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COLETIVO CADÊ OS ÔNIBUS DESSE SERVIÇO ATRASADO ?

por: Rafael Eduardo| Fotos: Osvaldo Morais Funciona da seguinte maneira: o usuário “Também tem o fato de que o novo percurso “Esse é um modelo que joga a gente de um lado

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terminal Integrado de Passageiros III Perimetral, localizado no cruzamento da Avenida Caxangá com a Avenida General San Martin, começou a funcionar em janeiro desse ano, com a promessa de atender aos moradores da Região Oeste. A expectativa é realizar 365 viagens, integrando o Corredor Leste-Oeste de transporte, atendendo 10 mil usuários diariamente. A entrega da obra veio com bastante atraso. A expectativa inicial era que o Perimetral III iniciasse seu funcionamento ainda em 2014, ano da copa do mundo no Brasil. Segundo o Governo do Estado, responsável pela obra, a extrapolação do prazo de entrega se deu em função do abandono do empreendimento pela construtora. Foi necessário, então, um longo processo de licitação para a contratação de uma nova empresa. Quando foi paralisada, a obra estava 90% concluída. Para completar o projeto, o governo teve que desembolsar mais 1,8 milhões, deixando o custo em torno dos R$ 6,2 milhões. O período de paralisação durou pelo menos três anos. Sabendo que o novo terminal irá atender diretamente os moradores da Região Oeste do Recife, o Infornativo visitou o local para saber dos usuários como está acontecendo o serviço. Atualmente, estão presentes nesta integração as seguintes linhas: Monsenhor Fabrício/ TI Caxangá III, Avenida do Forte/TI Caxangá III, Torrões/TI Caxangá III, Roda de Fogo/ TI Caxangá III, Sítio das Palmeiras/TI Caxangá III, além do TI Caxangá III (Conde da Boa Vista).

pega um ônibus no seu bairro (em uma linha que, antes, costumava ir até o centro da cidade), chega até o terminal da III Perimetral, onde pode pegar a linha que vai para o centro. É aí que começam os problemas relatados pelos usuários.

dos coletivos acabou indo parar em ruas que já eram congestionadas antes, e isso deixou a viagem mais estressante e demorada. Por isso, só uso esse terminal em caso de extrema necessidade”, diz Igor Conceição. Outra usuária afirma que o percurso de linhas

DEMORA - Muitos usuários relataram que a tradicionais ficou mais longo. “Agora faz muitransição de um ônibus para o outro costuma demorar muito. “Quando chego aqui no terminal, levo mais de meia hora para pegar o próximo ônibus. Quando volto do centro da cidade é a mesma coisa”, relata Rinaldo Barreto.

Esse tempo de espera para fazer a chamada “integração física” acaba fazendo com que muitos passageiros levem mais tempo para chegar ao seu destino do que costumavam levar antes. “Agora tenho que sair pelo menos uma hora mais cedo de casa para poder chegar no trabalho na hora certa”, conta Bárbara Ferreira. O usuário tem, no entanto, uma opção para não ficar tanto tempo esperando. Ele pode fazer a “integração temporal”, saindo do terminal para pegar um BRT, na estação Getúlio Vargas, na Avenida Caxangá. Não será cobrada uma nova passagem, nesse caso.

CONGESTIONAMENTOS

- Se a ideia da criação do terminal era melhorar o trafego de veículos na região, no ponto de vista do usuário, o objetivo ainda não foi alcançado. “O que aconteceu foi que o congestionamento foi transferido. Agora, pelo que eu vejo, as ruas dos bairros estão mais congestionadas do que antes, e o trânsito não melhorou na Caxangá”, avalia Bárbara Ferreira.

to arrodeio”, afirma Fernanda Inojosa.

para o outro, e, com isso, parece que eles não estão procurando fazer o melhor pelo povo”, argumenta Ana Lúcia. Ela mora em Paulista e trabalha perto do Hospital Getúlio Vargas. “Eu sei bem o que é usar esse serviço, porque minha viagem começa no TI de Pelópidas Silveira, em Paulista. Os ônibus demoram e, por isso, geralmente vem lotados”, ela reclama. “Quem fez esse modelo de transporte teve a

