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Março de 2014 - Edição 009 - Ano 01 - Distribuição Gratuita - 4.000 exemplares

Vamos falar de cotas? O assunto não é tão simples, mas vale a pena discutir as cotas nas universidades. Completando 10 anos na UEL, o IA foi saber dos alunos o que eles pensam sobre elas Pág. 4

Carona solidária

Grupos no Facebook e aplicativos têm ajudado os universitários a voltarem para casa Pág. 3 Intercâmbio

Veja as diferenças entre uma universidade pública do Brasil e do México Pág. 8 Eu faço diferente

Estudantes praticam pole dance: um esporte de força e flexibilidade

Pág. 6


2 Tudo está interligado

S

e você está lendo este texto é porque o IA conseguiu dinheiro para ser impresso. Não, não é drama. É a realidade deste jornal que também é universitário e faz jus a isso: não tem dinheiro. Mas, pensando na vida de universitário, algumas coisas podem ser feitas para que a gente consiga guardar uma graninha. Uma delas é pegar carona. Para muitos, isso não é novidade, mas se você ainda gasta muito viajando de ônibus para a cidade dos seus pais (isso se você morar fora) ou sempre viaja porque gosta ou precisa, existem grupos no Facebook e aplicativos para smartphones que te ajudam a economizar. A vantagem é grande, mas cuidado. Escolha bem com quem vai viajar e veja se a pessoa não está se aproveitando da

Tô precisando de:

situação para tirar uma graninha extra isso é proibido por lei. A falta de dinheiro afeta todo mundo, ainda mais neste país que prefere o circo do que o próprio pão. Milhões gastos com Copa e muito pouco para a educação. A gente só percebe isso quando vê outros países. No México, por exemplo, vemos a condição de uma universidade que tem infraestrutura de primeira e dá todo o suporte para os alunos; diferente, talvez, desta universidade em que você está estudando. É também nesta universidade que você vê medidas serem tomadas para resolver o problema da educação básica: as cotas. Há dez anos, o sistema foi implantado na UEL e muitas pessoas, seja o índio, o negro ou o estudante da escola pública, têm conseguido sua formação

superior. Alguns levantam a bandeira pela inclusão, outros são contrários à forma com que o governo resolve os problemas e, com isso, dizem não às cotas. Surge, então, o preconceito? Não se sabe, pois ele fica velado. Mas o ‘pré-conceito’ surge quando não se entende por inteiro o que é tal conceito, daí nasce o julgamento. Não só com as cotas, mas em diversas situações. Se te perguntarmos, por exemplo, o que é pole dance, qual o ‘pré-conceito’ que você tem do esporte? Isso mesmo, ele é um esporte. Você vai dar o seu julgamento sobre ele. E é assim: de vários problemas sociais é feita a nossa vida, problemas que estão ao nosso lado, na universidade, em todo o resto... Não é conformismo, tem muita coisa pra ser feita e ser mudada.

E agora, como lidar com o ‘ex’? Diz o ditado que: “se ‘ex’ fosse bom, não seria ‘ex’”. Talvez este seja o mantra de muitos de nós, apesar de haver exceções – mas, na maioria das vezes, esta máxima é levada ao pé da letra. Na universidade, a melhor época da vida, temos romances aqui ou ali. Mas, e quando as coisas não terminam bem e você nem quer mais ver a cara do ‘dito cujo’? Lidar com ‘ex’ não é fácil, e fica pior quando o ‘ex’ é da sua universidade, do seu centro, ou pior, da sua sala - aí fica impossível! Mais cedo ou mais tarde, você o encontrará na fila do ônibus, na biblioteca, na cantina... E já reparou que, justo naquele dia em que tudo dá errado e você está muito mal, o infeliz brota do chão, do nada? Não precisa surtar por isso - não na frente dele, pelo menos! Há certas maneiras de não o encontrar, mas a verdade é que, muitas vezes, nós queremos encontrar o ‘falecido’ só pra provar que superamos e que não tem mais nenhum sentimento. Então, insistimos em passar pelo lugar onde nos conhecemos, onde nos encontrávamos na hora do intervalo. Cá entre nós, isso é péssimo, gente! A faculdade

é enorme e temos várias opções de caminhos. Para que provocar, não é mesmo? Isso é masoquismo puro. Sendo assim, como tudo na vida tem remédio, confira algumas dicas que são importantes e podem te ajudar: • Evite fazer o mesmo caminho que faziam quando estavam juntos, porque a chance de vocês se cruzarem é enorme; • não queira demonstrar que “superou” o fim, porque, todo mundo sabe, inclusive ele ou ela, que você não superou; • não pergunte aos amigos dele ou dela algo como: “Ele está bem? Já está em outra?”. Entenda que acabou! • seja forte e não ligue no dia em que estiver bêbado. Para todos os efeitos, exclua o número de telefone e, em último caso, deixe o celular em casa; • se nada disso adiantar e, se você ainda quiser, sejam amigos. Afinal, como diz outro ditado: “se não pode vencer o inimigo, junte-se a ele”. César Henrique Silva Rezende Graduado em Administração e Pós-Graduado em Moda: ´Produto e comunicação.

