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FARROUPILHA

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ANO XIII

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EDIÇÃO 640

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5 DE JUNHO DE 2020

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R$ 3,00

Lockdown na economia: as três semanas de fechamento compulsório do setor produtivo deixa saldo nefasto no mercado de trabalho farroupilhense, dados que devem ainda seguir negativos pelos próximos meses Matéria Especial, páginas 2 a 5, Editorial e Crônicas da Redação CIDADE

Baixos níveis nas barragens

POLÍTICA

EDUCAÇÃO

Reestruturação administrativa Auxiliando mesmo em reclusão

Cidade enfrenta período crítico mesmo Prefeitura envia projeto ao Legislativo e com chuvas e Corsan pede colaboração projeta uma economia de R$ 5 milhões Página 10 Página 12

Campus Farroupilha do IFRS promove campanhas e doações para comunidade Páginas 14 e 15

Arquivo Jornal Informante

Pandemia econômica encerra 474 empregos no quadrimestre


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FARROUPILHA, 5 DE JUNHO DE 2020

PANDEMIA ECONÔMICA

Farroupilha fecha 474 postos de Segundo estudo Observatório do Trabalho, da UCS, é o pior resultado da série histórica, que foi iniciada em 2004 Arquivo Jornal Informante

O

estudo do Observatório do Trabalho, feito pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), mostra um resultado preocupante na economia, como já era de se esperar diante do período de quarentena adotado, inicialmente pelo município e, mais tarde, pelo Estado. Do início de janeiro até o final de abril, a cidade registrou 474 postos de trabalho fechados, o pior indicador da série histórica. O ano de 2020 tinha começado de maneira promissora para o município, com abertura de mais de 500 postos de trabalho nos meses de janeiro e fevereiro, período em que habitualmente não há contratações. A partir de março, com o início da pandemia, as demissões engoliram as admissões. Foram 138 encerramento de contratos de trabalho em março e impressionantes 856 demissões em abril, o que resulta no saldo negativo de 474 desempregados no primeiro quadrimestre (confira tabela detalhada na página 5). O número representa quase 2% de fechamento de postos de trabalho no município, que abriu o ano com 23.948 empregos formais e finalizou abril com 23.474, uma retração de 1,98%. Ações do governo federal, como a suspensão dos contratos de trabalho por determinado período e a possibilidade de negociação direta entre empregadores

Chegou a conta As três semanas de lockdown, que foi de 19 de março a 8 de abril, destruíram a economia farroupilhense que ensaiava uma recuperação no ano: reflexos da medida têm impacto até hoje e devem resultar em mais demissões nos próximos meses


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trabalho no quadrimestre e empregados para redução de jornada e salário amenizaram um pouco a queda, mas com a extensão da pandemia é bem provável que maio e junho ainda venham a registrar também um número elevado de demissões na cidade. Capitaneado pela docente Lodonha Portela Coimbra Soares, professora do curso de Economia da UCS e coordenadora do Observatório do Trabalho há mais de 10 anos, o estudo traz um levantamento dos municípios em que a UCS tem abrangência. Das cidades analisadas, apenas Vacaria (especialmente por conta da safra de maçã) e Carlos Barbosa obtiveram saldo positivo. As demais registraram perda de empregos (veja ao lado). Alguns municípios de maneira bem acentuada, como Canela e Torres, já que dependem em boa parte do turismo, um segmento fortemente impactado pela pandemia. A redução dos postos formais de trabalho em Farroupilha, ou seja, os empregos com carteira assinada, acabou ficando dentro da média serrana, com a maior parte das demissões concentrada no setor do comércio, serviços e construção civil, que é sempre um termômetro da economia, ao passo que a indústria foi a que mais abriu vagas no período avaliado, de janeiro a abril. A análise realizada é baseada em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia. Confira mais dados com a coordenadora do estudo e sobre Farroupilha nas páginas 4 e 5.

Estudo Observatório do Trabalho Municípios de abrangência da UCS Saldo de empregos de janeiro a abril Município

Saldo

1º/01/2020

30/04/2020

Diferença %

Vacaria

1.253

16.433

17.686

7,62%

Carlos Barbosa

229

11.414

11.643

2%

São Sebastião do Caí

-27

6.670

6.643

-0,4%

Flores da Cunha

-46

10.131

10.085

-0,45%

Garibaldi

-118

14.281

14.163

-0,82%

Veranópolis

-126

6.927

6.801

-1,82%

Nova Prata

-157

7.844

7.687

-2%

Guaporé

-240

8.007

7.767

-3%

Farroupilha

-474

23.948

23.474

-1,98%

Bento Gonçalves

-477

39.695

39.218

-1,2%

Canela

-491

8.511

8.020

-5,77%

Torres

-972

8.923

7.951

-10,9%

Caxias do Sul

-3.136

150.662

147.526

-2,08%

Total

-4.782

313.446

308.664

-1,52%


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CAOS NO MERCADO DE TRABALHO

Do otimismo à depressão: um ano

Retomada gradual da economia deve minorar o impacto da crise “Não temos uma expectativa que nesses meses isso possa se reverter totalmente, mas o que se espera é que, com a abertura gradual de alguns seto-

Fé na recuperação Professora acredita que a retomada da economia já iniciou em maio e que número de demissões deve cair nos próximos meses

Divulgação

O

s dois primeiros meses do ano indicavam um 2020 de recuperação econômica no município. Em janeiro e fevereiro foram gerados, respectivamente 168 e 352 empregos formais, números superiores inclusive aos verificados no ano passado. Os 510 postos de trabalho, contudo, foram praticamente igualados com os encerrados no bimestre seguinte. Somente em abril foram fechados 856 postos, o maior desde o início da série histórica, em 2004. “O cenário antes da pandemia era de otimismo, de um ano que haveria crescimento. Isso se comprovou em Farroupilha. Quando ocorreram as medidas de isolamento social, na segunda quinzena de março, houve uma redução na geração de postos de trabalho formais, mas era previsto que o número fosse mais expressivo em abril já que no início muitas empresas deram férias coletivas, adotaram home office, houve flexibilização na jornada e suspensão de contratos de trabalho. Como a situação persistiu em abril, muitos acabaram demitidos”, observou a professora Lodonha, que não acredita que os dados devam se repetir em maio e junho.


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para repor perdas na economia Arquivo Jornal Informante

res, é que em maio já se verifique uma queda menos acentuada do que em abril. Claro, isso é uma expectativa. A economia é uma ciência social, algum fato pode reverter essa previsão. Se houver um recrudescimento de casos, isso pode frear a retomada econômica”, comentou a economista, destacando que os setores de comércio, serviços e construção civil foram os responsáveis pela maior parte das demissões, enquanto a indústria amenizou a queda, especialmente pelas contratações no início do ano. “No final de junho vamos ter uma ideia se abril foi o fundo do poço”, acredita a professora. Ela também destacou que as ações do governo amenizaram o impacto das demissões. “Se a economia começar a girar em maio, junho, pode ser que esses contratos suspensos venham a ser reativados, mas se não houver a retomada, isso pode impactar negativamente, com mais fechamentos de postos de trabalho”. A crise sanitária, ainda nebulosa e sem uma conclusão prevista, tem seu reflexo no setor produtivo. “A economia está muito ligada à saúde, que é prioridade no momento. O fechamento de empresas acaba gerando consequências no ponto de vista econômico, no medo das pessoas de serem demitidas. Isso faz com que as famílias hajam com mais cautela, comprem somente o que é essencial, deixam de lado gastos que podem ser adiados, enfim, isso tudo também freia o processo de retomada da economia. Os números de maio, que devem sair no final de junho, devem oferecer uma tendência e um cenário mais claro da situação”, aposta a economista.

