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FARROUPILHA

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ANO XIII

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EDIÇÃO 639

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29 DE MAIO DE 2020

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R$ 3,00

Vinicius Grazziotin de Cezaro, secretário da Educação, avalia consequências do coronavírus no ano letivo da Rede Municipal Matéria Especial, páginas 2 e 3 ECONOMIA

Imigrante muito mais Allegro

Bairro recebe imponente edificação na parceria da Construfare e Ligue Imóveis Página 10

INSIDE

ECONOMIA

Quarteto desbravador do trecho fala sobre o futuro do roteiro nesta sexta Capa

Tradicional no mundo pet, empresa abre quinta e maior loja da Serra no município Página 11

E o Caminhos de Caravaggio? Central de Rações inaugura

Ramon Cardoso

Os impactos da pandemia no ensino


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AprendizAgem

Educação municipal frente à pandemia Vinicius Grazziotin De Cezaro, secretário de Educação, avalia atual cenário do ensino e da aprendizagem, mas ainda não tem data para o retorno das aulas presenciais Yasmin Signori Andrade yasmin@jornalinformante.com.br

A

s medidas emergenciais para evitar o contágio no novo coronavírus são de extrema importância, mas as suspenções de aulas presenciais podem gerar grandes impactos na aprendizagem. O município, que atende a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e a Educação de Jovens e Adultos (EJA), já tem sentido as consequências da pandemia. Os cerca de 8 mil alunos que fazem parte da Rede estão com as aulas presenciais suspensas desde 19 de março, acompanhando o decreto do Estado. Desde então, há uma incerteza para o retorno das aulas e desafios para a re-

alização de atividades não presenciais. “Quanto mais novos os estudantes maiores serão os impactos do distanciamento. Temos etapas de ensino com muitos trabalhos de estimulação, fortalecimento de vínculos e de ações do dia a dia. Essa parte da socialização infelizmente não temos como suprir 100%”, salienta o secretário de Educação, Vinicius Grazziotin de Cezaro. Em 14 de abril o município lançou a plataforma “Estuda em Casa Farroupilha”, que tem o objetivo de estimular esse vínculo durante o recesso. Ela compreende todos os anos e também disponibiliza um auxílio para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e Associação de Pais e Amigos do Autista de Farroupilha (Amafa). O programa foi concebido diante da Base Nacional Comum Curricular

(BNCC) e projetado com atividades que respeitam o referencial curricular, mas não aborda atividades específicas para cada ano, sendo utilizada apenas para manter a interação. Contudo, a plataforma não chega a atingir todos os estudantes, já que alguns não possuem acesso à internet. “Estamos trabalhando com atividades não presenciais de acordo com o parecer do Conselho Municipal. Com certeza a internet é uma das ferramentas, mas temos também o telefone, mensagem de texto, aplicativos de mensagens e a entrega física. Portanto, vamos tentar atingir todos os alunos”, destaca o secretário. Nas últimas duas semanas, que tiveram início nos dia 11 e 18, foi realizada uma antecipação do recesso escolar do meio do ano e, após o feriado

projetando a retomada Vinicius Grazziotin De Cezaro, secretário municipal de Educação, aguarda posicionamento do Estado para a volta das atividades presenciais enquanto faz planos de segurança e de atividades


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Ramon Cardoso

de Caravaggio, na quarta, começaram efetivamente as atividades não presenciais direcionadas para o currículo de cada ano. A partir de então, o município aguarda posicionamento do Estado para a volta das atividades presenciais. Projeções para a retomada das aulas presenciais De acordo com o secretário, o município possui planos para a retomada. Eles estão sendo pensados desde os protocolos de segurança com compras de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) até as estratégias de como fazer esse retorno, num primeiro momento com os professores e depois recebendo os alunos. “O prefeito Pedro Pedrozo tem pedido para que a Secretaria acompanhe atentamente o que o Estado vem divulgando. O governador Eduardo Leite coloca uma projeção inicial que nesse mês de junho as atividades sejam não presenciais, para que em julho e agosto a gente possa voltar as ativida-

des presenciais. As redes municipais, estaduais e privadas vão conversar e adotar procedimentos muito parecidos. A experiência de um vai ajudar na construção de protocolos de segurança para os outros”, acredita Vinicius. O secretário também destaca que as equipes estão pensando em atividades que sejam de qualidade e de impacto. O importante é entender como os alunos se comportaram durante a paralisação e se conseguiram absorver as atividades que foram passadas. Ainda não se sabe ao certo se alguns anos vão retornar antes, ou se todos voltarão ao mesmo tempo, tudo depende do governo estadual e de alinhamentos feitos com o comitê covid-19 do município. “Nesse momento é importante ressaltar o comprometimento das equipes diretivas, dos orientadores e dos professores da rede. Pois temos percebido o quão angustiante tem sido esse período, pois estávamos acostumados a encontrar esses alunos e de uma hora para a outra não podemos mais ter esse contato”, destaca.

Os alunos da Rede Municipal atualmente

O município atende cerca de 8 mil estudantes no total. Destes cerca de 3 mil se encaixam na Educação Infantil em creche e pré-escola, aproximadamente 3 mil nos anos iniciais do Ensino Fundamental, e 2 mil nos anos finais. Do número total de alunos, cerca de 650 fazem parte do regime integral de ensino, frequentando um turno na escola e outro turno no Centro de Atendimento Integral (CAI). A rede ainda atende 64 alunos de EJA (Educação de Jovens e Adultos).


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Covid-19 pode ser considerada doença ocupacional Solange Moreira de Carvalho e Jânia Aparecida P. dos Reis *

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m recente julgamento, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a eficácia do artigo 29 da Medida Provisória 927, que previa que a covid-19 não seria considerada doença ocupacional, exceto se comprovado o nexo causal. Essa decisão tem o objetivo de beneficiar, em especial, os profissionais da saúde que estão na linha de frente no combate do novo coronavírus, no entanto, o entendimento se estende às demais categorias de trabalhadores. Na prática, significa que o empregador deverá provar que não tem responsabilidade pela doença adquirida pelo empregado. Essa situação poderá ocorrer em todo e qualquer trabalho, inclusive doméstico. O grande risco que esse entendimento pode trazer é a presunção da doença ser ocupacional pelo simples fato do empregado estar trabalhando, independente do tipo de trabalho, do local da prestação do serviço e da forma como foi executado. A considerar essa interpretação, o risco é um aumento significativo das demissões dos empregados, principalmente do-

mésticos, pois a caracterização de doença ocupacional poderá impor ao empregador uma responsabilidade e onerosidade demasiada, como reembolso com remédios, despesas médicas e hospitalares, pensão civil e danos morais, mesmo não ficando caracterizado que o trabalhador contraiu o vírus no ambiente de trabalho. Embora a decisão possa aumentar os cuidados e atenção dos empregadores às recomendações de prevenção, é certo que estamos em uma pandemia, o vírus pode estar em muitos locais e não necessariamente no ambiente de trabalho. Lembrando, ainda, que os cuidados pessoais de higiene são essenciais em todo e qualquer ambiente, e a todo instante, não somente no ambiente de trabalho. Por fim, vale lembrar que cada caso deverá ser interpretado individualmente, devendo levar em conta, inclusive, se o empregador forneceu os equipamentos de proteção individual e cuidou da higiene do local de trabalho. Contudo, sem dúvida, essa decisão irá impactar no Judiciário com demandas discutindo o que caracterizaria atividade de risco em época de pandemia. * Advogadas, especialistas em relações de trabalho do Cunha Ferraz Advogados


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Responsabilidade e dever de indenizar o consumidor em furtos de veículos no supermercado Verônica Bettin Scaglioni *

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Código de Defesa do Consumidor (CDC) assegura que os proprietários dos estabelecimentos têm a responsabilidade de garantir a segurança do estabelecimento que forneça estacionamento, mesmo que gratuito, e deve responder por eventuais danos, furtos e roubos de veículos bem como pelos objetos deixados dentro dos mesmos.

Muitos estabelecimentos colocam cartazes se eximindo de qualquer dano ou furto ocorrido em seu estabelecimento, mas, no entanto, conforme o artigo 25 do CDC, “É vedada a estipulação contratual de cláusula que impossibilite, exonere ou atenue a obrigação de indenizar prevista nesta e nas seções anteriores”, como entende o Superior Tribunal de Justiça (STJ), na súmula 130: “A empresa responde, perante o cliente, pela reparação de dano ou furto de veículo ocorridos em seu estacionamento”.

Com fulcro no artigo 51, I, do CDC, fica claro que o estabelecimento é responsável por qualquer dano ao veículo e o consumidor deve provar a ocorrência do dano. Essa regra é aplicada tanto para estacionamentos pagos bem como para os de cortesia. Com relação ao dano material, o entendimento já está pacificado; com relação ao dano moral, o juiz analisa o caso concreto e verifica se há cabimento ou não (Apelação Cível Nº 70076761949, Décima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Catarina Rita Krieger Martins, Julgado

em 26/04/2018). Infelizmente, muitos consumidores desconhecem os seus direitos, até mesmo os órgãos de proteção ao consumidor, tais como o Procon, que deveriam alertar o consumidor através de campanhas educativas e informativas. Por conseguinte, vislumbra-se que a responsabilidade é objetiva: independente de culpa, qualquer dano ocorrido dentro do estabelecimento deve ser ressarcido, como preceitua o artigo 14 do CDC. * Advogada (OAB/RS 82.935)

Covid e gestão jurídica da crise econômica Ismael Moisés de Paula Junior *

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inegável que a pandemia provocada pelo coronavírus (covid-19) acarretará, além das seríssimas situações de saúde pública, impactos imensuráveis na economia nacional e internacional. Mesmo que alguns setores da economia sejam menos afetados pelas medidas restritivas adotadas pelos entes governamentais, uma das principais questões é como tratar as pendências acumuladas durante o período da crise. O que se percebe é que uma boa parcela do empresariado brasileiro possui grande potencial técnico e operacional para se manter dos momentos de baixa da economia, contudo, não

raras vezes, o passivo acumulado ao longo do tempo acaba impedindo qualquer possibilidade de retomada da atividade empresarial. Essa grande barreira encontrada no meio empresarial, no que diz respeito à gestão jurídica da crise econômica, geralmente está atrelada a ausência de participação dos profissionais de Direito no tocante às tomadas de decisões estratégicas das empresas. Em momentos de crise econômica, como a que potencialmente deve ser gerada pela covid-19, o empresário deve contar com orientação jurídica especializada quanto às deliberações envolvendo planos de contingências bancárias, trabalhistas e fiscais, que além de provocar a perda de crédito no mercado, acarretam protestos e ajuizamentos de ações judiciais, com

possibilidade de penhora de ativos financeiros, bem como da constrição de bens utilizados para o próprio desenvolvimento da atividade empresarial. Sendo assim, é imprescindível que o empresário, sob o enfoque jurídico, faça uma boa gestão de todo esse passivo judicial e extrajudicial acumulado durante o período de crise, permitindo principalmente que as empresas tenham fôlego para retomarem suas respectivas atuações no mercado e, com isso, tenham a possibilidade de progressivamente sanarem as pendências financeiras. A inexistência ou ineficácia desse plano de gestão jurídica da crise econômica certamente resultará na impossibilidade de regular desenvolvimento da atividade empresarial, acarretando o aumento exponencial do passivo e,

consequentemente, o encerramento irregular da empresa. Diante deste cenário de instabilidade, cada vez mais é recomendável que o empresário se cerque não apenas de profissionais da área financeira, mas também de profissionais da área jurídica, para buscar soluções e definir estratégias para manter o seu negócio, seja durante ou mesmo posteriormente aos momentos de crise. Essa contribuição jurídica tem se mostrado indispensável para o sucesso da gestão da crise econômica empresarial e o empresário que não estiver atento a essa situação dificilmente terá êxito no seu plano de retomada. * Advogado, especialista em Direito Empresarial e Coordenador Jurídico do Escritório Massicano Advogados


