Infektion Magazine #17

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S

e tivesses que escolher um momento para o início da Banda qual seria? Possivelmente algures em 2004, em Tomar. Sozinho e abandonado, onde comecei a compôr temas meio orquestrais, meio electrónicos, que se vieram a tornar nos primeiros esboços para o “Lone-Lee”. Essa foi a génese do projecto, que aprimorei ao longo de 2005 até conseguir compôr o primeiro álbum e lançá-lo no verão de 2006. Existe um plano, ou as coisas foram acontecendo? Eu sou uma pessoa muito espontânea, portanto nada foi devidamente planeado...claro que de vez em quando, sou assolado por conceitos e ideias que aponto e guardo, mas basicamente as coisas foram acontecendo sem muito controlo. E é assim que eu gosto... “Galga de Zebra Ilesa” é algo que fica na memória… Quem é o autor deste título fantástico? DAVID PAIS – Agradeço-te o elogio! Fui eu que criei o título, devido à ambiência melancólica e a temática lírica deste álbum, que maioritariamente fala de relações falhadas, frustrações, raiva e feridas abertas. “Galga de Zebra Ilesa” pode ser traduzido por “Fome de Amor Saudável”. Na minha terra, usava-se muito o termo “Galga” para apontar uma fome do tamanho do mundo! Aliando isso à expressão “tenho tanta fome que comia uma zebra inteira”, e a eu imaginar uma relação saudável, surgiu-me esse título.

Aliás, pareces ter uma certa queda para bons títulos… Confesso-te que a maior parte destes títulos surgiram de conversas barrascas e já embebidas em álcool agressivo...muitos destes títulos foram dados pelo Pedro Caldeira, o meu guitarrista em Ashes, no meio dessas javardas conversas regadas a álcool...já o termo “este meu poço de romantismo furioso” veio de uma grande amiga minha, Catarina de Almeida, que me disse que eu era um poço de romantismo furioso. Daí a associação ao título “Liberdagem”, que é uma fusão de Liberdade e Libertinagem. E foram estes títulos que me inspiraram a ambiência dos temas.

Totalmente! Eu não gosto de me repetir, e tento-o fazer o menos possível...e como eu ouço muita coisa, vejo muita coisa, tudo isso me inspira a criar. Eu não gosto de um álbum que seja a mesma coisa do início ao fim. Gosto que haja diversidade, gosto quando ouves um tema e consegues reconhecê-lo e saber-lhe o nome. Às vezes estou a ouvir certos álbuns de algumas bandas que me soam tudo ao mesmo... Eu tenho criar uma diversidade algo considerável. Claro que, como sou eu que construo tudo, muitas vezes há músicas que têm momentos semelhantes a outras, mas tento sempre abordar um tema e torná-lo único no meio dos outros todos.

Como começa o processo criativo em THE9THCELL? É tudo muito espontâneo...nunca há um dia em que eu penso “Ok. Agora vou-me sentar, pegar na guitarra e venha o que vier”, sempre foi algo mais. Muitas vezes dou por mim a ser assolado por frases, ideias de melodias, pequenos momentos que gravo no meu telemóvel e mais tarde traduzo-os em música. Às vezes basta-me ter visto um bom filme que me deixou inspirado, outras basta contemplar uma gota de água a escorrer numa janela de vidro...é totalmente aleatório. Nunca sei quando ou que é que me vai dar para criar música. E prefiro que seja assim do que planear...

Fala-me de “Gentlemania” (esta música é do outro mundo). Essa música...bem. Eu tinha uma ideia para criar um tema mais calmo, mais lento...algo com um ambiente mais ‘bluesado’, talvez meio ‘stonerizado’. Comecei a criar a música mas depois cheguei a um ponto em que não conseguia terminá-la, e lembrei-me de um grande músico que podia dar o seu contributo, o Sr. Alex Vaz, dos fantásticos Springshoes. Convidei-o a terminar o tema da forma que ele quisesse, dando-lhe total liberdade, e ele pegou no baterista dele, o Sr. Francisco Esteves, e criaram algo que me deixou completamente fascinado! Como o tema é meio blues e roça o progressivo na segunda parte, decidi contar uma história, que é algo que faço muito raramente em The9thCell. E então decidi retratar algo

Existe alguma diversidade de abordagem ou de influências em cada tema. Concordas?


que começou numa noite lisboeta, em que eu vi aquela que talvez fosse a mulher da minha vida. Ela passou, olhou fixamente, sorriu e desapareceu. E senti-me tão idiota por não ter tido coragem de lhe falar ou de a abordar, que isto ficou-me a martelar na cabeça. Basicamente, é um lembrete a mim mesmo para nunca mais deixar uma oportunidade daquelas fugir-me das mãos. E quem sabe? Talvez um dia a moça conhece o projecto e reconhece-se na história. O instrumental em “soft hearted hard cocked” é daqueles que vale a pena por em “repeat”. Podes falar um pouco deste tema? E a letra? “Anti-amor”? Numa tradução livre: menos coração e mais tesão? Obrigado! Este instrumental não seria a mesma coisa sem a participação do excelente guitarrista Bruno Lopes, que já conheço há uns bons anos da sua banda “Slime Fingers”. Este tema, tecnicamente, foi o primeiro que surgiu para este novo álbum, porque na verdade já o tinha composto e gravado anteriormente, em Janeiro de 2011. Voltei a pegar nele porque gosto do que fiz nas guitarras, e então gravei-lhe uma linha de baixo, compus a bateria e cantei na segunda metade da música, porque sempre imaginei um solo de guitarra a percorrer a primeira. Mas como eu não sou nada bom solista, lembrei-me do Bruno e enviei-lhe o tema para ele javardar solísticamente na primeira parte. Amei o que ele me enviou, e nem foi preciso corrigir nada. Estava e está perfeito! A letra é totalmente “anti-amor”. É mais uma espécie de aviso do que outra coisa, porque eu não me desejo envolver

emocionalmente com ninguém. E como já fiz muita porcaria porque isso aconteceu, é realmente o que dizes: menos coração e mais tesão. Parafraseando os Cameo no tema “Word Up”, “we don’t have the time for psychological romance / No romance, no romance / No romance for me, mamma”.

de forma irónica, porque se lá fora, nomeadamente nos Estados Unidos disseres que és Português, perdes logo a consideração da maior parte das pessoas. Há bandas em Portugal que só por serem portuguesas, não conseguem internacionalizar-se devido a esse preconceito idiota por parte da maioria dos americanos.

Por falar em traduções, podemos falar da língua? O inglês e o português são línguas que aparecem ou no título ou nas letras, a opção por uma ou por outra é aleatória? Sim. Como o resto do álbum, surgiu de forma espontânea. Andei muito curioso para cantar em português desde há largos anos..fi-lo em The9thCell em duas ocasiões, uma no “Lovely Xmas Lullabies”, quando partilhei o tema com o grande Nuno Mano, em que cantámos os dois em Português e Inglês, e uma outra quando criei “O Jardim do Alberto”, em homenagem a esse... político. O que me deu uma real motivação e me fez perder o medo para cantar em Português, foi o Sr. Pedro Isidoro, que me surpreendeu com um dos seus projectos a solo, “Sounds 151”, onde ele cantou em português e me deixou boquiaberto. Com essa inspiração vinda da parte dele e a minha curiosidade mórbida por cantar em português, perdi a vergonha e medo e cantei em duas músicas em Português. Decidi manter o título do álbum em Português porque só assim é que faria sentido, dada a expressão que é. Já o título “Cavaleão” pertence a uma música cantada em inglês, mas foi propositado. O título remete-me à força de dois animais imponentes e que transpiram força e respeito: o cavalo e o leão. E como este tema é sobre os elitistas do metal, que me irritam profundamente, decidi colocar o título em Português, até

Qual dirias que é o principal tema abordado pela tua música? Depende imenso...eu nunca tenho um tema principal...se formos bem a ver, o primeiro álbum fala de um amor perdido, o segundo é mais político, o terceiro é uma sátira e o quarto álbum foi um misto entre político e pessoal. Este “Galga” é maioritariamente melancólico. Retrata a dor, a raiva, a frustração e a vulnerabilidade de relações falhadas. Podes falar um pouco de “Keep your Heart at Bay”? Sim! Este foi o primeiro tema a ser gravado este ano para o álbum. Como te referi anteriormente, tecnicamente foi o “Soft Hearted and Hard Cocked”, mas como algo realmente novo, foi este. Este tema surgiu-me depois de eu ter adormecido e ter perdido uma bela tarde de sol. Acordei tão frustrado e melancólico, que peguei na guitarra e comecei a tocar. E saiu-me aquilo. Ironicamente é um tema carregado de esperança, que fica bem a rematar toda a melancolia furiosa do resto do álbum. É irónico. Como correram as gravações? De vento em popa! Adorei trabalhar para este álbum! As gravações foram muito fluídas e até divertidas, porque comecei a usar novas técnicas de gravação que tinha deixado de parte até à altura. E graças, novamente, ao Sr. Pedro Isidoro, comecei a trabalhar com progra-


mas que me permitiam compôr e gravar muito mais rapidamente, o que tornou tudo bem melhor! As participações foram todas gravadas pelos meus convidados em suas casas à excepção das linhas de violino compostas e tocadas pelo Marco Rosa, que é o meu violinista em Ashes, que gravou na escola onde estuda. Também houve momentos gravados em estúdio, como foi o caso do Alex Vaz e do Francisco Esteves, que gravaram o instrumental no seu estúdio “Silêncio”. Por outro lado, as vozes do Pedro Isidoro na “Jacktiv(h)ate”, foram gravadas em minha casa, com duas garrafas de vinho tinto e meia de vinho do Porto. E terminámos o tema numa

tarde bem divertida. Que tema gostarias de ver transposto para Video clip? DEu adoraria transpor o “Gentlemania”, pela sua componente de história...penso que dava uma curta-metragem interessante. Também pensei na “Liberdagem”, “Cavaleão” e na “Jacktiv(h)ate” para clip...mas não tenho meios para tal. Como gostarias que as pessoas encarassem a tua música? De forma positiva! Mesmo apesar do álbum ser melancólico, gostava que se pudessem identificar com os temas que as ajudasse a ultrapassar situações semelhantes...usar a Mú-

sica como terapia da Alma é fundamental para o Ser Humano. E acima de tudo, que respeitassem todo o trabalho envolvido neste álbum, e o comprassem em vez de o partilharem pela Internet. Sei que é algo utópico, mas quanto mais pessoas o conseguirem adquirir e apreciar, mais fundos terei para conseguir adquirir uma guitarra minha (este álbum foi gravado com uma guitarra emprestada pelo Sr. Nuno Pereira, porque a minha estragou-se por completo...) e continuar a fazer Música. A ver o que acontece. ///



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ascidos apenas em 2008, os Scar For Life já contam com 3 álbuns, o que é bastante trabalho para tão pouco tempo. Como é que têm conseguido fazer isto? Scar For Life é um projeto que começou comigo. Tenho facilidade em compor e gravar directamente, porque é uma das coisas que mais gosto de fazer. Depois, ajuda o facto de darmos poucos concertos pois não há condições neste país para estarmos a dar grandes concertos pelo que prefiro lançar trabalhos, por exemplo, lançar um disco de dois em dois anos, na medida do possível, e investir nesse sentido. Daí a banda não preocupar-se muito com concertos e preocupar-se mais com álbuns. É um processo muito natural porque vais compondo sempre que podes, sabes? Não há aquele “stress” de ter que compor para gravar um disco. Vou compondo as músicas, vou gravando e quando chega a hora e penso num disco já tenho material suficiente para falar com os outros elementos e gravar. Este é um projecto assumidamente teu mas até que ponto é que os outros músicos contribuem para a fase do processo de composição? Normalmente eles recebem as demos e eu dou total liberdade para cada um poder contribuir da melhor maneira possível para o projecto. As ideias estão lá, a música está estruturada, mas depois o baterista toca à maneira dele e vê o que fica melhor ali, assim como o baixista... O vocalista normalmente escreve as letras – eu dou sempre liberdade total para as escrever e basicamente isto acaba por ser um trabalho de grupo. O formato de banda é que um bocado difícil de definir porque há sempre elementos a entrar e a sair.

Isto deve-se à capacidade dos mesmos de se entregarem ao projecto pois há uns que dizem que querem fazer parte mas depois não têm tempo para o projecto, outros dizem que sim mas depois a nível de execução nota-se que há ali problemas... Acho que uma banda vai-se formando com o tempo. Agora tenho um line-up novo e não sei se o próximo álbum terá os mesmos elementos mas se assim for já posso considerar uma banda. Mas basicamente, quando gravamos um disco, cada um tem a liberdade para contribuir e fazer aquilo que achar melhor para tornar o projecto especial. Neste caso os convidados também fizeram isso e o pianista, o Nélson, também interpretou o piano à sua maneira e deu uma sonoridade diferente. O contributo de todos é que faz com que isto seja algo especial. Dirias então que a maturidade e a coesão entre os elementos do grupo são factores indispensáveis para o bom funcionamento dos Scar For Life... Sem dúvida. Acima de tudo temos que ter os mesmos objectivos e neste caso eu já conhecia, por exemplo, o João Colaço , sei perfeitamente como ele toca e o facto de ele também estar entusiasmado em gravar e ser o músico profissional que é e ter outros elementos também que se sentem motivados e têm experiência, essa coesão depois demonstra-se no produto final e isso é fundamental. Agora a nível de maturidade na composição, também eu vou crescendo na maneira como faço os temas porque se calhar a energia e a maneira de ver as coisas eram diferentes em 2008 e em 2012 já sou um bocado diferente. Acima de tudo as músicas têm que ser honestas, ter atitude e todas essas coisas que fazem um álbum de Rock ou de Metal potente.

Encontrar um novo vocalista foi um processo moroso? Como chegaram ao Leonel Silva? Tive algum tempo à procura de vocalistas e houve alguém – que já não me recordo – que me falou nele e fui ao Youtube ver algumas coisas. Apesar do Leonel estar num projecto que não não tem muito a ver com Scar For Life, a voz dele é muito versátil e vi logo que podia trazer algo de novo a Scar For Life, pois era uma faceta que também gostaria de experimentar: fazer umas músicas mais calmas e com outro registo e também poder puxar mais pela voz rouca, pesada e emotiva que ele tem. Mas demorou! Primeiro que eu encontrasse um vocalista deste calibre em Portugal demorou algum tempo (risos). Quem está por trás do nome “Scar For Life” e quem foi o responsável por essa cicatriz? Fui eu pois fui eu quem começou isto. Há discos que nos marcam na nossa vida e a música para mim foi o que me marcou e o que me mudou enquanto pessoa. Sempre pensei que quando fizesse alguma coisa teria que ser algo que me marcasse, daí ter surgido com o nome “Scar For Life”. No primeiro disco cada música representava situações marcantes que se passaram comigo e depois pusémos isso em música. Na faixa “White Shades” encontramos uma voz feminina. Quem foi a convidada? Foi a Jane Castro, que curiosamente é a namorada do Nélson que gravou o piano. Normalmente gravo sempre com a Sofia - que gravou nos dois primeiros - que é uma grande amiga minha à qual mando um beijinho, mas para também mudar um bocado, e também porque o estilo era algo diferente, gravei com a Jane o que acabou por ser muito divertido.


Na faixa instrumental “interlude 1948”, o número 1948 está associado a algum evento especial ou alguma data em específico? Eu não gosto muito de explicar o significado das letras nem dos títulos das músicas porque acho que cada um tem de interpretar às sua maneira mas posso dar uma dica: ouçam o início da faixa, logo os primeiros segundos. É uma dica, puxem por essa cabeça (risos). Como é que conseguiram que o finlandês Kari Vahakuopus colaborasse neste novo trabalho? Eu gosto do nome dele, acho que é um nome divertido e então entrei em contacto com ele (risos). Não, adoro Catamenia e gosto muito do álbum em que ele entrou – ele faz vozes limpas nesse álbum. Contactei-o, ele ouviu, gostou muito e predispô-se a colaborar. Curiosamente ele era para ser o vocalista dos Scar For Life. Depois do vocalista anterior ter saído, o Kari era a primeira escolha, só que chegamos à conclusão que depois era difícil para os concertos. Então pensamos melhor e ele participou apenas em um tema, sendo que começamos então à procura de um vocalista Português. Não sei se há vantagens nisto – ainda bem que o fiz porque o Leonel realmente trouxe uma dimensão diferente a Scar For Life e espero continuar a trabalhar com ele muito tempo – mas também, no final de contas, acabo por não dar muitos concertos aqui porque se é para tocar de borla então não vamos tocar. Não há condições para irmos tocar 10 vezes ao mesmo sítio e então não sei até que ponto valeria a pena ter feito isso. Agora digo-te que depois de o álbum ter sido feito e gravado acho valeu mesmo a pena pois o Leonel é óptimo, mas na altura não escolhi o

Kari por causa disso. Queríamos alguém para poder dar concertos em Portugal e estarmos mais acessíveis e optamos assim. Gostamos muito da experiência, o Kari também gostou muito da experiência e espero que possa participar mais vezes. Num contexto de crise a todos os níveis, onde até os dirigentes nos mandam para fora, qual dirias ser o impacto no estrangeiro? Não faço ideia. Não querendo parecer pretensioso, na crítica estrangeira dizem que é um dos melhores álbuns do ano e isso anima-nos. Já em Portugal, nas críticas que lemos vemos que não há muito interesse. Tenho a certeza que se tivermos condições ou alguém lá fora pegar em nós, nós conseguimos marcar a diferença. Eu sei disso. Mas é preciso sorte, é preciso muito trabalho e é preciso estarmos nos sítios certos à hora certa. Temos é que ter trabalho feito e com isso é só ir ao encontro das oportunidades. Há que tentar lá fora. Vamos agora a Londres e estamos a trabalhar no sentido de conseguir algumas datas por lá no início do ano 2013. Sentes que cá em Portugal há um certo receio em apoiar ou trabalhar com projectos que são diferentes? Sentes-te apoiado em Portugal? Acho que não se aposta muito em projectos diferentes. Faz-me confusão como um país tão pequeno continua a apostar sempre nos mesmos ou nos mesmos géneros e tem medo de mudar. É um país que tem medo das mudanças. Não digo com isto que nós em SFL façamos coisas muito diferentes mas mais facilmente éramos capazes de entrar em festivais se tocássemos um determinado estilo de metal e um projecto como