Neutralizado Abertura de postos de trabalho no quadrimestre do ano passado quase foi igualado pelo fechamento deste ano: maio e junho também devem registrar perdas expressivas no mercado

Os primeiros quadrimestres em 2019/2020

Mês avaliado Janeiro/19 Fevereiro/19 Março/19 Abril/19 Total Janeiro/20 Fevereiro/20 Março/20 Abril/20 Total

Farroupilha 152 263 66 30 511 168 352 -138 -856 -474

Rio Grande do Sul 13.193 23.485 3.076 -2.712 37.042 13.030 23.010 -14.476 -74.686 -53.122

Brasil 44.666 192.503 -38.612 136.384 334.941 113.155 224.818 -240.702 -860.503 -763.232


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Covid-19 e o aumento de juros pelos bancos Fabio Boni *

A

recente onda de surto epidêmico causado pelo covid-19, teve início da crise na China, onde se espalhou do continente Asiático para o Oriente Médio, posteriormente para a Itália, Europa, América do Norte e, por fim, atingindo a América do Sul. A facilidade com que o vírus se espalha nas grandes metrópoles, além da alta taxa de mortalidade que a doença causa aos maiores de 60 anos de idade, tem preocupado a classe política, a ponto de colocar Cidades, Estados e até Países em estado de quarentena, proibindo a circulação de pessoas, bem como o funcionamento do comércio e indústria locais. A incerteza sobre a magnitude da crise provocada pelo covid-19 não exime os governos: na verdade, obriga-os a lançar mão de um conjunto de ações voltadas a impedir ou, ao menos, tentar minimizar a recessão na economia pela paralisação das atividades econômicas pelo período de quarentena. Em 23 de março de 2020, o Banco Central anunciou injeção de R$ 1,2 trilhão na economia, aumentando a liquidez do Sistema Financeiro Nacional, com o objetivo de garantir que as instituições financeiras tenham recursos para atender as demandas de mercado. Na prática, com a ausência de caixa as empresas não têm alternativas senão se socorrerem aos bancos. Estes, que por sua vez, receberam subsídios do governo para reanimar a economia e garantir recursos às empresas, veiculam em mídias das mais variadas a redução de juros, além de prorrogação de prazo para pagamento de empréstimos, sem a cobrança de multa e juros, em uma ação solidária para tentar salvar a economia global. Contudo, para surpresa dos cor-

rentistas (pessoa física e jurídica), a propaganda veiculada nas mídias sociais não estão sendo cumpridas pelos bancos pois, na prática, os clientes têm relatado a redução do prazo dos contratos de capital de giro, além do aumento de juros, contrariando a propaganda veiculada nas mídias sociais. Empresas que se viram afetadas pelo impacto da pandemia na economia, necessitando de crédito para pagamento de funcionários e contas irremediáveis, sentem-se obrigadas a assinar contratos para garantir o crédito rotativo e, assim, não terem que optar pela demissão em massa ou até mesmo fechar as portas. Nesse cenário, os escritórios de advocacia estão sendo acionados para lidar com esta situação, pois os bancos estão subindo os juros e diminuindo o tempo para pagamento, sufocando as empresas, indo contra os preceitos basilares da legislação civilista. O aumento arbitrário de juros em momentos como os de hoje, com a decretação de calamidade pública, determinação de fechamento do comércio e indústria, além da quarentena imposta pelos governadores e prefeitos, tornam a ação dos bancos oportunista e ilegal, violando diversos princípios como a boa-fé contratual, proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, além de permitir a revisão judicial dos contratos por onerosidade excessiva. Em alguns casos, as empresas estão ingressando com medidas judiciais para revisão dos contratos por onerosidade excessiva, pleiteando pedidos liminares para que os bancos sejam forçados pelo Judiciário a manter os juros no mesmo patamar fixado antes da crise pela pandemia, evitando a quebra das empresas e a demissão em massa dos funcionários. * Advogado, especialista na área Cível da Lopes&Castelo Sociedade de Advogados


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Catástrofe alertada, desenhada e, infelizmente, ainda em curso Desde o início da pandemia, a histeria e o terrorismo é que conduziram a agenda dos governos municipais e estaduais, alguns alicerçados em estudos baseados em ciência, a “Ciência do Achismo”, como o bizarro e ridículo levantamento do Imperial College, de Londres, que pateticamente foi utilizado pelo governo do Estado, fora os estudos que foram patrocinados por ele, também sedimentados num achismo travestido de ciência. O Jornal Informante alertou, em vários Editoriais, basta pesquisar nas Edições flipadas em nosso site, para o exagero em medidas de fechamento do setor produtivo, em um primeiro momento adotadas na esfera municipal e, mais tarde, na estadual. Uma

prévia da conta está na Matéria Especial, páginas 2 a 5. Dados liberados nesta semana pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, embasaram o estudo Observatório do Trabalho, desenvolvido pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), e mostram o impacto da pandemia econômica. Farroupilha registrou surreais 856 demissões no mês de abril. Olhando o total de postos de trabalho com que o município abriu 2020, que foram 23.948, ocorreu uma redução de 3,57% dos empregos formais. O número do quadrimestre é menos catastrófico, embora ainda impactante, já que beira os 2%, índice que teve sua queda amenizada pelos resulta-

Crises que criam Thaís Cíntia Cárnio * Em meio a todas as consequências econômicas, sociais e políticas da covid-19, e a toda desinformação e judicialização do retorno às atividades normais de comércio e serviços, uma boa notícia: a crise gera oportunidade de desenvolvimento mais rápido de novos meios de pagamento.

Outrora restritos a dinheiro, cheque (quem lembra está no grupo de risco!) e boletos, atualmente há opções muito mais céleres e práticas. Embora a tendência de novas modalidades já estivesse em voga, a dificuldade em adquirir produtos em época de isolamento social e a proibição de abertura de inúmeros estabelecimentos foram elementos catalizadores desse processo.

Índice Editorial Matéria Especial .................................... Páginas 2 a 5 Editorial e Opinião ................................Página 7 Saúde .........................................................Páginas 8 e 9 Cidade ........................................................Páginas 10 e 11 Política .....................................................Página 12 Educação ..................................................Páginas 13 a 15

Inside Especial..................................................... Capa, 2 e 3 Crônicas da Redação ............................. Página 2 Rita Rosa Baretta................................... Página 3 Social ........................................................ Páginas 4 e 5 Fabrício Oliboni ..................................... Página 6 Sétima Arte .............................................. Páginas 6 e 7 Paulo Roque Gasparetto ..................... Página 7 Horóscopo ............................................... Contracapa Classificados .......................................... 8 páginas

dos positivos em contratações nos meses de janeiro e fevereiro, que apontavam uma tendência natural de retomada econômica após anos de recessão e estagnação. Ninguém é inconsequente a ponto de minorar os efeitos da pandemia, mas olhar para a crise sanitária negligenciando o caos econômico denota ignorância e uma brutal falta de capacidade gerencial. Olhar para a pandemia com a segurança de quem vai receber seu gordo salário no fim do mês é falta de empatia e desconhecimento grosseiro da realidade que vivemos no Brasil. Descabe entrar no debate daqueles que fizeram uso da pandemia para promover saques aos cofres públicos que, no caso, são

ações das mais abjetas e que devem levar muitos desses gestores para trás das grades. O fechamento compulsório da cidade, cada vez mais, está se revelando uma atitude equivocada, à medida que no primeiro quadrimestre foram quase 500 demissões e algumas dezenas de negócios finalizados. Maio e junho ainda devem apresentar dados terríveis no mercado de trabalho farroupilhense, reflexo direto das medidas que foram tomadas de maneira açodada. Que a reabertura da economia seja plena e total para amenizar os efeitos de uma crise gerada, não somente pelo coronavírus, mas também pela incompetência administrativa.

Nesse sentido, a praticidade e a segurança proporcionada pelo chamado “Gateway” são bem-vindas. Trata-se de um meio de pagamento que permite o trânsito confidencial de informações criptografadas para efetivar a transferência de recursos entre consumidores e fornecedores, que pode ser consumada por cartões de débito e crédito, por exemplo. Para além do “dinheiro de plástico”, hoje se percebe a utilização frequente de outros recursos com tecnologia NFC, ou seja, Near Field Communication. Essa inovação permite que o

pagamento seja realizado com a troca de informações entre dispositivos mediante simples aproximação física, sem a necessidade de cabos ou fios. As transações financeiras tornam-se mais seguras, podendo ser efetuadas com smartphones, smartwatches, pulseiras de pagamento, tablets e cartões digitais. Com tanta comodidade, a pandemia passará, mas esses novos meios de pagamentos certamente ficarão.

Redação: redacao@jornalinformante.com.br Ramon Cardoso ramon@jornalinformante.com.br Yasmin Signori Andrade yasmin@jornalinformante.com.br

Comercial: comercial@jornalinformante.com.br Fabiano Luiz Gasperin gasperin@jornalinformante.com.br Maria da Graça Potricos Leite maria@jornalinformante.com.br

Anúncios: anuncios@jornalinformante.com.br Marcelo Bortagaray Mello marcelo@jornalinformante.com.br Tiago Rodrigues da Silva tiago@jornalinformante.com.br

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* Especialista em Banking, professora de Direito e Mercado Financeiro da Mackenzie

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Colunistas Crônicas da Redação Dolores Maggioni Egui Baldasso Fabrício Oliboni

Guilherme Macalossi Lauro Edson Da Cás Paulo Roque Gasparetto Rita Rosa Baretta

A manifestação dos colunistas é livre e independente e não necessariamente reflete a opinião do Tabloide sobre os temas abordados nas colunas

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Número de ações judic de saúde cresce com a Léo Rosenbaum e Fernanda Glezer Szpiz *

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nfelizmente, o mundo está passando por uma situação sem precedentes, gerando o “lockdown” e quarentena das maiores economias mundiais, contrapondo ideias e opiniões sobre a melhor maneira de enfrentá-la, sem ainda ter uma solução comum para resolvê-la. Momentos como este trazem à tona diversos problemas estruturais dos Países, como a falta de hospitais, a escassez de recursos para a área da saúde, a insensibilidade da classe política para uma coesão em torno das questões envolvidas, sendo certo que os Países mais afetados são aqueles com frágeis alicerces sócio-político e econômicos, especialmente os subdesenvolvidos. Em Países em que a rede pública de saúde é escassa e grande parte da população acaba por pagar por planos de saúde particulares para ter uma saúde de melhor qualidade, a situação tem um agravante adicional, já que se abre uma brecha para as operadoras criarem diversos subterfúgios para a negativa de cobertura de determinados procedimentos que têm amparo contratual e não deveriam ser negados.