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Gestão privada na esfera pública Novidade na composição do primeiro escalão do prefeito Pedro Pedrozo, o empresário Gilberto José Galafassi assumiu a Secretaria de Finanças, uma pasta-chave em um momento extremamente delicado, em que há escassez de recursos, perda de arrecadação e demandas crescentes em praticamente todas as áreas. Em entrevista concedida na quarta à tarde (veja na Editoria de Política, páginas 14 e 15), foi possível perceber a forma como o experiente profissional do mundo financeiro pretende trabalhar. Aliás, um conceito que deveria ser re-

gra quando na verdade é exceção. O secretário pontuou algumas questões que nortearão o seu trabalho e uma delas diz respeito à eficiência, tão reclamada (e quase sempre com razão) na esfera pública. Em linhas gerais, Galafassi reportou a necessidade de se dar andamento célere às demandas, algo que infelizmente é muito raro na administração. O fato de não ser político também ajuda neste contexto e, convenhamos, que diferença faz termos quadros técnicos à frente da gestão, basta olhar para os gestores que fazem uso da estratégia,

infelizmente, ainda poucos e raros. Cada vez mais a gestão pública tem que ser espelhada em modelos da iniciativa privada. A diferença é que os erros na esfera pública são, via de regra, ‘tolerados’. No mercado, não. Afinal de contas, uma cidade não quebra. Ou quase. A americana Detroit, no auge da crise do setor automobilístico, em 2013, decretou falência. Meia década depois, uma série de ações do poder público propiciou uma retomada que parecia impossível em tão curto espaço de tempo e a metrópole tem sido apontada como uma

referência em termos de governança e administração pública. Indicações políticas de profissionais incapacitados para o desempenho da função (às vezes sem conhecimento técnico algum), estabilidade demasiada dos servidores públicos, cargos em comissão preocupados mais com agenda política e ideológica do que com o bom atendimento do cidadão, que na verdade é o cliente, são ainda barreiras que precisam ser transpostas na gestão pública brasileira. Os bons exemplos estão aí para serem implementados.

Ascar, há 65 anos fortalecendo o meio rural gaúcho Geraldo Sandri * É impossível lembrar do aniversário da Ascar sem falar do trabalho abnegado e comprometido de tantos extensionistas que fizeram e fazem a história da Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (ATERS) no Rio Grande do Sul. Nestes 65 anos, que serão celebrados no próximo dia 2 de junho, terça, muitas ações de melhoria das condições de vida de quem vive no meio rural do nosso Estado foram pensa-

das, planejadas e realizadas nos mais longíquos rincões. É histórico que nossos extensionistas chegam a recantos que só nós, da Emater/RS-Ascar, temos acesso. Isso é reflexo da vocação de cada técnico e de cada profissional que se dedica a garantir a produção, por exemplo, de alimentos em qualidade e quantidade que abastecem a nossa população e contribuem com o desenvolvimento econômico e social do nosso Estado. Não é de hoje que a Ascar, através também da Emater/RS, é referência

Índice

Editorial

Matéria Especial .................................... Páginas 2 e 3 Editorial ...................................................Página 6 Opinião ......................................................Páginas 6 e 7 Saúde .........................................................Páginas 8 e 9 Economia ..................................................Páginas 10 e 11

Cidade ........................................................Página 12 Política .....................................................Páginas 14 e 15

Inside

Especial..................................................... Capa Crônicas da Redação ............................. Página 2 Sétima Arte .............................................. Páginas 2, 3, 6 e 7 Guilherme Macalossi ............................ Página 3 Social ........................................................ Páginas 4 e 5 Egui Baldasso ......................................... Página 6 Lauro Edson Da Cás ............................... Página 7 Horóscopo ............................................... Contracapa Classificados .......................................... 8 páginas Guia do IRPF 2020................................... 8 páginas

no País nesse trabalho de impulsionar e fortalecer o meio rural gaúcho. Fundada em 1955 para garantir crédito às famílias gaúchas que vivem no campo, a Ascar é motivo de orgulho para a história do Rio Grande do Sul, também no incentivo à permanência delas no campo. Nesse momento em que o mundo está quase paralisado em função da pandemia da covid-19, manter a produção de alimentos é imprescindível para termos saúde física, social e econômica. Não podemos parar, mas, sim, permitir e buscar meios para que nossos agricultores garantam a circulação desses alimentos, gerando renda para as famílias pro-

Redação: redacao@jornalinformante.com.br Ramon Cardoso ramon@jornalinformante.com.br Yasmin Signori Andrade yasmin@jornalinformante.com.br

Comercial: comercial@jornalinformante.com.br Fabiano Luiz Gasperin gasperin@jornalinformante.com.br Maria da Graça Potricos Leite maria@jornalinformante.com.br

Anúncios: anuncios@jornalinformante.com.br Marcelo Bortagaray Mello marcelo@jornalinformante.com.br Tiago Rodrigues da Silva tiago@jornalinformante.com.br

Financeiro: financeiro@jornalinformante.com.br Keli de Almeida Maciel keli@jornalinformante.com.br

dutoras e que movimentam a economia de nosso Estado. O isolamento vai passar e juntos vamos celebrar a vida e o alimento que a sustenta, mas por enquanto aproveitamos esta data de fundação da nossa Ascar para agradecer a cada profissional, pelo empenho e a dedicação, e principalmente a cada agricultor e agricultora, com que nos recebem em suas casas e propriedades e nos permitem tantas trocas de experiências e conhecimentos que só nós, extensionistas, temos a honra de exercer. Vida longa à Ascar! * Presidente da Emater/RS e superintendente geral da Ascar

Assinaturas: assinaturas@jornalinformante.com.br Assinatura Bienal: R$ 250,00 Assinatura Anual: R$ 150,00

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Colunistas Crônicas da Redação Dolores Maggioni Egui Baldasso Fabrício Oliboni

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A manifestação dos colunistas é livre e independente e não necessariamente reflete a opinião do Tabloide sobre os temas abordados nas colunas

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O sorriso que vem dos olhos Caroline Fátima Rodrigues Maestri * Em tempos de pandemia, o uso de máscaras tornou-se obrigatório pelo mundo afora, sendo um acessório comum nas ruas, nos supermercados, bancos, no trabalho, no dia a dia de milhares de pessoas. Algo que no início soava como estranho e desconfortável, algo que jamais era cogitado e que hoje passa a ser utilizado como um item essencial e indispensável na rotina das pessoas.

Em tempos de pandemia, aprender a sorrir com os olhos leva as pessoas a outra dimensão. Hoje descobrimos que é possível desenvolver a empatia em um simples olhar, que é possível criarmos laços e afetos através desse gesto singelo e sincero. O ser humano é um ser de inúmeras capacidades internas, e um ser com potencialidades de adaptação e de criação. É um ser que carrega imensuráveis ferramentas, que possibilitam sua moldura em diferentes circunstâncias e situações.

Em tempos de pandemia, um olhar nunca foi tão observado, tão compreendido e tão necessário. Um olhar que pode trazer incerteza, medo e insegurança, mas também um olhar que transpassa esperança, cuidado e afeto. Quem diria que um dia um simples olhar pudesse revelar o mundo, revelar anseios, revelar alegrias. Que um olhar pudesse falar mais que mil palavras, tornando-se um meio de comunicação não verbal. Faces praticamente cobertas com

uma máscara, representadas apenas pelos olhos, que agora revelam o brilho e esperança, que revelam a incerteza e o medo, que revelam coragem e persistência e principalmente revelam o ser interior, movido pela força de um sincero olhar. Um sorriso que vem dos olhos, um sorriso que vem da alma. O poder sincero de um ato simples como um olhar. A empatia de quem os vê e a grandeza de quem o expressa.

comunicação de massa; 4 de julho (3 meses antes do pleito) é a data a partir da qual os candidatos que sejam detentores de mandato eletivo não podem nomear ou exonerar funcionários sem as devidas justificativas, realizar despesas, exceto as pré-existentes, participar de atos de publicidade institucional ou equivalente e também inaugurações públicas; 20 de julho até 5 de agosto é o prazo para a realização das convenções para a escolha dos candidatos e formalização das coligações; 15 de agosto é o prazo final para o registro das candidaturas; 16 de agosto é a data a partir da qual tem início a campanha eleitoral; 4 de outubro acontece o primeiro turno e; em 25 de outubro o segundo turno e após os demais atos. Importa frisar, sobre os atos indicados, que parcela deles já está superada e, em relação aos faltantes, há a pressuposição de aglomeração e a consequente exposição a riscos dos participantes. Diante de tudo isso, inúmeras foram as discussões e as hipóteses trazidas pelos congressistas, pelos estudiosos do Direito Eleitoral e até pelos próprios ministros do TSE. As principais foram: unificação dos mandatos municipais, estaduais e federais e a realização de um único pleito em 2022. Esta foi defendida mais contundentemente pelos senadores em início do mandato, mas também foram objeto de proposta de emenda constitucional pelo Deputado Federal Aécio Neves (que, apesar de viver um certo ostracismo, ainda dispõe de força nos bastidores); a segunda hipótese aventada foi a mais radical, e só aconteceria no caso de não ser alcançada uma solução por parte dos congressistas, razão pela qual os mandatos atuais seriam encerrados e, em virtude da sua vacância, os juízes das comarcas assumiriam temporariamente o exercício do cargo máximo municipal (em

simetria ao que dispõe a Constituição Federal em relação ao presidente do Supremo Tribunal Federal assumir a Presidência da República). Como as duas alternativas anteriores são bastante complexas e dificilmente alcançáveis, surgiu uma mais plausível e condizente com o calendário eleitoral atual, que é a instituição do voto a distância, através de aplicativo desenvolvido e controlado pelo TSE. Há alguns pontos em comum em todas as propostas, especialmente o viés radical destas e a dependência quanto à superação das formalidades para a alteração da Constituição Federal (dois turnos de votação perante os 513 deputados federais, e outros dois turnos perante os 81 senadores, além dos “pitacos” dos principais interessados: os prefeitos e os vereadores) em um momento que os ânimos estão aflorados e qualquer discussão, que não seja relacionada ao problema da saúde pública que vivemos, é mal vista. E neste momento, em que a coisa parecia tomar um rumo radical, inseguro, ou até mesmo pouco democrático, os líderes do Congresso Nacional, capitaneados pelo presidente da Câmara dos Deputados, em uma verdadeira demonstração de senso de representatividade, chegarem a uma solução intermediária, cuja materialização ocorre através de Proposta de Emenda Constitucional apresentada pelo senador Randolfe Rodrigues. A referida proposta visa alterar o artigo 115, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, “atrasando” as eleições municipais em dois meses, fazendo com o primeiro turno aconteça em 6/12/2020 e, nos municípios com mais de 200 mil habitantes, o segundo turno ocorra em 20/12/2020. Em relação a esta, algumas observações são necessárias. Primeiro, a alteração tem como