Scar For Life onde tens um bocadinho de tudo já não. Mas isto acontece com outras bandas com talento que não têm oportunidades porque não se encaixam muito em concertos temáticos. Primeiro tens que ser reconhecido lá fora para seres reconhecido cá dentro. Tenho pena que assim seja. Uma banda que queira começar a dar os primeiros passos em Portugal, é certo que vai encontrar obstáculos. Quais são aqueles que para os novatos serão mais fáceis de evitar? É nunca perderem o foco e o objectivo que têm e lutar, lutar, lutar, gravar e tocar. É partilhar nas redes sociais, fazer barulho com vídeos e isso tudo. Obstáculos há sempre e há muitas bandas novas a surgirem por segundo, mas se realmente for boa destaca-se! É a única coisa a favor dessas bandas novas: se são bons e se são diferentes, facilmente conseguem distinguir-se das outras 10 mil. Não podem é desistir à primeira: vão levar muita pancada, levar muitos nãos, vão ter que abdicar de muita coisa mas tudo isto vale a pena. Achas difícil assinar com uma editora em Portugal? O grau de exigência e os custos associados são elevados? Acho que não é a exigência. É difícil assinar em Portugal porque há poucas editoras e as que existem estão muito habituadas a um género particular de música. Se foge um bocadinho dos parâmetros dizem muito bem do teu projecto mas acabam por nunca te assinar e depois acabam por assinar uma banda igual à que assinaram na semana anterior, o que acaba por estagnar o mercado. Há poucas editoras e o mercado é pequeno. São poucos a tomar conta


disto. O facto de ter uma lufada de ar fresco com a Infektion e o Joel, é bom porque tem outra maneira de ver as coisas e está disposto a arriscar, a procurar novas sonoridades e a trazer novidades para o catálogo. Acho bem que haja alguém disposto a fazer as coisas de maneira diferente. A Noruega tem o Black Metal, a Suécia o Death Metal Melódico, a Califórnia o Thrash, a Alemanha tem o Power Metal... Achas que

Portugal poderia ser o berço de um movimento metaleiro quase exclusivo? Por enquanto acho difícil mas eu não sou grande conhecedor das bandas metal portuguesas. Há bandas diferentes, sim, mas noutros registos sem ser o Metal. Dentro do Metal continua-se a ser ainda um pouco conservador. Possa ser que mais à frente surja uma sonoridade um bocadinho diferente. Temos os Moonspell, os Heavenwood, que conseguiram marcar a diferença lá fora pelo

o som ser tão característico... têm uma certa melancolia nas músicas e isso de certa forma acaba por ser uma característica da música lusa. Mas para um género de música – da mesma forma que os Suecos têm o Death Metal Melódico – eu ainda não estou a ver neste momento qual poderia ser. Isso geralmente acontece sempre mas só mais tarde, daqui a uns anos, é que daremos conta disso. ///


Para os que ainda não vos conhecem: quem são os Inkilina Sazabra? Inkilina Sazabra é um projeto criado em 2010 por Carlos Sobral e Pedro Sazabra. Enquadra-se no género musical Rock Industrial mas abrangente a vários géneros musicais. Somos uma banda que tem um cuidado muito especial com a ambiência sonora e a mensagem escrita pois gostamos de criar atmosferas que transportam quem nos ouve, seja pelo lado mais cinéfilo ou pelo lado mais

“psico” ou boémio, mas sem esquecer que somos essencialmente uma banda rock e festiva. Em fevereiro de 2011 lançamos nosso primeiro álbum “A Divina Maldade” que musica o livro “Obscuridade Liberdade”. A nossa primeira apresentação em concerto foi a 9 de junho 2011 no Metalfest GDL. Depois de um ano em concertos por alguns pontos do país e a crítica de imprensa ter sido muito positiva preparamo-nos para lançar o novo álbum “Almas Envenenadas” pela Infektion Records. Atu-

almente a banda são: Pedro Sazabra (na voz), César Palma (na guitarra), Paulo Dimal (nas teclas) e Carlos Sobral (na bateria e programações). Que principais diferenças apontas entre “Almas Envenenadas” e o vosso primeiro álbum “A Divina Maldade”? As diferenças são algumas e bem significativas. O primeiro álbum “A Divina Maldade” foi composição de Carlos Sobral com o propósito de musicar o livro “Liberdade Obscuri-


dade” de Pedro Sazabra que dá voz aos Inkilina Sazabra. Na altura não se podia dizer que Inkilina Sazabra era uma banda, digamos que era antes sim uma parceria de projetos, neste caso Inkilina Morte projeto a solo de Carlos Sobral e Pedro Sazabra escritor - daí Inkilina Sazabra. Havia muita incerteza no que seria este projeto e no que iria resultar. Só que as coisas começaram a correr bem, com boas críticas e convites para concertos, o tempo foi passando e fomos avançando, ao ponto de hoje Inkilina Sazabra já não ser uma parceria de projetos, mas sim uma banda. Voltando à essência da questão “A Divina Maldade” é um álbum mais simples e com limitação, dado que se estava a musicar um livro e se tinha que restringir às personagens do livro - não havia como fugir. O “Almas Envenenadas” já é um dis-

co mais livre, mais saído do verdadeiro instinto da banda, das nossas próprias personalidades e do que observamos do mundo mundano. O “Almas Envenenadas” é mais Inkilina Sazabra na sua essência, na forma como a banda vê o mundo e nós próprios fora da música, com os seus medos, boémias, psicoses. O Carlos Sobral compôs como quis e o Pedro Sazabra escreveu como quis. O primeiro trabalho nasceu na sequência de um livro. Desta vez veremos o contrário: primeiro o disco e depois o livro? O “A Divina Maldade” foi edição conjunta com o livro “Liberdade Obscuridade”. Em verdade seja dito que primeiro foi escrito o livro e depois composta a música. Já no “Almas Envenenadas” foi composta primeiro a música e depois a letra colocada por

cima. Haver um livro inspirado neste álbum? Nunca se sabe... É possível!! Mas não está nos nossos planos. “A Divina Maldade” foi muito associado à literatura por ser edição com livro e no “Almas Envenenadas” quisemos fugir um pouco disso, porque somos uma banda rock. É certo que damos imensa importância e cuidado às letras, existe um esforço para o enriquecimento da palavra, um elaboração rica, que toque nas sensações mais recônditas de um ser humano, a sua fase “psico” pouco explorada que queremos que olhem para ela, não fosse o Pedro Sazabra escritor de dois livros e a banda gostar de letras com forte carga psicológica e cinéfila. Mas, por agora, a literatura está num lugar e os Inkilina Sazabra noutro, piscando frequentemente o olho.


Este projeto partiu de duas cabeças, mas depressa deu lugar a uma formação completa com o objetivo de tocarem ao vivo. Até que ponto levarem os Inkilina Sazabra para o palco mudou a vossa perspetiva criativa? Verdade, este projeto partiu de Carlos Sobral e Pedro Sazabra embora com muita incerteza do que iria resultar. Mas depois do álbum terminado decidimos que havia condições para levar este projeto para palco. Olhamos um pouco para os lados (amizades), e convidamos o César Palma, o Paulo Dimal, o Alexandre Dale e mais tarde o Carlos Bixo para tocarem ao vivo com Inkilina Sazabra, dado que são nossos amigos e têm bastante talento como músicos. O que mudou com o facto de estarmos em palco é que nos começamos a sentir cada vez mais uma banda rock industrial. Dá-nos imenso prazer estar em palco! As sensações que obtivemos em palco, fez-nos libertar mais como banda... Daí dizer que o “Almas Envenenadas” é mais livre, mais o instinto da banda e isso agradecemos ao palco, ao convívio entre banda, aos malditos que nos apoiam em toda a envolvência que resulta dos concertos. Este segundo álbum foi editado

pela Infektion Records. Como chegaram ao contacto com esta jovem editora nacional? Todo o trabalho apresentado pela banda é feito por ela mesma: música, letras, videoclips, artwork etc. E sentimos e sabemos que chegamos a um patamar que estamos limitados e não conseguimos chegar a mais público como desejamos e daí começou a nossa intenção de tentar trabalhar em conjunto com uma editora. Tentámos algumas, mas muitas das condições que nos apresentaram são condições que já temos a trabalhar sozinhos. E depois há aquelas que nem respondem, como é normal em Portugal os senhores importantes fazerem. A Infektion foi aquela que nos disse as suas limitações e poderes, disse-nos concretamente o que consegue fazer sem estar com promessas vãs como muitas fazem e daí termos seguido em frente. Têm alguns convidados de luxo neste disco. Como surgiu a sua participação? Os nossos convidados surgiram através de convites feitos por nós, aos quais, posteriormente, todos eles se mostraram interessados. Foi uma experiência muito enriquecedora para nós. São pessoas que lutam pela música Portuguesa, são pesso-

as que acreditam que neste país se fazem coisas brutais e que também sentem as dificuldades que os próprios Portugueses criam em volta de todos os projetos nacionais. Num aparte que foge á pergunta acrescentamos que os Inkilina Sazabra são mais uma das bandas que eleva a bandeira nacional e apela para darmos o mesmo peso de atenção aos nossos. Temos um país com bandas e projetos brutais que andam a tocar pouco e para casas vazias isto muitas vezes porque não existe entreajuda de promotores e bandas nem pesquisa do público, e por vezes descobrem-se artistas que todos ficam: uouhhhh!Isto é Português? Musical e liricamente, quais as vossas principais referências? Bom, referências temos bastantes: a vida é um longo caminho e ao longo da vida tivemos bandas que nos marcaram e hoje já nada nos dizem, mas não deixaram de ter a sua importância para a nossa formação musical. Assim como existem muitas que adoramos na atualidade. Estar a referir bandas teria que dizer um monte delas... O essencial é que fazemos música como gostamos e temos o nosso próprio universo Inkilina Sazabra. Preferimos não ir por aí de referenciar nomes, até porque já


várias vezes em conversa com outros músicos portugueses é recorrente vir à baila o desagrado de em Portugal se estar sempre a comparar bandas com outras bandas, esquecendo que muitas vezes as influências dessas bandas grandes são as mesmas que as das bandas pequenas. Não vamos referenciar nomes (de alguns até já com bastantes provas dadas de seus talentos. Desde que a música seja boa, venham ela. Uma das vossas principais caraterísticas é o facto de cantarem em português. Sentem uma recetividade diferente por esse facto? Sentimos que existe uma proximidade maior cantar em português porque já foram diversas a situações que nos veem questionar certas letras. Penso que ajuda na troca de ideias, vivermos em Portugal e cantar em português. Não somos contra quem cante noutra expressão linguística, dado que a música é uma libertação de criatividade e cada um faz como o quiser fazer. No caso de Inkilina Sazabra, gostamos que seja em português e está fora de questão não o ser. Gostamos da expressão das palavras em português. Fizeram um vídeo para “Almas Envenenadas”, o vosso single de apresentação do álbum homónimo. Porque escolheram este

tema? Como foi o processo criativo? Desde já fica aqui assente que o tema não foi escolhido por ter um convidado de peso, neste caso o Rui Sidónio, como muitas bandas fazem - apenas porque assim é mais fácil chegar a mais público nomeadamente o que segue o convidado em causa. Esta música nas demos já era a escolhida para ser o single de apresentação pela música e pela letra em si. Depois com a participação do Rui foi um reforçar da escolha e ficou brutal, do nosso ponto de vista. O processo criativo demora sempre muito a acontecer porque o Carlos não consegue compor para Inkilina Sazabra num estado de espirito alegre: vai entrando num isolamento contínuo e expelindo os seus demónios, daí as músicas obterem as ambiências tristes e obscuras que adoramos. Depois o Pedro vai ouvindo os temas e vagueando pela cidade e ao olhar para o seu redor vai tendo ideias que guarda até montar as letras. A influência da geografia no processo criativo é um tema recorrente. O facto de estarem divididos entre Lisboa e Grândola é um condicionalismo ou vantajoso para os Inkilina Sazabra? Na verdade esta separação geográfica pouco nos atrapalha. Inkilina Sa-

zabra funciona muito pelo trabalho de casa de cada um. Todos sabem o que têm a fazer, depois é só nos juntarmos e limar algumas arestas, e a cena rola com facilidade. O estúdio e sala de ensaios é em Grândola e de Lisboa a Grândola é uma hora de carro. Podemos dizer que existem meses que nem sequer ensaiamos, os concertos chegam para a máquina estar afinada. Já no processo de criatividade dos álbuns, é tudo feito por trocas de e-mails. O Carlos Sobral faz o trabalho musical sozinho no estúdio, envia para o Pedro Sazabra, que em sua casa faz a letras. Corre excelentemente bem e quando nos juntamos é uma festa. Estamos muito orgulhosos deste disco e estamos desejosos de o dar a ouvir ao público de Inkilina Sazabra, assim como presenteá-los com um belo concerto dia 14 de setembro no Side B em Benavente. Os convidados que participam neste disco são pessoas que admiramos, enriquecem mais ainda este álbum e orgulha-nos muito suas participações. Atualmente existe na banda uma atmosfera de festa e comemoração que queremos partilhar com todos os malditos que nos apoiam e esperamos que este disco seja um marco na música rock industrial portuguesa. ///







20

anos de Cryptopsy, mais quatro como Necrosis, sete álbuns de estúdio, um EP, um álbum ao vivo e mais de 300.000 álbuns vendidos por todo o mundo, com muitas mudanças de formação pelo meio. Tem sido uma grande viagem… Sim, com toda a certeza (risos). Eu tento não pensar muito sobre o passado, por isso é sempre engraçado quando me apresentam todo este cenário que os Cryptopsy foram “desenhando” durante todo este tempo. Aposto que o “The Unspoken King” foi o álbum que a banda tinha intenção de criar na altura. Agora, cinco anos depois, qual é a tua opinião do álbum? Farias algo diferente? Não faria nada diferente… talvez algumas questões relativamente à mixagem. O processo de criação do “The Unspoken King” foi bastante diferente dos anteriores, porque estava a trabalhar com aqueles músicos pela primeira vez. Claro, para muitas pessoas o resultado soa diferente. Continuo feliz com a maioria das músicas do álbum. O Jon Levasseur está de volta. Penso falar em nome da maioria dos fãs: é com grande alegria que se vê este retorno do Jon à guitarra dos Cryptopsy. Assumo

que compartilhes este sentimento… Claro que sim. Eu e o Jon temos uma enorme química juntos, por isso foi com enorme prazer que voltei a colaborar com ele para este novo álbum. Eu, no passado, escrevi muitos discos com o Jon, por isso tê-lo de novo nos Cryptopsy faz-me sentir bem, como também faz-me pensar que é a coisa mais acertada.

oito músicas do álbum. Como têm sido estas primeiras reacções? As reacções têm sido boas. Continuam haver pessoas que, por alguma razão, não conseguem superar algumas coisas do passado… mas é a vida. A maioria das pessoas estão excitadas para ouvir mais coisas do novo álbum, e parece-me ser 95% positivo. É porreiro!

Agora encontram-se sem editora. O intermediário foi eliminado, e agora a banda detém todo o poder. Deve ser um bom sentimento para a banda… Sabe muitíssimo bem! Mas temos alguma ajuda e uma boa equipa na Galy Records, Revolution Harmony Records e a parte promocional pela Clawhammer. Penso que após estes anos todos é bom fazer as coisas para nós e para os nossos fãs.

Na vossa página do facebook descrevem as vossas influências como “anything”, e mais uma vez introduzem algumas partes de jazz no meio do álbum. Não há limites na música dos Cryptopsy? Não há limites se isso fizer sentido. Não somos o tipo de banda que irá atirar coisas para o meio de uma música apenas porque sim. Tem que fazer sentido musicalmente e fazer parte da estrutura global da música. Nem sempre é fácil concretizar isso, mas nós vamos tentando. Isto é parte das surpresas que eu falava anteriormente.

Como descreverias este novo álbum? Outro “degrau” na “escada” dos Cryptopsy? Penso que o álbum seja uma boa mistura entre o material antigo e o material mais recente. Tem surpresas aqui e ali, fazendo que todas as canções tenham algo de único. Divertimo-nos imenso a tocar estas músicas, por isso espero que as pessoas gostem do resultado final. O álbum ainda não foi lançado, mas já é possível escutar três das

E planos relativamente a digressões para fazer promoção ao disco? Algum plano para tocar em Portugal? Se fosse por mim, tocaríamos em todo o lado. Espero que 2013 seja um bom ano no que diz respeito às digressões, porque estamos bastante entusiasmados com isso. Iremos ver quais são as ofertas… ///


A

propósito de “Wisdom of Centuries”, o vosso quinto disco, a banda afirmou que o seu conceito lírico incide sobre a história recente do vosso país, tempos complicados ocorridos ao longo de duas décadas no século passado. Que eventos foram esses? Em primeiro lugar, saudações aos leitores da Infektion Magazine. Descrevendo a história com brevidade, te-

mos de nos remontar a 1917, ao ano da revolução na Rússia, em resultado da qual os comunistas vermelhos dominaram e governaram o Império. Na Ucrânia, que foi parte do Império Russo, antes desses acontecimentos, declaradou a independência e em seguida foi proclamada a República Popular da Ucrânia, mas a sua soberania, em seguida, foi quebrada pelo exército vermelho em 1919. Em resultado da ocupação total do território

do nosso país, em seguida, este foi adicionado à União Soviética. Esses eventos, acompanhados com uma série de motins espontâneos, fez com que um dos centros de tenha tornado a República de Kholodnoyarskaya ou Kholodny Yar (ravina fria, traduzindo). A sua queda oficial data de 1922, mas muitos dos factos dizem que pequenas forças ainda resistiram aos comunistas até 1933. Daí para a frente, os relatos referem a fome que


Estaline provocou, com o objetivo da destruição final dos últimos focos de resistência. No entanto, os Khors intitulam-se uma banda sem conotações políticas. Sentiram a necessidade sublinhar esse facto, uma vez que as vossas letras falam de forma tão vívida de tempos antigos? Nas nossas letras, não aludimos apenas a tempos antigos, mas também à história mais recente do nosso país, tal como poderás constatar no nosso novo álbum. Consideramo-nos patriotas e é, principalmente, esse sentimento que nos move. Se é na época antiga ou em épocas mais recentes – isso não é tão importante. Quais as principais mudanças deste registo para “Return to Abandoned” (de 2010)? Depois que gravarmos “Return To Abandoned”, mudámos de guitarrista. O Warth, que tocou nesse álbum, foi substituído pelo Jurgis que esteve envolvido em grande medida na conceção de “Wisdom of Centuries”. Noto também que existem mais experiências espirituais no novo álbum. Mais tristeza, dor, depressão, raiva, ódio, amor e sentimentos de desespero, em comparação com “Return To Abandoned”, mais direto e orientado para o Metal. Este é o primeiro álbum em que os Khors utilizam a língua de origem. Acham que, deste modo, estão a ser mais fiéis ao conceito pretendido? Mas, por outro lado, porque mantiveram os títulos dos temas em inglês?