Vamos buscando as alternativas viáveis para fugir do aperto financeiro, da educação mal resolvida e do preconceito. E vamos levando, até que um dia, tudo se ajeite. Informativo Acadêmico

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Expediente Direção geral: Bia Botelho Colaboradores: LARISSA CANASSA Piauí (Fotos) FLÁVIA CHEGANÇAS (Reportagem) YUDSON KOGA (Diagramação)

Carol ferezini (Reportagem) carol werneck (Reportagem) isadora lopes (Reportagem)

IA TV allyson pallisser (Direção) adriana galLassi (Produção) Periodicidade: Quinzenal Tiragem: 4.000 exemplares Circulação: UEL, HU e condomínios próximos à UEL Impressão: Folha de Londrina Distribuição Gratuita Pautas, sugestões e cobertura fotogárica: contato@ialondrina.com.br comercial@ialondrina.com.br


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Pegar carona ficou mais fácil Aplicativos e grupos no Facebook são alternativas para quem quer viajar e economizar Reprodução

A Universidade Estadual é de Londrina, mas os estudantes que a escolheram como casa durante os anos de curso têm origem bastante variada. Vindos de todas as partes do país, principalmente de cidades vizinhas ou do interior de São Paulo, os universitários deixam para trás família e amigos, e contam os dias para chegar o fim de semana ou um feriado prolongado para poder colocar a mochila nas costas, pegar um ônibus e voltar à cidade natal para matar a saudade. Entre tantas idas e vindas, não há orçamento que suporte. Então, para diminuir os custos, uma prática antiga caiu no gosto dos estudantes: a carona. Mas nada de ficar à beira da estrada fazendo sinal para os carros que passam. Com o auxílio da tecnologia, tudo ficou mais fácil e seguro. Grupos no Facebook, sites e aplicativos para smartphones têm assumido o papel de conectar aqueles que procuram com os que oferecem carona. Este é o objetivo do grupo “UEL – Caronas”, criado pelo estudante de Administração Matheus Rizzi, que, segundo ele, surgiu da própria necessidade, “eu precisava viajar, mas não tinha dinheiro para as passagens. De Londrina até a minha cidade em Minas Gerais eu gastava 240 reais de ônibus. Quando conseguia carona, os gastos saíam pela metade”.

Dividir despesas

Vantagem para quem procura carona e também para aquele que oferece. Experiente na prática, o fisioterapeuta Bruno Luchetti faz mestrado na UEL e, a

É ilegal? Há alguns dias, tem circulado pela internet, principalmente nos grupos de caronas no facebook, um artigo escrito pelo representante da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Raphael Junqueira, no qual o autor defende que o ato de oferecer a carona e dividir as despesas da viagem se configura como uma prestação de serviços, o que segundo a sua interpretação da Constituição Federal, se caracteriza como transporte clandestino, passível de punição com multas que podem ul-

Apps

Cuidados Ao contrário da Alemanha, no Brasil, a carona não é tão comum assim, por reflexo da violência crescente e da insegurança por ela causada. Desta forma, os grupos de caronas ou mesmo os aplicativos servem como aliados, já que permitem ao usuário navegar pelo perfil daquele com quem irá dividir a viagem. Para se proteger, veja algumas dicas deixadas pelos entrevistados que já são experientes no assunto. Ao analisar o perfil da pessoa no app, verifique: • Se ela estuda na universidade que você;

mesma

• se tem amigos em comum; • se avaliação no aplicativo é positiva; • qual o seu histórico de caronas (possível de verificar no app).

cada 15 dias, volta para a casa dos pais em Jacarézinho-PR, a cerca de 120km de Londrina. Para reduzir nos gastos com combustível e pedágios, Bruno é um dos 6 mil membros do grupo “UEL - Caronas”, e lá divulga as vagas em seu carro. Mas quando não tinha veículo próprio, o fisioterapeuta usava o mesmo recurso para voltar para casa, “pra mim era bom pegar as caronas e agora também é bom dar caronas, financeiramente. Dividimos as despesas e fica bom pra todo mundo”, garante.

