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FARROUPILHA

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ANO XIII

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EDIÇÃO 650

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14 DE AGOSTO DE 2020

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R$ 3,00

Uma gestão no olho do furacão Ramon Cardoso

Prestes a completar cinco meses do primeiro registro de covid na cidade, prefeito Pedro Pedrozo avalia ações realizadas durante a pandemia, que tiveram ainda um impeachment pelo caminho Matéria Especial, páginas 2 a 4, e Editorial

CIDADE

EDUCAÇÃO

ESPORTE

Cine Drive-In em nova edição Veia musical aflorada em família Sexta decisiva para Segundona Promovido pelo Sesc e prefeitura, ideia Patrícia e Ana Carolina, alunas da EPM, é repetir o sucesso do primeiro evento são semifinalistas de concurso da OSSM Página 15 Página 18

Reunião deve definir se a competição estadual será retomada ou cancelada Página 19


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FARROUPILHA, 14 DE AGOSTO DE 2020

GESTÃO AVALIADA

Assumindo o Poder Executivo em meio

a um turbilhão

Pedro Pedrozo assumiu a prefeitura às vésperas da pandemia, em uma licença de Claiton Gonçalves, implementou algumas ações, mas teve autonomia a partir do impeachment no momento mais turbulento da história farroupilhense

E

mbora a pandemia fosse um problema em escala global e a situação estivesse fora de controle na China e na Itália, como os primeiros epicentros, no início de março, era difícil imaginar que a crise sanitária tivesse um impacto tão forte e, sobretudo, duradouro no Brasil e, em especial no Rio Grande do Sul e na Serra, principalmente por conta do clima e pela série de doenças respiratórias que já são recorrentes no outono e inverno. Foi nesse cenário que o vice-prefeito Pedro Pedrozo assumiu a prefeitura, ocupando o lugar do prefeito Claiton Gonçalves, que solicitou uma licença médica. Não era das situações mais confortáveis. Em meio a tudo isso, Farroupilha teve um caso de covid-19, um dos primeiros municípios gaúchos a ter registro, em 18 de março, o que obrigou o gestor a tomar medidas urgentes. O retorno de Claiton foi breve, já que o processo de impeachment foi finalizado pelo Legislativo no dia 15 de maio, com votação favorável a seu impedimento. A partir daí, Pedrozo assumiu como novo chefe do Poder Executivo com a crise sanitária já tomando proporções maiores e se estendendo até os dias de hoje. Na entrevista que segue até a página 4, feita no Gabinete do Prefeito, no final da manhã de terça, o gestor municipal faz uma avaliação

de todo esse turbilhão de acontecimentos. Dos cinco meses do primeiro caso, verificado na Vila Jansen, aos três meses de gestão, passando pelas questões que envolvem a pandemia, da sanitária à econômica, discussões com o governo do Estado e as tentativas de manter o setor produtivo em funcionamento a partir das decisões sempre polêmicas adotadas no modelo de distanciamento controlado. Confira os principais trechos da conversa. Jornal Informante: Como foi assumir em meio à pandemia? Pedro Pedrozo: Eu estava na Casa de Cultura e a ideia era de terminar o mandato lá. Quando o Claiton se licenciou eu assumi em meio a uma revolução e neste momento tivemos o primeiro caso no município. Paramos tudo, inicialmente por uma semana. Convoquei o Conselho de Saúde, as forças vivas da cidade e conversamos, destacando que não se tratava de um problema comum, mas de toda uma geração e que todos tinham que assumir a responsabilidade. Notamos o governo federal e estadual um pouco perdidos na questão o que deixou a situação ainda mais delicada. Oferecemos todo o respaldo e suporte ao Hospital Beneficente São Carlos, reformamos o prédio da UPA, criamos uma linha para esclarecimento de dúvidas 24 horas por dia. Eu diria que foi um período de medo. Depois o Claiton reassumiu e ficou até o impeachment. Esse foi um se-

gundo momento, em que tivemos mais liberdade para atuar, reduzindo e aglutinando Secretarias, enxugando a máquina, nomeando secretários que muito nos ajudaram. Acho que esse foi o momento da raiva, em que todo mundo estava procurando um culpado: ou era o prefeito, ou o governador ou o presidente. Passamos a interagir e muito com a comunidade, especialmente com as nossas lives, e agora estamos num terceiro momento, que eu chamo o da consciência, de que é necessário termos os cuidados com a saúde, mas que também precisamos trabalhar.


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Ramon Cardoso

Análise pormenorizada Pedrozo avalia sua condução da prefeitura, reforça a conversa mantida com as entidades, o distensionamento do ambiente, os embates para a abertura do comércio com o governo do Estado e não descarta concorrer caso seu nome seja consenso dentro do bloco situacionista

Informante: Como avalia as decisões que foram tomadas no período? Pedrozo: Acho que foram oportunas. Fizemos o primeiro lockdown do Brasil (a partir do primeiro caso, na Vila Jansen), testamos em massa a população, que é uma forma de ter um controle sobre a doença, a comunidade nos ajudou muito, se uniu, trabalhamos de maneira muito organizada. Ampliamos a capacidade do São Carlos, que saltou de 10 para 20 leitos de UTI e dispõe de 32 respiradores. Foi um trabalho conjunto. Informante: Quanto ao modelo de distancia-

mento controlado proposto pelo governo do Estado, não faltou aos municípios se posicionarem de forma mais firme? Pedrozo: Nós sempre contestamos. A Serra contempla uma região de 1,2 milhão de habitantes e a realidade local nos dizia algo que não se refletia em todo território serrano. Buscamos sempre soluções. Tentamos separar a Serra pelas regiões da Saúde, já que Farroupilha responde por 12 municípios em sua regional. Fomos nós que provocamos a criação do Observatório Regional da Saúde (coordenado pela Universidade de Caxias do Sul e que elaborou recursos para a Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste, na classificação prévia das bandeiras do governo do Estado), que não só fez os pedidos de reconsideração para a Amesne como trabalhou em muitas outras frentes. Informante: O modelo adotado como híbrido foi debatido com o Estado? Por que ele foi classificado como ilegal, com ações do Ministério Público contra os prefeitos, e mais tarde acatado? Pedrozo: Os 36 municípios que integram a Amesne decidiram estabelecer um modelo que permitisse o trabalho no comércio, ainda que com restrições, porque não enxergamos o comércio como vilão dessa história. O Observatório esteve em contato permanente com o Comitê de Crise do governo do Estado, que foi informado. Acho que ajudamos o governador a dar um passo à frente. Mas a situação, de um protocolo mais flexível, foi informado ao Piratini, mas não houve retorno. Felizmente o governador acabou, de certa forma, acatando o que estávamos propondo. Informante: A adoção do sistema híbrido, entre bandeiras, deixa o ambiente mais distensionado? Pedrozo: Não há dúvida. Foi um alívio, afinal de contas, mesmo que ingressarmos na bandeira vermelha, temos condição de adotar um protocolo mais flexível, que permita a atividade econômica. Isso não quer dizer que está tudo bem, não é para afrouxar os cuidados, mas para encontrarmos um equilíbrio. Temos total consciência do problema e a comunidade também. Informante: Houve cobrança, por parte do município, sobre os 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do São Carlos viabilizados com recursos do Ministério Público (MP), e que teve parte do material comprado pelo Estado apenas na semana passada, apesar dos recursos estarem disponibilizados nos cofres do Estado desde o início de abril? Pedrozo: Cobramos sobre essa situação, não de


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forma pública, mas fizemos o pedido junto ao governador. Pleiteamos inclusive que os recursos fossem repassados ao São Carlos ou à Prefeitura para a aquisição do material para equipar os 10 leitos. A alegação do governo do Estado era que faltavam interessados no processo licitatório, mas agora a questão avançou bastante. Informante: Tem faltado diálogo por parte do governo do Estado? Pedrozo: Não tem faltado. Tivemos, ao longo desse período, inúmeras reuniões virtuais com o governador, que sempre se mostrou muito aberto a conversar. Discordamos de muitas posições do governo e nos posicionamos. O momento é conflituoso mesmo, mas a conversa tem sido mantida. Informante: A cidade, evidentemente, não parou nesses cinco meses, embora tenha se movimentado de maneira menos intensa, o que foi feito no período? Pedrozo: O foco foi total para a saúde, mas realizamos muitas obras na pandemia. Por exemplo, falta menos de um quilômetro para concluirmos o asfaltamento do Salto Ventoso, uma obra que transformará o local em um dos principais pontos turísticos do Rio Grande do Sul. Asfaltamos muitos trechos no perímetro urbano e no interior, na Linha 47, 80, comunidade de Santo André, reformamos praças em Nova Sardenha, no Monte Pasqual e Imigrante. Fizemos uma série de calçamentos e pavimentações. Vamos fazer novos

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União exaltada Prefeito enalteceu o envolvimento de toda comunidade no enfrentamento da pandemia

trechos da pista de caminhada para Caravaggio. Aproveitamos o período sem aulas presenciais e realizamos reformas, algumas bem amplas, em praticamente todas as escolas. Temos 65 obras em andamento. Informante: Estamos às vésperas de um período eleitoral. O prefeito deve ser candidato? Pedrozo: Acho que é uma pergunta que tem que ser feita aos partidos da base. Se meu nome for uma opção, não vejo problema. Fizemos um grande governo. Por exemplo, foram mais de 50 quilômetros de asfalto, mais de 3,6 mil alunos na Educação Infantil, entre escolas públicas e conveniadas. Temos um grande trabalho feito por Farroupilha em muitas áreas. Informante: A situação deve lançar um candidato ou tem possibilidade de haver uma cisão e, com isso, mais candidaturas? Pedrozo: Penso que é necessário ir unida. Esse grupo que integra o governo prestou um grande serviço à comunidade. Eu não tenho compromisso com coisa errada, mas com as coisas corretas. Farroupilha tem que cuidar de Farroupilha. Temos profissionais de alto gabarito na cidade. Independente de quem for ou de quem vier a assumir, acho que buscar uma retomada da economia é fundamental, a geração de emprego, a saúde, claro, até termos uma vacina que nos dê segurança, e a questão da educação, já que o ano foi muito impactado no setor educacional.


