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idigital - Revista da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital - Ano 03 - Número 08 - janeiro/fevereiro/março de 2012

RIO+20 O trabalho de preparação para a grande conferência da ONU, que, com a ajuda de empresas como as associadas ABRID, pode garantir a sustentabilidade no futuro

ENTREVISTA

Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República

POSSE NA ABRID

Conheça os planos da Diretoria para os próximos quatro anos

CASOS E ARTIGOS As iniciativas de sucessos das associadas


REVISTA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE TECNOLOGIA EM IDENTIFICAÇÃo DIGITAL - ABRID

22 . CAPA RIO+20: Diálogos Sociais têm apoio da ABRID para discutir os caminhos da sustentabilidade como preparação à conferência da ONU 28 . ENTREVISTA Gilberto Carvalho, ministrochefe da SecretariaGeral da Presidência da República, e o Brasil sustentável

34 . CASOS E artigos 36 . 3m Lâmina de Segurança eleva padrão da nova Carteira Nacional do Panamá 38 . Certisign Prontuário eletrônico com certificação digital agiliza atendimento no Hospital Samaritano 42 . GD Burti O futuro da carteira de motorista eletrônica

46 . Gemalto Saúde Eletrônica: Melhores práticas em prevenção a fraudes

8 . CERTFORUM Acordo ABRID-ITI garante 10ª edição

12 . DIRETORIA Confira o que pensam os recém-empossados diretores da ABRID

50 . Lasercard Inovações em dispositivos opticamente variáveis 54 . NXP Novos Padrões de Alta Frequência auxiliam a diminuir diferenças em aplicações de RFID

58. Pra terminar Onde você estava na Eco-92?

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PALAVRA DO PRESIDENTE Com a proximidade da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, cresce a repercussão do tema na sociedade brasileira, que vai sediar o evento, e em todo o mundo. E isto é muito bom.

Ricardo Padue

A Rio+20 bate à porta.

É sim chegada a hora de debater com a devida importância a sustentabilidade. Na verdade, não há futuro sem ela. Ou aprendemos a conviver com os recursos naturais e o planeta como um todo, ou vamos esgotar as possibilidades da Terra. As associadas ABRID estão atentas a tudo isso, e não é de agora. Nosso setor tem muito a contribuir - e o faz - com procedimentos como a desmaterialização e a reciclagem, além da oferta de produtos cada vez mais resistentes e duráveis. Além das práticas sustentáveis adotadas e incentivadas pelas associadas, a ABRID está diretamente ligada às discussões da Conferência da ONU por meio dos Diálogos Nacionais – Rumo à Rio+20, uma série de mesas preparatórias para o evento de junho que conta com o apoio da Associação. É a sociedade organizada em busca de um mundo melhor. Nesta edição da idigital, o debate sobre a sustentabilidade e a Rio+20 ganha um ótimo ingrediente com a entrevista exclusiva que fizemos com o ministro Gilberto Carvalho. Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Carvalho é um dos principais membros da equipe da presidenta Dilma Rousseff e avalia que o encontro do Rio de Janeiro vai ser um marco histórico nas discussões sobre o desenvolvimento. Mais do que debates, ele aposta nos resultados práticos da Rio+20. Nós também. Confira ainda a posse da Diretoria reeleita da nossa Associação. A idigital fez um bate-papo comigo e com os outros dois diretores e nas conversas é possível encontrar um panorama do universo da identificação digital no Brasil e no mundo e as perspectivas da ABRID para os próximos quatro anos.

EXPEDIENTE idigital é uma publicação da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital (ABRID). Presidente: Célio Ribeiro Diretor de Identificação Digital: Edson Rezende Diretor de Projetos e Informação Tecnológica: Fernando Cassina Reportagem: Iara Rabelo e Marcio Peixoto Editor: Marcio Peixoto MTB 4169/DF Revisão: Millena Dias Tiragem: 2.500 exemplares Periodicidade: trimestral Contato: (61) 3326 2828 Projeto gráfico e diagramação: Infólio Comunicação www.infoliocom.com - (61) 3326 3414 (Os cases e artigos assinados não refletem o pensamento nem a linha editorial da revista e são de inteira responsabilidade de seus autores)

Aproveite a leitura! Célio Ribeiro, presidente da ABRID

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Certiforum


Acordo entre ABRID e ITI garante a realização do 10º CertForum O maior evento de certificação digital do país terá seis etapas em 2012 e percorrerá todas as regiões do Brasil


i9 assessoria

»» Renato Martini, do ITI, e Célio Ribeiro, da ABRID, comemoram o fechamento de mais uma parceria entre as duas instituições

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omeça em abril a 10ª edição do CertForum, o Fórum da Certificação Digital. O já tradicional encontro vai visitar seis capitais este ano: São Paulo (SP), Recife (PE), Goiânia (GO), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF) e Florianópolis (SC). A ABRID vai ser parceira do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) na realização do evento. A garantia está no acordo de cooperação técnica assinado em fevereiro entre as duas instituições. O trabalho conjunto no CertForum, aliás, não é novidade. A ABRID apoiou edições anteriores do evento. O Cerforum exerce a importante missão de difundir o conhecimento voltado para a área da certificação digital, que está em franco crescimento no Brasil. Por meio do

Fórum, os dois pontos da corda – os pesquisadores e quem trabalha com a questão na linha de frente – se encontram para debater o tema. O resultado é a ampliação das fronteiras da certificação digital no Brasil. O presidente da ABRID, Célio Ribeiro, avalia que o CertForum ajuda a consolidar duas tendências da certificação digital no Brasil, a massificação e a democratização. “A cada dia aumenta o uso da certificação digital entre os brasileiros. Os excelentes padrões adotados pela ICP-Brasil vão elevar progressivamente o acesso do país ao certificado digital, garantindo mais e melhores serviços ao cidadão, tanto na espera pública quanto entre os entes da iniciativa privada”, avaliou. Já o presidente do ITI, Renato Martini, reforça que o Fórum da

Certificação Digital é perfeito para promover o crescimento do setor. “O CertForum configura-se como pano de fundo ideal para que a prosperidade alcançada a partir do uso dessa tecnologia seja debatida e difundida pela indústria, pela academia e pelos entes públicos dos níveis federal, estadual e municipal”, argumenta. Este ano, o evento promoverá importantes debates sobre a utilização da certificação digital ICP-Brasil nos setores público e privado e discutirá como que os principais atores sociais, munidos dessa moderníssima tecnologia, podem colaborar amplamente para o desenvolvimento de novos paradigmas. As inscrições para as seis etapas do 10º CertForum são gratuitas e podem ser feitas pelo site certforum. iti.gov.br.

ETAPAS DO 10º São Paulo [SP] ∙ 11 de abril Recife [PE] – 24 de maio Goiânia [GO] – 14 de junho

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Rio de Janeiro [RJ] – 29 de agosto Brasília [DF] – 18 a 21 de maio Florianópolis [SC] – Outubro


Confira a íntegra da publicação do acordo ABRID-ITI, no Diário Oficial da união de 22 de fevereiro: CASA CIVIL INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO EXTRATO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA ESPÉCIE: Acordo de Cooperação Técnica, que entre si celebram o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação ITI, CNPJ 04.039.532/0001-93, e a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia em Identificação Digital - ABRID, CNPJ 09.104.543/0001- 23. Objeto: Estabelecer cooperação técnica entre os partícipes, no sentido de aproveitar ao máximo as potencialidades das instituições signatárias, dentro do campo de suas respectivas atribuições e especificações, com vistas à realização do 10º CertForum que realizar-se-á nas cidades de São Paulo/SP, Recife/PE, Goiânia/GO, Rio de Janeiro/RJ, Brasília/DF e Florianópolis/SC. DATA DE ASSINATURA: 16/02/2012. ASSINAM: pelo ITI - Renato da Silveira Martini, DiretorPresidente; Pela ABRID - Célio Siqueira Ribeiro, Presidente Executivo.

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Processo: 00100.000025/2012-27

»» Assinatura de acordo garante realização da 10 ª edição do Certforum janeiro - fevereiro - março 2012 | 11


Institucional


Novos desafios ABRID reelege Diretoria, que tem a missão de não apenas dar continuidade, mas de expandir o sucesso registrado nos primeiros quatro anos de existência da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital


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primeira reunião do ano das associadas da ABRID marcou também a posse da nova Diretoria. A eleição aconteceu em setembro passado e o resultado foi por aclamação, já que havia apenas uma chapa na disputa. A Diretoria eleita e empossada para os próximos quatro anos é composta por Célio Ribeiro como presidente, Edson Rezende como diretor de Identificação Digital e Fernando Cassina como diretor de Projetos e Informação Tecnológica. Cassina foi o único ausente na posse, em 31 de janeiro, em Brasília, já que estava na França cuidando de obrigações profissionais. No encontro, o presidente Célio Ribeiro explicou que não foi fácil a decisão de disputar mais um mandato à frente da ABRID. “Quatro anos foram de muito trabalho. Sem dúvida nenhuma, a gente teve um período de criação da ABRID e engrenamos num trabalho muito grande e a decisão de concorrer a mais um mandato não era simples porque a gente estava em um momento muito bom. A verdade é que você sair por cima, você sair num momento bom, é sempre a melhor coisa a fazer, porque você deixa saudades. Mas a gente chegou a um consenso de que tinha algumas coisas ainda a serem feitas, principalmente consolidar outras”, explicou. Ribeiro ainda agradeceu às associadas por reconduzi-lo no cargo de presidente: “vocês entenderam as nossas falhas e, mesmo com as falhas, decidiram nos dar mais um mandato para que a gente possa consolidar a ABRID e colocar em prática alguns projetos que já estavam em andamento e iniciar outros que serão de muita valia para todas as empresas”. »» Eventos O encontro de janeiro das associadas ABRID incluiu ainda a discussão do calendário de eventos da Associação, que a cada ano se consolida como a maior apoiadora/organizadora de eventos na área de identificação digital do país. Em 2012, a pauta está cheia, como constatou o diretor Edson Rezende. Segundo ele, um dos destaques é a Cards Paument & Identification, que acontecerá em abril, em paralelo com a etapa Sudeste do Certforum. Haverá ainda os Worshops Regionais do RIC, percorrendo todo o Brasil, entre muitos outros eventos. Confira a programação na página ao lado. »» Entrevistas Para conhecer em detalhes os projetos da nova Diretoria, a idigital conversou com os três diretores. Acompanhe o bate-papo nas páginas seguintes.

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DATA

Abril

10 a 12 11 10 a 12 24 a 26

Maio

08 a 10 24 25

Junho Julho

14 02 a 04 06

Agosto

29 30

Setembro

18 a 21 18 a 21 18 a 21 18 a 21 18 a 21 18 a 21

Outubro

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Calendário de Eventos 2012 EVENTO

LOCAL

Cards Payment & IDentification

Centro de Convenções Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569, Consolação - São Paulo/ SP)

10º CertForum (Sudeste)

Evento paralelo à Cards

LAAD Security 2012 - Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa

Riocentro (Av. Salvador Allende, 6555, Pavilhão 4, Barra da Tijuca - Rio de Janeiro/RJ)

ISC Brasil 2012 - Feira e Conferência Internacional de Segurança

Expo Center Norte- Pavilhão Norte (Rua José Bernardo Pinto, 333 - São Paulo/SP)

Exposec 2012 - Feira Internacional de Segurança

Centro de Exposições Imigrantes (Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 - São Paulo/SP)

10º CertForum (Nordeste)

JCPM Trade Center (Av. Engenheiro Antonio Góes, 60 Pina - Recife/PE)

RIC Workshops Regionais 2012 (Nordeste)

Hotel Atlante Plaza (Av. Boa Viagem nº5426, Boa Viagem - Recife/PE)

10º CertForum (Centro-Oeste)

Goiânia/GO

1st Latin American High Security Printing Conference

Sheraton Rio Hotel & Resort (Avenida Niemeyer 121 – Leblon - Rio de Janeiro/RJ)

RIC Workshops Regionais 2012 (Norte)

Hotel Tropical Manaus ( Av. Coronel Teixeira, 1320, Ponta Negra – Manaus/ AM)

10º Certforum (2º Etapa Sudeste)

FIRJAM (Av. Graça Aranha n° 1, Centro - Rio de Janeiro/RJ)

RIC Workshops Regionais 2012 (Sudeste e Sul)

J.W. Marriott Hotel (Avenida Atlântica nº2600, Copacabana - Rio de Janeiro/RJ)

ICMedia (Conferência Internacional de Ciências Forenses em Multimídia e Segurança Eletrônica)

Hotel Royal Tulip Brasília Alvorada (SHTN Trecho 1 Conj. 1B Bloco C - Brasília/DF)

Encontro Nacional dos Diretores dos Institutos de Identificação

Evento coligado ao ICMedia

Encontro Nacional dos Diretores dos Institutos de Criminalística (A confirmar)

Evento coligado ao ICMedia

Encontro Nacional dos Secretários de Segurança Pública (A Confirmar)

Evento coligado ao ICMedia

10º CertForum (Centro-Oeste)

Evento coligado ao ICMedia

RIC Workshops Regionais 2012 (Centro-Oeste)

Evento coligado ao ICMedia

10º CertForum (Sul)

CentroSul - Centro de Convenções de Florianópolis (Av. Gov. Gustavo Richard nº 850, Centro - Florianópolis/SC)

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Nossa busca e engajamento na questão ambiental de forma séria, nos estruturando para buscar as melhores formas de participar ativamente no desenvolvimento econômico de nosso país com a economia verde e consequente luta pela inclusão social, sem dúvida merecem destaque.

ricardo padue

id: Ainda sobre os primeiros quatro anos da Associação, que projetos o senhor gostaria de ter visto realizado e não se concretizaram?

