mas o percevejo não pareceu se abalar, avançou novamente com a tática, sendo rechaçado da mesma maneira. Isso se repetiu inúmeras vezes, pois apesar de grande e forte, o inseto voador parecia não possuir inteligência. E nesse prélio, o menãt acertara vários golpes por todo o corpo daquele percevejo, tentando achar uma explicação do por que ele não ser afetado.


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Inesperado, o percevejo alçou voo, deixando apenas o rastro do bater de suas asas, que diminuía escuridão à dentro. O menãt atentou por uns instantes para ver se o inseto alado não retomava ao ataque... Nada. O jovem continuou subindo até que ufa! Finalmente alcançou o fim das escadas lá em cima. Davam numa plataforma que nada mais era que o fundo de uma garrafa de vidro firmada com seu bico enterrado ao chão. O menãt abrigou sua espagulha às costas inspecionando cada canto o qual as chamas verdes davam-lhe maneira de ver. Descobriu uma porta feita a partir de um bloco de pedra pouco maior que um polegar, o qual se encravava na parede do carvalho dando a imaginar que se abria correndo para cima. Ao lado dela havia um mecanismo metálico que o menãt não tinha a mínima ideia de como funcionava: um miolo contendo um orifício em forma de fresta que parecia ser móvel em seu contorno arredondado. Ao lado desse mecanismo, havia um palito de picolé colado à parede onde se lia palavras em insetöguês, que traduzindo para o nosso idioma, seria: ”Do outro lado o inimigo lhe abrirá”. Ao ler, o menãt suscitou um pensamento em o que aquilo queria dizer. Olhou prá cima, deparando-se com uma carretilha presa a uma vareta que descia desde o invisível do teto até alcançar o nível de suas antenas. Nela se encaixava uma linha de costura branca, que descia formando um varal cuja outra extremidade se perdia no invisível da escuridão do lado oposto a que o pequeno se encontrava. Um minúsculo metal de formato como uma ferradura, tendo as extremidades na cor vermelha, agarrava-se pênsil àquele lado do varal. O menãt se aproximou curioso para observá-lo, quando chegou perto: trinc! Uma força como que magnética o atraiu para junto do metal, grudando ele às suas costas. Não houve tempo para pensamentos, o inseto desceu ao som do trabalho da carretilha, acometendo naquilo que deduziu ser a parede do lado oposto a que ele estava a um segundo atrás. Agradeceu ao seu deus por ainda possuir o palito de fósforo em mãos. Encontrava-se agora sobre uma plataforma a qual ele não sabia, mas se tratava de um livro de capa dura cuja lombada era encravada à pele da parede. Tinha de se livrar daquele metal que pesava-lhe sobre as costas, mas a força magnética não deixava que ele se afastasse. Lutou até perceber que era pela espagulha que o metal era atraído. Sacou-a com muita dificuldade, conseguindo então livrar-se do fardo.


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Uma entrada se apresentava na parede como uma boca de caverna que esconde o desconhecido atrás de si. Não achando alternativa para sair dali, resolveu transpassá-la, mas no momento em que iria adentrar: tranc! – uma porta idêntica a do outro lado desceu inesperadamente bloqueando a passagem. O jovem pestanejou surpreso. Sentiu atrás de si o adejar de asas. Era o percevejo, que lhe ameaçava novamente com sua tromba perfuradora. Girando sua espagulha em punho, pôs-se em posição de combate. Quando o percevejo desenfreou ao ataque, recebeu um golpe diagonal que o lançou norteado sobre a plataforma. Nesse momento o menãt pensou em pular sobre ele com outro golpe, só que o bichinho saltou em pé num agito célere de asas, alçando um voo agressivo em direção à sua presa. A espagulha entrechocou-se com a trompa num estrondo descomunal, desencadeando uma disputa de forças a qual as asas do alado davam-lhe vantagem sobre o menãt. Impelido até o limite da borda do livro, o jovem inseto se vira a ponto ser lançado escuridão a baixo. Mas graças as suas luvas-de-leda, ele pôde contornar a situação: girou a lâmina num movimento conífero de 360º graus, desvencilhando-se do seu agressor, e com um movimento preciso, acertou o flanco esquerdo do enorme alado que cambaleou como bêbado no ar. Mas mesmo num voo desnorteado, o inseto avançou, acometendo num encontrão que fez a espagulha no pequeno saltar de sua mão. Nesse instante o percevejo recompôs seu voo, despencando como um míssil ao encontro do menãt. Sem alternativa, só lhe restou defender-se com o palito. Deu uma entocada e: tiszz! – repercutiu, como que algo derretendo. O percevejo rolou desfigurado pela plataforma, parando próximo ao metal magnético. Fora imediatamente atraído por ele, ficando inexplicavelmente preso pelas costas. Sem perder tempo, o menãt, recuperando sua arma, correu até lá, fincando-lhe a espagulha nas costas: prác! – ecoou um estalo como de bombinha – sequenciando a morte do invertebrado alado. Após isso, a porta tornou a abrir-se misteriosamente, deixando o menãt fascinado e ao mesmo tempo intrigado.