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O vale refeição Breno Euzébio de Faria *

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estado de calamidade instaurado pela pandemia alavancou uma necessária onda de “teletrabalho” em busca de prevenção e proteção contra o vírus e, nesta onda, trouxe-se uma série de alterações na dinâmica da prestação de serviços. Nesta dinâmica está o pagamento de benefícios, entre eles, por assim dizer, o vale-refeição, tão usual e tão rotineiro que sua natureza deixou de ser questionada. Vale lembrar que o teletrabalho já vinha positivado na CLT desde novembro de 2017 pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017), mas certamente foi a quarentena quem trouxe tal regime à consciência prática e massiva de empregadores e empregados e o fez de forma abrupta, para não dizer estabanada. Esta falta de transição, a carência de estratégia é oriunda do fato de que os contratos atingidos pela exigência do teletrabalho já estavam em curso e com direitos aplicáveis decorrentes do próprio contrato, da Lei e de instrumentos normativos (Convenção Coletiva e eventualmente Acordo Coletivo) que, até então, ainda vigoravam no mundo arcaico da indústria e do chão de fábrica. Verdade seja dita, o legislador tem se esforçado para adequar o Direito do Trabalho às atuais formas de produção, não mais tão estagnadas, mas é neste costume e tradição já enrugados e atrofiados pelo tempo que está o vale refeição e, na forçosa mudança do trabalho executado no estabelecimento empresarial para as residências do trabalhador é que se precisa, novamente, resgatar a natureza deste auxílio. Ora, o vale refeição, ou, genericamente, o auxílio refeição, não tem outra natureza senão a indenizatória. Trata-se de parcela paga pelo empre-

gador para o empregado trabalhar, para o empregado ter subsídio a um custo decorrente de sua prestação de serviço longe de sua casa, custo este que se manifesta na saída do trabalhador de sua residência e na necessidade do obreiro ter de se alimentar fora de sua moradia. Para trabalhar e se alimentar nos arredores da empresa o trabalhador recai em custos, por vezes tão excessivos que, não fosse o vale, seu salário estaria totalmente corroído ao final do mês. Diz-se aqui o óbvio para enfatizar que as estratégias criadas pelo legislador para assegurar a natureza indenizatória do vale refeição não estão acima do conceito, não são em si a definição do vale refeição, isto, porque, o pagamento via cartão ou empresa especializada no serviço de alimentação ou, ainda, a própria inscrição do empregador no PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) são formalidades e veículos delineadores da indenização e formas de evitar fraudes e excessos de empregadores que pagavam, por vezes, valores maiores de vale refeição que de salário para fugir, ilicitamente, dos encargos trabalhistas. Pois bem, como dito, o vale refeição tem natureza indenizatória e, se não há o dano, se não há o que ser reparado, não há o que se indenizar. Se o trabalhador não recai no custo extraordinário de se alimentar fora de sua residência, se o trabalhador não tem mais um custo para ir trabalhar, deixa-se de existir o dever de se pagar o Vale Refeição. Esta colocação é tão lógica quanto legal O § 2º do artigo 457 da CLT explicitamente garante que o auxílio alimentação, ainda que pago habitualmente, não se incorpora ao contrato de trabalho, assim como não é base de incidên-


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no regime de teletrabalho Divulgação

cia de qualquer encargo, trabalhista ou previdenciário. Veja, a disposição da Lei, a rigor, é desnecessária, uma vez, como dito, que a essência do vale refeição é indenizatória. Não nos parece restar dúvidas, portanto, que no regime do teletrabalho não se faz necessário ou exigível o pagamento do vale refeição, salvo se em instrumento normativo ou contratualmente tal parcela estiver fixada ao teletrabalhador. Esta é a premissa da exigibilidade e o princípio do vale refeição. Porém, para bagunçar esta lógica, a MP 936/2020 que autorizou reduções salariais e suspensões contratuais (já convolada na Lei 14.020/20) e a pró-

pria MP 927/2020, que inaugurou a série de regimes de teletrabalho na pandemia, fixaram, quando trataram das suspensões contratuais, que o empregador deveria manter todos os benefícios ao empregado – o que gerou questionamentos se os contratos migrados ao teletrabalho deveriam também carregar o vale refeição, como benefício que supostamente pode ser. A bagunça não parecer ter razão, pois, como dito, a garantia dos benefícios foi posta aos contratos suspensos, como forma de minimizar a precarização da medida – da suspensão contratual sem pagamento de salários, não ao teletrabalho. Ademais, pode-se questionar o conceito de “benefício”

dado por alguns ao vale refeição, pois, como sabido, a indenização não vem acrescentar um bem ao trabalhador, mas reparar um dano. Por todas essas razões e pela menção expressa do § 2º do art. 457 da CLT de que o auxílio alimentação não se incorpora ao contrato de trabalho é que se defende que, para os contratos em regime de teletrabalho, migrados durante o estado calamidade ou não, não se faz necessário o pagamento de vale refeição, salvo se houver obrigação expressa e específica no contrato de trabalho ou a esta modalidade de trabalho no instrumento normativo. Por fim, entendemos que para o vale alimentação, aquele gasto em su-

permercados para compra de alimento in natura, o tratamento deve ser mais cauteloso e o seu pagamento assegurado ao teletrabalhador, mesmo se previsto genericamente apenas em Convenção Coletiva, ainda que sem previsão específica ao regime de teletrabalho, pois sua essência é, sim, de acrescer um benefício e dar um atrativo ao contrato de trabalho, não o de reparar uma dano causado pela execução de serviços no estabelecimento da empresa. * Advogado, sócio coordenador de serviço da área trabalhista do escritório Sevilha, Arruda, Advogados Associados


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Balanço do período turbulento Na próxima terça se completam cinco meses do primeiro caso de covid-19 que foi registrado em Farroupilha. Ao longo deste período, o cenário esteve nebuloso na maior parte do tempo, em especial nos primeiros meses, quando não se tinha conhecimento sobre o alcance, impacto e, sobretudo, as consequências que o coronavírus iria gerar na comunidade. O governo federal, por uma decisão absurda do Supremo Tribunal Federal (STF), que repassou a responsabilidade sobre o gerenciamento da crise para Estados e Municípios, ficou de mãos atadas, mas ainda assim conseguiu uma destinação de recursos (em equipamentos e dinheiro), jamais vista na história do País, e teve contribuição decisiva para que a situação não fosse ainda mais grave.

O governo estadual, por sua vez, conduziu a pandemia de uma maneira catastrófica, somando à crise sanitária à econômica, o que gerou (e ainda gera) consequências nefastas para o setor produtivo que impactam fortemente a arrecadação dos municípios, um caos econômico que é impossível mensurar e que deve ter seus reflexos estendidos pelo próximo ano. Neste cenário, coube às prefeituras buscarem alternativas para o enfrentamento da pandemia. Em Farroupilha ainda tivemos, no meio desta crise sem fim, um processo de impeachment. Mesmo com a União não podendo fazer nada e com o Estado agravando o problema, o Município se saiu muito bem no período, com êxito obtido na maior parte das ações adotadas, sendo pioneiro em muitas

delas, com destaque para a busca ativa e alta testagem, fundamentais no controle do avanço da doença, como está definitivamente provado pelos exemplos vistos mundo afora. Na Matéria Especial, páginas 2 a 4, entrevistamos o prefeito Pedro Pedrozo, que assumiu o posto no início da pandemia e, mais tarde, de maneira definitiva após a cassação de Claiton Gonçalves. Tendo adotado o diálogo como norte, o gestor municipal fez uma breve análise das dificuldades no período, as discussões com o governo do Estado para manter a economia respirando, e o apoio que teve da comunidade farroupilhense que se uniu no enfrentamento da crise. Embora em alguns momentos pareça ter faltado uma postura mais crítica e incisiva, especialmente pela imposi-

ção do modelo de distanciamento controlado do governo do Estado, houve muito trabalho nos bastidores e Farroupilha, bem como os demais municípios da Amesne, de certa forma pautaram a conduta do gestor estadual para uma flexibilização em muitas frentes, o que certamente contribuiu para a redução dos danos gerados a partir de um sistema baseado no achismo. Pedrozo fez questão de frisar que vivemos um período de conscientização maior neste momento e, se levarmos em conta a realidade vivida por outros municípios, é possível dizer, sem medo de errar, que Farroupilha enfrentou bem a crise sanitária. Essa força-tarefa que mobilizou toda comunidade certamente ajudou a minorar danos de uma pandemia que, felizmente, está caminhando para seu fim.

O título pode parecer paradoxal, mas é justamente essa dicotomia que vive o mercado de trabalho farroupilhense. Após três meses de números elevados de demissões, junho, que fechou o semestre, registrou uma expressiva e significativa queda, o que aponta uma tendência de que o pior momento para a economia parece ter ficado para trás, conforme aponta o estudo do Observatório do Trabalho da Universidade de Caxias do Sul (confira matéria na Editoria de Economia, páginas 12 e 13). Os dados, tanto do município quanto do Estado e País, apresentam simi-

laridades, o que reforça a impressão de que estarmos presenciando uma estagnação e o equilíbrio entre contratações e demissões, o que já é um resultado a ser celebrado diante da hecatombe econômica verificada a partir da segunda quinzena de março, quando a pandemia, de uma forma geral, paralisou o setor produtivo nacional. Evidente que não são números para serem celebrados, até mesmo porque, antes da crise sanitária, a sinalização era de um ano de retomada plena da atividade econômica, mas pelo menos eles apontam que o pior já passou, o que não deixa de ser uma nota posi-

tiva num ambiente contaminado por notícias ruins, onde parece que só a tragédia tem lugar quando, na verdade, há muitos fatos e situações animadoras, mas que são deliberadamente omitidos do grande público. O governo, especialmente o do Estado, teve um papel determinante nesse resultado extremamente danoso para a economia farroupilhense no semestre, que encerrou 863 postos de trabalho, totalizando 1.116 demissões ao longo dos últimos 12 meses. As sucessivas decisões de fechamento do comércio e, por tabela, diminuição da atividade industrial, impacta-

ram de maneira direta e resultaram nos números negativos que foram verificados neste primeiro semestre. A expectativa é que, a partir de agora, com a pandemia se encaminhando para o fim, a economia se recupere aos poucos e que, pelo menos essa tendência, de fechamento de postos de trabalho, seja freada. Os indicadores do semestre são, de fato, muito ruins, mas diante do período excepcional e da instabilidade criada por quem deveria gerar confiança e segurança, essa melhora representa uma esperança para o futuro. Que ela se confirme no semestre que inicia.