CÉLIO RIBEIRO Presidente idigital: O senhor acaba de ser reeleito para a presidência da ABRID por aclamação, não houve outra chapa disputando o pleito. Isso muda de alguma maneira a forma de atuação? Célio Ribeiro: A forma de atuação não muda, pois foi por esta forma de atuar que tivemos a aceitação e reconhecimento das associadas. Na realidade, a responsabilidade é que fica ainda maior, pois não ter outra chapa formada, dentre outras coisas, pode significar a satisfação e credibilidade com nosso trabalho, e claro, a consequente cobrança irá aumentar. 16 |

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CR: Sinceramente, não tive esse desgosto. Desenhamos de forma simples e objetiva nosso roteiro de atuação. Cumprimos todas as etapas. O Brasil viveu nesses últimos anos e ainda vive um momento especial. Temos um cenário de cooperação transparente onde as boas ideias e apoio verdadeiro são aceitos e reconhecidos. Temos que aproveitar essa realidade e fazer com que projetos cidadãos aconteçam e permitam cada vez mais o desenvolvimento e fortalecimento da cidadania.

id: Embora muito nova, a ABRID tem quatro anos de importantes realizações. Quais delas o senhor destacaria e por quê?

id: Agora, falando de presente. No ato de posse para o novo mandato, o senhor comentou que há iniciativas em andamento na ABRID que gostaria de ver concluídas. Quais são elas e como está o andamento?

CR: Muitas pessoas tentam buscar a resposta para essas realizações no formato de projetos ou coisas pontuais. É muito mais do que isso. Apesar de termos abraçado e apoiado com sucesso projetos muito importantes o que destaco é a atuação como um todo. Naquilo que muita gente não vê materializado, mas que é fundamental para o sucesso de projetos específicos. Nosso comprometimento com apoio ao governo federal e aos governos estaduais, naquilo que realmente nos compete, que é a parte técnica, foi algo muito marcante.

CR: A implantação nos estados de forma efetiva do RIC é prioridade. Todos reconhecem a importância e diria urgência na implantação desse novo processo de identificação. Agora é preciso fazer com que os estados possam iniciar seus procedimentos e finalmente ver em prática o resultado desse importante projeto de fortalecimento da cidadania ocorrido no Brasil nos últimos anos. Como consequência disso, teremos a massificação da certificação digital, instrumento fundamental para todo brasileiro, independente de classe


social, participar ativamente da nova realidade social e econômica do país. Isso é inclusão social.

CR: Primeiro, a consolidação de tudo que foi feito até agora. Em paralelo, colaborar para que o Brasil continue à frente dos importantes projetos de identificação digital e que possa compartilhar suas experiências com outros países, com foco nesse momento, nos parceiros do Mercosul. Atuar em cenários que possam conduzir ao sucesso de projetos embasados na economia verde é algo que com certeza vamos participar. id: Certamente, o RIC é um grande desafio para o setor de identificação digital. O Brasil está pronto para implantar este megaprojeto? CR: Sim. Isso não é mais um projeto, é uma realidade e uma necessidade. Nesse momento, bilhões de reais escorrem todos os dias para um buraco sem fundo - dinheiro decorrente de fraudes, ou gastos para tentar inibir as mesmas. Apenas uma simples conta de “quanto se economizaria com o RIC”, já seria suficiente para entender sua necessidade urgente. Não precisamos sequer fazer contas de valores “diretos” com fraudes, etc... Basta fazer a conta do valor social, da economia verde! Quantos deslocamentos deixariam de ser feitos pelo cidadão dotado de um cartão de identidade com certificado digital? O quanto isso representa em termos ambientais? Em economia de combustível? Enfim, o Brasil está sim, tecnicamente, totalmente pronto para entregar esse valioso instrumento a todo brasileiro.

wenderson araújo

id: Bom, falamos de passado e presente, claro, o futuro não poderia ficar de fora. Quais os planos para o novo mandato à frente da Associação?

id: Ainda sobre o mercado de identificação digital, o que há de novo acontecendo no Brasil e no mundo? CR: A tecnologia não dá trégua. Temos avanços diários. Soluções são despejadas sobre nós a cada momento. Acredito que os aplicativos a serem utilizados, tendo como instrumento um smart card como o do RIC, serão os grandes destaques. id: Para finalizar, o senhor está muito empenhado no movimento “Por Respeito à Cidadania”. Qual o paralelo entre este trabalho e a atuação na ABRID? CR: O movimento Por Respeito à Cidadania possui quatro pilares básicos: tecnologia, meio ambiente, turismo e esportes. A intenção é discutir como utilizar estes temas no fortalecimento da cidadania no Brasil. O trabalho que desenvolvemos na ABRID está dentro dos critérios que traçamos para o movimento. Isso me dá tranquilidade para caminhar de forma independente nos dois projetos, pois apesar de serem totalmente independentes e desvinculados, ambos possuem a mesma essência, a cidadania.

EDSON REZENDE Diretor de Identificação Digital idigital: Olhando para os últimos quatro anos, de que forma a ABRID ajudou na solidificação do seguimento de identificação digital no Brasil? Edson Rezende: A ABRID veio marcar uma nova história na identificação digital no Brasil. Vamos conhecer e falar sobre esta tecnologia em dois marcos, antes e depois da criação da ABRID. Foi uma verdadeira revolução com a junção de inúmeras empresas, as maiores e mais conceituadas no mundo atual, capitaneadas pela ABRID. Isto movimentou o mundo da identificação digital no país, fazendo movimentarem-se, também, inúmeros órgãos públicos responsáveis por este segmento e que necessitavam de um norte, de um apoio e de uma injeção de ânimo para fazer caminhar toda esta máquina tão importante e necessária, em benefício do cidadão brasileiro que passa a ter ao seu alcance cada vez mais ferramentas tecnológicas dando maior comodidade e segurança nas suas atuações. janeiro - fevereiro - março 2012 | 17


id: Para o novo mandato, também de quatro anos, o que o senhor destacaria como prioridade para a Diretoria de Identificação Digital da ABRID? ER: Para um novo mandato, com certeza, a Diretoria da ABRID deverá dar continuidade com a sua política de apoiar e incentivar os mais variados órgãos públicos e empresas privadas na busca de novos desafios e na consolidação dos projetos em andamento, que são muitos e importantes. id: A Associação tem uma equipe pequena de colaboradores, mas um rol significativo de conquistas. Como é o dia a dia de trabalho na ABRID? ER: A divisão de tarefas, dedicação, motivação e apoio das empresas associadas possibilitam a concretização e alcance de metas traçadas, principalmente vendo que os resultados são possíveis e que trarão benefícios para toda uma sociedade e o país como um todo. A pequena, mas dedicada, equipe da ABRID trabalha em um ambiente muito saudável, possibilitando maior rendimento nas atividades desenvolvidas. id: A entidade tem um agitado calendário de eventos anualmente. De que forma a participação ou apoio a esses eventos ajuda no desenvolvimento do setor de identificação digital? ER: A cada ano a ABRID tem se envolvido em um maior número de eventos voltados, principalmente, para a implementação constante de novas tecnologias disponíveis no mercado mundial, e que as empresas associadas são detentoras, para uso do mercado e do cidadão. São

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eventos de grande vulto, que alguns temos a total responsabilidade de organizar, outros como co-organizadores, e outros ainda como apoiadores institucionais. Vemos que a atuação da ABRID tem sido reconhecida positivamente, pelo número de solicitações de apoio e participação que temos recebido dos mais variados segmentos, dando a certeza que a ABRID já conquistou uma confiança muito grande, no pouco tempo que tem atuado, tanto de órgãos públicos federais, estaduais, autarquias, associações representativas de classes e iniciativa privada. id: Ainda falando dos eventos no setor, quais são os destaques para 2012? ER: Este ano temos grandes eventos nos quais devemos atuar fortemente nas suas organizações e patrocínio, destacando a 10ª Edição do Certforum, realização do Instituto Nacional da Tecnologia da Informação-ITI, autarquia ligada à Casa Civil da Presidência da República; os RIC-Workshops Regionais, realizados pelo Conselho Nacional dos Dirigentes de Órgãos de Identificação Civil e Criminal-CONADI, estes eventos sendo realizados nas cinco regiões do país; do grande evento ICMEDIA, realizado pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais-APCF e apoio da Polícia Federal; além de apoio institucional em inúmeros outros eventos, a exemplo da CARDS Payment & Identification, LAAD Security 2012-Feira Internacional de Segurança Pública, ISC Brasil, EXPOSEC 2012, 1st Latin American High Security Printing Conference, etc. id: O senhor tem participação

direta em importantes grupos de trabalho de projetos voltados para a identificação, especialmente o RIC. O Brasil está no rumo certo na área de identificação digital? ER: Os esforços do Ministério da Justiça, principalmente da Secretaria Executiva do órgão, do ITI, da Polícia Federal através dos Institutos Nacional de Criminalística-INC e de Identificação-INI, dos órgãos de Identificação dos Estados e DF com um apoio constante da ABRID, juntamente com suas associadas, tem proporcionado, conforme já falamos, um momento histórico para o Brasil implantar o mais moderno e seguro sistema de identificação civil do mundo, com moderníssimas tecnologias que possibilitarão ao cidadão brasileiro ter em mãos não um simples documento de identidade, mas um instrumento de múltiplas e importantes utilizações, dando segurança, comodidade e modernidade nas mais diversas atividades do seu portador. id: Sobre o RIC, de que forma a ABRID e suas associadas podem ajudar na implantação da iniciativa, uma das maiores no setor em todo o mundo? ER: Não é somente uma ajuda, com todo orgulho, podemos afirmar que a ABRID e suas associadas têm se traduzido em importantíssimo e indispensável apoio aos órgãos públicos responsáveis pela árdua, mas importante, tarefa de tornar realidade o então Projeto RIC, que vai colocar na história do Brasil este período de grande avanço tecnológico nesta área, tão importante pois a identificação civil com a emissão do respectivo documento é a base de todas as outras lidas do cidadão no seu con-


id: O brasileiro gosta muito de tecnologia. De que forma essa predileção beneficia o país na implantação de grandes iniciativas na área, como a certificação digital e o próprio RIC? ER: As ferramentas tecnológicas disponíveis no mercado atual dão as mais variadas possibilidades de comodidade e segurança ao cidadão que as utiliza. O brasileiro tem procurado usar todo este vasto campo ao seu dispor, buscando as facilidades que lhes estão sendo colocadas com modernas tecnologias que, diariamente, são introduzidas no mercado. Com o RIC, cujo cartão vem com as mais modernas tecnologias embarcadas, inclusive com certificado digital, o seu portador terá inúmeras possibilidades de uso, e o brasileiro que sempre busca as modernidades que lhes são disponibilizadas, com certeza fará deste cartão um instrumento muito útil no seu dia a dia, com mais segurança, comodidade e agilidade nas muitas tarefas diárias que poderá

divulgação

vívio com toda a sociedade em que vai estar atuando nas mais variadas formas. E uma identificação segura é um dever do estado em benefício do cidadão para ver sempre resguardados seus direitos básicos, evitando os mais variados e elementares golpes e invasões de privacidade que um processo frágil, semelhante ao que hoje convivemos, propicia, dando aos criminosos os mais variados meios de fraudes com prejuízos incalculáveis ao cidadão e ao Estado. O RIC vem para tornar todo este processo seguro e eficaz, trazendo ao brasileiro a possibilidade de maior segurança nas atividades cotidianas e será um processo modelo para outros países, com certeza.

executar com o cartão. Acreditamos que, após o início da emissão deste documento, a sua procura deverá ser bastante grande e sua utilização, ainda maior. A expectativa do início da emissão deste moderníssimo documento é ainda em 2012, coroando os esforços de inúmeras pessoas que têm lutado a longos anos para ver este momento chegar. Um documento moderno, seguro e confiável coincide com o Brasil se preparando para sediar e realizar grandes eventos com a participação de inúmeros países cujos cidadãos poderão levar, ainda mais, uma imagem que o país e seu povo merecem, além de entregar ao brasileiro um documento que é sinônimo de cidadania.

FERNANDO CASSINA Diretor de Projetos e Informação Tecnológica id: O senhor assume agora um cargo no comando da ABRID. De que forma a Diretoria de Projetos e Informação Tecnológica ajuda no funcionamento da entidade? Fernando Cassina: Considerando que entre as missões e funções da ABRID estão a promoção de um ambiente de intercâmbio de tecnologias entre os associados, a disponibilização de consultorias técnicas para o desenvolvimento de projetos tecnológicos de áreas afins e o apoio a entidades públicas na concepção

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de soluções que utilizam tecnologias em identificação digital, penso que podemos entender que essa Diretoria tem um objetivo claro e concreto para garantir o funcionamento da entidade. A Diretoria contribui para o cumprimento das diretrizes da entidade e das suas empresas associadas, promovendo-as e analisando a evolução tecnológica do mercado mundial, com a finalidade de propor projetos no país. id: E quais seus planos à frente do cargo, o que precisa ser feito? FC: Tenho vários planos diversificados, já que tecnicamente falando sou multitasking. Por isso, sempre que posso experimento novas tecnologias e penso em como aplicá-las no contexto da ABRID. Além disso, tenho a possibilidade de trabalhar com toda a América Latina e parte da Europa, o que me ajuda a conhecer novos projetos e avaliar as possibilidades de aplicação em nosso país. Entre os projetos que tenho planejado, estão: • Expandir a ABRID para o resto da América Latina, mediante convênios com entidades públicas e particulares nos demais países; • Promover, por meio da ABRID, a interoperabilidade dos sistemas e o intercâmbio de informação biométrica nacional e regional na América Latina; • Propor a atualização das tecnologias biométricas dos estados e do governo federal, mostrando o quanto isso pode ser eficiente; • Auxiliar as entidades públicas e particulares do Brasil, propiciando, através da ABRID, a padronização dos formatos de intercâmbio de impressões digitais, rostos e íris, com o objetivo 20 |