Quando começámos com a banda não considerámos outra opção que não a da língua inglesa para as nossas letras. Era algo de comum para nós, pois as bandas nas quais tocámos no passado já o faziam e, além disso, consideramos que o inglês é o padrão no Metal. O nosso novo álbum é um pouco diferente daqueles que fizemos no passado, diferindo em muitos aspetos e, além disso, tem uma atmosfera, poder interior e a conceção especial. Este álbum era suposto ser executado em ucraniano. A banda mostrou uma sonoridade mais experimental e atmosférica, inclusivamente recorrendo a instrumentos menos comuns. Acham que os crescendos são uma forma mais eficaz de sublinhar uma mensagem que pretendem transmitir ao ouvinte? Acho que os ouvintes podem responder muito melhor a esta pergunta do que eu, com a sua reação positiva ou negativa. Estamos felizes com o trabalho que fizemos neste álbum, e posso garantir que vamos continuar com esse tipo de experiências no futuro. É fantástico como vocês conseguem pegar em melodias tradicionais do folk e darem-lhes uma roupagem Metal. Consideram que a introdução desses elementos, é um passo natural para bandas oriundas de uma cultura rica como a vossa? Antes de mais, obrigado pela tua apreciação. Acho que isso ocorre ao nível do subconsciente em cada banda em particular. Acredito que os arranjos possam não ser feitos de

forma completamente inconsciente, mas principalmente sob a influência de alguns sentimentos e experiências pessoais. Uma das principais caraterísticas deste álbum é a produção cristalina. Para o efeito optaram por quatro estúdios diferentes. Porquê? O estúdio principal que utilizámos para este álbum foi o Blacklight Studio em Kiev. Foi lá que gravámos a maioria dos instrumentos, fizemos a masterização e a mistura também. Teclados, guitarra solo e pistas de vozes foram gravadas mais tarde em alguns estúdios aqui na nossa cidade (Kharkiv) como era mais confortável para nós usá-los e por termos muito mais tempo para experimentações e gravação. O que nos podes dizer da cena ucraniana na atualidade? Existem algumas bandas que achas que mereçam destaque? Para ser sincero, não estou tão interessado em nossa cena Metal. Noto apenas que temos muitas bandas de Metal diferentes por aqui, mas os que realmente interessantes já são conhecidos fora do nosso país. Ao longo dos anos os Khors têm tocado em muito dos grandes palcos da Europa de Leste. Na próxima tour teremos a oportunidade de vos ver a tocas no resto do continente? Somos uma banda muito ativa em termos de espetáculos ao vivo, por isso gostaríamos de visitar o vosso país e outros por esse mundo fora, desde que haja propostas. ///



O

vosso álbum de estreia está finalmente cá fora, depois de 24 tortuosos anos de espera. Finalmente! A banda deve sentir-se bastante satisfeita. É uma grande satisfação ouvir o disco. Sim. Estamos aliviadas que o álbum tenha sido finalmente editado. Um dos pontos fortes deste disco é o som claramente old-school. Para aqueles que ainda não conhecem Derkéta, este álbum apresenta a verdadeira natureza da banda. Era um objectivo manter um som que expusesse exactamente a identidade da banda? Definitivamente! Penso que seja importante que as bandas capturem o som que lhes verdadeiramente agrada, e não tentarem competir com qualquer outra coisa que outros possam estar a fazer. Nem sempre é fácil, principalmente quando os engenheiros, no estúdio, se envolvem e tentam fazer o que acham que seria melhor para a banda. Nós temos a sorte de permanecer com as nossas “armas”, e ter encontrado um engenheiro que nos deu exactamente aquilo que queríamos. O caminho da banda tem sido algo (pondo isto de uma maneira mais agradável) tortuoso. Podes falar em relação à história da banda? Nem sei por onde começar! Nós tivemos, definitivamente, a nossa parte de problemas ao longo de todos estes anos. É quase como aceitar que irá haver um pouco de drama em algum momento na banda. O segredo é divertirmo-nos apesar

de tudo o que possa acontecer, e é algo que se vai aprendendo com o tempo. Eu fiz o erro, muitas vezes, de dizer “foda-se”, e sair de uma situação que poderia ser problemática. Ninguém gosta de lidar com problemas e é sempre mais fácil afastarmo-nos. Mas com a idade vamos aprendendo que enfrentar os problemas é, na maioria das vezes, a melhor solução, até porque a satisfação de solucionar os problemas é bastante elevada. Encontrar membros que estejam na mesma “página” e que queiram as mesmas coisas não é tarefa fácil. Mas quando os encontramos vale bem a pena todo o trabalho. O meu conselho para todas as outras bandas que povoam esta indústria é: respeitem a vida pessoal dos outros, isso é algo que terá que ter prioridade em relação à banda. Nós temos necessidade de ter amigos e quando as coisas dão para o torto é ai que se descobrem os verdadeiros amigos, e essas são as pessoas que interessam, e com as quais te irás divertir mais. Em relação ao disco, tenho a dizer que o ambiente criado é algo tenebroso. Na review que fiz, lembro-me de dizer que este disco servia como uma espécie de manual para todos aqueles que, infelizmente, desconheciam o death/doom. Ainda te lembras dos sons que te arrastaram para este género musical? Ainda fazem parte da tua “dieta” musical, certo? Obrigada! Significa muito para nós quando verificamos que houve alguém que percebeu o trabalho que desenvolvemos. Pessoalmente penso que um riff é pesado quando as

notas o conseguem sustentar. Algumas das bandas que me arrastaram para este género são bandas que estavam a editar trabalhos nos anos 80: Death, Autopsy, Massacre, Sepultura, Nun Slaughter, Celtic Frost, Dream Death, Candlemass, Paradise Lost, etc. Numa época onde as bandas não tentavam ser as mais rápidas, ou ter um trabalho de guitarra bastante complexo, ou alcançar vocalizações extremamente profundas. Era tudo música honesta, criada por pessoas honestas sem tiques megalómanos. O “In Death We Meet” é editado num excelente período de tempo se analisarmos a conjuntura actual. Finalmente o doom e o death, e até a junção das duas sonoridades, são bem aceites pelos fãs. Boas bandas não precisas de hype, mas é bom ter algum suporte da indústria certo? Sim, eu penso que o estilo de Derkéta continua a ser uma minoria quando comparado com tudo o resto que por ai anda, por isso sabe bem ter algum apoio, nem que seja para continuar a trabalhar. Não tanto para continuar com a banda, mas sim para se poder investir algum dinheiro. Se estás a fazer algo que ninguém tem interesse, então tens que te auto-financiar, com o elevado risco inerente a toda a situação. Caso existam interessados então o risco é muito inferior, quando decidimos, por exemplo, lançar merchandise. Com Derkéta, demorou cerca de 14 meses, com três estúdios diferentes, para conseguir gravar o álbum da maneira que eu tinha idealizado. Eu estava tão distraída ao ponto de ficar extremamente ansiosa a pen-


sar se os outros iriam pelo menos gostar do resultado final. No final do dia, o facto de ter o apoio de todos os envolvidos é uma das coisas mais importantes para mim. Faz com que a longa e tortuosa estrada valha a pena. Todas as entrevistas devem focar-se, em certa medida, no facto da banda ser constituída apenas por elementos femininos [NR: depois da gravação do disco esta situação já não se verifica]. A verdade é que não consigo perceber qual é a relevância que isso pode ter quando o que realmente interessa é a música. É complicado lidar com todas as questões ligadas ao género sexual? Não é que seja complicado, é apenas aborrecido. Não percebo a grande estupefacção que algumas pessoas têm em relação a este assunto, sendo eu uma mulher, isto tudo é bem natural para mim, como seria de prever. O único aspecto que eu gosto de promover é o facto histórico (Derkéta foi a primeira banda, totalmente composta por mulheres, dentro do death/doom). Se há alguma coisa a apontar, será o facto de o fazermos tal como qualquer banda de homens, sem preocupações extraordinárias. Nós fazemos o que realmente queremos. Isto que fazemos não é nenhuma espécie de truque, é verdadeiro e para valer. Fico surpreendida com o facto de alguns

homens, que tocam este tipo de música, acharem que isto é algo que pertence, por direito, exclusivamente a eles. Não existe qualquer tipo de lógica nesse tipo de pensamento. A verdade é que não temos que lidar com esse tipo de coisas em Pittsburgh, pelo simples facto de existirem imensas bandas (de metal) compostas por mulheres. Apenas é assim que acontece. O álbum foi editado e a Terri (baterista) foi substituída pelo excelente Michael Laughlin. O que aconteceu para que houvesse esta mudança? Sim, a Terri só concordou em fazer a gravação do álbum, e nada mais. Nós esperávamos que ela pudesse mudar de decisão, mas ela está muito ocupada com a sua vida pessoal, e a banda simplesmente não era uma prioridade para ela… nem ela queria que fosse. Nós todos respeitamos a sua decisão e estamos felizes de termos tido a oportunidade de trabalhar com ela novamente, e estamos muito satisfeitas por agora trabalhar com o Mike. Foi um promotor local que me apresentou ao Mike e a coisa funcionou instantaneamente. Ele tocou com os Creation, Crucifixion e com os Cattle Decapitation. Ele é um mestre nos blastbeats, mas aceitou o desafio de tocar doom metal! A personalidade do Mike encaixa-se com a nossa personalidade, por isso tem sido

muito divertido tocar com ele. A banda já está a dar concertos. Devem-se sentir muito bem por terem a oportunidade de tocar ao vivo. Há algum plano para tocar na Europa? Sim, é extremamente bom poder tocar ao vivo. Agora temos mais cinco datas confirmadas nos EUA. O nosso objectivo é tocar na Europa no próximo ano, mas isso depende dos promotores locais. Fala-se na possibilidade de pudermos ir a Porto Rico, e América do Sul, no próximo ano. Infelizmente a Europa não passa de uma ambição, ainda nada foi falado em relação a isso. Esperemos que a situação se altere. O nosso planeamento tem que ser bastante estratégico porque há necessidade de usar o tempo de forma sábia, visto que temos que utilizar as nossas férias para fazer uma tour. Em relação ao futuro, há algum plano para editar um novo álbum? Sim! Para já iremos gravar uma cover dos Death, a “Regurgitated Guts”, para uma compilação que irá beneficiar estudos sobre o câncer, isto em Outubro. De qualque maneira nós já começamos a escrever novo material, e se tudo correr bem, em 2013 entraremos em estúdio para gravar o álbum. Nada de muito concreto, mas irá acontecer… definitivamente.///



C

omo, e quando, é que a banda foi criada? Como já se passaram alguns anos, alguns dos detalhes caíram no esquecimento. Mas o início deu-se no verão de 2002, quando eu (teclas/voz), o nosso primeiro baixista e o nosso primeiro guitarrista começamos a tocar juntos. Naquele momento não sabíamos bem a direcção musical que haveríamos de escolher, excepto o facto de haver um consenso, entre todos, que seria algo ligado ao “dark metal”. Estou a falar dos tempos em que fazíamos os nossos próprios pedais de distorção (auxiliados pela internet), e sem ter a mínima ideia de onde iríamos encontrar um baterista para tocar metal.

O “’The Quantum Theory of Id “ é o vosso primeiro álbum oficial, mas a verdade é que já tinham lançado um álbum, uma demo auto-financiada, o “Prelude”. Houve significantes alterações no som entre estes dois registos, certo? Sim, definitivamente. Houve alterações, e até se pode dizer que foram bem drásticas. “Prelude” era uma colecção de canções que criamos desde o início da banda, em 2002, por isso, como podes imaginar, estamos a falar de composições bastantes ingénuas comparadas com as recentes composições (apesar de essas primeiras composições apontarem para esta corrente direcção musical). Aliás, houveram muitas composições entre o “Prelude” e o “The Quantum

Teheory of Id”, que decidimos não incluir em nenhum registo para podermos focar em algo completamente diferente – em termos de som, composição, conhecimento, etc. E foi exactamente assim que o nosso debut foi criado. Há um objectivo de criar uma introdução com a faixa “Infimum”, preparando assim o ouvinte para o resto que está para vir? Ambos os aspectos do álbum – a nível musical e de letras – são algo de grande importância a nível conceptual. Tendo em conta a importância desses aspectos, nós tínhamos necessidade de ter uma introdução tanto a nível musical como uma espécie de background minimalista em


relação às letras. Para todos aqueles que não prestam grande atenção às letras, a “Infimum” tem o objectivo de funcionar como um “acordar atmosférico”, e para aqueles que prestam atenção, pode apenas servir como um prólogo. Podes explicar os temas abordados pelas letras, e a relação entre música/letras e a capa do disco? A introdução repete muitas vezes a palavra “mecânica”, que parece ser o principal tema abordado na capa do disco. Falando sucintamente do enredo por detrás do disco: envolve a colisão histórica entre o determinismo e indeterminismo. A história conta, como o aspecto primitivo é por vezes abandonado à luz de novas ideias que nos rodeiam. O álbum começa com a fractura na visão de um mundo mecanicista e, portanto, a imagem da capa. Nós decidimos que teríamos que ter uma capa bastante minimalista, daí o fundo brilhante com uma imagem de algumas peças mecânicas. O nome das músicas corresponde a títulos de livros, e textos, que existem na realidade. E cada um faz correspondência com certas etapas da jornada. Como é que surgiu esta ideia? Não te posso precisar isso de momento. Mas penso que a primeira coisa que nos surgiu foi o “Principia” de Newton, pois é a trave-mestra de todo o determinismo. Mais tarde apercebi-me que cada ideia representada nas letras faziam correspondência com alguns dos mais influentes textos sobre esses mesmos assuntos, que estão associados ao tal determinismo/indeterminismo, e

também ao racionalismo/irracionalismo. E foi assim que escolhi o título das últimas quatro músicas. O álbum foi editado em 2010, como é que as pessoas têm reagido? Durante os últimos dois anos, o número de pessoas interessadas no nosso trabalho, tem registado um aumento constante. Por isso somos encorajados a pensar que as pessoas apreciam a nossa abordagem, pouco ortodoxa, perante a música e letras. Posso até dizer que tenho ficado surpreendido com algumas das críticas, que têm feito uma abordagem bastante profunda do disco, algo que não esperava que acontecesse. Como é a cena musical na Lituânia? Por exemplo, o site Encyclopaedia Metallum regista apenas 131 bandas com origem na Lituânia, sendo que metade delas estão inactivas. É uma cena pequena, certo? Dirias que é um mercado algo complicado para bandas de metal? Bem, confesso que nunca pensei em termos estatísticos, muito menos estatísticas ligadas ao metal. Confesso que bastam os dedos das minhas mãos para contar o número de bandas activas na Lituânia, mas por outro lado é uma cena que tem vindo a crescer (agora começam a surgir muitas bandas associadas ao groove e thrash metal). É um processo bastante dinâmico – e talvez natural – enquanto algumas bandas desaparecem outras vão surgindo. É capaz de ser a principal dor de cabeça para os promotores locais, mas não diria que o factor geográfico faça assim tanta diferença em relação às complicações para as bandas de metal.

Sendo a banda, acima de tudo, avant-garde quais são as vossas principais influências? Essas influências, com certeza, irão para além do metal, certo? Talvez não seja muito apropriado, da minha parte, começar a enumerar bandas e pessoas que nos influenciaram. E digo que será inapropriado por diversas razões. Primeiro, é sempre bastante difícil decidir quais foram as bandas, ou músicos, que nos influenciaram directamente. Talvez, inconscientemente, todos sejam uma influência no que fazemos, e tens razão, não sofremos influências apenas de bandas/músicos com ligação ao metal. Depois há o facto de eu não poder falar por cada um dos membros, e mesmo que pudesse acho que as influências nas bandas provém de interesses mútuos, e não de influências directas que cada um vai assimilando. O álbum já tem dois anos. Existem planos a nível de futuros registos discográficos? Sim, já passou um período considerável de tempo desde que editamos o “The Quantum Teheory of Id”, e por isso temos planos para futuros registos discográficos. Para ser mais preciso, posso adiantar que discute-se a hipótese de lançar mais que um registo discográfico… mas é tudo o que posso relevar por agora. Este Outono será bastante importante nesse aspecto, por isso fiquem atentos! Aconselho, os interessados, em visitar o nosso site (www.inquisitor. lt), e o nosso facebook (www.facebook.com/inquisitor.lt) para ficarem a par de todas as actualizações relativamente aos Inquisitor. ///


D

epois de 18 anos de actividade e cinco álbuns de estúdio que são considerados pilares do universo funeral death/doom, qual é o balanço que fazem de tudo isto? É um pouco difícil de compreender os nossos álbuns sendo considera-

dos “pilares”. Para mim, nós basicamente esculpimos canções que têm como base as influências que fomos acumulando ao longo de todo o caminho. Eu considero essas bandas, que nos influenciaram, como sendo autoras de verdadeiros “pilares” dentro dos géneros em que se inserem. Apenas somos muito meticulo-

sos com a escrita. Cada riff e cada música deve ser absolutamente o nosso melhor material na época. Evitamos que algo seja simplesmente colocado numa música como sendo um “filler”, ou uma ponte entre riffs. Então quando há um controlo de tal envergadura é natural que as coisas levem algum tempo.


Cinco longos anos desde a edição do “A Caress of the Void”. Como se sentem ao voltar ao mostro colossal que é a instituição Evoken? Para ser honesto, nunca paramos. Entre o “A Caress of the Voird” e novo álbum, nós gravamos um split EP com os “doomster” suecos Beneath the Frozen Soil. Também fizemos uma tour de duas semanas na Europa, e tocamos no, que é para mim, melhor festival do mundo, o Roadburn Festival. Bem e também tivemos outros concertos importantes. Com isto dito, é óptimo ter um novo álbum, ainda para mais com a distinção de ser a centésima edição da Profound Lore. Para este novo álbum houveram bastantes alterações na formação. A saída de dois membros (Nick Orlando e Craig Pillard), e a entra de três novos membros: Don Zaros (teclas), David Wagner (baixo) e Chris Molinari (guitarra). Porquê todas estas alterações? O Nick queria viver numa parte diferente do país. Ele não queria deixar de tocar com os Evoken, apenas decidiu tentar melhorar a sua situação. O Craig simplesmente deixou a banda. Os novos membros eram apenas os substitutos perfeitos tendo em contas as nossas necessidades. Quais eram os objectivos da banda para este novo álbum? Suponho que os novos membros tenham ajudado no processo criativo, talvez até tenham modificado esse mesmo processo, certo?