Números ruins, mas animadores

Índice

Editorial

Matéria Especial ....................................... Páginas 2 a 4 Editorial ..................................................... Página 8 Opinião ........................................................ Página 9

Saúde ............................................................ Páginas 10 e 11

Economia ..................................................... Páginas 12 e 13

Cidade........................................................... Páginas 14 e 15 Política........................................................ Páginas 16 e 17

Educação ..................................................... Página 18 Esporte ........................................................ Página 19

Inside

Especial..................................................... Capa

Crônicas da Redação ............................. Página 2

Sétima Arte .............................................. Páginas 2, 3, 6 e 7 Rita Rosa Baretta................................... Página 3

Social ........................................................ Páginas 4 e 5

Fabrício Oliboni ..................................... Página 6

Paulo Roque Gasparetto ..................... Página 7

Horóscopo ............................................... Contracapa Classificados .......................................... 4 páginas

Redação: redacao@jornalinformante.com.br Ramon Cardoso ramon@jornalinformante.com.br

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Autonomia em tempo de pandemia Imagem: Reprodução

André Brunetto * A pandemia aflorou na sociedade o instinto médico e científico. Nunca se debateu tanto sobre medicações e estudos clínicos. Como sociedade, atravessamos gerações passivamente sem nos perguntar como os médicos fazem suas escolhas e hoje vejo especialistas em covid-19 em todos os recantos do País. Agora estamos no meio de uma avalanche de informações sobre o que fazer com a nossa saúde e como nos proteger enquanto sociedade. Qual medicamento é recomendado e eficaz? O isolamento social funciona para conter a pandemia e evitar mortes? São perguntas que podem ser respondidas de diferentes perspectivas. Pacientes me questionam como podem médicos especialistas terem opiniões tão divergentes sobre algo que deveria ser tão claro. A Medicina é uma arte que alia a experiência pessoal à evidência científica que está em constante processo de evolução. A verdade de hoje pode ser a dúvida de amanhã. O tempo abre portas para afirmações sobre novos fatos, mas também fecha outras janelas de conclusões precipitadas. A Medicina é um

equilíbrio entre o velho e o novo e, no meio do caminho, pode haver muitas discussões e incertezas. Os princípios éticos que norteiam nossa profissão incluem a não maleficência, a beneficência e autonomia dos pacientes

sobre suas alternativas e neste equilíbrio é que fazemos nossas escolhas e orientações médicas. Talvez um dos benefícios desta polarização de visões que nos confunde e nos desperta a curiosidade é de que

ela traz o compromisso de que o paciente assuma a autonomia sobre seu corpo. Isto ocasiona a necessidade de ter conhecimento aprofundado para tirarmos as nossas próprias conclusões. Talvez por isto o debate esteja tão vivo na mídia, nas redes sociais, nos órgãos públicos e nas sociedades de classe. O paciente precisa entender os riscos e os benefícios de uma medida para que ele tenha autonomia para decidir o que é melhor para si. O tempo é inimigo da perfeição e, infelizmente, numa pandemia o tempo não corre a nosso favor. A minha visão como pesquisador do Instituto do Câncer Infantil é de que precisamos ter cautela com soluções imediatas que coloquem em risco a população sem ter dados suficientes de que estas ações tenham benefício. Isto vale tanto para a prescrição de uma medicação quanto para políticas públicas de restrição. Quando os princípios fundamentais da não maleficência e da beneficência estão em xeque, o princípio fundamental da autonomia deve nortear nossas decisões individuais. * Médico oncologista e responsável pelas pesquisas científicas do Instituto do Câncer Infantil

Empresários juniores são a peça chave para um bom negócio Ana Beatriz Cesa * A crise impulsionada pela pandemia gerou um cenário de incertezas para o mercado. Junto com as mudanças nos formatos de trabalho, nos padrões de sociedade e das relações sociais, nós assistimos também um movimento acelerado de demissões nas empresas. Agora, há um número muito maior de desempregados e de talentos fora do mercado de trabalho. Mas, por outro lado, a flexibilização de alguns setores já traz a esperança de que as empresas podem voltar a contratar. Porém, fica uma dúvida: com tanta gente disponível, como escolher o melhor candidato para uma empresa? Uma contratação errada pode custar até 15 vezes um salário. No caso de um executivo, esse custo pode chegar em até três vezes o sa-

lário do cargo em questão, segundo um estudo da Wyser, divisão especializada em recolocação de executivos de consultoria. Entre as opções para uma empresa que pretende começar a contratar novas pessoas estão: listar estratégias de Employer Branding para atrair candidatos e gerar um bom clima organizacional, analisar períodos para se realizar novas contratações, ir além do currículo e avaliar perfis de candidatos em redes sociais, analisar a cultura da empresa junto com as skills dos candidatos, criar processos em plataformas digitais, entre outros. Porém, o que tudo indica é que, devido à pandemia, as empresas podem passar por uma dificuldade ainda maior de encontrar trabalhadores qualificados, por isso, uma outra sugestão é ficar de olho em novos

talentos. Além dos candidatos que possuem experiência em programas de trainee e um currículo super elaborado, os jovens empreendedores inseridos no Movimento Empresa Júnior (MEJ) podem ser a chave para um bom negócio, afinal, mesmo que ainda na Universidade, esse perfil de candidato possui uma expertise qualificada que se destaca no mercado competitivo e empreendedor. Atualmente, são mais de 20 mil jovens em todo Brasil que já colocam em prática seus respectivos cursos antes mesmo da entrada no mercado de trabalho. Como executam e organizam projetos para clientes reais, esse perfil assume, muita das vezes, papéis de gestão e de liderança. Com a mudança no mercado, tornou-se cada vez mais necessário skills como praticidade, liderança e inteligência emocional, por exemplo.

As empresas juniores, por sua vez, ensinam isso na prática e saem na frente de grandes concorrências. Jovens com esse perfil estão sempre em contato com as novidades do mercado, atualizados no uso de ferramentas de gestão de projetos e de pessoas e também, e costumam seguir as principais tendências e novidades dos setores. Como possuem um trabalho voltado 100% a resultados, possuem como uma das habilidades principais o foco na tomada de decisões. Por fim, acredito que por meio do ambiente de ensino e da educação empreendedora, as empresas juniores reúnem talentos em potencial, que podem ser a chave para as novas contratações de um negócio e o sucesso mais efetivo de qualquer tipo de companhia. * Presidente executiva da Brasil Jr.


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Os desafios da cov manifestações na i Thiago Hoesker *

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pesar da ampla disseminação da covid-19 algumas características, especialmente quanto ao seu comportamento na infância, ainda são tema de discussão. De forma geral, 50% das crianças tem contato com o vírus por meio dos pais, que tenham contraído. Aproximadamente um quarto desses pacientes possui algum tipo de doença associada, sendo mais frequen-

tes as respiratórias, cardíacas e neuromusculares. Uma parcela considerável do público infantil infectado apresenta quadro pouco sintomático, com leves sinais gripais, ou, em alguns casos, assintomático. Dentre os demais, as manifestações se dividem entre moderadas e graves, que se diferenciam por acometerem principalmente a respiração, sendo que os pacientes pediátricos podem apresentar quadros realmente críticos, entre 5 a 10% dos casos necessitam de atendimento em Centros de Terapia Intensiva e respiração contro-

lada por aparelhos. De acordo com estudos, os recém-nascidos e os que tiveram contato com pacientes que desenvolveram casos graves de coronavírus, as crianças que possuem alguma doença crônica associada, as que usam medicações que podem diminuir a resposta imune do organismo e as com idade inferior a três meses, são consideradas de alto risco para a covid-19 e precisam ser observadas com cautela pelos pais e responsáveis. A prevenção é a forma mais eficaz para o controle

Você sabe o que é Marco Lipay *

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Varicocele é a dilatação das veias dos testículos (espermáticas) e pode estar presente em até 30% da população masculina. Acomete preferencialmente o lado esquerdo e pode aumentar de volume com o tempo. Muitas vezes é assintomática e pode ser detectada no autoexame,

em uma consulta de rotina durante exame físico dos genitais ou em exames de imagem, como ultrassom. As varicoceles são classificadas em I, II ou III, de acordo com o tamanho do novelo varicoso identificado no exame. Quando sintomáticas, podem ser identificadas em razão de dor no escroto, diminuição do volume testicular, aumento de volume no escroto (formação de varizes) e nas investigações para fertilidade mas-

culina. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), é a causa mais comum, conhecida e tratável de infertilidade masculina, acometendo perto de 35% dos homens com infertilidade primária e 80% com infertilidade secundária. Nem sempre é necessário tratar uma varicocele. No entanto, considera-se o tratamento quando há: orquialgia (dor testicular); atrofia testicular; ou infertilidade para posterior aplicação de técnica de repro-


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vid-19 e suas infância da doença. Os hábitos de higiene, os cuidados com uma alimentação adequada para a idade e as medidas de distanciamento social são fundamentais. No que diz respeito às crianças que possuem algum problema neurológico, a atenção deve ser redobrada. No caso de autistas, por exemplo, é importante que os familiares busquem alternativas com brincadeiras lúdicas dentro de casa, pois, por meio destas é possível explicar sobre a importância de manter tais hábitos no cenário atual. De forma

geral, sabemos que pacientes com problemas neurológicos possuem uma chance maior de desenvolver casos graves de coronavírus, em virtude das alterações decorrentes da doença. Mesmo os sintomas neurológicos não sendo os mais comuns, nos casos da covid-19 poucos pacientes podem apresentar casos de AVC ou outras formas de acometimento do cérebro, mas a pandemia nos desafia diariamente, por isso devemos tomar todas as precauções necessárias para evitar a sua disseminação.

dução assistida in vitro (FIV). A opção de tratamento é cirúrgica, conhecida como varicocelectomia, procedimento via inguinal que visa abordar as veias varicosas do cordão espermático. A SBU, em seu consentimento informado, menciona que o tratamento proposto pode resultar em algumas situações como as descritas abaixo. * Ausência de melhora do espermograma, quando a indicação da cirurgia objetivar

o tratamento da infertilidade; * Recidiva da varicocele, requerendo novo procedimento cirúrgico; * Aparecimento de hidrocele (água no escroto) após a cirurgia; * Infecção; * Lesão venosa (arterial). O tratamento cirúrgico, realizado sob efeito anestésico e ambulatorial, necessitará de um repouso relativo de atividades físicas, analgésicos e ausência de atividade

Varicocele?

Fabio Grison

* Neurocirurgião, possui Especialização em Neurocirurgia Pediátrica pelo Departamento de Neurocirurgia Pediátrica da Universidade Acibadem, em Istambul, na Turquia

sexual nos primeiros dias, entre outros cuidados, principalmente com a ferida cirúrgica. Converse com seu urologista. Ele saberá avaliar o seu problema e indicar a melhor forma de tratamento. * Doutor em Cirurgia (Urologia) pela Unifesp, titular em Urologia pela Sociedade Brasileira de Urologia e autor do livro “Genética Oncológica Aplicada à Urologia”


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O PIOR JÁ PASSOU?