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de estabelecer um único modelo para os diferentes fornecedores. Definitivamente, colocar o Brasil à altura das nações mais desenvolvidas no campo da tecnologia de identificação biométrica significa optar por pertencer a um mundo globalizado, ao invés de ficar ilhado tecnologicamente. id: O senhor é argentino e tem longa atuação em toda a América Latina: Que diferenças vê no seguimento de Identificação Digital nos países da região? FC: Em primeiro lugar, quero dizer uma coisa: sou argentino de nascimento, latino-americano de alma e brasileiro de coração. Os países da América Latina foram percursores na necessidade da identificação por meio das impressões digitais. Foi um latino-americano que desenvolveu o primeiro sistema datiloscópico. A maior dificuldade dos nossos países é a modernização das formas de trabalho e passar do papel para um sistema informatizado eficiente. Para muitas pessoas, parece inacreditável que o primeiro país da América Latina com uma cédula de identidade de qualidade internacional com chip tenha sido a Guatemala, um dos estados mais inseguros e pobres da região. No entanto, o governo de Guatemala percebeu que não era viável identificar a sua população de forma confiável e deu esse grande passo, sem a necessidade de fazer um grande investimento ao optar pelos contratos de concessão. Em cada país, os governos têm uma forma diferente de encarar o tema da identificação digital, assim como também têm distintas maneiras de administrar os seus estados. Todos sabem para onde devem ir, mas nem todos se direcionam para o mesmo lugar. O que deveriam fazer? Optar pelo

uso da biometria como instrumento de identificação único das pessoas como um meio para transcender as fronteiras na luta contra a criminalidade. Por diferentes razões, os países de primeiro mundo foram pioneiros na necessidade de intercambiar informação dos seus cidadãos. O objetivo da Eurodac era comprovar a identidade de pessoas que procuram asilo em outro país. Já a necessidade da Convenção de Prüm corresponde a aprofundar a cooperação entre os países para combater o terrorismo, a criminalidade nas fronteiras e a imigração ilegal. Mas, na América Latina, estamos começando e não pretendemos correr. Aos poucos, a maioria dos nossos países está incorporando tecnologias biométricas nos seus documentos e no âmbito da investigação policial e forense. id: Como está o Brasil no cenário internacional da identificação digital, estamos acompanhando as tecnologias do setor em uso em outras nações mais avançadas? FC: O Brasil foi um dos primeiros países da América Latina em ter um sistema Afis. Isso significou um grande progresso para a investigação criminal e, a partir daí, continuamos evoluindo, como por exemplo, com a criação do RIC. Atualmente, nenhuma pessoa no Brasil teme a modernização tecnológica nem a utilização das impressões digitais, pensadas a princípio como uma questão meramente policial. Até os bancos estão incorporando a biometria para assegurar as suas transações e evitar fraudes. Acredito que há muitas oportunidades novas para o setor e que os eventos de importância mundial futuros, como a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas, farão que o nosso país comece a usar de maneira massiva todos os tipos de identificação possíveis, o que resulta-


rá no uso intensivo de novos tipos de reconhecimento ainda não implantados no Brasil: facial e íris. id: O senhor certamente está familiarizado com o projeto do RIC, o que pensa da iniciativa? FC: Parece uma iniciativa mais que interessante e acertada. Devido ao incremento do número de atentados e ao crescimento acelerado das atividades clandestinas ou fraudulentas, a identificação dos cidadãos é uma tarefa que se transformou numa atividade crítica para a segurança do Estado. Não é viável que uma mesma pessoa tenha diferentes identidades em distintos estados brasileiros. Por isso, já estava mesmo na hora do Brasil ter um registro único para todos os cidadãos. Dessa forma, a implantação de uma cédula de identidade única, que inclua todas as seguranças e exigências de padrões internacionais, vai permitir a identificação das pessoas que circulam pelo território nacional de uma forma mais confiável e rápida. Este documento de identidade possuirá um chip que vai conter as características físicas - biometria, o que vai permitir a identificação sistemática de uma pessoa. Além disso, o sistema vai comparar automaticamente essa biometria com outras gravadas na base de dados nacional. id: De que forma um cartão como o RIC pode beneficiar a vida de brasileiros nos mais distantes pontos do país? FC: De muitas formas, mas principalmente porque vai permitir a identificação plena e única das pessoas. O RIC preserva o direito à identidade, que é um direito primário, uma vez que, ao proteger a identidade das pessoas, estamos também protegendo os seus direitos a participar, ter acesso, pertencer a

um grupo, preservar os seus bens, etc. Mas também, o RIC é uma forma de recordar que cada cidadão pertence e se sente parte de um país, o Brasil. O RIC foi criado para facilitar a vida do brasileiro e vai beneficiar a população, no sentido de que será um único documento em todo o território que garante a manutenção dos mesmos dados e também o mesmo número de documento independentemente do Estado onde se encontra o cidadão. Além disso, vai possuir um instrumento seguro, confiável e inviolável. Por outra parte, o governo se beneficia por contar com uma base de dados única de todos os habitantes do território brasileiro e isso também repercute a favor dos cidadãos. Talvez as pessoas se perguntem de que maneira poderiam ser beneficiadas. No caso dos países que passaram por grandes catástrofes, os sistemas biométricos nacionais foram utilizados para identificar as vítimas. Como veremos, a iniciativa do RIC vai mudar a vida dos brasileiros de maneira que não podemos nem sequer imaginar. id: O senhor é especialista na área de tecnologia. Como está este mercado e o que vem de novo por aí? FC: Todos os dias encontramos alguma novidade, algo que se originou nos filmes de ficção científica e se transformou em realidade. O mercado de biometria está num processo de aperfeiçoamento constante, com a finalidade de melhorar a precisão e o desempenho dos sistemas, mas também para se popularizar e diminuir os custos dos seus dispositivos. Atualmente, há um dispositivo que está chamando a atenção do comprador. É um leitor de impressões digitais e veias, que permite a obtenção de capturas biométricas com uma melhor fidelidade. Também

poderíamos falar dos novos dispositivos chamados ‘on the fly’, que são leitores biométricos -de impressões digitais, rosto ou íris - que fazem as capturas sem a necessidade do contato, o que os tornam menos invasivos para as pessoas. id: A tecnologia revoluciona constantemente o cotidiano das pessoas, tornando-o mais fácil. No entanto, há quem reclame da falta de tempo exatamente por causa de novas demandas tecnológicas no dia a dia, como o uso de smartphones ou redes sociais. Será que falta algo na relação do homem com a tecnologia para deixá-la mais harmoniosa? FC: A tecnologia permite planejar e criar bens e serviços que facilitam a adaptação ao meio ambiente e a satisfazer tanto as necessidades essenciais como os desejos das pessoas. A evolução tecnológica cria o desejo e a necessidade dos bens e serviços nas pessoas. Como você disse na pergunta, o homem está se transformando num escravo da tecnologia, não só pelo tempo que se dedica a ela, senão também pela necessidade imperiosa do ser humano de possuir uma quantidade maior e melhor de bens. E, quando finalmente acredita que cumpriu a sua meta, um novo produto sai à venda e, novamente, fica desatualizado. É difícil que o homem consiga uma harmonia com a tecnologia, pois vivemos numa sociedade consumista e globalizada, aonde os últimos descobrimentos chegam rapidamente a qualquer ponto do mundo, e começa uma onda desenfreada de consumo. Ao mesmo tempo, há o lado bom e devemos agradecer esta oportunidade à revolução industrial, porque pior seria pensar que existem inovações tecnológicas que nunca estarão ao nosso alcance. janeiro - fevereiro - março 2012 | 21


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Sustentabilidade para o futuro Diálogos Sociais Rumo à Rio+20 debatem Acordo sobre Desenvolvimento Sustentável

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wenderson araújo

»» Da esquerda para direita: Ministro Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Pedro Pontual, diretor de Participação Social da Secretaria Nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência

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e olharmos para o futuro, ele será verde e sustentável. Este é o grande desafio da conferência Rio+20 e dos Diálogos Sociais: Rumo à Rio+20. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável vai ser realizada no Rio de Janeiro entre os dias 13 a 22 de junho de 2012, vinte anos depois da Eco-92, e deve definir as ações para o desenvolvimento sustentável nas próximas décadas. Na pré-pauta do evento está o Acordo sobre Desenvolvimento Sustentável, tema que foi debatido pelo governo federal durante a Agenda Nacional de Desenvolvimento Sustentável no dia 15 de fevereiro, em Brasília. O objetivo da Agenda foi ampliar o diálogo e a mobilização social em torno do desenvolvimento sustentável. O foco principal foi o papel das Agendas Nacionais de Desenvolvimento Sustentável, com o debate dos objetivos, metas, indicadores e mecanismos de gestão e controle social 24 |

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para garantia da efetividade em nível local, regional, nacional e global (confira no quadro da página 25). A programação da Agenda Nacional de Desenvolvimento Sustentável iniciou-se com a abertura feita pelos ministros Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Para Carvalho, o debate é essencial para produzir contribuições para o documento da Organização das Nações Unidas (ONU) e a participação da sociedade será de grande importância na Conferência do Rio. “Esse documento será um novo salto para humanidade em uma nova forma de organizar a vida e a sociedade e nossos trabalhos irão contribuir com o documento”, disse. Moreira Franco deu ênfase à boa expectativa que se tem com os trabalhos preparatórios para a Rio+20. “O Brasil trará um caráter democrá-

tico e mobilizador para a Rio+20, o país já pode dar um exemplo no que diz respeito ao crescimento com inclusão social”, falou. Os cinco painéis do evento compuseram uma agenda de debates em torno do Acordo sobre o desenvolvimento sustentável. Entre os coordenadores dos painéis estiveram Tânia Bacelar, conselheira do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Rodrigo Loures, conselheiro do CDES, presidente da Nutrimental e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI); Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA); Moema Miranda, membro do Comitê Facilitador da Rio+20 e IBASE, e Artur Henrique Silva Santos, conselheiro do CDES e presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Os Diálogos Sociais fizeram uma


importante recomendação para A Conferência, a de que é importante deflagrar e organizar processos que gerem planos de governo a serem implementados, monitorados e avaliados, prevendo responsabilidades compartilhadas e que contemplem uma governança participativa em vários níveis e com vários atores. Para o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital (ABRID), Célio Ribeiro, os trabalhos para a Rio+20 são essenciais para o uso de tecnologias sustentáveis. “A tecnologia e seu uso de forma sustentável é fundamental para trabalharmos um futuro baseados nos pilares da Rio+20 de desenvolvimento econômico, proteção ambiental e inclusão social”, ressaltou.

»» Histórico O Acordo para o Desenvolvimento Sustentável foi entregue, em 2011, à presidenta Dilma Rousseff e à Comissão Nacional da Conferência Rio+20. Ele é resultado do diálogo social coordenado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), com a participação de mais de 70 instituições, e contribuiu para o documento brasileiro enviado à ONU para preparação do documento inicial da Conferência Rio+20. O “Esboço Zero” é um documento coletivo que traz as contribuições nacionais de todos os estados membros como proposta inicial para o texto a ser adotado na Rio+20. Este documento coloca a educação como área prioritária de atuação. Os Diálogos Sociais: Rumo à Rio+20, realizados pelo CDES em

parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República, são uma série de eventos que visam discutir temas contidos no Acordo para o Desenvolvimento Sustentável, com o objetivo de aprofundar os consensos que farão parte da contribuição brasileira durante a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) – Rio+20 - , em junho de 2012, no Rio de Janeiro. As diversas edições dos Diálogos Sociais trataram de temas como a importância da sociedade civil para a segurança alimentar e nutricional, as agendas nacionais de desenvolvimento sustentável e educação. A ABRID foi uma das instituições apoiadoras dos Diálogos.

Entre os principais pontos apresentados no Acordo para o Desenvolvimento Sustentável, estão os seguintes itens: • Fortalecer o papel do Estado como indutor do desenvolvimento, através do investimento em políticas integradas de sustentabilidade, administração dos recursos políticos e econômicos, além de cumprir o marco regulatório ambiental. • Gerar oportunidades de trabalho e garantir educação profissional e avaliação do impacto dos projetos e obras de adaptação e mitigação do clima, contribuindo também com a geração de empregos e o fortalecimento dos órgãos envolvidos na gestão dessas políticas. • Promover a ampliação de mercados locais, incentivando o

empreendedorismo, o associativismo, o cooperativismo, a economia solidária e o extrativismo sustentável. • Incentivar o desenvolvimento regional e local, por meio de planos territoriais locais, soluções apropriadas e políticas integradas de inclusão social e de sustentabilidade. • Investir em ações para a preservação, recuperação e conservação dos recursos naturais, com o objetivo de melhorar a qualidade ambiental dos ecossistemas e reduzir o desmatamento. • Implementar políticas e ações que promovam a redução das desigualdades de raça, etnias e

gênero, viabilizando a inserção plena de comunidades tradicionais, como os indígenas e os pescadores artesanais, no processo de desenvolvimento sustentável. • Desenvolver e incentivar padrões de produção e consumo mais sustentáveis. • Promover práticas e tecnologias agrícolas destinadas à conservação dos recursos naturais, agroecologia e priorizar políticas públicas para erradicar a fome e a pobreza. • Fomentar a articulação entre governos e sociedade civil para garantir a eficácia do desenvolvimento sustentável.

