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Poesias Premiadas


CATEGORIA ADULTO Primeiro Lugar - Adulto

Círculo Vicioso E corta cana corpo envolvido em pano, por agora o seu plano é livrar-se dos mosquitos; e queima palha entra ano e sai ano, a única coisa que muda é o patrão ficar mais rico. E colhe cana até a noite quando, enfim, deixa no chão o corpo todo dolorido, pra de manhã tomar café sem comer pão, o almoço é só feijão que fervido em água suja até arde de fedido. E limpa cana pra encher o caminhão, pois a usina de açucar ter que ser abastecida; e corta cana dia inteiro, tira bagaço e palha, sua casa só tem tralha, adobe cru e chão batido.


E corta cana com atenção ou o facão lhe tora os dedos, quem reclama perde o emprego, a gororoba e o abrigo; e se a palha é muito espessa e se a mão tem muitos calos, como forma de consolo o sol queima seu juízo. E dá o sangue e a vida ao Vale do Jequetinhonha, onde bom homem não sonha pois só pensa nos espinhos; nessa rotina de miséria, de vinhaço e de sofrer, seu destino é enriquecer os poderosos e mesquinhos. Neto de velhos boias-frias que morreram tendo nada, sua história foi escrita longe da escola e dos livros; nessa sina tão maldita que mais parece armadilha, também seguem a mesma trilha a mulher e os seis filhos.

André Luis Soares |

Guarapari/ES


Segundo Lugar - Adulto

INICIADOS E acotovelaram-se Assim, Encontrando O que não buscavam Roçando o cominho dos cotovelos Tirando fagulha do corpo alheio Produziram para toda a vida - ah, só depois saberiam O tempero de um amor inteiro. Marcia Souza de Matos R. de Carvalho |

São Paulo/SP


Terceiro Lugar - Adulto

MEIO A MEIO Ando meia-noite, meio-dia; meio cheio de certo vazio! Ando meio-termo, meio ermo; riso amarelo, meio sem elo. Ando meia boca, meia-idade, meio assim sem vaidade; de pouca prosa, espinho de rosa! Ando meio azia, meia-sola nos pĂŠs da disritmia; bordĂŁo meio chato da gaita de foles! Melhor dar meia-volta, e (volta e meia) tomar uns bons goles... da mais pura poesia.

Geraldo Trombin |

Americana/SP


Menções honrosas – Categoria: Adulto

Veredas da libertação Lavo, passo, ponho à mesa trutas perfumadas, como, bebo, durmo no sofá, ronco e babo... Rezo, canto, grito, dou remédio amargo na boca do filho, leio, copio receitas, escrevo cartas de amor e poemas indecentes... Tremo, gemo, suspiro, sacudo o corpo suado, abro garrafas de vinho, invento histórias de bruxas e rolo pelo chão das fadas... Pinto passarinhos, pontes e prados, reclamo, provoco, monto cavalos alados e enfrento tempestades...


Espero, impero, contesto, construo castelos babilônicos e enterro no coração setas incendiárias... Enfim arranco e lanço sobre mim meus próprios cabelos, olhos, unhas, dentes, pele, boca e coração... Então sinto-me leve, calmo, livre, tranquilizado...

Aloísio Ferreira de Araújo |

São Paulo/SP


Alma clandestina Na paisagem do silêncio de antes, do silêncio de depois e do silêncio de agora não há jarro nem jardim nem janela – apenas uma amarga mancha amarela Mas a alma clandestina, debruçada à janela sonolenta, sente o revés do silêncio de antes e de depois. E no silêncio de agora, a vertigem do olhar perdido no fundo da gaveta que exala silêncio amarelo encardido.

Selma Nanci Feltrin |

Santa Maria/RS


O mundo como ideia e utopia Tudo inversa clareza e Ordem, Da principal concepção do Ato, De um mundo Centrado Com vitória e luta... A vontade de Viver O ser humano, animal Consciente. Entre flores e Analgésicos... Esse será o raciocínio Humano: Indagar a própria Poesia

Dejanira Lira |

Franco da Rocha/SP


CATEGORIA INFANTO-JUVENIL Primeiro Lugar - Infanto-Juvenil

À mulher do perfume Se o silêncio te diz tanto, Deixe-o só dizer, no entanto, Que no olhar há perfume a escorrer... Pois teu vento ecoa, ele voa Para longe, bem longe, Mesmo que para se esconder: Seja no peito, no efeito Estreito do medo De não amar a ti mesmo. Todavia eu te digo e repito: Bonito é o mundo E tu não és mito; És gente, que sente, Que sonha e que mente Só para a mente enganar... Mas que nada, moça, Nessa tua estrada da alma Até o chão há de te amar.