alvo uma norma de eficácia transitória, ou seja, dada a excepcionalidade das circunstâncias, não haverá alteração do capítulo do texto constitucional que dispõe sobre a periodicidade das eleições, no sentido que daqui há quatro anos, nas próximas eleições municipais, prevalecerá a regra atual (eleições no primeiro e no último domingo de outubro). O cuidado demonstrado pelo Congresso comprova que a regra só valerá por conta da excepcionalidade, e trará segurança aos eleitores. Um segundo aspecto diz respeito à manutenção da forma como o voto é exercido atualmente: eletrônico, porém, presencial. É notório que estamos em uma fase em que quase todos têm pleno acesso a um aparelho celular e aos mais variados aplicativos, podendo, inclusive, exercer vários atos da vida civil através destes (e uma das faces da pandemia foi a proliferação desta “cultura”). Ocorre que, como todos os demais aplicativos, o eventualmente criado pelo TSE não seria imune a riscos e fraudes, razão pela qual o sigilo do voto, e até o resultado do pleito, poderia ser afetado. Por fim, a dificuldade operacional da proposta está na data do segundo turno, uma vez que a apuração, os eventuais recursos, a proclamação do resultado e a transição estariam afetados pelo exíguo prazo entre o pleito e a posse (cerca de 10 dias intermeados pelos feriados de Natal e Ano Novo). Obviamente, este espaço temporal exíguo pode reverberar algumas incertezas, porém, nenhuma seria maior que as decorrentes das propostas anteriores. Fato é, que vivemos um momento difícil, e só nos resta a fé, principalmente aquela depositada nas instituições e na democracia.

* Psicóloga

Eleições 2020: “habemus” data? Acacio Miranda da Silva Filho *

Nas últimas semanas, não foram poucas as oportunidades onde escrevi, e falei, sobre as incertezas quanto à realização das eleições municipais, em virtude da pandemia que nos assola. Isso porque, com base nos preceitos do artigo 14, e seguintes, da Constituição Federal, além das determinações da Lei 9.504/97, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) editou em dezembro do ano passado as resoluções aptas a reger o processo de escolha das autoridades municipais, especialmente a de número 23.606, que estabelece o Calendário Eleitoral 2020. Conforme indicado, esta vigora desde o final de dezembro de 2019, período onde os nossos passos futuros não estavam sujeitos a um cenário nebuloso e complexo, ou seja, o TSE estabeleceu todas as datas eleitorais imaginando que 2020 seria um ano normal, o que definitivamente não está acontecendo. Em relação às datas dos principais atos, cumpre indicar: 5 de março até 3 de abril, para o início da troca de partido pelos candidatos sem que haja risco ao mandato atual (infidelidade partidária); 4 de abril (6 meses antes do pleito), é a data final para que os candidatos tenham domicílio eleitoral no município onde pretendam disputar as eleições, também é a data final para que estejam filiados aos partidos onde terão legenda para a disputa; 7 de abril é a data a partir da qual os pretensos candidatos devem estar desincompatibilizados dos cargos onde sejam ordenadores de despesas ou que possam aumentar os subsídios dos servidores; 15 de maio é o início do período onde os pré-candidatos podem começar a arrecadação de fundos para a campanha; 30 de junho é o último dia onde candidatos podem apresentar programas nos canais de

* Professor de Direito Eleitoral, Constitucional e Penal Internacional


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Benefícios da massagem Equipe Espaço da Beleza *

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o meio do cotidiano intenso surge a necessidade de alternativas que aliviem tensões e promovam bem-estar. Nesse contexto as massagens representam uma opção bastante interessante. Geralmente as mulheres são mais adeptas às massagens, embora o número de homens tenha aumentado. Em dias de clima frio, mesmo que não seja no inverno, algumas atividades rotineiras se tornam um verdadeiro ato de coragem! Quem aqui nunca reclamou de ter que sair da cama quentinha para ir ao trabalho ou mesmo pensou duas vezes antes se despir e tomar banho? E como você reage à ideia de permanecer por mais ou menos uma hora somente com roupa íntima para receber uma massagem com o clima frio? Nosso corpo com o clima frio Tanto no inverno quanto no verão, nosso organismo reage de acordo com a temperatura externa. Nos dias de clima frio, nosso organismo pode apresentar os sintomas listados abaixo. * Mãos e pés gelados; * Enrijecimento muscular; * Dores nas articulações; * Dores musculares; * Pele seca. O que a massagem pode fazer por nós? Nos dias frios é muito comum sentirmos o corpo dolorido e tenso e até aquela “alongadinha” mais simples do dia a dia parece se tornar um grande desafio. Isto se dá pelo fato de que, nos dias mais frios, nossa circulação fica mais lenta e corremos o risco de sofremos lesões musculares. Pensando na prevenção de lesões e nosso bem-estar, a massagem é nossa grande aliada pois, ao recebermos massagem, a circulação sanguínea é estimulada e além de aquecer nossa musculatura e aliviar dores e toxinas,

os resíduos metabólicos de nosso organismo são liberados durante uma sessão. Durante uma sessão de massagem, nosso sistema imunológico também é fortalecido, o que serve como prevenção de gripes e resfriados tão comuns em épocas mais frias devido ao fato de estarmos mais vulneráveis. Por aumentar o fluxo sanguíneo durante uma sessão, a massagem também é uma excelente forma de evitarmos o ressecamento e envelhecimento precoce da pele devido ao clima, ao uso de água quente no banho e a diminuição da ingestão de água. Os benefícios da massagem * Relaxamento do corpo e sensação


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m manual no clima frio Divulgação

de bem-estar; * Controle do estresse; * Diminuição da ansiedade; * Alívio da tensão e dores musculares; * Melhora da circulação sanguínea, elasticidade da pele e sistema imune; * Alívio das dores de cabeça; * Estimulação e equilíbrio do sistema intestinal; * Eliminação de toxinas e resíduos metabólicos. Ambiente climatizado Faz a diferença um ambiente aconchegante, sala aquecida. Durante a massagem, o cliente pode permanecer com manta ou

lençol aquecendo o corpo. Um dos benefícios da manta térmica é que este equipamento ajuda a acelerar o metabolismo através da emissão de calor, além de deixar o cliente totalmente aquecido e evitar que ele se contraia ou tencione durante a massagem devido ao frio. Alivie as tensões com o toque suave de uma boa massagem. * Espaço da Beleza Centro Estético Independência, 555 Centro de Farroupilha Fone (54) 3268-5511 WhatsApp: 981.195.645 Fan Page: Espaço da Beleza Site: www.spabeleza.com.br


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Imagem: Reprodução

MORADIA

Projeto busca trazer

alegria à cidade Ligue Imóveis e Construfare se unem gem coberta, salão de festas e uma ótima posipara desenvolver empreendimento ção solar. São quatro apartamentos por andar e o prédio possui espera para água quente, reúnico no bairro Imigrante

P

ensando em levar alegria por meio de empregos, renda, oportunidades e realizações de sonhos que surgiu o projeto Allegro. Lançado na última semana, o empreendimento é uma parceria entre a Imobiliária Ligue Imóveis, que é especialista na aquisição do primeiro imóvel e está à frente das ofertas, junto à Construfare Incorporadora, que conta com o know-how de mais de 200 unidades entregues e mais de 400 em construção e lançamento, sempre prezando pela qualidade e inovação. O empreendimento será erguido no Imigrante, na esquina das ruas Miraguaí com a Bôrtolo Grendene, próximo ao Giovana Clube. Conta com apartamentos de dois dormitórios e sacadas gourmet, o que é uma novidade na cidade em projetos deste porte, e era um pedido dos clientes à Ligue Imóveis. Além disso o prédio possui academia, gara-

baixo em gesso e piso cerâmico laminado. A Ligue Imóveis conta com a possibilidade de reserva de unidades de forma presencial, na sua sede, com hora marcada, mas devido as restrições por conta da pandemia também oferece atendimento virtual. Ele é feito através de chamadas de vídeo e também com reservas de unidades através do QR Code abaixo. Outras informações sobre o empreendimento podem ser adquiridas pelo fone (54) 999.719.010, com WhatsApp, ou pelo 3268-4998.

Inovação Imponente empreendimento conta com dois dormitórios e sacadas gourmet e as unidades podem ser reservadas pelo QR Code


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Central de Rações chega ao município Maior loja do segmento pet inaugura unidade em Farroupilha em endereço nobre, na Avenida Santa Rita

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período pode ser de pandemia, mas a retração econômica não é total, muito pelo contrário. Há segmentos que mantiveram seus investimentos iniciais e apostam no município. É o caso da Central de Rações, que inaugura, na próxima segunda, sua quinta e maior loja da Serra Gaúcha, tendo Farroupilha como sede. Com tradição no mercado, a Central conta com mais de 12 mil itens organizados em um espaço de 700 metros quadrados, amplo estacionamento e atendimento de segunda a sábado. A nova unidade irá oferecer, além da ampla variedade de marcas e produtos, atendimento especializado, serviços de tele-entrega e terá ainda promoções semanais para os novos clientes. “Farroupilha foi a escolha lógica quando o pensamento foi expandir

o negócio. Além da hospitalidade, a cidade oferece um potencial de crescimento que está alinhado com a proposta da Central de Rações de evoluir exponencialmente ano após ano”, destacou o proprietário Ivonei Croda, que supervisionou atentamente cada detalhe do novo empreendimento. Contando com localização pri-

vilegiada, na Avenida Santa Rita, 209, que divide o bairro Vicentina com o Planalto, a chegada da nova unidade da Central de Rações auxilia a retomada do crescimento econômico farroupilhense ao mesmo tempo que consolida a empresa como líder absoluta do segmento pet na Serra Gaúcha.

Novidade Quinta unidade do grupo e maior da Serra abre as portas na próxima segunda: Farroupilha faz parte do plano de expansão da Central de Rações

Janice Monteiro

INAUGURAÇÃO


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FARROUPILHA, 29 DE MAIO DE 2020

Atendimento

Obituário 22 de maio * Adelair Ceresa Poloni, 51 anos. Sepultamento em Gramado dos Loureiros; * Itacir José Colognese, 76 anos. Sepultamento no Cemitério Público Municipal; * Verani Maria Pozzer, 49 anos. Sepultamento no Cemitério Público Municipal. 24 de maio * Lenir Maria Ody Trost, 63 anos. Memorial Cremató-

Este é o Geraldo. Ele é de porte grande, dócil e tem em torno de 6 anos. Ele se dá bem com outros animais e adora crianças. Não será doado para pátio aberto ou para ficar em correntes. Interessados em adotar podem manter contato pelo fone 999.371.647.