trapassar os 5 mil reais. No entanto, para o advogado Fabiano Nakamoto, a carona não poder ser considerada como prestação de serviços, pois não há um Contrato de Transporte, conforme ele explica, “num contrato de transporte, você contrata, por exemplo, um taxista para levá-lo daqui até a cidade vizinha. O taxista não iria até a cidade vizinha se você não o tivesse contratado. Já numa carona, eu necessariamente vou até a cidade vizinha, e se eu levo você, é irrelevante se vamos dividir as despesas desta viagem. O fato de você me pagar é retribuição pela minha cortesia, e

Retribuir a ajuda

Assim como Bruno, outro que costumava pegar caronas e agora as oferece é o estudante de Agronomia, Gustavo Viegas. Natural de Monções-SP, a cerca de 300km de Londrina, Gustavo volta para casa uma vez por mês, e afirma que a economia não é único motivo para a prática da carona, “o que eu gastava de ônibus, de carona saia pela metade. Hoje eu ofereço não só pelas despesas, mas para ajudar também, porque quando eu precisava eles me ajudavam”.

não pagamento de um serviço.” De fato, como Junqueira argumenta em seu artigo, o Poder Público é responsável por regular o transporte de coisas e pessoas, e àqueles que visam a exploração do transporte para obtenção de lucro devem estar de acordo com as normas da ANTT, conforme explica a advogada Ana Carolina Félix, “o que acontece é que ao receber uma vantagem do carona, a lei brasileira configura o condutor do veículo como prestador de serviço de transporte. Contudo, no Brasil, o Estado tem uma espécie de monopólio desse tipo de serviço. Assim, se o condutor do

Além dos grupos nas redes sociais, outra forma de encontrar “caronistas” é através de aplicativos para smartphones. Disponibilizados gratuitamente pelos desenvolvedores, esse tipo de ferramenta permite ao usuário cadastrar tanto a oferta quanto a procura por caronas. Ao baixar o aplicativo, e permitir que o mesmo tenha acesso as informações disponibilizadas em redes sociais, é criado um perfil da pessoa, ao qual se tornará visível apenas aos usuários que estejam procurando “caronistas” para a mesma região desejada. É assim que funciona o “Caronas.co”. Atualmente apenas disponível para usuários do Facebook, o aplicativo desenvolvido por Stanley Takamatsu surgiu a partir das experiências de seu sócio Daniel Velazco-Bedoya que, ao visitar a Alemanha, percebeu o quanto a prática da carona era culturalmente aceita por lá. Stanley conta que Daniel “além de economizar em suas viagens, também conheceu muitas pessoas desta forma. Foi aí que surgiu ideia de criarmos o Caronas.co, em uma tentativa de mudar a cultura aqui no Brasil.” Para tornar o aplicativo mais seguro, o usuário deve ter mais de 18 anos e possuir a Carteira Nacional de Habilitação. Além disso, “o Caronas.co disponibiliza um sistema de avaliação do usuário com o intuito de promover os usuários mais ativos, porém, não deve ser utilizado como único meio para verificação do usuário. Orientamos os usuários a tomar todos os cuidados necessários para certificar-se de que a pessoa que está em contato, não representa riscos de qualquer natureza”, completa Stanley.

veículo que oferece a carona recebe dinheiro para tanto, estará infringindo a lei”. Sobre as multas como forma de punição às caronas, Nakamoto acredita que seja difícil a equiparação de um grupo de amigos que divide as despesas de locomoção à transportadores públicos clandestinos, passíveis de multas ou outras penalidades, e completa: “a Carona Solidária possui um significado que extrapola o contrato de transporte, e atinge valores muito maiores, como a mobilidade urbana, consciência ambiental, sustentabilidade e qualidade de vida”.