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Esperamos que a Rio+20 seja um grande acontecimento mundial, com desenvolvimento da prática do desenvolvimento sustentável e não apenas um evento governamental, mas uma soma do governo com a sociedade.” Gilberto Carvalho – Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República

O Brasil já pode dar um exemplo, na última década ele teve avanços significativos na inclusão social e no desenvolvimento sustentável. A Rio+ 20 é um importante espaço para o debate sobre o crescimento brasileiro com inclusão e preservação.” Moreira Franco - Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República

É importante trabalharmos por um desenvolvimento econômico com qualidade de vida para a população. Incluir o tema da sustentabilidade na agenda pública, da sociedade e das empresas com responsabilidade socioambiental. E é importante termos indicadores para avaliar os resultados.” Tânia Bacelar - conselheira do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e professora da Universidade Federal de Pernambuco Temos uma grande responsabilidade em construirmos um documento que possa contribuir com uma convergência política, econômica e social em torno da sustentabilidade ambiental para um dos eventos mais significativos do início desta década.” Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 26 |

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Nós da sociedade civil temos um momento ímpar de dizer qual é este novo mundo que é possível para todos. É importante construir uma base ampla de atuação da sociedade civil para contribuir de forma crítica para esse novo modelo de desenvolvimento, temos que saber para onde vamos." Moema Miranda, membro do Comitê Facilitador da Sociedade Civil para Rio +20 e diretora do IBASE

Eu sou partidário da economia verde, tenho a convicção que nosso desafio é organizar as dinâmicas econômicas, tecnológicas e sociais de maneira que possamos chegar a um modelo de desenvolvimento sustentável com apoio de todos. Temos que pensar em uma conferência mundial em torno dos objetivos do milênio com uma agenda de desenvolvimento sustentável." Rodrigo Loures, conselheiro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, presidente da Nutrimental e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria

Os setores sociais são de grande importância no debate para a construção desse documento do Acordo do Desenvolvimento Sustentável. É importante sair da Rio+20 com os objetivos do milênio definidos e que tenhamos o apoio e a fiscalização da sociedade no cumprimento desses objetivos. Entre eles temos que ter crescimento econômico com inclusão social." Artur Henrique Silva Santos, conselheiro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e presidente da Central Única dos Trabalhadores

Fotos: wenderson araújo

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entrevista

BRASIL SUSTENTÁVEL Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, ressalta que, com ajuda da sociedade civil organizada, o país tem muitas contribuições a oferecer durante a Rio+20


Antonio Cruz/ABr


entrevista : Gilberto Carvalho

Gilberto Carvalho: A Rio+20 consdigital

movimentos sociais –, com o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República e com a sociedade civil organizada, as contribuições nacionais para o documento oficial da Conferência. Nesse sentido, como subsídios para a Conferência, o Brasil tem a apresentar os avanços nas políticas públicas de desenvolvimento social, como provam as bem sucedidas experiências nos oito anos do governo Lula e no primeiro ano da presidenta Dilma, quando a atuação forte e decisiva da sociedade nos auxiliou na elaboração de uma agenda que busca eliminar as desigualdades e promover o desenvolvimento sustentável.

“A Rio+20 tem tudo para ser um marco histórico nas discussões sobre desenvolvimento. Por não ter caráter legislativo, mas deliberativo, a Conferência é voltada para a obtenção de resultados práticos”

Idigital: O governo está fortemente empenhado em ampliar o debate sobre o desenvolvimento sustentável como forma de preparação para a Rio+20. O Brasil vai chegar com boas contribuições para o encontro do Rio?

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titui uma ocasião para o Brasil afirmar sua posição de referência na discussão sobre desenvolvimento sustentá-

vel. Tendo em conta que a Rio+20 não vai focar somente nas questões do meio ambiente, mas vai tratar do desenvolvimento sustentável em seus três pilares: social, ambiental e econômico, estamos construindo junto com a Comissão Nacional para a Rio+20 – colegiado composto pela sociedade civil, academia, governo e wenderson araújo

O

Brasil está pronto para ser protagonista do desenvolvimento sustentável nos debates da Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre o tema que acontece no Rio de Janeiro de 20 a 22 de junho. A garantia é do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que falou à idigital com exclusividade sobre o evento e também a respeito dos avanços registrados no Brasil nos últimos anos. Gilberto Carvalho está no Palácio do Planalto desde o primeiro mandado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para quem chefiou o gabinete pessoal por oito anos. Agora, com a presidenta Dilma Rousseff, Carvalho coordena a Secretaria-Geral e é uma espécie de braço direito da presidenta. Paranaense de Londrina, Gilberto Carvalho é formado em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná e estudou Teologia por três anos no Studium Theologicum de Curitiba. Trabalhou como soldador de 1975 a 1984, em fábricas em Curitiba e no ABC paulista. Militou na Pastoral Operária Nacional, ligada à Igreja Católica, entidade da qual foi secretário-geral entre 1985 e 1986. Homem de partido, exerceu vários cargos no PT, como presidente do Diretório no Paraná, secretário nacional de Formação Política e secretário-geral nacional.

id: Nestes 20 anos, desde a Eco92, que balanço pode ser feito em relação ao desenvolvimento sustentável? O mundo, e o Brasil especificamente, evoluiu nesta área no espaço de tempo entre as duas conferências? GC: Muita coisa mudou desde a Conferência em 1992. Tivemos mu-


danças nas relações entre os Estados, mudança na relação entre as pessoas e mudanças nos meios de produção, distribuição e consumo. As crises nos permitem recolocar com força a ideia de que as soluções passam por estratégias de longo prazo, nas quais o protagonismo do Estado é muito importante. Hoje, o Brasil vive outro patamar em relação há 20 anos. O país tem muito a dialogar com os outros Estados, assim como, demonstrar experiências bem sucedidas no que se refere ao desafio de superar as desigualdades e distribuir renda. Portanto, precisamos explorar o nosso protagonismo no desenvolvimento sustentável. Na última década, o país foi palco de um processo democrático que é parte constitutiva do desenvolvimento sustentável. Foi nesses 10 anos que obtivemos uma geração recorde de empregos, a ascensão social para a classe média de 31 milhões de brasileiros, a adoção de uma política externa altiva e soberana, com destaque para as políticas de eliminação das desigualdades, inclusão social e emancipação cultural dos povos, entre outros. id: E para a Rio+20, que tipo de resultados podem ser esperados? GC: A Rio+20 tem tudo para ser um marco histórico nas discussões sobre desenvolvimento. Por não ter caráter legislativo, mas deliberativo, a Conferência é voltada para a obtenção de resultados práticos. Além disso, é esperado que a mobilização de empresas, organizações e movimentos

sociais também possa auxiliar na constituição de resultados positivos e práticos. O debate sobre este “novo desenvolvimento” não poderá deixar de abordar a dimensão democrática, presente nos três conhecidos pilares do desenvolvimento sustentável. Por ser rara e ambiciosa, podem sair da Conferência estratégias de monitoramento, com indicadores, do desenvolvimento sustentável, ou seja, reforçar outra métrica para a aferição do desenvolvimento, com foco na sustentabilidade. Os compromissos assumidos a partir da Rio+20 serão tanto mais efetivos na medida em que a participação da sociedade for considerada como um elemento central de todo o processo, seja na elaboração dos acordos a serem aprovados, seja no controle social e acompanhamento de sua execução.

papel a cumprir em um evento com a Rio+20? GC: Compreendemos a participação social como parte integrante do conceito de desenvolvimento sustentável. É neste cenário que a sociedade civil organizada tem uma importância mais do que fundamental. A Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, evento organizado pela sociedade civil global, e que acontecerá paralelamente à Rio+20, é um espaço onde a sociedade demonstrará, assim como há 20 anos, os seus anseios e suas propostas para a consolidação de um mundo melhor. O Brasil está consciente de que o crescente engajamento da sociedade civil nas discussões a serem apresentadas na Rio+20 é fundamental para que o conceito de desenvolvimento sustentável ganhe maior densidade. Para tanto, o governo brasileiro realizará, juntamente com a ONU, durante a Conferência, diálogos com a sociedade civil. Este será um espaço voltado para a interação entre diversos atores da sociedade civil, com destaque para personalidades internacionais de notório saber. Destes debates serão indicados relatores para encaminhar as considerações da sociedade civil aos chefes de Estado. Tão importante quanto a participação do governo é a pressão e a participação da sociedade na discussão sobre o tipo de desenvolvimento que vamos ter no mundo. É nesse ce-

As crises nos permitem recolocar com força a ideia de que as soluções passam por estratégias de longo prazo, nas quais o protagonismo do Estado é muito importante”

id: A ABRID também está inserida nos debates da Rio+20. A Associação apoiou uma série de Diálogos Nacionais em preparação à conferência. A sociedade organizada tem um

“Tão importante quanto a participação do governo é a pressão e a participação da sociedade na discussão sobre o tipo de desenvolvimento que vamos ter no mundo”

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entrevista : Gilberto Carvalho nário, que a nossa expectativa é que a Rio +20 possa ser o maior evento com participação social já realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Para que isso se torne realidade, estamos de braços dados, governo e sociedade, no esforço para que a Conferência seja bem sucedida.

GC: O Comitê Nacional de Organização (CNO), órgão do governo responsável pela questão logística da Conferência, em conjunto com a ONU, está empenhado em garantir que a Rio+20 seja uma Conferência

“A economia verde inclusiva deve contribuir para a diminuição das desigualdades, gerar empregos dignos, promover o uso sustentável dos recursos naturais e a inovação tecnológica”

GC: O governo brasileiro pretende aproveitar os debates da Rio+20 para destacar, como alternativa mundial, o desenvolvimento da economia verde por meio de incentivos à melhoria da qualidade de vida das populações, erradicando a pobreza e estimulando a sustentabilidade. Essa alternativa deve ser associada aos programas de transferência de renda, como os adotados no país, e aos números positivos da economia nacional. A economia verde inclusiva deve contribuir para a diminuição das desigualdades, gerar empregos dignos, promover o uso sustentável dos recursos naturais e a inovação tecnológica. Id: Uma das iniciativas que pode efetivamente contribuir para a economia verde é a chamada desmaterialização, ou despapelização, dos processos. A certificação digital tem uma função importantíssima nesse processo e já é amplamente usada pelo governo, instituições e empresas. O cidadão comum, porém, em geral desconhece a questão. Como a certificação digital pode ser popularizada?

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Id: Dentro dos Diálogos Nacionais Rumo à Rio+20, um tema preponderante é a questão da economia verde – um conceito que envolve a atuação coordenada com base no tripé social-ambiental-econômico para trabalhar pela erradicação da pobreza. De que forma o governo vê o movimento em prol da economia verde?

com baixo uso de papel. Para que isso se torne possível, os pavilhões, salas de discussões e tendas terão pontos de acesso à internet e ferramentas tecnológicas e interativas para distribuição de informações e conteúdos. Em relação à certificação digital, outros órgãos do governo, como o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, podem oferecer uma melhor resposta sobre este assunto. Id: Para finalizar, o Brasil apresentou uma mudança considerável no perfil da sociedade nos últimos anos, com a redução da pobreza extrema e o aumento da classe média. Que avaliação o senhor faz das transformações vividas nos últimos dez anos no país e, dentro desse contexto de mudança social, como a tecnologia pode ajudar na construção de uma sociedade melhor? GC: A evolução no Brasil nas últimas décadas se deve a uma modelo político democrático, que inclui um amplo diálogo com os mais diversos atores da sociedade civil, programas para redução da pobreza absoluta e a distribuição de renda. Hoje, o país vive um momento único, no qual tem a oportunidade de gerar novas ferramentas para diminuir as desigualdades. Somos uma nação rica e, por isso, precisamos transformar essa riqueza em indutora da inclusão, lidando com a questão da saúde, educação, inovação tecnológica e outros importantes temas. Devemos aproveitar essas características para crescer e desenvolver com melhor qualidade ambiental e, com objetivos claros, fomentar o desenvolvimento sustentável inclusivo. Para tanto, o desenvolvimento tecnológico pode nos oferecer estratégias para a consolidação de uma sociedade mais justa e igualitária.


Tecnologia

CASOS e a r t i g os

Cada empresa tem uma história que reflete a forma única encontrada por seus sócios, diretores e funcionários na busca por soluções pela implantação de processos e desenvolvimento de tecnologias. É a soma de um conjunto de fatores que faz de cada empresa, cada grupo, cada corporação um caso de sucesso. Resumir todas essas histórias em um único texto não seria justo para quem desenvolveu tudo isso, nem para o leitor, que perderia conteúdo, a essência da história e a oportunidade de apreender informações que podem provocar mudanças, auxiliar na tomada de decisões, no planejamento do futuro. É por isso que a revista idigital abre espaço para que as associadas ABRID dividam seus casos de sucesso com você. Boa leitura.


3m

Lâmina de Segurança eleva padrão da nova Carteira Nacional do Panamá RESUMO A área de Inteligência em Segurança da 3M recentemente ajudou o Panamá a dar início à produção da nova carteira de Identidade Nacional. Para essa empreitada, a 3M criou um novo centro de facilidades no Panamá, incluindo todos os equipamentos necessários e está fornecendo os materiais para produzir meio milhão de carteiras por ano. A tecnologia adotada para as Carteiras Nacionais do Panamá foi o Color Floating Image, uma tecnologia 3M que consiste em um dispositivo ótico variável (OVD) que oferece um alto nível de segurança visual (overt) e pericial (covert). A Lâmina de Segurança 3M Color Floating Image é uma imagem personalizada que aparece flutuando acima e abaixo da superfície do documento, pode incorporar uma ou duas linhas de cores no gráfico personalizadas, oferece uma combinação de design personalizado desses recursos e pode fornecer recursos periciais e forenses numa base confidencial.

PALAVRAS-CHAVE Lâmina de Segurança, 3M Color Floating Image, Segurança Pericial, Teslin, Forenses e Floating.

ABSTRACT 3M Security Systems Division recently helped the country of Panama begin production of a new national ID card. For this undertaking, 3M created a new centralized personalization facility in Panama, including all necessary equipment, and is providing the materials to produce half a million cards per year. The technology adopted for the Panamá national ID card was 3M Color Floating Image, an optically variable device (OVD) that offers a high level of overt and covert security. The 3M™ Color Floating Image Security Laminate is a customized image that appears to “float” above and sink below the surface of the document, can incorporate one- or two-color line art graphics, custom designed and offers a custom designed combination of these features, and can provide covert and forensic features on a confidential basis.

KEYWORDS Security Laminate, 3M™ Color Floating Image, overt and covert security, Teslin, forensic features , Floating.