Demissões têm queda significativa 863 postos de trabalho na cidade Resultado é ainda pior se for levado em conta o recorte dos últimos 12 meses, quando 1.116 empregos foram finalizados

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hecatombe econômica que varreu postos de trabalho mundo afora parece, felizmente, dar sinais de arrefecimento. Após um março ruim e um abril catastrófico, a situação em maio, embora ainda péssima, demonstrava uma redução expressiva no fechamento de postos de trabalho e a tendência permaneceu em junho, no encerramento do semestre, como aponta o estudo do Observatório do Trabalho da Universidade de Caxias do Sul, que compila os dados do Cadastro Geral de Em-

pregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia. No mês que finalizou o primeiro semestre foram 87 demissões no município, um saldo negativo entre as 457 contratações e os 544 desligamentos, mas dados mais animadores que apontam que o pior já passou, uma análise que também pode ser feita no Rio Grande do Sul e no Brasil, que registraram um cenário muito semelhante ao farroupilhense. O acumulado de 12 meses, ou seja, de julho de 2019 a junho de 2020, no entanto, aponta um índice ainda pior que o verificado apenas no ano,

contabilizando o encerramento de 1.116 postos de trabalho. A divisão, tanto farroupilhense quanto gaúcha, dos últimos 12 meses, apresenta não apenas dados piores do que o recorte restrito de 2020, como da mesma forma muito abaixo do computado no País, que registrou 44% de demissões a menos no recorte do último ano (julho de 2019 a junho de 2020) em relação às demissões geradas apenas neste ano (do primeiro semestre). Em resumo, o processo de recuperação econômica estava se processando de uma forma muito mais

célere e efetiva no Brasil do que em Farroupilha e no Estado. Tratando especificamente do município, o Setor Secundário é que puxou a fila das demissões em junho. A indústria fechou 57 postos de trabalho na cidade, seguida por serviços, com 23 demissões, construção civil com 7, e comércio, que registrou apenas uma demissão no saldo. No segmento feito pela UCS, a agricultura foi a única que teve um saldo positivo, mas de apenas uma contratação no mês. Farroupilha conta atualmente com 23,1 mil empregos com carteira assinada.


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em junho, mas semestre encerra Mês/Ano avaliado Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Acumulado do ano Acumulado de 12 meses

Farroupilha 152 263 66 30 -53 -94 364 -375

Rio Grande do Sul 13.193 23.485 3.076 -2.712 -11.260 -3.692 22.090 15.590

Brasil 44.666 192.503 -38.612 136.384 40.674 59.530 435.145 555.455

Mês/Ano avaliado Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Acumulado do ano Acumulado de 12 meses

Farroupilha 167 355 -126 -862 -310 -87 -863 -1.116

Rio Grande do Sul 13.126 23.305 -14.404 -77.927 -33.739 -4.851 -94.490 -96.154

Brasil 114.786 226.341 -259.917 -918.286 -350.303 -10.984 -1.198.363 -671.134

O mercado de trabalho no primeiro semestre de 2020

Divulgação

O mercado de trabalho no primeiro semestre de 2019

Retomada? Tendência de redução do desemprego tem se confirmado nos últimos meses e a expectativa é que contratações superem as demissões a partir do segundo semestre


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INSERÇÃO SOCIAL

Soprano doa máscaras para a UAB UAB Farroupilha/Divulgação

Ação faz parte de uma série de iniciativas desenvolvidas pela empresa junto à comunidade neste momento de pandemia

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onsciente e sempre ativa em seu papel social, a Soprano realizou, no final de julho, mais uma ação em benefício da comunidade. A empresa farroupilhense doou 10 mil máscaras de proteção facial à União das Associações de Bairro (UAB) da cidade, com o objetivo de conter o avanço e propagação do coronavírus. A ação integra o “Programa Soprano Mais”, que visa, além da qualidade de vida de seus colaboradores, o bem-estar das comunidades em que atua. “Sabemos que o uso das máscaras e a higienização pessoal são importantes na prevenção ao covid-19. E agir em parceria com as entida-

des faz todo o sentido para nós. Entendemos que a iniciativa vá além do que apenas máscaras entregues, pois reforça a preocupação e o cuidado que devemos ter frente ao cenário da pandemia”, destacou Murilo Luciano Bez, engenheiro de Segurança do Trabalho da Soprano. “São iniciativas como essa que fazem o mundo se tornar melhor. Estamos realmente muito agradecidos”, ressalta Dilço Batista, presidente a UAB Farroupilha. A entidade ficará responsável por distribuir as máscaras nos bairros da cidade. A Soprano destaca que outras ações estão sendo planejadas. Recentemente a empresa doou puxadores de abrir portas com o pé e com o antebraço ao Hospital Beneficente São Carlos.

Papel social Empresa farroupilhense tem se mostrado muito ativa em ações comunitárias durante a pandemia

Esquina Cadastro na Lei Aldir Blanc pode ser feito a partir de segunda

O setor cultural foi altamente impactado pela pandemia e, por conta disso, o Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória que instituiu a Lei Aldir Blanc, que prevê a destinação de recursos financeiros para apoio e fomento ao setor cultural. Na cidade, a Secretaria de Turismo e Cultura publicou edital de chamamento público para o cadastro de trabalhadores da cultura e espaços culturais, que poderão se beneficiar da medida. A iniciativa também tem por objetivo mapear o campo cultural farroupilhense. Os cadastros poderão ser feitos por meio eletrônico para trabalhadores da cultura (https://forms.gle/f478Uqp4yvkVHQkg6) ou espaços culturais (https://forms.gle/tGWeLbXMPcMMztRZ9) ou de maneira presencial, na Casa de Cultura (República, 172), das 9h às 11h30min e das 13h às 17h, a partir de segunda até o próximo dia 26. Importante destacar que o cadastro é municipal, ou seja, válido apenas para profissionais e espaços culturais de Farroupilha. Mais informações pelo e-mail turismo@farroupilha.rs.gov.br ou pelos fones (54) 3261-6995 ou (54) 999.582.367.


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NOSTALGIA DE VOLTA

Vem aí o 2º Cine Drive-In Prefeitura e Serviço Social do Comércio de Farroupilha realizam nova edição do evento na próxima sexta, no Largo Carlos Fetter

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Programe-se O que: 2º Cine Drive-In, com a exibição da animação “Sing: Quem Canta Seus Males Espanta” Quando: na próxima sexta, às 19h30min Acesso: a partir das 18h30min e limitado a 80 carros Onde: Largo Carlos Fetter (Nataly Valentini, s/nº) Quanto: entrada franca, com pedido aos participantes para a doação de itens de higiene pessoal Informações: no Sesc Farroupilha, pelo (54) 3261-6526 através do Programa Mesa Brasil. O material será recebido pela equipe organizadora na chegada do evento. Lembrando que o uso de máscara é imprescindível. A realização do 2º Cine Drive-In é da Prefeitura e do Serviço Social do Comércio (Sesc) de Farroupilha, por

meio da Secretaria de Turismo e Cultura e tem apoio do Senac, Sindilojas e Sindigêneros. A novidade desta edição é que cada espectador receberá uma porção de pipoca gratuita. Mais informações podem ser obtidas pelo fone (54) 3261-6526, no Sesc Farroupilhense.

6 de agosto * Anita Gasperin Postiglione, 73 anos. Sepultamento no Cemitério Público Municipal (CPM). 8 de agosto * Jussara Molon José Inácio, 70 anos. Sepultamento no CPM. 10 de agosto * Enedir Lima Dutra, 76 anos. Sepultamento no CPM; * Paulo Azelar Schneider, 64 anos. Memorial Crematório São José, de Caxias do Sul; * José Carlos Barth, 60 anos. Sepultamento no CPM. 11 de agosto * Odorico Torres, 66 anos. Sepultamento no Cemitério de Nova Vicenza. 13 de agosto * João Batista Teixeira, 58 anos. Sepultamento no CPM de Caxias do Sul; * Antônio Carlos Pacini, 64 anos. Sepultamento no cemitério da comunidade de Nova Sardenha (3º Distrito).

Alguém quer me adotar? O Feijão, de 7 anos, está à procura de um lar. Ele tem porte médio, está castrado e é muito brincalhão, carinhoso e se dá bem com outros cães. Interessados em adotá-lo podem manter contato pelos fones 3261-7914 ou 996.281.878.

Divulgação

ucesso em sua apresentação inaugural, o Cine Drive-In realiza a 2ª edição na próxima sexta, no Largo Carlos Fetter (Nataly Valentini, s/nº), com a exibição do filme “Sing: Quem Canta Seus Males Espanta”. A animação para toda família será exibida às 19h30min. A entrada para assistir à sessão é gratuita e por ordem de chegada dos veículos (limitados a 80). Quem desejar pode realizar doações de itens de higiene pessoal, que serão destinados a entidades sociais

Obituário


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FRENTE DE DIREITA

Após 24 anos, PP encabeça Nome do pré-candidato Fabiano Feltrin está chancelado e homologação ocorre na convenção do dia 5. Sigla não contava com um postulante à prefeitura desde Avelino Maggioni, em 1996

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esde que assumiu o comando do Partido Progressista (PP) no município, em maio do ano passado, o vereador Edson Luiz Paese, o Kiko, destacou que ocupava o posto na sigla com uma condição específica: que a legenda tivesse candidato a prefeito. Sempre cotado, Fabiano Feltrin despontava como um dos prováveis postulantes, junto com Daniel Bampi (a dupla de empresários já figurava como favoritos) e Nádia Emer Grasselli, que declinou da opção no final do ano passado. “No início de 2019 já havia uma certeza, dentro do PP, de que teríamos candidato ao Executivo. Com a saída da Nádia, a questão ficou entre a minha candidatura e a do Daniel, que estava na presidência da CICS. Nós sempre tivemos um entendimento ótimo e qualquer um que fosse escolhido o partido estaria bem representado e teria o apoio daquele que não iria con-

correr. Tanto isso é verdadeiro que a coordenação geral da campanha será feita pelo Daniel”, esclareceu Feltrin, que deve ter seu nome chancelado na convenção da sigla que ocorre dia 5. Conforme salientou o pré-candidato, a coligação será com o MDB (que ficará com a vica cabeça de chapa, muito provavelmente ocupada pelo vereador Jonas Tomazini), PRTB, PSL e Cidadania, além de uma negociação que está em curso com o PL. A intenção, segundo Feltrin, é a criação de um bloco de direita. É improvável que novas legendas venham a ingressar na frente, tendo em vista que boa parte integra ou integrou a base da atual administração, nas gestões de Claiton Gonçalves e Pedro Pedrozo. “Fizemos uma espécie de monitoramento da opinião pública, seja da comunidade, seja das instituições organizadas, associações, entidades de classe, e obtivemos o respaldo justamente por termos um candidato com experiência administrativa, que valia

tanto para o meu caso quanto para o caso do Daniel. Feita a opção pelo meu nome, agora é esperar a convenção”, comentou Feltrin. Cotado para concorrer em outros momentos, ele admite que agora acredita estar mais preparado para a responsabilidade. “Talvez, em outra oportunidade, não fosse o momento para ingressar numa disputa. Mas eu fico muito tranquilo em dizer isso: não pretendo me perpetuar, quero fazer um trabalho para deixar um legado, trazer novos líderes, novas vozes, que tenham como gerar uma perspectiva de continuidade. Há mais de três décadas contamos com os mesmos nomes no cenário político. Acho que é hora de renovarmos, de trazer novas pessoas, jovens, para os cargos de liderança”, acredita o progressista. Feltrin salientou que não houve qualquer tipo de problema na aliança com emedebistas e que o nome de Jonas vai ao encontro dessa filosofia proposta pelo PP. Uma das frentes de