Se esta situação já é verificada quando não há fatores externos em jogo, neste momento de pandemia, em que a quantidade de sinistros vem aumentando exponencialmente, implicando em maiores despesas às operadoras, o cerco se fecha ainda mais contra o beneficiário dos planos de saúde. Embora a Agência Nacional de Saúde (ANS) ainda não tenha divulgado dados oficiais sobre os números de reclamações contra os planos de saúde desde o início da pandemia, constata-se nos Tribunais de Justiça nacionais evidente aumento,

em progressão geométrica, de demandas contra planos de saúde, estimando-se que o percentual de incremento com relação ao mês anterior seja superior a 100%. Dentre os casos submetidos a litígio, a maior parte dos processos ainda são movidos em função de negativas de tratamentos ou exames não previstos no rol da ANS. Infelizmente, os pacientes oncológicos e portadores de outras doenças graves não podem esperar para dar início ou continuar seus tratamentos. Não obstante, continuam recebendo negativas infundadas dos planos de


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ciais contra os planos pandemia do covid-19

Di

vu

saúde, o que os faz buscar, no Judiciário, o amparo aos seus direitos, o que tem obtido inicialmente, através de liminares, que se confirmam em sentenças de procedência de seus pedidos. Verifica-se, também, que diversos beneficiários em situação emergenciais provenientes do covid-19 estão tendo suas internações negadas sob a infundada alegação de estarem em período de carência. Nestes casos, o Judiciário tem garantido a internação e tratamento, uma vez que a jurisprudência é pacífica ao entender que o prazo para carências em situações de

lg

ão

urgência e emergência não pode ser superior a 24 horas. Outro assunto que vem movimentando o Judiciário são as demandas para tratar de exclusões de dependentes maiores de uma determinada idade (normalmente 21 anos ou 25 anos), amparadas por previsão contratual. Embora haja respaldo legal e contratual para tais exclusões, a polêmica se funda no fato de que durante anos as operadoras não tomaram nenhuma medida para excluir estes dependentes quando atingiram a idade limite e permaneceram nas apólices, muitas vezes, por prazos tão

longos quanto 15 ou 20 anos! Com a chegada da crise, o panorama mudou e os planos de saúde começaram a rever esses contratos, dando início a uma varredura em suas carteiras de clientes, partindo para a exclusão de tais beneficiários. Por sua vez, os beneficiários excluídos vêm conseguindo liminares, que se confirmam em decisões finais favoráveis, para se manterem no plano ao argumento de que durante décadas não foram excluídos e permaneceram pagando as suas mensalidades, tendo suas carteirinhas renovadas e usufruindo das coberturas oferecidas pelos planos de saúde, o que lhes gerou direito adquirido com relação à manutenção dos seus planos de saúde. Apesar da quarentena, o Judiciário está recebendo e julgando as ações relacionadas a planos de saúde, em que há pedidos de tutelas de urgência (liminares). Ademais, uma vez que os processos são eletrônicos, os julgamentos estão sendo mais céleres e seguem a tendência jurisprudencial de garantir aos beneficiários dos planos de saúde os seus direitos, baseados na relação de consumo estabelecida entre as partes. * Advogados, especialistas em Direito à Saúde e sócios do Rosenbaum Advogados


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EstiAgEm

Obituário

Alguém quer me adotar? Este é o Thor. Ele é de porte médio, dócil e tem em torno de 4 anos. Ele se dá bem com outros animais e adora crianças. Já está castrado. Interessados em adotar podem manter contato pelo fone 999.371.647.

82 anos. Sepultamento no cemitério do bairro Nova Vicenza; * Maria de Lurdes Cristofoli Teixeira, 67 anos. Sepultamento no Cemitério Público Municipal. 2 de junho * Elsa Dorneles Carpes, 85 anos. Sepultamento no Cemitério Público Municipal. 3 de junho * Egon Celestino Thomas, 86 anos. Memorial Crematório São José, de Caxias do Sul; * Maria Rubbo Bohm, 83 anos. Sepultamento no cemitério da comunidade de Linha 47 (2º Distrito). Divulgação

Situação continua crítica nas barragens da cidade Mesmo com as fortes chuvas na semana passada Farroupilha está com níveis baixos de água para abastecer os munícipes

A

estiagem que a Serra Gaúcha vinha enfrentando não prejudicou somente a agricultura, como também ameaça o abastecimento da zona urbana, devido à diminuição do volume das barragens. Mesmo com as últimas chuvas na região, a situação das barragens de Farroupilha ainda é crítica. O município é abastecido por duas barragens: Julieta e Burati. Segundo o gerente da Corsan local, Elton Ernzen, a Barragem do Burati apresenta um nível muito baixo desde o início da estiagem. Em maio, atingiu 5,7 metros abaixo do seu normal. Com isso, água passou a ser captada na

Divulgação

28 de maio * Francisca Beatriz Pedroso, 63 anos. Sepultamento no Cemitério Público Municipal. 29 de maio * Irma Gueno, 61 anos. Sepultamento no Cemitério Público Municipal. 30 de maio * Altemir Juarez Dutra, 56 anos. Sepultamento no Cemitério Público Municipal; * Pedro Paulo Correa, 64 anos. Sepultamento no cemitério da comunidade de Linha Caravaggeto (4º Distrito). 31 de maio * Olivia Ghueno Frana,

Abastecimento ameaçado Fotos tiradas na última segunda na Barragem do Burati, em Farroupilha

Barragem da Julieta, que não apresenta uma redução tão significativa em seus níveis. Mas o problema é que mesmo com as chuvas recentes, a questão ainda é delicada e, justamente por isso, a ajuda de todos é fundamental. “Preocupa muito a situação, tem baixado cerca de 2 centímetros ao dia. Orienta-

mos a evitar banhos demorados bem como lavar carros e calçadas”, recomenda Elton, afinal é preciso da colaboração de todos em momentos como este. Além destes cuidados é preciso lembrar de fechar a torneira para escovar os dentes ou enquanto a louça é enxugada e sempre ficar atento a vazamentos.


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Solidariedade

Vendas em prol dos autistas

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ensando em fazer o bem em tempos difíceis para todos, a marca farroupilhense Tensei, juntamente com a Associação de Pais e Amigos do Autista de Farroupilha (Amafa), criou a campanha “Abrace Esta Causa”. Cada produto Tensei adquirido na cidade terá R$ 1,00 revertido diretamente à Amafa. As vendas da campanha já estão acontecendo e seguem até a próxima quarta. Os produtos podem ser adquiridos em sete mercados da cidade, além de aplicativos de delivery e pelo e-commerce da Tensei, confira ao lado os locais. “A Amafa não está fazendo atendimentos presencialmente. Estamos trabalhando através de vídeos e áudio no WhatsApp, onde cada turma tem um grupo. Está bem difícil financeiramente porque já faz três meses que estamos parados e três eventos foram cancelados”, destaca Aline Isabel Daros da Rosa, coordenadora da entidade. Qualquer produto comprado da marca terá o valor

revertido para a instituição. No cardápio da Tensei estão hambúrguer, veggets e salsichas, todos 100% vegetais. A marca inclusive já esteve presente no programa Shark Tank Brasil, transmitido pela Sony Channel Brasil, onde apresentaram produtos para investidores e fecharam uma sociedade com Cris Arcangeli. Essa aliança entrei Tensei e Amafa vai auxiliar a entidade a custear despesas. Além disso, no sábado, dia 13, a Associação conseguiu liberação para fazer o tradicional Brechó da instituição.