CASO / ARTIGO por Waldyr Bevilacqua

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Lâmina de Segurança 3M Color Floating Image está implantada na nova Carteira Nacional do Panamá. A tecnologia é um dispositivo ótico variável (OVD) que oferece um alto nível de segurança visual (overt) e pericial (covert). A lâmina é ativada pelo calor e pode ser fornecida em vários formatos para o uso com substrato base Teslin® ou compostos credenciais de identidade, melhorando as medidas de autenticação do documento, enquanto ajuda a fornecer uma proteção durável e aumentando a evidência de violação. A Lâmina de Segurança 3M Color Floating Image é uma imagem personalizada que aparece flutuando acima e abaixo da superfície do documento. A imagem pode incorporar uma ou duas cores nas linhas dos gráficos personalizados. Essa forte característica de cobertura ajuda os primeiros inspetores a verificarem os documentos de forma fácil e rápida sem a utilização de ferramentas especiais. Além disso, a alta claridade da lâmina permite a visibilidade de impressões de segurança e fotografias no documento. As características periciais de segurança incluem um microtexto cinético, no qual é incorporado os recursos evidentes do Color Floating Image, e pode ser visto sobre uma ampliação de 10x. A característica retro refletiva também é incorpora-

da no Color Floating Image e pode ser vista sob foco de luz. Para uma camada adicional de segurança, a análise forense dos materiais componentes pode ser realizada. A 3M oferece uma combinação de design personalizado desses recursos, e pode fornecer recursos periciais e forenses numa base confidencial. Com essa tecnologia a área de Inteligência em Segurança da 3M recentemente ajudou o Panamá a dar inicio à produção da nova carteira de Identidade Nacional. Para essa empreitada, a 3M criou um novo centro de facilidades no Panamá, incluindo todos os equipamentos necessários e está fornecendo os materiais para produzir meio milhão de carteiras por ano. Como adicional à Carteira de Identidade Nacional, o Tribunal Eleitoral panamenho também contratou a área de Inteligência em Segurança da 3M para produzir as identidades de menores e de estrangeiros. O Tribunal Eleitoral tem a opção de estender o contrato com a 3M de um ano para o ano de 2015. Para produzir as carteiras, a área de Inteligência em Segurança da 3M imprimiu e entregou cartões pré-impressos à base de material Teslin com uma série de recursos de impressão de segurança, sendo o mais notável a Lâmina de Segurança da 3M Color Floating Image. O Color Floating Image é uma imagem personalizada que se movimenta e parece flutuar acima e

abaixo da superfície do documento, além de suas características de segurança visual, pericial e forense - que são incorporadas dentro da lâmina para aumentar a autenticação e proteção do documento de falsificação. Guilloche, impressão arco-íris e microtexto são também pré-impresso no cartão. A nova facilidade de personalização centralizada implementada pela 3M no Panamá fornece a personalização de software 3M, impressoras, equipamentos de alta velocidade e laminador de corte certeiro. O novo sistema de facilidade e personalização ajuda a fornecer um processo mais rápido e de alta capacidade de produção de carteiras. O Tribunal Eleitoral do Panamá estima que esse novo sistema seja capaz de produzir aproximadamente 10 vezes mais carteiras que o sistema anterior. Isso permite que o Tribunal Eleitoral responda mais rapidamente ao aumento global por carteiras de identidade nacional, fornecendo reposição de carteiras mais rápida, assim como a resposta para os picos de demanda que ocorrem durante as eleições e outros eventos nacionais. A Área de Inteligência em Segurança da 3M tem suportado a personalização de materiais e o sistema de equipamentos para a Carteira de Identidade Nacional do Panamá desde 2003. O magistrado vice-presidente, Eduardo Valdés Escoferry, do Tribunal Eleitoral do Panamá, expressou confiança na 3M em criar essa nova solução de personalização: “a 3M tem sido confiável, um fornecedor de longo prazo e suas avançadas tecnologias de segurança tem se provado para nós ao logo dos anos. Ter trazido essa nova tecnologia do Color Floating Image para as nossas carteiras de identidade nacional nos tornou capazes de aumentar o valor e a segurança dessas credenciais para os nossos cidadãos”. janeiro - fevereiro - março 2012 | 37


Certisign

RESUMO O Hospital Samaritano, em São Paulo, integrou 2.500 funcionários no uso da Certificação Digital no Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), além da redução do volume de impressão e armazenamento, o hospital conseguiu reduzir erros de grafia e compreensão no entendimento de documentações e laudos médicos, seja por parte dos profissionais de saúde ou dos pacientes. O projeto aumentou a segurança dos registros dos pacientes, reduziu a necessidade de armazenagem de documentos pelas dependências do hospital.

PALAVRAS-CHAVE Certificação Digital, Prontuário Eletrônico do Paciente e Assinatura Digital.

ABSTRACT Hospital Samaritano, in São Paulo, Brazil, has implemented the use of Digital Certificates and Digital Signatures on its Electronic Medical Record (EMR) system integrating its 2.500 employees. In addition to virtually eliminate printing and document storage of patients records, the hospital was able to reduce errors in spelling and comprehension of handwritten documentation and medical records, whether by health professionals or patients. The project increased the security of patient records and reduced the need for expensive and valuable physical space used for document storage in the hospital premises.

KEYWORDS Digital Certification, Electronics Medical Records, and Digital Signature.

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CASO / ARTIGO

Prontuário eletrônico com certificação digital agiliza atendimento no Hospital Samaritano Por Fabiano Leite

C

ertisign, empresa especializada no desenvolvimento de soluções de certificação digital, em parceria com a empresa E-VAL Tecnologia, desenvolve um projeto personalizado para implantação do certificado digital no Prontuário Eletrônico do Paciente do Hospital Samaritano, em São Paulo.

Com um investimento de R$ 400 mil, a instituição pretende ter o retorno deste projeto em até 24 meses só com a redução de 500 mil folhas de papeis que são impressas pelo hospital todo mês. A instituição integrou 2.500 funcionários no uso da certificação digital no Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), além da redução do volume de impressão e ar-

mazenamento, o hospital conseguiu reduzir erros de grafia e compreensão no entendimento de documentações e laudos médicos, seja por parte dos profissionais de saúde ou dos pacientes. O projeto aumentou a segurança dos registros dos pacientes, reduziu a necessidade de armazenagem de documentos pelas dependências do hospital. Agora os documentos nascem eletronicamente e são armazenados eletronicamente. Tudo isso com a garantia jurídica. janeiro - fevereiro - março 2012 | 39


Segundo Decio Tomaz, Diretor Comercial de Soluções Corporativas da Certisign, “a certificação digital é a solução para redução dos custos dos hospitais com aumento de segurança, tanto para o paciente como para os próprios hospitais além do aumento da produtividade do corpo clínico e facilidade de acesso às informações. Quando implantado o processo com certificação digital, são eliminados todos os esforços administrativos e os erros advindos do uso do prontuário em papel”, conclui. Em 2010, o Hospital totalizou 1,495 milhão de atendimentos e tem como premissa que “tudo tem que nascer do ato da prescrição eletrônica”. E atento a esse detalhe, a implantação do certificado digital no PEP foi realizada de uma maneira que contemplasse também os médicos eventuais ou os chamados de “internistas”, aqueles que prescrevem em nome do médico, mas com 40 |

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os seus próprios certificado digital e dados cadastrados no sistema. Segundo o gerente executivo de TI do Hospital Samaritano, Klaiton Luis Ferreti Simão, “a instituição doou um certificado digital para cada profissional de saúde justamente para incentivar e disseminar de maneira mais rápida o uso da ferramenta. E, com isso, está sendo possível beneficiar todas as áreas do hospital”, afirma. Klaiton explica também que o processo de certificação digital é parte de um projeto de investimentos em novas tecnologias que o hospital tem feito nos últimos anos. “Hoje, o paciente já pode levar para casa a ressonância em um CD ou obter os resultados dos exames pela Internet. Além disso, já estamos normatizados com as exigências do TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar) no que diz respeito a aplicação do PEP. Todo esse investimento também tem um

retorno muito rápido, porque agiliza e reduz o tempo gasto com burocracias internas”, afirma. Em 2010, por exemplo, foram contabilizadas 14.500 internações, 11.141 cirurgias e partos, 135.271 atendimentos de emergência, 1.334.654 de exames realizados e um total de 4.959 pacientes atendidos por dia. E esse processo de infor-


matização, investimentos em novas tecnologias, ampliações e instalações também têm contribuído para que o Samaritano receba, a cada dois anos, a retificação do selo de qualidade da Joint Comission International (JCI). A entidade JCI é uma organização de acreditação mundial de hospitais e laboratórios e uma das exigências para que as instituições tenham o selo é justamente a implantação de um nível elevado de informatização dos processos. »» Desafios Mesmo tendo o apoio de equipes médicas para que o projeto fosse aprovado internamente, após o início da implantação da tecnologia, ainda houve algumas resistências. De acordo com Klaiton, muitos profissionais criticavam a lentidão para que os processos fossem logo concluídos. “Enfrentamos esse problema porque criamos uma estrutura de segurança que nos exigia muitas ferramentas de tecnologia que ainda não estavam disponíveis no mercado”, diz. E para dar esse suporte aos médicos, o executivo do hospital reforça que foi criado também, com esse novo sistema, um plantão na área de TI. “A qualquer momento um profissional de saúde pode ir à área de TI solicitar auxílio para a utilização de um dos sistemas do hospital ou ainda

para solucionar problemas na rede”, detalha o executivo de TI do hospital. Além disso, o executivo destaca que a percepção do paciente ainda é baixa sobre o projeto. “Ele normalmente vai perceber a diferença a partir da segunda vez que retorna ao hospital, pois não haverá mais pilhas de papel na mesa do médico e o histórico dele estará no computador, dentro do sistema”, explica. E como todas as áreas da instituição já utilizam a certificação digital em seus processos, independente do setor que a pessoa tenha sido atendida, haverá seu histórico consolidado em apenas um espaço para que qualquer profissional tenha acesso. Outra parceira deste projeto é a E-VAL, que foi responsável por fornecer os módulos de assinatura que estão integrados no sistema de Prontuário Eletrônico do Paciente, o Tasy, com o qual permitiu a obtenção de uma certificação de Nível de Garantia de Segurança 2 (NGS-2) do processo de certificação de sistemas de registro eletrônico em Saúde (S-RES) pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS). Por sua vez, o Módulo de Assinatura Digital e Certificação em Saúde (MADICS), da E-VAL, contempla todos os requisitos exigidos no processo de certificação SBIS/CFM

(Conselho Federal de Medicina) em forma de serviços, o que facilita o processo de integração com os sistemas de PEP. Além disso, o MADICS oferece estabilidade, alto desempenho, interoperabilidade com uma gama diversa de dispositivos, e garantias de constantes atualizações, tanto regulatórias quanto tecnológicas. Segundo Luis Gustavo Kiatake, Diretor da E-VAL, o projeto do Hospital Samaritano vem consolidar o uso da certificação digital em áreas distintas dentro de um hospital desse porte. “Esse projeto possibilita avaliar ganhos, desafios e, dado seu pioneirismo, as melhorias necessárias nos sistemas e processos. É uma grande contribuição ao futuro da eliminação do uso do papel da saúde”, conclui.

Sobre o Autor Fabiano Leite é formado em Comunicação Social Publicidade e Propaganda pela UNISA, com especialização em Marketing de Relacionamento pela ESPM e pós-graduado em Gestão de Marketing de Serviços pela FAAP. Com nove anos de experiência em TI e passagens por empresas como Citrix e CNT Brasil, desde 2009 é responsável por Marketing de Produtos da Certisign. janeiro - fevereiro - março 2012 | 41


GD Burti

RESUMO Em um mundo onde a busca por segurança tornou-se um tema do nosso cotidiano, utilizar documentos eletrônicos para proteger as informações dos usuários é de fundamental importância para o alcance desta meta.

PALAVRAS-CHAVE Carteira de motorista eletrônica, moderna, verificação móvel, ágil, segura.

ABSTRACT In a wolrd where security became a day to day target, the usage of eletronic documents in order to protect citizens identity is the key to achiving it.

KEYWORDS Eletronic drive license, modern, mobile verification, agile, safe.

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CASO / ARTIGO

O futuro da carteira de motorista eletrônica Por Ingo Liersch

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om a adoção da tecnologia de cartão inteligente para carteiras de motorista, a segurança e proteção contra falsificações podem ser aprimoradas. Como as pessoas estão viajando cada vez mais, a utilização das carteiras de motorista no exterior está aumentando. Para ser possível a verificação mundial da autenticidade das carteiras de motorista estrangeiras, estas precisam seguir um determinado padrão comum. Até agora, isso não foi alcançado. Atualmente, só na União Europeia, há cerca de 110 tipos diferentes de carteira de motorista em uso. Em nível mundial, a variedade é muitas vezes maior. Os problemas resultantes são descritos com exatidão no preâmbulo da EU Directive 2006/126/EC a respeito das carteiras de motorista, em 20 de dezembro de 2006: “Isso cria problemas de transparência para os cidadãos, para a polícia e para a administração responsável pela gestão das carteiras de motorista, levando à

falsificação de documentos que, às vezes, remontam a diversas décadas”. A título de exemplo: uma carteira de papel com uma fotografia grampeada é válida até 2033. Por muitos anos, o governo, os setores interessados e as entidades de padronização têm procurado superar esse problema harmonizando carteiras de motorista em diferentes jurisdições. Embora a diretriz acima mencionada (2006/126/EC) tenha ajudado a padronizar as carteiras na União Europeia, iniciativas consideráveis estão agora sendo feitas sob os auspícios da International Organization for Standardization (ISO - Organização Internacional para Padronização) e International Electrotechnical Commission (IEC – Comissão Internacional Eletrotécnica) para a criação de uma norma mundial para carteiras de motorista eletrônicas. Essas especificações estão formuladas na norma ISSO/ IEC 18013, a maior parte das quais já foram ratificadas.