O processo não sofreu grandes alterações para ser sincero. Eu e o Vince sempre fomos as principais forças criativas, e com a adição do Don, Chris e do Dave, as coisas simplesmente fluíram tal como tinha acontecido no passado. Qual é o significado do título do álbum, “Atra Mors”? “Peste Negra” em latim, e é baseada na peste negra que assolou a Europa no século XIII. Os Evoken nunca foram uma banda estática. Houve sempre alterações e progressões relativamente ao som da banda. Qual é a principal diferença entre este álbum e os restantes? A principal diferença são os nossos novos membros. A influência deles tanto no processo criativo, como no processo de gravação, fez com que este álbum fosse diferente em alguns aspectos. Também não queríamos criar nada que fosse uma cópia de trabalhos anteriores, mas sim uma clara progressão e crescimento musical, e mesmo a nível de produção. Pelo que pude observar este álbum tem sido muito bem recebido pelos fãs. Sentes isso? Sim, absolutamente! As reviews têm sido simplesmente incríveis e têm chegado com grande velocidade. Estamos confiantes em ter criado algo em que podemos ter orgulho, mas confesso que estava algo ansioso pelo facto de ser o primeiro álbum que compomos sem o Nick. “Atra Mors” é o centésimo álbum que a Profound Lore Recor-

ds edita. A banda deve-se sentir algo orgulhosa pela confiança depositada. É um tipo de reconhecimento que obtêm certo? Sentimo-nos honrados, apesar da imensa pressão e responsabilidade inerentes. O Chris, da Profound Lore, acreditou nos Evoken, e ele sabe o que faz. E para promover o álbum, quais são os planos? Tours nos EUA e na Europa? A nossa vontade passa por fazer uma tour por tudo quanto é sítio, mas a verdade é que apenas temos possibilidade de fazer pequenas tours, de momento. As nossas responsabilidades como civis são demasiado grandes, tanto como para com as nossas famílias como para com as contas que todos os meses temos que pagar. Se nos for dada uma quantia substancial de dinheiro para podermos parar durante algum tempo de trabalhar, tudo bem. Senão é impossível. Como disse, as responsabilidades são muitas e o risco é demasiado elevado. Alguma hipótese de fazerem algumas datas em Portugal? Se não estou enganado, os Evoken nunca tocaram em Portugal. Nos adoraríamos tocar em Portugal, especialmente com os grandes Desire (banda doom/death portuguesa). Nós fizemos uma pequena tour com os Desire em 2003 e eles foram fantásticos. ///



T

enho que concordar com o Scott Kelly: “autenticidade não é algo que se adquira, ou tu tens ou não”. “A Great River” está cheio de autenticidade. Podes explicar de onde vem toda essa energia? Penso que todos podem ser artistas autênticos, apenas seguido os seus próprios interesses e desejos. Artistas, e mesmo pessoas que não são artistas, sacrificam autenticidade quando começam a olhar mais para o exterior em vez de olhar para o interior. Agradeço o elogio do Scott, e o teu. Muito mesmo. Mas a verdade é que o álbum é forte porque eu deixei as coisas surgirem naturalmente. Não houve uma preocupação em analisar e pensar em todos os pequenos detalhes. É verdade que o álbum foi gravado em “uma única noite de Março”? Sim. Eu fui uma noite para o estúdio para configurar tudo e, de seguida, gravamos tudo como pretendia. Aproveitamos e mis-

turamos na manhã seguinte. Como foi o processo de criação das canções para este disco? Eu imagino que seja um processo diferente daquele que acontece nos US Christmas? Talvez até as razões que levam a criar o disco sejam diferentes. Sim. Este é um disco mais pessoal, mais impulsionado pelas minhas próprias lutas pessoais. Mas de qualquer maneira não consigo me separar dos USX. Só tentei seguir o fluxo sem questionar o porquê. E as influências? Posso estar enganado, mas consigo ouvir algum Tim Buckley no disco. Estou enganado ou é, de facto, uma das maiores influências neste disco? Claro que Van Zandt é outra grande influência (a cover de “Kathleen”, por exemplo). Sei quem é o Tim Buckley, mas francamente estou mais familiarizado com o trabalho do Jeff Buckley. Não é uma grande influência porque simplesmente não ouvi muito do trabalho dele. Eu

diria que as minhas influências são: Neil Young, Tom Petty, Dylan, Springsteen e Brett Netson. Mas é interessante teres feito essa ligação. Irei explorar no futuro. A nível das letras, o trabalho é algo sombrio. Podes falar mais sobre as letras? Honestamente? Não! Eu ainda não percebo grande parte delas, e não tenho intenção de o fazer. Eu penso que as coisas são ainda mais poderosas quando é impossível ter o pleno entendimento delas. Veja-se o exemplo da “Visions of Johanna” (Bob Dylan). Há algum plano para um novo trabalho discográfico no futuro? Tenho planos para gravar outro disco, logo que tenha a oportunidade de regressar ao estúdio de gravação com o Tavis Kammayer. Guitarras eléctricas e exploração sónica. Tenho também algumas canções que são do mesmo género das canções que compõem o “A Great River”. ///



A

pesar da fantástica abordagem em “Black Meddle Pt. I e II”, “Silencing Machine” parece-me ser uma continuação de “Instinct: Decay” (2006). Porquê esta decisão? Era esse o plano original, criar dois álbuns muito diferentes com os “Black Meddle” e voltar então a fazer aquilo que sempre nos definiu. Pessoalmente gosto mais deste novo disco do que qualquer outra coisa que tenhamos feito. O vosso nome passou a ser mais ressonante com o lançamento dois dois álbuns que compõem o “Black Meddle”. O que é o “Black Meddle”? “Black Meddle” foi um jogo de palavras com o álbum “Meddle” dos Pink Floyd. Os dois álbuns desta série eram muito psicadélicos e foi assim que o título surgiu. Eu era muito influenciado pelos Pink Floyd e isso juntamente com o som que havíamos criado levou-nos a criar o nome “Black Meddle”.

Para uma banda criada no ano 2000, os Nachtmystium já contam com uma discografia tremenda! Consideras que este é o regresso da banda às suas raízes? Sim, sem dúvida. Este álbum assinala o regresso às nossas raízes. Queríamos fazer algo que fosse muito diferente daquilo que havíamos feito nos álbuns “Black Meddle“. Para mim, este é o tipo de som que deveria estar presente em “Instinct: Decay“. Este tipo de música e energia e com esta produção. “Silencing Machine“ é também um álbum onde toda a banda deu o seu contributo. Podes-nos falar um pouco sobre o processo de composição e de gravação? Sim, no passado eu encarreguei-me da maior parte das composições pois eu era o Rei do “contratar músicos de estúdio“, mas este line-up tem tocado comigo nos últimos dois anos e estamos a trabalhar juntos como uma verdadeira equipa. Ao contrário da maioria das

bandas de Black Metal, o satanismo e o oculto não são um tema recorrente nos vossos discos. Mas pergunto-te: têm algum tipo de ideologia? Sou bastante anti-religião. Costumava identificar-me mais como satanista mas na actualidade não sigo nada. No meu entender todas as religiões são um problema e a razão da maioria dos problemas na nossa sociedade. O que vem a seguir para a banda? De momento estamos a organizar uma tour nos Estados Unidos para o final do ano. Daí partiremos para a Europa para tocar em alguns festivais e fazer também uma tour. Estou também a finalizar o próximo álbum dos “Twilight“, que contará com a presença de Thurston Moore dos Sonic Youth. Temos um ano bem agitado à nossa frente por isso mantenham-se atentos e espero ver-vos em tour brevemente! ///


D

isseram que em “Blood” queriam adicionar elementos que não tivessem sido mostrados antes. A que elementos se referiam? Acho que se ouvires todos os nossos álbuns podes ouvir claramente a nossa progressão até este ponto. Mas se nunca nos ouviste, direi que a principal diferença é a produção que é mais clara e há mais “tecnologia” ou elementos de programação,

mas também vocalmente a Maria trouxe um monte de novos sons. Dirias que encontraram a vossa verdadeira identidade na música que fazem? Sim, claro. Crescemos e tornamo-nos a banda que somos hoje. Isto somos nós despidos até à essência. Se pudesse tocar a um ouvinte um álbum que resumisse o que é a nossa banda, seria este. Qual é a importância das pala-

vras neste álbum? As palavras são sempre importantes para nós e a Maria está pessoalmente ligada a cada palavra que canta. Este é o ponto fulcral da canção e as palavras são mesmo importantes. Na faixa “blood” revertem a normalidade. Estou a referir-me à letra… (não sei explicar isso melhor) e isso cria um efeito intenso. Foi algo consciente? Sim as letras pretendia-se que fossem perturbantes e intensas. E essa


é a vibração principal da canção, que fala dos dois lados que cada pessoa tem e passam por se amar e detestar ao mesmo tempo. Esta canção tem um certo sabor Punk, ou não? Acho que podes dizer isso. O punk não é exatamente um estilo que eu diria que nos influenciou, mas o metal e o punk têm fortes laços e nós somos uma banda de metal, por isso aí tens. Achei “Adrenalize” e “Whore” canções muito sexy e ponderosas, porque um tom sexy mas com uma certa rebelião negra, que faz uma maravilhosa contradição. Qual é o teu ponto de vista quanto a estas canções? Essa é uma otima forma de as descrever. Concordo totalmente. É isso que as torna especiais e musicalmente elas são também muito interessantes. Sussurrar é um elemento musical interessante? Sussurar durante uma canção pode transmitir uma certa emoção e se for um interlúdio entre canções então virá talvez de um ponto de vista

mais artístico e menos musical. Podes falar de “Beast Within”? Esse é o nosso hino de dança no metal, haha. Esta canção foi co-escrita por Kane Churko e ele tem um sentimento muito fresco para a nossa banda. Trata-se de libertar a besta quando estás em palco. Sentes que arriscaram mais neste álbum? Sim fizemos uma abordagem mais escura e controversa em tudo e isso é arriscado. Mas sem risco não há recompensa! A Maria e o Chris são tidos como os criadores da banda como é que isso é encardo pelos outros músicos? Bem todos sabem com o que contam quando vêm para esta banda e toda a gente que está quer cá estar. É uma imensa oportunidade fazer uma digressão mundial e ser uma estrela rock. Nessa tal sessão de improviso onde tu e a Maria se conheceram, o que é que fez o clic entre vocês que vos levou a querer formar a banda?

No meu caso foi perceber que a Maria era especial e que a voz dela era especial e eu queria estar numa banda com uma cantora especial. Soube que podíamos fazer algo único que as pessoas ainda não tinham ouvido. O corvo é um element recorrente no vosso grafismo. O que é que significa para vocês? Os corvos são sobre viventes, são também muito espertos e belos. Evocam um imaginário negro. Neste álbum há um grande elemento de surpresa, coisas que se transformam noutras coisas. Sim queríamos manter o interesse do ouvinte. Dar não apenas boas canções mas também proporcionar uma experiencia ao ouvinte. Tentamos sempre fazer isto nos nossos álbuns. Mas com “blood” fomos muito bem sucedidos. Há uma ideia de mantra na faixa 11.11? Desculpa, essa é uma pergunta para a Maria Brink. Muito obrigado pela entrevista. ///


E

m primeiro lugar, gostaria de vos dar os parabéns pelo brilhante “…to North”. Quais as mudanças essenciais em relação ao vosso disco de estreia, em termos musicais e conceptuais? Agradeço imenso o apoio e fico contente que tenhas gostado! Bem, realmente não é um álbum que pretenda quebrar quaisquer fronteiras ou onde exista qualquer mudança de maior. Protege, sim, o que já criámos até aqui! A base

de King of Asgard (KaO) é a mesma, tanto musicalmente quanto liricamente, mas, se analisarmos com mais atenção, o álbum como um todo é muito melhor do que “Fi’mbulvintr”. Quando começamos a trabalhar nas músicas para “... to North”, limitámo-nos a deixar fluir a criatividade e não definir quaisquer limites. Definimos pequenas metas do que queríamos fazer e alcançar, como a construção de uma atmosfera, energia, agressividade – individualmente ou

de forma combinada. Queríamos criar sensações e “sentir” através da música e espero que o resultado final tenha também o mesmo efeito. Por isso, a base consiste realmente apenas em fazer músicas fortes que todos nós possamos apoiar e, a partir daí, caminhar noutras direções, tal como já acontecia no álbum de estreia. A diferença de “… to North” para a estreia é que é basicamente um álbum muito melhor e as músicas foram muito mais pensadas e


trabalhadas. Veremos o que o futuro nos reserva, mas por agora, não nos preocupamos desde que estejamos satisfeitos e sintamos que estamos a fazer algo por prazer e que valha tanto para nós como para os nossos fãs. Esta é a primeira gravação com Lars Tangmark como guitarrista. Como foi compor e gravar com dois guitarristas? É verdade que o Lars começou a tocar connosco mal “Fi’mbulvintr” foi lançado, por isso ele esteve presente durante todo o processo de criação de “...to North”. É natural demorar a entrar totalmente no esquema, mas foi realmente bom tê-lo e isso torna as coisas muito mais fáceis de criar e experimentar novas ideias no local de ensaio. Ainda assim, o material demora mais ou menos o mesmo tempo a criar uma vez que estamos mais exatos e precisos enquanto estivermos a trabalhar nestas circunstâncias. Sendo dois guitarristas facilita realmente as coisas em termos de composição, tal como durante a gravação e facilita o processo criativo - considerando que alcançámos um som mais forte, por exemplo, o que é algo de importante para a sonoridade geral de King of Asgard. Ao mesmo tempo, ajuda consideravelmente na escrita de canções e a experimentar novas ideias quando podes beneficiar da possibilidade de ter duas guitarras para trabalhar. É claro que, sendo capaz de executar as músicas na sua totalidade, especialmente ao vivo, ser capaz de adicionar loops e afins e ainda deixar uma guitarra na parte inferior. Portanto, é absolutamente fantástico poder trabalhar desta forma.

Porque decidiram voltar a trabalhar com o Andy LaRocque (King Diamond) como produtor? Qual é papel dele no vosso som? É verdade que esta foi a segunda vez que King of Asgard gravaram nos estúdios Sonic Train com o Andy, e nunca chegámos a questionar outro cenário, para ser honesto. O nosso relacionamento com ele e com o seu estúdio vem-se tornando mais forte. Alguns de nós já o conhecemos há muitos anos, nomeadamente por gravarmos com ele com bandas anteriores. Ele é muito acessível e um tipo bestial com quem realmente é ótimo de trabalhar. Está sempre aberto e recetivo às nossas ideias e objetivos com a gravação. Por isso, como nos tornámos tão próximos tanto profissionalmente como em camaradagem as coisas funcionam muito bem e todos sabemos com o que podemos contar. Ele ajuda-nos “apanhando” o som que queremos mesmo antes de entrarmos no estúdio. Transmitimos-lhe muito concretamente o que estamos à procura, e ele consegue-o tanto através do seu equipamento, como empurrando-nos até aos nossos limites. O Andy também é uma espécie de coprodutor das nossas gravações, transformando os nossos pensamentos em realidade, bem como trazendo e experimentando as suas próprias ideias e impressões da nossa música. Assim, claro que ele tem influência e um papel importante na banda. Ele opera com o equipamento certo, nós gostamos de trabalhar com ele e ele realmente gosta de trabalhar com os KoA e funcionamos como um todo. Em “…to North” parecem ter mostrado uma atenção maior às estru-

turas e detalhes dos temas. Como é o desafio dos elementos da banda prepararem esses aspetos técnicos? Bem, surgiu naturalmente, em contraste com o que aconteceu com “Fi’mbulvintr”, que já estava parcialmente escrito quando nós assinamos com a editora. Desde o primeiro momento em que pegámos em “... to North, dedicámos-lhe toda a nossa atenção. Era uma nova forma de trabalhar para King of Asgard com um line-up completo totalmente empenhado. Construímos as canções com bases sólidas e trabalhámos a partir daí na criação de melodias ou noutros aspetos necessários. Fomos erigindo esta construção tijolo por tijolo para obtermos a sensação que estávamos à procura e, se tudo correr bem, esperamos atingir o pico. Nesta altura, é necessário um cuidado adicional na composição, o que exige mais de nós, assim como nós precisamos de ser mais cautelosos sobre as estruturas. Vamos gravando as nossas coisas durante todo o processo de escrita e ouvimos esse material durante muito tempo para, assim que finalmente entramos em estúdio, não devam ocorrer quaisquer surpresas. Nessa fase, o produto está basicamente concluído e o resultado funciona como recompensa de incontáveis horas de trabalho duro anteriores. Por isso, como reparaste muito bem, prestamos mais atenção aos detalhes e estruturas e ficamos satisfeitos que isso se note. Apesar de terem optado por uma certa continuidade artística, noto que a banda quis introduzir mais elementos dinâmicos nos temas. Foi algo pensado de antemão ou essa progressão surgiu naturalmente


durante o processo de composição? Isso também é algo que surgiu de forma natural e resulta do facto de “... to North” ter sido o primeiro registo que a banda escreveu em conjunto – principalmente eu e o Karl (voz e guitarra), embora com o contributo de todos. Tal como mencionei antes, queremos dar sentido e sentir a nossa música, não apenas através da agressividade, como tal, o lado mais épico é mais pronunciado. Tendo isso em mente, ao escrever e criar canções, “... to North” tornou-se muito mais dinâmico do que foi o antecessor. Portanto, trata-se de um passo consciente que tomamos assim como um desenvolvimento natural para os King of Asgard. Tiveram dois convidados neste registo. Quais foram os seus contributos? Sim, é verdade, sentimos que dois dos temas exigiam algo mais e, assim, surgiram estas ideias e contribuições. Em primeiro lugar, as partes de guitarra solo em “Gap of Ginnungs”, que foi uma ideia que surgiu num ensaio e com a qual também fizemos uma pré-produção. Estamos em contacto com o nosso bom amigo Jimmy Hedlund (dos Falconer, etc.) e perguntámos se ele estava interessado em assumir esse papel, uma vez que sabíamos que ele era o único capaz de acertar em cheio. Ele aceitou imediatamente e ninguém ficou mais feliz do que nós, uma vez que ele é provavelmente o guitarrista mais talentoso que conhecemos, assim como um tipo impecável. Seguiu-se uma melodia de inspiração folk que queríamos em “The Nine Worlds Burn”. Lembrámo-nos naturalmente da Heléne Blad que já tinha gravado vozes na nossa estreia. Ela é também muito talentosa, uma amiga próxima e foi perfeita para este trabalho, que pretendia recuperar o que ela fez da primeira vez. De alguma forma, acabamos sempre

por recorrer a amigos próximos para trabalhar - seja no artwork, música, letras, etc. Estamos num meio cheio de artistas e gente talentosa, sem nenhuma dúvida, e felizmente eles querem participar no nosso trabalho.