TROCAS DE INTINERÁRIO - As mudanças nas ideia de melhorar e facilitar a movimentação

rotas dos ônibus que circulam pelos bairros da Região Oeste indo para o III Perimetral não agradaram muito os usuários. Isso por que há pontos tradicionais de parada, como o Parque de Exposição do Cordeiro, por onde esses coletivos não trafegam mais.

no transporte público, mas acabou não facilitando. Os ônibus continuam demorando, estão quase sempre lotados e parados em congestionamentos. Acho que o serviço continua ruim como antes ou pior”, opina Lúcia Albuquerque, que também trabalha na área do Hospital Getúlio Vargas.

“Quando a gente tem coisa para resolver no Expresso Cidadão do Cordeiro, não dá para chegar tão fácil”, reclama Electa Peixoto. O ônibus de Electa, que é idosa, não passa por perto do parque, como fazia antes. Agora ela tem primeiro que chegar no terminal e ir até lá à pé, ou fazer a integração temporal na parada do BRT.

SEGURANÇA - Nesse ponto, os usuários con-

“Agora, meu ônibus não tem mais parada perto do Getúlio Vargas. Tenho que descer no terminal e ir andando”, diz Dário Ferreira. Ele possui uma deficiência na perna e caminha, com dificuldade, com auxílio de uma bengala.

cordaram totalmente. O terminal traz mais segurança para quem está esperando um ônibus. Todos os entrevistados ressaltaram esse aspecto como sendo o mais positivo do TI Caxangá III.

A conclusão do Terminal da III Perimetral não encerra a “saga” da construção do Corredor Leste–Oeste. Ainda falta concluir o Terminal da IV Perimetral, também localizado na Avenida Caxangá, e que está sendo prometido para junho desse ano. A engenharia de trafego do estado terá ainda um

DE INTEGRAÇÃO EM INTEGRAÇÃO - Alguns grande desafio. Para o funcionamento integral

usuários, que deram opinião, colocaram em xeque a existência e eficiência do próprio Sistema Estrutural Integrado (SEI), que interliga uma rede de ônibus a terminais e ao metrô.

do Corredor Leste-Oeste, além da conclusão do IV Perimetral, terão que deixar de circular pela Avenida Caxangá todas as 19 linhas tradicionais, que serão conduzidas para vias alternativas.


VIDATIVA EJA – VALE A PENA VOLTAR A ESTUDAR

por: Peixe| Fotos: Divulgação SENAIeSENAC mulo à criação de programas nacionais elas: Campanha Nacional de Educação Os acordos MEC-USAID [25] encerram a

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surgimento das iniciativas de implantação de um sistema de educação para os trabalhadores adultos ocorreu desde a década de 1930, com o final da hegemonia dos latifundiários da cafeicultura e ascensão da burguesia no Brasil. Neste período, a restruturação social e urbana foi se desenhando pelo crescimento industrial e nesse contexto, surgiu também a urgência de alfabetização da massa de trabalhadores oriundos das atividades agrícolas. A partir daí as campanhas de alfabetização da classe de trabalhadores passaram a ser pauta dos governos da federação brasileira. A Constituição de 1934 consolidou o dever do Estado em relação ao ensino primário, integral, gratuito e de frequência obrigatória, extensiva, inclusive, aos adultos. Contudo, somente em meados da década de 1940, foi implementada uma política oficial de educação para jovens e adultos trabalhadores. Após a II Guerra Mundial, final dos anos 1940 e início dos anos 1950, cerca de 55% da população brasileira maior de 18 anos era analfabeta. Nesta ocasião, a UNESCO liderou um movimento de estí-