»» Norma global para carteira de motorista eletrônica A norma ISO/IEC 18013 define um documento de identidade que pode servir como habilitação internacional e doméstica. A carteira de motorista compatível com a norma ISO possui um formato ID-1 e armazena dados pessoais e do veículo de forma legível tanto para pessoas como para máquinas. Até agora, a norma inclui quatro partes distintas. A Parte 1 define as características físicas e o conjunto de dados básicos, por exemplo, detalhes pessoais e categorias de veículos. A Parte 2 enfoca as tecnologias legíveis por máquinas, enquanto a Parte 3 aborda recursos eletrônicos de segurança. Entre esses recursos de segurança, incluem-se a verificação da integridade dos dados e os mecanismos para o controle de acesso aos dados do chip. A Parte 4 da norma ISO/IEC 18013 trata dos métodos de teste empregados para verificar a conformidade de uma habilitação com as tecnologias definidas nas partes 2 e 3. janeiro - fevereiro - março 2012 | 43


»» Benefícios de uma carteira de motorista inteligente Uma carteira de motorista inteligente com padronização mundial não só melhorará a segurança e proteção dos dados contra falsificações, como também aumentará o escopo das futuras aplicações. Como em relação aos passaportes eletrônicos, onde os dados pessoais são armazenados num microchip que está integrado no documento e podem ser verificados por entidades autorizadas, é possível expandir e aprimorar a carteira de motorista legível por máquina adicionando um microprocessador integrado. Esse chip pode ser utilizado para armazenar não só os detalhes do proprietário da habilitação e os dados biométricos opcionais (por exemplo, impressões digitais), como também as categorias de veículos que o portador tem permissão para dirigir. Essa solução possui diversos benefícios: • Maior proteção contra falsificações: ao armazenar dados pessoais e categorias de veículos num chip integrado, é quase impossível falsificar a habilitação. O chip 44 |

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convencionais. Diversos países já tiram proveito dessa capacidade dupla. Portanto, é importante que a carteira de motorista eletrônica observe as mesmas normas de segurança da carteira de identidade eletrônica. Uma habilitação eletrônica que se duplica como carteira de identidade abre novas possibilidades que excedem muito as de uma carteira de motorista convencional. Entre as possíveis aplicações, incluem-se o uso como documento de viagem e como token de autenticação em interações de governo eletrônico. é protegido: a) restringindo-se o acesso para impedir a modificação dos dados, e b) verificando-se a integridade dos dados por meio da assinatura digital. Essas medidas são uma maneira confiável de impedir mudanças não autorizadas, tal como a adição de uma categoria de veículo. • A possibilidade de proteção dos dados: com a tecnologia digital, pode-se especificar quem está autorizado a acessar quais grupos de dados. A polícia e os órgãos de registro, por exemplo, podem receber um conjunto de direitos de acesso, enquanto as locadoras de veículos recebem outro. O acesso a dados biométricos será negado às locadoras. • A possibilidade de utilização da carteira de motorista como prova de identidade: a habilitação eletrônica utiliza alto nível de segurança para armazenar dados pessoais e biométricos, sendo, portanto, adequada como alternativa às carteiras de identidade

»» Chip sem contato é o preferido A norma ISO/IEC abrange diversas tecnologias que facilitam a leitura por máquina: códigos de barra unidimensionais e bidimensionais, tarjas magnéticas, meios de armazenamento óptico, chips com contato e chips sem contato. Num exame mais apurado, o chip sem contato oferece as maiores vantagens. Enquanto os códigos de barra possuem capacidade de armazenamento muito baixa devido a suas limitações, o mesmo não pode ser dito em relação aos meios ópticos ou aos chips com contato ou sem contato, que são capazes de armazenar quantidades de dados muito maiores. Em comparação com os meios ópticos e os chips com contato, os argumentos em favor do chip sem contato são convincentes. Um chip sem contato oferece liberdade muito maior para os designers de cartão, já que nenhum espaço é requerido para um módulo de chip ou um meio óptico. Como os dados do chip podem ser acessados sem contato físico dire-


to com o leitor e numa distância de até 10 centímetros, pode-se integrar o chip em qualquer lugar dentro do substrato do cartão. Ao contrário dos cartões com chips com contato, os cartões com chips sem contato não precisam ser inseridos num leitor e, portanto, são muito menos suscetíveis ao desgaste. Em consequência, têm muito menos probabilidade de apresentar falhas no uso cotidiano do que os cartões equivalentes com chip com contato. Em geral, portanto, podemos esperar que os cartões com chips sem contato tenham uma vida útil maior. Uma consideração final para termos em mente é o maior conforto e conveniência proporcionados por um cartão com chip sem contato. As locadoras de veículos, por exemplo, podem automatizar o processo de entrega da chave a um cliente no momento da locação de um carro. Se o cliente tiver uma carteira de motorista eletrônica com chip sem contato, ele poderá abrir o dispensador de chaves posicionando sua habilitação sobre o leitor. A carteira de motorista não precisa ser inserida num dispositivo e fica de posse do cliente todo o tempo. Em consequência, não existe o risco de danificar a habilitação dentro de um leitor defeituoso; um problema associado há muito tempo com os cartões convencionais com chip com contato. »» Controle de acesso com dados da MRZ A norma ISO/IEC 18013 define um protocolo seguro de transmissão de mensagens denominado Basic Access Protection (BAP – Proteção Básica de Acesso), que protege os dados pessoais no cartão contra acesso não autorizado e cria um canal seguro de comunicações entre o leitor e o chip. O protocolo utiliza dados impressos sobre a carteira de motorista para confirmar o acesso físico ao docu-

mento. Se o processo de autorização for concluído com sucesso, um canal seguro de comunicações será estabelecido entre o leitor e o chip. O canal assegura que os dados trocados entre o leitor e o chip nunca sejam interceptados nem comprometidos. A edição atual da norma ISO/ IEC 18013 proporciona uma carteira de motorista eletrônica com uma zona legível por máquina (MRZ) de uma única linha, sobre a qual o país emissor pode utilizar as posições de 2 a 29 para armazenar quaisquer tipos de dados. Esses dados são passados por um determinado algoritmo para gerar uma chave, a qual o leitor então verifica em relação à chave sobre o chip. Se as chaves forem idênticas, o leitor terá permissão para acessar os dados sobre o chip, e um canal seguro de comunicações será estabelecido. Seria útil adotar uma norma uniforme para todos os documentos eletrônicos emitidos pelo estado (carteiras de identidade, passaportes e carteiras de motorista), para que possam ser lidos mediante um único dispositivo. Muitos anos já se passaram desde que a International Civil Aviation Organization (ICAO), o órgão responsável pela padronização mundial dos documentos de viagem legíveis por máquina, incorporou um processo similar no protocolo BAP em sua norma técnica pertinente (ICAO Doc 9303). Atualmente, cerca de 170 países são membros da ICAO e, portanto, têm o compromisso de introduzir passaportes legíveis por máquina compatíveis à norma ICAO ou já fizeram isso. No entanto, não há a obrigatoriedade de integrar o chip no passaporte. Para proteger os dados do chip do passaporte eletrônico contra acesso não autorizado, a norma ICAO especifica o protocolo BAC como mecanismo opcional de segurança. Embora o BAC não seja obrigatório

conforme a norma ICAO, todos os países que já adotaram o passaporte eletrônico fizeram isso com o BAC. Como em relação ao BAP, o protocolo BAC utiliza dados impressos fisicamente sobre a superfície do cartão como parte do protocolo de acesso. No entanto, há uma diferença nas especificações da MRZ entre as normas ICAO e ISO. Enquanto a norma ICAO define uma MRZ de três linhas para documentos ID-1 (contendo o número do documento, a data de nascimento do portador e a data de validade), a norma ISO 18013 especifica uma MRZ de uma única linha. É admissível supor que os designers de cartões gostariam de ter o máximo de espaço possível para listar as categorias de veículos. Diversos países já desenvolveram infraestrutura de leitor compatível com o protocolo BAC para dados de chips de passaporte eletrônico. Em vez de instalar dispositivos adicionais compatíveis com o protocolo BAP para permitir que a polícia e os órgãos de segurança acessem dados de carteiras de motorista eletrônicas de acordo com a norma ISO, faria sentido utilizar a infraestrutura existente de passaportes conforme normas ICAO. Dessa maneira, a necessidade de investir em novos leitores para carteiras de motorista eletrônicas se reduziria muito ou até seria eliminada. Em consequência, alguns países podem ser estimulados a acelerar a introdução de carteiras de motorista conforme a norma ISO. Veremos que aspectos serão definidos nas futuras diretrizes e quais dos protocolos discutidos nesse artigo serão utilizados mundialmente algum dia.

Sobre o Autor Ingo Liersch é diretor de Marketing de segmento, divisão de governo, da Giesecke & Devrient janeiro - fevereiro - março 2012 | 45


Gemalto

RESUMO A fraude dentro da área da saúde é um campo lucrativo, para o lucro ilícito é claro. Quase € 110 bilhões foram perdidos devido a erros e abusos na Europa em 2010. Nos Estados Unidos, algumas estimativas para 2003 eram tão elevadas que beiravam os US$ 170 bilhões. Nos últimos anos, surgiram três tendências perturbadoras - sistemas de fraude organizada, exposição intencional da vida ao perigo para obter ganhos financeiros e aumento do roubo de identidades.

PALAVRAS-CHAVE Saúde eletrônica, desenvolvimento, segurança, fraude, governo eletrônico.

ABSTRACT Healthcare fraud is a lucrative field for illicit profit. Nearly €110 billion was lost to errors and abuses in Europe in 2010. In the United States, some estimates for 2003 are as high as $170 billion. In recent years, three disturbing trends have emerged—organized fraud schemes, intentional endangerment of life for financial gain, and an increase in identity theft.

KEYWORDS e-Health, development, security, fraud, e-government.

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CASO / ARTIGO

Saúde Eletrônica: Melhores práticas em prevenção a fraudes Yolanda Varuhaki

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fraude dentro da área da saúde é um campo lucrativo, para o lucro ilícito é claro. Quase € 110 bilhões foram perdidos devido a erros e abusos na Europa em 2010. Nos Estados Unidos, algumas estimativas para 2003 eram tão elevadas que beiravam os US$ 170 bilhões. Nos últimos anos, surgiram três tendências perturbadoras - sistemas de fraude organizada, exposição inten-

cional da vida ao perigo para obter ganhos financeiros e aumento do roubo de identidades. A resposta para combater este problema crescente e dispendioso está em uma abordagem abrangente, que enfatiza o uso otimizado das Tecnologias da Informação (TI). Estas tecnologias são indispensáveis para melhorar a Tecnologia de Informação da Saúde (TIS), sendo especialmente eficazes para impedir a

declaração falsa intencional, captura de informações incorretas e pagamento de benefícios não autorizados. A gestão abrangente de fraudes compreende todos os aspectos legais, técnicos e administrativos para dirigir uma organização de saúde. Os procedimentos sem papel, como os formulários de pedidos de indenização eletrônicos e a conservação de registros em meio digital melhoram significativamente a qualidade dos dados médicos, protegendo a confidencialidade e os direitos dos requerentes. Quando combinadas janeiro - fevereiro - março 2012 | 47


trata das operações dentro de um limite geográfico definido, enquanto as filiais dependentes atendem as comunidades individuais. Uma unidade funcional autônoma supervisiona toda a TIS em todo o país.

com as capacidades de autenticação confiáveis da identificação de cartão com microchip, estas tecnologias robustas podem atacar o cerne dos mecanismos da fraude - muitas vezes com investimentos mínimos em infraestrutura e sem mudanças principais para pacientes e profissionais de saúde. »» Analise o sucesso de outros países Muitas lições podem ser aprendidas a partir do sucesso de outros países. A França  tem uma forte estrutura de banco de dados de longo prazo devido à implantação da identificação com cartão com chip. Isto é evidenciado pelos fundos recuperados pelas autoridades desde 2007. Considerado por muitos como um país na vanguarda das melhores práticas na Europa, o sistema de saúde da

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Eslovênia apresenta administração centralizada e autenticação baseada em cartão com chip. E na Argélia, as autoridades colocaram um fim à fraude organizada que envolvia pacientes e profissionais da saúde ao implementar um contador de gastos que verifica o limite de gastos. »» Instale um órgão central para administrar o sistema como um todo As organizações de saúde bem sucedidas na implantação de um sistema de TIS normalmente instalam, de forma rápida e eficiente, um órgão central para gerir a administração e a manutenção de registros. Este corpo central coordena todos os assuntos legais, técnicos e processuais, assim como a implementação do sistema de TIS, resultados e orçamento. A Eslovênia e a Argélia possuem equipes de projeto dedicadas e responsáveis por implementar soluções completas. Na Eslovênia, foi criada uma rede operacional para garantir o mais alto nível possível de acessibilidade de serviços para os segurados. A rede conta com 10 unidades regionais e 45 filiais para executar as operações. Cada unidade regional