Nos últimos anos, tem vindo a haver uma espécie de ressurgimento do Viking Metal. A que fatores atribuis o regresso deste subgénero (do qual sempre fizeste parte…)? Na verdade, podemos não ser os mais indicados para responder a essa pergunta, infelizmente. Nós estamos muito envolvidos no subgénero e nem nos identificamos com esses termos, para ser sincero. O que é natural para nós é tocar em King of Asgard. Os subgéneros vão e vêm, como sempre. Uma coisa poderia ser um “gancho” melódico com o qual as pessoas facilmente se podem identificar assim como o interesse em conceitos históricos, como a mitologia nórdica, etc. Isso é o que pode vir à cabeça, numa primeira análise. Nem sei como ou sequer se é realmente muito popular - mas parece que sim, uma vez já nos fizeram essa pergunta. Nós gostamos de tocar ao nosso estilo, com influências folk misturadas com Blackened Death Metal - que bem poderia ser uma outra razão para podermos fazer a diferença. Voltar às raízes que tanto prezamos é algo que notamos que é apreciado pelos nossos fãs. Desde os Bathory que o Metal e a música Folk têm uma relação de cumplicidade. Na tua opinião, qual a razão para este tão prolongado (e bem sucedido) relacionamento? Acho que é porque nasceu da paixão, coração e devoção. Naquela época, era tudo novo e um estilo tocado com grandeza. Embora, desde essa altura não tem sido feito com a mesma grandiosidade, já que me perguntas. Não sei

porque assumiu um lugar com tal estabilidade, mas é um toque agradável e, é claro, que facilita a atenção e o reconhecimento. As pessoas, muitas vezes, tendem a olhar para trás e ambas as correntes que mencionaste representam um grande património musical do qual precisamos de cuidar bem, e que é, sem dúvida, eterno. Apesar dos King of Asgard terem alicerces fortemente assentes no Metal, sinto curiosidade em perceber quais são as vossas referências para as melodias Folk que criam. Consegues dar alguns exemplos? A maioria dessas influências advém realmente da amálgama de toda a música Folk que ouvimos desde a infância. No entanto, há um artista, ou melhor um álbum específico, que influenciou o lado Folk dos King of Asgard, que é o “Jazz på Svenska” do Jan Johansson, que capta a essência e a alma da música folclórica sueca. Um grande álbum e uma fonte de inspiração para nós, da qual nos orgulhamos em reconhecer que, de vez em quando, usamos como um alicerce musical. Quais os planos da banda para a promoção deste álbum, sobretudo em termos de espetáculos ao vivo? Faremos o nosso melhor para tocar, tanto quanto possível, uma vez que é no ambiente ao vivo que a música de KoA se torna realmente poderosa. É mais fácil para nós tocar em concertos pontuais como festivais e assim, devido a condicionalismos pessoais dos membros da banda - mas é claro que queremos que isso aconteça sempre que possível! Assim, espero que haja alguns concertos num futuro próximo – apesar de, por agora, não haver nenhuns planos nesse sentido. Venham daí essas propostas. ///


E

xcruciating Severe Laceration” foi lançado em Junho. Como tem sido o feedback até agora? O feedback tem sido maioritariamente positivo. Fico satisfeito por todas as palavras e por todo o apoio que nos fazem chegar. É isto que faz a banda continuar. E já agora, a data de lançamento foi no meu dia de aniversário, o que foi muito bom para mim! Em que é que este álbum difere de outros lançamentos de Brutal Death Metal? E para aqueles que não vos ouviram antes, o que podem esperar? Cada álbum é diferente à sua maneira. Mas digo-te isto: este álbum é doentio e explosivo, tendo também

a sua parte de riffs memoráveis e cativantes. Cabe a ti ouvires e decidires. Na altura do processo de composição o que vem primeiro? A música ou as letras? A música vem primeiro. É a chamada “acumulação de riffs”. A partir daí envio partes de músicas ou até músicas completas para o Kim (baterista). Depois disso vem o processo chato de editar tudo até estarmos completamente satisfeitos. Relativamente às letras, aparecem quando têm que aparecer, mas na maior parte das vezes já quando a música está feita. O quão importante são as letras para vocês?

Neste álbum as letras não são muito importantes. Ainda assim há boas histórias de gore e terror, bem como outras cómicas e estúpidas. Como descreves a cena Brutal Death Metal na Ucrânia? É algo forte. Infelizmente os músicos do nosso país não têm oportunidades suficientes para fazer umas tours. O que estão os Drift Of Genes a fazer actualmente? Planos para o futuro? Tal como sempre, a trabalhar em novo material. Não temos planos globais para já: concertos, novos álbuns, desfrutar a música... ///


http://www.perigo-de-morte-new.blogspot.com





O

“The New Elite” é o teu 11º álbum com os Master. É difícil encontrar inspiração após estes anos todos? Quais são as tuas principais fontes de inspiração? O mundo à minha volta é que dita os temas para as canções. As composições, em si, surgem naturalmente todos os anos. Simplesmente pego na guitarra acústica de tempos em tempos quando sinto vontade e, às vezes, sou inspirado por um novo riff que me vem à ca-

beça e que pode, ou não, tornar-se numa nova canção. É desta forma que tenho composto nos últimos 20 anos. Umas vezes encontras grandes canções no gravador de cassetes e noutras nem por isso. Vivemos num mundo louco e confuso e toda a violência e agressividade que vemos nas nossas vidas ajudam-me e inspiram-me a escrever estas canções para os Master. Como correu o processo de composição e gravação para o novo álbum? Foste tu que es-

creveste as canções todas ou os teus colegas de banda também contribuíram com as suas ideias e material? O guitarrista Aleš Nejezchleba traz sempre três canções quando começamos a trabalhar num álbum novo. Normalmente, trabalhamos primeiro em cerca de oito das minhas e depois pegamos nas dele no fim. O baterista Zdenek Pradlovsky também contribui sempre com as suas ideias para a bateria, descobrindo muitas vezes uma boa forma de iniciar a canção. Por


isso, sim, os meus colegas também estão envolvidos no processo de composição e tudo isto torna o nosso trabalho melhor. Como analisas o “The New Elite”? Vê-lo como uma evolução em relação aos lançamentos anteriores ou pensas que traz novos elementos à musica dos Master? Todos os álbuns são uma evolução em relação aos anteriores, claro. É assim que deve ser, uma banda cresce junta e ao longo dos anos evolui, obviamente. Pessoalmente, gosto de todos os álbuns de Master. A diferença é que alguns tiveram ou melhores orçamentos ou melhores executantes ou mais ou menos tempo para serem gravados, mas, de qualquer forma, estou orgulhoso com tudo o que fizemos. Os Master mantêm-se fieis às suas raízes e firmes em todos os álbuns. Os novos elementos surgem nas canções naturalmente. Ouve o primeiro álbum de Master e depois o “The New Elite” e vais ouvir uma progressão de certeza, é como do dia para a noite! Os Master vão tocar em Portugal em Janeiro de 2013 no Mangualde Hard Metal Fest. Quais são as tuas expectativas para este concerto? Portugal traz-te boas memórias? Espero, sinceramente, que as pessoas apareçam no festival. Da última vez que tocámos num festival

no Porto com 30 bandas, a cena e o público revelaram-se bastante pequenos. Só estavam umas 75 pessoas lá. O festival foi muito divertido, a organização muito profissional e a comida de arrasar. Ficámos numa vinha e divertimo-nos muito, para dizer o mínimo. Por isso, espero que desta vez as pessoas apareçam e que possamos dar outro grande concerto. Os Death Strike foram confirmados como cabeças-de-cartaz para o festival Death Doomed the Age, na Alemanha. O que te fez ressuscitar a banda para este evento? Uma oportunidade de dar o primeiro e único concerto com a banda e receber também uma boa quantia de dinheiro. O que mais poderia ser? Começámos a ensaiar para este concerto há cerca de um mês e é uma sensação muito boa tocar canções antigas de Master e Death Strike de novo, por isso sem dúvida que vou divertir-me com o concerto daqui a umas semanas. Quem é que vai tocar bateria e guitarra nesta ocasião especial? Os Master, quem mais haveria de ser? Estás a viver na Republica Checa já há alguns anos. Porque é que te mudaste para a Europa? Mudei-me para a Europa quando surgiu o convite para ingressar

nos checos Krabathor, em 1999, e nunca olhei para trás. A cena na Europa provou-me o seu valor, já que os Master dão pelo menos um mínimo de 80 concertos aqui na Europa, mais outros 30 fora todos os anos. Por isso, sem dúvida que tomei a decisão certa ao vir para o centro do Metal no mundo. Gostas de viver na República Checa? Há muitas diferenças entre o estilo de vida checo e o norte-americano? Claro, a República Checa possui uma coisa chamada liberdade. E isso aplica-se a grande parte da Europa nos dias de hoje, mas o Grande Irmão está a chegar cá também e a liberdade será perdida não tarda muito. Vivemos num mundo controlado pelo governo e ele gosta de ditar o que a sociedade pode e não pode fazer. Gosta de dizer-te quando e o que comer, quando cagar, o que vestir e quando deves sentar-te e ver televisão! E chegámos ao fim! Há algo mais que queiras dizer antes de terminarmos? Claro, o “The New Elite” está disponível para todos os sacanas forretas que estão a sacá-lo de graça nos meus sites. A pirataria mata os Master e as restantes bandas do underground. Por isso, apoiem o underground, arranjem um emprego e comprem alguma coisa do site! ///


C

omecemos com as devidas apresentações. Porquê Tertúlia dos Assassinos, e de que forma surgiu a ideia para esta convergência de talentos, tanto musicais como literários? Charles Sangnoir - A Tertúlia dos Assassinos surgiu na sequência de uma série de espectáculos vocacionados para o Spoken Word que organizei no Seixal - O evento chamava-se Cabaret Seixal e para além dos intervenientes na Tertúlia dos Assassinos contou com performances de Fernando Ribeiro, Fernando Alvim, Hyaena Reich e Maria João Soares, entre outros. A Tertúlia consiste no fundo de um seguimento lógico - transportar a energia desses espectáculos para um disco/livro e torná-lo acessível a um público mais vasto. Quanto à origem do nome, consistiu essencialmente num brainstorming e o seu objectivo foi criar uma designação

que evocasse perigo, adrenalina - devolvendo à palavra (escrita ou falada) o impacto de outros tempos.

túlia dos Assassinos, sabia à partida que era possível integrar vozes diferentes sob uma mesma estética.

O processo de idealização deste Tombo Primeiro foi sobretudo espontâneo? Diga-se: não houve quaisquer problemas respectivamente à variedade literária de cada um dos interlocutores que deu a sua voz ao projecto? C.S. - Já tinha tido oportunidade de fazer experiências nesse sentido - o disco mais recente de La Chanson Noire, ‘Cabaret Portugal’ é composto por um disco com 13 temas, assim como um livro com 13 textos e 26 fotografias de diversos autores de universos completamente distintos. Por conseguinte, sabendo que era possível concretizar com homogeneidade um projecto tão grande, e conhecendo bem a obra dos integrantes da Ter-

Sendo o Spoken Word a abordagem de eleição aqui, houve satisfação geral com o produto final e, consequentemente, com a resposta dos ouvintes a essa mesma abordagem? C.S. - Pessoalmente estou absolutamente satisfeito - penso que se trata de uma obra ímpar, cuja repercussão não é obviamente imediata, mas que se tornará a seu tempo numa obra de culto. O público mais dado a este cariz lírico tem vindo a apresentar uma crescente duplicidade: não só se coadunam ouvintes de sonoridades mais obscuras, como também apreciadores de um acompanhamento literário que se mostra a par do mesmo intento. Po-


der-se-á dizer que é então uma “match made in hell”? C.S. - É acima de tudo um conjunto de experiências sensoriais - os velhos paradigmas culturais estão gastos, e a palavra falada é uma corrente que ainda pode ser explorada enormemente - a ideia de que o spoken word se limita e instrumentação clássica e poesia redundante morreu. É agora altura de experimentar novas combinações e novos públicos. E, de facto, a inclusão de sonoridades mais obscuras é na minha opinião um filão extraordinário de opções empolgantes que ainda agora está no início. Das influências musicais aqui contidas (que vão desde a música clássica ao dark ambient), existe na parte instrumental uma ligação bastante profunda que alteia de forma única as vozes. Foi fácil enquadrar o registo vocal de cada membro ao cenário sonoro de cada música, sem que se perdesse a intenção devida? C.S. - Na verdade o processo foi ao contrário - as prestações vocais foram gravadas sem qualquer fundo sonoro, de forma a que a prestação do artista fosse absolutamente livre e a palavra vivesse por si só; Depois então compus as peças sonoras, tentado que a música complementasse a palavra e não o oposto. Achei de igual forma importante que a cada artista correspondesse um registo sonoro distinto (um piano mais clássico na Melusine e sintetizadores mais robóticos no Aires, por exemplo) de forma a que cada obra dentro da obra adquirisse um cunho muito próprio.

Na apresentação ao vivo deste passado dia 13 em Cascais, houve algumas diferenças no material apresentado; concretamente, da tua parte executou-se “O Plutão da Pena”, que está incluída no lançamento mais recente da Necrosymphonic, “Os Anormais”. Qual foi o motivo desta troca para com o teu “Ensaio Sobre o Mal”? David Soares - O “Ensaio Sobre o Mal” foi uma peça escrita para ser interpretada no evento “Cabaret Seixal” de 2011. Nesse sentido, atendeu a uma característica desse espectáculo, que foi a de que cada participante usufruir de trinta minutos de tempo em palco. Para o espectáculo de lançamento de “tombo primeiro”, cada participante dispunha de quinze minutos de tempo de palco, logo interpretar “Ensaio Sobre o Mal” estava fora de questão. Aliás, a gravação dessa peça em “ tombo primeiro” até ultrapassa os trinta minutos. Por isso, para o efeito, criei uma versão reduzida de “O Plutão da Pena”, um dos capítulos de “Os Anormais”, porque se adequava ao tom do espectáculo em vista e porque, sendo uma novidade, me entusiasmou muitíssimo a ideia de lê-lo ao vivo. É, também, de todos os capítulos desse disco, aquele que, na minha opinião, sobrevive melhor enquanto peça isolada, daí a escolha desse texto para o espectáculo de dia 13. Mas a versão de “O Plutão da Pena” que se encontra em “Os Anormais” é a integral. Integral e integrada no conjunto que é como deve ser apreciada. Não voltarei a criar versões reduzidas dos textos desse trabalho para as apresentar ao vivo: foi uma excepcionalidade.

Reparo (numa nota pessoal) que as sensações aqui abordadas, embora díspares, convergem por si só numa forma circular: desde o sadismo hedonista da parte do Charles até à tua contribuição ensaística no final do CD, crês que ficou bem definida uma estrutura e/ou uma delimitação que, embora não propositada, ganhou vida própria através das contribuições variadíssimas de cada membro? C.S. - A maravilha do acaso está sempre presente em qualquer obra - neste caso o acaso foi propositado: quando se confia no trabalho dos artistas o mais sensato é deixar que a obra tome forma com o menor controlo possível - deixar que as colaborações se vão agrupando e esperar para ver o resultado final. Torno a dizer: quando os artistas são superiores a obra em si exige muito pouca manipulação - vale per se.

Nestes recentes projectos da Necrosymphonic e até de outros eventualmente associados aos mesmos géneros musicais, notam-se algumas tendências: seguem-se caminhos artísticos que estão a enveredar por quebrar uma certa fobia ao português que, pelo contrário, é cada vez mais encorajado como linguagem de eleição e inspiração para certas criações neste âmbito. Crêem ser assim o caso, e prevêem alguma mudança neste sentido? C.S. - A língua portuguesa é muito bela e rica, e presta-se maravilhosamente bem ao spoken word; Não existe nestes ultimos lançamentos um qualquer desejo por revitalizar a língua portuguesa - esta está viva e de boa saúde; Acontece que os projectos mais desafiantes que têm surgido nos ultimos tempos são em português, mas a lingua não constitui qual-

quer barreira e continuaremos a lançar bons porojectos, seja em que língua for. D.S. - Penso que interpretar peças de spoken word só funciona quando o fazemos na nossa língua, seja ela qual for. Pode dominar-se muitíssimo bem uma língua estrangeira, e até ser-se bilingue, mas nunca se terá o domínio e desenvoltura necessária para se escrever e interpretar. Até os melhores actores de teatro e cinema hesitam em representar em línguas que não sejam as suas, excepto quando têm de falar línguas mortas que, para os nossos ouvidos, soarão sempre bem, porque não temos uma medida de comparação para compreendermos se as acentuações e sotaques estão mal ou bem. Esse é um dos pontos, parece-me. O outro é o de que, na minha visão, o spoken word é mais literário que teatral: de facto, está-se a ler. Ou seja, não se canta, não se interpreta, no sentido mais elementar, mas lê-se. Tem de ser uma leitura viva, claro, personificada. Mas não se está a ser actor ou cantor. È, digamos assim, uma linguagem literária. E, por sê-lo, quem a quer instrumentalizar tem de ter a obrigação de escrever bem e de ler bem na sua própria língua. A língua portuguesa só soa mal quando é mal escrita e mal falada. Quando é bem escrita e bem falada, ouvi-la é um deleite, é uma felicidade enorme. Tal como outra língua qualquer, aliás. O inglês e o francês mal escritos e falados soam tenebrosos. Por isso, ouvir peças em bom português, em português de qualidade, não assusta ninguém, acho eu. Pelo contrário: nesta altura em que nos querem atirar para os braços o AO90 é um dever moral escrever e falar cada vez melhor. Para finalizar: há planos para um Tombo Segundo, ou este Primeiro deixar-se-á entreaberto por mais uns tempos? Existe, digamos, uma ideia que levará tempo até se cristalizar. Para já é tempo de sugar todo o tutano a este Tombo Primeiro: o resto fica escondido na alcova dos deuses até o seu tempo chegar! E aos novos ouvintes, qual é o presságio que lhes deixam ao que possa vir aí? C.S. - Os tempos de crises são pródigos em criar lendas - e é para isso mesmo que cá estamos. ///






Se em 1997 não tinha paciência para Indie-Rock, o que faço em 2012 com uma mão cheia de CDs da Cafetra Records? A resposta é simples, os putos são uns bacanos e percebem que a cultura DIY é uma cultura “desinteressada” - que dá mais do que recebe. Na última Feira Laica trocamos material e fiquei com uma catrefada de discos! O problema é ouvir isto tudo quando nunca curti Pavement e há muito que ignoro Dinosaur Jr. ou Pixies - no caso desta última banda que foi a minha loucura de juventude recuso-me a participar no seu regresso monetário e à nostalgia do seu público gordinho, careca, cheios de filhos e dívidas ao banco. O Rock que a Cafetra pratica é sujo, barulhento e sónico, não trazem nada de novo no horizonte da música embora o seu fascínio em escreverem canções (sub)Pop são boas polaróides dos universos juvenis de Lisboa / Portugal em 2011/12. Há intervalos para guitarras angulares e dedilhadas, gritarias, cataroladas e tudo o mais que esteja abrangido neste estilo de música “indie” e “lo fi”. É assumido que não há orçamentos para produções com “Albinis” e por isso a mais-valia deste colectivo lisboeta onde se inserem uma dúzia de 10 bandas / projectos diferentes é que dificultam a audição para os ouvidos limpos de quem “post-rocka” e outras paneleirices contemporâneas. Neste mundo cheio de higiene e pro-tools a Cafetra Crew grava “mal” como já ninguém faz - nem os punks! - o que poderá ser interpretado como “ar fresco” no típico ambiente “pop will eat itself”.

