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Inside

FARROUPILHA, 3 DE MAIO DE 2019

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Dolores Maggioni

Meio Ambiente

doloresmaggioni@terra.com.br

Plantiê fatura prêmio da Vogue Brasil Produto inovador desenvolvido pela farroupilhense Clarissa Cortelletti e pelo caxiense Mateus Serafim venceu a edição inaugural do Prêmio Muda

O

design aliado à sustentabilidade é a base do Plantiê Vasos Auto Irrigáveis, um produto desenvolvido pela farroupilhense Clarissa Cortelletti, estudante de Design Gráfico, e pelo caxiense Mateus Serafim, estudante de Engenharia Mecânica. O vaso, que dispensa o uso de pratinhos e tem sistema de auto irrigação, estava concorrendo na 1ª edição do Prêmio Muda idealizado pela Vogue Brasil, em parceria com a Casa Vogue e Glamour Brasil. A premiação reconheceu marcas da moda, design e beleza, e elegeu o Plantiê como um dos vencedores. A premiação aconteceu no Museu de Imagem e do Som, em São Paulo. O prêmio é dividido em duas categorias: Gente e Terra. Em cada uma delas são premiadas pequenas empresas, com até 49 funcionários, e grandes, com acima de 50. A categoria Gente avalia a relação com trabalhadores e comunidades locais, e a Terra olha para as práticas ambientais das empresas participantes. O Plantiê foi reconhecido na Terra na divisão de Design como pequena empresa. O produto já foi selecionado para participar da exposição do 32º Prêmio do Museu da Casa Brasileira, no final de 2018, e agora acumula mais a conquista do Prêmio Muda. O vaso dispensa o uso de pratinho, evitando sujeira e acúmulo de água. Tem autonomia de até 25 dias e tudo isso é feito com materiais 100% reciclados e recicláveis, sem gerar nenhum resíduo que prejudique o planeta.

Divulgação

Inovação com sustentabilidade Ricardo Akira Kuwabara, responsável comercial do Plantiê, e Mateus Serafim, recebendo o Prêmio Muda, em São Paulo

Cavernas da alma A alma é um emaranhado de cavernas, iluminadas por uma luz que se insinua por frestas estreitas; cavernas que vão ficando cada vez mais fundas e escuras. Nelas, os espaços modelados pela vida, pedem poucas palavras. As vozes se transformam em sussurros... sussurros que só os olhos revelam. Bem no fundo das cavernas da alma, nos descobrimos sozinhos. Há solidão e silêncio. A verdade da alma está além das palavras; não pode ser dita; mergulha singela em um lago de águas infinitamente azuis. O lago é encantado; nele as palavras cessam, e os olhos as traduzem. As coisas que amamos, as guardamos em um lugar da alma, que chamamos de saudade. Ela é o bolso da alma; assim como um rosto de eternidade, refletido no rio do tempo. Encontrei, no bolso da alma, um verso navegando nas águas cantantes, por entre estalactites abissais, com seus matizes deslumbrantes. Vislumbrei imagens de olhar azul celeste, como que marcando um tempo de apaziguamento, de beleza quase insuportável... azul de uma tristeza mansa, que não pode e nem deseja ser curada. De repente uma montanha de luz se assentou sobre meu peito. Nas minhas cavernas abissais encontrei fragmentos delicados... solidão e uma saudade nem sempre mansa. Um pôr do sol embrulhado em um emaranhado de nuvens dançantes... uma margarida amarela brilhando ao sol nascente. Um cheiro de jasmim... um olhar da pessoa amada... os plátanos de outono... o trem cortando a neblina... as aves cunhando o espaço... a casa cor de rosa... o nascedouro de um sonho lindo. Momentos efêmeros de um tempo sem fim. Tudo o que amo, ficará eterno. E, eternidade não é o tempo sem fim... eternidade é quando o longe fica perto. Outra vez, desci a cavernas de mim mesma. Vi grutas cinzentas... morada das tristezas, com suas figuras redobradas pelo espelho da água cristalina, como a doer em almas gêmeas... que fazem chorar sem sentir vergonha... que mentem suportar as tolices dos insensíveis. Surgiu, então, o ouro ensolarado, mandando olhar o mundo com olhos coloridos, iguais aos do arco-íris. E os espelhos encheram-me de assombros. O mundo todo ali... ele não muda... muda o olhar com que o vejo. Perdida, fui procurar meus rastros nas cavernas de mim mesma. Vi paisagens de um verde cristalino, por cujos interstícios pude escutar uma cantiga doce... cantiga que não quer falar... que revela a mansuetude do não dito, por onde nasce o poema. Depois, meio assustada, descortinei um rubro intenso; rubro escarlate a denunciar as urgências do amor... a esperar o retorno do olhar que se perdeu na curva do anteontem. Fantástica, a mensagem! Exibindo um roxo episcopal, fazendo acelerar o coração no peito... trazendo horas queridas para bem perto de mim... movendo as pás das lembranças, com todos os seus calafrios... mostrando que a saudade é capaz de nos tornar criaturas encantadas. * Escritora

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Edição 586  

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