Quando transpassou a entrada ali, uma sala não maior que dois palmos quadrados o recepcionou. As paredes pareciam transpirar,


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exalando um cheiro nauseabundo que invadia os sensores olfativos das antenas do menãt, fazendo-o sentir um certo mal-estar. Quando avançou um pouco, a porta de pedra desabou em suas costas, deixando-o preso lá dentro apenas com a luminescência das chamas verdes que insistiam em queimar sem danificar a madeira do palito. Era uma luminosidade suficiente para o inseto ter uma visão considerável de toda a sala. Com isso, percebera que ao centro dela havia um alçapão idêntico ao do primeiro andar. Já imaginou que deveria executar alguma tarefa para poder abrí-lo. Descobriu ao lado da porta, soldadas a uma chapinha fixa na parede, duas agulhas justapostas paralelas uma da outra. Parecia se tratar de uma tranca ou algo parecido. Procurou algo com que pudesse abrí-la, correu os olhos por toda a parte, até que encontrou uma teia de aranha tecida na lateral esquerda da parede. Estirada sobre ela havia uma minúscula fiadeira de oito olhos, imóvel, mas visivelmente viva. O menãt se aproximou cautelosamente, percebendo que havia algo redondo preso à teia, o qual não parecia se tratar de uma vítima ou algo parecido. Curioso, o inseto avançou ainda mais de espagulha em punho, e inesperadamente, o aracnídeo saltou sobre ele tão rápido quanto um piscar de olhos. Deu ao jovem apenas o reflexo de esgueirar-se desajeitado, quase desabando no chão. A caçadeira era rápida de mais, e dum salto se virou e acometeu novamente sobre o menãt, obrigando-o a golpear com o palito devido ao lado em que ela atacou. Esquivando-se a cada nova investida, o inseto aproveitou-se de um vacilo do aracnídeo e enterrou a espagulha até o talo no cefalotórax do animal predador. O bicho recolheu as pernas e deu seu ultimo suspiro, deixando a sala ainda mais fedorenta com a secreção que lhe escorria do corpo. Agora o menãt podia matar sua curiosidade... Foi até a teia, constatando que o objeto que ali se prendia tratava-se de um enorme botão de camisa, que o fez pensar em que fazer com ele. Tentou encaixar o botão nas duas hastezinhas, mas os orifícios eram incompatíveis com a disposição das agulhas. Com isso procurou outra maneira de utilizar-se do botão, se é que ele possuía utilidade. Sondou todas as paredes em derredor, descobrindo outras quatro agulhas justapostas justamente como a disposição dos orifícios no botão. O menãt encaixou os quatro orifícios ali, constatando que era girável como um volante; quando executou o movimento: trid-taf! – um som como de uma enorme tampa caindo ressoou ao fundo da sala, parecendo ao


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menãt haver se apresentado uma luminescência adiante, aonde antes parecia ser parede. No mesmo instante ressoou um sibilar maligno, que fez o invertebrado imaginar se não se depararia com uma cobra. Alguns instantes se passaram até que...

Para continuar lendo, adquira o volume integral no site: www.insetosdeguerra.com.br.

INSETOS DE GUERRA -prévia 2013  

Essa prévia não é a mesma de 2012, são capítulos mas avançados e com muito mais ação!

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