Os passos em volta são os mais dolorosos de se ouvir porque guincham letras que não se percebem no álbum Até morrer (2011), sinceramente eu deveria prestar mais atenção pois bastaria levantar o som e estar atento às letras mas desde puto que nunca percebi as letras portuguesas de bandas bem-gravadas como os Xutos ou Rádio Macau, por isso, sou um caso perdido e não serão os Passos que me meterão na linha... Que se lixe! E este “que se lixe” é positivo porque a Cafetra não me causa nenhum ódio ou desprezo ao contrário de quase toda a produção musical deste país de atrasados-mentais. Kimo Ameba com o seu disco de estreia, Rocket Soda (2012) são mais sónicos, acelerados e não falam tanto... melhor assim! Podiam era ser ainda mais sónicos, acelerados e cantarem ainda menos que estariam no ponto! Apesar de dedicarem o disco ao Seth Putnam (19682011), se o vocalista dos Anal Cunt estivesse vivo provavelmente faria uma música grunhida intitulada Kimo Ameba is gay! Entre os Passos e os Kimo há outra que é mais equilibrada, as Pega Monstro, duas miúdas a rockarem fodidamente parvoíces teenybooper sem papas na língua em binómio “quero / não quero” (sindroma Ramones) que deixará muito macho músico à rasca. Estas miúdas (e toda a crew da Cafetra para dizer a verdade) só precisam é de ler livros do Bakunine, Phillip K. Dick e o Revolta contra o Mundo Moderno do Julius Evola para se livrarem desta existência mundana. Claro que dei-

xariam de ser o que são, perderiam o “glamour” burguês da juventude que tanto têm entesado os velhadas dos críticos musicais... Claro que os Cafetras irão transformar-se noutra entidade muito rapidamente, isso é normal que venha a acontecer, basta ver a evolução do Rudolfo, por exemplo, que começou com as letras “xixi-cócó” para letras cada vez mais sofisticadas e longe das borbulhas. It’s Fetra time... Compila (2012) é nova compilação de projectos da Cafetra, eclética q.b. e porreira de se ouvir graças às fugas ao esquema sónico pelos Go Suck a Fuck, Éme (cantautorismo) e Smiley Face (trash pop). Bem fixe! Por falar em fixe, as capas da Cafetra tem melhorado e sim, é isso… são fixes! Assumo a limitação das palavras! É fixe, pooooorra! Desenhos e pinturas naives com capacidade de atraírem o olho de qualquer ser humano, bem longe das photoshopadas estéreis que pupulam por aí. Hey! É o Harvey Pekar na capa do Compila? Por falar em Go Suck A Fuck, eles estrearam-se com Para o seu marido (Cafetra; 2012) num CD-R de 19 minutos onde tocam 20 músicas. Não é um EP de Grindcore mas é antes um punhado de instrumentais infra-épicos-juvenis tocados com guitarras Lo Fi e orgãos sujos por putos movidos, quase de certeza, a ganzas intervaladas com umas ‘jolas e uns tiros na Playstation. O ritmo é calmo como se o Verão fosse eterno e não de 19 minutos. Há quem diga que a juventude é desperdiçada nos jovens, o que é bem capaz de ser verdade mas os Cafetra Kids parecem estar a esbanjá-la bem - espero que


ao menos se baldem às aulas para gravar estes discos! Conheci esta malta toda em Fevereiro deste ano quando me arranjaram a colectânea Granda Compilação! (2008-2011) onde os projectos deste grupo de jovens se manifestam no esplendor DIY do CD-R e da capa em fotocópia. As malhas que se ouvem passam pelo indie-rock-sónico (Pega Monstro, Kimo Ameba, Egg Shell), alguma electrónica (Go Suck a Fuck), Noise (Rabu Mastah) e folk (Éme) com as suas letras de inocência (auto)trocista da idade que vivem - conseguindo emitir histórias sobre testes de matemática e namoricos. Como já devem ter reparado, eles andam na boca do povo, apadrinhados pelo B Fachada e pela Filho Único, o que é estranho dada à leveza musical verde que os projectos deste colectivo ainda se encontram. É difícil perceber se é oportunismo bacoco ou apenas desespero por uma ausência de projectos musicais Pop/Rock com

interesse em Lisboa. Talvez seja paternalismo e nostalgia, ao ponto que já se tenha forçado uma comparação da Cafetra à Beekeeper (editora lo fi dos anos 90) por culpa da grande cota-parte de Rock Sónico de ambos catálogos. Mas a única comparação possível será à FlorCaveira, pelo simples facto de que a Cafetra são uns 10 putos que se juntaram numa estrutura comum - por amizade, companheirismo e... “namoradismo”. A Beekeeper era uma estrutura vertical, com bandas que tinham o seu individualimo, com percurso próprio e que apenas estavam juntas por haver uma ou duas cabeças que as juntaram com as prácticas DIY da altura: zines (um número apenas seja como for), distro, edição em formatos baratos (demo-tapes em k7) e discos colectivos, sempre pelo prisma parvinho do Rock Indie / Sónico. Só mais tarde é que se abriu ao Garage e Hardcore. No fundo eram as mesmas práticas do mundo underground Punk, Industrial / Electrónico, Hardcore e Metal que existia em Portugal

desde os anos 80. A Beekeeper não era uma família ao contrário da FlorCaveira (unidos pela religião em primeiro lugar, onde nos primeiros tempos cabia Punk ou Grind e só mais tarde a febre do “cantautorismo”) ou da Cafetra - que são amigos e têm um leque abrangente de géneros sonoros. Só a pseudo-elite lisboeta, burra que nem uma porta, pouco crítica e ansiosa é que cria um “hype” onde não há nada para “hypar” - os putos são verdes e inseguros e Lisboa continua a ser um deserto com ou sem Cafetra. Talvez não haja nada para estragar a não ser nomes fixes como Putas Bêbadas (não se encontram na compilação) e vontade de ser autónomo à falta de tesão lisboeta. Espero que estes putos façam bandas de Death e Grind para afastar os idiotas do costume e para que eu possa ouvir o CD mais do que uma vez - há muito que não suporto esta coisa morta chamada de Rock que se insiste em chicotear...




O terceiro álbum da banda lisboeta de Rock/Metal melódico é bastante ambicioso, com destaque para o novo line-up, onde desponta o vocalista Leonel Silva, que sucede a Marco Resende, o baterista João Colaço (ex-More Than a Thousand) e o guitarrista Sérgio Faria. Alargando o espetro sonoro, destacam-se os ataques mais pesados e vozes mais roucas, conjugados com momentos de introspeção em jeito de interlúdios ou baladas. Destaque ainda para os convidados: a (brilhante) violinista Anne Vitorino d’Almeida, o vocalista finlandês Kari Vähäkuopus (Catamenia) e o teclista britânico Ged Ryland (ex-Ten). A banda, que já tinha dado muito bons indicadores em “It All Fades Away” (2010), redobrou esforços na exploração do lado emocional dos temas, quer em momentos

mais agressivos, quer na exploração da sua veia melódica, bem vincada no luminoso single/vídeo de apresentação “Old Man”. Entre os apontamentos intimistas, acústicos e ao piano – vocação já conhecida da banda liderada por Alexandre Santos – às construções de Power e Groove Rock/ Metal, sem nunca perder sentido melódico, os Scar for Life exploram várias facetas da natureza humana. A voz de Leonel Silva é um suplemento notável ao extraordinário sentido musical da banda. Os doze temas deste “3 Minutes Silence” são bastante orelhudos e invocam o melhor dos discos de Rock/ Metal pesado do passado mas com som contemporâneo. José Branco


Dividida entre Lisboa e Grândola, esta banda de rock industrial formada em 2010 tem aqui já a sua segunda edição. Se a estreia “A Divina Maldade” musicava o livro “Obscuridade Liberdade”, numa união de esforços entre o guitarrista e produtor Carlos Sobral, do projeto Inkilina Morte, e o escritor e vocalista Pedro Sazabra, a primeira apresentação ao vivo no Metalfest GDL de 2011 tudo mudou. O novo trabalho traz 13 faixas e as participações especiais de Rui Sidónio (Bizarra Locomotiva) – com enfase para as vocalizações na faixa título que também deu origem a um vídeo clip -, do violinista Nuno Flores (The Crow), Fernando Abrantes e Irina Monteiro. Além disso, “Almas Envenedadas” apresenta um som maduro e orgânico, uma banda com gosto pelo palco e pela

expressão em português! Naquela que é uma viagem pelos meandros mais psicóticos e analíticos da mente humana, numa música de apelo bastante visual, são criadas atmosferas intrigantes, urbanas e boémias. Num disco mais livre na sua forma, o gosto pela palavra é sublinhado por refrões poderosos e ocasionais ataques de fúria, num exercício musical equilibrado. No capítulo das comparações é inevitável não nos lembrarmos, em determinados momentos, dos lendários Mão Morta ou Bizarra Locomotiva. Vale bem a pena conhecer este universo dos Inkilina Sazabra, “lá na caverna dos malditos”. José Branco


A grande diferença entre The9thCell e as grandes bandas que cravaram para sempre o seu nome na história do Metal, é que o projecto The9thCell consegue, lançamento após lançamento, elevar a fasquia e fazer sempre um álbum melhor que o anterior e este “Galga de Zebra Ilesa” - o primeiro álbum do projecto a ser editado em CD - é nada mais nada menos que o resultado de 9 anos de constante evolução! Esta sétima proposta de originais é uma viagem pela mente de David Pais - vocalista, compositor e instrumentalista do projecto - e uma vez na mente de David, o ouvinte perder-se-á muito facilmente neste mundo tão variado e complexo. Aqui podemos encontrar os mais diversos elementos musicais que quando combinados resultam numa experiência única e quase impossível

de caracterizar. Talvez estejamos perante um género musical novo dentro daquilo a que chamamos “progressivo” ou podem até achar que tudo isto não é mais do que uma compilação de ideias e momentos, mas o facto é que “Galga de Zebra Ilesa” apresenta originalidade, identidade e um valor incalculável, tudo aquilo que podemos esperar de uma obra de arte. Este disco conta ainda com uma mão cheia de convidados especiais que à sua maneira contribuíram para fazer deste “Galga” algo de extraordinário! Do Metal Clássico presente em “Cavaleão” ao Blues de “Gentlemania”, passando pela maravilhosamente bem executada “Wounded Pt2” e à violenta “Jacktiv(h)ate”, este é um disco a não deixar de ouvir. Nunca! Joel Costa


“Se houvesse justiça, «Harmonicraft» merecia transformar os Torche na maior banda do planeta”. Foi isto que o Sr. Kevin McCaighy escreveu na Rock-A-Rolla #37, relativamente ao último disco dos norte-americanos. Um exagero extremamente saudável por parte do Sr. McCaighy, que ficou de tal maneira marcado no cérebro do vosso escriba que ele vê-se quase obrigado a utilizar a mesma hipérbole em relação ao sétimo álbum de estúdio dos suecos Beardfish. Consegui a vossa atenção? Ainda bem! Ao prog rock dos suecos, junta-se uma homenagem ao metal, género que os integrantes da banda confessam ser fãs. Este novo registo apresenta algumas das partes mais “pesadas” da já notável discografia da banda. Outra referência serão os Rush. Os mais atentos estarão agarrados ao novo álbum do mítico trio canadiano. Os Beardfish parecem partilhar parte do modus

operandi que os Rush vêm praticando nos últimos anos. A canção é importante e não vale a pena tentar fazer demonstrações técnicas só porque sim, muito menos quando isso só vai arruinar a canção. Este registo é, acima de tudo, um belíssimo conjunto de canções, onde se insere também, momentos de puro rock progressivo (as tais coisas complicadas) que estão tão bem colocadas que até alguém com alguma aversão ao prog poderá gostar. Se gostam de belas canções: com ganchos pop, com vocalizações sublimes, e se não se importam de levar com um instrumental tecnicamente superior, então este disco vai ser o vosso novo vício.

Mais frequentemente do que seria de se esperar, o termo super-grupo é utilizado. O problema reside no facto de o número de super-grupos a criar algo de relevante ser quase irrisório. Os norte-americanos Bereft, cujos integrantes fazem parte de projectos como Intronaut, The Faceless, Abysmal Dawn, entre outros, podem ser facilmente inseridos no grupo, quase restrito, dos que fazem algo de relevante e que acaba por ser uma boa notícia para todos os apreciadores de música. O primeiro registo discográfico de Bereft que recebe o nome de morgue, em alemão, é baseado no sludge atmosférico, sonoridade que tem recebido a atenção merecida, neste últimos tempos. Como é frequente no género mencionado, este disco funciona como uma obra extremamente compacta, onde há necessidade de se fazer uma apreciação global e não pontual. Tudo encaixa,

e tudo faz sentido. O início dá algumas lembranças dos primeiros tempos dos Melvins, mas logo de seguida somos atacados, de forma literal, por um riff monstruoso que vai dilacerando a mente de todos os que têm a sorte de o ouvir… estamos perante uma faixa colossal, que é apenas o princípio de muitas, e torturas, viagens. Somos presenteados com um desfilar de quase-perfeição, a ponto de ficarmos atónitos. É inútil tentar descrever uma experiência que se revela tão avassaladora. Sem dúvida alguma, um dos discos mais poderosos do ano. E tendo em conta este 2012… não é dizer pouco.

Em 2008 um dos expoentes máximos do death metal brutal/técnico editam o “The Unspoken King”, dando assim o primeiro passo em falso numa carreira que até então se encontrava completamente imaculada. A tentativa de modernizar o som da banda, com algo que pode ser apelidado de deathcore, veio revelar opiniões dilacerantes tanto por parte dos fãs como da crítica. E verdade seja dita, não era para menos. Quatro anos depois, os magníficos canadianos estão de volta. Um retorno a dobrar, pois o regresso da banda aos registos discográficos faz-se acompanhar do regresso de Jon Levasseur, guitarrista e força criativa responsável por grande parte dos discos soberbos que os Cryptopsy editaram. A intenção para este sétimo álbum de estúdio seria fazer uma mistura entre o material antigo, e o material recente da banda, juntando o melhor dos dois

“mundos”. Ao contrário do último registo, decisão foi de atacar o ouvinte durante todo o álbum. A pura brutalidade do death metal dos Cryptopsy volta a entrar nos eixos, e somos bombardeados com um belo de um disco, onde riffs viciantes, secções rítmicas assombrosas e pequenas surpresas (mais uma vez o puro jazz), contribuem para um registo que irá agradar a muitos fãs que estão à espera de algo do género desde o longínquo ano de 2005. Apesar de não ter a qualidade de um icónico “None So Vile”, a verdade é que é mais um bom registo, numa carreira de 20 anos que apenas teve um percalço.

Tiago Moreira

Tiago Moreira

Tiago Moreira


Depois de um muito elogiado disco de estreia em 2009 (de seu título “Nihilistic Vision”) e de uma massiva tournée europeia com os gigantes Sodom, os suecos “Die Hard” regressam á ribalta com mais um registo de Trash Metal old school. O disco chama-se “Conjure the Legions” e surge sob a chancela da Agonia Records. “Conjure The Legions” é composto por 9 temas bastante pujantes e muito enérgicos, e que conseguem prender facilmente quem ouve, como é o caso de “Masters Of Deceit”, “Satanic Uprise“, “Cold Scythe “, “Antichrist “ e “Robe And Crown“. O trio composto por Harry (baixo/Voz),

Simon (Guitarra/Voz) e Perra (bateria) não deixam, mais uma vez, os créditos por mãos alheias e presenteiam-nos com um excelente disco, com muito feeling old school, excelentes composições e muitas e boas oportunidades de headbanging! Para ouvir com atenção.

“Excruciating Severe Laceration”, o álbum de estreia dos ucranianos Drift Of Genes, é uma autêntica bomba de pus saída dos confins do mundo. Após uma primeira audição coloquei esta pergunta a mim prórpio: “Como descreveria Drift Of Genes a alguém que não conhecesse ou não estivesse familiarizado com aquilo a que chamam Brutal Death Metal?” Não sei, mas desconfio que fosse muito parecido a ser violado por um zombie! O objectivo do gore é pegar-nos pelas entranhas e arremessar-nos contra a parede até não sobrar nada e o que acontece aqui é exactamente isso. É um mosh mental que nos

vai dominando e uma musicalidade que não é para qualquer um. Apesar disso os Drift Of Genes apresentam um trabalho sólido e desconcertante no melhor sentido da palavra. São fiéis ao género e trazem até nós momentos memoráveis, tanto em riffs como em letras um tanto arrepiantes. Para os fãs do lado mais extremo da música, é um disco a ser ouvido pelo menos uma vez.

Vindos da Russia, os Epitimia trazem-nos o seu terceiro longa duração em apenas 4 anos de existência. Com um ambiente muito sombrio e com um toque depressivo, este “Faces of Insanity” (faces da loucura), arrasta-nos para uma autentica viagem pelas profundezas da demência mental, transmitindo bem a sensação de que se está no meio de um manicómio. É uma mistura de desespero, depressão e angústia. Apesar de ter presente as vozes mais comummente associadas ao black metal tradicional, está longe de ser considerado como tal. Podemos classificar como ambient black metal com elementos de depressive black e de post-rock. A faixa introdutória, “Reminiscentia” é um instrumental profundo que nos deixa antever bem o ambiente geral que nos é proporcionado ao longo da audição deste registo. Segue-se a “Epikrisis I: Altered state of consciousness”,

provavelme a mais melódica de todas, com vocais femininos pelo meio, que lhe dão um toque especial. Destaque ainda para a penúltima “DS: Schizofrenia”, com nove minutos de intensa beleza e angústia. No geral é um lançamento a ter em atenção por parte dos adeptos de black metal atmosférico e por todos aqueles que se queiram aventurar a explorar um som “mais distinto”. .

Rute Gonçalves

Joel Costa

Rita Limede


Este álbum é especial. Seja pelo facto de assinalar a centésima edição da mítica Profound Lore, que contínua a ser uma referência por estes lados, seja pelo facto de já se terem passado cinco tortuosos anos desde a edição de “A Caress Of The Void”, ou pelo simples facto de temos um novo álbum de uma das expressões máximas do funeral doom/death. Para o quinto álbum, a banda de New Jersey apresenta significáveis alterações na formação. A saída de dois membros (Nick Orlando and Craig Pillard) fez render a entrada de três novos membros (Don Zaros, David Wagner, e Chris Molinari). Mas engana-se quem pensa que a entrada de novos membros alterou, de alguma forma, a sonoridade que os norte-americanos vêm aperfeiçoando a cada lançamento. O trabalho, como já é habitual na discografia dos Evoken, ultrapassa a marca dos sessenta minutos, e mais uma

vez somos presenteados com uma decadência tanto sonora como a nível de poesia. Não são só os riffs, e ritmos lentos, que provocam toda a atmosfera lúgubre do álbum. A poesia negra debitada por John Paradiso é mais um elemento na criação deste tormentoso ambiente. De citar também os, dois, fantásticos interlúdios que imprimem uma magia ímpar, seja pelos teclados de Zaros ou na fantástica, e impressionante, bela melodia de guitarra. “Atra Mors” é mais um importantíssimo pilar no género, e mais uma prova da grandiosidade, indiscutível, que os Evoken emanam desde 1994.