Divulgação

Alguém quer me adotar?

rio São José, Caxias do Sul; * Martina Ana Bellaver, 85 anos. Sepultamento no cemitério da comunidade de São Marcos (1º Distrito); * Maria Martello Debiasi, 70 anos. Sepultamento no cemitério de Nova Vicenza. 27 de maio * Jaime Walter Brustolin, 92 anos. Sepultamento no cemitério da comunidade São Marcos (1º Distrito).

Para confecionar a Carteira de Identidade Atendimentos voltarão a acontecer normalmente a partir da próxima segunda, no Ceac, através de agendamento prévio

O

Posto de Identificação de Farroupilha, localizado no Centro de Atendimento ao Cidadão (Ceac), já está agendando horários para a confecção da Carteira de Identidade. Os atendimentos serão feitos a partir de segunda, das 9h às 16h, considerando um intervalo de 30 minutos entre os atendimentos, conforme determinado pelo Instituto Geral de Perícias (IGP), do Estado. O agendamento deve ser feito por meio do fone 3261-3399 (ramal 208). Os atendimentos seguirão as medidas de precaução previstas no Decreto Municipal nº 6.759/2020, que prevê

respeito ao distanciamento entre pessoas, medição de temperatura corporal dos solicitantes, uso obrigatório de máscaras e disponibilização de álcool em gel.

Em relação aos valores, a 1ª via ou acima de 65 anos é isento. A 2ª via custa R$ 71,09 e 2ª via expressa R$ 92,43. Veja documentos solicitados para a confecção abaixo.

Documentos obrigatórios conforme estado civil

Certidão de nascimento original (se solteiro); certidão de casamento original (se casado); caso separado/divorciado é necessária certidão de casamento com averbação original; se for viúvo(a) é necessária a certidão de casamento e a certidão de óbito originais.

Documentos opcionais originais

Cartão Nacional de Saúde; Carteira de Motorista; Carteira de Trabalho; Certificado Militar; CPF; Identidade Profissional; Título de Eleitor; PIS/Pasep.

Também é possível incluir

Condições peculiares de saúde (laudo médico com data do ano vigente); tipo sanguíneo e fator RH.


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ENTREVISTA

Olhar da iniciativa privada Gilberto José Galafassi aceitou o desafio de comandar a Secretaria de Finanças e procura implementar, dentro do possível, o conhecimento e as ferramentas do segmento empresarial na gestão municipal

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ome que mais chamou a atenção no ‘novo’ primeiro escalão de Pedro Pedrozo, o empresário Gilberto José Galafassi foi o escolhido para comandar a Secretaria de Finanças, uma pasta já complexa em condições normais e que ganha uma relevância ainda maior em tempos de pandemia, com diminuição de receita e impossibilidade de cumprimento do orçamento previsto por conta da paralisação do setor produtivo gerado a partir da crise sanitária. Formando pela UCS em Administração de Empresas, Galafassi foi o primeiro professor contratado pela instituição de ensino superior quando passou a operar em Farroupilha, em 1993. Lecionou na Universidade até 1998. Com uma pós em Finanças logo após sua graduação, ainda tem uma formação em Gestão pela Fundação Getúlio Vargas, além de outras especializações e uma quase graduação em Direito, onde realizou cerca de 80% do curso. Na iniciativa privada, teve passagem pela Cosipla e, em 1995, foi contratado como gerente financeiro da Lojas Colombo. Permaneceu no cargo até 1998, quando foi a São Paulo para trabalhar na Karina Plásticos, em Guarulhos. Retornou a Colombo em 2007 como diretor administrativo/financeiro onde permaneceu até 2018. Após um ano sabático, onde fez o Caminho de Santiago de Compostela,

criou a Gala Assessoria e Consultoria, que está parada no momento por conta do convite para comandar a pasta. Em entrevista concedida na quarta à tarde, na Finanças, Galafassi falou sobre o convite recebido, as primeiras ações que procurou implementar, as diferenças percebidas entre a iniciativa privada e o setor público, a expectativa do recebimento de receitas por parte da União e a necessidade da administração pública se reinventar em um período de contenção de gastos e diminuição progressiva na arrecadação. Veja na sequência os principais trechos da conversa.

Convite para assumir

O Pedrozo (prefeito) me procurou e falou sobre a possibilidade de eu assumir a pasta de Finanças. Ele destacou que o chamamento não era dele, mas da cidade. Pedi um dia para pensar, tive que analisar prós e contras, como sempre faço quando tenho que tomar alguma decisão. Me considero uma pessoa de senso crítico razoável. Por que não ir se eu posso ajudar? Minha esposa e minhas duas filhas me deram apoio total e acabei aceitando. Não ter um viés político facilita bastante. Falei para o Pedrozo que se fico até o final do ano, mas saio se ele concorrer. Se ele vier a ser eleito, posso retornar no ano que vem, mas se ele for candidato devo deixar a Secretaria, justamente porque não quero essa vinculação com a questão política,


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a serviço do setor público Ramon Cardoso

que vai efetivamente ocorrer numa campanha. Vim para ajudar naquilo que for possível.

As primeiras ações

Temos avaliado muitas questões com a Procuradoria. O Pedrozo tem enfatizado a necessidade de realizarmos uma boa gestão, eficiente, para entregar um serviço adequado ao próximo prefeito, buscar resultados diferentes. Sabemos que o orçamento não vai se realizar, que as despesas estão aí mas as receitas estão em queda, mas ainda não sabemos o que vai acontecer. O que me propus é de atender todas as pessoas. A Secretaria estará sempre de portas abertas para conversar. Não vamos dizer que sim em todas as situações, mas vamos ouvir. Me coloquei à disposição de todos os secretários para as demandas de cada pasta, naquilo que pudermos ajudar, facilitar. Trago uma experiência que vem da iniciativa privada, de entregar na hora. Hoje estou mais tranquilo, numa vibe diferente e sei que ganharia mais financeiramente atuando no setor privado, mas o aprendizado tem sido grande.

Os valores da União

Do outro lado do balcão Com larga experiência no setor financeiro, Galafassi topou convite para assumir pasta

Temos uma compensação das perdas que para o município será de R$ 9.408.027,00, que será paga em quatro parcelas. Mas esses valores ainda não estão disponíveis e tampouco poderia dizer que eles serão suficientes. Não temos noção ainda do que vai acontecer. O IPTU, por exemplo, muita gente pagou em março, na parcela única, que foi estendida até 20 de maio e uma outra parte considerável quitou o que é

um dado positivo. Porém, os impostos provenientes das atividades econômicas não sabemos o que vai ser. A prioridade de momento é a saúde e, na sequência, a educação. O orçamento vai cair, mas é prematura fazer uma análise percentual.

Volta do setor produtivo

Necessitamos entender o que as empresas precisam. Infelizmente, não temos recursos para socorrer as empresas, seja do comércio, da indústria ou dos serviços. Temos uma reunião para saber o que fazer, o que avançar no decreto no sentido de flexibilizá-lo dentro do possível. O problema surgiu de cima para baixo e a solução agora tem que ser de baixo para cima. A situação da pandemia em Farroupilha está relativamente tranquila em relação a outras cidades. Deve haver uma flexibilização que permita um incremento nas atividades, mas isso será adotado depois de ouvirmos os empresários e os setores representativos.

A diferença dos setores

Digo que estou fazendo uma pós-graduação na prática. Todos nós temos uma visão que não é das melhores do setor público, isso no geral, mas me surpreendeu positivamente o que encontrei aqui. Nossos técnicos são de primeira linha. Nossos contadores são regulados, tem por trás um órgão de fiscalização, o Conselho Regional. Temos pessoal de carreira aqui, gente muito qualificada. Em resumo, os músicos são bons, temos que reger a orquestra, mas a questão que envolve finanças públicas é tão engessada, que não há como fazer algo diferente.


Evite mordida do Leão

Política

Filosofia da iniciativa privada agora no

setor público

Novo titular, Gilberto Galafassi fala sobre a Secretaria de Finanças e reforça a importância da visão empresarial estar inserida dentro das práticas administrativas Páginas 14 e 15 e Editorial

Sétima aRte

Terror distópico e real Imagens: Reprodução

Com prorrogação do prazo devido à pandemia, fique atento que resta um mês para a entrega da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física Caderno Especial

Ramon Cardoso

Guia do iRPF

Resenhas da série belga “Noite Adentro” e de “Sergio”, que narra jornada do diplomata brasileiro vitimado em atentado na sede da ONU em Bagdá Inside, páginas 2, 3, 6 e 7


Sétima Arte

“Noite Adentro”, a surreal série belga da Netflix que encontra ressonância em meio ao caos da pandemia Páginas 2 e 3

Inside

Sétima Arte II

Fim de uma era na diplomacia: “Sergio” relata atentado à sede da ONU em Bagdá, que marcou o início da decadência do órgão Páginas 6 e 7

Roteiro de fé e turismo em pauta Debate online com os primeiros peregrinos do Caminhos de Caravaggio vai abordar momento econômico e de retomada no setor

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m debate sobre o turismo, economia e sobrevivência do roteiro Caminhos de Caravaggio durante a pandemia do covid-19, vai acontecer nesta sexta, às 19h. Será transmitido ao vivo pelo Facebook de Francis Casali, secretário de Turismo na época de lançamento do roteiro, e ainda contará com participação dos outros três peregrinos que realizaram pela po trajeto pela primeira vez: Roque Servegnini, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda; o empresário e atual secretário de Finanças, Gilberto Galafassi; e o juiz Mario Maggioni. “A ideia é conversar sobre o impacto da pandemia no turismo, principalmente no Caminhos de Caravaggio e sobre o retorno da atividade econômica no setor. Também vamos conversar sobre a experiência de ter realizado essa caminhada”, adianta Francis. O roteiro foi apresentado à comunidade em maio do ano passado, em cerimônia no Santuário de Caravaggio e foi aprovado em outubro como uma rota turística do Estado pela Assem-

bleia Legislativa. O trajeto, de aproximadamente 200 quilômetros, atingiu a marca de 250 peregrinos em menos de um ano de existência, mas com a pandemia acabou ficando estagnado. “A grande maioria desses peregrinos são de fora do Rio Grande do Sul, principalmente São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná”, aponta Francis. Com a pandemia muitas viagens que seriam realizadas entre abril e maio para realização do trajeto foram canceladas, mas o ex-secretário destaca que já possuem reservas até o final do ano com hotéis e pousadas parceiros do Caminhos. O projeto recebeu investimentos para melhorias de infraestrutura e atualmente está cadastrado no Ministério do Turismo para a captação de recursos para a sinalização, mas ainda não foi contemplado. Todas essas questões serão discutidas pelos quatro peregrinos na live desta sexta.

