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Poesias Premiadas


CATEGORIA ADULTO Primeiro lugar – Adulto

“Tachismo” Felipe Cattapan - Zurique (Suíça) Algum autor algum dia em algum livro escreveu que para se escrever poesia basta cortar os pulsos sem agonia e ver o sangue verter sem pudor meu sangue vertido correndo, escorreu recorrendo, discorreu convertido no vértice desta folha de papel: não vi poema, não virei poeta só vejo aqui este borrão sem meta Algum leitor algum dia talvez trace com fantasia o esboço de um sentido para o impulso irrefletido deste meu nada desmanchado Entretido omito a minha dor borrada revendo meu borrão sem estética evitando rever a cor do maior dos borrões sem métrica: este branco latente no papel permanente na sua ausência de ética; inerente às cores de qualquer pincel e onipresente em sua abstrata geometria; indiferente à nossa mancha assimétrica e ao nada de qualquer poesia.


Segundo lugar – Adulto

“Tambores da noite” Giovanna C. S. de Oliveira – Brasília (DF) Tive a impressão de ouvir os tambores E os cantos que cortavam a noite. Mas também ouvi os clamores Arrancados pelos açoites. Sim, ainda existe chibata. Existem barões e feitores. Hoje, o preconceito não mata, Mas se tranforma em tumores. Sim, confesso que ainda vivemos Cercados por inquisidores. Critérios demais, igualdade de menos, Só resulta em muitos dissabores. Sim, são herdeiros da criação Os deturpados valores Travestidos de política e religião Numa terra sem vencedores. Sim, confesso que me causa espanto Muitos conceitos e poucos amores. Todos nós vamos pro mesmo canto. Todo enterro precisa de flores. Eu sei que a cura está na cultura, Na educação e na coragem escassa. E nem sob a mais dolorosa tortura, Nem diante da mais chocante desgraça, Nem sob a chibata dessa noite escura, Negaria meu sangue, minha cor ou minha raça.


Terceiro lugar – Adulto

“Estampido seguido de agitação e calma” Silvana M. Ramos – Ananindeua (PA)

Com grande fereza, tu te sacaste do meu tempo. À margem de ti, despenquei da margem do mundo. Em queda arvorada, mergulhei no nada: um fundo

abafado

e profundo.


CATEGORIA JUVENIL

Primeiro lugar – Juvenil

“Brado contido” Maria Aretha R. Marinho – Fortaleza (CE) Salve, guerreiro De tão bravo posto. Revela teu rosto E Corpo inteiro. Bravo guerreiro, Teu grito, tão nobre, Mostra-se pobre Ao passar do ponteiro. Mas ouça, guerreiro: Teu som, não ouvido, Teu brado contido, Há de ser teu herdeiro.


Segundo lugar – Juvenil

“A pele e a pata” Adriano A. de Almeida Cirino – Belo Horizonte (MG) “Se vossa mão ou vosso pé vos é um motivo de escândalo, cortai-os e atirai-os longe de vós” Mt, 18 1 O que não aprendemos com as ovelhas: a nos tosar de quando em vez, remover tudo o que seja (cresça) pó, lã, crosta parasita. Cortar o que já não dá: tecido grosso que, despistadamente, se adere ao corpo. 2 O que sim aprendemos com as ovelhas: os caminhos da sombra, a precipitação (inda que menos patas, as nossas, no chão) Rebanho marcha massa cega, que crê tudo ver e, em verdade, nada enxerga.


Terceiro lugar – Juvenil

“Lembranças” Gabriela E. Mecalô – Abdon Batista (SC) E há certas dores, Que geram cicatrizes Que o tempo não acalma Que o tempo não cura... E há certos momentos, Que a mente não apaga Que o coração não esquece Que vira lembrança para sempre... E há certas pessoas, Que a vida nos tira Que não veremos mais Que vão-se eternamente... E há certas memórias, Que serão para sempre Que nunca mudarão Que serão eternas!


CATEGORIA INFANTIL

Primeiro lugar – Infantil

“Uma oração para Deus” Kely Cristina S. R. de Campos – Francisco Morato (SP) Senhor meu Deus Não sei o que faço Minha mãe fala demais E meu pai é um chato Meu pai disse Para não bater em ninguém Mas quando passa Dá um chute no neném Neném é o meu gato Gato chato, parece o diabo Fica miando com o rabo pra cima Querendo comer O ramister da vizinha Deus, dai-me paciência, amém!


Segundo lugar – Infantil

“Sendo Livre” Anna Beatriz O. Felix – Francisco Morato (SP) Eu quero ser livre para voar Ser livre para cantar Livre para dançar Fazer coisas de crianças Coisas que só sendo livre podemos fazer Gritar como se ninguém pudesse ouvir Pensar em coisas que não tem sentido Fazer milhares de loucuras Sentir o coração bater mais forte Enfim, essas são as coisas que eu quero E espero


Terceiro lugar – Infantil

“Mistureba” Mical R. de S. Silva – Francisco Morato (SP) Os livros nos levam a viagens! Com muitas imagens Muitas verdades E também coragens Mas a imaginação Tem muita ação, Com muit geração, E com o cascão, Sem noção. Mas qual o princípio disso? Com isso. Sem isso. Só disso? Mas a verdade é que Sem coragem Viagem, imaginação e o isso? Não vivemos sem.


MENÇÕES HONROSAS

“Vatlavic” Milena A. de C. Mendes – Paraíbuna (SP) Na cadeira onde tu sentas quero abraçar-te, sobre a esteira de palha na qual tu deitas quero aconchegar-te. A mesa onde tu escreves tem aquilo que almejo aprender, teus resistentes sapatos de ferro são as pegadas que corro para ler. Tua bengala será a minha mão, teu chapéu será a sombra do meu colo, teus livros e meus poemas espalhados pelo chão, tudo no espaço infinito onde um dia eu moro, minha estirpe, minha família... O que mais amo dessa tua velha mobília é poder entrar por ti, fazer-se em mim queda tão láurea como bastilha. Sem ti, o que antes não excedia, era eu cativo longe de toda vivência, que a mim mesmo interrompia.


“Folhas Secas” Edweine L. da Silva – Saitama (Japão) Viçosas, em troncos fortes, têm, porém, uma triste sorte. Espalhadas pelo vento... Esmagadas pelo tempo... Esquecidas pela vida... E sós. Como todos nós. ***


“Poema-Labor” Geraldo Trombin – Americana (SP) Gosto de poema-pimenta, Aquele que a língua esquenta, A viscera arde em prece E nunca mais se esquece. Gosto de poema-tormenta, Aquele que ondeia, mareia E, no viés do meu convés, Não se sabe se é sorte ou revés. Gosto de poema-bala, Aquele que é tiro e queda – abala, vara, queima -, Ou lambuza como deliciosa guloseima. Gosto de poema-labor, Aquele em que se trabalha, Batalha, risca, passa a navalha, Independente do prazer ou da dor.


3 Concurso de poesias Prof. Aparecido Roberto Tonellotti - Resultado