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o múltiplo ideal desta gama de companhias inovadoras é algo complicado e ninguém pode dizer que 20 ou 50 vezes projetados acima do faturamento real seja algo desmedido. “Há muita especulação em cima da falta de conhecimento dos números reais do Facebook e muita certeza dos valores por quem conhece os dados da empresa”, aponta Gitahy. Para ele, a valorização contida nos US$ 50 bilhões (ou US$ 65 bilhões, mais tarde especulados) do Facebook e demais empresas da web 2.0 tem mais relação com o que o mercado espera delas do que o faturamento atual. “Não há como ter certeza do número ideal, porque não se tem outras companhias do mesmo modelo de negócio para se comparar.” Mesmo assim, ele não compraria as ações da rede social mais famosa do mundo logo no início do processo de IPO. “Elas devem abrir com preço elevado, o que favorece especuladores, e depois se estabilizar”, afirma.

SobreviventeS da bolha Quem sobreviveu ao estouro das pontocom também não teme uma nova bolha. “Em 2000, havia muitos jovens empreendedores inexperientes comandando negócios de milhões de dólares de acionistas num mercado muito novo”, lembra o sócio-diretor da Concrete Solutions, Fernando de la Riva. A firma que ele tinha à época passou de 12 para 150 funcionários em menos de um ano. Quando a Nasdaq afundou, os investidores cancelaram o projeto e a IPO prevista. O executivo relata que aprendeu muito sobre este fluxo de investimentos vorazes e a fuga repentina de capital. “O mesmo ocorreu com outros empresários e as lições foram absorvidas pelo mercado.” O cenário, então, não se assemelha ao ocorrido em 2000. Atualmente, a Nasdaq possui mecanismos de proteção que poderiam evitar o movimento de fuga ocorrido na bolha. Há diversas regras de gestão do risco e o pregão para em caso de queda persistente. Alguns economistas ainda acreditam que os especuladores injetaram gás para a bolha estourar mudaram de ramo. A crise provocada pelos fundos de derivativos imobiliários de 2008 e a atual especulação com o preço das commodities de alimentos seriam sinais de que o mercado de tecnologia vive somente com os medos e deslumbramentos dele próprio. Outras forças ainda estariam agindo em favor das empresas de internet ligadas ao movimento de redes sociais. O número de smartphones em crescimento, as

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Foto: divulgação

Indústria

Facebook Seu valor atual é de US$ 65 bilhões e deve fazer IPO nos próximos meses. Em 2007, era avaliado em US$ 10 bilhões

Ogata, da Cisco: “Os nossos clientes que têm adotado plataformas de colaboração não estão tomando esta decisão pelo valor de mercado do Facebook”

plataformas de negócios colaborativas, os novos dispositivos como tablets e o avanço da computação em nuvem estão construindo um ambiente mais favorável para a sustentação dos novos negócios digitais do que o ecossistema comandado por poucos early adopters com conexões precárias existente há 11 anos. “Pode haver alguma especulação no valor em torno do Facebook, mas a empresa é promissora e mudou o modo como nos relacionamos com a internet”, aponta o diretor de novos negócios da Focusnetworks, Rafael Kiso, outro sobrevivente da bolha pontocom. Diante disto, o surpreendente valor do Facebook e outras empresas de web 2.0 pode até causar espanto, porém, é impossível dizer que ele não estaria próximo da geração de valor esperada. Para Kiso, um múltiplo de sete vezes o valor do Ebitda para uma empresa de nova tecnologia numa abertura de capital é considerado muito bom. “O Google tem seu alto valor, porque consegue indexar a web, já o Facebook faz isto com a cabeça das pessoas e as redes de amigos delas. Quanto vale isto?”, questiona. InformationWeek Brasil | Marçode de2010 2011 InformationWeek Brasil | Janeiro

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Information Week Brasil - Ed. 237  

O VALOR DA TI E TELECOM PARA OS NEGÓCIOS | Março de 2011 - Ano 12 - Ed. 237 EXECUTIVOS DE TI DO ANO 2011 - Décima edição do estudo elege os...

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