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As várias faces das cotas Completando dez anos na UEL, o sistema ainda gera discussão e preconceito no campus Lembra quando você foi fazer a inscrição no vestibular e apareceu a opção para se colocar como cotista? Para quem usa essas vagas, o sonho de cursar uma faculdade fica um pouco mais próximo; para quem não usa, o sistema pode parecer injusto. O sistema de cotas da Universidade Estadual de Londrina foi a provado em julho de 2004, entrou em vigor no vestibular de 2005. No início, contava com até 40% das vagas para alunos que tivessem cursado o Ensino Fundamental e o Ensino Médio integralmente em instituições públicas. Hoje, essa divisão também conta com as cotas raciais. Ainda que sejam encaradas com preconceito por muitas pessoas, as cotas estão na UEL com o objetivo de trazer para o ensino superior os alunos que têm oportunidades reduzidas. Os estudantes de escola pública, neste sentido, são os que estão mais bem representados, encarando um preconceito menor em relação a negros e indígenas, que ainda encontram muitas dificuldades para serem reconhecidos no contexto acadêmico, histórico e mesmo social. Ao completar 10 anos na UEL, o sistema ainda forma opiniões divergentes. Ensino público: o único vilão? Mariana Nunes tem 19 anos e é estudante de Psicologia na UEL. Ela estudou integralmente em escola pública durante o ensino básico, e utilizou as cotas para entrar na universidade. “Talvez, para ser aprovada no primeiro vestibular, as cotas tenham sido fundamentais”, avalia, “porque passei por um colégio em que o ensino não era tão bom. Nem todo mundo tem as mesmas oportunidades de ter um Ensino Fundamental e Médio tão bons como em colégios particulares”. A estudante poderia ter usado também as cotas raciais para o teste seletivo, mas essa não foi sua decisão. “Na verdade, não sei por que não usei, mas conheço muita gente que não usa porque não sabe que pode. Falta informação, nesse sentido”, diz. Sobre preconceito, a opinião da futura psicóloga é

a mesma de outros entrevistados pela reportagem. “Raramente as pessoas chegam até você para criticar sobre esse assunto, o preconceito é meio que ‘por baixo dos panos’; mas só pelo fato de você ser negro ou pardo elas já perguntam: ‘passou por cotas?’, sendo que as cotas podem ser de escola pública também”. Para Paulo Henrique Silva, 21 anos, também estudante de Psicologia, o ensino público está defasado, mas a discussão sobre cotas raciais é mais abrangente que esse fator. “Estudos já provaram que, ainda que houvesse equivalência de qualidade entre o ensino público e o privado, levaria 32 anos até que os negros conseguissem se equiparar aos brancos. O Brasil demorou 162 anos desde a lei Áurea para começar a discutir o sistema de cotas. Na Índia esse processo levou apenas três anos”, relata. Ele acredita que “a desigualdade não se dá apenas pelo sistema de ensino, porque quando se fala em cotas não se está falando apenas de uma questão educacional, mas racial. O Brasil não quer admitir que é um país racista”, opina. Paulo acredita que “o negro tem baixa autoestima, porque sofre preconceito todo dia, não tem liberdade de expressão, de cultura ou mesmo de religião. Tudo que é ligado ao negro é considerado negativo, demonizado, errado”. Estudante de Ciências Sociais, Nikolas Pallisser Silva, 20 anos, concorda com a visão de Paulo. Para ele, as cotas ainda deixam a desejar, porque não proporcionam um debate a respeito do tema e não informam corretamente seu público-alvo. “O papel das cotas deveria ser o de levantar a discussão da desigualdade, seja ela social, econômica ou racial. Quando você diz que o ensino público é o único vilão, está excluindo a questão do racismo, e é muito importante que ele seja discutido”, explica. Da aldeia para a faculdade Miriam Veigas, 32 anos, indígena, cotista, é estudante de Medicina na UEL. Inspirada pela mãe, Rosângela Moraes, que já havia sido aprovada no curso

Mariana Nunes

Paulo Henrique Silva

Miriam Veigas

de Odontologia na mesma universidade utilizando as cotas, ela não acha que precisou se esforçar menos para ser aprovada, mas entende que a educação que recebeu na escola da aldeia seria insuficiente para garantir a vaga na faculdade. “É complicado. No caso dos indígenas, especificamente, a formação

primária é muito precária, não dá para competir com quem estudou em outros colégios, mesmo públicos. Com os particulares, então, a diferença é ainda maior”, diz. Miriam entrou no curso mais concorrido da UEL já no primeiro vestibular, e acredita que o sistema de cotas foi de-


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me sustentar”, explica, “na UEL, além da vaga, eu sabia que receberia uma bolsa para me manter enquanto estivesse estudando, o que fez toda a diferença. Então, voltei para cá e fiz a prova”. Ela conta que a irmã, Alessandra, também foi aprovada em Medicina, na UEL, pelo sistema de cotas. Questionada se a faculdade mudou suas vidas, Miriam prefere manter os pés no chão: “por enquanto, passar no vestibular não mudou nossas vidas em nada, porque ainda somos universitárias, mas acho que, quando estivermos formadas, aí sim fará toda a diferença”. Yago Santos, 18 anos, é estudante do segundo ano de Jornalismo e, também de origem indígena, concorda com Miriam e vai além. “Não vejo o sistema de vagas suplementares como privilégio, seria mais como uma forma de compensação pelo que os meus antepassados não-indígenas fizeram aos meus antepassados indígenas, acho muito importante”, defende.