»» Informatize-se para melhorar a qualidade dos dados A arma mais poderosa na luta contra erros e fraudes é o registro consistente de dados administrativos e médicos - que deve ser automatizado sempre que possível. A fim de serem úteis e relevantes, os dados armazenados em prontuários eletrônicos de saúde devem ser estruturados usando terminologia e semântica médicas consistentes. Eles também devem ser prontamente acessíveis aos usuários. O exaustivo banco de dados da França de procedimentos médicos contribuiu significativamente para uma gestão eficiente dos dados administrativos e gestão retrospectiva de fraudes eficaz. Em grande parte, isso se deve à prevalência de formulários eletrônicos - mais de 85% de todos os pedidos de indenização em 2011  eram eletrônicos. O sistema francês também classifica os procedimentos de saúde e as doenças. Isto permitiu o processamento dos pedidos de indenização com base não apenas nos dados administrativos de faturamento, mas também no tratamento e procedimentos prescritos. »» Simplifique a gestão futura de fraudes A tecnologia de cartão com chip oferece meios particularmente eficazes para monitorar processos. Nos sistemas de TIS, o poder da tecnologia de cartão com chip pode ser aproveitado para monitorar os pedidos de indenização ao verificar o tipo de tratamento em questão, assim como a validade dos direitos, auten-


ticação do titular do cartão, valores máximos cobrados e o número total de pedidos de indenização para um determinado período. No atendimento voltado para o paciente, este monitoramento também pode servir para notificar os requerentes através de alertas de e-mail ou SMS. Tal alerta poderia informar aos requerentes que seus cartões foram usados - uma prática comum no setor bancário, usada para monitorar pagamentos internacionais. A inovação nesta área será provavelmente atingida ao focar nas relações com o cliente para redefinir o relacionamento entre as organizações de saúde e os requerentes. »» Faça com que a tecnologia de cartão provoque o cumprimento da lei Na opinião dos médicos franceses, o combate à fraude é de responsabilidade das autoridades da Sécurité Sociale ou da aplicação da lei, e não dos prestadores de serviços de saúde. De sua parte, os farmacêuticos não podem comunicar a fraude porque estão limitados por uma obrigação legal e moral de confidencialidade. A delegação desta tarefa à tecnologia de cartão com chip resolve o dilema para os profissionais da saúde. Quando os parâmetros eletrônicos indicam um risco de fraude, a transação pode ser cancelada. Na  Argélia, o balcão de transação

suspende o cartão após a quarta consulta no período de uma semana. Para prosseguir com o tratamento, o prestador de serviço de saúde pode pedir  que o  paciente faça com que seu cartão seja verificado ou use um procedimento alternativo, tal como formulários de papel seguros. »» Use o registro seguro cara-a-cara Os direitos à cobertura de saúde de uma pessoa são baseados em sua identidade. A identificação positiva da identidade do requerente é, portanto, indispensável para confirmar o direito aos benefícios. Para garantir que a pessoa certa receba o cartão de saúde eletrônica, o registro deve ser feito pessoalmente. O procedimento deve exigir a apresentação de um comprovante de identidade aprovado, tal como documento de viagem seguro. Um meio seguro de identificação é, também, essencial para organizar os gastos da saúde, através da detecção e prevenção da fraude. Isto garante que o próprio sistema de saúde poderá ser financiado no longo prazo. O setor da saúde forma uma parte importante da sociedade no mundo todo e é até mesmo considerado como uma fundação para o desenvolvimento sustentável. »» Aproveite a experiência dos principais participantes do setor Para alcançar o objetivo desafiador, porém possível de reduzir a fraude, as agências governamentais e as organizações de seguro saúde devem desenvolver relações com os parceiros globais da tecnologia que estão bem posicionados para ajudá-los a capitalizar a força da TI - especialmente as tecnologias de cartão inteligente. É importante que eles envolvam os parceiros e fornecedores com experiência de longa data e uma

marca global na segurança digital, identificação e autenticação fortes. A experiência anterior nestas áreas e o compartilhamento das melhores práticas garantem uma maior taxa de sucesso no combate às fraudes. Os fornecedores envolvidos em programas nacionais de identidade eletrônica e saúde eletrônica podem prever melhor as questões de registro, emissão, pós-emissão e verificação eletrônica, bem como as oportunidades para otimizar os recursos. Durante todos os estágios preliminares decidindo especificações e provas de segurança para plataformas de múltiplas aplicações e gestão da vida do cartão, eles podem facilitar o cumprimento estrito das normas, permitindo a interoperabilidade global com outros programas nacionais de governo eletrônico. Os fornecedores com experiência em programas de governo eletrônico também podem ajudar os clientes a se integrarem de forma perfeita com outros serviços online e iniciativas nacionais.

Sobre o Autor Yolanda Varuhaki é, desde novembro de 2010, a responsável de marketing para produtos governamentais de Identificação da Gemalto, abrangendo mercados de identidades nacionais, cartões de residentes e cartões de saúde. Ela está baseada em Paris, França.

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Lasercard

Inovações em dispositivos opticamente variáveis RESUMO Uma necessidade cada vez maior de segurança está estimulando a adoção global de documentos eletrônicos de identidade avançados como a principal maneira de se verificar a identidade e o direito de passagem. Em resposta a essa demanda, a indústria da identificação desenvolveu diversas tecnologias e técnicas de concepção e fabricação de soluções de identidade segura. Em contrapartida, técnicas de fraude e falsificação também estão evoluindo e a maioria dos recursos de segurança convencionais é regularmente comprometida de alguma forma. Este artigo analisa importantes avanços e inovações em dispositivos ópticos variáveis que estão ajudando a manter as soluções avançadas de identidade à frente dos falsificadores e, ao mesmo tempo, criando um equilíbrio entre complexidade e utilidade em situações do mundo real.

PALAVRAS-CHAVE Óptica, inovações, microimagens, padrão difrativo oculto, segurança visual.

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ABSTRACT The increased need for security is driving global adoption of advanced electronic ID documents as a primary means of confirming identity and right of passage. In response to this demand, the ID industry has developed many technologies and techniques in the design and manufacture of secure identity solutions. However, in step with this, fraud and counterfeiting techniques are also evolving and the majority of conventional security features are routinely compromised to some extent. This article looks at important breakthroughs and innovations in optical variable devices that are helping to keep advanced ID solutions ahead of the counterfeiters and at the same time, balance complexity with usability in real world situations.

KEYWORDS Optical, innovations, micro images, covert diffractive pattern, visual security.


CASO / ARTIGO Por Robert Smith

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maior necessidade de segurança está impulsionando a adoção mundial de documentos avançados de identificação eletrônica como meio principal de se confirmar a identidade e garantir o direito de passagem. Em resposta a essa demanda, a indústria de identificação desenvolveu muitas tecnologias e técnicas no desenho e na fabricação de soluções seguras de identidade. Na mesma medida, as técnicas de fraude e falsificação também estão evoluindo e a maioria dos recursos convencionais de segurança está comprometida de alguma maneira. A implementação de infraestruturas de leitores eletrônicos continua aquém da emissão de documentos eletrônicos de identidade. Isso significa que, mesmo em ambientes controlados, tais como pontos de cruzamento de fronteiras ou segurança em aeroportos, a maioria das inspeções e verificações de documentos ainda é “visual”. Criminosos estão cientes dessa realidade e muitas vezes se concentram na produção de falsificações relativamente verossímeis, usando técnicas de digitalização e impressão de última geração. Conforme documentos de identidade eletrônicos conquistam maior aceitação, seu uso como prova de identidade irá, inevitavelmente, se expandir para ambientes não controlados (por exemplo, em locais de trabalho, bancos ou

consultórios médicos), aumentando ainda mais a vulnerabilidade do documento. É um fato incontestável que serão feitas tentativas de se simular os documentos de identidade mais visados e, mais ainda, que algumas dessas tentativas irão enganar algumas das pessoas que examinarem esses documentos. Ao projetar um documento, o emissor deve, portanto, determinar o nível aceitável de ameaças e riscos de cada programa e quais níveis de inspeção deverão ser priorizados. O programa deverá ser projetado para garantir a facilidade de inspeção por parte do examinador mediano, ou o programa deverá ter um peso maior na necessidade de examinadores especialistas ou forenses na autenticação de documentos em segundo ou terceiro nível? »» Níveis de autenticação Os requisitos dos recursos incorporados de segurança no documento de identidade seguro são: autenticação do documento simples e imediata; segurança em camadas com suporte a autenticação de Níveis Um, Dois e Três; e proteção dos dados pessoais do titular contra alterações, falsificação e adulteração. Além disso, a cada nível, os recursos de segurança devem atender as metas específicas dos agentes de inspeção. Em Nível Um, os recursos de segurança devem ser visíveis a

olho nu – ou seja, facilmente detectáveis por inspetores treinados, mas não especialistas, que procurarão certas características na aparência do cartão a fim de diferenciar um cartão falsificado de um cartão autêntico. No cruzamento de fronteiras com tráfego intenso, os inspetores muitas vezes confiam nas características mais óbvias da mídia óptica de segurança, um efeito visual inconfundível com características de reconhecimento fácil e imediato, cuja ausência alerta os inspetores quanto à necessidade de se investigar o portador mais profundamente. »» Quanto é demais? Existe muita discussão em torno de questões como o excesso ou a carência de recursos incorporados de segurança e o nível de sofisticação de um determinado dispositivo visual que possa, na verdade, se sobrepor à intenção original de se prevenir fraudes. Existem alguns recursos de segurança altamente sofisticados que são virtualmente impossíveis de falsificar. Por outro lado, quanto mais complexo o recurso, mais difícil se torna para o examinador ou inspetor que não é especialista, mas se depara com um documento específico de forma ocasional, distinguir algo falsificado de algo genuíno. Um programa pragmático de segurança exige componentes cuja autenticação visual seja simples e direta em uma inspeção preliminar, não necessite de um alto nível de treinamento, cursos de reciclagem e atualização por parte dos inspetores, e que forneça características óbvias de legitimidade, ao mesmo tempo em que oferece recursos de segurança com profundidade e sofisticação que podem ser examinados em níveis subsequentes. janeiro - fevereiro - março 2012 | 51


»» Inovação no dispositivo opticamente variável da mídia óptica de segurança O dispositivo opticamente variável é capaz de impedir tentativas de falsificação que combina sofisticação de projeto com facilidade de implementação. Recentemente, destacaram-se diversos estudos de caso com programas de identificação nacional que usufruem da mídia óptica de segurança por causa de suas propriedades de autenticação visual, resistência a falsificação, segurança em camadas e proteção contra adulteração. Essa tecnologia foi submetida recentemente a diversas inovações essenciais, ressaltando as vantagens de se combinar complexidade e usabilidade de forma equilibrada em situações reais. »» “Microimagens” de resolução ultra-alta Uma das inovações importantes na mídia óptica de segurança enquanto dispositivo opticamente variável (do inglês ‘Optically Variable Device’, ou OVD) é um aumento drástico na resolução de padrões de segurança e microimagens. Estes são masterizados na máscara fotográfica a partir da qual o documento de identidade é produzido, de forma que o mesmo conjunto de padrões e imagens apareça em cada cartão emitido em um programa específico. O risco de falsificações verossímeis foi reduzido enormemente por avanços

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recentes na produção de microimagens e padrões de segurança em documentos de identidade, os quais já podem ter resolução duas vezes maior que a do nível anterior – até 24.000 ppp ou cerca de um mícron. Isso excede em muito a resolução disponível através de qualquer outro dispositivo de cópia, impressão ou digitalização do mercado de impressões, e não pode ser reproduzido por falsários. No entanto, essas características são visíveis a olho nu, ao mesmo tempo em que detalhes mais finos podem ser conferidos com uma lupa e características forenses podem ser verificadas com equipamento laboratorial. Por exemplo, esse nível de resolução permite maior utilização de recursos ultrafinos como nanotexto. »» O padrão difrativo oculto Este é um recurso de baixo custo e alta segurança, masterizado na mídia óptica de segurança no cartão. Ele fornece segurança visual com dispositivo opticamente variável e autenticidade verificável eletronicamente. Gravado na mídia em mais de 20.000 ppp, ele proporciona um forte recurso contra a falsificação. O processo de masterização envolve: criar a imagem difrativa a partir da imagem simples em preto e branco; formatar a imagem com operações booleanas; e masterizar a imagem na máscara fotográfica do documento em alta resolução. A imagem difrativa oculta proporciona excelentes recursos visuais de segurança de Nível 1 com suas características incon-

fundíveis de claro-e-escuro, em conjunto com os recursos de inspeção de Nível 2. A forma visível ao olho nu na superfície do cartão não revela a imagem, exceto quando iluminada por um laser de baixa potência, tal como o encontrado em um ponteiro a laser comum. »» Dispositivos opticamente variáveis personalizados Avanços de natureza optoeletrônica também possibilitaram que imagens de resolução muito maior sejam gravadas a laser permanentemente na mídia óptica de segurança. O resultado é uma imagem de qualidade fotográfica (a partir da qual o portador pode ser identificado) que serve para confirmar a imagem do portador impressa ou gravada a laser na superfície do cartão. Inovações recentes incluem a capacidade de se adicionar marcas d’água (não transmissíveis), imagens fantasma, texto dinâmico (continuamente variável) e padrões em segundo plano que aparecem atrás de outros elementos no dispositivo opticamente variável, fixando imagens personalizadas e dados demográficos no documento de identidade em um padrão determinado. Podem ser usados planos de fundo complexos, incorporando imagens opticamente variáveis, resultando em uma aparência exclusiva que é facilmente reconhecível em uma inspeção visual. Combinações entre certas qualidades exclusivas do titular do cartão podem se tornar visíveis facilmente – por exemplo, data de nascimento, número de identidade, local de nascimento e retrato. Essas informações pessoais são sobrepostas ao corpo do cartão nos estágios finais de personalização, combinando software de imagem, codificador seguro de mídia óptica de segurança e firmware com o registro de banco de dados contendo as informações do titular do cartão.


»» Armazenamento de dados e o dispositivo opticamente variável personalizado O OVD personalizado da mídia óptica de segurança é único, no sentido de que, ao contrário de outros OVDs, ele é capaz de armazenar dados digitais como retratos, imagens biométricas e/ou modelos (impressão digital, íris etc.) e dados biográficos. O tamanho, a quantidade e o posicionamento de imagens opticamente variáveis na faixa óptica de segurança podem afetar a quantidade disponível de armazenamento de dados. Uma inovação importante nessa área tem sido a capacidade de se entrelaçar as capacidades gráficas com as de armazenamento digital. Os clientes podem usar uma imagem à prova de adulteração, relativamente grande, do OVD personalizado para maior facilidade na inspeção visual, sem absorver uma quantidade excessiva de espaço de armazenamento na faixa óptica de segurança. Este avanço foi alcançado depois do lançamento de uma nova cabeça óptica e novo firmware, permitindo que o poder de escrita da cabeça aumente durante a produção do OVD personalizado, resultando, por sua vez, em maior contraste de imagem. Esta é a primeira vez em que é possível tanto gravar uma imagem OVD personalizada como codificar dados na mesma trilha da faixa óptica de segurança. O protocolo de segurança governando o codificador do cartão garante que não seja possível codificar dados autênticos em um cartão não autêntico.