Nome de consenso xxxxxxxxé a esperança Pré-candidato do PPxxxxxxxxx em voltar ao comando do Executivo após 20 anos


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chapa majoritária Ramon Cardoso

trabalho é conferir, ao Hospital São Carlos, completa e total autonomia. Ou seja, o município auxiliará a instituição naquilo que for necessário, mas não terá ingerência política na gestão, dando independência plena ao Conselho de Administração. Os legados de Tartarotti e Maggioni revisitados como bandeira do partido A diretriz progressista para a gestão, além da autonomia do HBSC, está voltada ao enxugamento da máquina pública a partir de uma ampla Reforma Administrativa; além do foco na educação com ampliação da oferta de vagas na rede pública, especialmente na Educação Infantil, já que a tendência é que, por conta da pandemia, muitas escolas da rede privada venham a encerrar suas atividades ou pais não tenham mais condição de pagar pelas mensalidades, o que deve transferir a demanda para a esfera pública. Duas gestões pregressas da legenda também servem de inspiração para Feltrin. A de Clóvis Tartarotti, que criou o bairro São José quando Farroupilha era um polo calçadista e necessitava

de mão de obra em larga escala, e a de Avelino Maggioni, que instalou no município o primeiro Distrito Industrial do Brasil e consolidou a mudança da cidade do Setor Primário para o Secundário, como uma referência industrial, marca que perdura até hoje, principalmente na cultura empreendedora que caracteriza o município. “A habitação será uma área que vamos ter uma atuação forte e a geração de emprego e renda, com incentivos para pequenas e médias empresas, mas também para grandes empresas, que empregam muita mão de obra. O desemprego vai ser o mal do ano que vem e trabalhar nessa condição, com esse cenário, nunca é fácil, já que reflete em menos arrecadação, menor capacidade de investimento”, avalia Feltrin, que garante que sua candidatura não estará focada em promessas, mas em uma proposta de futuro para Farroupilha, numa eleição atípica, por conta do período excepcional. “Acredito que será uma eleição 90% digital. Ainda não sabemos como vai estar a situação da pandemia durante a campanha, é provável que tenhamos uma série de restrições, a fim de se evitar aglomerações. É uma questão que foge ao nosso controle. Mas acredito que, mesmo nesse cenário, temos totais condições de transmitir a nossa proposta”, finalizou o pré-candidato Feltrin.


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AFINAÇÃO EM FAMÍLIA

Mãe e filha são semifinalistas em concurso promovido pela OSSM Moradoras do município há quatro anos, Patrícia e Ana Carolina Dornelles dos Santos estudam na Escola Pública de Música

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niciativa da Orquestra Sinfônica de Santa Maria (OSSM), o “Festival Vem Cantar com a OSSM” ingressa em sua fase decisiva e tem uma dupla farroupilhense na parada. Patrícia Graziela Dornelles dos Santos, 39 anos, e a filha, Ana Carolina Dornelles dos Santos, de 16, foram selecionadas para as semifinais. O prêmio do festival é a gravação de um vídeo juntamente com os músicos da Orquestra, no estilo da homenagem aos profissionais da saúde produzido pela instituição, que viralizou nas redes sociais. O Festival recebeu inscrições também de outros Estados, como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Maranhão, e está dividido em quatro categorias: Até 16 anos, Inicial, Intermediária e Avançada. Na última sexta foi divulgada a lista com os 51 candidatos aptos para a próxima etapa, que contará com votação popular que começou nesta semana. Os vídeos serão publicados no site do Diário de Santa Maria e nas redes sociais da OSSM. Estudante do 2º ano do Ensino Médio do Estadual Farroupilha, Ana Carolina concorre na catego-

João Pedro de Lima dos Santos

Representando o município Ana Carolina e Patrícia contam com votos dos farroupilhenses

ria Até 16 Anos. A jovem já cursou Piano e Teoria Musical e, neste ano, decidiu fazer aulas de Canto na Escola Pública de Música (EPM), mas devido à pandemia só teve uma aula em 2020. Mesmo assim, quando ficou sabendo do concurso, enviou um vídeo para inscrição. A veia musical é uma herança dos pais, seus grandes incentivadores e que sempre estiveram envolvidos com a área. A mãe, Patrícia, desde criança participava de apresentações e, neste meio, conheceu seu marido, que é cantor. Ela chegou inclusive a gravar um CD gospel. Formada em Pedagogia e Letras, possui especialização em Educação Especial, sendo professora nomeada na Rede Municipal de Ensino, onde atualmente é supervisora educacional na Secretaria Municipal de Educação. É aluna de Teoria Musical na EPM e participa do coro da instituição. Patrícia teve o nome confirmado entre as semifinalistas da categoria Intermediária. A votação popular vai até o dia 25 deste mês e ocorre com curtidas no vídeo dos concorrentes nas redes sociais Facebook e Instagram da OSSM ou pelo YouTube do Diário de Santa Maria.


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Tendência é a Segundona ser cancelada Reunião nesta sexta à tarde, dos clubes com a Federação Gaúcha de Futebol, define o futuro da competição estadual

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Brasil

pós nova reunião virtual ocorrida entre os clubes participantes da Segundona e a Federação Gaúcha de Futebol (FGF), na terça à tarde, o impasse permanece e a tendência é que a competição estadual seja cancelada. Onze das 16 equipes fizeram um manifesto neste sentido e a decisão definitiva será tomada nesta sexta à tarde, em nova reunião, quando o presidente Luciano Hocsman dará o veredito final sobre a disputa. “A grande maioria não quer a realização da competição. Nós gostaríamos de jogar, mas se optarem pelo cancelamento, teremos que acatar. O Brasil até aceita que a disputa não retorne, mas precisa de recursos para custear as despesas. Como vamos pagar o salário dos atletas, FGTS, rescisão... para não ter mais futebol teremos que ter apoio financeiro da Federação”, destacou o presidente Elenir Bonetto, que acredita que a competição realmente seja cancelada. Uma das alternativas propostas foi a de utilizar o valor que seria pago aos dois clubes que ascenderiam à elite em 2021 e fazer um rateio entre os participantes, o que cobriria a maior parte das despesas. Ainda não há uma definição dos recursos que seriam disponibilizados para a próxima temporada, mas o fatiamento geraria em torno de R$ 120 mil por cada participante. No entanto, a FGF teria que antecipar essa receita de imediato para os clubes da Segundona, o que parece a alternativa mais viável e que traria menos danos. A disputa estadual teve realizada apenas três rodadas, com a última tendo sido disputada em 11 de março. Ou seja, há mais de cinco meses.

Saudade Castanheiras recebeu seu único jogo oficial nesta temporada no dia 8 de março, no empate sem gols entre Brasil e Glória

Gurias rubro-verdes intensificam treinamentos

Com retorno assegurado do Brasileirão Série A2 para o dia 25 de outubro, o Brasil Feminino segue com treinos nas Castanheiras. Com a tendência de manutenção de bandeira laranja e possibilidade de regiões e municípios adotarem um protocolo ainda mais flexível, os treinamentos devem ter um ritmo mais intenso a partir de agora. Nesta semana, o Departamento Médico vetou trabalhos no campo em virtude da umidade e mudança na temperatura, ficando com atividades restritas à academia. O clube tem feito um acompanhamento nutricional das atletas com a nutricionista Fernanda Werberich atendendo as gurias rubro-verdes em suas residências. Na próxima semana, todo o elenco, comissão técnica e equipe envolvida no trabalho fará uma nova série de testes de covid-19. Na primeira testagem, ocorrida no início do mês passado, não houve registro de nenhum caso de coronavírus.

Mais intensos A volante Sara tenta a marcação na meia Fran: Brasil Feminino segue com treinos e equipe, por ora, é a única do clube que tem retorno garantido nesta temporada

Fotos: Ramon Cardoso

SEM FUTEBOL?


Política

Ramon Cardoso

Pré-candidato, empresário terá nome chancelado na convenção do Partido Progressista no próximo dia 5. Sigla, que buscará o comando do Executivo após 20 anos, lidera bloco de direita Páginas 16 e 17

mercado de trabalho sinaliza recuperação

Número de demissões tem queda expressiva em junho, mas mesmo assim semestre encerra com o fechamento de 863 postos na cidade e com 1.116 no recorte de 12 meses Páginas 12 e 13 e Editorial

Sétima arte

Bem-vindo ao futuro sombrio

O polonês “Rede de Ódio”, que conta com grande atuação de Maciej Musialowski, vivendo o sociopata Tomasz Giemza, é um espelho da nossa realidade e, justamente por isso, um filme indispensável Páginas 6 e 7 do Inside

Divulgação

Feltrin encabeça frente de oposição

Economia


Opinião

Confira as impressões da semana com os colunistas Rita Rosa Baretta, Fabrício Oliboni e Paulo Gasparetto Páginas 3, 6 e 7

Inside

Social

O que rolou na semana em Farroupilha e boas pedidas para o final dela na coluna de Valéria Vettorazzi Páginas 4 e 5

EM OUTRA FRENTE

Muito além de Borat e Brüno Sacha Baron Cohen tem atuação de luxo como o espião Eli Cohen, o agente do Mossad que foi decisivo na luta contra a Síria

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o çã lga ivu

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lgumas críticas elogiosas e a objetividade (afinal de contas, são apenas seis episódios) foram decisivas para resenharmos “O Espião” (veja mais nas páginas 2 e 3). Mesmo assim, é impossível assistir à série e não lembrar de “Brüno” e, especialmente “Borat”, os personagens antológicos do ator e comediante britânico Sacha Baron Cohen. Originalmente criados para um quadro do programa “Da Ali G Show”, quadro de humor em que encarnava o rapper Ali G, o jornalista cazaque Borat Sagdiyev e o repórter gay de moda austríaca Brüno Gehard ganharam destaque como filmes na mão do talentoso diretor americano Larry Charles. Inicialmente premiado no Reino Unido, onde conquis-