Nikolas Pallisser Silva

Yago Santos

cisivo para isso. Aos 29 anos, aquele era não apenas a primeira prova para Medicina, mas a primeira prova de vestibular que ela prestava na vida. “Eu estava morando fora do Paraná, então não via maneira de fazer um curso integral como Medicina, já que o fato de o curso ser integral me impediria de trabalhar para

A ação afirmativa para indígenas As vagas reservadas para indígenas, no entanto, chegaram à UEL antes do sistema de cotas, em 2002. De 2006 até 2012 os indígenas foram contemplados com seis vagas a cada ano, conforme a Lei Estadual n° 14.995/2006. Isso totaliza, em dez anos, 54 vagas. No entanto, o caso específico dos indígenas possui algumas particularidades. Por resolução da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI), esses alunos recebem uma bolsa mensal no valor de R$633,00. Mesmo com esse incentivo, o número de evasão ainda é alto e a permanência dos alunos indígenas nos cursos continua sendo um desafio para a Universidade. A ação afirmativa para negros Dentro do número total de vagas reservadas para alunos cotistas, 50% eram reservados para negros até 2013. “Este critério de proporcionalidade comprometeu significativamente a efetividade do sistema como mecanismo de inclusão nos cursos mais concorridos, notadamente para os candidatos negros que apresentam um baixo índice de conclusão do Ensino Médio”, afirma a professora Maria Nilza da Silva, do Departamento de Ciências Sociais da UEL, em seu trabalho “As cotas na Universidade Estadual de Londrina: balanços e perspectivas”, escrito em conjunto com o professor Jairo Queiroz Pacheco. No entanto, a partir do vestibular de 2013, foi definida uma nova configuração, com a reserva efetiva de 40% das

vagas de cada curso para os estudantes de escola pública e, destas, metade reservada aos negros. Maria Nilza afirma que o número de candidatos negros cotistas ainda é relativamente baixo se comparado ao número de inscrições para o vestibular nas quais a identificação de cor é “negro”. “Algumas hipóteses podem ser levantadas para tentar explicar isso”, explica, “a primeira é que a instituição não conseguiu comunicar com clareza como o sistema funciona, levando algumas pessoas a pensarem que a opção pelas cotas pudesse diminuir suas chances. A outra é que a acirrada campanha da maioria dos meios de comunicação desqualificando o sistema de cotas tenha levado uma parte dos candidatos a não optar pelo sistema”. A UEL conta com o Núcleo de estudos Afro-Asiáticos (NEAA), que, juntamente com a administração da Universidade, se preocupa, sobretudo, em elaborar projetos para a captação de recursos a fim de garantir a permanência dos estudantes cotistas. Desigualdade e preconceito no ambiente acadêmico e social “Na primeira semana de aula estávamos falando de quem passou em chamadas subsequentes do vestibular, e não na primeira chamada. Eu emiti uma opinião sobre o tema e ouvi algo como ‘você não pode falar, porque é cotista’. Foi uma brincadeira, mas é óbvio que havia um preconceito velado na frase”, conta Paulo. “Existe um mito de democracia racial que, na verdade, não existe. Enquanto os povos europeus vieram para o Brasil voluntariamente, atraídos pelo governo, o negro veio para servir a um propósito e, depois, acabou criminalizado, segregado às favelas, isolado à margem do resto da sociedade. O índio passa por uma situação parecida, de falta de consciência do verdadeiro papel dele na sociedade. Eu mesmo só fui ter essa consciência depois que comecei a militar pela causa negra”, completa. Citando Aristóteles, o aluno de Ciências Sociais Nikolas Pallisser Silva resume o que parece ser um sentimento quase unânime entre os cotistas: “é preciso reconhecer que as pessoas são desiguais para que se possa proporcionar igualdade. Nossa sociedade tem muita desigualdade, há grupos sociais que se sobrepõem a outros. As cotas são como um remédio amargo. Precisamos dele, mas é doloroso encarar essa realidade. Seria ótimo que houvesse igualdade, mas, como não há, a política de cotas ajuda a garantir a todos o acesso às mesmas oportunidades”.

