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Entrevista publicada na revista virtual MusicRadar em Abril de 2010 . tradução:Stella

O baterista Taylor Hawkins do Foo Fighters está muito animado sobre o segundo álbum "Red Light Fever" que ele fez com sua banda paralela Taylor Hawkins And The Coattail Riders; no baixo Chris Chaney e na guitarra está Gannin Arnold. "É definitivamente neste CD onde encontramos o nosso som", diz ele.

“Com o nosso primeiro disco [2006 Taylor Hawkins And The Coattail Riders], eu acho que poderíamos chamá-lo de um projeto 'conhecendo a nós mesmos'. Sem mencionar que desta vez, as músicas são mais fortes, nós fomos mais rigorosos como uma banda, e hey, eu tive alguns hóspedes muito especiais ajudando.” Ele não está brincando. Estão participando do novo disco dois dos maiores heróis de Hawkins: Brian May e Roger Taylor do Queen, juntamente com um novo amigo, o ex-guitarrista do The CarsElliot Easton. Ah, e é lógico Dave Grohl, que percorre todo o álbum, para a certeza de qualidade. Gravado em 2009, no estúdio 606 do Foo Fighters, “Red Light Fever” (com lançamento previsto para 20 de Abril) é um CD prazeroso de se ouvir. Desde a pesada homenagem ao Queen com Way Down até a balada Hell To Pay, é uma dúzia de canções que homenageiam a música, e Hawkins dedicou-se ao máximo para obter esse resultado. "Para eu fazer qualquer outro tipo de CD me sentiria como estivesse fazendo um trabalho forçado", diz ele. "Esta é a música que eu amo, o pop e rock dos anos 60 e 70. Eu estava no céu, compondo e gravando essas canções, e eu acho que você pode ouvir o quanto me diverti fazendo este álbum." Desde que entrou para o Foo Fighters em 1997, Hawkins estabeleceu-se como uma força a ser reconhecida. Vencedor do prêmio 'Best Rock Drummer' da revista Rhythm em 2005, ele trabalhou com uma variedade de artistas (Slash, Coheed And Cambria, Queen + Paul Rodgers, só para citar alguns). E em 2008, percebeu algo como um sonho a se realizar quando ele contribuiu com vocais para uma canção inacabada de Dennis Wilson chamada Holy Man para o álbum "Pacific Ocean Blue". O falecido baterista do Beach Boys é um dos ídolos de Hawkins, e que ele chama de experiência "assustadora", mas uma oportunidade que não podia deixar passar.


Red Light Fever 1. Not Bad Luck 2. Your Shoes 3. Way Down 4. It's over 5. Hell To Pay. 6. Sunshine 7. Never Enough 8. Hole In My Shoe 9. James Gang 10. Don't Have To Speak 11. I Can See Now 12. I Don't Think I Trust You Anymore

O novo álbum é fantástico. O que é realmente interessante sobre o ele, é que se sente como um grande disco dos anos 70. Bem, você sabe ... essa foi a intenção.[risos] Eu não deveria dizer 'eu sou bom'. Vou deixar que você diga. Mas é apenas a maneira como aconteceu. Sinceramente, fui para o estúdio , para fazer um disco com as canções eu tinha escrito. Eu tinha um estúdio completo, extremamente moderno em minhas mãos. Este CD foi gravado no estúdio do Foo Fighters? Sim, foi inteiramente gravado no estúdio do Foo Fighters, o 606. E eu tive muito tempo livre para fazer este CD. Se medirmos, foi feito em poucos meses com poucas interrupções. Eu apenas deixei rolar. Eu disse em outra entrevista que eu estava fazendo sexo com a minha coleção de discos. Suponho, na sua maior parte, que quem faz um CD isso ocorre de certa forma. E eu não defini como, "Uau, eu quero que soe como um CD do Queen ou um CD do Sweet (banda inglesa dos anos 60) ou o que quer que seja. Eu apenas segui os meus instintos músicais, porque tudo o que eu realmente queria era fazer música que eu gostava. Eu acho que é o que todos gostariam de fazer quando estão fazendo música. E o que eu gosto ... minhas maiores influências ... é esse período de tempo da música: anos 60 e 70 /Trident Studios / David Bowie / Queen / Sweet. Eu coloquei um monte de harmonias vocais e guitarra em um monte de coisas. E eu não fiz nada Pro Tool! Foi gravado em Pro Tools, você sabe, se eu tentasse fazê-lo em uma fita teria um custo enorme no valor de US $ 100.000 cada fita, porque é muito caro e difícil de encontrar nos dias de hoje. Se eu pudesse fazê-lo em fita, eu teria feito, mas nós não utilizaríamos as mesmas coisas que a maioria das pessoas nestes dias usam, como Auto vocals-Tuning. Espere ai! Quer dizer que você realmente canta? Sim, eu canto também. E todo o som da bateria é feita por um baterista. O som não é manipulado ou escalado para colocá-lo perfeitamente no tempo. Veja, eu não acho que podemos conversar. Você é tradicional, eu não acho que falamos a