de educação de adultos analfabetos, de Adolescentes e Adultos (CEAA) e a principalmente nas regiões considera- Campanha Nacional de Educação Rural (CNER) – em 1947, 1952 e 1953; Modas mais atrasadas do país. vimento de Cultura Popular (MCP), orHavendo a necessidade de uma for- ganizado, primeiramente, em conjunto mação voltada para a indústria, para- com a Prefeitura Municipal do Recife, lelamente, em 1942, os empresários e, posteriormente, estendido a várias preocuparam-se em qualificar e treinar outras cidades do interior de Pernammão-de-obra, através do SENAI e anos buco – em 1960; Movimento de Edudepois, em 1946 o governo criou o SE- cação de Base (MEB), sob a liderança NAC, sistema ligado ao setor comercial e da Conferência Nacional de Bispos do por ser dirigido e organizado pela Confe- Brasil (CNBB) _ em 1961; Em 1963, a deração Nacional do Comércio. O Servi- experiência de Alfabetização de Adultos ço Nacional de Aprendizagem Rural (SE- em Angicos, no Rio Grande do Norte, NAR) também foi criado, voltado para a por Paulo Freire, foi um marco na históaprendizagem rural. Estas agências de ria da Educação de Jovens e Adultos no qualificação são articuladas às políticas Brasil, e ampliou-se de tal forma que o públicas, na medida em que são regula- Método Paulo Freire, como ficou popumentadas pela Consolidação das Leis do larizado, acabou sendo absorvido pela Trabalho e mantêm vínculo com o Minis- maior parte dos movimentos. tério da Educação e com o do Trabalho. Contudo, logo em seguida ao golpe civilPara os excluídos dessa massa de tra- -militar, o Programa foi extinto, sob a balhadores, várias campanhas suce- alegação de ser de teor subversivo, com deram-se ao longo da nossa história. consequente interrupção no processo Essas campanhas organizaram um nú- de ampliação da participação popular na mero significativo de classes de alfabe- esfera pública. De 1964 a1980, as expetização, com o objetivo de levar a edu- riências dos movimentos sociais foram cação de base aos brasileiros iletrados proibidas e substituídas por iniciativas das cidades e das zonas rurais. Foram centralizadas pelo governo federal.

fase dos movimentos de educação e cultura popular. O tecnicismo e o economicismo na educação foram as marcas das experiências implementadas, com a Cruzada da Ação Básica Cristã (Cruzada ABC) e depois com o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), assim como o Ensino Supletivo. Embora pareça contraditório, foi no governo militar, através da Lei nº 5692/71 que se organizou a educação de jovens e adultos diferenciando-a do ensino básico e secundário, com formação de professores específica para esta modalidade de ensino. Só mais tarde, em 1985, já no início da chamada Nova República, após 20 anos de regime militar, o Mobral foi extinto e transformado na Fundação Educar. Nos anos 1990, novamente a educação profissional voltou a ser privilegiada, com o entendimento de que à escola cabe o “desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva” (Art. 39), a nova LDB (Lei nº 9.394/96), considerando a competitividade e o desenvolvimento humano na nova ordem econômica mundial. No governo Collor, o Programa foi considerado desnecessário, sendo interrompido e foi retoma-


do no Governo de Itamar Franco, em 1993, com o Plano Decenal de Educação para Todos, propondo: “nos dez anos seguintes promover a escolarização de 8,3 milhões de jovens e adultos”. Na LDB – Lei de Diretrizes e Bases de 1996, e nas leis que se seguiram para regulamentar a EJA até os nossos dias, fala-se em elevar o nível de escolaridade do trabalhador, desde a formação inicial de alfabetização (Educação básica) até os cursos e programas de educação profissional técnica de nível médio (atualizada pelo Decreto nº 5840, de 13 de julho de 2006), porém toda a organização administrativa e curricular específica para EJA visa a promoção de uma alfabetização funcional, em que a formação de cidadãos que interpretem, relacionem e analisem o mundo letrado seja valorizado.