Ícones do humor O jornalista cazaque Borat Sagdiyev e o fashionista austríaco Brüno Gehard deram fama mundial a Sacha Baron Cohen: caminho sedimentado para o sucesso e para investidas em papéis, digamos, um pouco mais sérios

tou um Bafta (considerado o Oscar Britânico) por Da Ali G Show, o rapper passou a ser conhecido mundialmente ao fazer uma ponta no vídeo “Music”, da Madonna, em 2000. A partir daí, seu programa foi comprado pela HBO e

passou a ser produzido também para os Estados Unidos. Não demorou muito para a popularidade ser alta em solo estadunidense, que levou Cohen a cogitar a possibilidade de transformar seus dois personagens em filme, fato que

se consumou a partir da parceria com Charles, responsável pelas adaptações à telona tanto de Borat, em 2006, quanto de Brüno, em 2009. Durante as filmagens da aventura do repórter cazaque em solo americano, a

polícia foi acionada 91 vezes e Cohen não deixou de interpretar o personagem nem mesmo quando foi interpelado. Em Nova Iorque, um mandado de prisão foi enviado ao ator e o Serviço Secreto chegou a interrogar integrantes da equipe que faziam filmagens nos arredores da Casa Branca, em Washington. A mesma lógica valeu para Brüno e, mais tarde, para “O Ditador”, de 2012. Hoje, com o politicamente correto imperando como norma, Cohen teria muito mais problemas para mostrar seu humor ácido e sem limites para o deboche. Certamente seria sufocado por campanhas de boicote, mas é provável que, com isso, ganhasse até uma notoriedade maior. Claro que vale muito a pena assistir ao tenso “O Espião”, mas também vale dar boas e incontidas risadas com o jornalista cazaque e o fashionista austríaco.


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Crônicas da Redação Ramon Cardoso

ramon@jornalinformante.com.br

Ego inflado e as muitas bizarrices da pandemia

Fiz uma entrevista nesta semana com o prefeito Pedro Pedrozo. Está na Matéria Especial, páginas 2 a 4. Leiam a coluna e depois corram pra lá. Questionei ele sobre a bandeira híbrida (que a Região da Uva e do Vinho, que integra a Amesne, convencionou chamar de bandeira vinho, que seria mais permissiva que a vermelha, pintada na Serra de maneira compulsiva pelo gestor estadual), no que concerne a ela ter sido ou não apresentada ao governador. Pedrozo disse que sim, a proposta foi enviada ao Palácio Piratini no início da última semana de julho e que, até o final dela, não houve qualquer tipo de resposta. Quando os 36 municípios serranos que integram a Amesne adotaram o protocolo, Leite logo provocou o procurador geral de justiça que, por sua vez, acionou os Ministérios Públicos locais para que ingressassem contra os prefeitos na Justiça, a fim de repor a bandeirola imposta pelo governador, afinal de contas, quem manda é ele, né. Pois bem, em muitas cidades os promotores fizeram exatamente isso e, por óbvio, tiveram o pedido aceito pelos juízes. Ou seja, não restou aos prefeitos nada a não ser recomendar a adoção (arbitrária e sem base científica alguma, diga-se de passagem) da bandeira imposta pelo governo do Estado. Na última segunda, o governador falou que iria adotar um novo sistema, três semanas após sugerir uma alteração (a celeridade é a marca dessa gestão estadual), justamente o que tinha sido proposto pela Amesne, ou seja, uma bandeira híbrida. Há algum tipo de bom senso e lógica em acionar o MP contra os gestores municipais contra um modelo criado pela Serra para, na sequência, adotar o mesmo modelo? É isso mesmo que vocês estão pensando, não passa de uma questão de ego. Mais um deboche na cara da sociedade serrana. Coloquem na conta. x-x-x-x-x-x O prefeito de Itajaí, Volnei Marostoni (MDB), ficou revoltado com o pessoal que fez chacota com sua proposta de tratamento com ozônio no reto para enfrentamento do coronavírus. Eu achei que o tratamento já seria a coisa mais estúpida dessa pandemia (calma, que ainda é possível surgir algo pior), mas a indignação do iluminado superou a própria bizarrice. Como temos incapacitados na gestão pública. Esses caras deviam passar por um exame psicotécnico antes de assumirem. Não tô brincando, não, falo na boa. De prefeitos a governadores, estes, disparado e com folga, os piores. Sorte que estão em menor número. Se fosse feita a avaliação, garanto que mais da metade rodava e não assumia. Estaríamos bem melhor, podem apostar. x-x-x-x-x-x O Parlamento da França aprovou o aborto até o fim da gravidez se a gestante tiver “sofrimento psicossocial”, algo que é altamente questionável, porque é pessoal. Em tese, é isso mesmo, até o nono mês o feto pode ser abortado. O próximo passo é o seguinte: se a criança nascer prematura, digamos, de uns sete meses, e os pais não gostarem, poderão matar ela até com dois meses de vida. Duvidam? Eu não. Se esse é um dos berços da civilização ocidental, tragam a guilhotina de novo, precisamos decapitar mais umas cabeças.

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Sétima Arte

Acima de tudo,

patriota

“O Espião”, série da Netflix baseada em fatos reais, tem Sacha Baron Cohen irreconhecível e em atuação de gala ao encarnar espião israelense que se infiltrou na Síria

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ogo após sua criação, em 1948, Israel passou a ser um porto seguro para os judeus que estavam espalhados pelo Oriente Médio. Com Eli Cohen (Sacha Baron Cohen) não foi diferente. Nascido em Alexandria, no Egito, ele passa a tentar a vida no novo Estado ao lado da esposa Nadia (Hadar Ratzon), mas trabalhar em uma Loja de Departamentos estava longe de ser o emprego dos sonhos. Ele havia tentado ingressar no Mossad, o Serviço de Inteligência de Israel, mas acabou recusado em duas oportunidades. Mas um fato novo daria a Eli uma nova e definitiva oportunidade, que ele não hesitaria em agarrar com as duas mãos. No final de 1959, a Síria ataca pontos de fronteira com Israel onde ficam as Colinas de Golã, reivindicando o território fronteiriço. Os israelenses necessitam revidar a agressão mas sabem a dificuldade em estar em uma região convulsionada, em que todos

os Países árabes, em maior ou menor escala, viam Israel como um inimigo a ser destruído. É neste momento que o Mossad acaba fazendo uso de Eli e seu estereótipo árabe seria de grande utilidade para um plano ousado: infiltrar um espião dentro do território sírio. Patriota ao extremo, Eli não titubeia diante da chance, recebe um rigoroso treinamento, tanto militar quanto de espionagem, e é rebatizado como Kamel Amin Thaabeth, um milionário nacionalista sírio que fez fortuna em Buenos Aires e que desejava retornar à terra natal para servir ao País. A Capital argentina era uma terra que permitia um esconderijo perfeito a perseguidos políticos e muitos árabes fixaram residência na nação vizinha. Com a nova identidade, viabilizada pelo trio de agentes Dan Peleg (Noah Emmerich), Jacob Shimoni (Moni Moshonov) e Maya (Yael Eitan), Eli vira o bem-sucedido empresário de importação e exportação Kamel, que se aproxima facilmente de uma elite econômica

e política, muito interessada na possibilidade de fazer uso de sua fortuna para chegar ao poder na Síria. Não demora nada para o carismático empresário conquistar todos a sua volta e retornar ao Oriente Médio para colocar em prática o plano em prol de Israel. A trama começa justamente na captura de Eli pelo Serviço de Inteligência Sírio, mas a história é tão bem construída e narrada, com poucos deslizes, como a surreal fuga do espião do Exército Sírio, que mesmo sabendo o desfecho da história (se vê que ela é baseada em fatos reais, bastaria uma breve consulta na internet para saber o paradeiro de Eli), ela não perde fôlego, intensidade e tensão, muito pelo contrário, esse ambiente de desconfiança, medo e terror é onipresente na maior parte dos


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Sétima Arte

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Rita Rosa Baretta ritarosabaretta@gmail.com Divulgação

Imagem: Reprodução

Tudo por Israel Eli Cohen (Sacha Baron Cohen) se transforma no renomado empresário sírio Kamel Amin Thaabeth: apesar do final trágico, seu trabalho foi brilhante na defesa do País durante os turbulentos anos 60 no Oriente Médio

seis episódios, os três últimos em especial, quando as operações em território sírio se intensificam. Sacha Baron Cohen (teria algum grau de parentesco com o Cohen espião?) tem uma performance irretocável e, se num primeiro momento é impossível dissociá-lo dos papéis escrachados que teve como Borat e Brüno, logo ele conquista o espectador e é possível notar sua incrível mudança comportamental. Embora devotado e apaixonado pela esposa Nadia (sua angústia ao não saber nada sobre o trabalho do esposo também é de partir o coração), seu amor a Israel parece maior, seu senso de patriotismo parece justificar tudo, até mesmo o fato de colocar sua vida em risco e, quanto mais avança seu trabalho, quanto mais ele se aproxima dos líderes sírios, maior é a chance

de ser descoberto. Os dilemas do protagonista o atormentam de forma contínua, mas não comprometem em momento algum seu trabalho de espionagem. Eli Cohen se notabilizou como um dos maiores e mais bem-sucedidos espiões recrutados e treinados por Israel. Ele teve papel fundamental ao revelar ao Mossad e ao Exército Israelense muitas das investidas sírias contra o País que o acolheu. Produção da Netflix, “O Espião” tem direção e roteiro do israelense Gideon Raff, que dividiu o roteiro dos três últimos episódios com o americano Max Perry. Repleto de imagens históricas que ajudam a contextualizar a obra, a série é curta, direta e objetiva. Vale muito a pena, até mesmo para assistir de uma vez só.