Onde adquirir os produtos

* Tudo em Grãos (Pinheiro Machado, 612, loja 21) * Fruteira do Parque (Barão do Rio Branco, 460) * Super Crippa (14 de Julho A, 277) * Nação Verde (Ângelo Antonelo, 93, sala 10) * Energia Vital (13 de Maio, 517) * Farra Lancheria (Júlio de Castilhos, 973) * Kikão Lancheria (Mal. Floriano Peixoto, 360) * Em pedido iFood Tensei e e-commerce Tensei

Imagem: Reprodução

Amafa se une a Tensei Comida Vegetal para arrecadar recursos para a instituição


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ENXUGAMENTO DE GASTOS

Com reforma, Executivo estima uma economia de R$ 5 milhões Projeto de lei propõe uma fusão de Secretarias Municipais e busca se adequar à perda de receita por conta da pandemia

O

prefeito Pedro Pedrozo, o secretário de Finanças Gilberto Galafassi e o setor contábil da prefeitura estiveram na sessão legislativa desta semana expondo o relatório fiscal do primeiro quadrimestre. Conforme o documento que foi repassado aos vereadores, os resultados ficaram apenas 1% abaixo do esperado. Galafassi ressaltou que a situação

está sob controle, apesar da pandemia do covid-19. Pedrozo entregou nas mãos do presidente Fernando Silvestrin (PL) o projeto de lei 06/2020, que propõe uma reforma administrativa com a fusão de Secretarias Municipais, que seriam reduzidas de 12 para nove. Com isso, o Meio Ambiente será incorporado ao Planejamento; o Esporte, Lazer e Juventude ao Turismo e Cultura e o Desenvolvimento Econômico e Trânsito passa a fazer parte

da Secretaria de Obras (detalhamento ao lado). Na oportunidade, também foi anunciado, pelo prefeito, a rescisão de alguns contratos celebrados pelo Executivo, além da extinção de cargos comissionados. De acordo com a prefeitura, a série de ações viabilizará uma economia de R$ 5 milhões. O projeto foi encaminhado para as Comissões Parlamentares da Casa Legislativa Lidovino Antônio Fanton para análise.

A nova disposição das pastas Agricultura Assistência Social e Habitação Educação Finanças Gestão e Governo Obras, Desenvolvimento Econômico e Trânsito Planejamento e Meio Ambiente Saúde Turismo, Cultura, Esporte e Lazer


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AtiVidAdes presenciAis

A retomada do Instituto Mix Instituição executa plano de ação com reabertura gradual das portas para as aulas, tendo sido o pioneiro no setor ronavírus, ainda em abril. O plano já previa alguns protocolos que agora devem ser adotados pelo setor, como a medição da temperatura, distanciamento de dois metros entre alunos e obrigação da utilização de máscara por todos. É válido lembrar que a retomada obedece à ocupação máxima de 30% da capacidade. De acordo com Luiz Oscar, os alunos receberam bem a novidade e elogiaram os cuidados que a empresa está tomando, passando quase um mês de reabertura. Assim, o Plano foi compartilhado com várias lideranças do Governo do Estado e apresentado ao Secretário de Educação Faisal Karam. Para o Estado do Rio Grande do Sul, a liberação do setor de cursos livres profissionalizantes está prevista para o dia 15 deste mês.

Divulgação

S

endo o primeiro do setor de cursos livres e profissionalizantes no Estado a retornar gradualmente às atividades presenciais, o Instituto Mix de Profissões de Farroupilha conseguiu a liberação para a retomada no decreto municipal nº 6.781, de 4 de maio. Por ser o pioneiro, o plano está servindo de modelo para outras instituições além de ser compartilhado com algumas autoridades do Estado. O responsável pela empresa e pela elaboração do Plano de Ação e Manejo é Luiz Oscar Rauber Filho, empresário do ramo de cursos desde 2006, que encaminhou o documento aos secretários municipais, bem como ao Comitê de Combate ao Co-

Volta celebrada Luiz Oscar está à frente do plano de regresso das atividades do Instituto Mix

Aprovação Oportunidades para os jovens em três cursos online

A Prefeitura de Farroupilha, através do Departamento de Juventude, abre inscrições para três cursos online. No total são 160 vagas ofertadas e as inscrições podem ser feitas pelo portal da Prefeitura. O curso “Design Thinking – Inovação, Experimentação e Empatia”, está com 30 vagas abertas e as inscrições são até 25 de junho. Já o “Jovens Empreendedores Digitais” apresenta 30 vagas sem limites para inscrição. E em parceira com o Estado, também são 100 vagas ofertadas para o “Juventude 4.0”, com inscrições até segunda.


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FARROUPILHA, 5 DE JUNHO DE 2020

Fotos: Divulgação

SolidAriedAde

Auxiliando mesmo

em isolamento IFRS Campus Farroupilha está desenvolvendo diferentes atividades de apoio à comunidade durante reclusão Yasmin Signori Andrade yasmin@jornalinformante.com.br

D

evido à pandemia do covid-19, as atividades letivas do Campus Farroupilhense do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) estão suspensas, com retorno previsto para 3 de julho. Porém, mesmo em reclusão, os servidores e alunos não estão parados. Durante o isolamento ele estão produzindo desde dicas para tornar o período de quarentena mais produtivo até ações de ajuda à população mais carente e aos serviços públicos. “Através de atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão, estamos sempre

juntos da comunidade e somos conhecedor das suas necessidades, tanto que nossos cursos são baseados em demandas locais, visando as peculiaridades da região e buscando atender as demandas da comunidade”, destaca o diretor, Leandro Lumbieri. Dentre as ações que beneficiaram a comunidade durante a pandemia, o IFRS Farroupilha arrecadou 831 quilos de alimentos, que foram entregues à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Habilitação. Também doaram mais de 2 mil protetores faciais para entidades do município e 100 litros de álcool gel para o Hospital Beneficente São Carlos, em parceria com uma fabricante de cerveja. “Também estamos à disposição para fazer a manutenção dos equipamentos do Hospital, já trabalhamos em um monitor cardíaco que foi devolvido e já está funcionando no HBSC”, salienta o diretor. No momento o Campus está desenvolvendo dois grandes projetos, que são o Banco de Talentos,

Ajudando na precaução O Campus Farroupilhense fez a doação de 100 litros de álcool em gel para o HBSC

Dicas do IFRS Campus Farroupilha Dicas para cuidar da saúde mental com a psicóloga do Campus, através do ifrs.edu.br/farroupilha/cuide-da-sua-saude-mental-durante-o-isolamento/ Guia com dicas para convívio em família durante isolamento, com a pedagoga do IFRS Farroupilha, através do link ifrs.edu.br/farroupilha/ professora-do-campus-farroupilha-da-dicas-para-o-convivio-em-familia -durante-o-isolamento/ Dicas para estudar em casa, com a pedagoga do IF, através do ifrs.edu.br/farroupilha/estudante-confira-8-dicas-para-estudar-em-casa/


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FARROUPILHA, 5 DE JUNHO DE 2020

onde as empresas selecionam alunos e ex-alunos para compor os seus quadros de trabalho e o Prestação Institucional de Serviços (PIS), programa que permite ao Campus realizar prestação de serviços junto a instituições públicas, privadas e pessoas físicas. Além disso, profissionais do Campus prepararam algumas dicas de assuntos que tem ganho espaço durante o isolamento, como por exemplo a saúde mental e o convívio em família. Confira dicas no box da página ao lado. Atividades desenvolvidas internamente com os alunos Alguns dos professores da instituição estão utilizando a plataforma Moodle, grupos de WhatsApp e ferramentas de webconferência para disponibilizar materiais extras sobre as disciplinas, discutir os assuntos e tirar dúvidas. Dessa forma, eles mantem os conteúdos frescos na memória dos alunos, facilitando na hora do retorno às atividades presenciais. O Campus já vem debatendo questões referentes a volta, como mapeamento para distribuição dos alunos, calendário da recuperação dos dias e, se o Conselho Superior autorizar, o registro de atividades remotas como aula. “Estamos completando, em 2020, 10 anos de atuação na cidade. Já formamos quase 700 profissionais das mais diversas áreas. Além disso, o

Campus conta com um setor de assistência estudantil, que oferece auxílio financeiro para alunos de baixa renda. Atualmente, são aproximadamente 60

alunos beneficiados com auxílios, reforçando o nosso compromisso com a comunidade”, ressalta Leandro sobre a importância do IFRS no município.