mesma língua [risos]. Exatamente. O que você está dizendo ... eu acho que é o que faz o CD ter esse ar dos anos 60/70. O som é totalmente humano. Sem falar do fato de que as harmonias e o volume das guitarras e até mesmo as idéias de música são, obviamente, quase como um refrão, seguindo as referências positivas de algumas das bandas que mencionei. Vamos falar sobre você cantar e tocar no disco. Agora, você tem Brian May e Roger Taylor do Queen em algumas das faixas … Brian participa em duas faixas. Ele está em Way Down, você ouvira a sua guitarra lá ... assim como Gannin - e, Dave Grohl! Mas a principal coisa que se destaca como um verdadeiro Brian May é a produção vocal. No último coro o magnifico coral do Queen surge. Foi incrível, enviei-lhe o MP3 para a Inglaterra, -ele não estava realmente no estúdio comigo- 'OK, Brian enviou sua trilha hoje. E nós a ouvimos e foi como, 'Oh meu Deus! Isto é simplesmente fantástico!'. Agora, tanto o Brian e quanto o Roger estão na faixa chamada Not Bad Luck, certo? Não. É provavelmente um pequeno engano. Eu queria Roger cantando sobre ela, mas eu não tinha tempo para isso. Ele estava, provavelmente, esquiando na Ucrânia ou algo assim - algo realmente fabuloso que eu não estava fazendo![risos] Mas o Brian tocou guitarra nessa faixa, certo? Não. Essa guitarra é do Elliot Easton, ok, nem todas são do Elliot, a guitarras são do Gannin também. Mas o solo de guitarra é do Elliot. O que é surpreendente é que ele soa como Brian May. Parte disso é porque Elliot e eu fizemos os vocais de fundo, que tem esse grande Roy Thomas Baker / Queen / The Cars estilo de produção para eles. Se você ouvir discos do The Cars, soam como um 'Queen new wave' Eu telefonei ao Elliot para descobrir quais faixas ele toca, mas ele não me ligou ainda. Eu gostaria que você tivesse essa informação. Talvez seja divertido adivinhar. Talvez eu não devesse dizer a ninguém quem toca com o quê. E Gannin, nosso guitarrista, ele toca na maioria das músicas no disco, e ele é muito influenciado por Brian May, bem como Jeff Beck e outras pessoas. A razão pela qual o tipo de solo soa Brian May é porque é melódico. Se você ouvir os solos de guitarra do The Cars... eu quero dizer, é por isso que eu chamei o Elliot, pois seus solos são semelhantes. Eu não gosto de solos de guitarra que são como "Olhe para mim, olhe para mim!" Eu gosto de solos de guitarra que são um pouco canções dentro das canções. E é nisso que Brian May é tão brilhante assim como o Elliot. E Roger Taylor faz o vocal de fundo na segunda canção do disco; Your Shoes. Se você conhece Queen, você conhece que é o som deles. Vou tocá-la para os meus amigos que não conhecem o Queen, e que eles pensarão: "Quem diabos é isso?! Porque não é você!" E eu vou dizer: "Não, definitivamente não sou eu".[risos] Você tem trabalhado com ambos Brian May e Roger Taylor em alguns dos projetos deles, mas como foi tê-los tocar no seu CD? É desesperador enviando-lhes uma faixa e se perguntando o que eles vão pensar nisso. Brian May é