Programe-se O que: Live Caminhos de Caravaggio Quando: nesta sexta, às 19h Onde: Facebook do Francis Casali

o pontapé inicial Galafassi, Francis, Maggioni e Roque realizaram o trajeto pela primeira vez em janeiro do ano passado e agora discutem futuro da rota em meio à pandemia

Arquivo Jornal Informante

Bate-papo


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Crônicas da Redação Ramon Cardoso

ramon@jornalinformante.com.br

Celso de Mello sintetiza a bolha

O grand finale do ministro Celso de Mello no STF foi uma das coisas mais patéticas já vistas no mundo jurídico. O ministro, de posicionamentos bizarros, tem sua análise aliviada pelo fato de ser o decano da Corte, como se o simples fato lhe conferisse o direito de votos ridículos e recriminados pela esmagadora maioria da sociedade brasileira. Mas como falei acima, isso não vem ao caso neste momento. Mello, que está prestes a se aposentar, achou que era o momento oportuno para ter, sobre si, os holofotes da grande mídia. Seria o triunfo definitivo, mas na verdade foi uma saída de palco das mais vexatórias à medida que resolveu judicializar uma questão que envolveu o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e o presidente Jair Bolsonaro. Comprou uma briga que não era sua e, obviamente, se deu mal. Moro solicitou que fosse tornado público o vídeo de uma reunião ministerial e Mello concordou em levantar o sigilo, especialmente pelo fato de ter sido difamado (???) pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, assim como seus colegas de Corte. Do alto de sua inocência (e porque não dizer, ignorância brutal da realidade), o decano achou que a fala colocaria, tanto ele como o Supremo, como vítimas e que a população ficaria a seu lado e de seus pares, bem como as manifestações do presidente o desabonariam e seriam uma afronta à chamada “liturgia do cargo”. Acorda, ministro. O povo, em sua esmagadora maioria, concorda com todas as falas ditas na reunião. O povo não quer saber dessa baboseira de liturgia, quer é parar de ser usado para sustentar um Estado criminoso, ineficiente e perdulário. O povo está se lixando se o primeiro escalão de Bolsonaro mandou prender prefeitos e governadores e ministros do Supremo ou se o presidente soltou dezenas de palavrões, o povo quer é não ser roubado, é não ter o dinheiro suado dos seus impostos utilizado para pagar vinhos importados e medalhões de lagosta regados ao molho de manteiga queimada. O despacho do ministro foi feito em 55 páginas. Se ele digitou na mesma velocidade que fala, está explicado porque demorou uma semana para divulgá-lo. Senhor, 55 páginas para liberar um conteúdo que não precisava mais do que uma lauda. Essa falta de objetividade é irritante em todos os membros do STF, mas Mello é hors concours nessa prolixidade. Por essas e por outras que o Supremo goza de um prestígio medonho na sociedade. Talvez até a extrema imprensa tenha um conceito melhor. Aí o páreo de impopularidade é pesado. O ministro do Supremo, de fala polida e mais lerda do que a de governos de esquerda na realização de obras públicas (aditivadas e superfaturadas, claro), vive numa bolha, completamente isolado da realidade do Brasil (algo que não faz parte do contexto dele) e dos brasileiros, que estão cansados e revoltados com tamanha alienação. Se nem depois da divulgação do vídeo entenderem isso, é sinal de que essa bolha é intransponível mesmo. x-x-x-x-x-x Agora, a pergunta que não quer calar: quanto tempo a Polícia Federal vai demorar para fazer, em São Paulo, o que fez no Rio de Janeiro? Vamos combinar, só uma hecatombe ou fraude na tolalização das urnas tira a reeleição de Bolsonaro.

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Sétima Arte

Um voo com

destino incerto

Série belga da Netflix, “Noite Adentro” é um thriller pré-apocalíptico de ficção científica com seis episódios diretos e objetivos e que tem sua surrealidade bem aceita em tempos de pandemia

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uando Terenzio Gallo (Stefano Cassetti), um italiano que atua na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), literalmente toma de assalto um avião que estava prestes a decolar do aeroporto de Bruxelas rumo a Moscou, tudo indica que se trata de um sequestro, mas ele logo explica que está, na verdade, salvando os passageiros da morte. Ele destaca que precisam se deslocar para oeste e fugir do sol, que estaria, graças a uma mudança em sua polaridade, dizimando a população da Terra. Ninguém leva muito a sério a questão, mas como Terenzio está armado e entrou em discussão com o piloto Mathieu Douek (Laurent Capelluto), ferindo-o acidentalmente, não resta muita alternativa a não ser obedecer as ordens. Aos poucos, em contato feito com amigos e familiares, alguns em outros cantos do mundo, como no caso da patinadora Ines Mélanie Ricci (Alba Gaïa Bellugi), uma das passageiras, é possível verificar que realmente há algo de estranho acontecendo. Soma-se a isso a perda de sinal de internet da aeronave, o

caos está devidamente instalado. Com o outro piloto não tendo conseguido embarcar a tempo, a jovem militar Sylvie Dubois (Pauline Etienne), que pilotava helicópteros, assume como co-pilota e tem início uma jornada em busca da sobrevivência. Para se manterem voando na noite, a primeira alternativa é realizar um pouso na Islândia, mas a situação que lá se apresenta mostra cada vez mais que o problema, de fato, é real, e não há outra alternativa a não ser seguir as recomendações do militar italiano, apesar de ser pouco diplomático e de criar uma série de atritos com a tripulação. Parte dos passageiros tem sua história de vida revelada no início de cada episódio e os outros acabam revelando particularidades de sua jornada à medida que buscam apoio para lidar com o imbróglio, completamente inusitado. Novos imprevistos vão surgindo à medida que


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Guilherme Macalossi

Sétima Arte

cisperter@hotmail.com Netflix

Fugindo do sol Sylvie (Pauline Etienne) e Mathieu (Laurent Capelluto) são peças-chaves na trama de catástrofe: decolagem sem um plano de voo

a viagem tem sequência e não é fácil lidar com problemas extras quando se tem quase absoluta certeza de que a Terra está sendo aniquilada e que o grupo pode ser um dos poucos, ou talvez o único, que terá uma chance de garantir a sobrevivência da espécie. É impossível o espectador não se colocar no lugar dos tripulantes e tentar se imaginar em situações extremas, em que a busca de auxílio e cooperação tem que ser completa sob pena de colocar em risco um plano maior. Porém, como deixar de lado problemas que foram vivenciados durante os voos e que mostram que, mesmo estando no limite, muitos acabam pensando apenas nos próprios interesses, eviscerando um

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Título original Into the Night Título traduzido Noite Adentro Direção Inti Calfat Dirk Verheye Roteiro Jason George Gênero Ficção Científica Suspense Episódios Seis Duração média 40 minutos País Bélgica Ano de produção 2019 Estúdio Entre Chien et Loup Distribuição Netflix

egoísmo que não encontra justificativa diante do cenário vivido. Por outro lado, da mesma forma é difícil manter a calma e o controle diante de um apocalipse iminente. Baseado no livro “The Old Axolotl”, de Jacek Dujak, um escritor polonês de ficção científica, “Noite Adentro” tem direção dos belgas Inti Calfat e Dirk Verheye e roteiro de Jason George. Um thriller extremamente tenso e que sempre deixa uma peça para ser encaixada num episódio futuro, gerando um novo problema aos muitos que já são enfrentados. A série da Netflix, contudo, preza pela objetividade. São seis episódios de cerca de 40 minutos, que podem ser assistidos de uma vez só. Aliás, ao final de cada passagem existe uma deixa que é quase impossível se desligar da trama.

Quarentenas brasileiras são um espetáculo de corrupção, incompetência e morte

As quarentenas têm duas funções primordiais: tentar achatar a curva de contaminação do coronavírus/covid-19; e dar tempo para que o sistema de saúde seja devidamente equipado de modo a atender a população. O Brasil, entretanto, vai produzindo um case vergonhoso no cenário internacional. Faz isolamento social meia-boca (devidamente boicotado por Bolsonaro), e vê o curto período de adesão a ela ser desperdiçado com incompetência e corrupção de todas as instâncias governamentais. A recente operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro, que investiga acusações contra o governador Wilson Witzel sobre superfaturamento de equipamentos e instalações de saúde para combate ao coronavírus, apenas escancara um dos muitos casos em que há potencial malversação dos recursos públicos emergenciais em meio a uma crise sanitária sem precedentes. A Procuradoria Geral da República já mira vários governadores que estariam envolvidos em casos de desvios na compra de respiradores, medicamentos e outros insumos fundamentais. Se em tempos de normalidade a corrupção já é um traço característico de nosso país e do Estado em si, o que se pode esperar em meio uma pandemia, quando a torneira dos gastos estatais é afrouxada e institutos jurídicos de fiscalização e controle são dispensados? A farra das licitações se torna uma farra ainda maior sem elas. Nem mesmo o auxílio emergencial é poupado pelos rufiões do erário. Segundo informações da Controladoria Geral da União (CGU), já foram identificados mais de 160 mil casos de fraudes no recebimento do chamado “coronavoucher”. Dentre os que teriam recebido indevidamente o benefício estariam proprietários de veículos com valor superior a R$ 60 mil, pessoas que doaram mais de R$ 10 mil nas últimas eleições e até proprietários de embarcações. Se há quem fature em cima da asfixia dos doentes, por que não teríamos quem usasse o dinheiro dos pobres para abastecer o iate durante um passeio no final de semana? E, como se não bastasse, na esteira das múltiplas irregularidades que vão se somando no noticiário, o governo federal edita uma Medida Provisória que, se propondo a regulamentar a responsabilização dos agentes públicos durante a pandemia, cria, na verdade, um escudo para eles não serem responsabilizados por absolutamente nada. Na prática, o que se tem é um salvo conduto para bandalha generalizada, com todo tipo de justificativa sendo previamente autorizada. O Brasil faz um voo cego no enfretamento de uma doença mortal que já ceifou a vida de dezenas de milhares, e que, provavelmente, ceifará a de muitos outros. Não sabemos ao certo o nível de contaminação porque não testamos o suficiente, e, como se denota, também não temos capacidade de atendimento pela penúria generalizada do sistema de saúde. Já parece evidente que teremos todos os prejuízos econômicos sem alcançar nenhum legado social duradouro. Em outras palavras: teremos mais mortos e mais desempregados. * Redator e radialista


Fotos: Divulgação

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Equilíbrio

stamos em tempos de repensar o que faz sentido para nossas vidas. E dentro tudo que podemos rever, está o equilíbrio entre situações que precisamos encarar a realidade e dar um tempo, para nossas cabeças "respirarem". Com este texto, gostaria de propor uma reflexão, como você tem lidado com seu tempo e prioridades? Tem olhado para si mesmo?

Conhecimento

Os DJ's Bulin, Franco Francischini e Fabrício Zanco estarão à frente da live Santa Prazer Ilimitado, no próximo dia 7, que relembra as antigas festas realizadas no Clube Santa Rita

Cy Rezzadori

Prezando pelo cuidado e bem-estar da cidade, o Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac lançou um curso online e gratuito de Prevenção à Covid-19. O material está disponível pelo site www.pertodevc.com.br/guia e é um guia prático para abertura dos setores de comércio de bens, serviços e turismo, buscando orientar e prevenir com relação ao novo vírus. Após a finalização do curso, o usuário recebe um certificado de participação.

#EmCa

Nostalgia Os DJ's Bulin, Franco Francischini e Fabrício Zanco comandam a live "Santa Prazer Ilimitado". A proposta da programação foi pensada para relembrar as Domingueiras que aconteciam no Santa Rita. A live acontecerá diretamente da cabine de som do Clube, no dia 7 de junho, a partir das 20h e será transmitida pelo canal da Noise Produtora de Áudio.