Os “Give Em Blood”, são uma banda Austríaca de Metalcore, formada em 2009. Após o lançamento do seu primeiro EP em 2011, sob a chancela da BDHW Records, iniciaram um período intenso de espectáculos ao vivo e surgem agora com o seu primeiro longa-duração intitulado “Seven Sins”. Tal como o nome do álbum indica, o disco fala sobre as relações humanas e explora o imaginário ligado aos sete pecados mortais de forma muito interessante, num vigoroso conjunto de faixas de puro Metalcore. A performance vocal é bastante poderosa e intensa ao longo de todo o registo e as fre-

quentes mudanças de ritmo, que não permitem cair na monotonia, são dois dos maiores trunfos do disco. Temas a ter em atenção são: “Brackish Rain”, “Lifeless” (com uma bela Intro); “Love 2.1”, “Save me” e “Sinking”. Em suma, “Seven Sins” é um álbum bastante interessante, tecnicamente muito bem conseguido e que, certamente terá um papel decisivo na carreira dos ”Give Em Blood”. Para ouvir com atenção.

Os Grave estão de regresso à Century Media e “Endless Procession of Souls” marca o início desta nova aliança entre banda e editora. Composto por 10 temas e com uma duração de 45 minutos, este décimo disco mantém-se fiel ao Death Metal praticado pelos suecos desde a estreia “Into the Grave” e dificilmente surpreenderá aqueles que já os conhecem. Não que isso seja mau, até porque a fórmula continua a funcionar sem sinais de estagnação. Bastam algumas audições atentas para concluir que este é um trabalho mais sólido e memorável do que os antecessores “Burial Ground” e “Dominion VIII”, além de possuir uma excelente produção assinada pelo próprio vocalista/guitarrista Ola Lindgren. Canções como “Amongst Marble and the Dead” ou “Passion of the Weak” revelam um notável equilíbrio composicional, “Perimortem” traz uma lufada de ar fresco com riffs clara-

mente inspirados no Thrash/Speed dos anos 80 e “Epos”, a encerrar o álbum, cativa pela forma como explora a negritude e o peso do Death/Doom Metal de uns Asphyx. Numa altura em que se assiste a um claro revivalismo do Death Metal sueco, com novas propostas a surgir todos os meses, “Endless Procession of Souls” mostra a razão pela qual os Grave continuam a ser um nome de referência no género.

Tiago Moreira

Rute Gonçalves

Eduardo Marinho


Este é o segundo álbum da banda californiana que incorpora elementos do rock das décadas de 60 e 70. Cada canção deste disco põe-nos a bater o pé e a desejar estar numa poça lamacenta, a abanar a cabeça no primeiro Woodstock, ao som do rock clássico. Apesar dessas influências dos grandes como Led Zeppelin, Grateful Dead, Deep Purple, Motorhead ou Thin Lizzy, os Gypsyhawk conseguem meter o seu cunho e distanciar-se o suficiente de outros nomes, embora o seu estilo e som não sejam originais, havendo por aí, muitas outras bandas a tocar o mesmo. O trabalho de guitarras é bom com riffs alucinantes, bons solos e ritmos cativantes que insistem em permanecer na nossa cabeça. Existe todo um good vibe – e ao mesmo tempo, pesado - presente em todo o álbum, apenas possível de quem se diverte e gosta do que faz, que é extremamente contagioso.

Destaque, pela negativa, da cover “Rock and Roll Hoochie Koo” de Rick Derringer e Johnny Winter, que podia muito bem ter ficado de fora. Com um som retro, mas com uma produção bastante moderna e, apesar de ser difícil escapar às parecenças, tão óbvias, daqueles que lhe servem de inspiração, Revelvy & Resilience não desaponta, pois entrega exactamente aquilo que pretende ser...Rock!

Senhores de uma carreira que conta já duas décadas, os dinamarqueses Illdisposed regressam em 2012 com “Sense the Darkness”, o seu 11º álbum. Se até ao penúltimo registo, a banda procurava seguir uma via experimental, longe de bem sucedida, pela inclusão no seu death metal de teclados e samples, em “Sense the Darkness” domina a sobriedade. Na ausência de floreados, o som da banda assume maior profundidade e robustez fazendo lembrar o vigor dos dois primeiros trabalhos. A banda faz incursões frequentes por ritmos cadenciados, como é seu apanágio, como sucede em “Time to Dominate” e “Never Compromise”, com uma atmosfera ora groovy e descontraída, ora mais densa e misteriosa. Acima de tudo,“Sense the Darkness” apela a algo de visceral, pelo que, mesmo não morrendo de amores por este trabalho, é impossível ficar indiferente a

temas como “She’s Undressed” ou “Desire”. Uma produção limpa que catapulta a banda e disfarça alguns riffs desinspirados faz o resto, proporcionando um death metal mediano. Nota-se a tentativa de acertar as agulhas com o que se faz na actualidade, sem que para tal tenha sido necessário fazer concessões. Falta, contudo, o toque de génio que faria de Illdisposed, ao fim de 20 anos, uma banda incontornável e “Sense the Darkness” um álbum a reter para além dos seus 50 e poucos minutos de duração!

O sangue será sempre vermelho, poderoso e verdadeiro, e a confirma-lo a banda Norte Americana IN THIS MOMENT lança “Blood”, um álbum arrojado numa mistura bem conseguida de metal, eletrónica e um certo tom punk. A voz de Maria Brink dá a intensidade desejada, explorando as mais interessantes contradições em termos de letras: Amas-me por tudo aquilo que me odeias… Aqui as expressões são facas de dois gumes e os conceitos invertem-se gerando uma inusitada atração. De alguns temas como “Adrenalize” e “Whore” liberta-se uma energia sensual que invade os sentidos num equilíbrio “bitter/sweet”. O tema “you’re gonna listen” abre em “slow temp” e avança com guitarras vertiginosas em fundo. Os sussurros consomem o tema “It is written”. E para quem gosta de épicos e melodias gritantes, com baterias vigorosas existe a faixa “From

the ashes”. A eletrónica volta a ser ouvida em “Beast Within onde a voz se suaviza mas a melodia encontra um tom de sensualidade selvagem (este é um tom recorrente). Mas na verdade existem neste álbum abordagens para vários gostos, dentro da unidade que apesar disso mantém. A força é sempre a nota dominante.

Ivan Santos

Ana Miranda

Mónia Camacho


Os Inquisitor são uma banda da Lituânia, mais concretamente de Vilnius. Uma banda de black metal avant-garde, tendo as suas raízes sinfónicas no, já algo, longíquo ano de 2oo2. Hoje em dia os Inquisitor são uma entidade à procura de uma junção orgânica de ritmos desafiadores, riffs agressivos e passagens melódicas apaixonadas. E é assim que o quintento, proveniente da improvável Lituânia, se descreve. A precisão é assombrosa, e desvenda parte de todo o contéudo que compõe esta obra que acaba por ser bastante complexa. Começando com um prólogo, o álbum reúne o seu foco de interesse nas últimas quatro faixas. Com uma abordagem, desafiadora, entre o determinismo e o indeterminismo, os Inquisitor propõem o ouvinte a entrar num mundo dominado por Newton, Laplace, Nietzsche, entre outros. E entre complexos temas conceptuais, há

uma banda sonora extremamente desafiadora onde o black metal mais avant-garde é acompanhada por deliciosos momentos sinfónicos, com uma mistura entre momentos agressivos e momentos mágicos, cheios de melodia. O « The Quantum Theory of Id» é o album de estreia destes jovens lituanos que revelam ideias bastante interessantes, e que deixam a curiosidade relativamente a futuros lançamentos. É, sem dúvida, uma proposta que merece ser tida em conta e que promete bastante. Uma bela de uma estreia.

Formados na Primavera de 2010 em Seattle, pelo ex-Frontman dos “Fall of Troy”, Thomas Erak, os “Just like Vinyl” são uma banda de Hardcore progressivo/experimental que surgem agora com o seu novo longa-duração intitulado “Black Mass”, dois anos depois de terem lançado o seu álbum de estreia. “Black Mass” é um disco bastante mais agressivo do que o seu antecessor, mas mantém uma aposta forte em temas menos duros e mais melodiosos, oscilando entre momentos vocais suaves e faixas gritadas do princípio ao fim. Temas em destaque são; “Bitches Get Stitches”, “Walk You Home”, “ATM” (uma das minhas faixas preferidas do disco), ”Hours And Whiskey Sours”, “Sucks To Be You”, “First Born”, “$$$”, e “Lucky Stars”. Em suma, “Black Mass” é um disco consistente, onde também merece destaque o excelente trabalho das guitarras e que revela uma banda

bastante empenhada em evoluir e aumentar a sua base de seguidores. Não é, definitivamente, um disco brilhante mas consegue agradar, em especial aos fãs de Hardcore. Vale a pena ouvir!

A banda sueca já conta com perto de 20 anos de carreira e com 9 lançamentos de longa-duração. Este mais recente é de um certo modo um complemento natural aos dois anteriores. Ao longo da sua carreira o som de Katatonia foi ficando progressivamente menos pesado, e este novo registo obedece a essa regra. No entanto não perde qualidade por isso, e o elemento depressivo, que é o mais caracteristico no som da banda desde o inicio mantém a sua presença. A primeira faixa, “The Parting” é provavelmente das melhores, sendo um excelente incio de álbum, dado a sua energia. Outras que se destacam são a “Hypone”, “Undo You” e “Dead Letters” a última musica do registo. No geral é um registo muito homogéneo, não havendo grande variação na instensidade das musicas. Apesar de na primeira audição não ficar nada demais no ouvido, com a repetição o album

vai “crescendo” dentro de nós e acabamos por gostar bastante deste. Com as audições progressivas começam-se a destacar certas musicas e certos elementos um pouco diferentes e chamativos, tais como alguns solos de guitarra, algo pouco comum em Katatonia. Por fim, podemos dizer que é um álbum que certamente irá agradar a todos os fãs de Katatonia, e que merece que seja ouvido por estes várias vezes, mesmo que à primeira não seja facilmente assimilável.

Tiago Moreira

Rute Gonçalves

Rita Limede


Quem não se lembra de Kharkiv, onde, este verão, Portugal bateu a Holanda no Europeu de futebol? Pois bem, a partir de agora a cidade ucraniana passa também a ser sinónimo de Black Metal de primeira água. O quinto álbum dos Khors, e primeiro pela Candlelight, representa um bom exemplo do potencial que existe neste género musical quando conjugado com as raízes culturais dos países de origem das bandas. Neste caso, a tradição eslava (à qual empresta belas melodias) e a história da Ucrânia servem de inspiração para um álbum bastante inspirado. “Wisdom of Centuries” fala da primeira república ucraniana, fundada há quase um século e que foi aniquilada quase à nascença pelos bolcheviques. Contrariamente ao que vem sendo o apanágio no quarteto, nem só de fúria épica se faz este disco. A entrada do guitarrista Jurgis, pode ter dado o mote para dar azo a

uma veia mais atmosférica. Com efeito, uma das grandes mais-valias deste registo, sobretudo espiritual, é a riqueza da paleta de emoções expressas com mestria, em forma de som - em quatro dos temas apenas de forma instrumental. A música vive do equilíbrio entre melodias de teclados, do trémulo das guitarras e da voz áspera de Helg. Com uma limpeza invejável, a produção também merece destaque. Banda a continuar a ter debaixo de olho.

Este quinto album desta banda de Chicago é uma reedição do The Clearing saído o ano passado e que, agora, inclui canções inéditas, que constitui o The Final Epoch. Os Locrian são uma banda difícil de definir. A sua música parece abranger vários subgéneros do metal, desde o progressivo, black, death ou doom e que, depois, são misturados com “ruído” industrial e uns toques de sobrenatural e misteriosidade. Durante a audição do disco, parecemos estar a atravessar um sonho obscuro e penoso com sons quase subliminares. Os poucos vocais que existem nem são cantados. Parecem mais gritos de horror abafados na escuridão de um filme de terror. Os sintetizadores no background ajudam à atmosfera negra e os sons de guitarra e baixo são absolutamente macabros. Com uma visão artística única e distinta, os Locrian constroem canções muito bem estruturadas,

que ligam bem umas com as outras e que resulta num álbum extremamente coeso. É um álbum que nos tira do nosso elemento e da nossa zona de conforto e oferece uma viagem que, definitivamente, não é para qualquer um.

Quinteto oriundo de Erfurt em existência intermitente desde 1985, a história dos Macbeth é no mínimo acidentada e um verdadeiro exemplo de persistência. Da sua cronologia constam duas separações: a primeira, em 1989, motivada pelo suicídio do vocalista original Detlev Wittenburg, e a segunda em 1993, devido ao falecimento do baterista Rico Sauermann. Os elementos reunir-se-iam novamente apenas em 2003, lançando o primeiro longa-duração 3 anos depois. Com a produção mais uma vez a cargo de Patrick Engel, vê agora a luz do dia “Wiedergänger”, terceiro disco do colectivo alemão. Praticantes de um heavy / thrash metal deveras veloz e pesado, a banda da antiga RDA revela-se actual e em forma. Desde a agressiva abertura “Kamikaze”, passando pelas irrepreensíveis “Fritz H.”, “Begraben” e “Fleisch” e até culminar com o tríptico “Stalingrad”,

todo o trabalho discorre fluidamente, sem que nos deparemos com temas mal conseguidos ou despropositados. A voz de Oliver Hippauf é inevitavelmente comparável à de Chris Boltendahl, o que não surge como um factor negativo. Para quem optar pela edição em digipak, encontrará no final os 4 temas da demo de estreia, há muito indisponíveis e regravados para este lançamento. Desprovido do imediatismo algo característico do metal germânico, “Wiedergänger” requer uma merecida mas recompensadora atenção.

José Branco

Ivan Santos

Jaime Ferreira


Se há coisa de que Paul Speckmann não pode ser acusado é de falta de dedicação e persistência. Apesar de o seu contributo para o Metal extremo continuar a ser largamente ignorado, o norte-americano não abre mão da sua paixão e “The New Elite”, o 11º disco com os seus Master, é mais uma prova da sua perseverança. Os ingredientes continuam a ser os mesmos de sempre – Death Metal com ritmos influenciados pelo Thrash Metal e pelo Punk e, a acompanhar, uma voz que berra que a sociedade dos dias de hoje não está bem e que é preciso fazer alguma coisa – mas existe aqui qualquer coisa de especial. Tudo soa mais vívido, o trabalho de guitarra é fenomenal, tanto a nível de riffs como de solos, a secção rítmica mostra-se segura e a voz de Speckmann já não soava assim tão raivosa e arrogante há muito tempo. E, embora a alta velocidade a que este material

é destilado nos comece a dar uma sensação de monotonia à medida que se aproxima do fim, não há como resistir à energia de canções como “Rise Up and Fight” ou “Smile as You’re Told”. Conseguir sacar da cartola um álbum tão contagiante como este após quase 30 anos de carreira não é, definitivamente, para todos. Pode não ser o melhor dos Master, mas que não fica a dever nada a pérolas como “Master” ou “On the Seventh Day God Created… Master”, lá isso não fica.

Apesar de continuarem a ser um nome desconhecido para muitos, os alemães Obscenity já contam com mais de 20 anos de carreira e vários lançamentos na bagagem. Pouco depois de “Where Sinners Bleed” ter sido editado, em 2006, o grupo enfrentou um período complicado que culminou na saída de vários elementos, sobrando apenas o guitarrista fundador Hendrik Bruns. Após seis anos de silêncio, o músico volta finalmente à carga acompanhado por uma formação renovada e com um novo álbum, o 8º da discografia, intitulado “Atrophied in Anguish”. Além de possuir uma produção polida que realça a prestação coesa dos novos membros, tanto instrumental como vocalmente, este disco demonstra uma abordagem mais melódica e técnica do que os seus antecessores, algo notório em canções como “All You Can Kill” e inclusive nos solos de guitarra. Mesmo sem

se revelar como uma proposta de Death Metal particularmente inovadora ou memorável, não deixa de proporcionar uma audição agradável e consistente a quem o ouve, nunca soando enfadonho ao longo dos seus 37 minutos de duração.

Os Savage Annihilation são um power-trio oriundo de França e no activo desde 2002. Como mais uma aposta da jovem editora Kaotoxin Records, lançam o seu álbum de estreia “Cannibalisme, Hérésie et Autres Sauvageries”, cuja sonoridade assenta num Brutal Death Metal cantado em francês e com breves apontamentos de Goregrind à mistura. “Les Catacombes de l’Abomination” – dividido em duas partes – e “En État de Decomposition” são temas que expõem uma faceta bruta e selvagem, com blastbeats constantes e riffs que trazem à memória os Morbid Angel. A segunda parte de “Les Catacombes…” chega, inclusive, a remeter-nos para domínios não muito longe de uns Portal ou Mitochondrion. “Le Marche des Exhumés”, por outro lado, desenvolve-se a um meio-tempo com um groove que relembra Morbid Angel, uma referência constante

ao longo do disco. Apesar das boas ideias e execução muito competente, ficam algumas arestas por limar. Os sete minutos de “Dévoré par l’Humanité” são demasiado longos, alguns momentos deixam a sensação de dejá-vu e a produção pouco polida ofusca vários pormenores técnicos, além de que o som metálico da tarola nas passagens mais rápidas é uma verdadeira cacofonia. Ainda assim, o saldo é positivo e os Savage Annihilation mostram-se capazes de, no futuro, poder vir a criar um álbum mais coeso e cativante do que este primeiro longa-duração.