sempre super-agradável. Roger Taylor vai me dizer se ele não gosta de alguma coisa - ele é bom de dizer as coisas na cara. Você só espera que não se sintam obrigados a fazê-lo, porque eles são seus amigos. E eu disse isso a eles: "Se você não gosta, eu não quero que você o faça. Eu não quero que você faça isso como um favor para mim." Mas eles estavam, em geral satisfeitos com isto. Roger gostou muito, e Brian realmente se envolveu com o projeto - como ele sempre faz quando ele participa de algo. Eu quero te perguntar mais sobre Elliot Easton, a quem eu considero ser um dos maiores guitarristas dos últimos 30 anos. Como você o conhece? Como você o convidou para este projeto? Eu conheci Elliot quando estávamos fazendo um show beneficente para doentes de câncer em Seattle. No mesmo instante que o conheci, eu gostei dele imediatamente. Ele é engraçado pra caramba, ele é um fanfarrão - Eu gostei dele imediatamente. Mas, naquele momento, eu pensei que o CD já estava feito. Então eu tive uma idéia para uma música e fomos descobrir como inclui-la no disco, então liguei para ele. Ele até me ajudou a compor e arranjar as músicas, bem, então eu dei-lhe a autoria de crédito. Estou tendo um pequeno problema para identificar que músicas Dave Grohl está participando. Bem, eu vou te dizer. Ele toca guitarra em quase 90 por cento do CD. E fez tudo isso em apenas um dia, já que ele não dispunha de tempo entre os intervalos do projeto do TCV. Mas quando você realmente quer ouvir Dave, é mais como se "eu e Dave tocássemos juntos numa banda" - Acho que você poderia dizer: "este som é Foo Fighters" e é até certo ponto - é a guitarra solo enlouquecendo na última música; I Don't Think I Trust You Anymore. E isso é Dave puro. Ele a escreveu toda. Basicamente, ele me deu um presente. Ele fez os arranjos da música e principalmente da bateria, exatamente como ele pensou que deveria ser. Obviamente, ele é um dos melhores bateristas e guitarristas de todos os tempos. Eu realmente penso assim. Além de ser um compositor incrivelmente talentoso, ele é como um Pete Townshend da nossa geração Falando em bateria, você faz alguma surpreendente tocando seu estilo neste CD. Uma música em particular, It's Over É o encontro da banda Mahavishnu (cujo som fundia jazz e rock dos anos 70) e da banda ELO (Electric Light Orchestra dos anos 70)! Oh meu Deus, a introdução me faz viajar. É rock progressivo, que evolui para uma música pop... Por que você faz isso? Esta deveria ser a sua primeira pergunta.[risos] OK, A) Por que você faria isso? E B) Alguma vez você pensou em chamar outro de seus ídolos, Neil Peart, para tocar neste CD? Eu não conheço o Neil muito bem. Eu o vi algumas vezes e ele foi muito gentil e cortês. E eu nunca sequer pensei em pedir-lhe, para ser honesto. Eu estava um pouco egoísta com a bateria. Acho que em um momento eu pedi Dave a tocar bateria em uma música e ele dizia, "Não, eu não vou tocar bateria em seu álbum” Bem, é uma introdução incrível.