»» Equilíbrio entre inovação e função Hoje em dia, uma infinidade de recursos avançados contra a falsificação e à prova de adulteração já está disponível no mercado, de fios de segurança a padrões guilhochê, microimagens, tintas opticamente variáveis, hologramas e mídia óptica de segurança. Na busca por segurança em um mundo inseguro, os designers de OVDs têm a propensão natural de incorporar cada vez mais recursos ao dispositivo. Muitos OVDs englobam uma variedade de recursos cada vez mais sofisticados que não garantem a prevenção contra imitações verossímeis, mas criar um tipo diferente de vulnerabilidade. O perigo é que o próprio OVD se torne tão complexo que torne impossível para um inspetor a tarefa de lembrar-se de todos os recursos que diferenciam o objeto genuíno. Muitas simulações parecem boas o suficiente para serem aceitas em uma inspeção visual, mesmo quando contêm imprecisões que seriam rapidamente detectadas em uma inspeção de Nível Dois ou Três, especialmente fora de ambientes controlados ou onde inspeções mais profundas só são realizadas raramente. É necessário, portanto, que o fornecedor do OVD garanta que o dispositivo atinja um equilíbrio entre complexidade e facilidade de autenticação, resistência a falsificação e funcionalidade. Uma das funções do OVD da mídia óptica de

segurança consiste na separação específica e deliberada, em diferentes elementos visuais, dos recursos incorporados e em camadas em cada documento. Os recursos mais sofisticados e avançados são, em sua maior parte, visíveis, mas distintos dos elementos mais óbvios. Consequentemente, um examinador menos especializado ou com pressa poderá visualizar, reconhecer e autenticar de forma imediata e confiável os recursos de segurança de primeiro nível, sem precisar de tempo para inspecionar de perto uma única imagem repleta de recursos. Este nível de simplicidade elegante, suportando níveis crescentes de inspeção, permite que a comunidade mais ampla possível de examinadores oficiais possa inspecionar e autenticar o documento de identidade com confiança. No fundo, a segurança visual depende do equilíbrio entre a combinação certa de recursos visuais exclusivos com elementos personalizados que inspetores foram treinados a reconhecer, todos aplicados em camadas e combinados em um único cartão.

Sobre o Autor Robert Smith é gerente Geral da HID Global Government ID Solutionstem e tem mais de 25 anos de experiência no desenvolvimento e na implementação de sistemas tecnológicos no mercado de documentos de identidade seguros.

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NXP

RESUMO A tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) está revolucionando a cadeia de abastecimento e logística, bem como as indústrias e aplicações em geral. Não existe uma solução única e com isso foram impostos desafios no que se refere a compatibilidade das aplicações. Algumas etiquetas RFID operam em alta frequência (HF, 13,56 MHz), enquanto outras operam em altíssima frequência (UHF, 860-960 MHz). Historicamente, cada tag inserida em um espectro de frequência operava com um set diferente de comandos, profile de memória e pacotes de dados incompatíveis. Cada tipo de “tag” oferece vantagens específicas, com base nas suas características físicas únicas, mas até recentemente compatibilidade não era uma prioridade. No entanto, novos padrões de etiquetas HF diminuiram a distância entre a infraestrutura de HF e UHF. Agora, os aplicações podem compartilhar estruturas comuns de dados em diferentes plataformas, que oferecem camadas de aplicação e um esquema de dados compatíveis.

PALAVRAS-CHAVE Identificação por radiofrequência (RFID), alta frequência, UHF, distâncias de leitura, ISSO.

ABSTRACT Radio frequency identification (RFID) technology is revolutionizing the retail supply chain, as well as a myriad of other industries and applications. There is no single, one-size-fits-all solution, which has imposed challenges with application compatibility. Some RFID tags operate at the high frequency band (HF, 13.56 MHz) while others operate in the ultra high frequency band (UHF, 860 to 960 MHz) – this is not an insurmountable issue, but historically tags in each respective spectrum communicated with a different command set (protocol) and memory profile with incompatible data packets and structure

KEYWORDS RFID, high frequency, HF, ultra high frequency, UHF, read distances, International Organization for Standardization, ISO.

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CASO / ARTIGO

Novos Padrões de Alta Frequência auxiliam a diminuir diferenças em aplicações de RFID Por Victor Vega

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ags RFID variam muito em termos de suas capacidades, fatores de forma, requisitos de alimentação e distâncias de leituras. Etiquetas de altíssima frequência (UHF, 860-960 MHz) são as mais adequadas para aplicações onde a distância do alcance de leitura é fundamental e pode precisar ser estendida a vários metros. Etiquetas de alta frequência (HF, 13,56

MHz), no entanto, são normalmente utilizadas em aplicações onde se desejam curtas distâncias de leitura e onde sistemas singulares ou com campos de leitura mais “fechados” são críticos. Ambos podem operar em materiais difíceis de ler, como os líquidos, no entanto, as propriedades das etiquetas HF em proximidade com os líquidos são mais controladas e previsíveis, enquanto que os resultados

podem variar nas etiquetas de UHF. E, para aplicações adjacentes aos objetos de metal, as etiquetas UHF são as mais indicadas, utilizando materiais condutores como uma extensão da antena. Assim, a seleção da tecnologia é dependente da aplicação. O que faltava era a compatibilidade de dados de pacotes - semelhante aos dias de idade, quando os arquivos de programa de Macintosh eram incompatíveis com aqueles gerados através de computadores pessoais. janeiro - fevereiro - março 2012 | 55


Etiquetas de altíssima frequência são geralmente usadas ​​para controlar e rastrear bens de varejo individualmente em caixas ou estoques, onde o movimento e distância dos leitores RFID variam amplamente como eles se movem através da cadeia de suprimentos. Mas nos casos em que uma janela de radiofrequência é crítica, as de alta frequência se destacam. Até recetemente, protocolos de HF não eram otimizados para alta densidade, leituras dos dados das tags sofriam em sua relação custo/benefício. Esses atributos favoreceram UHF, limitando a adoção de soluções HF. Isso, até agora, criou um nível de complexidade e custos elevados, que formaram barreiras para empresas que buscam maximizar o potencial do RFID, independentemente da frequência. Embora houvesse padrões para tags HF e padrões para UHF, a maneira pela qual os dados das etiquetas são estruturados e compartilhados difere de padrão para padrão. Isto significava que era difícil para as empresas a reutilizar soluções “back-end” de aplicativos corporativos desenvolvidos para uma tecnologia. Porém, novos padrões surgiram recentemente para abordar esta incompatibilidade e abriram novas possibilidades. »» Novos padrões No final de 2010, a International Organization for Standardization (ISO) ratificou o modo ISO-

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18000-3 3 (3M3) – etiqueta padrão de alta frequência, que foi projetada para acomodar uma ampla gama de aplicações de alto desempenho. Impulsionados por uma demanda por maior desempenho, com foco em aplicações da cadeia de consumo e varejo, os membros do corpo de padrões de fornecimento em cadeia, GS1, elogiaram o padrão ISO, através da ratificação de um novo padrão de etiqueta de alta frequência em setembro de 2011, intitulado EPC 2.0.3 HF protocolo. ISO e GS1 trabalharam em conjunto para garantir que a arquitetura da camada de aplicação, o conjunto de comandos e bancos de memória da etiqueta, como o Electronic Product Code (EPC), identificador Tag Unique (UTID) e Memória de Usuário, sejam comuns entre ambos e respectivas sub-partes das etiquetas de alta e altíssima frequência (HF e UHF respectivamente). Estes novos padrões são desenvolvimentos relevantes na indústria de RFID não só por responder a necessidades específicas e usar uma estrutura de dados comum, mas principalmente pela herança da infraestrutura ISO15693, que pode muitas vezes ser atualizada para ler

o novo protocolo de alta frequência (HF), ajudando a limitar os custos de transição para os usuários finais. Outros benefícios importantes incluem melhorias gerais na performance de leitura, tais como taxas de leitura e a capacidade de lidar com altos volumes de etiquetas, tornando as etiquetas de alta frequência ainda mais competitivas. Por exemplo, a empresa NXP lançou o primeiro chip RFID, o ICODE ILT (Tag Nível do Item), construído para o novo padrão de etiquetas de alta frequência ISO-18000-3M3 / 2.0.3 EPC. Os resultados são visíveis nas melhorias de desempenho em comparação com o ISO-15693. Especificamente, os novos chips aumentam a velocidade de leitura, até 700 tags por segundo, em comparação ao convencional ISO-15693, que muitas vezes variam entre 60 e 100 tags por segundo. Dois exemplos de aplicações de tags HF que se beneficiam de uma maior velocidade de leitura e um algoritmo de anticolisão para uma população densa de tags são as fichas de casino e os arquivos médicos. Casinos rastreiam fichas individuais como parte de sua segurança e controle do seu negócio. As fichas de poker precisam ser lidas a uma distância curta em uma janela de RF controlada, para que não tenham problemas de leituras com diferentes jogadores sendo observados. Adicionalmente, não se pode deixar de primar pela precisão e velocidade. Organizações, tais como escritórios de advocacia ou hospitais, que devem manter grandes coleções de papel baseado em registros, podem usar etiquetas de alta frequência (HF Tags) para identificar e rastrear um grande volume de trabalhos individuais empilhados em estreita proximidade um do outro.


E, além de melhor desempenho, as novas ofertas de alta frequência oferecem uma relação melhor de preço/desempenho se comparado às etiquetas de altíssima frequência (UHF Tags), mesmo para aplicações de consumo. »» Melhorando o ótimo Talvez mais significativamente, os novos padrões significam um movimento em direção à interoperabilidade e soluções de sistemas RFID para multi-aplicações, sem comprometer a aplicação devido a limitações tecnológicas. Agora integradores de sistemas podem desenvolver aplicações que podem ser compatíveis tanto em desenvolvimentos utilizando etiquetas

de alta frequência (HF) ou altíssima frequência (UHF), com um impacto mínimo para a sua camada de aplicação. Mesmo operando na mesma frequência do NFC (Near Field Comminication), o novo padrão GS1 é ISO-14443 – que é compatível ao NFC, uma vez que as aplicações seguras ( transações financeiras e recursos de segurança) exigem o padrão ISO. Alguns dos atuais telefones inteligentes são capazes de ler ou o compatível com NFC ISO-14443 protocolo ou o protocolo ISO15693. É fácil imaginar como próxima geração de chipsets NFC rádio, como os produzidos pela NXP Semiconductors, que suportam o protocolo ISO-18000-3M3 / GS1 no-

vos, bem como uma maior abertura de oportunidades para aplicações de circuito aberto, onde os consumidores ganham um benefício adicional. Através de estruturas de dados comuns e infraestruturas de leituras para multi-aplicações, estas novas normas de etiquetas de alta frequência (HF Tags) oferecerão as empresas e aos consumidores as ferramentas que precisam para melhorar algo já bom-a NXP Semiconductors tem o prazer de ajudar a conduzir essa iniciativa.

Sobre o Autor Victor Vega é diretor de Marketing, RFID Solutions, NXP Semiconductors. janeiro - fevereiro - março 2012 | 57


Pra terminar...

Onde você estava na Eco-92?

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oda a movimentação sobre a Rio+20 me fez pensar na grande conferência ambiental anterior das Nações Unidas, a Eco-92, e o que acontecia naqueles tempos. E, então, recorde você também, onde estava, o que você fazia há 20 anos? Como era o mundo? Eu podia fazer uma detalhada apuração jornalística (leia-se: pôr no Google) para lembrar como foi a Eco-92 e o contexto que a envolveu, mas como isso aqui é uma crônica, vou usar a licença poética para me abster do rigor metodológico e me jogar, de braços abertos, apenas nas informações registradas na memória. Bom, na minha Rio-menos-20 particular, eu tinha 18 anos de idade. É difícil esquecer uma data tão importante. Maioridade, poder dirigir, namoro sério, coisa e tal... Lembro que em 1992 eu jogava papel de bala no chão quase sem peso na consciência. Hoje, nem açúcar mais eu consumo. Mas já cruzei os céus de quatro estados brasileiros com a embalagem de um chocolate diet no bolso porque não achei lixeira depois de passar pelo check-in. Meu pai fumava em 92. Muito. Três maços por dia. Hoje, não fuma mais. Morreu ano passado. Uma chance em uma para adivinhar a causa. Aliás, não uma, mas duas: enfisema e câncer de pulmão. E ainda fumando! Cigarro também matava há 20 anos, mas era bem mais socialmente aceito do que atualmente. Também naquele começo de

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década de 1990 meu primo rico tinha ganhado um computador. MSX alguma coisa, Expert, acho. Se não me trai a lembrança, a gente conectava em uma TV e jogava, com deslumbramento, jogos que atualmente fariam rir de vergonha até os recém-nascidos. Hoje, minha filha de 14 anos tem dúvida sobre para qual plataforma comprar o novo jogo lançado em nível mundial, porque tem dois videogames. Aliás, videogame é uma palavra em completo desuso, tamanha a complexidade dos ‘games’ que se joga agora. Aquele ano de 92 foi meu primeiro na faculdade de Jornalismo e recordo de fazer textos nas aulas sobre a conferência no Rio de Janeiro. O clima era de ter em mãos a chance de garantir um futuro melhor. Havia no ar a sensação de que o momento era decisivo para estabelecer que tipo de planeta iria se desenhar para as próximas gerações. Do baú me vêm também trechos de notícias sobre os esquemas de segurança para receber gente do mundo todo no Rio e as mudanças na rotina da cidade com o evento. Mas

não é isso que importa. O foco era mesmo a produção de um documento, de um conjunto de procedimentos para o futuro. Era a tal da Agenda 21, disso lembro bem. Passadas as duas décadas, lá vem o mundo todo de novo se reunir no mesmo Rio de Janeiro. O cristo redentor ainda de braços abertos sobre a Guanabara. Agora a meta é construir os parâmetros para o desenvolvimento sustentável nos próximos anos. E a responsabilidade é de todos nós. Sustentabilidade, pensando em ação individual, não é apenas pôr lixo no lugar certo. Precisamos assumir o compromisso pessoal de defender e trabalhar por uma sociedade mais justa e harmônica, com seres humanos e máquinas em paz com a natureza. Só assim uma eventual Rio+40 vai poder ser feita em um clima de missão cumprida.

Marcio Peixoto é editor da revista idigital. "Pra terrninar..." é o espaço de crônicas da idigital, aberto a colaborações de funcionários das associadas ABRID. Mande seu texto para revista@abrid.org.br


Profile for Infolio Comunicação

Revista idigital 8  

CASOS E ARTIGOS ENTREVISTA As iniciativas de sucessos das associadas Conheça os planos da Diretoria para os próximos quatro anos Ministro Gi...

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