Eduardo Marinho

Eduardo Marinho

Eduardo Marinho


Como a música presente em Mourner Portraits sugere pela sua abordagem familiar ao DSBM, Saman Nu preferiu deixar de lado a exoticidade das suas raízes iranianas e também a imagem político-religiosa a elas associada para em vez ir beber inspiração à já concretizada dor, atrocidade e desumanização causadas durante segunda guerra mundial para criar este álbum que surge sob a insígnia de Silent Path, projeto paralelo à sua mais vasta e legítima exploração sonora feita através de Ekove Efrits. Da cáustica repetição dos arrastados riffs emergem não tanto horrorosas visões de guerra, mas os tormentos com que ela posteriormente assombra as suas vítimas. Exceto nos raros momentos livres de distorção onde se contextualizam os ricos samples com soturnas passagens minimalistas, a voz processada, cavernosa ou limpa por vezes, discursa o seu clamor mer-

gulhada na crispação de dantescas sinfonias que trovejam das guitarras embebidas numa atmosfera reverberante de bateria e melancólicas melodias de tons púrpura que saem das teclas, tons de Xasthur... É preciso notar que estas composições são de 2009, mas é também preciso notar que aí já tinham passado 3 anos do lançamento de Subliminal Genocide. Mourner Portraits é um álbum consistente com momentos muito bem conseguidos (Broken Trees, Epic Suicide), mas é também inconsequente: já se ouviu tudo isto. Para os amantes do género.

Inicialmente como baterista e desde 2005 como vocalista, Aad Kloosterwaard tem-se mantido firme ao leme dos Sinister, resistindo às várias adversidades que se intrometem no seu percurso. Com a saída de Alex Paul e Edwin van den Eeden em Maio do ano passado, o holandês viu-se obrigado a procurar novos membros e a escolha recaiu nos seus colegas de banda nos Absurd Universe. “The Carnage Ending” é o primeiro álbum a sair com a nova formação e o décimo da carreira. Produzido por Jörg Uken nos Soundlodge Studios, mantém a abordagem directa e menos experimental do seu antecessor, “Legacy of Ashes”. Após uma breve introdução, somos presenteados com dez faixas de Death Metal dinâmico, sendo “Transylvania (City of the Damned)” e a faixa-título as que mais se destacam graças à forma extremamente eficaz como mesclam brutalidade, velocidade

e compassos mais lentos. Se três quartos de hora de tareia não forem suficientes, a edição especial de “The Carnage Ending” contém um CD bónus com versões de Whiplash, Massacre, Possessed, Celtic Frost e Bloodfeast que oferecem algo com um estilo um pouco diferente, mas igualmente cativante. Em poucas palavras, estamos perante mais uma boa proposta daquela que é uma das bandas mais importantes do Death Metal holandês e esperemos que o título dado a este trabalho não seja um prenúncio de que a carnificina se aproxima do fim.

Foi o Thrash que me fez amar Metal, mas como qualquer fã, também eu senti necessidade de ouvir algo novo, algo que não tivesse sido usado e abusado no passado. Foram muitos os críticos que fizeram o funeral do Thrash e chamavam de “revivalismo” a tudo aquilo que era recente. Mas no fundo, todos esses críticos ficaram à espera - ou então na incerteza - se seria possível criar algo de novo dentro deste género já imortalizado. Rio-me ao pensar na cara de muitos quando ouviram “Face The Terror” e pensarem como é que foi possível esse sonho ter-se tornado real nas mãos de uns portugueses chamados Terror Empire. Não só contribuíram para o Thrash Global de forma inquestionável, como o fizeram parecer fácil. Muitos irão discordar de mim, é certo, mas muitos outros irão rever-se nas minhas palavras. Nada é impossível e Portugal também sabe criar. “Face The Ter-

ror” é a verdadeira chapada nos olhos dos descrentes e a verdadeira prova que o Thash não precisa de ser reciclado para voltar a ter forma. Contudo, da mesma forma que Portugal sabe criar, também Portugal sabe desvalorizar. “Face The Terror”, infelizmente, é daqueles casos que teve que ser bem recebido lá fora para ser aceite cá dentro. Acredito que possamos estar perante uma banda que ainda vai dar muito que falar e o melhor é seguirem os Terror Empire agora para depois poderem afirmar que “eu já os ouvia quando ainda não eram conhecidos”. Se o underground fosse uma procissão, nesta altura os Terror Empire iriam certamente à sombra e no fim, pois toda a gente iria querer esperar para ver o desfecho. Joel Costa

André Balças

Ivan Santos


Das exportações sonoras que a Necrosymphonic Entertainment (chefiado por Charles Sangnoir, de La Chanson Noire) tem expelido a um ritmo ininterrupto aos seus ouvintes, destaca-se recentemente a Tertúlia dos Assassinos, pertinente colosso musical encorpado por um quinteto de variados músicos / escritores que aqui se reuniram para dar voz a uma nova violência, intitulada ‘Tombo Primeiro’. Não obstante a diversificação de estilo literário evidenciado por cada um dos participantes, há uma estrutura coesa entre os sentimentos aqui expostos: hedonismo (Charles Sangnoir), esquizofrenia (Aires Ferreira), hermetismo (Gilberto Lascariz), erotismo (Melusine de Mattos) e, para finalizar, uma incessante busca pela descoberta do mal (David Soares). Na íntegra, o que temos aqui é um ‘supergroup’ interdisciplinar que conseguiu exumar dos recantos da sua ima-

ginação o álbum de Spoken Word contemporâneo mais sombrio e viajante dos últimos anos. Todos os acompanhamentos diferem: desde movimentos clássicos com diversos andamentos, até ao Dark Ambient mais austero e medonho, fruto da índole que cada intérprete aparenta dar ao seu pano de fundo sonoro. Tudo isto se torna numa implosão de pensamentos coadunados ao mais negro do espectro psicológico e artístico. Todos estes testamentos são mais do que barbaridades ou devaneios espontâneos: cada música é um verme que se entranha a pouco e pouco na nossa matéria cinzenta para nos pôr a mexer as engrenagens. A questão a colocar é: vale a pena afundarmo-nos em tão arriscada visita a tabus e perigos mentais? Sim. Frequentemente.

A originalidade não é tudo. Prova disso são os inúmeros actos musicais que são, todos os dias, reverenciados, tanto pelos fãs como pela imprensa. E ainda bem que assim o é. Arrisco-me a dizer: caso a originalidade ditasse a qualidade musical, então teríamos limitadíssimos números de bons artistas. Os polacos The Dead Goats não têm a pretensão de ser algo que, verdadeiramente, não o são. Eles descrevem-se, de modo bem explícito e directo, como sendo uma banda que pratica o death’n’roll/death metal old-school, fortemente inspirado na cena sueca dos anos 90, tendo referenciadas bandas como os Entombed e Dismember. “Cru, indecente e obsceno”. Nem sempre as bandas, ou editoras, conseguem descrever com tamanha precisão o som praticado. Este trio de Białystok, que têm raízes nos Neuropathia, apostaram em criar um álbum monstruoso,

onde a coesão é apenas um dos argumentos, durante cerca de quarenta e três minutos. Os dez temas incorporados no primeiro trabalho discográfico da banda, apresentam assim uma deliciante viagem, onde há uma clara homenagem prestada ao death metal escandinavo, seja pelos riffs dilacerantes, pela secção rítmica desenfreada ou pelos vocais fortemente inspirados no hardcore. Um disco que não satura conforme o número de audições se vão acumulando. Uma banda que promete imenso. Não há qualquer tipo de desculpas para não nos entregarmos, de alma e coração, a estes polacos.

Este é o segundo longa-duração desta banda californiana que mistura o rock com o hip-hop e o reggae. É um álbum conceptual sobre romances e desejos oníricos e que evoca atitudes positivas. Todo o disco parece ser uma bem conseguida banda sonora para o Verão, onde os bons instrumentais e as boas narrativas transportam-nos para a beira-mar, deitados sob a areia, num qualquer paraíso tropical. De facto, este parece mesmo ter sido gravado numa cabana à beira-mar, devido ao som do oceano e de gaivotas que aparece em pano de fundo em algumas canções. Todos os instrumentos são tocados com alma e é impossível não sorrir e começar a dançar ao ouvir o groove largado pela guitarra baixo. A adição de outro tipo de instrumentos como piano ou um ukelele reforça os ritmos tropicais cativantes. O som viciante mostra um grupo divertido e descontraído mas

que sabe fazer um trabalho coeso, sólido e com carácter. Isto faz com que, não sendo um álbum excepcional, não tem, verdadeiramente, nenhuma parte fraca. O talento na criação de algo tão original é reforçado com alguns convidados como Ky-Mani Marley (filho de Bob Marley), Mongo Push, Rome Ramirez, Del The Fucky Homosapien, entre outros. Cabin By The Sea excede as expectativas que havia depois do primeiro trabalho – Any Port In A Storm – e estabelece a banda como uma das mais originais actualmente.

Ruben Infante

Tiago Moreira

Ivan Santos


Nascidos em 1998 em Skogbygda, na Noruega, os “Vesen” são uma banda de Trash Metal que depois de um longo percurso com várias demos editadas e algumas mudanças de line-up no currículo, lançam o seu disco de estreia “Ugly” em 2005. Seguem-se mais dois registos: “Desperate mindless aggression” em 2009 e “Goat Carcass Rising” em 2011. “This time it’s personal”, o 4º álbum da carreira da banda, é, sem sombra de dúvidas, um disco robusto, poderoso e agressivo, apostando de forma muito inteligente em temas fortes e que facilmente ficam no ouvido, mas nunca descurando a essência do Trash. Belos exemplos disso são as faixas: “The Threat”, “Billions”, “Where the children go to die”, “Triumph” e “Fear of skin”. Fazendo lembrar em certos momentos os também nórdicos “Hypnosia” e s alemães “Kreator” (na fase inicial da sua carreira), os “Vesen”

conseguem com este disco manter a qualidade a que já nos habituaram em anteriores registos, afirmando a sua personalidade única enquanto “trashers” convictos. Indiscutivelmente, um bom trabalho!

Formados em 2005 e após uma promissora estreia na prestigiada Rise Above Records, o trio de Aberdeen encontra-se de volta com um segundo álbum, no qual prosseguem o desenvolvimento da sua original sonoridade que combina ambientes doom metal com sensibilidades pop. Nuns parcos 38 minutos, os escoceses demonstram ser uma das mais refrescantes e surpreendentes bandas da actualidade. Desde a abertura com “Goodbye” - excelente nome para um primeiro tema, diga-se! -, às assumidas influências tanto de Smashing Pumpkins como dos Beatles em “Schwarze Kraft” e “Ace Frehley”, ao poderoso refrão de “On Your Street Again” e até ao final repetitivo de “Geistkämpfer”, que encerra o trabalho, a banda mostra-se tecnicamente irrepreensível, inventiva e dotada de uma excepcional capacidade de criar uma harmoniosa simbiose entre dois estilos

aparentemente tão díspares. Sem espaço para demostrações supérfluas de individualismo, a voz e guitarra de Paul Fyfe, o baixo de Nigel Ingram e a bateria de Andy Prestidge completam-se e entrelaçam-se de uma forma natural na construção das suas melodias doom pop, com fortes possibilidades de se tornarem numa referência dos chamados “power trios”. Mais uma excelente aposta da Ván Records, editora alemã em franca ascensão, os Winters são, sem dúvida, um nome para conservar na memória.

Rute Gonçalves

Jaime Ferreira





A

chuva que varreu almas e ruas no país durante sexta-feira deu a entender que a coisa podia não correr tão bem como se esperava… mas tudo se alinhou e o bom tempo fez-se notar desde bem cedo no dia 25 de Agosto. As condições estavam reunidas para que a festa rija em Moledo do Minho se concretizasse. A promessa dos organizadores do SonicBlast era de “sol, mar, praia, surf, skate, piscina e muitas bandas”, e com o final do evento era notório que as promessas haviam sido escrupulosamente cumpridas. O festival arrancava logo pela manhã com uma oferta, quase irrecusável, para apanhar umas ondas na magnífica praia de Moledo. Segue-se para o Centro Cultural de Moledo do Minho para tomar o primeiro contacto com o local eleito para passar as próximas horas de um dia que já estava a prometer. Com o arranque dos Gesso previsto para as 16h00, estes só tiveram oportunidade de dar início à sua actuação momentos depois do programado, tudo relacionado com alguns problemas técnicos. O atraso passou a ser secundário quando o trio de Santo Tirso começou a debitar o seu magnífico stoner/psicadélico com algumas influências space. Estes rapazes pegaram nas influências de Earthless e Wooden Shjips (citando apenas algumas) para inaugurar, de modo fantástico, o palco que haveria de receber mais oito bandas. Logo de seguida somos presenteados com o blues/southern rock dos Freeloader, que infelizmente não souberam aproveitar as três guitarras para construir algo mais elaborado e refrescante. Os Equations entram em palco e os riffs brutais são substituídos por uma esquizofrenia lo-fi, que é como quem diz, um math-rock cheio de efeitos sonoros e energia. Foram, sem dúvida, das coisas mais energéticas e bem dispostas de todo o festi-

val. E depois dos Equations, voltava-se a venerar o poder do riff, desta vez com os barcelenses, conterrâneos dos grandes Black Bombaim, Kilimanjaro. O concerto começou a meio-gás mas a banda lá conseguiu encontrar a energia necessária, e tiveram na mão a maioria dos presentes. Nem o problema com a guitarra impediu que o vocalista/guitarrista José Gomes desse um concerto, que no final foi simplesmente fantástico. São sem dúvida uma banda que promete imenso, seja pelo concerto ou pelo registo discográfico que anda por aí. E era tempo de iniciar as actuações hardcore punk do SonicBlast 2012. Os espanhóis de Vigo, We Ride, espalharam o seu hardcore enérgico, que conseguiu chamar a atenção de muita boa gente. Pena que o conteúdo musical fosse tão genérico e desanimador. Hora de parar para recarregar energias e jantar. E aqui encontrávamos o que seria o único ponto verdadeiramente negativo de toda a organização. Duas horas para jantar quando os concertos já levavam cerca de uma hora de atraso. O encurtamento podia, e devia, ser realizado a esta paragem. Com comida no estômago avançámos para a última actuação hardcore punk da noite. Os Mr. Miyagi deram continuidade à energia desenfreada que os espanhóis tinham iniciado antes do jantar, e foram assim aplaudidos por muitos dos presentes. O concerto foi finalizado com uma invasão do palco por parte de fãs e espectadores mais “bem-dispostos”. É sempre uma boa maneira de encerrar um concerto… E eis que chegava a hora de actuar uma das bandas mais excitantes dos últimos tempos, os barcelenses Black Bombaim. Com a noite completamente instalada, o trio, que editou este ano o excelente “Titans”, deu início ao que haveria de ser


uma das melhores, senão mesmo, a melhor actuação de todo o dia. Com uma química fora do comum, o trio proporcionou a todos os presentes, momentos sublimes com o seu rock psicadélico, inspirado nos brilhantes anos 70. Tudo isto resultado de uma maturidade evidente, e de um compromisso com a arte descomunal. Prova disto tudo será o convite que lhes foi endereçado, por estes dias, para actuar no mítico Roadburn… a primeira banda nacional a ter tal privilégio. É obra! Os anos 70 recebiam mais um tributo, desta vez pela autoria dos germânicos Samsara Blues Experiment. Uma aplicação de heavy rock, space e stoner, fez resultar mais um grande concerto. De referir que estamos a falar de uma banda que já participou no Roadburn. Mais uma prova de que o pessoal do SonicBlast não anda a dormir… muito pelo contrário. E para terminar, e já que tanto se falou de Roadburn, eis que levámos com os holandeses Sungrazer. Autor do magnífico “Mirador”, este trio finalizou o dia com mais um acto de psicadelismo, bem acompanhado pelos ritmos “mastigados” do stoner. Todos os que tiveram a sorte e privilégio de vê-los na edição de 2011 do Amplifest, sabiam que podiam confiar numa actuação bastante conseguida… e as expectativas não foram, de maneira nenhuma, defraudadas. Chega ao fim um dia repleto de fortes emoções, onde a boa disposição, o sol, o surf, o skate, o excelente recinto (com direito a piscina e tudo) e uma catrefada de boas bandas foram os ingredientes suficientes para que o SonicBlast 2012 fosse um sucesso. Um festival para quem gosta de música, e feito por – e olhem que isto é bem importante – pessoas que genuinamente gostam dela. Até para o ano. Apareçam! Texto: Tiago Moreira Fotografia: João Pedro Rocha A INFEKTION MAGAZINE AGRADECE À ORGANIZAÇÃO DO SONICBLAST E AO FOTÓGRAFO JOÃO PEDRO ROCHA PELA CEDÊNCIA DAS FOTOS E PELA OPORTUNIDADE DE FAZER ESTA REPORTAGEM!




N

o passado dia dia 6 de Junho teve lugar no Hard Club a apresentação do novo trabalho dos Urban War gravado no Soundvision Studios entitulado “Reborn”.”Reborn” tem edição pela Raising Legends, tendo sido já apresentado o single “Until it Falls” para suscitar a curiosidade dos seus fãs. Convidados especiais desta noite de festa e convívio do underground nortenho foram os Chaos in Paradise e os Headstoned que deram um bom contributo, para uma noite no mínimo interessante e recheada de “adereços veraneantes”, metal e mosh. Chaos in Paradise com a sua frontwoman Sara Valente sempre a “puxar” pelo escasso mas fervoroso público, deram início ao evento à hora marcada, sendo este um concerto de despedida para o seu baixista Ricardo Barros, membro bastante acarinhado pelos elementos da banda o qual decerto seguirá agora novos projectos. A sua prestação foi dedicada à apresentação do seu EP “Let The Bliss Remain”, mas os Chaos in Paradise estão já em fase de composição e congeminação de um novo trabalho a surgir lá para 2013. Os Headstoned, também prestes a entrarem em fase de composição de um novo trabalho, apresentaram um competente concerto ainda inserido na promoção do seu álbum “I Am All”. Veteranos nestas andanças mostram o profissionalismo que possuem no som que produzem, cada vez mais apelativo e evoluído. A contribuir para a festa estava Migas o pequeno grande fã dos Headstoned e principalmente do seu pai, o guitarrista Nuno; imparável em todos os momentos da prestação do grupo, a fazer minúsculos “horns up”, Migas revelou-se um caloroso roqueiro em construção.

De louvar a escolha do espaço para tal evento, o Hard Club, embora seja tarefa complicada encher uma sala deste gabarito, proporciona a quem lá passa pelo menos um bom som, um bom palco e um bom espaço. Embora nas actuações das duas primeiras bandas se notasse um pouco a ausência de público pela negra sobra de espaço da sala, em Urban War já estava algo mais composto, verificando-se que este grupo já conquistou uma certa legião de fãs, que querem partilhar da loucura e dos pesados acordes ofertados pelos seus membros. Parecia o início da “silly season” pois do seu concerto fizeram parte a verdadeira caixa de vinho acompanhada de mangueira e funil para distribuir pelos presentes, bolas de praia e até mesmo um barco insuflável à la Rammstein. Como se não fosse suficiente o debitar dos novos temas e o comportamento “eléctrico” do vocalista Bobby, estes adereços levaram o público à loucura e à verdadeira festa, ou seja, objectivo cumprido. Texto: Helena Granjo Fotografia: Helena Granjo






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