Inauguração Farroupilha recebeu mais uma opção de café. A franquia Quiero Café inaugurou no começo do mês, na rua Thomas Edison, 38-A, no Centro da Cidade. O espaço está aberto diariamente, atendendo presencial e também no formato delivery.

Oportunidade A UniCesumar, que possui sede em Caxias do Sul, está oferecendo bolsas de estudo de 50% para pessoas que tenham perdido seu emprego por conta da pandemia. A iniciativa é válida para cursos de graduação e pós-graduação a distância. A iniciativa faz parte da campanha "Não Cancele seu Futuro", que pretende provocar uma reflexão sobre a importância da educação para este novo mundo que estamos vivendo.

Graciela Zankoski posou para fotógrafa Cy Rezzadori com os filhos Cauã e Davi para marcar o Dia das Mães e a passagem do seu aniver, no dia 14

A farroupilhense Jessica Ferst está à frente da loja online US Intimate, que apresenta uma nova proposta de lingeries que prezam pelo conforto e beleza, pensadas especialmente para oferecer uma experiência diferente às mulheres


Vítor Henrique Muneretto e Gabriel dos Santos Antunes, da dupla sertaneja Vitor Henrique&Gabriel, realizaram a doação dos alimentos arrecadados em sua live no YouTube pra comunidades carentes da cidade O cantor Kinhos (ao centro) fez uma live na semana passada, no Deck256, com a participação dos convidados Alexon Mendes e Iuri Silva

asa Arquivo Pessoal

O empresário Segundo Biazoli completou 70 anos nesta semana e recebeu o carinho de sua família, em uma comemoração em casa. Da esquerda para direita, a nora Andreia Ariotti, o filho Luciano Biazoli, a filha Silvia Biazoli, o neto Lorenzo Giocondo, o aniversariante Segundo, sua esposa Devilda Biazoli, a flha Suélen Biazoli e o genro Felipe Paim


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Egui Baldasso e.baldasso@gmail.com

Saudade não adianta Não adianta eu falar para vocês que a vida passa voando, que precisamos aproveitar as pessoas. Se vocês são mais velhos do que eu, já entenderam a velocidade dela. Caso estejam longe dos trinta e poucos, jamais acreditarão que é no piscar do olho que os cabelos caem. É na ruga em frente ao espelho, súbita, que se percebe o quanto não vivemos, e quem nem podemos mais tocar. Nunca nos prometeram a eternidade. Mas também nunca nos esconderam que um dia será o último. E a vida não se perde somente no deixar para amanhã. Ela se vai no orgulho de ir mais vezes atrás, na teimosia herdade em vida que impede o abraço, na injustiça de culpar quem deveria ter nos dado o mundo e falhou. Afinal, nos deu somente a vida. Quanta audácia não nos entregar o manual do usuário junto dela. Não adianta eu falar para vocês que o conselho vai fazer falta, mesmo que insistamos em fazer o contrário, até se esborrachar e segui-lo, sempre atrasado, mas sempre em tempo. Que a discussão é tentativa de facilitar teu caminho, que os gritos e alguns silêncios são incerteza e completa ausência de jeito de como te falar que morre de medo que não seja feliz, eterna preocupação com o que está por vir. Não adianta eu alertar que toda felicidade vai ter um gostinho de vazio, o momento parecer incompleto, um cantinho que faltou avisar. Um rosto que deixou de brilhar. Que a casa não será mais a mesma, e a saudade nunca mais se levantará da mesa. Que o tempo não tira a dor, mas nos dá a chance de não repetir com quem fica a burrice de esperar amanhã. A insensatez de guardar o carinho, o amor, as palavras. Tomara que adiante te falar que alguém te espera, vai sempre esperar. Sem jeito, em silêncio. Gritando fingindo certeza, enquanto só quer que o filho, um dia, o entenda. Tomara que ainda lhes reste toda uma vida, a família como única certeza. Em um maio tão diferente, como têm sido os meses de um 2020 confuso, lembrar que os pais são os que nos ligam às memórias mais antigas e ingênuas, e que, com sorte, serão as maiores saudades num futuro implacável, vale a pena tentar entendê-los. Resgatá-los, procurá-los. Relevar erros, perdoar faltas. A palavra não dita machuca. O amor nasceu para viver fora do peito. * Jornalista e escritor

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Era uma vez a

diplomacia “Sergio” relata o atentado que vitimou o brasileiro, Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, e deflagrou o início da decadência do órgão multilateral

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o não conseguir impedir que a invasão americana no Iraque acontecesse, a imagem da Organização das Nações Unidas (ONU), como também de seu fraco secretário geral, o ganês Kofi Annan, ficou bastante comprometida. Os iraquianos viam a ONU como um braço da coalizão americana, uma propaganda amplamente alardeada por grupos terroristas que tinham o interesse em dominar a região após a queda do sanguinário ditador Saddam Hussein. Sem poder de fazer uso da força, como um Estado, as Nações Unidas eram um alvo perfeito para os radicais. Quem parecia gozar de prestígio que estava acima de qualquer suspeita era o brasileiro Sergio Vieira de Mello (Wagner Moura). O diplomata, formado em Filosofia na Sorbonne, a Universidade de Paris, era o braço direito de Annan e muito provavelmente seu sucessor na condução da ONU, embora o trabalho burocrático não combinasse muito com seu perfil. Ele atuava mesmo em campo, na linha de frente, buscando conciliação em locais onde a guerra era palavra de ordem. Foi assim no Camboja, na Bósnia, no Líbano, em Ruanda e no Timor Leste, onde ganhou projeção global ao ser o administrador civil que garantiu a independência do País depois de anos de ocupação da Indonésia. Ou seja, seu trabalho o credenciava com so-

bras para um processo de distensionamento no Iraque. E foi para lá que ele se dirigiu para uma delicada tentativa de pacificar um território convulsionado. O resto da história, todos sabem. Sergio morreu em um atentado a bomba no Hotel Canal, onde ficavam os escritórios das Nações Unidas em Bagdá, em 19 de agosto de 2003, em um ataque ordenado e assumido de imediato pelo terrorista Abu Musab al-Zarqawi, líder da Al-Qaeda no Iraque. O filme parte justamente do atentado e, nas horas em que Sergio estava entre a vida e a morte, ele acaba rememorando sua trajetória especialmente a dos últimos anos, como na condução do processo de independência do Timor Leste junto à Indonésia, quando conheceu a economista argentina Carolina Larriera (Ana de Armas), uma ideóloga financista que se formou em Harvard e ingressou nas Nações Unidas em 1995 para melhorar a condição de vida das populações afetadas por conflitos mundo afora.


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Lauro Edson Da Cás

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ldacas@hotmail.com

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Sergio

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As turbulências no Timor Leste com a ocupação indonésia acabaram aproximando Sergio de Carolina e o extremamente bem costurado acordo de pacificação e de consequente independência do País, em 2002, o primeiro do novo século, conectou de maneira efetiva o vínculo entre os dois. Na parte asiática da história, há muito mais romance do que política. Esta fica mais vinculada à questão do Oriente Médio, no caótico Iraque, onde é possível perceber que não era, de todo equivocada, a visão dos iraquianos, de que Sergio estava a serviço da coalizão, à medida que os Estados Unidos, com o interventor Paul Bremer (Bradley Whitford), tinha um agenda própria para o País, bem diferente da planejada pelas Nações Unidas. Ao pisar no arenoso solo iraquiano, o diplomata brasileiro logo percebe um clima hostil à presença estrangeira e tenta, a todo custo, dissociar a ONU das forças de ocupação, mas é evidente que subestimou a situação. Sergio era um otimista inveterado e tinha no cientista po-

Direção Greg Barker Roteiro Craig Borten Gênero Drama Duração 118 minutos País Estados Unidos Ano de produção 2019 Estúdio Black Rabbit Media Anima Pictures Itapoan Distribuição Netflix Ideólogos A bela atriz cubana Ana de Armas vive a economista Carolina Larriera, que contracena com o brasileiro Wagner Moura, que encarna o diplomata Sergio Vieira de Mello: química entre a dupla atenua o terror

lítico e colega americano Gil Loescher (Brían F. O’Byrne), sempre um fiel escudeiro e um contraponto necessário em suas investidas. Ele também sofreu o atentado, mas sobreviveu milagrosamente, vindo a falecer recentemente, no dia 28 de abril, após sofrer uma parada cardíaca. Com bom trânsito entre os maiores líderes mundiais, a história do diplomata fala de parte significativa de seu trabalho frente à ONU. O filme do americano Greg Barker, que também dirigiu um documentário homônimo sobre o diplomata brasileiro, em 2009, e roteirizado por Craig Borten, foi baseado no livro “O Homem que Queria Salvar o Mundo”, da ex-embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Samantha Power. Repleto de imagens históricas, que ajudam a contextualizar a trama, “Sergio” é o relato de talvez o último grande homem a representar a essência da ONU.

É bom ter esperança? Há muito se diz e/ou se escuta esta frase: “a esperança é a última que morre”. E quando se costuma pensar em esperança, sempre se pensa em algo bom ou em alguma coisa boa. Mas com tudo isso que nos assola, com tudo o que já vivemos e por já estarmos pensando em algo ali na frente, será que é válido ainda termos esperança? Conceitue, você mesmo, o termo esperança. Fácil? Difícil? Complexo? Simples? Bem, falar por falar, eis que já estamos acostumados. Entretanto, André Comte Sponville (filósofo e crítico do pensamento), conceitua sobre felicidade em seu estudo sobre as virtudes humanas. E, por acréscimo, uma das primeiras frases do livro em questão, faz refletir: “mais vale uma verdadeira tristeza do que uma falsa alegria”. O conceito ‘esperança’, de fato, adentra no âmbito da filosofia. Sponville foi influenciado por Spinoza, filósofo holandês, que por sua vez salientava que as coisas que acontecem no mundo, ao redor do ser humano, podem gerar dois afetos opostos: alegria ou tristeza. E que, dentro de nós, temos uma energia (que ele chamava de potência de agir). Assim, quando há coisas no mundo real que fazem aumentar nossa potência de agir, vivemos alegres (ou na alegria). Ao contrário, quando o mundo reduz nossa potencialidade, aí vivemos tristes (ou na tristeza). Nossa cabeça, em geral, transita com a imaginação. Assim, quando fantasiamos, desejamos e pensamos, ocorrem duas situações óbvias: ou acontece o que desejamos ou não. Logo, temos esperança de que algo aconteça, mas junto com isso, nos deparamos com o temor, aquele medo de que aquilo não aconteça. Disso, Sponville considera que “a esperança e o temor não são dois contrários, mas antes, as duas faces da mesma moeda: nunca temos uma sem a outra”. Sponville, ainda, conceitua esperança como desejar sem saber. De fato, só se pode ter esperança quando não sabemos como isso vai acontecer. Só temos esperança daquilo que não temos certeza que vai acontecer. A esperança, sem vaidade alguma, é sempre na ignorância. Vale considerar que a esperança não está somente naquilo que poderá vir acontecer, mas pode até se referir a coisas que já aconteceram, ou seja, como se você tivesse feito alguma entrevista de emprego e saiu de lá com a esperança de ser chamado. A esperança, neste caso, está em algo que já aconteceu, mesmo que não se saiba do resultado – a esperança, sim, ocorre na ignorância. Quando se sabe do resultado, positivo ou negativo, se pode não ter mais esperança de ter ido bem, ou medo de ter ido mal. Portanto, o conhecimento (ou a ausência de ignorância), é quem elimina a esperança! Outra característica de esperança para Sponville é desejar sem poder. Nós só esperamos que aconteçam algo sobre as quais não temos poder de fazer acontecer. Já naquilo que podemos fazer, não esperamos, ou seja, fazemos. Quando se deseja algo e este algo é coisa que podemos fazer acontecer, nós simplesmente fazemos. Esperança, então é sempre na impotência. Concluindo, a esperança se dá tanto na ignorância como na impotência. E mais, esperança interligada com o medo. Então, vale a pena ter esperança? * Mestre em Letras, Cultura e Regionalidade


Inside

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Horóscopo Áries - 21/03 a 20/04

Semana agradável para promover o lazer e o contato com pessoas queridas. O céu também favorece o namoro. O ingresso de Mercúrio em Câncer vai trazer movimentos em família e documentos podem ser necessários.