Contraponto – os argumentos de quem é contra a política de cotas O sistema de cotas também pode ser motivo de discordância entre os alunos. Muitos acreditam que sua existência deixa os não-cotistas em desvantagem na hora do vestibular. A reportagem conversou com um estudante que discorda dos argumentos utilizados pelos cotistas. O aluno, que prefere não se identificar para não sofrer represálias, será tratado apenas pelas iniciais “R.M.”. Informativo Acadêmico: Por que você é contra a política de cotas? R.M.: Porque, a meu ver, isso tira a oportunidade de outras pessoas, que se esforçaram para garantir uma vaga na universidade IA: Quando se fala da questão de cotas raciais, você não acha que essa possa ser uma forma de compensação por questões de caráter histórico? R.M.: Não. Acho que, antes das cotas, já havia negros formados na faculdade. Esse é um processo político, uma tentativa de massificação da sociedade, quase uma inclusão forçada. IA: Então, se você considera que há uma inclusão forçada, reconhece que há algum tipo de exclusão? R.M.: Pode ser que sim, mas as cotas não resolvem esse problema. Pode ser que essas pessoas tenham mais dificuldade para passar no vestibular, porque tiveram um ensino básico deficitário, mas haverá oportunidades para todos que correrem atrás dela. IA: Qual a sua sugestão para que as cotas não sejam mais usadas? R.M.: A maneira de corrigir a desigualdade é melhorando a base educacional. Se o governo der mais atenção à educação, o sistema de cotas não será necessário.


6 Eu Faço Diferente:

o meu esporte é pole dance

Pole dance: um esporte além da sensualidade Apesar de ainda existir o preconceito em relação ao esporte, o pole vem ganhando adeptos e mudando a vida de seus praticantes “As pessoas perguntam: ‘Nossa, mas por que você esta fazendo pole dance?’ e te olham desconfiadas: ‘o que será que ela é, será que ela é prostituta, será que ela dança na noite?’”, relata Amanda Garbim Bana, estudante de Psicologia da UEL. Ela percebe que o senso comum entende que o pole dance é feito por garotas de programa como um show sensual. “As pessoas pensam, já está rotulado”, declara. A maior dificuldade do esporte para Amanda é o preconceito. A estudante conta que já foi questionada se faz aulas de pole dance porque se apresenta em casas de prostituição. Ela acredita que essa postura se deve à falta de conhecimento. “As pessoas não sabem que é um esporte e que qualquer um vai lá e faz a aula, assim como o tecido e a lira que são artes circenses”, opina. E completa: “Quando o assunto mexe com a sexualidade das pessoas, isso causa um estranhamento e daí vem o preconceito”.

Gabriel pratica pole dance há um mês e já pensa em competir

Autoestima lá em cima

Amanda elenca mais um benefício desse esporte: o aumento da autoestima. “Eu fiquei mais confiante. A minha autoconfiança se elevou no sentido de: tem um movimento muito difícil, aí você treina e consegue fazer, é uma conquista”, aponta. Ela acredita também que o corpo ficar mais bonito colabora para a autoconfiança do atleta. Apesar de não ter procurado o pole dance pela sensualidade, Amanda acha que essa é “uma parte boa do pole”, isso porque “muitas amigas que entraram lá pela sensualidade do pole melhoraram muito a autoestima, de ter problema com sexo, de não se achar bonita, e ali no pole

O estudante lembra também do preconceito que o esporte sofre. “Acho que todo mundo sem exceção tem uma péssima primeira impressão, isso é meio que de praxe. Eu não conheço ninguém, e eu me incluo nessa, que nunca tenha ouvido falar de pole dance, ou pela novela, ou por algum filme, que o retratasse num bordel, ou coisa do gênero. Acho que todo mundo conhece por aí”, afirma. Sobre a visão geral que se tem sobre a mulher que pratica pole, ele diz: “tem muita diferença entre sensualidade, erotismo e vulgaridade, são coisas bem diferentes”. Ele conta que “no pole não se usa roupas curtas e justas por causa de estética, mas porque precisa da pele para fazer as acrobacias. É a pele em contato com o mastro que dá firmeza durante o movimento”.

Um esporte de força

Um esporte com beleza artística

O pole dance atraiu Amanda por unir a arte com o esporte. “Eu estava procurando uma coisa que não fosse fazer o exercício pelo exercício, alguma coisa com essa beleza artística”, explica. No começo, a estudante conta que foi difícil, “mas, depois, você descobre que não é força, e sim técnica. Aprende a equilibrar a força no braço, no abdômen e nas pernas. E logo você começa a fazer vários movimentos”, explica. Durante a aula trabalha-se flexibilidade e condicionamento físico, além do exercício na barra, que é o pole dance de fato. “Na primeira meia hora [de aula] a gente tem toda uma preparação e na outra metade a gente vai para o pole”, conta. Ela garante que as mudanças no corpo aparecem rápido. O praticante de pole dance fica com o corpo definido, com resistência física e flexibilidade. “Trabalha tudo. Desenha as costas, o braço fica definido, as pernas, principalmente o abdômen. Começa a aparecer o famoso ‘tanquinho’”,diz.

