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Inside

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Crônicas da Redação Ramon Cardoso

ramon@jornalinformante.com.br

Chamou a atenção, na última semana, o pregão eletrônico para fornecimento de “refeições institucionais” para o Supremo Tribunal Federal (STF). Os gastos são irrisórios: R$ 1,1 milhão em um contrato de 12 meses. São 2,8 mil refeições (almoço ou jantar), 180 cafés da manhã, 180 brunchs e coquetéis para 1,6 mil pessoas. Entre as “simples iguarias”, medalhões de lagosta na manteiga, bacalhau à Gomes de Sá e bobó de camarão, ou seja, pratos que integram o dia a dia do brasileiro comum. Na licitação está prevista que as “bebidas deverão ser perfeitamente harmonizadas com os alimentos”. Evidente que um cardápio simples assim não poderia ser acompanhado de bebidas sofisticadas, mais sim de comuns, como espumantes brut e extra brut (método champenoise, rótulos que tenham ganho pelo menos quatro prêmios internacionais). A champagne precisa ter pelo menos 12 meses de maturação. O extra brut deve ter no mínimo 30 meses. Evidente, né, como não? Os vinhos são um capítulo à parte. Nos casos do Tannat, Assemblage e Cabernet Sauvignon, a bebida precisa ser de safra igual ou superior a 2010 (além das quatro premiações internacionais, claro). Os dois primeiros têm que ser envelhecidos em “barril de carvalho francês ou americano”. Importante: de primeiro uso. Não me venham com barril velho. Já para os brancos Chardonnay e Sauvignon Blanc, uvas colhidas à mão. Mas que dúvida, né. É tanta obviedade que nem precisaria descrever. Refeições comuns assim, merecem também aperitivos simples. Os uísques de puro malte precisam ser envelhecidos por 12, 15 ou 18 anos. Já as cachaças para as caipirinhas devem ser curtidas em “barris de madeira nobre” por até três anos. Justo. Ainda bem que temos um STF austero e que não solicitou água mineral, refrigerantes e cervejas, essas bebidas caras que a esmagadora maioria dos brasileiros consome. Aliás, sempre que vou ao mercado me deparo com Seu João ou com a Dona Maria perguntando aos funcionários se os vinhos que abarrotam seus carrinhos de compras obtiveram pelo menos quatro premiações globais e se o envelhecimento da bebida não foi feito em barril de carvalho reutilizado. Uma pouca vergonha, vamos combinar, envelhecer o vinho em barril de segunda linha. Da mesma forma, perguntam se o bacalhau que estão adquirindo é português. Fico profundamente comovido com tamanha simplicidade desses brasileiros comuns, gente simples como esses ministros do Supremo. Que exemplo. Eu faço o movimento contrário, admito. Me dirijo às prateleiras das grandes cervejarias e, para esnobar um pouco mais, ainda compro uma garrafa de água mineral para curar uma eventual ressaca. Não satisfeito, faço mais: desfilo pelo mercado exibindo minhas compras. Quem dera um dia eu possa ser acometido da simplicidade que conduz e norteia a nossa Suprema Corte. Se me esforçar, um dia acho que ainda chego lá.

Agenda

SEXTA

Felipe Gabriel

Suprema e aterradora realidade

FARROUPILHA, 3 DE MAIO DE 2019

André Santi em “Cheguei Vivo aos 30” Caverna Comedy Club (República, 445, subsolo), às 22h Ladies Night com DJ Cris Pacheco Wild Beer (Gonçalves Dias, 73), às 20h

SÁBADO Beat On Me 4 anos com DJ L_cio Muinho Club (Mal. Floriano Peixoto, 190), às 23h59min Rodrigo Capella Caverna Comedy Club (República, 445, subsolo), às 22h A Última Festa: Despedida Boteco Antonielle Boteco Antonielle (14 de Julho, 741), às 22h

DOMINGO Workshop gratuito com DJ L_cio Muinho Club (Mal. Floriano Peixoto, 190), às 17h Orbital Trance, entrada free Hunter Club (Linha Caçador), às 8h Caminhada pela Vinícola Cave Antiga e Represa Burati Cave Antiga Vitivinícola (Linha Rio Burati, 3º Distrito), às 8h30min

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Edição 586  

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