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Edição Geral: Ranter Z. Tomsó

Um

olhar urbano sobre uma desgraça cotidiana


Carta

ao infeliz leitor

páginas mochas Sempre primando pela melhor informação para o nosso leitor, nesta edição mandamos o

A tia Mércia foi internada com- nosso repórter Ortaça Xavier investigar um estranho caso, que chegou ao conhecimento de pulsoriamente por colocar muita nossa redação. Até porque não adianta somente ficar com a bunda grande e gorda sentada na cadeira esperando que as notícias cheguem até você, é preciso ir a campo, conhecer o caso cidreira em seu chimarrão. Cer- em todas as suas matizes, para apresentar uma informação pura, sem misturas, salvo um ta feita, num final de tarde de gelinho, que neste calor, ninguém merece. Então, segundo o sujeito que nos contou a história (como sempre vamos manter sigiverão de 40ºC, estava tomando lo de fonte, como recurso que disseu mate vespertino e de repente pomos, não é mesmo, abraço seu Zé!), o horário aproximado era vichega um deputado para lhe fazrada do ano e o indivíduo por um er uma visita, como o assunto problema de refluxo, teve que ir no banheiro chamar o ugo, momento estava por demais interessante em que se seguiram os fogos para e o mate ficou meio cumprido comemorar a entrada do ano novo. (vulgo caixa d´água), tia MérEntre uma botada para fora e outra, o rapaz notou uma luminosicia acabou dormindo com a cuia dade anormal, que sobressaia por na mão. O solicito deputado foi baixo da porta do banheiro. Num primeiro momento achou que era averiguar a chaleira e detectou a luz dos fogos e não deu muita que havia mais cidreira que o bola, continuou seu exercício gasrecomendado pela organização Círculo redondo na grama de causas desconhecidas tro-esofágico ajoelhado na beira do vaso. Infelizmente, num depoimento emocionado e ainda com uma alface no dente, o das nações desunidas e ligou rapaz confessou que somente conseguiu sair do banheiro, na alta madrugada, quando todos para sua equipe de assessores já tinham ido embora. Quando saiu do banheiro teve um novo acesso de refluxo e para não puxa-sacos e estes prontamente ir novamente para o vaso resolveu ir na grama do pátio mesmo, momento em que um frio que correu a cervical, quando avistou um estranho desenho na grama. Ficou imobilizado concordaram que o caso era de e como não tinha mais ninguém acordainternação compulsória. A foto do, permaneceu em estado de torpor por um tempo que não soube precisar, até o da tia Mércia foi parar em todos refluxo cessou. Ato contínuo acessou a os jornais, revistas. TV e interinternet e verificou que na fronteira com net, o inss cassou seu benefício a Argentina havia sido avistado objetos não identificados no céu, o indíviduo fez de aposentadoria, a rge cortou associação imediata e nos trouxe este sua luz, a corsan cortou sua água furo de reportagem em primeira mão, inclusive com as fotos que ilustram esta e a prefeitura está cobrando judireportagem. Tão logo acabou o relato incialmente seu iptu. A sua cadela formamos que ainda tinha um pedaço de Baleia foi entregue para adoção alface no dente, provavelmente devido ao refluxo, pelo que nos agradeceu fraternuma agroveterinária e agora tia nalmente, pedindo para que nós apurasCírculo redondo na grama de causas Mércia está tomando um ansisemos o caso, porque ele não estava condesconhecidas, ao lado do vaso com seguindo dormir. E como o nossa redação olítico, um antidepresssivo, um gerúndios vermelhos é uma redação de ação e execramos o moderador de apetite, um remécopia e cola, remetemos o Ortaça até o para seu relato tenebroso, de mais este caso dio para gastrite, um remédio local dos fatos e de imediato passamos impressionante, fala daí Ortaça: - Buena, há um círculo redondo na grama do para dormir, um calmante e só jardim. Do lado tem um vaso de flores, com pode assistir freak show, vale a gerúndios vermelhos e em conversa com a pena morrer de novo e mutilação mãe do rapaz esta relatou que o refluxo, foi devido a azeitona que ele comeu e que não da tarde, no canal oficial, patrocicombinou com a sidra, a cerveja, a caipirinha nado pela clínica de reabilitação e o frexenet que ele tomou. Quanto ao círculo redondo na grama do jardim ela disse que foi compulsória do deputado. Por devido a remoção da piscina, porque estava isso lançamos a campanha: Free Imagem do objeto visto na fronteira matando a grama. Ela me ofereceu um resto tia Mércia, free!!!! (RZT) de pernil, câmbio, desligo.

Reportagem especial: por Ortaça Xavier

o rock morreu no churras

Nota de rodapé: esta reportagem foi feita no inverno do ano passado, mas devido ao relaxume do editor só agora vai ao ar... Antes já seria difícil de entender, imagina agora, não me culpem... Estava num período de abstinência e ouvi um sertanejo classificar sua música como pop-rock, foi a gota! Sem contar o espaço, fiz os caracteres que me pediram e agora vai ter que sair em tamanho nove é muita pureza para minha cabeça.