Pensando nos que mais precisam A campanha de arrecadação de alimentos do Campus resultou em 831 quilos doados para as comunidades mais carentes do município


Fotos: Divulgação

Produzindo muito mais do que conteúdo, reflexão durante isolamento Camille Luchese, Camylla Masson, Denieli Henz Broilo, Maria Luiza Grazziotin, Fernanda Razzera, Natália Silvestrin, Thaíse Benacchio e Mistinguete Maziero são as farroupilhenses produtoras de conteúdo no Instagram que buscaram levar conceitos, mensagens e valores de relevância neste delicado momento de pandemia Inside, capa e páginas 2 e 3

Abraçando a causa Tensei Comida Vegetal e Associação de Pais e Amigos do Autista de Farroupilha se unem para campanha onde cada produto vendido da marca terá R$ 1,00 revertido à entidade Editoria de Cidade, página 11


Social

Seguem as boas dicas da colunista Valéria Vettorazzi para enfrentar o período restritivo da pandemia Páginas 4 e 5

Inside

Sétima Arte

Impactante estreia de Sofia Coppola, “As Virgens Suicidas” completa 20 anos de seu lançamento no Brasil Páginas 6 e 7

InfluencIadoras

Levando conteúdo e reflexão pelo

Instagram Farroupilhenses que utilizam as redes sociais como trabalho falam sobre o aumento de visualizações durante a pandemia e o desafio de produzir publicações mais humanizadas Yasmin Signori Andrade

A

yasmin@jornalinformante.com.br

pandemia e o isolamento social geraram grandes desafios para aqueles que trabalham diretamente com as redes sociais. Afinal, publicar um conteúdo com relevância e qualidade nunca foi tão necessário, visto que todos estão passando por dificuldades. Seja sobre moda, espiritualidade, viagens, desenvolvimento pessoal ou estilo de vida, cada uma das influenciadoras passou por momentos de reflexão na quarentena, se preocupando ainda mais com seu público. Conversamos com oito farroupilhenses que usam as redes como trabalho para entender como o segmento está reagindo ao atual momento. Todas elas estão presentes em diferentes plataformas, mas trabalham com foco no Instagram, que permite o compartilhamento de fotos e vídeos. Com mais pessoas em casa, o engajamento nas redes aumentou, mas apesar de não mudarem o conteúdo das publicações, todas relataram que buscaram compartilhar um pouco mais de autoconhecimento e focar em conteúdos mais humanizados. Veja relatos ao lado e nas páginas 2 e 3.

Fotos: Divulgação

Camille Luchese (@camillelucheseoficial)

Começou a trabalhar no ramo em 2012 Segmento: lifestyle como serviços, tratamentos, espiritualidade, moda e viagens “Meu insta é a extensão da minha vida, eu compartilho tudo que acontece comigo lá. No início da quarentena eu fiquei mais em casa me cuidando, mas já retornei à vida normal com os cuidados específicos. Nesse período acabei ficando um pouco mais voltada para espiritualidade, autoconhecimento e meditação, porque de fato era o que eu estava fazendo. Acredito que não fazia sentido estimular o consumo pois eu não estava consumindo, eu estava focada em olhar mais para mim. Percebi que teve aumento de visualizações. De fato, as pessoas estavam mais em casa e mais online”.

Camylla Masson (@camyllamasson)

O crescimento nas redes teve início em 2014 Segmento: autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e espiritual, e empoderamento feminino “Comecei a compartilhar minha vida pessoal como atleta de fisiculturismo. Naquela época não tinha a intenção de trabalhar com as redes sociais, mas com o tempo foi se tornando um trabalho. Quando encerrei minha carreira como atleta, em 2018, e comecei a trabalhar com terapias holísticas e autoconhecimento, foi quando eu comecei a realmente rentabilizar com as mídias sociais. Incrivelmente, o período da pandemia está sendo o período onde mais estou tendo interações e conseguindo vender o meu trabalho, que são cursos online de autoconhecimento e terapias. Acredito que está sendo um período que as pessoas estão aproveitando para investir no seu autoconhecimento para evoluir”.


Inside

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Especial

Crônicas da Redação Ramon Cardoso

Os números, embora esperados, são aterradores. O primeiro quadrimestre para o mercado de trabalho foi uma completa catástrofe. Em Farroupilha, o saldo negativo de demissões é de 474 até o final de abril, com 856 postos de trabalho fechados apenas no penúltimo mês. Maio e junho, ao que tudo indica, também devem apresentar dados terríveis. Eu honestamente gostaria que os profetas do apocalipse, essa galera que curte uma quarentena em casa, comendo pipoca e assistindo Netflix o dia inteiro, tivessem o peito de chegar pra essa turma que perdeu o emprego e pra esses pequenos empresários que fecharam seus negócios, e propagassem, agora, o “fique em casa” ou “dinheiro não é importante”. Certamente não o farão. As medidas adotadas num primeiro momento em Farroupilha e, mais tarde, copiadas pelo governo do Estado, são as responsáveis diretas por esse caos, que ainda, como dito acima, não pode ser calculado por inteiro, já que o estrago de um fechamento compulsório e ilegal do setor produtivo, ainda tem seus reflexos sendo contabilizados na pandemia econômica, que é, disparada, muito mais letal que a sanitária. O coronavírus sequer circulou no Rio Grande do Sul. É mais do que bobagem, é burrice achar que as medidas de isolamento social, distanciamento controlado (um neologismo cretino que não passa de perfumaria) e restrições do setor produtivo tiveram um efeito positivo na contenção da doença. Não tiveram. Porém, tiveram um efeito nefasto na economia gaúcha, que já estava pra lá de cambaleante e foi completamente destroçada pela falta de capacidade gerencial. Para quem acha que o coronavírus é um perigo, ele é um risco muito menor do que o vírus da arrogância, da empáfia e da prepotência que circulou no Rio Grande do Sul. Afinal de contas, vale lembrar que o salário do funcionalismo seria regularizado no primeiro ano, já que não faltava dinheiro para o Estado, mas o que faltava era “fluxo de caixa” e “tirar a bunda da cadeira”. Esse vírus da autossuficiência circulou no Palácio Piratini. Poucos metros dali, no Palácio Farroupilha, circulou um outro vírus: o da complacência, da condescendência, da subserviência. Em nenhum momento da história do Rio Grande do Sul se viu uma Assembleia Legislativa tão inerte e submissa às ordens de um governador. Se uma das funções do Parlamento é fiscalizar e ter senso crítico em relação às ações do Executivo, essas funções foram suprimidas nesta legislatura. Uma submissão vexatória, um servilismo grotesco. Quando dois Poderes ignoram os interesses da sociedade gaúcha, cumpre lembrar, Poderes que foram eleitos por essa mesma sociedade, não há muito o que ser feito a não ser lamentar. Eu só espero que a condução bizarra dessa crise sanitária (que resultou numa barbárie econômica que ainda está sendo calculada), baseada em achismos, cobre seu preço logo mais à frente. E que ele seja bem alto para os que viraram as costas para o povo gaúcho.

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ramon@jornalinformante.com.br

Temos vírus muito piores que o corona

FARROUPILHA, 5 DE JUNHO DE 2020

Denieli Henz Broilo (@denielib)

Trabalha desde 2015 com as redes sociais Segmento: o foco é a moda, mas nos últimos meses também tem trabalhado com marketing pessoal e empreendedorismo “Como meu trabalho sempre foi mais online, senti que a busca das pessoas por conteúdos de valor aumentou muito. O que antes era mais um ‘post de conteúdo’ hoje é extremamente valioso para perfis pessoais e profissionais que querem se aperfeiçoar nas redes sociais, visto que esse é meu nicho no momento. Com a pandemia e o crescimento do virtual as pessoas perceberam que muito do que era feito por anos não poderia ser mantido igual porque o resultado não era o mesmo, e assim, nós, criadoras de conteúdo, temos uma oportunidade incrível, se bem aproveitada, para mostrar nosso valor nas redes sociais”.

Maria Luiza Grazziotin (@mariagrazziotin)

Inserida nas redes sociais desde 2016 compartilhando sobre moda e em 2018 começou a usar as redes como trabalho Segmento: Jornalismo de Moda, busca mostrar como a moda comunica, além de lifestyle “Sempre procuro compartilhar um conteúdo de qualidade, de relevância e que seja diferente do que todo mundo já compartilha. Claro que as redes sociais aumentaram o engajamento durante a pandemia pois estava todo mundo em casa e, consequentemente, meu trabalho fortaleceu. Compartilhei muito mais do que antes. Eu não mudei o meu foco, mas aquela questão de criar conteúdo humanizado nunca se fez tão presente quanto nessa época. Tentei me adaptar ao momento que estamos vivendo para oferecer conteúdo de valor através daquilo que compartilho”.

Fernanda Razzera (@fernanda.razzera)

Trabalha com redes sociais desde 2016 Segmento: lifestyle, entretenimento e divulgações de serviços e produtos “Ocorreram grandes mudanças no que diz respeito às divulgações de serviços e produtos. Muitos parceiros optaram por reduzir trabalhos com influencers ou cortar, já alguns serviços visualizaram uma brecha para crescimento. No que se refere à produção de conteúdo, ela se modificou lentamente e tornou-se um conteúdo mais ‘consciente’ no que diz a respeito do social e a saúde mental de quem me acompanha. Pôde-se definir dois públicos nesse período: aquele desinteressado por conteúdo comercial ou por consumir qualquer material de redes sociais e aquele que, se não consumia o material normalmente, se tornou apto a consumir”.