Obrigado, cara. Isso é uma das outras influências, Mahavishnu e Brand X (banda dos anos 70/80 que fundia jazz e rock progressivo, Phil Collins tocava bateria). Eu gosto dessas misturas, transformar uma música originalmente pop, adicionando rock progressivo. Falando de pop, eu sei que você é um grande fã de Dennis Wilson, e há vários anos em que você cantou em... The lost track Exatamente, a música chamada Holy Man. Como foi isso? Foi assustador. Pessoas o consideram um lendário músico de alto respeito - ele é cara imensurável comparando aos outros brilhantes caras dos Beach Boys. Então, eu estava um pouco nervoso sobre isso, eu não sei se foi uma grande idéia. Mas Gregg Jacobson, que foi Dennis co-escritor, ele era muito contemporâneo e moderno para eu fazê-lo. Eles pensaram que nossas vozes eram semelhantes. Eu estava nervoso sobre o assunto. Gregg tinha algumas poesias escritas. Ele não é necessariamente um compositor no sentido tradicional. Ele simplesmente escrever poesia, e então você tinha que matematicamente descobrir como fazê-lo funcionar com a música. Carl [Wilson], muito antes de ele morrer, tinha feito uma espécie de guia para o vocal. Então eu peguei pedaços, tomei um monte de poesias que Gregg tinha escrito e eu meio que enfeitei e acrescentei mais algumas palavras para conectar todos os pontos e fazer o trabalho; e deu nisso. Existe uma versão dele que nunca foi ouvida antes, que é uma vergonha. Nós tínhamos enviado todas as faixas de Brian May e Roger Taylor. Brian punha este incrível solo de guitarra nela e fez todas essas exuberantes harmonias vocais estilo 'Queen' ao fundo. Eu tenho uma cópia da música – quando nos encontrarmos numa próxima vez eu a toco para você. É realmente incrível. A gravadora não quis lançá-la porque soava "muito Queen". Oh meu Deus. Eu acho que é uma visão distorcida, mas tanto faz. Eu não posso fingir compreender o funcionamento interno da A&R [representantes dos Artistas e Repertórios da indústria fonográfica]. E esse tipo de coisa. Talvez eles estivessem certos, talvez seja muito Queen. Mas se você olhar para ela como uma peça de música, é realmente surpreendente. Eu adoraria conhecer as suas ideias sobre Dennis Wilson como baterista. Ele era bruto, cara. Ele era melhor do que todos pensavam que ele era. Se você quer saber que tipo de baterista Dennis Wilson era, você tem que comprar o DVD do The Beach Boys "Knebworth" por volta de 1980. Ele destruía a bateria! Eu penso que ele tocava muito. Tinha estilo, tal como Don Henley - não era o maior baterista do mundo, mas ele tem esse duro estilo dos anos 70 de banda de bar, de percussão que deu ao The Eagles uma característica musical. Vamos falar sobre o seu estilo. Agora, você toca com um estilo francês ... Como assim, “francês"? Com os dedos pra cima. Sim, eu suponho que sim. Eu nunca pensei sobre isso, mas eu acho que eu faço [risos] você é obviamente melhor baterista do que eu, para perceber isso!


Existe algo em sua forma de tocar que você gostaria de melhorar? Sim, tudo![risos] Mas eu acho que estou velho demais para mudar. Eu não sou tão velho, mas eu acho que você aprende 90 por cento do que você será capaz de fazer em seus primeiros dez anos como músico. Todo o resto é como engatinhar. Você sabe, quem me dera ter mais tempo, e eu não tenho. Eu sou hiperativo e eu acelero as coisas, fico animado com a música e eu simplesmente piro! Mas esse estilo é emocional! Isso é rock n 'roll, que é sentir, e isso eu tenho. Você sabe, queria eu poder tocar como Jeff Porcaro, e eu não posso - eu sei disso. Há muitas coisas que eu desejaria poder fazer. Desejaria tocar contrabaixo, mas eu não posso. Eu já tentei, e eu não consegui. Eu sentei lá com pedais duplos por meses - se não crescer tocando dessa maneira, então você não tocara nunca. E eu desejaria saber tocar mais tradicionalmente, para que eu pudesse ser como Stewart Copeland (baterista do The Police). Quem eu sei que você admira. Ele é uma das minhas maiores influências. Ele simplesmente solta os bichos! Por último, vamos falar sobre o próximo disco do Foo Fighters. Butch Vig produz. Eu ouvi Dave Grohl dizer que vai ser o mais pesado de todos os álbuns. Você está animado? O que você pensa? Eu não sei se vai ser o mais pesado de todos os álbuns. Acho que ele quer dizer que será um disco de rock duro. Eu estava no estúdio com Dave dias atrás e nós estamos ainda rascunhando que poderá ser. É um processo longo. Nós fazemos um monte de demos, um monte de rearranjos e todas essas coisas que, para obter as músicas que queremos - e Dave quer, o que é o mais importante. Estou animado com isso. Acho que este repertório musical que Dave tem é impressionantes. E este parece que vai ser um disco de rock mais progressivo ao contrário dos últimos CDs que haviam alguns momentos acústicos e maduros. O que é ótimo - Eu gosto de fazer isso. Eu amo a dinâmica daqueles CDs, mas eu também aprecio a idéia de fazermos um disco de rock com 11 músicas, quase como um AC / DC. Vai ser ótimo. .

Taylor Hawkins  

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