Miguel Lima da Silva |

Cabo Frio/RJ


Segundo Lugar - Infanto-Juvenil Fera À espreita na escuridão Grande perigo me espera Sinto sua respiração É tão quente como uma fera Com seu olhar ardiloso A fera quieta me observa E de um modo desastroso O terror meu ser enerva E como fatal venenoso Se espalha dentro de mim Sem ser como fogo ameno Mas com grande dor sem fim Debilmente tento fugir Com imensa ingenuidade Eis que ouço a fera rugir Vindo a mim sem ter piedade Usando suas presas afiadas Me faz em mil pedaços Minhas mãos estão atadas Provando o meu triste fracasso A verdade dói meus olhos Mas não como dói a mentira Que no início deu espólios E agora tudo me tira Vejo tudo e vejo nada Assim é meu triste fim Vem chegando a alvorada Mas não chega para mim

Julia Abreu da Silva |

Cabo Frio/RJ


Terceiro Lugar - Infanto-Juvenil

Aquele Homem Aquele Homem de barba, que na Mulher bateu, ele mesmo sofreu. Aquele Homem cruel, com o tempo aprendeu, que em mulher não se bate, mas ele não foi racional a você. Solitário mais uma vez, ele traiu e não pensou perdeu! foi aquela cachaça,que há tempos bebeu, que lá mesmo morreu. Aquele homem de barba, caído, sem graça, pisou em sua farsa mesmo sem querer. Virou sobre a força do vento, correndo contra o tempo, pensando em moralizar. Sem se praticar, agora ele pensou em amar, a quem te deu valor. Tudo acabou, Não volta quem te amou, mas você se revoltou. Aquela Mulher, que te disse “Acabou”, Não teve tempo de implorar, e você a matou.

Joyce Milena de Oliveira |

Francisco Morato/SP


Menções honrosas – Categoria: Infanto-Juvenil

Faça sua História A dor de um detento Quem nunca foi preso não sabe o sofrimento Dentro da cela bate saudade A ansiedade no meu coração invade Vou lutar para vencer nessa guerra Muitos prisioneiros vem da favela Muitas mães não tem condição De visitar o seu filho na prisão Quem diz que homem não chora tá mentindo Do lado de Jesus morre um ladrão arrependido A mídia só quer nos humilhar Quando a polícia mata eles vai idolatrar Daqui de dentro escrevo várias cartas Quando minha coroa lê fica emocionada Chega de ficar na plateia sentado Seguir de cabeça erguida e subir no palco Faça sua história e siga em frente Não que os outros faça sua mente

Anderson Barbosa Santos |

Franco da Rocha/SP


A falta da minha mãe Toda noite me pergunto o que fiz de errado Deixei minha família pra fumar um baseado Agora já é tarde não posso sorrir Deixei quem me amava para me destruir Mãe te peço perdão por tudo o que fiz A senhora me dava conselhos, eu não quis ouvir Agora já é tarde não posso voltar mais Tudo que fiz de errado quero deixar para trás Mãe me perdoa pelas noites em claro Que fiz a senhora passar ao meu lado Chegava em casa drogada E a senhora já estava ajoelhada Pedindo pra deus cuidar de mim Mas que não estava nem aí Queria mesmo era me destruir Mãe sinto muito queria ter você E pensar no meu futuro Lembranças só quero as boas Por favor não me leve a mal Queria ver o seu sorriso E brincar com você no quintal Queria voltar a ser criança Para ser bem inocente Brincar de bolinha de gude

Juliana da Silva |

São Paulo/SP


A volta por cima Desejei quando criança que meus pais me dessem atenção Não fui atendido e fiquei na solidão E na hora que me negaram, achei que deixariam de me amar E aquilo machucou tanto, que comecei a chorar. Mas não com o rosto, com a alma Junto, uma dor profunda, que se transforma em mágoa E uma forma que procurei para escapar dessa situação Foi a pior, pois eu poderia ter ido para o caixão. Mas não morri, porque Deus de mim cuidava Recebi uma nova chance, vim parar na Fundação CASA Recuperei o amor que estava perdido E enxerguei que pai, era meu melhor amigo. E assim perdoei, e fui perdoado Por aqueles que sofriam comigo e andavam do meu lado E o céu se abriu para mim e eu pude sonhar Em fazer o que eu gosto, sem poder me preocupar.