A visão taxada do pole

Amanda afirma que o pole melhora a autoestima elas começaram a elevar a autoestima e hoje elas não têm mais problemas com isso”. A estudante destaca, no entanto, que a sensualidade não é o foco da aula. “A gente aprende sequências, a gente aprende movimentos de chão, que é a parte mais sensual. Se você quiser montar uma coreografia você consegue, mas não é o foco”.

Pole dance também é “coisa homem”

Amanda recomenda o pole dance para pessoas que não gostam de academia, mas gostam de arte e dança ou de qualquer esporte artístico. “Até os homens mesmo. Tem homem que pensa: ‘Que gay! Vou fazer pole dance, aqueles movimentos femininos?’ Não, pole masculino é totalmente diferente, os movimentos são totalmente masculinos, não tem nada sensual ou feminino. É bem esporte mesmo e quase ninguém conhece”, lamenta. Gabriel Xavier Felippe não faz parte desse grupo que não sabe o que é pole dance. Ele conheceu o esporte a partir de uma foto na internet. “Era a foto de um cara fazendo bandeira, que é uma das acrobacias mais complicadas do pole, e eu me apaixonei pela foto. Pensei: ‘Eu tenho que experimentar’”, relata. Você não leu errado, Gabriel se encantou pelo esporte e pratica pole dance há um mês. Para o estudante de Biomedicina, a maior dificuldade também é o preconceito. “Amigos meus tiram sarro porque eu faço pole dance. Dizem: ‘Pole dance, coisa de mulherzinha’. Primeiro, por não conhecerem o esporte e também porque ele é muito carregado com a imagem do sexual, do sex appeal”, expõe.

Segundo o estudante, os movimentos do treino ajudam mais no desenvolvimento da força, entretanto a flexibilidade também é importante, já que sem ela o atleta não consegue executar muitas acrobacias. Com apenas um mês da aula, Gabriel já nota a diferença em seu corpo. “No volume de alguns grupos musculares e definição de outros. As minhas pernas já eram fortes, porque eu ando muito, mas agora definiu as pernas, os braços, o peito. Eu estou perdendo gordura. O resultado vem rápido”, garante.

Competição

O estudante também achou complicado no início. “É muito puxado. Tem que ter muita força de vontade”, explica. Gabriel almeja chegar ao nível de competição de pole dance, desde campeonatos nacionais até competições de nível mundial. Para isso, se dedica ao esporte e suporta as dores musculares e os roxos que o acompanham devido à fricção da pele com o mastro. Em sua visão o pole dance traz muitos benefícios ao público masculino. “Parafraseando o meu maior ídolo, Kristian Lebedev, o polesport atende a todos os interesses dos homens, porque você vai ganhar força, você vai ganhar resistência, vai ganhar flexibilidade rápido. Os caras podem falar assim: ‘flexibilidade, pra que eu quero?’, porque sem ela você não consegue fazer vários movimentos simples. Tem muito cara de academia que e fortão, é gigante, e não faz o que eu faço com um mês de aula”, explica. Para os homens que têm vontade de conhecer o esporte, Gabriel deixa a sugestão. “Normalmente, o cara que faz pole costuma ser forte. Garotas costumam gostar de homens fortes. Você vai ficar assim e rápido. Então, tenta que é muito legal e vale a pena”, incentiva.


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PROGRAMAÇÃO

Quem é o Junt.us? Junt.us é uma proposta que nasce para inspirar as pessoas a estarem juntas e serem agentes de humanização no trabalho. Somos um espaço colaborativo onde diversas pessoas criam, aprendem, crescem e trabalham juntas.

Venha nos conhecer Junt.us Espaço Colaborativo Rua Goiás, 1774, Londrina - PR [43] 3028 2888 somos@junt.us

Filme: Eu Maior

Dia 03 de Abril (quinta-feira), às 21h Local: Boulevard Londrina Shopping Av. Theodoro Victorelli, 150,

DOJO

Dia 10 de Abril (quinta-feira), das 19h às 21h Encontro de programadores. Local: Junt.us