Inside

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Especial

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Rita Rosa Baretta ritarosabaretta@gmail.com

E viva as diferenças

Natália Silvestrin (@natisilvestrin)

Trabalha desde 2016 utilizando as redes sociais Segmento: moda e lifestyle “O segmento é moda, mas a proposta vai além disso, já que defendo um lifestyle também, onde o padrão é se aceitar e, principalmente, se gostar e se amar. Não mudei o foco, pelo contrário, aumentei a abordagem nas redes sociais. Mostrei ainda mais a marca e o propósito do atelier que possuo. O momento é difícil, mas como as pessoas estão mais em casa, devido ao isolamento, trabalhamos mais nas mídias. E percebemos que as visualizações aumentaram, bem como as interações”.

Thaíse Benacchio (@thaibenacchio)

Trabalha com as redes sociais desde 2018 Segmento: lifestyle, cria conteúdos sobre moda, fotografia, natureza, espiritualidade, poesia, música, entre outros temas “No início das notícias sobre a pandemia, tive alguns dias bem introspectivos, mas que, ao mesmo tempo, foram extremamente inspiradores. Segui compartilhando conteúdos, principalmente sobre assuntos que estavam me trazendo motivação e paz para esses dias mais turbulentos. Tive um feedback positivo das pessoas que me acompanham. Com mais tempo livre, as pessoas estavam mais conectadas e as interações aumentaram. A procura por divulgação, surpreendentemente está crescendo. Com o medo globalmente instalado, creio que seja mais um motivo de estarmos elevados em todo e qualquer tipo de conteúdo que criamos e consumimos”.

Mistinguete Maziero (@mistinguete)

Trabalha desde 2018 com o Instagram Segmento: moda e lifestyle “Não foi um momento fácil, acredito que para todos os segmentos. Busquei alternativas e incentivei meus clientes a não desistirem. Foi um momento de repensar muitos objetivos, mas de aprender e ajudar ainda mais uns aos outros. E o incrível foi que todos meus clientes topavam minhas ideias e agradeceram, pois, infelizmente as notícias não eram boas e tínhamos mais pessoas nos desanimando do que buscando alternativas. Durante a quarentena, onde as lojas estavam fechadas eu dei possibilidades e solucionei problemas juntamente com as lojas e estabelecimentos que eram ou não meus parceiros. Meu foco não mudou, foi tudo mais restrito. E tentei fazer com o que eu tinha em casa: pesquisei, estudei e executei”.

Em pleno 2020, me deparo com uma reflexão acerca das diferenças que possam existir entre os homens, das diferenças de pensamentos que possam existir entre eu e o outro, mas principalmente das pequenas e sutis intransigências que possa existir entre eu e o outro em função de nossas diferenças sobre a nossa forma diferente de pensar. Lembro muito bem quando pequena, na casa de meus avós, os dois tinham o mesmo nome, meus dois avós Carlos, homens corretos de muito caráter e honestidade, muito diferentes em outros aspectos, ambos homens de valores inigualáveis e de personalidades muito diferentes, que preservavam suas famílias com extrema força e coragem. Lembro bem, das palavras ditas do quanto deveríamos nos respeitar uns aos outros, um bando de primos da Família Baretta e outro bando menor de primos da família Brambilla. Sempre me foi dito que todos poderíamos ter ideias diferentes. Uns poderiam ser do Inter, outros do Grêmio, mas jamais poderia faltar respeito. E não recordo de brigas desnecessárias. O que se tinha eram brincadeiras de crianças simbólicas de uma geração que corria atrás da bola, brincava de pega-pega e comia uva debaixo da parreira quando os adultos permitiam, enquanto esperávamos o bolo da nona. E assim eram nossos domingos, respeitando os mais velhos, as diferenças que surgiam entre os da mesma idade e o futuro que se aproximava à nossa frente. Aprendi que ser diferente não desmerece ninguém. Que ser diferente é construção, pois com o outro aprendo algo novo, algo que eu não sei e que ele me apresenta e eu posso apresentar a ele o meu novo. Aprendi que construímos muito mais juntando partes diferentes e que todas as partes juntas formam um todo muito mais belo e integrado. Na minha primeira turma na escola no Jardim de Infância eu tive colegas feito eu, de origem italiana, de origem alemã, de origem negra, de origem indígena e uma linda menina japonesinha. Que privilégio o meu. Aprendi logo cedo que éramos diferentes, mas tão genuinamente iguais, pois não nos víamos diferentes. Em nossa infância se pode compartilhar momentos de alegria, de companheirismo, de amizade, que guardo em minha memória afetiva até os dias de hoje. Nossa alma infantil não nos distanciava, nossa alma generosa de criança, não nos diferenciava pela cor da pele, pelo formato dos olhos, pela forma do nariz, pelo tom de voz. Nossa sede de aprendizagem e vontade de brincar não se preocupava com a profissão dos pais, com a quantidade de dinheiro bancário, com a cor da casa, nosso desejo de conhecer amigos novos nos fazia todos amigos e parceiros de uma mesma escola, de uma mesma turma, de uma mesma brincadeira de criança. Mas passado esse período, percebemos que a humanidade transforma todo esse momento lúdico da infância em posturas racistas, em atitudes preconceituosas de homens que matam as diferenças, destroem as cores, desrespeitam as formas, desconsideram o desigual, exigem o mesmo pensamento como se não houvessem diferenças. Como se todos fossem filhos do mesmo pai e da mesma mãe e matam, condenam, pisoteiam o diferente. Como se todo amanhecer fosse de uma só cor, exigindo que sejamos todos iguais. Desrespeitando todas as diferenças (com esta Crônica homenageio duas colegas irmãs que tive na infância: Helena e Isabel. Se elas lerem, saberão). * Psicanalista


Arquivo Pessoal

E

Com Outros Olhos

Daiane Luiza Britz e Cláucio Ferri formalizaram sua união no civil no último sábado. A data foi escolhida por celebrarem aniversário de namoro, após a celebração religiosa e festa terem sido adiadas por conta da pandemia

stamos vivendo muitas mudanças nos últimos meses e reaprendendo com esta pandemia. Todos buscam entender o que é esse “Novo Normal” que tanto se fala. Vendo um mundo digital se aproximar cada vez mais das pessoas e empresas. E muitas movimentações para inovar, criar novas possibilidades. Pensando nisso, podemos também ter um olhar diferente sobre o que vem por aí, já que todos estão buscando melhorar. O objetivo desse texto, é refletir, sobre o que de positivo podemos estar desenvolvendo para nós nesse momento de desafio. Você já parou para pensar nisso?

Inspiração

Músicos farroupilhenses deram um show de motivação e inspiração nesta semana. Com iniciativa do músico Rodrigo Ziliotto e outros colegas, eles se juntaram para lançar a canção “Nossos Sonhos Livres”. O texto foi escrito pela poeta gaúcho Loresoni Barbosa, a música foi composta por Rodrigo, com colaboração de Alexandre Battisti e, ao todo, 29 profissionais da cidade se envolveram neste projeto. Confira no canal ZiliBand Assessoria Musical.

Fotos: Divulgação

Encontro

O grupo de apoio à adoção DNA da Alma realiza nesta sexta, a partir das 20h, um encontro virtual através da plataforma Zoom. A conversa terá participação do jornalista Alexandre Luchese, que falará da sua experiência com a adoção e contará um pouco sobre seu livro “Vida de Adotivo”. Mais informações sobre como acessar estão disponíveis no perfil do Instagram @dna_daalma.

Live

Francis Casali realiza nesta sexta uma live com o diretor de Marketing da Vinícola Perini, Pablo Perini, e o secretário geral da Associação dos Municípios Portugueses do Vinho, José Arruda. O bate-papo inicia às 19h com o tema "O Enoturismo em tempos de pandemia". A atividade acontece no Instagram do organizador, @francasali1.

Pacotão

O Guaraipo Bar e Cozinha e o hotel Holiday Inn estão com uma proposta diferente para o final de semana do Dia dos Namorados. Os interessados podem comprar um pacote que inclui jantar especial no restaurante e uma diária do hotel, no dia 12, por um valor diferenciado.