Título original The Spy Título traduzido O Espião Direção Gideon Raff Roteiro Gideon Raff Max Perry Gênero Espionagem Episódios 6 Duração média 50 minutos País Israel Estados Unidos Ano de produção 2019 Estúdio Legende Films OCS Distribuição Netflix

A filha e a figura paterna Final de domingo, final de domingo e Dia dos Pais, papel e caneta em mãos. Apesar da tecnologia, e ainda mais de todo uso tecnológico destes últimos meses, sempre começo minha escrita com papel e caneta em punho. Ela me assegura de minhas palavras e meus pensamentos. Mas sigo, pois o que de fato importa é poder pensar e transcrever aqui, nestas linhas, em algumas poucas palavras, toda importância desta relação entre pais e seus filhos. É inegável e indiscutível a importância da presença do pai na vida dos filhos, essa relação assegura que os filhos possam, na vida adulta, construir relações sociais estáveis e de fato se mostrar para o mundo. A criança nasce, e a relação mãe e filho é imensa. O pai, como terceiro elemento desta relação, faz uma quebra promovendo o relacionamento do pai com o bebê. Neste momento o bebê aprende a lidar com o sexo oposto, e também no futuro a direcionar essa possibilidade em suas relações afetivas. Assim, ao fazer a ruptura mãe/bebê, o pai promove a independência da criança no futuro, promovendo ao certo sua estruturação psíquica. Porém, aqui faço um desvio teórico, para pensar no papel do pai especificamente com a menina. Quero pensar no que contribui a atenção e afeto paterno na vida futura e afetiva dela. Penso na possibilidade de juntos pensarmos como será a vida adulta da menina que teve em sua infância um pai atencioso e amoroso? Ao certo não se pode falar em uma regra específica, mas podemos pensar em grandes possibilidades. Um pai amoroso, atencioso cujo papel paterno lhe foi realizado com extremo desejo possivelmente influenciará em uma mulher cuja presença social estará imbuída de valores muito próximos aos que viveu em sua infância. Possivelmente será alguém cuja autoestima seja significativa nas mais variadas circunstâncias de sua vida pessoal e profissional, pois revivemos na vida adulta nossas experiências infantis. O modelo de relacionamento vivenciado com a figura paterna acaba por interferir claramente na forma como a mulher irá escolher suas relações, tanto sociais quanto afetivas. A confiança estabelecida nos primeiros anos de vida serão sensações básicas para que a menina possa ser uma pessoa segura, confiante, independente no decorrer de seu aprendizado e escolhas de futuro. Aqui, ao certo rendo minha homenagem a meu pai, Clemente Avelino Baretta. Nesta semana, além de Dia dos Pais, dia 17, na próxima segunda, fará 90 anos. Tenho maior orgulho de ser sua filha. Homem simples, 5ª série, se dedicou à política. Dele herdei a força, coragem, bom humor, determinação, não desistir por mais que existam forças contrárias. Pulei a parte que dizia talento musical e aulas de Matemática, mas fui todos os dias nas aulas de leitura e escrita, mantive o bom senso e o desejo de “viver” acima de tudo! * Psicanalista


Fran Dal Monte

A

#E

Auto-Cuidado

Fran Dal Monte

pandemia acelerou discussões sobre o auto-cuidado, principalmente entre as mulheres. Tem se tornado muito importante prestarmos atenção na nossa saúde mental e física. E esse processo faz parte do nosso autoconhecimento. Toda semana tenho proposto uma reflexão para quem lê minha coluna. E nesta, a ideia é entendermos como estamos olhando para nós mesmas e nossa vida. Você está se cuidando e respeitando suas vontades? Se libertar de alguns pensamentos por exemplo, pode deixar sua vida mais leve. Se você se sentir à vontade e quiser conversar, pode me chamar nas redes sociais, eu tô sempre de olho por lá :)

Drive + Vinho

A Casa Perini realiza nesta sexta e sábado o evento Cine Drive-inho, no pátio da sua vinícola. O evento visa promover uma experiência diferente de cinema drive-in. A abertura acontece às 18h e a sessão inicia às 19h30min. Na sexta, o filme escolhido é "Sob o Sol da Toscana" e no sábado "O Tempo e o Vento". Os ingressos estão à venda online e acompanham uma taça personalizada da empresa.

E a Cena Musical?

Ex-secretário de Turismo e Cultura, Francis Casali promove, na próxima terça, às 19h, pelo seu Facebook e Instagram, uma live com os músicos Robson Gervasoni e Juh Moreira, para falar um pouco sobre o momento difícil que os profissionais do setor estão atravessando com a pandemia e também sobre a Lei Aldir Blanc, que prevê recursos para apoio e fomento ao segmento cultural (veja mais na Editoria de Cidade, página 14).

Professora de Matemática, Rafaela Fabro vem se destacando em todo Brasil por suas iniciativas diferenciadas para ensinar os alunos durante a pandemia. Em sua página do Facebook e Instagram (@profrafaelafabro) ela já soma mais de 15 mil seguidores, onde compartilha jogos e técnicas relacionadas à disciplina. Além disso, compartilha com outros professores materiais desenvolvidos por ela, por um valor simbólico, com o objetivo de fortalecer a área de ensino

Saiury Baú recebeu os parabéns pelo Dia do Advogado, data celebrada nesta semana

Lançamento Literário

A Biblioteca Pública Municipal Olavo Bilac promove, na próxima terça, às 20h, uma live de lançamento do livro “Fases”, da farroupilhense Júlia De Rossi. Ela pode ser conferida pelo Facebook do Comitê Jovem Conectando Mentes, que inclusive é integrado pela jovem escritora. A atividade faz parte das celebrações de 80 anos da Olavo Bilac, que são celebrados neste 2020.

Show Solidário

No sábado o grupo farroupilhense Som em Casa participa de uma live solidária. A programação visa arrecadar doações para a Isis, uma bebê diagnosticada com a doença AME. A transmissão acontece a partir das 20h30min, pelo perfil do Facebook da TV Serra (@tvserrafarroupilha).

#MinhaÚltimaViagem Juliana Piccoli e Franco Mazzuchini em sua última viagem, no Hotel RIU Reggae, em Montego Bay, Jamaica

Ritielle e celebram e come


EmCasa

Shaiane Piffer recebeu o carinho do marido, Leandro Andreis, pelo seu aniversário, festejado na última terça

e Luiz Dal Pizzol, pai e filha, o aniversário no mesmo dia emoraram juntos na terça

Fotos: Arquivo Pessoal

Gabriel Lazzari e Rosângela Vanzella felizes da vida com a notícia de que vem um bebê por aí. Parabéns ao casal!

Os pais Emanuele Bertolini e Marcos Frá batizaram o pequeno Gabriel Bertolini Frá no sábado, e celebraram também, nesta semana, seus 5 meses de vida


Inside

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Fabrício Oliboni fabrioliboni@gmail.com

Um texto dublado Há alguns dias comecei a acompanhar o canal do Wendel Bezerra no YouTube. É uma figura pouco conhecida pela maioria por nome, mas quando falamos do seu trabalho, é difícil alguém não saber quem é: Goku, Bob Esponja, Fenrir de Alioth, Edward Norton, Robert Pattinson... dentre muitos outros personagens e atores. Bom, o Wendel Bezerra é a voz deles, um dos grandes expoentes da dublagem brasileira, que é considerada como uma das melhores do mundo. Seguindo por onde comecei e feita a devida apresentação do Wendel, digo que vi vários vídeos do canal dele em sequência. Em boa parte deles o tema são os causos da profissão, contados em entrevistas deliciosas com outros profissionais da área, sobre como eles entraram no meio, como chegar ao tom correto da voz desse personagem e, não menos importante, a interação dos fãs com eles. Não é raro vermos o pessoal se emocionar, e com razão. Acredito que, na visão deles, parece um trabalho normal, apenas emprestar a sua voz para um personagem de desenho ou alguém que eles nunca viram na vida. Uma função como qualquer outra, sendo que é comum até eles lembrarem pouco sobre o filme e o anime em si, pois não passava de algo que eles faziam muitas vezes por dia e nem se davam ao trabalho de acompanhar a obra completa. Não está errado, claro. Justamente por isso, é engraçado ver a reação deles falando sobre o carinho que recebem, algo que eles costumam até mesmo nem mensurar. Eu sempre assisti muitos filmes, desenhos, séries, etc. Até certo ponto da adolescência, ser dublado era uma exigência, já que tinha aquela preguiça de ler as legendas, vocês sabem como é. Hoje eu não consigo ver filmes dublados, é diferente. Enfim, não é esse o ponto. Voltando. Em razão disso, acho que todos nós temos vozes que remetem à um período das nossas vidas, principalmente na infância e adolescência. Para dar um exemplo, até meio besta, eu acho que eu travaria ao conversar com o Wendel Bezerra. É um rapaz normal, mas quando ele falar algo, eu vou ouvir o Goku. O Goku, cara! Aquele personagem que eu parava em frente à TV e ficava imitando o que ele fazia, gritava os golpes junto, sabia as falas de cabeça. Todos esses dubladores e dubladoras, que são praticamente anônimos, são como se fossem amigos queridos nossos. Falo por mim, mas tenho certeza que muitos têm o mesmo sentimento, embora certamente a maioria nunca tenha parado para pensar sobre isso. Embora hoje eu não assista mais a filmes e séries dublados, tenho uma certa resistência com coisas que eu vi quando criança e me marcaram muito. Rambo, por exemplo, eu prefiro ver dublado. Comando para Matar, Exterminador do Futuro 2, Stallone Cobra, Rocky, Edward Mãos de Tesoura, Duro de Matar, filmes do Van Damme... são filmes que eu assistia com o meu pai, que não abria mão da dublagem. E aquelas vozes têm um significado especial pra mim. Nostalgia, um gostinho diferente, trazem boas memórias... eu acho fantástico o trabalho da dublagem. Ah, Chaves e Chapolin! Não poderia deixar passar eles. Aqui eu considero um trabalho genial, pois adaptou várias coisas que não fariam sentido no Brasil, e seguem como uma referência que nunca perderemos, tratando-se de um programa que passou por quase 50 anos, de forma ininterrupta e passando diariamente na TV aberta do Brasil. Ao meu ver, a dublagem, além de tudo que eu mencionei, está ligada à inclusão. Dá acessibilidade a qualquer um, principalmente em um País onde estamos muito longe em sermos exemplo em matéria de educação. Podemos ver e sentir muitas coisas através da voz, e nesse caso, no nosso idioma nativo. Ela aproxima, nos conecta e não exclui ninguém. Leia esse texto imaginando a voz do Goku, ou do Wendel Bezerra, se bem que... enfim, ficará melhor. * Agente de intercâmbio e bacharel em Relações Internacionais

FARROUPILHA, 14 DE AGOSTO DE 2020

Sétima Arte

Barbárie virtual à real Descontado enraizado preconceito, um tanto quanto rasteiro, o polonês “Rede de Ódio” é um filme que fala muito sobre nosso tempo e o impacto das redes sociais sobre nossas vidas Ramon Cardoso ramon@jornalinformante.com.br