8 Intercâmbio

Por Flávia Cheganças

UEL versus UADY: diferenças entre universidades públicas Fotos: Flávia Cheganças

J

á são mais de dois meses que estou no México estudando Comunicação Social (sim, quando se está em intercâmbio o tempo parece que passa mais rápido), então nessa segunda matéria sobre minha estadia no país, resolvi mostrar as diferenças entre a UEL e a universidade conveniada onde eu estudo: Universidade Estadual de Yucatán. Umas das coisas que mais me impactou quando visitei a UADY pela primeira vez foi a infraestrutura que ela possui. Parecia que eu estava em uma faculdade particular e não pública. O campus de Ciências Antropológicas, que começou a funcionar em 2006, está situado em uma área muito grande onde estão construindo mais prédios para que todos os outros cursos da área de Ciências Sociais, Econômico-administrativas e Humanas que estavam em construções mais antigas se concentrem nesse lugar. Como é a infraestrutura? Além das salas serem boas, com cadeiras e mesas novas, ventiladores e ares-condicionados, os laboratórios de computadores, de rádio e TV são sensacionais. Nós, estudantes, sabemos o quão frustrante é querer realizar as aulas práticas ou participar de projetos e não ter materiais suficientes, ou simplesmente não ter equipamentos para realizá-los. E a UEL, infelizmente, não tem essa infraestrutura que tanto desejamos. Basta lembrar dos estudantes de Odontologia que se encontram em um lugar que está em condições precárias para atender seu pacientes. Ou ir até ao Centro de Comunicação e Artes (CECA), onde tenho minhas aulas, e ver como faltam computadores, ilhas de edições (máquinas necessárias para fazer e editar matérias para telejornais e rádiojornais) e, até mesmo, estúdio para realizar as aulas práticas. Ano passado, por exemplo, nós, estudantes, e os funcionários do Departamento nos juntamos

Estúdio do curso de Jornalismo na UADY

Izis Karoliny, 25 anos, , estudante de Serviço Social - Universidade Federal de Alagoas (UFAL) “Quando cheguei no meu curso na UADY tomei um susto quando vi que ele se situava na faculdade de Enfermagem, algo bem distante do que encontro no Brasil. Além dos cursos terem nomes diferentes, muitas disciplinas e métodos de aprendizagem também não são iguais.”

Renata Ludovici, 22 anos, estudante de Contabilidade - Universidade Federal de Alagoas (UFAL) “O que eu senti de diferente é que aqui no México há um incentivo à produção científica. Poucos trabalhos ou quase nenhum são apresentados, e muitos deles, que são iniciados pelos professores terminam por falta de motivação dos alunos.” Francini Dias Padilha, 22 anos, estudante de Contabilidade – Universidade Estadual de Londrina (UEL) Umas das maiores diferenças que eu consegui notar é que aqui no México eles possuem mais laboratórios de informática, existem cerca de 5 salas que os alunos podem usar para fazer seus trabalhos. Em relação as aulas, os alunos interagem mais, pois estão sempre fazendo alguma pergunta para o professor ou dando sua opinião em relação ao tema que está sendo discutido e isso conta muito na nota final do aluno. Dependendo do professor, as provas escritas representam apenas 30% da nota final, o resto é composto por trabalhos e participação. para comprar tecido para que pudéssemos ter um cenário para gravar nosso telejornal. Triste, não?! Mas é a realidade de grande parte do ensino público no país do futebol e da grandiosa Copa do Mundo esse ano. Precisa pagar uma taxa? Para estudar na UADY, os estudantes também têm que se qualificar por um exame, e mesmo sendo pública, os alunos de graduação têm que pagar uma taxa de 1.200 pesos mexicanos por ano

Viviane Brito, 22 anos, estudante de Direito - Universidade Federal de Alagoas (UFAL) “O modo de avaliação é totalmente diferente, o que faz com que eu sinta uma maior dificuldade aqui, já que não estava acostumada com os exames todos na mesma semana e com a quantidade de tarefas que são passadas pelos professores daqui do México. Em relação ao método de ensino, a UFAL e a UADY são parecidas, porque utilizam de aulas expositivas e orais.

– o que equivale a aproximadamente 215 reais. Para mim, esse valor é muito pequeno, se é para ter um pouco mais de conforto e de equipamentos para estudo. E vocês, o que acham? Deixariam de ir de vez em quando em uma balada para ter uma universidade melhor? Já em relação às aulas, cada professor (seja de matérias ou cursos distintos) tem suas particularidades, no entanto, uma coisa em comum é que eu costumo ter mais trabalhos para realizar em casa. Toda semana o professor pede alguma

atividade, mesmo que seja pequena, e na maioria das vezes é em grupo, o que pode gerar uma maior aproximação entre os alunos e uma não sobrecarga do estudante. Devido a essas particularidades e para saber mais como é a UADY em outros campus e cursos, eu conversei com quatro brasileiras que estão no intercâmbio, para saber o que elas pensam: três estudam na UFAL (Universidade Federal de Alagoas) e a outra é também da UEL.


9ª edição - Março de 2014