O QUE FAÇO PARA RETOMAR OS ESTUDOS? As pessoas que estão excluídas da escola, jovens e adultos, são aquelas que interromperam sua escolaridade por diversos motivos e estão com diferentes idades, assim como também tem diferentes experiências de vida e bagagem cultural. Contudo elas têm uma

dalidade relativa ao ensino fundamental (módulos I, II, III e IV). Na falta de documentação comprobatória de escolaridade anterior, será submetido à avaliação classificatória para inserção na turma O jovem ou adulto que deseja voltar aos adequada ao seu nível de aprendizagem. estudos para ter oportunidade de ascensão social pela aquisição de conhecimentos e para sentir-se sujeito de direitos; Em Recife, as escolas municipais que oferecem aqueles que desejam se aprimorar nos a modalidade de EJA, já realizaram matrículas diversos conteúdos curriculares para aju- online, porém as vagas remanescentes estão dar os filhos em sua escolarização; o can- sendo ofertadas presencialmente nas escolas. didato que tenha alguma deficiência que Os candidatos devem apresentar os documentos necessita iniciar ou dar continuidade aos exigidos: cópias de certidão de nascimento (ou estudos; aqueles que desejam voltar à es- casamento), RG, carteira de vacinação, cartão do cola para se qualificar para o mundo de SUS, comprovante de residência e duas fotos 3 X4. trabalho (caso do Projovem Urbano, que profissionaliza e habilita o aluno com en- Os candidatos ao Projovem Urbano, de 18 a 29 anos, sino fundamental) ou no caso dos idosos puderam reservar vaga até o dia 28/02 pelo site (com idade acima de 65 anos) que alme- www.recife.pe.gov.br/matriculaonline. e depois vajam buscar conhecimentos que o ajudem lidaram presencialmente no Compaz Escritor Ariano a continuar compreendendo o mundo, Suassuna (Cordeiro) e Eduardo Campos (Alto de Sanpara fazer parte de um grupo social, para ta Terezinha). Segundo o Portal da Prefeitura, “A forler o mundo com letras e números, em mação do ProJovem dura um ano e meio, com aulas resumo, todos tem direito e oportunidade de segunda a sexta, das 18h às 22h. Além de cursar as de realizar seus projetos pessoais ou pro- disciplinas do Ensino Fundamental o programa oferece qualificação profissional, certificado pelo Serviço fissionais e retornar à escola. Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Neste A partir dos 15 anos, os candidatos à ano, o programa não vai oferecer a bolsa-auxílio de EJA podem procurar as escolas públi- R$ 100 aos alunos. Para a matrícula é necessário cas da cidade onde reside e realizar sua documento de identidade (RG), CPF, comprovante de matrícula, caso a mesma oferte a mo- residência e comprovante de escolaridade.” coisa em comum: suas expectativas de aprendizagem e de desenvolvimento pessoal ou suas necessidades relacionadas ao mundo do trabalho.

ESCOLAS DA REGIÃO OESTE PARA

CONSULTAS DA DISPONIBILIDADE DE VAGAS - Escola Municipal General San Martin Av. Gen. San Martin, 1864 – San Martin - Escola Municipal Antônio Farias Filho R. 21 de Abril, S/N – San Martin - Escola Municipal Hugo Gerdau R. Mizael de Mendonça, S/N - San Martin - Escola Municipal Padre José de Anchieta R. Moçambique, 166 - Mustardinha - Escola Municipal Antônio de Brito Alves R. Ernesto Cavalcanti, S/N - Mustardinha - Escola Municipal Arraial Novo do Bom Jesus Estrada do Forte do Arraial Novo do Bom Jesus, S/N - Torrões - Escola Municipal André de Melo R. Morais e Silva, 180 – Estância - Escola Municipal Padre José Matias Delgado R. Dr. Devaldo Borges, S/N – Jardim São Paulo - Escola Municipal Vila São Miguel R. Rubiácia -147 - Afogados - Escola Municipal Engenho do Meio R. Bom Pastor, S/N - Engenho do Meio - Escola Municipal Darcy Ribeiro R. Odete Monteiro, 450 – Cordeiro - Escola Municipal Vila Santa Luzia R. Elizeu Cavalcanti, 52 - Cordeiro