Estudante de Nutrição, Luisa Dal Bem está à frente da Bolulu Bolos Caseiros, que possui entrega em toda cidade de diversos bolos tradicionais e integrais

Morgana T seu an lindas c


Cy Rezzadori Photography

Teles Paz Parizotto celebrou niver na terça, com fotos clicadas por Cy Rezzadori

Lourdes Maria Refosco, representante das Voluntárias da Saúde de Farroupilha, recebeu as doações da empresária Solange Magnaguagno, arrecadadas na campanha solidária realizada pela loja Pefak Modas. A ação conseguiu angariar mais de 650 quilos de alimentos não perecíveis à doação

Clarissa Cortelletti e Rovana Silocchi estão à frente do brechó Desapega (@des.ape.ga), que neste mês de junho terá 10% do lucro revertido para a Campanha Joaninha, que arrecada doações de ração para animais em situação de abandono ou que aguardam por adoção


Inside

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Fabrício Oliboni fabrioliboni@gmail.com

Malcolm, Xavier, King e Magneto “– E também contesto seus comentários de que esta ‘causa’ não é minha! Uma pessoa não precisa ser negra para se opor ao apartheid! No dia em que todos se limitarem a ‘ajudar apenas os seus’... não haverá esperança para nenhum dos dois”. Esse fragmento de diálogo está presente em um gibi dos X-Men, e a fala é do Professor Xavier, um dos protagonistas desse texto. Parece atual com todo o contexto de momento, certo? Não é necessário ser fã de quadrinhos para saber do que se trata X-Men. Isso pelos filmes, desenhos e a sua presença constante na cultura pop. Algo que sempre me agradou foram os temas tratados nas tramas dos X-Men, que são bem abrangentes, principalmente na questão de preconceito e racismo. Isso era representado na relação da sociedade com os mutantes, os 2 lados, buscando uma coexistência pacífica, mas que sempre encontrou resistência dos 2 lados, pelos mais diversos motivos. Professor Xavier e Magneto, 2 dos principais personagens, foram inspirados em figuras históricas da vida real, Martin Luther King e Malcom X, que eram opostas nas suas formas de encarar essa divisão, que nos X-Men seriam de mutantes e humanos, e na nossa realidade dos negros e brancos. Martin Luther King e Malcom X foram muito importantes na luta de direitos civis dos negros nos EUA. Cada um à sua maneira, sendo King de perfil mais conciliador, sem violência e amor ao próximo. É o cara do “Eu tenho um sonho...” que todos devem conhecer, e buscava igualdade, nada mais que isso, e indo além da esfera de cor de pele, mas também de igualdade de gênero, direitos lgbt’s e imigrantes. Já Malcom X via a violência como um mecanismo de autodefesa, tinha uma postura mais beligerante, defendendo que grandes mudanças históricas vieram apenas com medidas mais incisivas, para não dizer somente à base da força. Ambos lutavam contra a opressão pelas quais mutantes e negros passavam diariamente, mas King e Xavier eram diplomáticos, pacíficos, buscando conquistar o que queriam pelas palavras e ações conciliatórias. Já Malcolm X e Magneto não queriam papo, já viam como inconcebível a convivência em harmonia, defendendo a divisão por completo e com agressividade se necessário. O sucesso dos X-Men vem muito devido a forma como eles falavam de diversidade, minorias, respeito e a importância da união pra lutar pelos seus direitos. Sempre houve um viés político forte também, e muito da perseguição que os mutantes sofriam encontra paralelo com a homofobia, racismo e ao preconceito da vida real. Dentro os mutantes haviam personagens de todas etnias e origens possíveis, então sempre foi possível comparar com coisas que já vimos e presenciamos, e de maneira bem presente atualmente. Trouxe isso para a coluna servindo mais como ponto de partida e reflexão, sem qualquer tipo de julgamento. O que ocorreu nos EUA há alguns dias com George Floyd, e todos os protestos que seguem após a sua morte, levantaram muitas questões que estão mal resolvidas desde sempre. É importantíssimo discutir isso, buscarmos entender e melhorarmos. Se a melhor forma para isso é tendo uma postura estilo Professor Xavier/King ou Malcolm X/Magneto, eu não sei. Não há como opinar sem estar na pele de quem sofre com o racismo diariamente, então não creio que cabe a mim julgar, mas sim apoiar a igualdade e não tolerar mais algumas condutas e qualquer tipo de preconceito. Na verdade, é uma luta de todos nós. * Agente de intercâmbio e bacharel em Relações Internacionais

FARROUPILHA, 5 DE JUNHO DE 2020

Sétima Arte

Sofia Coppola

se apresenta Mais do que a filha do grande Francis Ford, jovem mostrou que herdou o talento do pai desde a direção do seu longa de estreia, “As Virgens Suicidas”, que neste início de semana completou 20 anos de lançamento no Brasil

T

er crescido em meio a sets de filmagem desde muito cedo (Mary Corleone era uma bebê quando surgiu na telona em O Poderoso Chefão II e uma adolescente impulsiva no capítulo final da Trilogia), certamente contribuiu para que Sofia Coppola se interessasse pela Sétima Arte. Filha do monstruoso Francis Ford Coppola, a jovem enveredou pelo mesmo caminho do pai, mas com uma abordagem mais densa, em dramas pesados, como foi o seu de estreia, há pouco mais de 20 anos. Baseado no romance homônimo de Jeffrey Eugenides, “As Virgens Suicidas” foi seu primeiro trabalho, aos 28 anos, e já chamou a atenção pela abordagem, em que tratou uma série de temas tabus na conservadora sociedade americana dos anos 70, algo que ainda hoje é visto como natural e uma necessidade de autopreservação, mas que pouco tinha de efeito prático na construção de uma sociedade mais aberta e tolerante. O clã Lisbon é uma tradicional família de uma cidade interiorana do Michigan. Temente a Deus, o patriarca Ronald (James Woods) é um professor de Matemática do ensino médio e a esposa Sara (Kathleen Turner) é uma devotada dona de casa. A dupla tem cinco filhas: Cecilia (Hanna Hall), 13 anos; Lux (Kirsten Dunst), 14; Bonnie (Chelsea Swain), 15; Mary (Andrea Joy Cook), 16; e Therese (Leslie Hayman), de 17.

Centro das atenções Mary (Andrea Joy Cook), Lux (Kirsten Dunst), Bonnie (Chelsea Swain) e Therese (Leslie Hayman) em mais um dia de aula: raros momentos de interação social

Todas são loiras e lindas e objeto de desejo dos rapazes da escola. Justamente por isso, a rígida educação é conduzida pelo casal Lisbon com mão de ferro, sem qualquer tipo de abertura ou liberdade. Evidente que as restrições têm um efeito psicológico devastador na formação das jovens, em especial da caçula Cecilia. Quando ela tenta o suicídio cortando os pulsos no banheiro, logo no começo da trama, seus pais são aconselhados pelo psiquiatra Horniker (Danny DeVito) a relaxar a conduta e permitir que as jovens interajam na sociedade. Aos poucos, ainda que contra a vontade e ideia de formação ideal de Ronald e Sara, os pais concordam em afrouxar as medidas de restrição social. Neste contexto, quem terá um papel decisivo será o jovem Trip Fontaine (Josh Hartnett na adolescência e Michael Paré na vida adulta). Tido como o galã da escola, ele é ignorado por Lux, por quem se apai-


Inside

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Sétima Arte

Divulgação

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Paulo Roque Gasparetto prgasparetto@terra.com.br Imagem: Reprodução

Um mês especial

Título original The Virgin Suicides Título traduzido As Virgens Suicidas xona. Ele fará de tudo para conquistá-la, mas para isso terá que ganhar a confiança de Ronald. A trama se desenvolve com uma carga alta de tensão no ar, ainda que velada, e mostra uma relação um tanto quanto fria entre o casal Lisbon e suas filhas enquanto cresce o interesse dos jovens da comunidade em torno delas, especialmente de Lux, que parece pouco se importar com as determinações dos pais e estar sempre disposta, ainda que de maneira superficial, a contrariar as rígidas regras de comportamento estabelecidas, assim como era a conduta de Cecilia. O ambiente é cada vez mais claustrofóbico e sufocante, denso e tenso, o que acaba preparando o terreno para uma tragédia anunciada, especialmente após um deslize ter colocado à prova toda a confiança do casal Lisbon depositada nas filhas. Mergulhados em suas próprias realidades, fica difícil para a pequena comunidade suburbana ter a real dimensão da opressão vivida pelas jovens, tanto que o longa conta com um narrador onipresente, que ajuda o espectador a ter pistas sobre como se processa a relação na comunidade. Quando todos

Direção e roteiro Sofia Coppola Gênero Drama Duração 97 minutos País Estados Unidos Ano de produção 1999 Estúdio American Zoetrope Distribuição Paramount Pictures se darão conta da pressão, será tarde demais. Na última terça, “As Virgens Suicidas” completou 20 anos de lançamento no Brasil. Foi uma estreia de impacto de Sofia Coppola, que deixou de ser simplesmente a filha do grande diretor, tanto que quatro anos mais tarde, com “Encontros e Desencontros”, ganhou um Oscar de Roteiro Original e três Globos de Ouro, incluindo Filme em Comédia/Musical e Roteiro. Era sua consagração em escala global.