Gabriel Alves da Silva |

Franco da Rocha/SP


CATEGORIA INFANTIL Primeiro Lugar - Infantil

A vida no sertão A vida no sertão É brava como um cão, Animais morrendo Oh, que sofrimento. Lá há miséria, sofrimento E desnutrição! Como é brava e cruel, A vida no serão. Lá o amor se encontra Pouco, óh meu sertão!

Vinícius Mazola |

Descalvado/SP


Segundo Lugar - Infantil

Óh, minha cidade! Óh, minha cidade É Descalvado, De gente feliz, Nunca tem algo errado A criançada brinca, Como pássaros no serão. O tempo passa, E fica na escuridão. Na escuridão, A cidade é calma, E é desse jeito, Que relaxo minha alma. Descalvado não é famosa, Mas assim com pouca gente Fica tudo gostoso, Óh, cidade contente. Nela sou feliz, Com muito o que viver, Mas vai ser com ela Que vou aprender. E a Bahia, Se compara a Descalvado, Terra de gente bonita, Agora danou um bocado.


A Bahia terra de Dorival Caymmi, Cantor e compositor na vida, Sempre trabalhador, Cantava sobre sua terra querida. Desde pequeno Com uma voz excepcional, Começou na Rádio, Viram que era fora do normal. Nasceu em Abril, Morreu em Agosto. Muitas músicas, E tinha bom gosto.

Pedro Henrique Gurgel da Silva

| Descalvado/SP


Terceiro Lugar - Infantil

Pureza no coração Nasceu em Salvador Dorival Caymmi, Um menino muito humilde Que tinha samba no pé E música na cabeça. Com uma idade certa, Encerrou os estudos para ir trabalhar, Esse menino era fogo e gostava cantar! Seu pai, desde criança, Cantava no coral da igreja, E sua mãe limpava a casa Cantando e passando produto de limpeza. Suas músicas se inspiravam Em sua terra natal, Seu povo negro com pureza no coração, Demonstrava seu amor com muita paixão. Dorival Caymmi, Com pureza no coração

Murilo Tognette |

Descalvado/SP


Menções honrosas – Categoria: Infantil

Minha escola Minha escola tem muita gente Gente diferente Gente de toda cor Mas todos tratados com amor Pelos funcionários De todos os horários Melhor é o professor Que diz que a gente bota o terror! Mas mesmo assim eu gosto dessa aula Porque ninguém fica sério, com as graças. Mas agora eu estou mais preocupado. Com que este poema seja destacado Para que eu dê um troféu para a escola Porque ela é show de bola!

Ulisses dos Santos Paula |

Francisco Morato/SP


Essa é a minha terra A minha terra é linda! Cheia de paixão, Quando toca o som. A gingada balança o coração, O samba no pé levanta poeira do chão, Com essas praias lindas, Com montanhas infinitas, Posso até imaginar várias vidas, Com essas comidas gostosas da Bahia. Sou um cantor que nasci em abril, Minha mãe lava louça com Bombril, Meu pai funcionário público. Eu cantor já levei aplausos do público.

Igor Luis Portes |

Descalvado/SP


BORBOLETA DA ESTRADA Viajam, viajam... Chega um tempo que a viagem acaba Acontecem imprevistos E elas acabam falecendo Por que? Batem nos carros Batem nos vidros E são esmagadas pela velocidade Bate e bate suas asas Mas não dá certo Por vezes as asas se quebram E aí como chegar do outro lado? Andando? Correndo? Eu não sei... Sinto pena delas, pois não tem como impedir Pois quando viajamos pra algum lugar A estrada está repleta de borboletas Acaba que batemos em algumas, que morrem, outras escapam Muitas são grandes e belas Outras pequenas e perfeitas Mas todas vão morrer algum dia Assim como nós...

Artthur Melo Christino de Almeida |

Jaguarari/BA

Resultado do IV Concurso de Poesias Professor Aparecido Roberto Tonellotti  

Poesias premiadas nas categorias: Adulto, Infanto-Juvenil e Infantil.

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