Touro - 21/04 a 20/05

O foco está na sua casa e no seu bem-estar doméstico. Semana para promover investimentos que são destinados ao imóvel ou à família. O ingresso de Mercúrio em Câncer amplia as relações próximas, a comunicação, além de deslocamentos e cursos.

Gêmeos - 21/05 a 20/06

Você está em destaque e a palavra final é sua. Semana para se comunicar com pessoas queridas e em que o céu lhe traz reconhecimento e bem-estar. O ingresso de Mercúrio em Câncer dá movimento a projetos financeiros, contas e administração dos recursos materiais.

Câncer - 21/06 a 20/07

O céu lhe dá a oportunidade de refletir sobre os investimentos, com a intenção de promover bons negócios. É importante perceber o seu valor. O ingresso de Mercúrio no seu signo vai trazer mais deslocamentos e exposição de informações; documentos podem ser solicitados.

Leão - 21/07 a 22/08

Semana para promover ações que envolvem projetos e amizades. Você terá a oportunidade de ser reconhecido e de promover atividades que agregam valor. O ingresso de Mercúrio em Câncer lhe deixa mais introspectivo e com a necessidade de reservar informações.

Vírgem - 23/08 a 22/09

Semana para avaliar o seu valor e dar passos ao encontro do sucesso. As portas profissionais estão abertas, mas dependem muito da sua habilidade emocional, que deve dar permissão. O ingresso de Mercúrio em Câncer dá movimento aos projetos e às amizades.

Libra - 23/09 a 22/10

Semana para promover os projetos. O céu traz reconhecimento e alegria para vivenciar estudos e a divulgação de ideias. O ingresso de Mercúrio em Câncer vai dar movimento à carreira e a planos que precisam de elaboração.

Escorpião - 23/10 a 21/11

Semana para promover os objetivos que movem a criatividade e o bem-estar. O céu também o ajuda com investimentos. O ingresso de Mercúrio em Câncer favorece a comunicação com as pessoas e promove boas ideias.

Sagitário - 22/11 a 21/12

Semana para compartilhar os planos com uma pessoa especial. O céu também favorece o relacionamento e as parcerias. O ingresso de Mercúrio em Câncer traz movimento a recursos materiais; documentos podem ser solicitados.

Capricórnio - 22/12 a 20/01

É importante valorizar as coisas boas que você vem realizando, seja no trabalho ou em sua rotina. As pessoas reconhecem o seu potencial. O ingresso de Mercúrio em Câncer dá movimento a parcerias e sócios; acordos podem ser solicitados.

Aquário - 21/01 a 19/02

Semana para promover o relacionamento. Se estiver sozinho, uma pessoa especial pode entrar. O céu também favorece os filhos e o lazer! O ingresso de Mercúrio em Câncer dá movimento à rotina e á forma de trabalhar.

Peixes - 20/02 a 20/03

O céu lhe traz reconhecimento no trabalho e na forma de desenvolver a rotina. Se estiver em busca de trabalho, a semana é excelente para receber boas notícias. O ingresso de Mercúrio em Câncer promove ideias criativas, lazer e experiências destinadas aos filhos.

FARROUPILHA, 29 DE MAIO DE 2020


FARROUPILHA, 29 DE MAIO DE 2020

Farroupilha: para você homem discreto, que procura uma boa massagem para relaxar, agora você já tem o local certo! “PRAZER PICANTE”, você encontra as mais BELAS GAROTAS! Local central. Venha conhecer! Fone: (54) 991.430.723. Segunda a sábado. Dani, loirinha de olhos claros! Sempre pronta para o prazer! Disponível das 9h às 16h, com atendimento com local próprio. Contatar pelo fone (54) 996.145.503. Está a fim de fugir da rotina com uma gata sensacional? Então venha passar esse momento comigo. Sou a Pati, uma moreninha pronta para te enlouquecer. Atendimento em local central e discreto (54) 996.145.503 ou (54) 991.430.723, das 13h30min às 18h. Lu, morena sensual, para você que quer relaxar. Venha me conhecer, prazer garantido. Atendimento central (54) 996.145.503. Flávia, linda acompanhante para seus desejos mais secretos, com a massagem relaxante para seus momentos de tensões! Agende seu horário através do fone (54) 991.430.723 ou (54) 996.145.503. Bianca para você que quer algo diferente, com aquela massagem para seus momentos de estresse. Agende comigo (54) 996.145.503 ou (54) 991.430.723.


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Oi! Me chamo Manu, tenho 28 anos, sou morena clara com cabelos cacheados! Carinhosa e atenciosa! Para você que está naqueles momentos precisando de uma massagem relaxante e tântrica. Venha se descontrair! (54) 996.145.503, (54) 991.430.723 ou (48) 991.730.233. Renata loira / Ana Paula morena, juntas ou separadas, com aquele atendimento especial! Agende conosco (54) 996.155.503 ou (54) 991.430.723.

FARROUPILHA, 29 DE MAIO DE 2020


Guia do I R P F

Par te integrante da Edição 639. Não pode ser vendido separadamente

29 de maio de 2020 Imagem: Reprodução

Guia do IRPF 2020 Jornal Informante traz novidades, informações e matérias sobre a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física, que deve ser entregue até o final de junho

NADA MUDA

DETALHADA

VALENDO

SURREAL

Mais 1,3 milhão entram na faixa de contribuição Página 2

Saiba quais documentos são necessários e as deduções Páginas 4 e 5

Cerca de 32 milhões devem enviar declaração à Receita Páginas 6 e 7

Se fosse corrigida, 10 milhões estariam isentos do imposto Contracapa

Mordida do Leão é maior em 2020

Tudo para fazer uma declaração tranquila

Prazos, números e as novidades deste ano

Defasagem na correção da tabela é de 103,87%


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FARROUPILHA, 29 DE MAIO DE 2020

FÚRIA ARRECADATÓRIA

Apetite do Leão: a mordida aumenta no quarto ano seguido sem correção e mais trabalhadores ingressam na primeira faixa de contribuição Governo federal mantém a regra inalterada desde 2016

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á virou rotina. Assim como nos últimos três anos, a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) ficou estagnada. Quem recebe a partir de R$ 1.903,99 passa a contribuir com a primeira faixa do imposto, que tem uma alíquota de 7,5%. São cerca de 4 milhões apenas no período mais recente em que não houve correção. Atualmente são cerca de 10 milhões de brasileiros os que ganham até o valor acima. Com uma tabela corrigida pelos 103,87%, estima-se que esse número de isentos dobraria, chegando a 20 milhões. Embora a alíquota seja a mais baixa percentualmente, o impacto é maior pois afeta a população de renda menor, que necessita dos valores para atendimento das necessidades básicas. Aplicada a correção, quem recebesse até R$ 3.881,65 estaria isento. “Essa diferença, de R$ 1.970,97, penaliza principalmente aqueles contribuintes de mais baixa renda que estariam na faixa de isenção, mas que, devido à defasagem existente, são tributados à alíquota de 7,5%”, aponta o Departamento de Estudos Técnicos do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), que em todo início de ano produz um estudo que reforça a necessidade urgente de correção da tabela. Na atualidade, quem percebe esse valor está na terceira faixa de contribuição, com uma alíquota de 22,5%. A maior faixa de contribuição, que hoje atinge quem ganha a partir de R$ 4.664,69, mais que dobraria com o ajuste, fazendo com que apenas os

trabalhadores que recebessem a partir de R$ 9.564,43 tivessem aplicado o teto da alíquota, que é de 27,5%. “Ao não corrigir integralmente a tabela do IRPF, o governo se apropria da diferença entre o índice de correção e o de inflação, reduzindo a renda disponível de todos os contribuintes. A correção pelo índice integral da inflação evitaria uma distorção comum na política tributária brasileira: o pagamento de mais imposto de renda, mesmo por aqueles que não tenham auferi-

do ganhos reais”, aponta o estudo, citando que essa ausência de reajuste ofende princípios da Constituição Federal, como a da capacidade contributiva e da progressividade, gerando distorções na tributação. “A correção pelo índice inflacionário representa tão somente uma obrigação do governo em manter a mesma carga tributária de um exercício para outro. A não correção ou sua correção parcial em relação à inflação aumenta a carga tributária e penaliza de maneira mais acentuada

o contribuinte de menor renda”, ressalta o material, que fala da necessidade de aplicação de equilíbrio. “A correção da tabela do IRPF busca um estado de maior justiça fiscal, evitando o aumento da regressividade de nossa tributação, fator este um indutor das desigualdades sociais”, conclui o estudo do Sindifisco. Na tabela abaixo, a diferença entre a tabela atual e a corrigida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indexador utilizado para medir a inflação.

A tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (mês)

Atual Até R$ 1.903,98 De R$ 1.903,99 a 2.826,65 De R$ 2.826,66 a 3.751,05 De R$ 3.751,06 a 4.664,68 A partir de R$ 4.664,69

Corrigida (103,87%) Até R$ 3.881,65 De R$ 3.881,66 a R$ 5.714,11 De R$ 5.714,12 a R$ 7.654,67 De R$ 7.654,68 a R$ 9.564,42 A partir de R$ 9.564,43

Fonte: Receita Federal do Brasil e Sindifisco Nacional

Alíquota Isenta 7,5% 15% 22,5% 27,5%


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TUDO DO IRPF 2020

Tire suas dúvidas sobre quem declara, com Como proceder?

É necessário baixar o Programa Gerador da Declaração (PGD IRPF 2020) pelo site da Receita Federal do Brasil, o www.receita.gov.br. No computador, o contribuinte pode baixá-lo do Windows, Multiplataforma (zip) e outros (Mac, Linux, Solaris). Para os que quiserem fazer a declaração por meio de smartphones ou tablets é possível baixar o aplicativo “Meu Imposto de Renda” no Google Play (para Android) ou na AppStore (iOS).