Iniciamos o mês de junho. É um mês significativo, embora que neste ano, devido à pandemia, as festas juninas e dos santos populares estejam adiadas, mas mesmo assim, desperta muita emoção. E por que não dizer, fé e devoção! Nas comunidades, é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, que é sempre celebrada na primeira sexta-feira após a oitava de Corpus Christi. É uma das memórias mais antigas, senão como celebração litúrgica, cara à devoção cristã. É a festa do amor, a festa daquele órgão vital que, no Deus humano, tornou-se símbolo da grandeza de um sentimento capaz de tudo por todos nós. Assim, celebramos esta festa que traz para nós esse sentimento tão profundo de confiança em Deus, confiança no seu amor misericordioso por nós. Também celebramos, nesse mês, os santos populares. Apenas para lembrar alguns: Santo Antônio que, embora nascido em Lisboa, o conhecemos como de Pádua, o santo casamenteiro, dos milagres impossíveis. Neste sentido, é invocado como protetor de coisas perdidas. Um outro santo muito festejado neste mês de junho é São João Batista, o precursor de Jesus, lembrado pela fogueira, pelos festejos populares e o batismo de tantos meninos com o nome do santo. Já São Pedro, o pescador que se tornou apóstolo e primeiro Papa, também tem um largo espaço entre nós, especialmente entre os pescadores. Na próxima quinta celebramos a festa de Corpus Christi. Na Eucaristia, Jesus Cristo é a comida que se parte. Por isso, a melhor maneira de demonstrar o que a Eucaristia significa para nós é repartir hoje seu gesto de amor. Nesta direção, o Corpo de Deus nos remete ao corpo dos irmãos, que deve ter vida em abundância e estar integrado. Nessa festa, o tabernáculo se estende, é o mundo, que precisa ser alimentado pelo amor, que nas ruas clama por justiça e perdão. Nossas vias marcadas pelos descompassos dos passantes, pode ter outro ritmo, outro rumo: o da construção da convivência dos Filhos de Deus, a fraternidade. Assim, somos convidados, nesse momento tão difícil, em que tantos irmãos nossos passam por dificuldades, de sermos solidários. Os movimentos da Igreja Católica de Farroupilha Cursilho, Encontro de Casais com Cristo, grupos de jovens Emaús e EJA estão organizando uma “ação solidária” no próximo sábado. Nesta sexta, dia 6, na Igreja Matriz, das 9h às 12h, arrecadando alimentos e produtos de limpeza. As pessoas podem passar de carro pela rua da República, ao lado da Igreja, que eles estarão recolhendo a doação. Quanto a Corpus Christi é nossa demonstração pública da fé. É Jesus presente na Eucaristia. Ele quer ficar conosco porque nos ama e escolheu um jeito bem simples de ficar no meio de nós através do pão e do vinho consagrados. Esse ano não teremos os tradicionais “tapetes coloridos” e aglomerações, por isso a celebração na Igreja Matriz, juntamente com a paróquia Jesus Ressuscitado, será às 9h, com a presença de alguns representantes das comunidades, pastorais e serviços, que será feito o convite. Não podemos acolher a todos, mas todos poderão acompanhar de suas casas através da TV Serra, Facebook do Sagrado – Farroupilha; do Facebook da Rádio Spaço e da Radio Miriam de Caravaggio, além das mídias sociais. No final da celebração será realizada uma bênção especial com o Santíssimo para todas a famílias e doentes das comunidades. * Pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus e doutor em Comunicação


Inside

8

Horóscopo Áries - 21/03 a 20/04

Boa semana para avaliar a atuação em grupo ou para desenvolver um projeto específico. O cenário astrológico o ajuda a organizar as ideias, a promover os estudos e a atuar com pessoas que geram novas estruturas.

Touro - 21/04 a 20/05

É preciso adotar uma postura firme diante de mudanças vitais para a carreira e para os projetos futuros. O planejamento se faz necessário e você está no caminho certo. Descarte as ideias e os projetos que não vibram mais na mesma frequência deste novo ciclo.

Gêmeos - 21/05 a 20/06

O cônjuge adota uma postura madura para estruturar projetos e estudos. O cenário também colabora com parcerias e sociedades. Neste momento sensível pelo qual você está passando, é importante ter uma pessoa que o ajude a guiar os planos.

Câncer - 21/06 a 20/07

Excelente semana para organizar a rotina e o trabalho. Os compromissos da semana podem gerar cansaço e pedir mais esforço da sua parte, mas os resultados são benéficos e agregam novas estruturas. É preciso priorizar as tarefas.

Leão - 21/07 a 22/08

Excelente semana para amadurecer as suas atitudes no relacionamento. O céu lhe fornece novas condutas para movimentar projetos que exigem mais de você e de outra pessoa. Os filhos se desenvolvem bem e amadurecem.

Vírgem - 23/08 a 22/09

As responsabilidades são altas e o céu exige de você novas posturas em família. Organização do imóvel também pode ser solicitada. Você está consciente de como deve atuar em relação a compromissos e aos projetos que afetam a rotina familiar.

Libra - 23/09 a 22/10

Excelente semana para promover a comunicação, expor informações, reuniões e treinamentos. O céu lhe fornece maturidade para interagir por meio do seu conhecimento, com foco na interação com pessoas e do desenvolvimento de talentos.

Escorpião - 23/10 a 21/11

O céu lhe fornece decisões maduras e estruturais para administrar as finanças. Boa semana para planejar os investimentos destinados à família ou ao imóvel. É preciso ter os pés no chão e agir com sabedoria.

Sagitário - 22/11 a 21/12

O amadurecimento é visível e o leva a se posicionar de uma forma eficaz para desenvolver projetos e expor informações com pessoas do seu convívio, principalmente do ambiente profissional. Esteja atento a contatos, reuniões e convites profissionais.

Capricórnio - 22/12 a 20/01

É preciso amadurecer as suas decisões profissionais e financeiras. O céu vem exigindo de você sabedoria e consciência sobre essa nova fase. Os projetos devem ser adequados a normas e condutas. É importante ser justo e ético.

Aquário - 21/01 a 19/02

As atividades com um grupo de pessoas e os projetos nos quais você esteja envolvido são benéficos para o seu crescimento profissional e lhe fornecem boas estruturas. Você está maduro para assumir compromissos e atuar na construção de algo novo.

Peixes - 20/02 a 20/03

A carreira está em destaque e exige de você uma performance madura e disposição para assumir novos compromissos. Não permita que os medos e os conflitos prejudiquem o seu desenvolvimento profissional. Você está no caminho certo.

FARROUPILHA, 5 DE JUNHO DE 2020


FARROUPILHA, 5 DE JUNHO DE 2020

Farroupilha: para você homem discreto, que procura uma boa massagem para relaxar, agora você já tem o local certo! “PRAZER PICANTE”, você encontra as mais BELAS GAROTAS! Local central. Venha conhecer! Fone: (54) 991.430.723. Segunda a sábado. Dani, loirinha de olhos claros! Sempre pronta para o prazer! Disponível das 9h às 16h, com atendimento com local próprio. Contatar pelo fone (54) 996.145.503. Está a fim de fugir da rotina com uma gata sensacional? Então venha passar esse momento comigo. Sou a Pati, uma moreninha pronta para te enlouquecer. Atendimento em local central e discreto (54) 996.145.503 ou (54) 991.430.723, das 13h30min às 18h. Lu, morena sensual, para você que quer relaxar. Venha me conhecer, prazer garantido. Atendimento central (54) 996.145.503. Flávia, linda acompanhante para seus desejos mais secretos, com a massagem relaxante para seus momentos de tensões! Agende seu horário através do fone (54) 991.430.723 ou (54) 996.145.503. Bianca para você que quer algo diferente, com aquela massagem para seus momentos de estresse. Agende comigo (54) 996.145.503 ou (54) 991.430.723.


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Carinhosa e atenciosa! Para você que está naqueles momentos precisando de uma Oi! Me chamo Manu, tenho 28 anos, sou morena clara com cabelos cacheados! Massagem relaxante e tântrica. Venha se descontrair! (54) 996.145.503, (54) 991.430.723 ou (48) 991.730.233. Renata loira / Ana Paula morena, juntas ou separadas, com aquele atendimento especial! Agende conosco (54) 996.155.503 ou (54) 991.430.723.

FARROUPILHA, 5 DE JUNHO DE 2020


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Edição 640  

Jornal Informante (Farroupilha/RS)

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