A

abertura de “Rede de Ódio” já traz uma cena dramática. O jovem Tomasz Giemza (Maciej Musialowski) é expulso da Faculdade de Direito de Varsóvia por ter plagiado um trabalho. Talvez esse tenha sido um ponto chave na virada de sua vida e que pode ter, de certa forma, desencadeado no jovem seu comportamento mais brutal, mas não resta dúvida que era algo que estava prestes a ser detonado. Seu passado não é revelado e apenas inserido em comentários de terceiros, mas é fácil perceber que ele não veio de uma família alicerçada. Seus estudos na Capital polonesa são pagos por parentes, que ele chama de tio e titia, o administrador Robert Krasucka (Jacek Koman) e a curadora de arte Zofia (Danuta Stenka). Tomasz insiste em visitá-los, mas seu interesse em particular é na filha do casal,

a atraente e maluca jovem Gabi (Vanessa Aleksander), por quem desenvolve uma paixão platônica. Ela não sabe muito bem o que quer da vida, tirou um ano sabático nos estudos e mergulhou num universo de drogas e festas, que a levou a um quadro depressivo. É natural o desconforto dela diante dos pais, especialmente porque sua irmã Natalia (Martynika Kosnica) é uma talentosa jovem e motivo de orgulho de Robert e Zofia, o que só aumenta seu flagelo. O jantar na casa dos Krasucka mostra que esse não é um ambiente para Tomasz. Ele é dissecado pela família e nota que é um estranho no ninho. Embora bem tratado, não é difícil ver que o jovem é classificado como escória e que somente terá o respeito a partir do momento que conseguir uma posição de destaque na sociedade. Omitindo o fato de ter sido expulso, ele vive uma situação limite: necessita de maneira urgente obter êxito profissional, que aumentará suas já reduzidas chances de conquistar Gabi. Porém, o caminho do sucesso, via de regra, é longo e penoso, mas Tomasz tem pressa e, ao perceber, de maneira clara, como ele é visto pelos parentes, sabe que esse processo necessita ser acelerado. E é justamente na forma como ele toma conhecimento, de maneira sorrateira, das impressões dos Krasucka, que vislumbrará a chance de atalhar a jornada em

busca de seu objetivo. Entra em ação o Tomasz dissimulado e metódico, que não perde o foco em sua meta, ainda que sua execução tenha que ocorrer no submundo. Seu potencial é incrementado a partir de um encontro com a lobista Beata Santorska (Agata Kulesza). Ela é dona de uma agência especializada no assassinato de reputações e dará a Tomasz as ferramentas necessárias para satisfazer seus clientes. O principal alvo é o jovem economista Pawel Rudnicki (Maciej Stuhr), amigo dos Krasucka, e que ocupa a liderança nas intenções de voto para a prefeitura de Varsóvia. Perito em redes sociais, Tomasz ganha nesse universo virtual a importância que não tem em vida. É um sociopata e, como tal, imune a sentimentos, e trilhando um caminho sólido e firme para se tornar um psicopata, justamente pela falta de valor que dá à realidade. É um mergulho na insanidade, onde atos e consequências têm relevância reduzida a nada a partir do instante que se colocam como obstáculo na busca de seu objetivo. Uma espiral de violência que começa no plano virtual, mas que terá trágicos desdobramentos no plano real. Justamente por isso, o filme de Jan Komasa com roteiro de Mateusz Pacewicz é tão atual e oportuno e vai, em breve, virar uma série da HBO. Há, no entanto, uma ressalva.


Inside

FARROUPILHA, 14 DE AGOSTO DE 2020

Sétima Arte

Paulo Roque Gasparetto prgasparetto@terra.com.br Divulgação

Sem limites Tomasz (Maciej Musialowski) não medirá esforços para conseguir seu objetivo

É mais fácil atribuir radicalismo a grupos de direita, com alcunhas forjadas por um jornalismo que passa longe de ser levado a sério e se infiltra com naturalidade no campo da militância, como “supremacista branco”, “ultranacionalista”, “cristão radical” e outros neologismos. Claro que há um componente ideológico inserido na trama e que, não resta a menor dúvida, diminui o tamanho do filme. Contudo, é compreensível também admitir que se o radicalismo fosse de esquerda certamente haveria muita resistência à obra, a partir de boicotes e censuras capitaneados por essa galera meiga, que pratica o chamado “ódio do bem” e que classifica todos que têm ponto de vista diverso de “fascista”, sem minimamente saber o significado do termo. Deixando de lado essa ques-

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tão com viés mais político (embora ela esteja na essência da trama), as mensagens transmitidas são muito poderosas. De fato, é possível destruir uma reputação com meia dúzia de cliques. De fato, o ambiente virtual favorece esse anonimato criminoso. De fato, a política (que nunca foi limpa) tende a se utilizar desses artifícios para conquistar o poder. O antídoto contra tudo isso existe, mas é difícil de ser aplicado: checar e filtrar informações. Porém, como fazer isso numa realidade que é instantânea e guiada por comportamento de manada, impulsivo, em que o clique é automático e mil vezes mais rápido que o raciocínio? Como fazer isso com uma extrema imprensa que propaga fake news? Bem-vindos ao mais novo desafio do mundo moderno, acelerado e potencializado pela pandemia.

Imagem: Reprodução

Título original Hejter Título traduzido Rede de Ódio Direção Jan Komasa Roteiro Mateusz Pacewicz Gênero Suspense País Polônia Ano de produção 2019 Estúdio Kino Swiat dFlights TVN Film Canal+ Coloroffon Naima Film Distribuição Netflix

Eu e minha casa serviremos ao Senhor Dentro do mês vocacional, a igreja no Brasil celebra, nesta segunda semana de agosto, a Semana Nacional da Família. “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”. Este foi o tema escolhido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para animar essa semana. O texto é do capítulo 24 do livro de Josué, no versículo 15. A reflexão proposta revela a necessidade de que as famílias façam escolhas convictas e que a comunidade ajude no processo de conhecimento a partir da luz do Evangelho. A iluminação bíblica tem todo um contexto que precisa ser entendido para perceber também como Josué chega no final do versículo falando que ele e a sua casa servirão ao Senhor. A Semana Nacional da Família é uma oportunidade da qual, no momento atual, muito precisamos. Uma semana para reavivar, em nossos corações, a importância central da família na vida da Igreja e na vida da sociedade. Segundo o arcebispo de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo “Família é raiz, família é alicerce. E sem raiz e sem alicerce não nos colocamos de pé e não permanecemos de pé. Seja pois o caminho das partilhas, da oração, dos diálogos, dos confrontos, sejam estes momentos ricos de enriquecimento de uma nova compreensão e, sobretudo, de uma experiência mais sólida. Vamos valorizar a nossa família, vamos dar à nossa casa exatamente a cara e a experiência de ser o lugar de nossa família como escola do amor, da fé, da fraternidade e da nossa humanização”. Neste sentido, o papa Francisco ressalta que precisamos cuidar das famílias, porque são verdadeiras escolas do amanhã, “são escolas de liberdade, são centros de humanidade e laboratórios de humanização”. Assim, as famílias são o melhor legado possível que podemos deixar para o mundo e o futuro. Mesmo no ambiente hostil em que hoje vive a família, e num clima de mudanças rápidas e constantes, os pais não podem abrir mão de uma boa educação para seus filhos, com confiança e com coragem, na perspectiva dos valores fundamentais da vida humana. * Pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus e doutor em Comunicação


Inside

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Horóscopo Áries - 21/03 a 20/04

Boa semana para fazer a comunicação circular. A autoestima e a possibilidade de perceber o seu valor lhe darão condições de ser mais assertivo em suas escolhas e em suas decisões. Reflita sobre o seu valor, sobre os seus talentos e sobre o merecimento.

Touro - 21/04 a 20/05

Boa semana para promover negociações financeiras com foco em resoluções para o imóvel ou para a família. Busque identificar o seu valor e as nuances que envolvem as memórias do passado e os carmas que devem ser diluídos com sabedoria.

Gêmeos - 21/05 a 20/06

É um excelente semana para se posicionar e deixar as coisas claras. O céu favorece os seus movimentos, os estudos, as viagens e as relações de contato. Tenha atenção com as dependências emocionais! É momento de curar e de mudar os pensamentos.

Câncer - 21/06 a 20/07

A necessidade de silenciar é forte e gera reflexões produtivas sobre como você deve atuar com os recursos materiais ou as questões profissionais. Você é levado a analisar como deve atuar com sócios, clientes, parceiros e com o cônjuge.

Leão - 21/07 a 22/08

Boa semana para interagir com os amigos e para criar movimentos interessantes para o desenvolvimento de projetos e ideias. A vida vem exigindo de você um encaixe com as suas necessidades pessoais por meio de curas e atitudes sábias.

Vírgem - 23/08 a 22/09

O céu lhe dá a oportunidade de avaliar com sabedoria e minúcia o modo como deve atuar com questões profissionais e responsabilidades futuras. É essencial identificar o seu valor e fortalecer a autoestima, para que não fique escravo de aplausos.

Libra - 23/09 a 22/10

O céu lhe traz boas notícias, que podem vir de pessoas que estão distantes. É favorável criar novos movimentos e promover os projetos. Busque promover o melhor para o desenvolvimento em equipe e se conecte a ideias mais elevadas.

Escorpião - 23/10 a 21/11

Boa semana para analisar os movimentos financeiros, principalmente com foco em recursos compartilhados. O céu lhe dá a oportunidade de mudar e movimentar o setor profissional. É preciso desenvolver o seu melhor.

Sagitário - 22/11 a 21/12

Boa semana para fazer contatos com parceiros, sócios ou com pessoas que ampliam a sua percepção e geram oportunidades. Busque colocar em prática os seus valores ou se aprofundar numa filosofia de vida. A fé deve ser exercitada.

Capricórnio - 22/12 a 20/01

Boa semana para analisar como deve criar novos movimentos em sua rotina. O trabalho também pode ser mexido. Busque identificar quais são as mudanças que a vida vem exigindo de você. É momento de se reconstruir.

Aquário - 21/01 a 19/02

Boa semana para se relacionar e fazer contatos com uma pessoa especial. O céu abre novas possibilidades afetivas e pede de você uma decisão importante. É preciso se conectar com o coração e desenvolver afetos saudáveis.

Peixes - 20/02 a 20/03

Os assuntos domésticos ganham destaque e o céu fala sobre mudanças em família. Boa semana para promover contatos com parentes ou com pessoas muito próximas. A rotina vai passar por mudanças, o que impacta a autoestima.

FARROUPILHA, 14 DE AGOSTO DE 2020


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Edição 650  

Jornal Informante (Farroupilha/RS)

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