NATIVA NA REGIÃO OESTE ELAS DIZEM O QUE O DIA 8 DE MARÇO REPRESENTA

por: Gabriel Augusto / Fotos: Osvaldo Morais Verônica Aparecida pensa que o dia da mulher fredoras e degradantes que as mulheres viveram INFORNATIVO – Fala-se muito sobre o feminismo, muitas

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dia 08 de março é internacionalmente reconhecido como dia de luta das mulheres. Mais do que uma data comemorativa, tem se consolidado como um momento onde o movimento de mulheres coloca nas ruas suas demandas. Em 2017, a data foi marcada por uma importante greve internacional de mulheres. Para este ano, em todo o mês de março serão realizadas atividades pela passagem da data. O Infornativo foi às ruas para conversar com as nativas da Região Oeste sobre a data e sobre o que pensam a respeito do machismo e da luta das mulheres. Darci Antonia, que trabalha como fiscal de ônibus, afirma que a data simboliza avanços para as mulheres. “Pra gente mulher é uma conquista. Hoje a gente tá ocupando profissões que só o homem exercia, hoje tem facilidade em termos de faculdade, alguns benefícios que conseguimos através da lei Maria da Penha, isso pra mim já é uma vitória”. A Lei Maria da Penha, relembrada por Darci, é aquela que estabelece uma política de combate a violência doméstica (isto é, realizada no próprio lar) contra as mulheres. Para Renata Pereira, que mora no Cordeiro, a data “representa coisa boa, mas tem muita violência contra a mulher”. Renata reivindica ainda que “deveria ter mais projetos para envolver mulheres”, expressando uma preocupação com a mulher jovem e a questão do uso de drogas. Embora reconheça as mudanças positivas, Darci afirma que ainda há muito que avançar. “Existe ainda discriminação do homem, né, em alguns casos pessoas que não respeitam a gente. Melhorou bastante, mas ainda falta muito pra melhorar”. Um dos exemplos que ela coloca é a sub-representação das mulheres na política, onde mesmo senso maioria na sociedade, as mesmas continuam minoritárias nos espaços de poder. “O mundo é muito machista. Melhorou, mas ainda é machista. Você pode até ver pela quantidade de mulheres que tem como vereadora, como prefeita, deputada, são bem menor, a discriminação já parte daí”.

“podia ser mais especial pra gente” com a realização de mais homenagens. Em seguida, levanta questões que a preocupam. “Respeito com a mulher é pouquíssimo, tanto é que tá tendo esse absurdo nos ônibus, nunca presenciei, mas a gente ouve falar que tem homens que vivem abusando das mulheres, tem homem que espanca”.

O combate contra as agressões físicas e psicológicas e a sub-representação das mulheres nos espaços de poder são pautas que têm sido levantadas pelos movimentos de luta. No próximo dia 08, mais uma vez as mulheres estarão nas ruas, desta vez com o ato unificado “É pela vida das mulheres! Nenhum direito a menos! O SIMPERE (sindicato de professoras e professores municipais) é uma das organizações que está convocando sua categoria para participar da mobilização, o que reforça as pautas das mulheres trabalhadoras, que continuam a receber menos que os homens para exercer as mesmas atividades profissionais. Por estas e outras pautas, mais uma vez o 08 de março será celebrado como um dia internacional de luta e mobilização.

DIRETRIZES DOS MOVIMENTOS FEMINISTAS NA CONVERSA COM FRAN SILVA: O Infornativo conversou com Fran Silva, moradora de Jardim São Paulo e militante feminista, sobre a passagem desta data, sobre a importância da luta das mulheres e as principais pautas que estão sendo discutidas contemporaneamente. INFORNATIVO – Qual a importância do dia 08 de março para a luta das mulheres? FRAN SILVA - As ações coletivas de mulheres de diversos espaços e meios em torno desta data arremetem novas possibilidades de organização e ressalta as lutas feministas pelo mundo. É uma data de muita reflexão sobre a realidade das mulheres e sua história de luta e forças contra as opressões. Muito ainda há de ser conquistado, mas olhando pra trás vemos o quanto se caminhou. É preciso relembrar as situações so-