A ficha caiu quando estava chegando a Cristóvão Colombo através da Minas Gerais, na esquina tem uma loja de bijus e ao meu lado um menino impaciente mexia em seu celular, isto tudo numa fração de segundos, mas que deram espaço para todo um filme instantâneo que se passou naquela sexta treze, de inverno estranho, quando percebi o fato que se apresentava. Era o dia do roque, não o escritor, mas o roque com c e k como foi batizado lá pelo norte, mas que aqui no português da gema fica com QUE. Expressão que deveria falar por si, a esta altura do campeonato, no entanto, a situação não é tão simples assim. Meu pai gostava de Teixeirinha e músicas em alemão. Eu para contrariar escutava “punhetinha de verão” a todo o volume, como prova de minha independência intelectual e da impossibilidade de conviver com velhos hábitos, velhas formas de ver as coisas. O novo se fazia necessário, uma visão diferente de ver a vida, que não esta coisa emocional, caipira e sem amparo na realidade que saía de todas as aventuras do sulista rancheiro e sua amada imortal. Para o dia do roque, duas atrações. Um show de antiguidades do roque – todo mundo adora, sabem os refrãos de cor e podem olhar para o espectador ao lado e fazer positivo, uma língua universal e contagiante, se não fosse o detalhe de repetir coisas de quando os dinossauros foram extintos, por aquele fatídico cometa. Outro, um encontro casual de gente antenada para desfilar moda e comportamento e saudar a juventude que é solidária, roqueira e topa qualquer desafio por um momento de diversão com acordes de guitarra, bateria e baixo, nem que seja em praça pública, sob o relento dos olhos que olham tudo aquilo, sabendo que de tudo aquilo nada vai acontecer. E de fato nada aconteceu.

Daí um artista paulista, que não aguenta mais esta coisa de tchã, tchu, periguetes e tudo mais, exige um basta, usando de palavrões e vai tomar no teu céu e tal, o que para o dia do roque parece até compreensivo. Porém, o que ninguém quer assumir e acreditar é que o sertanejo/pagode é a expressão atual de rebeldia. Não há paradigmas a serem quebrados. Não há uma guerra do Vietnã para se protestar e pedir a paz. O fato de se glorificar tudo o que foi produzido nos anos 70 e 90 e esquecer todas as ideias que são diariamente produzidas, gerou um vácuo de referências. Filhos de pais roqueiros viraram meros repetidores do que os pais escutavam e isso não é bom, tanto que só conseguimos ouvir o que os pais roqueiros ouviam. Num cenário onde roupas infantis vem com estampas de caveiras, canções de ninar são músicas dos anos 90, ter uma guitarra é tão comum quanto ter um cachorro. Mas e onde ficou a busca pelo novo, pelo olhar diferente, pela atitude roquenrol?

Filhos de pais roqueiros viraram meros repetidores do que os pais escutavam Provavelmente, quando o papai faz o churrasco no domingo e depois de tomar todas, puxa uns vinis de um armário empoeirado e diz para todos – “Isto sim era música de verdade. Agora é tudo uma merda”. Momento seguinte aumenta o volume do três em um e se regozija perante os convidados. Isto tudo naquele instante, vez que o menino, depois de futricar em seu telefone saiu lépido e sorridente, ao som do AC>DC. Será que ele sabe que o Bono Scott se afogou no próprio vomito? Que a turnê do Roger Waters é a mais lucrativa do planeta? Que as nuvens não são feitas de algodão? Não, mas o que importa. O roque é um quadro na parede das lembranças e o seu desapego é o que mantém vivo e morto e morto-vivo, lembrando cada vez mais um souvenir, do que uma forma de expressão e contestação. Aumenta o som moleque.

Dica de Leitura: •Desinfetante Lavanda

Modo de usar: Para desinfetar aplique o desinfetante puro em vasos sanitários, latas de lixo e ralos. Aplique o produto nas bordas, deixando agir, por no mínimo, 10 minutos. Para limpeza de superfícies utilize duas colheres de sopa (30ml) por litro. Aplique em pisos, azulejos, esmaltados, banheiras e mármores. Precauções: Conserve fora do alcance das crianças e animais domésticos. Não misturar com

outros produtos. Não utilizar para desinfecção de alimentos. Não ingerir. Evite a inalação ou aspiração, contato com os olhos e com a pele. Manter o produto em sua embalagem original. Não reutilizar a embalagem vazia para outros fins. Lavar os objetos e os utensílios usados como medida antes de reutilizá-los para outro fins.

Classificação: uso restrito Avaliação: •••

Sentido Sem Coluna A segunda maior fila na porta do Centro Cívico. A primeira foi para a vacina da gripe A. A segunda para assistir Amanhecer (vampirinhos de meia estação).


um homem e algumas histórias sem ninguém para escutar

músuca punk

Degenerativa velhos amigos andam pelas ruas errantes desconhecidos selvagens comedores

de lembranças mortas das mesas de bar estribilho:

“alegres nostalgias de uma tarde de chuva” (3X)

equilibrista suburbano que gosta de ouvir mentiras de amor

o tempo disse em seus ouvidos para se acostumar a viver só enquanto o vento balança a antena de seu antigo televisor estribilho: “alegres nostalgias de uma tarde de chuva” (3X)

Contranacontracapa

A Vila  

Jornal cultural sensacionalista

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