Importação de dados

Existe a possibilidade do contribuinte fazer a importação de dados de 2019 para facilitar o preenchimento da nova declaração. Para tanto, a recomendação é fazer a importação antes de iniciar o preenchimento. Na hipótese da última declaração ter sido retificada, é preciso substituir pelo número do recibo da última retificadora online.

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Os contribuintes que enviarem a declaração no início do prazo, sem erros, omissões ou inconsistências, também receberão mais cedo as restituições do IRPF. Sempre lembrando que idosos, portadores de doenças graves e deficientes físicos ou mentais têm prioridade sobre os demais.

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Com prioridade

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* Quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70 em 2019; * Contribuintes que receberam rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 40 mil no ano passado; * Quem obteve, em qualquer mês de 2019, ganho de capital na alienação de bens ou direitos sujeito à incidência do imposto ou realizou operações em Bolsas de Valores, Mercadorias, Futuros ou assemelhadas; * Quem obteve, ao longo do ano passado, na atividade rural, uma receita bruta superior a R$ 142.798,50; * Quem tinha, até último dia 31 de dezembro, a posse ou propriedade de bens ou direitos (terra nua, inclusive) no valor superior a R$ 300 mil; * Os que passaram à condição de residentes no Brasil em qualquer mês do ano e nesta condição encontravam-se em 31 de dezembro de 2019; * Quem optou pela isenção do imposto incidente em valor obtido na venda de imóveis residenciais cujo produ-

to da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no País, no prazo de 180 dias, contado da celebração do contrato de venda.

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Quem declara?

Documentos necessários

Renda * Informes de rendimentos de instituições financeiras inclusive de corretora de valores; * Rendimentos de salários, pró labore, distribuição de lucros, aposentadoria, pensão, etc.; * Rendimentos de aluguéis de bens móveis e imóveis; * Informações e documentos de outras rendas percebidas no exercício de 2019, tais como rendimento provenientes de pensão alimentícia, doações, herança recebida no ano, dentre outras; * Resumo mensal do livro caixa com memória de cálculo do carnê-leão; DARFs de carnê-leão.

Bens e direitos * Documentos que comprovem a compra e venda de bens e direitos. Dívidas e ônus * Informações e documentos de dívida e ônus contraídos e/ou pagos no período. Renda variável * Controle de compra e venda de ações, inclusive com a apuração mensal de imposto;


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FARROUPILHA, 29 DE MAIO DE 2020

mo proceder, os documentos e as deduções

* DARFs de renda variável; * Informes de rendimento auferido em renda variável. Informações gerais * Dados da conta bancária para restituição ou débitos das cotas de imposto apurado, caso haja; * Nome, CPF, grau de parentesco dos dependentes e data de nascimento; * Endereço atualizado;

* Cópia da última declaração (completa) entregue; * Atividade profissional exercida atualmente. Pagamentos e doações efetuados * Recibos de pagamentos ou informe de rendimento de plano ou seguro saúde (com CNPJ da empresa emissora e a indicação do paciente); * Despesas médicas e odontológicas em geral (com CNPJ da empresa emissora ou CPF do profissional, com indicação do paciente); * Comprovantes de despesas com educação (com CNPJ da empresa emissora com a indicação do aluno); * Comprovante de pagamento de Previdência Social e previdência privada (com CNPJ da empresa emissora); * Recibos de doações efetuadas.

Deduções

Declaração simplificada Não há mudanças. Quem optar por este modelo tem um desconto único de 20% sobre a renda tributável. Este abatimento substitui todas as deduções legais da declaração completa. No IR de 2020, esse desconto de

20% está limitado a R$ 16.754,34, o mesmo valor do ano passado. O modelo pode ser usado por qualquer contribuinte, independentemente do tamanho da renda total ou do número de fontes pagadoras. Declaração completa Quem opta por este modelo pode deduzir gastos com saúde, educação, dependentes, pensão alimentícia e previdência. Saúde: os gastos do contribuinte e de dependentes podem ser deduzidos de forma integral no cálculo do Imposto de Renda. Estão inclusos os valores pagos por plano de saúde, exames, consultas médicas, dentista, psicóloga, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, hospital, entre outros. Os valores devem ser informados em “Pagamentos Efetuados”, fazendo constar o CPF ou CNPJ do profissional ou clínica. Educação: os gastos têm limite de dedução, que é de R$ 3.561,50. Só podem ser deduzidos gastos com instrução formal do contribuinte e seus dependentes. Cursos extracurriculares, como informática e idiomas, por exemplo, não podem ser deduzidos.

Dependente: o contribuinte que inclui dependentes pode deduzir até R$ 2.275,08. Se o valor máximo ultrapassar R$ 28.559,70 no ano, os dependentes devem ser declarados separadamente, mesmo se forem menores de idade. É obrigatório informar na declaração o CPF de todos os dependentes. Pensão alimentícia: pode ter o valor deduzido integralmente, mas o determinado pela Justiça ou estabelecido por meio de acordo homologado pelo Poder Judiciário ou por escritura pública. É importante ressaltar: quem recebe também fica sujeito a pagar imposto sobre o montante recebido. Previdência: valores pagos por aposentadoria, tanto ao Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) quanto a bancos ou fundos de pensão privados podem ter esse gasto deduzido. Os valores pagos para a Previdência Oficial (União, Estados e Municípios) podem ser deduzidos integralmente. Para a Previdência Privada a dedução é limitada a 12% dos rendimentos tributáveis.


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FIQUE ATENTO

Datas, prazos, números e as 2 de Março

Dia de abertura do prazo para a entrega do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

32 milhões

Este é o número de declarações que a Receita Federal do Brasil espera receber neste ano. Em 2019 foram cerca de 30,7 milhões; em 2018, 29,2 milhões; em 2017, 28,5 milhões e; em 2016, aproximadamente 28 milhões enviaram dados à Receita.

103,87%

Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal (Sindifisco Nacional) essa é a defasagem acumulada pela falta de correção na tabela do IRPF desde 1996. O cálculo foi realizado com base na diferença entre a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e as correções da tabela do IRPF durante o período em questão.

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Quatro anos

Esse é o período em que a tabela não sofre correção, ou seja, a última foi em 2015 e valeu para 2016.

Quatro milhões

A falta de correção fez com que cerca de 4 milhões de brasileiros passassem a ingressar na faixa de contribuição, número que estava próximo de 28 milhões em 2016 e deve saltar para 32 milhões em 2020.

10 milhões

De acordo com o Sindifisco, esse seria o número de pessoas que entrariam na faixa de isenção do IRPF caso a correção fosse aplicada à tabela.

109,63%

Este é o percentual de correção da tabela do IRPF desde que o estudo do Sindifisco começou a ser feito, em 1996. Neste período, em 12 anos não houve correção e em apenas quatro a correção foi superior à inflação verificada pelo IPCA.


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novidades do ano no IRPF 327,37%

É o percentual da inflação medida pelo IPCA no período compreendido entre 1996 e 2019 e, que, em tese, deveria ser acompanhado pela correção da tabela, por uma questão de justiça tributária.

Esta é a base da primeira faixa de contribuição da tabela, com alíquota de 7,5%. Deve pagar Imposto de Renda quem recebe acima desse valor mensalmente.

R$ 3.881,65

Caso a tabela do IRPF tivesse sido corrigida desde 1996, segundo cálculos do Sindifisco Nacional, esta seria a faixa inicial de contribuição, mais que o dobro da atual.

30 de junho

Fique ligado, esta é a data final para os contribuintes realizarem a declaração do IRPF à Receita Federal Brasileira.

Essa é a multa mínima para quem não fizer a declaração até a data limite ou fora do prazo. O valor máximo pode chegar até a 20% do imposto.

Cinco

Uma das novidades é o número de lotes no cronograma da restituição, que diminuiu neste ano, em relação aos sete do ano passado. Eles também serão feitos de maneira antecipada, a partir desta sexta (1º lote). Os demais estarão disponíveis em 30 de junho (2º), 31 de julho (3º), 31 de agosto (4º) e 30 de setembro (5º).

Vetada

A dedução de gastos dos patrões com a previdência de empregos domésticos não será mais permitida neste ano. O benefício, no ano passado, gerou renúncia fiscal de R$ 674 milhões e não será prorrogado. Com isso, o Ministério da Economia estima um incremento na arrecadação de cerca de R$ 700 milhões.

Inclusão

A partir deste ano é obrigatório incluir o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) das instituições financeiras onde o contribuinte mantém conta corrente e onde contar com aplicações, inclusive as de renda variável, como as feitas em Bolsas de Valores.

Detalhamento

Também será necessário, ao contribuinte, informar se os bens e direitos pertencem ao titular da declaração ou aos seus dependentes, destacando o CNPJ ou CPF relacionado ao bem ou direito em campo específico da declaração. Imagem: Reprodução

R$ 1.903,98

R$ 165,74


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PESANDO NO BOLSO

Defasagem na correção ultrapassa 100% Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal calculou em 103,87% o percentual desde o início do levantamento, em 1996. Em metade dos anos não houve ajuste na tabela e, se houvesse, cerca de 10 milhões de trabalhadores estariam isentos do IRPF

O

estudo do Sindifisco que aponta a defasagem na correção da tabela do IRPF deixa claro que mais brasileiros estão ingressando na faixa de contribuição. Nos 24 anos analisados, na metade não ocorreu nenhum tipo de correção, como nos seis primeiros e nos quatro últimos da análise (veja ao lado). Havendo o ajuste, estima-se em 10 milhões o número de isentos. A correção superou a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em apenas cinco anos: 2002, 2005 e 2006 (compensando períodos em que não houve correção), e em 2007 e 2009, quando os valores igualaram o índice inflacionário. Em outros sete anos, em 2008 e de 2010 a 2015, o IPCA foi superior à correção feita.

Resíduos na correção da tabela do IRPF pelo IPCA (1996 a 2019 em %) Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019

IPCA 9,56 5,22 1,66 8,94 5,97 7,62 12,53 9,30 7,60 5,69 3,14 4,46 5,90 4,31 5,91 6,50 5,84 5,91 6,41 10,67 6,29 2,95 3,75 4,31

Correção x-x-x x-x-x x-x-x x-x-x x-x-x x-x-x 17,5 x-x-x x-x-x 10,00 8,00 4,50 4,50 4,50 4,50 4,50 4,50 4,50 4,50 5,60 x-x-x x-x-x x-x-x x-x-x

Resíduo 9,56 5,22 1,66 8,94 5,97 7,62 -4,23 9,30 7,60 -3,92 -4,50 -0,04 1,34 -0,18 1,35 1,92 1,28 1,35 1,83 4,80 6,29 2,95 3,75 4,31

Resíduo acumulado 9,56 15,28 17,19 27,67 35,29 45,60 39,44 52,41 63,99 57,57 50,48 50,42 52,44 52,16 54,22 57,17 59,18 61,33 64,28 72,17 83,00 88,40 95,46 103,87

Fonte: Receita Federal do Brasil, IBGE. Material elaborado pelo Departamento de Estudos Técnicos do Sindifisco Nacional

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Edição 639  

Jornal Informante (Farroupilha/RS)

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