durante séculos e a luta persistente que travaram para, finalmente, conseguirem se firmarem como cidadãs. Com base nas reivindicações de mulheres por acesso à educação, direito ao voto, e melhores condições de trabalho no contexto industrial, que se foi instituído em 1977 pela ONU o Dia Internacional da Mulher. Apesar desse histórico de luta e reivindicações das demandas e necessidades das mulheres, o 8 de março é despolitizado pelo mercado capitalista que coloca a data como uma celebração para exploração de estereótipos de feminilidade em apelos de consumo. INFORNATIVO – Que reivindicações você considera importante que estejam colocadas nas ruas pelo movimento?

FRAN SILVA - Todos os dias vemos a mídia noticiar casos de mortes violentas de mulheres. 201 casos de crimes violentos letais intencionais contra mulheres foram registrados no ano passado de janeiro a agosto aqui em Recife. 25% das mortes de mulheres no Estado o ano passado foram feminicídios. 1121 estupros foram registrados no Estado nesse mesmo periodo. O fato de que mulheres negras são as principais vítimas de violência é uma demonstração contundente dessa questão. O fim da violência e genócídio da mulher, principalmente a mulher negra que são as mais atingidas, deve ser uma das bandeiras prioritárias. E a mudança na atual política de drogas, que com esse modelo proibicionista que está posto, determina profundamente o fenômeno do consumo de drogas em nossa sociedade, fazendo com que no imaginário social este paradigma seja compreendido como o hegemônico para lidar com a questão. Que a luta pela reforma da lei de drogas seja através da garantia de direitos humanos, com foco principal na defesa dos direitos dos grupos de mulheres atingidas pelo modelo proibicionista. Enquanto essa proibição estiver ligada ao racismo, as opressões e violência contra a população negra e principalmente as mulheres que hoje possui 50% de aumento da população carcerária feminina, serão cada vez mais truculentas e opressoras.

vezes de forma distorcida. O que ele significa para você?

FRAN SILVA - Feminismo pra mim é eu me questionar qual o papel da mulher nessa sociedade patriarcal e machista. Com esse questionamento você sente a necessidade de lutar pela igualdade de gênero, por mais representações nos espaços de poder e política, pelo fim das opressões e violência contra a mulher. A emergência dos feminismos interseccionais e do feminismo negro que pautam a vivência de experiências e formas de pertencimentos das mulheres na questão de raça, etnia, orientação sexual, identidade de gênero, território, religião, deficiência, entre outras, é a principal ação das lutas sociais. Trata-se de uma interpelação que traz a interseccionalidade das diferenças para o centro da pauta e ação política, sendo antipatriarcal, anticolonial, anticapitalista, antirracista e antiproibicionista. INFORNATIVO – De que forma as moradoras da Zona Oeste do Recife podem se somar nas lutas do mês de março? FRAN SILVA - A nossa luta é diária e começa dentro de nós, dentro de nosso lar, dentro de nossa comunidade. O feminismo negro é o que possibilita que possamos amar e transformar qualquer realidade opressora. Nem todas as mulheres, principalmente de periferia tem disponibilidade e condições de estar presente nessas manifestações. Mas não estar presente, não te torna uma mulher que não luta pela suas pautas. O maior ato revolucionário que uma mulher e principalmente a mulher negra pode ter é o de se cuidar. Que busquemos estar vivas, nos amando, buscando nossa autonomia e liberdade. Isso é o que de mais lindo podemos fazer pela gente.Precisamos fazer vários rompimentos e eles são dolorosos. Mas faz parte de nossa emancipação. Feminismo é uma luta por emancipação de um sistema que oprime até a morte. E as que adentram nessa luta entendam tambem que reflexão que pauta em ação é luta. Vivência que se transforma em ação aplicada a realidade é luta e uma mulher negra feliz é um ato revolucionário!

Infornativo 64ª Edição  

Jornal Comunitário da Região Oeste do Recife - PE

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